Últimas indefectivações

sábado, 21 de março de 2026

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa que dirigiu, por via formal, um pedido de esclarecimento ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol relativamente às medidas, ilações e consequências desportivas que o Conselho de Disciplina irá retirar da decisão judicial, já transitada em julgado, que condena a FC Porto SAD no denominado caso dos e-mails.
O Sport Lisboa e Benfica recorda que, entre abril de 2017 e fevereiro de 2018, a FC Porto SAD, através do seu então Diretor de Comunicação, utilizou canais oficiais do clube para divulgar, de forma reiterada e pública, conteúdos obtidos ilicitamente, formulando acusações graves de corrupção, manipulação de árbitros e adulteração da verdade desportiva por parte do Sport Lisboa e Benfica – acusações essas que vieram a ser comprovadas em tribunal como falsas e totalmente infundadas, tendo igualmente constituído um grave dano reputacional para as competições nacionais e uma forma direta e grave de condicionamento de agentes desportivos.
Importa igualmente sublinhar que tais condutas foram praticadas no exercício de funções, com conhecimento, validação e apoio público da administração da FC Porto SAD, não se tratando de atos isolados ou excessos individuais, mas antes de uma atuação institucional concertada.
Tendo a decisão judicial transitado em julgado, sem qualquer possibilidade de recurso, e considerando que o Conselho de Disciplina instaurou um processo sobre esta matéria em finais de 2017, sem que tenha havido qualquer desenvolvimento ao longo de mais de oito anos e meio, o Sport Lisboa e Benfica entende que não subsistem, nesta altura, mais quaisquer factos por apurar ou analisar.
Nesse sentido, é imperativo e urgente que o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol esclareça, de forma inequívoca e sem mais delongas, quais as consequências e sanções desportivas a aplicar à Futebol Clube do Porto, SAD, face à gravidade dos factos confirmados e provados em tribunal."

E JÁ VAI TARDE: É HORA DA JUSTIÇA DESPORTIVA DAR A SUA MARTELADA


"Acabaram-se todas as hipóteses de recurso a qualquer instância: a decisão do Tribunal Constitucional tornou a sentença dos emails transitada em julgado.
O Porto vai ter que pagar ao Benfica pela patifaria da divulgação de correspondência privada - e pior: truncaram-na para fazer passar uma ideia que não estava no conteúdo dos emails e violaram segredos de negócio de um concorrente. Tudo gravíssimo!
Isto foi na justiça civil, que ainda tem outro processo relativo à divulgação dos emails já decidido e a aguardar a fixação do valor da indemnização ao Benfica devido aos danos reputacionais causados.
Agora a justiça desportiva, com o trânsito em julgado de uma inequívoca sentença civil, não tem por onde continuar a assobiar para o lado, não tem por onde fingir que isto não lhe diz respeito. Porque diz - e de que maneira!
Esteve muito bem o Benfica no comunicado que fez sair hoje. Assino por baixo tudo o que lá está escrito relativamente às consequências de penalizações desportivas das patifarias já provadas e condenadas. Não podem ficar impunes!"

Subida no 'ranking' foi mérito dos clubes de uma liga cogumelo


"Portugal tem melhores jogadores e treinadores, mas falta criar, semana após semana, bons espetáculos. Não é por acaso que a liga é apenas a oitava na Europa ao nível de assistências

