Últimas indefectivações

domingo, 3 de maio de 2026

Vermelhão: Mais uma roubalheira...

Famalicão 2 - 2 Benfica


Toda a gente sabia o que ia acontecer, a choradeira Lagarta esta semana, as normações, para o nosso jogo e o Nobre para Segunda no Alvalixo, a única coisa 'estranha' foi mesmo a entrada a 'matar' do Benfica!!!

O penalty sobre o Ivanovic era 'impossível' o VAR não marcar, agora a expulsão do Pinheiro foi perdoada, o penalty no lance do Andreas deu para fechar os olhos... e com o Benfica a vencer por 0-2, com total controlo do jogo, contra uma das equipas que melhor futebol ofensivo pratica no Tugão, os mesmos que no lance com o Schjelderup na 1.ª parte, não viram nada de grave, resolveram expulsar o Otamendi, em mais um daqueles lances, onde só um jogador do Benfica será expulso em lances similares, estilo Musa!!!

A pisadela existe, mas existe depois dum corte de bola, com o peito do pé, sem carrinho, sem esticar a perna, é um lance completamente normal, onde a dinâmica do movimento dos dois jogadores, acaba numa pisadela! Não me recordo de nenhuma expulsão num lance idêntico no Tugão nos últimos tempos, nenhuma! Temos pisões diretos, sem qualquer contacto na bola, agora com toque na bola, antes da pisadela não me recordo!

O Benfica recuou, o Famalicão pegou no jogo. Ao contrário de outras equipas o Famalicão sabe trabalhar a bola, tem rotinas ofensivas, e num ressalto marcaram... pouco depois, em mais um péssima decisão do ladrão, marcou Canto, quando era Pontapé de Baliza, e na sequência empataram!!!


Não satisfeito, inventou 15 minutos de desconto! A assistência ao Fiscal de Linha durou no máximo 5 minutos! E nesses 15 minutos, que acabaram por ser 16, ainda conseguiu inventar um Amarelo ao Ríos, para o colocar fora da próxima jornada, onde o Benfica está obrigado a ganhar, sem o Otamendi e sem o Ríos, e com o Tomás Araújo provavelmente ainda de fora, com o Enzo provavelmente a fazer de Central, teremos que desfazer o trio de meio-campo, logo contra o Braga, a equipa do Tugão com mais posse de bola!!!!


Quem defender que isto aconteceu por acaso, ou até por incompetência é completamente tapado! Tudo isto foi 'competência' muita 'competência', porque tudo isto foi intencional! Porque este ladrão corrupto fez exactamente aquilo que queria... aliás, só se enganou perto do fim, onde o remate do jogador do Famalicão que devia ter sido expulso na 1.ª parte, bateu nos ferros! Porque ele queria mesmo nesta jornada, voltar a colocar o Sporting no 2.º lugar com acesso à Champions!!!

Aliás, se os iluminados do Conselho de Arbitragem chegarem à conclusão que a arbitragem foi Insatisfatória, será sempre porque o Benfica somou 1 ponto. O objectivo era somar 0 pontos!

O Mourinho tem toda a razão, será um Milagre o Benfica conseguir chegar ao 2.º lugar, um verdadeiro Milagre! Esta gentalha não tem vergonha nenhuma, nem sabem o que isso quer dizer! A cegueira é tão grande, que nem se preocupam com as aparências... E a prova provada, é que este corrupto e o outro corrupto que esteve no VAR (Rui Oliveira, um gajo que chegou à 1.ª categoria, com um cozinhado nos exames escritos que ele chumbou...), não vão ser castigados, nem pelo contrário, vão ser promovidos!!! Até porque um dos 'líderes' desta porcalhada, ainda esta semana na Liga Europa, o Moedinhas Martins, não viu uma agressão, com influência direta numa meia-final Europeia, curiosamente prejudicando provavelmente o 2.º lugar do Tugão, seja ele quem seja!!!

Não vale a pena, destacar jogadores, descrever estratégias e táticas, nem sequer as substituições!!! Como também sei, que o Otamendi será o crucificado pelos Benfiquistas iluminados, nem sequer vou comentar a forma como entrou no lance... Até porque no jogo do título dos Corruptos, só na 1.ª parte, vi 2 jogadores Corruptos a merecerem a expulsão, e nem sequer Amarelo levaram!!!


