Últimas indefectivações

sábado, 19 de maio de 2018

Benfiquismo (DCCCXXXII)

Minervino...!!!

Uma Semana do Melhor... Pritesh

Jogo Limpo... Pinheiro & Guerra

Circus Lagartus - V episódio

Sabe quem é? Na PIDE, o que passou - Coluna

"Ele e José Augusto jogaram em Braga sob prisão; Pior poderia ter-lhe acontecido se o inspector fosse outro...

1. Foi a 28 de Fevereiro de 1965. Ainda a viver o fervor causado pelos 5-1 ao Real Madrid, o Benfica foi jogar a Braga. Aos 9 minutos estava a perder - aos 31, ele empatou. Dum instante para o outro, houve mosquitos por cordas.

2. Antes de Eusébio fazer de penalty o golo que deu a vitória ao Benfica por 2-1 - um seu remate fulgurante de cabeça levou a que a bola que batera na barra da baliza de Armando caísse «já dentro» (segundo os benfiquistas). Marques da Silva, o árbitro do Funchal, achou que não, que a bola não entrara.

3. Por entre os protestos e a ira, incendiou-se o cenário. Mais ainda quando ficou um penalty por assinalar e José Augusto contou: «O polícia atrás da baliza, acusou-me de teatro, mandou-me levantar com maus modos, eu respondi-lhe na mesma moeda». Indo ele em sua defesa, maior foi a escaramuça - a caminho do balneário, para o intervalo o chefe da guarda deu aos dois ordem de prisão.

4. Apesar da GNR tentar impedi-lo, Marques da Silva permitiu que ele e José Augusto jogassem a segunda parte mesmo «sob prisão». No fim do jogo, o seu graduado em chefe correu ao balneário para levar presos «os dois senhores jogadores que desrespeitaram a autoridade que lhes deu a voz de prisão». Ao sabê-lo até Teixeira, marcador do golo do SC Braga, se juntou ao presidente do Benfica, tentando «resolver-lhes a questão».

5. Solta palavra daqui, desculpa dali, meia hora após o final do desafio, ele e José Augusto acabaram, enfim, considerados em «plena liberdade» - e a Guarda até se ofereceu para abrir caminho até à estação para evitar que o Benfica perdesse o rápido em Gaia. Não muito depois, passou ele por outra polícia bem, mais terrível, pela PIDE.

6. Ainda nesse ano de 1965, antes da partida para o jogo de 25 de Abril com a Checoslováquia, a PIDE chamou-o à sua sede, inspectora perguntou-lhe se sabiam para onde ia. Respondeu-lhe que sim - e ela limitou-se a dizer-lhe que tivesse «muito cuidado» por lá.

7. Lá, em Brastilava, apareceu grupo de angolanos no hotel da selecção. Poderiam bilhetes, roupas, dinheiro. Ele recolheu os convites que pôde arranjar, entregou-lhos. E juntou-lhes, solidário, os donativos. Mal aterrou em Lisboa, notificaram-no para a PIDE, outra vez.

8. O que, dessa vez, se passou na sede de António Maria Cardoso, contou-o ele, assim: «Mandaram-me subir, à porta do gabinete estavam dois caras-de-pau. Um de dois metros, outro com barriga tão avantajada que, mesmo pequeno, tinha mais de 100 quilos. Os dois com ar de poucos amigos. Entrei e o inspector recebeu-me todo sorrisos: 'Olha o meu grande capitão! Quase todos os dias me lembro daquele petardo contra o Real que nos deu a segunda Taças dos Campeões, que maravilha! Mas o que é que o traz aqui?! Não estou a vê-lo metido em sarilhos, mas...»

9. O agente ajeitou os óculos, passou os olhos pelo livro de audiências, leu o relatório do informador, suspirou fundo - e murmurou-lhe: «Ai, ai... Tem sorte, meu grande capitão, estar eu aqui de serviço... Com outro colega, não sei... Talvez aqueles dois armários que viu à porta estivessem já a preparem-se para o levar para sítio pior». Depois de lhe rogar que sempre que tivesse de jogar em países comunistas nunca mais falasse «nem um copo de água», garantiu-lhe: «Por ora, fica esponja sobre tudo, meu grande capitão...»

10. O seu carisma espalhava-se por todo o lado. Os companheiros diziam: «O treinador manda na equipa mas no campo, em nós manda ele». No Mundial até salvou Otto Glória de ser expulso: «O árbitro marcou falta, Otto levantou-se a barafustar. Vendo-o a dirigir-se para o banco, fui atrás dele. Ao levantar o braço para o expulsar, disse-lhe: ´'Senhor árbitro, o capitão sou eu, peço-lhe desculpa pelo nosso treinador, Otto continuou no banco». Por cá, uns meses seguintes, ainda se apercebeu de que, às vezes, andavam carros pretos a rondar-lhe a casa, - para ver quem lá entrava, quem de lá saia. Eram, claro, agentes da PIDE.

