Últimas indefectivações

domingo, 28 de maio de 2017

A taça da revolução

"Hoje, no Estádio Nacional, arranca um 'novo tempo' no futebol português: a introdução oficial do videoárbitro. É o primeiro passo.

1. Hoje, no bonito e emblemático Estádio Nacional, bem fronteiro à atractiva Cidade do Futebol, disputa-se mais uma final da Taça de Portugal. A única competição que junta todo o futebol. É a Taça de todos. Do futebol profissional e do não profissional. Do futebol dos milhões e do futebol dos cêntimos. Antes diríamos o futebol dos tostões! Arranca bem cedo em cada época esta competição com alguns clubes das diferentes competições associativas, sejam distritais sejam regionais. Daqui a dois meses já estarão a lutar pela edição da próxima época! E, por vezes, surgem os denominados tomba gigantes. Mas esta é a única competição oficial que leva, em razão do sortilégio do sorteio, os grandes nomes do futebol a comunidades e vilas, a cidades e até aldeias deste Portugal que, nesse dia, ganham verdadeira dimensão nacional. Ontem em Londres e em Madrid também se disputaram as finais da Taça de Inglaterra e de Espanha. Tal como em Berlim teve lugar a final da Taça da Alemanha. As capitais dos diferentes Estados deste cada vez mais caótico Mundo e desta Europa que, neste tempo, não pode mostrar medo, acolhem as diferentes finais. Por cá, e salvo em momentos bem excepcionais, é o Estádio Nacional, no Município de Oeiras, o palco da festa cimeira do nosso futebol. Cada vez melhor organizada e cada vez com melhor acolhimento. E homenageando, com justiça, heróis contemporâneos...

2. Já presenciei muitas finais neste Estádio Nacional. Convivi muito antes de algumas finais e não esqueço aqueles momentos de partilha do chouriço e do vinho, da febra bem assada e já da precoce sardinha, do pão saloio e do pão de ló bem caseiro que nenhuma autoridade alimentar consegue, e bem, proibir. É caso para se proclamar que, aqui, também é proibido proibir! Já que este ambiente é singular. Este é o ambiente daquela mata do Jamor, daquelas sombras que sentem ao longo deste domingo sabores únicos, convívios impossíveis, dádivas que não se esquecem, palavras que ecoam naquele vale e que chegam a múltiplos ouvidos e a serenas consciências. Já vivi finais com dores imensas e já vivi finais com prazeres intensos. Antes e depois do 25 de Abril. Já presenciei, ali, reconciliações julgadas impossíveis e já senti, também ali, por mais justa e completa que seja, poderá descrever. E há quatro anos assisti a uma final com os mesmos protagonistas de hoje. Vivi um Benfica - Vitória de Guimarães que terminou com a vitória do clube então treinador por Rui Vitória. Recordo bem os momentos imediatos ao apito final do árbitro. E não esqueço que Luís Filipe Vieira, logo a seguir, reiterou a confiança em Jorge Jesus. Que levou, recordemos, o Benfica à décima dobradinha da sua história no final da época seguinte. E como nos legou Paul Valéry « a história justifica tudo quando se quer. Ela não ensina rigorosamente nada, pois contém tudo e dá exemplos de tudo»! E a história da Taça de Portugal mostra-nos muitos resultados inesperados e muitas conquistas julgadas impossíveis. Logo múltiplos exemplos! Daí que digamos, com Edgar Allan Poe, «para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto»! Por mim tenho vontade de ser feliz com a conquista de mais uma dobradinha pelo Benfica. Mas não deixarei de cumprimentar o Vitória de Guimarães, os seus fiéis e dedicados adeptos, o seu competente Presidente, o meu Amigo Engenheiro Júlio Mendes. A quem presto, aqui, o meu profundo reconhecimento pela sua Amizade. Em momento bem complexo da minha vida pessoal!


