Últimas indefectivações

terça-feira, 28 de março de 2017

Rimais soltas de um poema mágico


"Há 50 anos, no início da Primavera, houve na Luz uma tarde vermelha em flor. Eusébio marcou quatro golos ao Braga (4-0). Corria para a bola, chutava e era golo. Mais simples seria impossível!


No início da Primavera de há 50 anos, Eusébio abriu em flor. Uma explicação primordial qu deu pelo nome de Eusébio.
O adversário foi o Braga. Melhor dizendo: a vítima foi o Braga.
No mesmo dia, o ciclismo do Benfica estava em festa. O ciclismo foi sempre centro de muita festa.
No Campeonato Regional por Equipas, os encarnados tinham vencido o Sporting. José dos Santos, Pedro Rodrigues, Wilson de Sá. Uma equipa coesa na qual todos foram alternando no comando. Um acerto e uma colaboração de destacar. A Venda do Pinheiro foi a etapa decisiva...
Mas voltemos à Luz nessa tarde de sol.
Primeiro movimento eusebiano, que era assim uma espécie de personagem de Machado Assis - um livre a queimar as mãos do guarda-redes do Minho, de nome Armando.
Em seguida, penálti. Não havia, em Eusébio, angústias nos momentos dos penáltis, como a do keeper de Peter Handke.
Eusébio corria para a bola, chutava e era golo. Mais simples era impossível!
Nessa tarde de Março chutou para o lado esquerdo enquanto Armando adivinhava o lado direito. Golo. Eu bem disse agora mesmo: mais simples era impossível!
Depois houve Simões. António Simões esgravulhando lá do lado esquerdo como um Gavroche. Finta corrida, passe milimétrico. Eusébio corre ao encontro da bola, adora a bola e quere-a junto aos pés à moda do cachorrinho de Nelson Rodrigues; odeia-a na violência com que a projecta na sequência dos seus remates explosivos.
A bola embaraça-se na rede. Golo. Mais um golo.
Benfica: 2-0!
Eusébio: 2-0!
O povo sorri nas bancadas vermelhas ao sol.
O sol vermelho. Sorrisos vermelhos. Tarde vermelha em flor no início da Primavera de mil novecentos e sessenta e sete.

E a fome...
A Pantera tinha fome. A Pantera Negra na tarde vermelha em flor. Primeiro um livre. Também não havia angústias para Eusébio no momento de um livre directo. Inclinava o corpo para a frente, começava por dar uns passinhos curtos, só para tomar balanço, e depois lançava-se no repente felino do golpe. A passada alargando. Rápida como o movimento dos tirantes de um locomotiva em pleno movimento. Imparável.
A bola, aí odiada, chutada com violência inaudita!
Um relâmpago? Um trovão? Eusébio explodia de pé direito no couro submisso. Um som que se ouvia lá longe, na linha do horizonte, mas não ali, no estádio cheio, gritos e incentivos, bandeirinhas esvoaçantes, almofadas-para-a-bola atiradas ao ar de chapéus nas touradas, talvez com Ricardo Chibanga fazendo festas no focinho do touro, o touro e o couro, o couro e o coro: vozes uníssonas, braços erguidos, um céu azul claro a prometer noites mais longas e a suavidade do pôr-do-sol.
Um dia alguém escreveu: 'Vocês julgam que os pores-do-sol trabalham de graça?'
Ainda faltava uma hora ou duas para que o Sol caísse nesse dia de Lisboa e Tejo e tudo.
A bola ia a meia altura, parecia uma pedra atrás de um pássaro. Tinha um alvo e não falharia esse alvo. Eusébio já se preparava para o salto alegre, o soco no ar. Bola entrando na baliza de Armando. Rimas soltas de um poema mágico. Profundamente Eusébio.
E mais e mais e mais.
3-0. Três vezes Eusébio.
Seriam quatro.
O drible pela direita, e a corrida. O galope, talvez seja mais correcto. A Pantera elástica, plástica, indomável.
Ninguém segurava a Pantera. Nem Armando nem sequer Sandokan de Mompracém, a ilha-que-desaparecia.
Galgando metros, suportando cargas, rasteiras, desembrulhando-se adversários. E a vontade sobre todas as vontades. Golo - quatro vezes golo.
A bola e as redes de novo juntas. Como a mão direita e a esquerda.
Eusébio no ar, voando. Voando como um Mercúrio negro de asas nos pés.
23 golos para Eusébio. 23 golos na jornada número 20.
Os adversários aterrados.
Março, começo de Primavera em tons de vermelho."

Afonso de Melo, in O Benfica

Balões com história

"Passados 49 anos, os balões de Costa Pereira contam histórias.

No dia em que se despediu dos relvados, a 11 de Outubro de 1967, Costa Pereira, um dos maiores guarda-redes portugueses e do Clube deixou um marco na história do Sport Lisboa e Benfica e na memória de muitos benfiquistas. Não só pelo facto da festa em sua homenagem ter sido pautada pela originalidade, mas também pela programação característica, pelas muitas prendas que foram oferecidas por miúdos e graúdos - recorde-se a curiosa oferta de um frango pelo seu filho - e, em especial, pela largada de balões comemorativos em pleno relvado do Estádio da Luz. A importância deste momento está, não na acção em si, mas na história que suporta o curioso legado documental que integra, hoje, o acervo do Clube: um conjunto de cartas manuscritas e reclamos.
De acordo com a imprensa da época, naquele dia foram largados três balões, com a seguinte inscrição: «Costa Pereira Agradece». Cada um dos balões era acompanhado de um pequeno reclamo que prometia 'lembranças' a quem os encontrasse e escrevesse ao Clube. Assim fez António Matos Júnior, um dos participantes: 'Como desportista e grande Benfiquista envio ao grande Costa Pereira um grande abraço de despedida desejando-lhe as maiores felicidades pela vida nova que tomar e iguais (glórias) como as que teve na vida que deixou'. Sem o saber, as suas palavras ficariam para sempre inscritas na história do SL Benfica.
Estes três reclamos chegaram até hoje acompanhados da respectiva carta manuscrita, pelo que é de estranhar... haver uma quarta carta. Terá havido um quarto balão lançado sem aviso ou teria escapado esta importante informação ao jornalista de O Benfica, que naquele dia cobria o evento?
Certo é que os balões voaram com 'chama viva', trazendo à memória um dos famosos slogans publicitários da marca patrocinadora do evento, Gazcidla. Uma das cartas foi enviada de Lisboa, outras de Alcanena, Sertã e um uma outra, ainda, testemunha a viagem de um dos balões até Viseu, a cerca de 290 Km.
Pode ficar a conhecer mais sobre a carreira de Costa Pereira e de outros jogadores do Clube na área 20 - Águias-Mores do Museu Benfica - Cosme Damião."

