Últimas indefectivações

domingo, 21 de junho de 2026

25.ª Campeões Nacionais

Benfica 3 - 1 Sporting

Campeões, com uma época invicta no campeonato, nenhum indicador podia ser mais esclarecedor!!! Eu até acho que os Lagartos, entraram nesta Final sabendo que seria quase impossível vencer o Benfica! A atitude que os jogadores demonstraram nestes três jogos da Final, foi exemplar!!!

As derrotas na Taça e na Champions, ainda hoje, são difíceis de aceitar, mas não temos outro remédio do que tentar fazer a época perfeita, para o ano!!!

Com a despedida do Ordoñez e do Chiquinho, ainda vamos ficar com o plantel mais novo... o futuro tem tudo para ser nosso! Podemos de devemos ambicionar a abrir um ciclo dominador no hóquei...

8.ª Campeãs Nacionais

Benfica 4 - 1 Nun'Álvares

Reconquista concretizada, numa Final muito complicada, com muitos obstáculos pelo caminho: lesões e arbitragens e ainda os postes!!!

Hoje foi o nosso melhor jogo, merecíamos uma vitória mais larga, e mais cedo... os golos decisivos só apareceram na parte final do jogo! Foi necessário muito coração!

A equipa reagiu à perda do título na última época... e reagiu aos penalty's inventados e principalmente à expulsão da Angélica e da Inês Matos e os respetivos castigos!!!

Iniciados - 18.ª jornada - Fase Final

Corruptos 2 - 1 Benfica
Aquino


Despedida com derrota, após duma vantagem inicial...

NÚMEROS ESTRATOSFÉRICOS EUSÉBIO É ETERNO


"Este post não é para dizer quem é melhor.
É só para lembrar que Eusébio, tantas vezes injustamente esquecido, foi um jogador absolutamente fabuloso. Teve números estratosféricos na carreira e no único Mundial em que participou arrasou por completo: nove golos em seis jogos! Mais uma assistência, pelo que também os números de participação direta para golo (pdg) são extraordinários.
E é por estarmos a viver mais um Mundial que é altura de tirar pela enésima vez o chapéu ao nosso inesquecível King."

