Últimas indefectivações

terça-feira, 17 de março de 2026

Agressão?! Faltou a acção disciplinar... para a puta com o apito!

Entretanto na B: nem sequer foi assinalado falta !!!

Diferenças!!!

Verdadeiro Touro Azul que odeia o Vermelho !!!

A Lagartada do CD anda de peito feito !!!

Patada no adversário sem bola... tudo legal !!!

34.º

Rui Costa tem a palavra


"Estamos a nove jornadas do fim da temporada-zero de José Mourinho no Benfica. A bola está nos pés de Rui Costa, que terá de optar entre um projeto de longo prazo e a vertigem da fuga para a frente. Nos tempos do ‘maestro’, era certo e sabido que o passe seria certeiro. E agora?

É sempre imprudente, quando falamos de futebol, avançar previsões demasiado estreitas, porque não faltam exemplos de improbabilidades que desmentiram as ‘odds’. No entanto, creio que não estarei a ir longe demais se disser que o Benfica tem entre cinco e dez por cento de possibilidades de ser campeão nacional, e entre vinte e cinco e trinta de terminar em segundo. Para chegar a estes números não possuo quaisquer bases científicas de suporte, apenas um ‘feeling’, pessoal e logo subjetivo, que radica no calendário de cada um dos três primeiros e nas sensações que têm deixado.
Será, pois, avisado, que os encarnados (seguindo o lema «espera o melhor e prepara-te para o pior») comecem a trabalhar na temporada de 2026/27, partindo do princípio de que vão jogar a Liga Europa, ou seja, conhecendo as balizas que irão definir o investimento, e sabendo que podem planificar a preparação sem condicionalismos de pré-eliminatórias e ‘play-offs’. Se estes passarem a estar na equação, será, na ótica encarnada, por uma boa causa…
E há Mourinho, um dos melhores treinadores do mundo, que já afirmou a sua disponibilidade para dar corpo a um projeto no Benfica que vá para além da espuma dos tempos.
Será justo que se considere 2025/26 a época-zero de José Mourinho no Benfica, porque já apanhou o comboio em movimento e, essencialmente, porque teve de se adaptar a um plantel que não escolheu. Se, para 2026/27, não lhe faltarem com a estabilidade, e lhe derem os meios (mais na lógica de se enquadrarem no modelo de jogo que pretende, do que olhando para a questão dos custos…), o Benfica não só ficará mais perto do sucesso, como lançará bases para a continuidade que tem faltado.
O percurso do Benfica, nesta fase, não pode considerar-se entusiasmante, embora, ao longo da época, tenham surgido alguns vislumbres do que é possível vir a acontecer, assim os dirigentes mantenham a cabeça fria e acreditem na forma de lá chegar: os jogos, na Luz (onde o Benfica poderá ter hipotecado a Liga ao empatar com Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia – juntando-se a estes ‘desastres’ o empate em Tondela) com o Nápoles e, sobretudo, com o Real Madrid, foram francamente bons e podem ser considerados pontos de partida interessantes.
Se Rui Costa tiver lucidez analítica e convicções fortes, tem condições, talvez as melhores de que já dispôs, para dar corpo a um Benfica estruturado, consistente e coerente, capaz de marcar época no futebol nacional.

