Últimas indefectivações

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Editorial


"1 - Renhido, intenso, frenético. E uma enorme explosão de alegria no final! Há desafios em que é fundamental ter fôlego para acreditar que a montanha pode mesmo ser escalada. E foi! Os nossos jogadores de voleibol fizeram na República Checa uma imensa prova de benfiquismo, de raça, querer e ambição. Uma portentosa exibição capaz de virar o resultado negativo da primeira mão e até um primeiro set que não começou bem. Está garantido o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, com o prestígio que o Benfica merece. Parabéns a todos os jogadores, staff e equipa técnica liderada por Marcel Matz.

2 - Nesta edição do jornal O Benfica fazemos uma exaustiva radiografia do andamento do ecletismo e à expressão competitiva das modalidades neste primeiro terço da época. Fica um trabalho de fundo que proteja uma certeza: irredutível vontade de lutar até ao último segundo pelos títulos que queremos conquistar e oferecer aos nossos adeptos.

3 - No futebol, esta paragem para as selecções é também tempo para um ponto de ordem: por mais que nos tentem desunir, deslaçar, desmotivar e tornarem-nos descrentes, responderemos com abnegações, exibições de qualidade e vitórias. Estamos em todas as frentes, todas, cientes de que só com muito compromisso chegaremos aos nossos objectivos. Unidos, focados, lado a lado com o apoio dos adeptos e rumo às conquistas que lhes queremos oferecer. Por mais que insistam no contrário."

Pedro Pinto, in O Benfica

As 5 alternativas a Vlachodimos | SL Benfica


"5 alternativas a Vlachodimos. Haverá mudança em janeiro?

Não é novidade para ninguém que Jorge Jesus está a procura de um guarda-redes que possa substituir Vlachodimos. É certo que já na época passada, quando Luís Filipe Vieira ainda era presidente do SL Benfica, o treinador das águias tinha feito esse pedido, embora este tivesse sido recusado ou adiado (quem sabe).
Também não é motivo de espanto dizer que o grego está a atravessar uma das melhores fases ao serviço dos encarnados. Se na temporada transata foi posta em causa a sua titularidade, na presente época não há dúvida de que Vlachodimos é o merecido dono e senhor da baliza do SL Benfica.
A segurança e a confiança que dá à equipa têm sido notórias e há quem diga que o grego merece atuar em palcos de maior nível, como é o caso do ex-treinador Marinos Ouzounidis. Para o antigo treinador de Vlachodimos, o jogador evoluiu imenso e está preparado para jogar noutros campeonatos, com maior competitividade.
Posto isto, caso o grego saia em janeiro, decidi eleger o top-5 de alternativas que considero ser as melhores para o substituir, ainda que, algumas possam parecer menos acessíveis.

5. Lukas Hradecky
O atual guardião do Bayer 04 Leverkusen, pode ser uma opção para substituir Vlachodimos. O guarda-redes já conta 72 internacionalizações pela Finlândia e o seu valor de mercado está avaliado em seis milhões de euros.
A associação de Hradecky ao SL Benfica já tem história. Em 2017, quando ainda representava o Eintracht Frankfurt foi apontado como o possível sucessor de Ederson e em 2018, depois das águias terem garantido a contratação de Vlachodimos, foi novamente associado aos encarnados.
Apesar de o panorama na liga alemã não ser o melhor, o guarda-redes destaca-se pela forte qualidade entre os postes, pela consistência, por manter o ritmo de jogo e por não se deixar condicionar no que toca à pressão do jogo.
Estas são apenas algumas das características que apresenta e que podem colocá-lo novamente na rota da Luz, enquanto substituto do grego.

4. Gerónimo Rulli
Se recuarmos uns meses, mais concretamente até maio, recordámos um guarda-redes que foi responsável por marcar um penálti decisivo e defender outro igualmente determinante, na final da Liga Europa, frente ao poderoso Manchester United FC.
O autor dessa proeza é Gerónimo Rulli. Atualmente, o argentino representa o Villarreal CF. Na época passada era suplente de Sergio Asenjo, sendo que só atuava nas competições europeias, mas hoje em dia é o guarda-redes titular do clube espanhol.
Até ao momento, na liga espanhola realizou 10 jogos, tendo sofrido oito golos. De notar que esteve seis partidas com a baliza intacta. No que diz respeito à Liga dos Campeões o cenário é um pouco diferente: quatro jogos, cinco golos sofridos e apenas um jogo sem sofrer nenhum golo. Ainda assim, importa referir que o Villarreal CF está em segundo lugar num grupo que conta com equipas como o Manchester United FC, Atalanta BC e BSC Young Boys.
Gerónimo Rulli é o 116º guarda-redes mais valioso, mas esta contratação não era algo impossível, uma vez que, o preço pelo qual Gerónimo Rulli foi vendido ao Villarreal CF foi de oito milhões de euros. Este valor ou outro perto deste poderia muito bem ser suportado pelo clube encarnado, se este vendesse Vlachodimos por um valor justificável.

3. Mattia Perin
O atual substituto de Wojciech Szczesny, que representa a Juventus FC, já esteve associado ao SL Benfica no verão de 2019.
De notar que o guarda-redes chegou a estar em Lisboa, mas não assinou contrato com os encarnados, porque chumbou nos exames médicos. Neste momento assume a responsabilidade de defender a baliza dos italianos, visto que, Szczesny está lesionado.
Com 28 anos é considerado o 92º melhor guardião a nível global. Quando esteve perto de assinar, falava-se numa contratação que rondava os 12 e os 15 milhões de euros.
É certo que era um enorme investimento, e que estes valores muito provavelmente iam subir, apesar de a Juventus FC não estar a ter uma prestação tão positiva como era esperado, no que ao campeonato diz respeito. No entanto, para substituir Vlachodimos não se pode escolher um guarda-redes qualquer.

2. Yann Sommer
Yann Sommer, o principal autor de um feito inédito alcançado pela Suíça. No EURO 2020, no jogo frente à França, Sommer defendeu o penálti decisivo de Mbappé e permitiu que a seleção helvética chegasse pela primeira vez aos quartos-de-final de um Europeu.
A frieza que apresenta em campo em situações de grande pressão, a agilidade, a rapidez e o bom jogo de pés são alguns dos pontos fortes do suíço.
Atualmente defende as cores do Borussia Mönchengladbach, nono classificado da liga alemã, mas pode muito bem representar um clube com maior ambição, como é o caso do SL Benfica.
O facto de os encarnados estarem sempre presentes em alguma das competições europeias pode ser um motivo forte para a vinda de Sommer. Qualquer guarda-redes sonha e ambiciona jogar na Liga dos Campeões, ou na Liga Europa.
Qualidade não lhe falta, por isso, resta agora saber se as águias podem sonhar com esta contratação que tinha grande potencial, quer para o jogador, quer para o clube português.

1. Mile Svilar
Se calhar, neste momento, muitos estão a perguntar como é possível que tenha escolhido Svilar para integrar este top e, ainda por cima, tendo-o colocado em primeiro lugar. A resposta é simples: quando não estava preparado teve a oportunidade de representar as águias, agora que está não a tem.
Depois de um enorme investimento na época passada, o SL Benfica tem de gerir muito bem a parte financeira. Para quê contratar um guarda-redes caríssimo, quando se tem uma boa opção no banco – Svilar.
Em 2017, o belga foi o guardião mais novo a estrear-se na Liga dos Campeões, tendo ultrapassado Iker Casillas. É verdade que a estreia não podia ter corrido pior, mas não se pode crucificar o jovem para sempre-
Os jogos que realizou na equipa B demonstram isso mesmo. Svilar ganhou maturidade, experiência e aperfeiçoou a técnica. Não é novidade para ninguém que o belga tinha qualidade, só não estava preparado. Agora, pode muito bem ser a hora de conseguir representar a equipa principal, se bem que para isso, é preciso que Jorge Jesus aposte nele, pelo menos nas competições nacionais.
Talvez a verdadeira solução para resolver o problema da possível saída de Vlachodimos esteja em Svilar. Afinal, não é comum um guarda-redes ser considerado o Homem do Jogo e, na temporada anterior, o belga conseguiu esse feito mais do que uma vez. Por alguma razão há-de ser."

Esclarecimento


"O Sport Lisboa e Benfica esclarece relativamente ao dérbi de andebol marcado para amanhã que colocou à disposição dos adeptos do Sporting Clube de Portugal os bilhetes que pelo regulamento devem ser entregues ao clube adversário.
Mais informa que estes acessos foram disponibilizados exatamente nas mesmas condições oferecidas a todos os adversários que esta época vieram jogar à Luz. A saber, a identificação do adepto que adquire esse mesmo ingresso.
Uma prática e um procedimento que o Clube aplica aos próprios adeptos do Sport Lisboa e Benfica, quer quando joga em casa, quer quando joga fora, não havendo por isso, e como bem se atesta, qualquer espaço para discriminação, seja de que natureza for.
O Sport Lisboa e Benfica sublinha total disponibilidade para enviar imediatamente os bilhetes que se encontram reservados aos adeptos da equipa adversária logo que o Sporting Clube de Portugal entenda enviar os dados solicitados, os quais serão tratados no estrito cumprimento da legislação, cujo espírito visa garantir a total segurança dos adeptos do Benfica e daqueles que nos visitam."

