sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Vermelhão: Treino em Edimburgo!


Hearts 1 - 1 Benfica


Empate, que soube a pouco, num jogo 'treino', onde a eliminatória nunca esteve em causa, os próprios escoceses nunca acreditaram, e até acabaram por arriscar menos neste jogo, do que na Luz!!!

O Benfica dominou a posse de bola quase sempre, tivemos domínio territorial durante a maior parte da partida, somente naqueles momentos antes dos 'golos' do Hearts, acabámos por sofrer alguns sustos!

No inicio do jogo, parecia que íamos criar bastantes oportunidades, voltámos a ter alguns falhanços caricatos, o melhor exemplo é a cabeçada à barra do Dedic, mas com o passar do tempo, deixámos de rematar...! Durante muito tempo, o jogo ficou sem balizas!!!

Acabámos por reagir bem ao golo sofrido, e com um pouquinho mais de força, podíamos ter ido à procura do golo da vitória nos últimos minutos!

Muitas alterações no 11 como era expectável, com vários mundialistas a terem a primeira titularidade e como o Marco Silva afirmou no fim, alguns ainda não têm condição física para os 90 minutos!

Viu-se um Durán, que ainda não conhece os companheiros, nem os colegas sabem aproveitar as movimentações do colombiano! É um jogador diferente do Pavlidis. Foi bastante notório a dificuldade de encaixar o Durán, quando se joga com dois extremos de pé trocado!

O Ríos é o mundialista melhor fisicamente, hoje, tentou muitas vezes o remate, mas acertou em todas as pernas escocesas!

O Sudakov voltou a não convencer. Muitas hesitações, muitos passes fora de tempo, e perdas de bola... e hoje, até na pressão foi mole, algo que nos jogos anteriores não aconteceu. É fundamental o Benfica ter um jogador nesta posição que faça a diferença! Eu sei que precisamos de jogadores para outras posições, mas estou muito preocupado... Em condições normais, o Rafa vai fazer esta posição, mas o Rafa também não é um jogador que decide bem, principalmente no passe... O Marco parece (e bem) acreditar no Prestianni para este lugar, mas também não tem rotinas...

Apesar de tudo, ofensivamente estamos melhores do que no ano passado... Defensivamente, nem por isso! Quando o jogo se torna mais físico, temos problemas. E no jogo pelo ar, também temos dificuldades.

O Manu tem muito potencial como Central, hoje nos duelos físicos ganhou quase todos.... bem com a bola nos pés, na construção. Mas tem que melhorar muito sem bola, principalmente ao 'fazer a linha' defensiva, hoje meteu desnecessariamente várias vezes os adversários em jogo! No golo sofrido, acabou por perder um ressalto, não acho que tenha sido 'grave'!

O Dedic, voltou e eu acho que ficámos a perder! Eu sei que o Bah tem limitações, mas dá velocidade ao corredor, e dá largura ao Benfica. Na Luz, o Bah foi fundamental para desmanchar o Hearts! O Dedic, afunila sempre os ataques... Muito sinceramente, como eu acredito bastante no Banjaqui, eu vendia o Dedic pelos valores que têm sido públicos!


A estreia a titular do Zé Neto na Europa, foi muito boa. Provavelmente vão recordar a forma como foi ultrapassado no golo sofrido, mas no geral esteve muito bem... A defender, na cobertura aos Centrais, defendeu sempre bem as bolas longas para as suas costas, e ainda dá alguma capacidade no jogo aéreo. Na construção ofensiva, é muito melhor que o Dahl! Passa muito bem, permite à equipa construir a 3, com os Centrais... e quando soube, faz com preceito. A assistência para o golo, foi um bom exemplo... Para mim, era já titular...


Não posso deixar de falar do Ladrão do Apito! Mais um holandês para a coleção de apitadeiros holandeses ladrões. Não sofremos lesões graves por que não calhou, e o filho-da-puta deu um Amarelo por protestos!!! A agressão ao Durán, o penalty sobre o Araújo... e mesmo no lance do Dedic continuo com muitas dúvidas, a dualidade constante nas faltas a meio-campo, conseguiu-me deixar irritado, num jogo a 'feijões'!!!


Agora, venham os dinamarqueses do Aarhus. Campeões do seu país, mas com uma equipa muito jovem, com algumas lesões importantes neste início de época. Mas com um avançado jovem perigoso, mas que marca golos de qualquer lado!!! Tal como aconteceu com o Hearts, temos que decidir a eliminatória na Luz, na 1.ª mão. Algo que poderá ser mais complicado, porque desta vez, vamos ter menos de 72 horas de descanso entre jogos, para preparar o confronto da Luz!


Mas antes deste jogo, temos a 2.ª jornada do Tugão, em Rio Maior, contra o Casa Pia (uma das equipas aparentemente maldita nos últimos tempos...), mais uma vez, com poucos Benfiquistas nas bancadas, por determinação do CD da FPF!!! Inacreditável como um suposto castigo ao Casa Pia, acaba por condicionar o acesso dos Benfiquistas ao jogo!!! Depois do empate na 1.ª jornada, só pode existir um resultado... e já me esquecia o apitador vai ser o Pinheiro! Com o Rui Costa (o outro...), no VAR!!!



Rotação...

SE NÃO HÁ CRITÉRIOS IGUAIS NÃO HÁ VERDADE DESPORTIVA


"O castigo aplicado ao Casa Pia é exatamente aquele que devia ter sido aplicado ao Benfica - mas não, a nós interditaram-nos o estádio todo.
Ao Casa Pia interditaram apenas - e bem - a bancada poente, aquela que está destinada aos adeptos da equipa da casa e de onde partiu a utilização de pirotecnia.
A época 2026/27 começa mal, porque começa sob uma inexplicável dualidade de critérios. Até Bruno Pinheiro, treinador do Académico de Viseu, reconheceu que a sua equipa beneficiou de jogar no Estádio da Luz vazio."

