Últimas indefectivações

sábado, 5 de dezembro de 2020

Frustrante...

Benfica 3 - 3 Marítimo
Gouveia(2), Duk


Começamos a perder, demos a volta para 3-1 ainda na 1.ª parte, e pouco minutos do fim consentimos o empate... Num jogo, onde o Marítimo, 'baixou' vários jogadores do plantel principal, com o intuito de lutar pela qualificação para a fase final, algo que nós hoje, poderíamos ter dado um passo de gigante!!!
No lance decisivo, para mim a falta é clara sobre o Samuel... É verdade que foi ingénuo, deveria ter saído de forma mais decisiva, mas é claramente tocado, por um jogador que não tem qualquer intenção de disputar a bola, a única preocupação do avançado do Marítimo, foi impedir/atrapalhar a saída ao cruzamento do nosso guarda-redes. O facto de ser dentro ou fora da pequena área, neste não é importante, porque é sempre falta...

Derrota em Santa Maria da Feira...

Feirense 2 - 0 Benfica B


Para este tipo de jogos, contra este tipo de adversários, a equipa do Benfica é muito 'macia'! O jogo ficou decidido pela entrada mais agressiva do Feirense, que depois conseguiu gerir a vantagem...

Nota para os ausentes por lesão(ou Covid): Umaro, Frimpong, Capitão, Sandro Cruz, Jair e agora o Anjos com o Covid! É muita gente!!!

Nada de novo...!!!

Barcelos 3 - 2 Benfica

Mais uma roubalheira monumental! Hoje, foram 5 cartões azuis para o Benfica!!!
Uma partida, onde mais uma vez, as regras são diferentes consoante a cor da camisola...!!! Contei mais de 10 faltas não assinaladas a favor do Benfica... e em sentido contrário, os mergulhos para a piscina, mesmo quando eram mal dados, eram sempre falta!!!
A equipa vem de uma paragem devido ao Covid, devem ter falhado alguns treinos, o Nicolia continua a jogar abaixo daquilo que pode, o Lucas continua a carregar a equipa às costas, mas independentemente de tudo, com esta inclinação é impossível ganhar jogos!!!
Por exemplo no último LD falhado pelo Lucas, fica claramente a ideia que na recarga, quando o argentino tentou levantar a bola, levou uma stikada no seu stick o que seria falta e cartão... mas nada se passou!!!
Este ano vamos ter play-off portanto estes desaires têm uma importância relativa, mas nada nos garante que quando chegarmos aos play-off's que estes tristes espectáculos do apito sejam diferentes, bem pelo contrário...!!!

William Carvalho | A chave para a estabilidade que Jesus procura?


"Ao longo dos últimos dias, tem sido anunciado, por diversos órgãos de comunicação social – espanhóis e portugueses -, que William Carvalho estará de saída do Real Betis Balompié já no próximo mercado de inverno.
Apesar de ser um dos jogadores mais utilizados por Manuel Pellegrini, com mais de 639 minutos de jogo e dois golos marcados, os verdiblancos, que atravessam uma má fase desportiva, com apenas uma vitória nas últimas cinco partidas da La Liga, e que apresentam uma situação económica frágil, ponderam vender alguns dos seus principais ativos de modo a equilibrar as contas do clube.
De resto, o tema até já foi abordado por Manuel Pellegrini, numa conferência de imprensa. Aí, o técnico chileno disse que, para além das saídas, “não há possibilidade de trazer ninguém no mercado de inverno, devido à situação económica do clube”.
Um dos possíveis destinos do internacional português pode ser Lisboa, desta feita do outro lado da segunda circular. O SL Benfica estará atento à situação de William, sendo que Jorge Jesus vê com bons olhos a hipótese de voltar a trabalhar com o médio.
A posição número seis do meio campo encarnado tem sido uma das maiores dores de cabeça para o técnico português, que parece não estar totalmente convencido com nenhuma das opções do plantel. Weigl, Samaris e, sobretudo, Gabriel já por lá têm passado, mas não têm estado à altura daquilo que o técnico pretende para a posição.
Além disso, há também o rumor de que Weigl pretende sair em janeiro, por não ser aposta regular, situação essa que, caso aconteça, deixa uma vaga para a inclusão de mais um trinco no plantel.
O nome de William parece-me bastante viável, pelo facto de se tratar de um jogador que já conhece bem o estilo de jogo de Jesus – ambos trabalharam juntos no Sporting, durante três épocas-. Assim, não existirá uma grande necessidade de adaptação ao estilo de jogo.
Em termos práticos, o internacional português apresenta um conhecimento tático-posicional excelente, assim como uma grande qualidade no que diz respeito à circulação de bola, que, aliada à sua capacidade defensiva, poderá trazer mais qualidade e equilíbrio ao miolo encarnado."