PORTUGAL NA UEFA
Escrevi, no início da época que, em função dos pontos que Portugal ia perder face à Bélgica no ranking da UEFA (e isso era matéria confirmada), havia a forte possibilidade de vermos a nossa posição enfraquecida no final da temporada. Quando nos vimos sem representantes na fase de grupos na Liga Conferência, o cenário agudizou-se, e só não se tornou verdadeiramente dramático porque aos belgas, com a eliminação do Anderlecht às mãos do AEK, aconteceu o mesmo.
Vieram os jogos e as contribuições de Sporting, FC Porto, SC Braga e Benfica não só revitalizaram as nossas hipóteses, como potenciaram a ambição de recuperar uma posição, relativamente aos Países Baixos (que implodiram!) no ranking da UEFA. Agora, façam o que fizerem leões, dragões e guerreiros, Portugal já garantiu mais um representante na Champions de 2027/28, uma extraordinária notícia para o nosso futebol.
O alerta que fiz no começo da temporada veio a manifestar-se manifestamente exagerado. Enganei-me, e ainda bem que assim foi. Não quer isto dizer que os problemas estruturais do nosso futebol profissional tenham desaparecido, apenas foram, durante algum tempo, varridos para baixo do tapete. Enquanto não se arranjar solução para a revitalização da ‘classe média’, e não houver uma maior aproximação entre orçamentos, andaremos sempre com o coração nas mãos. Não vejo que a primeira situação possa ser resolvida sem uma requalificação dos quadros competitivos; nem que a segunda não dependa da venda centralizada dos direitos televisivos. Não acredito que os clubes queiram a primeira, nem que a centralização venha a verificar-se em termos que mudem seja o que for. Por isso, a luta continuará, numa lógica de três grandes e um outro a crescer, enquanto os restantes emblemas, propriedade de grupos económicos, na maioria mais interessados nas contas do que na coerência do projeto desportivo, vão tentando, mais do que viver, sobreviver.
Há demasiados clubes desenraizados, pelo afastamento dos adeptos provocado pelo mercantilismo, e outros que sobrevivem apenas como barrigas de aluguer. Nesta hora de júbilo pelo facto de passarmos a estar mais bem representados na Champions, talvez não seja pior aproveitar o astral positivo para abordar, com seriedade, todas estas questões, e procurar soluções que vão para lá do umbigo de cada clube.

MUNDIAL 2026
Terei sido a primeira voz a alertar para os efeitos da guerra no Médio Oriente sobre o Mundial de 2026. Ao dia de hoje, a dúvida não reside apenas em saber quem tomará o lugar do Irão. É pertinente questionar se (mesmo com a Gronelândia no congelador, passe a redundância) não haverá outros países dispostos a não estar na América do Norte (e se a Espanha, um dos mais fortes candidatos ao título, disser ‘não’?). E mais: o recente caso da recusa, por parte das autoridades norte-americanas, de vistos a dez jogadores do Mount Pleasant, da Jamaica, que iam disputar um jogo da CONCACAF com o LA Galaxy, não pode ser já um sinal do que está para acontecer, com jogadores, dirigentes, jornalistas e adeptos?

FREDERICO VARANDAS
Sem surpresa, o presidente do Sporting foi reeleito por esmagadora maioria. A estabilidade regressou a Alvalade (muito devido à forma como a questão das claques foi resolvida – honra a Varandas - e ainda à revolução de veludo levada a cabo por Ruben Amorim e Hugo Viana, a que acresceu uma gestão financeira rigorosa – honra a Francisco Zenha -, o rendimento desportivo permitiu, não só no futebol, que os leões voltassem a ser liderantes, e tudo isto teve como consequência não só o aumento da ocupação do estádio de Alvalade como também a mudança das cores das contas do clube, que passaram do vermelho ao verde. Quando pegou no Sporting, ainda iam altas as labaredas do incêndio provocado por Bruno de Carvalho, Varandas demonstrou coragem; à coragem seguiu-se um processo de aprendizagem durante os anos de Marcel Keizer; a cereja no topo do bolo foi o ‘all in’ que representou a contratação de Ruben Amorim ao SC Braga. «E se correr bem?», perguntou então o treinador? Correu mesmo muito bem! E o Sporting, no pós-Amorim, soube preservar as bases do trabalho e manter-se a um nível muito alto (a derrota na Noruega, um epifenómeno, em nada desmente a realidade abrangente atrás descrita).
Faltará, ainda, a Varandas, e talvez isso seja conseguido no mandato que agora inicia, um contributo maior para a normalização das relações entre os principais clubes. Trata-se de um elemento essencial para o desenvolvimento da indústria do futebol que não tem, forçosamente, de colidir com os interesses do Sporting."

Na frente do Benfica a verdade anda ali pelo meio


"O rendimento recente de Ivanovic tem um reverso chamado Anísio, mas compensa o mau momento de Pavlidis e alimenta a discussão relativamente às opções de Mourinho no ataque do Benfica

