Últimas indefectivações

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Crise? Qual crise?

"É incompreensível que um clube português possa pagar por um jogador de apenas 20 anos, cujo talento é muito exaltado no seu país (o Brasil) mas quem em Portugal pode não ter sucesso (sobram casos desses), a astronómica quantia de quase 18 milhões de euros! Do mesmo modo que é incompreensível que nesse valor estejam incluídos, perto de 5 milhões de euros de comissões, o que corresponde a 35 por cento do preço final! Será que uma operação destas não desperta nenhuma estranheza a ninguém? Nem mesmo à CMVM, a quem são comunicados em detalhe os valores despendidos? Será que este jogador, de nome Danilo, quando chegar em Janeiro vai ter lugar na equipa? Ou vai ficar meses a fio no rol dos desaparecidos, como sucede com o seu ex-companheiro do Santos, Alex Sandro, e com o argentino Iturbe, proclamado pela imprensa sul-americana como o «novo» Messi?

Oxalá que o fair play financeiro que a UEFA de Platini promete pôr em prática já em 2013 sirva ao menos para evitar (no que não acredito) que desatinos destes possam acontecer num país onde pouco ou nada falta para se começar a morrer de fome! Sem saber ainda como vai acabar esta cruzada, Platini entretanto já se envolveu noutra guerra, desta vez com Sepp Blatter, o outro sacripanta da FIFA. Não está só no campo da batalha, tem a respaldá-lo o presidente da federação alemã, Zwanziger. Exigem à FIFA: 1. mais democracia na caduca International Board; 2. maior controlo financeiro sobre os dirigentes que ocupam ou se candidatam ao Comité Executivo; 3. novas regras para a eleição do presidente; 4. mais voz ao clubes; 5. instituição de uma comissão de ética séria, composta por gente do desporto e das leis. Beckenbauer e Rummenigge aplaudem."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Chega?

"Às portas do Natal, o Benfica é a única equipa europeia invicta. Chega? Não chega, mas é um registo notável. Nos últimos vinte anos, o Benfica nunca tinha amealhado tantos pontos (28) nesta altura da prova doméstica mais importante. Chega? Não chega, mas é um registo notável. O Benfica lidera, ainda que em igualdade pontual com o FC Porto, o Campeonato e até já jogou no Dragão. Chega? O Benfica, pela primeira vez nas últimas temporadas, não claudicou, uma vez sequer, nos confrontos directos com o FC Porto, o Sporting e o Braga. Chega? O Benfica já está apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões e tem amplas possibilidades de ser primeiro classificado no seu grupo, à frente do Manchester United. Chega?

Por ora, convenhamos, não chega. Não chega pela elementar razão de que o Benfica ainda não venceu nenhuma competição. Só que chega para perceber quão dilatadas são as potencialidades da equipa, chega para perceber quão vitoriosa pode ser esta época, chega para perceber quão confiante pode estar a vasta legião de adeptos.

O Benfica na versão 2011/2012, tem estado ao nível dos melhores desempenhos das suas temporadas competitivamente mais marcantes. Inclusive, neste momento, tem um registo superior ao de há dois anos, altura em que venceu a Liga nacional de forma justa e categórica.

O futuro imediato, a julgar pelos últimos meses, só pode ser prometedor. Aproximam-se compromissos que encerram grandes dificuldades. E os que ficaram para trás? A resposta foi ou não positiva? Tudo se conjuga para que este seja um ano de grandes e bonitas emoções vermelhas."


João Malheiro, in O Benfica


PS: Como é óbvio esta crónica foi escrita antes do jogo com o Marítimo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Parábola do sapo que queria ser burro

"Presunção e pretensões nunca faltaram aos néscios.

Sei de uns que agora, então, inflados de ilusão por meia-dúzia de penaltis e arbitragens mal paridas, antes uns contendores de segundo pacote, lhes valendo mais apalermadas bazófias do que nos últimos quarenta anos, já se julgavam até mal empregados para jogar no Campeonato português...

Empertigados, tendo perdido a noção das distâncias e o sentido da medida, passaram à fase seguinte: como naquela história do sapo que queria ser tão grande e tão gordo como o burro, puseram-se a 'comer uvas'. Alarvemente. Tal como o ambicioso sapo que, embora tivesse a boca quase tão grande como a do asno, se pôs a comer cachos e cachos inteiros de uva madura, para inchar ainda mais depressa, com os eflúvios de fermentação inevitável.

Pobre anfíbio, porém! De tanta uva comer sem se conter (triste é a sina dos estúpidos!), inchou tanto, até que rebentou, numa formidável explosão de gases, que o deixou todo escavacado e inerte, ainda não burro e já nem sapo...

Estes que eu conheço (que tal como o visconde, dizem que são de alta estirpe, mas acolhem o lumpen nazi), levando à letra a história do anfíbio, puseram-se a fazer o que fez o sapo. Só que as 'uvas' deles eram a própria saliva das vanglorias que bolsavam entre si e das cuspidelas de ousadias, lançadas para o ar que os cobre...

