Últimas indefectivações

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A questão da lavandaria do Sporting

"Nestas coisas do futebol, quem tem razão, quem é esperto, genial, quem é visionário, é quem ganha campeonatos.

VAI ser um defeso como há muito não se via. Teremos, já temos, uma pausa de verão intensamente marcada pelo renascer furioso da rivalidade entre os dois clubes grandes da cidade de Lisboa.
Tudo porque Jorge Jesus optou por dar um rumo novo à sua carreira.
Não terá sido grande o passo. Na verdade, bastou-lhe atravessar uma rua para mudar de patrão e para deixar perplexos os adeptos do Benfica.
E, como não podia deixar de acontecer, para deixar eufóricos os adeptos do clube rival. Assim como uma plêiade, não menos eufórica, de comentadores imparciais da cabeça aos pés para quem o novo treinador do Sporting ganhou, de um dia para o outro, qualidades humanas e morais jamais adivinháveis nos seis anos em que foi treinador do Benfica.
Tudo tem a sua medida. A quase nenhuma visibilidade do campeonato português não fez correr esta notícia em rodapé nos noticiários da CNN e de outras estações de televisão estrangeiras mas em Portugal não se fala noutra coisa, obviamente.
A rivalidade entre Benfica e Sporting é centenária e alimenta-se destes pormenores. À míngua de títulos, o Sporting tinha de fazer qualquer coisa e fez. Levou-nos o treinador e quer levar-nos jogadores. O ataque ao património material poderá ser melhor ou pior sucedido em termos práticos, já quanto ao património imaterial não vão ter sorte nenhuma.
Não há Carrega, Benfica! que se transmute em Carrega, Outra Coisa Qualquer!, por mais invejável que seja - e é mesmo - o grito popular e genuíno da nossa gente.

DIARIAMENTE, os jornais vão-nos agora dando conta do assolapado romance entre o novo treinador do Sporting e o seu presidente, fascinado por ter perto alguém que percebe quase tanto de futebol como ele. 
Agências de comunicação contratadas vão passando, diligentemente, para a opinião pública através da imprensa o quanto Jesus tem impressionado Bruno de Carvalho com o seu conhecimento dos mais ínfimos pormenores no que respeita ao funcionamento e ao recheio da Academia de Alcochete.
O presidente está encantado porque o novo treinador sabe tudo. Até sabe de cor e salteado o número de calçado de toda a equipa B do Sporting.
Um dia destes, é mais do que certo, ainda ouviremos Bruno de Carvalho repetir as palavras míticas com que a não menos estarrecida tia do Vasco Santana celebrou o êxito do sobrinho no exame final do curso de medicina no filme A Canção de Lisboa:
- Ele até sabe o que é o esterno cleidomastóideo!
E sabe mesmo.
Voltemos à materialidade desta imortal rivalidade histórica entre os dois grandes clubes de Lisboa.
As últimas notícias são amplamente favoráveis ao Benfica. De acordo com os dados divulgados pela empresa GFK/CAEM, que mede as audiências televisivas, a final da Taça da Liga disputada entre o Benfica e o Marítimo bateu de largo a final da Taça de Portugal disputada entre o Sporting e o Sporting de Braga.
O resultado foi de 1.890.500 contra 1.634.00 espectadores. Ganhou a Taça da Liga.
O que não deixa de ser um dado material curioso porque a Taça de Portugal, para todos os efeitos, é uma competição muitíssimo mais importante e sonante do que a Taça da Liga.
Com o novo treinador do Sporting ao comando, o Benfica venceu 5 edições da Taça da Liga. Pode-se dizer, com toda a propriedade, que a Taça da Liga é realmente a competição-fétiche de Jorge Jesus.
E, por isso mesmo, não é atrevimento prognosticar que as próximas 5 Taças da Liga vão acabar impantes na sala de troféus de Alvalade.
Paciência.
- Adeus Taça da Liga! - aproveito e despeço-me já de ti.

COM todos estes acontecimentos fracturantes a preencher a agenda dos noticiários e das vidas familiares, há temas menores da nossa vida em sociedade que foram ficando para trás e que arriscam o completo olvido se ninguém os puxar à tona.
Eis um deles:
- O inquérito do Ministério da Administração Interna ao comportamento do sub-comandante da PSP de Guimarães que agrediu um cidadão à vista dos filhos e do avô dos filhos já produziu algum tipo de conclusão ou será que considera o Estado português o facto das crianças terem sido convidadas para a festa do título no Estádio da Luz como ressarcimento suficiente para as vítimas e como reposição do bom aspecto geral?

O presidente do Benfica afirmou-se publicamente «desiludido» mas «não surpreendido» com a saída de Jorge Jesus para Alvalade. E sobre o assunto mais nada disse. Assenta-lhe bem o laconismo nesta altura do campeonato precisamente porque não há campeonato nesta altura.
Quando houver campeonato será outra loiça. Num passado recente, correu mal a história ao Benfica sempre que deixou ir embora os seus últimos treinadores campeões. A sucessão de Toni em 1994 e a sucessão de Giovanni Trapattoni em 2005 redundaram em retumbantes fracassos e nenhum destes treinadores saiu da Luz para se ir enfiar na casa de um rival, o que aumenta os factores de risco.
Nestas coisas do futebol, quem tem razão, quem é esperto, quem é visionário é quem vence.
O presidente do Benfica continuará pela vida fora a ser muito elogiado por ter prolongado o contrato com Jesus no fim da temporada funesta de 2012/2013 - em que o Benfica perdeu tudo em duas semanas - pela razão simples de o Benfica ter, depois disso, ganho dois campeonatos consecutivos com o mesmo treinador que uma parte significativa dos adeptos queria ver pela porta fora.
A genialidade dos presidentes constrói-se de vitórias.
Vieira, que não segurou Jesus como se impunha para muita gente que só quer o bem do clube, corre o risco de voltar a ser genial se o Benfica, comandado seja por quem for, vencer o próximo campeonato.
E se, no próximo dia 9 de Agosto, o Benfica derrotar o Sporting na decisão da Supertaça também Vieira será genial pelo menos até à primeira jornada do campeonato. Depois logo se verá...
Mas uma eventual derrota na Supertaça colocará o presidente do Benfica em maus lençóis perante os adeptos no arranque da temporada. Já uma eventual derrota no campeonato fará com que lhe chamem de tudo menos de genial lá para Maio de 2016.
O presidente do Benfica estará, certamente, preparado para se confrontar com qualquer uma destas possíveis situações - ou é genial ou antes pelo contrário -, sendo que a segunda é bem mais desagradável do que a primeira a que já estava acostumado.
E nós também.