O desporto ou a libertação controlada das emoções


"O livro de Norbert Elias e Eric Dunning, Quest for Excitement, foi publicado em 1986, mas a sua história começa muitos anos mais cedo. Em 1954, Elias tem 57 anos. Foge de uma Alemanha nazi em 1933. Depois de ter passado uns meses em Paris, vai se instalar em Londres. Em termos profissionais, vai ter posições precárias. Foi assistente de investigação na London School of Economics, vive de cursos para adultos que dá na Universidade de Londres e de sessões de terapia de grupo, que dirige no quadro do Group Analytic Society, formada por alguns psiquiatras.
Depois de uns anos difíceis, vai receber duas propostas para leitor em sociologia, de Leicester e de Leeds. Optou por Leicester. Em 1962, com a sua reforma, vai trocar Inglaterra pelo Gana, onde durante dois anos será professor de sociologia, na Universidade de Acra. Os seus pares consideravam que o seu pensamento centrado nos processos sociais de longa duração era marginal. Isso não estava na moda na época. Um dos seus alunos, Eric Dunning, vai propor a Elias para se trabalhar sobre o desporto e o lazer. Este objeto de estudo também não era fácil nos anos 1950, dado não ter legitimidade sociológica. Elias refere “quando nós começámos a refletir sobre a questão que nos interessava, a sociologia do desporto ainda estava nos seus inícios. Eu lembro-me que nos perguntámos se o desporto, entre outros o futebol, poderia ser considerado um objeto de pesquisa digno das ciências sociais, e em particular uma tese no âmbito das Artes”.
Só depois de alguns anos de ter regressado do Gana, é que Elias começou a publicar sozinho ou, a maior parte das vezes, em colaboração com Eric Dunning, textos sobre o desporto. Os textos que integram Quest for Excitement colocam em perspetiva o que constitui o desporto moderno e quais são as suas especificidades: a diminuição da violência, a existência de regras escritas e uniformes, codificando as práticas desportivas, a autonomia do jogo, relativamente aos confrontos guerreiros ou rituais.
Elias e Dunning vão romper três perspetivas que fundavam os estudos consagrados aos jogos e aos desportos:
1) colocar todos os desportos contemporâneos numa genealogia de longa duração, que encontram os seus antepassados mais ou menos diretos;
2) supor que todas as sociedades desenvolveram, de forma semelhante, as suas atividades e o tempo das práticas desportivas;
3) relacionar as razões das condutas, tidas como comparáveis através do espaço e do tempo, com as disposições psicológicas universais.
Estes dois autores sublinham as diferenças que separam os desportos dos jogos tradicionais, mesmo se eles têm em comum certos gestos. O desporto moderno criou espaços e tempos que lhe são próprios. Os estádios, os ginásios, os velódromos, etc. São locais específicos que cantonam o exercício e o espetáculo desportivo. Para Elias, o conceito chave que permite dar conta da aparição do desporto, pensado na descontinuidade dos confrontos antigos, é o da libertação do controle das emoções. Existe também uma pacificação do espaço social. Ao colocarem o desporto nas mutações das formas de competição pelo poder político, os controles exercidos sobre a violência e a estrutura da personalidade, estes dois autores tornaram o desporto um observatório privilegiado das evoluções de longa duração nas sociedades ocidentais. E, como diz Elias, “o conhecimento do desporto é a chave do conhecimento da sociedade”. O desporto, como instituição é o produto de corte histórico. Ele surge na Inglaterra, local clássico do modo de produção capitalista, e da era industrial moderna. Assume uma significação diferente segundo as classes sociais. O desporto é o produto da diminuição do tempo de trabalho, da urbanização e da modernização dos transportes."