À falta de resultados firmes, a jogar com a pequenada internacional, primeiro choraram-se de arbitragens. E depois, já bem inflados dos primeiros gases, ainda um mês antes de virem tentar uma improvável bênção na Catedral, acabam a inventar manobras de distracção que, pelo sim pelo não, mais tarde lhes justificassem a forradela de táctica que, no fundo, temiam vir aqui levar.

Cumpriam-se o mesmo destino do sapo. Mas, bastando-lhe o ácido fermento das falácias que os faziam espumar cada vez mais, incharam afinal mais rápida e desmesuradamente do que alguma vez teriam sonhado. Presumidos, requisitaram mais bilhetes do que as posses. E os poucos que quiseram vir ao castigo, ainda assim beneficiaram, pacóvios, de cuidadas condições de conforto e segurança bem mais apropriadas do que as que podem oferecer no viscondado, onde, volta não volta, desabam que nem sapos, para dentro uma fossa qualquer que os faz ali felizes.

No fim, a frágil pele viscosa de sapos não lhes aguenta a formidável ceva e explode de vez! Ora, ante a realidade da reles derrota desportiva (que os seus próprios atletas reconhecem), vai de se vingarem. Sem escrúpulos, nem cortesias de visconde. Despedem-se à cacetada, com toda a brutalidade e a piromania do seu estratégico back office nazi.

Moral da história: assim recolhem eles de novo ao patético viscondado, quais sapos estoirados pela engorda, sem terem sido sequer capazes de provar inteligência para chegarem ao patamar dos burros..."


José Nuno Martins, O Benfica

Ó bófia, tens aí lume?

"Há gente que tem uma tendência inata para a tarouquice que parece quase científica. No mesmo momento em que o Merceeiro Analfabeto escreve nas páginas desacreditadas do seu panfleto que desde que D. Palhaço surja providencialmente em algum lado - provavelmente com a aura de alguma Nossa Senhora de Fátima (não com a Fatinha da joelharia de joelhos) - tudo muda, tudo mudou mesmo para um pobre profissional da Imprensa falada, que viu a vida a andar para trás enquanto se sujeitava à linguagem poluída do labrego da Madalena e às bofetadas de alguns paus-mandados de vão de escada. Que o Merceeiro Analfabeto é um génio da escória já toda a gente sabe. Por onde se esconde, já é mistério. Nalguma lura húmida na qual fungos como ele se sentem em casa.

Por seu lado, o Bófia Paleolítico Inferior foi à bola. Ao contrário do merceeiro na lura, não é lugar onde se sinta à vontade. Ficou por ali, espreitando o jogo por entre os quadrados da rede, ele que tanta gente deixou a ver o sol aos quadradinhos, sem perceber grandemente o que se passava lá por baixo pelo relvado, mas compreendendo em absoluto todos os insultos que lhe eram gritados em coro aos ouvidos como se de música se tratasse. O Bófia Paleolítico Inferior sentiu-se importante. Quando o jogo acabou sentiu-se meio perdido. A seu lado, um rapazito desdentado, habitual frequentador da Mitra de Lisboa, deu-lhe uma cotovelada compincha:

-Ó Bófia, tens aí lume?

O Bófia Paleolítico Inferior emprestou-lhe o isqueiro Dupond. Nunca mais o veria. Não foi preciso esperar muito para lhe chegar à pituitária um cheiro a plástico queimado. O fumo escuro e grosso quase não o deixava respirar. O Bófia Paleolítico Inferior olhou em volta. Tal como o profissional da Imprensa falada, os soldados da paz que procuravam apagar o fogo eram tratados à bofetada. Assobiou para o lado, meteu as mãos nos bolsos e fugiu da confusão. Mais tarde haveria de se armar em valente..."


Afonso de Melo, in O Benfica

A lira de Nero

"Não eram necessários dotes divinatórios, nem poderes extrassensoriais, para admitir que o Estádio da Luz iria pegar fogo. O ambiente desportivo foi o doutras épocas, com resultado imprevisível até ao derradeiro minuto. Nem o Benfica deslumbrou, nem o Sporting se acabrunhou como os desígnios deixavam a adivinhar. Temos campeonato a três ou a quatro, caso se perceba exatamente o que quis dizer Leonardo Jardim após a derrota com o Porto.

Depois de perder por 3-2, e de colocar apenas nos últimos minutos os jogadores que estabeleceram a diferença, o madeirense justificou o desempenho da equipa com um “faço o meu trabalho dentro daquilo que posso”. Depois do susto que pregou ao campeão nacional, mas somente a um quarto de hora do fim, pôs-se a jeito de todas as suposições.

Ainda tarda entender o que se passa com a condição física do plantel do Sporting. É exagerado o número de lesionados que condicionam a ambição de Domingos para os diversos compromissos, ainda todos, em que o clube está envolvido.