NO passado fim-de-semana, o segundo jogo dos play-offs do campeonato de futsal foi disputado sob um calor insuportável no pavilhão da Luz.
Chamou-me a atenção um amigo para o facto, indesmentível, de o treinador do Sporting, suando em bica como todos os presentes, nunca ter despido o casaco do traje oficial para se aliviar do sufoco em mangas de camisa.
- Está com medo de ser despedido - foi a conclusão a que chegou.
Tudo isto porque a acusação do gabinete jurídico do Sporting a Marco Silva refere que o treinador ao não usar o fato completo e oficial do clube no jogo com o Vizela para a Taça de Portugal desrespeitou gravemente o regulamento interno o que configura motivo de justa causa para a rescisão unilateral do seu contrato.
Este será, porventura, o argumento mais exótico que ressalta das 400 páginas da acusação a Marco Silva. 
Veio depois a saber-se que o Sporting só forneceu a Marco Silva um fato completo para a época inteira - estava-se ainda no tempo das bifanas - e que o treinador só se apresentou em Vizela com roupa de treino porque a lavandaria de Alvalade demorou a devolver-lhe o seu único fato oficial limpinho, limpinho, limpinho como mandam as regras.
Bem me queria parecer que, neste Sporting, as grandes questões são de lavandaria."

Leonor Pinhão, in A Bola

Ainda a transferência

"1. O treinador do Benfica está em merecido gozo de férias, depois do bicampeonato. No seu ainda clube (que lhe paga até 30/6), já não há contactos, a não ser os convites para cativar outros empregados a ir com ele para o SCP. Já neste clube, o trabalho não pára, mesmo em férias. No mundo à parte que é o futebol (com ou sem fairplay) esta é a prática, bem sei. Acontece que, neste caso, a transumância faz-se num contexto e ambiente de todo inabituais. J. Jesus saberá todos os 'segredos de fabrico' do Benfica e detalhes do planeamento da nova época. Algum cuidado e atenção para com a ainda sua entidade patronal seriam sensatos e justos. Pelo menos por respeito aos sócios e simpatizantes do SLB a quem JJ pediu sempre um apoio incondicional.
2. Esta mudança, de que tenho pena, mas respeito, faz-me lembrar o que já aconteceu no sistema bancário com toda a 'normalidade': presidente do Banco A mudando, de um dia para o outro, para o Banco B, Governador do B. Portugal a passar fulminantemente de supervisor para banco supervisionado e vice-versa. Lamentável e só possível num país onde as regras éticas andam pelas ruas da amargura.
3. Aliviado fiquei por um redundante 'consultor motivacional' e muito bem pago ter acompanhado Jesus para Alvalade. Qualquer atleta do Benfica ou está motivado pela possibilidade de jogar lá, ou então não há consultor motivacional (nome curioso e evidentemente abrasileirado) que o motive.
4. Lamentável, o 'revisionismo estalinista' subjacente à ideia peregrina de tirar JJ da fotografia dos campeões 2014/15. Como disse Aristóteles, o passado é tão exacto que nem Deus o pode apagar..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Os colunistas e comentadores Benfiquistas são muitas vezes criticados por falta de preparação, quando opinam sobre os diversos temas envolvendo o Benfica. Bagão Félix, até costuma ser dos menos 'ingénuos' que andam por aí... mas hoje, infelizmente, deixou-se levar pela onda de 'indignação' na polémica sobre a foto (que afinal não é foto) retirada da montra da Megastore do Benfica, no Estádio. Situação que ainda ontem no Lanças Apontadas o João Guilherme, o João Tomaz, e Pedro Ferreira e o Ricardo Palcim, souberam contextualizar...
A forma como um não-assunto nasce em volta do Benfica, e rapidamente ganha relevância de 1.ªs páginas de pasquins, e dezenas de minutos nas televisões, é algo quase sobrenatural (não é bem obra do além, mas pronto...)!!!

A demissão

" «Oh Erlestina, vamos embora, que isto foi tudo uma grande aldravice!»
Canção de Lisboa, filme de 1933

«Que triste sina ver-me assim, que sorte vil, degradante». Vasco Santana cantava sobre ele próprio, ou sobre Vasco Leitão, o Vasquinho da Anatomia, mas aqueles dois versos aplicam-se na perfeição à FIFA. Quem a viu e quem a vê. As suspeitas há muito existiam, mas poucos anteciparam que a obscuridade do organismo que rege o futebol mundial fosse posta a nu nesta podridão de corrupção com consequências criminais para muitas das suas maiores figuras - senão todas...
Que a FIFA é uma organização pouco democrática não havia muitas dúvidas. Mas aquela acusação que é regularmente feitas aos jornalistas, de que sabem muitas coisas e não as escrevem, é injusta. Era claro que havia troca de favores, benefícios a países menos favorecidos e aos dirigentes desses países, mais influenciáveis com o luxo de Congressos e Mundiais, que quereriam manter o status quo a toda a força. Na verdade, algo não muito diferente do que Platini fez com o Leste europeu para garantir a sua eleição na UEFA. A fronteira entre o desenvolvimento do futebol onde mais é necessário e os favores em troca de votos é ténue. A coisa parece interesseira, não mais que isso. Muito pior já se viu no Comité Olímpico Internacional.
Desses jogo sujo à corrupção o passo não parece muito grande mas é decisivo, e pouco gente poderia garantir que ele tinha sido dado. Até agora. Agora, é mesmo caso para dizer, como a espectadora ofendida depois de António Silva premiar a filha Beatriz Costa, «vamos embora que isto é tudo uma grande aldravice».
Blatter vai embora, sim. Mas com tempo suficiente para destruir documentos e tentar escolher sucessor."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

À justa...

Portugal 2 - 1 Nova Zelândia

O mais importante era a qualificação para os Quartos-de-final e isso foi conseguido, mas quem esperava uma goleada contra a frágil Nova Zelândia ficou desiludido, e foi mesmo preciso uma jogada individual do Gelson perto do fim, para carimbar a vitória...!!!
A 1.ª parte até não foi má, criámos algumas oportunidades, mas deu sempre a sensação que faltava 'corpos' perto da área... O grande golo do Guzzo acabou por fazer a diferença... No 2.º tempo, fomos menos agressivos, e perdemos o controle do meio-campo... com o empate a não ser uma surpresa. Só quando o Hélio substitui o Guzzo pelo Estrela, voltámos a controlar o jogo, mas mesmo assim a Nova Zelândia defendia com muita gente perto da área, foi preciso uma trivela de longa distância para seguir em frente...!!!