Viagem interior ao mundo do futebol


"Quando me foi solicitado pelos meus colegas editores para escrever cinco páginas para integrar um livro sobre futebol no item Futebol e Ciência, comecei logo a equacionar a dimensão científica da abordagem – fisiológica, metodológica, sociológica, psicológica, biomecânica, traumatológica, etc.
O reduzido espaço disponível não permite grandes veleidades pelo que optei por uma abordagem científica “humanológica”, ou seja, uma tentativa de tentar desvendar as conexões múltiplas que o futebol provocou em mim enquanto ser humano medianamente desperto e consciente duma realidade que viveu e vive ainda.
Quando no início dos anos oitenta fui convidado par integrar o staff técnico de uma equipa de futebol profissional militando no mais elevado patamar competitivo do futebol português, fui descobrir um mundo novo com regras e rituais próprios que definem um espaço social e existencial peculiar e sem paralelo noutras modalidades desportivas.
Ao contrário do que gente pouco avisada poderá pensar, esse mundo quase esotérico não é o mar de rosas que muitos entrevêem nas imagens e relatos dos mass media. As regras mais importantes que gerem esse mundo de contrastes não são escritas, estão implícitas nas relações humanas e definem uma esfera noológica ímpar que regula de forma autoritária o funcionamento do futebol.
O futebol deixou de ser jogo, perdeu inclusive a sua dimensão de desporto (entendido este na sua acepção antropológica) para passar a ser uma mercadoria subordinada às regras do mercado – oferta e procura. Assim, a dimensão lúdica do futebol está remetida para quem o compra, da mesma forma que compram teatro, cinema ou outra forma de arte.
O futebol só é prazer e espectáculo para quem o observa e vive como espectador. Neste papel todos os desvarios e sonhos são possíveis. Momentos de festa e convívio, espírito de corpo que pode abrir caminho a comportamentos desviantes quando a cultura cede à ânsia doentia de afirmação o que recorrentemente determina a emergência de preconceitos xenófobos. Usualmente, estes sentimentos são mais fortes em relação aos grupos rivais endógenos que virados para o exterior. Existe uma excepção, os hooligans ingleses, que privilegiam a violência gratuita como comportamento “normal”, seja em relação aos grupos endógenos seja em relação às equipas exógenas. Nesse particular da violência até são bem democráticos. Hoje a coisa está melhor pelo controle apertado das autoridades policiais.
O futebol na actualidade nada tem a ver com o futebol dos primórdios. O futebol nos dias de hoje não é uma simples modalidade desportiva. É um mundo complexo que interage em múltiplas realidades. O futebol passou de jogo a indústria. Ainda mantém o sortilégio, a magia, o encanto, o chamamento, mas só para quem o vê de fora. Quem o vive por dentro, vê-o como profissão, como alavanca de promoção política, como indústria a rentabilizar, como palco de vaidades, como estratégia financeira, como meio de lavagem de dinheiro sujo, como meio de dissuasão de tensões sociais, etc., mas nunca o sente na sua essência lúdica, porque isso é desejo de nefelibatas alheios à realidade intrínseca do futebol. O futebol é um espaço de vida e de medo. O carácter humano do jogador (podemos com igual pertinência colocar aqui a palavra treinador) é posto à prova a cada momento. No futebol não existem amortecedores ou paliativos para a incompetência que pode ser passageira, fruto de flutuações de forma ou de problemas de saúde física ou mental, mas que é questionada dia-a-dia por juízes inclementes que propugnam com ligeireza sempre novas soluções. O jogador, ou seja, o homem com personalidade e carácter, aceita as regras do jogo e luta pelo seu lugar ao sol que é muitas das vezes fugidio como a areia entre os dedos; o ser pusilânime vinga ou numa lógica de sabujice ou numa atitude de demissão, tentando explorar ao máximo a lógica mercantil do sistema. Várias vezes ouvi da boca de muitos jogadores, em tom sério e denunciador, que no futebol só existem dois momentos bons – o fim do mês e os banhos e massagens.
Embora, esporadicamente se manifeste como um espaço de humanismo e solidariedade, usualmente o futebol caracteriza-se por um ambiente de luta, com predadores e presas e uma lógica de superação alicerçada em pressupostos darwinistas.
O futebol, tal como o trabalho na fábrica ou empresa, é subsidiário da repetição e rotina. Desenvolve-se em ciclos pré-estabelecidos, monótonos, que determinam rotinas diárias quase sempre repetitivas o que origina por vezes situações de saturação e comportamentos senão desviantes pelo menos deslocados ou desregrados. Desenvolvem-se automatismos de acção que privilegiam o adestramento tout court em detrimento da acção consciente. A rotina dificulta a reflexão inteligente, ou seja, a procura do domínio do envolvimento em estratégias de acção e movimento dirigidas a objectivos claros. Repete-se metronomicamente o que cria bloqueios à criatividade. Como existe um perigo latente na criatividade não conseguida, o futebol, cada vez mais, se resume a estereótipos motores que relevam pouco da liberdade de acção e pensamento. Depois, existe a acção do treinador que se constitui muitas vezes como factor condicionador da liberdade de ação do jogador. O futebol atual desenvolve autómatos diligentes que muitas vezes agem, não em função da alteridade do envolvimento, mas em reflexos condicionados ao estímulo constante do treinador. O berro ensurdecedor exterior substitui muitas vezes a análise pessoal do jogador, coarctando-lhe a liberdade e consciência de acção.
Jogo como dimensão e vivência de liberdade não existe mais no futebol mercantil. Ainda subsiste em momentos de espontaneidade juvenil ou em nichos despreocupados de jogadores de ocasião, mas não no futebol-instituição regido pelas federações em todo o mundo.
A importância social do futebol é inquestionável. Seja como profissão séria, seja como momento lúdico e de liberdade, o futebol é o fenómeno multitudinário mais importante da actualidade. Seja como indústria seja como momento de evasão e sonho o futebol assumiu um papel único que chega a ultrapassar a dinâmica das próprias religiões.
O futebol transformou-se numa religião com os seus “santos” e “pecadores”.
O céu e o inferno recriados no seio do futebol. Igreja ou arena? Religião ou ópio do povo? Um pouco de tudo isso, pois, numa época terminal para as ideologias e num momento em que a fé nos dogmas religisosos vai perdendo força catártica e mobilizadora, o futebol para muitos, e um pouco por todo o mundo, alimenta o espírito das emoções que dão um pouco de sal e sentido à vida. É uma suave alienação assumida na sua devida dimensão sociológica. Simples mundo de arte construindo momentos de sonho e evasão.
Rejeitamos a perspectiva que muitos ideólogos ou pensadores marxistas serôdios propugnam. O futebol é um fenómeno alienante, e ainda bem que o é. Só os pensadores ingénuos pensam que o essencial da luta de classes é alienado pela coisa futebolística. O homem actual está desperto para o essencial da sua vida. O futebol é assumido como evasão. Hoje, como sempre, nunca a luta na fábrica ou empresa foi anulada pela fruição lúdica do futebol.
O futebol não aliena o espectador da sua luta social. Talvez até contribua para o reforço do empenhamento do homem explorado na sua luta pela dignidade profissional e social. O futebol vive assim com a força do paradoxo que o consubstancia. Momento de ócio libertador/alienador para quem o aprecia externamente, negócio sério e exclusivo para que o vive como profissional.
Qualquer agente integrado no mundo imenso do futebol relega a dimensão lúdica e espectacular para segundo plano. O que interessa é ganhar. Por vezes a qualquer custo, mesmo por sobre as regras da conduta normal e pondo muitas vezes em jogo acções sub-reptícias concretizadas em pressões e influências que podem desvirtuar a denominada e eufemística “verdade desportiva”. Para esses o futebol não é desporto – é guerra com espiões, traidores, heróis e eunucos.
O mundo do futebol vive repleto de excessos. Excesso na importância antecipada do resultado, excesso na tentativa frustre de minimizar esse mesmo resultado quando é negativo. Quando tal acontece, tenta-se encontrar sempre uma justificação exterior às responsabilidades internas ou pessoais. Todos tentam aligeirar a carga da derrota, e são raríssimos os que assumem a sua quota parte de responsabilidade. Treinei e orientei mal a equipa, preparei-a mal fisicamente, não dei o suporte psicológico necessário aos jogadores, não paguei a tempo o que se reflectiu em stresse acrescentado nos jogadores, e outras frases da mesma dimensão nunca foram ouvidas no futebol. A culpa é de todos menos minha. E ouvem-se desculpas tão esfarrapadas como a relva estava demasiado crescida e prendia a bola, a relva estava muito curta e acelerava a bola, a bola estava muito cheia ou vazia, a comida caiu-me mal ou puseram qualquer coisa na sopa que me deu sonolência, os jogadores são maus profissionais e não cuidam do “treino invisível”, os dirigentes não souberam “falar” ao árbitro, etc, enfim uma série de subterfúgios que tentam esconder a inoperância global ou pessoal nos resultados negativos.
A análise fria e racional dos comportamentos e resultados pressupõe uma formação sólida que ultrapasse o imediatismo das situações. Necessita-se de uma atitude científica que erradique certezas e privilegie sempre soluções inovadoras e adaptadas a cada momento e situação. Inteligência em acção é a solução e o futuro do futebol. Mas isso, que se começa a vislumbrar aqui e ali, pressupõe a coragem do treinador em se apagar em detrimento do jogador lúcido e autónomo. Meter a ciência na arte para ser mais arte ainda.
A ciência foi entrando paulatinamente no seio do futebol. Entrada difícil, pois, muita ciência deixa pouco espaço de manobra para os charlatães da arte. Num mundo que eleva o irracional ao estatuto de metodologia é difícil a razão e a ciência entrar de forma radicalmente transformadora. Quando cheguei ao futebol português a metodologia científica de treino era assunto esotérico que se estudava na universidade, mas sem aplicação prática no terreno. Com a entrada dos denominados “preparadores físicos” tentou-se dar um cunho de profundidade científica ao trabalho no futebol, mas a intervenção reduzida desses profissionais entroncava na sua incapacidade de alterar mentalidades, estando-lhes adjudicada uma parte importante, mas não fundamental, do treino – a preparação inespecífica e o aquecimento.
Este delimitar de espaços de intervenção prendeu-se com a necessidade corporativa de defender a classe de treinadores da intervenção metodologicamente mais apurada dos agentes com formação superior no campo do treino desportivo.
Tentou-se assim encontrar um ponto de equilíbrio entre a ciência do “preparador físico” e a arte do treinador. A dicotomia funcionou e funciona ainda, penso, como patamar intermédio até à emergência do treinador com formação científica completa que se constituirá como administrador de um corpo plural operativo formado pelas equipas técnicas, médicas e administrativa. Aí o treino será um todo integrado e não o somatório de partes avulsas que relevam da especificidade técnica de cada agente interventor.
A dimensão aleatória do futebol é imensa. Daí resulta uma carga de incerteza que inviabiliza a penetração natural da lógica científica. Faz-se tudo correcto respeitando os ditames da dinâmica (interna e externa, biológica e psicológica) da carga e perde-se o jogo, e logo se abre espaço para a reflexão transcendental e cabalística. O resultado é o carrasco da ciência. Se o médico não salva o doente entra o curandeiro com a suas mezinhas e fumigações. Sai o doutor entra o místico. Sai a ciência entra a cabala. É fácil passar do campo das leis físicas e bioquímicas para os dogmas do imprescrutável. Quando as coisas falham no plano das estruturações metodológicas, rápido se assume a dependência do obscuro, seja no ritual cabalístico seja na recorrência à potenciação anómala. O futebol, tal como outras actividades humanas, é permeável às manobras de potenciação química. Ninguém pense que o futebol, imerso numa sociedade que se droga, poderia ser um espaço quimicamente asséptico e eticamente puro. A droga sempre campeou no futebol e somente as práticas persecutórias desmobilizam a sua utilização. Tem sido uma luta de gato-rato entre a tendência usual para a dopagem e os esforços de controlo. Luta difícil, pois os organismos estatais foram (serão ainda?) permeáveis à corrupção. Antigamente os jogos que eram sorteados para o controlo sabiam-se com antecedência por fugas de informação bem pagas.
Para mim foi difícil conviver com a droga e os jogos de bastiador. Muitas vezes me senti perdido no esforço de me localizar em função dos meus valores. Não saí e continuei. Hoje penso que fiz bem, pois o meu esforço quotidiano de persuasão bem como a eficácia da minha intervenção na melhoria da condição física dos jogadores permitiram, pelo menos a muitos jogadores jovens, passar ao lado desse flagelo do desporto. Nunca assumi critérios éticos para condenar a utilização de drogas, mas única e simplesmente critérios de saúde e de rendimento futuro. Estive e estou sempre ao lado dos jogadores porque eles são a razão de ser do futebol. Um dia inquirindo um jogador com a melhor condição física de todo o plantel da razão porque tomava anfetaminas, retorquiu: “Eu sei professor que não preciso disto para correr, mas sim porque me faz perder o medo”.
O futebol é um meio privilegiado para criar valores, e cria-os em catadupas, mas poucos se aproveitam em termos de relevância social humanística. Embora teoricamente se afirme como meio de educação o futebol deseduca e faz, de forma recorrente, apelo aos sentimentos humanos mais hipotalâmicos, ou seja, aos instintos básicos da espécie não tocados pela capa efémera da cultura. A análise fria e racional no futebol só existe na mente de alguns comentadores sérios que fazem disso profissão. O usual são as análises inflamadas ou pelo fogo catártico das paixões dos apaniguados ou com a força de alguns interesses corporativos que estão sempre à procura da agulha no palheiro (se, de vez em quando, não se incendeia o futebol com as chamas de um qualquer processo disjuntor a indústria fenece). A dissensão é a alma do futebol. É privilegiada, de tempos a tempos, pelos corifeus da indústria, como ritual purificador que permite alimentar quer a força apelativa do grupo quer a manutenção e sobrevivência de alguns mass media.
Isto pressupõe que o mundo idílico que transpira para a sociedade está longe de corresponder à realidade. A pressão sobre os jogadores e principalmente sobre os treinadores é terrível. Cada semana a espada de Dâmocles balança ameaçadora sobre a cabeça dos treinadores. Num meio que considera o futebol não um jogo com a sua dimensão aleatória, mas uma indústria ou actividade comercial e financeira, o êxito é sacralizado e imposto como imperativo funcional. Tudo gira à volta do êxito. Mesmo os sócios mais cultos e cientes da aleatoriedade do desporto exigem reparação para o insulto do inêxito, e sem cuidar de análises mais profundas que poderiam fazer emergir a génese da insuficiência, afinam pelo diapasão dos apaniguados mais fanatizados e toca a fazer purgas punitivas sobre os principais responsáveis da desgraça – os treinadores. Estes também contribuem para a perpetuação duma atitude de subordinação à roda da sorte. Prometem, ab initio, mundos e fundos, sem sentido das responsabilidades e somente exprimindo o que a turba multa deseja ouvir. Depois, bem ... é o desânimo estampado na face, a assunção de papeis ridículos na procura de uma tábua de salvação e, em última instância, a procura dum palco providencial para afirmar a sua inocência – os mass media. São poucos os que têm coragem de afirmar que a derrota é nem mais nem menos que um dos resultados possíveis das contendas desportivas e que assumem, como princípio regulador do sistema, o seu papel de vítimas principais.
Cada campeonato começa com um capital de confiança a gerir por cada treinador. Cada derrota reduz esse capital até ao ponto da bancarrota. Uns clubes dão mais capital inicial aos treinadores que outros, o que muitas vezes não tem a ver com a dimensão da confiança que se vai paulatinamente perdendo, mas com a dimensão dos contratos estabelecidos que inviabilizam novas soluções por impossibilidades financeiras. Tirando raras excepções que nos vêm da Grã-Bretanha, e o caso particular do F. C. Infesta (onde o treinador Mata permaneceu incólume durante muitos anos), todo o treinador, mais tarde ou mais cedo, tem o espectro do despedimento a manchar-lhe o currículo. E isso, por mais êxitos que tenha tido, pois no futebol o instante é vivido com intensidade, mas rapidamente perde força e procura-se novos instantes que deem sentido aos anteriores. O futebol é o mundo da impaciência, e, da mesma forma que se não chora sobre leite derramado também não se valorizam os êxitos para além dum tempo normal de fruição que muitas vezes não ultrapassa um par de meses.
A minha vida no futebol ficou sempre tocada pela dicotomia que o caracteriza. Muitas vezes me encontrei a perguntar: Qual a dimensão real do futebol?
Talvez aquela que é visada promocionalmente pelas grandes multinacionais de artigos desportivos, talvez aquela que é perseguida tenazmente por todos os mass media sempre na brecha para desvendar segredos e acicatar dissensão, talvez aquela que promete contratos milionários aos artistas do jogo e depois não lhe paga (onerando recorrentemente os responsáveis vindouros), talvez aquela da batota química que faz ir mais longe o pulmão, mais rápida a perna, mais célere o raciocínio, talvez aquela dos empresários que umas vezes funcionam como sanguessugas impiedosas outras como juízes reguladores do poder antes discricionário dos clubes, talvez aquela de multidões alienadas em paroxismos de violência, talvez aquela que é guardada por cães raivosos espreitando os cães raivosos que assistem ao jogo com a bile a escorrer-lhes dos maus fígados, talvez aquela que promove catarses alienadas para vidas alienadas, talvez aquela dos seres pusilânimes e videirinhos, entre os quais muitos políticos, que gravitam o espectáculo à espera que a entrada nessa órbitra os catapulte para os céus do poder ou lhes dê mais poder, etc.
Mas existe uma dimensão outra, a que vale. A que dá migalhas de sonho e alegria mesmo quando o céu está manchado de sangue e ódio. Esse é o futebol genésico, futebol-libertador, futebol-festa, futebol-convivialidade, futebol-gratuito, futebol-desporto, futebol-alegria, futebol-vida. Aí, o homem, qualquer que seja a sua condição, encontra-se a si próprio encontrando o outro. Descobre-se, descobrindo o outro. Potencia a sua auto-estima, respeitando o outro. Aí, o sortilégio deste inigualável fenómeno multitudinário assume a sua mais profunda expressão lúdica, criando não um mundo virtual, mas um mundo real, tangível, de elevação interior – o mundo do sonho que permite esquecer tudo, morte, fome e desespero. O futebol substitui-se então à religião porque é ele próprio uma religião. Não uma religião de dogmas e fanatismos, de guerras e sectarismos, mas uma religião de encontro e elevação numa suprema expressão transcendental.
De um artigo de Jefffrey Fleishman no Los Angeles Times retirei e acrescentei a seguinte reflexão.
Baghdad. Ano de 2003 no calendário cristão. Nawar Jawad que ganha 1 dólar por dia numa fábrica de lanifícios, em fintas rápidas de corpo que levantam uma nuvem de pó do campo em terra semeado de pequenas pedras, isola-se frente à baliza e marca um golo. Os seus colegas correm a abraçá-lo enquanto os rapazes que assistem batem palmas e as raparigas dançam. Por momentos toda a violência, toda a incerteza, esfumam-se como por milagre e o gesto perfeito transforma-o num homem novo.
Nesta nação dilacerada, em cada canto do país, os campos de futebol ganham de novo vida. Muitas balizas não têm redes, muitas equipas não têm equipamentos, alguns jogam em sandálias ou descalços, os lances misturam risos e sangue (este, sangue desportivo das quedas e choques), e no final, com o escurecer, todos regressam a casa iluminando de novo os medos das noites de terror.
Isto é o futebol e vida no Iraque. Medo e alegria. Novas perspectivas ensombradas em novos medos. Mas hoje o futebol está vivo e dá nova vida ao Iraque. Sadam Hussein regia o país de forma ditatorial, controlando todas as facetas da vida social, forçando o alistamento compulsivo dos jovens nas forças armadas ou noutras funções estatais. Hoje, malgrado as dificuldades, os jovens têm mais tempo livre para si e ocupam-no fazendo aquilo que mais gostam – jogar futebol.
Uday Hussein, filho do ditador, dominava de forma brutal o desporto iraquiano. Os jogadores da equipa olímpica iraquiana de futebol chegaram a ser presos e torturados por causa dos maus resultados, e os melhores jogadores, porque lhes faltava convicção ou ligações políticas, era-lhes sonegada a possibilidade de participação ao mais elevado nível.
Sem Uday, o futebol ganhou novo alento, mais organizado ou menos organizado, os campeonatos começaram mexendo o país de norte a sul. Alguns campos ainda apresentam sinais da guerra, mas nada impede os jovens depois dos exercícios de strechting, beberem um pouco de água e dar início ao jogo. Os veículos militares passam na estrada, ouve-se ao longe os barulhos de um casamento, mas o jogo Youth of Independence-Abas Union começa, não sem antes os mais jovens limparem o campo de lixo, plásticos, papeis, pedras e excrementos de ovelhas. Mais tarde, do minarete ouve-se a chamada para a oração, mas o jogo não pára. Sinais dos tempos e do direito inalienável de cada um a si e ao seu tempo. Talvez o futebol seja uma factor importantíssimo para a secularização duma sociedade aferrada a tradições que ligam o poder político ao poder religioso. Talvez o futebol contribua para a democratização da sociedade iraquiana pois sobrevoa credos, raças e condições sociais. O futebol é um extraordinário nivelador social, pois todos nele encontram o seu espaço de afirmação. A lógica hierárquica assenta na valorização da excelência performativa, daí nada mais democrático que o futebol. Se no tempo de Sadam Hussein a selecção dos melhores era feita tendo em conta a coloração política hoje o caminho está aberto para o futebol funcionar na sua essência, ou seja, procurar sempre os melhores intérpretes do jogo.
O jogo entre o Youth e o Abas terminou. Ganhou a juventude. Bom presságio. Sinal que o futuro espera este país. O sol põe-se no horizonte e um jogador sobraça a bola toda arranhada com um carinho especial por esse brinquedo que lhe permitiu o sonho e a evasão. Por sobre as ruínas da guerra o futebol é mais um motivo de esperança.
Seoul, 4 de novembro de 2003"

