Últimas indefectivações

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Vantagem...

Benfica 3 - 2 Barcelos

Resultado enganador, o Benfica foi superior, mas nos minutos finais, voltámos a sofrer, com os fantasmas das últimas 2 épocas a regressarem, com o VAR a salvar o Benfica em algumas ocasiões, contra um adversário que perdeu a cabeça, com verificou que desta vez, as ajudas arbitrais, não seriam tão grandes, como eles estavam à espera! Compreendo a desilusão!!!
Agora não podemos falhar tantas bolas paradas: 2 penalty's e 1 Livre Direto!!!
Ganhar em Barcelos...

Estamos na Final...

Oliveirense 78 - 86 Benfica
23-15, 23-23, 16-25, 16-23

No 2.º período estivemos a perder por 15 pontos, mas acordámos e na 2.ª parte concretizámos a reviravolta, com o Crandall on fire!!! Num jogo onde estivemos mal nos Triplos, nos Lances Livres, nos ressaltos e só com o Koby a contribuir saltando do banco, e mesmo assim ganhámos!!!
Notou-se a ausência do Makram!

A sério!

Pois...

Monteiro: Have you met Benfica?

BI: Megafone #288 - Mourinho e a época 26/27

BI: Megafone - Voo Picado #28 - Mais sobre o Benfica District

Zero: Mercado - Live - Oliveira...

BolaTV: O Lado Direito do Mister - S02E7 - Fim de ciclo no Sporting e o mérito do Torreense

Zero: Mercado - Esforço por Palhinha e Doumbia fechado

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto: finalmente o futsal

Observador: E o Campeão é... - Casa Pia ou Torreense, quem vai garantir a primeira divisão?

Observador: Três Toques - Amarante sobe à Liga 2: "Alex Costa foi o ponto de viragem"

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #146

SportTV: Bancada Livre - O melhor da Champions 25/26

A Verdade do Tadeia: O Mundial vai ao Bar #19 - O futebol total

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews do Benfica é dedicada à atividade do Benfica nos últimos dias.

1. Centralização dos direitos televisivos
Estará o futebol português a dar um passo em falso?

2. Pré-época 2026/27
Os trabalhos de preparação da nova temporada do Futebol Profissional arrancam a 25 de junho.

3. Convocado
Richard Ríos faz parte dos eleitos da Colômbia para o Mundial 2026.

4. Protagonista
Ivan Baptista, treinador da equipa feminina de futebol do Benfica, é o entrevistado da semana.

5. Entrevistas - Formação
Nélson Veríssimo e Vítor Vinha, respetivamente treinadores das equipas B e sub-23 benfiquistas, analisam a temporada.

6. Jogos do dia
Em hóquei em patins, o Benfica recebe o OC Barcelos às 21h00 na partida inaugural das meias-finais dos play-offs. Em basquetebol, visita à Oliveirense às 19h00 no jogo 3 das meias-finais dos play-offs. Em caso de vitória, os encarnados apuram-se para a final da competição.

7. Sustentabilidade
O Sport Lisboa e Benfica marca presença no Lisbon Future Dialogue. Manuel de Brito, vice-presidente do Clube e vogal do Conselho de Administração da SAD, integrou o painel "Interview: Sports for Sustainability – The Ultimate Challenge".

8. Convocatórias no feminino
Marit Lund chamada pela Noruega. E são 6 as atletas do Benfica na convocatória de Portugal para as partidas de preparação para o Mundial Sub-20.

9. Visitas ao Benfica Campus
O Centro de Formação e Treino do Sport Lisboa e Benfica está aberto a visitas de 6 a 21 de junho.

10. Bons desempenhos
Atletas do Benfica em bom plano.

11. Museu Benfica – Cosme Damião
Museu do Benfica inspira 1200 pessoas na Semana do Passaporte Escolar. E mais de 500 participaram nas atividades inseridas na Noite Europeia dos Museus.

