Últimas indefectivações

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Nasce uma secção, nasce um campeão


"Depois de criar a secção de Bilhar, o Benfica foi Campeão coletivo e teve um Campeão individual na primeira competição

Em 2 de Novembro de 1938, tinha início na Academia Recreio Artístico, na Rua dos Fanqueiros, em plena baixa pombalina, o I Torneio Popular de Bilhar. A prova, coorganizada pelo jornal Os Sports e pela Federação das Sociedades de Educação e Recreio, destinou-se a jogadores que não tinham integrado as provas da Associação Portuguesa dos Amadores de Bilhar (futura ALAB).
Foi neste torneio que o Benfica se estreou competitivamente com o bilhar. O 'nobre jogo' que se jogava desde o século XVI, achava-se na vida associativa do Clube desde o seu início de forma recreativa, pois nas suas sedes podia encontrar-se mais do que uma mesa de bilhar, promovendo o convívio entre os que as frequentavam. Em 1937/38, por exemplo, um campeonato intersócios teve a inscrição de 76 associados. Isto deu alento à criação da vertente de competição de bilhar, presidida inicialmente pelo bilharista de sucesso Álvaro Lima.
O Torneio Popular de Bilhar reuniu 35 bilharista, e, ao longo de quase dois meses, foi disputado em modo de carambola livre, ou seja, o jogo terminava quando o primeiro bilharista completasse as 100 carambolas. Vista como uma boa experiência para potenciar a modalidade em Portugal, houve uma intensa preparação dos concorrentes e boas partidas. No público assistiram figuras de relevo como Alfredo Ferraz e José Alabern, especialmente convidados pelos organizadores.
Entre os favoritos para a vitória individual estava o bilharista encarnado Serafim Belo, que se apurou para a fase final do torneio. Com ele seguiram ainda os benfiquistas José Durão Seixas e Manuel Rodrigues, cujos pontos somados garantiram a conquista de taça coletiva.
A fase final, disputada entre oito bilharista, foi bastante renhida, com recordes de séries a serem constantemente quebrados. A luta pelo 1.º lugar deu-se entre José Durão Seixas e Amílcar Freire, do Lusitano. A 2.ª jornada da fase final, num dos jogos mais emocionantes do torneio, pôs frente a frente os dois candidatos ao ouro. Durão Seixas fixou-se nas 100 carambolas em nove entradas, quando Freire ainda tinha uma entrada para igualar o adversário, com 82 carambolas. E conseguiu empatar! A decisão final decorreu apenas na última jornada, em 28 de Dezembro de 1938, quando a vitória do benfiquista, sobre o seu colega Serafim Belo, por 100-89, garantiu a conquista da prova.
Durão Seixas, invicto, foi o primeiro campeão de bilhar do Benfica. Conheça a história dos seus sucessores ao longo da história da modalidade no Clube na área 3 - Orgulho Eclético, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Ganhar em Braga


"O futebol é maravilhoso. As regras são simples e é fácil de compreender. A raridade do golo faz com que seja mais difícil de prever o resultado de cada jogo e essa é a principal razão por que este desporto é repleto de momentos mágicos e narrativas variadas.
Veja-se o exemplo de Arthur Cabral. Trata-se de um jogador que demora em se afirmar no Benfica, carregando nos ombros as elevadas expectativas depositadas em si, geradas pelo significativo investimento na sua contratação e num percurso entusiasmante até chegar à Luz. Acresce que joga numa posição cuja função principal – marcar golos - tem sido apontada como uma das debilidades da equipa, com consequências óbvias em pelo menos quatro pontos desperdiçados no campeonato (Casa Pia e, gritantemente, Farense).
E foi protagonista de um gesto censurável. 
Reconheceu o erro, foi humilde, pediu desculpa, prometeu doravante evitar comportamentos irrefletidos e assegurou que está focado em atingir os níveis exibicionais que motivaram a sua contratação. Beneficiou de apoio e compreensão de colegas e equipa técnica e, estou convencido, da tolerância da generalidade dos benfiquistas. Passados poucos dias, foi, com muita classe, o herói improvável em Salzburgo.
Mais do que uma mera narrativa interessante, esta sequência de acontecimentos mostra porque Roger Schmidt, quando inacreditavelmente maltratado por alguns benfiquistas no estádio da Luz, foi prontamente defendido pelos jogadores, tanto pelas habituais escolhas como pelos menos utilizados. Schmidt não deixou, depois, cair Arthur Cabral, lançando-o logo no jogo seguinte.
É por demais evidente, por muito que profissionais da comunicação desonestos intelectualmente tentem convencer-nos do contrário, que há um fortíssimo espírito de grupo no plantel benfiquista. Só com essa qualidade o Benfica poderia ter feito a notável exibição em Salzburgo após dois empates para o campeonato, qualquer deles injusto (o último inqualificavelmente injusto) não obstante a verborreia de alguns teóricos e vários maledicentes. Só com união e crença na qualidade própria a equipa do Benfica não se deixou abalar pelo golo sofrido em Salzburgo, persistindo na concretização do objetivo de apuramento para a Liga Europa, alcançando-o.
Agora, em Braga, ver-se-á como corre. O jogo é difícil, tudo é possível, mas acredito na vitória porque vejo a equipa a jogar bem nos últimos jogos, mesmo naqueles em que não ganhou (exceptuando em Moreira de Cónegos, onde foi menos impetuosa). E porque, nesta temporada, já venceu duas vezes o Porto, uma o Sporting e fez em Salzburgo exactamente o que precisava de fazer.

