Últimas indefectivações

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Zivkovic

Gloriosos indefectíveis,

Existe um nome que me faz sonhar. Andrija Živković. Como seria lindo ter este super craque a jogar no nosso glorioso. 

Faz-me recordar outros dois super craques: Angel Di Maria e Lazar Markovic. 

Zivkovic tem 18 anos e acaba de se tornar campeão do mundo de sub-20. Angel Di Maria também antes de ingressar no Benfica foi coroado campeão do mundo de sub-20 no mundial de 2007 do Canadá onde jogou ao lado de Sergio Aguero, recordam-se? 


Angel Di Maria é para mim a mais bela jóia lapidada pelo glorioso nos últimos anos. Um diamante que eu recordo ter sido assobiado muitas vezes em plena catedral. Será que os senhores do assobio têm vergonha desses assobios? Memória é o que é preciso. 

Mas enfim, o importante é dizer que nessa época, quando foi ao mundial Di Maria já tinha 19 anos enquanto que Zivkovic tem apenas 18 anos. São quase 6 meses de diferença que acrescentam ao valor e potencial de Zivkovic quando comparado com Di Maria. 


Lazar Markovic outro artista sérvio que deixou saudades a todos os indefectíveis que amam o glorioso futebol espectáculo. Como seria bom perpetuar toda essa magia agora nos pés de Zivkovic. 

Eu por mim vou sonhando com essa possibilidade. Até porque na Sérvia o nome e a grandeza do Glorioso vão a cada ano recuperando mais prestígio.

Estamos consigo presidente! Que grande alegria que nos daria. Notícias são o mesmo que nada para mim mas por vezes merece a pena gastar algumas palavras com predestinados.

Pelo Benfica! Sempre!

Redheart <3

domingo, 21 de junho de 2015

Nesse querido mês de Agosto...

"Taças, Troféus, Copas e Recopas Ibéricas. Já houve de tudo e ao gosto do que cada um lhes quis chamar. Mas o único oficializado entre os campeões de Espanha e de Portugal teve lugar em 1983...

Em Agosto de 1983, o Benfica foi a Bilbau disputar a primeira mão do que se chamou a Taça Ibérica. Quando se fala de Taças, Copas ou Troféus Ibéricos, a confusão tem campo para alastrar.
A verdade é que vários foram os torneios com essas designações desde os primórdios do Futebol organizado na Península assim dita.
Em 1935, por exemplo, houve um confronto entre os campeões dois dois países peninsulares, FC Porto e Bétis com vitória dos portistas. Confronto esse jogado de forma reservada, sem reconhecimento oficial, portanto.
Em 200, foi a vez do Sporting (campeão nacional) defrontar e bater o Real Madrid (campeão da Europa). Mais uma vez, coisa entre clubes amigos, sem oficialização federativa.
Em 1999, 2000 e 2002 disputou-se um tal de Troféu Ibérico. O Benfica perdeu as duas primeiras edições para o Deportivo da Corunha, e o Celta conquistou a última frente a SC Braga e FC Porto. Ainda outra vez, questão particular.
Mas, nesse tal Agosto de 1983, Benfica e Athletic Bilbau, campeões, respectivamente, de Portugal e Espanha, vêem a disputa em duas mãos ser apadrinhada pelas duas federações. Pela primeira vez, a Taça Ibérica disputava-se com pompa e circunstância, prova a valer e a merecer listagem nos registos das honrarias.
Em San Mamés, com arbitragem de Victoriano Sanchez Armínio, alinharam:
ATHLETIC - Zubizarreta; Urquiaga, Nuñez (depois De la Fuente), Luceranzu e Goicoechea; De Andrés, Endica, Sola e Sarabia (depois Julio Salinas); Urtubi (depois Gallego) e Argole.
BENFICA - Bento; Pietra, Bastos Lopes, Oliveira e Álvaro; José Luís (depois de Padinha), Carlos Manuel, Stromberg (depois Shéu) e Diamantino (depois Veloso); Nené e Filipovic.
O treinador do Athletic era Javier Clemente; o do Benfica, Sven-Goran Eriksson.
Sola deu vantagem aos bilbaínos aos 16 minutos; Nené empatou à meia-hora. O resultado final foi estabelecido por De Andrés aos 86.
Tudo se decidiria em Lisboa.
«Futebol champagne!»

No dia 24 de Agosto fui à Luz com a habitual rapaziada dos Olivais Sul. Que luxo!