Rui Costa faz bem em ter paciência... mas há limites


"«Irá haver mais algumas saídas e algumas entradas, e estamos a trabalhar nisso da mesma maneira que estamos a trabalhar na questão do central: que é escolher bem e não rápido»
Rui Costa, presidente do Benfica, antes da partida para a Escócia

Rui Costa, presidente do Benfica, falou aos jornalistas ontem, antes da partida da equipa para a Escócia, e abordou vários temas, entre eles o mercado. Para, basicamente, tentar tranquilizar os adeptos, garantindo que as águias estão ativamente a procurar reforços, mas que não querem precipitar-se e contratar o jogador errado.
A mensagem faz sentido. Já vimos que às vezes vale mais esperar pelo jogador que se tem a certeza que encaixa, nem que sejam precisos um ou dois meses de negociações (Gyokeres para o Sporting é um exemplo), do que avançar para alguém só para se dizer que se contratou.
Mas a paciência deve ter limites. Porque à medida que as semanas passam e o jogador não chega, a pressão de adeptos e treinadores leva muitas vezes a más decisões. Na época passada, o Benfica contratou dois jogadores em cima do fecho de mercado: Sudakov, por 27 milhões de euros mais 5 de bónus; e Lukebakio, por 20 milhões mais 4. Menos de um ano depois, não tenho dúvidas de que, em ambos os casos, voltaria atrás se pudesse.
A paciência só pode ser ilimitada se um clube estiver disposto a esperar por um jogador até para lá do fecho do mercado — e Rui Costa até sabe bem o que isso é, porque em 2022 contratou Enzo Fernández sem saber se ele chegaria no fim de agosto ou só no início do ano seguinte. Foi um dos melhores negócios de sempre do clube."

Vencer em Edimburgo


"O Benfica defronta o Hearts na capital escocesa às 19h45, em partida da 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. Também em destaque na BNews, a reafirmação da intransigência na defesa dos interesses do Benfica pelo Presidente do Clube.

1. Apelo aos adeptos
Leia o apelo do Sport Lisboa e Benfica aos Benfiquistas que estarão em Edimburgo para ajudar o Benfica a ganhar: "Continuem a fazer sentir a sua paixão e o seu apoio à equipa, sempre com responsabilidade e no cumprimento das normas em vigor, tanto em Portugal como nas deslocações ao estrangeiro."
Recorde-se que o Benfica se encontra sob pena suspensa nas competições europeias.

2. Pelo Benfica
Em declarações à comunicação social, Rui Costa aborda o embate desta noite, o plantel da equipa profissional de futebol, o jogo realizado à porta fechada e a petição apresentada à Assembleia da República: "O Benfica vai lutar até ao fim pelos seus direitos", reitera.

3. Ganhar e evoluir
Marco Silva revela a abordagem do grupo de trabalho ao desafio com o Hearts: "É mais um jogo de futebol para podermos jogar, crescer e fazer de tudo para ganhar o jogo e, acima de tudo, sermos capazes de melhorar alguns aspetos do último jogo. Temos de continuar a crescer, sermos capazes de nos assumir como a equipa que somos."

4. Bastidores
Veja imagens exclusivas da viagem da comitiva benfiquista para Edimburgo.

5. Informações para os adeptos
À atenção dos Benfiquistas presentes em Edimburgo para apoiar o Benfica.

6. Empréstimo
Ivanovic vai representar o Lens na presente temporada.

7. Treinador apresentado
Ainars Bagatskis é o novo treinador da equipa masculina de basquetebol do Benfica.

8. Movimentações do defeso
Cléber Souza, futsalista internacional brasileiro, é reforço do Benfica. Bernardo Pegas junta-se ao andebol benfiquista.

9. Em evidência
Michaely Bihina, guarda-redes do Benfica, voltou a ser considerada a mulher do jogo ao serviço dos Camarões, desta feita frente a Marrocos nas meias-finais do Campeonato Africano Feminino 2026.

10. Pré-época
A equipa feminina de futebol defrontou o London City Lionesses. A equipa masculina de andebol enfrentou o Dínamo de Bucareste.
Nota ainda para o início dos trabalhos da equipa feminina de voleibol.

11. Chamadas internacionais
Joana Garcez e Mariana Garcez estão convocadas pela Seleção Nacional feminina de voleibol.

12. Campeonato da Europa de atletismo
Acompanhe o desempenho de 14 atletas do Benfica participantes no certame. Fatoumata Diallo alcançou a medalha de bronze nos 400 metros barreiras, estabelecendo ainda o novo recorde nacional na distância.

13. Benfica Official Stores
A abertura da 13.ª loja física do Sport Lisboa e Benfica, no Centro Comercial Vasco da Gama, representa o mais recente passo numa estratégia de investimento e expansão da rede oficial do Clube."

Bihina em grande na Seleção...

A Primeira Liga está a acelerar na direção da Volta a Portugal em Bicicleta: a irrelevância