Cassiano Klein e a coragem de mexer no que parecia definido


"Quando um treinador chega a um grande, sobretudo a um grande que vive há anos à sombra de uma hegemonia rival, não lhe basta treinar bem. Tem de convencer. Tem de mexer em hábitos instalados. Tem de tocar no orgulho do balneário sem o ferir. E, acima de tudo, tem de ganhar.
Cassiano Klein chegou ao Benfica com esse peso às costas e respondeu da melhor forma possível: conquistou o campeonato nacional e juntou-lhe ainda a Taça da Liga logo na primeira época. Na presente temporada voltou a deixar a sua marca ao conquistar a Taça de Portugal e continua na luta pela Liga Placard, numa final de play-off frente ao Sporting, que regista, para já, uma igualdade a um jogo.
Só isso já justificaria o reconhecimento. Mas o caso de Cassiano Klein merece uma análise mais profunda do que aquela que os títulos, por si só, permitem.
O Benfica precisava de um abanão. Não apenas tático, mas emocional. Precisava de recuperar a convicção de que podia voltar a discutir o poder no futsal português sem entrar em campo com a sensação de ter sempre algo a provar. E foi precisamente isso que Cassiano trouxe: devolveu competitividade, retirou peso mental e reintroduziu uma ideia fundamental nas equipas vencedoras: os jogos grandes não são um problema, são uma oportunidade.
No futsal moderno, como disse Ricardinho:
− Um treinador não muda apenas a tática, muda a mentalidade da equipa.
É precisamente nessa dimensão que identifico o maior impacto de Cassiano Klein. O Benfica não mudou apenas na organização do jogo; mudou na forma como compete, reage à pressão e enfrenta os momentos decisivos. Curiosamente, o próprio treinador brasileiro rejeita a ideia de transformação imediata baseada apenas no discurso. Para Cassiano, tudo começa na confiança humana:
− A confiança nasce de uma escolha de ser leal e procurar ajudar as pessoas no momento em que mais precisam. No desporto e na vida, é muito fácil ter pessoas próximas nas horas boas. Mas é quando as coisas ficam difíceis que percebemos em quem podemos confiar.
Penso que foi precisamente essa visão que esteve na base de uma das decisões mais inteligentes da sua chegada ao Benfica: entrar no balneário sem ideias pré-concebidas nem preconceitos sobre o grupo que encontrou. Assumiu-me:
− Ouvi muitas coisas negativas e positivas sobre este grupo, mas preferi fazer a minha própria análise. O que todos vimos foi a grandeza deste grupo. Tenho muita gratidão e orgulho em dividir o balneário com eles.
Mas importa sublinhar algo essencial: nenhum treinador transforma uma realidade sozinho. O sucesso de Cassiano Klein nasce também de um alinhamento coletivo que importa valorizar. Desde logo, da sua equipa técnica. No futsal, o trabalho há muito deixou de pertencer apenas ao treinador principal. A preparação física, a análise de adversários, o treino específico e o detalhe estratégico resultam de uma estrutura, de uma equipa multidisciplinar. Quando existe alinhamento na ideia e na metodologia, o treinador ganha consistência e a equipa ganha identidade.
Depois há a própria estrutura do clube. O Benfica continua a ser uma organização sólida no futsal, com estabilidade, exigência e condições de trabalho de topo no futsal mundial. Quando um treinador encontra um contexto que acredita no projeto e lhe oferece suporte para implementar ideias, as probabilidades de crescimento aumentam significativamente.
E depois há os jogadores. São eles que transformam conceitos em realidade dentro de campo. São eles que executam, competem, assumem riscos, tomam decisões e resolvem jogos. Cassiano define essa ideia de forma particularmente interessante:
− Ninguém consegue vencer sozinho um jogo. É impossível um jogador ganhar a cinco adversários. Tudo o que falamos e treinamos é sobre ligação na defesa e no ataque. Isso é inegociável.
Essa noção coletiva acabou por se tornar uma das marcas mais evidentes deste Benfica. Uma equipa mais agressiva sem bola, emocionalmente mais disponível para competir e muito mais intensa nos momentos de pressão. O próprio treinador admite que essa mudança foi construída diariamente:
− Fomos desafiando os jogadores a fazer coisas diferentes. A ser mais agressivos defensivamente e melhores sem bola. E criámos uma competição muito forte nos treinos, porque é aí que vejo acontecer grande parte do crescimento das equipas.
Nesse contexto, faz todo o sentido recordar uma ideia frequentemente defendida por Jorge Braz:
− As grandes equipas não são apenas talento. São compromisso diário.
Esse compromisso, que é construído no treino, na exigência e na cultura competitiva, parece hoje uma das imagens de marca da equipa encarnada.
Também André Lima já destacou várias vezes aquilo que muitos treinadores brasileiros acrescentam ao futsal europeu:
− Os treinadores brasileiros trazem intensidade, exigência e uma cultura de treino muito forte.
E esse perfil encaixa claramente naquilo que Cassiano Klein tem vindo a demonstrar: intensidade competitiva, exigência permanente e coragem para mexer em zonas de conforto. Curiosamente, quando questionado sobre as diferenças entre o futsal brasileiro e o português, Cassiano evita comparações simplistas:
− Não vejo muitas diferenças. São dois países fortíssimos na modalidade. Portugal tem enorme riqueza tática e competir nestas duas ligas é uma grande aprendizagem.
Talvez seja por essa visão que se explique, também, a facilidade com que se adaptou ao contexto competitivo português.
Há ainda um fator impossível de ignorar: os adeptos. O futsal do Benfica vive muito da energia emocional das bancadas. Nos jogos grandes, nos momentos difíceis e nas fases decisivas, esse apoio transforma-se numa força competitiva real. Quando treinador, jogadores, estrutura e adeptos caminham na mesma direção, cria-se algo difícil de travar. E talvez aqui esteja outra das ideias mais fortes deixadas por Cassiano Klein. Ao contrário da obsessão moderna pelo jogo do fim de semana, o treinador brasileiro coloca o foco quase exclusivamente no processo:
− Não penso nos jogos. Penso no treino seguinte. Toda a gente quer vencer competições, mas o verdadeiro desafio é levantar-se todos os dias depois das derrotas e continuar. O que vejo nos vencedores é que continuam independentemente do que acontece. 
Treinadores que passam sem deixar marca raramente geram debate. Já aqueles que alteram dinâmicas e desafiam rotinas tendem sempre a dividir opiniões. No caso de Cassiano Klein, parece evidente que estamos perante um treinador que não passa despercebido. Possivelmente é por isso o seu nome comece já a surgir entre os treinadores mais reconhecidos do futsal internacional, não apenas pelos títulos conquistados, mas pela forma como conseguiu alterar o estado competitivo de uma equipa.
Joel Rocha disse um dia:
− Treinar não é apenas preparar o jogo, é preparar pessoas.
É precisamente aí que reside a essência do impacto de Cassiano Klein. Clareza na mensagem. Coragem na mudança. Capacidade para fazer um grupo acreditar mais em si próprio. Quando um treinador consegue isso, deixa de estar apenas a orientar uma equipa. Passa a transformar uma cultura competitiva.
O futsal português ganha com treinadores assim. Treinadores com ideias, personalidade e coragem para mexer no guião. Porque os campeonatos não se fazem apenas de talento; fazem-se também de quem consegue devolver ambição, convicção e identidade competitiva a um grupo. Cassiano Klein fez isso no Benfica. E fê-lo da forma mais difícil, mudando aquilo que muitos julgavam já demasiado enraizado para ser transformado."

BI: Megafone - Voo Picado #30 - Ronaldices no mundial e a LiveMode

Kanal: Tamos Juntos...

5 Minutos: Live - Benfica 2026/27

Zero: Mercado - Benfica quer pérola espanhola

BF: Saídas...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Brasil ganha fôlego, Turquia desilude com "game over"

Zero: Negócio Mistério - S06E06 - Grosso

Rola Bola: Cabo Verde e Vózinha anulam Espanha | Portugal CR7 desiludem

El dia que Maradona explicó um país

LiveMode: Late Night #1

BolaTV: Dias de Mundial...