3. Hoje mesmo, a partir do Estádio Nacional, arranca um novo tempo do futebol português. A introdução oficial do videoárbitro vai marcar esta final. É a Taça da Revolução! E vai ser o primeiro passo para aquele tempo novo. Que vamos viver, em cada jornada, a partir de Agosto próximo. Em que, em algumas situações, os olhos da equipa de arbitragem vão ser ajudados e complementados com os olhos da televisão e não vistos pelos árbitros ganham dimensão efectiva e passam a contar. Passam a existir lances não vistos nos relvados e vistos na casa do videoárbitro. Com as devidas consequências. Como poderia ter acontecido ontem, acredito, em Londres no momento do primeiro golo do Arsenal! Hoje, a partir do Jamor, é o primeiro passo. E como aqui já referi, e a partir de Gilbert Cesbron, «a verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores»! E o que, a partir de hoje, e graças à ousadia e ao empenho da nossa Federação e da sua liderança, vai acontecer no futebol português. Que vai ser olhado, com toda a atenção, pelo conjunto do futebol europeu e mundial. E esta reputação, a partir desta revolução, é, também ela, um marco. Um marco de excelência e um marco de referência!


4. Acredito que vai circular muito dinheiro no futebol europeu nos próximos cem dias. Mesmo muito. Muitas centenas de milhões de euros. A intermediação internacional está cada vez mais pujante e mais exigente. E cada vez mais apetecida e apetecível. Mesmo que utilize muitas empresas com sede em Malta ou em outros legítimos paraísos fiscais... Desta semana registamos, com particular regozijo e verdadeiro orgulho, a milionária transferência de Bernardo Silva do vitorioso Mónaco para o atractivo Manchester City. Bernardo Silva nasceu no Benfica e na Academia do Seixal, cresceu muito com Leonardo Jardim e vai ser, acredito, uma das novas pérolas de Pep Guardiola. Acredito que na Premier League Bernardo Silva vai ser, a par de José Mourinho, um dos nossos embaixadores de excelência de Portugal e do nosso futebol. Como é, em todo o Mundo, Cristiano Ronaldo. Recordo bem o assumido benfiquismo de Bernardo Silva. Proclama-o com chama imensa e sem qualquer receio. E se «não se diz não a Guardiola» também não nos esquecemos que Bernardo Silva chegou a treinar no Benfica como... defesa esquerdo! Mas como escreveu Epicteto «sucesso é encontrar aquilo que se tenciona ser e depois fazer o que é necessário para isso»! Parabéns Bernardo Silva! Toda sorte do mundo!"

Fernando Seara, in A Bola

Grandíssimo Bernardo Silva

"Luta contra 184 milhões de euros; o desajustado 'fantasma' de Messi; as culpas de Jorge Jesus: os 12 milhões que o Benfica poderia ter recebido.

