Últimas indefectivações

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Aposta ganha


"Todos nos recordamos das elevadas expectativas depositadas no Sport Lisboa e Benfica, relativamente à formação de jogadores, aquando da inauguração do Benfica Campus, em 2006.
A obra feita no Seixal impressionou e a dimensão e a qualidade das infraestruturas eram evidentes e por todos reconhecidas. Além disso, o Clube, já dirigido por Luís Filipe Vieira, não teve pejo em assumir o propósito de regressar à liderança nacional, também, no que à formação dizia respeito, uma tradição da qual, inexplicavelmente, se havia afastado na década e meia anterior.
O sonho foi preconizado sob diversas dimensões, ficando na memória colectiva o contributo que o Benfica Campus daria ao Clube, desportiva e financeiramente, e à Selecção Nacional, através da presença de jogadores formados no Clube nas convocatórias da "equipa de todos nós".
Mais do que os prémios e o reconhecimento internacionais do trabalho desenvolvido no Benfica Campus, que se têm sucedido nos últimos anos, o domínio das convocatórias das selecções jovens, os títulos nas camadas jovens ou a presença em três finais da UEFA Youth League em sete edições são precisamente aqueles três indicadores que mais validam a aposta feita. Sabia-se que o impacto não seria imediato, mas o tempo encarregou-se de demonstrar o acerto da visão, bem como da sua implementação, e os resultados estão à vista.
As infraestruturas, a prospecção do talento, assente numa vasta rede de scouting e em centros de formação e treino espalhados pelo País, a qualidade das metodologias, a competência dos treinadores, a abrangência dos serviços de apoio e a persistência na inovação, tentando-se, constantemente, antecipar respostas aos desafios vindouros, têm contribuído indelevelmente para a afirmação do Sport Lisboa e Benfica enquanto referência mundial de melhores práticas ao nível da formação de futebolistas.
De facto, e assim que o Benfica Campus entrou em velocidade cruzeiro, foram muitos os atletas que, ano após ano, chegaram à equipa profissional e tiveram a oportunidade de dar o seu contributo para a conquista de títulos desportivos.
O retorno financeiro da alienação de passes de jogadores formados no Clube é um dos factores mais relevantes na recuperação económica e financeira empreendida nesta década, a qual possibilitou a recuperação integral dos capitais próprios, a diminuição acentuada do passivo e a maior capacidade de investimento, quer na aquisição de jogadores, quer na retenção de talento.
E as convocatórias da Selecção Nacional vão atestando a qualidade dos futebolistas "Made in Benfica", como ainda nos últimos dias se voltou a constatar. Nestes dois jogos da selecção portuguesa a contar para a Liga das Nações foram utilizados, entre os que passaram pelo "Seixal", Bernardo Silva, Danilo, Gonçalo Guedes, João Cancelo, João Félix e Rúben Dias, com todos, à excepção de Gonçalo Guedes, a serem titulares em ambos os jogos. Da convocatória faziam ainda parte André Gomes, Mário Rui, Nélson Semedo e Renato Sanches.
Assim se comprova a afirmação de uma promessa e aposta ganha do forte contributo de jogadores formados no Benfica para as nossas selecções."

Benfica Podcast #377 - Let's go!

A desigualdade no acesso a espetáculos desportivos


"O que não é compreensível é que determinados eventos desportivos se possam realizar com público, como são o MOTO GP e a Fórmula 1, e outros não. Isso é que não é de todo compreensível

Neste período de restabelecimento, dentro do possível, da actividade social, económica, educativa, cultural e, também, desportiva, impõe-se que a DGS defina critérios claros e objectivos para todas as actividades, de forma a não haver interpretações mal-intencionadas relativamente ao seu trabalho. 
Desde Maio, e segundo as orientações técnicas da Direcção-Geral de Saúde (Orientação n.º 028/2020), que se podem realizar espectáculos e eventos culturais com público. Isto sem falar do regresso à escola que se opera neste mês de Setembro e do restabelecimento de actividades de comércio, restauração e hotelaria.
Apesar do retomar, sem público, da competição do principal campeonato profissional de futebol, que permitiu terminar a época desportiva, a realidade é que quanto às restantes competições de futebol e outras modalidades as mesmas encontram-se ainda num estado de grande indefinição.
Não tecerei considerações acerca da importância da retoma rápida do desporto de formação em crianças, jovens e respectivas famílias, pois parecem demasiado óbvias, mas irei reflectir um pouco sobre a presença de espectadores nas competições desportivas, que são também elas, espectáculos desportivos.
Se actividade existe que esbate as desigualdades sociais ela é, precisamente, o desporto e esbate essas desigualdades não só no acesso à prática do desporto, mas também nos públicos. Se desconsiderarmos os campeonatos profissionais, concluir-se-á com rapidez que o custo de assistir a uma competição desportiva, para além de representar não poucas vezes um custo inexistente ou muito diminuto para o público, é, em muitas localidades do país, a única actividade de índole cultural/recreativa existente.
Por isso, torna-se inexplicável que eventos desportivos como a Fórmula 1, onde os ingressos custam entre 300 e 600 € (acessíveis apenas a algumas carteiras) se possam realizar com público e um eventual jogo de futebol entre o SC Mirandela e GD de Torre de Moncorvo do campeonato distrital de juniores em Bragança não tenha possibilidade de público.
Existe risco acrescido na realização de espectáculos desportivos com público? Existe. Mas existe também risco em concertos, teatros, feiras do livro e outros eventos. Existe também risco em restaurantes, hotéis, viagens de avião e outros locais.
O que não é compreensível é que determinados eventos desportivos se possam realizar com público, como são o MOTO GP e a Fórmula 1, e outros não. Isso é que não é de todo compreensível.
Aliás, a sensação com que se fica é que, para a DGS, os públicos com rendimentos que lhes permita pagar 600 euros para ver um espetáculo desportivo são mais responsáveis que os outros. Recuso-me a fazer essa leitura e a aceitar que assim seja.
Deverão ser criadas regras/orientações para todos os eventos desportivos e a violação dessas regras deverá, por exemplo, determinar a proibição de determinada organização/clube de realizar eventos com público.
Estou certo que a responsabilidade e a precaução imperarão na sua larga maioria, assim haja definição de regras."

Benfica Campus - Centro de Estágio e Formação Sport Lisboa e Benfica.


