Últimas indefectivações

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O sacrifício do carneiro

"1. O Campeão dos Arguidos do Futebol Português gosta de tribunais. Quando não é convocado para estar presente, avança com processos. Candidata-se portanto ao título de Campeão dos Assistentes do Futebol Português. É mais um título para um currículo brilhante.

2. Desta vez lançou mão ao pescoço de um dos seus carneiros mais servis. Nem dez anos de louvaminhas - à mistura com erros primários de ortografia e sintaxe, pagos principescamente por quem aprecia a ignorância -, e de hinos bacocos a uma incultura baseada na violência e corrupção valeram ao pobre lorpa a boa vontade do chefe.

3. O infinito respeito que tenho pela liberdade de expressão devia inclinar a minha simpatia a favor de Vitelius. Mas como não incluo o insulto constante e gratuito e o levantar maldoso de intenções não comprovadas na lista dos delitos de opinião, sento-me no sofá e aprecio com bonomia a fantochada. Recordando-me de um velho ditado chinês que, traduzido em português popularucho, diz algo como isto: cão que muito babuja os calcanhares do dono arrisca-se a levar um pontapé no focinho.

P.S. - A Picareta Falante não perde uma hipótese que seja para cair no ridículo. Agora quer o pobre do Carlos Lopes no Panteão Nacional. Alguém o avise que é preciso morrer primeiro. E que o Carlos é capaz de não estar pelos ajustes."

Afonso de Melo, in O Benfica

Andamos todos a pedir: «diga 33»

"Os adeptos do Benfica repetem como o 'Vasco da Anatomia' na Canção de Lisboa: «diga 33». O trigésimo terceiro título nacional está mesmo à porta, e se tudo correr bem, pode ressuscitar pela Páscoa. A vitória, com resultado esclarecedor sobre o Rio Ave, cumpriu mas uma etapa rumo a esse que constituiu na ambição de técnico e jogadores o mais importante marco da temporada.
Confesso que para mim, Taça de Portugal ou Liga Europa transformariam uma boa época numa época de sonho. O tamanho da ambição deve ser proporcional ao tamanho do clube. Há até alguma injustiça na meia final da Taça de Portugal da próxima quarta-feira. O Benfica (eu pelo menos) aspira a chegar ao Estádio Nacional e jogar uma competição importante; para o FC Porto é apenas um jogo que os leva ao Municipal de Oeiras. É injusto para os azuis e brancos.
Uma palavra para os jovens do Benfica que hoje em Nyon jogam com o Real Madrid as meias-finais de uma Liga dos Campeões dos mais jovens.
Está a ser uma magnífica prestação nos quatro melhores da Europa com Real Madrid, Barcelona e Schalke 04.
Na Liga Europa, a vantagem da primeira mão trazida da Holanda era um perigo e uma oportunidade. Umas meias-finais europeias, não são coisa de todos os anos, e não se podem desaproveitar.
O Benfica foi sempre melhor que os holandeses, e hoje no sorteio, em Nyon, estão as quatro melhores equipas da competição mas se pudesse escolher preferia não ir já a Turim. Sevilha e Valência seria preferível para jogar com ambição de chegar a Turim mais tarde. Mesmo antes de festejar outros feitos, merecemos festejar estas meias-finais como um bom momento do clube. Hoje ouvir o sorteio em directo é, para já, um justo prémio para a nação benfiquista..."

Sílvio Cervan, in A Bola

O maior clube do Norte

"Foram quatro dias nos distritos e de Braga. Entre outros, na companhia do António Simões, figura emblemática do nosso Benfica. Contactos múltiplos, encontros, reencontros, novos conhecimentos, sempre gente, muita gente. Também bola, sempre boa, muita bola.
Ainda há dúvidas? Não obstante a excelente atmosfera emocional do Clube, muito sentida nas paragens nortenhas, qual é mesmo o emblema desportivo mais querido em toda a região? O Benfica, disparadamente.
Chegou a ser comovedor certificar, nestes dias recentes de convivências variadas, a estima de que o Benfica é usufrutuário a Norte do Douro. Não há uma rua, uma praça, um estabelecimento, uma casa particular que não revele pessoas com simpatia pelo Benfica. Mais do que simpatia, efectiva veneração. A popularidade do Clube tem uma aura singular. Existe enorme apreço pela sua história, emoção pelo seu presente, confiança no seu porvir.
A Norte, os sentimentos são muito arreigado, até inveterados. Vive-se o Benfica com paixão incontida. A distância da Luz ainda confere mais e melhor luz aos aficionados. É um clarão de prazer, um esplendor de contentamento. O Benfica reina, magnânimo, do imaginário popular.
Há quem se arrogue de principal defensor, no domínio da bola, das gentes nortenhas. Pura sobranceria, manifesta arrogância, inequívoca desfaçatez, evidente falsidade. O Benfica é, sem querelas ou controvérsias, a mais representativa insígnia do povo do Norte."

