Gondomar: da despromoção no Apito Dourado à reintegração na II Liga


"O regresso do Gondomar SC à II Liga não é uma promoção desportiva: é a consequência jurídica da anulação de uma despromoção decidida há quase duas décadas.
Em 2009, no âmbito do processo disciplinar conhecido como «Apito Dourado», o Gondomar SC foi despromovido quando disputava a então Liga de Honra - a atual II Liga. A decisão teve impacto imediato na sua posição competitiva e marcou profundamente o percurso do clube.
Anos depois, essa decisão foi objeto de apreciação pelos órgãos de justiça desportiva e pelos tribunais judiciais. Com a sua anulação, impôs-se uma questão inevitável: como executar hoje uma decisão que reconhece que a despromoção foi indevida?
O Regulamento das Competições da Liga Portugal prevê expressamente este cenário. Quando uma decisão judicial determina a integração de um clube numa competição profissional, essa integração ocorre na segunda época desportiva seguinte ao trânsito em julgado da decisão.
No caso do Gondomar SC, isso significa que o clube será reintegrado na II Liga na época desportiva 2026/2027 - precisamente a competição que disputava à data da despromoção.
O mecanismo adotado não passa por alterar classificações passadas nem por retirar retroativamente a vaga a outro clube. A solução regulamentar é diferente: cria-se uma vaga adicional na competição, que será preenchida pelo clube reintegrado.
Naturalmente, esse alargamento excecional exige ajustamentos. No final da época em que ocorre essa integração, descem três clubes à competição não profissional, permitindo que o sistema regresse ao número habitual de participantes na época seguinte. O equilíbrio é preservado através do ajustamento das descidas, e não pela eliminação de direitos entretanto consolidados por terceiros.
Importa ainda esclarecer que a reintegração não é automática. O clube continua obrigado a apresentar candidatura e a cumprir todos os requisitos financeiros, infraestruturais e regulamentares exigidos aos demais participantes nas competições profissionais. A decisão judicial reconhece o direito à integração; a participação exige conformidade regulamentar.
Este caso demonstra que o tempo da justiça raramente coincide com o tempo do futebol, que a estabilidade das competições não pode servir de escudo para manter decisões juridicamente inválidas, mas que a execução da justiça também não pode ignorar a realidade organizativa do futebol profissional.
O regresso do Gondomar SC à II Liga é, acima de tudo, a execução tardia de uma decisão que altera a história competitiva do clube."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Vitória com um toque Francês!

Benfica 4 - 3 Sporting

Já é uma marca desta equipa: um golinho perto do fim, a definir os resultados a favor do Benfica! Mesmo quando as cosias não correm bem durante o resto da partida, esta equipa não desiste!
Mais uma vitória, estamos a um empate de garantir o 1.º lugar na fase de grupos, a 3 jornadas do fim!!! E já agora, para quem são se esqueceu, estamos a jogar sem o Pau desde do início da época... supostamente o melhor jogador do Mundo...até agora, 2 empates, e nas restantes partidas, só vitórias!

Rafa é o melhor reforço de inverno


"À entrada do último terço, gestão dos plantéis pode ser determinante.

A Liga vai entrar no último terço e a partir de agora os resultados vão ser ainda mais decisivos. Qualquer perda de pontos pode ser irrecuperável e os candidatos ao título estão bem cientes disso. De resto, desde o clássico do Dragão, no qual FC Porto e Sporting, como já referi neste espaço, ganharam um ponto, todos têm apresentado a folha limpa.
O Benfica aproveitou aquele empate para reentrar na corrida pelo primeiro lugar e já leva três vitórias consecutivas (Alverca, Santa Clara e Aves SAD). O Sporting também não facilitou, superando Famalicão e Moreirense, e o FC Porto respondeu à surpreendente derrota com o Casa Pia igualmente com dois triunfos, sobre Nacional e Rio Ave.
Vamos ter, acredito, campeonato até ao fim. A fase das decisões aproxima-se e, com o calendário ainda mais sobrecarregado, a gestão dos plantéis vai ser determinante. E aqui os reforços de inverno podem ser fundamentais. E neste capítulo recordo-me sempre do peso decisivo que André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza tiveram na quebra do jejum do Sporting, em 1999/2000.
O FC Porto foi a equipa que mais se reforçou. Francesco Farioli apostou, essencialmente, na experiência. Ao Dragão chegaram o consagrado Thiago Silva e os bem conhecidos do treinador Fofana e Moffi, além do jovem Pietuszewski. O extremo polaco de apenas 17 anos tem-se revelado muito útil e é, para já e curiosamente, o reforço mais influente. Em sentido inverso, Eustáquio rumou aos Estados Unidos.
Já o Sporting abdicou, com algum risco, da arma secreta Alisson Santos e deu um prémio de carreira ao sempre competitivo Matheus Reis e contratou os extremos Luís Guilherme e Faye. Ambos, na minha perspetiva, mais numa aposta de médio do que de curto prazo, embora o brasileiro esteja a mostrar que pode ser muito útil na rotação que Rui Borges já colocou em andamento, embora aqui o ex-West Ham ainda não tenha a concorrência de Quenda, também ele a prometer ser um reforço de inverno de peso.
O Benfica prometeu uma pequena revolução, mas acabou por canalizar o investimento no regresso de Rafa e na aquisição do polivalente Sidny Lopes Cabral — o discreto Obrador rumou ao Torino.
Dos três treinadores, Mourinho foi o único que não escolheu o plantel e como tal era bem legítimo que fosse quem tivesse mais reforços, mas a decisão, certamente também com a vertente financeira a ter o seu peso, foi a de jogar pelo seguro. E Rafa, mesmo ainda à procura da melhor forma, depois de dois meses exilado na Turquia, tem correspondido e é, para mim, o melhor reforço de inverno dos três grandes."