"«(...) Neste momento, não temos espaço no Seixal. (Existem) duas alternativas no futuro: 1) Plano de expansão do Seixal 2) CAR de Oeiras (...).» - Fernando Tavares em "SerBenfiquista.com", 13 de dezembro de 2018.
«(...) A equipa de futebol feminino do Benfica foi, esta quinta-feira, escolhida como projecto do ano no âmbito da Gala dos Galardões Cosme Damião, e a team manager, Ana Filipa Godinho, aproveitou a oportunidade para lançar um desafio a Luís Filipe Vieira. A dirigente encarnada pediu ao presidente "um espacinho no Caixa Futebol Campus", deixando uma garantia: "Prometemos que não incomodamos muito" (...).» - Jornal “Record", 21 de março de 2019.
«Do lado de Oeiras, esteve previsto, em tempos, a construção de um complexo para o Sport Lisboa e Benfica que já não se vai concretizar. Aliás, o vice-presidente da Câmara de Oeiras, Francisco Rocha Gonçalves, é claro: «os projetos que têm sido apresentados não corresponderam aos parâmetros exigidos pela Câmara e, por isso, não tem foram aprovados». Em tempos, com o anterior executivo houve um protocolo com o Sport Lisboa e Benfica que, entretanto, «está sem efeito». (...) Serra de Carnaxide vai manter-se ‘selvagem’» - "Olhares de Carnaxide e Queijas", Julho de 2020.
As "duas alternativas" de Fernando Tavares passaram a uma. Ou nenhuma, se atendermos ao empenho em solucionar esta questão há mais de duas épocas.
Desde que surgiu em meados de 2018, a equipa sénior de futebol feminino disputou 28 jogos oficiais em "casa".
Por "casa", leia-se "estádio do Atlético CP", a histórica e degradada Tapadinha, onde decorreram 25 desses 28 encontros. Os 3 únicos jogos realizados nas instalações do nosso Clube foram 1 derby contra o Sporting CP na Luz, e 2 jogos (contra Estoril B e Ovarense) no Seixal... no Campo Nº 7 (!). 
Comparando com os dois rivais (ambos a competir desde 2016):
- O Sporting CP realizou 53 jogos em casa, todos em instalações próprias. 48 no Aurélio Pereira (campo principal de Alcochete), 4 em Alvalade e apenas 1 no seu Campo Nº 5;
- O SC Braga realizou 51 jogos, sendo 1 em instalações do clube (CD Fão), e os restantes 50 em instalações municipais: 46 no 1º de Maio, 1 no Municipal (Pedreira) e 3 no Campo da Ponte (considerando que o SC Braga é o "clube do município”, as facilidades serão mais que muitas e os encargos menos que poucos).
É desprestigiante que uma instituição clubística que se orgulha de ter instalações desportivas de excelência que ombreiam com o que de melhor há no mundo, trate de forma tão desprezível a sua equipa feminina.
Não falamos apenas da equipa sénior, mas sim de toda a formação - 5 equipas abrangendo mais de 80 atletas com idades a partir dos 9 anos. Esta, infelizmente, vê-se obrigada a andar com a “casa às costas" para poder jogar e treinar, desde o Casa Pia ao Cacém e do Pupilos ao Pragal, com excepções pontuais apenas nos jogos disputados no sintético da Luz, para as equipas de fut9.
Acresce que nada é gratuito, e que portanto quase todas estas instalações são usadas mediante o despender de parte significativa do orçamento, saindo do "próprio bolso" da secção. Esta verba poderia ter melhor uso, desde o reforçar a equipa principal, ao dar condições para termos mais meninas na formação vindas de todo o país.
É que, apesar de se tratar de uma equipa de futebol, o futebol feminino continua excluído da SAD e esta em nada retribui financeiramente, pese embora a mesma vá usufruir da secção em termos de certificação da UEFA e participação nas competições europeias. A título demonstrativo, todos os futebolistas profissionais masculinos receberam os seus milhões de euros intactos, enquanto as futebolistas femininas tiveram um corte de salário na ordem dos 30/40 % nos seus escassos milhares de euros de salário anual.
Falamos de quem, em todas as equipas de todos os escalões, ganhou tudo o que havia a ganhar desde que a secção foi criada.
Não falamos de uma equipa qualquer. Falamos de quem dignifica e valoriza o Sport Lisboa e Benfica, popularizando o futebol feminino em todos os cantos do país, sempre com imensa qualidade de jogo, disponibilidade das jogadoras e simpatia por parte da equipa técnica.
Por muito que incomode alguns elementos da Direcção, esta secção espelha SL Benfica no seu ADN e, como tal, merece poder usar a sua própria casa e jogar no seu próprio campo: o Seixal. É a única coisa que se pede."

Fantasias!!!


"Novembro de 2016, Pinto da Costa sobre Jorge Mendes: "Soube criar um bom conjunto de relações privilegiadas que lhe permitiram fazer muitos negócios. Mas, como outros, muitos negócios não passaram de fantasia e papel"
"Fantasia e papel", "Lavandaria", "Carrossel", "Mendilhões", são palavras que, de repente, deixaram de fazer parte do vocabulário de muito boa gente, o que diz muito, das suas intenções, agendas e desonestidade.
Enquanto isso, o FC Porto será salvo, é promovido a "Portimonense" do Wolves, vende todos os seus anéis, mas continuará com o seu maior valor: o poder e arbitragem.
É isso que faz e vai continuar a fazer a diferença para o clube do apito dourado."

All In...


"Prossegue o all in descarado de Jorge Mendes no resgate do Calor da Noite. Numa altura de forte retracção no mercado devido à Covid, os únicos activos valorizados são jogadores suplentes do Calor da Noite que mal jogaram nos Seniores.
A retaliação de Jorge Mendes ao Benfica segue mais forte do que nunca, aliando a isso o reforço e salvação do seu clube do coração. Ouro sobre azul para o parceiro estratégico de Luis Filipe Vieira. 
Venham de lá mais 40 milhões por Diogo Leite e Tomás Esteves! 
Entretanto, a nova candidata a Presidente da República continua selectivamente calada, sendo ela uma moralista das boas práticas e costumes, como fez questão de dizer publicamente aquando da transferência de João Félix para o Atlético de Madrid, insinuando esquemas de lavagem de dinheiro.
Já vale tudo neste País?"

Fever Pitch - João & João... Espanha!

Fever Pitch - João & Ricardo... Escócia!

terça-feira, 8 de setembro de 2020

O terrível bombardeamento do pobre Fraydl...


"O Benfica começava a defesa do seu título de campeão europeu desfazendo o campeão austríaco na Luz por 5-1. Eusébio marcou o seu primeiro golo (e que golo!) na Taça dos Campeões. Santana exibiu toda a sua enorme classe, ele que foi tão injustiçado.