As declarações do Rui Costa, mais uma vez, têm zero consequências! O Benfica continua sem saber defender-se dos Ladrões. Continuamos sem tomar qualquer medida efectiva...

O jogo com o Braga, sem data marcada (provavelmente na Segunda), com seguramente mais um apitador Corrupto, com um defesa remendada e com o trio do meio-campo desfeito, mesmo com o cansaço Europeu do Braga, será extramente complicado... A Lagartada em condições normais, no seu actual estado de forma, nem sequer ganharia na próxima Segunda com o Guimarães, mas o Nobre estará lá a fazer gestão de estragos!!! Posso mesmo afirmar, que neste momento, só acredito num 2.º lugar, se o Sporting, perder um dos 3 jogos que lhes faltam e isso não será nada fácil...



António Simões | Uma ode à mística do SL Benfica

Empate...

Benfica 5 - 5 Oliveirense

Mantemos a invencibilidade no campeonato, mas não ganhámos, na última jornada da fase regular! O jogo contava para pouco, mas nas vésperas do mata-mata na Champions, a motivação tem que ser espicaçada!!!

Mais um festival do apito, principalmente na 2.ª parte!!! O Zé foi poupado hoje...

Na Final...


Benfica 104 - 76 Oliveirense
25-12, 30-19, 25-26, 24-19

Com os Triplos a entrar (só o Broussard esteve desafinado!), esta equipa é imbatível. A Oliveirense tinha eliminado os Corruptos, mas hoje ficou literalmente a ver navios!
Na Final contra o Sporting, vai ser necessário o Yussuf, mas em condições normais com os restantes jogadores aptos, algo que não aconteceu em vários momentos da época, somos claros favoritos!

Vitória

Águas Santas 25 - 31 Benfica
14-16

Com alguns recuperados vitória relativamente fácil na Maia!!! Mas para a Taça ser minimamente competitiva, temos que recuperar o resto dos jogadores: Valencia, Hedberg e o Mendes!

Vitória jovem...

Torrense 3 - 5 Benfica

Com muita juventude na equipa, na última jornada da fase regular, com muitos jogadores a descansar, vitória em Torres... com uma boa vantagem inicial, com os visitados a reagir, mas com o Benfica a controlar!

Nova derrota...

Benfica 0 - 3 Sporting
18-25, 22-25, 22-25


E provavelmente vamos acabar esta Final sem ganhar um único Set!!!

Juniores - 12.ª jornada - Fase Final

Benfica 6 - 0 Gil Vicente
Kiko Silva(2), Quintas, Zietek, Coletta, Dudu


Meia-dúzia, com a artilharia toda no assador!!! Mas já vamos tarde...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Não há Aliados (para já), mas FC Porto já respira "à campeão"

Ganhar em Famalicão


"Em destaque na BNews, a visita do Benfica ao Famalicão (18h00).

1. Somar os três pontos
José Mourinho revela o que pretende do grupo de trabalho para o desafio desta tarde: "Quero uma equipa pressionada, quero uma equipa que sinta a pressão, que sinta a responsabilidade. Jogo difícil para nós, jogo difícil para eles. Temos de ganhar. Vamos com a humildade de sermos Benfica e de querermos ganhar."

2. Seja onde for
O apoio ao Benfica na chegada da equipa profissional ao Norte do país.

3. Hexacampeãs ganham dérbi
Em futebol no feminino, o Benfica ganhou, por 3-1, ao Sporting. Após a partida no Estádio na Luz, seguiram-se as celebrações do 6.º título nacional consecutivo e a cerimónia de entrega do troféu.

4. Acervo mais rico
O campeão europeu António Simões doou 16 peças da sua coleção pessoal ao Museu Benfica – Cosme Damião.

5. Outros resultados
No futebol de formação, a equipa B venceu, por 0-1, o Sporting. Os Juvenis ganharam, também por 0-1, mas em Braga.
Registaram-se ainda triunfos de três equipas femininas: em andebol, 19-32 no reduto do Madeira SAD; em hóquei em patins, 3-2 à Gulpilhares; e, em polo aquático, 4-29 e 30-5 ao Sporting, conseguindo o apuramento para a final do Campeonato.