11. O que a PIDE nunca descobriu foi que algum dinheiro que ele ganhava no futebol ia parar ao MPLA, que lutava pela independência de Angola, dado por Fernanda, a mulher que conhecera numa festa de anos de Chipenda..."

António Simões, in A Bola

Hipocrisia

"Nada deverá ter chocado mais o futebol português do que o intolerável e bárbaro ataque à equipa do Sporting, na Academia em Alcochete

Na década de 80, nas ilhas britânicas, sobretudo em Inglaterra, o hooliganismo quase destruiu o futebol. E quando, após a tragédia do Heysel, na Bélgica (onde se verificou, em pleno estádio, a morte de 38 adeptos antes da final da Taça dos Campeões entre Liverpool e Juventus), os clubes ingleses foram impedidos por cinco anos de jogar as competições da UEFA, as autoridades britânicas lidaram a sério com o problema e deixaram de fingir que os arrufos dos adeptos fazem parte do futebol. Perceberam que teriam, verdadeiramente, de fazer cumprir a lei e a partir daí, cada adepto violento passou a ser preso e impedido, por três a dez anos (!!!), de voltar a um estádio.
No início da década seguinte, a Inglaterra construiu novos estádios, mais seguros e mais vigiados. Criou a Premier League. E deixou de aceitar que se confundisse paixão e emoção com irracionalidade.
Estendeu esse regime a todos. Adeptos e profissionais do jogo. E é por isso que, hoje, ninguém escapa a decisões firmes e a severas penas.
O que quer Portugal?
Continuar a parecer que, em muitos aspectos, brinca ao futebol profissional, ou levar realmente a sério o que os ingleses fizeram e procurar, apenas, repetir bem os melhores exemplos?
Tem até o futebol português, imagine-se, razões para se orgulhar de já ter dado ao exterior a imagem de elevado profissionalismo, rigor, capacidade de planeamento e extrema eficácia operacional quando chamou a si a organização do Euro-2004.
Acontece que muitas dessas boas práticas foram, infelizmente, ficando pelo caminho, até se tornarem, entre nós, apenas uma boa recordação. O que é triste.

Muito triste é, também, a hipocrisia, e até onde ela chega... quando muitos procuram, por exemplo, compara os excessos - muitíssimos condenáveis - de alguns jogadores do FC Porto no momento eufórico da merecida celebração do título com alguns obscenos comportamentos de adeptos ou claques, mais ou menos organizadas, legalizadas ou não, em diferentes recintos desportivos - estádios ou pavilhões -, entoando cânticos absolutamente inaceitáveis, num conjunto de comportamentos que deveriam até ser mais do que suficientes para que os autores fossem proibidos de voltar, por muito tempo, a assistir a qualquer espectáculo desportivo.
Nunca poderemos exigir dos adeptos o que devemos, todos, exigir dos jogadores, naturalmente obrigados a comportamentos eticamente de acordo com a respectiva condição de profissionais do futebol. Pode um reprovável comportamento de um adepto ser comparável com um reprovável comportamento de um jogador de futebol?
Claro que não! Nem a brincar.
O que se viu na festa do título do FC Porto foi como alguns jogadores portistas assumiram com inusitada facilidade reprováveis comportamentos de adeptos, como se nada fosse realmente importante, tudo se prestasse e brincadeiras de mau gosto e qualquer comportamento, devido à euforia ou a circunstâncias mais ou menos especiais, fosse obrigatoriamente desculpável. Mas não pode ser.
Tudo o que ofende, viola, fere, desrespeita e humilha é profundamente lamentável. E profundamente inaceitável.
E só há uma maneira de o banir: punindo. E punindo de forma exemplar. Venha o comportamento de onde vier, do grupo que vier e da cor que vier.
No caso, recente, da festa portista, não foi só a imagem deplorável do cachecol com que Alex Telles, a dado momento, se exibiu - vindo, no dia seguinte, a pedir dignamente desculpa, com o argumento, que naturalmente se aceita, de que desconhecia o que estava escrito no referido cachecol, ofensivo, no caso, para o Benfica.
Mas foram também alguns cânticos, no mínimo inapropriados, sucessivamente interpretados por jogadores que têm a responsabilidade social de servir de exemplo na cultura desportiva que queremos para os adeptos.
Se com adeptos já é mau, com jogadores profissionais é o fim!