Vitória inédita, apuramento garantido


"Pela primeira vez, vencemos uma partida de basquetebol na Rússia (89-92), um feito que fica na nossa história na modalidade e assegurou, à penúltima jornada, a liderança do grupo C da FIBA Europe Cup e o subsequente apuramento para a fase de grupos seguinte.
Como nos Países Baixos, frente ao Heroes Den Bosch no jogo anterior, a nossa equipa soube, desta vez com o Parma Parimatch, resistir à entrada mais forte do adversário, nunca esmorecendo e sempre persistindo na busca de um resultado positivo. Ambas as partidas terminaram empatadas, exigindo a realização de prolongamento, e nesses momentos decisivos, na condição de visitante, fomos mais fortes e imunes ao ambiente e à pressão.
O técnico Norberto Alves manifestou orgulho pelo trabalho desenvolvido pela equipa e toda a estrutura e considerou que "foi um jogo que reflete o espírito da nossa equipa, que num ambiente difícil e depois de uma longa viagem, conseguiu bater uma equipa de um dos melhores campeonatos da Europa, que é o campeonato russo. O Benfica nunca baixou os braços, conseguiu, e agora é seguir em frente".
Seguir em frente nesta competição europeia é perspetivar já, apesar de haver ainda uma jornada por disputar no grupo C, a fase seguinte. Fruto do primeiro lugar alcançado, já sabemos que integraremos o grupo K, em que mediremos forças com o primeiro classificado do grupo F (Sporting) e os segundos classificados dos grupos B (Hapoel Eilat, de Israel, Kyiv-Basket, Trefl Sopot, da Polónia, ou Rilski Sportist, da Bulgária) e H (FC Porto, Oradea, da Roménia ou Szolnok, da Hungria).
Arrumado este jogo, importa agora perscrutar a agenda desportiva benfiquista e perceber onde e quando poderemos apoiar o nosso Benfica.
No andebol há dérbi na Luz com o Sporting, sábado às 16h00. Ambos estão invictos e ocupam, com o FC Porto, a liderança do Campeonato. Vencer é o objetivo e cabe-nos a nós, Benfiquistas, marcarmos presença no pavilhão e ajudarmos a nossa equipa a conquistar os três pontos.
No basquetebol teremos a deslocação à Póvoa de Varzim para defrontar o CD Póvoa (domingo, 16h00). No futsal seremos anfitriões do CR Candoso (sábado, 18h00). E, no voleibol, temos jornada dupla: Esmoriz-Benfica (sábado, 16h00) e AA São Mamede-Benfica (domingo, 15h00).
Quanto às equipas femininas, no futebol haverá jogo no Estoril (sábado, 11h00). No andebol, às 17h00 do mesmo dia, partida em Porto Salvo. No futsal, receção ao Feijó (sábado, 14h00). No hóquei, dérbi em Alvalade (domingo, 18h00). E, no voleibol, visita à Luz do Castêlo da Maia (domingo, 16h00).
Temos assim muito Benfica para apoiar, fazendo votos para que vençamos todos os jogos.
Vamos, Benfica!"

