Últimas indefectivações

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A arte sublime de Jonas

"Está a construir na Luz um império grandioso pelo futebol que oferece mas também pelos afectos criados junto dos adeptos. É um jogador de outra dimensão, candidato a estrela maior da época 2014/15.

1. Há uma luz que o acompanha em campo, sendo que, nos melhores dias, há mesmo fogo de artifício a estrepitar à sua passagem; ao brilho do que os olhos veem junta-se então o som de plateias rendidas à surpresa dos magistrados golpes de magia e ao modo como satisfaz a inteligência com a perfeita execução do senso comum. Jonas vive segundos adiantados aos factos e, por ser um excepcional leitor de indícios, pensa cinco toques à frente; a participação no bordado, feita de tabelas e fintas que aproximam a equipa do golo, serve também para acumular veneno e descarregá-lo quando a bola lhe volta aos pés, mais à frente, a implorar por um último toque. É um génio de armas subtis, encantador por vocação, que impressiona companheiros, público, jornalistas e até verdadeiros. Toda uma construção cujo efeito mais relevante é camuflar a verdadeira natureza de assassino profissional.

2. Sem espírito nem físico para caçador solitário entregue a lutas desiguais com feras sem pudor, não tem perfil para ser efeito sem causa, isto é, decidir do nada, sem a contribuição dos outros. Mas é um atacante milagroso porque, integrado nos mecanismos instituídos da equipa, não só acrescenta soluções para todos os gostos como também multiplica a produção de quem o rodeia. No seu padrão criativo, por técnica, habilidade, influência, espontaneidade, e abrangência, há elementos que rematem para João Vieira Pinto: genial, imprevisível, intenso, tanto mais perigoso quanto a equipa for capaz de se unir para dar eficácia ao ataque posicional. Quase tudo ao contrário de Rodrigo, o seu antecessor, mortífero em deslocamentos mais amplos, que o tornam perfeito para um jogo directo e feito de transições.

3. Talvez por isso, por extrair o máximo de si próprio com a equipa virada quase em exclusivo para a frente, o Benfica seja tão deslumbrante e esmagador na Luz e tão susceptível de expressar-se na plenitude longe do lar. Não será por acaso que, analisando os 22 golos de águia ao peito, Jonas apontou 14 em casa (repartidos por 11 jogos) e só 8 fora (em apenas 6). O brasileiro é um futebolista de exaltação pepétua, que navega ao sabor de uma esplendorosa maturidade, precisamente porque mantém o entusiasmo juvenil de toda a vida e a impertinente convicção de ser grande naquilo que faz. A influência diferenciada exercida na produção colectiva não tem a ver com os 31 anos mas com o estilo de sempre - está ainda longe de suscitar o sentimento de injustiça quando um artista entre na recta final da carreira.

4. Jonas é um prodígio iluminado por uma auréola de inocência, que se movimenta com a malícia e trata a bola com esmero de quem guarda um tesouro nos pés. Nessas acções em que purifica sistematização e ordem com virtuosismo e magia contagiantes, revela articulação motora perfeita e o deambular enigmático que lhe permite passar por zonas de altíssimas tensões, cheias de barreiras electrificadas, com minas e armadilhas espalhadas por todo o lado, como se estivesse a passear no quintal de casa. Avançado com descaramento, convicções, talento e pontaria, deu ao Benfica versatilidade e contundência nos processos ofensivos. Por tudo quanto tem feito, está a construir na Luz um império grandioso pelo futebol que oferece mas também pelos afectos criados junto dos adeptos. É um jogador de outra dimensão, candiadato a estrela maior da época 2014/15.

(...)"

A democracia das taças

"A Taça de Portugal e a mal-amada Taça da Liga têm uma característica que as torna, futebolisticamente falando, mais democráticas. A possibilidade de equipas menos fortes atingirem a final é muito maior do que no campeonato, onde a vitória se resume aos do costume. Tratando-se de jogos a eliminar, basta um percalço de um favorito para já não haver recuperação possível. Mesmo na Taça da Liga, onde o esquema de jogos e o sorteio tende a favorecer os chamados grandes.
Atentemos aos finalistas das 14 Taças de Portugal neste século: Porto (8 vezes), Benfica (4 vezes), Sporting (3 vezes), mas também Vitória de Setúbal e de Guimarães (2 vezes cada, uma das quais vencedores), Marítimo, Belenenses, Paços de Ferreira, Académica (que venceu), União de Leiria, Rio Ave e - notável proeza - dois clubes da 2.ª divisão (Leixões e Chaves). Finais entre grandes só houve duas!
Quanto à mais jovem Taça da Liga (8 edições): Benfica (6), Sporting (2), Porto (2), a que se juntaram Braga e Vitória de Setúbal (ambos vencedores), Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave e Marítimo. Finais entre Benfica, Sporting e Porto só duas também. Bastaria esta constatação para valorizar estas duas competições. E para que os organismos competentes fossem mais criteriosos nos respectivos calendários que, ano após ano, enfrentam datas erráticas, descoordenadas, e que fazem apelo à memória para nos recordarmos de eliminatórias perdidas no tempo. A ideia - entretanto mudada - de escolher uma data para a final da Taça da Liga num fim-de-semana coincidente com uma jornada na Liga não lembra o diabo e só serve para descaracterizar a competição."