Separemos, ainda, outras águas: o que adeptos fazem no interior de recintos ou instalações desportivas deve, obviamente, responsabilizar também os clubes; mas não o que fazem na rua. É hipócrita querer-se responsabilizar clubes pelo que os adeptos possam fazer na via pública.
Repare-se na suprema hipocrisia: o presidente do Sporting que recusa qualquer responsabilidade - mesmo que apenas moral, ou até política... - nos gravíssimos acontecimentos de Alcochete, é o mesmo que sempre quis atribuir ao Benfica a responsabilidade pela morte, por atropelamento, de um adeptos italiano do Sporting nas imediações do Estádio da Luz, em plena via pública, na sequência de violentos confrontos entre adeptos dos dois clubes, numa madrugada de Maio de 2017.
Na opinião do presidente leonino, nunca poderia, pois, atribuir-se ao Sporting - e muito menos ao líder... - qualquer tipo de responsabilidade pelo momento mais negro de que há memória no futebol profissional português; mas segundo o próprio, um atropelamento (voluntário ou involuntário) em plena rua já deve, por exemplo, responsabilizar o Benfica e os seus dirigentes. É muita hipocrisia.
O que se passou em Alcochete não foi um confronto de claques, um cântico num estádio ou uma simples rixa entre adeptos.
Foi uma violenta barbaridade. Foi um assalto. Foi terrorismo. Foi um horror. Foi algo, até, difícil de se acreditar que tenha acontecido.

Foi algo que deveria ter envergonhado toda a gente - e envergonhou, certamente, quase toda a gente... -, a começar pelo líder do Sporting, que jamais deveria deixar de assumir, no mínimo, a responsabilidade política por algo que nunca poderia, em qualquer circunstância, ter ocorrido. Nunca!
Já para não falar da responsabilidade moral de quem deveria ter a noção de como os nossos comportamentos e discursos, decisões, atitudes ou simples gestos ou palavras podem influenciar tantos outros, muito em particular numa actividade, o futebol, tão guiada, em grande medida, pela paixão e pelas emoções, e muitas vezes, infelizmente, pela irracionalidade pura.


A Academia em Alcochete é uma extensão de Alvalade.  Academia e Estádio devem, nesse sentido, ser vistos como espaço comum. E sob a mesma responsabilidade. Pois o que sucedeu em Alcochete foi um verdadeiro assalto de um grupo muito bem preparado - que até a correr parecia uma tropa de elite e não um grupo de simples e populares elementos de uma claque.
Dezenas de organizados adeptos entraram a seu bel-prazer, sem qualquer tipo de obstáculos ou obstrução, por uma academia desportiva adentro, tiveram a possibilidade de chegar ao mais sagrado de todos os espaços, o balneário de jogadores profissionais, agredindo atletas e agredindo ainda treinadores e outros profissionais e causando, por minutos, um clima de absoluto terror num espaço privado, que devia ser irrepreensivelmente inatacável e seguro. Não deve o clube, e seus dirigentes, ter qualquer responsabilidade nisto? Então quem deve?
Os jogadores, porque não conseguem jogar sempre bem? Os treinadores, porque não conseguem escolher sempre bem os jogadores?
Ou, por este andar, transformaremos despreocupadamente o futebol numa arena de barbaridades a que teremos todos de nos habituar? Não imagino sequer o que se viveu na academia do Sporting.
E nem me falem do dinheiro que os jogadores valem ou deixam de valer.
Nem me digam que são coisas que podem acontecer, como lamentavelmente afirmou o presidente do Sporting, porque «o crime faz parte do nosso dia a dia»!
Foi chocante, intolerável e muito triste. E julgo que, até hoje, nada deverá ter chocado mais o futebol português.

PS1: No auge da chamada crise do post do presidente do Sporting, talvez, na perspectiva de alguns, tivesse chegado a parecer necessário salvar o líder leonino dele próprio. Mas ao cabo de dois meses, talvez esteja agora definitivamente claro para os sócios do Sporting que, na realidade, o que é preciso é salvar todos os outros. E, nesse sentido, o próprio Sporting!

PS2: Tinha prometido a mim próprio escrever, por um tempo, apenas de futebol. Impossível, como se vê!"

João Bonzinho, in A Bola

Só festejamos com troféus

"Não deixa de ser animador saber que quando corre bem o Benfica é primeiro e quando corre mal é segundo.