Pep Guardiola ganhou grandíssimo jogador: Bernardo Silva. O Manchester City tem Raheem Sterling, Kevin de Bruyne, David Silva e Leroy Sané, por exemplo, quarteto que custou 184 milhões de euros (!) aos poderosos ingleses, mas o jovem português tem qualidade suficiente para ultrapassar tão impressionante concorrência e singrar na duríssima Premier League. Será, provavelmente, uma das vedetas da próxima temporada. Não lhe peçam, porém, para ser Lionel Messi. Bernardo Silva tem pormenores parecidos com o argentino, sim senhor, sobretudo na forma como leva a bola colada ao pé, mas não lhe coloquem o Mundo em cima dos ombros: Messi é Messi. E ponto final. Deixem o agora citizen continuar a trilhar, sossegadamente, a sua trajectória no futebol europeu, como tem feito até agora. Cristiano Ronaldo vai nos 32 anos, ainda terá mais alguns de altíssimo nível, mas o futuro sucessor (nacional!) do capitão da selecção portuguesa parece poder sair da dupla Bernardo Silva - Gelson Martins.
Leonardo Jardim perdeu grandíssimo jogador: Bernardo Silva. O treinador campeão em França soube, nas três épocas em que trabalhou com o geniozinho do Seixal, elevá-lo à condição de imprescindível no Mónaco: só Germain jogou mais em 2016/17. E só Falcao, Mbappé, Germain, Lemar e Fabinho. marcaram mais golos. É impossível dissociar o rendimento de Bernardo do rendimento de Leonardo: Bernardo foi crescendo como jogador à medida que Leonardo foi crescendo como treinador. O Mónaco perde agora Bernardo e, possivelmente, perderá pepita de ouro ainda mais apetecível: Mbappé. Será tempo de reconstruir, de novo, o Mónaco. Não seria tempo, também, de Leonardo dar o sétimo salto da carreira, depois de Camacha, Chaves, Beira-Mar, SC Braga, Olympiakos, Sporting e Mónaco?
Jorge Jesus tem sido apontado como principal culpado de o Benfica não ter aproveitado o talento de grandíssimo jogador: Bernardo Silva. Vejamos: em 2012/13, os encarnados tinham Aimar, Salvio, Enzo Pérez, Gaitán e Rodrigo; em 2013/14, possuíam Salvio, Gaitán, André Gomes, Enzo Pérez, Rodrigo, Markovic, Djuricic e Sulejmani. Deveria Bernardo Silva ter jogado mais nestas duas temporadas? Provavelmente. Mas há quem cresça mais depressa e quem cresça mais devagar. E o Benfica tinha (e tem) pressa de ganhar. Assim, quando o Mónaco acenou em 15,750 milhões de euros pela venda do seu passe, o Benfica aceitou. Se tivesse assim tanta fé no jogador, teria incluído cláusula relativa a mais valia em futura venda: 30 por centro, por exemplo. E em vez de 1,5 milhões de euros, receberia qualquer coisa como 12 milhões de euros.
(...)"

Rogério Azevedo, in A Bola

PS: Já lá vão alguns anos, mas o jogador que 'ocupou' a vaga do Bernardo no plantel do Benfica, por opção do treinador na altura, foi o Bebé...!!!!

Benfiquismo (CDLXXXII)

Todos a empurrar no Jamor...!!!

sábado, 27 de maio de 2017

As Finais são para ganhar...

Oliveirense 60 - 69 Benfica
13-14, 15-26, 19-12, 13-17

Jogo completamente diferente do anterior... lançamos mais de 2, do que de 3, o que é normal, mas onde fizemos a diferença, foi na defesa, onde tivemos muito melhor!

Esperava mais dificuldades nestas Meias-finais... estamos na Final, os Corruptos, têm a vantagem da 'negra', mas temos tudo para recuperar o título, basta recordar a maioria dos jogos deste ano... A minha principal preocupação neste momento é o Hollis, que tem estado ofensivamente horrível nos últimos tempos!

Nas meias-finais...

Benfica 7 - 0 Burinhosa

Confirmação das melhorias... jogo sempre controlado.
Agora, nas Meias-finais, muito provavelmente com o Braga, temos que manter os níveis altíssimos...

Regresso à liderança...

Benfica 9 - 4 Sanjoanense

Vitória fácil... em mais um jogo, com uma arbitragem surreal!!!

Com o empate dos nossos adversários, o Benfica regressa à liderança... podemos inclusive perder por 4 no Dragay, e mesmo assim ficamos somente a depender de nós... pois na jornada seguinte, recebemos a Oliveirense na Luz... Mas uma vitória no próximo Sábado, pode dar-nos o campeonato na penúltima jornada... algo importante, já que o último jogo é fora, na casa dos traumatizados Lagartos!!!

PS1: Depois de garantir o regresso à divisão 'maior' do Nacional de Rugby (Divisão de Honra), o Benfica, hoje, sagrou-se Campeão da 'segunda' (I Divisão), vencendo por 19-17 o CR Évora.

PS2: Parabéns ao Rafael Gil, pela renovação do título Nacional absoluto de Águas Abertas 10Km...