ESPN: Futebol no Mundo #584

Ganhar, sofrer, pertencer


"Ser adepto é aceitar uma das mais belas contradições da natureza humana. É escolher um clube, uma seleção, uma camisola e permitir que algo exterior a nós passe a influenciar os nossos estados de espírito. Um golo pode transformar um dia inteiro; uma derrota pode deixar um silêncio difícil de explicar. Aos olhos de quem observa de fora, parece exagerado. Mas é precisamente nesse exagero que reside a essência da paixão.
O adepto vive entre a entrega absoluta e a necessidade de manter alguma lucidez. Apoia porque acredita, porque sente, porque se identifica. Mas também julga, critica e exige, porque o amor por uma equipa não é uma relação passiva. Queremos que aqueles que representam as nossas cores honrem a nossa confiança. E quando isso não acontece, surge a frustração.
Existe um paradoxo inevitável: prometemos estar sempre presentes, mas é na derrota que a nossa fidelidade é realmente colocada à prova. Quando ganhamos, todos queremos pertencer à vitória. Falamos no plural “ganhámos”, “fomos melhores”, “somos campeões”. A equipa torna-se uma extensão do nosso próprio sucesso. Porém, quando perdemos, muitas vezes criamos distância. Procuramos culpados, criticamos jogadores, treinadores, estratégias, como se a derrota fosse algo que pertence apenas aos que estiveram dentro de campo.
Esta reação não é sinal de falta de amor. Pelo contrário. Muitas vezes é o resultado de uma ligação tão intensa que transforma a desilusão em raiva. O adepto odeia aquilo que corre mal precisamente porque deseja profundamente que corra bem. O problema surge quando a paixão elimina completamente a razão e a crítica se transforma em destruição e o apoio depende apenas do resultado.
A verdadeira grandeza de um adepto talvez esteja na capacidade de encontrar lucidez no meio da tempestade emocional. Celebrar a vitória sem arrogância. Aceitar a derrota sem abandonar. Criticar sem esquecer o respeito. Compreender que aqueles que hoje falham são os mesmos que ontem nos fizeram sonhar.
O futebol é, no fundo, uma metáfora da própria vida. Todos queremos vencer. Todos acreditamos que o nosso esforço, a nossa dedicação e a nossa esperança merecem uma recompensa. E quando ela não chega, dramatizamos, procuramos explicações e sentimos a injustiça da derrota. Mas a vida, tal como o desporto, não é uma sucessão permanente de triunfos.
Ser adepto é aceitar esse pacto com a incerteza: amar quando tudo corre bem e continuar a amar quando tudo corre mal. É viver entre a esperança e a desilusão, entre a crítica e a lealdade, entre a emoção e a razão. Porque os títulos ficam nos livros de história. A paixão, essa, fica na alma de quem nunca deixou de pertencer."

O segredo são as boas pessoas


"O Mundial avança de forma célere e… já com tanta matéria de estudo para reflexão.
Ainda antes do pontapé de saída marcaram-me as palavras do treinador campeão da Europa, Luis de la Fuente, quando disse que escolhe sempre a ”boa pessoa”.
Seremos sempre mais fortes com bons seres humanos, sem esquecer o que são as qualidades técnicas, táticas, físicas e psicológicas que cada jogador tem. Numa sociedade que se baseia em números estatísticos, algoritmos e que vai delegando as decisões para a tecnologia, faz-me respirar de alívio que no topo se valorize o Ser Humano.
Não tão direto, Thomas Tuchel acabou por recorrer ao mesmo argumento. A frase “o Mundial é um Europeu com o Brasil e a Argentina” não podia estar mais desatualizada. O Brasil-Marrocos é a evidência de que os tempos mudaram. Palavras sábias de Carlo Ancelotti ao afirmar “que foi um bom resultado”, avisando que só a qualidade individual não chega. É preciso ideia, forma de estar e mentalidade certa para atingir o sucesso.
A tendência geral das equipas é ter um propósito. Ninguém está a jogar o torneio para entrar no discurso bacoco de ganhar mais duelos e “meter o pé”. Há propósito nestas equipas. A posse de bola não fez mal à Alemanha (65%). Tinha objetividade e deu em 7 golos. Quarenta e sete seleções vão perder, mas quando há uma sintonia e sincronização no que é feito em equipa todos ganhamos e cria-se o tão desejado espetáculo.
Messi, Haaland, Mbappé e Kane personificam o que é jogar em equipa para que naturalmente se evidenciem dos restantes. Jesse Marsch disse mesmo que “a proposta de jogo é eletrizante”. O Canadá inteiro está envolvido agora no propósito!
Os Estados Unidos dizem-se (e deram esse sinal em campo) capazes de ganhar o torneio. O México garantiu os dois primeiros jogos do “mata-mata” em casa. Tenho o Euro 2004 no coração.
Com tanto equilíbrio, tudo pode fazer a diferença e como o jogo é disputado por Homens… é impossível de prever o seu desfecho. Resta-me usufruir, aprendendo.
Nunca desistiu de sonhar/trabalhar. É boa pessoa! “Bu djoya” Vozinha!"