O João Nunes voltou a jogar bem, pessoalmente estou agradavelmente surpreendido com a evolução do nosso jovem Central... O Guzzo marcou um excelente golo, mas quando o jogo ficou 'partido' no meio-campo, não ajudou o Tomás como devia!!! Num Benfica com 2 médios, o Guzzo terá que ter mais intensidade defensiva. O Guedes voltou a titularidade, mas andou um bocado escondido... Estranhei o facto do Nuno Santos não ter saído do banco, tem estado muito melhor que o Ivo...
Nota ainda para o Rony, que fez talvez o seu melhor jogo, mesmo assim abaixo do normal... e o Estrela que foi importante nos últimos minutos, para equilibrar o nosso jogo.

Vamos defrontar o Brasil nos Quartos-de-final. No último particular antes do Mundial, na Austrália, perdemos 0-1 com os Brasileiros. Daquilo que tenho visto nos resumos, este Brasil não é nenhum papão... Hoje, venceram o Uruguai nos penalty's após um 0-0, e na fase de grupos, precisaram de um empurrão dos apitadores para seguirem em frente... Mas a estatística não é favorável a Portugal, vamos ter que ser mais eficientes, quando chegarmos à área Brasileira...

Uma nota final para o Mukhtar, que voltou a estar em evidência na selecção Alemã, que venceu por 1-0 a Nigéria, participando em quase todas as jogadas perigosas da sua selecção...


Júlio César...

André Almeida...

Hélder...

O treinador de todos os Benfiquistas

É oficial, Rui Vitória é treinador do Benfica. A partir de agora é o nosso treinador... Ser treinador do Benfica não é fácil, o facto do Rui ter aguentado 4 anos em Guimarães, é bom sinal, pois são poucos (ou nenhuns) que por lá ficam tanto tempo...
A minha preocupação neste momento, nem é a avalanche de contratações anunciadas (esta noite foi um fartote!!!), é perceber como é que o Rui Vitória vai tentar pôr a equipa a jogar... mas isso, agora, só em Julho!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ego

A poucas horas da apresentação do próximo treinador do Benfica, e já com a poeira a assentar, acho importante deixar para memória futura a minha interpretação dos factos, que foram tornados públicos - às migalhas... -, sobre a não renovação do contrato, do nosso ex-treinador, para a partir de amanhã deixar este assunto morrer...
Como é normal nestas circunstâncias a contra-informação, as afirmações fora de contexto, as fontes imaginadas, os interesses mais escuros ou mais claros, acabam sempre por atrapalhar uma visão límpida destes assuntos... E curiosamente, já li e ouvi tantos comentários, mas ainda ninguém defendeu aquilo que eu penso ter acontecido!!!

A decisão de Jesus ir para o Sporting foi tomada à bastante tempo, em Janeiro já andavam a jantar juntos (na semana no Paços-Benfica...), as garantias bancárias de 23 milhões de euros não se arranjaram de momento para o outro (18+5).
Em todas as intervenções públicas, Jesus, afirmou sempre que a renovação seria tratada após o fim do Campeonato, nunca antes. Não foi o Presidente do Benfica, que por opção estratégica deixou a renovação para a última...
Insinuar que foi o Benfica a empurrar Jesus para fora do Benfica é parvo. O Benfica ofereceu-lhe um contrato igual ao anterior... algo que o Luís Filipe Vieira confirmou sempre nas entrevistas que concedeu, no último ano.
Insinuar que o Vieira 'empurrou' o Jesus para o PSG (ou o Inter ou Milan, ou o Marselha ou o Nápoles...) é ridículo. Pelo que sei Vieira é Presidente do Benfica, e não tem qualquer influência sobre as escolhas de treinadores dos outros Clubes. 
Foi o próprio Jesus, que nunca perdeu a oportunidade, de publicamente, anunciar a sua ambição de treinar um grande Clube Europeu... O Jorge Mendes não andou a tentar encontrar um Clube no estrangeiro para Jesus por auto-recriação, obviamente Jorge Jesus estava informado das negociações...
Nas primeiras horas, após a confirmação da saída, parecia que o ordenado do Jesus iria ser muito maior. Será de facto mais alto, mas a diferença, nem é assim tão grande... Portanto, não acredito que o dinheiro tenha sido o factor decisivo...

Como a história do clube do coração, é só uma estória da carochinha, sobra somente uma alternativa:
Jesus saiu do Benfica para o Sporting, porque quer provar à saciedade que os títulos que o Benfica conquistou nos últimos 6 anos, são da sua exclusiva responsabilidade. Não foi o Presidente, não foi a estrutura, não foram os adeptos, nem foram os jogadores.. o único responsável pelas vitórias, foi ele... o Ego dele, assim o obriga a pensar.
Assim, se ele triunfar no Sporting, 'acaba' com esta discussão... Será ele o alquimista, que irá transformar os jogadores reles, em estrelas galácticas, será ele que irá construir uma estrutura ganhadora num clube habituado a perder...!!!
Tendo também um excelente álibi se as cosias correrem mal: a estrutura 'amadora' Lagarta, o ADN derrotista Lagarto...
Tenho a certeza que em caso de insucesso, a culpa, seguramente, não será dele!!!

Como consequência destes actos, os jornaleiros e cumentadores vão 'vender', a próxima época, como uma guerra Vieira/Jesus (não sei o Brunão vai gostar!!!), mas isto é uma consequência... Vieira não causou a cisão, mas vai entrar na 'guerra' mesmo que não tenha sido ele a provocá-la.
Depois de 5 épocas, onde Jesus chantageou constantemente Vieira com potenciais ofertas para Clubes rivais, ou para o estrangeiro (na altura não acreditei em alguns destes rumores, mas agora acredito... até o Godinho!!!), talvez esta época, Vieira, sabendo que nenhum daqueles Clubes 'grandes' Europeus lhe iam oferecer contrato, jogou na expectativa que Jesus iria ficar na mesma (e nunca acreditou no aparecimento dos 'amigos' esverdeados do ex-BES...!!!) Correu-lhe mal a estratégia, mas não foi o Presidente, a provocar a tal 'guerra' que os jornaleiros vão devorar!!!