PS3: Portugal lá conseguiu a qualificação para os Oitavos-de-final do Mundial de Sub-20... com um grande golo do Digui...!!! Vamos defrontar a equipa da casa, Coreia, na Terça-feira...
Mas independentemente do que acontecer, estamos a jogar muito mal... depois de um trajecto, tão longo, com grandes expectativas, estas 'duas gerações' chegam a este Mundial, muito mal lideradas: convocatória absurda...; 'onzes' ridículos; substituições mal feitas; e fio de jogo inexistente!!!
Esta Selecção é a 'soma' de duas gerações diferentes, em ambas o Benfica, desde dos sub-15, dominou as convocatórias e os 'onzes', chegando mesmo a ter 12 jogadores convocados em simultâneo para alguns jogos...!!! Curiosamente, chegámos a esta fase, com vários desses jogadores a serem 2.ªs opções... A utilização do Pêpê e do Gedson são absurdas...

Lições de Bernardo

"A paciência salta aos olhos, mas há muito mais a aprender e a reflectir com esta espécie de manual condensado

Apesar dos 22 anos e dos 1,73 metros (com que baila entre gigantes), Bernardo Silva é um amontoado de lições. Desde logo a que qualquer chinês conhecedor de provérbios mais gostaria: sim, a paciência tem sido uma das maiores virtudes deste outro "pequeno genial" e só não arrisco dizer ser a maior porque poderia ser desmentido no imediato pelo talento. O que leva a uma das questões há muito debatidas no futebol e de que este é um óptimo exemplo - a aposta generalizada em jogadores maiores, mais fortes e mais rápidos nos escalões de formação com o objectivo de obter resultados desagua no desperdício de qualidade técnica, inteligência e não raras vezes de capacidades físicas, já que muitos jovens crescem tardiamente e, depois, superam outros mais precoces. Bernardo Silva soube esperar, apesar de, como o próprio reconheceu recentemente, ter jogado menos do que gostaria nas camadas jovens do Benfica, onde era relegado para o banco por matulões. E soube aguardar pela oportunidade, também, quando, já na equipa principal, recebeu o mesmo tratamento.
No Mónaco, cresceu com a equipa e Leonardo Jardim deu-lhe asas, explodindo e provando que neste futebol de superatletas o tamanho não é tudo. A alcunha de "Mini Messi" será o lado folclórico para perceber por que razão Guardiola (a quem daria jeito outro...) o foi buscar, apostando num jogador diferente, capaz de usar a genética de número 10 e a inteligência para, mesmo que a partir de uma ala, romper as folhas quadriculadas em que tantos treinadores transformam o relvado.
Quando se lamenta a falta da "escola" do futebol de rua, Bernardo Silva tem um novo palco para mostrar que arte e músculo não são incompatíveis no mesmo "bairro"."

Benfiquismo (CDLXXXI)

1998

Uma Semana do Melhor... dá-lhe música!

Jogo Limpo... Clube, Família... Jamor !

Rui Vitória deve-nos uma

"Acabou o campeonato, o Benfica  é campeão, finalizou com o melhor ataque, com a melhor defesa, tem a melhor equipa e foi o único emblema a merecer o título. Há razões de sobra para festejar a para os adeptos estarem satisfeitos com o alcançado pelo clube, mas não me custa reconhecer que é a maior o desespero nos rivais do que a alegria nas hostes encarnadas. Este Benfica vencedor é uma espécie de eutanásia dos sonhos dos adversários. Quando aquele drone com a bandeira vermelha do 36 sobrevoou Moreira de Cónegos, ao minuto 36, houve até quem dissesse que era o aniversário do Casillas, mas depois se percebeu que jogava o José Sá e não havia bolo. Pior, na óptica portista, só mesmo se o José Sá sofresse um golo ao minuto 36. Não havia bolo, mas havia golo! O FC Porto despediu o Nuno Espírito Santo e logo houve quem revelasse em directo na TV que o Nuno era benfiquista, o que desconheço por completo. Mas ainda bem que ninguém revelou o clube de Fernando Santos, do Artur Jorge, do Jesualdo Ferreira, do Mourinho, do Paulo Fonseca ou do José Peseiro antes de assinarem pelo Porto, senão seria um imbróglio. Parte da comunicação social dá como certo Marco Silva no FC Porto, mesmo antes de assinar e de ser público. Deixo aqui o veredicto: grande escolha a realizada pelo líder e SAD dos azuis e brancos.
No Benfica teremos que ser ainda melhores para continuar a ganhar. Domingo, vamos decidir no Jamor se fizemos uma época muito boa ou excelente. O dilema é bom, mas eu prefiro uma época excelente. Quero ganhar a 26.ª Taça, no mesmo rumo de ambição, frente ao segundo melhor emblema da temporada portuguesa. Até porque Taças de Portugal temos 25 e campeonatos temos 36. Bem se pode dizer que este troféu é mais raro que o anterior no Museu Cosme Damião. Aqui que ninguém nos ouve, o Rui Vitória deve-nos uma, para justa alegria vimaranense."