Uma outra face do Benfica


"Será impossível apagar a mancha da eliminatória com o Real Madrid, mas com a bola a rolar o Benfica conseguiu deixar uma imagem positiva, a ponto de deixar a sensação de que podia ter feito mais

A Liga dos Campeões ainda não acabou verdadeiramente para o Benfica, mas para desgosto das águias a competição não prossegue no campo, entre as 16 melhores equipas do continente, apenas entre os papéis do polémico processo que envolve Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior.
Se a mancha deixada pela acusação de racismo nunca sairá por completo - mesmo que o argentino venha a ser ilibado -, com a bola a rolar a equipa portuguesa conseguiu mostrar outra face, ainda que sem deslumbrar.
No final de contas o Real Madrid até garantiu novo triunfo na eliminatória - ironicamente com golo decisivo de Vinícius Júnior e duas assistências de Valverde, que deveria ter sido suspenso pela agressão na Luz -, mas o Benfica acreditou (quase) até ao fim, com uma exibição bem mais impositiva do que tinha conseguido oito dias antes, mesmo sem José Mourinho no banco do Bernabéu.
A equipa portuguesa não quis gerir as probabilidades com o relógio e protagonizou uma entrada de grande nível, ao surpreender com a aposta em Richard Ríos. Não pela titularidade do colombiano, antes pela colocação mais à direita, em linha com Barreiro e Aursnes, a pedir diagonais de Pavlidis mais à frente.
Um mau passe de Otamendi permitiu reação imediata do Real ao golo de Rafa, e a equipa de Arbeloa teve margem para fazer acertos e começar a expor o reverso da aposta em Ríos, muitas vezes curto no apoio a Dedic, o que exigia uma segunda ajuda, de Barreiro, a esticar ao limite o acordeão do meio-campo.
Uma má abordagem de Tomás Araújo condenou a esperança no apuramento, mas antes disso o Benfica teve ocasiões suficientes para virar a eliminatória. Quase sempre por Rafa, ou mesmo Schjelderup, já que Pavlidis nunca mostrou a acutilância de que a equipa precisava no Bernabéu.
Se é verdade que a história do Benfica é imcompatível com vitórias morais, do outro lado estava o rei da Liga dos Campeões, mesmo que o momento não seja o mais fulgurante.
Talvez fique a sensação de que o desfecho poderia ter sido outro, mas isso é reflexo da tal imagem diferente que o Benfica apresentou. Não apenas em Madrid, mas nos três jogos disputados com o Real.
Agora com mais tempo para treinar, e apenas 11 jornadas de Liga para disputar, o desafio é provar que o percurso continuará a ser ascendente."

Apoio

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica desmente de forma categórica que o jogador Prestianni tenha comunicado ao plantel ou à estrutura do Clube ter proferido um insulto racista ao jogador Vinicius Jr, do Real Madrid.
Tal como já foi público, o jogador pediu desculpa aos colegas pelo incidente ocorrido durante a partida com o Real Madrid, lamentando a dimensão e as consequências do mesmo e garantindo a todos, tal como o fez desde a primeira hora, que não é racista."

Mereciam mais


"O tema em destaque nesta edição da BNews é a saída do Benfica da Liga dos Campeões, afastado pelo Real Madrid após perder por 2-1 na capital espanhola e o prejuízo de arbitragem no jogo da primeira mão na Luz.

1. Resultado frustrante
João Tralhão enaltece o apoio dos adeptos e elogia a exibição da equipa: "Acompanharam a equipa como sempre, estiveram sempre connosco desde o princípio até ao fim, deram-nos uma força extra. Estamos muito orgulhosos da nossa prestação, muito orgulhosos da nossa equipa. Os jogadores estiveram extraordinários. Estamos frustrados com o resultado, precisamente por causa disso."

2. Declarações dos jogadores
Rafa salienta a boa exibição: "Demos uma grande imagem da nossa equipa."
Schjelderup lamenta a ineficácia: "Poderíamos ter aproveitado melhor."
E Dahl sublinha o grande apoio dos Benfiquistas: "Obrigado aos adeptos, eles estão sempre a apoiar-nos."

3. Apoio inexcedível noticia destaque
Grande jornada de apoio ao Benfica em Madrid.

4. Nos quartos de final noticia destaque
Na UEFA Youth League, o Benfica goleou o AZ Alkmaar por 6-2 e está apurado para os quartos de final da competição.

5. Dérbi na Luz
O Benfica recebe o Sporting no Pavilhão Fidelidade, às 20h30, em jogo da 7.ª jornada do Grupo B da WSE Champions League de hóquei em patins."

Prestianni, Vinícius & UEFA — desinfectante, já!


"Antes de mais nada, ponto prévio: na luta contra o racismo estamos todos do mesmo lado. Quem não estiver, poupe o trabalho de ler este texto

Este texto foi escrito antes do Real Madrid-Benfica e, por isso, será ainda mais irrelevante, não só por tudo e mais alguma coisa que já foi escrito e dito sobre o assunto, mas também pela matéria desportiva e comunicacional que, seguramente, produziu esse jogo na capital espanhola. Mais de uma semana depois do que se passou entre Vinícius e Prestianni no Estádio da Luz, do que foi dito e feito, dos sentimentos que nos provocou, este caso poderia servir para refletirmos sobre nós e sobre a sociedade em que vivemos.
Antes de mais nada, um ponto que deveria ter sido prévio: na luta contra o racismo estamos todos do mesmo lado e vestimos a mesma camisola. Todos. Quem não estiver, pode parar já de ler no ponto final seguinte.
Agora que ficaram só os que interessam, podemos conversar.
Desde o que se passou, então, na Luz entre Vinícius e Prestianni, ouvimos tudo, sobretudo condenações e absolvições instantâneas e passionais, claques de um lado e de outro, moralistas a decretar sentenças e, no entanto, ainda desconhecemos o essencial — o que realmente disse Prestianni. Enquanto não soubermos, existe a acusação racista e a negação da acusação racista. Até que alguma coisa mude — novas informações, por exemplo — tem de prevalecer o princípio elementar do nosso contrato social: o da presunção de inocência.
Acusação ainda não pode ser condenação para lá de qualquer dúvida. Se as acusações bastarem para que castigos e punições sejam aplicados, abrimos uma caixa de pandora que ataca os fundamentos da civilidade. Ainda há poucos dias o presidente do Atlético Madrid, Enrique Cerezo, disse que a decisão de a UEFA suspender preventivamente Prestianni, sem falar dos méritos que a sustentaram, iria criar muitíssimos problemas. Suspeito que poderia estar a falar disso.
Ao mesmo tempo e em medida semelhante, considerar Vinícius arquiteto da própria queda, ou seja, responsável pelo que lhe aconteceu em campo por eventuais provocações recentes ou passadas, é igualmente errado. Os festejos são, para o que se passou entre os dois, tão irrelevantes como o que podemos pensar que Prestianni disse ou deixou de dizer.
Precisamos, pois, de muito cuidado com o salto quântico inverso — concluir que, como não sabemos o que foi dito, nada aconteceu. O perigo de converter uma vítima potencial em culpado está aí, também, em todo o esplendor e deveria envorgonhar quem o pratica.
O Benfica deveria, desde o primeiro minuto, ter condenado qualquer manifestação de racismo, mesmo defendendo a versão de Prestianni. Pois se acredita nele, mais um motivo para deixar bem claro, desde início, que não tolera comportamentos racistas. Ao mesmo tempo estaria a reforçar a posição de Prestianni. Corrigiu mais tarde.
Se alguma coisa este caso terá de bom será o contributo que poderá dar para que não se repita — em campo entre jogadores, fora dele, seja na forma como são julgados pela justiça desportiva ou, simplesmente, na forma como olhamos e reagimos em situações tão delicadas.
Aqui chegados só com uma decisão que todos possam compreender, com explicação de todos os fundamentos, revelação dos testemunhos, argumentações de acusação e defesa, podemos dar um passo em frente. Esta, como outras situações, precisa do melhor desinfectante — a transparência."