6. Jogos do dia
Além do desafio em Famalicão, estão agendados os seguintes: os Juniores recebem o Gil Vicente (16h00); receções ao Sporting em voleibol (jogo 2 da final dos play-offs às 16h00) e à Oliveirense em hóquei em patins (18h00); visitas à Águas Santas em andebol (18h00) e ao Torrense em futsal (16h00); meias-finais da Taça Hugo dos Santos, em Gondomar, com a Oliveirense (19h00); primeiro jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol feminino no pavilhão do Quinta dos Lombos (18h45); início das meias-finais dos play-offs da Liga Feminina de futsal no Atlético (20h45).

7. Bilhetes para a final da Taça de Portugal
A final da Taça de Portugal de futebol no feminino entre Benfica e FC Porto é no dia 17 de maio, às 17h45, no Estádio Nacional.

8. Benfica Campus Education
Veja as melhores imagens da ação dirigida a treinadores, coordenadores e profissionais do futebol.

9. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV.

10. Jogo das Casas
Veja a reportagem da BTV sobre a homenagem às embaixadas do benfiquismo na partida entre Benfica e Moreirense realizada no passado fim de semana.

11. Casa Benfica Peniche
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 31.º aniversário."

Os envelopes de Villas-Boas


"Pinto da Costa foi um presidente que viveu entre o trono e as masmorras. Entre a competência de escolher grandes treinadores e jogadores e com a capacidade de se mover nas ruas escuras

No filme Traffic, realizado por Steven Soderbergh, existe uma ideia simples que ajuda a explicar o poder. Um governante deixa dois envelopes ao sucessor. No primeiro, a instrução é clara: «Culpa o teu antecessor quando tudo correr mal.» No segundo, ainda mais cínica: «Escreve dois novos envelopes e deixa-os a quem vier depois de ti.» É um ciclo. Uma forma de sobreviver sem nunca resolver verdadeiramente o problema.
André Villas-Boas começou exatamente por aí. Abriu o primeiro envelope. Explicou o presente com o passado. Apontou responsabilidades a Pinto da Costa, falou da herança pesada. Sempre numa tentativa de ganhar tempo e compreensão depois de uma primeira época errante, com dois treinadores despedidos e um plantel que pouco mais podia fazer do que lutar pelo terceiro lugar.
O início foi um labirinto. Escolhas precipitadas, ausentes de tempo, contexto e planeamento, que levaram a uma equipa sem identidade. O poder, quando não tem rumo, transforma-se num eco. E Villas-Boas ecoava dúvidas. A primeira época foi um território de tentativa e erro, onde cada decisão parecia mais um remendo do que uma ideia. Mesmo depois de vencer as eleições, com mais de 80 por cento dos votos, encontrou um clube dividido, desconfiado, preso a hábitos que não se dissolvem com resultados esmagadores nas urnas.
No Porto dizia-se que Pinto da Costa saiu e levou com ele o manual. Os tais mandamentos escritos ao longo dos «40 anos disto», como muitos lhe chamam, que transformaram o clube numa potência nacional e europeia. Um livro secreto, feito de decisões certas no campo e de jogadas subterrâneas fora dele. A verdade é que esse livro nunca saiu do Dragão. Estava lá. Sempre esteve.
Pinto da Costa foi um presidente que viveu entre o trono e as masmorras. Entre a competência de escolher grandes treinadores e jogadores, mas também com a capacidade de se mover nas ruas escuras do futebol português como ninguém. Dominava o jogo e os bastidores. E construiu uma ideia que se tornou cultura.
Villas-Boas percebeu isso. E aprendeu rápido. Muito rápido. De uma época para a outra. Deixou de culpar o passado e começou, aos poucos, a adotar o estilo do seu antecessor. No discurso, na postura, nos sinais. Afinal, é um filho desse Porto. Um herdeiro. Um aluno que não faltava às aulas desde tenra idade. E tudo isso faz com que seja mais continuidade do que rutura.
O Porto será campeão porque foi melhor. Porque acertou no treinador, soube investir bem e construir um plantel competitivo, com mercados, tanto no verão como no inverno, bem superiores aos dos rivais. Mas dentro do clube há a convicção de que isso não chega. De que para ganhar é preciso dominar os dois campos. O relvado e o resto.
Para o bem e para o mal, o Porto voltou. Com toda a sua força. Na qualidade de jogo e nas zonas cinzentas que nunca desapareceram do futebol português. Villas-Boas não alterou o manual. Limitou-se a lê-lo. E a decorá-lo. Ponto por ponto."

Um café e uma dose de bazófia pela manhã


"Nuvens negras que pairam em Alvalade pediam outra gestão do momento, com menos soberba e mais serenidade. Equipa desabou nas decisões como castelo de cartas, mas porquê?

