Últimas indefectivações

sexta-feira, 21 de junho de 2019

A regra e a excepção

"É verdade que, há uns anos atrás, o Benfica não soube ou não pôde segurar algumas das suas jóias da formação. Bernardo e Cancelo, por exemplo, poderiam e deveriam ter permanecido mais algum tempo no clube, mas, fruto de circunstâncias que agora não interessa dissecar, acabaram vendidos por valores abaixo daquela que é hoje a sua cotação.
Desde então tudo mudou. Na época da 'Reconquista' foi frequente ver na equipa quatro, cinco ou mesmo seis elementos oriundos da fábrica do Seixal. Ferro, Rúben, Florentino e Félix acabaram titulares absolutos, Gedson também o foi durante parte significativa da temporada, Yuri r Jota tiveram aparições esporádicas, mas fizeram parte do grupo, nomes dos quais poderíamos acrescentar o guarda-redes Zlobin, e ainda André Almeida - que chegou ao Benfica para a equipa B, afinal de contas o último escalão formativo. Ora isto era absolutamente impensável há apenas cinco anos.
A ideia, já reiteradamente veiculada pelo nosso presidente, é manter quase todos estes elementos, e até acrescentar um outro. Mas não podemos exigir ao clube que segure aquele que é um caso absolutamente excepcional: João Félix.
Nem o Benfica, nem qualquer outro clube português, pode manter alguém a quem acenam com um salário na ordem dos seis milhões limpos por ano. E que pode valer um preço acima dos três dígitos. O jogador, a família e o empresário têm vontade, o destino chama, e o clube precisa. Sejamos realistas. João Félix vai sair do Benfica, vai deixar saudades, mas também muito dinheiro. E um dia talvez volte, para terminar a carreira, já com uma Bola de Ouro na bagagem."

Luís Fialho, in O Benfica

Mais títulos

"O último fim-de-semana foi glorioso para o Sport Lisboa e Benfica. Quatro equipas nossas brilharam ao mais alto nível, com conquistas de campeonatos nacionais.
Começo pelos feitos da formação. O primeiro destaque vai para as Papoilas Saltitantes do Futebol Feminino, que no sábado, batendo o SC Braga, conquistaram o Campeonato de Sub-19. João Videira comandou, de forma competente, as nossas 16 jogadoras. Além do título fica uma certeza - temos o futuro assegurado.
Domingo, foi a vez dos Juvenis A sagrarem-se bicampeões nacionais. Notável o trabalho realizado pelos treinadores Luís Nascimento e Luís Araújo. Mais uma vez, ficamos com outra certeza - o Seixal continua a gerar talento e muitos destes jovens chegarão à equipa A.
Ainda na Formação, um destaque muito especial para a nossa equipa de Sub-14 de basquetebol, que se sagrou campeã. Notável o trabalho de Pedro Umbelina, treinador que cumpriu a 11.ª época ao serviço da nossa formação masculina e feminina.
Finalmente, a reconquista do Futsal. Aconteceu de forma natural e meritória. Após ter dominado a fase regular. Joel Rocha preparou muito bem a equipa para os testes finais com o Sporting. Creio que não restarão dúvidas acerca da justiça da conquista do 8.º campeonato.
Um destaque muito especial para o nosso Atletismo e para o jovem Edward Zakayo, que venceu os 5.000 metros, em Marrocos, em mais uma etapa da prestigiada Liga Diamante.
Duas notas finais - a realização, amanhã, sábado, no pavilhão n.º 2 da XXXVI edição da Gimnáguia, e os parabéns à Oliveirense, que se sagrou bicampeã de basquetebol. Na próxima época vamos à reconquista."

Pedro Guerra, in O Benfica

Tempo de aproveitar

"Depois de um ano de trabalho intenso, chegou a hora de colher os frutos. É assim a cada ano desde tempos imemoriais, é assim no desporto com o final das épocas e a preparação das seguintes e é assim, também, na educação dos nossos jovens que vêm avaliados os seus esforços e os progressos de todo o ano lectivo. No projecto 'Para ti Se não faltares!' a avaliação pode garantir passaporte para as muitos desejadas colónias de férias e para o ainda mais desejado estádio da Selecção de Futsal. Para isso, é preciso ter um bom aproveitamento e evolução individual e um estatuto de liderança e respeito de todos os colegas que tornam estes jovens em verdadeiros modelos e líderes de opinião para os outros. Por isso, o que se ganha não são apenas férias e a diversão, mas é sobretudo o estatuto perante os outros e o respeito dos seus pares. Os jovens valorizam fortemente este aspecto e têm razão para isso. Agora, quando o que está em causa é somar a todos estes resultados a qualidade desportiva individual como jogador, a coisa vai ao rubro e os jovens entram numa elite muito apreciada e de grande prestígio por entre as centenas de todo o projecto. O momento mágico é a reunião de avaliação colectiva e premiação do projecto, perante colegas, pais e professores, quando a fotografia sai projectada no ecrã e o nome é chamado entre palmas com a frase que poucos ouvem 'estás convocado!'.
E assim se fecha um ano de trabalho e alegrias, com cada um a colher do que semeia e a projectar o futuro fazendo votos para o ano seguinte.
Entre os mais pequenos, 20.000 deles para ser mais exacto, a aprendizagem dos valores e as brincadeiras sérias do KidFun marcaram o primeiro contacto com a Fundação Benfica e aguçaram o apetite para o que aí vem. O sentimento geral é de promoção e expectativa porque Setembro já espreita e esse fim de Verão traz consigo a entrada na escola dos mais velhos. Para todos os jovens, destes de doutros projectos da Fundação, é tempo de olhar para trás e apreciar a obra feita. É tempo de gozar os resultados e por de lado o trabalho e as madrugadas sonolentas. É tempo de aproveitar e de antecipar o gosto das novas conquistas.
Exactamente como no Benfica!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Ficamos com Luís Filipe Vieira