«Nunca tinha visto coisa assim!», dizia Manniche no final da partida.
Acabara de aterrar em Portugal, esse «tosco, alto e loiro», como lhe chamou José Maria Pedroto, pronunciando louro e não loiro por uma questão de bairrismo.
Talvez tosco. Certamente alto e loiro. Mas marcador de golos. Muitos!
«Foi o melhor Futebol que vi praticar nos últimos anos!», continuava a espantar-se o dinamarquês.
Não tinha estado muito atento à carreira do Benfica no campeonato e na Taça UEFA da época anterior. Futebol maravilhoso. «Champagne!»
Velocidade, crença, lucidez, inteligência. O Futebol 'encarnado' desses dois primeiros anos de Eriksson foi algo de único. Capaz de passar tranquilamente por cima de outro Futebol ofensivo e de técnica apuradíssima do Sporting de Malcolm Allison, esse inglês que teimava em fumar charuto no banco e em beber garrafas de Magos nas conferências de imprensa durante as quais respondia às perguntas de um fedelho mal educado armado em jornalista com uma frase assassina: «stupid boy!»
Deixemos isso por agora, são contas de outros rosários. Mas o meu leitor tão estimado sabe que as lembranças são como as cerejas e sabem a ginjas.
Voltemos à Luz, nesse querido mês de Agosto, cantaria o Dino Meira.
Era o Verão, não estava muita gente, talvez umas 40 mil pessoas.
Todavia, estava nelas o ensejo de ver se o Benfica continuaria brilhante nesta sua nova aventura nórdica.
Continuava.
Em pouco mais de meia-hora transformou o campeão espanhol num farrapo.
Aos cinco minutos já Nené, de cabeça, perdera uma boa oportunidade para ganhar vantagem. Seguiram-se Carlos Manuel e José Luís.
Finalmente, Filipovic. Uma cabeçada elegante... E, como ele era elegante... Sobretudo de cabeça. 23 minutos - 1-0.
Em seguida Nené: 30 minutos - 2-0; 44 minutos - 3-0.

Magnífico! Que bonito Benfica esse!
Os bascos esperneavam. E iam às pernas dos adversários sem respeito. A segunda parte tornou-se pesada. Os 'encarnados' baixam ritmo, mas estão de novo à beira de mais golos, por Filipovic e Stromberg.

Javier Clemente não está disposto a sair de Lisboa com o saco cheio. Junta mais a sua equipa, dá ordens aos seus rapazes para se defenderem como podem.
Os minutos vão correndo para o fim, a vitória não fugirá ao Benfica, a Taça Ibérica, a primeira oficial e única «autêntica», será levantada pelo «capitão» Nené.
O árbitro da segunda mão foi Rosa Santos.
BENFICA - Bento; Pietra, Bastos Lopes, Oliveira e Álvaro; José Luís, Carlos Manuel, Stromberg (depois Shéu) e Veloso (depois Diamantino); Nené e Filipovic (depois Manniche).
ATHLETIC - Zubizarreta; Urquiaga, Nuñez (depois De la Fuente), Liceranzu e Goicoechea (depois P. Salinas); De Andrés, Gallego, Sola e Saraiba depois Julio Salinas); Urtubi e Argote.
E porque digo eu «autêntica»? Simples. Em 2005, voltam as federações de Espanha e de Portugal a apadrinhar novo confronto ibérico. Por falta de datas ou de disponibilidade dos campeões nacionais, resolve-se optar por outra solução: colocar em confronto os dois vencedores das Taças. Na liça ficam Vitória de Setúbal (que vencera o Benfica no Jamor) e Bétis de Sevilha. O jogo disputa-se em Huelva e o Vitória ganha por 2-1.
Em Portugal, há quem chame a esse troféu igualmente Taça Ibérica. Mais práticos, os espanhóis chamam-lhe Recopa Ibérica. Assim a modos que uma Supertaça Ibérica. Tanto faz... De qualquer forma é das que valem.
Ou seja, valem tanto como as memórias.
Em Agosto ou não."

Afonso de Melo, O Benfica

PS1: Querem adivinhar quem era o Stupid Boy para o Malclom Allison?!

PS2: Parabéns às nossas meninas do Pólo Aquático, que hoje venceram a Taça de Portugal, ao Fluvial Portuense, por 9-8, no ano de estreia da secção!!!

PS3: Como é habitual nesta altura, vou fazer um jejum d'Indefectível por uma semana. Desta vez o Captain Redheart vai ficar a tomar conta o estaminé...

Jorge de Brito, o presidente colecionador

"Benfiquista, banqueiro e fulcral na constituição do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão e da Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva.

Jorge de Brito (1927-2006) foi o 29.º presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica. Acérrimo Benfiquista e Águia de Ouro (1973), entrou para órgãos sociais do Clube como vice-presidente no segundo mandato de João Santos e seguiu-se-lhe como presidente, entre 24 de Abril de 1992 e 7 de Janeiro de 1994.
Foi como presidente do Clube que ficou na memória da maioria dos benfiquistas. Porém, no panorama artístico, foi como coleccionador de arte que o seu nome se perpetuou na história, não só em Portugal como no estrangeiro.
A sua colecção foi iniciada nos anos 40 mas foi, sobretudo, entre o final dos anos 60 e o 25 de Abril de 1974 que as suas aquisições se tornaram mais sistemáticas e programáticas, tornando-se uma das maiores colecções privadas portuguesas da segunda metade do século XX. Esta colecção era constituída por mobiliário, porcelanas, pratas, livros, moedas e pintura, sendo este último o núcleo mais importante, com mais de 3000 obras.
Composta maioritariamente por pintura portuguesa, produzida a partir do final do século XIX, possuía também obras de vulto de pintura internacional. Entre os principais nomes portugueses que coleccionou, destacam-se Amadeu de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Mário Eloy, Vieira da Silva - terá sido o maior coleccionador privado de obras da pintora -, Júlio Pomar e Paulo Rego. Das obras de autores estrangeiros, evidenciam-se Picasso, Paul Klee, Robert e Sonia Delaunay, Max Ernst, Mafritte e Chagall. É ainda de salientar que algumas obras provenientes da sua colecção foram fulcrais no constituição tanto do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão da Fundação Calouste Gulbenkian, como da Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva. De destacar também o Retrato de Fernando Pessoa, de Almeida Negreiros, que Jorge de Brito ofereceu à Câmara Municipal de Lisboa e que se encontra exposto na Casa Fernando Pessoa.
No Museu Benfica - Cosme Damião, na área 28. Homens do leme, o público pode conhecer este e os restantes 32 presidentes do Sport Lisboa e Benfica."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Testes de Vitória