P.S.: Disse-o ontem logo a seguir ao golo e fica aqui escrita a minha fezada. O Arthur Cabral marcará 22 golos na presente época."

João Tomaz, in O Benfica

Pôr a mão na consciência


"Consigo pensar em 10 boas razões (pelo menos...) para protestar de forma irada com alguém. No entanto, nenhuma delas envolve qualquer atleta, treinador ou dirigente do Sport Lisboa e Benfica. Já sei que o futebol, para os adeptos, é um desporto de paixões, tantas vezes irracional e injusto, recheado de confrontos verbais e insultos, mas não me vão conseguir convencer de que a melhor forma de mostrar tristeza ou indignação, perante um resultado negativo, passa por insultar e/ou tentar atirar objetos e um qualquer treinador. Menos ainda se for o treinador da principal equipa de futebol do Glorioso.
Entendo a frustação (e ainda não acredito que fizemos 37 remates e marcámos só 1 golo ao SC Farense) e a crítica (somos todos treinadores), mas será que estas pessoas também reagem assim perante as desigualdades sociais e salariais, o fascismo, o racismo, a xenofobia ou o ataque às minorias? Não me parece. Direitos humanos, educação, habitação, salário mínimo ou pagar as dívidas dos bancos não justificam uma posição pública de desagrado? Parece-me que são questões que merecem muito mais um insulto bem dado ou um coro de assobios.
Há, no entanto, uma franja de cidadãos que parecem guardar-se para estes momentos ou para serem os heróis dos teclados de computadores e smartphones. Muito provavelmente, precisam destes episódios pouco dignos para extravasar as suas frustrações diárias, alimentadas - quem sabe? - por polémica, teorias de conspiração, desinformação e discursos extremistas. Acreditem, não é apenas no futebol que isto se passa. Olhem à vossa volta, eles andam aí.
Eu também preferia ter tido o João Neves em campo 90 e tal minutos, mas e então? Não sou treinador, e a verdade é que 7 minutos depois das substituições, o Benfica empatou. E tinha ainda mais 25 minutos pela frente, que poderiam ter dado mais golos. Alguém, no seu perfeito juízo, pode dizer que a equipa jogou mal contra o SC Farense? Jogou? Ponham a mão na consciência, parece-me uma enorme ingratidão. E, acima de tudo, parece-me um insulto à história do SL Benfica."

Ricardo Santos, in O Benfica

Assim, sim, Benfica!


"Estou sim? Fala da Liga Europa? È só para avisar de que precisamos de conversar. A senhora lembra-se do que fez ao Benfica em 2013 e em 2014? Pois, exactamente, penso que está a chegar a hora de nos reconciliarmos. Sabemos que os últimos reencontros também não deixaram saudades, mas desta vez queríamos muito reencontrá-la novamente. Não escondemos que temos preferência absoluta por jogar às terças e às quartas, porque é o nosso calendário natural em dias de semana. Porém, na aventura europeia desta época, percebemos cedo que, se pudéssemos jogar à quinta-feira, também aceitaríamos de muito bom grado. Depois da desilusão por sabermos que nos teríamos de despedir da sua irmã, a Liga dos Campeões, ficámos extremamente felizes pode saber que temos encontro marcado consigo, cara Liga Europa.
A verdade é que estávamos todos muito preocupados com a possibilidade de sermos afastados das competições europeias ainda antes de o Pai Natal sair À rua para distribuir presentes. Na verdade, confesso que a exibição e o resultado conseguidos na Áustria foram mesmo uma espécie de prenda antecipada. Se servida por um norueguês. Não de trenó, mas de bandeja. Um momento sublime, que sucedeu a um passe teleguiado, de João Neves, a atravessar bem alto a angústia que atormentava a alma dos benfiquistas, e deu depois sequência a um calcanhar extremamente oportuno de Arthur Cabral. Da minha parte, as desculpas estão aceites, cara!
Os 90 minutos em Salzburgo foram, possivelmente, os melhores desta temporada. Num momento de enorme pressão em cima de toda a equipa, toda a equipa respondeu. Agora temos de ganhar em Braga para que o verdadeiro presente chegue quando mais queremos recebê-lo: em Maio."