Há conversas estúpidas num serviço de oncologia


"Da falta de autoestima dos 124 adeptos de Sporting e Benfica às discussões sobre racismo sob o ponto de vista de quem já venceu a morte por três vezes...

Há uma semana foram detidos e levados a Tribunal 124 adeptos de Sporting e Benfica que se deslocaram ao Pavilhão João Rocha para apoiar a equipa num jogo de futsal. Rico apoio… Dou por mim a pensar na cara de miúdos a entrar num Tribunal e a ter pena deles. Têm a autoestima tão baixa que acreditam que só conseguem obter validação juntando-se a grupos desordeiros para a prática de crimes… E se a falta de autoestima e a opção feita já é uma situação penosa o suficiente, junta-se outro erro trágico: a de acreditarem que os líderes do grupo se preocupam com eles e os defenderão em todas as ocasiões. Nem percebem que são apenas munição num canhão que lhes vai consumir a alma ainda antes de picar a carne e quebrar todos os ossos. E vão perceber dolorosamente que os pactos de sangue são uma via de um único sentido, aquele em que o líder precisa de tolos que se atravessem no caminho da bala.
Há uma semana que se fala de racismo com mais grito que tino. Dei a minha opinião, recebi mais correio do que o normal. Todos com educação, saliento, quase todos críticos com Vinícius Jr. e incomodados com o volume da discussão. Percebo-os. De facto, em certos momentos o antirracismo pode pisar os mesmos terrenos de intolerância e gritaria que o racismo. Uma vez mais é no equilíbrio que encontramos a virtude. Resumo o que defendi: insultar uma pessoa com base numa característica física, orientação de vida ou nível económico, cultural ou social é um desumano exercício de humilhação que dói. Duvido que haja um único leitor que não tenha sido discriminado ou gozado uma vez que fosse na vida e que não se tenha sentido mal. Defendo que Prestianni não é racista mas pode ter cometido um ato racista. Ter chamado macaco ou maricas (homossexual) não muda nada. Mas Prestianni pode também ser uma vítima ao nível de quem sofre discriminação: a de ser condenado por estar inocente. A presunção de inocência e a necessidade da prova não podem ser suprimidas em situação alguma.
Meus amigos, acham mesmo que a vida é tão longa que nos podermos dar ao luxo de desbaratar tempo com zangas, gritaria e incompreensões? Não acham que já temos lenha suficiente para nos queimarmos sem necessidade de deitar gasolina? Que bom se cada um de nós nos dessemos a oportunidade de conhecer e enriquecer com o outro, com a diferença. Permitam também que o outro se fascine por nos conhecer melhor, cada um de nós também tem muito a acrescentar à vida dos outros. E se pensar pela positiva não for o suficiente, partilho um texto que me tocou do jornalista - passou perla revista de automóveis Auto Foco, de A BOLA - e escritor João da Silva - , para já três vezes vencedor do jogo da vida contra o cancro.
«Farto da conversa estúpida dos brancos e dos pretos e dos católicos e judeus e muçulmanos e heterossexuais e homossexuais e por aí fora. Vivi semanas a fio num sítio onde todos sangrávamos da mesma cor, todos nos encolhíamos quando nos enfiavam agulhas nas veias para receber a quimioterapia, todos vomitávamos da mesma cor, todos chorávamos de dor e de medo de morrer, todos ansiávamos desesperadamente por ir para casa e abraçar quem amamos e todos víamos, embora os tentassem esconder, os sacos pretos onde pessoas de todas as cores, credos e escolhas eram levados para a última morada. Há pessoas a quem umas tardes a fazer voluntariado num hospital oncológico curariam qualquer tipo de preconceito»
Estamos juntos. Sempre estivemos. Sempre estaremos."

E se o VAR verificar faltas, além de cantos?


"Se as coisas correrem bem este sábado, no País de Gales, o futebol vai dar mais uns passinhos em frente no sentido da evolução. Mas vai dá-los devagarinho, conforme se aconselha à modalidade mais universal do mundo, cuja universalidade não é dissociável de uma certa permanência de regras muito simples (e por isso universalmente entendidas) ao longo de mais de um século, a caminho de dois.
Se tudo correr bem, as novas regras de VAR impedirão que volte a valer um golo como o de Hjulmand nos Açores, decorrente de canto manifestamente mal assinalado.
Não faria mal, porém, que o conceito se estendesse a livres que dão origem a golo. Qual é a diferença para um canto, afinal?

De chorar por mais
Pietuszewski é uma das grandes notícias de inverno em Portugal. Não é comum tanto atrevimento aos 17 anos.

No ponto
Oxalá a execução do Plano Estratégico da FPF 2024-2036 decorra de acordo com a elaboração do (bom) documento.

Insosso
A distribuição de verbas de solidariedade da UEFA não deveria ser tema de desunião entre os clubes portugueses.

Incomestível
Os acontecimentos antes do recente Sporting-Benfica em futsal explicam-se, infelizmente, com alguma facilidade."

Um dos momentos decisivos...

Vagabundo!

Se a razão da carga policial foi esta, então deviam rolar cabeças da Polícia Espanhola!

QUEM DÁ O QUE TEM A MAIS NÃO É OBRIGADO


"Real Madrid 2 - 1 BENFICA

Pré-jogo 1.
Vejo vários amigos Benfiquistas no passeio da Castellana, gente pacífica, cheios de marcas de bastonadas da polícia sem qualquer razão, simplesmente porque sim, estavam mortinhos por descarregar em cima dos adeptos do Benfica.

Pré-jogo 2.
Barnabéu remodelado, teto fechado, incrível efeito sonoro, acho que vou sair daqui com os ouvidos a zumbir.. Led grande no topo com qualidade incrível a passar imagens. O Benfica devia inspirar-se neste estádio para remodelar a Catedral - por fora e por dentro.