"Se chegar ao Benfica já era um desafio alto para Rui Vitória, chegar a um Benfica renovado aumenta, e muito, o trabalho do treinador. Perder jogadores influentes no último título, como Gaitán, Jonas e Lima, ou Maxi, que pode muito bem não aceitar renovar, é pegar numa equipa sem muitas das suas referências. Não significa que seja negativo, mas pode significar, sim, maior responsabilidade. Senão vejamos. Rui Vitória tem dado o aval às contratações feitas pela SAD, e está, naturalmente, a par dos negócios de venda. Perder Lima e Jonas de uma vez podia ser visto como uma catástrofe. A menos que os jogadores, sobretudo Jonas, não se encaixem num modelo de 4x3x3 do qual o técnico tem mostrado ser adepto. Nesta perspectiva, a venda de Jonas até passa a ser um bom negócio. Por outro lado, e mesmo tratando-se do goleador da equipa, seria difícil à SAD justificar que a contenção financeira, que tem servido de justificação para travar loucuras, seria compatível com a recusa de uma proposta milionária. Receber 10 milhões por um jogador que chegou a custo zero e desportivamente rendeu 100 é um negócio... da China."

Vanda Cipriano, in Record

Rui Vitória terá enorme desafio

"Antevê-se muito difícil a missão de Rui Vitória, no Benfica. Com a saída de mais de metade da equipa, as alterações serão inevitavelmente profundas. Nos jogadores e, muito provavelmente, no sistema. Por isso, não é indiferente a continuidade, ou não, de Maxi Pereira. Mudando quase tudo no meio e na frente, o Benfica poderia, pelo menos, ter estabilidade e continuidade na defesa, além de que Maxi é já um jogador emblemático no balneário. Entende-se, no entanto, que depois do Benfica ter oferecido ao lateral-direito uruguaio, com 31 anos de idade, um novo contrato por mais três anos e com um vencimento de milhão e meio líquido por ano, o clube fez o que podia fazer e a mais não é obrigado. Do ponto de vista da observação à distância, o Benfica será, dos três maiores clubes do futebol português, aquele que terá de ultrapassar maiores dificuldades.
O FC Porto também mudará muito de jogadores, mas irá manter o mesmo treinador; e o Sporting deverá manter grande parte dos seus jogadores, sendo verdade que mudou de treinador, mas passa a contar com um treinador experiente e muito conhecedor da realidade do futebol português.
É admissível que se levante a questão sobre se o Benfica não poderia ter evitado um solavanco tão significativo. Penso que sim. Não tanto no que respeita ao treinador - um ciclo de seis anos é mais do que aceitável - mas no que respeita à transformação de grande parte do seu plantel, que deveria ter sido feita de forma mais planeada e menos brusca. A verdade é que os benfiquistas têm de se preparar para, no mínimo, um ano de transição."

Vítor Serpa, in A Bola

Timoneiro III - Nota Artistica II



Gloriosos indefectíveis,

No seguimento de Timoneiro III - Nota Artistica aqui deixo para memória futura mais algumas das obras de arte que foram recorrentes ao longo deste último ciclo findo.

Na imagem, pode ver-se, um instante mágico, extraído do canto de laboratório que deu golo frente ao Estoril. Cardozo marca e Nico Gaitan finaliza suspenso no ar de calcanhar. A nota artística no expoente máximo! Obras artísticas destas acontecerão por acaso?

Assistam o video e tirem as vossas conclusões:
Exemplos de nota artística colectiva (aconselho a ver sem som. As minhas desculpas mas o video já vinha assim):
Tem o dedo do mestre aí ou não tem? O que vos parece?

Olhem uma vez mais a soberba jogada contra a AAC:
Aqui contra o Estoril:
Contra os corruptos:
E nestas obras de arte que se seguem? Terá o mestre nada a ver com a obra de arte. É apenas obra do artista?
São estas memórias que eu guardo comigo gloriosos indefectíveis.
Memórias de nota artística.
Que outras memórias guardais vós?
Partilhem para que não se percam.
Nós no Indefectível encarregar-nos-emos de as guardar a sete chaves.

E sobretudo algo que acho importantíssimo:
Estas memórias são todas nossas. Merecemo-las por inteiro.
Não as estraguemos por favor, é o meu apelo.

Digam de vossa justiça, companheiros...

Pelo Benfica! Sempre!

Redheart <3

Timoneiro III - Nota Artistica



Gloriosos Indefectíveis,

Encarando o enredo com nobreza permitimo-nos olhar o passado com memória. As coisas boas e as coisas más. E assim deve ser sempre.
Preservar o passado, preservar a memória, torna-nos a todos mais clarividentes. Nossos olhos se abrem para além do visível e o futuro se desenha assim de um outro modo.

Olhando para o bom que fica desse passado existe algo que me enche o coração e a alma e o qual jamais esquecerei e esse algo tem um nome: 'Nota Artística'.
A nota artística porque ela é alegria, ela é festa, ela é celebração. A excelência do jogo em seu estado mais puro.
As bancadas cheias de cor, de brilho, de entusiasmo, de devoção,...