"Somos grandes e somos gratos. Mas, relativamente ao impressivo negócio da semana, com toda a franqueza, eu não sei onde - do estrito ponto de vista do nosso Benfica - estará, de facto, a maior virtude: se, na cabeça e nos pés do jovem jogador (e da sua família); se, na carteira (e nos planos) do clube comprador; ou se, no virtuosismo de gestão desportiva do nosso Presidente. E - embora tendo nós muitas outras históricas razões para nos gabarmos... - ou muito em engano, ou creio bem que, mais uma vez, os méritos voltam a residir todos (mas todos, mesmo!) no portefólio das soluções que Luís Filipe Vieira soube criar para melhor defender e gerir o Benfica do futuro.
Claro que agora, aí temos já no passeio público, para deliciado regalo da nação benfiquista, a vergonhosa procissão dos humilhados que costuma sair, pungente, dos adros das televisões, das rádios e dos jornais para percorrer as ruas da amargura antes de se encontrar na praça das misérias ético-moralistas, com o coro dos despeitados e com a orquestra dos invejosos, para mais uma disfonia daquelas... à maneira, sempre que é a vez em que o Benfica ganhe!
O Benfica voltou a ganhar. Inquestionavelmente. Ganhou em vários tabuleiros. E é justamente por se verificar que estas circunstâncias em que o Benfica vai ganhar se estão a tornar mais reiteradas e frequentes, que elas se revelam também progressivamente, mais insuportáveis para esses humilhados, despeitados e invejosos.
No que diz respeito à espectacular transferência que se anuncia em grandes parangonas por todo o lado, pelos vistos, o clube espanhol terá decidido arriscar (de resto, tão corajosamente como o próprio jogador e os seus representantes...), o Benfica ganha inquestionavelmente, acima e abaixo e à direita e à esquerda, por cinco ordens de razões:
a) mantém com absoluto rigor os termos contratuais, quanto ao valor de uma cláusula de rescisão tida por inatingível;
b) assegurá o recebimento da quarta ou quinta mais elevada quantia de uma transferência, em toda a história do futebol;
c) confirma de modo drástico a credibilização do seu campus de formação de jogadores;
d) eleva severamente o patamar de valor mercado genérico atribuível aos seus activos;
e) pôde propor um novo protagonista português com dimensão universal, para o futebol do séc. XXI.
Agora, não faltarão - fora e dentro do nosso Clube - aqueles incrédulos de há poucos dias, a terem de engolir os pessimismos que vomitavam: mas não deixarão de ser também eles, os primeiros a pretender iludir a visão que Luís Filipe Vieira demonstrou, com um formidável golpe de asa em 5 de Novembro do ano passado, ao anunciar a renovação das condições contratuais do jogador, dobrando-lhe a cláusula de rescisão, de sessenta para os tais impensáveis centro e vinte milhões de euros.
O que impressiona é que Luís Filipe Vieira toma a decisão quando, nessa altura, o mais jovem atleta do plantel, à nona jornada da Liga, levava apenas centro e cinquenta e seis minutos corridos e dois golos marcados, em duas partidas como titular da equipa.
João Félix agora vai sair, não é? Pois, mas felizmente podemos afirmar que, afinal, o Benfica fica ainda mais consolidado: nós ficamos com Luís Filipe Vieira."

José Nuno Martins, in O Benfica

Félix

"Acho exactamente o contrário do que parece ser a opinião da maioria; creio que João Félix fez boa opção ao optar pelo Atl. Madrid

Dos mil milhões de euros que o Benfica encaixou com transferências de jogadores desde que Luís Filipe Vieira é presidente, quantos milhões ficaram a dever-se a Jorge Mendes? Muito mais de metade, aposto, e nem preciso de fazer muitas contas porque não corro grande risco de errar. A coisa, porém, atingiu agora a linha do «absolutamente impressionante!».
Conseguir levar o Atlético de Madrid a pagar 120 milhões de euros por João Félix é algo só ao alcance de um agente como é Jorge Mendes, que nos últimos 20 anos construiu uma das posições de maior relevo no universo do futebol mundial. Difícil não é transferir. Cristiano Ronaldo ou Neymar, Hazard ou Pogba; difícil não é levar o Barcelona ou o Real Madrid ou o Liverpool ou o Chelsea a gastarem 120 milhões numa estrela internacional; difícil é levar o Atlético de Madrid a pagar 120 milhões por um jovem como João Félix, muito talentoso, sim, mas de apenas 19 anos e que nem chegou a jogar meia dúzia de meses na equipa principal do Benfica.
Com Jorge Mendes o encaixe financeiro do Benfica, sobretudo nos últimos 10 anos, já era verdadeiramente excepcional. Com estes 120 milhões (que nenhum clube português alguma vez pensou facturar com um jogador) o trabalho de Mendes com o Benfica (já para não falar do que fez no passado com FC Porto ou Sporting( torna-se imperial.
Façam-lhe, na Luz, uma estátua!

Félix torna-se, também assim, um caso praticamente único no mundo do futebol - um jovem que fica a valer 120 milhões sem que o mundo do futebol ainda saiba quem ele é!
Sem querer entrar pelas sempre perigosas (e tantas vezes mal interpretadas) comparações, a verdade é que sucedeu, porém, mais ou menos com Cristiano Ronaldo, transferido do Sporting para o Man. United com apenas 18 anos e muito talento mas ainda quase sem nada que a Europa tivesse visto.
Em 2003 os dirigentes do Old Trafford arriscaram 17 milhões de euros (muitos milhões na altura) num jovem com 31 jogos na equipa principal do Sporting e apenas meia dúzia de presenças em selecções jovens. E ele, depois, fez o que fez!
O Atlético de Madrid está, é verdade, a arriscar quase 8 vezes mais, mas também muitos anos depois, num jovem com 33 jogos na equipa principal do Benfica e que apenas teve ainda oportunidade de sentir o que é vestir a camisola da Selecção.
É um negócio assombroso?
Claro que é. Sobretudo porque mantém a ideia de que o chamado mercado do futebol está absolutamente louco e incontrolável, capaz, no entanto, de vir a contribuir bastante para dar cabo de negócio do futebol quando este tipo de valores - não vai demorar muito tempo - começaram a ser impraticáveis e clubes hoje detidos por milionários, empresas, fundações, países ou coisa que o valha, derraparem perigosamente a caminho do colapso.
Quanto até um guarda-redes ainda praticamente desconhecido como Kepa Arrizabalada custou, aos 24 anos, 80 milhões de euros ao Chelsea, um dia destes nenhum garoto que dê meia dúzia de toques na bola custará menos de 50 milhões.
Um absurdo, evidentemente!