Bagão Félix, in A Bola

Prioridade: estádios cheios

"A renovação do Estádio dos Barreiros, no Funchal, foi uma das boas notícias da época. Mesmo que apenas via TV, tem sido possível atestar que o ambiente nos jogos do Marítimo está melhor. Parece haver mais gente nas bancadas - talvez decorrente de algum entusiasmo que a conclusão da obra terá criado - e nota-se que aquelas pessoas estão bem empenhadas no apoio à equipa. Não que tenham passado a gostar mais do Marítimo, é claro, mas usufruem hoje de um espectáculo melhor, mesmo que isso não implique futebol de maior qualidade no relvado.
A psicologia explica: o empolgamento colectivo é facilmente transmissível e não é por acaso que assistir a um jogo num estádio cheio pode ser tão mais entusiasmante que fazê-lo numa bancada despida. É mais difícil resistir a aplaudir ou gritar pelo clube que se apoia quando ao lado se tem alguém a vibrar, e muito mais fácil passar ao lado do jogo quando se tem por vizinho uma cadeira vazia ou se percebe que em vez de sofrer com o jogo o homem de cachecol enrolado, lá longe, liga mais ao smartphone que aos remates à baliza.
Em Braga, durante anos, foi feito trabalho nem estruturado para chamar gente às bancadas: muitos bilhetes tiveram de ser oferecidos antes de fidelizar os clientes, é certo, mas é inegável que o crescimento do clube foi sustentado nas pessoas que o apoiam.
Também em Guimarães a força desportiva está muito associada à qualidade e empenho dos adeptos, mas o maior exemplo de como a militância chama militância não deixará de ser o Sporting, clube que nos últimos 33 anos conquistou apenas dois campeonatos, mas continua a contrariar a lógica de que só se gosta dos clubes que ganham. Dito isto, um dia um génio dirá: o futebol não existe sem pessoas. E a prioridade de quem manda passará a ser voltar a encher os estádios da Liga."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Nem um remate dá que pensar...

"O entusiasmo do futebol passa muito pela sua competitividade, claro, mas igualmente pelos resultados que nos surpreendem. Neste segundo aspecto a Liga portuguesa desta época tem correspondido. Tivemos, por exemplo, nas últimas jornadas, um Nacional que empatou o FC Porto na corrida pelo título, um Rio Ave que venceu o Benfica e um Paços de Ferreira que conseguiu também empatar o Sporting. O nosso problema está realmente no primeiro ponto e na desoladora constatação de que, num campeonato em que participam 18 equipas, tenhamos praticamente a certeza, e desde a primeira jornada, de que apenas duas equipas lutam em igualdade de condições pela conquista da prova. O Sporting vem logo a seguir, mas claramente também ainda não apresenta os mesmos argumentos que Benfica e FC Porto.
Também é verdade que esse não é um drama apenas nosso, que se passa mais ou menos em Espanha, Inglaterra, ou França, mas as diferenças creio que são mais visíveis em Portugal. Os treinadores dos clubes grandes não se cansam de dizer que nesta segunda metade da competição os pontos vão ser mais difíceis de conquistar, mas será mesmo assim? O Benfica goleou um Nacional que fez três remates à baliza de Júlio César; o FC Porto goleou um Estoril que não fez um único remate à baliza de Fabiano num jogo inteiro! Sem retirar mérito a quem consegue fazer muito com pouco, o que me parece é que resultados surpreendentes só aparecem mesmo quando os melhores fazem asneira.
O momento é terrível, de dificuldades financeiras e incapacidades dos clubes para se gerirem quanto mais para reforçarem a aposta desportiva. Por isso, mais do que nunca, e por mais do que uma razão, a redução de equipas na Liga pode ajudar a tornar a realidade menos dramática."

Nélson Feiteirona, in A Bola

Estrangeiros

"Vários comentadores, alguns com formação económica, têm escrito que FC Porto e Benfica vão ser obrigados a deixar de comprar futebolistas estrangeiros, tendo de apostar nos jogadores da formação - pois, com a crise financeira e o fim dos fundos, deixará de haver dinheiro para isso. A propósito, os ditos comentadores apresentam o exemplo do Sporting, que joga com base na prata da casa.
Ora, esta teoria está completamente errada, visto que as compras de jogadores estrangeiros não são uma despesa mas sim um investimento rentável. Ou seja, os clubes ganham dinheiro com esses jogadores, comprando-os a baixo custo, valorizando-os e vendendo-os caro. É certo que há negócios que se revelam autênticos flops, mas há outros tremendamente lucrativos, como os de Di Maria, Falcão, Hulk ou Enzo Pérez. No Benfica, o balanço de perdas e ganhos na era Jesus apresenta um saldo positivo de quase 25 milhões de euros, segundo o Record. E ainda aí não figuram jogadores como Salvio, Gaitán, Samaris ou Talisca , que vão render bom dinheiro.
Mas há mais. Esta política, além de ser financeiramente lucrativa, é desportivamente um sucesso, porque permite aos grandes clubes portugueses constituírem plantéis mais fortes, dispondo durante dois ou três anos de futebolistas de top do futebol mundial.
O Sporting representa o reverso da medalha. Investindo pouco, também lucra pouco. E não consegue com os jogadores da formação constituir equipas que lhe permitem grandes êxitos desportivos. O certo é que o clube não ganha um campeonato há 13 anos.
Aqueles que falam do 'fim de um ciclo' têm, pois, de rever a teoria."

Toto

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 1 Sporting

Como já tinha previsto esta Fase Final vai ser dolorosa...!!!

Ferreira; Santos, Dias, Lima, Amaral (Flávio Silva, 71'); Gilson (Rodrigues, 46'), Guga, Alfa; Buta, Witi (Sekidika, 80'); Hildeberto.

terça-feira, 7 de abril de 2015

As 12 Voltas à Gafa o general e a alegria do povo...

"No dia 30 de Junho de 1935, no Lumiar, frente ao Sporting, o Benfica conquistava o seu terceiro Campeonato de Portugal (ou a terceira das suas 28 Taças de Portugal, como preferirem). Um triunfo nítido, absoluto e indiscutível, escreveu Tavares da Silva.