Tive a sorte de assistir pela primeira vez a uma temporada completa de jogos na nossa catedral. Foi a única vez em toda a minha vida que o pude fazer. Como estou agradecido aos deuses. Que memórias me foram doadas. Memórias que não têm preço. Angel Di Maria, Pablo Aimar, Oscar Cardozo, Javier Saviola, Fábio Coentrão ...
As individualidades, uma equipa e muita nota artística.

Quem dera poder lá ter estado ao longo de todo o ciclo findo. Como são afortunados os agraciados por tal sorte.

Que anos fantásticos o futebol do nosso glorioso nos proporcionou...



Quem tem memória não esquece:

De minha parte, Jorge Jesus, gostaria de deixar aqui também expresso o meu agradecimento profundo por tudo aquilo que me proporcionaste. Foste o mestre que inventou magia sobre os relvados da nossa catedral e por essa Europa fora. Jamais esquecerei.

Muito obrigado.

Pelo Benfica! Sempre!

Redheart <3

sábado, 20 de junho de 2015

Timoneiro II - Nobreza



Gloriosos Indefectíveis,

Comecei por abordar o enredo em torno da confirmação do novo timoneiro de uma forma superficial para agora, abordar um a um, certos pontos que do meu ponto de vista merecem certas e determinadas ponderações, e para os quais eu gostaria verdadeiramente de conhecer vossos pontos de vista para que possamos desse modo, contribuir construtivamente para um Sport Lisboa e Benfica cada vez maior.

Nobreza


Não há nada como o tempo para colocar as coisas no seu devido lugar. E o tempo neste caso teve a duração de uma semana.
Se no seu discurso aos deputados Luís Filipe Vieira falava de gratidão, carácter e desilusão, uma semana depois, durante a apresentação de Rui Vitória, o mesmo Luís Filipe Vieira agradecia a Jorge Jesus pelo trabalho desenvolvido durante os últimos 6 anos. Para trás ficou a mágoa e olhando o futuro soube compreender fielmente o papel protagonizado por Jorge Jesus durante a ligação deste ao clube.

Eu chamo a isto, nobreza.

São posturas deste tipo que eu gosto de ver no nosso Sport Lisboa e Benfica.
Reacções extemporâneas ficam muito mal a pessoas com cargos de grande responsabilidade dentro da instituição como são o caso de João Gabriel e principalmente Luís Filipe Vieira. Uma palavra proferida por pessoas deste calibre inflama ou extingue ódios.
Seria tão mais bonito ficar para a história apenas o último registo apresentado por Luís Filipe Vieira.

Que de futuro sirva de lição para que a nobreza esteja sempre presente em todos os momentos da vida de nosso glorioso clube.

Pelo Benfica! Sempre!

Redheart

<3

Lima...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Timoneiro I

Gloriosos indefectíveis,

Após a tempestade surge a bonança, altura de fazer o meu arrazoado sobre o nosso novo timoneiro para o futebol. Aqui fica pois a primeira parte: 

Quinta-feira, 4 de Junho de 2015: 
O Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD comunica à CMVM a suspensão das negociações tendo em vista a renovação do contrato de trabalho com Jorge Jesus. 

Quinta-feira, 4 de Junho de 2015: 
O nosso presidente, Luís Filipe Vieira no seu discurso aos deputados no habitual jantar anual, fala de gratidão, de carácter e a cima de tudo declara que O Benfica Somos Nós (o que a nós no O Indefectível muito nos orgulha. Uma das nossas bandeiras na boca de nosso presidente!) 

Um nome anunciava-se como acordado para suceder a Jorge Jesus. Esse nome era Rui Vitória. O presidente no seu discurso afirmava que não tinha acordo com ninguém mas que tinha uma ideia clara. Mediante esta declaração apresentei o meu ponto de vista sobre a situação. No meu pensamento algumas ideias:
- Treinador estrangeiro, de preferência da escola alemã.
- Apresentei possíveis nomes e salários.
- Escrevi uma alegoria para motivar discussão.
- Falei dos vectores para o novo ciclo.
- Mostrei o que para mim é um mestre guru na pessoa de Juergen Klopp.
Em todas as intervenções existiu discussão e trocas de argumentos. A democracia a funcionar como deve ser em tudo o que respira e fala Benfica. Assim o é também neste espaço de indefectíveis.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2015: 
O Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD comunica à CMVM que chegou a acordo de princípio com Rui Vitória para celebração de um contrato de trabalho desportivo. 

Segunda-feira, 15 de Junho de 2015: 
Rui Vitória é apresentado como novo treinador da equipa principal de futebol do Sport Lisboa e Benfica. 

Como afirmei em comentário, Rui Vitória terá o meu apoio indefectível como não poderia deixar de ser. 
Nas suas declarações tanto Luís Filipe Vieira como Rui Vitória mencionam cada um a seu modo os três vectores. Tal ambição deixa-me feliz. O Benfica com essa ambição renovada e reafirmada está no bom caminho. 
Três anos de contrato significam cometimento de ambas as partes em prole de um projecto que se deseja vencedor. É o peso da estrutura a falar. LFV acredita na estrutura e aposta todas as fichas. Escolhe antes de tudo um homem de sua confiança. 
Rui Vitória irá crescer muito enquanto treinador. Será o rosto do trabalho e da seriedade. O Benfica tem agora à frente dos destinos do futebol uma pessoa comprometida com todas as valências do projecto, uma pessoa em quem os benfiquistas podem confiar. 
A fábrica Benfica torna deste modo visível uma nova valência. O sector de produção de treinadores. Qualidade extra é o que se espera. Que saibamos pois todos juntos fazer esse caminho. 
Rui Vitória ainda não é o mestre guru que eu ambicionava ver no nosso Glorioso mas reune outros predicados que seria difícil encontrar num treinador estrangeiro. Rui Vitória tornar-se mestre guru dentro do nosso Glorioso seria algo fantástico. Esperemos que tal se torne uma realidade. 
Contem connosco para ajudar sempre em tudo o que for necessário. Assim são os indefectíveis.