"E a Liga não parece preocupada. 
A globalização do futebol, o modelo económico das SAD e a ausência de proteção regulamentar da utilização de jogadores portugueses estão a destruir, lentamente, o sentimento de pertença dos adeptos.
Segundo um estudo do Sindicato dos Jogadores, Portugal foi, entre os 50 maiores países exportadores, aquele que mais aumentou percentualmente o número de futebolistas no estrangeiro entre 2021 e 2026: de 302 para 500, mais 66%.
Portugal nunca produziu nem exportou tantos jogadores e, paradoxalmente, nunca os portugueses tiveram tão pouco peso na própria Liga.
Economicamente, o modelo pode ser racional e, desportivamente, até competitivo. O custo emocional vai revelar-se gigantesco.
A ameaça não é a Liga desaparecer. É muito mais subtil: continuar a funcionar perfeitamente como mercado de jogadores enquanto vai deixando de funcionar como produto cultural português.
Uma Liga em que apenas 30% dos minutos são disputados por portugueses pode continuar a exportar os melhores, importar jogadores para valorizar, reduzir a permanência média nos clubes e diminuir a identificação entre equipa e adepto sem sofrer consequências?
Foi assim que a Volta perdeu centralidade. Não ficou sem ciclistas portugueses nem desapareceu. Simplesmente deixou, progressivamente, de mobilizar o país.
É uma característica muito portuguesa: não mudamos quando percebemos que caminhamos para o abismo. Mudamos quando já lá estamos há demasiado tempo e a liderança nem sequer sabe como sair. E, mesmo assim, só quando permanecer se torna insuportável. Temos uma extraordinária capacidade de adaptação ao que funciona mal.
Com um universo eleitoral de apenas 33 sociedades desportivas, só uma liderança forte e reformista conseguirá contrariar os interesses individuais imediatos e convencer os clubes dos benefícios coletivos de longo prazo.
Se a Liga se limitar a identificar o interesse individual de cada clube e a corresponder-lhe, mesmo quando contrário ao interesse coletivo, o custo futuro será dramático.
A inércia continua a ser uma das forças mais poderosas do futebol português. E de Portugal também.
Dois exemplos aparentemente sem relação ajudam a percebê-lo: o calendário das competições e o que celebramos no dia 5 de Outubro.
No verão, quando as noites são longas, as crianças estão de férias e o clima convida as famílias a sair de casa, os estádios estão vazios e fazemos a pré-época.
Em janeiro e fevereiro, com frio, chuva, relvados degradados e muitos estádios sem proteção adequada, jogamos intensamente — perante bancadas vazias.
Porquê? Porque sempre foi assim.
O calendário nasceu noutro mundo, quando não existiam sistemas modernos de rega e os relvados secavam no verão.
Mudou o mundo, mudou a tecnologia, mudou o futebol e mudou o adepto. O calendário manteve-se.
Portugal oferece-nos outro extraordinário monumento à inércia.
Foi em 5 de Outubro de 1143 que o Tratado de Zamora marcou o momento fundador da independência portuguesa e do reconhecimento de D. Afonso Henriques como rei. Exatamente 767 anos depois, em 5 de Outubro de 1910, foi implantada a República.
Em 1925, o 10 de Junho começou a ser celebrado como festa nacional, associado a Camões, afirmando-se depois como Dia de Portugal.
Mais de um século depois, continuamos a celebrar Portugal na data da morte do seu maior poeta e não numa data associada ao seu nascimento político.
Porquê? Porque há 100 anos que é assim.
É precisamente esta extraordinária capacidade de continuar a fazer amanhã aquilo que fazíamos ontem, mesmo depois de desaparecerem as razões que o justificavam, que ameaça hoje o futebol português.
O calendário tem ainda outra característica especialmente desajustada dos hábitos atuais: o campeonato é sucessivamente interrompido pela Taça de Portugal e pela Taça da Liga.
Seria absurdo se os torneios de ténis fossem disputados aos bocados durante a época, em vez de concentrados num período curto e jogados, um de cada vez, até encontrarem um vencedor. A NFL concentra praticamente toda a competição em poucos meses, criando intensidade, continuidade e expectativa.
A comparação com as plataformas de streaming, com as quais o futebol também disputa o tempo e a atenção das pessoas, é ainda mais evidente.
Imagine uma série em que vê dois episódios, depois é obrigado a assistir ao primeiro de outra, a seguir a um documentário sobre o mundo animal, depois à biografia de um criminoso célebre e só então regressa ao terceiro episódio da série inicial.
Não será por acaso que as competições que mais concentram a atenção mundial funcionam precisamente ao contrário. Mundiais e Europeus disputam-se durante cerca de um mês, entre junho e julho, com princípio, desenvolvimento e fim. Contam uma história sem permitir que outra a interrompa.
Importamos jogadores porque economicamente faz sentido a cada clube. Jogamos no inverno e paramos no verão porque sempre foi assim. Interrompemos as competições porque herdámos esse modelo.
A Volta a Portugal ensina-nos que uma competição não precisa de desaparecer para se tornar irrelevante. Basta que, lentamente, as pessoas deixem de sentir que lhes pertence.
Esse é o verdadeiro desafio da Liga: deixar de organizar o futebol segundo a tradição e começar a pensá-lo a partir dos hábitos — e do sentimento de pertença — de quem o quer consumir.
Não prefeririam os adeptos, e todos os agentes do futebol, concentrar as competições menos relevantes no mês de Janeiro, em vez desses jogos irem sendo disputados entre jornadas da Primeira Liga?
Porque a irrelevância não começa quando deixam de existir jogadores, clubes ou espectadores. Começa no dia em que uma competição continua a existir, mas aqueles a quem pertencia deixam de sentir que é sua."

É impossível guardar segredos conhecidos por mais de três pessoas


Guardem para dentro do «sagrado balneário» o que quiserem, mas por favor não se queixem depois de haver especulações em vez de explicações. Quando há mais de três a saber algo...

Mal começou a época e já está tudo mais ou menos como sempre. Uns começam bem, outros mais ou menos, outros pior. A culpa nunca é dos próprios, é dos árbitros (alvo 1), dos jornalistas (alvo 2) ou das oposições internas (alvo 3, mais seletivo, fica normalmente para mais tarde). Pelo sim pelo não, mesmo os que começam bem optam por ir atacando os alvos principais, que isto nunca se sabe quando é que o prego vira o bico e pelo menos assim «já tínhamos avisado».
Tenho como quase certeza, por exemplo, que quando se resolverem as novelas de Trubin no Benfica e Luis Suárez no Sporting — e elas só existem porque as deixam existir — a culpa há de ser da Comunicação Social e da sua especulação. Claro que nunca aconteceu nada, claro que destronar um guarda-redes titular sem explicação pública e deixando vazar uma explicação técnico-tática de um saber jogar melhor com os pés ou com as mã
os explica tudo; claro que haver um desaguisado num treino transformado em equívoco sobre o final do mesmo é normalíssimo, mesmo que depois nada do que se vê publicamente em campo tenha o mínimo a ver com a normalidade que conhecíamos até então.
É perfeitamente legítimo que clubes, treinadores ou jogadores (estes, enfim, cumprem ordens) tentem deixar no há muito inexistente «sagrado balneário» os alegados segredos do dia a dia. Não podem é depois queixar-se de haver especulações, sobretudo quando todos sabemos que elas não nascem das árvores, mas de alguém que conta alguma coisa a alguém que por sua vez fala com outrém. Quando há mais de três pessoas a saber de algo, esqueçam por favor a ilusão de manter segredos. É a natureza humana. E é esta parte que alguns protagonistas do futebol e não só (muitos deles importantes e em lugares de decisão) fingem ainda não ter percebido. Fica-lhes bem bradar contra «fugas de informação» e acreditarem que o público ainda come essa papa como se fosse um gelado enfiado pela testa.
Depois vêm as redes sociais, os desabafos camuflados, as críticas transformadas em passagens bíblicas ou áudios de conversas alegadamente privadas a contrariar os que ainda acham que há segredos.
Ainda assim, eles teimam em atacar os mensageiros (ainda não perceberam que é o meio e não a mensagem a determinar tudo) e persistem em silêncios e desvios temáticos que já ninguém entende."

Quanto se paga pela desorganização?