Independentemente de tudo isto, existem outros dois pormenores que tem passado entre os pingos da chuva.
- Jesus sabia com bastante antecedência que ia para o Sporting, mesmo assim foi preparando a próxima época no Benfica, com contratações, observações, estágios, e jogos de preparação na agenda...
- Depois de Vieira nas duas anteriores renovações ter 'segurado' Jesus, sem corte salarial, apesar dos objectivos não terem sido cumpridos (na 2.ª vez, tínhamos perdido o Campeonato nos últimos 3 anos...!!!).
Agora, em tempo de 'separação', Jesus não teve a coragem de dar a cara, e explicar ao Presidente do Benfica, seu 'amigo', a sua decisão de ir para o Sporting, presencialmente... pelo telefone já teria sido deselegante mas nem isso, foi mesmo à cobarde.

Fato pronto-a-despedir (ou facto?)

"Terminada a época do futebol, julgava eu que me faltariam temas para os meus bissemanais Pontapé-de-saída. Pelo contrário, verifico agora e sobretudo na 2.ª Circular que assuntos não faltarão.
Hoje vou-me dedicar apenas à temática da farpela. Ou - agora que muita gente anda de voltas trocadas com o estapafúrdio acordo ortográfico - com o facto do fato ou o fato do facto. Um factor decisivo. Parece que em Vizela, num jogo visto por milhões, houve um treinador que não vestiu a fatiota domingueira (era quarta-feira), mas também, segundo rezam as crónicas, não envergou um fato-macaco (pelo menos ele), nem fato-de-banho (foi em 17 de Dezembro), nem fato-de-saia-e-casaco (não era no campeonato escocês).
As imagens televisivas mostram-nos o técnico envergando um asseado fato-de-treino, o que até estaria mais conforme com o treino que, à partida, aquele encontro para a Taça de Portugal deveria ter sido (depois se viu que não foi tanto como isso).
Cinco meses depois, eis que se inventou uma nova moda (ou um novo marco?) para o fato-de-treino. Transformou-se um fato pronto-a-vestir num fato pronto-a-despedir. Ou melhor, era essa a ideia, mas o alfaiate não sabia que, segundo a lei laboral, tinha 60 dias para aplicar a nova moda. Convenhamos, o alfaiate não pode, nem tem que saber tudo. Sabe de alfinetadas e já se dá por satisfeito.
Bem sabemos, também, que esta coisa do fato não advém de uma qualquer fatwa islâmica. Foi apenas um momento fátuo. Daqueles que abundam no reino do futebol (ou será fatobol?)

PS: Começo a compreender por que é que a Guiné Equatorial faz parte da CPLP."

Bagão Félix, in A Bola

Juvenis - 6.ª jornada - Fase Final

João Tavares
Nacional 1 - 3 Benfica

Os já Campeões Nacionais de Juvenis, deslocaram-se à Ilha da Madeira, para a última jornada do Campeonato, terminando a época com mais uma vitória, em pleno relvado da Choupana... Aliás, na Fase Final fizemos o pleno: 6 jogos, 6 vitórias. 14-3 nos golos. Perfeito...
Destaco o grande golo do João Tavares, com remate colocado, e a excelente combinação colectiva no golo do Zé Gomes... o Jota só teve que 'encostar'!!!

Duarte; Cabral (Medeiros, 75'), Borges, Silva, Araújo; J. Pereira, Tavares, Matheus (Lourenço, 56'); Jota, Dias (Pinto, 69'); Gomes.


PS: Parabéns aos nossos Iniciados B, que fizeram a festa hoje no Seixal, empatando com o Vilafranquense (1-1), tornado-se assim Campeões Distritais da categoria, num jogo que terminou de forma emocionante...!!!

Juergen Klopp

Indefectíveis,

Quarta-feira e nem sinal de fumo branco. Diz-se, fala-se, pre-anuncia-se, todos dão o facto como consumado, mas isso para mim diz nada, patavina, nicles, zero. Enquanto a assinatura não estiver no papel continuarei lutando pelo sonho. Porque é isso o ser indefectível, lutar pelo Benfica, sempre!
  
Pelo que, com a reverência necessária, senhor presidente, lhe peço encarecidamente que levante a caneta do papel e pegue no telefone porque contou-me um passarinho Benfikista (ver link) que o extraordinário mestre guru Juergen Klopp está disponível para conversar, e possivelmente com vossa excelência.

Vou repetir novamente se ainda não entenderam, o extraordinário mestre guru Juergen Klopp está disponível para conversar.

Não custa nada sonhar. Uma coisa é certa. Ele tem o perfil ideal. Um dos rostos mais marcantes da revolução alemã conjuntamente com outro Juergen, o Klinsmann. Lembremo-nos de Goetze, Hummels, Reus... Encaixa como uma luva em tudo aquilo que tenho vindo a falar. E tenho a certeza que uma vez colocando os pés na nossa catedral se apaixonará pela nação benfiquista.

Senhor presidente, com Juergen Klopp o futuro da instituição estará garantido. Os patamares serão galgados a velocidade vertiginosa. Ele é a trave mestre que nos falta. Vale o seu peso em ouro. Não poupe esforços para o cativar para o nosso projecto. 

Viva o Glorioso Sport Lisboa e Benfica. 

<3 

Agradecer ou atacar Luís F. Vieira?