Com a ajuda de um banco de luxo, pelo menos no que diz respeito ao investimento que implicou, o Benfica lá conseguiu mais um milagre resultadista, agora em Arouca. Uma reviravolta frente à equipa de Vasco Seabra, sustentada numa exibição novamente satisfatória no plano da entrega e da garra — nada a apontar nesse sentido —, mas sofrível, uma vez mais, do ponto de vista da solidez e da clarividência, tanto a nível técnico como tático.
As águias não tiveram José Mourinho no banco, mas ao minuto 73 fizeram de lá saltar quatro jogadores que custaram quase 70 milhões de euros, incluindo Prestianni e Ivanovic, protagonistas do golo da vitória, apontado ao minuto 90+6. O avançado croata, que não marcava para a Liga desde o jogo da primeira volta com o Arouca, confirmou as boas indicações que já tinha deixado frente ao FC Porto, quando assistiu o golo do empate de Leandro Barreiro.
Uma boa notícia para Mourinho, perante a seca de Pavlidis, que já leva mais de 600 minutos sem marcar, e também considerando as exibições de Rafa Silva, que pode ter ainda margem para justificar o regresso à Luz, tendo em conta o tempo que esteve sem jogar, mas que, até por isso, não tem justificado aposta tão insistente do treinador, sobretudo a avaliar pelo rendimento crescente que Sudakov apresentava até ao acerto de contas entre Benfica e Besiktas.
O reaparecimento de Ivanovic tem um avesso, pelo menos se pensarmos em Anísio, salvador despromovido a terceira opção, mas reabre-se a discussão em torno da titularidade na frente de ataque do Benfica.
Talvez não esteja esgotado o crédito de Pavlidis (já a condição física...), mas Ivanovic, embora tenha apenas 22 anos, também merece que se olhe para o passado com consideração. Não tanto na perspetiva do valor que custou ao Benfica, porventura algo inflacionado, mas sobretudo para aquilo que fez na Bélgica, com a camisola do St. Gilloise.
De águia ao peito não será tão fácil vislumbrar espaço para atacar a profundidade, como tanto gosta, mas também não é a jogar a partir de uma ala, como tantas vezes se viu, que o perfil sai favorecido. Ivanovic é um 9, e não teve esse papel assim tantas vezes ao serviço do Benfica. Não sei se será jogador para justificar 22,8 milhões de euros, mas também não acredito que seja assim tão mau quanto já o fizeram querer parecer. A verdade, como tantas vezes, andará algures pelo meio."

A cama de Amorim, a cama de Martínez e a cama de Mourinho


"Após o Mundial, sairá um espanhol para entrar um português, que deixará o lugar onde está a um outro português? Parece bem possível. Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos...

Há uma frase inúmeras vezes proferida, sobretudo por pessoas ligadas ao futebol, sempre que há êxito numa troca de treinadores: os jogadores queriam fazer a cama ao treinador. Talvez seja verdade, mas, na minha infinita ingenuidade, não acredito que um jogador corra x com um determinado treinador quando podia correr x mais qualquer coisa. Ou que remate desenquadrado com a baliza quando podia tê-lo feito de forma enquadrada. De qualquer modo, há coisas estranhas, sim.
Olhemos para o Manchester United. Continua sem arrancar as cinco vitórias que permitam ao pobre do cabeludo rapar a trunfa. Porém, em dois meses e quase meio sem Ruben Amorim, os cordeirinhos viraram lobos: 23 pontos entre as jornadas 21 e 30. Quem fez melhor? Ninguém. O mais próximo é o Arsenal, com 21 pontos. Não há dúvida de que a ‘chicotada psicológica’ está a dar resultado. Pela entrada de Carrick, pela saída de Amorim ou pelos dois fatores?
Após 14 meses em que Ruben Amorim foi implacável na imposição dos três centrais e de alas agressivos, Carrick estancou a hemorragia de maus resultados através, basicamente, da implementação do 4x2x3x1 bem mais fácil, pelos vistos, de assimilar pelos jogadores. Amorim recebeu Heaven (2 milhões de euros) e Dorgu (29) no mercado de janeiro de 2025 e Matheus Cunha (71), Sesko (77, Lammens (21) e Mbeumo (75) no verão de 2025. Total: 275 milhões de euros. Não resultou. O melhor foi a final da Liga Europa perdida para o Tottenham. E, entretanto, ‘despachou’ Garnacho (Chelsea), Rashford (Barcelona), Antony (Bétis) e Hojlund (Nápoles).
A ‘chicotada psicológica’, entre os jogadores, centrou-se no jovem Kobbie Mainoo. Com Amorim nunca foi titular na Premier League e com Carrick (e 1 jogo com Fletcher) passou de apenas 332 minutos até início de janeiro para 874 minutos em 11 jogos. Também Dorgu e Maguire (!) passaram a jogar mais. Ou antes, o dinamarquês passou a jogar menos ‘amarrado’ ao flanco esquerdo e o inglês, ultrapassados os problemas numa coxa, regressou para ser titularíssimo.
Não se sabe, obviamente, o que as oito jornadas finais da Premier League reservam ao United. Terá ainda de defrontar três equipas do top-8 (Chelsea, Brentford e Liverpool), mas, para já, tem confortáveis seis pontos de avanço sobre o 5.º classificado. O que significa que está perto de regressar, em 2026/27, à tão desejada Champions.
A nós, portugueses, talvez interesse mais como chegarão Diogo Dalot e Bruno Fernandes a maio. Mas também ver por onde passará o regresso de Ruben Amorim aos bancos. Talvez o futuro em Portugal venha a ser, após o Mundial, uma espécie de dominó de treinadores: sai um espanhol para entrar um português que cederá o lugar a outro português. Será? Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos..."