Nos últimos anos, o Benfica foi cinco vezes campeão e quatro vezes vice-campeão. Ser vice-campeão é, hoje em dia, no Benfica, a dimensão da nossa desgraça. No passado domingo, Benfica com uma exibição incolor, inodora e insípida conseguiu tudo o que ainda podia conquistar. O segundo lugar no Campeonato Nacional e o prémio de melhor marcador para Jonas com uns fantásticos 34 golos.
A Bola de Prata para o talento de Jonas, entregue pelo carácter e verticalidade de um Senhor como Nené, prestigia Jonas e engrandece o momento de cerebração da conquista. É bom que os heróis de hoje saibam quem foram os heróis de sempre.
Não festejo segundos lugares e, por isso, também não o fiz no passado domingo. Em rigor, o passado fim de semana atenuou a tristeza, mas não trouxe alegria, deixou rivais em guerra civil, mas não acrescentou espólio ao museu Cosme Damião.
No Benfica só se festeja quando aumentamos o número de troféus do nosso museu. Na próxima época, com redobrada ambição e corrigidos alguns erros, é para correr bem. Rumo ao 37.
Não deixa, contudo, de ser animador saber que quando corre bem o Benfica fica em primeiro e quando corre mal fica em segundo.
Triste reflexão fomos obrigados esta semana a fazer. Se Alcochete devia ser uma escola de formação, tivemos esta semana um exemplo de uma formação, ética e física. Muito mais importante do que discutir o que vai o Sporting fazer no Jamor seria reflectir para onde nos leva este caminho incendiário incivilizado e populista. Passou-se um limite até hoje nunca atingindo do Desporto português. Resta-me, na qualidade de adepto adversário, enviar um sentido abraço ao treinador do Sporting e aos seus jogadores. Ou há coragem para dizer Basta, ou basta ir embora deste lamaçal de delinquência para não ter nada haver com ele.
Fernando Santos escolheu os seus 23 jogadores e, honestamente, poucas seriam as diferenças (três) em relação àquelas que seriam as minhas opções. Fernando Santos escolheu os seus 23, que passaram a ser os nossos 23. Resta desejar as maiores felicidades a todos os que vão representar Portugal no Mundial da Rússia."

Sílvio Cervan, in A Bola

Odysseas Vlachodimos

Tem nome de herói, mas vamos ter que esperar para ver!!!!

Esta é uma daquelas contratações que não é novidade para ninguém!!! Esteve para vir em Agosto, depois em Janeiro, acabou por ficar na Grécia, no Panathinaikos, e foi apresentado hoje...


A baliza foi um dos grandes problemas da última época. O Varela, 'só' falhou descaradamente no Bessa, mas um guarda-redes do Benfica, tem que contribuir positivamente para a equipa, tem que fazer aquelas defesas que valem pontos, aquelas defesas que nós dizemos que eram 'impossíveis'!!! E o Varela não as fez...



As indicações do Odysseas são boas, mas o jovem Alemão (titular na selecção Campeão Europeia de sub-23) de origem Grega, tem que as confirmar. Ser guarda-redes do Benfica não é só uma questão 'técnica', é preciso mostrar liderança, aguentar a pressão, concentração, grandes defesas com pouco 'trabalho', saber jogar com os pés, noção da profundidade nas saídas fora da área... etc... etc...



PS: Foi também apresentado hoje o novo director técnico da formação. Pedro Marques vem do Manchester City, onde fez um trabalho de qualidade reconhecida. Vem ocupar o lugar do prof. João Santos.

Em frente...

Galitos 71 - 98 Benfica
17-20, 18-21, 27-31, 9-26

3-0, e qualificação para as Meias-finais, onde vamos encontrar os Corruptos, que também passaram o Illiabum por 3-0.
Grande jogo dos Tugas, o Barroso com 5/6 nos Triplo, algo que já não acontecia à muito tempo... e o Oliveira com 8/8 nos lançamentos de dois!!! Se quisermos manter o título, é importantíssimo estes dois contribuírem pontualmente: o Morais e o Silva têm dias; o Todic/Pitts, fazem no máximo 35 pontos por jogo... portanto é essencial aparecer alguém a 'ajudar'!!!
Espero que a lesão do João Soares não seja grave, pois será um jogador importante nos confrontos directos com os Corruptos...

Quem semeia ventos...

"Bruno de Carvalho, como qualquer populista, imaginava e sonha com voltas triunfais que jamais voltarão a acontecer