12. Visita solidária
Uma iniciativa conjunta da equipa feminina de basquetebol e da Fundação Benfica.

13. Casa Benfica Penacova
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 24.º aniversário."

Se o encontrar na rua, darei um abraço a Pep Guardiola


"Pep e Bernardo Silva são gigantes pela alquimia com que transformam sonhos em rotina… E eu, por um dia, fui verdadeiramente um citizen…

«Se nos próximos anos me virem na rua, em qualquer parte do Mundo, e forem adeptos do Manchester City, venham dar-me um abraço. Vou precisar disso.» A frase é de Pep Guardiola, no emocionadíssimo discurso de despedida, em pleno relvado do Etihad, no tributo que clube e adeptos lhe prestaram — tal como a Bernardo Silva e John Stones — após dez anos de vida em comum.
Por impulso, adepto do City me senti. Pela maneira rara como soube agradecer. Pela emoção. Pelas lágrimas de quem sente que há locais que passam a ser família. Acredito mesmo que Guardiola precisará desses abraços. Se me cruzar com ele, abraço-o também. Grato.
Para Cícero, filósofo, orador, político e escritor romano do século I a.C., «a gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a origem de todas as outras». Talvez por isso honre tanto quem agradece como quem recebe a homenagem. A gratidão é uma comunhão invisível. O futebol conquista troféus que entram na história; a gratidão pertence a outra matéria — essa que resiste ao tempo e se aproxima da eternidade. Pep e Bernardo são enormes porque se tornaram mestres de uma alquimia misteriosa no futebol: a que transforma sonhos em rotina e vitórias em memória.
De Bernardo Silva se disse que filho de doutor não dava jogador. Houve também quem tenha garantido que era demasiado baixo para triunfar. Para nossa sorte, Bernardo Silva não acreditou. Agora, deixa Manchester ao fim de nove épocas de puro perfume e nem precisa de acreditar quando Guardiola o descreve como um dos jogadores mais inteligentes que treinou. Bernardo sabe-o. Sem vaidade. Devolvendo felicidade a quem o vê jogar. Pena ter sofrido duas grandes injustiças na carreira: a lesão que o afastou do Europeu de 2016 e uma Bola de Ouro que lhe ficam a dever.
A última semana foi muito dada à emoção. Como não me emocionar com a despedida de João Matos? Aos 39 anos, o capitão do Sporting e internacional português anunciou o fim da carreira dedicada ao futsal. Campeão do Mundo e da Europa, três Ligas dos Campeões, colecionador inacreditável de títulos. Mas, nesta hora, é a quantidade e qualidade dos testemunhos que me impressiona. De todo o Mundo; do futsal como de outras modalidades; do desporto como de outras áreas. Levanto-me e bato-lhe palmas. Por respeito.
Impressionou-me uma visita que João Matos fez a A BOLA, há uns anos. Pela serenidade. Pela inteligência calma. Pela forma rara como parecia saber exatamente quem era e o que queria da vida. Talvez seja isso a maturidade: chegar a um ponto em que já não precisamos de provar nada, em que sabemos o peso de todas as coisas.
Emoção também pelo treinador Luís Tralhão e pelo Torreense, pela notável final da Taça de Portugal. Não foi acaso. Não foi sorte. Foi saber. Foi coragem. Foi história. E não, não foi David contra Golias. Em vários momentos o Torreense cresceu até ocupar o campo inteiro. Terra de sonhos para quem lança a semente. O futebol, como a vida, ensina-nos frequentemente onde mora o verdadeiro tamanho das pessoas. Não se mede aos palmos. Mede-se às palmas."

O novo Mundial dos cromos caros e da TV-espetáculo


"Apesar de alguns pesares, vem aí um Mundial de futebol e esse é sempre um tempo especial para quem gosta do jogo.
Os pesares? Além de o preço dos cromos estar pelas horas da morte e desincentivar o colecionismo, teremos pela primeira vez, assumidamente, jogos transmitidos fora da esfera informativa, numa plataforma nova com entertainers e influencers a fazerem de jornalistas.
É certo que já se caminhava para aí, mesmo nas TV convencionais, com a ideia de um espetáculo em vez de um conteúdo informativo e episódios de censura em jogos internacionais (não mostrar episódios de violência, por exemplo). Vai piar mais fino, com perigos inerentes. Mas role a bola!

De chorar por mais
A magia da Taça de Portugal atingiu esplendor histórico com a primeira vitória de uma equipa da segunda divisão. Parabéns.

No ponto
Antes de virarmos a página para as seleções ainda há uma final de Champions que faz crescer água na boca.

Insosso
O impasse vivido no Benfica é desaconselhável para a preparação da nova época. Exigia-se maior firmeza.

Incomestível
A temporada não acabou oficialmente. André Villas-Boas e Frederico Varandas aí estão para nos recordar isso."