Milene Candeias, in O Benfica

"E eu pensei: ‘O Eusébio é o gajo que faz os golos. O Eusébio não está. Tenho de fazer mais qualquer coisa’"

"Bem, há vários clássicos dos quais me recordo.
Tive a felicidade de fazer muitos golos nos clássicos. Benfica-FC Porto e FC Porto-Benfica. Joguei imensos, ainda por cima. E marquei muitos golos para aquilo que era o meu perfil como jogador. Acho até que foi o clube contra o qual marquei mais golos – com a cabeça, com o pé, com tudo. 
Lembro-me de um, e esse ficou-me mesmo na memória, na Luz, em que fiz o golo de cabeça. Era uma coisa invulgar, apesar de ter marcado de cabeça a todos os grandes guarda-redes portugueses. É muito curioso, mas isso não é assim tão importante. O importante é que esse jogo foi determinante para o título e por outra coisa: o Eusébio estava magoado e não jogou.
Foi em 1972, um pouco antes de uma eliminatória com o Feyenoord, em que perdemos lá 1-0 e aqui demos 5-1. Entretanto, por acaso, até parti o braço. Outra coisa curiosa, porque assim não joguei num desses jogos. Mas estava numa grande forma. Há coisas que marcam e não vou aqui inventar nada. 
Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje, de um sentimento. A ausência do Eusébio fez-me sentir, como capitão de equipa, que tinha de fazer mais qualquer coisa para além de jogar bem – chegar à frente, fazer golo, ser mais atrevido na zona de finalização, essa coisa toda.
Recordo-me da pensar antes do jogo: “Como vamos ganhar isto se o Eusébio não está?”.
Não digo que o resto da equipa tenha sentido isso. Foi um sentimento interior, foi no meu silêncio. Não foi da equipa. E eu pensei: “O Eusébio é o gajo que faz os golos. O Eusébio não está. Tenho de fazer mais qualquer coisa”. E parece que alguém me protegeu e me deu inspiração para fazer esse golo, porque ganhámos 1-0. Esse foi o jogo que mais me marcou.
Claro que, depois, houve muitos outros: um 6-2 no final de uma Taça de Portugal [1964], em que também fiz um golo de cabeça, curiosamente; outro jogo para a Taça, na Luz [1962], em que ganhámos 3-1 e eu fiz dois golos; depois fomos às Antas ganhar por 2-1 e também diz um golo de cabeça [1963].
Quando me começo a lembrar dos clássicos, lembro-me que me aconteceu muitas vezes isto, mas sempre com o FC Porto. Mas diria que aquele 1-0 na Luz, com o estádio cheio, em que fiz o único golo, e de cabeça - é por isso que não esqueci."

Porque a ciência (também) ajuda muito o futebol

"Durante as minhas formações reforço que o que une todos os desportos colectivos é mais do que aquilo que os afasta. E afirmo desportos colectivos porque confesso que a minha curiosidade de trabalho é mais focada nos desportos colectivos do que nos individuais. E aquilo que une é o facto de nos desportos colectivos todos terem uma grande fatia de importância da liderança, dos dinâmicas e processos de grupo e dos liderados, da partilha, do alinhamento colectivo naquilo que são os resultados obtidos.
Por vezes leio algo em torno da ideia de que o futebol não é uma ciência. Creio que a grande maioria das pessoas que o afirma tem dois pontos de partida: teme que o cheiro de balneário ou a intuição que considera ser a principal razão na sua crença de se chegar à vitória seja um dia descredibilizado de modo simples; e tem dificuldade em perceber o que de facto é a ciência e acreditar que a ciência é conseguir criar uma receita para se chegar sempre ao objectivo de modo a ou b.
Existem vários campos da ciência que hoje permitem compreender e usufruir daquilo que é o espectáculo de que tanto gostamos. As ciências sociais permitem hoje aos clubes apurar melhor como criar as tais tribos tão importantes em qualquer marca que quer crescer e necessita de adeptos que estejam ligados aos clubes e até às selecções.
As ciências comportamentais permitem perceber melhor os comportamentos dos treinadores nos bancos, nas palestras, nos vídeos que são virais, exactamente porque existem bastantes pessoas interessadas em compreender os comportamentos e as reacções dos jogadores e dos treinadores que vencem mais vezes que todos os outros. Isso é ciência. As ciências da comunicação, que permitem que cada vez mais tenhamos acesso a ângulos do jogo e despertam a curiosidade quanto aos dados indicadores existentes. As ciências médicas e do desporto, que permitem que os jogadores e as equipas hoje trabalhem mais aprofundadamente alguns detalhes. Visualizar estatísticas e jogos com outras perspectivas. E poderíamos ficar aqui vários parágrafos.
A ciência é fundamental para compreender por que um Mourinho ou um Guardiola, um Ronaldo ou Messi (parece que o português funciona com este paradigma que temos de preferir um relativamente ao outro) são tão bons hoje. E sim, a ciência dá-nos pistas sobre o talento de Messi, o talento e o trabalho árduo de Ronaldo, sobre as técnicas de motivação dos dois treinadores. E certamente estes treinadores e todos os outros deveriam levar em linha de conta a ciência, quando decidem. Porque até a intuição acaba por estar estudada, motivo pelo qual existem pessoas que tomam melhores decisões por intuição do que outras. Vezes e vezes sem conta.
O que a ciência não faz é adivinhar. E não explica tudo. Mas é claramente uma ferramenta que tem o seu lugar no futebol e noutro qualquer desporto. E que não se trata de comparar e discutir se uma decisão sobre um recrutamento deve ser analisada por parâmetros matemáticos ou humanos. Uma ajuda e é criada pela outra."