"Jorge Jesus lá assinou pelo Sporting, continuam as especulações sobre como se tudo passou e hoje ou amanhã já teremos a confirmação do novo treinador do Benfica. As emoções e desilusões já voltaram à casa de partida e com alguma informação e com o cruzamento de alguns dados é mais fácil a todos nós com bom senso entendermos um conjunto de situações.
Jorge Jesus é um treinador vencedor. É um facto! Goste-se ou não do perfil e dos seus métodos, venceu uma dezena de provas pelo Benfica. Logo, o Sporting contrata um treinador vencedor. Afirmar que isso chega para vencer em Alvalade é pura especulação, já que no Benfica há uma estrutura que demorou muito a construir e não foi construída apenas por Jesus, embora este tenha sido uma peça deveras importante.
Jorge Jesus, apesar de vencedor, vencia desalinhado com aquilo que eram os ideais do clube e de Luís Filipe Vieira. E pode-se afirmar com algum grau de certeza que essas vitórias foram adiando aquilo que um dia poderia ser a gota de água do desalinhamento entre o que é a política desportiva desejável do Benfica e a que Jorge Jesus impunha e decidia. Tudo leva a crer que será semelhante no Sporting a perspectivar pelas notícias.
A formação do Benfica (nem falando de títulos, mas sim de tudo agregando a estrutura, o investimento financeiro, instalações, recursos humanos, etc.) é a maior de Portugal. É verdade que raramente a formação de um clube em Portugal dá para vencer competições. O Sporting é o caso mais gritante e o Porto, mesmo quando é campeão de juniores por exemplo e com um excelente treinador na equipa B como Luís Castro, não consegue quase nunca colocar jogadores da formação na sua equipa principal.
Casos como João Cancelo, André Gomes e Bernardo Silva confirmam que o produto que lá é formado poderia de caras fazer parte do plantel principal da equipa do Benfica. Luís Filipe Vieira viu-se numa encruzilhada de decidir como obrigar Jesus a fazer uma aposta na formação ou deixá-lo sair. Optou pela última. Perspectivando que o treinador português sairia para fora e não para dentro. Mas mesmo com esse pormenor ou pormaior, os títulos de Jesus no Benfica foram todos ao leme com Vieira e aqui não se pode excluir ninguém do sucesso. Jesus devolveu aos benfiquistas a exigência de querer ganhar sempre. Luís Filipe Vieira possibilitou ao treinador os maiores investimentos alguma vez feitos no Benfica.
Não entendo nem o pessimismo de muitos benfiquistas nem o total optimismo de sportinguistas. Há mais mundo para lá de Jesus no Benfica. O presidente baixou consideravelmente o pagamento a um treinador. Mas a estrutura e o conhecimento estão lá. O Sporting sabe, espera-se, que Jesus é um treinador vencedor, mas que implicará muita coisa, a começar pela capacidade do treinador e presidente conseguirem coabitar juntos quando são duas figuras tão proeminentes.
Na dúvida, tudo leva a crer que Vieira não fez assim tão mal em deixar sair Jesus, mesmo que tenha ficado num dos rivais. A aposta na formação se era para ser uma realidade, que seja. E atenção, qual fosse a forma pós-Jesus ia ser sempre complexa. Como a época pós-Pinto da Costa ou pós-Vieira também o serão. Muito tempo e muita liderança."

Populismo

"Fracturar o Sporting em tempo de apelo à mobilização não é apenas uma má ideia, é uma ideia perigosa
O empolgamento populista de Bruno de Carvalho está a ser extremado e levado a um ponto perigoso. Partir do princípio político de que quem não está connosco está contra nós pode surtir efeitos mediáticos no momento da capitalização de dois êxitos - conquista da Taça de Portugal e roubo do treinador ao rival histórico - e quando se tem em mente o reforço de poderes referendando-se nas urnas, em eleições antecipadas, mas a execução pública de adeptos do clube que possam, eventualmente, fazer sombra não é um caminho seguro de se trilhar.
O Sporting tem uma direção legitimada por voto popular e mandatada para governar o clube segundo um programa sufragado pelos sócios, não para julgar acções ou opiniões de associados discordantes. A emoção e a euforia são más conselheiras, a crítica é livre, quem estiver na disposição de discutir políticas pode apresentar-se a eleições, mesmo quem não pretender chegar a esse ponto tem o direito de manifestar-se. Mesmo num país incapaz de funcionar sem governos maioritários e autocráticos, este não é nem pode ser um tempo de unanimismos.
Estou convencido de que Bruno de Carvalho não enfrentará, pelo menos nos próximos meses, a vaga de fundo de que fala Dias da Cunha com o intuito de o destituir do Sporting, mas numa altura em que apela à mobilização, promover fracturas entre adeptos só pode mesmo servir para o reforço da idolatria e de um projecto de poder pessoal. Partido quer-se o futebol e só quando se defende bem e tem uma equipa bem trabalhada para jogar em contra-ataque."

Fé e montanhas

"Luís Filipe Vieira proclama a aposta na formação, mas vai tratando de prevenir para não ter de remediar 
Luís Filipe Vieira peca por defeito quando diz que o trabalho realizado pelo Benfica nos últimos nove anos ao nível da formação vai finalmente começar a dar frutos na próxima época. A verdade é que já deu. Assim de repente, só para recordar os mais mediáticos, deu Bernardo Silva, André Gomes e João Cancelo, com os quais, por sinal, o clube da Luz ganhou cerca de 45 milhões de euros enquanto vencia dois títulos de campeão nacional. Não será impossível, mas também não deve ser fácil fazer muito melhor. Ora, é compreensível que a aposta na formação seja erguida como bandeira, especialmente enquanto reacção à saída traumática de um treinador que lhe torcia o nariz, mas é difícil imaginar que a imposição de quotas seja o melhor caminho para garantir o sucesso. Afinal, porquê cinco 'jovens formados com a cultura do Benfica' na equipa principal? E se só quatro tiverem qualidade para garantir um lugar? E se forem só três? Entram todos à força? E, especialmente, até que ponto essa aposta em talentos jovens saídos da formação é compatível com a necessidade de continuar a ganhar? Provavelmente, a resposta para essas perguntas pode ser encontrada na forma como o presidente do Benfica se empenhou pessoalmente no prolongamento do contrato com Maxi Pereira. Afinal, a fé move montanhas, mas o melhor é dar um empurrão enquanto se reza."

O que hoje é verdade amanhã é mentira

" «Gosto muito de trabalhar com o Inácio, o Virgílio e o Marco. Tenho muito orgulho do trabalho feito.»
Sporting TV, 12 de novembro de 2014

«Em momento algum o Marco Silva foi demitido, em momento algum isso lhe foi transmitido.»
Record, 27 de Março de 2015

«Eu e o Marco somos crescidos e está tudo ultrapassado.»
Record 27 de março de 2015

«O Marco é um treinador de talento que ainda vai dar muitas alegria aos sportinguistas.»
SIC, 1 de Abril de 2015

«Ao dia de hoje, o Sporting não sabe que dinheiro vai ter na próxima época e não estamos a preparar a próxima época com a rapidez que gostaríamos.»
Sporting TV, 12 de maio de 2015

«... Terminar o campeonato em terceiro lugar não ajuda, porque há menos dinheiro, menos empresas para entrar no futebol e não garante acesso direto à Liga dos Campeões.»
Sporting TV, 12 de maio de 2015

«É fácil dizer que o Sporting precisa de vários jogadores, mas o que precisava era de clarificar o orçamento.»
Sporting TV, 12 de maio de 2015