João Malheiro, in O Benfica

Rumo à Glória

"Duas vitórias, seis pontos. É o que necessitamos para garantir o título. Parece pouco. Pode até ser pouco. Mas ainda falta esse 'pouco' para soltarmos foguetes, e fazermos a tão desejada festa.
O calendário é favorável? E que dizer da época passada, quando bastava vencer, na Luz, as duas equipas que haviam subido à 1.ª Liga? Não é fácil lembrar, mas não podemos esquecer.
Digamos que um Benfica à imagem daquele que temos visto nos últimos três meses (inspirado por Eusébio e Coluna), chegará, e sobrará, para ultrapassar os obstáculos que ainda tem por diante,alcançando com segurança o principal desiderato da temporada. Mas esse Benfica tem de se manter vigilante, tem de jogar , e tem de ganhar, sabendo que do outro lado estão conjuntos necessitados de pontos, e sabendo que um eventual percalço pode fazer ressuscitar velhos fantasmas - enervando os nossos, e estimulando rivais.
Que temos a melhor equipa portuguesa, ninguém ousa negar. Aliás, já a tínhamos em 2011-23, e em 2012-13. Dos últimos sessenta jogos a contar para o Campeonato Nacional, apenas perdemos dois. Em toda a era Jorge Jesus, só em 2010-11 não fomos os melhores. Agora, além de melhores, temos de ser também primeiros. Temos de nos manter primeiros.
No momento em que escrevo, desconheço o desfecho da eliminatória europeia. Hoje mesmo, será dia de sorteio. De uma, e de outro, dependerão as aspirações que ainda podemos ter fora de portas.
Na quarta-feira joga-se a Taça - que nos foge desde 2004. Espera-se um Benfica à Benfica, capaz de ultrapassar um adversário revitalizado, e um resultado negativo trazido na 1.ª mão. Estamos em dívida para com a Taça de Portugal. Precisamos de ir novamente ao Jamor, desta vez para empurrar a fatalidade, e trazer o troféu. E ainda há a Taça da Liga.
Muita coisa está, pois, sobre a mesa. Todos os jogos. Todas as finais. E ganhá-las.
O grande Benfica que temos no presente, merece a glória que já teve no passado. E vai tê-la."

Luís Fialho, in O Benfica

Quando?

"1. Por mais cautelosos que sejamos, por muito marcados que tenhamos ficado pelo que aconteceu há um ano, não conseguimos pensar noutra coisa que não seja no título. Já não está em causa o 'se' mas sim o 'quando'. Agora, a questão é se seremos ou não campeões frente ao Olhanense, dentro de uma semana. Depois da excelente exibição no jogo com o Rio Ave - aquela primeira parte foi de luxo -, há que ganhar no domingo ao Arouca. Mas será preciso jogar e lutar, frente a uma formação que, com muito antijogo pelo meio, conseguiu empatar no nosso Estádio. Vamos a isto. Está quase...

2. A semana passada incluiu o dia das mentiras. Mas não foram mentira nem os dois meses de castigo (e mais uma multa avultada) a Luís Filipe Vieira por comentários a uma arbitragem (aquilo ao pé do que já disseram outros presidentes...); nem o 'castigo' de alguns euros ao Quaresma pela 'peixeirada' no final do jogo na Madeira; nem o apuramento do FC Porto na Taça da Liga por ter, deliberadamente, atrasado o início do jogo mas, claro..., sem querer lesar o Sporting; nem o regresso do Boavista à I Liga, com inapropriado aumento do número de clubes; nem, até, imagine-se, a SAD do FC Porto ter colocado uma acção ao seu associado Miguel Sousa Tavares por este ter posto em dúvida as contas e o destino dos dinheiros das transferências de alguns jogadores do clube. Enfim, um dia em cheio, a confirmar (como se fosse preciso) que o nosso futebol continua a dar cartas em matéria de justiça e que a direcção do FC Porto soma e segue já que, para além do atraso e do processo ao seu associado, chegou ao cúmulo de ter recusado, dias depois, que os miúdos do Farense entrassem em campo pela mão dos seus jogadores da equipa B!

3. Uma palavra para o regresso do Boavista. Para os clubes de Lisboa, seria importante um segundo clube forte no Porto e fico feliz pelo 'nosso' Petit,embora a sua função na próxima época seja bem complicada. Mas não deveria ser assim o regresso do Boavista ao topo. Já se viu que 18 clubes é demasiado na Liga e esta promoção acaba por 'limpar' todas as poucas vergonhas em que o Boavista (e nomeadamente os Loureiros, pai e filho) estiveram implicados, relacionados com o Apito Dourado. Mas como o FC Porto e o seu presidente acabaram por nada sofrer e foram até mais responsáveis... Enfim, só falta mesmo levarem todos um louvor."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Da arte