Benfiquismo (CDXX)

Capitão...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Abril, mês de todos os perigos...

"O ministro da Educação e a ministra da Administração Interna não poderão fugir às responsabilidades se as coisas darem para o torto.

Abril, dores de cabeças, mil. No mês quatro de 2017 vão disputar-se os últimos clássicos da época em Portugal e o ambiente em torno dos três grandes está tenso, belicoso e rasteiro, multiplicando-se as insinuações, sem peso nem medida, numa feira de horrores como há muito não se via por cá.
Haverá dois planos em que importa agir, no sentido de minimizar danos e contribuir para que a pressão baixe: o primeiro tem a ver com a prevenção, o segundo com a acção. Por um lado, seria de bom tom retirar palco aos incendiários, criando filtros que impeçam a proliferação de ideias terroristas, susceptíveis de funcionar como rastilho de uma qualquer tragédia. Seria importante que os principais responsáveis dos clubes ajudassem à causa da pacificação, sob pena de poderem ficar com algum peso na consciência. Isso foi feito, devo referir, em anos anteriores, com o lançamento dos clássicos a ser cumprido dentro de padrões de normalidade, ou seja, falando-se essencialmente do que mais devia interessar, o futebol. Tenho fundadas dúvidas, contudo, que tal prática venha a ser adoptada, o que nos remete para o segundo plano, o da acção. Parece evidente que, depois do irresponsável apelo do líder dos Super Dragões à invasão da Luz, através da compra de ingressos em zonas não previstas para os adeptos do FC Porto, as forças de segurança deverão entrar em alerta máximo e garantir total segurança para todos os espectadores.
Tem havido pouco empenho do Governo na questão da segurança no futebol. A matéria é incómoda, por entendida como coisa do clubes, apenas vista numa lógica de facção, e isso, no deve e no haver, tem merecido um condescendente encolher de ombros de quem tem a tutela do fenómeno desportivo. Mas o ministro da Educação e a ministra da Administração Interna não poderão fugir a responsabilidades, se as coisas darem para o torto. Porque os sinais são preocupantes e aquilo que passa para a opinião pública é um desinteresse deveras preocupante.
Espero estar enganado e tudo isto que aqui escrevo não ser mais do que um exagero, fruto de um pessimismo militante. Mas, se a realidade como a vejo for mesmo assim, preocupante, e não houver medidas que acautelem o pior cenário, muita gente (com responsabilidades) terá de prestar contas.

ÁS
Fernando Santos
Embora Portugal deva preparar-se para a hipótese de ter de disputar o play-off de acesso ao Mundial-2018, a verdade é que, depois do desaire na Suíça, a Selecção Nacional tem-se exibido ao nível de um campeão europeu. Mérito do seleccionador, que tem sabido fazer passar a mensagem certa aos jogadores.

ÁS
Cristiano Ronaldo
Tempos houve em que se questionava o rendimento de Cristiano Ronaldo na Selecção Nacional, quando comparado com o que fazia no Real Madrid. Hoje, de quinas ao peito e com a braçadeira de capitão, o prodígio madeirense sente-se como peixe na água, regenerando-se para os embates que os merengues vão enfrentar...

ÁS
Vladimir Petkovic
A Suíça a revelar-se um competidor temível, capaz de obrigar Portugal a passar pela provação do play-off, a caminho do Mundial russo de 2018. A equipa liderada por Petkovic tem sabido ser competente, já venceu a turma lusitana em Basileia, foi ganhar à Hungria e, sem deslumbrar, mostra-se fiável como um relógio... suíço.

O nível a baixar. Onde é que isto vai parar?
«Esse senhor (Luís Filipe Vieira) nem na vida pessoal pode ter a cabeça tranquila, quanto mais no futebol...»
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting
Fazer alusões à vida privada para somar argumentos no âmbito profissional sempre foi um sinal claro de falta de carácter, próprio de quem não possui filtros morais que permitam estabelecer limites. Esta é uma verdade universal, aplicável a mais do que um protagonista no universo do futebol português. Bruno de Carvalho é apenas a mais recente aquisição desta lamentável estirpe.

Rumo à vitória
O Benfica conquistou a Taça de Portugal de basquetebol, com a fase final a ser mostrada ao país pela Bola TV. Foi um triunfo importante para os encarnados, numa altura em que não têm hipóteses de discutir o título no andebol, lutam arduamente com o FC Porto pela hegemonia no basquetebol, vêem SC Espinho questionar a superioridade no voleibol (onde pareciam claramente favoritos mas têm fraquejado) e nem no hóquei em patins, em função da oposição de Oliveirense e FC Porto, têm o título garantido. Época muito exigente!

'Cavallino' impõe a sua lei 'down under'
Começou a época de Fórmula 1 e a vitória da Ferrari na Austrália (grande notícia para todos os 'tifosi' do 'cavallino rampante', onde milito!) acabou por constituir uma surpresa, face ao favoritismo atribuído à Mercedes. No entanto, Sebastian Vettel fez a sua magia e a época fica em aberto, 'fast and furious'..."

José Manuel Delgado, in A Bola

As duas faces do nosso futebol

"O jogo da Selecção com a Hungria - já devidamente analisado a nível técnico - serviu para deixar à vista as duas faces do futebol português. A bonita, aquela que nos mostrou no relvado um campeão da Europa justíssimo, alicerçado numa equipa que junta a experiência dos mais velhos com a irreverência dos que começam agora a aparecer, coladas pelo talento do melhor jogador do Mundo, que por muito que a muitos custe é português e se chama Cristiano Ronaldo. Pena que na Luz tenha aparecido também a outra metade, a feia, aquela que nos faz pensar se merecemos de facto os artistas que nos brindam com noites como as de sábado - ou a de 10 de Julho de 2016.
O caso da claque é, convenhamos, desagradável. Trata-se, como perceberá se ler as primeiras páginas da edição de hoje, de um problema criado por uma situação não pensada pela FPF - mas que lhe deu algum jeito em França - e que está agora a ser, parece-nos, aproveitada por alguém para ganhar mais protagonismo do que aquele que merece. Mas o que se retira da confusão gerada pela presença de Fernando Madureira na Luz - e das supostas tentativas de agressão a Jaime Marta Soares - é que já nem a Selecção consegue unir aquilo que tantos fazem para os dias por dividir. O público está com a equipa, sim, mas há demasiada gente que já não consegue alhear-se da clubite aguda, mesmo quando em campo está aquele que devia ser o clube de todos os portugueses. Culpa dos adeptos? Não. Culpa de quem os quer assim: fanáticos, incapazes de pensarem por si. E quando isto já chega, de forma tão aberta, à Selecção, talvez seja hora de todos nos sentarmos a pensarmos se é este, de facto, o caminho que queremos para o nosso futebol..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