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco desafios para o novo mandato de Frederico Varandas

Observador: E o Campeão é... - Noite de Óscares? FC Porto vestiu o fato de "campeão"

Observador: Três Toques - O ex jogador já não tem direito de voto

SportTV: Primeira Mão - Estava tudo pronto, mas... 🫢

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #103

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Os Óscares vão à Bola

Zero: Ataque Rápido - S07E33 - Com ou sem Mourinho, o futuro do Benfica

SportTV: Peixinho 🐠

Oliveira: Arouca...

5 Minutos: Live - Voleibol & Futsal...

Falsos Lentos - S06E28 - Ana Guiomar humilha Manuel Cardoso

O Resto é Bola #43 - A tática do Zorlak para o Sporting-Bodo, o ‘Pietushow’ e o herói Ivanovic em Arouca ⚽️

DAZN: The Premir Pub - Bruno e Bernardo na história da Premier League

DAZN: The Premier League - R30 - Golos

DAZN: La Liga - R28 - Golos

DAZN: Bundesliga - R26 - Golos

Central: Nuno Gomes...

Fura Redes: Bento...

Disparidade escaldante


"Quando o recente Benfica-Real Madrid se transformou num jogo de adivinha sobre o que Gianlucca Prestianni tinha dito a Vinícius Júnior, o insulto ‘maricón’ foi apresentado como menos grave do que ‘mono’. Não deveria ser, claro, mesmo que o insulto ‘macaco’ seja evidentemente um substituto para ‘inferior’.
A quantidade de atletas assumidamente homossexuais é muito baixa, mas se alargarmos o especto a toda a comunidade LGBT, as mulheres estão à frente. Assumem-se, mostram-se, casam-se. Veja-se os casos de Marta ou Megan Rapinoe no futebol. No hóquei no gelo, na poderosa NHL, há um caso assumido de um jogador gay, mas quando se olha para o lado feminino, temos Hillary Knight, capitã da seleção americana que se sagrou campeã olímpica nos Jogos de Milão, a pedir a publicamente a namorada, também atleta na equipa de patinagem, em casamento, na véspera do jogo decisivo. Muitas mais vivem livremente a vida pessoal e são exemplo de dedicação profissional.
Nos últimos meses, a série Heated Rivalry (Rivalidade Escaldante) levantou a questão: o que está implicado quando um atleta masculino, num desporto associado à virilidade - ainda que festejos e rituais de balneário impliquem proximidade -, se sente obrigado a esconder a sua sexualidade? Neste mundo imaginado aborda-se a tensão entre a pressão de gerir uma carreira de sucesso e manter uma relação secreta. Foi tal a influência, que os protagonistas saltaram do ecrã e foram convidados a transportar a tocha olímpica em Milão, mas o peso de uma cultura desportiva onde ser gay é um insulto ainda está longe de ser resolvido.
Há muita gente à espera de se sentir vista, ainda um longo caminho a percorrer."