O Benfica estava imparável! Tinha um futebol de canhões. Jogo após jogo após jogo, todos os elementos do meio-campo e do ataque da equipa encarnada tinham ordens para chutar de todas as posições que entendessem ser as melhores para alvejar as balizas contrárias. Era uma carga de artilharia impressionante.
Que o diga o FK Áustria de Viena. Conseguira um empate (1-1) caseiro na primeira eliminatória da Taça dos Campeões. Empate feliz. Mas, agora, na Luz, estava entregue aos atiradores do Benfica.
Fussballklub Austria Wien: um clube respeitável, atenção! Além do Rapid, é o único clube austríaco que jamais desceu de divisão. Soma 24 títulos de campeão e 27 Taças da Áustria. Naquele tarde de 8 de Novembro de 1961 era como um cordeiro levado para o sacrifício.
No total, o Benfica fez vinte e cinco remates enquadrados com a baliza do Keeper Fraydl, um pobre diabo que já não sabia o que fazer que já não sabia o que fazer. Só Eusébio, à sua conta, somou quinze. As bolas surgiam de todo o lado, infernizando a noite do guarda-redes austríaco. Aguentou-se como pôde. 'Entregando a batuta a Santana e o papel de solista a Eusébio, o Benfica desencadeou um bombardeiro terrível às redes de Fraydl, não o deixando respirar, bem como aos seus companheiros - homens de um concepção romântica do futebol no capítulo da marcação e da neutralização dos focos perigosos da manobra contrária', escrevia um dos repórteres no local. 'Material e moralmente, o Benfica estava inteirinho dentro do relvado e os seus sentidos só revelavam uma intenção. Por isso, o golo de abertura de Santana, justíssimo prémio para uma actuação que alardeou requintada classe e o desejo de dizer algo, logo aos cinco minutos equivaleu ao clarão de uma granada a rebentar de muito perto'. Grande Santana. Talvez um dos mais injustiçados jogadores da história do futebol português. Era um príncipe. E depois a sombra de Eusébio caiu sobre ele, apagou-o e tirou-o do grupo titular. Mas não devemos esquecê-lo. Nunca!

O passeio do campeão
Herr Argauer, o treinador, o treinador do Áustria, saiu da Luz conformado com a goleada: 1-5. 'Que dizer? O Benfica é muito forte. Santana transformou por completo o ataque da equipa. Todos os avançados têm uma classe extraordinária! Penso que, juntamente com o Real Madrid, o Benfica é a melhor equipa da Europa. Talvez se encontrem na final...' Encontraram mesmo. E o Benfica desfez o Real em Amesterdão.
O festival de futebol ofensivo encantou os espectadores que afrontaram o frio e encheram a Luz. 'A bola parecia escaldar nos pés dos homens das camisolas rubras. Logo que era tocada, surgia o passe, a desmarcação impregnada de um impressionante sentido prático. Eusébio, de qualquer distância, cumprindo ordens expressas (a ele, realmente, não se lhe deve exigir outra coisa que não seja a utilização dos seus pés para alvejar as balizas), representava o exemplo. Era, simultaneamente, o magistrado a lavrar as sentenças e o carrasco a executá-las. Sempre com a mesma serenidade...'
1-0 por Santana (5m); 2-0 por José Águas (36m); 3-0 por Eusébio (69m); 3-1 por Humberto Fernandes na própria baliza (80m); 4-1 por Santana (83m); 5-1 por José Águas (88).
O golo de Eusébio foi monumental! 'O moçambicano saltou repetidas vezes de satisfação, e com toda a razão, visto ter tentado anteriormente aquilo que a sua reputação de rematador nato estava a pedir. Esclareça-se que até esse momento Eusébio tinha alvejado catorze vezes a baliza austríaca'. Depois, até final, talvez por causa da lesão que o manteve fora de campo por vários minutos, o seu instinto assassino acalmou. Marcara o seu primeiro golo na Taça dos Campeões Europeus. Tantos e tantos outros se seguiriam.
Os moços que tinham vindo de Viena, limitavam-se a reparar os estragos do seu navio que metia água por todos os lados. Eram dignos vencidos, pela sua voluntariedade, mas haviam sido desfeitos por um Benfica que ficara a dever a si próprio mais meia-dezena de golos. A Luz era cada vez mais o lugar infernal onde caiam todos os que a visitavam. Um vulcão que brotava a lava vermelha sobre a qual a águia voava orgulhosa."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma contratação não planeada


"Eram desejados Carlos Lopes e Fernando Mamede, mas naquele verão foi António Leitão quem chegou ao Benfica

Em 1980/81, o Benfica sentiu a necessidade de reforçar a equipa de atletismo. Durante a pré-época surgiram vários rumores sobre a possível contratação de dois dos maiores nomes do atletismo português da altura: Carlos Lopes e Fernando Mamede, ambos ligados ao Sporting. Porém, nenhum dessas contratações se realizou. Na verdade, o Benfica procurava, também, um técnico capaz de potenciar as qualidades dos seus atletas e deu prioridade à contratação do professor Jorge Ramiro, que treinava António Leitão no SC Espinho. A dupla transferência de treinador e pupilo não foi planeada, mas era algo comum na altura pois o 'atletismo como modalidade «sui generis» dentro do nosso panorama desportivo, faz criar grandes laços de amizade entre técnicos e atletas'.
Em Janeiro de 1982, a equipa de corta-mato do Benfica deslocou-se a Bergamo, na Itália, para competir pela segunda vez na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Competindo com o Sporting, o campeão em título, e outras 17 equipas europeias, o Benfica embora ciente das dificuldades, confiava numa boa prestação. A equipa composta por António Leitão, Delfim Moreira, José Abreu, Fernando Couto e Cidálio Caetano alcançou um excelente 3.º lugar. António Leitão, o melhor benfiquista, provou com o 5.º lugar individual o seu momento de forma e 'deu indicação clara de que, prudentemente, olhou mais à equipa do que a si próprio'. Os bons resultados continuaram, em Agosto, no Campeonato Nacional de Pista: 'A primeira ronda da competição terminaria com a prova mais empolgante de quantas se disputaram no Estádio Nacional, os 5000 metros'. O domínio sportinguista nesta prova terminou 'quando António Leitão, a cerca de 300 metros da chegada, arrancou imparavelmente para o triunfo' e o Benfica sagrou-se campeão nacional.
A ligação de António Leitão ao Clube prolongou-se durante dez épocas consecutivas, tendo o atleta vencido vários títulos regionais e nacionais, individuais e colectivos, batido recordes nacionais em provas de meio-fundo e vencido o bronze olímpico em 1984.
Pode saber mais sobre António Leitão na área 2 - Joais do Ecletismo no Museu Benfica - Cosme Damião."

Carina Santos, in O Benfica

Sábado de emoções e... campeões!