Pedro Soares, in O Benfica

Intolerável


"O futebol mexe com emoções. É precisamente essa a sua função na vida do adepto comum: dar-lhe alegrias e alimentar-lhe sonhos, o que naturalmente abre espaço para momentos de desilusão quando as cosias não correm exactamente como esperado.
Depois de uma época fantástica, em que tudo funcionou na perfeição, os benfiquistas acreditavam ver repetidas as exibições empolgantes que lhes haviam sido proporcionadas um ano antes. Ora, não estamos perante uma ciência exacta, e, embora os resultados, no plano interno, mantenham todas as hipóteses de sucesso em aberto, a verdade é que algumas actuações da equipa não têm correspondido ao padrão de qualidade de 2022/23.
As razões estão, certamente, identificadas pelos responsáveis da SAD. O mercado está à porta, e pode corrigir ou ajustar algumas fragilidades que o plantel tem denotado, designadamente nas posições em que os novos reforços têm revelado maior dificuldade de adaptação. Sem dramas, e sem deitar fora o menino com a água do banho.
O grau de exigências no Benfica é muito elevado, e o sócio que paga quotas e lugar anual tem direito de se manifestar quando não está satisfeito. O que não pode é levar essa manifestação para o campo da violência. Arremessar objetos contra o banco de suplentes da própria equipa é tão violento quanto despropositado, para não dizer estúpido. Expõe-nos al folclore mediático e à galhofa dos rivais. Perturba equipa. Prejudica o Clube.
Em rigor, esse comportamento deveu-se a não mais do que uma dúzia de pessoas, e apenas compromete os próprios. O Benfica tem seis milhões de adeptos, e 99,9% deles, estejam mais ou menos satisfeitos com o rendimento da equipa, gostem mais ou menos do treinador, concordem mais ou menos com esta ou aquela substituição, jamais se identificariam com aquele tipo de comportamento."

Luís Fialho, in O Benfica

Sempre Natal


"Se, como se costuma dizer, todos os dias fossem Natal, não haveria fome nem miséria, nem guerra nem violência, nem solidão nem egoísmo. Mas, na verdade, o mundo tem tudo isto e muito mais a atormentar a vida de quase toda a humanidade. Quando paramos para pensar nisso, e o Natal é uma boa altura para o fazer, muitas vezes esbarramos na nossa pequenez face à dimensão são os problemas num mundo gigante, veloz e cada vez mais desafiante. Podemos nós, simples pessoas individuais, fazer alguma coisa de relevante? E as denominadas pessoas coletivas, com ou sem fins lucrativos, que podem e devem fazer?
A resposta não é nada difícil havendo vontade, como sabiamente diz o povo português. Todos podemos fazer muito, mas o mínimo que devemos fazer para melhorar o mundo é não olhar para o lado perante a sua dimensão e começar pelo que nos rodeia. Olhar com olhos de ver e mãos de fazer dentro da nossa casa, da família, da vizinhança, na rua e no bairro, na escola e no trabalho, na cidade e na aldeia, em toda a parte e em todas as partes do mundo. Somos biliões, e biliões de pequenas ações certamente produzirão uma forte mudança para melhor. No Benfica fazemos muito porque somos milhões e sabemos que é assim, mas os nossos parceiros também o sabem e querem, por isso juntamos esforços e levamos os atletas e as modalidades para dar alma ás suas ações de Natal. Neste caso, aqui bem perto da Catedral, no Hotel Marriott."

Jorge Miranda, in O Benfica

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"3
O Benfica ficou em 3º lugar no grupo D da Liga dos Campeões, transitando para o playoff da Liga Europa. A última participação benfiquista na prova foi em 2020/21, chegando aos 16 avos de final. Em 2019/20 foi a última vez que chegou à Liga Europa via fase de grupos da Liga dos Campeões, ficando pelos 16 avos de final;

4
Em estreia nos Campeonatos da Europa de piscina curta, Diogo Ribeiro estabeleceu 3 recordes nacionais (50 e 100 metros mariposa; 100 metros livres) e fez parte da equipa de estafetas que fez o melhor tempo português de sempre nos 4x100 metros estilos (com Miguel Nascimento, o qual fez parte do quarteto misto que também bateu o recorde nacional nos 4x50 metros estilos);

6
Rafa passou a ser o 6º mais goleador do Benfica na Liga dos Campeões / Taça dos Clubes Campeões Europeus. Soma 13 golos na competição de águia ao peito. Só Eusébio, José Augusto, Torres, José Águas e Nené foram mais concretizadores. E tem agora 80 em competições oficiais, ocupando a 29ª posição no ranking dos goleadores benfiquistas, a par de Manniche;