#Eusébio. A dor de Flora

"Ó Dona Flora, quantos anos tem?" Eusébio adorava espicaçar a esposa, sabia que ela se punha toda refilona quando ele a provocava. Ele não era perfeito, ela sabia-o bem, mas lá que tinha sentido de humor, tinha. Uma vez, a mulher vestiu umas calças cheias de lantejoulas e preparou-se para sair. Ele estava a ver um jogo na televisão, mas todo aquele brilho quase o cegou. "És capaz de me dizer onde é o espectáculo hoje?", atirou-lhe num sorriso trocista. Depois chamou as miúdas e fez delas suas cúmplices: "A vossa mãe vai dar um concerto e não fomos convidados." Era a sua forma de dizer que não gostava daquelas calças.
Flora cresceu a vê-lo jogar à bola descalço, com os pés em fogaréu, nas ruas da Mafalala, bairro pobre da periferia de Lourenço Marques, hoje Maputo. A mãe dele, a Dona Elisa, pedia ao rapaz que fosse fazer uns recados e ele esquecia-se de tudo e ficava ali a dar pontapés na bola de trapos, trocando as voltas aos mais graúdos. Chamavam-lhe o Magagaga, porque corria tão depressa que não havia quem o apanhasse. E chutava cá com uma força! Um dia fez um remate estourar na barriga de um guarda-redes e ele ficou ali, prostrado, a vomitar.
Um dia, Flora foi a Lisboa a um sarau de ginástica e a Dona Elisa pediu-lhe se podia levar uma encomenda ao seu menino: uma caixa com camarões, "que ele adorava". O rapaz crescera e fizera-se homem. Jogava no Benfica e na selecção portuguesa, brilhava em estádios de todo o mundo, vencera a Taça dos Campeões Europeus ao Real Madrid do seu ídolo Di Stéfano. A ele nada disso importava. Tinha tudo aquilo com que sonhara: ser jogador da bola.
Para o mundo ele era o "Pantera Negra", o "King", o fenómeno vindo de Moçambique que estava a caminho de se tornar o primeiro negro a ser considerado o melhor da Europa. A ela nada disso importava. Era o seu Eusébio. Ainda em miúdo, ele convenceu-se que um dia iria casar-se com ela. E, quando se casaram, ela percebeu que aquele homem, que viria a tornar-se uma lenda, não era só dela. Era de toda uma nação que o idolatrava, orgulhosa do talento dele.
50 anos não são 50 dias, são uma vida. Mas três anos, aqueles que passaram desde a morte dele, parecem a Flora três dias. A dor e a saudade não desaparecem, só aumentam. "Há dias em que penso que não é verdade o que aconteceu", confidenciou-me há duas semanas. Às vezes, quando está a ver televisão sozinha no sofá, ainda se vira para o lado e comenta algo com ele, como se ele ainda ali estivesse. Outras vezes, quando ouve a porta da rua bater, fica à espera de o ver entrar. A falta que ele lhe faz.
Depois do funeral, veio a transladação para o Panteão Nacional. E depois veio uma exposição, um musical, um filme que chegou esta semana às salas de cinema. Flora não sabe bem como lidar com tanta homenagem pública. Tudo nela é saudade, como num fado de Amália. Como é que se esquece alguém que se amou durante 50 anos? Quando o amor de uma vida parte, como se preenche o buraco que deixou?
"Olhe, é a vida!", dizem-lhe. E ela suspira, para não se enfurecer. Porque aquela dor que lhe despedaça o coração só ela a carrega. Se ao menos houvesse um comprimido para tratar tamanha tristeza."

Como é possível que este país seja campeão da Europa?

"Ainda é o Portugal do cada um por si, que de vez em quando se lembra que é um país.