Mas como o mercado está como está, o que faz uma agente como Mendes? Exerce a sua enorme influência e usa os resultados de um trabalho credível - e, em muitos casos, notável - de promoção do jogador português para cometer a proeza de levar um clube como o Atlético (que ainda por cima nem faz parte dos oito de primeira linha que têm a pressão de ganhar a Liga dos Campeões) a pagar o que ninguém acreditava que fosse possível a pagar nesta altura pelo (muito talentoso) jovem João Félix.
E isso, caro leitor, goste-se ou não, aprecie-se ou não, admire-se ou não, deve reconhecer-se que só está ao alcance de um homem como Jorge Mendes, que já foi capaz - não se esqueçam - de colocar o central Ricardo Carvalho por 30 milhões ou o lateral Paulo Ferreira por 20 milhões, ambos no Chelsea (há 15 anos!!!), ou, 4 anos depois, outro lateral, Bosingwa, também por 20 milhões e também no Chelsea, ou, em 2007, o central Pepe por 30 milhões, no Real Madrid, ou, alguns anos depois, o lateral Danilo por 31,5 ainda no Real, ou o central Mangala por 45 milhões no City, ou, há mais de 10 anos, o médio Anderson no United por 31,5 milhões. Alguns exemplos.

Pode João Félix não ser ainda (e não é) aquela jovem estrela como já era Mbappé quando o PSG pagou o que pagou por ele, ou Neymar, quando o Barcelona pagou o que pagou por ele; mas Félix tem tudo para vir a ser um grandíssimo jogador. E os que mais percebem de futebol melhor compreendem o que ele mostra realmente ter.
Claro que entre o que se mostra e o que se prova e confirma vai sempre uma distância, João Félix tem apenas 19 anos e, na verdade, ainda não fez praticamente caminho que se veja, porque cinco meses muito bons numa Liga como a portuguesa não podem propriamente servir de cartão de visita a ninguém.
Mas Félix tem outro cartão de visita: o talento, a qualidade, o modo como faz coisas que a maioria, pelo menos aos 19 anos, não faz, ou nunca virá mesmo a fazer. Vale esse talento 120 milhões de euros?
Vale o que pagarem por ele neste louco mercado dos ricos em que se está a transformar pelo menos o futebol europeu. Como já aqui escrevi, o valor nunca é feito por quem faz o preço mas por quem paga. E, se há quem pague, então é porque vale.
Não deve, porém, o talento de Félix ser pesado em euros nem a qualidade do jogador deve agora ser questionada porque alguém decidiu pagar por ele o que vai ser pago. Félix deve ser visto e analisado como se veem e analisam todos os jogadores de futebol. E é nesse sentido que deve reconhecer-se haver, realmente, jogadores que não enganam.
Sem querer - sublinho mais uma vez - entrar em comparações, lembro, a propósito, que quando o miúdo Mbappé começou a dar ao Mónaco, pela mão do nosso Leonardo Jardim, os primeiros passos ao mais alto nível, percebeu-se logo e que ali estava. Percebeu Jardim e percebeu quem o viu.
Não é por não sabermos onde vai chegar um jogador (porque nunca ninguém sabe onde vai chegar qualquer que seja o jogador) que devemos diminuir-lhe o potencial. O futebol, no seu sentido negocial, é, e será sempre, um risco. Mas nada disso fez com que não se perceba o que, intrinsecamente, vale ou não vale um jogador. E Félix vale!

João Félix pode, evidentemente, chegar mais ou menos longe, pode vir a ter mais ou menos sucesso, pode ganhar mais ou menos vezes, pode até nem chegar a ser, no futuro, um dos melhores do mundo.
Mas percebe-se já o talento que tem. E tem muito. Pode, como na opinião de Jorge Jesus, vir a estar algures entre um Rui Costa e um Kaká; pode, como referiu o comentador desta casa, André Pipa, dar (mais ou menos) um ar de Johan Cruyff (calma, não se trata de comparar, trata-se de nos fazer recordar um certo estilo!...), pode ainda lembrar-nos aquele memorável e incomparável João Vieira Pinto, que pensava mais depressa do que os outros, que executava mais rápido e melhor, que também parecia nunca estar no sítio (como parece também com João Félix), e depois aparecia la, como um raio (como também parece com João Félix) para dar cabo de cabeça aos adversários.
Está meio mundo a condenar - e outros meio a desconfiar - da opinião de João Félix pelo Atlético de Madrid. Porque o clube não é um dos maiores, porque o treinador está acabado e porque só se preocupa com a defesa e corta a veia dos capazes mais criativos, porque os 120 milhões vão, a ele, João Félix, causar na cabeça mais mossa do que um soco do Mike Tyson, enfim, meio mundo acha que é má opção por todas as razões e mais uma e o outro meio, pelos vistos, desconfia mesmo que o rapaz, alegadamente aconselhado por Jorge Mendes, e alegadamente movido pela ganância dos 6 milhões ao ano, acabará por perceber que deu um tiro ao lado.
Não é por embirração, juro, mas tenho opinião exactamente contrária e creio mesmo (até onde me é possível crer, evidentemente, porque uma opinião é apenas isso, uma opinião) que João Félix fez boa opção. Porque precisa de jogar num 4x4x2, porque Simeone tem suficiente paixão (como tem, por exemplo, Jesus, se é que o leitor compreende) com o melhorar como jogador (Simeone cortou a veia criativa de Griezmann?...), porque no Atl. de Madrid vai começar já por ser titular (e isso é muito importante na aposta que se faz), ainda porque o Atlético de Madrid não vive a pressão de ter de ganhar títulos como vivem Real, Barça, City, United, Bayern e, finalmente, porque estar em Madrid é estar praticamente em casa.
Como sempre, só o tempo revelará a verdade!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Só pérolas... desde da estátua a Mendes na Luz, ao 'desconhecido' Kepa e até à 'não pressão' do Atlético na Champions!!!

O que o mercado está a prenunciar

"Com a janela de verão do mercado de transferências em velocidade de cruzeiro, não há, nem podia haver, grandes novidades em relação aos clubes portugueses. Mesmo o Benfica, desta feita numa posição de maior solidez financeira que lhe permite evitar a necessidade de vender a preços de ocasião, acabará por ver partir os jogadores mais promissores: Félix já tem lugar em Madrid e, ou me engano muito ou os €6 milhões da cláusula de Rúben Dias vão ser insuficientes para mantê-lo na Luz.
E FC Porto e Sporting vão actuar, em circunstâncias menos benévolas.
Os dragões, ainda sob intervenção da UEFA, e em dúvida quanto ao acesso à Champions, viram dois dos seus activos mais valiosos, Brahimi e Herrera, partir a custo zero; e encaixaram 70 milhões pelos internacionais brasileiros Militão e Felipe, estando ainda Soares e Marega na mira de vários clubes. Não será fácil a tarefa de Conceição que, em 2019/2020, tentará fazer mais, com menos do que desejaria.
Já o Sporting, que trabalhará subordinado ao primeiro orçamento da era Varandas, precisa de encontrar quem pague o preço certo pelo seu principal activo, Bruno Fernandes, numa lógica de realizar capital, para apagar outros fogos, ao mesmo tempo que procura no mercado jogadores com a melhore relação qualidade-preço. Percebe-se que Keizer não é treinador de se queixar, mas a nação leonina, no seu todo, deve preparar-se para uma temporada, no futebol e nas modalidades, formatada de acordo com as posses do clube e não segundo os parâmetros megalómanos de quem, há precisamente um ano, ia pagar cinco milhões por Ricardinho..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Na cova do lobo não há ateus