13
Rafa lidera o plantel, na presente temporada, na participação direta na finalização de golos em jogos oficiais: leva 8 golos e 5 assistências. Seguem-se Di María, com 10 (8+2) e Aursnes, com 9 (2+7);

14
Otamendi passou a ser o 14º que mais vezes envergou a braçadeira de capitão em jogos da equipa de honra do Benfica (140, inclui particulares);

22
De acordo com o site playmakerstats, só houve 4 golos de canto direto na Liga dos Campeões (atual formato). Di María marcou passados 22 anos do anterior;

30
Di María chegou às 30 assistências para golo pelo Benfica em competições oficiais. É o 11º neste ranking desde a temporada 2007/08."

João Tomaz, in O Benfica

Demora inexplicável


"A confirmar-se a notícia publicada pelo jornal A Bola esta semana, finalmente está escolhido o ranking utilizado para o apuramento de oito clubes europeus para o Mundial de clubes.
Recapitulando, a competição será disputada em junho e julho de 2025, nos EUA, nos moldes do Campeonato do Mundo de seleções. Ou seja, 32 participantes distribuídos por quatro grupos. Os dois primeiros classificados de cada grupo seguem para os oitavos de final, etc.
A intenção da remodelação do Mundial de clubes foi manifestada em 2016, apontando 2019 como ano de estreia. Foi adiado para 2021 e, devido à pandemia, remetido para 2025. Até que, em junho deste ano, foi confirmada a realização do evento, avançando-se até as vagas para cada confederação e a limitação a dois clubes por país (exceto havendo três ou quatro vencedores da principal prova continental oriundos do mesmo país).
No caso europeu são 12 os participantes: os quatro campeões europeus de 2020/21 a 2023/24 e oito clubes de acordo com o ranking. Julga-se que se aplicará a metodologia da UEFA para determinar o ranking europeu de clubes, mas só o desempenho na Liga dos Campeões é considerado.
Aparentemente, Benfica e FC Porto estão apurados e já era muito provável que assim fosse desde o final da época passada. Na quarta-feira de manhã, com o FC Porto já qualificado, o Benfica só ficaria de fora se Shakhtar Donetsk e Nápoles chegassem às meias-finais da Liga dos Campeões vencendo todos os jogos nas duas eliminatórias anteriores e se Arsenal ou Copenhaga se sagrassem campeões europeus. Qualquer das hipóteses era improvável, as três em simultâneo quase impossível.
Mas, em rigor, não houve ainda um anúncio oficial acerca do ranking a utilizar, o que convida à suspeição, embora tudo indique que seja mesmo o tal da Liga dos Campeões o escolhido, pois, além de fazer sentido, assim haverá Nápoles ou Juventus em vez da Roma e Barcelona ou Atlético Madrid em detrimento do Villareal."

El Mítico #67 - Saber sufrir

Titulares, excerto...

Os milhões da UEFA e da FIFA


"Benfica e FC Porto já garantiram 50 milhões cada pela participação no Mundial de Clubes

Pode dizer-se que, no contexto nacional, a fava, desta vez, saiu ao FC Porto no sorteio da UEFA. Porém, ao terem ficado em segundo lugar no seu grupo de apuramento da Liga dos Campeões, os dragões condenaram-se a enfrentar, nos oitavos de final, um dos primeiros, e, das sete hipóteses em cima da mesa... só havia favas. Calhou em sorte aos portistas o Arsenal, líder da Premier League, que de ano para ano, sob o comando de Mikel Arteta, discípulo de Pep Guardiola, tem vindo a mostrar-se mais e mais consistente, podendo dizer-se, sem medo de errar, que para a esmagadora maioria dos observadores é considerado favorito na eliminatória. E é aqui que entra uma sensação de déjà vu, ainda recente: em março deste ano, para a Liga Europa, o Sporting bateu-se com os gunners, que à altura também lideravam a Premier Legue, praticamente não houve quem não desse os londrinos como vencedores antecipados do tête-à-tête, e no fim do dia quem seguiu em frente foi o conjunto de Alvalade...
Faltam 80 dias até ao duelo entre as equipas de Conceição e Arteta, muita água correrá, entretanto, debaixo das pontes, e a ver vamos qual será a condição de portistas e arsenalistas quando chegar a hora da verdade. Só por imprudência ou ignorância será possível colocar o FC Porto, desde já, fora desta luta por um lugar nos quartos...
Tarefas menos complicadas - mas nestas vidas uefeiras nada pode ser dado como certo - têm, na Liga Europa, o Benfica, que defronta o Toulouse, atual 15.º da Liga gaulesa, o Sporting, que joga com o Young Boys, líder da SuperLiga suíça, e o SC Braga, que defronta o Qarabag, nove vezes campeão do Azerbaijão nos últimos dez anos. Em todos estes emparelhamentos, valha o que valer, o favoritismo é português, e o ranking nacional de clubes da UEFA agradece que todos estejam à altura das circunstâncias.
Ainda no âmbito internacional, a grande notícia para o nosso futebol vem da certeza da participação de Benfica e FC Porto no Mundial de Clubes, a disputar no final da época de 2024/25 nos Estados Unidos, e que garante como prémio de presença 50 milhões de euros a cada clube. É um jackpot saboroso, quando na I Liga em curso se luta por uma vaga no novo formato da Champions, já em 2024/25, onde só o campeão nacional tem lugar certo, e que pode valer à volta de 100 milhões. Há muito em jogo."