Portugal é o país finalmente campeão da Europa, e bicampeão mundial e potência na formação. É aquele que deu dimensão a Eusébio, Chalana, Futre, Rui Costa, Figo e Ronaldo. O mesmo Portugal que se quer que continue a gerar génios desproporcionados dentro de fronteiras tão pequenas, e que prove que Saint Denis não foi obra de um remate carregado de fé de um patinho-feio, um herói mais-que-improvável a surgir no meio de uma praga de traças.´
É o país de Mourinho. De Leonardo Jardim, Marco Silva, Paulo Sousa, Paulo Fonseca e, reconheça-se, Jorge Jesus, aquele que mais impacto teve no jogo por cá nos últimos anos. Os técnicos portugueses são, como o último já repetiu inúmeras vezes, dos melhores do mundo. Só que, paradoxalmente, bate-se por cá o recorde das chicotadas. São vários os clubes que nomearam para o seu banco um terceiro treinador, que até pode já ter sido despedido de outro lado quase sempre por maus resultados – mas isso não interessa nada!
15 chicotadas, e não há dúvida de que este é o país da chibatada. Quem não gostaria de ser mosca em reuniões de direcção para ouvir as razões que inclinam para decidir por um e não por outro e, talvez – apenas talvez! –, ficássemos todos parvos com tudo isto. Está longe de ser o único, mas imagino que aqueles que despediram Inácio tenham acenado não com a cabeça quando saiu Ranieri. Decisões em cima do joelho, políticas desportivas elaboradas em cima do joelho, e a culpa nunca – nunca! – é de quem toma as decisões mais importantes.
Não surpreende. Falta-nos cultura desportiva. Falta-nos cultura desportiva para gerar melhores dirigentes. Falta-nos gostar do jogo para que o queiramos proteger. As chicotadas são apenas um dos lados do problema.
Este é um país que analisa o ranking da UEFA a pensar na contribuição dos seus clubes, e não nas consequências. Onde se festejam as derrotas dos rivais, mesmo que isso signifique perder uma equipa na Liga dos Campeões daí a dois anos.
Um Portugal em que se olha para a Secreção do ponto de vista do emblema de que se gosta e não da bandeira que se defende, contando jogadores formados dentro de portas nos onzes. Nos golos dos seus, na dependência dos seus. Em que se perseguem os dos outros sem qualquer nexo, em que se vê no insucesso desses novamente o sucesso dos seus. Inacreditável e vergonhoso o que aconteceu com Renato Sanches no passado.
É o país em que uma claque supostamente criada para apoiar a Selecção é escoltada pela polícia para dentro do estádio. Uma claque que, por não se limitar a ser aquilo que deveria ser, criou obviamente confusão. Portugal é, note-se, o país em que é olhado como necessário ter uma claque de apoio quando há mais de dez milhões para fazer jus à equipa de todos nós. Terá sido útil no Euro, admito, apesar do impagável esforço dos emigrantes, mas por cá, e por não ser abrangente, não passa de mais um foco de desestabilização.
Escrevi isto em tom de ironia numa rede social, mas será um pouco o que se passa: Portugal não sente verdadeiramente a sua seleção porque não há no dia seguinte nenhum apoiante do adversário com quem gozar. Ninguém para irritar, rebaixar, seja no trabalho, na escola ou no café. Apesar da Aldeia Global, ainda não chegámos a esse ponto.
Portugal é o país em que se queixam de que só se olha para os grandes e, à excepção de um ou outro, os restantes estádios estão vazios. Joga-se a maior parte das vezes à porta fechada, excepto quando os visitantes dos maiores os enchem.
Não é só um problema financeiro. O futebol não bebe a sua força das cidades, porque se gosta pouco de desporto, pouco de futebol. Gosta-se de ganhar no futebol, porque é a modalidade mais importante, e isso não é para todos.
É o país em que se fala da falta de competitividade, e ninguém tenta resolver o problema. A Liga quer ser competitiva, mas os grandes querem continuar grandes, maiores do que os outros. Logo, negociar por igual os direitos televisivos não é uma opção. Para mal dos pequenos, e da tal competitividade.
A projecção da Liga é medíocre. Os clubes fecharam os treinos; os jogadores não falam, não contam a sua história, são ocos, aparecem-nos à frente sem conteúdo. A afinidade que criam com os adeptos é cada vez menor. Os clubes têm medo do impacto do que pode dizer um jogador, mas depois cometem erros atrás de erros no que comunicam institucionalmente.
O produto-futebol não é protegido. A justiça é lenta e má, vive-se um clima de impunidade, que começa a um nível básico como as queixinhas.
Portugal é esse país de queixinhas à beira mar plantado.
Há queixinhas de uma ponta à outra do futebol português. Em todos os cantos, mas sobretudo nos mais repisados, de onde saem as vozes dos grandes. Não é de hoje, é desde que somos gente. 
Queixam-se de tudo e de mais alguma coisa. Muitas vezes uns dos outros, quando não é disso é dos árbitros. Dos seus, quando dá jeito, e os dos outros. Já quando são favorecidos não se gosta de falar deles. São os maiores, até que chega a altura em que têm de dar um murro na mesa porque quem não se sente não é filho de boa gente. E são todos, mas todos, iguais.
A queixa pode evoluir para algo mais profundo, e vêem a luz conceitos antigos como a verdade desportiva ou a preocupação pelo futuro do futebol português. Protesta-se por tudo e por nada, antecipam-se protestos, ameaçam-se protestos, protesta-se que os outros protestam. Não param nos árbitros, nada os trava. Vão mais acima, atiram-se aos tribunais desportivos. Depois, aos civis. Se não os ouvem, se não se lhes encontra razão no que defendem, há que meter o Governo nisso. O país que pare, se for preciso.
Chega o clássico e o ruído aumenta. Torna-se ensurdecedor. Um cenário digno de Twilight Zone. 
Temos todos de reaprender a gostar do jogo, incluindo, claro, nós jornalistas. Quando isso acontecer teremos, acredito, melhores dirigentes, que se preocuparão em ter um melhor produto, uma liga mais competitiva, mais adeptos nos estádios e provavelmente melhores jogadores. Os portugueses evoluirão com melhores estrangeiros e teremos ainda uma Selecção mais forte.
Mas ainda parece tudo demasiado longe.
Portugal é, ainda, o país do cada um por si, que de vez em quando se lembra que é um país. Já conseguiu ser campeão da Europa, falta merecê-lo fora de campo."


PS: Eu acrescentaria a forma cobarde como os jornalistas, metem tudo no mesmo saco... Como são incapazes de separar os Brunos Carvalhos desta vida, com por exemplo o último comunicado que o Benfica publicou... onde exigia tratamento igual para todos!!!!!!!
Misturar ataques mentirosos, misturar factos alternativos, misturar inclusive ataques à vida privada dos intervenientes, misturar aquilo que é dito em programas de televisão produzidos para o espectáculo, com comunicados institucionais dos clubes é ridículo...! 
E só acontece porque os jornaleiros querem... porque também lhes dá audiência!!!
Tal quando dão tempo de antena a criminosos condenados... dando-lhe supostamente credibilidade!

A lei 12 (parte II)