Portugal recuperou o sexto lugar do ranking UEFA e isso é uma boa notícia. Tal como é hábito nestas situações, as palavras de regozijo do presidente da Federação, Pedro Proença, e da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, foram imediatas, ainda que em boa verdade esta tenha sido uma conquista dos mesmos de sempre: os três grandes e o SC Braga, representantes habituais do futebol nacional na Europa.
Há uns tempos, um criador de conteúdos nas redes sociais (creio que alemão) imaginou o que seria uma liga ibérica, não tendo dúvidas em selecionar este quarteto num campeonato de 18 clubes, respeitando mais ou menos a proporção dos dois países (14 para os espanhóis, 4 para portugueses), considerando que esta seria uma liga que competiria com a inglesa como a melhor do Velho Continente.
Trago este exemplo para ilustrar como a opinião pública internacional, e em especial aquela que se move no espaço digital, vê o futebol português. Raramente analisa-o como um todo, apenas de forma segmentada. Benfica e FC Porto com muita projeção, Sporting a fazer o seu caminho consolidado (ainda falta sair de 'Lisboa'), SC Braga com um trajeto consolidado. Quanto ao resto, é um profundo desconhecimento.
Alguns dirão que pouco ou nada se poderá fazer. Que o tecido social em Portugal é desigual e centralizado e o campeonato está fadado a ter o aspeto de um cogumelo, com uma diferença grande do píleo (o chapéu) para a parte mais fina em baixo.
Os últimos sinais também não fazem adivinhar nada de novo. O chumbo no mês passado da distribuição do mecanismo de solidariedade pelos emblemas da Liga 2 foi apenas uma demonstração de uma cultura de décadas, algo que nos Países Baixos, por exemplo, já existe há vários anos.
Mas há outro dado que também vale a pena refletir. Portugal é o sexto do ranking UEFA, é o 6.º nos últimos 20 anos em presenças nos quartos de final da Champions (nove, apenas menos duas que a França) e muito à frente do 7.º, Países Baixos (só duas). Mas ao nível de assistências ocupa um modesto 8.º lugar, com 12.300 pessoas por jogo (já inclui partidas dos três grandes), atrás dos 20.000 da Eredivisie (6.º lugar).
Portugal possui assumidamente melhores jogadores e treinadores, mas falta uma identidade coletiva que observo noutros países que lutam pelo mesmo espaço. Ainda muitos se recordam de um famoso vídeo produzido pela Eredivisie em 2023 usando Boulahrouz como protagonista quando os neerlandeses roubaram o sexto lugar à liga portuguesa. Por cá não houve qualquer resposta, à exceção das declarações institucionais. Pode parecer algo sem importância, mas não é: a força das marcas também se vê nestes detalhes.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Rui Borges, treinador do Sporting A reviravolta frente ao Bodo/Glimt vai colocá-lo nos livros de história do Sporting. A gestão do grupo, o estudo do adversário e a comunicação foi um tratado. O Arsenal é favorito nos quartos de final, mas não são favas contadas. Garantidamente.

Estagnado
Rui Costa, presidente do Benfica Pode ter razão material nos reparos que fez na Gala Cosme Damião, mas um momento como este exige outra solenidade que não o tradicional rol de queixinhas. Apouca a figura do presidente e do clube.

A descer
Sérgio Conceição, treinador do Al Ittihad Foi para a Arábia Saudita, agarrou no clube campeão, mas os resultados não são famosos: apenas 17 vitórias em 32 jogos, está fora da luta pelo título e foi afastado da Taça do Rei nas meias-finais. Não tem sido feliz nos seus projetos desde que saiu do FC Porto."

Agora imaginem, por um momento, que Portugal até tinha bom futebol


"A imagem projetada pelos principais protagonistas mediáticos do futebol português retiram-lhe boa parte do valor que é intrinsecamente produzido (e curiosamente pelos mesmos...)