"O passado sábado foi especial para dois triatletas do Benfica. Em Lisboa, Vera Vilaça saía ainda do segmento de natação no Campeonato Nacional, quando recebeu a notícia que, a milhares de quilómetros, em Hamburgo, o irmão celebrava já na condição de vice-campeão do mundo. Aquele momento inspirou a atleta no restante percurso e, ao cortar a meta, não conteve as lágrimas de alegria. 
Se por um lado acabara de conquistar o título nacional, por outro sabia que Vasco – completa apenas 21 anos em dezembro, é 23 meses mais novo – alcançara um feito histórico. Em Hamburgo, Vilaça era o mais jovem na linha de partida e isso tornou mais impactante a chegada, a dois segundos da glória. Um sonho para o qual toda a família colaborou, em particular a companheira de tantas brincadeiras. Com 6 e 8 anos respectivamente, Vasco e Vera ensaiavam na praia, com ânimo, a dinâmica da modalidade nas "transições" entre a água e a bicicleta.
Os irmãos Vilaça estão há alguns anos no Sport Lisboa e Benfica, numa das modalidades em que é referência internacional. São, também, exemplo da superação e capacidade competitiva que o Clube procura e promove nos mais diversos desportos olímpicos. Radicados na Suécia desde a adolescência, com os pais, exemplo da forte união dos Vilaça é a imagem que ficou registada da vitória no Nacional Universitário, em Junho de 2019, quando, equipados à Benfica, espontaneamente decidiram terminar e vencer lado a lado.
Vera vai já adiantada no curso de medicina, em Lisboa, longe de Vasco, que estuda engenharia informática, na Suécia, e que passará a estar debaixo de olho nas maiores competições mundiais de triatlo, depois de, em 2017, já se ter destacado entre juniores como vice-campeão mundial e campeão europeu.
Mas as emoções de sábado foram vividas igualmente ao mais alto nível na canoagem. Em Montemor-o-Velho, de águia ao peito, um hegemónico Fernando Pimenta triunfou pela 12.ª vez consecutiva no Campeonato Nacional de Fundo, em K1 5000 metros, enquanto a também benfiquista Joana Vasconcelos venceu a prova feminina.
Aqui estão quatro exemplos de que o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio – devido à ameaça da pandemia que mexeu com todas as agendas de 2020 – não travou o foco nem a competitividade dos atletas do SL Benfica. No triatlo, na canoagem, no atletismo, no judo, na natação, no taekwondo... boa parte do sonho de medalhas para Portugal passará muito provavelmente pela elite que o Clube, com orgulho, apoia e a quem está associado no Benfica Olímpico."

O regresso do poder de fogo do ataque encarnado?


"Com a mais recente contratação de Darwin Núñez, a compra mais cara da história do SL Benfica e, simultaneamente, do futebol português, as águias contratam um ‘9’ que tenta escapar ao paradigma de fracasso de alguns dos últimos pontas de lança encarnados. Este fracasso não só tem sido revelador de uma diminuição de qualidade ao longo do tempo – neste caso, na frente de ataque -, mas também se verifica nos restantes sectores do plantel e, num âmbito mais generalizado, do futebol português.
O exercício desta relação quantidade/qualidade é fácil de se fazer, ainda mais se recuarmos alguns anos: por exemplo, entre 2012 e 2014 o SL Benfica contava nas suas fileiras com pontas de lança como Óscar “Tacuara” Cardozo, Lima ou Rodrigo Moreno, todos eles com um registo de golos marcante, sobretudo o avançado paraguaio, actual melhor marcador estrangeiro da história do clube da Luz, com uma marca lendária de 166 golos, repartidos pelas sete temporadas em que vestiu a camisola encarnada. Lima ficou-se pelos 70 golos e Rodrigo com 45 termina este lote restrito.
No mesmo sentido, os três juntos custaram um valor que não atinge os 20 milhões de euros, algo que, na actualidade, o SL Benfica paga por um único ponta de lança. Obviamente, temos de ter a noção que o mercado mudou bastante nos últimos anos, com a inflação de preços, e que a posição de ponta de lança é aquela onde, predominantemente, ocorrem os maiores negócios, pelo facto dos golos se pagarem a preço de ouro. Contudo, este dado reflecte também a assertividade que o SL Benfica possuía na aquisição de homens-golo e a capacidade de scouting do clube naquela altura.
Mais à frente, de 2015 a 2017, o SL Benfica voltou a juntar grandes nomes na frente de ataque que, devido a toda a sua qualidade, contribuíram para a conquista de vários títulos com inúmeros golos. Falamos de Jonas, Mitroglou e Raúl Jiménez.
Evidentemente, Jonas foi o nome mais sonante e com maior destaque no universo benfiquista, reflectindo toda a sua capacidade de finalização (137 golos em cinco épocas, número ainda mais impressionantes se tivermos em conta as várias lesões e problemas físicos que o atormentaram), mas também o futebol bonito, qualidade técnica, visão de jogo, assistências e inteligência que deliciaram os adeptos encarnados. Já Kostas Mitroglou, em apenas duas temporadas, apontou 52 golos de águia ao peito. Raúl Jiménez, por sua vez, 31, ainda que na maioria das vezes com menos oportunidades no 11 inicial e, então, saindo do banco de suplentes, com golos decisivos que ajudaram o clube em várias vitórias fundamentais para a conquista de títulos.
Além destes avançados mencionados até ao momento terem sido vitais para os títulos nacionais que o SL Benfica foi juntando ao longo das épocas, é pertinente salientar que, no plano externo, também fizeram estragos e vítimas, com golos em competições como a Liga dos Campeões e a Liga Europa, em campanhas honrosas e prestigiantes para o SL Benfica.
A partir daí, a qualidade na frente de ataque encarnada desceu consideravelmente. As contratações de Nicolás Castillo e Facundo Ferreyra, de quem os adeptos e responsáveis do clube esperavam muito, foram uma autêntica desilusão, tendo estes dois nomes somado o total de um único golo (Ferreyra no Bessa) ao serviço do SL Benfica.
Na época passada, a transferência de Raúl de Tomás voltou a gerar enormes expectativas, novamente falhadas pelos escassos três golos apontados pelo ponta de lança espanhol proveniente do Real Madrid CF, sendo que na Primeira Liga ficou em branco. Já Dyego Sousa, depois de épocas de vários golos ao serviço do SC Braga, chegou à Luz e não conseguiu fazer balançar as redes adversárias por uma única vez, sendo também ele uma transferência falhada.
Por outro lado, também é justo apontar contratações acertadas e com rendimento, como a de Carlos Vinícius, justificada pelos seus 24 golos na temporada transacta (a primeira no SL Benfica) e o título de melhor marcador da Primeira Liga. Actualmente, a sua continuidade é ainda uma incógnita, mas julgo que, com o trabalho de Jorge Jesus, tem condições para evoluir, alcançar um número maior de golos em comparação com a época anterior e associar-se de forma diferente, mais envolvente e intensa na forma de jogar da equipa.
Já Haris Seferovic possui números interessantes (43 golos em três épocas de águia ao peito e, até, a conquista do prémio de melhor marcador da Primeira Liga 2018/2019), se bem que com uma taxa de eficácia muito reduzida quando comparada com outros nomes, o que deverá ser visto como mais um sinal do decréscimo de qualidade com o passar dos anos.
Assim sendo, veremos qual o futuro de Darwin Núñez no clube, com uma pressão extra pelos valores envolvidos, mas também pela menor qualidade nos últimos plantéis encarnados, repercutindo-se nalguma falta de golos nos homens que, em teoria, deveriam ser os responsáveis máximos por esse papel, especialmente pelos preços que custaram.
Ao mesmo tempo, há curiosidade em perceber o impacto não só nas competições nacionais, mas também na Europa, com adversários de maior dimensão e com uma qualidade superior para fazer frente à turma benfiquista orientada por Jorge Jesus, que busca o domínio a nível interno e uma afirmação com outro poder externamente, mais possível se o poder de fogo voltar ao ataque encarnado."