"Começou a Liga principal de futebol e alguns dados parecem ter passado pelos pingos da chuva. Há cada vez menos clubes nas competições profissionais sem investidores estrangeiros e a tendência aponta para que, dentro de poucos anos, a presença de capital estrangeiro possa ser total.
É verdade que já existem investidores a entrar nas distritais, mas o que quero destacar é o valor que estão dispostos a pagar. E aqui, tal como acontece quando se avalia a aquisição de um atleta, há pelo menos dois eixos fundamentais: performance e recursos atuais e potencial futuro.
Na aquisição total ou parcial de um clube, existem duas questões essenciais. Para quem vende, ter um clube estruturado, organizado e funcional aumenta em muito o seu valor. E é fundamental perceber, como numa pizza com várias fatias, quais estão já a gerar valor e quais representam oportunidades futuras de crescimento, mesmo que não sejam desportivas.
E continua a ser uma das maiores fragilidades do nosso futebol: o pouco investimento na estrutura, na organização e no profissionalismo das áreas que suportam, direta ou indiretamente, o verdadeiro core de qualquer clube: os atletas e os treinadores.
Uma boa estrutura não serve apenas para potenciar quem já tem talento e venha de fora. Permite criar melhores condições para que o próprio clube produza mais talento, tome melhores decisões e consiga criar a sua cadeia de valor.
E é nesta equação entre investimento e retorno que os clubes deveriam investir mais tempo, pessoas e recursos financeiros. E este fim de semana foi notória a falta de qualidade de alguns relvados e vários planos da TV para bancadas despidas de qualquer público. Mas poderíamos destacar ainda a área da comunicação, marketing, dados, etc. E nem era preciso ter interesse em vender o clube para isto ser uma prioridade.
Portugal continua a ser altamente atrativo para investidores, pelo posicionamento geográfico, pela qualidade do talento ligado ao futebol e por um contexto económico que nos torna presas fáceis por vezes, dada a nossa realidade económica e financeira.
Muitos clubes não conseguem ser vendidos pelos valores que pretendem e isso não significa que sejam caros. Muitas vezes significa que estão a atribuir valor a coisas que (ainda) não existem. O comprador vê o que está feito e, sobretudo, aquilo que não está feito, e avalia sempre qual o possível retorno.
Deveríamos valorizar mais aquilo que fazemos bem. O futebol é uma das poucas indústrias globais onde Portugal consegue competir, em várias dimensões, com países que têm recursos incomparavelmente superiores.
Isto deveria deixar-nos satisfeitos? Claro que não. Mas talvez devêssemos começar por perceber quanto estamos a perder por não termos estruturas melhores. Porque, demasiadas vezes, continuamos a ganhar apesar do sistema e não por causa dele."