"O provérbio é húngaro, ancestral e citado pelo escritor António Lobo Antunes nas suas últimas entrevistas. «Na cova do lobo não há ateus», diz e significa que, perante uma qualquer aflição, toda a gente recorre à fé. João Félix foi colocado na toca do lobo quando o Atl. Madrid se mostrou disposto a colocar milhões de camiões de dinheiro na sua conta bancária e ainda nas do Benfica. O menino que só para Novembro chega aos 20 anos tinha outras opções e a mais confortável seria ficar na Luz mais uma época já com pré-acordo com um qualquer clube, ou em alternativa, assinar por um emblema com menos pressão, um multimilionário em que pouco se falasse do preço do seu passe - Man. City? - e sem a responsabilidade de substituir directamente a figura da equipa nos últimos anos, no caso Griezamann. Mas quando foi colocado na toca do lobo Félix não hesitou e aceitou o desafio. Por isso, demonstrou que não é ateu. Tem fé, acredita em algo. Mais não seja, tem fé inabalável nas suas qualidades.
Mas o primeiro passo para matar o lobo é enfrentá-lo. E isso já fez. Perante a ameaça, poderia ter fugido. Louve-se a coragem.
Os mais românticos da bola argumentam que João Félix vacilou tanto dinheiro e que poderia ter esperado mais um pouco. Podia ser verdade. podia, mas julgo que não é. Quem aos 13 anos sai de casa para ir viver para o centro de estágio dum grande clube, no caso o FC Porto, quando chega aos 19 tem a cabeça completamente formatada para ter sucesso desportivo e financeiro. O desportivo parece ter tudo para o alcançar; o financeiro já o alcançou. Perante a possibilidade de conseguir a sua independência financeira e dos seus no espaço de cinco anos, quem lhe voltaria as costas? Aqui não há provérbios, só há a vida. E a vida é assim."

Hugo Forte, in A Bola

PS: O Félix nunca viveu no Centro de Estádio dos Corruptos, porque ele simplesmente não existe! Deslocava-se de Viseu ao Porto, para treinar... mas só saiu de casa, quando foi para o Seixal.
Mas pronto, é assim que os jornaleiros desportivos portugueses, gostam de 'informar'!!!

Os méritos do adversário

"Em competição temos adversários, uns do mesmo nível, outros de nível superior ou inferior. Ao longo do tempo, estes patamares vão evoluindo, melhorando nuns casos, regredindo em outros. A nossa prestação está dependente do que conseguimos fazer, mas também do que fazem os adversários. Podemos fazer tudo bem, desde a planificação da época, no processo de treino, até ao momento da decisão. Contudo, pode um nosso adversário fazer melhor. Nós não fizemos mal, eles fizeram melhor. Os factores que definem estas situações também podem ser de difícil controlo, como por exemplo as lesões de elementos fundamentais na prestação da equipa.
O que já não tem nenhuma competente aleatória é reconhecer os méritos que os nossos adversários têm. Perceber que do outro lado existe um adversário com os mesmos objectivos e com igual ou superior qualidade. Perder uma competição para esse adversário não significa que obrigatoriamente tudo esteja mal na nossa equipa. Mas obriga a encontrar soluções para vencermos a próxima. O que não se faz por retirar mérito ao adversário, bem pelo contrário, passa por valorizá-lo para que a nossa próxima vitória seja de maior dimensão.
Com o final da NBA, com a vitória no sexto jogo para os Toronto Raptors, e consequente anel de vencedores, os Golden Stade Warriors, equipa adversária, e favorita para vencer as finais, publicou uma página inteira de publicidade paga, no jornal Toronto Star, uma das principais publicações da cidade dos Raptors,k a felicitá-los pela conquista e por terem levado a vitória para a cidade de Toronto.
Para além da atitude, uma visão fantástica na valorização da competição e da sua própria equipa. Um exemplo para todos nós, em que se percebe que a competição só ganha com competidores de nível superior. No dia seguinte a terem perdido a possibilidade de serem tri-campeões, iniciaram o processo para o futuro, valorizando o adversário."