Formalmente, Portugal tem uma das oito melhores equipas da Europa, com a presença do Sporting nos quartos de final da UEFA Champions League. Imaginem o que aconteceria se o futebol português fosse bom.
Tem também duas das oito melhores equipas da segunda competição de clubes mais importante da Europa, e estas, sem grande hesitação, sérias candidatas a um lugar na final, que aliás disputaram há 15 anos em Dublin. O que mais seria possível se o futebol português fosse competente?
O Benfica está uma vez mais na fase final a quatro da Youth League. Já a conquistou uma vez, tal como o FC Porto, e em dez edições esteve em mais duas finais. Agora vejam bem: se por acaso vivêssemos num país com um bom futebol — teríamos ganho oito em dez?
A Seleção Nacional de futebol de onze masculino (fiquemo-nos, hoje, pelo futebol de onze), campeã da Europa em 2016 e duas vezes vencedora da Liga das Nações, apresenta-se no Mundial-2026 como candidata assumida à vitória final. Se isto acontecesse num país bom de bola talvez até já pudesse encomendar as faixas.
Dizem os registos oficiais que Portugal também é campeão europeu e mundial de sub-17 em título. Isto num país a sério é que era...
Enquanto tudo isto acontece, três clubes monopolizadores do espaço mediático e mais meia dúzia de aspirantes tentam, a cada dia, denegrir a imagem do futebol português, da Liga portuguesa, da nossa competitividade.
Tudo corre mal — cheio de suspeições e intrigas e aldrabices e injustiças e faltas de equidade. Sobretudo quando não ganhamos.
Nada se faz em prol do futebol nacional, e todavia são os próprios clubes a acompanhar as Seleções Nacionais nos trilhos de um sucesso estatisticamente improvável num país tão pequenito e pouco povoado.
Há uma contradição — não sei se já reparámos — entre o que os principais protagonistas mediáticos apregoam semana após semana e a real correspondência em termos de resultados internacionais, já para não falar de uma Liga com três contendores capazes de a conquistarem a poucas jornadas do fim, como tem sido hábito e não acontece assim tanto pela Europa fora.
É esse ecossistema de maledicência e rivalidade estéril que prejudica o valor-moeda do futebol português. Não a qualidade do trabalho de todos. Juntos."

Homenagem...

BI: Antevisão - Guimarães...

O Benfica Somos Nós - É para cima deles #14 - Guimarães...

Trivela #3 - Pizzi & Rui Porto Nunes

Visão: Contas...

Benfica Podcast #587 - Manco Clutch

Adeus ‘Manitas’


"Parece que o Céu tem uma predileção especial por levar os ‘bons’ do nosso convívio. O Silvino era melhor pessoa do que guarda-redes. E como guarda-redes foi um gigante…

Mais um soco no estômago. O desaparecimento de Silvino Louro, o ‘Manitas’, é uma tragédia que se junta aos desaparecimentos precoces de Manuel Bento e Neno, com quem fiz o meu percurso no Benfica entre 1982 e 1988.
Comecei a jogar contra o Silvino no Campeonato Nacional de Juniores em 1975. Eu pelo Sporting e ele pelo Vitória de Setúbal. Falava-se, na altura, de um miúdo que trabalhava numa padaria, e que tinha umas mãos que davam para tirar o pão do forno, daí a alcunha que o acompanhou. Perdi a conta às vezes em que nos defrontámos, ao longo de cinco épocas (de 1977 a 1982), ele sempre no Vitória sadino e eu representando Belenenses (1977/78 a 1980/81) e Portimonense (1981/82); e mais ainda foram as vezes em que estivemos juntos em inúmeros estágios, de preparação e para jogos, das seleções dos sub-21 aos sub-23.
Seguiu-se o convívio no Benfica, onde ninguém esquece o choque que teve (carregado de razão) com Pal Csernai em 1984/85. No mais, um companheiro sempre leal, frontal, que viria a fazer história ao disputar duas finais da Taça dos Campeões Europeus. Mais, só Costa Pereira. Adeus ‘Manitas’."