Benfica FM #126 - O regresso...

Não é distância, é Benfica! RCD Espanyol de Barcelona vs SL Benfica - Parte I


"Nota: Estamos a meio de Setembro. Em condições normais, se tudo corresse bem, já estaríamos à beira de disputar o primeiro jogo europeu da nova edição da Champions League. A título pessoal, e consoante o sorteio, muito provavelmente já teria viagens marcadas para uma ou duas deslocações fora (como tem sido norma nos últimos anos). Mas este não é um ano normal.
E a ausência de público e a grande limitação a viagens retiraram-me a possibilidade de fazer duas das coisas que mais gosto de fazer. Talvez para compensar isto (ou talvez não), resolvi publicar o texto inaugural de relatos das (já algumas) viagens que fiz para ver as papoilas saltitantes que tanto amo, dando impulso e obrigando a sair do papel um projecto, cujo nome é o título deste texto e cujo sítio pode ser encontrado aqui. Este travelogue está desde há anos (como diz o Sérgio Engrácia) "aqui preso no gavetão" , sendo que a declaração de intenções (escrita em 2017) - pode ser lida aqui.
Não esperem grande tratados literários, mas alerto desde já que estes relatos irão ter uma escrita algo autobiográfica (talvez não seja o caso de vários trechos nesta primeira viagem, tendo em conta os rascunhos que já escrevi), sendo que muitas vezes é interessante perceber que ao tentar relatar coisas que aconteceram há 13 anos (como é o caso desta primeira viagem), é natural que muito já se tenham perdido, ou que outras memórias tenham sido possivelmente fabricadas (a nossa memória tem essa estranha capacidade).
Prometo apenas tentar ser o mais fiel possível.
De forma a não ser (novamente) vencido pela preguiça, resolvi publicar este primeiro relato aqui neste espaço.
Agora serei moralmente obrigado a ter que escrever tudo.
Veremos se chego até ao fim.
Espero que gostem. E caso queiram, este meu novo espaço, está igualmente aberto para partilhar as vossas histórias. Afinal de contas, não "É distância. É Benfica!"

Antes do quilómetro 0

“Nothing behind me, everything ahead of me, as is ever so on the road.”
Jack Kerouac, On the Road

Uma curva mais brusca acordou-me de um leve e intermitente sono.
De forma envergonhada limpei a baba que me pingava pelo queixo abaixo. Olhei para o relógio no telemóvel: eram duas da tarde na hora local.
"Fodasse..."
Um raio de luz que entrava pelo vidro do autocarro pelo qual visualizava os primeiros maciços graníticos dos Pirenéus.
"Falta ainda mais uma hora"
Levava já 16 horas na estrada atravessando a Ibéria de lés-a-lés desde Lisboa. Literalmente, passavam já 2/3 de um dia, desde que, sozinho, tinha subido a bordo de um autocarro na Estação do Oriente em Lisboa. Tendo em conta o tempo até aí gasto, era irrisória a hora em falta para chegar a Barcelona. 
Estávamos em plena Semana Santa e o Benfica jogaria no dia seguinte a 1ª mão dos quartos de final da então Taça UEFA na cidade condal contra o RCD Espanyol de Barcelona.
Uma viagem marcada à última da hora por impulso, sem qualquer tipo de marcação de estadia ou local para pernoitar (numa das piores semanas do ano para se fazer isso numa já hiper turística Barcelona) e que representaria a minha primeira "transferta" internacional para ver as papoilas saltitantes que tanto amo.
Mas antes de avançar um pouco mais, convém rebobinar a cassete um pouco atrás, antes do quilómetro zero, e perceber as razões que me tinham levado a estar ali, naquele assento desconfortável de autocarro, a dormitar, com baba a me escorrer pelo queixo.
Conforme já escrevi na minha primeira declaração de intenções, nasci e cresci longe da Luz. No entanto embora a quase 1000 km de distância, estando na minha Madeira natal, sempre soube que o meu coração estava aqui. Daí que, quando com 18 anos vim para Lisboa estudar, esta foi uma oportunidade de ouro para estar bem mais perto do amor da minha vida (vá..um dos amores - é melhor escrever isto para não criar mau ambiente cá em casa).
Mas a Madeira de hoje em dia era um pouco diferente da de 2001. Assim como essa era diferente da de 1991. E que diferenças havia. Costumo sempre comparar as rápidas mudanças ocorridas na ilha com as igualmente ocorridas no cômputo do país desde a entrada na então CEE em 1986. Se as mudanças ocorridas em 20 anos até 2006 foram por demais evidentes no país, na Madeira estas ocorreram em especial num período mais curto de 10 anos desde 1996 em diante. Com todas as consequências positivas e negativas de terem ocorrido num curto espaço de tempo numa ilha pequena e conservadora por natureza.
Vivemos uma época em que a sociedade tende a catalogar tudo, pelo que lendo o ano de nascimento inscrito no meu cartão de cidadão, serei considerado um Xennial numa nova categorização surgida recentemente. Ou seja a geração encaixada entre a cínica Geração X e os mais optimistas Millenials. Confesso que não gosto muito destes rótulos, mas a caracterização desta "microgeração" que nasceu e cresceu em analógico e tornou-se adulta na era digital enquadra-se perfeitamente. Só para terem uma noção numa achega mais pessoal: só em 2001, ao perfazer 18 anos é que tive (e senti) necessidade de ter um telemóvel, algo que seria inconcebível hoje em dia.
Isto tudo para dizer que mesmo em 2001, havia diferenças entre estar no ambiente mais ou menos controlado da ilha e ver-se de repente na Grande Alface sem pais e com a tua malta da ilha em igual situação ao teu lado. Acho que "Erasmus-cá-dentro" era o termo bem escolhido para descrever esses tempos. E centrando a temática no motivo pelo qual escrevo estas linhas, é claro que o Benfica fazia parte deste mundo novo de experiências vividas.
E poder estar fisicamente presente "vivenciando" finalmente a imponência da antiga Catedral é algo quase impossível de descrever e qualquer tentativa de descrição que faça pecará por soar muito curta. Mas por muito que o meu coração me impelisse, a cabeça ou neste caso a realidade mostrava que as prioridades nos gastos tinham de ser outras. Pese a natural ajuda dos meus pais que na sua frugalidade ainda conseguiam ajudar o "caçula" da família na sua ida para a capital (oportunidade que os meus irmãos 16 e 15 anos mais velhos do que eu não tiveram - sim, fui um projecto "fora de tempo"), a verdade é que cedo tive que conjugar os estudos com pequenos trabalhos em "part-time" (aliás na senda do que já fazia na Madeira), o que me impediu de poder estar presente fisicamente mais frequentemente em solo sagrado (entenda-se na Catedral) durante estes primeiros anos. Dando um exemplo, ao contrário de muitos, os festejos da célebre cabeçada de Luisão foram feitos dentro de uma sala de "call center" tendo eu um auricular ligado a um pequeno aparelho sintonizado no relato do jogo, escondido debaixo de outro auricular de trabalho.
Gritei golo e ajoelhei-me na sala. Olhei para o lado e uma colega adepta do clube listado, vociferava dando murros na sua mesa.
Daqui que findo o curso, e agora com uma maior independência financeira a "solo" (pelo menos face à realidade anterior - ajudou ter mantido aquele estilo de vida pós universitário de contagem de tostões), aproveitando a boleia do afamado kit de sócio (na ressaca do título em 2005), pude finalmente tornar-me sócio e ter bilhete de época - na altura na Sagres Piso 3 superior.