A liderança que nasce na superação


"Num desporto onde o jogo se decide muitas vezes em segundos, e onde um detalhe pode separar a vitória da derrota, a liderança raramente se mede apenas pelas palavras. Mede-se pela forma como se reage às adversidades, pelo exemplo, pela capacidade de assumir responsabilidades e pela coragem de continuar quando tudo parece apontar na direção contrária

A história recente de Pedro Mano, guarda-redes da Seleção Nacional de futebol de praia, é um exemplo claro disso mesmo. Em 2024, na gala dos Beach Soccer Stars, o internacional português foi eleito Melhor Guarda-Redes do Mundo, distinção atribuída após votação dos capitães e treinadores das seleções nacionais da modalidade. Um reconhecimento que surge no mesmo ano em que Portugal voltou a afirmar-se entre as grandes potências da modalidade, conquistando o Campeonato da Europa.
Mas, para compreender verdadeiramente o significado desta distinção, é preciso olhar para além da gala, dos prémios e das estatísticas. Confessou-me o Pedro Mano − Ser eleito o melhor do mundo significou muito para mim. Significou que todo o trabalho feito valeu a pena e que tudo aquilo que fui construindo ao longo do tempo foi bem feito e com bases fortes.
Para o guarda-redes, o prémio não é apenas um reconhecimento individual, mas também coletivo:
− Significa que tenho à minha volta pessoas que me ajudam, que me puxam para cima e que fazem parte deste caminho.
A liderança que hoje Pedro Mano representa na Seleção Nacional não surgiu por acaso. Nem foi construída apenas nos momentos de vitória. Em 2023, o guarda-redes viveu aquele que descreve como o período mais difícil da sua carreira. O rendimento não correspondia às suas próprias expectativas e a frustração acumulava-se. Chegou mesmo a ponderar abandonar a modalidade.
− O momento mais duro da minha carreira foi quando decidi parar. Sentia que o meu futebol não estava a fluir e que estava longe daquilo que eu próprio esperava de mim −, recordou.
Mas desistir acabou por não ser o caminho. A fé, a persistência e a confiança num propósito maior fizeram-no continuar. Revelou-me:
− Houve uma pessoa que me disse que Deus tinha algo grandioso preparado para mim e que, nos dois anos seguintes, eu seria considerado o melhor guarda-redes do mundo. Confiei, continuei a trabalhar e essa promessa acabou por se cumprir.
Mais do que um episódio pessoal, esta história explica muito do exemplo que hoje exerce dentro do grupo. Porque quem já esteve perto de desistir e conseguiu voltar mais forte passa a liderar pelo exemplo.
No futebol de praia moderno, o guarda-redes deixou de ser apenas um último reduto defensivo. É muitas vezes o primeiro organizador ofensivo, um jogador com capacidade para construir, assistir e até marcar golos. Pedro Mano é um dos melhores exemplos dessa evolução. Explicou-me:
− No futebol de praia moderno, o guarda-redes tem uma grande influência no jogo. Vivemos muitas vezes no limite, porque qualquer erro pode resultar em golo. Mas eu sempre gostei de viver nesse limite. É isso que nos torna diferentes e que nos permite fazer a diferença no jogo.
Essa influência também obrigou o guarda-redes português a reinventar-se. Durante muito tempo, o seu pé direito tornou-se uma arma temida pelos adversários, quer nos remates de longa distância, quer na construção ofensiva. Com o tempo, as equipas começaram a tentar neutralizar essa vantagem. A resposta de Pedro Mano foi simples: trabalhar ainda mais. Começou a desenvolver o pé esquerdo com a mesma intensidade e dedicação. Hoje, o resultado é um guarda-redes imprevisível, capaz de decidir um jogo com qualquer dos pés. Já não é apenas o remate forte de pé direito que preocupa os adversários. Agora tanto pode sair um remate, um passe de rutura ou uma assistência com qualquer dos pés. E essa imprevisibilidade tornou-o ainda mais completo. Mas há um detalhe ainda mais interessante nesta evolução: Pedro Mano não quis apenas responder às equipas adversárias, quis antecipar o jogo. Treinar o pé esquerdo foi também uma forma de tornar o seu jogo menos previsível e de aumentar as soluções ofensivas da seleção portuguesa.
Hoje, quando recebe a bola, as equipas adversárias sabem que podem surgir várias decisões diferentes: remate direto, passe vertical, assistência para finalização ou até condução para criar superioridade numérica. Essa versatilidade é uma das razões pelas quais se tornou uma peça tão influente no modelo de jogo da seleção.