Concluímos esta série de artigos sobre o Campeonato de Portugal com a história da terceira e última vitória do Benfica na prova (ou terceira das 28 Taças de Portugal conquistadas, se preferirem).
Para isso, recuamos até 1935. Ou adiantamos, vendo bem, já que nas últimas semanas tínhamos estado em 1939 e 1931.
Seja como for. É de um Benfica-Sporting que se trata e toda a gente sabe que um Benfica-Sporting tem o saborzinho especial dos grandes «derbies».
Em 30 de Junho de 1935, portanto, Benfica e Sporting defrontam-se no estádio do Lumiar, também conhecido por Stadium de Lisboa, e que viria a ser definitivamente arrendado pelo Sporting a partir de 1937.
Foi a primeira final do Campeonato de Portugal entre os dois gigantes de Lisboa - não seria a única, porque em 1937/38, a derradeira com esta designação, o Sporting venceu o Benfica por 3-1 - e a terceira presença benfiquista no jogo decisivo (o Sporting já vencera a Académica - 3-0, em 1922/23 - e o Barreirense 4-3, em 1933/34; perdendo para o FC Porto - 1-3, em 1921/22 - novamente FC Porto - 1-2, em 1924/25 - Carcavelinhos, 1-3 em 1927/28 - e Belenenses - 1-3, em 1932/33).
Se os 'leões' pareciam especializar-se em finais perdidas (3 em 5), o Benfica ia em duas finais e duas vitórias. Não faltaria a terceira.
Menos participantes do que nas cinco épocas anteriores e, assim sendo, menos uma eliminatória.
Nos oitavos-de-final coube ao Benfica defrontar o Boavista e a coisa foi fácil: 8-3 e 6-2. Por seu lado, o Sporting defrontou o Leixões e após derrota em Matosinhos por 1-2, vitória em Lisboa por 4-1.
Avancemos para os quartos-de-final. Vida agradável para os sportinguistas no confronto contra o, à época, frágil Nacional da Madeira - 7-2 e 9-3. Fava para os 'encarnados' face ao Belenenses: ainda assim, mais duas vitórias 1-0 e 2-1.
Meias-finais: Benfica-Carcavelinhos (vencedor em 1927/28, que em 1942 se uniria ao União Football Lisboa para dar origem ao Atlético) - 4-2 em casa, e derrota por 2-3 em Alcântara. Final garantida.
O Sporting repetia a final do ano anterior (e procurava o segundo troféu consecutivo, algo que só o Benfica conseguiu) à custa do FC Porto e com clareza: 4-0 em Lisboa; 0-0 no Porto.
O «derby» estava marcado para felicidade do povo: 30 de Junho.

Os «capitães» e o general
Há que dizer que as famosas 12 Voltas à Gafa, prova ciclística disputada na zona do Bombarral, com a presença de clubes como Sporting, Benfica, FC Porto, Belenenses, Carcavelinhos, Campo d'Ourique, Rio de Janeiro ou Bombarralense, excitava tanto o povo como a final do Campeonato de Portugal. Ainda por cima com o acicate dos enormes confrontos entre Nicolau e Trindade. Nesse ano, houve surpresa, venceu César Luiz (do Velo Clube «Os Leões»). José Maria Nicolau, com um furo e uma queda à 10.ª Volta, desistiu. Alfredo Trindade foi terceiro atrás ainda de Joaquim Fernandes.
Há festa na aldeia mas também na cidade.
Leia-se a imprensa da época. Pela pena do grande Tavares da Silva. «Pode dizer-se que o dia de hoje foi um dia grande do 'foot-ball' português. Benfica e Sporting pela primeira vez na final do Campeonato de Portugal constitui, na verdade, um momento de sensação. Ao meio-dia, logo que as portas do estádio do Lumiar abriram, apareceram os primeiros assistentes munidos dos respectivos lanches e, como é natural, escolheram os melhores lugares dos peões (...) É o jogo oficial que deve atingir a mais alta receita até hoje realizada entre nós, deixando a perder o Sporting-Belenenses de há dois anos que detinha o 'record'.
Para o público este desafio tem um interesse idêntico a um Portugal-Espanha».

Lá está: era festa!
O Presidente da República, general Óscar Carmona, está presente e faz questão que ambos os «capitães» de equipa, Gustavo Teixeira do Benfica e Rui de Araújo do Sporting, subam ao seu camarote para um cumprimento especial antes de a contenda ter início.

O árbitro é António Carvalho. O Benfica joga melhor, mas o Sporting bate-se galhardamente.
BENFICA: Augusto Amaro; Gatinho, Gustavo Teixeira; Albino, Lucas, Gaspar Pinto; Cardoso, Luís Xavier, Carlos Torres, Rogério Sousa, Valadas.
SPORTING: Dyson; Correia, Faustino; João Jurado, Rui Araújo, Joaquim Serrano; Mourão, Vasco Nunes, Soeiro, Ferdinando, Lopes.
«O jogo do Sporting é feito mais aos repelões, estabelecendo no entanto enorme pânico sempre que a bola chega à grande-área vermelha. Infere-se portanto que o Benfica está actuando com mais ligação mas que a 'maneira' do Sporting tem sido mais perigosa».
Aos 40 minutos - golo do Sporting! Remate de Vasco Nunes, Augusto Amaro lança-se com decisão, mas Soeiro faz a recarga.
Não dura muito a vantagem. Aos 45 minutos - golo do Benfica! Remate de Lucas a meia altura.
Logo no início do segundo tempo, aos 50 minutos, Artur Dyson, que ganhara dois campeonatos de Portugal ao serviço do Benfica, sai desastradamente a uma bola atrasada por Serrano. Valadas é mais rápido e dá vantagem às águias.
A partir daí a vitória está garantida. Nada parece escurecer o seu brilho.
Tavares da Silva que o diga.
«Pela forma por que decorreu este encontro, a vitória não podia ser doutro 'team' senão do Benfica que reproduziu na segunda parte o brilhantismo de jogo do primeiro.
Se contássemos as avançadas de um e de outro lado, as ocasiões de 'goal' frente às duas redes, o domínio exercido pelas duas 'équipes', facilmente chegaríamos à conclusão de que o Benfica foi superior ao Sporting.
Vê-se que o vermelhos se submeteram a um treino cuidadoso e se apresentaram no estádio do Lumiar em forma.
(...) Honra, pois, ao 'team' do Sport Lisboa e Benfica, que soube aproveitar as suas qualidades para alcançar o triunfo - e triunfo nítido, absoluto, indiscutível, triunfo que merecia mesmo mais do que um 'goal' de diferença».
Palavras sábias de um mestre do jornalismo.
O Benfica conquistava frente ao grande rival o seu terceiro Campeonato de Portugal, último com essa designação. A partir de 1938/39 passou a prova designar-se Taça de Portugal. E seguiram-se então mais 25 vitórias. 28 no total, para que não caia absurdamente no esquecimento."