Pré-jogo 3.
E toca o hino da Champions, vêm aí as equipas. Precisamos de uma exibição perfeita para ultrapassar o Real Madrid e a UEFA.

LA LA LA LA
LA LA LA LA
1904 - 1904

05 Já vi duas defesas do Courtois. Respondeu o Vinicius, sempre assobiado, com grande jogada individual.
12 RA-FA! RA-FA! RA-FA! Eliminatória empatada. Bela jogada, jogada clássica: abertura a rasgar, centro, conclusão à segunda, muito bem!!!
15 Já marcaram eles também, que início de jogo, vantagem durou pouco, assim não os apertamos, não os enervamos.
21 duas jogadas de perigo na mesma leva. Estamos a explorar bem os espaços da defesa deles com boas combinações. Vamos Benfica!
28 Ríos não está a defender nem a atacar.
31 pelos écrans do estádio este lance do segundo golo tem fora de jogo. Está no VAR, está anulado.
36 Courtois a tirar-nos o segundo. Este sacana é um monstro das balizas: melhor do mundo, não?
44 São Trubin no Barnabéu.
45+1 numa coisa estamos a golear: o apoio dos nossos que se tem ouvido desde o primeiro minuto, apenas interrompido para assobiar o Vinícius. IM-PRE-SSI-O-NAN-TE. E continuam com o intervalo a correr, todo o intervalo.
46 quantas vezes já fomos comidos com esta jogada de atrair à esquerda para fazer aparecer um gajo sozinho à direita? Vá que ainda só deu um golo.
55 sair a fintar na meia lua, ó Pavlidis! Já passou e não se pasdou nada. Erro a não repetir.
59 uiiiii o que esta trivela do Rafa ia dando, não fosse o pequeno desvio e a barra e estávamos a festejar o segundo.
64 pena não estarmos a conseguir fazer boas transições. Claro, estamos no Santiago Barnabeu, isto não é uma crítica...
68 aaaaaaaa, crl, Pavlidis, que remate, que pena que só dru canto.
69 eles não estão a conseguir superiorizar-se, daqui a pouco é hora do tudo ou nada para nós, é hora de correr riscos, não sei o que vai mandar fazer Mourinho.
77 jogo parado há muitos minutos, chocaram dois deles, veremos o tempo extra que o apitador vai dar
80 ponto final na eliminatória. Vinícius dois-um.
81 ui que o calcanhar do Rafa por pouco não dava golo
90 mais nove.
90+3 eles a gerir a posse, a fazer passar o tempo a caminho dos oitavos. Nós já sem capacidade para pressionar. Vai ser assim até so fim.
90+9 demos tudo, saímos de cabeça levantada de um dos maiores clubes do futebol mundial. Deram tudo, não deu para mais. Os Benfiquistas tributam a equipa com aplausos, merecidos aplausos."

O Benfica foi a casa do rei para roubar a coroa, mas o feitiço do Real Madrid foi mais forte


"As águias perderam (2-1) no Bernabéu, sendo eliminadas da Liga dos Campeões. Apesar da bela exibição dos visitantes, com Rafa Silva em destaque, a tradicional gestão do resultado dos merengues impôs-se, outra vez com Vinícius a ser decisivo

A gravidade muda de regras, os polos da Terra alteram-se, aqui há leis próprias. No Santiago Bernabéu, o que existe lá fora não se aplica, entra-se num universo paralelo, num lar com costumes e rituais próprios.
Como é que o Real Madrid consegue sempre este exercício minimalista, de jogar pouco e obter muito? O feitiço é poderoso, dura há décadas e capturou o Benfica. Num jogo de bravura e insistência encarnada, os visitantes passaram minutos a tentar, a lutar, apresentando bons princípios e ideias para, no fim, a ditadura do costume impor-se. Quando Rafa Silva apontou o 1-0, acendeu-se a luz da esperança.
Quando atirou à barra com 1-1 no marcador, era evidente que a eliminatória estava ali, pronta para ser agarrada. Tão perto, tão longe, tão recorrente.
Visitar o Santiago Bernabéu numa eliminatória de Liga dos Campeões é como ir a Mordor e defrontar Sauron, mas sem águias mágicas que nos salvem quando precisamos de resgate. O anel do poder desta competição esteve sempre nos dedos do Real Madrid, vencedor das cinco primeiras edições da prova inventada para colocar o continente a defrontar-se num campo de futebol na euforia do europeísmo pós-Segunda Guerra Mundial.
A equipa do castigado José Mourinho deu uma boa resposta, mostrou que era possível, mas talvez seja esse mesmo o centro do feitiço do Real Madrid: levar o outro a acreditar que dá para lá chegar, enchê-lo de esperança, para depois o castigar. Se em Nárnia os tempos negros do domínio da feiticeira eram determinados pela inexistência de Natal, num inverno permamente, no Bernabéu é mais como viver sempre em novembro, esperando que o mês vire para entrarmos no Natal. Mas o mês nunca muda, a esperança não vira realidade.
Com o 1-1 que deixava tudo no fio da navalha, Vinícius foi lançado no espaço por Valverde. O brasileiro, protagonista das notícias na última semana, bateu Trubin para sentenciar o play-off e levar os espanhóis para os oitavos de final, onde o adversário pode ser o Sporting.
A renovada versão deste santuário do desporto internacional, o disco voador idealizado por Florentino Pérez, tem sido um flop, entre problemas com as obras ou queixas dos vizinhos. Mas o Bernabéu é o Bernabéu, é a casa do rei, e cabia ao Benfica chegar à sala do trono, roubar a coroa e sair ileso.
Os visitantes entraram cheios de intenções, confiantes numa inédita vitória portuguesa no recinto do rei da Europa. Ainda não foi desta, com um registo atualizado de 11 derrotas nacionais e um empate.
Com Ríos de início, numa posição híbrida entre a direita e o centro, as águias tinham Dedic pujante a atacar, Rafa no seu jogo supersónico entrelinhas e Schjelderup como ameaça permanente pela esquerda. Aos 5’, a gazela que regressou à Luz fez um túnel a Asencio antes de disparar para as mãos de Courtois.
O 1-0 chegaria ao 14’, em consequência da excelente entrada dos lisboetas. A dinâmica pela direita funcionou na perfeição, com Dedic a encontrar Ríos, que serviu Pavlidis de primeira. O grego cruzou para Rafa, com Asencio quase fazendo auto-golo pelo caminho. O português confirmaria a vantagem encarnada.
Não obstante, há sempre uma espécie de ingratidão do futebol perante quem se desloca a este relvado. Não se premeia a superioridade, castiga-se a menor deficiência, como se houvesse uma inevitabilidade que sempre beneficia os que vestem de branco. Primeiro erro do Benfica, 1-1. Otamendi falhou um passe, Valverde encontrou Tchouaméni, remate colocado, empate, o Real sempre castigador, mestre em fazer o guião das partidas ir por um caminho e o marcador seguir uma estrada diferente.
Após o começo de noite cheio de atividade, o serão acalmou. O Benfica, aproveitando a passividade merengue, refugiou-se em algumas posses de bola longas, daquelas em que se ouve o silêncio do Bernabéu, um estádio que, quando o Real não ataca, consegue ser estrondosamente calado, como um vulcão há séculos adormecido.
E eis que bum. Novamente o feitiço do Real, que vai da indiferença ao golo. Arda Güler, aproveitando a passividade benfiquista, superou Trubin, mas as linhas do fora de jogo salvaram os forasteiros. Logo a seguir, Ríos, em excelente posição, atirou forte, mas Courtois mostrou que é possível um gigante fazer-se ao chão em frações de segundo, como ver uma montanha agachar-se com subtileza. O intervalo chegou com tudo por decidir.
A segunda parte arrancou com Valverde, Asencio e Trent — Alexander-Arnold agora quer que se lhe chame Trent, um rebranding espanhol para o inglês — ameaçando Trubin, mas rapidamente o Benfica se voltou a aproximar de Courtois.
Rafa Silva surgiu leve e solto no Bernabéu, como se o tempo não passasse por aquele corpo magro, esguio, ágil, vivendo no seu planeta supersónico. Aos 60', acertou de trivela na barra e as águias foram para a meia-hora final com a clara ideia de que algo épico era possível, noção acentuada por uma finalização de Pavlidis que Carreras desviou para canto.
Até que o minalismo merengue regressou. Fazer pouco, obter muito, as regras do costume do Bernabéu. Bastou Tomás Araújo não se impor num duelo e Valverde encontrar Vinícius no espaço para o brasileiro, com facilidade de craque, conduzir rumo à baliza e desviar subtilmente de Trubin. A celebração, em samba junto à bandeirola de canto, fica como a imagem da noite.
Rafa Silva ainda roçou o 2-2 de forma acrobática. A eliminatória terminou com o Benfica com a frustração na boca, a ideia que algo histórico estava ali perto, tão perto, tão distante. É o feitiço do Real Madrid, um ativar e desativar da esperança."