Num mês de abril que só deverá ser lembrado para não ser repetido, o Sporting, num piscar de olhos, viu o mundo desabar e passou de sonhar com o tri com dobradinha e as meias-finais da Liga dos Campeões para ter de se agarrar à final da Taça de Portugal e desejar um deslize do Benfica para que a época não seja um fracasso. A renovação de contrato com Rui Borges estava há muito alinhavada, mas pecou no timing.
A conjuntura no leão é delicada e de pouca consolação servirá aos adeptos ficar a pensar nos ses até à próxima época. Do presidente de um grande clube como o Sporting espera-se mais do que desculpas esfarrapadas e exercícios de futurologia sem nexo para explicar o desabar da equipa em três semanas. Depois do colapso contra Aves SAD e Tondela, tão somente os dois últimos classificados da Liga, já nem a Champions é certa e Rui Borges reconheceu o extremo desgaste da equipa e o peso que as lesões em vários elementos nucleares para gestão do plantel tiveram. Poderia servir de aprendizagem, mas Varandas preferiu entrar no jogo da fanfarronice e da ironia e logo disparou que meia Premier League está louca para levar o departamento médico e de preparação física do clube.
É demasiado redutor olhar assim para o esvaziar do balão da equipa, a quem começaram a faltar as pernas depois do Arsenal e que foi do céu ao inferno naqueles 90 segundos que separaram o golo anulado a Nel e o de Rafa, no dérbi. É muita coisa em sequência para uma equipa só, mas o plantel pouco profundo e que, com Varandas a treinador tinha outra gestão, foi construído por quem? Lesões vão sempre existir e desgaste também, mas convém olhar para a floresta e não para a árvore.
Dos três primeiros classificados, o Sporting, por não ter participado no Mundial de Clubes, foi o único com uma pré-época normal e tem os mesmos jogos de Benfica (52) e mais dois do que o FC Porto. Fará assim tanta diferença? O SC Braga, se chegar à final da Liga Europa, terminará a época com... 61.
Com todas as certezas do mundo, o presidente garantiu, num dos muitos ses, que, se a equipa não tivesse eliminado o Bodo/Glimt, o tricampeonato era dado adquirido. Pois bem, até poderia ter acontecido, nunca saberemos, mas fica por explicar a direta relação entre uma possível eliminação diante dos noruegueses e a perda de (vários) pontos por parte do FC Porto de seguida para entregar a liderança.
Mais: se o Sporting precisou de se esfarrapar para ultrapassar o Bodo/Glimt, a si o deve, porque uma semana antes assinara um jogo ruinoso (0-3) na Noruega. Mas, sim, já sabemos: se o relvado do Bodo/Glimt não fosse sintético, a história teria sido outra."

Até no Basket feminino!!!