Coitado do cidadão Bruno de Carvalho! E este meu lamento nada tem de irónico ou sarcástico, sendo antes um sincero desabafo para quem não soube aproveitar uma oportunidade única que as voltas e reviravoltas da vida lhe colocou no regaço. Como sportinguista fui acompanhando com muita atenção todo o seu percurso como presidente do clube do meu coração e, desde muito cedo, me arrependi do apoio que, publicamente, manifestei. Poderia, é certo, ter calado a minha profunda discordância sobre as constantes derivas a que Bruno de Carvalho ia dando azo. Não o fiz. E não o fiz por respeito à minha própria pessoa mas, fundamentalmente, por respeito ao Sporting Clube de Portugal. Sem a pretensão de querer dar lições de moralidade seja a quem for, tenho de lastimar profundamente que figuras gradas da vida leonina tenham pactuado ao longo do tempo com uma figura patética e grotesca que - honra lhe seja feita - nem sequer procurava disfarçar atitudes e procedimentos que envergonhavam uma história com mais de 100 anos. Mesmo hoje, sozinho e traído por todos quantos, ainda há pouco, lhe reiteravam juras de lealdade eterna, Bruno de Carvalho, como qualquer populista, imagina e sonha com voltas triunfais que jamais voltarão a acontecer. Nunca percebeu, coitado, o verdadeiro ADN do Sporting, arvoando-se em paladino de um ideal (?) que, no fundo, sabia ser o seu próprio interesse pessoal. Para isso, contou com a subserviência e ternura de todos quantos, quase até ao fim, se bastavam com um sorriso ou com uma migalha de benesses que o chefe concedia. Perseguiu, manipulou, mentiu, ofendeu, injuriou todos quantos tinham vontade própria, opinião diferente e consciência de uma realidade diversa da oficial, uma realidade que o futuro próximo se encarregará de deslindar. Em breve, não faltarão as habituais declarações - em que a História do século passado é pródiga - atestando que nada sabiam e que haviam sido enganados. As listas de honra e as comissões de apoio a Bruno de Carvalho rapidamente cairão no esquecimento, desaparecendo misteriosamente nas poeiras do tempo, não faltando quem se encarregará de afiançar que era bem intencionado. O actual líder do Conselho Directivo, coitado, procurará encarar tudo como um pesadelo, como um sonho mau que nunca devia ter acontecido. Caso para dizer: «É chato, não é?»"

Abrantes Mendes, in A Bola

Futebolzinho português

"Não fui dos que festejaram efusivamente o segundo golo do Marítimo, mas senti-me contente. O segundo lugar, sendo o primeiro dos últimos para o Benfica, é mais que um mal menor. Se, e não será fácil, conseguirmos aceder à fase de grupos da Liga dos Campeões, teremos, além de bons adversários, uma receita mínima acima dos 40 milhões de euros. É um valor exorbitante para a nossa realidade, que nos aproximará minimamente dos cada vez mais afastados tubarões do futebol europeu.
Entretanto olhamos à nossa volta e percebemos porque ninguém, no estrangeiro, liga ao nosso futebol. Desorganização, estádios vazios, arbitragem sem credibilidade, clima permanente de guerrilha, políticas de comunicação terceiro-mundistas, suspeitas e mais suspeitas...
E o que diz Proença? 'Foi uma época extremamente positiva' e que o lhe interessa é 'fazer a defesa da salvaguarda do modelo de negócio das competições'. Logo ele que nunca se insurgiu contra o epíteto 'Liga Salazar' ou que não teve oportunidade de criticar a devassa da correspondência privada, a difamação reiterada... Mas já nem lhe peço tanto... Poderia, talvez, mostrar algum desagrado por profissionais deste futebolzinho insultarem um adversário e os seus adeptos... Será vergonhoso se os insultos de jogadores portistas ao Benfica e aos benfiquistas não forem punidos exemplarmente.

P.S.: Não me contradirei... De acordo com o CM, os paladinos da verdade desportiva terão muito para explicar no andebol. Não se trata de suspeições infundadas, não referidos nomes, jogos, montantes, haverá uma confissão... E é legítimo perguntar, a confirmar-se o teor da noticia, se haverá casos semelhantes noutras modalidades..."

João Tomaz, in O Benfica

Fraquinho

"Há um ano, o país parou com três eventos marcantes: o SL Benfica sagrou-se Tetracampeão, o papa Francisco visitou Portugal, o Salvador Sobral venceu o festival da Eurovisão. Tudo no mesmo dia, tudo para celebrar na mesma noite - 13 de Maio. E quando digo que o país parou, é porque parou mesmo, com milhões de pessoas na ruas. Não estou a exagerar, como vocês sabem. Do Algarve aos Açores, de Angola a Timor, do Brasil à Austrália, houve gente a festejar em praças, avenidas, casas e cafés, restaurantes e teatros. A televisão e a internet trouxeram-nos todas essas imagens, de bandeiras e cachecóis vermelhos no ar, empunhados por gente que cantava bem alto o amor pelo seu clube. Não me lembro de, em nenhum momento dessas muitas festas ter havido um cântico ensaiado contra um rival.
Este ano, nada. Ou muito pouco. Umas dezenas de adeptos portistas tentaram fazer a festa no Marquês de Pombal e roçou o ridículo. Nem o trânsito deu para cortar. E quanto a ligações em directo a cidades e países longe da Torre das Antas, foi simplesmente paupérrimo. Meteu dó. Meteu ainda mais pena do que o último lugar das representantes portuguesas na Eurovisão. E também elas estavam a ocupar um lugar que não era delas, depois da desclassificação do principal concorrente. No futebol, não foi a outra equipa que ganhou um campeonato. Fomos nós que o perdemos. E vamos ter de resolver esse problema internamente para evitar a vergonha alheia de ver festas tão deprimentes e pequeninas como a que dizem ter acontecido na semana passada."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Um mal menor