"Exploramos hoje a parte final da Lei 12, que como se recordarão, refere-se a faltas e incorrecções. 
Como referimos na semana passada (AQUI), nela cabem as definições técnicas e disciplinares da maioria das questões que são sancionadas no futebol.
Hoje olharemos, em particular, para aspectos de ordem disciplinar.
Primeira pergunta: os cartões servem para quê?
Bem, o amarelo para comunicar uma advertência (uma espécie de primeiro aviso ao jogador e à sua equipa) e o vermelho para informar que haverá expulsão.
Para que conste, apenas jogadores efectivos, substituídos ou suplentes podem "ver" cartões. Os técnicos não (recebem ordem de expulsão se tiverem claro comportamento irresponsável).
O poder disciplinar do árbitro começa desde que entra no terreno de jogo (para a sua inspecção inicial, antes do início da partida) até ao momento em que o abandona (após o apito final).
Se um qualquer jogador cometer uma acção passível de expulsão no momento em que o árbitro estiver a vistoriar as condições do terreno (por exemplo, se o ofender ou insultar), o árbitro deve impedi-lo de participar na partida (aí não mostra cartão, obviamente). É, digamos, um poder exercido pela autoridade que as leis de jogo lhe conferem. Aliás, desde que entra nas instalações até que as abandone, pode agir disciplinarmente em casos que justifiquem acção directa ou mera menção no seu relatório de jogo.
Falemos agora da lei da vantagem.
Sempre que o árbitro a conceda e a infracção tenha sido passível de advertência ou expulsão, o respectivo cartão será exibido na interrupção seguinte.
No entanto, a lei sugere (quase impõe) que a vantagem não deve ser aplicada em casos de falta grosseira ou conduta violenta (vermelho) ou em lances que originem uma segunda advertência, a menos que se trate de uma clara oportunidade de golo.
Todavia e neste caso, se o infractor que tiver de ser expulso, disputar entretanto a bola ou interferir com um adversário, o árbitro deve interrompido de imediato o jogo. A partida recomeçaria então com livre indirecto.
Agarrão "continuado"
Se um defensor começar a agarrar um adversário fora da sua área mas só o largar dentro, será punido com pontapé de penálti. Esta é a única excepção à regra, uma vez que todos os lances desta natureza devem ser punidos no início da acção.
Infracções passíveis de advertência (amarelo):
Retardar o recomeço de jogo; manifestar desacordo por palavras ou actos; entrar/reentrar deliberadamente ou sair do terreno de jogo sem autorização ou sair; não respeitar a distância nos pontapés de canto, nos livres ou lançamentos laterais; infringir com persistência; tornar-se culpado de comportamento anti-desportivo
Na questão do "comportamento anti-desportivo" cabem muitas situações.
Por exemplo, simular uma lesão ou fingir ser vítima de uma falta inexistente, cometer com negligência faltas passíveis de livre directo/penálti, cortar ataque prometedor do adversário, tentar marcar golo com a mão, etc.
Falemos agora de outro momento:
Celebração de golos
Os festejos são naturais e permitidos, desde não sejam excessivos ou que não conduzam a perdas deliberadas de tempo.
Ao celebrar um golo, um jogador será advertido se: trepar as vedações; fizer gestos provocatórios, inflamatórios ou de gozo; tirar a camisola ou cobrir a cabeça com ela; cobrir a cara com uma máscara ou algo parecido.
Outra nota agora:
Retardar recomeço jogo
Há várias formas de retardar intencionalmente o reinício de uma partida e todas são punidas com advertência.
Por exemplo, simular efectuar um lançamento lateral e de repente deixar a bola para um colega, demorar a sair do terreno numa substituição ou executar o livre num local errado para forçar o árbitro a ordenar a repetição, etc.
São muitas e requerem alguma inteligência (malandrice), mas os árbitros devem estar atentos e punir, com severidade, sem hesitar.
Falemos agora das infracções passíveis de expulsão
Impedir o adversário de marcar um golo ou anular clara oportunidade, tocando a bola com a mão; 
Anular clara oportunidade de golo, cometendo sobre o adversário uma infracção passível de livre directo ou penálti: aqui a excepção é quando a falta é cometida dentro da área e em que o defensor tente claramente jogar ou disputar a bola. Nesse caso, ele será apenas advertido, devido ao fim da chamada "tripla penalização".
Tornar-se culpado de falta grosseira (trata-se de qualquer infracção que ponha em perigo a integridade física de um adversário ou que envolva o uso de força excessiva ou brutalidade);
Tornar-se culpado de conduta violenta (é a agressão pura e simples: dá-se quando um jogador usa ou tenta usar força excessiva ou brutalidade sobre qualquer pessoa, independentemente da bola estar ou não em jogo);
Usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos ou grosseiros;
Receber segunda advertência no mesmo jogo.
Faltas cometidas lançando um objecto (ou a bola)
Se, com a bola em jogo, um jogador (ou suplente/substituído) atirar um objecto contra um adversário ou contra qualquer outra pessoa, o árbitro deve interromper a partida e adverti-lo (caso tenha cometido essa acção com negligência) ou expulsa-lo (se a praticou com força excessiva).
Como recomeça o jogo após qualquer falta ou incorrecção?
Se o jogo estiver já interrompido, recomeçará obviamente em conformidade (com o respectivo pontapé de baliza, canto, etc).
Mas se a bola estiver em jogo e a infracção for cometida no interior do terreno contra:
Um adversário: com livre indirecto, directo ou penalti (consoante a infracção);
Um colega, suplente, substituído, árbitro ou elemento oficial,com livre directo ou penálti;
Outra qualquer pessoa, com bola ao solo.
Agora outra variável da lei:
Infracções com a bola em jogo, em que o infractor comete a falta fora do terreno de jogo:
Se ele já estiver fora do terreno nesse momento, a partida deve recomeçar com bola ao solo;
Se o jogador sair deliberadamente do terreno para cometer a infracção, é punido com livre indirecto no local onde a bola se encontrava no momento da interrupção.
No entanto, se por acção de uma jogada disputada entre dois atletas e junto a uma linha, um jogador sair do terreno de jogo momentaneamente e aí cometer infracção, será punido com livre directo, indirecto ou penalti - conforme a gravidade da falta - sobre a linha mais próxima onde a infracção foi efectuada.
Poderá também ser punido com pontapé de penálti (se essa infracção era passível de ser punida desse modo e for cometida no exterior do terreno, mas já em zona enquadrada com a área de penálti). 
Quase a terminar. Notas finais:
Se um jogador atirar um objecto contra um adversário que esteja no terreno, será punido com livre directo ou penálti (depende do local em que o objecto atingiu ou atingiria o adversário).
Mas recomeçará com pontapé livre indirecto se um jogador, dentro do terreno, atirar um objecto contra qualquer pessoa que esteja no seu exterior.
Também recomeçará com livre indirecto se um suplente ou substituído lançar objecto contra um adversário que esteja dentro do terreno.
E fim de história.
Como referimos, a Lei 12 é extensa e complexa. Merece, de facto, cuidado muito especial.
Daqui nascem as sanções (técnicas e disciplinares) que regem todo o jogo. E isso não pode ser tomado de ânimo leve por árbitros, jogadores, treinadores, adeptos e universo do futebol em geral. 
Para a semana voltamos, com a Lei 13. Até breve."