José Couceiro, in A Bola

O reconhecimento da arte de bem jogar

"Paulo Fonseca. Luís Castro. Ivo Vieira. Três treinadores portugueses cujas ideias aplicadas ao jogo levaram-nos a dar um salto qualitativo nas suas carreiras, num reconhecimento claro da qualidade de jogo apresentada pelas suas equipas. Um reconhecimento que atesta ainda o quão importante é ganhar aliando o desejo de vencer à arte de bem jogar.
Três anos recheados de títulos, recordes internos batidos, jogadores valorizados, elogios de Sarri e Guardiola, por exemplo, tudo isto e muito mais foi alcançado por Paulo Fonseca e pela sua equipa técnica em Donetsk. Mas mais importante do que isso foi o cunho pessoal que conseguiram dar a uma equipa que durante mais de uma década esteve às ordens de Mircea Lucescu, mítico treinador romeno, cujo estilo de jogo em nada se assemelha àquilo que viriam a ser os anos de reinado de Paulo Fonseca.
Essa terá sido, na minha opinião, a maior vitória do antigo treinador bracarense. Chegar, ver, vencer e convencer com um jogo tão atractivo, tão dominante, tão eminentemente ofensivo não está ao alcance de todos e a verdade é que ninguém ficou indiferente a uma caminhada que até nem começou bem (derrota na Supertaça e eliminação no play-off da Liga dos Campeões). De tal modo que, ao fim de três épocas, a Roma decidiu apostar, e bem, num treinador que desde o Pinhalnovense vem desenvolvendo um trabalho notável, com equipas que valorizam o espectáculo e que procuram vencer através dessa mesma valorização.
Se os títulos são, por norma, o reflexo maior da qualidade de trabalho de um treinador e o factor mais importante para quem contrata, não espanta que Paulo Fonseca tenha ido para a capital romana...
Mas Luís Castro não venceu qualquer título em Guimarães. Nem em Chaves. Nem em Vila do Conde. Porque terá sido então o eleito para suceder a Paulo Fonseca? A resposta é simples. Pelo menos para mim. Para além do trabalho de excelência ao serviço do FC Porto B, Luís Castro mostrou no Rio Ave, no Desportivo de Chaves e no Vitória Sport Clube o porquê de ser um dos melhores treinadores da nossa praça.
Futebol apoiado, ofensivo, atractivo, sempre em busca da baliza do adversário, sempre em busca da valorização colectiva para a potenciação individual dos seus jogadores, eis o que foi possível constatar nas equipas de Luís Castro nas três últimas temporadas. Sem títulos, é um facto, mas com razões mais do que suficientes para que acredite no seu sucesso em terras ucranianas e no elevar do seu nome e do seu trabalho por essa Europa fora.
Não vai ser fácil, certamente, mas os treinadores de qualidade tornam fácil aquilo que parece difícil. Tal como fez Ivo Vieira ao serviço do Moreirense na última edição da Liga NOS. Todos concordarão com o facto de a equipa de Moreira de Cónegos ter sido a sensação do campeonato. A vitória por 3-1 em pleno Estádio da Luz, por exemplo, foi uma das maiores provas da qualidade do trabalho desenvolvido pelo treinador madeirense ao serviço de uma equipa que, nos últimos anos, esteve sempre mais próximo do fim da tabela do que dos lugares europeus.
A forma desinibida com que se apresentou nos campos de norte a sul do país levou-o a granjear inúmeros elogios e inúmeros seguidores, tendo Ivo Vieira sido destacado e distinguido em inúmeros artigos redigidos e nos mais diverssos órgãos de Comunicação Social ao longo de 2018/2019. Distinções e elogios mais do que merecidos, que não passaram despercebidos a quem gosta de bom futebol e a quem gosta de ver as suas equipas a jogar bem, como foi o caso do Vitória Sport Clube.
A aposta em Ivo Vieira para suceder a Luís Castro, para além de revelar o rumo que os vitorianos querem percorrer, deixa antever ainda que o futebol português pode estar a caminho de um ponto de viragem na forma como se olha para o jogo e se analisa o trabalho dos treinadores. A ser assim, haveremos de ver mais “promoções” bem sucedidas e novos reconhecimentos da arte de bem jogar."

Precisamos de ser a criança que sonha sem limites

"Quando comecei a fazer judo tinha tantos sonhos - quase todos guiados pela irreverência – e, confesso, alguma ignorância - esta no bom sentido. Digo ignorância porque quando fazemos as coisas com a vontade de um gigante e a inocência de uma criança tudo parece mais simples. Relativizamos todo o processo. Se queremos algo, lutamos, conseguimos. Na nossa cabeça é tudo fácil.
As crianças não perdem tempo a pensar porque é que não podem voar. Querem ser astronautas, ter um avião, presidentes de um país. Pedem as coisas mais ousadas. Não há limites. Nada é impossível no universo fantástico que é o mundo de sonhos de uma criança. Ainda não estão familiarizadas com o conceito difícil e impossível.
Depois tornamo-nos adultos, mais conscientes de todas as dificuldades em chegar ao topo da montanha seja ela qual for. Cada um terá a sua.
Por um lado, sabemos do que somos capazes, temos conhecimento do que é preciso para os atingir - ou devíamos -, por outro lado, muitas vezes, quanto mais conhecimento se tem da dificuldade em atingi-los mais dúvidas surgem, tudo parece demasiado difícil de alcançar e é essa falta de crença que vai adiando o sucesso.
Mas há ainda o outro lado, onde alcançamos o sucesso, atingimos os nossos objectivos, e quanto mais sucesso vamos tendo, mais barreiras vamos construindo. Se, por um lado, o sucesso nos traz mais confiança muitas vezes também nos traz medo de errar, medo de não manter os níveis de sucesso, dos resultados a que nos acostumamos a atingir, damos ouvidos a críticas, damos peso a coisas que não deviam estar no nosso centro de atenção. Isto acontece porque a meio do processo nos distraímos daquilo que realmente importa, que é o empenho e as conquistas diárias, do crescimento pessoal que vamos tendo, de desfrutar das pequenas coisas e ser feliz durante toda a caminhada, do prazer de avançar para 'vencer', porque tudo o resto é uma consequência e o mais importante é chegar ao fim e saber que tudo o que podíamos ter feito, fizemos. Ainda assim, tanto no desporto como na vida, devemos estar preparados para todos os cenários, isto não implica conhecer todos os desfechos, ou todas as coisas que podem acontecer durante o processo, porque na maioria das vezes isso é impossível!
Estarmos preparados significa perceber que aconteça o que acontecer vamos saber lidar com isso. Se vou ter sucesso, e tudo corre como planeado, vou continuar focado e empenhado como sempre, por outro lado, se não for bem sucedido, vou ter uma estratégia mental que me permite não desistir e evitar o sentimento de frustração. Se quando perdermos procurarmos sempre dentro de cada um aquilo que podemos melhorar, controlamos tudo o que está em nosso 'poder'. Se, por outro lado, procurarmos desculpas, nunca vamos evoluir. Claro que existem variáveis externas que podem influenciar o 'resultado final', mas se nos vamos focar nisso antes ou depois da nossa tarefa, não concentramos toda a nossa energia para que a possamos realizar, ou melhorar a partir daí. Estamos a dar à nossa mente uma desculpa para 'falhar', um plano B, vamos dar o Plano A. O de ser bem sucedidos. O de tentar, sem desculpas. Lutar por objectivos é sempre um processo de equilíbrio entre ser uma criança e um adulto. Precisamos das duas coisas.
Precisamos de ser a criança que sonha sem limites e que procura ser feliz sem medos e o adulto que conhece o processo para realizar os sonhos.
Sejamos assim durante toda a nossa vida.
Há um mundo por conquistar."

Santos... no Astra !!!

Cristo... dixit !!!

Benfiquismo (MCCXIII)

Afogados, pelo infortúnio...

Super-Marlene !!!