Pelo Benfica! Sempre!

Redheart <3

Um apelido e um lema: Vitória

"O novo treinador do Benfica tem um nome que inevitavelmente nos leva a trocadilhos fáceis, em que se usa e abusa do seu apelido. No fundo o treinador tem de apelido um dos lemas do clube: Vitória. Foi excelente a recepção dos benfiquistas à escolha do presidente e mais ainda à promessa de que terá um plantel forte para lutar pelos títulos que desejamos. Não podemos ficar cercados pelas centenas de notícias de pré-época em que quase todos os dias compramos e vendemos um camião de jogadores. Há no factor estabilidade um valor que seguramente a SAD encarnada não irá descurar, por isso cabe apenas cuidar de fazer um bom plantel para dar a Rui Vitória a matéria-prima para os nossos êxitos. Não me parece que por agora haja nenhuma vantagem de nenhum rival face à nossa situação actual. Por agora, vejo bem mais razões para haver céu cinzento e nuvens carregadas para outras paragens. Sabemos que tudo pode mudar num ápice, mas confiança é a palavra de ordem no reino encarnado.
No último fim de semana conquistámos o título de futsal e terminámos uma época de sonho no futebol e modalidades. Campeões nacionais em futebol, hóquei em patins, voleibol, basquetebol, futsal e atletismo. É uma overdose de êxitos que não pode deixar indisposto todo o aziago antibenfiquista. Nestas modalidades, muitas conseguiram dobradinhas e muitas outras: três e mais títulos. Foi arrasador e imperial; o Benfica 2014/2015 nos estádios e pavilhões portugueses. Este mérito deu muito trabalho e, por isso, é motivo de orgulho para todos os benfiquistas. Chegar aqui foi muito difícil, mas mantermo-nos no topo será ainda mais. Ter rumo e estratégia é decisivo e, por isso, sabemos que os êxitos não caem do céu. É fácil explicar por que razão ninguém se lembra de uma época assim: porque nunca houve, em tempo algum, e clube algum, algo de próximo desta época de conquistas. Abrir a televisão e ver ininterruptamente durante meses seguidos conquistas permanentes e títulos em catadupa, para nós foi inolvidável."

Sílvio Cervan, in A Bola

Ano de Ouro

"Campeão de Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e Atletismo, vencedor das Taças de Portugal de Hóquei, Basquetebol, Voleibol e Futsal, vencedor das Supertaças de Futebol, Basquetebol e Voleibol, das Taças da Liga de Futebol e Basquetebol, entre outros troféus, no sector masculino e feminino (e aqui, destaque para as meninas do Hóquei e o seu magnífico 'penta', com título europeu incluído), nos Seniores ou nas camadas jovens, pode dizer-se que nunca o Benfica ganhou tanto. Por exemplo, se atendermos apenas a campeonatos, e às sete principais modalidades (as já referidas, mais o Andebol), o máximo histórico de títulos numa só temporada era de quatro. Esta época vencemos seis!
Enquanto outros afirmam, sem se rir, ser a maior potência desportiva do País, nós conquistamos os campeonatos, os Bicampeonatos, os Tricampeonatos, os Tetracampeonatos, os Pentacampeonatos, as dobradinhas e os tripletes, nos relvados, nos pavilhões ou nas pistas, numa sequência impressionante, e a uma cadência que quase nos baralha. E, entre jogadores, técnicos e dirigentes, ninguém dá sinais de querer abrandar o ritmo.
Para aqueles que temem que o nosso Clube esteja dependente deste ou daquele treinador, deste ou daquele jogador, este conjunto de triunfos é também uma resposta, pois demonstra que a competência, a qualidade, o talento, o trabalho e a vontade de ganhar são, hoje, uma marca bem vincada em todo o universo Benfiquista.
Benfica voltou a ser sinónimo de títulos. O escudo voltou a ser peça comum nas nossas camisolas. Hoje, não ganhar é excepção.
Que grande Benfica nós temos!"