"Tenho por princípio respeitar a opinião dos outros, seja ou não próxima da minha. Não posso, contudo, ignorar algumas apreciações negativas apontadas aos benfiquistas que alegadamente celebraram a conquista do segundo lugar. Da minha parte, posso garantir que não houve qualquer tipo de comemoração. Não pela classificação em si, altamente positiva olhando para o contexto da última ronda. Apenas não festejei, porque após quatro anos de algazarra já tinha decidido que não iria festejar caso o Benfica fosse campeão, quando mais não o sendo. Isto de andar sempre na farra não faz bem a ninguém. Devemos ser responsáveis e primar pela moderação. O meu pai bebeu tanto champanhe nas últimas épocas, que se for parado numa operação stop, ainda deve acusar álcool no sangue. O único motivo de verdadeiro entusiasmo neste ano é o facto de o meu pai poder desinfectar o organismo.
Todavia, mesmo não havendo qualquer troféu para erguer, parece-me estranho que um benfiquista se incomode ao ver outro benfiquista satisfeito com a subida ao segundo posto mesmo em cima da meta. Podemos ser infantis e apregoar que somente o primeiro lugar interessava; ou ser racionais e entender que a possibilidade de entrar na Liga dos Campeões, especialmente na próxima temporada, poderá ser determinante na saúde financeira do clube. É óbvio que ficar em segundo é lamentável. Assim como é óbvio que ficar e segundo é melhor do que acabar em terceiro. É também por ter alternado entre essas duas posições nas últimas nove épocas que o Benfica respira saúde. Nas nova anteriores, o Benfica tinha sido campeão uma vez, dois segundos lugares, três terceiros, dois quartos (!) e um sexto (!!).
Eu não tenho saudades."

Pedro Soares, in O Benfica

Ficaram os dedos

"Não é próprio do Benfica festejar segundos lugares. A nossa matriz é ganhar, e só nos contentamos com títulos. Por isso, a época de 2017-18 não pode deixar de se considerar falhada. Nenhuma dúvida quando a isso.
Com este pano de fundo, importa perceber que o segundo lugar, desta vez, tinha uma importância acrescida. Depois de vários anos, Portugal voltou a colocar apenas dois clubes na principal competição europeia,  e, paralelamente, a UEFA aumentou os prémios financeiros a atribuir aos participantes. Ficar fora da Champions League, além de um golpe na tesouraria, seria também comprometer, desde já, uma parcela da próxima temporada desportiva. No fim das contas o Benfica assegurou esse segundo lugar, e a possibilidade de entrar mais uma vez na elite do futebol internacional. Há oito anos consecutivos que estamos entre os melhores e é lá que esperamos manter-nos.
Repôs-se alguma justiça, pois foi a nossa equipa que mais luta deu ao FC Porto na corrida ao título. Foi também a nossa equipa que, no confronto directo com o Sporting, mostrou maior qualidade. A vitória que escapou em Alvalade acabou por ser compensada na última jornada. Foi o mínimo que este campeonato, bastante cruel para o Benfica, acabou por nos deixar. Perdidos os anéis, ficaram os dedos, ou seja, a possibilidade de olharmos para a próxima época de frente e com alguma tranquilidade.
Fica agora um enorme desafio: preparar duas importantes eliminatórias, disputadas em ano de Mundial (com tudo o que isso acarreta), e conciliá-las com outros compromissos já assumidos para a pré-temporada."

Luís Fialho, in O Benfica

Futsal e voleibol

"As semanas vão passando, e as conquistas não páram. No passado fim de semana, duas equipas do Sport Lisboa e Benfica escreveram páginas brilhantes na história do nosso Clube. A extraordinária equipa de futsal feminino voltou a deixar a sua marca, em Gondomar, ao conquistar a 4.ª Taça de Portugal, após ter batido, sem apelo nem agravo, o Sporting e a Novasemente. Já escrevi várias vezes sobre o projecto da nossa equipa de futsal feminino, e a única palavra que encontro é sempre a mesma - excelência. Temos um plantel notável, com 15 atletas dedicadíssimas, uma capitã exemplar, a melhor guarda-redes do mundo e uma equipa técnica competente. Como acontece em todos os projectos vencedores, chegará o dia em que a equipa liderada por Bruno Fernandes não irá vencer. A verdade é que esse dia parece nunca mais chegar e ainda bem! A forma como as nossas jogadoras se batem em cada jogo é arrebatadora. Nunca se cansam de ganhar e a ambição de vencerem ainda mais e mais é a verdadeira mística do SL Benfica.
Destaco ainda a nossa equipa de juniores de voleibol, que conquistou o Campeonato Nacional, 18 anos após a conquista do último título. Na fase final, batemos o CD Marienses, o SC Espinho e o Castêlo da Maia. Aliás, esta nossa equipa venceu todos os jogos do Campeonato que disputou - 17. Estes resultados provam que estamos no caminho certo, apostando cada vez mais na formação. Neste momento, temos 12 equipas, desde os seniores B masculinos ao mini voleibol. Temos equipas em todos os escalões masculinos e femininos, à excepção dos seniores, com cerca de 250 atletas."