Bernardo BD

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Os 3 cenários da transferência de João Félix

"Verão é sinónimo de competições internacionais de interesse duvidoso e silly season. Sempre foi assim e provavelmente sempre assim será.
No que diz respeito ao Benfica, depois de uma segunda metade de época recheada de jogos espectaculares e marcada por uma recuperação incrível, já se sabia que seria difícil manter os nossos melhores jogadores, com João Félix à cabeça. Sendo assim, não é surpresa para ninguém que a novela deste verão tenha como actor principal o nosso #79, a surpresa está no clube e na dimensão do negócio. 120M para o Atlético de Madrid é muita fruta e representará a quinta maior transferência de sempre do futebol mundial.
Mas a respeito desta possível transferência que está a mexer com o mundo do futebol, existem 3 cenários possíveis e naturalmente todos têm desfechos e consequências diferentes.
Cenário 1 – João Félix fica Do ponto de vista do adepto, e pensando apenas naquilo que nos motiva e faz ir ao estádio, este seria o cenário ideal. Estamos a falar de um jogador de 19 anos que esteve apenas uma época completa no plantel principal e que apenas agarrou a titularidade a meio do campeonato, pelo que ainda tem muito para evoluir tanto em termos técnicos como de maturidade. Com o João Félix no plantel o Benfica será sempre mais forte e estará, por isso, mais próximo de ganhar títulos… e é isso que todos queremos, certo?
De qualquer modo, continuo a achar que terá de haver um ponto de equilíbrio entre o aproveitamento desportivo e o financeiro porque não faz sentido formarmos bons jogadores se depois eles vão brilhar para outros clubes sem que tenham feito algo relevante no Benfica. OK, o dinheiro é importante, e é mesmo, mas a gestão do plantel e dos nossos melhores jogadores tem de ser feita com equilíbrio de modo a que o clube mantenha uma ambição de títulos que é legítima e de acordo com a expectativa dos adeptos e a sua história.
Cenário 2 – João Félix vendido pela cláusula Pouco haverá a dizer neste cenário. Se outro clube decidir pagar a cláusula de rescisão e o jogador quiser sair, não há nada que o Benfica possa fazer. Esta hipótese honrará também o que o Presidente anunciou, e bem, na última Assembleia Geral. Se acontecer, é ficar com o dinheiro, aproveitar para aliviar o aperto do passivo bancário e usar parte desta verba para construir uma equipa mais competitiva na Europa, competição que tem sido desprezada nos últimos anos de forma inexplicável.
Um aparte: temo que uma injecção de capital desta magnitude não sirva para resolver assuntos pendentes e reforçar a equipa, mas sim para a realização de mais obras megalómanas que ainda ninguém percebeu como se vão pagar nem a sua real utilidade. Colégio internacional? Centro de Alto Rendimento de Oeiras? Para que servem? Quanto vão custar? Quais os custos anuais? Qual o retorno a médio/longo prazo? O foco devia ser o sucesso desportivo, tudo o resto é acessório e um meio de chegar a um fim.
Cenário 3 – João Félix vendido abaixo da cláusula ou em prestações Aqui temos um problema grave. Não só não será cumprida a promessa feitas olhos-nos-olhos aos sócios, com todas as implicações que isso tem na relação estrutura/adeptos, como ficaremos mais fracos em termos desportivos e financeiros. Foi-nos prometido que o João Félix só saia pela cláusula, menos do que isso não será aceitável! Nada de suaves prestações, prioridades em atletas que nunca serão contratados, trocas de jogadores ou contratação posterior de outros craques do mesmo empresário como forma de compensação. João Félix só sai do Benfica se algum clube pagar a cláusula de rescisão indicada no seu contrato. São cento e vinte milhões de euros a pronto, ponto final. Qualquer negócio realizado em moldes diferentes será uma afronta aos sócios do Benfica que, acredito, já estão fartos de promessas não cumpridas.
Para já tudo isto não passa de boatos e o Benfica já emitiu 2 comunicados a desmentir qualquer negociação para a transferência do jogador. No entanto, já se percebeu que alguma coisa se passa e que não serão apenas rumores de mercado. O jogador e o seu empresário já foram vistos em Madrid e surgiram recentemente imagens do atleta equipado à Atlético numa possível acção de marketing para a apresentação.
Seja como for, em breve teremos novidades e a única certeza que temos é que o Benfica continua e o objectivo para a próxima época será o mesmo de sempre: vencer, vencer, vencer!
Que cenário acham que vai acontecer? Deixem a vossa opinião nos comentários."

Sair ou não sair, eis a questão!

"João Félix era, há um ano, uma promessa do SL Benfica. Hoje, é uma certeza do futebol mundial! Nada ingénuos, os ditos “gigantes” europeus tomaram consciência de tal e um punhado deles está, pelas informações veiculadas por meios de comunicação social portugueses e internacionais, disposto a avançar para a contratação do jovem avançado. Ou, pelo menos, tentar.
E tentar, por si só, já não será fácil. Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados, aparenta tomar uma posição de intransigência: João Félix só sai pelo valor da cláusula, ou seja, 120 milhões de euros. Um número assustador, mas comportável para clubes como Real Madrid FC, Atlético Madrid, Manchester City FC, Manchester United FC ou Juventus FC. Porquê estes exemplos? Porque são estes os clubes com quem a comunicação social mais tem casado – e divorciado, diga-se – João Félix. Ao que tudo indica, é o Atlético de Madrid que segue na linha da frente, estando a confirmação oficial iminente.
Ainda assim, e pese embora o poderio financeiro dos referidos clubes (Real Madrid e Manchester United são dois dos três clubes mais ricos do mundo), estes demonstram alguma reticência em colocar tão avolumado valor na mesa de Luís Filipe Vieira, tentando baixar a fasquia definida pelo líder benfiquista. Perguntam-se ainda, calculo eu, se João Félix valerá 120 milhões de euros. Vale?
O mercado é subjectivo e, por vezes, especulativo. Como tal, é difícil afirmar, convictamente, que Félix vale esse dinheiro (seria a terceira maior venda do futebol mundial – em termos apenas e só numéricos). Seria caro? Talvez, mas o que é bom é caro e João Félix é bom (isso, sim, é claro e objectivo). Na sua primeira época como sénior e com 18/19 anos, apontou 20 golos (15 no campeonato, que ajudou a conquistar) e deu 11 aos companheiros. Participou, de forma directa, em 31 golos, num total de 43 jogos.
Números que valem por eles mesmos, mas que são ainda mais reveladores da qualidade do viseense quando comparados com os de Cristiano Ronaldo (um dos maiores expoentes do futebol português), que completou a primeira época de sénior com menos um ano de idade, onde marcar golos não era a sua função primordial no Sporting. Como tal, a comparação vale o que vale. Mas vale!
Na sua primeira época, o futebolista da Juventus (então jogador do Sporting CP) apontou cinco golos. Para chegar aos 20, Ronaldo precisou de três temporadas (duas ao serviço do Manchester United FC). E só na sua quinta temporada enquanto sénior alcançou a marca dos 20 golos numa época (23 golos ao serviço dos ingleses em 2006/07).
Os golos deixam transparecer algumas das características de João Félix: capacidade de finalização (dentro ou fora da área, com os pés ou com a cabeça, com ou sem pressão do adversário, de primeira ou com recepção, à primeira ou na recarga), frieza, posicionamento dentro da área e movimentações na procura da bola ou do espaço em que esta vai cair que o fazem parecer cinco anos mais experiente. As assistências revelam outras: noção do posicionamento e da movimentação dos colegas, excelência no passe (curto e longo) e leitura de jogo. No entanto, João Félix destaca-se (da grande maioria dos futebolistas mundiais) pela capacidade de decisão.
O internacional português decide bem no momento do último passe (se este for endereçado a Seferovic talvez não seja o último – sim, é uma crítica à esporádica falta de capacidade para finalizar uma jogada do internacional suíço) e da finalização. Decide bem quando acelerar ou abrandar o jogo (ainda que, à semelhança de Messi e Bernardo Silva, o jogo aparente abrandar quando a bola chega aos seus pés – mas, com uma decisão, Félix salta vários passos no processo ofensivo e a jogada decorre num ápice). Decide bem que espaços ocupar e que terrenos pisar.
Os benfiquistas esperam agora que o prodígio formado no Caixa Futebol Campus decida bem o seu futuro. E a verdade é que, pelas informações veiculadas e depois de 13 golos com o pé direito, quatro com o pé esquerdo e três com a cabeça, é (curiosamente) nas mãos de João Félix que está a decisão do seu futuro. Talvez a mais importante da sua carreira.
De um lado, a adoração dos adeptos, a continuidade num projecto que já conhece e do qual é parte vital, a possibilidade de crescer com a menor pressão possível e com uma estrutura que acredita nas suas capacidades imediatas e a grande probabilidade de ser “a” estrela da equipa. Do outro, o dinheiro, a maior probabilidade de alcançar a fama e a glória europeias (do ponto de vista colectivo), um campeonato melhor e de maior visibilidade e a possibilidade de partilhar o balneário com ídolos e craques (Eden Hazard, Bernardo Silva ou… Cristiano Ronaldo).
Sair após uma época não resultou para Renato Sanches. Mas resultou para Cristiano Ronaldo. Não há uma fórmula correta e universal. Terá que ser João Félix a decidir se sai ou não sai. E essa… é “a” questão."