Luís Fialho, in O Benfica

Aprendam connosco

"O SL Benfica viveu algumas fases mais negras durante sua história. Assim de memória só me lembro do tiro na cabeça que foi o despedimento de Toni da equipa de Futebol e a sua substituição por Artur Jorge, brilhante jogador e lastimável treinador ao serviço do nosso Clube. Liderado por alguém que o melhor que conseguiu nesses três anos foi colar-se a uma vitória na Volta a Portugal em bicicleta, o Benfica tornou-se alvo de chacota, enterrou-se em resultados desportivos traumatizantes e envolveu-se em guerrilhas populistas que - se na sua génese poderiam fazer sentido - se revelaram patéticas na forma como foram planeadas. Aprendemos com os erros e, da mesma forma que os Sócios do SL Benfica colocaram Vale e Azevedo no poder também souberam, de forma democrática, tirá-lo de lá.
Comparar a realidade de há 15 anos com a de hoje é uma tarefa quase impossível. Hoje, somos Bicampeões Nacionais no Futebol, Campeões no Hóquei em Patins (masculino e tri no feminino) e Futsal, Tricampeões no Voleibol, Tetracampeões no Basquetebol, Pentacampeões no Atletismo, vencedores de variadíssimas medalhas e competições no Judo e no Triatlo, formadores de excelência no Caixa Futebol Campus e no projecto Benfica Olímpico. Somos parceiros de uma das maiores empresas de aviação do Mundo, uma das marcas mais conhecidas do Mundo, temos um dos Estádios mais conhecidos do planeta, um Museu premiado e que bate recordes de afluência... enfim, a lista é extensa. Estamos felizes? Sim, mas não satisfeitos. Obrigado a todos os atletas, técnicos e staff de todas as modalidades, escalões e géneros por um ano fantástico. Para o ano, quero mais."

Ricardo Santos, in O Benfica

Vitória segura!

"Temos um novo treinador para a equipa de Futebol profissional e o nome não podia ser mais acertada a aposta de Luís Filipe Vieira. Explico porquê. Antes de mais, um treinador que aposta nas camadas jovens, como se viu com André André e Bernard. Por outro lado, tem indiscutível fama de fazer apostas seguras na prospecção, como se viu com Adama Traoré, trazido da Austrália para se tornar numa das peças vitais do Vitória de Guimarães na temporada 2014/2015. Finalmente, a motivação: Rui Vitória está motivado por voltar a casa, sempre quis - e assumiu-o logo na primeira entrevista à BTV - treinar o Benfica e está empenhado em 'dar a vida pelo Clube'. São palavras do novo técnico, pelo que não estou a inovar em nada. Apenas a constatar!
Podia a aposta ter sido outra? Marco Silva? Será fácil esquecer o legado do carismático Jorge Jesus? Quanto a este último, devemos agradecer-lhe os triunfos e os bons momentos. O carisma é inerente ao clube, assim como o espírito de vitória, que Rui rapidamente assimilará. Veremos isso já na Supertaça de 9 de Agosto.
Quanto a Marco Silva, fez muito bem Vieira na escolha. De uma penada, demonstrou que o Benfica é muito superior a políticas mesquinhas de vingança ou rivalidades pífias. Mostrou que somos grandes demais para isso. Foi, portanto, indiscutível a escolha. Vitória segura!"

André Ventura, in O Benfica

Em nove anos tudo mudou

"Bem vindo Rui Vitória. Distam já nove anos desde que, em busca de uma carreira de treinador ao mais alto nível, o ribatejano abandonou a Formação benfiquista para liderar um projecto ambicioso no Fátima, onde foi bem sucedido. Seguiram-se Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães, clubes em que deixou marca pelo bom trabalho desenvolvido. Entretanto, o Benfica mudou.
O Caixa Futebol Campus foi inaugurado e posteriormente ampliado e dotado de infra-estruturas inovadoras. O departamento médico foi reestruturado e apareceu o Benfica-LAB. Na formação, implementaram-se uma nova organização e metodologias que resultaram no regresso à conquista frequente de títulos e, mais importante, ao surgimento, ano após ano, de novos valores a despontar no Futebol português. A prospecção tornou-se exemplar. Passámos a figurar no lote dos clubes que mais facturam com a alienação de passes de jogadores e, ao nível das receitas operacionais, somos o único clube português a constar no top 30 mundial.
Desportivamente, regressámos ao domínio do Futebol nacional e à ribalta europeia.
Com o lançamento da BTV e a exploração própria dos direitos de transmissão televisiva, libertámo-nos dos poderes instalados, aumentámos as receitas e devolvemos as tardes de Futebol aos adeptos. E houve ainda a edificação do Museu, constantemente melhorado com mais taças, tal é a catadupa de títulos e troféus conquistados pelo SLB - o melhor e mais ecléctico Clube português - em todas as modalidades.
Rui Vitória reencontrará uma instituição que mantém o emblema, a divisa, as cores e o apoio apaixonado de milhões de adeptos, mas transfigurado para melhor. Incomparavelmente melhor."

João Tomaz, in O Benfica

A parada está alta

"A cinquenta dias do início oficial da temporada 2015/16, que abrirá portas com um escaldante Benfica-Sporting na final algarvia da Supertaça Cândido de Oliveira, os plantéis dos três grandes ainda estão longe do desenho final. Mas as ambições dos adeptos há muitos anos que não estavam tão igualadas. O efeito Jesus trouxe uma animação como não se via desde a contratação pelos leões de João Vieira Pinto, ao universo sportinguista, enquanto que o FC Porto tenta colmatar as partidas de Danilo, Casemiro, Óliver, Jackson (e se calhar Maicón, Alex Sandro e Brahimi...) e para os lados da Luz está a ser levada a cabo uma alteração de paradigma, com reforço da componente da formação e uma formatação diferente da estrutura atacante do plantel encarnado.
Há muita coisa a necessitar processamento e é imperioso resistir à tentação de, através de informações relativas, partir para conclusões absolutas. Mas a efervescência é indesmentível e a sofreguidão com que são consumidas as novidades remete-nos para épocas já distantes.
Este encantamento, esta fase do ano em que os jogadores andam a banhos mas os adeptos só sonham com bola, vai durar até que a lei dos resultados venha impor a sua ordem.
O que é certo é que a parada está alta, por razões diversas, para os três grandes. O Benfica parte para a defesa do estatuto de bicampeão com um novo treinador e uma nova abordagem à formação; o FC Porto, em jejum há dois anos, não quer afastar-se, pelos perigos que isso representa, da lógica vencedora; e o Sporting, autor da estratégia mais ousada, precisa de sucesso imediato para levar a sua avante."