Manual de campanha


"As campanhas eleitorais no futebol parecem seguir um manual não escrito. Regra número um: nunca complicar. Regra número dois: repetir conceitos suficientemente vagos para que todos concordem. E assim desfilam os clássicos de sempre: apostar na formação, reforçar o scouting, profissionalizar a estrutura, investir nas infraestruturas, reestruturar a dívida, falar com o investidor, fazer mais com menos. Falta apenas “acreditar nos jovens” para fechar o capítulo introdutório.
Quem já passou por uma campanha percebe rapidamente que tentar explicar cenários financeiros, riscos de gestão ou limites reais do clube raramente compensa. O detalhe transforma-se numa armadilha. Quem explica demasiado vira alvo fácil. Quem simplifica passa entre os pingos da chuva. O manual ensina isso cedo: prometer muito, comprometer pouco.
As sessões de esclarecimento raramente esclarecem tanto quanto se imagina. Quase sempre compostas pelos mesmos, acompanhados das respetivas equipas, numa espécie de assembleia de convertidos. As entrevistas ainda revelam alguma coisa. Já os debates podem ser decisivos, não necessariamente pela qualidade das propostas, mas porque uma escorregadela, num cenário de dispersão de votos, pode mudar tudo.
No caso do Vitória, louvando a coragem dos quatro candidatos e respetivas equipas para avançarem neste contexto - um clube financeiramente pressionado, compromissos imediatos para honrar e uma equipa para construir em cima da pré-época - é preciso mesmo alguém disposto a fugir do manual."

LiveMode: Mundial #6

Zero: Saudade - S04E39 - Cacioli

Coaches: Bruno Lage - Clase Magistral, Benfica, Sporting CP, Supercopa 2019

Renascença: 4ª Conferência Bola Branca: “A Excelência no Futebol”

Liga: Elas - "Sou de Primeira"

DAZN: F1 - Paddock Club - Mercedes a ferver!

TAD: abrir ou adiar?


"A criação do Tribunal Arbitral do Desporto constituiu um dos momentos mais relevantes da modernização da justiça desportiva portuguesa. O Comité Olímpico de Portugal teve, nesse processo, responsabilidades institucionais particularmente exigentes, desde logo porque a própria lei lhe confere responsabilidades centrais na instalação e no funcionamento do TAD.
Assim sucedeu quer no momento da criação do tribunal, com Vicente de Moura, quer posteriormente no processo da sua instalação e consolidação institucional, já sob a liderança de José Manuel Constantino, período durante o qual exerci funções na condução desta matéria.
Foi sempre entendimento deste último que o caminho deveria passar por duas preocupações simultâneas: respeitar plenamente a autonomia do tribunal e prestigiar os seus órgãos de governação, sem nunca abdicar da reflexão crítica sobre aspetos estruturais do modelo, designadamente em matérias como o financiamento e a sustentabilidade institucional do próprio TAD.
É por isso que o documento recentemente apresentado pelo Conselho de Arbitragem Desportiva ao Governo merece atenção séria (ler aqui
https://www.tribunalarbitraldesporto.pt/files/deliberacoes/Comunicacao_CAD_Governo-Alteracao_Lei_do_TAD.pdf).
Não porque resolva os problemas estruturais da justiça desportiva portuguesa — não resolve — mas porque consegue algo que há demasiado tempo faltava neste domínio: sinalizar, com clareza institucional, áreas críticas da atual Lei do TAD e criar condições para reabrir um debate político sério sobre o futuro da justiça desportiva em Portugal.
Durante anos, este debate oscilou entre dois extremos igualmente improdutivos: a resistência quase automática a qualquer alteração do modelo vigente e a tentação de promover reformas tão amplas e densificadas que acabavam bloqueadas pela sua própria dimensão.