Sílvio Cervan, in A Bola

A bola (também) é oval

"Por muitos e variados rótulos que os nossos adversários tendem colar às nossas conquistas, a realidade insiste em desmenti-los. E são eles próprios a reconhecê-lo: o FC Porto, a culminar um ano de acusações torpes dirigidas ao nosso clube, despediu o seu treinador. Afinal, nesta 'Liga Salazar', foi Nuno Espírito Santo quem caiu da cadeira. E nem falo do Sporting, cujo treinador recusou afirmar-se desiludido com a óptima (do meu ponto de vista) época realizada pela sua equipa porque, salvo ocasionalmente, já não conta para o Totobola desde que este era levado a sério. São os adversários que temos. Merecemos tanto ganhar como eles merecem perder. E enquanto eles permanecem num processo de autofagia, nós só temos de preservar a nossa ambição por mais conquistas.
Desde logo no próximo domingo, no Jamor. O Vitória de Guimarães, apesar da imagem débil deixada no Estádio da Luz no jogo da penúltima jornada do campeonato, é um adversário difícil cujo percurso ao longo da época justifica elogios. Só um Benfica à Benfica garantirá o triunfo na Taça. E aí, sim, 'rumo ao 37'.
Mas o fim-de-semana passado, além do término do campeonato que nos permitiu alcançar o tetra e atingir o dobro dos títulos dos outrora nossos rivais, trouxe-nos o regresso ao primeiro escalão do râguebi. Finalmente! Em Portugal, somos os mais antigos com prática ininterrupta da modalidade (desde 1924) e, apesar de anos à deriva, figuramos ainda no terceiro posto dos clubes que mais campeonatos nacionais conquistaram e lideramos o palmarés da Taça de Portugal. Disputar a divisão de honra e, quem sabe a médio prazo, lutar pelo título fará juz à nossa história gloriosa."

João Tomaz, in O Benfica

Mirones

"Olhas para o lado e vês a casa do vizinho. Cada vez com mais assoalhadas, acabamentos de primeira, energias renováveis, de capa de revista. Olhas para o jardim do vizinho, impecavelmente arranjado, flores coloridas, a piscina rodeada de belas mulheres e garbosos homens, de copo na mão a viver os melhores dias das suas vidas. Olhas para a família do vizinho e tudo faz sentido: união duradoura, crianças lindas e talentosas, não há discussões e as divergências resolvem-se cara a cara sem punhaladas nas costas.
Depois olhas para a tua casa, para o teu jardim, para a tua família. E continuas sem querer entender onde é que falhaste. Tens o banco à perna, uma infiltração das grandes, no tecto da cozinha, a arrecadação está cheia de ratos, a louça suja está amontoada na bancada porque despediste a empregada, mudas de namorada todos os meses, só vês os teus filhos de quinze em quinze dias e já faltaste dois Natais à peça de teatro da escola da tua mais nova. E qual continua a ser a tua preocupação? Seres grande como os grandes...
Está tudo errado, vizinho. Continua aí empoleirado, na vedação, escondido entre os arbustos como um mirone tarado a tentar ver o que fazemos e como fazemos. Continua a invejar-nos e a querer comprar uma televisão maior do que a nossa. Como se isso fosse fazer de ti uma pessoa melhor. Impossível. Queres um conselho? Trabalha mais, fala menos e não penses nos outros.
Boa pré-época."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Janeiro de 2010