Talento, finalmente à solta

Benfica Podcast #424 - Curling past Braga

Grandes...!!!

Parma 89 - 92 Benfica
24-15, 18-22, 17-21, 19-20, 11-14

Mais uma vitória na raça! Uma quase cópia do jogo na República Chega, desta vez, contra um adversário ainda mais forte! Um adversário que joga numa das melhores Ligas Europeias, com jogadores que provavelmente ganham tanto, como o plantel inteiro do Benfica!!! E se na Luz, a 'desculpa' terá sido a longa viagem até Lisboa, agora, fomos nós a viajar... com três ligações aéreas para chegar ao destino!!!!
Estamos na 2.ª fase da Europe Cup, nos 16 melhores... e mesmo perdendo na última jornada, ficamos em 1.º lugar!
Não foi um jogo perfeito, longe disso, forçamos demasiadas vezes os Triplos, voltámos a ter uma miserável percentagem nos Lances Livres (54% - 13/24)... mas na recta final, voltámos a ser letais, com destaque para o Broussard e o Barbosa, que não falharam nos momentos mais importantes... e o Hallman que fez o que parecia impossível: marcou os Lances Livres no final!!!
Duas notas mais:
- contra uma equipa mais alta e mais pesada, ganhámos a luta nos ressaltos (32-42)!
- mais uma arbitragem inacreditável, várias decisões ridículas, em momentos importantes! Hoje, jogámos o prolongamento sem o Betinho e o Munnings e o Makram também foi excluído!

Muito sinceramente, com o regresso do Clifford e com o Farr a jogar a este nível, acredito nas nossas potencialidades... e com o Broussard a jogar como 1.º base! Analisando à distância, os outros grupos, não haverá muitos adversários deste nível, portanto... 

Extraordinário!


"O Benfica volta a ser protagonista de mais um feito do voleibol português!
A qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, na qual figuram os 20 clubes do topo da modalidade na Europa, significa o cumprimento de um dos objetivos a que a nossa equipa se propôs no início da temporada e o estabelecimento de novo propósito que passa pela melhor prestação possível na alta roda do voleibol europeu.
O cenário não era o mais favorável. Na primeira mão perdêramos, na Luz, por 2-3, obrigando a um triunfo na deslocação à República Checa frente ao Cez Karlovarsko, uma equipa recheada de internacionais de países com tradição na modalidade e experiente na prova.
A raça indómita, o querer inquebrantável e a ambição insuperável da nossa equipa de voleibol levaram-nos a acreditar que a árdua tarefa de regressar à fase de grupos da Liga dos Campeões, embora muito exigente, seria transponível, e ela, com essas características mais a competência e a perseverança habituais, entrou na quadra determinada a carimbar uma passagem rara por parte de um clube português (o Benfica conseguiu-o em 2019/20, antes há que recuar a 2008/09 para encontrar uma participação portuguesa, então a primeira, do Vitória de Guimarães).
Nem sequer a derrota no primeiro set perturbou e desviou a nossa equipa de um caminho que todos nós, imbuídos de fé benfiquista, lhe augurávamos estar traçado. Fomos brilhantes, vencemos, por 1-3, e o desafio é, agora, persistirmos em honrar a nossa camisola e o nosso emblema ante os melhores adversários possíveis na Europa.
O técnico Marcel Matz manifestou toda a sua alegria pelo apuramento e lançou já os desafios vindouros na prova: "Foi uma eliminatória extremamente difícil, como se previa, frente a um adversário muito bom. Estou extremamente satisfeito, a equipa é incrível e rende muito. Estamos neste processo ambicioso, sabemos que a Champions é uma competição dura, vamos continuar a evoluir com toda a certeza, enfrentar os melhores e colher os frutos disso. Obrigado a todos os que nos apoiam."
O emparelhamento para a fase de grupos já está definido e teremos os seguintes adversários: Berlin Recycling Volleys (presente nos quartos-de-final da prova na temporada passada), Vojvodina NS Seme NOVI SAD (que nos derrotou na final da CEV Challenge Cup em 2014/15) e Zenit Saint Petersburg (vencedor da CEV Cup em 2020/21).
Uma palavra também para a nossa equipa feminina de futebol, que ontem disputou, no Benfica Campus, com o BK Häcken, a partida referente à 3.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.
O resultado, 0-1, foi aquém das nossas pretensões, mas há que valorizar o adversário, proveniente de um país com forte tradição no futebol feminino, a Suécia, e habituado a embates desta envergadura.
E há, também, que reconhecer, sem qualquer favor, que as incidências do jogo foram madrastas para a nossa equipa. A toada equilibrada ao longo dos 90 minutos poderia fazer a balança pender para qualquer dos lados. Com um pouco de sorte, a bola rematada ao poste por Kika Nazareth ter-nos-ia colocado em vantagem, além de que o golo da equipa sueca surgiu, depois, num lance de grande penalidade que, no mínimo dos mínimos, suscita muitas dúvidas.
O Benfica é o primeiro clube português a fazer-se representar entre os 16 melhores da Europa. Está ainda, no entanto, a dar passos iniciais num projeto que, indubitavelmente, veio para ficar, no qual se nota o crescente entusiasmo e interesse dos benfiquistas em particular e dos amantes de futebol e desporto em geral. Com mais experiência e adaptação à intensidade de jogos deste calibre, os resultados surgirão naturalmente.
Nota final para o desempenho das restantes equipas benfiquistas em ação, ontem: no futsal, Torreense-Benfica, 0-3; e, no hóquei em patins (feminino), Benfica-APAC Tojal, 20-1."

O Cantinho Benfiquista #72 - Eficácia ao Máximo

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

SL Benfica está na Liga dos Campeões de Voleibol!


"Águias Voam Alto e Estão na Liga dos Campeões!

Foi épico! Foi (quase) histórico! Pela segunda vez na história – e nas últimas três épocas – a equipa de voleibol masculino do Sport Lisboa e Benfica qualificou-se para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Esta é a prova maior de clubes homologada pela Confederação Europeia de Voleibol (CEV) e as águias estão agora, três eliminatórias de qualificação (a duas mãos) ultrapassadas, entre as 20 melhores equipas da Europa.
Inseridos no grupo D, os encarnados vão defrontar os alemães do Berlin Recycling (líderes da Liga alemã com sete vitórias em sete jogos), os sérvios do Vojvodina (atuais pentacampeões e clube mais titulado – 18 campeonatos – do respetivo país) e os russos do FK Zenit (vice-campeões da Rússia, atualmente em quarto lugar na sua liga).
As honras de apadrinhamento das águias caberão a estes últimos, que vão receber os campeões portugueses no último dia do mês corrente.
Rebobinando: para aqui chegarem, as águias bateram os estónios do Bigbank Tartu (3-1 fora e o mesmo resultado em casa), os finlandeses do VaLePa Sastamala (3-0 na Luz e 3-1 no Norte da Europa) e, por fim e de forma absolutamente gloriosa, os checos do Karlovarsko (derrota por 3-2 em Lisboa e triunfo por 3-1 em Karlovy Vary). Mas que motivos há para se falar em triunfo épico? na Liga dos Campeões
Vários. No entanto, um soergue-se por sobre os outros: a galhardia e capacidade demonstradas na cara das adversidades. Nas duas eliminatórias anteriores, nunca a turma de Marcel Matz (técnico brasileiro que tem feito um trabalho de alto louvor nos encarnados) havia estado em desvantagem. Até que chegou ao Pavilhão da Luz um grupo checo decidido a vergar os pupilos de Matz.
Na primeira mão, as águias perderam os dois primeiros sets – e de forma relativamente categórica. O impulso dos adeptos presentes (que se apresentam em maior número e com mais ruído nos jogos de voleibol do que em qualquer outra modalidade) forçou o empate a dois. Os checos haveriam de vencer o quinto set, vencendo a primeira batalha.
Não venceram a guerra. Venceram, no entanto, o set inaugural da segunda mão, alcançando um agregado de 4-2 e colocando-se a um set de distância da fase de grupos da CEV Champions League. 
Mal sabiam os checos que nesta equipa de voleibol do SL Benfica há “Raça, Crer e Ambição” como em nenhuma outra. 25-23 para as águias no segundo set e a águia começava a levantar voo.
Terceiro set controlado pelos encarnados e o 25-21 final colocava a eliminatória num agregado de 4-4 e as águias a um set de voltar a fazer história. No quarto set (que viria a ser o derradeiro), o Karlovarsko conseguiu uma vantagem de dois pontos que teimava e teimava até ser diluída pelos portugueses na reta final do set.
O 23-23 registado a certa altura adensou o clima no lotado pavilhão checo. Com toda a calma (mesmo colocando em quadra alguns jovens em momentos de tensão), as águias fizeram o 24-23 e fecharam o encontro no primeiro match point que tiveram à disposição. Tenso, suado, épico. na Liga dos Campeões
A festa da comitiva portuguesa foi de arromba, ainda no pavilhão e sentia-se pelo ecrã a irradiação da felicidade que assiste aqueles que fazem história e o percebem no imediato. O vocábulo “melhor” encerra em si algum grau de subjetividade, mas parece-me seguro escrever que, nesta eliminatória, venceu a melhor equipa.
No final, foi uma vitória da determinação, da crença, da união, da qualidade, da vontade. Foi uma vitória de Marcel Matz, da restante equipa técnica, dos jogadores, dos adeptos. Foi uma vitória do voleibol encarnado… e do voleibol português! Agora… é sonhar!"