Pecados centrais atrás e poucos de cada vez na frente


"Boa atitude não foi suficiente, sobretudo por pouca acutilância ofensiva e dois erros pontuais na defesa, fatais perante equipas como o Real Madrid. Norueguês e Rafa, a espaços, ainda abanaram os merengues

A figura do Benfica - Schjelderup (7)
Está um caso sério, como que a confirmar a existência de jogadores que precisam de alguma continuidade e muita confiança para mostrarem o verdadeiro potencial. Ou, mais exatamente, para transformar em ato o que se sabe terem em potência. Aparece nos espaços, mostra-se à equipa, recua quando é preciso e quando recebe a bola assume a posse, não necessariamente (ou sempre) com grandes cavalgadas e sobressaltos para a frente, mas também, e muitas vezes, com critério, temporização e análise do que podem os companheiros fazer em seu redor e qual a melhor solução para romper linhas do adversário. Está nos melhores lances de ataque encarnados e aos 68 minutos fica a sensação de que poderia ter coroado a exibição com um golo quiçá decisivo. Não rematou, foi pena.

5 Trubin Jogo extremamente ingrato para um guarda-redes capaz de resolver sem sobressaltos o que pôde resolver (remates fracos ou à figura, cruzamentos insípidos) e absolutamente impossibilitado, pelas circunstâncias, de evitar os golos do adversário. Nem ele nem ninguém o poderia ter feito.

6 Dedic Foi dos melhores jogadores do Benfica, sobretudo na primeira parte e nas tarefas ofensivas. Foi visto várias vezes fora da zona atrasada, perfeitamente englobado nas tentativas de ataque encarnadas. É claro, já se sabe, que tinha como adversário direto Vini Jr., e isso não se deseja a ninguém. Aos 32 minutos o brasileiro fez dele gato-sapato na área e ofereceu o que teria sido o 2-1, invalidado por posterior fora-de-jogo de Gonzalo, mas isto não é suficiente para baixar a nota do bósnio. Até porque iniciou a jogada do golo encarnado e aos 70 minutos foi brilhante na dobra a mais um erro central e evitou um golo de Valverde.

4 Tomás Araújo Tinha sido absolutamente brilhante na primeira mão, desta feita leva uma noite para recordar mas não pelas melhores razões. Sem uma grande tormenta atacante madridista, fica ligado a dois golos do Real, um deles invalidado (o de Guler aos 32 minutos). Neste não chegou ao turco. Aos 80 minutos, no segundo, que valeu, falhou abordagem no meio-campo a Valverde, que isolou Vinícius, e a eliminatória ficou decidida.

4 Otamendi Exibição mais ou menos plasmada da do companheiro do eixo defensivo. Noite relativamente tranquila, acerto generalizado (belo corte a remate de Guler aos 48 minutos), mas erro capital no primeiro golo espanhol, com um passe disparatado que Tchouameni intercetou para vir, mais tarde, a concluir a jogada.

5 Dahl Discreto e na maior parte das vezes competente. Foi mais cauteloso no seu flanco, perante a maior ousadia de Dedic no lado contrário, e segurou o lado direito ofensivo do Real sem problemas de maior. Foi muito raro permitir espaço a Alexander-Arnold, que era na realidade o extremo merengue.

5 Leandro BarreiroTrabalho de sapa no meio-campo e ainda um ou outro atrevimento na frente, um dos quais deu enorme frenesi na área espanhola, aos 60 minutos. Raramente sobressai, mas mata-se a trabalhar e mantém intensidade no jogo.

6 AursnesFoi o pêndulo do costume durante a maior parte do tempo. Posicionado à partida no duplo pivô do meio-campo, foi justamente a partir daí que depois surgiu à esquerda, à direita, ao centro, na área do Real, na área do Benfica. Aos 70 minutos teve medo de fazer falta sobre Valverde e quase deixava o capitão madridista marcar, valeu Dedic.

6 Ríos Era aguardado no meio, formalmente foi interior direito, mas na verdade andou sempre ali numa posição híbrida que conferiu equilíbrio no centro mas teve o preço, às vezes, de deixar Dedic desamparado perante Vinícius Júnior. Um bom jogo global, com notas para a participação na boa jogada do golo de Rafa e para o remate mais perigoso do Benfica, que proporcionou a Courtois mais uma boa defesa nesta eliminatória.