Atenção, João: com grandes quantias de dinheiro, vem grande responsabilidade

"Temos por hábito dizer, do alto da nossa sabedoria, e pela distância que temos das situações em que as personagens mediáticas estão envolvidas, que na mesma situação delas resolveríamos o problema, e que as nossas acções seriam sempre as mais adequadas. São raros os que de nós colocam incerteza sobre o seu próprio comportamento, quando nos é colocada uma situação paralela às que são mais faladas pelo grande público.
Ao João Félix, por exemplo, é pedido que, com 19 anos de idade, decida sobre aquele que pode ser o momento mais importante e mais marcante da sua vida, com a sapiência dos grandes.
Pedem-lhe que decida como José Boto, que tem mais experiência, mais informação e mais conhecimento de todas as culturas e contextos futebolísticos do que os cabelos brancos que tem na cabeça. Olhem que não assim tão poucos!
Pedem-lhe que seja Rui Malheiro, e use a sua capacidade para analisar equipas, formas de jogar, e as enquadre dentro das suas próprias qualidades, dos seus defeitos, do que pode aprimorar, do que precisa mesmo de aprender; e ainda lhe pedem que faça uma projecção do que quer ser no futuro. 
Pedem-lhe que seja Helena Costa, e consiga perceber dentro de todo esse contexto que: não havendo condições para que ele se possa evidenciar e fazer um bom trabalho, por mais tentadora que seja a posição onde lhe colocam – pela notoriedade -, por mais euros que entrem na conta, que não deve ceder aos caprichos externos e que a decisão deve ser única e somente dele.
Pedem-lhe ainda que seja Vitor Frade, e que consiga articular todo esse pensamento, e dar expressão a uma teoria explicativa do porquê de um miúdo de 19 anos, que ainda há pouco tempo passava férias pagas pelo pai do amigo, recusar uma proposta que vai transformar por completo a sua vida.
Em termos de jogo, quer-me parecer que, pelo valor que o Atlético de Madrid está disposto a pagar, Simeone vai apostar de forma inequívoca no talentoso avançado. E essa aposta é um dos factores fulcrais para que Félix se sinta tentado a assinar pelos colchoneros: vai ter protagonismo!
E se assim for, se o treinador o libertar das rígidas tarefas defensivas e da abnegação que ele exige em todas as acções sem bola, creio que triunfará. Porém, o triunfo estará sempre ligado ao número de golos e assistências, uma vez que no modelo de jogo preconizado pelo treinador argentino pouco espaço há para que o jovem avançado se possa evidenciar em outra esfera que o torna verdadeiramente especial: o jogo entre sectores.
Do ponto de vista do seu crescimento como jogador, a mudança para Madrid pode ditar de forma definitiva que tipo de jogador será. É certo que ele tem o talento necessário para vingar, tem o talento para fazer golos e assistências se receber a bola em condições no último terço, mas não menos verdade é que ele é muito mais, pode dar muito mais, pode participar muito mais, e ser decisivo em muitas mais situações do que apenas naquelas em que termina a jogada. Sem esquecer que El Cholo é um treinador que procura sobretudo o rigor e agressividade defensiva, na maior parte das vezes com as linhas baixas, e as situações em que recebe a bola podem não ser as mais adequadas.
Se os primeiros jogos correrem bem, sendo que o treinador não poderá esconder €120 milhões no banco e dar-lhe tempo para crescer sem muita pressão e sem grande responsabilidade, João Félix será a chave de todo o sucesso, mesmo quando não estiver directamente implicado. A imprensa e os adeptos vão tratá-lo desta forma: como o factor diferenciador na equipa, ainda que não tenha feito essa diferença em campo – e acabará por ser esse o seu principal desafio, uma vez que o talento não é condição suficiente para que se tenha sucesso no futebol.
A imprensa espanhola é super agressiva, quando se trata de jogadores estrangeiros, e há o problema da expectativa que o valor avultado da sua transferência irá criar. Assim como poderá ter o mérito de tudo, também terá o demérito. Como Messi e Ronaldo, o criativo avançado será o grande alvo de todas as críticas quando a equipa não tiver o resultado esperado, ainda que não seja responsável de todo. Essa pressão será tremenda, e surgirá de todos os lados: da imprensa, dos adeptos, dos adeptos rivais, do clube, dos próprios colegas. Quando a defesa falhar, culpa de Félix, quando os médios falharem, culpa de Félix, quando o treinador falhar, também será ele o culpado.
Falando mal e depressa, não é um ambiente de sonho para um jovem de 19 anos que, convém lembrar, tem menos de doze meses na primeira divisão portuguesa. Há ainda outro factor que pode não o ajudar: o seu estilo de jogo. Não é um jogador vistoso e que chame a atenção pelo que faz. Não tem um drible espectacular, não é particularmente veloz, não é robusto e foge do choque. Para se conseguir entender o que ele faz de diferente, para lá do golo, é preciso ir detalhe. Sem microscópio, é muito difícil perceber a superioridade do miúdo, e por aí ficará abandonado aos momentos de último terço, que serão sempre em muito menor número do que os restantes.
Se for para o Wanda Metropolitano, João Félix apenas conseguirá ser aquilo que os golos e as assistências lhe permitirem – uma vez que é essa a responsabilidade que todos lhe vão imputar depois da saída de Antoine Griezmann (a maior estrela da equipa), e do valor astronómico da sua transferência."