O homem que escorregou...


"Fazendo parte do Oitavo Exército comandado por Montgomery no Egito, Tom organizou um jogo no qual participou o futuro Omar Sharif Finney.

Tom Finney. Não sei se será o único homem do mundo a ter uma estátua a escorregar, mas não ficaria admirado se me garantissem que o é. A estátua tem o sugestivo nome de The Splash e foi baseada numa famosa fotografia em que Finney está à beira de se espalhar ao comprido num campo de futebol encharcado, espirrando água para todos os lados. A cena passou-se em Stanford Bridge em 1956, mas a estátua só foi inaugurada em 2004, da autoria de Peter Hogdkinson, e está instalada no exterior do Deepdale Stadium, junto à Tom Finney Stand, em Preston.
Muita gente pode nunca ter ouvido falar de Thomas Finney mas acreditem que não era nenhum saloio do Lencashire, nascido nas margens do River Ribble. Filho de um clérigo e sofrendo de raquitismo – aos 16 anos não tinha mais do que 1m45 – ficou bem cedo órfão de mãe no meio de mais cinco irmãos, o mais velho chamado Joe, e quatro raparigas de nome Madge, Peggy, Doris e Edith. Alf, o pai, ganhava pouco e gastava bastante nas apostas. Tom não teve outro remédio senão ir trabalhar ainda na infância como aprendiz de picheleiro na fábrica de Pilkington. Tal como o pai, a cabeça estava presa pelo jogo. Não o das apostas, mas o do futebol. Não vivesse ele a poucos metros do campo do Preston North End. Quando leu um anúncio de jornal no qual se assinalava que o Preston estava a recrutar jovens jogadores entre os 14 e os 18 anos, correu para Deepdale para reclamar a sua oportunidade. Com uma bola nos pés, tudo lhe saía a preceito. Tinha um dom. Os responsáveis do clube não correram o risco de o perder e ofereceram-lhe um contrato de dois anos a duas Libras e dez xelins por semana. Tom abriu um largo sorriso, de orelha a orelha, e assinou de cruz. Alf também sorriu: era tão louco por futebol como o filho. Encheu o peito de orgulho e a pança de cerveja comemorando o acontecimento com os seus amigos num pub.
Com os treinos, Finney finalmente saiu do casulo da sua frágil aparência física. Esticou e encorpou. Estava na calha para vir a ser uma das maiores estrelas da história do Preston mas um homenzinho de bigodinho grotesco e olhar porcino resolveu pegar fogo à Europa e a II Grande Guerra atirou-o para as trincheiras.
Em 1942, Tom Finney estava no Egito, incluído no Oitavo Exército sob o comando do general Montgomery, ao qual os mais próximos se referiam por Monty. Nos tempos livres, entretinha-se a organizar jogos de futebol entre a malta do regimento. Conta a história que numa dessas brincadeiras à sombra das pirâmides, conheceu e fez-se amigo de um fulano que também tinha habilidade de pés, Michael Yusef Dimitri Chalhoub, mas que não queria seguir carreira nos estádios, preferindo tentar a sorte no cinema onde ficou famoso como Omar Shariff. Nunca ninguém desmentiu o episódio, embora nem Finney nem Chalhoub tenham feito particular barulho em volta dele. Do Egito, Tom seguiu para Itália, acompanhando o avanço dos Aliados, conduzindo um tanque de marca Stuart do 9.º de Lanceiros na Batalha de Argenta Gap que teve lugar entre 12 e 19 de abril de 1945 entre o V Corpo do Exército Britânico, comandado pelo tenente-general Charles Keightley e o LXXVI Panzer Corps comandado pelo general der Panzertruppe Gerhard von Schwerin.
A guerra estava no fim. Em breve Tom Finney alegrava os adeptos do Preston North End com o seu futebol ofensivo e ágil e com os seus golos fulminantes, ganhando a alcunha de Plumber of Preston. Vinte e quatro dias depois da sua estreia pela equipa principal do Preston, Tom surgia também pela primeira vez com a camisola de Inglaterra. No dia 25 de maio de 1947 fazia parte do onze inglês que desfez a seleção portuguesa por 10-0 no Estádio Nacional, marcando um golo aos 21 minutos. Era cada vez mais uma estrela em ascensão. O Canalizador de Preston e as Suas Dez Gotas, brincavam os jornais. Em 1952 recusou transferir-se para Itália e para o Palermo pela quantia de dez mil Libras a receber em duas épocas. Ficou para sempre jogador de um só clube: o Preston North End, que caiu para a segunda divisão no ano da sua despedida dos relvados, em 1960, interrompendo a existência de uma dupla atacante aterradora ao lado de Tommy Thompson.
Finney não seria capaz de adivinhar que, depois de uma carreira simplesmente brilhante, alguém decidiria eternizá-lo enquanto escorregava. Bill Shankly, o pai do grande Liverpool, diria dele: «Tom Finney would have been great in any team, in any match and in any age ... even if he had been wearing an overcoat». Bem, talvez fosse melhor ainda se dispensasse o sobretudo e usasse uma gabardina."

Do ‘show’ desportivo e da subliminaridade


"Quer seja semana após semana, quer seja de quatro em quatro anos, o indivíduo é mobilizado, é convocado, para seguir a sua paixão dando largas ao ardor e ao arrebatamento – há quem lhe chame libertar as emoções, extravasar energias ou procurar a excitação. São manifestações litúrgicas…
Para tal é necessária a existência do ‘show’ desportivo. Nele se vertem paixões sem se dar conta que as mesmas toldam a razão, não tendo a grande maioria dos apaixonados a capacidade para controlar a simultaneidade da paixão e da razão. Muitas vezes a paixão exacerbada resulta em fundamentalismo, um campo fértil para o desporto.
O espectáculo só produz entretenimento ou divertimento. Não é um bem palpável mas é uma mercadoria que se situa mais na esfera do imaterial. E o entretenimento “é desprovido de qualquer acesso ao conhecimento. Diverte sem aumentar o conhecimento”, como refere Byung-Chul Han (1).
Por seu lado, o espectáculo não existe sem o espectador. A excelência – ‘areté’ no tempo dos gregos e ‘virtus’ no tempo dos romanos – sempre foi do domínio público. A validação da acção do indivíduo na qual pretende sobressair e distinguir-se dos outros implica que a mesma fuja à obscuridade ou mesmo à negritude. Como nos disse Hannah Arendt (2), “para a excelência, por definição, há sempre a necessidade da presença dos outros, e essa presença requer um público formal”.
O espectador existe desde o início da humanidade, tando talvez nascido com a contemplação das pinturas rupestres, tendo o progresso, ou a civilização, determinado um espectáculo actual muito diferente do espectáculo da Pré-história, mas que aí encontra as suas raízes. A evolução do ser humano acompanhou novas formas de divertimento e este foi-se adaptando aos tempos relativos à sua época histórica. A história do desporto, a história do espectáculo, está registada, mas não a do espectador. É pertinente a questão que nos coloca Marie-José Mondzain (3): “Será possível fazer-se uma história do espectador sem nela anotar uma história da crença e, logo, de todas as figuras sub-reptícias ou violentas da persuasão e da convicção?” Sem nos preocuparmos com a resposta e quedando-nos apenas pela pergunta verificamos que «espectador», «crença», «violência» e «persuasão» são conceitos que fazem parte da história da humanidade e têm acompanhado o ser humano ao longo dos séculos .
A essência mais profunda do desporto-espectáculo não reside no facto de o desportista procurar superar-se cada vez mais, de optimizar o seu corpo, de se tornar um herói ou um ídolo. Não reside num escalonamento, num ‘ranking’ e na obtenção de um título. Não reside na meritocracia.
A essência mais profunda do ‘show’ desportivo assenta sim no facto do espectador poder alimentar o seu ‘ego’ com aquilo que não consegue mas gostaria de conseguir fazer (por isso os psicólogos falam em identificação e em projecção) vivendo, segundo o mesmo, assim, momentos inolvidáveis. A essência mais profunda do ‘show’ desportivo assenta na criação do consumidor – o adepto foi há muito ultrapassado – tendo o comércio, o negócio, a publicidade e o ‘merchandising’ tomado conta do desporto.
Por que motivo os logotipos de grandes marcas nos equipamentos, nomes de produtos ou de empresas nos painéis que circundam o campo, nos ‘outdoors’, nos painéis por detrás dos pódios e nas conferências de imprensa, nas costas das camisolas, ou até em cartazes e nos bilhetes? Nós não damos conta mas… existe a recepção de mensagens directamente pelo cérebro pela via ocular sem o crivo crítico da consciência, mas que ficam registadas no nosso inconsciente, como refere Flávio Calazans (4)… e as “mensagens que pouco a pouco levam à adesão, inconscientemente reforçando a cognição consciente gerada pela campanha publicitária tradicional, constituem a propaganda subliminar multimídia.”
É essa propaganda que cria o consumidor. E embora a noção de propaganda seja diferente da de publicidade – a primeira é uma forma de transmitir ideias que procuram influenciar o nosso comportamento enquanto a segunda é uma forma de comunicação que procura promover perante o público um serviço ou um produto –, o objectivo é fazer registar uma imagem no nosso cérebro a fim de modificarmos o nosso comportamento consumista e mais tarde adquirirmos esse produto. E quando compramos o produto, não estamos só a pagar o mesmo… estamos a pagar a própria publicidade! O consumidor final, o tal que está na cauda da cadeia alimentar, é o tal que tudo suporta.
Daí o ser importante, para os promotores do espectáculo desportivo, fazer com que a nossa mente inconsciente repare em coisas nas quais a mente consciente não repara mas regista – as imagens subliminares."