"A introdução do videoárbitro (VAR) no futebol português é uma boa notícia, e a sua utilização, já neste domingo, na final da Taça de Portugal, uma excelente oportunidade.
Manda a verdade dizer que o Sport Lisboa e Benfica, desde a primeira hora, em particular o Presidente Luís Filipe Vieira, defendeu as novas tecnologias. Há quem tente, de uma forma mentirosa e desesperada, passar a ideia de que o seu líder mudaram de opinião. Nada mais falso. Recordo-me bem do dia 5 de Janeiro de 2010, data em que Luís Filipe Vieira compareceu na Assembleia da República, em conjunto com o jornalista Rui Santos, onde entregaram ao presidente Jaime Gama, uma petição com mais de sete mil assinaturas a favor das novas tecnologias no futebol. Nessa altura, compareceram também várias personalidades, entre elas Hermínio Loureiro, então presidente da Liga e actual vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, então presidente da FPF, e José Eduardo Bettencourt, líder sportinguista. O FC Porto primou pela ausência. Nesse dia, os portistas receberam o Leixões para a Taça da Liga e não se fizeram representar em tão simbólica cerimónia. Lembro-me bem de que Rui Santos desvalorizou a ausência portista. Apesar do jogo para a então Carlsberg Cup, que o Benfica conquistou, na final, no Estádio do Algarve, frente ao FC Porto, por uns claros 3-0, a verdade é que ninguém da SAD portista compareceu.
A nomeação de Hugo Miguel para apitar a final e a designação de Artur Soares Dias como VAR provam a sensatez e a competência do Conselho de Arbitragem. Para os melhores jogos... os melhores árbitros!"

Pedro Guerra, in O Benfica

A Festa da Taça

"A Taça de Portugal é a mais antiga competição de âmbito nacional do futebol luso. Sim, porque, ao contrário do que alguns lunáticos pretendem agora fazer crer, os Campeonatos de Portugal eram já Taças de Portugal com um nome parcialmente diferente. O formato era idêntico, o troféu também, e uma das provas sucedeu à outra. Assim, neste domingo vamos tentar conquistar a 29.ª Taça da nossa história.
Nos últimos anos não temos sido felizes na competição. Em vinte temporadas, apenas alcançamos dois triunfos. Pode dizer-se que, na Taça, não se tem visto muito do novo Benfica: o Benfica dos últimos 15 anos, ganhador em quase todas as frentes, hegemónico no futebol português. É pois hora de estender, à Taça, as vitórias do Campeonato. É hora de levar o Marquês até ao Jamor.
A tarefa não é fácil. Temos pela frente uma das melhores equipas portuguesas da actualidade, muito bem orientada, e com um vasto plantel, composto por excelentes jogadores. Sabemos que o Benfica é superior. Mas só no campo essa superioridade poderá valer alguma coisa.
A final da Taça é uma ocasião única no ano, e, porventura, no panorama do futebol europeu. Não conheço outra final com o enquadramento desta, num palco tão singular e tão belo. A prova merece alguns arranjos (porquê a meia-final a duas mãos?), mas o Jamor é-lhe imprescindível, e é o que a torna tão mágica. Quem vai lá não esquece o clima de festa, e de convívio, com tudo o que de melhor tem o futebol.
Começámos a época a erguer a Supertaça. Conseguimos alcançar o histórico Tetracampeonato. Vamos fechar com chave de ouro, e levantar a Taça de Portugal."

Luís Fialho, in O Benfica

Humanidade

"Todos os dias, somos assolados por ataques terroristas individualizados, em que um simples individuo deflagra explosivos com que se equipou, em vez de lutar por um ideal utilizando a argumentação.
Esta atitude provoca mortes em número elevado, e então o deflagrador fica todo contente porque conseguiu bater o ratio em 1/40. A vida tornou-se uma deflagração de carne humana, escondida num ratio matemático em que as sociedades europeias do entretenimento se envolveram.
Numa sociedade onde o entretenimento, em vez de 'entreter', se tornou num negócio e manipulação de ideias, então o destino só poderá ser mesmo o decesso!
Que isto sirva de lição para torpeadores que, no cimo da sua presidência, tornam este mundo mais agressivo e mortal, e que se calem de vez, mesmo que tenham de começar a fazê-lo no Mosteiro dos Jerónimos, esse berço da aventura portuguesa."