7 Rafa Desta vez teve espaço para se virar para a baliza e aplicar velocidade ao jogo. Mostrou-se atrevido no drible e na tentativa de remate desde muito cedo, mantendo um jogo assertivo até final. Marcou, oportuno, o golo encarnado, dinamizou vários ataques, arrancou amarelo a Asencio, atirou uma trivela de classe à barra e logo após o 2-1 quase empatava de calcanhar.

5 PavlidisJogo ingrato, em que procurou muitas vezes vir atrás, como tão bem sabe fazer, mas raramente conseguiu espaços. Cruzou para o golo de Rafa e teve um remate perigoso ao lado da baliza de Courtois. Aos 56 minutos podia ter comprometido quando quis sair a jogar à saída da própria grande área.

BarrenecheaEntrou e chegou a tocar na bola, mas estava tudo decidido e acabado.

Ivanovic Ainda teve tempo para uma ou outra iniciativa insípidas.

Sidny CabralSofreu falta e bateu um livre indireto, já pode dizer que jogou no Bernabéu."

Benfica segurou as estrelas mas faltou agarrar a Champions


"Pequenos erros e falta de eficácia ditaram adeus frente ao Real Madrid

MADRID — Grande entrada do Benfica no jogo frente ao Real Madrid. Início fulgurante no relvado e nas bancadas do Santiago Bernabéu, com a equipa portuguesa a surpreender e a impor-se durante os primeiros 15 minutos. Mourinho e Tralhão montaram um onze pressionante, com mentalidade ofensiva, solidez defensiva e movimentações inteligentes, que deixaram o gigante espanhol visivelmente baralhado e inseguro.
Richard Ríos controlou bem as subidas de Carreras pelo interior, Dedic encarou Vinícius Júnior sem medo e venceu a maioria dos duelos. Pavlidis, muitas vezes mais aberto na direita, criou espaços pelo meio para as arrancadas de Ríos, enquanto Rafa e Schjeldrup formaram um carrossel dinâmico. Aursnes, com a bola colada ao pé, assumiu o comando no meio-campo. O resultado dessa orquestra equilibrada foi imediato: aos 6 minutos, Rafa deixou Asencio pregado no relvado com um túnel e rematou para defesa fácil de Courtois; aos 14’, chegou o golo, após jogada envolvente entre Dedic e Ríos, cruzamento de Pavlidis e corte falhado de Asencio, que deixou Rafa isolado para finalizar.
O Benfica dominava, empatava a eliminatória — trazia um golo de desvantagem da Luz — e fazia sonhar os adeptos. Mas a resposta do Real surgiu rápido: Valverde trabalhou bem no flanco direito, cruzou atrasado e Tchouaméni, completamente solto à entrada da área, rematou certeiro para o empate. Ainda assim, os encarnados mantiveram o critério, continuaram a jogar com personalidade e até ameaçaram nova surpresa.
Aos 22’, Aursnes abriu com mestria, Schjeldrup trabalhou bem e a bola passou a centímetros da baliza de Courtois, sem que ninguém a tenha conseguido empurrar. Aos 32’, Arda Guler marcou, mas o golo foi anulado por fora de jogo de Gonzalo. O Real Madrid crescia em posse e presença ofensiva, mas foi o Benfica que criou nova ocasião clara aos 38’, com remate potente de Ríos e excelente defesa de Courtois. Já perto do intervalo, os espanhóis intensificaram a pressão e começaram a chegar com mais perigo a área de Trubin. O descanso chegou no momento ideal para a equipa portuguesa respirar depois de uma primeira parte intensa e de grande nível.
No regresso dos balneários para a segunda parte, Real Madrid e Benfica mantiveram os mesmos protagonistas em campo. Mas a intensidade da equipa espanhola foi outra. Logo aos 48 minutos, um cruzamento de Trent semeou o pânico na área das águias, embora sem consequências no marcador. O Benfica recuou metros no terreno — ou foi obrigado a isso — e passou a ter mais dificuldades em dominar a posse e construir com clareza. O Real Madrid ganhou confiança, acentuando a tendência dos minutos finais da primeira parte. Aos 53’, Gonzalo de cabeça enviou a bola por cima, após pontapé de canto. Um minuto depois, Schjelderup respondeu com jogada individual brilhante, da esquerda para o centro, e um passe açucarado para Rafa, mas Asensio resolveu. Os encarnados continuavam vivos na eliminatória.
Nesse limbo entre sonho e sofrimentos, Rafa Silva voltou a fazer tremer o Bernabéu: aos 60’, soltou um remate poderoso que, porém, bateu na trave. Por instantes, tudo pareceu possível. Futebol de Champions, emoções à flor da pele.
O tiro de Rafa como que intimidou o Real Madrid e devolveu confiança à equipa das águias, que voltou a instalar-se no meio-campo ofensivo. Aos 69’, Pavlidis rematou com força e a bola, desviada por Carreras, passou a centímetros do poste esquerdoo de Courtois. O Benfica continuava a acreditar, deixando claro que o desfecho no Santiago Bernabéu estava longe de ser escrito.
Parecia realmente tudo em aberto, mas uma abordagem deficiente de Tomás Araújo no meio-campo permitiu ao Real lançar Vinícius em velocidade. Otamendi tentou travar o avanço, mas chegou tarde, e o brasileiro — o suspeito do costume — finalizou com elegância e frieza o segundo golo dos merengues. O Benfica ainda respondeu com brilho no lance seguinte. Schjelderup cruzou de trivela com e Rafa Silva, de calcanhar, quase empatou, vendo a bola rasar o poste direito. Classe de ambos, mas com desfecho diferente do lance de Vinícius.
Nos encarnados entraram Barrenechea (por Aursnes), Ivanovic (Schjelderup) e Sidny (Barreiro), as águias mantiveram controle e remetaram o grande Real à condição de jogar no erro do adversário em pleno Bernabéu. Foi o suficiente para a qualificação. Mas bravo, Benfica. E bravo benfiquistas no estádio — foram incansáveis no apoio."

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Vermelhão: Ineficácia fatal...

Real Madrid 2 - 1 Benfica


Em qualquer cenário, a remontada seria sempre complicado, mas as ausências no adversário, abriram algumas esperanças. E mais uma vez, o Benfica entrou bem no jogo, o plano foi bem delineado, e marcámos primeiro... Mas a vantagem foi de curta de duração, 3 minutos mais tarde, o Real empatou. Para mim, foi este momento, a chave do jogo! Acabámos por não colocar o Real 'apertado', com uma vantagem durante mais tempo, podia mexer com a cabeça e a estratégia do Real...