"Ortega y Gasset mostrou-nos como a depuração é a essência da beleza na arte. Muitos o secundaram e um dos meus escritores portugueses preferidos, Miguel Torga, mostrou-nos como a depuração do supérfluo conduz a uma arte substantiva, sem o elemento barroco do adjectivo desnecessário. A arte apresenta-se-nos assim, nua, crua e sem o subterfúgio da fuga ao tutano, à essência. Nesta perspectiva, tudo o que vá para além do tutano é uma traição à beleza. Aprecio esta visão da arte, mas quando chego ao universo do futebol vejo que a beleza dessa arte vai muito para além do tutano.
Vem tudo isto a propósito do mais recente jogo entre o Benfica e o Rio Ave. Para a história ficará um resultado feito da agradável banalidade de mais uma vitória expressiva do Benfica. Para a memória (e a memória constrói e transcende a história) fica esse ‘conflito’ entre o tutano de uma ideia de jogo (uma identidade competitiva construída pelo treinador que melhor pensa o futebol em Portugal) e a criatividade individual decorrente do génio de cada um dos futebolistas do nosso Benfica. Esse rasgo permanente de criatividade faz dos futebolistas mais do que meros executantes e eleva-os à qualidade de criadores que, criando em prol do todo, superam a banal recriação. Ou seja, no tutano, na essência e sem nada de supérfluo está a arte de Jorge Jesus. No entanto, a beleza desta arte está entregue a Gaitan, Enzo, Markovic e tantos outros que à essência do resultado juntam a tal “nota artística” tão comentada pelo treinador do Benfica.
Foi esta síntese entre a arte substantiva e o adorno da beleza adjectiva que aplaudimos no final do jogo com o Rio Ave."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Líder

"O Benfica, única equipa portuguesa com visibilidade no Club Worl Ranking, onde ocupa a nona posição da tabela e convive com a elite do melhor futebol do mundo, lidera o campeonato da Liga Portuguesa, enquanto o Estádio da Luz lidera o ranking do total de espectadores na Liga. Os melhores espectadores merecem o espectáculo do melhor futebol, no mais confortável recinto e a isto chama-se justiça.
Nenhum outro Estádio em Portugal regista melhor média de assistência por jogo, sendo que o Glorioso SLB é um clube popular, constituído maioritariamente por gente simples, gente de trabalho, que sacrifica alguma coisa por uma quota mensal ou por ida ao futebol. E a verdade é que num tempo de crise social muito profunda e dolorosa, como a que se vive em Portugal, o Benfica passou largamente o meio milhão de espectadores nas 13 jornadas em casa para o campeonato da Liga. Nenhuma outra equipa se aproxima das médias de assistência do Estádio da Luz. E o Benfica, que faz boas 'casas' nos jogos domésticos, ainda ajuda os outros, quando visitante. Os quatro jogos com mais assistência no campeonato são com o Benfica no Estádio da Luz; o sexto jogo, o da maior assistência em Alvalade, é na visita do Benfica.
E depois, nós sabemos, o que significa ir ao futebol, para ver e apoiar o Benfica, o que representava de participação, entrega, envolvimento. Sabemos nós, que nos sentamos nas bancadas, e sabem os que vão a jogo dentro do campo. Há testemunhos de jogadores que vestiram aquela camisola, entraram naquele relvado e sentiram o calor humano que vem das bancadas, que constituem verdadeiras declarações de amor ao Benfica.
O amor tem que ser correspondido. E que melhor podem esperar os que amam o Benfica que a correspondência de mais um título?"

João Paulo Guerra, in O Benfica

Entretanto em Alkmaar foi assim...

Fazer história...!!!

Benfica 4 - 0 Real Madrid

Grande resultado dos nossos jovens, o jogo acabou por cair para o nosso lado, os Espanhóis demonstraram falta de maturidade competitiva, beneficiamos de 3 penalty's (todos bem marcados), e de uma expulsão prematura (justa), mas isso não pode servir para desvalorizar o resultado histórico.
Em vantagem numérica, o Benfica podia ter controlado o jogo de outra forma, permitimos demasiadas jogadas de perigo junto da nossa área, podíamos ter marcado mais golos, mas o que interessa é qualificação para a Final... Muito provavelmente com o Barça!!!
Foi pena o cartão amarelo ao Guzzo, que não vai jogar a final, mas com o Barça se calhar até é melhor jogar com o Estrela e o Gilson...
O Hildeberto, o Nuno Santos e o Rochinha estiveram muito bem... o Gonçalo Guedes tem que fazer mais na Final. 


U-19: SL Benfica 4-0 Real Madrid por AsPapoilasSaltitantes

Juventus

Finalmente tivemos um sorteio da UEFA aparentemente sem arranjinhos, e calhou logo a fava ao Benfica!!!
Já li na net, que este foi o pior sorteio para as Meias-finais, e o melhor sorteio para ganhar a Liga Europa, e eu concordo!!! Seria mais difícil derrotar a Juve na Final em Turin, num jogo, mas para 'beneficiar' dessa possível Final sem a equipa da casa, é preciso eliminar a Juve... Mas mais do que o adversário, não gostei de jogar o 2.º jogo fora. O ano passado foi na Luz que carimbámos a passagem para a Final, e gostaria de reviver um ambiente idêntico este ano...

Desportivamente a Juve é em teoria o adversário mais difícil, com um plantel muito completo, só avançados são Tevez, Lorente, Vucinic e Osvaldo!!! Além disso têm o Pilro, qualquer livre à entrada da área é como fosse um penalty (e ele até já nos lixou mais do que uma vez no Milan!!!).
Mas um jovem e frágil Lyon deu muito trabalho à Juve, nos dois jogos. Não existem jogos iguais, mas as dificuldades que o Lyon criou à Juve podem ser um bom indicador...
Vidal, Pogba, Asamoh, são outros perigos...
Apesar da qualidade do adversário, creio que os factores mais decisivos dependem do Benfica:
- Decidir o Campeonato no máximo no jogo com o Olhanense (que não pode ser adiado para Segunda-feira)!!!
- Não termos mais lesões ou castigos. Apesar das muitas opções no nosso plantel, a este nível, não existe margem de erro...