Jogos de 6 pontos

Mauro Xavier, in Record

O Futebol é Momento - S02E21 - A guerra do trono - episódio 2

Pepe Ilegal


"Ponto prévio: esta não é uma página que visa promover e aproveitar-se da subjectividade que se criou em relação à arbitragem de jogos de futebol. Um exercício que pode ser encontrado em milhentos fóruns e em intermináveis opiniões e comentários que, na maioria das vezes, mais não são do que a tentativa de validar agendas pessoais e clubísticas em lances que, muitas vezes, nem sequer são dúbios. Contudo, o lance em que Pepe é expulso, nesta segunda-feira, no Sporting-Porto que terminou com a vitória dos leões, salta para título porque não há grande discussão a ter-se. O lance é de facto determinante, e a intempestiva reação de Pepe que lhe valeu a expulsão, determinou que a melhor equipa na 1.ª parte pudesse aproveitar o facto de, na segunda metade, os ataques portistas terem muito menos potencial para criar situações próprias do que situações para… o Sporting. Por tudo isso, este é um lance determinante para o resultado final, mas que não invalida, nem relega para segundo plano, uma prestação leonina que, no cômputo geral, foi superior à dos dragões.

Como forma de encaixar no sistema leonino, o FC Porto apresentava (a espaços) uma linha de cinco (com Galeno a fechar a esquerda). Na jogada que criou o primeiro golo do Sporting, essa linha é desenhada mas a desmarcação de Gyökeres, pelo meio dos centrais, confunde a linha e cria o desnorte para Pepe não ter dobra depois de ser batido pelo sueco.

Quando Gyo bate Pepe tem duas possibilidades. A primeira, e aquela que todos vimos, é partir para o golo. Mas também a fuga de Edwards – mais rápido que Zaidu (sendo que Galeno desapareceu da jogada) – podia dar opção de golo ao sueco. Um melhor posicionamento de Zé Pedro poderia condicionar extremamente as duas opções de Viktor. De se notar é também a alguma estupefação criada quando o avançado bate Pepe no lance – que fica evidente na falta de reação de Diogo Costa e Zé Pedro.

Foi, sem dúvida, um Sporting bem preparado que viu, por isso mesmo, correr a primeira parte a seu favor. Desde logo pelo encaixe – que criou imensas dificuldades à organização ofensiva do FC Porto – como também pela imponência nos duelos. Algo que se pôde observar nos embates entre Matheus Reis e João Mário, como se denotou desde logo pela imponência de Hjulmand no miolo (ganhando imensas bolas para transição ofensiva) mas também entre Galeno e… Eduardo Quaresma. De facto, olhando para o onze do Sporting, foi a inclusão de Quaresma no lado direito da linha de três centrais que mais surpresa causou. Isto porque, até esta segunda-feira, as ações do jovem central nunca tinham causado grande espanto quando envergou o símbolo do Sporting CP ao peito. Mas vendo a forma como foi abordando os duelos com o jogador mais explosivo dos adversários, denota-se desde logo o trabalho e a intenção que terá havido durante a semana para esses momentos do jogo. Em teoria (pelo que nos tinha dado a conhecer) Eduardo Quaresma seria a peça mais permeável nesse aspecto. Mas em todo o decorrer da primeira-parte, o central tornou-se impermeável: rápido, decidido e intenso, participando também por um par-de-vezes no ataque (criando, por exemplo, a situação de golo que o VAR haveria de anular posteriormente).


Lance do golo anulado ao Sporting, na primeira-parte, espelha a toada desses 45 minutos iniciais. FC Porto com poucas linhas de passe, algo engolido pela organização leonina, e Sporting a aproveitar as transições. De referir também o modo enérgico e a mentalidade que se notaram em Eduardo Quaresma, condições que foram importantes para o Sporting ganhar a maior parte dos duelos e retirar aproveitamento ofensivo disso enquanto confundia a defensiva portista.