Obrigado, Pai, por me teres feito Benfiquista


"Para ser honesto, não me lembro do dia em que decidi ser do Benfica; acho que já nasci com essa vontade. Mas, se houve alguém que teve influência nisso, foi o meu 'velhote' (expressão de carinho).
Quem conheceu o Sr. Tó sabe que ele era pouco expressivo e pouco dado a manifestações emocionais, ao contrário de mim, que sempre fui um abrasado do caraças, especialmente no que toca ao Benfica. Muitos dos nossos momentos de afeto foram vividos à custa do clube.
No tempo em que os jogos eram todos à mesma hora e não passavam na TV, recordo-me dos domingos à tarde numa sala D. Pedro V às escuras, entre refeições. Ele enfiado no escritório, naquela que foi a primeira cabine de som da discoteca, e eu do lado de fora, mesmo logo à porta, a partilharmos o relato. O Sr. Tó com a sua calma característica e eu maluco de ansiedade porque o Benfica nunca mais marcava (ao final de 5 minutos de jogo já assim estava). Quando o golo surgia, era o descanso; naquele tempo, tínhamos um 'Deus' na baliza: o Sr. Manuel Bento.
Lembro-me também, como se fosse hoje, dos famosos 0-2 nas Antas com o bis do César Brito. Teria uns 12 ou 13 anos, sentados num Renault 5 já 'chaveco', na antiga Praça D. Pedro V de terra batida, com as imponentes tileiras como testemunhas de me ver vibrar maluco a cada golo, enquanto o Sr. Tó se mantinha tranquilo, mas a fervilhar por dentro, bem ao seu estilo.
Nem tudo foram vitórias. A primeira lágrima que verti pelo Benfica foi quando o Veloso falhou o penálti. Era mais miúdo, estávamos numa sala do D. Pedro V quase reservada para quem via o jogo. Eu chamava nomes a tudo e a todos sempre que um jogador ficava sem bota a caminho da baliza. No final, de olhos ensanguentados e a lutar contra o choro, o Sr. Tó passou-me a mão pelos ombros, consolando-me à sua maneira. Talvez estivesse mais triste do que eu, mas era o jeito dele. Curioso que foi por causa deste jogo, no dia a seguir, que levou a que anos mais tarde me torna-se sócio. Percebi que a forma de lutar pelo clube que idealizo era essa, mas isso fica para outra história.
Para quem não conhece o contexto: tudo isto foi vivido a mais de 200 km do estádio. Ir à bancada era uma ilusão, mas vivia-se um Benfiquismo puro e sincero, algo que sinto cada vez mais distante e o Benfica era o pretexto de afeto entre pai e filho.
Por isso, sim: obrigado, Pai, por me teres trazido ao mundo e por me teres feito Benfiquista."

Chico-espertice...

Rui Costa: Silvino...

BF: Mudanças...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O ranking e a semana perfeita de Sporting, SC Braga e FC Porto

Observador: E o Campeão é... - Convocatória à portuguesa: CR7 sai da frente e avança Guedes

Observador: Três Toques - O adeus à lenda, Silvino Louro

SportTV: Primeira Mão - 😮 Arsenal no caminho do Sporting… e na pele de Hjulmand!

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #106

Aquecimento...