"Por muitos desgostos que possamos ter, valores mais altos se levantam. O valor mais alto que se levanta em termos futebolísticos, chama-se Benfica."
Mário Wilson

Muitos podem já nem se lembrar, mas um longo ocaso de títulos afectou o clube desde a fatídica final da Taça de Portugal ganha em 1996 até nova conquista da mesma competição em 2004, tendo igualmente o Jamor por cenário. Alguns frisam e bem que tal período negro pode ser ainda pouco mais longo, mediando o ocaso de títulos de campeão nacional entre 1994 e 2005.
Um calvário que alguém catalogou e bem de "Vietname Benfiquista".
Já muito foi escrito sobre "esse período", e contextualizando, para alguém nascido em 1983, isto representou um final de infância e uma adolescência inteira com inícios de época esperançosos a esfregar as mãos e a pensar que "agora é que era".
O problema (um dos...) eram os plantéis.
E os nomes das contratações revelam muito da qualidade apresentada nestes anos: Bossio (que indicou ao que vinha logo com um monumental frango no seu jogo de apresentação); Rojas (o homem que fazia sempre a mesma finta na defesa, perdendo invariavelmente a bola); Ronaldo (sim, tivemos um e qualquer semelhança com o "Fenómeno" acabava na nacionalidade do seu passaporte); Machairidis (demonstrativo de como funcionava o scouting então); Okunowo (sim, da cidade condal chegou-nos um Douglas antes do tempo e este até tinha um nome bem dado a trocadilhos); Dudic (a eterna futura estrela jugoslava); Thomas (o homem do metro quadrado e das "big balls"); Uribe (tal como Macharaidis tinha o cabelo grande e nunca percebi como vestiu o manto sagrado); Escalona (acho que marcava bem livres); Pesaresi (o tipo que recentemente concordou com o Simão no facto deste último o ter nomeado um dos piores jogadores com quem tinha jogado); Sérgio Nunes (confesso que já o tinha eliminado da minha memória); João Manuel Pinto (incrível como chegou a capitão e mais incrível como tenho um amigo meu que tem uma camisola dele); Hassan (até nem era mau jogador mas não resultou - recentemente, na final em Amesterdão, vi um tipo com a camisa dele); Tahar (o talhante marroquino); El Hadrioui (o meu Roberto Carlos do CM'97...); King (qualquer tentativa de comparação com Eusébio é heresia e dá direito a excomunhão); ou o típico-esforçado-sem-jeito-nenhum-para-a-coisa Jorge Soares.
Faço aqui um disclaimer: é claro que o simples facto destes jogadores terem envergado o Manto Sagrado merece o meu respeito e não duvido que muitos deles tenham sentido realmente a camisola (e dado o contexto, para muitos seria muito difícil singrarem).
(fim de disclaimer)
(novo silêncio)
Mas é preciso ter em atenção, que nessa altura, até tivemos um ex-carteiro sueco com nome de batata frita em jeito Novas Oportunidades.
Mas a lista não fica por aqui e foram Verões fantásticos (e defesos de Inverno) a sonhar que jogadores com o calibre de um Luís Carlos ou de um Carlitos pudessem efectivamente nos resgatar do buraco negro em que estávamos metidos. Claro que as capas de jornais não ajudavam e quando anunciavam um Paulo Almeida como a última coca-cola do deserto, a esperança renovava-se. Mas mesmo quando acertavam na qualidade do nome anunciado, algo acontecia no Universo e para além de morrer um panda-bebé algures, o resultado não era bem o esperado.
Por exemplo lembro-me quando anunciaram Totti (após "aquele-nos-ia-salvar-das-trevas" Rushfeldt ter sido apresentado e vestido o Manto Sagrado mas não ter ficado porque o "dinheiro ia via Nova Iorque e demoraria dois ou três dias a chegar à Noruega" - uma bela novela de Verão com cheiro a urina no final), um raio de luz apareceu e a fé benfiquista renovou-se e toda a gente pensou que "agora é que é". 
O problema foi quando apareceu Tote ao invés do anunciado Totti e percebeu-se que os furos jornalísticos obtidos à antiga por chamadas telefónicas podiam induzir neste tipo de erros no nome anunciado.
E chegados ao final da época, estes fantásticos elencos produziam resultados à altura das memoráveis prestações feitas no nosso clube pelos inesquecíveis Clóvis ou Washington Rodríguez. Finais de época a lutar por tudo com a mesma intensidade de um Bruno Caires ou de um Chano. Isto com adversários com o fairplay do nosso Andrade.
É claro que o panorama não era melhor noutras paragens e o (excelente) Cepos dos 90 mostra bem isso, mas a situação era deplorável e bem demonstrativa do caos em que estávamos mergulhados.
Mas olhando para trás, acho incrível a resiliência e crença da nossa massa adepta. É claro que figuras como o "nosso bombeiro de serviço" nestes tempos, o Velho Capitão Mário Wilson, sem esquecer o (King) Eusébio, Shéu (Sr. Benfica), Toni (para mim o Sr. Mística) entre tantos outros, serviram de farol nesta longa escuridão. Mesmo no relvado, numa primeira fase, figuras como (e não vou ser consensual agora) João Vieira Pinto devidamente acompanhado pelos regressados Valdo, Ricardo Gomes, mas também Preud Homme, Poborsky ou van Hooijdonk só para citar alguns, e depois, numa segunda fase Simão Sabrosa com Nuno Gomes, Petit ou Ricardo Rocha, faziam-nos acreditar.
Num clube tão habituado a ganhar (apenas tinha tido um período de ocaso tão grande na década de 20 do séc.XX) e com uma massa adepta tão exigente, não deixa de ser incrível, que essa erosão pouco ou nada se tenha feito sentir. Pelo menos a nível de crença.
Nisto o Velho Capitão estava correcto. Mesmo no meio das trevas, a chama imensa continuava acesa. Mas os sinais de quebra eram evidentes e isso era bem visível a nível europeu, onde "o algodão não engana".
(to be continued)"