Recordo-me bem do último jogo da Juve na Luz, acabámos por ser eliminados em Itália, recordo-me mais recentemente de um particular em França - na pré-época -, com Juve (do Conte), onde tivemos muita dificuldade em encaixar no esquema dos 3 centrais da Juventus!!!

Confirmação Europeia

Benfica 2 - 0 AZ Alkmaar

Jogo jogado ao ritmo que melhor interessava ao Benfica, que mesmo com 7 alterações em relação ao jogo de Segunda-feira - em vantagem na eliminatória -, não precisava de grandes cavalgadas. Mesmo assim, as oportunidades foram todas nossas, só o Cardozo teve 4 golos nos pés - o guarda-redes deles esteve bem... -, o Artur foi quase um espectador. Estava à espera de um AZ mais atrevido, é óbvio que o sorteio nos foi favorável, mas mais uma vez mostrámos muita consistência defensiva...
Se o Rodrigo marcou os golos, foi o Salvio que os 'inventou'!!! Confirmando a sua subida de forma, neste momento o Argentino já está a jogar a um nível superior ao Markovic. O Siqueira, fresco, voltou a fazer um excelente jogo...
Espero que a substituição do Fejsa tenha sido só por precaução. O André Gomes esteve regular, mas devia ter arriscado mais nos passes longos, defensivamente soube fazer as faltas úteis... Esta noite, numa recuperação de bola o André Gomes, foi obrigado, a levar a bola para a frente em progressão, fintando 2 ou 3 adversários, finalizando a jogada num passe arriscado ao Sulejmani que foi interceptado: se o André tivesse confiança, e audácia, para tentar fazer mais estas arrancadas, seria um enorme jogador!!!
Desta vez tenho que dar os parabéns à grande maioria dos Benfiquistas, que na Luz, após os sucessivos falhanços do Cardozo, não deixaram de o apoiar, terminando mesmo a cantar a música do Tacuara. O golo - em bola corrida - está cada vez mais próximo, acredito que Aveiro poderá ser talismã para o Cardozo, e para o Benfica!!!
O único jogador com um rendimento baixo foi o Sulejmani, e não foi uma questão de atitude, o rapaz até tentou, mas nada lhe saia bem...!!!
Gostei da arbitragem, mas aquele cartão ao Salvio, deixou-me fulo... Depois de duas entradas duras, onde nada foi assinalado, dar um cartão naquela situação, é parvo. E agora temos o Toto - a subir de forma -, à 'bica' do castigo!!! Com o Rúben e o André Almeida...
A apetência Europeia do Benfica de Jesus confirma-se... Ainda estava o Jesus a treinar o Braga, já eu dizia que o Benfica treinado por ele, estaria sempre nas fases finais das competições Europeias - mesmo afirmando que internamente tinha dúvidas, sobre o sucesso do Jesus no Benfica!!! -, ainda me recordo das temporadas Europeias, recentes, pré-Jesus, onde um Benfica tímido, era recorrentemente eliminado por equipas inferiores. Além da qualidade futebolística dos jogadores, além da qualidade táctica da equipa, muito do sucesso do Benfica na Europa, nas últimas temporadas, deve-se essencialmente à atitude, que o treinador transmite à equipa... e esta época, fazendo uma Liga Europa, praticamente com 2.ªs opções, ainda se nota mais, esta atitude positiva, ganhadora... para dar o 'salto', e podermos estar a fazer de 'Atlético de Madrid' só falta 'acertar' a fase de grupos da Champions. Mas os inícios de época menos fulgurantes, têm impedido chegar às decisões na Champions, mas já faltou mais...!!!
Estava à espera do Basileia nas Meias-finais!!! Mas o Valência estragou-me o desejo... Não gosto de equipas Italianas e Espanholas. Na era Jesus, os sorteios tem sido favoráveis, e temos evitado equipas destes países, mas agora, não temos escolha... Como desconfio muito, dos sorteios da UEFA, e como várias pessoas a nível Europeu, já 'pediram' uma Final Juventus-Benfica, parece-me que amanhã vai-nos calhar o Valência ou o Sevilha... Temos equipa para ambas, se o Campeonato já estiver decidido, então considero mesmo que somos favoritos, mas muito cuidado, tanto o Valência como o Sevilha podem ter deficiências defensivas, mas com a bola no pé são perigosos, e além disso estão habituados a jogar partidas de grande intensidade, semanalmente, na Liga Espanhola.
A única nota negativa da noite, acabou por ser a lesão grave do Sílvio. O mais importante neste momento é a recuperação do jogador. Mas se eu fosse dirigente do Benfica, neste momento, tentava rapidamente contratar definitivamente o Sílvio!!! Até pode ser que o Atlético de Madrid, com esta lesão, fique mais susceptível a chegar a um acordo!!! Se bem me recordo, o empréstimo do Sílvio, não tem cláusula de opção, o que torna a situação mais complicada... Com a cada vez mais provável saída do Siqueira (os valores da cláusula de opção são demasiados altos para um jogador de 27 anos...), parece que vamos voltar a ter um problema com a posição de defesa-esquerdo para a próxima época!!!
A lesão do Sìlvio ainda teve outra consequência: queimámos uma substituição, e assim o Rodrigo foi obrigado a fazer 90 minutos. Tendo em conta o calendário, e apesar do Rodrigo ser neste momento um dos nossos melhores jogadores, a minha dupla de avançados para o Arouca, seria o Lima e o Cardozo!!! Temos uma autêntica final na Quarta-feira, na Taça de Portugal, com os Corruptos. Obrigar o Rodrigo a fazer 3 jogos, em 7 dias, é desnecessário... Independentemente daquilo que se passar em Alvalade no Sábado, no Domingo em Aveiro com o Arouca além de poupar o Rodrigo, jogava com o Jardel a titular...
A partir da agora, sem o Sílvio, também é preciso gerir muito bem a utilização do Maxi e do Siqueira. Principalmente do Siqueira, já que na minha opinião o André Almeida, na esquerda, tem um rendimento muito inferior...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Arouca é que é do nosso campeonato