Benfiquismo (CDXIX)

Preparados...!!!

domingo, 26 de março de 2017

22.ª Taça de Portugal

CAB Madeira 67 - 85 Benfica
22-27, 17-13, 18-30, 10-15

Tal como previ, jogo difícil... até que o cansaço dos dois prolongamentos de ontem, começou a afectar os Madeirenses! O CAB tem um 'cinco' forte, experiente, e que conhece muito bem a equipa do Benfica, já que muitos são ex-Benfica...!!!
O Benfica voltou a gerir bem o plantel, com nenhum jogador a chegar aos 30 minutos... algo que devíamos fazer mais vezes, mesmo quando não temos calendários menos 'apertados'!!!
Justíssimo o prémio MVP para o Carlos Morais que esteve muito bem nestes 3 jogos...

Vitória em Turquel...

Turquel 4 - 6 Benfica

Depois da vitória no prolongamento na Taça a semana passada, novo jogo em Turquel, este com uma história bem diferente, com o Benfica a marcar cedo... e a conseguir controlar a vantagem, apesar de mais uma arbitragem inacreditável!!!
Nos últimos minutos com 2-6 acabámos por facilitar um pouco, mas a vitória nunca esteve em causa! Agora, ao desperdiçar algumas bolas paradas nos últimos minutos, demos esperança ao adversário... mais uma vez!!!

A substituição do Trabal foi 'estranha', não sei se foi opção, ou lesão... o Diogo até tem vindo a ganhar confiança, mas não é a mesma coisa! Gostei de ver o Sardo a jogar, com minutos 'válidos'!!!

Vai realmente ser uma ponta final de campeonato complicada, com os apitos a não darem descanso, mas hoje a equipa mostrou que a melhor maneira de reagir aos 'empurrões' é com golos!!!!!!

A PorkosTV tem uma linha editorial conhecida, no futebol e nas modalidades, a RTP é uma vergonha... a BolaTV nas modalidades é das coisinhas mais deprimentes de tanta azia anti-Benfica!!! Sendo assim a TVI24 não quis ficar atrás... Bruno Ferreira ficou conhecido com os relatos histéricos do ciclismo e da Copa América, mas quando o Benfica joga, não consegue ser imparcial!!!
Extraordinário, como hoje, conseguiu passar o tempo todo, com o comentador azul-corrupto, a insinuar que os árbitros 'ajudaram' o Benfica!!!! Eu até admito que também houve erros a favor do Benfica, agora considerar que o Benfica foi beneficiado...!!! Não há mesmo vergonha...!!!

Derrota na Terceira...

Fonte do Bastardo 3 - 2 Benfica
19-25, 22-25, 25-22, 25-19, 15-12


Depois de uma fase regular 100% vitoriosa, uma derrota no primeiro jogo dos play-off's... ainda por cima depois de uma vantagem de 2-0 !!!
Continuo a acreditar plenamente na vitória do Benfica nesta eliminatória (temos dois jogos na Luz para dar a volta...), mas a ausência do Honoré continua a ser fatal... juntando-se hoje, a ausência do André Lopes!

Benfiquismo (CDXVIII)

A nossa Catedral...

sábado, 25 de março de 2017

Em grande na Europa!!!

Benfica 26 - 24 Melsungen
(12-14)

Depois da desilusão de terça-feira, mais um grande resultado na Europa! Não é todos os dias que se vence uma equipa da Liga Alemã...!!! O mais incrível, é que mesmo com esta vitória, ainda não garantimos a passagem aos Quartos-de-final da Taça EHF...

Ganhámos o jogo na defesa, principalmente no 2.º tempo (sofremos só 10 golos), com o Figueira mais uma vez em grande... e com o Cavalcanti e o Moreno em grande... conseguindo inclusive 'esquecer' o Ales na defesa!

PS: Em Gijón, as nossas meninas do Hóquei, não conseguiram derrotar as adversárias, na primeira meia-final da Final 4, da Liga Europeia (Champions). Perdemos 4-3 (Rita Lopes(2), Rute Lopes), no prolongamento, num jogo onde tivemos sempre em desvantagem, mas fomos conseguido empatar... mas o prolongamento com morte súbita, foi fatal...
Duas notas: a falta de competitividade interna é prejudicial nestes jogos...; e a falta de profundidade no banco, para jogos deste nível, foi determinante num prolongamento!

No bom caminho...

Benfica 81 - 60 Guimarães
26-13, 18-12, 20-22, 17-13

Mais um jogo bem 'gerido'... com o prolongamento ontem no Oliveirense-Guimarães, o nosso favoritismo aumentou, dificilmente o Vitória iria conseguir aguentar a rotação do Benfica... Aliás, hoje, na outra meia-final, o Galitos-CAB também foi decidido no prolongamento... sendo assim, o Benfica é ainda mais favorito na final de amanhã contra o CAB Madeira!
Nestas Finais 8, com muitos jogos, em poucos dias, o Benfica beneficia da maior profundidade do plantel, sendo assim, amanhã, espera-se mais uma Taça a caminho da Luz! Dito isto, o CAB tem um 5 inicial muito forte, com vários ex-Benfica...