Movido a dinheiro


"Começou há três dias o julgamento de Rui Pinto, acusado de um total de noventa crimes: um de tentativa de extorsão, seis de acesso ilegítimo, sessenta e oito de acesso indevido, quatorze de violação de correspondência e um de sabotagem informática. Crimes cometidos entre 2015 e 2019.
Já muito se escreveu e disse nos últimos anos a respeito deste caso. A defesa e acusação fizeram as suas jogadas, mais claras ou não, e importa contrariar a versão defendida pela defesa de Rui Pinto.
Esta diz que o hacker é um whistleblower/denunciante, e não um hacker informático, e que, pasmemo-nos, não agiu por dinheiro mas sim por interesse público. Chegam ao cúmulo de, inclusive, se equipararem a Julian Assange ou Edward Snowden, por exemplo.
Houve várias definições de whistbleblowing nas últimas décadas, sendo que aquela que é tida em conta actualmente, designa-se mediante «revelação de informação por membros (actuais ou antigos) de uma organização de práticas ilegais, ilegítimas ou imorais que estejam sob o controlo de funcionários dessa organização, a pessoas ou organizações que possam intervir no assunto».
Falando de Rui Pinto, importa desde já realçar que, na fase de instrução, a sua defesa não contestou factos - crimes cometidos - mas apenas aspectos jurídicos.
Quanto à comparação com Assange e Snowden, apenas uma pessoa com forte imaginação ou com algum tipo de problema cognitivo a pode fazer. Porquê? Porque basta atentar à definição de whistleblowing anteriormente descrita para perceber que são casos diametralmente opostos.
Primeiro, nem Julian Assange (Wikileaks) nem Edward Snowden (NSA) se esconderam por detrás do anonimato aquando da revelação das informações; segundo, Snowden trabalha na organização da qual divulgou informação. No que concerne a Assange, importa ressalvar que a classificação de whistleblower é dúbia, visto que quem obteve a informação e a partilhou com Assange foi Chelsea Manning, que trabalhava para o exército dos Estados Unidos da América.
Posto isto, atendendo aos factos apresentados e aos que abordaremos abaixo, a classificação a fazer é simples e clara:
Edward Snowden - Whistleblower;
Julian Assange - Distribuidor;
Rui Pinto - Hacker informático.
Apenas e só.
O que Rui Pinto fez foi obter, ilegalmente, uma quantidade enorme de informação, da qual filtrou a mais conveniente. Depois, usou essa mesma informação para contactar a Doyen, fazendo uma “proposta” para que não revelasse a informação. Por outras palavras, tentou extorquir a Doyen. Tivesse a Doyen aceitado, e o crime pelo qual estaria agora a ser julgado seria de extorsão na forma agravada, e não na forma tentada.
E quem melhor para assegurar que se tratava de uma tentativa de extorsão, que Aníbal Pinto, ex-advogado de Rui Pinto? É que Aníbal Pinto, ao ver os emails trocados entre Rui Pinto e Nélio Lucas (Doyen), foi peremptório: «estou fora, isto é extorsão».
Mais claro que isto é difícil.
Recorde-se que Aníbal Pinto já havia defendido Rui Pinto num caso em que o hacker desviou dinheiro de um banco das Ilhas Caimão, tendo depois chegado a um acordo para se safar.
Mais, em 2015, no Football Leaks, site criado por Rui Pinto para divulgação da informação ilícita, é colocada uma mensagem em que este pede doações, em dinheiro, uma vez que a informação disponibilizada “tinha dado trabalho a obter”.
Em momento algum Rui Pinto se dirigiu, por livre iniciativa, às autoridades, de modo a denunciar as ilegalidades que teria encontrado. Ignorou, inclusive, um pedido de colaboração da Autoridade Tributária em 2017. Apenas depois da sua constituição como arguido acedeu ao pedido, após toda a pressão mediática de que foi alvo.
Que tudo isto seja claro. Estamos a apresentar factos.
Não nos deixemos influenciar pela estratégia de comunicação de Rui Pinto, que passa não só pela sua equipa de advogados, mas também por lacaios como Ana Gomes, Pedro Baluarte Bragança, Paulo Baldaia, entre outros.
Rui Pinto é um hacker informático, cometeu inúmeros crimes nessa área, acedeu ilegalmente a sistemas informáticos e correspondência interna, divulgou informação sensível, tentou extorquir várias entidades e “entregou” informação obtida de forma ilícita à Benfica SAD a empresas concorrentes cotadas em bolsa, nomeadamente a FC Porto, Futebol SAD, que beneficiou dessa informação para proveito próprio.
Rui Pinto é um criminoso movido pelo dinheiro e terá de ser julgado pelos crimes que cometeu. Ponto final."

Normalidade...


"Voltamos a insistir porque isto passou todos os limites.
Fábio Silva: 200 minutos na época no Calor da Noite => 40 milhões para o Wolverhampton.
Raul Jimenez: Titular do Benfica, Várias vezes campeão, com golos decisivos, internacional AA => empréstimo com clausula de compra de 38 milhões para o Wolverhampton.
Ou outra:
Fábio Silva - 40M
Bernardo Silva + Cancelo + Andre Gomes - 45M
Ainda outra:
Lembramo-nos bem do que se falou sobre o valor do Renato Sanches, os tais 35M depois de levar uma equipa ao colo que culminou num Tri-campeonato do Benfica.
O Fábio Silva que nem aos sub21 chegou leva com um price tag de 40M numa altura de pandemia quando foi completamente irrelevante na temporada passada.
E a Comunicação Social age que se isto que aconteceu fosse a coisa mais normal do mundo.
Luís Filipe Vieira que continue a considerar Jorge Mendes como um parceiro estratégico. O parceiro estratégico que anda ocupado a enfiar milhões de euros no rabo do Calor da Noite. Que ainda não teve tempo para resolver o barrete Dyego Sousa que nos enfiou em Janeiro. Que continue a chamar-lhe "o táxi" e a entregar-lhe 10% de tudo. Ele merece, está visto."