Dentro da Seleção Nacional, os colegas sabem bem o impacto que a qualidade técnica do seu guarda-redes tem no jogo da equipa. Léo Martins, destaca sobretudo aquilo que Pedro acrescenta ao grupo fora do olhar do público. Contou-me:
− Aquilo que o Pedro Mano traz para o balneário é confiança. Confiança no grupo, no jogo e na ideia de que tudo pode dar certo. Mesmo quando estamos em desvantagem ele pede a bola e diz: ‘Podem jogar em mim.’
Essa disponibilidade para assumir responsabilidades é, para o jogador português, uma das marcas da liderança do guarda-redes:
− Uma grande equipa começa sempre com um grande guarda-redes. Muitas das conquistas que alcançámos começaram exatamente aí.
Também André Lourenço, companheiro de seleção, reforça essa ideia:
− Ter o Pedro atrás de nós coloca-nos muito mais perto da vitória. A tranquilidade que transmite permite-nos jogar com mais confiança e arriscar mais.
Num jogo onde qualquer remate pode transformar-se em golo, essa segurança faz toda a diferença. Confessou-me o Léo:
− Sabemos que entre os postes está alguém que nos garante estabilidade. Isso permite-nos jogar mais libertos.
Já Bê Martins, eleito por duas ocasiões o Melhor Jogador do Mundo, destaca outra dimensão da liderança do guarda-redes: a forma como ajuda os colegas:
− Ele está sempre disponível para ajudar, sobretudo os mais novos. Antes dos jogos procura falar com eles, esclarecer dúvidas e ajustar detalhes.
Para o internacional português, o prémio de melhor guarda-redes do mundo é uma consequência natural daquilo que Pedro Mano representa:
− Para além de defender, ele acrescenta muito mais ao jogo. Faz assistências, marca golos e ajuda a controlar o ritmo da equipa. Por isso é mais do que merecido ser considerado o melhor do mundo.
Apesar do reconhecimento individual, Pedro Mano garante que a ambição da seleção continua intacta:
− A nossa seleção já ganhou muito, mas isso faz parte do passado. O que nos move é continuar a acrescentar novos títulos à história.
A mentalidade competitiva continua a ser a principal força do grupo. Acrescentou-me:
− Nunca estamos satisfeitos. Mesmo quando ganhamos, continuamos com vontade de ganhar ainda mais.
Essa fome parece infinita e é isso que nos mantém competitivos. Essa cultura foi transmitida pelos jogadores mais experientes ao longo dos anos e continua a marcar a identidade da seleção portuguesa. Hoje, o grupo mistura jogadores experientes com novas gerações, mas a mentalidade mantém-se intacta: competir sempre para ganhar.
A liderança de Pedro Mano não se esgota no que acontece dentro das quatro linhas de areia. Fora do campo, o guarda-redes assume também um papel importante na valorização da modalidade. Apesar do crescimento internacional do futebol de praia, o jogador reconhece que ainda há espaço para evoluir, sobretudo ao nível da profissionalização dos clubes.
− Sinto que o futebol de praia tem vindo a conquistar o reconhecimento que merece, sobretudo por parte das pessoas que estão realmente envolvidas na modalidade. Claro que há sempre espaço para melhorar, mas acredito que uma maior profissionalização dos clubes em Portugal poderia ajudar a modalidade a crescer ainda mais.
Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem clara: profissionalismo não depende apenas da estrutura da modalidade:
− O facto de a modalidade não ser totalmente profissional não significa que os jogadores não possam ser profissionais. O profissionalismo depende muito da forma como encaramos o nosso trabalho.
No final, a história de Pedro Mano é também uma história sobre liderança. Não apenas a liderança visível dentro de campo, feita de remates improváveis, defesas decisivas e passes que desbloqueiam jogos. Mas também a liderança silenciosa que nasce da capacidade de superar momentos difíceis, de evoluir e de continuar a trabalhar quando poucos acreditariam. Quando olha para o futuro, o guarda-redes português não fala apenas de títulos:
− Gostava que me recordassem como alguém que marcou uma geração e que ajudou a tornar a nossa seleção mais forte. Alguém que dignificou o nome de Portugal pelo mundo.
Mais do que um prémio individual, ser considerado o melhor do mundo é uma consagração que representa algo maior: a continuidade de uma cultura vencedora que transformou o futebol de praia português numa referência mundial. E nas areias onde tantas histórias se escrevem, a de Pedro Mano já ocupa, com mérito próprio, um lugar entre as mais marcantes.