Pedro Guerra, in O Benfica

Reconquiste o futebol!

"Futebol é sempre futebol! Seja corrido com força atlética ou esbaforido com a vontade a dar o máximo e o corpo cansado para lá dos limites. Sofrido ou prazenteiro, futebol é sempre futebol. É o jogo preferido na infância e continua na juventude e para lá dela, até poder. O futebol está lá quando somos filhos, depois, também, quando somos pais e continua lá quando a natureza nos promove à condição de avós. Está sempre lá, mas vai mudando paulatinamente para cada um, diminuindo a velocidade com que o praticamos e aumentando impiedosamente a nossa condição de adeptos espectadores.
A verdade é que, para a maioria, à medida que o vigor juvenil abandona o corpo, começa-se a andar para manter a linha e a saúde e, uma vez terminada a caminhada, vai-se ao estádio ou liga-se a TV para matar a sede de futebol que não diminui nunca.
É assim, talvez para a maioria, as pode deixar de ser assim para si com o Walking Football e a sua regra fundamental que proíbe os jogadores de correr. Dessa forma os níveis de esforço físico e os impactos da prática do futebol diminuem, ficando novamente acessíveis aos menos jovens que podem prolongar por toda a vida a possibilidade de jogar o grande jogo das paixões.

Por isso, se tem mais de 50 anos, homem ou mulher, e adora futebol, atire-se sem pensar mais e reconquiste o lugar do futebol na sua vida!"


Jorge Miranda, in O Benfica

Estabilidade

"A estabilidade representa um inestimável bem imaterial que tanto pode sustentar organizações poderosas como estruturas frágeis, da mesma forma que pode equilibrar personalidades delicadas ou temperamentos mais inquietos. Da sua imaterialidade nascem, geralmente, práticas e resultados palpáveis na vida própria dos indivíduos e na existência comum da sociedade dos homens, das instituições, das empresas ou dos clubes desportivos. Se um indivíduo permanece centrado em si mesmo, focado no seu trabalho e nos seus objectivos, com a segurança e a tranquilidade que lhe permitem exercer o seu mister e também ressarcir-se física e psiquicamente dos esforços entretanto despendidos, tudo corre bem.
Da mesma forma, quando, no plano interno, um qualquer organismo, ainda que enriquecendo pela diversidade - dispõe das convenientes condições de laboração e da harmonia e da serenidade relacionais, mais resultarão os bons resultados dos esforços colectivos.
O caso, ou melhor, a sucessão de absolutas vergonhas que têm acontecido nos últimos tempos ali, no Campo Grande, constituí o exemplo mais extremo do que alguma vez terá acontecido no futebol português, em resultado da instabilidade - o pólo contrário do equilíbrio, da constância, da perseverança e consistência estrutural - que há longo tempo se instalou e progressivamente tem ferido de morte lenta uma instituição histórica como aquela. Estamos felizes com a bestialidade e a selvajaria a que chegaram? Não. Não podemos estar. Tanto mais que se adivinha que a escalada dos selvagens instigados por um irresponsável não terá um fim próximo.
Ele e eles não sabem - nem querem saber - que jogar e disputar um desafio ou uma competição, mesmo nos torneios dos desportos individuais, sempre será ganhar, empatar ou perder. Quem joga, quem compete, nunca está sozinho em campo.
Mas que nunca esqueçamos que - sabendo respeitar as nossas próprias diferenças - nos mantermos sempre juntos e solidários entre nós, tanto nos momentos da derrota como nas ocasiões festivas da vitória, constitui o inequívoco principio da estabilidade que continuará a nos fazer cada vez mais fortes e cada vez mais vitoriosos."

José Nuno Martins, in O Benfica

«Obviamente, não me demito»

"Foi sem surpresa que Bruno de Carvalho declarou, ontem à noite, que não se demite. Rodeado pelos derradeiros irredutíveis da sua governação, o presidente do Sporting colocou em prática uma agenda que tem apenas um ponto: manter o poder. Pelo caminho, independentemente dos apelos de pessoas que lhe são próximas e das demissões em série de membros dos órgãos sociais, Bruno de Carvalho manteve-se hirto e firme como uma barra de ferro no cadeirão da presidência, alheio ao que ia acontecendo, por exemplo, nos tribunais do Porto e do Barreiro. E, pelo caminho, ainda foi capaz de ignorar olimpicamente os jogadores, vítimas do ataque a Alcochete, ao mesmo tempo que dava mais uma alfinetada a Jorge Jesus (que depois de ter dado a alma pelo projecto do Sporting também teve de dar o corpo) lembrando o nível salarial por ele auferido.
A dois dias da final da Taça de Portugal, a paz social ficou ainda mais longe do Sporting e o caminho da confrontação parece ser o único possível. Em Alvalade, a fuga para a frente de Bruno de Carvalho - cuja presidência está inexoravelmente comprometida - vai agudizar uma crise que pode desaguar numa catástrofe sem precedentes, que levará muitos anos a superar.