A democracia da FIFA precisa de uma barreira entre o dinheiro e os votos


"Há algo de admirável na regra democrática mais básica da FIFA. A Inglaterra tem um voto. O Brasil tem um voto. A França tem um voto. O mesmo acontece com cada uma das restantes associações-membro. Num desporto verdadeiramente global, esta igualdade importa. Sem ela, os países com os maiores mercados televisivos, as ligas mais ricas e as maiores receitas comerciais poderiam transformar o futebol mundial num clube privado.
Mas a igualdade dos votos não significa necessariamente independência dos votos.
Esta distinção é cada vez mais difícil de ignorar. A FIFA não é apenas a instituição cujo presidente, orçamento e orientação estratégica são determinados pelos seus membros. É também uma importante fonte de financiamento para esses mesmos membros.
Ao abrigo do FIFA Forward 3.0, cada uma das 211 associações-membro da FIFA pode receber até 1,25 milhões de dólares por ano para custos operacionais, além de até 3 milhões de dólares para projetos durante o ciclo de 2023–2026. E estes valores poderão em breve aumentar substancialmente. Em 28 de julho, a FIFA anunciou uma proposta — ainda sujeita à aprovação dos seus membros — para disponibilizar 20 milhões de dólares em financiamento Forward a cada associação no período de 2027–2030, juntamente com a possibilidade de mais 20 milhões de dólares por associação para projetos especiais excecionais.
Este poderá ser um investimento significativo no desenvolvimento do futebol. Mas também torna mais urgente uma questão difícil de governação.
O problema não é o financiamento do desenvolvimento. O problema é a dependência.
A FIFA deve redistribuir parte da riqueza gerada pelo futebol mundial. Uma federação de um país pequeno não deve ficar privada de campos, treinadores, futebol feminino ou competições juvenis simplesmente porque o seu mercado televisivo interno tem pouco valor comercial. A universalidade do futebol depende, em parte, de os recursos circularem dos mercados onde o jogo é comercialmente mais forte para aqueles onde o investimento é necessário.
Mas chega um ponto em que a assistência pode transformar-se em dependência institucional. Se uma associação não consegue, de forma sustentável, pagar aos seus funcionários, manter a sua administração ou assegurar as suas atividades futebolísticas essenciais sem dinheiro da FIFA, poderá o seu voto sobre a liderança e a política financeira da FIFA ser considerado verdadeiramente independente?
Não estou a sugerir que uma determinada federação tenha vendido o seu voto, nem que um pagamento específico da FIFA tenha comprado um voto. Uma acusação dessa natureza exigiria provas. A minha preocupação é com o próprio sistema. A boa governação deve reduzir conflitos de interesses e relações de dependência antes de ser necessário provar a existência de qualquer acordo ilícito.
A resposta mais simples seria declarar que qualquer federação que receba dinheiro da FIFA perde o seu voto no Congresso. Não considero isso justo e seria praticamente impossível de aplicar. Uma subvenção destinada à construção de um centro de treinos é claramente diferente de depender do dinheiro da FIFA para pagar salários.
Essa solução também suscitaria uma suspeita legítima: a de que as nações mais ricas do futebol estariam a tentar redesenhar a FIFA em benefício próprio. Um sistema de votação baseado no poder comercial não representaria qualquer progresso. Poderia reduzir a influência de África, da Ásia, da Oceânia, das Caraíbas e de outras regiões do futebol simplesmente porque os seus mercados nacionais geram menos receitas.
O critério, portanto, não deve ter nada a ver com riqueza. Deve ser a independência.
A FIFA deveria criar e publicar um «Índice de Dependência Financeira» para cada associação-membro, indicando que proporção das suas receitas operacionais recorrentes provém de fundos da FIFA utilizados para despesas correntes. Subvenções de capital e projetos de desenvolvimento efetivamente destinados a objetivos específicos deveriam ser tratados separadamente. Os números deveriam ser auditados de forma independente, e os limiares definidos após uma análise económica e de governação séria, e não através de negociação política.
Como ponto de partida para o debate, uma associação poderia ser considerada financeiramente independente quando o apoio operacional da FIFA representasse menos de 25% das suas receitas operacionais recorrentes; em desenvolvimento entre 25% e 50%; altamente dependente entre 50% e 75%; e estruturalmente dependente acima de 75%. Não considero estas percentagens definitivas. Servem para ilustrar o princípio: a dependência deve ser medida de forma transparente, em vez de ser ignorada.
Uma pequena associação deve poder cumprir este teste com um orçamento reduzido. O PIB, a população, o ranking da FIFA, a qualificação para o Mundial ou o valor absoluto das receitas não deveriam ser relevantes. Uma federação que gere de forma sustentável 2 milhões de dólares das suas próprias receitas recorrentes pode ser mais independente do que uma organização muito maior, com controlos frágeis e uma dependência crónica de transferências externas.
A independência financeira também deveria ser acompanhada por obrigações mínimas de governação: contas auditadas de forma independente, contratação transparente, eleições credíveis, regras efetivas sobre conflitos de interesses, mecanismos de proteção e integridade e competições nacionais funcionais. Estes padrões devem aplicar-se a todos. Uma federação rica com falhas graves de governação não deveria qualificar-se simplesmente porque tem dinheiro.
É igualmente essencial que o presidente, o Conselho e a administração da FIFA não decidam quais as associações que cumprem os critérios. Dar à liderança em funções o poder de determinar quem pode votar criaria um problema maior do que aquele que se pretende resolver. A certificação deveria caber a um organismo independente, com critérios publicados, decisões públicas e direito de recurso.
Também não é necessário que a suspensão do pleno direito de voto seja a primeira resposta. Existe uma regra bem conhecida na governação empresarial e na vida pública: quem tem um interesse financeiro direto e material numa decisão não participa na votação dessa decisão.
Uma associação que ultrapasse um limiar acordado de dependência poderia manter o seu voto em matérias relativas a competições, estatutos e questões gerais do futebol, mas seria obrigada a abster-se de votar em decisões que aumentassem direta e substancialmente os financiamentos dos quais depende. Um sistema híbrido poderá, por isso, ser mais sensato do que uma exclusão generalizada: padrões mínimos de governação para o pleno direito de voto, abstenção obrigatória quando exista um conflito financeiro direto e um programa transitório de independência quando a dependência operacional seja extrema.
O período que antecede uma eleição presidencial da FIFA merece proteção especial. Durante os 12 meses anteriores à votação, subvenções excecionais destinadas a associações específicas deveriam exigir aprovação independente. Os pagamentos deveriam seguir calendários publicados. Transferências financeiras relevantes deveriam ser divulgadas rapidamente. Os candidatos não deveriam poder prometer vantagens financeiras específicas a determinadas associações. Quanto menor for a discricionariedade dos responsáveis políticos sobre o momento e o destino do dinheiro, menor será o espaço para suspeitas de que o desenvolvimento do futebol e a política eleitoral se confundem.
O Mundial levanta uma questão relacionada. A edição de 2026 passou de 32 para 48 seleções. Existem argumentos legítimos para dar a mais países acesso ao maior palco do futebol, e seria simplista descrever a expansão, por si só, como compra de votos. Mas qualquer alteração futura deveria ser sustentada por uma avaliação independente da qualidade desportiva, da integridade da qualificação, da carga sobre os jogadores, dos efeitos comerciais e do desenvolvimento global. A dimensão do Mundial deve ser determinada pelo que melhora a competição e o futebol, e não pelo valor eleitoral que alguém possa atribuir a lugares adicionais.
A crítica mais forte à minha proposta é a de que ela poderia transformar-se numa forma sofisticada de retirar influência às nações menos ricas do futebol. Esse risco é real. Qualquer reforma que, na prática, entregue mais controlo à Europa ou a outros mercados ricos deve ser rejeitada.
Essa proteção deve fazer parte do próprio sistema: nenhum teste baseado no PIB, nenhum teste populacional, nenhum critério de ranking, nenhuma exigência de gerar receitas comparáveis às de uma grande federação europeia — e nenhuma categoria permanente de membros de segunda classe.
Uma associação que não cumpra o padrão de independência deveria entrar num «Programa de Desenvolvimento e Independência». O financiamento da FIFA deveria continuar e, em alguns casos, poderia mesmo precisar de aumentar, mas com um objetivo claro: ajudar a associação a desenvolver receitas internas, competições mais fortes, capacidade de patrocínio, melhor administração e controlos financeiros mais sólidos. O pleno direito de voto seria automaticamente restabelecido assim que os critérios objetivos fossem cumpridos.
Isto daria também à FIFA uma forma melhor de medir se o desenvolvimento está realmente a funcionar. O sucesso não deve ser avaliado apenas pelo montante de dinheiro distribuído. Deve também ser medido pela capacidade das associações de se tornarem mais fortes e progressivamente menos dependentes da FIFA para a sua sobrevivência institucional.
O princípio «um membro, um voto» merece ser defendido. É uma das garantias que impedem as nações mais ricas do futebol de se apropriarem do jogo mundial. Mas preservar a igualdade não deve obrigar-nos a fingir que a dependência financeira não tem qualquer impacto sobre a autonomia institucional.
A FIFA deve financiar generosamente o desenvolvimento. As pequenas associações devem conservar uma voz com peso. A riqueza nunca deve determinar os direitos políticos. Ao mesmo tempo, a instituição que está a ser governada não deveria ser o apoio financeiro indispensável daqueles que elegem a sua liderança sem salvaguardas para gerir o conflito daí resultante.
O princípio é simples: a solidariedade deve reforçar a independência, não substituí-la."

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Grande Bronze...

Primeira medalha para Portugal, nos Europeus de Atletismo, a decorrer esta semana em Birminghan. Grande prova da Benfiquista Fatoumata Diallo, nos 400m obstáculos, com o recorde nacional a ser batido, com uns 53,55s!

Coincidências do destino...

Querem ir mais atrás? Não me parece que queiram 🍊🍌🍉🍇🍈

Eles sabem...

Porta fechada no Dragão


"Coesão defensiva continua a fazer a diferença a favor do FC Porto: se os rivais olham com dúvidas para a baliza, no Dragão ninguém vê a hora de fechar a janela de transferências