"Convém não se esquecerem, adeptos e jogadores, que foi na Luz, com um apoio massivo de benfiquistas, que o Arouca arrancou na primeira volta um empate a 2 bolas. Lembram-se?

POR razões que só ao Arouca assistem, o jogo do próximo domingo com o Benfica foi transferido, aparentemente com as autorizações devidas, do Estádio Municipal de Arouca, com capacidade para 5 mil espectadores, para o Estádio Municipal de Aveiro, com capacidade para 30.970 espectadores.
Pode, assim, o Arouca vender mais 25.970 bilhetes o que constitui, certamente, uma alegria para o tesoureiro do clube. Se o Arouca vendesse cada bilhete a 5 euros, um preço de saldos, faria uma receita de perto de 130 mil euros, o que já dava muito jeito com certeza.
Como o Arouca decidiu, e bem, não fazer saldos, a receita pode ultrapassar o meio milhão de euros, verba sonante num momento em que os clubes lutam por verbas como quem luta pela vida.
Quero com isto dizer que é mais do que compreensível a felicidade dos arouquenses em vésperas de receberem o Benfica em Aveiro.
Quanto ao Benfica, é verdade que vai jogar fora num estádio em que, muito provavelmente, vai contar com um apoio massivo dos seus adeptos.
Convém só não se esquecerem, adeptos e jogadores, que foi no Estádio da Luz, com um apoio massivo de benfiquistas, que o Arouca arrancou na primeira volta um empate a 2 bolas. Lembram-se? Carrega, Benfica! Mas carrega mesmo!

ANDRÉ ALMEIDA, impecável. Era só isto.

É de estranhar o silêncio do Sindicato dos Jogadores sobre uma ocorrência ainda recente e que, por inerência de funções, lhe diria directamente respeito em defesa do bom nome de um seu associado.
A cessação do contrato do jogador Márcio Rozário por iniciativa do patrão, o Marítimo, que alegou a inusitada justa causa de «quebra de confiança» no desempenho do empregado, não mereceu nem uma conferência de imprensa, nem um comunicadozinho, nem uma linha ao Sindicato dos Jogadores.
Que singular estatuto é este do jogador que não inspira confiança a quem lhe paga o ordenado e que se vê, de um momento para o outro, sem contrato e sem trabalho e sem o apoio formal e obrigatoriamente estridente do seu Sindicato?
Márcio Rozário foi notícia por um dia – melhor, por uma manhã – e o seu tormentoso caso desapareceu como que por artes mágicas das páginas dos jornais.
O país está em crise, todos sabemos. Vivemos um período de grande contenção de despesas e, em boa verdade, ao preço a que está a tinta, só o que se poupou nos rios de tinta que este caso normalmente faria correr, justifica em pleno o silêncio geral sobre o estranho caso de Márcio Rozário.

NA última jornada da Liga de Honra, o FC Porto-B deslocou-se a Faro e os seus jogadores recusaram-se a entrar em campo de mãos dadas com a criançada local, inocente cerimónia da praxe nos jogos das competições organizadas pela Liga. A imprensa relatou o episódio. Com paninhos quentes foi até adiantada uma justificação considerada minimamente plausível para a insólita atitude. O Farense vendeu os direitos de transmissão dos seus jogos em casa à Benfica TV e, posto isto, até as criancinhas da terra terão passado a ter peçonha. No que diz respeito ao resultado do jogo de futebol propriamente dito, pois ganhou o Farense por 1-0. Quanto ao jogo filosoficamente falando, pois perdeu o FC Porto-B por 10-0.