A superação europeia e a prioridade interna


"Nunca uma temporada teve um calendário tão apertado como esta. É um fator extra com o qual os treinadores têm de lidar e que implica outro tipo de cuidados na gestão dos plantéis. Logo, para FC Porto, Benfica e Braga foi um tiro em cheio a qualificação antecipada nas provas da UEFA.
Antes do mais, convém sublinhar que esta foi uma semana importante para o futebol português no contexto europeu. As três equipas nacionais garantiram o apuramento para a fase seguinte das competições, Liga dos Campeões e Liga Europa, antes de se atingir a última jornada da fase de grupos. Um exemplo de superação muito bom, sob todos os pontos de vista.
O primeiro deles, claro, prende-se com os reflexos no ranking, já que teremos FC Porto, Benfica e Braga com possibilidade de somarem mais pontos, consolidando o sexto lugar atual e, eventualmente, até permitindo uma aproximação ao quinto posto. Portugal, nesta altura, já coloca três equipas na Champions (duas diretamente e uma terceira nas pré-eliminatórias), pelo que é relevante conseguir manter as coisas como estão.
Mas, depois, há também os reflexos no plano interno. Já aqui aludi várias vezes à carga de jogos a que as equipas estão obrigadas até final do ano, pelo que a gestão dos jogadores pode ficar mais facilitada com a questão europeia já encerrada.
Repare-se que o trio português vai multiplicar-se em desafios sucessivos no campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga - sendo que dragões e águias ainda têm mais a Supertaça -, pelo que a última ronda das competições europeias passa agora a ter um papel secundário.
É evidente que há sempre o interesse financeiro (pontos são sinónimo de euros), mas na componente estritamente desportiva pouco existe para acertar. Aliás, no caso do FC Porto, nem isso, pois o segundo lugar no grupo é imutável. Benfica e Braga podem aspirar ao primeiro lugar - o que daria um conforto teórico para o sorteio dos 16 avos de final -, simplesmente não dependem deles próprios para o conseguirem, uma vez que tal só será possível se Rangers e Leicester fizerem piores resultados. Portanto, pelo menos para já, o centro das atenções passa a ser em exclusivo o cenário doméstico.
E que temos neste âmbito? Agora, a jornada 9, mas - no tal princípio de gestão cuidada - seguem-se Taça de Portugal e Taça da Liga, antes da jornada 10. Significa isto que a ronda imediata é uma das tais para jogar as melhores fichas, desde que estejam fisicamente em condições, já que "onzes alternativos" podem ser equacionados para as outras duas competições (ou três, se juntarmos as da UEFA).
Benfica e FC Porto jogam em casa, são claramente favoritos, mas também sabem que é "proibido" um deslize perante Paços de Ferreira e Tondela. Águias e dragões estão naquela fase em que perder mais pontos pode tornar-se um problema e, por via disso, Jesus e Conceição não podem correr riscos desnecessários.
De resto, no caso do técnico encarnado, o sinal foi evidente quando o resultado com o Lech Poznan estava definido. Ainda faltava meia hora para acabar a partida e tirou logo Darwin, Pizzi e Chiquinho, seguindo-se Everton e Rafa. O campeonato passou a ser prioritário bem cedo. E, também não por acaso, Sérgio Conceição reafirma que "a verdadeira Champions" do FC Porto é o campeonato, ou seja, a receção ao Tondela é de importância máxima.
Enquanto uns ainda deitam contas às consequências da semana europeia, o líder Sporting prossegue o seu trabalho. E, desta vez, com a mira apontada a uma deslocação a Famalicão, onde terá de repetir a serenidade e consistência de outros jogos para chegar ao triunfo. É certo que Ruben Amorim manterá o discurso distanciado sobre a tal candidatura ao título, mas tudo fará para conservar o lugar que ocupa, de preferência sem que a vantagem diminua.
Este Famalicão não é (ou ainda não é, depende da forma como se queira encarar as coisas) o mesmo que encantou na época passada, por via de várias baixas. Ora, a mais marcante de todas, Pedro Gonçalves, alinha hoje precisamente no lado contrário. Para Pote será um jogo especial, presume-se, mas aquilo que os leões esperam dele é que continue a marcar o campeonato como até agora. Por mais voltas que se dê, está a ser uma tremenda mais-valia para um Sporting em renovação."

Fever Pitch - João & Patrick... França!

Vitória... apesar das baixas!

Benfica 92 - 73 Ovarense
24-12, 20-20, 17-17, 31-24

Com várias ausências o Benfica venceu esta noite a Ovarense. Jogámos com 9 jogadores na ficha de jogo, um deles vindo dos sub-21... e com o Fábio Lima condicionado. Vamos ver quando tempo o Hallman vai ficar de fora...!!!
Boa entrada na partida, com boa atitude defensiva o que tornou o jogo mais 'fácil'!!!

Antitético


"Proponho, a todos os editores de dicionários ilustrados, que se passe a usar uma imagem de Lito Vidigal a acompanhar o adjectivo antitético. O homem é treinador de futebol, mas não é futebol que treina.
Sendo justo, todos os princípios elementares do jogo podem ser identificados no futebol, que não é futebol, de Lito Vidigal: onze jogadores de cada lado, duas balizas e uma bola. Alternadamente, em cada parte, numa das balizas evita-se a todo o custo que a bola entre, na outra, mesmo que por mera casualidade, pretende-se que a dita atravesse a linha de golo.
Creio que, para se ser um jogador de futebol que não jogue futebol sob as ordens de Lito Vidigal, são necessárias características especialíssimas, entre as quais predomina a gestão inteligente da dor, aguda em vantagem, inexistente em desvantagem. Valoriza-se muito, também, a apetência para a dramatização. E mais é pedido a outros profissionais como, por exemplo, o homem/mulher do spray milagroso, a quem se recomenda apurada forma física pois, não sei se será boato, consta que, em vantagem, chega a correr mais do que alguns jogadores durante os jogos.
Junte-se a um adversário desta estirpe a repetida coincidência do estado do relvado se adequar, na perfeição, a esta abordagem antitética do futebol e, em mais ocasiões do que as desejadas, que até nem me parece que tenha sido o caso desta vez, os árbitros permissivos ou colaborantes, e assim se torna possível que um treinador de futebol que não treina futebol lá vá sobrevivendo no mundo do futebol...