Regressemos ao dérbi de sempre. As medidas de segurança impostas pelo Benfica vieram a revelar-se insuficientes e incapazes de dominar aquelas criaturas que me recuso a admitir como adeptos do Sporting. Não são incendiários, arruaceiros, neonazis e agressores de bombeiros que a direção do Sporting defende, quero crer. Bastava ter optado por dialogar, em vez de se indignar, para criar as pontes com os responsáveis pelos encarnados, que aparentavam uma era de entendimento, ainda recentemente observada na gala da Confederação do Desporto de Portugal.

Aliás, a gritaria no túnel dos balneários da Luz – outra vez no mesmo sítio – de Luís Filipe Vieira a vociferar com Luís Duque, a propósito da arbitragem, denotam a paz hipócrita em que vivem os dois emblemas de Lisboa. Os dois de Lisboa? Todos. Dirigentes que teimam em governar os seus clubes como se os adversários fossem alvos a abater, e menos como um parceiro neste negócio em falência iminente.

Ainda esta semana foi destaque no “Diário de Notícias” os subsídios – salários??? – das modalidades amadoras do Porto. Com o desempenho tão irregular da equipa de futebol pergunto se também o futebol foi atingido por esta praga?

Talvez tal justifique o nervosismo que levou Pinto da Costa ao aperto verbal ao jornalista Valdemar Duarte, e consequente agressão física, por outros, após o FC Porto-Braga. Realmente é insuportável aguentar uma época com um plantel avaliado em 125 milhões de euros, fora da Taça de Portugal e com a Liga dos Campeões em risco.

Afinal, há cadeiras a arder em todos os estádios, e os Neros cantam e tocam, inconscientemente, a sua lira."

Confirmações

"1. Durante esta semana, a propósito de notícias em recintos desportivos (um conceito que em tempos tanto apaixonou certas hostes) e noutros recintos, confirmou-se mais uma vez que entre nós há justiça formal mas peca a justiça substancial, aquela que reconstitui com coragem e convicção fundada a verdade dos factos e aproxima, no momento da sanção e da sua execução, a aplicação da lei abstrata do sentimento de confiança dos cidadãos – pelo menos na retribuição para com os cumpridores. Se essa justiça substancial peca, vulgariza-se a impunidade, sentimento que começa nas escolas e acaba na rua. Hoje podemos concluir que os poderes legislativo e judicial falharam estrondosamente na prevenção geral. No caminho, a impunidade ganhou o estatuto de uma “expectativa” generalizada e, pior do que isso, construíram-se ilhas com muralhas desafiadoras do direito e da ordem pública. Voltar para trás vai ser mais difícil, mas ainda é possível. Depende do comportamento de muitos e desses muitos ao mesmo tempo. Voltar ao caminho certo está, todavia, condicionado pela tibieza e incapacidade de alguns, poucos mas suficientes para fazer claudicar todo um projeto de sociedade, em que as pessoas de bem ainda têm espaço. O espaço maior na “cidade” de todos.
2. Durante esta semana, a propósito de incidentes e colisões de diversa índole, confirmou-se mais uma vez que entre nós há liberdade de expressão mas, em vários casos, não há liberdade de imprensa nem critério sobre o relevo. A crise é grave. Os canais da comunicação escrita e televisiva compartimentam-se: uns (mais ou menos) independentes (quero acreditar que é a maior parte), outros completamente amarrados às “fontes privilegiadas”, que os ameaçam e constrangem. O espaço público está inundado por “ruído”, ao qual se dá um destaque que consegue abafar a lucidez e a inteligência dos demais intervenientes. Há autores de notícias e de comentários com medo. Os destinatários da informação são manipulados. O pensamento livre é marginalizado. O estado a que chegámos merece uma reflexão atenta e, mais do que nunca, um debate sério. O “quarto poder” não pode ser somente o espelho de outros poderes (ocultos, em especial), quando deveria ser sempre e em qualquer circunstância o vigilante neutro e nutrido de todos os outros poderes. O mundo está perigoso, na política, na economia, na cultura e nas artes, e, por maioria dos factos, também no desporto.
3. Durante esta semana, a propósito de entrevistas sobre o futuro do futebol, confirmou-se mais uma vez que não é líder quem quer e que a falta de liderança não se supre com operações de recato e lições dos especialistas. Há sempre um gesto, um esgar, uma sombra, que tudo denuncia… O confronto entre o “neovalentinismo” (sem berros) de Gomes, aspirante a líder embrulhado em cábulas balbuciadas a custo, e Marta, o “agregador mitigado” excessivamente desconfortado nos apoios ativos e passivos, chegou para perceber algo mais. Os detalhes podem ter sido decisivos na procura do número “43”, a cifra mágica do próximo dia 10. A imagem passada nas cadeiras da TV pode ter dado tudo e… nada."