História Agora


Terceiro Anel: DRS #44 - HARAKIRI DA MCLAREN & SUZUKA GP!! 🏎️🏁

Bebidas energéticas, cáries e desempenho desportivo — uma relação ignorada


"O consumo de bebidas energéticas tornou-se comum entre jovens e atletas, isto porque promete mais energia, concentração e resistência. Aliás, estas bebidas são quase sempre associadas ao desempenho desportivo. No entanto, é fundamental analisar uma consequência importante do seu consumo: o impacto na saúde oral, particularmente no aparecimento de cáries dentárias.
As bebidas energéticas apresentam geralmente dois fatores de risco relevantes para os dentes: elevados níveis de açúcar e elevada acidez. O açúcar alimenta as bactérias presentes na boca, que produzem ácidos capazes de desmineralizar o esmalte dentário. Ao mesmo tempo, a própria acidez das bebidas energéticas contribui para enfraquecer essa camada protetora do dente. Esta combinação cria um ambiente ideal para o desenvolvimento de cáries, sobretudo quando o consumo é frequente ou associado a hábitos de higiene oral insuficientes.
Entre atletas e praticantes de atividade física, e devido ao consumo destas bebidas, a questão pode ser ainda mais problemática. Durante o exercício físico, a produção de saliva tende a diminuir devido à desidratação, sendo que a saliva desempenha um papel essencial na proteção dos dentes, pois ajuda a neutralizar os ácidos e a remineralizar o esmalte. Assim, quando há menos saliva e simultaneamente um consumo elevado de bebidas açucaradas e ácidas, o risco de cáries aumenta de forma muito considerável.
Embora as cáries sejam muitas vezes encaradas apenas como um problema dentário localizado e até de fácil resolução, as suas consequências podem ir além da cavidade oral e podem mesmo influenciar o desempenho desportivo. A dor dentária, por exemplo, pode interferir com a concentração, a qualidade do sono e o bem-estar geral do atleta. Mesmo quando a dor não é constante, episódios de sensibilidade ou desconforto podem afetar o rendimento durante treinos e competições. Por outro lado, infeções associadas a cáries avançadas podem desencadear processos inflamatórios no organismo. A inflamação sistémica pode comprometer a recuperação muscular e aumentar a sensação de fadiga, fatores que são particularmente relevantes para atletas que procuram maximizar o seu desempenho físico.
É por isso fundamental promover uma maior consciencialização sobre os efeitos das bebidas energéticas na saúde oral. Para quem é atleta e consome estas bebidas com frequência, o melhor mesmo é consultar o médico dentista com maior frequência para evitar o aparecimento de cáries ou outros episódios inflamatórios. Existem, no entanto, medidas simples que podem ajudar no processo, como moderar o consumo de bebidas energéticas, evitando a ingestão frequente ao longo do dia, beber água após o consumo e manter uma higiene oral adequada. Pequenos hábitos que podem reduzir significativamente o risco de cáries.
Deixar um alerta sobre a relação entre bebidas energéticas, saúde oral e desempenho desportivo que merece mais atenção que por parte dos atletas, treinadores e profissionais de saúde. Atletas e praticantes de exercício físico preocupam-se frequentemente com nutrição, treino e recuperação, mas a saúde oral é muitas vezes negligenciada. No entanto, dentes saudáveis também fazem parte de um corpo saudável — e podem ser um fator silencioso, mas importante, no caminho para um melhor desempenho desportivo.
E quando chega o momento de subir ao pódio, nada melhor do que poder celebrar a vitória com um sorriso saudável."

Aposta no feminino


"No mês dedicado à celebração dos direitos da mulher e à sensibilização para a importância da igualdade de género, é essencial refletir sobre o papel das mulheres no desporto em Portugal.
Publicada a 15.02.2024 a Lei n.º 23/2024 introduziu, há dois anos atrás, uma mudança significativa no panorama desportivo português ao impor uma maior paridade entre géneros na composição dos órgãos dirigentes das federações desportivas e da liga profissional uma vez que estabelece que, a partir de 2026, a proporção de pessoas de cada sexo nessas estruturas não pode ser inferior a 33,3% — proporção que a FPF cumpre e respeita.
Esta transformação não é apenas sobre estatística, mas também sobre garantir que as mulheres possam participar nas decisões que moldam o desporto nacional. A representação feminina em cargos de poder e influência é essencial para enfrentar as dinâmicas desiguais e eliminar barreiras estruturais que, durante anos, perpetuaram práticas discriminatórias e limitações ao desenvolvimento do desporto feminino.
Paralelamente à maior representatividade em cargos de liderança, é também imprescindível investir na promoção do desporto feminino em todas as modalidades e níveis de competição – os planos apresentados pela FPF ontem para os próximos 10 anos são um bom exemplo.
Com efeito, as mulheres ainda enfrentam desafios em termos de visibilidade, financiamento desigual e estereótipos enraizados. Estas barreiras começam cedo, nos primeiros níveis de iniciação ao desporto. O desporto é um dos maiores espaços de inclusão e superação de barreiras na sociedade.
Garantir que todas e todos tenham oportunidades iguais não é apenas uma questão de princípio, mas uma condição essencial para um futuro mais justo e enriquecedor, onde o desporto se afirma como uma plataforma de transformação social capaz de inspirar gerações."