Martínez e a equipa sem ponto final


"Há treinadores que são autores. Olham para os jogadores que têm à disposição e escrevem uma ideia capaz de os unir. Pegam em talento e transformam-no em narrativa. Não é esse o caso de Roberto Martínez. As suas equipas parecem rascunhos sucessivamente corrigidos e páginas cheias de frases bonitas, mas que nunca chegam a formar um texto. Há posse, sempre a posse, sempre a contemporização, mas falta o essencial: um sentido.
Quando chegou à Bélgica, encontrou uma geração que parecia saída de um romance. Courtois, Kompany, Alderweireld, Vertonghen, Witsel, De Bruyne, Hazard, Lukaku. Uma constelação tão brilhante que parecia impossível regressar a casa sem uma grande taça. Regressou. O tempo passou e a geração dourada envelheceu com as mãos vazias.
Agora, em Portugal, a história ameaça repetir-se. Não porque falte talento. Talvez nunca Portugal tenha reunido tanta abundância em tantas posições ao mesmo tempo. Vitinha joga futebol como quem escreve poesia. João Neves corre como se fosse um armazém de baterias. Nuno Mendes e João Cancelo transformam as linhas laterais em avenidas. Há extremos para todas as ideias e avançados para todas as necessidades. E, no entanto, a equipa parece viver presa dentro de um labirinto desenhado pelo próprio treinador.
O empate com a RD Congo foi apenas mais um capítulo de uma história já conhecida. Portugal marcou cedo e depois perdeu-se na sua própria imagem. Tocou, circulou, devolveu, reiniciou. Como um pianista que conhece todas as notas, mas que se esqueceu da melodia.
O futebol continua a ser um jogo de áreas. E Portugal passou largos períodos a comportar-se como uma equipa fascinada pelo caminho, mas sem qualquer interesse em chegar ao destino. Uma equipa lenta, previsível e incapaz de transformar superioridade técnica em superioridade competitiva.
Depois há Cristiano Ronaldo. Talvez o maior paradoxo da era Martínez. O selecionador insiste nele como centro de toda a equipa. Mas nunca conseguiu construir um sistema que o favoreça. Ronaldo tem hoje 41 anos. Já não pode viver longe da área para depois aparecer dentro dela. Precisa de uma equipa que lhe leve a bola onde sempre foi letal. Martínez mantém-no em campo por devoção, mas não lhe oferece condições para brilhar. É uma contradição permanente. Como insistir num violino e depois escrever uma partitura para trompete. O problema não é apenas Ronaldo.
O problema é uma equipa inteira organizada em função de uma ideia que não existe. Portugal parece jogar para confirmar que sabe ter bola, mas não para ganhar.
As grandes seleções têm identidade. A Espanha de 2010 tinha uma. A Alemanha de 2014 tinha outra. A Argentina de Scaloni encontrou a sua. Mesmo equipas com menos qualidade conseguem sobreviver porque sabem exatamente quem são. Portugal continua à procura dessa resposta.
E isso é o que mais assusta. Porque os Mundiais não esperam pelas experiências sem sentido dos treinadores. Passam. Passaram para a Bélgica e estão a passar para Portugal.
Entretanto, Vitinha continua a circular com a bola, João Neves continua a correr, Nuno Mendes continua a acelerar. Os talentos multiplicam-se. Mas o futebol tem uma crueldade particular. Não guarda medalhas para as gerações que prometiam tudo. Guarda apenas memória para aquelas que conseguiram transformar talento em destino. Roberto Martínez, até agora, tem sido um especialista em desperdiçar ambos."

Rúben Dias, o guião ficou feito até ao próximo jogo


"A presença do central na sala de imprensa foi uma boa decisão da comitiva nacional, pela liderança natural que o defesa tem e que é necessária neste momento

O empate de estreia no Mundial 2026, mas sobretudo a exibição com o Congo obrigavam a uma reação da seleção portuguesa mesmo antes de entrar em campo. Era necessário alguém falar sobre o que se viu e sobretudo o que se analisou: pelos analistas externos, mas também pelos internos, equipa técnica e jogadores.
Roberto Martínez não foi feliz nas declarações após o jogo. Disse que «falar em ganhar o Mundial não ajuda a ganhar jogos», quando o próprio assumiu o título como objetivo ainda Portugal não tinha um pé nos EUA. Antes de disputar a final da Liga das Nações, relembrou-o até. Já a presença de Rúben Dias na sala de imprensa foi das melhores decisões da comitiva.
O central do Manchester City faria sempre falta em campo pela sua qualidade técnica e tática, e pelo que se ouviu nesta sexta-feira também o fez pela liderança, qualidade que há muito se lhe reconhece. Não foi um jogador qualquer que ali esteve a falar em nome do grupo. Foi um líder. E isso é o que a seleção precisa após o 1-1 em Houston: liderança.
Liderança técnica para ajudar os futebolistas a encontrarem soluções em campo, liderança dos jogadores para transmitirem confiança uns aos outros e, obviamente, liderança comunicacional. Para dar respostas, para que o ceticismo se transforme em otimismo e desse modo encarar o Uzbequistão com um estado de espírito diferente daquele com que o país ficou depois daquele 1-1.
Rúben Dias falou como o capitão que é. Sacudiu a pressão perante a normalidade dos dias de um internacional português, de um jogador, e um dos capitães, do Manchester City. É isso que se espera de um jogador profissional. A analisar e assumir falhas, receber a crítica - e ela chega de muitas formas - saber como elas têm de ficar à porta, e impor limites. «Portugal», disse, quando lhe fizeram uma pergunta sobre o Real Madrid. Pode não se gostar de algumas respostas monossilábicas que Rúben Dias deu. Mas o central estava ali para falar o suficiente sobre os temas e não mais do que isso. Se não havia nada mais a dizer, Rúben Dias não acrescentou nenhum ponto.
Mais gente falará até ao dia do Uzbequistão, mas o guião ficou feito e o que há a acrescentar é em campo. Aí haverá, necessariamente, significativa diferença. Há pessoas que não precisam de briefing antes de entrarem numa sala de imprensa, basta lá colocá-las; ter características natas raramente chegam para se ganhar um jogo, a uma equipa convém sempre levar um roteiro."