Estar, ou não, 'no ponto'

"Bruno Fernandes está - para grande equipa. Quanto a mim, João Félix não está. E temo grande erro na opção por Madrid. Fabuloso para o Benfica!

Foi a mais latejante dúvida: João Félix e Bruno Fernandes ficam, ou não?; e, saindo, por que valor financeiro? A primeira certeza (factual) de saída veio de onde eu menos esperava... (jogador e clube contratante). E por verba que sempre considerei absolutamente irrealista!!!
Convicção de rápida partida mantenho quanto ao estupendo médio todo-o-terreno que levou o Sporting ao colo em toda a temporada. Idêntica garantia não dava ao tão talentoso avançado que soube aproveitar o magnífico trampolim da súbita revolução Bruno Lage.
Bruno Fernandes sairá já de Portugal, por amplos e fortíssimos motivos. Desde logo: Sporting tem híper necessidade de grande encaixe financeiro. Em simultâneo: a juventude de Bruno (24 anos em Setembro) já possui firme maturidade, consolidada nos anos em Itália, nas Selecções sub-20 (logo capitão) e nas 2 muito atribuladas épocas sportinguistas (JJ, quando deixou Alvalade, vincou ver nele o próximo capitão - e foi, por se tratar de inato líder!).
Bruno, excelente técnica e tacticamente, na visão de jogo e no invulgar, para um médio, poder de remate, senhor de já provada solidez competitiva, mentalmente muito forte, atleticamente pujante, está no ponto para grande equipa. Em Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha. Por quanto? Creio que justifica à volta de 70 milhões; mas tem a palavra o mercado...
João Félix, quanto a mim, não está no ponto - com apenas 19 anos e tão-só meia dúzia de meses na Liga... portuguesa. Se eu estiver errado (oxalá!), este miúdo medirá meças com projecção de Futre, Figo, Ronaldo, em idêntica idade. Talento às carradas (!) possui; a par de inevitável imaturidade. Muitíssimo para crescer. Sobretudo em consistência competitiva - e poder muscular... -, até ao topo de craque entre craques que o seu tremendo potencial tanto promete. Precipitada ânsia de queimar etapas igual a alto risco de estagnação, ameaça de retrocesso.
OK, o Benfica propôs-lhe €3 milhões/ano e o Atlético de Madrid irá pagar-lhe o dobro! Essa substancial diferença - mas já seria gigantesco salto... - é assim tão importante, aos 19 anos, para recusa de maturar mais uma época? João Félix e os seus conselheiros desligaram do sucedido com, por exemplo, Renato Sanches (Bayern), André Silva (Milan) e João Mário (Inter). Fabuloso negócio faz o Benfica.
Quiça pior: João vai para o estilo de futebol que marca Simeone. Não vai para o futebol de Guardiola, que também terá apontado à sua aquisição. Sim, o menino à sua aquisição. Sim, o menino necessitaria de tempo até se impor no City que abarrota de craques; o extraordinário Bernardo Silva, mesmo já com tarimba de campeão francês no Mónaco, precisou de um ano para ser firme titular. Mas seria estilo de futebol muitíssimo mais ao jeito do perfil técnico de João Félix. Quanto a mim, errada opção por Atlético estruturado com base em altíssima intensidade de poder atlético na sistemática busca de corpo a corpo (por isso os tecnicistas Gaitán e Gelson ali tão mal se deram).
Acresce a brutal exigência (adeptos, jornalistas, quiça também balneário...) que vai cair sobre miúdo de 19 anos, vindo de... Portugal e por galácticos 120 milhões - dos quais este clube nunca sequer se aproximara! Isto quando o gigante Real Madrid, em tudo por tudo para se redimir no monumental fracasso pós-CR7, acaba de pagar 100 milhões por Hazard, avançado há muito de topo mundial!

Os Melhores da Época
Em cheio o fecho do ano futebolístico lusitano: meia-final e final levaram Portugal à conquista da Liga das Nações (dos 23 conquistadores, só 7 no nosso campeonato - ainda...). Eis o meu balanço:
Treinador do ano: Bruno Lage (fulgurante obra ressuscitar Benfica liquidado no início de Janeiro!)
Melhor onze: Casillas; André Almeida, Rúben Dias, Éder Militão, Alex Telles; Pizzi, Herrera, Bruno Fernandes; Marega, Seferovic, Rafa.
Segundo onze (em 3-4-3, por ausência de outro defesa direito convincente): Odysseas; (ou Renan); Felipe, Coates, Mathieu; Corona, Danilo, Samaris, Grimaldo; João Félix, Soares, Acuña.
Outros destaques: Tiago Silva (Feirense) e Chiquinho (Moreirense), médios ofensivos que merecerem equipas de superior craveira; meninos Ferro e Florentino (Benfica); nada menos de 5 guarda-redes: Léo Jardim (Rio Ave), Tiago Sá (SC Braga), Cláudio Ramos (Tondela), Helton Leite (Boavista), Muriel (Belenenses); defesa esquerdo Sequeira (SC Braga), o qual, aos 28 anos, deve ter entrado na lista de Fernando Santos; extremo Tabata, 22 anos (Portimonense); avançados Kikas, 21 anos (Belenenses) e Cádiz (V. Setúbal). E não me esqueço o que Gabriel dimensionou no Benfica de Lage até se lesionar...
Óbvio: opiniões..."

Santos Neves, in A Bola

Lanças... e o crime organizado!