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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Campo inclinado


"Prestianni foi pontapeado, esbofeteado, ficou a sangrar e acabou por ser ele a ver o cartão amarelo. Lenglet tocou com a ponta dos dedos na orelha de um adversário e foi expulso. Estas situações retratam bem o “Clássico” do Estádio do Dragão, onde, uma vez mais, a arbitragem impeliu o Benfica para a derrota – fazendo lembrar tantas outras ocasiões do passado, designadamente nos tempos do “Apito Dourado” e do antigo Estádio das Antas.
Não foram esses os únicos momentos em que a dualidade de critérios se fez sentir. Tal aconteceu em quase toda a partida. O FC Porto parece ter recuperado velhos métodos de jogo subterrâneo, carregado de provocações, simulações e agressões, e tudo isso foi sendo permitido por Miguel Nogueira. Pelo contrário, ao Benfica o juiz aplicou um critério bastante restritivo. Ora, num jogo destes, se uma equipa pode ser agressiva (ou mesmo violenta) na disputa dos lances, e a outra não pode sequer respirar, mesmo sem penáltis nem golos anulados, a influência da arbitragem no resultado é clara. É este o paradigma da chamada arbitragem “habilidosa”.
Numa jornada extremamente importante, em que o Benfica podia assumir a liderança, ou, pelo contrário, ficar a 5 pontos de distância do primeiro lugar, foi para esta última situação que nos empurraram. Infelizmente, nem as suspeitas de corrupção que mancham o Conselho de Arbitragem dos pés à cabeça têm alterado uma tendência que se vem acentuando ao longo dos últimos anos. Perdemos uma Taça de Portugal como perdemos, vimos 9 grandes penalidades por assinalar a nosso favor na época passada e este Campeonato parece ir no mesmo caminho. Assim, de facto, é difícil.
O Benfica tem tentado jogar futebol. Acontece que a liga portuguesa não se ganha a jogar futebol. Se havia dúvidas, este “Clássico” dissipou-as."

Luís Fialho, in O Benfica

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