Pessoalmente, até defendia a titularidade do Lukebakio no lugar do Rafa. Apesar do Belga, estar longe da melhor forma física. Mas o Rafa, marcou, e até foi o nosso avançado mais perigoso... A titularidade do Ríos não me surpreendeu...

Depois do 1-1 o jogo acalmou, houve o golo anulado ao Real, mas esporadicamente era o Benfica que criava mais perigo. A defesa do Courtois ao remate do Ríos, com 99% dos guarda-redes seria golo, mas a bola acabou por nunca entrar!

O Trubin acabou por não ser obrigado a grande trabalho, mas cometemos 3 'erros': passe de Otamendi no 1.º golo; escorregadela do Dedic no golo anulado; e passe errado do Araújo, que tentou compensar na 2.ª bola, e perdeu a posição no 2.º golo! Praticamente todos os nossos erros foram aproveitados!

Perdemos uma excelente oportunidade para eliminar este Real Madrid, apesar dos nomes, não fomos inferiores, e provámos que o 4-2 da fase de grupos não foi por acaso. Só nos últimos 10 minutos, da 1.ª parte, na Luz, estivemos encostados às cordas, no resto do jogo, ou equilibrámos ou fomos superiores, com o detalhe da nossa falta de eficácia! O Real tem uma excelente 1.ª fase de construção, escondem muito bem a bola ao adversário, mas ofensivamente dependem da inspiração individual das duas estrelas da equipa!

E depois, valem-se da total impunidade dos caceteiros do meio-campo: hoje, Valverde voltou a não levar o Amarelo, apesar das faltas constantes. Recordo que nem devia ter jogado hoje depois do murro ao Dahl, e acabou por fazer duas assistência no jogo de hoje, para os dois únicos golos do Real!!!

No conjunto da eliminatória, o fator mais importante foi mesmo a arbitragem do jogo da Luz: Valverde, Camavinga, Thouaméni, Carreras e Vinícus, pelo menos estes, deviam ter sido castigados, e não deviam ter sido opção para a 2.ª mão. Com as opções que o Real hoje tinha no banco, estamos a falar duma equipa totalmente diferente...


Schjelderup, para mim foi o nosso MVP. Ganhou inúmeros duelos com o Trent. Na Luz, foi 'controlado', mas hoje voltou ao nível do jogo do 4-2! Ficou chateado com a substituição com razão. Pareceu-me que as substituições foram decididas no pré-jogo, hoje nem sequer me pareceu estar cansado! O Barreiro voltou a fazer uma grande jogo... aquela recuperação que o árbitro marcou erradamente falta, em que o Benfica ficava em vantagem de 3 para 2, merecia um golo! O Rafa marcou um golo, mas falhou pelo menos em duas ocasiões...


Pena, o Aursnes não estar a 100% fisicamente, tal como o Dedic, que neste último mês, só fez 3 jogos, os 3 com o Real Madrid! O Pavlidis, hoje conseguiu ganhar várias bolas, até foi eficaz nas assistências, mas faltou o faro no remate à baliza...


Como já afirmei, as substituições chegaram tarde e as opções foram erradas (nunca será confirmado, mas o Mourinho esteve seguramente em contacto com alguém da estrutura, via eletrônica!): Lukebakio e o Sudakov deviam ter entrado (não sei se o Mourinho riscou o Sudakov... nos últimos jogos deixou de ser opção!), e nos últimos minutos, até tinha colocado o Bah no lugar do Dedic, para dar mais verticalidade...


A arbitragem melhorou em relação à Luz, mas voltou a permitir ao trio de caceteiros do meio-campo do Real, tudo! Os franceses e o Valverde, vivem em estado total de impunidade! Dão porrada e atiram-se para o chão quando querem e lhes apetece!!! O lance da falta na recuperação do Barreiro, podia ter mudado a história do jogo... E ainda ficou por marcar o penalty sobre o Otamendi que é claramente agarrado! Mas pelo menos não marcou penalty contra no voo planado da besta...


Se no jogo das balizas fomos eliminados, nas bancadas ganhámos de goleada!!! Quando no pré-jogo, alguns supostos madrilistas 'ameaçavam' com o ambiente no Bernabéu deu-me vontade de rir! Estádio de 'plástico', para adeptos de 'plástico! O ambiente promovido pelos Benfiquistas nos jogos Europeus do Benfica fora da Luz, nas bancadas, é um dos melhores que se pode encontrar em toda a Europa, ponto final!!! Gostaria que esse ambiente fosse 'importado' para a Luz, em todos jogos!!!


Sobre o que se passou nas Ruas, não sei o que se passou. Mas a Polícia de Madrid tem por hábito exagerar nas cargas policiais. Um pouco como acontece aqui, em algumas zonas geográficas! As imagens de crianças a serem agredidas pela Polícia e outros a chorar com medo, devia fazer muitos pensar, daquilo que se quer para o Futebol! Os meninos dos casaquinhos pretos, que gostam de não respeitar as ordens da Polícia, em relação aos pontos de encontro, e dos 'comboios' para o Estádio também nem deixam irritado!


Depois da 4 derrotas, nos primeiros 4 jogos, ninguém pensaria que iriamos chegar aos Play-off's. Mas com a classificação da fase de grupos, os adversários seriam sempre complicados. Não será a prestação Europeia a razão para época ser considerada um insucesso!


Agora, é preciso mudar o Chip, rapidamente. Muitas vezes quando as equipas são eliminadas da Europa, e em teoria até ficam um calendário mais acessível, com uma semana para preparar cada jornada do campeonato, em vez de melhorar, acabam por perder ritmo e qualidade. Os jogadores têm uma tendência para descomprimir, perder o foco. Com o Mourinho ao comando, acredito que isso não vai acontecer. Segunda-feira, em Barcelos, temos uma das deslocações mais complicadas fora da Luz... e logo a seguir o jogo com os Corruptos. Não temos qualquer margem de erro...


O 1.º lugar está longe, mas a Champions ao nosso alcance. O 2.º lugar não é um objetivo normal para o Benfica e os Benfiquistas, mas financeiramente a Champions é fundamental. È obrigatório, todos, estarem super-motivados.

Avassalador...

Benfica 6 - 2 AZ Alkmaar


Muito superiores, até podiam ser mais... Grande jogo, com muitas jogadas coletivas de grande qualidade, com muitas combinações, com passes de primeira, desmarcações... Foi mesmo uma excelente tarde de futebol!