Pragal Colaço, in O Benfica

O Estádio Nacional

"Em 28 de Maio de 1926, surge um golpe militar comandado pelo General Gomes da Costa (em Braga) e Mendes Cabeçadas (em Lisboa), o qual derruba a I República e instaura um período de Ditadura Militar.
No entanto, esta Ditadura Militar não se mostrou apta a comandar o futuro, apesar de ter permitido 'a convergência e a consolidação de forças fundamentalmente tradicionalistas - a burguesia rural, a Igreja Católica - que se aglutinaram, politicamente, no ideário do «Estado Novo», o qual, a partir de 1933, seria consagrado em nova Constituição.
Em 9 de Julho de 1926, uma nova contra-revolução, chefiada pelo General Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. O General Carmona assumiu a presidência da República Portuguesa até à data da sua morte, em 1951. Em 18 de Abril de 1928, o então Presidente Carmona nomeava novo governo, sob a presidência do Coronel José Vicente de Fritas. Duarte Pacheco (1899-1943) emerge como ministro das Obras Públicas, e a pasta das Finanças apenas no dia 27 de Abril iria ser preenchida, por António Oliveira Salazar.
Salazar, à imagem do que acontece hoje, exige para o seu cargo um controlo total sobre todas as finanças do Estado, nomeadamente sobre todas as despesas dos vários ministérios, com o objectivo de relançar a economia.
O êxito conseguido por Salazar como ministro das Finanças, em termos de reequilíbrio financeiro, e a sucessiva eliminação política dos seus principais adversários conduzem-no (em Julho de 1932) a presidente do Conselho de Ministros durante 36 anos (desde 1932 a 1968) como ditador 'contestado mas incontestável'.
O concurso para a obra do Estádio Nacional foi publicado em 1934, sendo que o Decreto n. 24933, de 10 de Janeiro de 1935, veio autorizar o Governo a promover a construção do Estádio de Lisboa (...).
A inauguração ocorreu somente em 10 de Junho de 1944, apesar da intenção do Regime na sua inauguração em 1940, aquando da Exposição do Mundo Português.
A construção de um estádio desportivo em Lisboa copia o que aconteceu noutros países com regimes fascistas, como em Roma com Mussolini, no caso do Fórum de Roma (Constantino Constantini - 1935) e em Berlim com Hitler, no caso do Estádio de Berlim (Werner March - 1936), do qual o Estádio Nacional foi uma quase réplica.
Respeitando o paradigma vigente de exaltação da nacionalidade por via da prática desportiva pela sua juventude, Salazar projectou essa ideologia cultural na construção de um estádio que não só servisse para a prática do desporto mas também para a propaganda fascista.
Em Janeiro de 1935, a reunião da Comissão permitiu seleccionar, para a 2.ª fase do concurso, as empresas Mecotra, a Sociedade Italo-Portuguesa de Construções e a SETH. A Sociedade Italo-Portuguesa de Construções foi depois excluída do concurso por razões desconhecidas. Desde modo ficaram apenas duas equipas seleccionadas para a 2.ª fase, que, segundo a tese de Andreia Galvão, eram a de Segurado e Varela, com a SETH, e a Mecotra, com Carlos Ramos. Apesar de terem sido seleccionadas estas duas propostas, a Comissão considerava que '(...) nenhum (dos projectos) estava em condições de responder inteira e satisfatoriamente a todas as imposições do programa'.
O novo estádio vai acabar por ser construído sob projecto de Konrad Wissener em colaboração com o engenheiro Caldeira Cabral, que na Alemanha está a tirar a especialidade de paisagista, sendo as obras entregues à Sociedade de Construções Hidráulicas, dirigidas pelo sr. eng. Belard da Fonseca.
Segundo o entendimento de Keil Amaral, Caldeira Cabral, vindo da Alemanha, 'tinha arranjado cunhas formidáveis e tinha sido recebido pelo Salazar, a quem leu o relatório e mostrou o projecto, e era apoiado na sua maneira de ver pelo Nobre Guedes'.
(...), a construção do estádio. O estádio (complexo) hoje é muito diferente, mas continua a ser o local de eleição do povo português futebolístico da Taça."