Metê-la

"From: Domingos Amaral
To: Pablo Aimar

Caro Pablo Aimar
Há vinte e tal anos, em Cascais, havia um bar onde eu e os meus amigos costumávamos ir. Noite fora, jogava-se e bebia-se, e as sempre bem regadas conversas costumavam descambar em fortes polémicas. Então, no meio da algazarra, vinda de um canto do bar ouvia-se a voz rouca de um cinquentão bêbado que, para desempatar qualquer celeuma, vociferava: “O importante é metê-la lá dentro!” Fosse o tema das refregas o sexo ou o futebol (eram sempre esses os temas), e fosse qual fosse o pomo da discórdia, o velho alcoólico urrava sempre a mesma máxima: o importante era metê-la lá dentro!
Diz-se que há uma verdade profunda nas palavras dos bêbados e de facto, no final de qualquer jogo, só contam as que se conseguem “meter lá dentro”. Por exemplo, em Manchester, Ferguson apelidou o encontro de “cruel”, defendendo que a sua equipa merecia mais do que o empate. Pois. Mas tu, caro Pablito, “meteste-a lá dentro”, fizeste o 2-2 e saímos de lá apurados.
Contra o Sporting também ajudaste, marcaste o canto e o Javi “meteu-a lá dentro”. O Sporting jogou bem, andou por ali às voltas mas… É como no sexo: é bom abraçar um rabo, beijar uma boca, apalpar uma maminha mas… “o importante é metê-la lá dentro”. O Sporting entusiasmou-se, roçou-se muito, mas a verdade é que não a “meteu lá dentro” nem uma vez.
Claro que tem dias que também são os outros a “metê-la”. Na Madeira, entraste tarde e a más horas, já o Marítimo nos tinha “metido” duas lá dentro. Tiveste duas boas oportunidades mas não a “meteste” lá dentro e fomos à vida na Taça. É assim a vida. Quem mete, mete, quem não mete bate palmas."

domingo, 4 de dezembro de 2011

Espírito forte



Leões de Porto Salvo 3 - 6 Benfica



Excelente vitória, com grande segunda parte. Não é por acaso que esta equipa do Porto Salvo está em 3º lugar do Campeonato. São fisicamente fortes, rápidos, fortes no 1x1 defensivo, e sabem sair para o contra-ataque... Hoje, não conseguiram manter a intensidade no jogo, e o Benfica mesmo com menos 2 jogadores na rotação habitual (Arnaldo e Diego), acabou por 'cavar' a diferença merecida na segunda parte... Continuamos a demonstrar alguns problemas na transições defensivas. Além disso, hoje, sofremos os dois primeiros golos, em jogadas individuais dos adversários, 'em cima' dos nossos jogadores mais ofensivos, a retificar...

Apesar do Joel continuar a marcar muitos golos, e quase todos espectaculares, o meu destaque vai novamente para o César Paulo. Desde da grave lesão da época passada o nosso Imperador nunca mais tinha jogado ao seu melhor nível, nas últimas jornadas, parece que o César está de regresso ao seu melhor...

Não vai ser fácil o jogo com Lagartos para a semana, a ausência do Arnaldo e do Diego vai-se sentir, obrigando a uma maior utilização dos restantes jogadores, mas jogamos em casa, e além disso com um empate, ficamos em vantagem...

Os (ir)responsáveis

"1. Foi uma importante vitória a de sábado passado, frente a um muito moralizado (e lutador) Sporting. Infelizmente, no final, os adeptos do clube visitante confirmaram que mereciam mesmo ser colocados numa zona de segurança, embora a finalidade última dessa zona seja dupla: proteger, não só os adeptos de clube visitante, como os restantes dos desmandos destes. Mas a culpa maior do que se passou acaba por ser de quem andou a semana toda a acirrar os ânimos. Foi muito infeliz a reacção da Direcção do Sporting (creio que mais para 'mobilização' das suas 'tropas') à colocação no nosso Estádio de uma rede de protecção, que já existe em vários dos principais recintos europeus. Porque não em Portugal também?

O Benfica estava impossibilitado de colocar os adeptos dos clubes adversários todos juntos (até para uma mais fácil e económica protecção policial). Se os colocasse no piso 0, arriscavam-se a ser agredidos pelos adeptos dos pisos superiores; se os colocasse lá em cima, o mais certo seria acontecer o mesmo que em certo jogo com o FC Porto, com famílias em fuga nas bancadas por baixo.

Claro que não seria num encontro com o Paços de Ferreira ou o Rio Ave (e quem diz estes, diz quase todos os outros) que a rede seria testada. Nesses jogos, o piso 3 dessa bancada Coca-Cola nem sequer abre.

E sendo o Sporting o primeiro dos grandes clubes a ir à Luz esta época, claro que seria o estreante. Tudo normal. Alguém teria que ser o primeiro. O que não é normal é a reacção dos seus dirigentes, os primeiros, afinal, a acirrar os ânimos. Jorge Gabriel, sportinguista mas desportista lúcido, fez em excelente artigo no Record. Onde, indirectamente, até responde a algumas infelizes opiniões expressas no mesmo jornal. Depois do jogo, as declarações do vice-presidente do Sporting definem o personagem. Pois se até ficaram lugares vagos num dos dois sectores ocupados pelos adeptos do Sporting...

2. «A Bola» omite os insultos de Pinto da Costa ao jornalista da TVI a seguir ao jogo com o Sp. Braga e 'esconde' numa pequena notícia a agressão de que, depois, foi vítima por elementos do seu 'staff'. Chama-se a isto subserviência..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Responsabilidades

"No passado fim-de-semana, após mais uma derrota do seu clube frente ao Benfica, alguns adeptos do Sporting incendiaram propositada e premeditadamente uma bancada do Estádio da Luz.