O treinador do AZ Alkmaar, Dick Avocaat, tem sido inexcedível em encómios ao Benfica desde que o sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa colocou os holandeses no caminho da equipa de Jorge Jesus. 
Na véspera do jogo da primeira-mão, Avocaat avisou logo que a sua equipa não tinha qualquer tipo de hipótese na eliminatória. A verdade é que o Benfica acabou por vencer na Holanda, ainda que pela diferença mínima, resultado agradável mas que, de modo algum, garante a qualificação para as meias-finais da prova.
Ontem, na véspera do jogo da segunda-mão, Dick Avocaat voltou a dispensar altos elogios ao seu adversário. Diz o treinador do AZ Alkmaar que lhe bastou ver «meia hora» do jogo do Benfica com o Rio Ave para ficar perfeitamente esclarecido sobre o destino que aguarda a sua equipa esta noite no Estádio da Luz.
Por curiosidade, resta apenas saber que «meia hora» viu Avocaat desse jogo da última segunda-feira.
Se viu trinta minutos da primeira parte é natural que o treinador do AZ tenha ficado impressionado com a saúde e com o fulgor da equipa do Benfica. Se viu trinta minutos da segunda parte, terá ficado certamente impressionado com a capacidade de baixar a intensidade do jogo exibida pela equipa do Benfica sem nunca perder o controlo das operações.
Está, portanto, ganha a eliminatória com o AZ Almaar? Longe disso. As palavras de Dick Avocaat são muito bonitas, encantadoras mesmo, mas encarar o jogo de hoje à noite como um pró-forma antes do sorteio das meias-finais poderá ser fatal para as aspirações do Benfica na Liga Europa. Se é que as tem. Presume-se que sim.
É natural ambicionar mais e melhor numa competição internacional ainda que, por razões de ordem vária, não seja essa a maior prioridade. Nesta fase quase final da temporada, o Benfica vê-se ainda envolvido em quatro competições mas, como todos sabemos, o Arouca é que é do nosso campeonato.

LIMA, sempre impecável. Era só isto.

CAMPEONATO à parte, vamos lá então à discussão das coisas menores. No presente estado das ditas coisas menores, o FC Porto leva vantagem substantiva e formal sobre o Benfica na discussão das outras duas competições nacionais em que ambos os rivais estão ainda envolvidos: a Taça de Portugal e a Taça da Liga.
Dificilmente o Benfica ganhará este ano qualquer uma destas competições ainda que não sejam intransponíveis os obstáculos que tem pela frente até porque, tratando-se de futebol, tudo pode acontecer. 
Mas sabemos, por experiência acumulada, que tudo o que pode acontecer em futebol acontece sempre mais a uns do que a outros.
Peguemos na Taça de Portugal, por exemplo. Está em vantagem por 1-0 o FC Porto depois do jogo da primeira-mão das meias-finais que ocorreu no Dragão. Antigamente, 1-0 em casa era um resultado que não dava garantias para o jogo da segunda-mão fora de casa. Era no tempo em que se marcavam muitos golos. 
Agora já não é assim. Ao preço a que estão os golos e os goleadores, 1-0 em casa tornou-se num resultado excelente para defender fora de portas. É verdade que se o Benfica repetir para a Taça o resultado que fez com o FC Porto na Luz para o campeonato, segue direitinho para o Jamor. Mas basta o FC Porto marcar um golo para complicar imenso a vida ao Benfica que não marcou no Dragão.
Conclusão: o FC Porto é muitíssimo favorito nesta meia-final da Taça de Portugal.
Peguemos agora na Taça da Liga, ainda sem data marcada para a realização da meia-final a uma “mão”, no Dragão, na sequência da demora da decisão do processo que o Sporting moveu à bondade do atraso do início do jogo FC Porto-Marítimo o que conduziu a uma situação duplamente inédita: a já referida ausência de data para o jogo que decidirá quem se vai encontrar com o Rio Ave na final da competição e, mais raro ainda, o facto de o Sporting ter sido eliminado por três vezes nesta edição da Taça da Liga: uma no campo e duas na secretaria.
É obra!
Com data ou sem data, o FC Porto é também o favorito para chegar à final porque jogará em casa a decisão, num único jogo, e é certo e sabido que o Benfica raramente ganha no Dragão mesmo quando tem melhor equipa e joga melhor futebol, tal como vem sucedendo nos últimos longos anos.
E, portanto, sem devaneios poéticos, é esta a situação: Taça de Portugal e Taça da Liga, no estado em que estão, pendem fortemente para o FC Porto.
Temos pena.
Prioridades são prioridades. E sobre isto ninguém me convence do contrário até porque o Arouca é que é do nosso campeonato."

Leonor Pinhão, in A Bola

Boavista

"O Boavista está de regresso à principal competição do futebol nacional. Muito se falou já das razões (ou falta delas) que estivessem na base desta decisão. Não é disso, porém, que escrevo agora.
É, antes, para, desportivamente falando, saudar este retorno. O Boavista faz falta na Liga principal. Pela sua história, pelo título e taças conquistadas, pelas condições desportivas que, apesar da extrema dificuldade por que passa, continua a ter, pela escola de jogadores que, ao longo do tempo, tão bons resultados teve. E até pelo xadrez das camisolas que só deixou de ser estranho (lá fora) quando a Croácia também se axadrezou!
Também a cidade do Porto merece ter mais um clube na 1.ª Divisão. Tempos houve em que além do FCP, lá militavam o Boavista e o Salgueiros, para além do vizinho Leixões.
Quiseram as entidades que dirigem o nosso futebol que, com a chegada dos boavisteiros, a Liga passe a ter 18 clubes. Tal significa mais 4 jornadas. E talvez o fim da tão escanzelada Taça da Liga. A ver vamos...
Este (saudoso) regresso do Boavista vai, todavia, implicar, a poucas jornadas do fim das competições uma alteração de expectativas de alguns clubes. Desde logo, no modo como poderão encarar os seus jogos contra adversários que, por sua vez, podem estar empenhados noutras lutas (campeão, acesso à Europa). Tudo porque afinal já não descem 2 clubes, mas só um. Porque afinal o 3.º da 2.º Liga até pode vir a subir. Porque afinal, uns clubes deixaram de estar ameaçados de descida e outros, de repente, vêem-se com a possibilidade de jogar uma liguilha que os promova. Não temos emenda..."