A Liga 2026/27 começou tal como acabou a anterior, com o FC Porto foragido aos rivais Sporting e Benfica, assim como ao SC Braga.
A repetida ideia de que o ponto está cada vez mais caro parece contrastar com uma certa ligeireza no planeamento da temporada, na forma de gerir o mercado e as opções, mesmo tendo em conta as ausências ou limitações impostas pela presença de alguns jogadores no Campeonato do Mundo, mas só o tempo permitirá perceber o impacto das quedas.
O que é certo é que o campeão — tradicionalmente apontado como favorito ao título no ano seguinte — foi o único dos candidatos que não tropeçou logo à entrada da praia. Embora seja cedo para tirar conclusões quanto à forma de jogar, na ronda inaugural da Liga os dragões voltaram a fazer da segurança defensiva o elemento diferenciador para os rivais.
De recordar que, na época passada, a equipa de Francesco Farioli sofreu apenas 18 golos no campeonato, menos seis do que o Sporting e menos sete do que o Benfica. A leitura dos números nunca deve ser simplista, mas é fazer a ponte para esta primeira jornada, até porque leões e águias também marcaram dois golos, mas acabaram por sofrer outros tantos, desperdiçando a vantagem que tinham, e que no contexto verde e branco até foi dupla.
Apesar das empolgantes exibições dos sul-americanos Rodrigo Zalazar e Gianluca Prestianni, leões e águias não foram capazes de gerir jogos que até estavam favoráveis, sendo que os erros da equipa de Rui Borges na Amadora foram mais individualizados (sobretudo a má abordagem técnica de Rui Silva no golo do empate), e as falhas da formação agora orientada por Marco Silva, na receção à porta fechada ao regressado Académico de Viseu, foram mais coletivas, com ambos os golos sofridos de bola parada (canto e lançamento lateral).
O FC Porto pode não ter deslumbrado, numa vitória consumada com dois golos de penálti, mas não permitiu sequer que o Alverca entrasse na discussão do resultado, embora a equipa ribatejana tenha feito por isso. Quando tudo o resto falhou, lá apareceu Diogo Costa, com cinco defesas, superado apenas pelos brasileiros Leo Linck (6) e Ewerton (8), que defrontaram Sporting e Benfica, respetivamente.
Enquanto os rivais da Segunda Circular olham com dúvidas para a baliza, no FC Porto só mesmo o mercado pode colocar em causa a influência que o guarda-redes tem. Na equipa e no campeonato."

Pensar e agir


"As férias dão-nos uma coisa rara: tempo. Para ler, observar e, supostamente, pensar menos em futebol. A última parte nunca funciona bem, principalmente em ano de Mundial e com a Liga a começar mais cedo.
Regresso a este espaço depois de uma derrota do Vitória e com “Pensar, Depressa e Devagar”, de Daniel Kahneman, ainda fresco na memória. Dois sistemas: um rápido, intuitivo; outro lento, racional e deliberado. Este Vitória precisa dos dois.
Na área, precisamos do primeiro. Instinto. Alguém que chegue uma fração de segundo antes e marque. Podemos construir, competir e criar, mas o futebol tem uma crueldade elementar: decide-se por golos.
Fora dela, precisamos do segundo. Muitas das limitações da época passada continuam lá. Há um novo treinador e novas ideias, mas, com os mesmos ingredientes, até um bom cozinheiro terá dificuldade em fazer um prato diferente. É preciso reforçar, mesmo que a capacidade financeira seja limitada.
Precisamos também de um “Sistema 2” para nós. Não podemos recuperar, ao primeiro contratempo, o “tu votaste em X, eu em Y”. Aceitar o que decidimos não significa baixar a exigência. Pelo contrário. Apoiar não é conformar.
Uma coisa é certa: uma derrota não define uma época, mas ignorar sinais conhecidos pode defini-la. Se é verdade que as férias acabam, também o mercado acabará. Até lá, talvez seja boa ideia pensar devagar. E agir depressa.
Em campo, a começar pelo jogo de sexta-feira. Um bom tónico para fazer esquecer a entrada em falso."

Portugal quer o Mundial de 2030. Entre as memórias do FIFA-2026 e os desafios do futuro