Antes disso, um vice-presidente do Sporting acicatou ânimos, insultou o Benfica e chegou a dizer, entre outas alarvidades, que a Direcção do Sporting se recusava a frequentar lugares como o camarote presidencial da Luz e camarotes adjacentes.

Após o criminoso acto pirómano dos seus adeptos, não há sportinguista com voz na comunicação social e responsabilidades no clube que não tenha vindo alijar responsabilidades próprias, fazendo piruetas com a coluna vertebral, para desresponsabilizar os responsáveis materiais do crime. Desta forma, acabam todos por ficar, moralmente, no patamar indecoroso dos criminosos que perpetraram o crime. Assim, há um grupelho de vândalos que vê os seus actos cobardemente protegidos pela desresponsabilização, escondendo-se por trás do grupo e de uma vergonhosa cultura de impunidade.

No mesmo fim-de-semana, mas numa outra latitude, um jornalista da TVI alega ter sido agredido e insultado na presença, e com a aquiescência, do presidente de um clube que prima pelas boas práticas exemplificadas nas escutas do processo “Apito Dourado”.

Neste reino pantanoso da irresponsabilidade, o absurdo não tem limites e, às tantas, ainda veremos as canetas de aluguer do costume a afirmar que as galhetas que o tal jornalista apanhou lá para as bandas do Freixo se deveram a uma rede no Estádio da Luz.

O Presidente da Liga assiste a tudo isto com a desresponsabilização do silêncio. E neste silêncio reside a mais fina ironia de tudo isto…"


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Objectivamente (Waldemar)

"Enquanto os nossos vizinhos de Alvalade andam a querer fazer figuras de gente grande provocando um caso - grave - sem pés nem cabeça. Pinto da Costa continua a provocar situações gravíssimas a jornalistas sem que nada lhe aconteça.

Este fim-de-semana o jornalista da TVI, Waldemar Duarte, foi enxovalhado pelo presidente do FCP e agredido por um grupo de pessoas que o acompanhava enquanto descia do local onde fez a narração do jogo FCP-Braga em direcção à sala de Imprensa. Mesmo à entrada do local onde iria a conferência aberta a toda a Comunicação Social, o mesmo jornalista foi abordado por mais pessoas que o empurraram e voltaram a agredir perante a passividade de toda a gente.

Colegas jornalistas incluídos que, muito provavelmente, por estarem habituados a estas cenas não ousaram tomar qualquer atitude em defesa de um colega de profissão ou, quando muito, de escreverem sobre o que se passou!

É inacreditável que em plena era da Democracia, como todos os dias berram milhares e milhares de pessoas por todo o lado, aconteçam situações como esta e os culpados nunca sejam condenados a pagar por isso.

O próprio Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado que foi corroborado pela TVI e pela empresa proprietária daquele órgão de Comunicação Social. E o que se viu foi um silêncio «ensurdecedor» que apoquenta todos aqueles que já há longos anos vêem estas pessoas prevaricando com grande frequência sem que nada lhes aconteça.

Faz parte da história negra do nosso Futebol as agressões a homens como Carlos Pinhão, Alfredo Farinha e Homero Serpa, só pelo facto de serem grandes jornalistas, isentos, destemidos e «escritores» n'A Bola. Em tempos a «Bíblia do Futebol português». A história vai-se repetindo com o mesmo protagonista e as mesma vítimas. Mas a justiça continua parada a ver!"


João Diogo, in O Benfica

Apanhando nuvem

"Presidente da Federação deveria ter chamado presidentes de Benfica e Sporting e colocado água na fervura


1. (...)


2. O Benfica, ao perder na Madeira, disse adeus, mais uma vez, à Taça de Portugal. E concentra-se, necessariamente, na nossa Liga e na Liga dos Campeões. Mas, sem esquecermos a Taça da Liga que, obviamente, deve ser encarada com uma opção menor. Numa época que antecede um Europeu - onde, por sorteio nos calhou o verdadeiro grupo da morte - e em que são relevantes os euros a arrecadar, é imperioso que o Benfica vá o mais longe possível na Liga que gera milhões e consiga, uma vez mais e em meados de Maio de 2012, a entrada directa na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões. Nestes tempos em que a Alemanha quer conseguir, à força, uma união orçamental, é essencial que, no futebol, nos concentremos no essencial. E o essencial, nestes tempos complexos, são os euros! E sabendo que, no Euro 2012, o primeiro jogo de Portugal vai ser contra a selecção que quer dominar o euro (moeda).


