"Já quase nos esquecemos do campeonato, mas eis que está de volta. Há algo terapêutico nestes regressos: apagam-se as más memórias e regressa o transe motivador que nos salva da depressão. A viagem não é das mais simpáticas para uma equipa vitoriana insegura, mas um triunfo pode ser o clique de que precisa.
O regresso traz também a 'bênção' das discussões sobre o penálti por marcar ou o cartão por mostrar. Nunca pensei achar isto tão reconfortante num país que, nos últimos dias, se especializou em discussões de outro planeta.
Na novela Ronaldo, já não consigo escolher o episódio mais dantesco. Pensávamos que a deserção de um estágio era o limite. Afinal, havia ainda mais um andar para descer. Ficamos a saber que um diretor do clube onde joga Ronaldo e um colaborador do jogador tiveram um papel ativo em conversas, na seleção, entre Ronaldo e Jesus, e que dali saiu um guião para o treinador ler numa conferência de imprensa. Nem o melhor argumentista se atreveria tanto.
Na nossa infância, quando alguma coisa parecia impossível, havia uma expressão para tudo: “nem na Cochinchina”. Talvez a expressão tenha envelhecido mal. Ainda assim, e por falar em expressões, talvez seja mais real dizer que, por estes dias, o futebol português parece aquele relógio parado que, por acaso, acerta duas vezes por dia. E, quando ninguém sabe quem manda, há sempre quem faça de rainha da Inglaterra."

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