O resultado foi conhecido: muita reflexão, pouca consequência legislativa. E demasiada inação governativa.
Também por isso importa retirar lições das tentativas anteriores de revisão. Em vários momentos, o debate aproximou-se excessivamente de soluções demasiado fechadas, quase apresentadas em formato legislativo acabado. Isso reduziu margem de discussão política, aumentou resistências institucionais e dificultou a criação dos consensos mínimos indispensáveis a qualquer evolução séria neste domínio.
O mérito da abordagem agora seguida pelo CAD está precisamente em perceber esse contexto.
O Conselho de Arbitragem Desportiva poderia ter optado por uma revisão global do modelo ou por uma proposta de refundação mais ampla da justiça desportiva portuguesa. Deliberadamente, não o fez. Preferiu um caminho cirúrgico, pragmático e incremental, centrado em alterações concretas e suscetíveis de concretização relativamente imediata, sem colocar em causa a arquitetura fundamental do modelo instituído em 2013.
Essa opção traduz lucidez política e institucional.
Porque há muito que determinadas fragilidades são conhecidas: custas excessivas, constrangimentos processuais, limitações operacionais, dificuldades cautelares, dependências externas, questões de gestão arbitral ou problemas de articulação com a jurisdição administrativa que continuam por resolver.
E o próprio documento reconhece, ainda que implicitamente, que muitas dessas questões estruturais permanecem em aberto. O modelo de financiamento do TAD, a execução efetiva das decisões arbitrais ou a relação entre o tribunal arbitral e os tribunais administrativos continuarão inevitavelmente a exigir reflexão futura mais profunda.
Mas também importa reconhecer uma evidência política elementar: se, neste momento, se tentasse resolver simultaneamente todas as fraturas estruturais do sistema, provavelmente perder-se-ia novamente a possibilidade de qualquer evolução legislativa consequente.
Mais do que apresentar uma proposta fechada, o que este trabalho consegue é criar espaço político para uma decisão informada e para um debate público, sério, aberto e plural sobre o futuro do Tribunal Arbitral do Desporto e o papel que deve desempenhar no sistema jurídico-desportivo português.
E isso reveste-se hoje de crucial importância. Porque matérias desta natureza — com impacto direto na credibilidade da justiça desportiva, na autonomia do desporto e na confiança dos agentes desportivos — não podem continuar a ser condicionadas por agendas discretas de bastidores ou por discussões fechadas sobre si próprias.
Aliás, talvez o maior mérito deste momento resida precisamente aí: criar condições para que todas as perspetivas possam finalmente ser discutidas de forma séria e frontal — incluindo as daqueles que defendem alterações mais profundas ou até uma verdadeira refundação do sistema de justiça desportiva português.
O essencial é que o debate deixe finalmente de ser adiado.
Porque um legislador que se limite a acolher algumas destas sugestões terá certamente feito algo útil. Mas dificilmente terá concluído a reforma estrutural que a justiça desportiva portuguesa continuará inevitavelmente a exigir.
Ainda assim, entre a reforma perfeita que nunca chega e as mudanças possíveis que permitem abrir caminho, talvez seja tempo de escolher maturidade institucional em vez de paralisia.
O debate está finalmente reaberto.
Agora é tempo de decisão política.
E de liderança."