A motricidade humana: epistemologia e política


"A Ciência da Motricidade Humana (CMH) constitui um processo inacabado se, no seu estudo, às questões epistemológicas não juntamos as questões ideológicas e políticas. Alongando o olhar pela imensidão das práticas onde a motricidade humana pode corporizar-se, se deixarmos de lado os velhos naturalismo e positivismo, são a epistemologia e a política que melhor nos podem elucidar. Isto, sem qualquer presunção, ou a prosápia, de tudo saber resolver, esquecendo “o primado teórico do erro” de Gaston Bachelard. É que a Verdade, neste nosso mundo, esgueira-se ao interesse do mais aplaudido dos especialistas. Não há Verdade, há verdades – tantas como as pessoas que delas se ocupam. Por isso, as ciências não são mais do que um processo provisório de verdades, provisórias também. A Verdade não passa de uma ignorância ou de uma tradição. E a ciência é um processo em constante construção, jamais a encontraremos feita de uma vez por todas. Estou a escrever banalidades, eu sei. Mas, criticamente, não há critérios científicos absolutamente inquestionáveis. Não há dogmatismo que não nos empurre à esclerose do pensamento. Por isso, quando em 1968 ingressei no INEF não desconhecia o racionalismo cartesiano, a matriz fundante do “físico” da “educação física”. Nem podia ser doutra forma: o dualismo antropológico cartesiano ressaltava, como reflexo, do dualismo social e político da burguesia, a grande vencedora da Revolução Francesa. No entanto, também não me custa reconhecer que é, a partir do legado da Revolução Francesa, que a democracia, a liberdade, os direitos humanos deixam de ser simples argúcia verbocrática. Embora, paulatinamente, a visão, a organização e a construção social do mundo deixem de ter Deus como o seu principal quadro de referência. Nietzsche não teve receio de repetir, com firmeza: “Deus morreu!”. E a “morte de Deus” significava também, para ele, a cultura que via em Deus o princípio de todas as coisas. De facto, na sociedade hodierna nota-se um cheiro forte de vitória da filosofia de Nietzsche. Vive-se num mundo sem Deus que, “a priori”, parece funcionar bem melhor do que nas teocracias (deste e doutros tempos).
A Educação Física nasce no século XVIII e portanto adestrada pelo racionalismo e o mecanicismo ambientes. Será interessante relembrar o Platão do Górgias, que vê, na ginástica, a arte destinada a cuidar do corpo são, e a medicina como a arte que se ocupa do corpo enfermo. Rousseau, no Emílio I, 42, sublinhou que a vida é movimento e que a criança dele necessita é uma opinião unanimemente partilhada, pelos pedagogos, através dos anos. Em qualquer teoria educativa, o jogo ocupa um lugar primordial. Mas, aqui, há um ponto a realçar em Rousseau: julgo eu ser o primeiro autor que faz sua uma teoria do conhecimento que descobre no movimento um auxiliar precioso ao desenvolvimento cognitivo da criança, ao invés do que opinaram Platão e Locke: aquele, um velho prócere do idealismo; este, um liberal e um empirista, ao jeito britânico. Em Platão e Locke, a educação física é educação corporal e o corpo não passa de matéria. “A matéria destila espírito” de Teilhard de Chardin não boiava (nem podia boiar) ainda à tona do conhecimento científico. Escrevia eu acima que o “físico” da “educação física”, na década de 60 do século passado, era de matriz cartesiana, o que provocava, necessariamente, uma clara indefinição do paradigma que fundamentava a educação física e o desporto e do método adequado à sua investigação. Com Mário Wilson, como treinador do Belenenses (em 1970, se não estou em erro) propus à direção do meu clube assentisse no contrato de um professor de educação física que desse ao treino uma versão verdadeiramente científica. E o Dr. José Paúl, licenciado em Educação Física, passou a ocupar-se do “treino físico” dos futebolistas “azuis”, com benefícios evidentes para o desempenho dos jogadores. A propósito, relembro a frase de Norman Augustine (in Science, 279, 1998, 164-165): “Se pusermos o nosso esforço só na lógica e na capacidade técnica, como no passado, perdemos a corrida na competição pela atenção do público”. De facto, para uma verdade científica se impor há muito mais em jogo do que a simples área do laboratório, ou da biblioteca. Eu sei o que isso é e por experiência própria…
A cultura modernista-iluminista, donde nasce a Educação Física, era (nalguns casos, é ainda) mera guardiã de um passado que desconhece as transformações que o pensamento científico vem sofrendo. E a insustentabilidade de tal situação gera uma confusão insanável: um certo setor da Comunicação Social, se quer discutir cardiologia, ou direito administrativo, convida (e muito bem) para o efeito, cardiologistas ou especialistas em direito administrativo. Todavia, se pretende adentrar-se na vasta problemática do desporto, o painel dos participantes é entumescido de pessoas que, sem prática, manifestam verdadeira aversão pelo estudo e pretendem destacar-se (supremo contrassenso), na hora das conclusões. Uma disciplina de “Epistemologia”, ou de “Filosofia das Ciências” parece-me essencial, nos cursos universitários de Educação Física e Desporto, para complementar o ascenso da cultura técnica e tecnológica, que parece monopolizar a cultura, no desporto e… não só! “Novas experiências virtuais, novas simulações computacionais vão, a pouco e pouco, conduzindo a diferentes modos de fazer ciência, alterando a noção do que é ser cientista e os próprios conceitos de natureza, de realidade e de verdade. Pouco dada à reflexão ou à produção teórica, a nova cultura tecnológica responde a uma questão fabricando um instrumento. O seu principal valor é a imediatez. É a cultura da oportunidade, do “just do it”. Entretanto, cada vez menos ser culto significa ler livros, conhecer teatro, música clássica, arte (…). Numa época de mudança acelerada, trata-se simplesmente de “estar informado” (Maria Manuel Araújo Jorge, in Revista Portuguesa de Filosofia, Julho-Dezembro de 1998, p. 553). O próprio Jean-Marie Lehn, Prémio Nobel da Química, afirma, sem temer ou tremer, que a investigação molecular é a ciência do futuro, tendo como fito percecionar “como funcionam os sistemas moleculares, quer dizer, como funcionamos todos nós, seres vivos, já que não somos outra coisa senão sistemas moleculares extremamente complexos” (Alfredo Dinis, in Revista Portuguesa de Filosofia, Julho-Dezembro de 1998, p. 556). Ou seja, com um pouco de bioquímica entenderei o Homem e a Vida, a Sociedade e a História. E um poema do Torga, ou da Sophia…
Quando cheguei ao INEF, entrara de estudar Epistemologia, sob a orientação paciente do Doutor Armando Castro, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto-. Na minha licenciatura em Filosofia, nas disciplinas de Teoria do Conhecimento e de Ontologia, conservo na memória que a Epistemologia não se estudava. E, na Ontologia, e com palavras incolores, só muito rapidamente se invocava o Merleau-Ponty. De Bachelard, Althusser, Piaget, Foucault, Popper, Kuhn e Feyerabend - nada! Nem uma rápida análise! Silêncio sepulcral! E, quando li que, na maturação de uma ciência, os momentos de descontinuidade, ou seja, de cortes epistemológicos, de mudanças de paradigma, de revoluções científicas, eram a necessária desordem que anunciava uma nova ordem, logo me ocorreu propor outro tanto, para a História da Educação Física e Desporto, através de um novo paradigma que, hoje, assim defino: “a energia para o movimento intencional e solidário da transcendência, ou superação”, que abrange o jogo, o jogo desportivo, o desporto, a gestão do desporto, a dança, a motricidade infantil, a ergonomia, a reabilitação, etc., etc. Aliás, mudanças de paradigma que se descobrem em Marx, em M, Weber, em Durkheim, em Manheim e outros sociólogos do conhecimento - conhecimento que é sempre tributário da História e portanto, como a História, em perene movimento. Com algum rigor hermenêutico, propus um “corte epistemológico”, não só como um facto científico, mas também como um amplo fenómeno cultural e político, quero eu dizer: económico, social, paidêutico, formativo e filosófico. E que desse “corte” resultasse uma nova ciência hermenêutico-humana que, dialeticamente, destruísse, superasse e conservasse o “tradicional” na educação física e no desporto e no treino desportivo. A recusa liminar dos mais radicais defensores do racionalismo e do positivismo e dos intelectuais orgânicos da mediocracia não me enclausurou num pessimismo de desistência. E continuei a estudar para que a Ciência da Motricidade Humana não se transformasse, para mim, num mero exercício de erudição. E, durante treze meses, fui mesmo adjunto do “mister” Jorge Jesus, no departamento de futebol do S.L.Benfica. Corria o ano de 2013…
Também tentei uma análise lógica da linguagem científica, mas a denominação “Educação Física”, que não atende, nem satisfaz às condições sociais reais de trabalho dos “professores de Educação Física”, de conteúdo que excresce muito para além da pedagogia, parece, para já, inamovível. As ciências nascem e desenvolvem-se em circunstâncias históricas bem determinadas. E a denominação “Educação Física” tem a marca de um racionalismo definitivamente sepulto. Estou certo que, dentro de três ou de quatro gerações, o paradigma desta profissão será outro, bem mais amplo e de mais complexa interdisciplinaridade. Na Proposta de Lei, apresentada à Assembleia Nacional, para a criação do INEF, pode ler-se: “O problema central de toda a obra educativa é o da formação dos educadores e a esta regra não podia fugir a educação física; ele constitue talvez o seu lado menos aparente, mas é com certeza o mais importante. Para que o sistema da educação física racional triunfasse primeiro, e depois não fosse comprometido, tornava-se indispensável que o compreendessem e servissem homens convenientemente habilitados, pois que ele pressupõe uma pedagogia; e pior do que não fazer ginástica nenhuma seria sujeitar o organismo a exercícios mal dirigidos”. Enfim, sem mais delongas, o início de um racionalismo que ainda sobrevive nalgumas mentes intransigentes e (digamo-lo sem receio) ultrapassadas. Não escondo, porém, que o racionalismo, o positivismo, o materialismo e o cientismo convergiram em direção a uma praxis política ilustrada, como o confirmam os partidos socialistas do mundo ocidental. Quando, na década de 70 do século passado, me deitei a uma reflexão sobre a filosofia implícita, na educação física, designadamente a educação física escolar, admirei, sobre o mais, o triunfo de um biologismo, oriundo da Medicina. Só que, anos passados, começa a assistir-se a um rigoroso questionamento da ciência, da filosofia e da teologia. E o “corte epistemológico”, segundo Bachelard e Althusser, era um elemento prestante do próprio desenvolvimento científico. Por isso, o traço mais típico da epistemologia situa-se no facto de ela ser “polémica”, desafiante, desinstaladora, ao rejeitar os “obstáculos epistemológicos” de determinados discursos, onde há mais ideologia que ciência. E eu também adiantei a necessidade de um “corte epistemológico”, no seio da Educação Física. E rodeou-me então um hálito gélido de desconfiança… no seio da Educação Física!
Sendo o conhecimento concebido como uma produção histórica, a epistemologia revela sempre, como um processo, o conhecimento científico. E como um processo não só biológico, mas também filosófico, social, político, religioso. Compreende-se, assim, que o papel insubstituível da epistemologia se resuma, para alguns autores, “em dar à ciência a filosofia que ela merece. Todavia, trata-se agora de uma filosofia aberta e móvel, que renuncia à forma sistemática, a seu espaço fechado e ao imobilismo, para arriscar-se, ao lado dos cientistas, nos campos novos do pensamento. Donde se conclui que o objeto da filosofia das ciências tem que ser um objeto histórico. Toda ciência deve produzir, a cada momento de sua história, suas próprias normas de verdade e os critérios de sua existência (…). Resulta então que a epistemologia é indissociável da história das ciências” (Hilton Japiassu, Introdução ao Pensamento Epistemológico, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1988, p. 73). George MacDonald, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de Leeds, em carta ao Times, escreveu: “Uma das principais características que distinguem a Universidade de um mero agregado de departamentos de ensino e investigação, é a presença nela de uma aproximação filosófica ao conhecimento: a preocupação pelos supostos básicos, a metodologia, os critérios de verdade, as implicações morais e as conexões entre as diversas disciplinas. Uma instituição que toma a decisão de prescindir da filosofia não está simplesmente a abolir um departamento entre muitos, mas está a prejudicar severamente o seu direito a denominar-se a si mesmo Universidade” (in Associação de Professores de Filosofia, A Filosofia face à Cultura Tecnológica, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1988, p. 11). O nosso hábito tão português de solilóquio entre surdos impediu o diálogo entre duas formas diversas de pensar. Por outro lado, a incomensurabilidade dos paradigmas sucessivos, de Thomas Kuhn, também não deixou que eu fizesse epistemologia, na Escola onde trabalhava. Por isso, não assaco tão-só defeitos aos “outros”. Eu também os tenho. E, afinal, se houve, então, quem fizesse “ouvidos de mercador” ao que eu dizia e escrevia e tentasse condenar-me ao ostracismo, também venho merecendo a confiança dos que me lêem e dos que muito me ensinam e dos que também lutam por um novo paradigma. Melhor é errar por ter feito qualquer coisa, do que não ter erros porque nada se fez…"