Cadomblé do Vata (de patife demonizado... a anjo...)!!!


"2020 tem sido um ano louco, mas com o aproximar do fim dele, as boas notícias começam finalmente a surgir. No futebol, o principal destaque é o facto de Jorge Mendes, ao fim de 10 anos a trabalhar nas trevas e entre o nevoeiro, ter voltado a funcionar no meio da legalidade, colocando de lado a parceria Gestifute / SAD mais lucrativa do futebol português, para abraçar com carinho os únicos clubes do paraíso à beira mar plantado, que já levaram tau-tau da UEFA por não cumprirem com o Fair Play Financeiro. Numa altura em que tanto se discute a criminalidade de colarinho branco em Portugal, é reconfortante ver a reabilitação de um patife demonizado pelo anti benfiquismo, num anjo às riscas azul esverdeadas.
Jorge Mendes vendeu o Novo Ronaldo de 2020 por 40 milhões de euros. Há um ano, o mesmo empresário tinha negociado o Novo Ronaldo de 2019 por 126 milhões de biscas. Para fazer o Atlético de Madrid comprar o NR19, a Gestifute precisou que João Félix facturasse 20 golos profissionais. O Wolverhampton foi convencido a adquirir o NR20 após 3 golos nos séniores. Seria interessante saber o que pensa o Ronaldo original acerca da evidente desvalorização do Novo Ronaldismo.
Felizmente, a celeuma criada em redor da transferência de João Félix não se está a repetir com Fábio Silva. Mas também, obviamente que os negócios de uma SAD portuguesa que gera lucros consecutivos há uma longa série de Relatórios e Contas, devem levantar muito mais dúvidas legais do que as de uma que colecciona resultados abaixo de zero de há uns bons anos a esta parte. É normal que se vasculhe bem os 100 milhões que o SLB recebeu dos madrilenos (retirada a comissão Mendiana), apresentados como o lucro da última demonstração de contas do SLB, enquanto se faz vista grossa às 40 grandes (ainda ninguém falou na talhada gestifutiana, portanto não deverá haver) cambiadas das libras vindas do Mollineux, que mantém a contabilidade azul e branca uns bons 10 milhões de euros abaixo de água. Era só o que faltava os paladinos da transparência desportiva, apontarem o dedo a um clube que perdeu 6 pontos por corrupção desportiva, comunicando à CMVM que não ia recorrer, recuperando-os com um recurso entregue após transito em julgado da decisão, até porque como estes factos bem espelham, não estamos a falar de uma sociedade desportiva polvo de influências."

Rui Pinto, o julgamento do século? Expliquem-me como se fosse burra


"Para se ser whistleblower é preciso pertencer a uma organização ou empresa onde se terão cometido esses crimes. É o caso? Decidam vocês porque eu já sei a resposta.

Há umas semanas, jornalistas da revista Der Spiegel contavam os contornos da entrevista feita ao hacker Rui Pinto. Numa mensagem de texto encriptada, com a morada de um parque de estacionamento de um supermercado, um carro aproximou-se da viatura e dois homens com máscara fizeram sinal para que este fosse seguido. Durante vários minutos os jornalistas seguiram o veículo que fez várias manobras perigosas (qualquer semelhança com um qualquer filme de acção norte-americano não é mera coincidência) para garantir que não estava a ser seguido. Depois de largos minutos, o carro para finalmente e Rui Pinto, 31 anos, sai do banco de trás, com um chapéu, óculos de sol e máscara.
Talvez isto tenha sido o início daquilo que me parece alguma histeria colectiva face a este processo. Mas o rótulo pegou e está para ficar. Já que o julgamento do hacker português – acusado de 90 crimes – começou na sexta-feira e é já chamado de ‘julgamento do século’. O jovem de 31 anos terá acedido a mails de altas esferas do futebol e da Justiça, divulgando informação relativa a clubes de futebol – sendo o Benfica o alvo preferencial do adepto ferrenho do FCP – a Isabel dos Santos e a advogados dos envolvidos. Mas este é também aquele que é, simultaneamente, arguido e testemunha ao abrigo do sistema de protecção de testemunhas.
Pois então, e por isso, o Estado português, de recursos ilimitados nos seus cofres (ironia dispensável, bem sei), decidiu alocar armamento pesado, viaturas blindadas, agentes e carros à paisana, snipers, equipas infindáveis de agentes da PSP para revista de jornalistas (previamente acreditados) e definiu regras como a proibição de uso de telemóvel e computador na sala por parte das dezenas de jornalistas – numa audiência que é pública – onde se assistia à audiência por videoconferência. Não fosse um dos jornalistas presentes ficar com vontade de atirar um objecto pesado à cabeça de Rui Pinto que … não estava presente nessa sala.
Tudo isto para conseguir neutralizar (!) qualquer ameaça durante o percurso do hacker e durante a sessão de julgamento. Por onde entrou o jovem para o tribunal, como saiu, em que carro veio e para onde foi é algo que se encontra no segredo dos deuses. Certo é que levou a comunicação social (onde me incluo) a protagonizar mais alguns daqueles momentos hilariantes em que corremos que nem doidos para ouvir um mero advogado, um mero assistente ou mesmo duas fãs de Rui Pinto. Em que nós, os pobres coitados que não fazem parte da elite televisiva, são engolidos pelas câmaras e não conseguem gravar as declarações na íntegra. E isto tudo por causa de… Rui Pinto.
Herói para uns, criminoso para outros. Certo é que a tese da defesa e do próprio é mesmo essa, a do herói (tal como Snowden o foi ou, quem sabe, um Robin dos Bosques que pretende acabar com essa malvada classe dos poderosos): “sou um whistleblower e o que denunciei tem óbvio interesse nacional”. No meio de todo este aparato, que é também novo com certeza para a juíza presidente do colectivo Margarida Alves (essa que já que não teve direito a honras de protecção policial), não houve oportunidade para explicar um ponto que se calhar não é de somenos… para se ser whistleblower é preciso pertencer a uma organização ou empresa onde se terão cometido esse crimes. É o caso? Decidam vocês porque eu já sei a resposta."

Rescaldo... Andebol Europeu...

Fever Pitch - João, Pedro & Miguel... Trio!