José Manuel Delgado, in A Bola

Universo Benfica

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A barreira da língua

"A fé é tudo no futebol. Se não houver fé no futebol nem um bilhete se vende nas bilheteiras dos estádios.

ATÉ ao final da tarde de segunda-feira, quando foi publicamente apresentado o novo treinador do Benfica, Rui Vitória era a primeira escolha de Luís Filipe Vieira mas creio que não era a primeira escolha da larga maioria dos adeptos do Benfica.
Assim que foi apresentado, Rui Vitória passou a ser a primeira escolha da larga maioria dos adeptos do Benfica porque o que tem de ser tem muita força.
«A partir do momento em que é treinador do meu clube passa logo a ser o melhor treinador do mundo» - é esta a liturgia que, de um modo geral, toda a gente de índole disciplinada segue quando surge um novo treinador com quem não se contava.
E há um mês ninguém contava que o Benfica fosse mudar de treinador. Ao Rui Vitória aproveitamos já para desejar, no mínimo, seis anos no posto.
Como o anterior treinador esteve seis anos no posto não é de um momento para o outro que uma pessoa se sintoniza com o novo treinador - estas coisas levam o seu tempo. Eu, por exemplo, tive grande dificuldade em perceber os primeiros minutos do discurso de Rui Vitória na tarde da sua apresentação. Era a primeira vez que falava para nós. E tudo aquilo que dizia soava-me arrevesado, a estrangeiro, a uma língua esquisita que abusava de concordâncias com grande desfaçatez.
Houve mais gente nossa a queixar-se do mesmo.
Depois, com o andar da conversa, os nossos ouvidos foram-se habituando devagarinho ao falar de Rui Vitória e, por fim, já todos compreendíamos quase tudo do que nos queria comunicar quando chegou ao fim da sua alocução.
Mas quase tudo não é tudo. Se, no entanto, no próximo dia 9 de Agosto o Benfica conquistar a Supertaça ficará logo ultrapassada a barreira da língua entreposta, pela força de um hábito antigo, entre o novo treinador do Benfica e os adeptos.
É com isso que todos contamos. E Rui Vitória também.

FOI bem mais agradável de se ver a exibição das segundas linhas da Selecção contra a Itália do que a exibiçãozinha das primeiras linhas da Selecção com a Arménia.
No jogo com a Arménia a Selecção limitou-se a cumprir com aquilo que se lhe pedia: uma vitória. No jogo com a Itália, um adversário historicamente intratável, fez bastante mais do que lhe era exigido. Acabou mesmo por ganhar o jogo por uma goleada de 1-0. Tendo em conta a arte italiana de resguardar a sua baliza ganhar por l-0 à Itália é sempre uma goleada. Estão todos de parabéns.

ESTE ano não vai haver Taça da Honra. O simpático e intermitente troféu de abertura de época organizado pela Associação de Futebol de Lisboa foi suspenso do calendário por falta de quórum, chamemos-lhe assim. Regressará em 2016, isto se o Benfica não se resolver, novamente, a ter outras ideias para a sua pré-temporada.
Uma choruda digressão do Benfica pelo continente americano no próximo mês de Julho retirou o emblema dos campeões nacionais do programa da Taça de Honra e, sem Benfica, a AFL decidiu que a prova não fazia sentido.
A homenagem é grande ao Benfica mas é pequena à Taça de Honra que, por este caminho, nunca mais alcança o estatuto de competição mini-clássica mas, ainda assim, muitíssimo estimável do futebol lisboeta. 
Poderia a Associação de Futebol de Lisboa ter pensado em organizar, neste Julho de 2015, um triangular envolvendo Sporting, Belenenses e Estoril no lugar do quadrangular que se realiza com o elenco completo. Mas assim não vai acontecer. Não há Benfica, não há nada para ninguém.

A propósito da derrota na final do campeonato de futsal, o presidente do Sporting atirou-se aos árbitros em geral e exigiu um apocalipse de Estado sobre todas as modalidades desportivas que se praticam em Portugal. «Não admitimos mais desrespeitos», correu a escrever no Facebook.
O presidente do Porto, por sua vez, entendeu proclamar que dispensaria de bom grado o seu treinador, qualquer treinador, se confiasse no desempenho dos fiscais-de-linha ao longo da temporada futebolística. 
Mas isto alguma vez foi maneira de ganhar campeonatos?
Imagine-se o estado de choque em que ficou, depois de ouvir Pinto da Costa falar sobre fiscais-de-linha, aquele mesmo fiscal-de-linha da Luz que, validando o golo irregular do Maicon ao cair do pano, acabou por oferecer o campeonato de 2012 ao Porto.
O futebol está todo de férias, menos na parte que mete apitos.