Afonso de Melo, in O Benfica

A maré vermelha

"No incontornável 'Red Pass' desse benfiquista emérito que é o João Gonçalves, encontrei um SMS lapidar do Ricardo Araújo Pereira, ainda a propósito dos tímidos assobios que se fizeram sentir na parte final do Benfica-Nacional: 'Jorge Jesus conseguiu trazer de volta o Benfica da minha infância: a equipa faz uma grande exibição e é assobiada. O Benfica voltou."
Nos últimos anos perdemos campeonatos de forma inglória, mas, mesmo nas derrotas dolorosas, abandonámos a atitude condescendente de quem encontra algum conforto no 'quase'. Nisso, voltou o Benfica com o qual cresci: uma equipa viciada em vitórias, para o qual tudo o que não fosse esmagar os adversários sabia a pouco. Mas também um Benfica que não tolerava exibições cínicas e resultadistas. No Benfica dos meus anos formativos, não bastava vencer, era preciso fazê-lo, para utilizar um neologismo, com 'nota artística'.
Bem sei que o Jorge Jesus é um casmurro com poucos paralelos, que continua a não conseguir montar uma equipa capaz de controlar um jogo com bola, ou que insiste em não fazer a vontade ao adepto de bancada (digam lá, este não era o jogo ideal para o Jonathan Rodriguez aos 70 minutos? Ou para o Gonçalo Guedes aproveitar para brilhar sem pressão?), mas, nos últimos anos de Benfica, há um antes e depois de Jesus.
O Gaitán resumiu, aliás de forma exemplar, o que se passa, quando, no final do jogo afirmou que 'o Benfica pratica um bom futebol e as pessoas divertem-se. Isso é importante'. Diria que os jogadores divertem-se e divertem-nos, o que explica o regresso da maré vermelha e, claro está, dos assobios. Os adeptos habituaram-se a vencer de forma convincente; agora, os jogadores têm de se habituar à exigência de quem já não tolera jogos amorfos. O Benfica da minha infância voltou."

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Lixívia XXVII

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica............... 68 ( 0) = 68
Corruptos........ 65 (+13) = 52
Braga................ 50 (+1) = 49
Sporting.......... 57 (+10) = 47


Jornada atipicamente calma em relação às arbitragens... Será a bonança, antes da tempestade?!
Não consigo deixar de pensar, que o critério largo, quase sem amarelos, nos últimos jogos do Benfica, vai durar somente mais uma jornada (Académica), na jornada seguinte, em Belém, prevejo que qualquer corrente de ar, será motivo para amarelar os jogadores...!!!
Aliás, na novela mais recente, cujo enredo envolveu a marcação da data, para a Final da Taça da Liga, poucos Benfiquistas perceberam, que um Benfica-Marítimo, antes do Benfica-Corruptos para o Campeonato, poderia ser usado para 'limpar' os potenciais amarelos em Belém, mas...!!!
Maxi, Samaris, Salvio, Jonas todos em risco de suspensão. Pessoalmente considero o Samaris e o Salvio fundamentais para o jogo com os Corruptos: já que os potenciais substitutos terão muitas dificuldades no jogo com os Corruptos. Mesmo se a opção para '6' for um Fejsa, sem ritmo...; O Maxi e o Jonas são fundamentais para Belém. Com os Corruptos na Luz, o André Almeida não me assustava, e em relação ao Jonas, é um facto, que na 1.ª volta ficou no banco... e apesar de toda a classe, nos jogos com marcações mais apertadas, tem rendido menos...

O principal erro do Xistra na Luz, foi não ter mostrado um Amarelo ao João Aurélio logo no início da partida, por rasteira ao Eliseu, sem bola... Daqueles amarelos alaranjados!!! Ainda inventou, como de costume, dois livres laterais contra o Benfica: na 1.ª parte por uma suposta falta do Maxi, e no 2.º tempo contrariou mesmo o seu fiscal-de-linha, quando o Eliseu sofreu uma carga do Soares...
A favor do Benfica, enganou-se ao marcar uma falta, que deu num canto mais curto, quando devia ter marcado canto!!! Felizmente não deu golo, senão teríamos mais uma palhaçada!!!
Ainda foi permissivo com os constantes protestos dos Nacionalistas, em contraste com o amarelo mostrado ao Amorim no final da partida...
Mesmo assim, conhecendo a peça, esta terá sido das melhores arbitragens do Xistra num jogo do Benfica...

Em Paços, só descortinei um erro, logo no início da partida, onde é tirado um fora-de-jogo ao Slimani que não existe. Observando o contexto do lance, também é possível verificar que o Argelino domina mal a bola, e que acaba por perder a bola (quando o jogo já estava parado)... É daqueles lances muito difíceis de analisar neste tipo de exercício...

Em Barcelos, o Braga venceu com alguma facilidade. O penalty, é daquelas situações, onde o contacto faltoso existe, a queda é teatralizada (muito), mas a falta não deixa de existir...!!!