A confusão entre gratidão e competição


"ROBERTO MARTÍNEZ.
Despertará sempre análises distintas, ideias opostas. Um selecionador, ainda para mais estrangeiro — pese toda a boa vontade em aprender português, cantar o hino e criar óbvia empatia mediática — será sempre sujeito ao imediato escrutínio, sabendo que, porque é de futebol que se trata, as paixões e os impulsos falarão muito alto e estabelecerão muito ruído.
Em rigor, o primeiro jogo de Portugal no Mundial das Américas não trouxe grandes surpresas, a não ser o golo madrugador de João Neves. Esse facto, aliás, projetou uma imagem errada do que podia vir a suceder.
Já não estamos no tempo da bola quadrada. O futebol, na sua componente científica e de conhecimento transversal, evoluiu de tal forma que, se Portugal conhece o Congo, à equipa africana também não faltam detalhes sobre os portugueses. Cada seleção joga o que pode e sabe, e é no aproveitamento das individualidades, dos que realmente podem fazer a diferença, distinguir um jogo e desequilibrar um resultado, que tudo se pode decidir.
Aqui, Martínez foi coerente, igual a si próprio, e não surpreendeu ninguém com as opções tomadas para o desafio de abertura da saga portuguesa do outro lado do Atlântico.
Esse terá sido o problema. Utilizar na equipa inicial Tomás Araújo e não sugerir a Rúben Neves que fizesse o lugar junto a Renato Veiga, foi um risco. Apostar num Bernardo Silva que pareceu mais com a cabeça em Madrid do que em Houston, tirou lugar a Francisco Conceição, o único que, quando lhe foi dada oportunidade, a agarrou com unhas e dentes. E depois… Cristiano Ronaldo. Já aqui várias vezes o escrevi: o jogador do Al Nassr não deve ser titular na Seleção Portuguesa. Tem carisma, história, peso, dimensão universal, tem de estar entre os convocados, e será uma ótima gazua para os últimos minutos de um jogo que esteja difícil de desembrulhar, pelo efeito que certamente terá na estrutura defensiva contrária.
Mas é cada vez mais previsível e cada vez menos fiável na frente de ataque portuguesa.
O problema é que Martínez o vai manter como titular frente ao Uzbequistão, num país que quase sempre confunde gratidão com alta competição…

VOZINHA.
Se outras provas fossem necessárias, a multiplicação exponencial do número de seguidores de Vozinha após a estrondosa exibição do guarda-redes cabo-verdiano no encontro frente à Espanha demonstrou a globalidade do jogo, e a força das mensagens. Um soundbite, uma defesa impossível, um adereço especial no equipamento, são elementos de notoriedade e de caraterização dos jogadores que atuam num palco de dimensão mundial.
Aos 40 anos, Vozinha fez o jogo da sua vida, quer na perspetiva da competição em que se inseria, quer pelo adversário e pela qualidade superlativa da sua atuação.
Cabo Verde merece todos os encómios, desde logo porque, sendo a qualificação surpresa do continente africano, motivou tudo e todos, e demonstrou que o sonho não terminou com o carimbo no passaporte para a prova mais desejada.
A equipa de Bubista foi, sobretudo, realista, teve a pontinha de sorte que protege os audazes, e no seu guarda-redes a muralha inultrapassável.
O episódio que levará a sua mãe aos Estados Unidos é apenas o lado mais humano da vida de quem, com a máxima humildade, deixou cair lágrimas pela distância. Ela estará, finalmente, nas bancadas a apoiar o filho e todo um país que, pelo caráter do seu povo e pela dimensão arquipelágica que tanto afasta quanto aproxima, merece inteiramente estar a viver este sonho proporcionado pelo futebol.
Os agora milhões de seguidores de Vozinha nas redes sociais serão, afinal, a parte que faltava de uma história que, para o guarda-redes e para os seus companheiros, ainda não acabou…

LIVANO COMENENCIA.
Tem apenas 22 anos e, por força do local de nascimento dos pais, adotou a seleção da pequena ilha caribenha de Curaçau, em vez de tentar um lugar na máquina neerlandesa. É que nasceu em Breda, nos Países Baixos, e teria sempre essa possibilidade.
Porém, a história seria outra, não tão reluzente, decerto… Livano Comenencia joga nos suíços do Zurique e na seleção estreante em Mundiais e, depois de uma qualificação emocionante, teve o seu momento de glória frente a um dos melhores guarda-redes da história do futebol. Manuel Neuer nem queria acreditar quando Comenencia, rápido e incisivo, marcou o golo de Curaçau frente à Alemanha, fazendo daquele momento uma moldura que vai marcar para sempre a sua carreira, ainda que nunca mais consiga estar com a equipa da Concacaf na fase final de um Mundial.
É também destes heróis improváveis que se escreve a história do jogo. Destes momentos únicos e irrepetíveis. E do quão marcantes e significativos eles serão, inspiração quase divina, para gerações de jovens. Nas ruas de Willemstad, a deliciosa capital da ilha, ou em qualquer parte do planeta.

