Últimas indefectivações
quarta-feira, 7 de dezembro de 2022
Liderança...
Benfica 84 - 71 Riga
27-22, 15-16, 19-17, 23-16
Mais uma excelente vitória, numa jornada onde os espanhóis do Manresa perderam com o Limoges e assim, subimos ao 1.º lugar, a uma jornada do final! Bastará vencer ao Limoges na Luz, para garantir um histórico 1.º lugar na fase de grupos da Champions!!!!
Ressaltos e roubos de bola, garantiram-nos mais lançamentos, e assim conseguimos ganhar, apesar da percentagem absurda de triplos dos Letões!!! Melhor jogo do Zirbes no Benfica!!! Mesmo assim Makram e Broussard a 'dominarem' o jogo!
Melhorias, que não foram suficientes...
Benfica 24 - 26 Montpellier
(12-12)
Nova derrota, apesar da exibição ter sido melhor do que em jogos anteriores, os Franceses foram demasiados fortes, e nos momentos finais, quando a reviravolta esteve perto, acabámos por falhar... A ausência do Kallman não ajudou!!!
Mais uma...
Matos(16')
Mais um grande golo do Rodrigo Matos (no 2.º jogo consecutivo), com o Ricardo Ribeiro a ser decisivo na baliza, numa partida, onde acabámos por vencer apertados, quando não havia necessidade...
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
A competição dentro da competição
"José Augusto geriu a disputa entre duas marcas de forma a valorizar os futebolistas
Quando se fala em competição, automaticamente pensamos em vencedores e vencidos, pois o principal objetivo passa por suplantar em valor ou qualidade o opositor. Mas do ato de competir advém também a evolução dos envolvidos. Tanto quem ganha como quem perde sai da competição melhor do que quando iniciou.
No Campeonato do Mundo de 1966, enquanto as selecções lutavam pelo título de melhor do planeta, os irmãos Dassler, donos da Adidas e da Puma, tratavam uma acérrima disputa por quem coletava mais atletas. A intervenção de ambos contribuiu para o desenvolvimento exponencial das sapatilhas de atletismo e das chuteiras de futebol. Após terem apostado em Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de 1936, encaravam o Mundial como uma oportunidade de expansão da sua marca em detrimento da do seu familiar. 'Oferecem boas e dinheiro para assim convencer mais facilmente os jogadores a utilizar o seu material... E cada qual dá mais. Já vai em cem dólares por cabeça'.
Mas havia atletas que se destacavam mais que outros e faziam com que os patrocinadores aumentassem o incentivo. 'Há jogadores que já têm seis e sete pares de botas, principalmente o José Augusto e o Alexandre Baptista, que já foram nomeados representantes respectivamente da Puma e da Adidas'. No caso do extremo benfiquista, o assédio era claro, ao receber a indicação para que não 'revalidasse o seu contrato com determinada firma sem que a firma rival diga de sua justiça'. Na negociação, José Augusto revelou características semelhantes às que apresenta dentro das quatro linhas: astuto e perspicaz, sabia antecipar as oportunidades e tirar o máximo proveito.
Numa competição que entusiasmo adeptos de todo o mundo pela qualidade do futebol apresentado pelas selecções, às habituais inovações técnicas trazidas a cada edição do Campeonato do Mundo acrescentou-se a valorização do jogador enquanto promotor de marcas. E a este facto em muito contribuiu a postura de José Augusto, ao tentar potenciar ao máximo os valores recebidos pelos atletas, e a doar as chuteiras recebidas a clubes como o Barreirense e o Belenenses.
Saiba mais sobre a carreira internacional deste fantástico jogador na área 20 - Águias-Mores do Museu Benfica - Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica
O complexo Eusébio
"1. O primeiro número deste jornal saiu para a rua no dia 28 de Novembro de 1942. E que tempos terríveis para a Europa eram essas que viram nascer, há 80 anos, o primeiro jornal de um clube desportivo português. O Benfica tem uma história linda de resistência e de coragem. O seu primeiro diretor foi José Magalhães Godinho, um homem notável, um democrata de todos os combates. Do Benfica para todos os benfiquistas, que O Benfica continue a ser um orgulho.
2. Decorre o Mundial do Catar, e não há Mundial que não ofereça à vasta plateia global o seu folclore, os seus fenómenos e as suas mistificações. Presentemente, há um caso que é tudo isso ao mesmo tempo. Este Mundial, não fugindo à regra e exagerando até mais não na nota folclórica, tem-nos contemplado com a materialidade daquilo a que se pode diagnosticar clinicamente como 'o complexo Eusébio'.
3. Referindo-nos à obsessão do capitão da selecção nacional e da imprensa devota em suplantar o legado de Eusébio da Silva Ferreira, o melhor jogador português de todos os tempos, através de uma mistificação institucionalizada.
4. Não deixa, no fundo de constituir uma extraordinária homenagem a Eusébio, e a tudo o que Eusébio significa na história e no imaginário do futebol português e mundial, esta operação de mistificação em curso a propósito do suposto 'recorde de golos de Eusébio' na sua única presença num Campeonato do Mundo.