Gigantes!

Karlovarsko 1 - 3 Benfica
25-20, 23-25, 21-25, 23-25


Eu acreditava... no final da derrota da semana passada, que estávamos na luta... No jogo da Luz, cometemos muitos erros, e os Checos fizeram um jogo quase perfeito no Serviço, que dificilmente iriam conseguir repetir, portanto se estivéssemos ao nosso melhor nível, podiamos conseguir a qualificação, e foi isso que aconteceu...!!! Esta equipa já nos habituou a momentos destes, momentos onde não existe margem de erro... e onde a ambição, a qualidade e o vicio da vitória ultrapassam todos os obstáculos que nos aparecem pela frente!!!

Por acaso, até começamos mal, no 1.º Set não conseguimos concretizar vários 'contra-ataques' e isso penalizou-nos! Nas a partir daí, melhorámos... só no final do 3.º Set quando tínhamos uma vantagem enorme, relaxámos, e permitimos a aproximação do adversário! Esse 'relax' passou para o início da 4.º Set, mas acordámos a tempo, 'empatamos' o parcial, e na ponta final, fomos letais...

Tudo isto, com uma arbitragem super-caseira! Que nos 'roubou' vários pontos... mas apesar dos nossos protestos, nunca perdemos a cabeça!

Este é daqueles jogos onde todos jogaram bem... mas tenho que destacar alguns:
- Gaspar fez 'séries' de pontos consecutivos incríveis!
- Violas, bem melhor na Distribuição...
- Japa, soube ser a 'alternativa' ao Gaspar, nos momentos decisivos...
- Zelão, melhor do que no 1.º jogo, e importantíssimo na garra...
- Boas entradas do Nikula e do Westermann...
- Casas, acho que só 'falhou' uma recepção!
- André muita experiência, quando a bola chegou 'torta'!!!

Pela 2.ª vez na nossa história, estamos na fase de grupos da Champions, o nível é altíssimo, e muito provavelmente as vitórias vão ser poucas, mas só assim podemos evoluir... Será importante a recuperação do Honoré!

Injusto...

Benfica 0 - 1 Hacken


Frustrante, muito frustrante, perder um jogo destes, com um penalty inexistente!
Não fizemos um grande jogo, mas defendemos bem... e a espaços, até conseguimos sair em contra-ataque com qualidade, e chegamos a ter 'posse de bola' ofensiva com alguma qualidade, mas voltou a faltar 'peso' na área, sem a Nycole, ficamos sem capacidade física no zona mais perigosa... Sinceramente, não compreendo a não utilização da Lara nestas situações!

O jogo foi equilibrado, as Suecas tiveram mais tempo no nosso meio-campo, a Leté fez algumas boas defesas, mas o resultado normal deste jogo, seria um empate, não fosse a apitadeira desempatar!!!
Mais uma arbitragem vergonhosa, e não foi só o penalty, os Amarelos às nossas jogadoras foram quase todos absurdos, ao mesmo tempo que foi perdoando vários Amarelos às Suecas!!!

Este era o jogo teoricamente 'para ganhar', os jogos fora com o Bayern e com estas Suecas vão ser complicados, pelo que fizemos na 1.ª e agora na 3.ª jornada, já mereciamos, mais golos e mais pontos!

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Vitória em Torres...

Torrense 0 - 3 Benfica

Nada fácil, jogo demasiado apertado, que valeu pelos três pontos...
Jogámos os últimos 15 minutos, com o Torrense tapado de faltas - falhámos um livre de 10 metros -, algo que não estamos nada habituados!