Não vi o jogos dos Corruptos, nem assisti a resumos, ou rescaldos... o resultado parece não deixar dúvidas (o 5.º golo 'parece' nascer de uma falta!!!).
O Estoril tem uma equipa fraca, e tem jogado pouco, o 6-0 na Luz é um bom indicador... Mas sem o Kléber (caganeira da semana...), o Babanco (castigado), e o Esiti (lesionado), ficam ainda mais fracos. São só 3 dos jogadores mais físicos do plantel...!!!
(ADENDA: Acabei de ver alguns lances, e tenho a acrescentar que o penalty que deu o 3.º golo aos Corruptos é mal assinalado, pois a falta é fora da área. No 4.º golo o Danilo está em posição regular)


Anexos:
Benfica
1.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Cosme, Prejudicados, Sem influência no resultado
2.ª-Boavista(f), V(1-0), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Setúbal(f), V(0-5), Capela, Nada a assinalar
5.ª-Moreirense(c), V(3-1), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Estoril(f), V(2-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Arouca(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Braga(f), D(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, (2-3), (-3 pontos)
9.ª-Rio Ave(c), V(1-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
10.ª-Nacional(f), V(1-2), Bruno Paixão, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
11.ª-Académica(f), V(0-2), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
12.ª-Belenenses(c), V(3-0), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
13.ª-Corruptos(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Gil Vicente(c), V(1-0), Capela, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
15.ª-Penafiel(f), V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
16.ª-Guimarães(c), V(3-0), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), V(0-4), Xistra, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(f), D(1-0), Paixão, Nada a assinalar
19.ª-Boavista(c), V(3-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
20.ª-Sporting(f), E(1-1), Sousa, Nada a assinalar
21.ª-Setúbal(c), V(3-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado
22.ª-Moreirense(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Estoril(c), V(6-0), Capela, Nada a assinalar
24.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
25.ª-Braga(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
26.ª-Rio Ave(f), D(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
27.ª-Nacional(c), V(3-1), Xistra, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Académica(f), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
2.ª-Arouca(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (2-0), Sem influência resultado
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
4.ª-Belenenses(c), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar
5.ª-Gil Vicente(f), V(0-4), Xistra, Beneficiados, (1-4), Sem influência no resultado
6.ª-Corruptos(c), E(1-1), Benquerença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Penafiel(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Marítimo(c), V(4-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
9.ª-Guimarães(f), D(3-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
10.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
11.ª-Setúbal(c), V(3-0), Soares Dias, Beneficiados, Impossível contabilizar
12.ª-Boavista(f), V(1-3), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Moreirense(c), E(1-1), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
14.ª-Nacional(f), V(0-1), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
15.ª-Estoril(c), V(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
16.ª-Braga(f), V(0-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
17.ª-Rio Ave(c), V(4-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
18.ª-Académica(c), V(1-0), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
19.ª-Arouca(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
20.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa, Nada a assinalar
21.ª-Belenenses(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
22.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Jorge Tavares, Nada a assinalar
23.ª-Corruptos(f), D(3-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
24.ª-Penafiel(c), V(3-2), Bruno Esteves, Beneficiados, Impossível contabilizar
25.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Nada a assinalar
26.ª-Guimarães(c), V(4-1), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
27.ª-Paços de Ferreira(f), E(1-1), Cosme Machado, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-0), Mota, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4.ª-Guimarães(f), E(1-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
5.ª-Boavista(c), E(0-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
6.ª-Sporting(f), E(1-1), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Braga(c), V(2-1), Proença, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
8.ª-Arouca(f), V(0-5), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, (1-6), Sem influência no resultado
9.ª-Nacional(c), V(2-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
10.ª-Estoril(f), E(2-2), Soares Dias, Beneficiados, (3-2), (+1 ponto)
11.ª-Rio Ave(c), V(5-0), Benquerença, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
12.ª-Académica(f), V(0-3), Manuel Mota, Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), D(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14.ª-Setúbal(f), V(4-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
15.ª-Gil Vicente(f), V(1-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
16.ª-Belenenses(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
17.ª-Penafiel(f), V(1-3), Soares Dias, Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
18.ª-Marítimo(f), D(1-0), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(c), V(5-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
20.ª-Moreirense(f), V(0-2), Xistra, Nada a assinalar
21.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
22.ª-Boavista(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
23.ª-Sporting(c), V(3-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
24.ª-Braga(f), V(0-1), Jorge Sousa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
25.ª-Arouca(c), V(1-0), Jorge Tavares, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-Nacional(f), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
27.ª-Estoril(c), V(5-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (3-0), Sem influência no resultado

Braga
1.ª-Boavista(c), V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-0)?!, Impossível contabilizar
2.ª-Moreirense(f), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Estoril(c), V(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), D(1-0), Proença, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(f) E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Corruptos(f), D(2-1), Proença, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
8.ª-Benfica(c), V(2-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (2-3), (+3 pontos)
9.ª-Académica(f) E(1-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
10.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Manuel Oliveira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Penafiel(f), V(1-6), Hugo Miguel, Nada a assinalar
12.ª-Guimarães(c), E(0-0), Xistra, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
14.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Nada assinalar
16.ª-Sporting(c), D(0-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
17.ª-Setúbal(f), V(1-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
18.ª-Boavista(f), D(0-1), Duarte Gomes, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Moreirense(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Estoril(f), V(0-2), Manuel Oliveira, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
21.ª-Arouca(c), V(2-0), Tiago Martins, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
22.ª-Nacional(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Rio Ave(f), V(0-2), Xistra, Nada a assinalar
24.ª-Corruptos(c), D(0-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-1), (-1 pontos)
25.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, (3-0), Sem influência no resultado
26.ª-Académica(c), E(0-0), Paixão, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
27.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Capela, Nada a assinalar

domingo, 5 de abril de 2015

Obrigado, pela paciência!!!

Na última madrugada, já em pleno Domingo de Páscoa, chegámos a uma marca história no Indefectível... Não é fácil, arranjar tempo e às vezes motivação para actualizar o blog todos os dias, mas como está escrito no cabeçalho: Pelo Benfica! Sempre! Aqui fica o numero redondo de visitas:

A bola procura o craque

"Gaitán e Jonas: jogadores extraordinários! E aquele lance de Salvio? Por eles vale a pena ir ao estádio! E há a esperança da reconquista do título!