Um Sporting que roubou assim espaço ofensivo ao FC Porto e que via do outro lado do campo o seu habitual porto seguro. Viktor Gyökeres, mais uma vez, foi determinante e, praticamente sozinho, confundiu todo o eixo defensivo dos dragões. Intratável e impossível de abordar sem que a bola lhe vá parar aos pés depois dos ressaltos, as suas correrias e deambulações tornaram-se impossíveis de travar, sendo que já causa cada vez menos surpresa a forma como inaugurou o marcador, como pouco espanto causará também a forma como finalizou para o tal golo anulado que Eduardo Quaresma criou pela lateral-esquerda. Um lance que motiva as tais discussões de que falávamos acima, e para o qual encontrará os pontos-de-vista que quiser encontra nos milhentos fóruns que vivem do assunto. No entanto, o comentário que realmente interessará, e que fez história no jogo, é que o Sporting não levou uma vantagem de dois golos para o balneário, mas levou a vantagem de ter bloqueado o FC Porto a uma só ocasião de golo (em ângulo difícil para Galeno) e a clara vantagem de estar por cima em vários aspectos do jogo.

A inferioridade numérica criou dilemas que o FC Porto dificilmente poderia resolver. A cada perda de bola, e a cada duelo perdido, abria-se a possibilidade de uma via para o golo do adversário. Aqui, depois de bater Taremi e com a bola descoberta, Geny Catamo vê uma linha defensiva em inferioridade e três opções para criar situação (escolheu Gyökeres, naquela que foi a jogada em que o Sporting encontrou o segundo golo)

Ao FC Porto restava a reação que a expulsão de Pepe acabaria por castrar. Com menos um elemento veio ao de cima o habitual brio portista de nunca dar nenhum jogo por perdido, mas o aproveitamento da, também habitual, quebra leonina (que chegou a acontecer) não teve aproveitamento visto que a cada ataque portista (alguns que chegaram até ao último terço, mas que falharam por pormenores) a preocupação sobre o que poderia vir a seguir condicionou demasiado. A linha defensiva era agora algo descaracterizada e a forma como se expunha depois de algumas perdas de bola permitiu saídas que prometiam um resultado mais dilatado para o Sporting – enquanto que o orgulho próprio do FC Porto empancava no último passe, na finalização e, sobretudo, na exposição obrigatória de uma linha defensiva que ficou obviamente descaracterizada e permeável depois dos ajustes que a inferioridade numérica provocou.


Quem acompanha o Sporting sabe das quebras recorrentes em cada jogo, havendo sempre uma fase do mesmo onde os leões parecem perder a concentração que os levou aos bons períodos. E mesmo com as situações perto da baliza do FC Porto a sucederem-se, essa irregularidade voltou a notar-se no Sporting, com o FC Porto a aparecer em várias situações que poderiam ter tido outro desfecho (sendo que a de Fran Navarro não está documentada no vídeo). Um FC Porto ao qual a inferioridade numérica não permitiu, porventura, ter aproveitado melhor essa quebra, e ter estancado melhor as investidas de um Sporting que também poderia ter marcado mais golos.

Sporting-FC Porto, 2-0 (Gyökeres 11′ e Pote 60′)"

Terceiro Anel: Diário...

Este é FC Porto de Sérgio Conceição!


"Quando perde passa ao confronto, com atitudes deploráveis e provocatórias.
E anda a cs a falar da educação de Roger Schmidt!!"

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Entre encantos e desencantos, é o Benfica que sai a sorrir


"Quem esperava emoção de um dos grandes duelos entre SC Braga e SL Benfica, não saiu desiludido. O encontro da jornada 14 foi anárquico em alguns momentos, podia ter tido mais golos do que os que teve e foi um claro exemplo de amostra ofensiva – mesmo que nem sempre da forma mais esclarecida – e de incerteza no marcador.
Nem SC Braga nem Benfica fizeram alinhar no seus onzes médios defensivos ‘puros’ –Florentino ficou no banco e Al-Musrati ficou de fora – o que fazia desde já prever que o jogo seria mais partido. E quem o achou não se enganou. Com a transição defensiva a ficar para segundo plano, ganhou o jogo quem cometeu menos erros chave: as águias.