PS1 - No meio de tanta coisa desagradável no futebol nacional, uma boa notícia: Iker Casillas vai continuar no FC Porto, contribuindo para uma maior visibilidade da Liga portuguesa.

PS2 - Fernando Santos divulgou as suas escolhas para o Mundial-2018. Por mais que o seleccionador que há em cada um de nós pudesse fazer, pontualmente, diferente, a hora é de dizer: Força Portugal!"

José Manuel Delgado, in A Bola

Valores perdidos

"Ao longo destes últimos anos temos assistido a uma degradação generalizada dos valores fundamentais de uma competição desportiva. O respeito pelos adversários foi desaparecendo, chegando ao ponto de não o termos pelos nossos próprios jogadores, funcionários e adeptos. Os dirigentes no futebol profissional chegam ao topo e apenas lhes interessa ganhar, seja de que forma for, para manterem a posição. O argumento clássico, populista, de que o importante são os adeptos, cria uma manta protectora que provoca divisão, entre estes, suficiente para os manter seguros. A desilusão da derrota, a frustração de não se ter conseguido melhor prestação, o reconhecimento das capacidades de adversário, mas também o sabor da vitória, o golo aos 90 minutos, o desesperar pelo apito final, sempre com o coração a bater em ritmo acelerado, fazem parte de um processo de educação desportiva fundamental para se respeitar os intervenientes no jogo. Falta educação e cultura desportiva no futebol português. Quem não defende de forma fanática um dos três maiores clubes corre o risco de ser considerado inimigo pelas suas próprias gentes. Os adversários são agora inimigos, mesmo que alguns não o digam abertamente, cultivando esse ódio de forma mais subtil.
O clima de violência está instalado há muitos anos, seja nos estádios ou na comunicação social. Vale tudo para defender o clube e o presidente, vale tudo para acusar adversários e seus dirigentes, que passam a ser os causadores principais de todos os males do futebol. os responsáveis por este estado de sítio são muitos, começando pelo poder político, que ao longo dos anos tem medo de se intrometer em matérias que são de interesse público, mas que queimam, invocando o direito ao livre associativismo. Ridículo e cobarde. A cumplicidade dos agentes desportivos com estas situações também não fica atrás. Temos sempre uma desculpa para justificar este clima de ódio. Mas chegou a hora de nos unirmos e dizer basta."

José Couceiro, in A Bola

Nem Luis Buñuel

"Luis Buñuel foi um cineasta espanhol que deixou marca na história do cinema moderno como um mestre do surrealismo. «Um dos seus objectivos foi produzir uma arte que, segundo o movimento, estava a ser destruída pelo racionalismo», pode ler-se na descrição dos fundamentos desta filosofia artística. O que se passa no Sporting é surreal mas está à beira de ultrapassar todos os limites.
Bruno de Carvalho anunciou com pouca pompa mas com toda a circunstância que não se demitia. Nem ele nem o restante Conselho Directivo. O presidente dos leões tem legitimidade estatutária para o fazer, uma vez que o órgão ainda tem quórum e, para todos os efeitos, as eleições no clube foram há menos de um ano. No entanto - e aqui há muitos no entanto - os outros dois órgãos sociais, Conselho Fiscal e Mesa da Assembleia Geral, já se demitiram; o Conselho Directivo também já sofreu baixas, não tem relação com o plantel profissional nem com o treinador; a sua base de apoio mediática caiu toda, e três apoiantes de sempre - José Eduardo, Eduardo Barroso e Daniel Sampaio - já o exortaram a sair; já disse que vai processar o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues; criticou o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o governo, liderado por António Costa; viu o clube ser implicado num escândalo de alegada corrupção e tem uma largíssima franja de adeptos contra si.
Mas há algumas questões que me ousa a deixar: quando olha para o lado, que é que Bruno de Carvalho vê a seu lado? Até quando vai insistir na tese da cabala para o demitir? Qual será a reacção do plantel à sua presença no Estádio Nacional? Se uma boa fatia do plantel rescindir alegando falta de condições de segurança e psicológicas para representar o clube, quem será responsabilizado por esse dano? Eu, confesso, não consigo encontrar respostas para estas questões. Nem eu nem talvez Luis Buñuel, se ainda fosse vivo. Porque até o surrealismo tem um limite."

Hugo Forte, in A Bola