LIONEL MESSI.
Começa a ser muito difícil adjetivar e analisar a carreira do astro argentino. Aos 38 anos, devidamente enquadrado com os companheiros no relvado, assumindo a experiência como fator de elevado diferencial, aplicando na perfeição os pressupostos técnicos que dele fazem um dos melhores de sempre, o eterno rapaz de Rosário chega, vê e demonstra o que é, efetivamente, um iluminado pela galáxia do futebol: aproveita entrosamento mágico de que dispõe na seleção das Pampas, marca três golos e deixa claro (ele e os restantes comandados de Lionel Scaloni) que a Argentina é, de facto, não apenas campeã do Mundo, mas a principal candidata ao título, no dia 19 de julho, em East Rutherford.
Messi chega ao Mundial em ponto de rebuçado. Toda a equipa argentina sabe que é no coletivo que reside o segredo dos sucessos, e Lionel também. Joga alegre, recebe e passa, desmarca-se e dá a quem desmarcado está, olha, mede a régua e esquadro distâncias, roda e faz rodar.
A Argentina tem um modelo de jogo que não procura Messi porque se trata de Messi. Enquadra-o, potencia as suas únicas e elevadíssimas qualidades técnicas, repara na sua experiência como um farol de referência, e aproveita o que de melhor ele pode oferecer. Do lado do número 10 alviceleste, sabe que tem compromisso, alegria com e sem bola, perceção e capacidade de decisão e conclusão.
É tudo o que é preciso. Por isso Messi, com Pelé e Maradona, já está no pódio dos melhores de sempre."

A fé que obriga a um Messias


"Quando estiver a ler este texto, provavelmente o Brasil já deu a volta esperada ao Haiti e passou do oito ao oitenta que é ir do baixo astral à fé sem qualquer reserva no hexa. Ou então, ainda que tremendamente improvável, estará a menos 8 ou menos 80 na escala Macaranazo (ou Mineirazo, para os mais novos). Mas não há como não arriscar no triunfo canarinho. É praticamente impossível que isso não aconteça, por muito que nos lembrem que no futebol não há isso: tudo se pode mesmo passar dentro das quatro linhas.
Todavia, este Escrete, sem a magia de tempos de enorme riqueza no garimpo, que lhe trouxe craques como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Romário — num primeiro nível pós-Pelé, Didi e Garrincha — ou mesmo Djalminha, Rivaldo, Bebeto, Adriano, Zico, Sócrates, Cafu, Roberto Carlos, Daniel Alves e Kaká — num segundo —, não está também assim tão mal. Mesmo que o esteja o suficiente para que se suspire por Neymar como um Messias, se é que me faço entender.
Ney, ainda que não este, sobretudo o do tempo do Barcelona, é desse primeiro nível. É daqueles que nasceram e alimentaram um talento de imortal. Só que não resistiu às tentações mundanas e não conseguiu, também por ter nascido na era de outros, um trono e um ceptro só para si.
O mais próximo de um semelhante que o 10 terá à sua volta é um tal de Vinicius Júnior, que tanto os companheiros procuraram quando se afundavam diante de Marrocos. Ainda respondeu com um lance de génio que acalmou os africanos, mas não é nem nunca será um líder, com coisas a mais na cabeça de cada vez que toca a bola para a frente. Vinícius e Raphinha precisam deste Neymar preso por arames e menos ágil. Mesmo que, por enquanto, tenham ainda de viver sem ele. Neste Mundial das confirmações, enquanto o Brasil suspira pelo passado, há outros que têm fé no futuro. Depois de Bouaddi e Diomande, Manzambi foi o segredo para a primeira vitória suíça. Sim, o do Friburgo, que marcou ao SC Braga. Só tem 20 anos e é craque puro."

Queria pagar a t-shirt... e a caçadeira, por favo


"Entre as praias de Miami e o quartel-general de Portugal em Palm Beach, a rubrica Route 66 faz uma paragem obrigatória no Outdoor World. Uma imersão na mega loja Bass Pro Shops que serve de autêntico banho de realidade sobre a cultura de armas de fogo nos Estados Unidos

FORT LAUDERDALE — A viagem que une os pontos nevrálgicos deste Mundial 2026 estende-se muito além das quatro linhas. Fazer a cobertura de uma grande competição em solo americano é, também, esbarrar com os contrastes profundos de uma sociedade que teima em desafiar a lógica europeia.
No trajeto de regresso de Miami para a tranquilidade de Palm Beach, onde a Seleção de Portugal prepara o embate com o Uzbequistão, a equipa de reportagem d’A BOLA fez um desvio de rota. O destino? O Outdoor World, que alberga no seu interior a famosíssima Bass Pro Shops.
O que se perspectiva como uma simples visita de curiosidade transforma-se num choque cultural avassalador. À entrada, a imponência impressiona: tetos altíssimos de madeira rústica, decorações que emulam florestas densas e quedas de água artificiais. O verdadeiro banho de realidade surge ao avançar em direção aos balcões laterais.
Nos Estados Unidos, a venda livre de armas de fogo acontece sob as mesmas luzes brilhantes com que se escolhe um boné. Ou um chocolate. Nas vitrines de vidro, mesmo à nossa frente, repousam dezenas de pistolas e revólveres com etiquetas de preços banais e, atrás do funcionário — que manuseia o telemóvel com total indiferença —, a parede ostenta caçadeiras, espingardas de alta precisão e, até, metralhadoras automáticas que pareceriam mais adequadas a um cenário de guerra.
A mecânica do processo deixa transparecer uma simplicidade que assusta quem vê de fora: é chegar, escolher e pagar. Exige-se identificação e segurança, mas a rotina do consumo retira qualquer peso dramático ao ato. Comprar uma recordação ou uma arma faz parte do mesmo quotidiano. É a banalização de um dos temas mais fraturantes do país. Enquanto a bola não rola e Cristiano Ronaldo e companhia mantêm o foco total nos treinos, a nossa jornada continua a render crónicas que vão muito além do futebol."