Golo madrugador e oportunidade para mais
Artur Jorge não quis mudar o esquema tático que tem colocado em prática, numa aposta que não foi particularmente feliz. A pressão a meio-campo do Benfica esteve, na primeira parte, a funcionar e uma perda de bola de Zalazar deu golo de Tengstedt.
O médio uruguaio foi sacrificado à meia hora de jogo por André Horta, mas as melhoras na equipa da casa demoraram a fazer-se sentir. As águias encontraram espaço com relativa facilidade, num jogo em que, em alguns momentos, não parecia existir meio-campo de parte a parte.
A tranquilidade era difícil de alcançar, uma vez que, com tanto espaço, o caos estava sempre a uma boa decisão de aparecer. Coisa que, diga-se, aconteceu, mas sem grande frequência.
As coberturas do conjunto de Roger Schmidt ajudaram a disfarçar problemas que surgiam quando o meio-campo era batido, com destaque para António Silva e Otamendi nesse capítulo.
O ataque dos arsenalistas sofreu com as más decisões dos seus extremos, tal como o do Benfica, que ficou a ‘dever’ dois golos à casa. Ao intervalo, o desperdício encarnado impedia um maior conforto no jogo, com apenas um golo.

Reação quase castigou a apatia
O segundo tempo trouxe uma postura mais expectante do campeão nacional, que podia ter sido facilmente castigado, caso a sua defesa estivesse num dia menos feliz.
Fez-se sentir a mudança de energia do Braga, com ataques mais pensados e a passar mais pelo meio-campo, ao invés da procura incessante pelo espaço e velocidade.
Nesse sentido, o Benfica perdeu gás no decorrer do encontro e passou por períodos de desconforto, com pouca bola e pouco acerto nos timings de pressão.
A tendência para desperdiçar manteve-se, com João Mário, no papel de Rafa, a falhar num lance que tinha tudo para marcar, numa das poucas oportunidades criadas pelo conjunto encarnado, a alinhar de preto excecionalmente.
O engenho caseiro já viu melhores dias e se não sai deste jogo com pontos, muito deve ao que não foi capaz de criar, nem de concretizar no último terço. Os pontos vão para o Benfica, que regressa às vitórias na liga e sobrevive no Municipal de Braga, num jogo em que caiu de rendimento de forma considerável no segundo tempo.
Entre encantos (primeira parte aberta) e desencantos (segunda parte mais de sentido único), o jogo entre Braga e Benfica prendeu as pessoas nas cadeiras e em frente aos televisores.

BnR na conferência de imprensa
SC Braga
BnR: Este foi o encontro da Primeira Liga com mais tempo útil de jogo. É o segundo jogo do SC Braga no top dez de jogos com mais tempo útil, o outro foi a receção ao FC Famalicão, que o SC Braga também não venceu. O golo cedo foi o fator-chave para que o jogo fosse mais corrido? E, sendo o segundo jogo do SC Braga com mais tempo útil que a sua equipa não vence, há algo a ajustar nesse sentido?
Artur Jorge: Não acho que o golo cedo tenha sido o fator chave. Tivemos aqui, e eu tinha dito isso, em jogo duas equipas fortes, que gostam de atacar, de ter bola. Portanto, era expectável que fosse um jogo em que teríamos as duas equipas a querer ganhar e isso veio a confirmar-se, aconteceu, sendo que com a vantagem do SL Benfica tivemos que ser nós a ir mais em busca de tentarmos ser mais rápidos, mais intensos, mais capazes de procurar a baliza contrária.

Outras declarações:
“O SC Braga merecia mais. Mais que a eficácia, terá sido a forma como iniciamos o jogo, um erro que nos condiciona para o resto da partida. Acabamos por dar uma boa resposta. Fizemos um bom jogo, com uma segunda parte dominadora, não tivemos essa eficácia e o resultado resume-se aos factos.”
“[Golo madrugador] decide o jogo. Deixa o adversário mais confortável, a tentar aproveitar a velocidade dos avançados e as costas da nossa linha defensiva. Criámos algumas situações, vimos uma equipa que defendeu bem e que ganha o jogo pela maneira que defendeu.”
“Tirei o Rodrigo pela necessidade de fazer um ajuste para a equipa ser mais eficaz no momento de pressão. Demos uma boa resposta imediata, procurámos igualar a partida para irmos em busca de um resultado diferente, que era o que queríamos ter procurado desde muito cedo. Não creio que tenha sido um jogo partido.”

SL Benfica
BnR: Colocou o Tengstedt no XI, contra a expetativa de algumas pessoas, que esperavam que o Arthur Cabral jogasse de início. Para além do golo, o que é que o avançado deu ao jogo da sua equipa?
Roger Schmidt: “Nos últimos jogos o Casper jogou bem. Ele é tecnicamente inteligente e forte fisicamente. Os nossos jogadores da frente têm de trabalhar muito sem bola e o Casper é muito bom nisso. Ele jogou bem em profundidade, acertou os timings das suas corridas Apesar de não ter marcado nos últimos jogos, era importante ele jogar esta partida.