Bagão Félix, in A Bola

Iceman Oblak

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Vitória na Taça...

Benfica 11 - 2 Mealhada

Esta noite o Benfica soube transformar um jogo potencialmente complicado, num festival de golos. Noutro contexto este jogo seria sempre acessível, mas o Benfica não tem convencido, e o Mealhada até tem conseguido alguns resultados surpreendentes...
Sendo assim qualificação para os Oitavos-de-final da Taça de Portugal. Mas o próximo compromisso importante é já no próximo sábado, quando recebermos na Luz os Catalães do Reus no jogo da 2.º mão dos Quartos-de-final da Liga Europeia, onde estamos obrigados a recuperar de uma desvantagem de 2-5, se quisermos manter o sonho de repetir o triunfo Europeu do ano passado.

PS: Mais uma vitória Corrupta dos Corruptos!!! Com porrada no final, e com a famiglia Pinto a resolver a partida... a única coisa engraçada deste jogo, é que esta noite os prejudicados, foram os aprendizes dos Corruptos, tantas vez beneficiados esta época, da mesma forma, pelos mesmos artistas!!! Karma...!!!

Escrevo à condição

"Há um ano escrevi nesta coluna sobre a praga de tanta coisa ser agora «à condição». Deixando de lado o deficiente português que arrumou de vez com o bem mais correcto «sob condição», estes últimos dias foram pródigos à condição. O Sporting tinha, até 2.ª -feira, o melhor ataque à condição, o Rio Ave, jogando fora, tinha a melhor defesa à condição, o Cristiano Ronaldo tem o joelho esquerdo à condição. Até Espírito Santo sabia o onze do Benfica à condição, falhando apenas no Fejsa que não estava em condições. O Benfica é que, a poucos de ser campeão, não poderá vir a ser campeão à condição porque o Sporting joga sempre antes do rival, embora baste um seu empate para a condição de o Benfica ser campeão deixe de ser à condição. Leonardo Jardim disse que, se existir tempo, ambicionava mais do que o segundo lugar. Ora aí está uma condição que mesmo à condição começa a escassear.
Parece que a Direcção da Liga também está à condição, porque os opositores estão mandatados por poderes externos para que não haja condição para a actual equipa dirigente. Quaresma foi agarrado pelo árbitro assistente à condição que é como quem diz sem amarelo, laranja, vermelho ou castigo e até pode ser seleccionado à condição. E este ano criou-se a figura - com intenção - começar um jogo uns minutos depois da hora à condição. Mas nem à condição, os jogadores do Porto B entraram no campo em Faro com os miúdos da formação algarvia, dando um péssimo exemplo. Quem já não está à condição na principal competição nacional é o Boavista, mas disso falarei amanhã.
E por aqui me fico. À condição de voltar amanhã."

Bagão Félix, in A Bola

Vamos assobiar para o lado, boa?

"O Marítimo despediu Mário Rozário, jogador que há dois anos ia sendo titular e a quem, entenderam os responsáveis, a braçadeira de capitão assentava bem, quando necessário. Ponto.
A notícia parece ter morrido no próprio dia, mas há motivos suficientes para despertar atenções. Afinal, foi o presidente do Marítimo quem a deu ao defesa brasileiro voltar a vestir a camisola do clube: «Houve uma quebra de confiança relativamente às suas prestações nos últimos tempos».
Ora, a ver se eu entendo: o Márcio Rozário jogou mal nos últimos jogos e, por isso, mandaram-no embora.
Curioso, e porque não queria confiar apenas na minha memória, deitei-me a ler o que fez Márcio Rozário recentemente. Gil Vicente-Marítimo (1-1) - cometeu penalty e foi expulso quando a sua equipa vencia por 1-0; uma semana antes, no Marítimo-Sporting (1-3) - cometeu penalty aos 2 minutos sobre Mané e quando o jogo estava empatado 1-1 fez o corte na área para a frente, aproveitado por William Carvalho para marcar o segundo golo.
Reli as palavras do presidente do Marítimo - «Houve uma quebra de confiança relativamente às suas prestações...» - e fico com dúvidas que me parecem relevantes. Se o normal quando um jogador está num mau momento de forma é mandá-lo para o banco ou até nem convocá-lo, então despedi-lo e informar que ele não voltará a vestir a camisola do clube é algo que merece ser olhado com atenção, estamos de acordo?
Suspeitará o presidente do Marítimo de algo que não quis verbalizar? Saberá Carlos Pereira algo que tenha querido manter privado? Como terá sido a «conversa franca» que disse ter tido com o jogador? Enquanto não houver cabal esclarecimento destas questões, todas as interpretações serão possíveis. Existe suspeições enquanto não houver respostas. Mas prelos vistos ninguém quer saber disto..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Não esquecemos os nossos

"Aqueles que nos acompanham em cada jogo nas bancadas, que nos seguem dentro e fora das fronteiras de Portugal, que nos incentivam e nos apoiam sem condições e sem reservas, merecem o nosso respeito e admiração. Estão connosco por paixão, nos bons e nos maus momentos, percorrendo milhares de quilómetros, muitas vezes ao frio e à chuva.
Temos para com todos eles uma dívida de gratidão que nunca conseguimos pagar porque ela renova-se em cada ano que passa. Ontem ficámos mais pobres porque um dos nossos partiu. À família de Arlindo Afonso a nossa palavra de solidariedade. Nunca o esqueceremos, porque não esquecemos os nossos."

terça-feira, 8 de abril de 2014

We stand, we rise

Alegre visita aos Leões da Almirante Reis

"Quando assistirem a um Benfica-Marítimo, não se esqueçam: estão com os olhos postos num clássico com mais de 100 anos! E a primeira presença dos encarnados na Madeira já foi há mais de 90...