Nota final: Um muito obrigado ao Pedro Mano, Léo Martins, Bê Martins e André Lourenço por terem colaborado neste artigo."

O tempo dos patrocínios à moda antiga acabou


"As marcas deixaram de pagar por emoções vazias. O patrocínio moderno não vive mais da magia do jogo, vive da prova do retorno. Num mercado global onde o investimento em patrocínio ultrapassou os 115 mil milhões de dólares em 2025, segundo dados recentes da Accio, e onde metade desse crescimento é impulsionado por digitalização e dados, a lógica mudou por completo.
Já não basta aparecer numa camisola ou numa placa qualquer num pavilhão. As marcas querem impacto mensurável, relação direta com o adepto, conteúdos que provoquem comportamento e métricas que expliquem cada euro investido. A Nielsen confirma esta viragem: 72% dos patrocinadores avaliam hoje o sucesso pela profundidade de engagement e pelo alinhamento de valores, e não pela visibilidade isolada.
É um corte radical com décadas de tradição no marketing desportivo, mas é também um sinal claro de maturidade da indústria. Esta mudança tem uma causa simples: os adeptos mudaram. O consumo é fragmentado, social e personalizado. O que conta não é a presença, é a relevância.
É por isso que o futebol, responsável por 41% de todos os patrocínios no mundo e com 67% dos seus adeptos mais recetivos a marcas do que a média global, tornou-se o laboratório ideal para novos modelos de ativação. Mas mesmo no futebol, o retorno já não é garantido pois depende da capacidade de transformar audiência em comportamento.
Ao mesmo tempo, áreas emergentes como o desporto feminino estão a atrair investimento estrutural, não por moda, mas porque o crescimento é real: a WNBA aumentou 31% de base de adeptos em dois anos, segundo a Nielsen, e tornou-se um ativo comercial relevante para marcas que procuram inclusão, progressividade e públicos jovens.
A isto junta-se uma segunda força decisiva: a consolidação dos investimentos. O relatório Global Sponsorship Trends 2025 mostra que as marcas estão a concentrar os seus portefólios em menos modalidades, mas maiores, melhores e mais mensuráveis. E aqui está o ponto crítico: quando as marcas reduzem parceiros, Portugal tem um problema.
Não pela falta de talento ou emoção, mas pela falta de escala e de produto. O país continua a vender patrocínio com discursos de paixão e não com dashboards de performance. Fora do futebol, a maioria das modalidades vive de pequenos apoios porque não oferece aquilo que o mercado pede: dados integrados, ativação digital, CRM, métricas e uma narrativa contínua que ligue o adepto à marca.
No futebol, os três grandes ainda conseguem compensar pela dimensão, mas isso não é sustentável para o ecossistema. E mesmo os grandes terão de se adaptar rápido: no patrocínio moderno, o que vale não é o número de adeptos no estádio, é o que se sabe sobre eles.
A terceira força é a tecnologia. O crescimento explosivo da inteligência artificial no desporto obriga clubes, ligas e federações a repensar o produto. A personalização já não é uma tendência é um requisito. Quando a Accio destaca que o patrocínio digital e as ativações tecnológicas representam 43% de todo o valor gerado em 2025 e que o mercado caminha para 160 mil milhões até 2030 impulsionado por dados e experiências imersivas, o recado é claro: quem não souber operar em dados será invisível para as marcas.
Um patrocínio que não permita medir exposição, conversão e retenção deixa de ser patrocínio e passa a ser um custo emocional. E isso já não tem espaço num mercado profissionalizado. Portugal precisa de acelerar esta transição. O país tem talento, narrativa e emoção, mas falta-lhe indústria.
Continuamos a ver patrocinadores a comprar visibilidade quando o mundo compra performance. Continuamos a negociar propriedades isoladas quando o mercado exige ecossistemas integrados. Continuamos a oferecer inventário quando devíamos oferecer impacto.
O que está em causa não é o futuro do patrocínio, é o futuro da sustentabilidade do desporto português. As marcas já mudaram. Os adeptos já mudaram. Só falta o sistema mudar também. Porque no desporto moderno, emoção sem dados é poesia, mas impossível de financiar. O Record Recomenda para si."

DAZN: F1 - GP da China