P.S.: Não me apercebi logo do penálti sobre Everton, mas tive a certeza imediata que não seria assinalado. Vasco Santos, no VAR, dá-nos garantias quanto à previsibilidade das decisões."

João Tomaz, in O Benfica

Achincalhar

"Diz o dicionário da língua portuguesa que achincalhar é, por exemplo, 'fazer publicamente pouco de algo ou de alguém', 'tratar com desdém', 'humilhar' ou 'rebaixar'. É a esse fenómeno que temos assistido desde que a equipa principal de futebol masculino do Sport Lisboa e Benfica começou e não conseguir juntar vitórias e boas exibições. Nos comentários e narrações das transmissões televisivas e radiofónicos dos encontros do Glorioso, nos artigos de opinião nos jornais e publicações online, nos blogues e redes sociais, à mesa do café, tudo tem servido para achincalhar jogadores, equipa técnica e direcção do SLB.
Sim, houve momentos maus nas nossas exibições, mas daí ao chorrilho de asneiras que têm sido ditas e escritas vai uma grande diferença. Dos adeptos e dirigentes dos clubes rivais já não se espera outra coisa, faz parte da sua cultura desportiva, do seu eterno desejo de serem grandes. De alguns dos nossos adeptos (felizmente poucos), é algo a que também já nos habituámos - as emoções à flor da pele às vezes falam mais alto. Agora, de profissionais da comunicação, de jornalistas encartados e de comentadores pagos para analisar o fenómeno desportivo já me parece demasiado mau para ser verdade.
Atenção, os profissionais que vestem a camisola do Benfica não estão imunes críticas quando falham - isso que fique bem claro -, mas serão apenas Gilberto, Otamendi, Vertonghen ou Seferovic (entre outros) a merecer tal tratamento? A ver e a ouvir pelo que nos chega, parece que nas restantes equipas do campeonato todos e são astros do profissionalismo, sem mácula. Só aos jogadores do SLB é exigida a perfeição e não é permitida qualquer falha. De dizerem que não tem valor para estar na equipa até acusarem de falta de técnica ou de idade avançada, já ouvi e li de tudo. A falta de respeito é gritante. Faz lembrar uma outra definição no dicionário da palavra achincalhar: 'meter ou meter-se a ridículo'. E e cada um destes 'especialistas' a cair no ridículo..."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Em terra de cultivo, quem tem Cebolinha é rei


"Os meus avós residem em Crespos, uma pequena freguesia que faz parte do concelho de Braga, e têm um campo de cultivo onde produzem alimentos para consumo próprio. Quando vi o Benfica entrar em campo na segunda-feira no Funchal, mal olhei para o terreno de jogo, pensei que os meus avós formariam uma dupla de centrais bem mais produtiva que a do Benfica. Em termos de futebol, talvez não fossem tão competentes, mas de certeza que ao intervalo já teriam alface, couves e batatas prontinhas a colher. Aquele campo dos Barreiros é tão maravilhoso para plantação, que o homem do jogo foi o Cebolinha. Se o Cristiano Ronaldo tivesse começado a carreira no Marítimo em vez do Nacional, hoje seria o melhor agricultor do mundo.
A cada semana que passa fico ainda mais desamimado com o afastamento dos adeptos dos estádios. Estou cansado de assistir a duelos como o Atlético - Bayern e aquilo parecer um jogo de pré-época. Estou numa fase tão sensível, que, de cada vez que vejo imagens do Estádio da Luz com adeptos, vêm-me as lágrimas aos olhos. Como o mister JJ tem apostado no puto Gonçalo Ramos, então a choradeira tem sido frequente. A minha consciência já carregava o peso de não ter cumprido o sonho de ser jogador do Benfica, mas pelo menos podia apoiar desde a bancada. Agora nem isso. Os miúdos da formação não só têm a motivação de chegarem à equipa principal para jogarem pelo clube de coração como também têm de o conseguir para poderem assistir aos jogos no estádio. Um dia de cada vez, amigo leitor. Se o pistoleiro continuar a demonstrar a qualidade a que nos está a habituar, então não custará tanto continuar a acabar os jogos lavado em lágrimas."