3. O rescaldo (termo rigoroso, pelo que se viu e sabe) dos actos de vandalismo registados no final do Benfica-Sporting estão sob investigação das autoridades policiais. Na realidade, como resulta com clareza meridiana das imagens divulgadas, o incêndio que foi deflagrado no sector do Estádio da Luz delimitado pelo espaço de protecção conformou a prática de um crime público de fogo posto e, como tal, merece acção conforme das polícias. E passados já os dias necessários para arrefecer ânimos e restituir ponderação e bom senso a esta discussão, importa reflectir sobre três questões que os factos em causa evidenciam: a violência associada ao futebol e ao desporto tem de ser ferozmente combatida com medidas eficazes; manifestamente, o ordenamento jurídico nacional, embora se suporte no rigor de outros, são tem propiciado resposta mínimas e não há jogo importante em que episódios desta natureza não ecludam; não se podem confundir grupos de energúmenos com claques, embora estas, por vezes conscientemente, lhes dêem guarida, nem se podem confundir adeptos dos clubes com as respectivas claques, embora as direcções por vezes cuidem mais destas do que daqueles. Exemplo paradigmático de combate à violência no desporto é a Inglaterra. Porque não assumir claramente o registo das identificações dos adeptos violentos, afastando-os dos estádios através da medida de segurança de apresentação coerciva nas esquadras à hora dos jogos sobre pena de prisão por desobediência qualificada? Este o segredo inglês. A lei portuguesa não o permite com esta simplicidade? Altere-se a lei. E, sobretudo, as estruturas organizativas (ou, perante a sua omissão, o Estado) têm de impor aos dirigentes desportivos em redobrado cuidado com o que dizem e com a forma como actuam.


4. Ainda sobre esta matéria, permitem uma reflexão que está para além do que a agenda mediática preencheu. Vozes credíveis permitem-me assumir que, no Estádio da Luz, se viram casais com camisolas e outros símbolos de ambos os clubes, famílias muiticolores, amigos e grupos de amigos verdes e vermelhos, muitos sportinguistas nos cativos da Luz, muita boa e sã confraternização. Isso foi o que se viu. Neste, como em todos os dérbies. São sempre jogos quentes, de muita rivalidade, vivida em conjunto, entre famílias e amigos que abraçaram as diferentes cores e convivem com elas na alegria do desporto. O resto - o que é mediático - são epifenómenos de marginalidade que bordejam os casos de polícia.


5. Faço, no entanto, votos que tudo isto serene e se consigam extrair lições e ensinamentos. E a primeira entidade que, neste caso, deveria ter intervindo seria o presidente da Federação, chamando ambos os presidentes e pondo a necessária água na fervura. Caso se revelassem infrutíferas as duas diligências, o Governo não poderia deixar de intervir. Em causa não está a autonomia - exigível e constitucionalmente consagrada - do movimento associativo. Em causa, enfim, está a diferença entre o mau perder e o não saber ganhar. Se os clubes não a percebem, que a Federação se imponha. Se a Federação não sabe, ou não logra, impor-se, que se imponha a Administração.


6. (...)"


Fernando Seara, in A Bola

sábado, 3 de dezembro de 2011

Vitória nos Açores

Vitória entre altos e baixos !!!

Benfica 70 - 68 Ovarense
19-16, 13-16, 19-19, 19-17



Ainda sem o Heshimu (e o Barroso), com alguns jogadores aparentemente condicionados, o Benfica venceu um jogo bastante difícil... com um final de 2º período e principio de 3º período muito abaixo do desejável... jogo que só ficou decidido nos últimos minutos, quando finalmente os nossos triplos começaram a cair!!!

O próximo jogo para o Campeonato será a recepção aos Corruptos...

A subir de forma... sempre em vantagem...

Infante de Sagres 2 - 7 Benfica

Super Bloco



Vilacondense 0 - 3 Benfica

17-25, 18-25, 17-25


Após uma longa paragem do Campeonato, um regresso com uma vitória indiscutível, com destaque para a quantidade de Blocos... Na próxima Quinta-feira recebemos o Sp. Espinho, a equipa que tem demonstrado ser o mais sério candidato ao 2º lugar(!!!), mas mesmo assim é para ganhar...

Belo horror

"A presença de fogo num estádio é algo extraordinário de ver. Não percebo bem por que raio tanto se tem falado da Luz a arder. Afinal, a história vem de longe, de muito longe aliás, quando Prometeu roubou o fogo a Zeus para o oferecer aos mortais, história celebrada na Chama Olímpica que ilumina os Jogos.

Mas o duelo entre Prometeu e Zeus, já agora, foi mais longo e, curiosamente, até meteu águias ao barulho, quando o rei dos deuses, para se vingar de lhe terem roubado o fogo até então pertença do círculo de divindades, acorrentou Prometeu e fez com que uma águia lhe comesse diariamente o fígado que, pior ainda, todos os dias renascia para ser comido e depenicado até à eternidade. Depois, vá lá, alguém salvou Prometeu daquela tortura e o fogo acabaria realmente por passar a ser também coisa das pessoas. É esse fogo que se celebra de quatro em quatro anos na maior manifestação desportiva da humanidade. Aquele da Luz, ainda que provavelmente seja inocência minha, talvez tenha alguma relação com isso, talvez um daqueles adeptos que são tudo menos do Sporting por mais que gritem o nome, tenha querido honrar Prometeu.