A importância do ruído


"Há alguns anos tive a oportunidade de estar dentro do Barcelona, convivendo com treinadores como Pep Guardiola e Tata Martino e observando de perto alguns dos melhores jogadores da história do futebol. Messi, Xavi, Iniesta, Puyol e tantos outros talentos que marcaram uma geração. Como treinador, procurava compreender o que diferenciava aqueles jogadores extraordinários dos restantes.
Esperava encontrar respostas na técnica. Na tática, na preparação física, mas encontrei algo diferente. A capacidade de conviver diariamente com o ruído. O ruído das expectativas, o ruído dos adeptos, o ruído dos media, o ruído da pressão para ganhar constantemente.
Uma das pessoas que mais influenciou a minha forma de pensar o treino e o jogo foi Paco Seirul·lo. Tive o privilégio de aprender com ele e de construir uma relação de amizade ao longo dos anos.
Entre muitas aprendizagens, houve uma ideia que ficou comigo. O rendimento não depende apenas da qualidade individual. Depende sim da forma como todas as estruturas do jogador e da equipa interagem perante os desafios que encontram.
A forma como pensam, a forma como sentem, a forma como comunicam, a forma como se relacionam, a forma como respondem à adversidade.
Anos mais tarde voltei a encontrar essa realidade de forma muito clara na Taça das Nações Africanas de 2024, a Nigéria chegava à competição como uma das principais candidatas ao título. Tínhamos jogadores de enorme qualidade, muitos deles protagonistas nos melhores campeonatos europeus.
Mas o primeiro jogo terminou com um empate frente à Guiné Equatorial. Para quem observava de fora, surgiram imediatamente as dúvidas. As críticas, as análises, as opiniões. 220 milhões de Nigerianos. O ruído aumentou. No entanto, dentro do balneário aconteceu algo diferente, os jogadores aproximaram-se.
As conversas tornaram-se mais honestas, o capitão assumiu a liderança. Pedimos mais compromisso, pedimos mais responsabilidade, pedimos mais entrega. Percebemos que não bastava ter bons jogadores. Era necessário sermos uma equipa melhor. Tornámos o nosso jogo mais fluido, mais agressivo na recuperação. Mais competente no controlo do espaço, mais assertivo no ataque ao espaço.
Não combatemos o ruído. Utilizámo-lo. Poucos dias depois enfrentámos a Costa do Marfim, anfitriã da competição e uma das favoritas ao título. Vencemos por 1-0. A confiança cresceu, a identidade fortaleceu-se. A equipa começou a acreditar ainda mais em si própria. Jogo após jogo fomos crescendo até chegar à final da competição.
Foi aí que percebi algo que continua a acompanhar-me enquanto treinador, o problema nunca é o ruído, o problema é a forma como reagimos a ele. As grandes equipas não vivem protegidas da pressão, vivem rodeadas por ela.
A diferença está na capacidade de transformar essa pressão em energia coletiva, talvez por isso os Mundiais sejam tão fascinantes, porque não testam apenas a qualidade técnica dos jogadores. Testam a maturidade emocional das equipas.
No futebol de alto rendimento, não vence quem elimina o ruído. Vence quem aprende a transformá-lo em força."

Mundial em alerta vermelho: os desafios ambientais para a saúde e no desempenho dos jogadores