Pedro Soares, in O Benfica

Benfica no feminino


"Depois de ultrapassar brilhantemente as gregas do PAOK e as belgas Anderlecht, a equipa feminina do Benfica tem agora pela frente o Chelsea, na eliminatória correspondente aos dezasseis-avos-de-final da Liga dos Campeões.
A tarefa não vai ser fácil. As ingleses são muito fortes, e bastante mais experientes do que as nossas raparigas. Mas não tenhamos dúvidas de que isso não lhes irá retirar a esperança num bom resultado.
O futebol feminino do Benfica tem sido uma história de sucesso Logo no primeiro ano, subida à primeira divisão e conquista da Taça de Portugal. No segundo, 21 vitórias em 23 jogos, até chegar a pandemia e impedir um titulo nacional anunciado. Ficaram pendentes as finais de Taça da Liga e Taça de Portugal, que acredito ainda possamos festejar em breve. E neste campeonato tudo está em aberto.
Infelizmente, a igualdade de género não é ainda uma realidade. Mas tem sido uma bandeira dos nossos tempos, e por isso acredito que o futebol feminino seja um terreno a explorar, com grande margem para crescer. Não me admirava que um dia viesse a ter estádios cheios e um grau de mediatismo próximo daquele que hoje têm os homens. Afinal, o jogo é o mesmo, as regras iguais, e o talento não tem sexo - tal como o Benfica.
Diga-se que o nosso clube a aposta no desporto feminino tem sido total, com equipas competitivas em todas as modalidades, e dominadoras na maioria delas. Em alguns casos com domínio esmagador, como no hóquei em patins (onde já alcançámos um título europeu) ou no futsal.
O futebol segue o exemplo, e a participação nesta prova é mais um passo no seu crescimento."

Luís Fialho, in O Benfica

José Bastos


"O presente ano está a ser terrível do ponto de vista das perdas humanas. O último a partir foi José Bastos, o nosso glorioso guarda-redes que brilhou nos anos cinquenta. Ajudou a conquistar nove títulos - três Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal e uma Taça Latina. O seu grande feito aconteceu na época 1949/50, quando integrou o lote dos '13 Magníficos' que conquistou a Taça Latina, a competição que esteve na génese da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Disputada pelos campeões de Portugal, Espanha, França e Itália, em 1949/50, coube ao Benfica disputar a competição, e José Bastos foi decisivo nos três jogos. Frente à Lazio de Roma, na meia-final, no Estádio Nacional, fechou a baliza e ganhámos por 3-0, com golos dos notáveis Rosário, Rogério 'Pipi' e Arsénio. Seguiu-se a final, frente ao Girondins de Bordéus, com três golos para cada lado. Uma semana depois, a finalíssima, frente ao campeão francês, um jogo épico, que durou 146 minutos. A equipa lutou como nunca e quando já poucos acreditavam, Arsénio, a 20 segundos do fim, empatou. No prolongamento, Julinho resolveu o jogo. Com Ted Smith e Cândido Tavares ao leme, nascia o Benfica Europeu. Seguiram-se sete conquistas - dois Campeonatos e cinco Taças de Portugal. José Bastos foi um dos pilares, destacando-se na dobradinha de 1956/57. Fez os 26 jogos do Campeonato e repartiu com Costa Pereira os oito jogos da épica campanha, na Taça de Portugal, jogando a final com o SC Covilhã. Nessa época, disputou nova final da Taça Latina, no Santiago Bernabéu, frente ao Real Madrid, que perdemos por 1-0. José Bastos destacou-se. Tive o privilégio de ser seu amigo. Revelou-me vários episódios das 14 épocas no Benfica. Tinha orgulho na forma como os jogadores sentiam a camisola. Nem a mágoa por ter sido preterido, em 1960, quebrou o seu amor pelo Glorioso."

Pedro Guerra, in O Benfica

Dia de dar!


"Em tempo de Black Friday, Sexta-feira Negra, quando todos procuram encontrar uma vantagem para si, é fundamental pensar naqueles para quem todos os dias são negros, não por eufemismo de um marketing global capaz de criar ondas desenfreadas de consumo, mas porque, verdadeiramente, não têm o suficiente para prover as suas necessidades mais básicas.
Do lado de quem tem mais, exacerba-se crescentemente aquilo a que poderíamos chamar uma 'sede de abundância'. Uma sede trágica porque sempre anseia e nunca se satisfaz, transformando o privilégio da abundância numa angústia de escassez. Neste mundo acelerado e global, precisamos sempre de mais e mais sem nunca nos bastarmos nem pararmos para reflectir. Queremos mais bens, queremos gastar mais energia, queremos o bem-estar de toda a humanidade e o equilíbrio do planeta. Isto significa que queremos, à sua vez, uma coisa e o seu contrário, mas temos de concordar que esta é uma equação com os termos desequilibrados e de resultado negativo.
Não existe culpa em fazer uma pequena extravagância, em esperar pelas oportunidades desde dia e multiplicar o dinheiro para comprar o mesmo com menos ou, as mais das vezes, mais com o mesmo. Mas é bem certo que há virtude em recordar os outros e despojarmo-nos de uma parte dos nossos bens materiais, por ínfima que seja, em prol dos que enfrentam diariamente, muitas vezes gerações a fio, a mais injusta das injustiças: a pobreza.
Por isso, passados os dias loucos da Black Friday, que agora dura semanas, acordemos na terça-feira com uma única vontade: dar!
Dê, porque esta terça-feira não é dia de querer, é dia de dar!"

Jorge Miranda, in O Benfica

651 edições depois... Obrigado!