Marrocos: Hassan e os golos que recusaram o Boca Juniors e fizeram Preud’homme insultá-lo


"Tinha de jogar à bola na rua e voltar a casa antes do pai, que não queria os filhos a seguirem pelo futebol. Arrependeu-se quando soube que Hassan Nader tinha jeito e deixou-o ir por ali fora. Chegou a Portugal para ser melhor marcador do campeonato no Farense, onde lhe chamavam ‘o espanhol‘, mas antes disso recusou ir para Buenos Aires, através do dono de uma pizzaria, porque era longe.

Dá para imaginar o bigode de Paco Fortes a estremecer com a diatribe, cheio de tremeliques de irritação.
O autocarro do Farense ia partir, era sábado, de Faro a Aveiro ainda é uma barrigada de quilómetros e convém ir com calma, igualmente com tempo, quando se tem um jogo no dia seguinte. Hassan Nader foi ter com o treinador pois a chegar estava o seu filho, pronto a sair da barriga da mãe nesse dia. O avançado não queria viajar já, preferia esperar pelo parto, o treinador pouco se empatizou. “O Paco a espumar da boca, louco pela minha intrasigência. ‘Vocês, marroquinos, são todos doidos varridos’”, contou, tantos anos mais tarde.
O novelo da confidência ao jornalista Rui Miguel Tovar, publicada no “MaisFutebol”, desenrolou-se a favor do marroquino. O herdeiro veio ao mundo ia a tarde a meio, o pai Hassan viu-lhe as feições, do hospital enfiou-se num carro no mesmo dia e estrada fora acelerou até se juntar à equipa em Aveiro sem que a delonga impedisse a diligência do costume: no domingo jogou a titular e marcou um golo.
Foi um dos 108 que deixou no Farense, onde a sua história se confunde com a do clube abeirado da Ria Formosa e só depois da língua de mar que tem Marrocos lá ao longe.
No país nortenho de África nasceu Hassan Nader, de jeito estimulado para a bola pelas ruas de Casablanca onde não podia perder o tino aos ponteiros do relógio para regressar a casa antes que o pai voltasse do trabalho, insistente em que os filhos se mantivessem à margem do futebol. Hassan ia às escondidas ao clube do bairro, jogava, os golos entravam, mas ai dele se o progenitor soubesse da dedicação que virou séria quando a sua reputação cresceu além quarteirão. “Tornei-me famoso no bairro.” E o pai, sabendo da vida dupla, afinal, achou graça, levando-o às captações do WAC Casablanca.
Ficou num dos grandes de Marrocos mal o viram, mas a primeira aparição no clube entretanto mudado de nome (Wydad) não durou. O pai morreu pouco depois, o pranto desolou Hassan. Saiu do WAC, retornou à equipa do bairro, não quis saber de levar o futebol mais a sério até cumprir 16 anos, idade demasiada para se entrar na formação, não que o tempo que o avançado precisou para o seu luto o prejudicasse.
A pressa pelo golo fez-lhe companhia na equipa principal, onde conquistou duas ligas marroquinas e foi quem mais golos marcou, por três épocas, no principal campeonato do país. Por este tipo de proezas saliva o futebol e aqui Hassan diz que sim, também que não, às benesses do passa-palavra.
O guarda-redes Zaki, dono da baliza de Marrocos e com quem Hassan jogara no WAC, entretanto mudou-se para o Mallorca, falou do avançado aos dirigentes, estes deitaram olho à sugestão e contrataram-no para jogar na maior das Ilhas Baleares. A bola que pôs o clube nas ‘meias’ da Copa del Rey foi chutado por ele, dali foi um pulo rumo à final perdida para o Atlético de Madrid, em 1991, com Paulo Futre a capitão e esse seria o expoente de Nader nas duas temporadas em Espanha, que poderia ter sido um entreposto para Buenos Aires: tinha um vizinho, dono de pizzaria, “com ligações” ao Boca Juniors, que lhe dizia “vais ser o primeiro jogador de cor a jogar no Boca”.
Não foi porque Hassan não quis. Olhou para o mapa e “era muito longe”, contou ao “MaisFutebol” quem então se entretinha mais com o dicionário, devoto a aprender espanhol.

O ‘o espanhol’ que foi o melhor marcador em Portugal
Faro ficava mais em mão. O marroquino rumou ao Algarve e em 1994/95 marcou 21 golos no campeonato pelo Farense, ganhando a Bota de Prata, arrumando-a com jeito na prateleira emocional de quem, um ano antes, estivera no Mundial dos EUA a marcar à Holanda na fase de grupos. Ainda mais especial foi por apenas ter feito mais sete pela seleção em 29 internacionalizações.
Em Portugal conheceu a abundância que compensou a sua parcimónia com Marrocos, em especial ornado com o branco do Farense. O seu faro para estar no sítio certo e rematar à baliza sem grandes diligências, nem delongas com a bola, valeu-lhe 108 golos - 94 só no campeonato - pela equipa com abrigo no Estádio de São Luís, ou o ‘Inferno’ como era conhecido pelo seu ambiente, incluindo a proeza de marcar em casa dos três grandes.
Custou-lhe largar o castelhano e assentar no português sem falar numa mescla dos dois idiomas. “Consegui adaptar-me rapidamente, chamavam-me ‘o espanhol’, mas a língua ajudou-me muito. Encontrei uma grande equipa com grandes jogadores. O estádio estava sempre cheio, tínhamos uma claque que sempre nos apoiava”, resumiria Hassan Nader à “RTP“, ao lembrar um conjunto “de raça e qualidade”. Tão bem se deu no Farense que o Benfica contratou-o em 1995, mas não teve o mesmo sucesso, regressando ao Algarve dois anos depois.
Ao FC Porto marcou um par de golos, ambos nas Antas e no mesmo jogo, contra o Sporting fez um em Alvalade e, quando o adversário foi o Benfica, deixou meia-dúzia de golos nos relvados. Tinha queda para proporcionar desfeitas aos encarnados e três desses remates que o fizeram sorrir ultrapassaram Michel Preud’homme, lenda de luvas que o clube contratara após o mesmo Campeonato do Mundo onde Hassan deixou um golo.
O belga achava pouca graça à veleidade. “O guarda-redes mais engraçado para marcar golos era o Preud’homme. Passava-se completamente. Ouvia-o lá ao longe a dizer ‘marroquino de mer**‘. Era só rir“, descreveu o avançado ao “MaisFutebol”, sem fazer caso dos insultos, guardando o belga como “gente boa”. Gente foi o que Hassan Nader deu também a Portugal: os seus filhos nasceram em Faro, um deles virou futebolista, e é tio é de Isaac, que ainda se atreveu a seguir o exemplo na bola mas acabou a ser campeão mundial dos 1500 metros de atletismo."