O próximo passo, enquanto o clima nos estádios de futebol for minado por cinquenta ou sessenta verdadeiros marginais identificados pela polícia mas protegidos por um sistema legal que não funciona - e ao todo entre os três grandes é este o número em causa segundo as autoridades; os outros, mesmo nas claques, é gente normal que vai por arrasto -, o próximo passo, escrevia eu, será realmente continuar a honrar Promoteu talvez com adeptos do Benfica acorrentados às bancadas para verem os fígados comidos por águias, ou do Sporting, mas nesse caso mordiscados por leões, ou do FC Porto, chamuscados por dragões. E da contemplação dessas dores horríveis e desse espectáculo monstruoso, a que poderíamos juntar uma grande Chama Olímpica capaz de deitar abaixo uma bancada, estou convencido de que nascerá a vitória dessa gente. E de Zeus."


Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Adeus ao Jamor

Marítimo 2 - 1 Benfica



Alguma descompressão, mesmo assim muito desperdício (muito), demasiadas poupanças (Javi), guarda-redes demasiado adiantado (principalmente no 2º golo), um guarda-redes adversário inspirado (como é normal!!!), e o Benfica fora da Taça... preferia ganhar os dois jogos, mas entre este da Taça, e o próximo do Campeonato, obviamente prefiro ganhar o próximo (sendo que temos todos, muitas saudades do Jamor), que este tenha sido um 'abre olhos'!!!

Pelo menos agora vai-se deixar falar da invencibilidade (o que para mim era negativo), e voltamos a falar daquilo que mais importa: o próximo jogo, e só, o próximo jogo!!! Cada jogo será uma final até ao fim da época... em todas as competições.

Benfica é melhor que o Sporting

"Um dos meus melhores amigos, sportinguista ferrenho, desabafava-me com indubitável sentido de humor, que lhe custava muito ver os dirigentes do seu Sporting sentados no mesmo sítio do Dr. Vale e Azevedo e da D. Carolina Salgado, ou seja, sentados no meio da claque.

Ora aqui está uma perspectiva sportinguista que nivela por cima, o que vindo daquelas paragens já foi mais habitual. Percebo bem que para um largo sector de sportinguistas elitistas e educados seja difícil entender o comportamento de parte dos seus dirigentes.

A minha visão do derby foi a de um Benfica mais cansado, porque jogou um jogo intenso a meio da semana, sem o seu capitão Luisão e a jogar mais de meia hora 10 jogadores. Por isso apenas ganhou por 1-0. Os quatro melhores jogaram entre si. O Benfica ganhou ao Sporting porque é e foi melhor que os de Alvalade e o Porto ganhou ao SC Braga porque é e foi melhor que o SC Braga.

O Benfica mesmo num jogo equilibrado teve uma bola na barra e outra no poste além do golo, o Sporting está mais perto mas ainda não está ao nível de Benfica e Porto. Muito tem feito Domingos numa casa onde a gestão e a confusão andam de braço dado. Por vezes parece haver um karaoke de disparates entre os seus dirigentes, o que para quem conhece e tem apreço por alguns deles, como é o meu caso, custa.

Magnifico um Benfica que joga bem sabe lutar e sofrer. Numas alturas com inspiração, mas sempre com dedicação e transpiração. Hoje na Madeira contra o maior sensação deste campeonato, podemos ganhar o direito de visitar Alvalade XXI, dia 21. Contra sorteios difíceis temos que colocar uma alma ilimitada em campo.

Que joguem os melhores e da melhor maneira caso contrário o resultado, pode não ser o... melhor. Este Benfica criou habituação de excelência, que Marítimo e Otelul sejam dois capítulos."


Sílvio Cervan, in A Bola

Chama Imensa

"Ao longo da corrente época, jogando melhor ou pior, evidenciando maior ou menor beleza plástica de jogo, mostrando maior ou menor segurança de processos, mais ou menos fulgor atlético, há algo que ninguém poderá apontar ao Benfica. Falo do empenho e da capacidade de sofrimento dos jogadores, do seu profissionalismo, da sua entrega, e do rigor com que defendem a camisola que vestem, aspectos que não são obviamente indissociáveis da capacidade de liderança do treinador, e da estrutura que o suporta. Pois foi precisamente aí, nesse conjunto de características, nessa raça e nessa mística tão nossa, que residiu o âmago da vitória do dérbi de sábado passado, a sexta consecutiva sobre o velho rival lisboeta.

Sabia-se que o Sporting vinha moralizado, e trazia mais argumentos do que noutras ocasiões do seu passado recente. Isso notou-se desde o primeiro instante, o que fez deste, um dérbi com muito mais disputa e muito maior incerteza do que outros. Tal reequilíbrio originou um jogo de enorme intensidade competitiva, disputado em poucos espaços, e apelando a factores que iam muito além da capacidade técnica ou táctica dos dois conjuntos. Exigia-se, à partida, um Benfica de luta, de grande coração, e de entrega total. Após a (exagerada) expulsão de Cardozo, essa necessidade foi levada aos limites.