"1. Hoje, muito especialmente, considero importante deixar registado para a memória futura, de modo inequívoco e indelével, que, se não fossem Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira, este Jornal já não existia.
2. Ambos os Presidentes, eles próprios persistentes assinantes de longa data do Jornal, tiveram a correta percepção de que mais do que um ícone histórico do Clube, o 'Semanário oficial do Sport Lisboa e Benfica' constituía um sustentáculo da própria memória do Benfica, pelo que, primeiro, assim que lhe foi possível após a sua posse e um triste interregno de publicação irregular e suspensão, Manuel Vilarinho faz retomar a edição do Seminário; e mais tarde, já a meio da década de 2000, Luís Filipe Vieira resgata o Jornal de mãos alheias ao Clube e volta a trazer a sua edição para dentro de Casa.
3. O Jornal O Benfica, sob orientação de Adriano Cerqueira, Luís Lemos e Fernando Seara, encetava uma nova e difícil caminhada no sentido de recuperação do prestígio de outrora, construída com o dedicado esforço dos sucessivos editores Vieira de Carvalho, Carlos Calado, Sónia Antunes, Rui Manuel Mendes e José Marinho e jornalistas e colaboradores da Redação, por entre os escolhos sobrantes e com os mitigados recursos disponíveis, nessa exaltante fase em que, dramaticamente, o próprio Clube se reerguia das cinzas.
4. Em 2008, porventura sabendo da admiração e proximidade que eu havia tido o privilégio de manter com o nosso saudoso fundador dr. José Maria Barbosa de Magalhães Godinho, o Presidente Luís Filipe Vieira convidou-me para assumir a honrosa direcção do Jornal.
5. Hoje, sinto muito orgulho da exaltante experiência de que pude usufruir e partilhar ao longo de seiscentas e cinquenta e uma edições do nosso Jornal, das quais cada uma reflectiu o crescente reforço de equilíbrio e de rigor de informação, bem assentes nos pilares da verdade e da deontologia, com que hoje se exerce o Jornalismo sério e despojado n'O Benfica.
6. Neste surpreendente contraciclo em que (felizmente) vivemos no nosso Jornal e que nos deixa a coberto das tempestades que actualmente fustigam a sociedade da comunicação em Portugal e no Mundo, os seguros passos que fomos dando ao longo dos últimos doze anos não só sustentaram, primeiro, a confiança estrutural interna no seio do Grupo Benfica como, sobretudo, se tornaram essenciais para a recuperação e consistência do prestígio público junto dos Leitores, ajustados e um órgão de Informação tão perene, que acabou de entrar no septuagésimo nono da sua história.
7. Destaco como marcos porventura mais significativas na mais recente linha do tempo neste específico cenário do Jornal, logo em 2008, a constituição de uma ampla equipa de conceituados cronistas convidados, que dedicadamente enobreceram e ainda honram as nossas páginas com a diversidade das suas livres opiniões; em 2009, a primeira mudança de layout e grafismo; em 2011, a alteração gráfica do título do Jornal; com a edição n.º3641, o início da versão digital de O Benfica, nas plataformas iOS e Android; e um ano depois, a mudança gráfica mais expressiva operada por ocasião do 111.º aniversário do Clube, em 2015; em 11.nov.2016, na edição n.º3785, a revisão do primacial Estatuto editorial do Jornal; no final de 2016, em estreia na nossa história, a confirmação do primeiro exercício financeiro positivo e contributivo para o Clube; e, por fim, em 27.nov.2018, pelo forte simbolismo do reconhecimento da nossa missão, a inauguração da primeira exposição inconográfica de sempre sobre a história do Jornal O Benfica, no Museu Cosme Damião, com a presença do Presidente Luís Filipe Vieira.
8. Já tenho saudades de toda esta evolução... Mas, atrás de longos tempos, melhores e muito mais vastos tempos se vão seguir na linda vida do nosso Jornal: a minha missão termina hoje e, no plano pessoal, nada justificaria que se prolongasse ainda mais. Saio em andamento, porque sinto e tenho a certeza de que este veículo, agora, vai depressa e nunca mais para!
9. E, perante o que aqui vivi e testemunhei, neste dia do adeus só posso deixar a minha profunda gratidão benfiquista a todos aqueles que, na Redação e nos serviços, também acharam que tudo seria possível... Mas, acima de todos, obrigado, Presidente. E obrigado, Benfica!"

José Nuno Martins, in O Benfica

Benfica After 90 - Marítimo & Lech...

Reposta a requerimento


"Em requerimento apresentado em 23 de novembro de 2020, Francisco Benitez, João Pinheiro e Nuno Leite, sócios do Sport Lisboa e Benfica, solicitaram ao Presidente da Assembleia Geral "a convocação de uma assembleia geral extraordinária para deliberar sobre uma auditoria de conformidade às eleições de 28 de outubro de 2020 e apresentação de proposta de regulamento eleitoral para vigorar no Clube".