Devolução do troféu? O caso Marrocos-Senegal na CAN


"O caso recente da final da Taça das Nações Africanas (CAN), que opôs Senegal e Marrocos, trouxe para o centro do debate uma questão tão simples quanto juridicamente complexa: pode falar-se em abandono de jogo sem uma decisão do árbitro nesse sentido?
Em janeiro de 2026, o Senegal venceu Marrocos por 1-0 após prolongamento. Contudo, nos instantes finais do tempo regulamentar, a marcação de um penálti a favor de Marrocos desencadeou protestos que levaram os jogadores senegaleses a abandonar temporariamente o relvado. O jogo foi interrompido, mas acabaria por ser retomado e concluído, com validação do resultado em campo.
Esta semana, a Confederação Africana de Futebol decidiu sancionar o Senegal com derrota administrativa por 0-3, entendendo que houve abandono de jogo. A decisão alterou o desfecho da competição e levantou um problema jurídico relevante, que vai além do caso concreto.
No centro desta controvérsia está uma questão essencial: quem decide, juridicamente, a existência de um abandono de jogo?
À luz das Leis do Jogo da FIFA, essa competência pertence, em primeira linha, ao árbitro, enquanto autoridade máxima em campo, responsável por determinar se estão reunidas condições para a continuação ou conclusão da partida. Se, perante a saída dos jogadores, o árbitro opta por interromper temporariamente o encontro e, posteriormente, retomar e concluir o jogo, tal decisão traduz, necessariamente, a não qualificação da situação como abandono definitivo. Neste contexto, a intervenção posterior de uma entidade disciplinar levanta uma questão delicada: pode um órgão administrativo reconfigurar, a posteriori, a natureza jurídica de um incidente ocorrido em campo, atribuindo-lhe consequências que não foram reconhecidas pela autoridade competente no momento?
A questão não é meramente teórica. O Direito do Desporto admite a intervenção disciplinar sobre factos ocorridos durante o jogo, mas essa intervenção não é ilimitada. Quando implica alterar a qualificação de um evento central - como o abandono - e, por consequência, o próprio resultado da partida, torna-se inevitável questionar os seus limites.
Mais do que discutir quem ganhou em campo ou na secretaria, este caso expõe uma tensão estrutural entre dois planos: o da decisão técnica, tomada no momento pelo árbitro, e o da reavaliação disciplinar, feita posteriormente pelas instâncias competentes. A articulação entre estes dois níveis é essencial para garantir a coerência do sistema.
No limite, a questão que se coloca é simples: pode o Direito reescrever o jogo quando o próprio jogo já foi validamente concluído? A resposta, mais do que jurídica, é definidora do equilíbrio entre autoridade, regulamentação e a própria essência da competição.
Em última análise, este caso revela que o verdadeiro conflito não está apenas no resultado, mas na definição de quem tem autoridade para qualificar juridicamente o que acontece em campo. Quando o árbitro permite que o jogo prossiga e chegue ao seu termo, parece afirmar que não houve abandono; quando uma instância disciplinar conclui o contrário, introduz-se uma rutura entre o momento desportivo e a sua leitura posterior.
Mais do que uma divergência pontual, trata-se de uma tensão estrutural que o Direito do Desporto não pode ignorar. Porque, se aquilo que acontece em campo pode ser reconfigurado depois, então a própria ideia de decisão final torna-se, inevitavelmente, relativa.
Resta agora saber como será resolvida a questão: tudo indica que o Senegal irá impugnar a decisão, cabendo ao Court of Arbitration for Sport (Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça) a palavra final sobre os limites entre o que se decide em campo e o que pode ser reescrito fora dele."