Rabona: This is what PEAK attacking football looks like

Throne: They Replayed the Match... And the City Exploded

Irão, 1-FIFA, 0


"O nome desta semana é Mehdi Taj. Pode passar ao lado de muitos amantes do futebol, pode não dizer nada à maioria esmagadora dos leitores, mas protagonizou um episódio que coloca em perspetiva e faz questionar toda a estrutura organizativa do Mundial 2026, a apenas 40 dias do seu início.
Trata-se do presidente da Federação Iraniana de Futebol, que procurou viajar, com uma autorização previamente concedida pelas autoridades canadianas, para Vancouver. É lá o 76.º Congresso da FIFA e, por maioria de razão, sendo o principal dirigente de uma das 48 nações cujas seleções estão apuradas para a fase final do Mundial, Taj chefiava a delegação do seu país.
À partida de Istambul, onde iniciou a viagem intercontinental para o Canadá, tudo esteve bem, e a documentação apresentada era a necessária e suficiente para apresentar às autoridades no destino. Porém, à chegada a Toronto (primeira escala canadiana e onde efetuava os procedimentos de fronteira), Mehdi Taj foi barrado.
A sua anterior condição profissional de comandante do IRGC (o Corpo da Guarda Revolucionária do Irão) incluía o seu nome numa lista de persona non grata no Canadá, considerando-o uma potencial ameaça terrorista à integridade territorial daquele país da América do Norte.
É certo que a segurança nacional é levada muito a sério no Canadá e que qualquer sinal de alerta emitido pelo sistema de fronteira quase funciona como uma decisão final de extradição e, portanto, de regresso à origem.
Estamos, no entanto, a falar de um país que, com os Estados Unidos da América e com o México, vai organizar o maior Mundial de futebol da história, com a previsão de entrada e saída, sobretudo com destino a Toronto (costa leste) e Vancouver (costa oeste), de milhares de cidadãos estrangeiros relacionados com o evento, seja como adeptos, seja como jornalistas ou até – era o caso – como altos dirigentes de uma das federações envolvidas.
A pergunta é simples: se Mehdi Taj possuía uma autorização prévia de viagem, por força da representação do seu país na reunião magna da FIFA, como é possível que os «quase perfeitos sistemas» de imigração de um país com a dimensão e a experiência na matéria, como o Canadá, não tenham refletido essa permissão e tenham criado o primeiro grande embaraço diplomático à FIFA no aquecimento para o Mundial?
Já não bastava a volatilidade discursiva de Donald Trump, também a propósito desta matéria. O presidente dos EUA, ao contrário da tendência de declarações bem recentes, passou agora para o amigo Gianni Infantino a resolução do problema candente relativo à presença da seleção iraniana em competição, a partir de 11 de junho.
Por outro lado, é bom recordar que a equipa iraniana se qualificou há bastante tempo para o grande certame do planeta futebol, sendo uma das apuradas asiáticas de modo direto, sem necessitar (como viria a suceder com o Iraque) do play-off intercontinental. Os jogadores merecem a presença, lutaram por ela onde deviam fazê-lo – nos retângulos de jogo – à volta dos quais o povo do Irão rejubilou com novo apuramento. A equipa asiática, sublinhe-se, esteve nas últimas três fases finais (Brasil em 2014, Rússia em 2018 e Qatar em 2022), treinada por Carlos Queiroz, e é um dos mais poderosos contendores do continente no futebol masculino.
O bloqueio burocrático à entrada em território canadiano do presidente da federação iraniana é muito mais do que um detalhe diplomático atribuível a um lapso do sistema. É o prelúdio do que pode suceder quando, na segunda semana de junho, começarem a chegar adeptos, jornalistas, jogadores, técnicos, staff e dirigentes das quatro partidas do mundo, e é, no essencial, o aquecer ainda mais da batata de Infantino.
Honra lhe seja feita, o suíço que agora é candidato a um terceiro mandato, a começar em 2027, sempre disse (é talvez o seu mais significativo soundbite dos últimos tempos) que o Irão estaria nas Américas para o Mundial, que iria competir e que esse era um direito inalienável do conjunto asiático.
Com o eclodir do conflito no Médio Oriente, as dúvidas, legitimamente, foram-se adensando e o recente período de tréguas no teatro de operações pareceu aliviá-las.
Recordo-me bem do jogo a que assisti em Lyon, no Stade Gerland, entre EUA e Irão, na fase final do Mundial de 1998, em França. A diplomacia do futebol a conseguir o que a diplomacia dos gabinetes jamais pensaria: um encontro direto entre estado-unidenses e iranianos que, mesmo que não se repita este ano por força do alinhamento do sorteio já efetuado, é de novo colocado em cima da mesa sob a forma da inevitabilidade da participação da seleção do Irão no Mundial 2026.
Neste caso, Infantino volta a estar na crista da onda. O embaixador global do futebol que, sem sucesso, tentou um aperto de mão público entre os presidentes das federações de Israel e da Palestina (uma boa tentativa, mas um embaraço de dimensão importante…), terá de pedir desculpas à federação iraniana pela gaffe fronteiriça no Canadá mas, muito mais importante, terá de garantir todas as condições logísticas, competitivas e de segurança à seleção nacional que se deslocará de Teerão.
Não é nada menos do que isso o que o planeta futebol espera, sendo que, neste xadrez geopolítico paralelo, foi o Irão que saiu em vantagem. Está a ganhar por 1-0 e espera a obrigatória reação da FIFA.

CARTÂO BRANCO
Nesta página, que assino há quase dois anos, já algumas vezes critiquei o verbo e a praxis do presidente do Sporting. Desta vez, Frederico Varandas merece uma vénia. A renovação do contrato com Rui Borges e a sua equipa técnica constitui, primeiramente, um ato de gestão que reflete confiança nos homens e no projeto, independentemente do que suceder até ao final da temporada. Mas demonstra também que o médico-presidente sabe que a prevenção pode ser determinante para o tratamento. A montante, blinda a equipa técnica, envia uma mensagem de forte consistência para o balneário, reúne os adeptos em torno de uma ideia, mais do que em volta de um golo ou de uma defesa. Muito bem, Frederico Varandas, esta semana.