De facto macaco e mangas arregaçadas

Num desafio à sua coragem, o Benfica saiu-se com distinção. Foi feliz por ter procurado, com uma alma inesgotável, essa mesma felicidade. Triunfou merecidamente, porque soube ser eficaz, mas também humilde e sofredor. Percebendo que não tinha a faca do jogo, soube enrijecer o queijo, tornando-o impenetrável, e alcançando um sucesso que pode ter importância vital no desenrolar do Campeonato.

Até ao momento da expulsão, a partida foi quase sempre pautada pelo equilíbrio, com o golo de Javi Garcia a determinar uma diferença tangencial que se aceitava. O Sporting podia ter marcado, o Benfica também dispusera de oportunidades flagrantes (uma das quais nos pés do próprio Cardozo), e tudo se encaminhava para, daí em diante, assistirmos a um natural ascendente territorial leonino em busca do empate, e a uma tentativa do Benfica em explorar os espaços que o adversário iria necessariamente libertar nas suas costas, à imagem e semelhança daquilo que acontece em tantos e tantos jogos de futebol.

Em razão da inferioridade numérica em que se viu colocado, o Benfica foi forçado a quase desistir de atacar. Com meia hora de jogo pela frente, e uma preciosa vantagem no marcador, os 'encarnados' vestiram o fato de macaco, deram as mãos, e fecharam as portas da baliza de Artur. As substituições foram extraordinariamente criteriosas, dotando a equipa de uma capacidade táctica que lhes permitiria resistir até final. A raça dos jogadores fez o resto. Apenas esses últimos trinta minutos, com menos um elemento em campo, podem ter deixado a ideia ilusória de um ascendente sportinguista que, até então, em bom rigor, nunca e verificou. Em momento algum o Sporting jogou mal, mas só dominou verdadeiramente o jogo quando se viu com mais um homem, e mesmo aí, sem criar particular perigo junto da baliza benfiquista (as melhores ocasiões, paradoxalmente, até haviam sido desperdiçadas antes).


Palmas para os nossos adeptos

É a segunda vez consecutiva (a outra foi aquando da última meia-final da Taça da Liga) que vemos o universo sportinguista sair da Luz feliz (aliviado?) por perder por poucos, e por conseguir discutir em dérbi até ao fim. Esse estado de espírito é a melhor homenagem que prestam ao nosso Clube, ilustrando afinal que o melhor Sporting (e este foi, devo dizer, o melhor dos sportingues que vi nos últimos anos), ainda não chega para um Benfica limitado nas suas unidades e nas suas forças.

Não é possível terminar um texto sobre o dérbi sem uma palavra para o público da Luz, que soube interpretar na perfeição o seu papel de décimo segundo (depois décimo primeiro) jogador, dispensando, em momentos cruciais, o apoio de que a equipa necessitava. O sofrimento que se vivia nas bancadas não dava para ondas mexicanas ou entusiasmos festivos,mas o factor da equipa sentir que os adeptos estavam com ela terá sido crucial para superar as dificuldades da fase final do jogo, quando os ponteiros relógio pareciam andar para trás.

E assim continuamos invictos.



O FOGO QUE OS QUEIMA

As responsabilidades do incêndio causado pelas claques sportinguistas nas bancadas do Estádio da Luz não podem deixar de ser endereçadas a quem, com atitudes mesquinhas, com declarações inoportunas, e com insinuações ligeiras, lançou a confusão e polémica sobre medidas de segurança absolutamente normais, cuja necessidade, diga-se, estes mesmos comportamentos agora evidenciaram.

A presença ostensiva de dirigentes do Sporting no local apenas contribuiu para sancionar tais atitudes criminosas, não sendo os comunicados posteriores mais do que uma mera fuga para a frente, num assunto onde sabem ter perdido, uma por uma, todas as razões. Este foi, aliás, um exemplo perfeito de como podem polémicas inúteis induzir actos de violência extremamente graves.



Javi Garcia (positivo)

Foi dele a noite do dérbi e, quando um dia mais tarde recordarmos este jogo, o mesmo terá nome próprio, e será 'o do golo do Javi Garcia'. Para além desse momento, que valeu os três pontos, o médio espanhol realizou uma extraordinária exibição, tornando-se numa das principais muralhas da resistência benfiquista até ao final. Creio que a selecção espanhola já não será grande demais para o nosso Javi, que, jogo após jogo, mostra talento, pujança e inteligência táctica como poucos na sua posição.


Dirigentes do Sporting (negativo)

Criaram o mito da 'jaula' (ou 'galinheiro', conforme as preferências), mas saíram dela chamuscados pelo fogo ateado no local, perante o seu próprio testemunho. Lançaram a polémica dos bilhetes, mas só nos seus sectores havia cadeiras vazias. Depois, em desespero, queixaram-se das condições, como se muitos de nós não conhecêssemos Alvalade. Bem pode dizer-se que, também fora do campo, o Sporting perdeu o dérbi, desperdiçando muito do respeito que os seus novos órgãos sociais pareciam merecer."


Luís Fialho, in O Benfica