"Depois de 2026, entre milhões, interesses privados e soft power, organizar jogos será a parte mais fácil. A Espanha sagrou-se campeã do mundo em Nova Iorque/Nova Jérsia, depois de derrotar a Argentina, mas a principal lição de 2026 está para lá do marcador. O maior Mundial da história, com 48 seleções, 104 jogos, 16 cidades e três países, confirmou a força global do futebol e expôs os limites do gigantismo.
Para Portugal, eliminado pela futura campeã nos oitavos de final, este Mundial deve ser observado para lá da emoção. Daqui a quatro anos, o país será anfitrião, com Espanha e Marrocos, do Mundial do centenário. O que aconteceu em 2026 é um manual para 2030.
Em maio, nestas páginas, defendemos que o maior jogo de Portugal em 2030 não se disputaria no relvado. O Mundial confirmou-o. Organizar não garante reputação. A exposição cria uma oportunidade de soft power, a capacidade de gerar atração, confiança e influência através da imagem, dos valores e da experiência proporcionada.
O balanço não pode ignorar o êxito popular. Os estádios receberam perto de sete milhões de espectadores e milhões de adeptos conviveram nas cidades. Poucos acontecimentos concentram semelhante atenção internacional.
Mas a festa teve um reverso. Episódios concretos mostraram como a universalidade proclamada pela FIFA cedeu perante políticas nacionais e como a experiência do adepto foi convertida em oportunidades comerciais.
Dificuldades na emissão de vistos para jogadores, oficiais, árbitros e adeptos, criando obstáculos à participação plena num evento que se apresenta como universal. Para citar apenas alguns exemplos:
Exclusão do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos apesar de nomeado pela FIFA, expondo os limites da autonomia organizativa perante as políticas migratórias.
Restrições à delegação do Irão, que instalou a sua base em Tijuana, no México, e teve de gerir deslocações transfronteiriças para competir nos Estados Unidos.
Episódios com a seleção do Egito com percalços logísticos enfrentando restrições de segurança locais que impediram a equipa de permanecer em determinadas cidades durante o torneio.
Mercantilização de um torneio que deveria ter uma amplitude universalista, inclusiva e sustentável:
Bilhetes a preços muito elevados e mecanismos de preço dinâmico, criticados por afastarem os adeptos e colocarem o torneio entre os mais caros da história.
Pausas obrigatórias de hidratação de três minutos em cada parte, mesmo com temperaturas moderadas ou em recintos cobertos. A justificação oficial foi a proteção dos jogadores, mas a publicidade transmitida nessas interrupções alimentou dúvidas sobre a motivação comercial.
Debate sobre o prolongamento do intervalo da final para acomodar o espetáculo e a transmissão, reacendendo a discussão sobre a adaptação do futebol aos interesses comerciais.
Distâncias enormes entre cidades anfitriãs, com mais desgaste, custos, complexidade logística e uma pesada pegada ambiental.
O conflito tornou-se mais nítido depois do torneio. Gianni Infantino tentou criar a FIFA Forward Enterprise, subsidiária que concentraria operações comerciais, transmissão, patrocínios, bilhética e licenciamento. Avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares, venderia até 20% do capital para captar até 4,2 mil milhões. A oposição da UEFA, da Concacaf e da Confederação Asiática, perante a falta de consulta e transparência, levou ao abandono do projeto.
Não se tratava de vender o Mundial, mas de abrir o seu motor comercial a investidores privados. A proposta expôs o cruzamento entre lucro, governação e soft power. O acesso prometido às 211 federações a financiamento adicional poderia apoiar o desenvolvimento, mas também acentuaria dependências e influência política. A disputa revelou quem procura converter o futebol global em poder económico, institucional e geopolítico.
Portugal deve retirar daqui cinco ensinamentos.
O primeiro ensinamento é de governação: 2030 tem de ser um projeto de país, apoiado numa estrutura verdadeiramente integrada e sustentável. A preparação não pode ficar circunscrita à Federação Portuguesa de Futebol, às cidades anfitriãs ou às entidades responsáveis pelos estádios. Exige articulação permanente entre Governo, Federação, Turismo de Portugal, municípios, entidades regionais de turismo, forças de segurança, transportes, aeroportos, hotelaria, restauração, universidades, empresas e comunidades locais: o futebol organiza a competição, mas é o território que recebe os visitantes.
Antes do torneio, um estudo encomendado pela FIFA estimava que o Mundial de 2026 poderia contribuir com até 40,9 mil milhões de dólares para o PIB mundial e sustentar cerca de 824 mil empregos equivalentes a tempo inteiro. Vários economistas consideraram a projeção exagerada, e a ressalva serve a Portugal nos dois sentidos: nem os números prometidos se cumprem sozinhos, nem os benefícios chegam automaticamente aos territórios anfitriões. Sem coordenação entre os sistemas desportivo e turístico, Portugal poderá realizar bons jogos e, ainda assim, desperdiçar parte substancial do valor económico, turístico e reputacional do Mundial.
O segundo ensinamento é sobre a mobilidade, que será determinante. Em 2030, a experiência do visitante dependerá da capacidade do aeroporto de Lisboa, dos acessos aeroportuários, da evolução da alta velocidade Lisboa-Porto e da ligação a Vigo, bem como do reforço da capacidade ferroviária no eixo Norte-Centro. Portugal terá poucos estádios, mas pode envolver o território através de centros de estágio, fan zones, rotas turísticas e programação cultural. Serão decisivas as ligações entre aeroportos, cidades, estádios e regiões: o visitante não distingue responsabilidades administrativas, avalia a viagem como um todo.
O terceiro diz respeito aos residentes: não podem ser figurantes. Em Portugal, onde o acesso à habitação já constitui uma das questões sociais e políticas mais sensíveis, o Mundial não pode agravar a pressão sobre o arrendamento, converter mais habitação em alojamento temporário ou afastar moradores das zonas mais procuradas. As comunidades devem participar nas decisões e reconhecer benefícios duradouros: melhor espaço público, transportes, oportunidades económicas, emprego qualificado e infraestruturas úteis depois de 2030. Se os custos forem suportados pelos residentes e os ganhos concentrados noutros atores, o evento perderá legitimidade, mesmo que os estádios estejam cheios.
O quarto é a sustentabilidade, que deve passar do discurso à decisão: reutilizar infraestruturas, reduzir deslocações, medir emissões, melhorar transportes coletivos e garantir transparência no investimento público.
O quinto é que Portugal precisa de uma narrativa própria na organização partilhada. Deve afirmar-se pela hospitalidade, segurança, proximidade e capacidade de ligar futebol, turismo, cultura, saúde e qualidade de vida. Sem estratégia, podemos receber jogos sem transformar atenção em valor.
O Mundial de 2026 mostrou que a projeção mundial não produz, por si só, reputação favorável. A mesma competição que enche estádios pode expor desigualdades, falhas de coordenação e experiências negativas. A visibilidade amplia qualidades e fragilidades.
Para Portugal, o desafio será transformar a atenção internacional em confiança duradoura. Esse resultado dependerá menos das cerimónias e dos discursos do que da experiência de quem nos visita, da participação e dos benefícios reconhecidos pelos residentes e da capacidade de atuação conjunta das instituições. Quando os jogos terminarem, o saldo reputacional não se lerá no marcador, mas na memória de quem cá esteve e de quem cá vive. Essa memória começa a construir-se agora, nas decisões sobre transportes, território, serviços, transparência e coordenação. Em 2030, a reputação de Portugal será a consequência concreta da forma como o país tiver preparado, recebido e partilhado o Mundial."

Em frente, Benfica


"1. O Benfica começa o Campeonato no domingo a jogar à porta fechada na Luz. O adversário é o Académico de Viseu, que regressa nesta temporada à primeira divisão, que era como se chamava antigamente à Liga principal.

2. Em 2026/27 chama-se Liga Portugal Betclic. “Liga” porque é organizada pela Liga de Clubes, “Portugal” porque decorre em Portugal – o que explica muita coisa – e “Betclic” porque é o nome do patrocinador principal, uma casa de apostas. Para a minha geração continua a ser muito esquisito que uma casa de apostas seja o patrocinador de referência do velho campeonato nacional da primeira divisão, mas devemos aceitar a modernidade tal como ela se nos apresenta.

3. O Benfica está obrigado a jogar sem público no estádio – fora do estádio é outra história – o seu desafio de estreia na Liga por uma decisão disciplinar que castiga o uso e abuso de pirotecnia por parte de um grupo de adeptos. A nível internacional, o Benfica já foi penalizado nas provas da UEFA não podendo ter gente sua nas bancadas de estádios no estrangeiro. A nível nacional é a primeira vez que semelhante sanção tomba sobre o Estádio da Luz. Voltará, certamente, o Benfica a ser penalizado com este castigo, e pelos mesmos motivos, se não estabelecer medidas concretas para se ver livre desta praga.

4. Oficialmente, a nova época começou no último fim de semana em Coimbra com a discussão da Supertaça num relvado que parecia um batatal e com um lance que, de um modo quase unânime, foi tido como erradamente ajuizado pelo árbitro e pelo VAR. Está tudo na mesma. Nada de extraordinário.

5. O único momento extraordinário vivido em Coimbra por ocasião do primeiro jogo oficial da época foi o teor da alocução de Pedro Proença, o ainda presidente da Federação Portuguesa de Futebol, no fim da sessão: “Em momento nenhum as opiniões do cidadão Pedro Proença se podem confundir com as opiniões formais do presidente da Federação.”

6. É preciso ter lata para se dizer uma coisa destas sem rir.

7. Depois dos 5-0 ao St. Gallen, esta semana foram 6-1 ao Hearts e com 6 marcadores diferentes. O Benfica irá na próxima semana até à Escócia para jogar a 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à Liga Europa e vai com uma vantagem confortável. Muito confortável e merecida. Não se pode dizer outra coisa. O Benfica é muito melhor equipa do que o Hearts e seguirá, naturalmente, em frente. Na noite de quinta-feira, na Luz, a superioridade foi bem evidente embora o golo escocês tenha complicado um bocadinho, mas só um bocadinho. Em frente, Benfica!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

Campismo e Arte Juvenil no Estádio da Luz


"NOS BAIXOS DO 3.º ANEL, REALIZOU-SE EM 1961 UMA EXPOSIÇÃO PARA FOMENTAR ESTE DESPORTO ENTRE OS ASSOCIADOS DO CLUBE.