Outras declarações:
“Foi um grande jogo, na minha opinião, com partes diferentes. Na primeira parte, estivemos muito bem, fomos muito perigosos. Não é fácil defender contra o SC Braga. Na segunda parte, tivemos a oportunidade de fazer o segundo golo. Tivemos dificuldade depois a defender um pouco mais profundos do que estamos habituados. Mas fizemos tudo para conseguir os três pontos e parabéns aos jogadores”.
“O Casper Tengstedt marcou e estamos muito felizes por ele. Se marcas cedo e não sofres golos, ganhas o jogo”.
“O Trubin já jogou 15 jogos e cresceu. É bom guarda-redes e está a crescer. Fez um grande jogo”.
“Temos de respeitar sempre o adversário. O SC Braga estava a perder 0-1 e procurou o golo. Tivemos oportunidade para algumas transições ofensivas. Depois de um jogo da Liga dos Campeões, contra um bom oponente, é importante defender bem. É futebol. Hoje, precisávamos de um bom espírito defensivo e conseguimos mostrá-lo”.
“Na minha opinião, merecemos ganhar”."

O Natal entre o bem e o mal


"Um aplauso sincero ao Feirense pela forma como tratou os adeptos do Marítimo

I. À hora que escrevo esta crónica, o clássico de Alvalade está longe de ter o seu início, portanto não irei falar aqui do que terá acontecido de mais relevante no Sporting-FC Porto da «noite passada».
Mas podemos e devemos falar do outro jogo grande da jornada, que colocou frente a frente SC Braga e Benfica, porque houve ali indicadores diferenciados que merecem realce e partilha.
Para quem não sabe, a primeira parte da Pedreira teve apenas seis faltas e quase 70% de jogo útil. São números muito, muito bons para a realidade nacional, que refletem não apenas o foco dos jogadores naquilo que mais importava - o jogo em si -, mas também a estratégia definida pela equipa de arbitragem, permitindo que a bola rolasse o maior tempo possível. Quando todos querem, todos conseguem. E bem.
No meio disso tudo, ganhou quem pagou bilhete e fez a viagem para ver o jogo in loco. Ganharam também aqueles que pagam mensalmente canal premium para assistir, em casa, a jogos de futebol da nossa liga.
Na segunda parte, os números não foram tão apelativos - era normal que assim fosse -, mas os dados finais não deixaram de constituir registo invejável: apenas vinte infrações assinaladas e, mais importante, quase 67% de tempo com a bola a rolar ininterruptamente.
Melhor do que as estatísticas, a qualidade técnico-tática do jogo, o comportamento globalmente correto de todos os intervenientes (adeptos incluídos) e uma arbitragem que, com poucos erros, muito contribuiu para um espetáculo que valeu a pena ver. Assim sim.

II. No extremo oposto, a notícia de novas agressões a um árbitro de futebol, desta vez nos Açores.
Aconteceu durante o AFCR Fraternidade-Vitória FC (jogo de seniores a contar para a Taça da AF Horta): um jogador do Fraternidade agrediu a soco o árbitro, na sequência de uma decisão que aquele tomou. Ao cair no chão, o juiz açoriano foi novamente agredido, agora a pontapé, por um segundo jogador do clube. Pouco depois, um terceiro (tinha sido substituído, mas reentrou em campo) atingiu-o também a soco. Os três agentes da autoridade presentes no local tiveram dificuldade em controlar a situação com eficácia. Honra seja feita a alguns jogadores do Vitória FC, que tudo fizeram para proteger a equipa de arbitragem.
A quadra natalícia não parece dar princípios a criminosos deste calibre uma espécie de espírito, que continuam a achar que bater, magoar e traumatizar os outros lhes dá valentia e personalidade. Não dá. Quem agride assim, vale zero como atleta.
Estou expetante para saber quais as consequências desportivas e criminais que sairão daqui.
Quando sensibilizar não chega, a única maneira de evitar esta selvajaria é através de sanções céleres e exemplares. A ver se desta vez a justiça funciona da forma que todos esperamos.

III. E para acabar em beleza, um aplauso sincero ao Feirense pela forma elevada, respeitosa e elegante como na última jornada tratou os adeptos do clube visitante ( Marítimo), oferecendo-lhes refeições ao intervalo. Felizmente, em matéria de bem receber, a equipa de Santa Maria da Feira não é única: há muitos outros emblemas, dessa e de outras categorias, que são exemplares na forma como recebem as equipas forasteiras e respetivos adeptos. São este tipo de iniciativas que nos fazem acreditar que o futebol, quando quer, é uma das maiores escolas de virtude de qualquer sociedade funcional.
A todos os leitores do jornal A BOLA desejo um Santo e Feliz Natal. Boas Festas"

A Verdade do Tadeia #2024/95 - O clássico de Alvalade e os sorteios

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