1. Neste Domingo de Páscoa há pouco futebol em Portugal e algum na Europa. O Real Madrid joga às nossas onze da manhã na busca dos seus adeptos do Médio Oriente, da Índia, do Paquistão, do Vietname, da Indonésia, da China, do Japão, do conjunto da Ásia. É o resultado de uma marca global. Às doze de Espanha é hora de jantar - ou princípio de noite - em muitas cidades, de megacidades daqueles territórios que são os novos consumidores das transmissões televisivas e, por consequência, das camisolas e outros produtos que acompanham as estrelas mundiais do futebol. E, ontem, sábado, à sua hora de almoço - uma menos um quarto da tarde - um Arsenal-Liverpool. São os novos mercados a determinar as horas dos jogos destas marcas. E  os novos horários exigem que haja encontros ao final da manhã na Europa. São os fusos a acompanhar o futebol. E com eles os novos clientes, os novos utentes, os novos consumidores. A força, do futebol!

2. Ontem, perante quase cinquenta mil espectadores - é obra! - o Benfica venceu, com toda a justiça, um Nacional que mostrou, principalmente após a hora de jogo, a qualidade da equipa e a valia de alguns jogadores. Mas a primeira parte do Benfica foi um misto de arte com toque de pragmatismo. E o terceiro golo do Benfica - e o segundo de Jonas - um momento de prazer. Como dizia um ditado popular parece que «a bola de futebol procura o craque». E no Benfica Jonas e Gaitán são mais valias. A bola procura-os. E eles procuram a bola. Como Gaitán fez no arranque da jogada do primeiro golo. Com eles, como uma vez disse o técnico francês Aimé Jacquet, «o futebol ensina simplicidade e autenticidade». E estes dois extraordinários jogadores proporcionam-nos momentos de qualidade e instantes de magia. Ou aquele lance de virtuosismo, e de fulgor individual, protagonizado por Salvio na parte final da partida. Por eles, vale a pena ir ao Estádio. Com eles após o triunfo da inspiração há segundos seguidos de felicidade. E com eles há a esperança da reconquista do campeonato. Objectivo central de todo o universo benfiquista!

3. (...)

4. Um árbitro, Fabrício Corrêa, disse um dia que «a carreira mais difícil é a de árbitro». Acredito que os árbitros portugueses escutam as constantes declarações e comentários do treinador do Futebol Clube do Porto com um misto de surpresa e de excesso de paixão. Sabemos que o «talento no futebol precisa de ser solidário». Seja o talento do jogador, seja do dirigente, seja do árbitro, seja do treinador. E quando alguém prega «sem ser ouvido» - ou sequer escutado - por não ter claramente razão, torna-se um solitário que nem parte dos que lhe estão próximos acompanham. Como disse Johan Cruyff, «eu divirto-me vendo futebol, mas há futebol que não me diverte». Com as necessárias adaptações começamos a sentir isso quando escutamos Julen Lopetegui nas suas conferências de imprensa. Antes ou depois dos jogos. E sentindo que anseia pelo regresso rápido de Jackson Martinez. De forma a acalmar todos os espíritos inquietos. Na antevéspera dos jogos da Liga dos Campeões e da visita ao Estádio da Luz. Na certeza de que, como disse um dia o técnico chileno Juvenal Olmos, um «técnico de futebol precisa de saber adaptar-se, quando fizer calor deve colocar um calção de banho e um abrigo no frio; aquele que gosta só de agasalho pode morrer de calor»!

5. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

Voltou a ser dia da águia boa

"Há uma águia boa e uma águia má. Ontem, foi dia de águia boa, aquela que voa alto, que se mostra imperial, que ganha fácil e faz bom espectáculo.
No entanto, ainda se vislumbrou uma aparição fugaz da águia má, mas a coisa já estava resolvida. Foi quando a águia boa se cansou de ser forte e de ser bela e chamou aquela sua irmã depenada que é águia só de nome.
Não é fácil de entender. O Benfica mantém a persistência de uma estranha irregularidade. Às vezes, essa irregularidade mostra-se de jogo para jogo. Parece frágil quando joga fora de casa e mostra-se fortíssimo quando joga na Luz. Mas, agora, já manifesta toda essa irregularidade em cada jogo. Como aconteceu ontem. O Benfica teve mais de uma hora de domínio absoluta, de grande qualidade competitiva, mas, depois, como que não resistiu à tentação de voltar a descansar no jogo e isso, manifestamente, não sabe fazer sem perder qualidade, sem se expor e sem correr risco de ser surpreendido pelo adversário. Qualquer que seja o adversário.
Pode perguntar-se, e com toda a legitimidade, por que razão o Benfica sente, afinal, tanta necessidade de descansar no jogo. Não se percebe. A equipa joga uma vez por semana e não parece, de facto, cansada. Mesmo assim insiste na gestão do jogo, na economia de esforço, apesar de saber que este Campeonato até pode vir a ser resolvido por golos.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Esta crónica do Serpa tem um post-scriptum (que recuso-me a transcrever), onde faz (mais uma vez) a defesa (elogio) do Marco Silva, apesar do resultado negativo de ontem...!!!
É caso para dizer: alguns nascem mesmo com o 'traseiro' virado para a Lua!!!
Enquanto outros, por mais competência demonstrada, continuam sempre a ser os mal-amados... Ter bons padrinhos, dá nisto...