Nota negativa para o Amarelo do Moreira, que o vai afastar do jogo dos Quartos, em Itália, contra o Inter. E a lesão do Pastel, que deixou a equipa a jogar com 10 nos últimos minutos: pareceu um problema muscular, que o vai deixar de fora algum tempo... uma perda para os Sub19 onde ele tem jogado, e vamos ver se recupera para Milão!

Com a eliminação na Champions da equipa principal, o Diogo Ferreira, o Zé Neto e o Anísio podem voltar a ser opção contra o Inter. Apesar da nossa qualidade, o jogo em Itália vai ser muito complicado. Este resultado vai colocar os Italianos ainda mais atentos, e com o seu estilo habitual de jogo cínico, não podemos perder o tino, e a atitude para os Quartos!

Já agora, o ponta-de-lança do AZ Alkmaar é jogador: Kovacs, húngaro, muito potencial!

É a dia lutar contra este sistema podre

Concordo!

Noite em Madrid


"Esta é uma noite para campeões. O recente descarrilamento do Real Madrid em Pamplona foi uma boa notícia, mas ajudará? Na verdade, é sempre melhor que o adversário perca antes de uma decisão europeia... A confiança de quem perde sempre decresce e quem vem a seguir reforça a esperança na vitória.
Recordando o jogo da Luz e como decorreu, os quatro médios do Real estiveram em destaque e acabariam por se superiorizar aos do Benfica, Aursnes e Barreiro, mesmo que apoiados por Rafa mais à frente e por Schjelderup e Prestianni, nas alas. Feitas as contas, cinco unidades contra quatro para o Benfica, mas sem conseguir efetiva vantagem no centro do jogo. Depois, já se sabe, Mbappé e Vinícius não precisam de mais ninguém para individualmente fazer estragos e obrigam sempre a uma concentração defensiva reforçada.
No jogo desta noite, poderão a ausência de Prestianni e as dificuldades do primeiro jogo levar Mourinho a acrescentar um médio à sua estrutura? Rafa manterá a sua posição no centro do ataque ou deriva para Mourinho fortalecer a zona central? Estas, são dúvidas que dependem também da disponibilidade de Aursnes e Sudakov, jogadores capazes de cumprir várias posições. Veremos o que acontece e se, no final, a noite de hoje se torna especial.
A ausência de Mourinho no banco, embora desconfortável, penso não ser impeditiva de uma boa resposta. A preparação da estratégia está definida ao detalhe e isso é aquilo que mais importa. É sempre uma alteração de um hábito, mas ninguém melhor que o treinador do Benfica, para agilizar a comunicação com o seu banco.

Ciclone
Voltando atrás, o Benfica viveu um rescaldo duro da derrota caseira para a Liga dos Campeões. A carga negativa foi enorme, resultante não só de um desaire, que põe em risco a desejada qualificação, mas também de um episódio grave e triste.
É sabido que Vinícius Júnior é tão famoso pela sua qualidade de jogador, como pela sua veia conflituosa. No entanto, a provocação, por muito estúpida que seja, não pode nunca justificar qualquer ato de racismo. É esta uma luta da sociedade atual, seja ou não desportiva. Falta saber se o alegado insulto racista realmente aconteceu e, para isso, o que conta não são os comentários de quem viu de fora, mas sim a investigação, que vai tomar o seu rumo. Mas o dano deste episódio ficou. Para o Benfica e para Prestianni. Em relação ao jovem jogador argentino, fica desde logo uma importante lição, antes de concluído o processo.
Não é fácil o controlo emocional, mas num ambiente competitivo, face a uma provocação, pede-se contenção e desprezo. Bem sei que é mais fácil dizer do que fazer. Quanto a um eventual castigo, se for culpado do que o acusam, restar-lhe-á aprender com ele. Episódios destes não podem caber, nem no futebol, nem em lado algum. Esperemos que a sua inocência se prove.
Relativamente à equipa como um todo, a meta é tentar que os dias desgastantes emocionalmente — como descreveu Mourinho —, não entrem para dentro de campo em Madrid. Imagina-se que o Bernabéu vá estar incendiado com tudo o que aconteceu. Mesmo assim, penso que a suspensão preventiva de Prestianni pode suavizar o ambiente. Cabe à equipa concentrar-se na luta por mais uma grande noite europeia, numa eliminatória que, embora em desvantagem, não deixa de estar em aberto.

Saudoso AFS
O AFS, vulgo Aves SAD, foi o parceiro ideal para um regresso calmo às vitórias no campeonato, depois do ciclone mediático criado na Liga dos Campeões.
José Neto foi a maior surpresa que Mourinho trouxe ao jogo e respondeu com brilho à aposta do treinador, tendo sido um dos melhores em campo. Em definitivo, a equipa já conta, no imediato, com um verdadeiro concorrente a Dahl, o jovem sueco que era antes desvalorizado, mas que vem defendendo a sua posição com regularidade, brio e qualidade.
Como Dahl, Neto é um exemplo de lateral que não se distingue só pela sua técnica ou capacidade ofensiva, esta até superior ao seu colega. Em muitos casos, erradamente, os laterais são classificados e distinguidos pelas suas habilidades ofensivas e não por aquilo que deve ser básico num defesa: saber defender. José Neto marcou a sua estreia com qualidade. Já Schjelderup foi o jogador mais desequilibrador, prosseguindo firme na defesa da sua titularidade.
Quanto ao jogo, o domínio do Benfica foi evidente, ajudado pela obtenção bem cedo do primeiro golo, que desde logo estabilizou a equipa e a sua marcada superioridade.

Regressos
Destaque para o feliz regresso de Bah e logo a marcar, depois de uma recuperação complicada, com alguns recuos. Na entrevista depois do jogo, o lateral dinamarquês chamaria a atenção para algo sempre importante e que o combate ao desânimo desenvolve: o fortalecimento mental de um atleta que vive um trajeto tão longo e penoso. Nem tudo foi mau.
Admirável a atitude de Ivanovic, mesmo vindo a ser pouco utilizado e, frente ao Aves SAD, desviado da sua posição natural. Tentar fazer o melhor independentemente do momento e da missão que lhe é confiada é um excelente sinal de profissionalismo. Belíssima atitude, mesmo não vivendo o melhor momento, no que diz respeito a oportunidades. Assumindo a posição de avançado esquerdo contra o Aves SAD, o avançado croata vestiu a pele de extremo e assumiu o confronto com o lateral adversário com personalidade. Também sem bola, cumpriu a recuperação posicional e o apoio ao lateral do seu lado, fazendo inveja a muitos extremos de origem. Excelente exemplo para os colegas menos utilizados."