E m maio de 1961, o Benfica viveu momentos gloriosos que ficaram inscritos a ouro nas páginas da sua história. No futebol, a equipa das águias marcava pela primeira vez presença na final da tão ambicionada Taça dos Clubes Campeões Europeus, sagrando-se campeão europeu frente ao Barcelona. Oliveira Ramos, um dos melhores mesa-tenistas de sempre e um dos atletas mais medalhados do Clube, colocou um ponto final à sua carreira de 26 anos, com uma belíssima festa de homenagem que teve por cenário o Pavilhão dos Desportos.
Foi também neste mês que, no âmbito da divulgação e fomento da prática do campismo entre os seus associados, a respetiva secção realizou a II Exposição Campista e o I Concurso Campista de Arte Juvenil. Este evento decorreu nos baixos do 3.º Anel do Estádio da Luz, entre 7 e 14 de maio de 1961, em estreita colaboração com o SNI e os organismos de Turismo espanhol, suíço, francês, italiano e alemão. Na cerimónia inaugural, marcaram presença o presidente Maurício Vieira de Brito, os dirigentes Justino Pinheiro Machado, Fagulha Saraiva, Fernando Caseiro, Rui Guedes, Álvaro Curado e Augusto Raposo, elementos da Secção de Campismo e muitos associados.
A comitiva visitou demoradamente a exposição, na qual, para além de diversas tendas, figurava ainda todo o tipo de materiais indispensáveis ao conforto dos campistas nas suas atividades ao ar livre. Ao longo da mostra era também possível admirar um numeroso conjunto de fotografias alusivas a acampamentos do Clube e a outros de carácter internacional. Estiveram ainda expostos interessantes e curiosos desenhos de crianças, enviados de várias partes do país, alguns deles reveladores do seu talento artístico. Foram muitos os artistas de palmo e meio que quiseram deixar a sua marca e o seu testemunho nas telas colocadas à sua disposição para o efeito. Outro dos pontos de interesse foi o posto que os CTT ali colocaram, atraindo uma grande quantidade de filatelistas que se deslocaram para adquirir o envelope com o carimbo comemorativo deste certame.
No dia 11, o Orfeão do Benfica, dirigido pelo maestro Casimiro Silva, atuou no recinto, demonstrando não só a qualidade dos seus dotes musicais como a sua importância cultural na vida do Clube. Nas noites de 12 e 13, por iniciativa do Turismo Alemão e do Turismo Suíço, foram exibidos documentários sobre aqueles países, que contaram com larga presença de público. Ao longo de todo o evento foram colocadas à venda senhas ao preço de 2$50, sorteando um candeeiro-fogão a gás, cujo produto das vendas reverteu a favor da campanha pró-parque de jogos do Benfica.
Para saber mais sobre esta e outras histórias, visite a área 16 - Outros Voos, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

Porcos na lama


"Já sabemos o estado das coisas no futebol português. Bastou ver o primeiro jogo da época nacional, a final da Supertaça masculina. Primeiros 90 minutos e os critérios – malditos critérios – voltam a dar que falar. Cartões amarelos por mostrar, grandes penalidades por assinalar, um relvado sem condições e quem decide a assobiar para o lado.
Nada mudou. Só piorou. À boleia da mentira e do sensacionalismo, eis que se passaram as semanas de defeso a falar do “descalabro” do mercado de transferências do SL Benfica. Um “desastre”, ouvi e li. Tudo escalpelizado ao pormenor, mas a cada contratação um revirar de olhos e um torcer de orelha – não estavam à espera nem os nomes faziam parte da longa lista de “desejados” por Marco Silva. Para os outros, que desfazem equipas inteiras e que perdem peças importantes, só notas de rodapé ou elogios desmesurados. A “boa gestão” também se faz assim, com o beneplácito dos comentadores e de alguns, infelizmente, jornalistas.
Nada de novo. É um sinal dos tempos. A mentira saiu das redes sociais e dos grupos de discussão para as páginas dos jornais e para os programas de televisão. E tal como nessas redes online, também o ódio anda à solta.
Choca-me a facilidade – continua a chocar-me e já passaram alguns anos – com que se destrói, insulta e põe em causa o nome de jogadores, treinadores e dirigentes. Se isso é expectável (infelizmente) por parte daqueles que se dizem nossos rivais, não consigo aceitar esse tipo de discurso por parte de alegados benfiquistas. Seja qual for o presidente, o treinador ou os jogadores do plantel, é vergonhosa a forma como se escreve e se fala de quem veste a nossa camisola. Já deixei de ler as caixas de comentários há bastante tempo. O pior é que agora são os posts, as reflexões e as críticas internas a inundar de lama e sujidade aquele que deveria estar acima de todos: o Sport Lisboa e Benfica."

Ricardo Santos, in O Benfica

Férias!


"Cada vez mais um privilégio de poucos, raramente uma certeza na vida de muitos. Não me refiro ao tempo livre, mas ao que podem fazer dele as camadas menos privilegiadas da população quando enfrentam tantas dificuldades, urgências e prioridades, que passar férias fora da área de residência é quase sempre impossível. É por isso que os jovens do projeto Para ti Se não faltares! valorizam tanto a colónia de férias e se esforçam exemplarmente todo o ano para conquistar o bilhete que os leva a um destino fantástico com os colegas para passarem um tempo inesquecível. Constroem memórias, consolidam amizades, reforçam o compromisso com a Fundação, com a escola e consigo próprios, confirmando que vale a pena ter ambição e trabalhar para a sua conquista. Aprendem, como ao longo do ano letivo, que não há limites para o sonho e que o trabalho e a perseverança devolvem sempre resultados. Essa é a verdadeira lição que treinam com a Fundação ao longo de todo o ano, durante 3 anos. Uma lição simples e direta, no campo como na escola, na escola como na vida: como diz o velho ditado “querer é poder”, por isso, quando parece faltar a força de vontade, busca-se a superação; quando se tropeça na desilusão ou no fracasso, cada jovem apoia-se na equipa e levanta-se individualmente, mais forte e capaz, em prontidão para o que vier. E assim, dia a dia, mês a mês, se treinam o corpo e a mente para uma atitude vencedora, com muito futsal, mística e amizade, beneficiando na vida escolar do ambiente de valores, humanismo e emoção que só no Benfica se encontra!"

Jorge Miranda, in O Benfica