sábado, 4 de abril de 2015

Iluminar o caminho... com golos

Benfica 3 - 1 Nacional

Mais uma final ultrapassada com distinção. Não foi um jogo demolidor, como já assistimos esta época na Luz, mas foi um jogo bem conseguido, onde o Benfica soube gerir a vantagem, com alguma tranquilidade, a excepção foi mesmo aqueles minutos entre o golo do Nacional e um remate perigoso logo a seguir, que levou a Luz a assobiar...
Uma das variáveis esta tarde, acabou por ser o Calor!!! Hoje em dia, os jogos são quase todos à noite (os jogadores parece que gostam do fresquinho da noite), e esta subida de temperatura nos últimos dias parece que surpreendeu alguns jogadores. Então no final da 1.ª parte, houve vários jogadores, das duas equipas, completamente de rastos, com destaque para o Eliseu...!!! Eu, até pensei que o rapaz estava lesionado!!! Aparentemente era só cansaço!!!
O Jesus no final da partida referiu que o Benfica foi incapaz de manter o ritmo, e que isso até é normal, porque ninguém consegue fazer um jogo de 90 minutos a alto ritmo, principalmente na recuperação alta, e nas desmarcações... Tudo isso é verdade, mas hoje, a 'gestão' começou mais cedo: na 1.ª parte logo a seguir ao 2.º golo; na 2.ª parte logo a seguir ao 3.º golo!!!
Será de facto muito difícil parar o Benfica na Luz. A relva está cortada, o relvado é molhado, o que favorece o nosso estilo de jogo... com os nossos jogadores mais ofensivos inspirados, é um regalo observar as combinações... Às vezes até exagerámos nos bonitos!!! Não sei se os jogadores do Benfica tem alguma coisa contra os jogadores do Nacional, mas hoje, perdi a conta às 'cuecas'!!! Parecia que valiam 'pontos'!!!
O jogo até começou 'longe' da baliza do Nacional, os Madeirenses tentaram impedir a 1.ª fase de construção do Benfica, pressionando a saída de bola do Júlio César, mas quando conseguimos colocar a bola no chão, cheirava a golo...!!! Tentámos gerir o jogo logo a seguir ao 2.º golo, algo que podia ter corrido mal... Com as alterações tácticas ao intervalo, ficámos com espaço para efectuar contra-ataques, falhámos alguns golos feitos, mas quando o Jonas meteu a bola na gaveta superior, o jogo ficou fechado... ou pelo devia ter ficado, não fosse o erro do Eliseu... Mas mesmo assim, tivemos sempre mais próximos do 4.º do que o Nacional do 3-2...
Este jogo teve outra variável curiosa: o Machado mudou de estratégia ao intervalo. A perder por 2-0, tirou os três caceteiros do meio-campo, meteu mais um ponta-de-lança, e colocou dois médios-centros de características ofensivas. E não é, que o Nacional jogou melhor?! Esta cultura Tuga, dos 'trincos' e 'retrincos', do perder por poucos, do jogar na contenção e esperar por um erro do adversário, continua a 'matar' o futebol em Portugal. Os Presidentes, e os Treinadores, ainda não perceberam que se quiserem aumentar as receitas têm que apresentar bons espectáculos, em vez dos jogos deprimentes que nos brindam habitualmente. Creio que hoje, ficou provado que o Nacional, não ficou pior, quando arriscou mais...!!!
O Júlio César foi praticamente um espectador, podia ter levado o bronzeador... no golo não tinha hipóteses.
O Lisandro fez um excelente jogo, e não foi uma partida fácil, primeiro o Lucas João, depois o Soares, muito trabalho, muito encontrão... Em relação ao Luisão, perde no passe, na 1.ª fase de construção, mas actualmente, fisicamente, é mais disponível... Pena ter falhado aquele golo...!!!
Mais uma grande partida do Jardel, imperial no ar...
O mesmo se pode dizer do Super-Maxi, intratável, a defender e a atacar...
O Eliseu foi o principal responsável pelo golo do Nacional, em mais uma jogada que demonstrou displicência. Como já descrevi, acabou a 1.ª parte completamente de rastos... felizmente o Nacional não aproveitou.
Mais um bom jogo do Samaris, apesar de ter terminado também bastante cansado.
O Pizzi continua a alternar o muito bom, com algumas decisões erradas. Não é fácil mudar a atitude de extremo, onde se arrisca fintas, para de médio-centro, onde não se pode perder a bola... mas quando as coisas saem bem, é de facto muito bonito!!!
Regresso do Nico, em grande forma, foi o MVP do jogo... a recuperação de bola que fez no 1.º golo foi fundamental. Acabou por exagerar nos bonitos, mas quando está em campo, o Benfica é realmente outro...!!! Foi outro dos jogadores, que teve dificuldades com o calor...
O Toto voltou às grandes exibições, excelentes arrancadas, muitos túneis, e aquela finta no final merecia um golo, mas o poste não quis... Curiosamente o Salvio costuma fazer grandes exibições contra o Marçal, seria interessante ver este duelo na próxima época nos jogos contra os Lagartos!!! (Só agora é que descobri que o Marçal não jogou!!! Foi o Sequeira que jogou a defesa-esquerdo... Mas tirando este simples erro, tudo o que disse sobre os confrontos Salvio/Marçal é verdade!!!)
É difícil arranjar adjectivos para classificar as exibições do Jonas... Pura classe. E até nas saídas de bola do Júlio César, já é o Jonas que dá ordens ao resto do pessoal...!!! Mais dois golos... foi pena aquela cabeçada antes do intervalo, seria mais um grande golo após jogada colectiva...
O Lima também marcou, mas hoje até se destacou nas tabelas de peito!!!
A fava saiu ao Talisca, que entrou para partir um dedo... numa jogada onde devia ter passado a bola mais cedo!!!
É estranho chegar ao fim de um jogo apitado pelo Xistra, e não ter grandes razões de queixa!!! O jogo acabou por ser fácil... pessoalmente, acho que foi condescendente com os constantes protestos dos Madeirenses (e depois no final, deu um amarelo ao Amorim por protestos!!!), e demorou muito a sacar o primeiro amarelo ao Nacional... Apesar de não ter consequência, aquela falta que o Fiscal marca a favor do Benfica, e ele marca ao contrário, é também outra das marcas nos jogos do Benfica: faltas laterais contra o Benfica, basta um 'corrente de ar'!!!