Este requerimento deve ser apreciado à luz dos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica, sendo igualmente necessário dar cumprimento às normas de saúde pública em vigor na pendência do estado de emergência declarado por Sua Excelência o Presidente da República para fazer frente à pandemia da COVID-19.
O artigo 55.º, n.º 3, dos Estatutos estabelece que "As reuniões extraordinárias da Assembleia Geral podem ser da iniciativa do Presidente da Mesa, a pedido da Direção ou do Conselho Fiscal, ou de um número de sócios efetivos no pleno gozo dos seus direitos, cujos proponentes, na sua totalidade e com observância dos demais preceitos estatutários, perfaçam pelo menos dez mil votos".
A interpretação desta norma é unívoca. Tratando-se de uma assembleia geral extraordinária convocada a pedido dos sócios do Sport Lisboa e Benfica, é indispensável que o pedido seja subscrito, especificamente para o efeito, por sócios que perfaçam pelo menos dez mil votos – o que não sucede no caso vertente –, não bastando para tal a invocação de um movimento de sócios.
Com estes fundamentos, após reunião da Mesa da Assembleia Geral que se pronunciou por unanimidade nesse sentido, decide-se não conceder provimento ao requerimento supramencionado.
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral"

Apurado


"A nossa equipa conseguiu ontem um triunfo sólido, por 4-0, frente ao Lech Poznan na 5.ª jornada da fase de grupos da Liga Europa, consumando assim o apuramento para os 16 avos de final da competição e atingindo o objetivo a que se propôs no início da prova.
Fomos claramente superiores ao adversário num jogo em que, de acordo com Jorge Jesus, "tivemos jogadas muito bonitas perto da grande área da equipa polaca e vencemos com naturalidade, mas também fizemos para que se tornasse fácil".
Os golos foram obtidos por Vertonghen, Pizzi, Darwin e Weigl. O belga estreou-se a marcar de águia ao peito, enquanto o alemão conseguiu o seu segundo tento ao serviço do Benfica. Pizzi e Darwin, mais habituados a figurarem entre os marcadores, marcaram os seus 7.º e 6.º golos, respetivamente, em competições oficiais na presente temporada.
Destaque para Pizzi, que contribuiu ainda com duas assistências e continua a subir posições nos vários rankings dos goleadores benfiquistas. Obteve o seu 12.º golo nas competições europeias, alcançando a 9.ª posição, a par de Simão e João Pinto. E, na Liga Europa/Taça UEFA, chegou aos 7 golos, em apenas 11 jogos, sendo agora o 5.º melhor de sempre (mesmos golos que Saviola, mas em menos jogos).
Rafa, que totaliza agora 150 jogos em competições oficiais pelo Benfica, e Cervi fizeram as restantes assistências, mas, numa perspetiva individual, é Darwin quem merece maior destaque além de Pizzi, ao ter conseguido o seu quinto golo na prova em apenas quatro jogos.
Registe-se também a curiosidade de, com os 16 golos obtidos havendo ainda uma jornada por disputar, se ter superado a marca obtida em toda a participação anterior do Benfica na fase de grupos, com o atual formato, da Liga Europa (13 golos em 2009/10).
A invencibilidade na condição de visitado em partidas da Liga Europa aumentou para 26 jogos consecutivos, o que se constitui como um recorde da competição. O apuramento para a fase seguinte da prova oferece agora ao nosso treinador, conforme reconheceu ontem na conferência de imprensa, maior margem na gestão do plantel face à elevada exigência do calendário competitivo neste mês.
Hoje a equipa já está focada no próximo desafio, que será disputado no domingo, às 20 horas no Estádio da Luz, com o Paços de Ferreira a contar para a Liga NOS"

Sonhei com isto, Nico: 90 minutos no Benfica sem calafrios. Já fizeste tatuagens por menos, fica a dica: “4/12/20, Lech. 0 duelos perdidos”


"Vlachodimos
Se é para estar aqui uma hora e meia especado ele que ponha o Helton Leite, terá pensado o Vlachodimos.

Gilberto
Não vou dizer mais nada. Ainda me acusam de bullying.

Otamendi
Uma pessoa sonha com estes momentos mas nunca sabe se algum dia vão chegar. Extraordinário. 90 minutos ao serviço do Benfica sem um único calafrio. Histórico. Já deves ter feito tatuagens por muito menos, Nicolás. Pensa nisso. Uma coisa pequena num dos braços a dizer “4/12/20, Lech Poznan. 0 duelos perdidos.”

Verthongen
Eu não sou de me gabar das minhas previsões até porque falho quase todas, mas por uma vez posso dizer-vos que avisei. Super Jan vem subindo de forma e nada como onze polacos com problemas de coordenação motora para apurar os níveis de confiança do nosso central belga.

Grimaldo
Há nele uma intenção que quase nunca passa despercebida. Num plantel em que tantos laterais parecem decidir livrar-se da bola mais do que colocá-la num colega, as exibições de Grimaldo, mesmo as medianas, são refrescantes. Enquanto o oxigénio chegou ao cérebro foi dos que mais procurou encavar os polacos, ainda que não estivesse especialmente inspirado.

Gabriel
A dada altura ouvi o Pedro Henriques explicar que o Gabriel tenta sempre fazer passes mágicos, mas em cada 10 talvez acerte 4 ou 5. Não querendo entrar em polémicas estéreis, direi apenas que este número anda longe da verdade e que é preciso incluir ainda: o desgaste por cada passe errado adicional durante o mesmo jogo; o momento do jogo em que esse passe acontece, muitas vezes numa situação aparentemente promissora para a equipa; a postura do jogador no momento de alguns desses passes falhados, como se tentasse pintar um Pollock e um esguicho de tinta acertasse no chão em vez da tela. Assim talvez não pareciam tão poucos.