TEVE mais arte a colocação da fotografia de Jorge Jesus no alegre painel da equipa bicampeã nacional em exposição na loja do Estádio da Luz do que a sua remoção às mãos de um zelota anónimo magoado com os acontecimentos.
O episódio já tem umas semanas, eu sei, mas até pareceria mal não dizer nada sobre esta inusitada prática negacionista no historial do Benfica tendo em conta que até uma fotografia de João Vale Azevedo continua, e sem constrangimentos, à vista de todos no Museu do clube por uma questão de decência.
É no sentido da criatividade que digo que teve mais arte quem se lembrou de colocar a imagem de Jesus numa vitrina na Luz celebrando com os jogadores o título de campeão quando, se bem se lembram, foram comedidíssimos os festejos do então treinador do Benfica, sempre sisudo e sozinho, fazendo até adivinhar, a quem se entretém a decifrar expressões, o que aí vinha...
Em função da materialidade dos eventos foi, portanto, um abuso colocar a imagem de Jesus à força numa festa a que mal compareceu. Tirá-lo do grupo foi ainda pior.

VOLTANDO ao treinador do grande Benfica. Rui Vitória disse muitas coisas que os benfiquistas gostaram de ouvir. Não lhe deve ser difícil porque sendo ele também benfiquista sabe do que a casa gasta e sabe, sobretudo, do que a casa gosta. 
No dia da sua apresentação, deixou expressa a vontade de «fazer mais na Champions do que foi feito no passado». E quem é que não aprecia uma coisa destas?
Os adeptos tiveram oportunidade de voltar a rejubilar quando o treinador do Benfica se afirmou disposto a «apostar em cinco, seis ou sete jovens jogadores» para atacar a época de 2015/2016. A juventude é outro tema sensível na Luz, como bem sabemos.
No seu todo, a cerimónia de apresentação de Rui Vitória decorreu com decoro e dignidade em ambiente de fé no futuro. A fé é tudo no futebol. Se não houver fé no futebol nem um bilhete se vende nas bilheteiras dos estádios.
Luís Filipe Vieira pediu publicamente o tri a Rui Vitória. E eu acredito que sim, que o Benfica pode voltar a ser campeão.
Quanto à promessa do treinador de «fazer mais» na Champions com «cinco, seis ou sete jovens jogadores», francamente, já me parece bastante mais difícil de chegar lá.

COM a vitória no campeonato de futsal terminou em inaudita beleza a temporada das modalidades em que o Benfica, andebol à parte, esteve ao seu melhor nível que é aquele de ganhar tudo o que surja pela frente. 
O jogo que se veio a revelar decisivo do campeonato de futsal foi na casa do Sporting que chegou aos 2-0 de vantagem perto do fim da primeira parte. Odivelas foi ao rubro, naturalmente.
Com o entusiasmo do momento rebentaram-se umas bombas de fumo que deixaram «o ar irrespirável» no pavilhão provocando «grandes dificuldades aos jogadores», segundo concluíram os comentadores da RTP, estação que transmitiu o jogo em directo.
Por ser um clube de origem popular, com pulmões proletários mais resistentes à fuligem e às alterosas fornalhas, o Benfica deu-se melhor com a fumarada do que o adversário e foi num ambiente tão favorável quanto espesso que reduziu para 2-1 dando início à reviravolta.
A decisão do jogo e do título teve de esperar, no entanto, pelos penalties e acabou por sorrir ao Benfica. O Sporting ficou muito zangado com o árbitro que mandou repetir por duas vezes os penalties do Benfica visto que o guarda-redes do Sporting estava francamente adiantado em relação à linha de baliza. O que não é permitido no futsal.
No futebol também não é permitido o guarda-redes adiantar-se no momento do penalty.
Com um árbitro destes tínhamos ganho a final da Liga Europa ao Sevilha e a Beto. Também teria sido mais do que merecida essa vitória."

Leonor Pinhão, in A Bola

Notícias e não notícias

"A lei do mais forte (leia-se futebol) exprime-se nos jornais, televisão, rádio e entre as pessoas. Os outros desportos são, comunicacionalmente, uma espécie de side car, ao lado do imperial futebol. Assim ditam, também, as poderosas (e, às vezes, corrompíveis) leis do mercado.
Acontece que, quando estão e causa representações nacionais, custa-me ver a mera reprodução deste enorme fosso entre a importância que é dada a qualquer minudência no futebol em relação a sucessos prestigiantes noutras modalidades.
Foi o que, notoriamente, se verificou agora. Portugal jogou bola na Arménia e atletas portugueses competiram nos Jogos Europeus em Baku. E o que vimos? Manchetes, páginas e páginas, noticiários e comentários televisivos até à náusea por causa de uma sofrida vitória contra uns medíocres arménios. Um exagero tonto. Ao mesmo tempo, a selecção nacional de ténis de mesa, campeã da Europa, arrebata a medalha de ouro no Azerbaijão. E o que constatámos? Uma quase ausência nos telejornais e uns míseros milímetros quadrados nas capas dos jornais, arrumados a uma canto e esmagados por um «inolvidável» êxito na Arménia.
Os medalhados no Azerbaijão (coisa rara no futebol) continuam em outras modalidades. Mas o que é isso diante de umas declarações inócuas de um qualquer jogador ou as férias de um treinador?
Vem aí o Mundial de hóquei. Este desporto, outrora o mais representativo de Portugal, bem precisa não só de reconquistas, como de apoio, que começa na comunicação social. Mas já antevejo uma qualquer pré-transferência no futebol a levar na enxurrada das não-notícias as notícias de Portugal do hóquei."

Bagão Félix, in A Bola

Jardel...