Caro leitor, eu não comprava um carro em segunda mão a Bruno de Carvalho. Provavelmente nem um carro novo lhe comprava. Incomoda-me o estilo e critico-lhe muitas das práticas. É isso que tenho feito nas páginas de Record. Também lhe reconheço mérito em várias acções. Sei que colocou as contas em dia, devolveu ao Sporting uma ambição perdida e contestou poderes instalados. Hoje anda tudo a fazer-lhe vénias pela contratação de Jorge Jesus. Com certeza que foi um acto arrojado. Mais arrojado até para Jesus, mesmo subsistindo enormes dúvidas sobre a operação financeira e a alteração que esta representa no paradigma de gestão. Mas, se Bruno fosse tão corajoso e determinado como apregoa e como gosta que o vejam, não deveria ele ter resolvido olhos nos olhos o assunto Marco Silva com ou sem Jesus? A bem, que é o recomendável, ou canhestramente a mal com o processo disciplinar que visa o despedimento com justa causa e que vai mesmo acabar com Marco Silva despedido a menos que se despeça primeiro.
Sucede que Bruno de Carvalho que agora mandou elencar 400 páginas numa nota de culpa contra o treinador maldito é o mesmo que Dezembro saiu de casa na véspera de Natal para dizer que tudo em paz e que não havia problema nenhum.
É o mesmo Bruno de Carvalho que uma ou duas semanas depois tirou o tapete onde tinha confortavelmente instalado José Eduardo, auto-intitulado guardião da 'cultura Sporting'.
Com Jorge Jesus o Sporting será melhor? Vamos ver que jogadores tem à disposição mas é provável. Não pela conversa serôdia do 'clube do coração'. Porque sim. Jesus é muito bom no que faz e sentiu-se ostracizado pelo Benfica. Mas ele que pense como o seu inimigo de estimação. Augusto Inácio, um vencedor como jogador, treinador e dirigente e que foi descartado de Alvalade.
Bruno de Carvalho se não tivesse o Ás de Ouros que é Jesus faria o quê? Manteria a paz podre? Se os sportinguistas consideram a pergunta disparatada ou um mero detalhe estão redondamente enganados. É uma questão de princípio.

As Contas de Vieira
Luís Filipe Vieira apareceu com um ar sereno no jantar com os deputados benfiquistas um dia depois da 'bomba'. Vieira é um dirigente experiente e um homem vivido e, se a sua cabeça estava a mil não o deixou transparecer. O presidente do Benfica apenas se pode queixar dele próprio. Tal como há dois anos, contra tudo e contra todos, impôs Jorge Jesus, desta vez também parecia claro na sua cabeça que era o tempo de mudar, porque, talvez com pena de Vieira o treinador não era sensível ao tema da formação, essencial para o reequilíbrio financeiro do Benfica. E, no entanto, nestes seis anos com Jesus, o clube foi uma placa giratória de jogadores e um verdadeiro entreposto de negócios. Essa responsabilidade foi afinal de quem? Ao todo o Benfica recrutou 74 jogadores, uma média entre 12 e 13 jogadores por época, sendo que alguns nem chegaram a ver a estátua de Eusébio. Ganhou muito dinheiro - quase 417 milhões de euros (algum com jóias da formação como Bernardo Silva ou João Cancelo) mas também gastou muito mais do que seria necessário: 215 milhões de euros. Foi Jesus sozinho que mandou vir mais de 70 jogadores? Ou terá ele tido um papel mais relevante na valorização da maioria dos activos entretanto vendidos?

Opção Rui Vitória
Rui Vitória é o mais que provável treinador do Benfica. Tem uma boa escola, uma boa identificação com o clube, onde já trabalhou, uma boa relação com o presidente, sensatez no discurso, capacidade de mobilização dos jogadores. Todos esses pontos estão a seu favor. Rui Vitória também colocou o Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães a jogar bom futebol. Mas, o Benfica é outra realidade. Outra pressão, outra exigência. É sempre, será mais no próximo ano dadas as circunstâncias em que Rui Vitória entra e em que a Liga terá lugar, numa luta a três com FC Porto e Sporting. A minha dúvida é se este homem cordato terá nervos de aço e capacidade de afirmação (Jorge Jesus e Julen Lopetegui têm) para esse combate dos chefes? E, já agora, com que jogadores vai contar no plantel.

A opção Marco Silva
Marco Silva seria uma grande opção para o Benfica. Tem excelente trabalho feito no Estoril, bom trabalho no Sporting em circunstâncias difíceis, é reservado mas de personalidade forte e não deixaria de querer ajustar contas mesmo não fazendo disso o foco do seu trabalho. Teria uma grande capacidade de mobilização da nação benfiquista que sai maltratada deste processo porque, as coisas são o que são o Sporting disparou um tiro certeiro. No entanto este não é o tempo de Marco no Benfica e ele é demasiado jovem para ter pressa. O seu regresso a um grande - e o Sporting não deve ser excluído - é uma mera questão de tempo."

Pizzi...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Três vectores para o novo ciclo

Caros indefectíveis,

Continuamos sem ver fumo branco. Já escrevi ontem que para mim isso é bom sinal. Quanto mais tempo demorar melhor. Significa que a coisa está a ser bem pensada. Tudo aponta para que o escolhido venha a ser Rui Vitória. A nação benfiquista está dividida entre três nomes: Rui Vitória, Marco Silva e Vitor Pereira. Para mim nenhum deles tem o perfil necessário para treinar o nosso clube e dar início a um novo ciclo que deverá obedecer a três vectores centrais de actuação: 
1 - Consolidação da posição de primeira potência desportiva nacional no que ao futebol se refere. 
2 - Concretização em pleno do projecto Academia Caixa Futebol Campus.
3 - Projecção internacional com presença assídua nas fases avançadas da UEFA Champions League.

Estes os três vectores que devem ser a base da ambição para o novo ciclo que se avizinha. Para isso o nosso presidente Luis Filipe Vieira, declarou que uma das premissas principais do futuro timoneiro seria a identificação plena com o projecto do clube.

Debrucemo-nos em primeiro lugar na análise do ponto 2. Rui Vitória demonstrou no Vitória Sport Clube que sabe colocar miúdos a jogar na primeira liga. Conseguiu com esses mesmos miúdos ajudar o clube numa altura de crise profunda em termos orçamentais. E ainda logrou conquistar uma taça de Portugal ao Glorioso. Dos três nomes falados é o que para mim ganha vantagem neste particular. 