Chiquinho
Cumpriu defensivamente mas faltou brilhantismo no envolvimento com o ataque, que é aquela forma eufemística de dizer que queríamos ver um poeta mas calhou-nos um canalizador espirituoso. Continuo a ver mais pujança nas instastories dele do que nos remates à entrada da área.

Everton
Espero sempre mais do Everton, mas eu admito que a expectativa é culpa minha. A coisa disparou depois de eu encontrar um vídeo de 6 minutos e 48 segundos no YouTube intitulado “Everton Cebolinha ou Neymar?” refletindo sobre qual dos dois deveria ser titular na selecção brasileira. Todos sabemos que a questão não se colocaria no Benfica, uma vez que o Everton é titular indiscutível e o Neymar dificilmente tiraria o lugar ao Rafa. Talvez pudesse ir alternando com o Pedrinho como suplente utilizado.

Rafa
Discute-se muito se precisamos de um 6, de um 8, de um 9, de um 9 e meio ou de um 10 ou de todos estes. Olhando para as estatísticas defensivas e ofensivas do Rafa neste jogo, eu diria é que precisamos de mais um camião de Rafas.

Pizzi
Em crescendo. Neste momento só lhe falta entrar em campo com água de malvas para lavar o rabinho aos colegas. Duas assistências que ajudaram a resolver uma exibição meio enguiçada e nada entusiasmante na primeira parte. Tem um golo marcado a cada 47 minutos na Liga Europa. Se hoje vimos momentos com nota artística mais elevada deveram-se todos ao nosso patinho feio.

Darwin
Há jogadores que entram em campo como se fosse sempre a primeira vez. Já tivemos outros assim, como Martin Pringle, Azar Karadas e muitos mais. No caso destes, não era tanto a motivação que fazia cada jogo parecer o primeiro, mas a destreza com que tratavam a bola. Darwin consegue o melhor dos dois mundos, a beleza ingénua e aguerrida de uma eterna primeira vez aliada às virtudes de levar nas orelhas diariamente do mister Jesus. É destes que precisamos.

Waldschmidt
Procurou o espaço entre linhas, serviu colegas, fez o que podia para participar no jogo mas a tristeza era evidente. Entrou quando saiu a sua alma gémea uruguaia. O que será que Jorge Jesus tem contra esta cumplicidade entre dois homens? É o que vamos discutir amanhã à noite na CMTV. Conto convosco.

Seferovic
Dizem analistas que precisa de três ocasiões para marcar um golo. A não ser que as ocasiões coloquem a bola no seu pé direito. Nesse caso precisa de trinta e seis. Teve uma contra os polacos, portanto vai demorar.

Weigl
Um caso perdido. Podia marcar mais 10 destes e fazer outros 10 passes com inteligência acima da média e mesmo assim poucos iriam na conversa. Foi pena, Julian. Cheguei a sonhar. O golo marcado hoje e mais uma outra ação no jogo vão obrigar o editor de vídeo sub-contratado pelo Pini Zahavi a atualizar o vídeo “Melhores momentos” que já estava a caminho do YouTube e do email do diretor desportivo do Hertha Berlin. Por este andar ainda recuperamos o que gastámos nele.

Cervi
15 minutos, uma assistência para golo. Aprende, Rafa.

Pedrinho
A bola colada ao pé não engana. Há ali talento e potencial, apesar de fisicamente ainda fazer lembrar um daqueles craques identificados no GNT por um scout com privação de sono."

Benfica 4.0%


"A atração principal deste Benfica-Lech Poznan seria sempre a possibilidade dos encarnados se apurarem já esta quinta-feira para os 16avos da Europa League, mas na retina, no jogo de ida, ficou o entretenimento provocado por um Poznan que partiu o jogo, recebendo no final da partida merecidos elogios do técnico das águias. Do ponto de vista futebolístico a abordagem dos polacos na Luz seria assim também algo a ter em conta, até porque o momento que o Benfica atravessa desperta também alguma curiosidade quando a oposição sobe de tom. Pois bem… não foi o caso, num jogo que me fez lembrar uma simpática senhora polaca que, quase insistentemente, me recomendou uma cerveja oriunda do seu país. A Tyskie, dizia ela, deveria ser consumida com responsabilidade da minha parte dado o seu elevado teor alcoólico. Mas do que a encantadora Olivia se esqueceu foi que no Reino Unido o imposto sobre o teor de álcool tem mão de ferro, sendo que à poderosa Tyskie na Polónia a viagem até Terras de Sua Majestade lhe corta a potência necessária a fazer-me a mossa que ela me havia prometido. Algo parecido com o que aconteceu ao Lech Poznan na viagem até Lisboa. Sendo que pelo caminho algures se perdeu a inebriante vertigem com variação de flanco que havia tornado o jogo na Polónia tão interessante.
Interessante porque o Lech o partiu, e mais interessante, para Jorge Jesus, porque assim sendo o quarteto ofensivo do Benfica tinha espaço para decidir em velocidade. Mas mudando a estratégia (e jogadores) do Poznan para algo mais de contenção, o Benfica passava a ter que jogar a maior parte do tempo em organização ofensiva, demorando tempo até encontrar uma versão que realmente convencesse quem assistia a partida. Não no resultado – porque Super Jan saltou mais alto que toda a gente para fazer o primeiro aos 36′ – mas porque a fluidez do jogo nos três corredores deixava a desejar. Pelo meio (porque os polacos o selaram com um 4141 que ainda recebia a ajuda do ala a acompanhar o lateral) e pelas alas, onde Gilberto e Grimaldo nunca foram capazes de dar aquela acutilância capaz de prender o Lech (ou qualquer outro adversário) às cordas.