CARTÃO BRANCO II
Estão ao rubro as competições europeias. Do lado português, o Sporting de Braga viaja para Freiburg im Breisgau com um golo e muita esperança no regresso à final da Liga Europa. Mas jogos e eliminatórias com tamanho equilíbrio e qualidade, como as da Liga dos Campeões (Bayern-PSG e Arsenal-Atleti, de resultados imprevisíveis), da Liga Europa (Freiburg-Braga e Aston Villa-Nottingham Forest, com tudo em aberto) e da Liga Conferência (Estrasburgo-Rayo Vallecano e Crystal Palace-Shakhtar Donetsk, onde qualquer desfecho é possível), demonstram a vitalidade das três competições organizadas pela UEFA. E são, evidentemente, uma delícia para os adeptos…"

FIFA Clearing House: exigências na compensação por formação


"Durante anos, a chamada compensação por formação e o mecanismo de solidariedade existiam nos regulamentos, mas dependiam, muitas vezes, da iniciativa, capacidade técnica e persistência dos clubes que reclamavam.
A FIFA Clearing House nasceu precisamente para tentar corrigir esse problema.
Implementada em 16 de novembro de 2022, a FIFA Clearing House surgiu para centralizar, automatizar e tornar mais transparente o pagamento das compensações por formação e contribuições de solidariedade devidas aos clubes formadores. A própria FIFA apresenta-a como uma entidade intermediária no processamento desses pagamentos.
A lógica é simples: quando ocorre uma transferência internacional que gera direitos económicos para clubes formadores, o sistema da FIFA identifica o percurso do jogador através do Passaporte Eletrónico do Jogador (EPP), calcula os montantes devidos e emite uma Allocation Statement. A partir daí, a Clearing House recebe os fundos do clube devedor e distribui-os pelos beneficiários.

Clearing House veio promover transparência e proteger clubes formadores
No centro deste sistema está, por isso, o Passaporte Eletrónico do Jogador, uma espécie de histórico clínico da carreira do atleta: onde esteve inscrito, em que datas, com que estatuto e por que clube. O regulamento prevê ainda uma fase de inspeção e revisão, permitindo corrigir omissões ou erros antes do passaporte se tornar final.
Em teoria, é o fim do quem tem direito que reclame. Passa a ser o sistema a identificar, calcular e fazer circular o dinheiro. A Clearing House veio, assim, reorganizar fluxos financeiros que antes podiam escapar ao sistema, promovendo transparência, integridade financeira e maior proteção dos clubes formadores.

Clubes formadores só recebem as verbas após passar no processo de compliance
Mas, para que todo este sistema funcione, é preciso decidir com base em dados fiáveis: documentos, históricos de inscrição, categorias de clubes, datas e avaliações de conformidade. E é precisamente aí que começam os desafios.
A Clearing House funciona como um filtro. Antes de qualquer pagamento, avalia se as partes cumprem requisitos de compliance, incluindo sanções internacionais, prevenção de branqueamento de capitais, corrupção, financiamento do terrorismo, titularidade beneficiária e origem de fundos. No âmbito dessa avaliação, pode solicitar informação e documentação detalhada, sendo que o pagamento só é processado após a aprovação e obtenção de acreditação, a qual tem validade limitada e depende de renovação.
O impacto é particularmente relevante para clubes portugueses. Portugal é um mercado formador e vendedor. Muitos clubes investem em jovens jogadores que depois seguem carreiras internacionais. A eficácia da Clearing House pode significar que clubes de menor dimensão recebam, finalmente, valores que antes eram difíceis de reclamar ou executar.
No entanto, o Regulamento de 2026 deixa avisos importantes. O artigo 16.º recorda aos clubes formadores que ter direito a receber não basta. Se não passarem o processo de compliance, a transação não é processada e o pagamento não é executado. Se a falha persistir, podem mesmo perder o direito à compensação relativa àquela transação.