Tenho feito deste espaço, e vocês também, pois ele depende da magnânima paciência de que me lê, um local de peregrinações. Pelo tempo e pelo espaço. Às vezes regresso bem atrás na memória. Não na minha que não é felizmente tão antiga, mas na dos que viveram momentos extraordinários da história do Benfica e do Futebol em Portugal. Vamos então até 1922. Abril de 1922.
No dia 5, exactamente pelo meio-dia, a equipa do Benfica embarca no cais de Santos com destino à ilha da Madeira. Um acontecimento! Pela primeira vez um clube continental visita o arquipélago. Mas no momento da partida há elementos em falta. O guarda-redes Francisco Vieira não consegue licença militar e fica em Lisboa; o mesmo se passa com o defesa José Pimenta, aluno da Escola de Guerra. Como medida preventiva é chamado Herculano Santos, empregado numa fábrica de chocolates a pouca distância do cais de embarque, que sai do escritório com a roupa que tem no corpo e segue viagem.
São então estes, os excursionistas, segundo o registo de Mário de Oliveira e Rebelo da Silva: Luís Caldas, José Bastos e Herculano dos Santos; Fernando Jesus, Vítor Gonçalves e Fausto Peres; Belford, José Simões, Ribeiro dos Reis, Jesus Crespo e Alberto Augusto, todos do primeiro «team». Suplentes eram:  António Brás, António Pimenta, Mário de Carvalho e Vítor Hugo. Os «cartolas», como dizem os brasileiros, ou seja os dirigentes: Cosme Damião, «capitão geral», como se dizia na altura e Júlio Ribeiro da Costa. «Fazia também parte da comitiva o dedicado consócio do Benfica José de Melo».
Ribeiro dos Reis escreveria mais tarde em «Os Sports»: «Foi um belo passeio, o melhor de toda a minha carreira futebolística. Duas semanas de vida intensa, acarinhados festivamente em todos os lados».

É assim que nascem os clássicos
O Benfica ganhava o saudável hábito das viagens. Não apenas no estrangeiro, mas pelo território português, nas ilhas e nas colónias, como sucederia no espaço de alguns anos. Na Madeira, os 'encarnados' defrontaram o Marítimo (2-3), o Clube Sports da Madeira (1-0, de novo o Marítimo (3-6), a selecção da Associação de Futebol do Funchal (6-1) e um misto do Clube Sports da Madeira e do Santa Clara, clube formado pelos Ingleses que trabalhavam na colocação do cabo submarino (4-0). Um calendário preenchido e repleto de momento de fraterna amizade.
Dia 9 de Abril, frente ao Marítimo, o campo da Almirante Reis - o Marítimo é conhecido pelos Leões da Almirante Reis, graças ao seu leão agarrado a um leme - rebentou pelas costuras: 4 mil pessoas não perderam pitada de um jogo emocionante. Muitas senhoras presentes, notava a imprensa. Mas um pelado irregular e cheio de pedras soltas, queixavam-se os jogadores 'encarnados'.
Nasceria aí uma relação entre o Clube Sport Marítimo e o Sport Lisboa e Benfica, com cada um dos clubes a ser nomeado sócio honorário do outro.
De relevo, também, a qualidade competitiva das equipas madeirenses, que não tinham contactos com o continente, mas beneficiavam da forte presença de ingleses na ilha, de tal forma que foi no Largo da Achada, freguesia da Camacha, que se disputou o primeiro jogo de Futebol em Portugal, em 1975, iniciativa de Harry Hinton, treze anos antes do famoso encontro promovido por Guilherme Pinto Bastos, em Carcavelos.
A despedida foi, pois, apoteótica. Antes de entrarem a bordo do Vapor Funchal, da empresa Insulana de Navegação, para regressarem a Lisboa, os representantes do Benfica foram agraciados com uma festa de despedida. Álvaro Reis Gomes, director do Marítimo, fez de Cosme Damião «capitão geral» honorário do seu clube e Júlio Ribeiro da Costa e Ribeiro dos Reis directores honorários.
O mesmo tenente-coronel Ribeiro dos Reis escreveria: «As tradições do Benfica, a sua popularidade e ainda o facto de ter sido ele que trouxera a Lisboa, alguns anos antes, o Marítimo, justificaram a escolha do seu nome para inaugurar o intercâmbio que se pretendia estabelecer».
Por isso, quando hoje Benfica e Marítimo se defrontam, às vezes perante um certo desinteresse de jogo sem história, são se esqueçam: estão a assistir a um clássico com mais de 100 anos de história!"

Afonso de Melo, in O Benfica