Como referido o Lech trocou aquela vertigem alcoolizada do primeiro jogo por algo mais paciente e equilibrado, ao que o Benfica respondeu sempre bem com a linha média como siamesa de uma linha defensiva que controlou sempre bem o espaço nas costas

Darwin a ganhar as costas e a ligar com Pizzi foi uma solução para os problemas de fluidez no primeiro tempo. Com o uruguaio os encarnados andarão sempre perto de marcar – e Rafa sempre com a interessante solução de deambular para a zona central

Contudo, o golo marcado num pontapé-de-canto conferia a tranquilidade necessária ao Benfica, como conferia também a obrigação de o Lech assumir mais o jogo. E se períodos houve onde os polacos demonstraram até ser capazes de fazer algo em ataque continuado (escassos e ainda na 1.ª parte), com a obrigação de correrem atrás do prejuízo dois erros em organização ofensiva (passe do guarda-redes para Gabriel no 2-0; excelente recuperação de Chiquinho no 3-0) bastaram para disparatarem toda e qualquer possibilidade que (ainda) tivessem nas contas do grupo. Assim se fez a história de um jogo (ou de dois, se quisermos) onde o Benfica demonstrou ser mais forte que o adversário quer quando o jogo partiu (na Polónia) ou quando teve de o controlar com bola (na 1.ª parte) e sem ela (em alguns períodos na 2.ª). E isso, convenhamos, não tem sido um hábito assim tão constante no 2020 que finda. Assim, ainda que o jogo termine com a esmagadora diferença de 4 golos (Weigl ainda facturou já ao cair do pano) restará às análises tentar perceber se aquilo que o Benfica fez já é algo parecido com o que Jorge Jesus almeja e visualiza na sua célebre promessa d’arrasar E a verdade é que o Benfica demonstra ainda grande insegurança quando o adversário rodeia o seu portador da bola, não só somando erros notórios, como também não fazendo a bola girar pelos melhores caminhos. Isto a somar-se, claro está, ao afunilamento exagerado e desnecessário que lhe fecha os caminhos da baliza (algo notório numa primeira metade com escassas situações dignas de registo) e às dúvidas no duelo para recuperar o imenso tempo em que o Benfica costuma conceder a bola aos adversários. A melhorar com ela e sem ela, portanto, mas já com o faro de golo habitual em Darwin e em Pizzi, e com Chiquinho a crescer na posição 8.

4x1x4x1 dos polacos tapava ligações interiores e exigia mais ligação com as alas, onde a (falta de) vertigem de Gilberto e Grimaldo não atraiu o suficiente para desposicionar e aí sim ligar por dentro. As alas seriam também importantes para fixar o Lech mais atrás – algo que acabou por não acontecer com a regularidade desejada

A recuperação autoritária de Chiquinho (que origina o terceiro golo) confirma os erros em construção dos polacos e lança a discussão sobre os duelos defensivos no Benfica. Conseguirá Jesus o seu melhor futebol com uma equipa pouco dominante, pouco autoritária e pouco confiante nos duelos?"

A busca do 8 encantado


"No modelo de Jorge Jesus, o número 8 é provavelmente o jogador que mais completo precisa de ser. Completo no sentido de ter que reunir competências ofensivas e defensivas em simultâneo. Ter de ser um jogador bem dotado fisicamente, tecnicamente, e ser inteligente taticamente.
Daquela posição tudo se define. Sem bola, a capacidade de recuperação da posse no pressing, a capacidade de recuperação para a linha média em 4x4x2 quando é o momento de baixar e juntar as linhas. Com bola, é a posição chave para dar fluidez ao jogo ofensivo – a velocidade a que circula, mas ainda mais a inteligência para saber quando conduzir e ir fixar adversários para soltar nos colegas mais adiantados, a habilidade motora para rodar de forma veloz e tirar a bola das zonas mais apertadas. Da posição oito do modelo 4x4x2, tantas vezes se determina todo o rumo do jogo.
O Benfica parece perdido entre aqueles que podem acrescentar com bola e os que são mais fortes sem esta. Entre todos, desde sempre que a minha opinião é a de que Chiquinho com bola é o melhor de todos. Porque reúne como nenhum outro médio encarnado as condições ofensivas para perder pouca posse e dar a tal fluidez que determina toda a velocidade do ataque e aumenta número de entradas no último terço com boas condições para os homens da frente serem perigosos. Não estou certo de que defensivamente tenha os argumentos necessários para se tornar o tal “Enzo” que ontem ouvi compararem. Nunca terá tal capacidade de recuperação ou agressividade, mas o que faz jogar o Benfica de forma natural usando e abusando de inteligência e percepção do jogo, não tem paralelo com mais ninguém que tenha jogado na posição. Com ele o jogo não encrava."