Cerco também apertou para os clubes devedores
Também as federações nacionais passam a estar sob maior pressão. O artigo 17.º prevê que, se uma federação falhar no fornecimento de informação correta e, por causa disso, um clube afiliado ficar sem receber uma compensação a que teria direito, a própria federação pode ser chamada a restituir esse valor, caso tal falha lhe seja imputável.
Do lado do clube devedor, o cerco também apertou. Recebido o pedido de pagamento, o clube dispõe de 30 dias para pagar integralmente. Se não o fizer, é aplicada uma taxa de 2,5 por cento e concedido um prazo adicional para regularização. Persistindo o incumprimento, podem ser desencadeados processos disciplinares, incluindo multa e até a proibição de registar novos jogadores, que se mantém até ao pagamento integral.

Clearing House não é um mecanismo meramente tecnológico: é um espaço jurídico
Ainda assim, o sistema está longe de ser perfeito. A automatização reduz erros, mas não os elimina. O Passaporte Eletrónico do Jogador depende da qualidade dos dados inseridos pelas federações e clubes. Se o histórico do jogador estiver incompleto, incorreto ou discutível, o cálculo também o será. E, nestes casos, quando o sistema falha, o litígio não desaparece, apenas muda de palco.
A jurisprudência do CAS tem confirmado esta realidade. Em decisões recentes, o tribunal tem sublinhado que o EPP e a Allocation Statement se tornam vinculativos se não forem contestados atempadamente no âmbito do processo de revisão do EPP, não sendo admissível apresentar argumentos ou exceções numa fase posterior.
Isto demonstra que a Clearing House não é um mecanismo meramente tecnológico. É um verdadeiro espaço jurídico, sujeito a contraditório. A automatização não substitui, por isso, a interpretação jurídica.
Há, porém, uma nota essencial: as decisões da Clearing House em matéria de compliance são finais, vinculativas e não admitem recurso. Por isso, os clubes devem tratar esta fase com especial cuidado.

Mecanismo exige profissionalização
O Regulamento de 2026 mostra que o verdadeiro combustível da Clearing House são os dados. A FIFA exige que federações e clubes mantenham registos eletrónicos fiáveis, completos e atualizados.
O mérito da Clearing House está em reconhecer a evidência de que formar jogadores tem valor económico e esse valor deve circular de forma justa. O risco está em acreditar que a tecnologia, por si só, resolve problemas que continuam a ser, em grande medida, jurídicos.
Em suma, o Regulamento de 2026 confirma que a FIFA Clearing House já não deve ser vista apenas como uma plataforma de pagamentos. É hoje um sistema que combina dados, compliance e responsabilidade. Para os clubes formadores, pode ser uma ferramenta decisiva de proteção económica, mas também exige profissionalização: dados corretos, documentação atualizada, resposta atempada e capacidade para cumprir com avaliações de conformidade."

Uruguai: Obdulio Varela, “el negro jefe“ do Maracanaço


"Capitão do Uruguai na final jogada perante 200 mil pessoas, é o expoente máximo do futebolista líder, uma referência quase militar dentro e fora de campo. Comandou uma greve de jogadores antes do Mundial 1950, combateu a descrença dos próprios dirigentes uruguaios antes do encontro com o Brasil e, obtido o título, desapareceu na noite do Rio de Janeiro

O maior coliseu do planeta transbordava de gente, rugia como um vulcão prestes a expelir a violência do centro da Terra, parecia um Adamastor, erguendo-se e precipitando-se para cima da seleção do Uruguai. O Maracanã, símbolo da aposta do Brasil no Mundial 1950, fora construído para aquele momento. Repleto, com 200 mil almas, não pretendia desiludir.
Na ressaca dos horrores da Segunda Guerra Mundial, o futebol mudou-se para uma terra ilesa da destruição. O Brasil engalanou-se, preparando-se para receber e derrotar os visitantes.
O derradeiro encontro da competição, que não a final - o torneio decidiu-se com uma fase de grupos -, enfrentava os anfitriões e a equipa do Uruguai. A 16 de julho de 1950, o começo da segunda parte trouxe o aguardado festejo brasileiro. Friaça, aos 47', colocou os de branco, que ali enterrariam o equipamento daquela cor para abraçar o amarelo canarinho, em vantagem.
O Maracanã, um colosso de proporções épicas, tinha vontade de devorar os uruguaios. Entre o delírio monumental, uma voz aproximou-se do árbitro. “Fue orsái“, foi fora de jogo, reclamou Obdulio Varela, capitão dos que estavam em desvantagem. George Reader, o juiz inglês, não entendeu o protesto em castelhano. Varela, que não falava inglês, exigiu um tradutor. Os próprios companheiros de Obdulio não compreendiam a situação, pois era evidente que o golo fora legal. Os minutos passaram. Chegou o tradutor. Reader e Varela lá dialogaram através do intermediário e, obviamente, o 1-0 foi validado.
Mas Varela já lograra o seu objetivo. Arrefecer o vulcão. Roubar o ímpeto do Brasil. Levar o desafio para um cenário emocional mais calmo, sereno.
Com a liderança firme do seu capitão, o Uruguai chegou ao empate, aos 66', por Juan Schiaffino. Aos 79', Alcides Ghiggia conseguiu o que só seria imitado por Frank Sinatra e por João Paulo II: fazer ouvir o silêncio do Maracanã. O título iria para Montevidéu.