"Em causa a verdade desportiva"

"Esta semana infelizmente estamos a assistir a mais episódios, sobre os quais não podemos esconder a nossa indignação.
No início da semana emitimos um comunicado a chamar a atenção para a necessidade que a justiça desportiva seja igual para todos, porque como todos reconhecem só vemos a justiça célere e penalizadora com o Benfica. Lenta e complacente para outros.
Benfica que se distingue pela postura mais construtiva, sóbria e correta.
E quando assistimos a uma invasão de um centro de treinos dos árbitros, ameaças, coação, insultos públicos quase diários, nada acontece. Não se conhece uma única decisão, com excepção daquelas que dizem respeito ao Benfica.
É como que uma espécie de apagão. 
E depois ainda nos abrem mais um processo em tempo recorde.
Mais um processo, por aqueles que com base numa breve noticia do jornal Record, sobre um desabafo em ambiente privado do nosso presidente, decidiram logo abrir uma investigação. Mas agora, perante uma notícia com chamada de capa do mesmo jornal, sobre uma suposta interpelação no intervalo de um jogo sobre a equipa de arbitragem e o treinador da equipa adversária, por parte de um outro presidente, nada fazem como se nada tivesse existido ou existissem.
E ainda esta manha lemos no jornal a Bola que o processo que envolve aquele famoso incidente no túnel entre dois presidentes não deve ser fechado ainda esta época. Mas que vergonha é esta.
Na continuidade, aliás, dos processos – que curiosamente envolvem o mesmo clube e que permanecem sem decisão desde a época passada – perdidos nos confins da comissão instrutória da Liga - com o risco de serem decididos nas férias? Isto é admissível?
E torna-se insustentável disfarçar mais e Pedro Proença tem que assumir responsabilidades porque com estes adiamentos sucessivos se prova que os processos quando chegam à comissão instrutória da Liga que envolvem os nossos rivais ficam congelados.
Aliás, com esta notícia de hoje o Benfica fica ainda mais preocupado porque parece que na Liga os processos andam a carvão enquanto na Federação andam a gasolina de última geração.
A Liga, tão célere em decidir e penalizar com multas os clubes, quando se trata de ser célere e eficaz a decidir na justiça desportiva paralisa e nada funciona.
É por tudo isto que se fala em dualidade de critérios!
Mas a falta de bom senso das nossas instituições que gerem o futebol não fica por aqui, como se justifica ver premiar quem se notabiliza em ameaçar, insultar, pressionar árbitros e jornalistas e ainda esta semana se gabar de actos ilegais como a compra de bilhetes de sócios de um clube rival, apareça agora publicamente como o líder da claque da selecção nacional?
Quem deviam pugnar pela justiça e protecção dos árbitros premeia quem diariamente de forma directa ou nas redes os insulta e ameaça? Este estado de coisas tem que acabar em nome da credibilidade do futebol português.
Caros benfiquistas,
É por este conjunto de situações, que ontem decidimos - desejando a melhor sorte à selecção de todos nós para o jogo de hoje no nosso Estádio - que nenhum dos elementos dos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica esteja presente no jogo de logo e solicitar reuniões ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol e presidente da Liga Profissional de Futebol para análise da actual situação do futebol português.
Nós queremos acreditar na justiça desportiva e nos órgãos disciplinares. Mas parece evidente que, para isso, terão que existir alterações legislativas que tornem os regulamentos mais simples, eficazes e claros na sua aplicação e que imponham aos órgãos disciplinares a celeridade que se deseja e é necessária para a credibilização das competições e da própria justiça desportiva.
O poder de regulamentar e disciplinar está confiado à Liga e à Federação, mas se não forem exercidos de forma a salvaguardar eficazmente o respeito pelo bom nome, reputação e honra dos clubes e agentes desportivos e bem assim da integridade das competições, não deixaremos de apelar à intervenção do governo.
Como está é que não é possível continuar porque coloca em causa a verdade desportiva.
E fiquem certos que o Benfica continuará a denunciar todos os factos que criminal e desportivamente sejam censuráveis. Mesmo que isso cause incómodo a alguns agentes desportivos e coloque em causa a sua estratégia.
Gostaria de terminar, a lembrar que somos uma família unida e orgulhosa da nossa história. E que cada dia estamos mais fortes e com os olhos postos no futuro.
Com o empenho de todos, Sócios, adeptos, simpatizantes, dirigentes, atletas e funcionários, tudo faremos para que as vitórias continuem a fazer parte do nosso ADN. Hoje temos mais um motivo de orgulho com esta inauguração da nossa nova Casa do Benfica de Abrantes. 
Porque vocês merecem.
Viva o Benfica!"

A equipa das esquinas

" 'O grupo contará (hoje), no Estádio da Luz, com elementos de algumas das principais claques legalizadas, sendo liderado por Fernando Madureira, dos Super Dragões. O apoio tem sido constante desde o Campeonato da Europa e foi tornado por iniciativa do departamento de marketing da Federação Portuguesa de Futebol', in 'O Jogo', 24 de Março de 2017
Por ocasião do Campeonato da Europa, o do Éder, e por via da leitura de umas quantas notícias nos jornais, instalou-se, no último verão, a suspeita de que os serviços dos Super Dragões à causa patriótica incluíam o comércio de bilhetes para os jogos da Selecção, insinuação torpe nunca desmentida pelos serviços competentes da Federação Portuguesa de Futebol. Isto, sendo lamentável não bastará para justificar o silêncio do Conselho de Disciplina da FPF e a aparente inoperância do órgão disciplinador perante a suspeita de que os mesmos serviços da mesma claque incluíram no seu rol de actividades patrióticas a invasão, no último inverno, do centro de treinos dos árbitros, na Maia, Já vai para três meses.
Para a moral vigente, sem dúvida que tem mais valor ameaçar cidadãos nos seus locais de trabalho do que em esquinas esconsas das nossas cidades e lugarejos. Por mania de embirrar, tudo leva a crer que terá sido esta, entre outras delongas do âmbito disciplinar, a razão pela qual o Benfica, apesar de ter sido convidado, não se fez representar na gala das Quinas de Ouro o que logo lhe valeu mais um processo, não por ter faltado mas pela justificação retórica com que explicou a sua ausência. Foi, na realidade, grande falta de respeito do Benfica pela macacal figura que voltará esta noite ao Estádio da Luz na farpela de convidado de honra pela FPF - contratado não será, certamente, pois não? - para demonstrar ao vasto público presente nas bancadas como se puxa pela Selecção, essa arte dificílima de levar a cabo já que aquele futebolzinho de Cristiano Ronaldo & companhia, na realidade, não entusiasma ninguém.
Está de parabéns, portanto, o departamento de marketing da Federação Portuguesa de Futebol que, depois de leitura atenta de autobiografia do líder dos Super Dragões, entendeu ser ele a figura recomendável para consubstanciar os valores da Pátria no apoio à Selecção. Viva, portanto, a equipa das esquinas mais o departamento de marketing! Longa vida, também, no Conselho de Disciplina!
E, já agora, ainda haverá bilhetes?"

Benfiquismo (CDXVII)

Golo