Pragal Colaço, in O Benfica

Como olhar o videoárbitro

"Podemos olhar para o videoárbitro, que tem estreia marcada no futebol português para domingo, na final da Taça de Portugal, de duas maneiras. Com esperança ou com cepticismo, embora perceba quem opte pelo outro caminho. É, aliás, natural que nesta fase existam dúvidas. Porque já houve bons exemplos, devidamente aproveitados por quem o defende, e também péssimos momentos, de imediato chamados à colação por quem nele só encontra defeitos. Faz parte desta fase. Convém não esquecer que a tecnologia vai ainda entrar na segunda época de testes, pelo que não está isenta de falhas. A Federação Portuguesa de Futebol, ao assumir-se como pioneira na sua utilização live na final na Taça e na próxima edição do campeonato, está ciente dos riscos que corre.
Posto isto, será o Jamor, como dizia Rui Vitória, o palco ideal para o videoárbitro entrar em campo com toda a força? Entendo a questão colocada pelo treinador do Benfica, mas entendo que sim - ou melhor, não vejo qualquer razão para que não o seja. Na carrinha onde terão todas as imagens disponíveis estarão Artur Soares Dias e Jorge Sousa, dois dos mais experientes árbitros portugueses, tanto no campo como a lidar com o videoárbitro. E no relvado estará um também experiente Hugo Miguel, que não é nenhum novato nos grandes palcos. Pode correr mal? Pode. Mas parece-me que tem tudo para correr bem. Era, aliás, importante que tudo se passasse sem problemas, para que alguns dos cépticos começassem a olhar para o futuro com menos desconfiança.
A História tem-nos mostrado que nunca a mudança é consensual. Mas é inevitável. Com ou sem percalços. Basta apenas que olhemos para eles assim: como algo necessário ao desenvolvimento."

Ricardo Quaresma, in A Bola

A tentação do abismo

"Quando se pensava que o Sporting estava a sarar feridas de desencontros recentes, caminhando em ordem unida na preparação da nova temporada, eis que surgiu um novo elemento, absolutamente autofágico: em declarações à agência Lusa, fonte do clube não teve dúvidas em afirmar que Bas Dost foi uma contratação da exclusiva responsabilidade do presidente Bruno de Carvalho, uma 'prenda' deste para Jorge Jesus, que indicou a contratação de Marcelo Melli, Douglas e André, entre outros. Ou seja, Bruno escolheu bem e Jesus escolheu mal, lendo-se nas entrelinhas quem foi responsável pela má construção do plantel de 2016/17.
Não interessará muito, neste momento, estabelecer se Bruno de Carvalho é um expert em futebol e se Jorge Jesus não passa de um curioso que vê muitas horas de TV, importante mesmo é perceber a motivação da fonte leonina citada pela Lusa que, de uma penada, colocou o presidente nos píncaros e apunhalou o treinador pelas costas. Uma coisa é certa: mergulhado neste tipo de intriga palaciana, o futuro do Sporting não será risonho. É que, perante uma situação destas, como é possível que se acredite na bondade das declarações que apontam para uma solidariedade forte entre presidente e treinador?
Jorge Jesus, sempre muito atento a todos os detalhes, não deixará de pedir responsabilidades a quem de direito, procurando identificar a fonte. Mas não terá dúvidas do óbvio, aquela declaração visou diminuir-lhe a margem de manobra e representou uma traição numa hora sensível da vida do Sporting. Parece incontornável a tentação do leão para o abismo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O mais engraçado, é que a 'fonte' da notícia, é conhecida por todos, apesar dos jornaleiros não a assumirem!!! Foi o próprio Babalu, que em mais um famoso 'almoço', deitou tudo isto, e muito mais, para as primeiras páginas dos pasquins...!!!

Alvorada do Pragal...!!!