O capitão decidido
Obdulio Jacinto Muiños Varela nasceu pobre. Adotou o apelido da mãe, apagando o do pai, que certo dia desapareceu sem aviso. Aos 8 anos vendia jornais na rua. Descalço, sempre descalço, os sapatos foram um privilégio tardio.
Com ascendência grega, africana e espanhola, transformar-se-ia em referência do Peñarol e da seleção. Num país pequeno, rodeado de gigantes, Jacinto, como chamado pelos amigos, tornou-se o símbolo maior da resistência, da garra, um líder, Napoleão em campo, comandante que contraria as probabilidades.
Nas vésperas do Mundial do Brasil liderou uma greve de jogadores, realizada para reivindicar um conjunto de direitos laborais. Os protestos prolongaram-se, obrigando os futebolistas a arranjar outros trabalhos para obter sustento. Varela, mantendo a posição, recusou ir ao Mundial. Perante a ausência de peso, o Presidente da República foi a casa do capitão convencê-lo, oferecendo um cargo público em troca da presença no torneio. O “negro jefe“, como era conhecido, contrapropôs: iria ao Mundial se o sindicato de jogadores fosse oficialmente reconhecido. Assim foi.
Na manhã do derradeiro jogo da primeira ocasião em que o planeta se juntava em torno da bola depois da paragem pela guerra, o diário brasileiro “O Mundo“, na edição vespertina, apresentava uma fotografia da seleção anfitriã, secundada pelo título: “Estes são os campeões do mundo.“ Varela viu aqueles jornais na receção do hotel e, enfurecido, comprou-os a todos. Levou os exemplares para a casa de banho do seu quarto e urinou em cima da manchete, encorajando os colegas a imitarem-no.
O fogo interior do capitão ganhou dimensões ainda maiores quando, também nas horas prévias ao embate do Maracanã, dirigentes da federação uruguaia comunicaram aos futebolistas que estes já haviam “cumprido“, “feito o suficiente“. “Tentem só não ser goleados“, disseram os responsáveis, muitos optando por nem ir ao estádio.
Obdulio não queria saber daquela mensagem. Para a eternidade ficaram as palavras que, já no gigantesco estádio, dirigiu aos colegas. “Não olhem para cima. Não pensem em toda esta gente. O encontro joga-se cá em baixo e ganha-se com os tomates na ponta das botas. Os que estão fora são de pau. No campo somos onze.“
A frase “los de afuera son de palo“ inscreveu-se no imaginário coletivo do Uruguai, símbolo da equipa que contrariou as probabilidades. 
Erguido o troféu, os dirigentes, aqueles que não acreditavam, colaram-se à glória. Não foram ao jogo, mas foram celebrar para um cabaré. O negro jefe desprezava-os. Vários jogadores compraram umas cervejas, umas sandes e fizeram a sua festa. Obdulio não.
Saiu do Hotel Paysandú, no bairro do Flamengo, e começou por ir para um bar que havia na esquina. A partir daqui, o seu paradeiro ao longo da madrugada de 17 de julho de 1950 faz parte da lenda. Há quem jure que ficou a beber com adeptos brasileiros, serenamente, partilhando as dores do adversário. Outros asseguram que ficou sozinho ao balcão, de olhar perdido, pensando na vida. Uma corrente defende que foi para a zona de Copacabana, só voltando ao hotel já de manhã.
Morreria em 1996, vivendo as últimas décadas discretamente, sem muito dinheiro, aparecendo pouco. Desde aquele dia no Maracanã, Obdulio tornou-se mais mito do que pessoa."