"Pela primeira vez, o campeonato do Mundo de futebol decorre em três países, Estados Unidos, México e Canadá, abrangendo uma vasta área geográfica, com cidades anfitriãs separadas por milhares de quilómetros.
Esta dispersão expõe os atletas a uma combinação única de fatores ambientais com potencial para influenciar a saúde e o desempenho competitivo. Entre os principais desafios destacam-se o calor extremo, a altitude, a poluição atmosférica, bem como as exigências associadas às viagens. Nenhuma edição anterior do Campeonato do Mundo reuniu simultaneamente estes quatro fatores de risco.
Embora alguns dos desafios ambientais identificados tenham estado presentes em anteriores Campeonatos do Mundo, como o calor no Campeonato do Mundo no Brasil em 2014 ou a altitude na África do Sul em 2010 e no México em 1970 e 1986, nunca uma única edição reuniu uma combinação tão complexa.
Os encontros da Seleção portuguesa frente à República Democrática do Congo e ao Uzbequistão, agendados para Houston às 13h00, poderão decorrer sob condições de calor intenso. A análise utiliza o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature), uma medida que combina temperatura, humidade, radiação solar e vento para avaliar o risco térmico para a atividade física. A situação poderá ser mais preocupante no encontro entre Colômbia e Portugal, último jogo da fase de grupos marcado para Miami às 19h30, esperando-se um WBGT de 30 °C.
As recomendações internacionais para a prática de exercício em ambientes quentes variam entre organizações. O American College of Sports Medicine (ACSM) sugere limitar ou cancelar atividade física intensa quando os valores de WBGT atingem valor superiores a 30 ºC, enquanto a FIFA prevê pausas de hidratação e arrefecimento durante os jogos quando o WBGT ultrapassa os 32 °C.
Por outro lado, a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPRO) adota uma posição mais conservadora, recomendando pausas a partir dos 26 °C WBGT e o adiamento ou suspensão de jogos quando os valores ultrapassam os 28 °C.
As projeções para o Mundial 2026 são particularmente preocupantes. Dos 16 locais de competição, 14 apresentam habitualmente valores de WBGT superiores a 28 °C durante os meses de junho e julho, sendo que seis cidades poderão atingir valores máximos entre 30 °C e 35 °C.
Com base nos registos históricos: cerca de 56% dos estádios poderão ultrapassar os limites recomendados pela FIFPRO para adiamento ou suspensão de jogos; 25% dos estádios poderão exceder o limiar da FIFA para pausas obrigatórias de hidratação e arrefecimento; cerca de 30% dos estádios poderão ultrapassar os limites de segurança definidos pelo ACSM.
Estas projeções poderão ainda ser agravadas pelo aumento da frequência, intensidade e duração das ondas de calor associado às alterações climáticas. Embora alguns estádios disponham de coberturas retráteis e sistemas de climatização capazes de reduzir o stress térmico, o calor extremo continuará a representar um dos maiores desafios para atletas e equipas durante o torneio.
Perante este cenário, a vantagem competitiva poderá não depender apenas da qualidade técnica ou tática das equipas. A capacidade de gerir a temperatura corporal, acelerar a recuperação e adaptar os jogadores às condições climáticas poderá transformar-se num fator decisivo ao longo do torneio.
A elevação da temperatura corporal tem implicações importantes para a saúde e o desempenho dos jogadores, tais como: saúde: temperaturas corporais superiores a 39 °C aumentam o risco de doenças relacionadas com o calor, incluindo exaustão pelo calor; desempenho físico: a capacidade de realizar sprints repetidos e ações de elevada intensidade, normalmente decisivas no futebol, diminui à medida que a temperatura corporal aumenta;desempenho cognitivo: funções cognitivas complexas, como a tomada de decisão, a atenção e o acompanhamento simultâneo de múltiplos estímulos, deterioram-se quando a temperatura corporal e da pele se elevam; desempenho técnico e tático: os jogadores tendem a adaptar o seu comportamento em campo, reduzindo a intensidade do jogo para preservar o rendimento global.
Em condições de calor extremo, as equipas costumam apresentar também uma maior percentagem de posse de bola e maior eficácia de passe, adotando um estilo de jogo mais controlado e menos baseado na pressão constante sobre o adversário. Complementarmente, estratégias de arrefecimento antes e durante os jogos podem limitar o aumento da temperatura corporal e contribuir para a proteção da saúde e manutenção do desempenho dos jogadores.
As estratégias de arrefecimento constituem uma das principais ferramentas para reduzir o impacto do calor na saúde e no desempenho dos jogadores. O arrefecimento pode ser obtido por métodos externos, como a aplicação de frio sobre a superfície corporal, ou por métodos internos, através da ingestão de bebidas frias. Estas estratégias devem ser implementadas antes e durante os jogos.
O principal objetivo do arrefecimento pré-jogo é criar uma reserva térmica antes do início do exercício, reduzindo a temperatura corporal e aumentando o tempo necessário para que os jogadores atinjam valores de temperatura associados a riscos para a saúde e para o desempenho. A imersão em água fria é considerada a estratégia mais eficaz para remover calor do organismo. Contudo, a sua aplicação em contexto competitivo apresenta dificuldades logísticas significativas, exigindo infraestruturas específicas, como banheiras com controlo de temperatura e disponibilidade de gelo.
Como alternativa mais prática, os coletes de gelo têm demonstrado resultados promissores. Uma conhecida marca, criou uma tecnologia em que o interior dos referidos coletes contém um gel especial, que é congelado antes da sua utilização e posteriormente, é sobreposto sobre as camisolas. O gel vai descongelando e refresca o tronco, no sentido de baixar a temperatura corporal.
Outra abordagem eficaz consiste na combinação de estratégias internas e externas, como a ingestão de gelo triturado associada à aplicação de bolsas de gelo nos principais grupos musculares dos membros inferiores. Apesar dos benefícios, é necessário evitar um arrefecimento excessivo.
A redução exagerada da temperatura muscular pode comprometer a capacidade de realizar ações explosivas no início do jogo. Da mesma forma, o arrefecimento interno muito agressivo pode atrasar o início da sudorese, reduzindo a capacidade natural de dissipação de calor.
Por outro lado, Portugal teve a sorte até ao momento de evitar a altitude. Competir entre 1500 a 2500 metros de altitude (casos de Guadalajara e Cidade do México) exige um período de preparação de cerca de duas a quatro semanas, no sentido de promover adaptações fisiológicas importantes, como o aumento da quantidade total de hemoglobina e o consumo máximo de oxigénio.
Estas adaptações hematológicas melhoram a capacidade aeróbica, tornando esta abordagem eficaz para a adaptação antes de competições disputadas em altitude. Contudo, a sua aplicação prática é frequentemente limitada pelas restrições temporais associadas ao calendário competitivo. A nossa Seleção está muito mais habituada ao calor do que a altitude. Pode ser que o único treino em altitude seja levantar o troféu de campeão no lugar mais alto do pódio."

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