Consolidar a posição actual de bicampeão implica ganhar. Implica vencer o tricampeonato. Implica derrotar os nossos eternos rivais e os corruptos. Aqui é que começa o problema. Em primeiro lugar porque os lagartos vão este ano jogar o dobro. Em segundo lugar porque os corruptos não vão cometer os erros do início da época passada. E em terceiro lugar porque o plantel vai ficar mais curto (a integração de 5 miúdos implica que a equipa 'B' se expande para a 'A'. Passamos a ficar com um plantel de 20 jogadores que conquistaram o direito de vestir o manto sagrado na equipa de excelência e mais 5 aspirantes a ganhar esse direito com wild card directo para a fase de repescagem que durará numa primeira fase até à janela de transferências de Janeiro.). Isto tudo, quer dizer que a pessoa escolhida tem de ser do melhor que existe no mundo para não perder pontos contra as equipas ditas pequenas e ao mesmo tempo sair vencedor dos duelos contra os dois principais rivais. Dos três nomes falados só vejo um que tenha capacidades para o fazer. O seu nome é Vitor Pereira. Falta-lhe no entanto estar identificado com o projecto. É corrupto assumido e com muito orgulho. Gente dessa na nossa casa só se for para colocar veneno.

O terceiro ponto não é nada de negligenciar. Do meu ponto de vista é a linha que vai definir o sucesso ou não do novo ciclo. E muito do nosso futuro enquanto instituição. Ombrear com os maiores ou cingirmo-nos à nossa realidade nacional. Existem estratégias colocadas em prática de há muito pela actual direcção tendo em mente esse desiderato. O nosso clube como um dos maiores clubes da Europa tem de encontrar meios de obter recursos anuais que o permitam competir no espaço europeu. Para isso é necessário vencer na Europa. Ganhar prestígio. Só desse modo será possível daqui a três anos renovar o contrato agora assinado com a Fly Emirates e cativar assim novos investimentos na nossa marca. Para vencer na Europa é preciso muita experiência. Muito saber. A UEFA Champions League não tem nada haver com o campeonato nacional. O ritmo a que é jogada é muito mais elevado. Todos os índices do jogo são elevados bem acima do registado semanalmente no campeonato português. Mais uma vez neste ponto Vitor Pereira ganha de goleada ficando Marco Silva como distante perseguidor, mas como não queremos envenenar ninguém muito menos sermos envenenados... (Deixo o resto da conclusão para vossemecês completarem.)

Eu já expressei os meus pontos de vista. Aqui fica pois, uma vez mais, o meu pedido:



Viva o Glorioso Sport Lisboa e Benfica

<3

Três breves histórias servidas em doses de cinco

"Entre 1948 e 1953, o Benfica ganhou quatro finais consecutivas da Taça de Portugal. As três últimas da série foram impressionantes: Académica (5-1), Sporting (5-4) e FC Porto (5-0). Ei-las pela prosa de quem as presenciou.

Dia 10 de Junho de 1951
Estádio Nacional
Benfica, 5 - Académica, 1
(Golos de Rogério Pipi(4), Arsénio / Macedo)

Lisboa encheu-se de estudantes. Outra vez, dir-se-ia. Vinham no rastro da recordação da final de 1939, ganha precisamente ao Benfica. Só que tudo foi diferente. «Os lisboetas, homens das berrantes camisolas vermelhas levaram a melhor», declarou, solene, a imprensa. O chumbo marcou o registo em letras firmes: «Foram a melhor equipa, aceitando a luta em todos os sectores para onde os estudantes a quiseram levar. À energia responderam com energia. À vontade com vontade igual. E para forjarem um êxito que teve o sabor de uma desforra, utilizaram os seus melhores trunfos».
Diz, portanto, quem lá esteve, que não houve contestação ao mérito do Benfica. A primeira parte reflectiu algum equilíbrio, a despeito dos golos madrugadores de Arsénio e Rogério Pipi. Do lado dos rapazes de negro, há um homem pequeno que se agiganta, como sempre: Bentes, o doutor Bentes, o «rato atómico». Não chega.
Rogério é fagueiro, incontrolável nas fintas e nos golos. Quebra os últimos focos de resistência do Mondego logo no início do segundo tempo. Nem o enorme Mário Torres, na sua figura monumental de ébano, pode contra a finura do seu jogo.
Na época anterior, por via da disputa da Taça Latina em Lisboa, a Taça de Portugal não se disputara. EM 1948/49, o Benfica batera o Atlético na final (2-1). Francisco Ferreira ergue o troféu. É o segundo consecutivo para os 'encarnados'. Outros se seguiram.

Dia 15 de Junho de 1952
Estádio Nacional
Benfica, 5 - Sporting, 4
(Golos Rogério Pipi(3), Corona e Águas / Rola(2), Albano e Martins)

Diz-se que Rogério desmaiou de alegria quando, no último minuto do encontro, com um remate com algo de feliz que fez a bola roçar no poste antes de se aninhar nas redes do Sporting, desfez a igualdade e deu a terceira Taça de Portugal consecutiva ao Benfica. Logo ele que falhara um penálti aos 43 minutos, não conseguindo dessa forma a proeza extraordinária de marcar quatro golos em duas finais seguidas.
Vamos ao que se escreveu nesse dia glorioso de sol no Jamor: «O Benfica conquistou a Taça de Portugal na final mais rica que há memória, mas o grande triunfador era verdadeiramente o Futebol, tanto na expressão benfica (sic) como sportingue (sic) que nos deu a melhor final de todos os tempos! (...) A existência de nove golos indica uma partida pelo menos entretida, mas para além dos golos, alguns deles jóias de requintado labor, praticou-se Futebol rasteiro, rápido e desconcertante de perguntas e respostas: cientificamente organizado e não de acaso; Futebol de conjunto onde cabia a iniciativa individual».
O grande Tavares da Silva intitulava esta prosa de «A Apoteose do Jamor». E sublinhava: «A todos os títulos, a final da Taça de Portugal 1951/52 representou uma alta expressão do Futebol moderno, de uma velocidade outrora desconhecida e de movimentação sintonizada, com espaço suficiente para as manobras individuais, empenhando-se os jogadores exclusivamente nas boas normas do fair-play. O desafio teve interesse, graça, animação e ansiedade!».
E nova vitória do Benfica com Francisco Ferreira a levantar a sua última taça.
Mas ainda havia mais uma dose de cinco para ser servida...