3 pontos em Olhão

Olhanense 1 - 2 Benfica B

Jogo a hora estranha, sem televisão, e com poucas informações...
O João Teixeira, marcou ainda no 1.º tempo... o Vítor Andrade parece que marcou um grande golo (mais um?!)... o Olhão reduziu perto do final.
Continuamos na luta pelo título!

M. Santos; Semedo, Nunes, Valente, Rebocho; Lindelof, Teixeira (Elbio, 82'); Carvalho (Gonçalves, 77'), N. Santos, Andrade; Sarkic (Sanches, 69).

2.º jogo

Corruptos 28 - 27 Benfica

Tal como tinha acontecido no jogo da Taça, voltámos a gerir mal os últimos segundos...
No papel, o Benfica devia ter perdido estes jogos por larga margem, mas temos assistido a jogos equilibrados (onde um único jogador dos Corruptos vale por meia-equipa)!!!
Creio que o objectivo para esta época, aquele que está ao nosso alcance, é a Challenge Cup... e tenho confiança que o Ortega, após aquilo que assistiu, poderá perceber aquilo que falta para o Benfica, fazer no Andebol, aquilo que tem feito nas outras modalidades de Pavilhão em Portugal, nas próximas épocas...
Na Quarta-feira temos o 3.º jogo na Luz. Seria interessante prolongar a meia-final, apesar dos resultados (no Benfica, só a vitória interessa...), esta equipa tem de facto algumas limitações, mas tem espírito colectivo, e merecia ir pelo menos ao 5.º jogo...

Juniores - 6.ª jornada - Fase Final

Rio Ave 2 - 1 Benfica

Com a derrota dos Corruptos em Guimarães na última jornada, a esperança, apesar de ténue, regressou... mas agora, independentemente dos outros resultados, estamos fora da corrida do título, definitivamente.
A função principal da Formação é fazer evoluir os jogadores, e não vencer exclusivamente títulos, mas não deixa de ser frustrante, uma geração que já chegou a levar 14 jogadores às Selecções (na mesma convocatória), ter um desempenho tão fraco...
Hoje, acabámos com 9 jogadores, parece que ainda falhámos um penalty...!!!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Muito mais do que futebol

"O Benfica lidera o Campeonato e está qualificado para a final da Taça da Liga. A última época do futebol encarnado foi desportivamente a melhor dos últimos quarenta anos. Dito isto, percebe-se que não escrevo o que se segue para branquear ou desviar os olhares de resultados menos conseguidos no futebol.
O maior feito do consulado de Filipe Vieira no Benfica foi a manutenção e reforço das modalidades. Ver as modalidades do Benfica a disputar as provas internas quase todas, a conquistar Taças e títulos nacionais e a fazer provas europeias de prestígio coloca o clube num patamar que ele merece. Muito mais do que um clube de futebol. Como dizia esta semana Markovic, seja no voleibol ou no futsal, o Benfica é uma religião. Visto de fora por quem conhece é assim que parece. A qualificação para uma final europeia no voleibol, feito único no voleibol do clube, é mais um grande passo neste caminho, que defendo. Estava em Paris quando recebi a notícia da vitória sobre os italianos e festejei tanto ou mais que um feito do futebol. Tenho orgulho neste caminho que o Benfica seguiu, não optando pela via mais fácil.
Amanhã, voltamos à luta pelo 34.º título de futebol, precisamente contra o emblema que nos manteve como favoritos na última jornada ao empatar o rival. Estamos, pois, mais do que avisados. Na Luz, com o apoio do público, com Gaitán de regresso, é preciso vencer. O FC Porto entrou pela Madeira dentro pela terceira vez esta época, deixando por terra a competição pela qual mais chorou. O Benfica continuará a ser o único clube que venceu todas as provas nacionais, aconteça o que acontecer até ao fim. Foi em noite de última ceia que Lopetegui teve a última possibilidade de mostrar saber o clube que treina. Não creio que ressuscite, nem depois do terceiro dia... Amanhã irá dizer que lhe faltou treinar no Machico, mas para os seus adeptos falhou mesmo foi a vitória."

Sílvio Cervan, in A Bola

Nova vitória

Barcelos 77 - 82 Benfica
20-26, 21-14, 12-25, 24-17

Após a Final da Taça, novo encontro com o Barcelos, desta vez sem o Carlos Andrade, castigado após as 'celebrações' perfeitamente evitáveis no jogo da Taça...

Estávamos obrigados a ganhar, para não perder a liderança, já que o Guimarães está próximo... Começamos bem, mas tivemos um péssimo 2.º período!!! Aliás, estivemos bem no 1.º e 3.º períodos, e mal no 2.º e na parte final do 4.º, onde permitimos uma recuperação do Barcelos nos últimos 2 minutos até aos 77-78 a 45 segundos do fim!!! Mas conseguimos aguentar...!!!
Um jogo onde perdemos a luta dos ressaltos, onde foram marcadas muitas faltas (sendo o Benfica curiosamente o mais penalizado, apesar da defesa dos nossos adversários ser sempre muito mais agressiva...), e onde o mau aproveitamento do Barcelos da linha de lance livre foi decisivo (isto é um recado especialmente dedicado ao Lonkovic que até poderá ser jogador do Benfica no futuro próximo...)!!!

Meia dúzia

Benfica 6 - 1 Boavista

Boa vitória, num regresso após paragem para a Selecção. Jogo com pouca história, o Benfica foi sempre superior... boa atitude, sempre a pressionar, e com mais algum acerto no remate podíamos ter ganho por mais.
O Boavista tem uma equipa recheada de veteranos, ainda criaram algum trabalho aos nossos guarda-redes (o Juanjo é mal batido no golo sofrido...), mas onde os Boavisteiros se destacaram mais, foi a dar porrada!!! Várias entradas completamente disparatadas...!!!