Dia 28 de Junho de 1953
Estádio Nacional
Benfica, 5 - FC Porto, 0
(Golos de Arsénio(3), Rogério Pipi e Águas)

O Benfica já tinha batido o FC Porto (3-0) numa final do Campeonato de Portugal, em 1939/31. Agora exibira requintes de malvadez e iniciaria uma longa carreira de vitórias sobre os 'azuis-e-brancos' em finais da Taça de Portugal.
Voltemos a usar e abusar da prosa de quem assistiu ao vivo aos acontecimentos do que se desenrolou: «Se em vez de duas equipas de Futebol, mão caprichosa tivesse colocado ontem no recinto do Jamor em gato e um rato, o despique teria evoluído e terminado da mesmíssima maneira, salvo, evidentemente, o desfecho admissível que no caso dos inimigos figadais sacrificaria, naturalmente, a vida do mais fraco. (...) Tal como faria o felino, o Benfica dispôs como quis do adversário, um Futebol Clube do Porto que mau grado os esforços bem intencionados dos seus dirigentes chegou ao fim da época como começou. (...) Não é vulgar entre turmas do mesmo plano, embora uma em melhor forma do que a outra, surgir um resultado tão volumoso que não se preste a reticências. Mas a história dos cinco golos sem resposta impostos pelos encarnados aos 'azuis-e-brancos' é clara como a água cristalina. Sem favor, merece essa legenda: certíssima. E se o onze vencedor tivesse aproveitado todas as ocasiões que criou ou se lhe depararem para golo, e se também o motor da equipa tivesse funcionado após o intervalo com a mesma regularidade do primeiro tempo, a marca ficaria histórica sem grandes motivos para reparos».
Pois. Relatório de uma vitória sem rebuço, que já marcava 3-0 ao intervalo.
Francisco Ferreira despedira-se. É Fernandes, o novo «capitão», a levantar a taça.
Daí para cá, Benfica e FC Porto reencontraram-se mais sete vezes em finais da Taça de Portugal: seis vitórias 'encarnadas!'."

Afonso de Melo, in O Benfica

Como se previa

"Não é crime Jesus ir atrás do dinheiro, mas sabia que, ao optar pelo Sporting, incomodava o presidente que o tirou do anonimato e feria o orgulho de muitos milhares de benfiquistas.

Jorge Jesus só precisou atravessar a Segunda Circular rumo ao Sporting, trocando uma compensação financeira que sempre achei escandalosa, na Luz, por outra que passa a ser ofensiva, em Alvalade. Como contra argumentava o meu camarada José Manuel Freitas nos vivos debates que em tempos travámos nas noites de domingo de A BOLA TV, se um treinador recebe verbas que a sensatez não alcança é porque alguém aceita pagá-lhas, em troca de títulos a qualquer preço, o que, a manter-se, nada indica de bom para a saúde do negócio futebol. Jesus, ou alguém em sua representação, limitou-se, pois, a fazer pela vida e a esmifrar quem vê nele o remédio capaz de aliviar todas as dores...

Saiu a mal do Benfica como previ, escrevi e disse não sei quantas vezes, por me parecer que jamais haveria de reconhecer que a sua escolha foi uma aposta presidencial de enorme risco, em conjuntura especial. a partir do momento em que chegou à Luz... entrou a ganhar, depressa se sentiu «dos melhores do mundo», como repetidamente tem assumido, enfatizando uma das características que melhor definem a sua personalidade. No ano seguinte, porém, ficou a 21 pontos do FC Porto, mas Vieira protegeu-o. Depois, perdeu outra vez, e continuou a perder para Vítor Pereira. Ou seja, perdeu três campeonatos antes de vencer os últimos dois: mérito dele, sim, embora, pessoalmente, veja no feito empreitada pouco palpitante. Limitou-se a serviços mínimos em face do que lhe foi oferecido em termos de praticantes de qualidade para trabalhar. Objectivamente, ficou a dever ao Benfica dois campeonatos, além da sua indisfarçavel inabilidade para lidar no espaço europeu, que duas finais perdidas na Liga Europa pouco alteram.
Ao terminar contrato Jesus ficou com liberdade plena para escolher o seu futuro, sendo certo, no entanto, que Luís Filipe Vieira teve a preocupação de lhe proporcionar uma saída confortável, desportiva e financeiramente. No estrangeiro, pois claro, na medida em que foi o próprio treinador a manifestar publicamente esse desejo, na pressuposto (errado) de que o seu nome seria tema de conversa nos gabinetes dos administrações dos principais emblemas europeus: Jorge Mendes faz milagres, mas não é santo... Sobre clubes de topo interessados... nada, e percebe-se a razão.

Jesus revelou, em comunicado de conteúdo amenizador, agradecimento ao Benfica. Foi simpático, embora insuficiente para traduzir a retribuição devida pelo que Vieira fez por ele: descobriu-o ao fim de 20 anos de uma carreira subaltenra preenchida por subidas e descidas e por uma extinta Taça Intertoto. Jesus não queria ser refém do Benfica, como anunciou, assim como o Benfica não queria ser prisioneiro do seu treinador. Como se não existisse futuro além dele. De aí que, expirada a relação contratual, seja absolutamente normal cada qual seguir a sua vida, com um pequeno/enorme senão: não é crime Jesus ir atrás do cheiro do dinheiro, mas sabia muito bem que, ao optar pelo Sporting, incomodava o presidente que lhe deu notoriedade e feria o orgulho de muitos milhares de adeptos encarnados que o admiravam como 'salvador da pátria' benfiquista.

Na cerimónia oficial que confirmou a ligação comercial à Fly Emirates, o que só por si demonstra o prestígio internacional que a águia ainda detém, Vieira declarou que o Benfica é um clube do mundo e tme de recuperar o seu lugar na Europa. Em paralelo, o administrador Domingos Soares de Oliveira alertou para a necessidade de atenuar a política de investimentos realizada nos últimos anos. Para bom entendedor... Jesus é bom treinador para consumo interno, mas em seis épocas nenhum 'coelho' retirou da formação por preferir comprar 'pronto a consumir', indiferente ao peso na despesa. Bruno Carvalho anunciou que lhe vai dar carta branca na gestão do edifício futebolístico leonino: ou há dinheiro para gastar até cansar ou será curta a vida do 'novo projecto'. É esperar para ver..."

Fernando Guerra, in A Bola