5. Foram 9 golos em 6 jogos, eis a marca de Eusébio em 1966. Um feito notável, uma proeza sem par entre os futebolistas portugueses de todas as gerações. Mas não se trata de nenhum recorde. Em termos de goleadores em 22 edições de Mundiais, se há um recorde a bater, é o do alemão Miroslav Klose, o maior marcador de sempre da história da competição, com 16 golos em 4 presenças na fase final. Mas esta é uma cifra que Cristiano Ronaldo, que já vai no seu 5.º Mundial, jamais igualará a menos que marque 8 golos nos restantes desafios de Portugal no Catar.
6. Sem capacidade de se aproximar de Miroslav Klose, o capitão da selecção portuguesa entendeu designar Eusébio como figura a ultrapassar na sua vitrina de prémios da boa vontade e da imaginação. Nunca o conseguirá.
7. Em primeiro lugar, porque não existe nenhum recorde de Eusébio. Em segundo lugar, porque jamais seria uma mancha na História de Eusébio que a maior máquina goleadora do futebol recente apresente um número decepcionante de golos apontados nos 5 Mundiais em que esteve presente. O resto são 'fake news', que é como hoje se designa a aldrabice."
Leonor Pinhão, in O Benfica
Fazer de conta
"No Campeonato do Mundo de futebol que está a decorrer no Catar, o treinador da seleção sul-coreana foi expulso no final do jogo entre a sua equipa e o Gana. O português Paulo Bento sentiu-se 'injustiçado', segundo o adjunto Sérgio Costa, em declarações no final da partida. A alegada injustiça vem de o árbitro Anthony Taylor não ter permitido que fosse cobrado um canto no fim dos 10 minutos de compensação do encontro que terminou com a vitória dos africanos (3-2). O antigo seleccionador nacional português é visto nas imagens a dirigir-se de forma agressiva ao árbitro, insultando-o do mais lusitano dos vernáculos. Claramente fora de si e sua afamada tranquilidade.
Não foi por anular um golo, perdoar uma expulsão ou deixar de assinalar um penálti. Nada disso. Foi por causa de um canto, mas isso até é o que menos importa. Num desporto saudável, este tipo de comportamento não pode existir, mas o caso passou sem grandes criticas, e Paulo Bento já pediu desculpa pelo sucedido.
Como se fosse normal recorrer à falta de educação, à gritaria, ao gesticular e aos insultos de baixo nível a árbitros e treinadores adversários. A menos que há estejamos tão habituados, que nem ligamos. Afinal, quanto a expulsões de treinadores, somos líderes europeus. Só Sérgio Conceição tem 21 no currículo, repartidas pelos 5 clubes que orientou nos últimos 10 anos, sendo que 11 cartões vermelhos foram vistos ao serviço do atual patrão.
Não sei qual será a multa aplicada pela FIFA a Paulo Bento, mas, se fosse por cá, o caso iria arrastar-se até à próxima época. E iria resultar em dias de suspensão durante as férias e umas míseras centenas de euros para fazer de conta."
Ricardo Santos, in O Benfica
Bancadolândia
"Taça da Liga: um troféu à medida
No Estádio da Luz, as primeiras vénias da noite futebolística de 26 de Novembro foram merecidamente tributadas aos mais de 43 mil adeptos que disseram 'presente' no apoio à equipa do Benfica, na 2.ª jornada da Taça da Liga. Mas que grande golo! Um registo sensacional nesta frente competitiva e que estabeleceu mesmo um novo recorde de assistência na Catedral em jogos da fase de grupos de uma prova que, na temporada em curso, gera circunstâncias que casam particularmente bem com o lastro do grupo comandado por Roger Schmidt. Com apenas um jogo por disputar no grupo C, e tendo menos um golo marcado (cinco) do que o Moreirense (seis), o derradeiro adversário a encarar nesta fase, os encarnados sabem de antemão que necessitam de vencer em Moreira de Cónegos, no dia 17 de Dezembro, para confirmarem a passagem aos quartos de final da competição. Haverá, pois, desafio mais estimulante e motivador do que este, para quem, como sucede com a equipa do Benfica, navega num mar de invencibilidade do tamanho de 27 jogos? Talvez nem por encomenda.
Enzo: um mais um ainda são dois
Somos meros treinadores de bancada, mas há situações que, em virtude do acompanhamento permanente e cuidado que fazemos dos jogos do Benfica, nos dão bases sólidas para argumentar em prol da titularidade ou do alargamento do tempo de utilização de um jogador na sua seleção nacional. Vem esta convicção a propósito de Enzo e do arranque da Argentina no Campeonato do Mundo no Catar. A selecção alviceleste tombou como estrondo na 1.ª jornada do certame diante da Arábia Saudita, o meio-campo clamava por uma unidade com mais andamento e capaz de ver mais longe, mas, no primeiro tudo ou nada na competição, o seleccionar conservou inicialmente Enzo entre os suplentes. Com o tempo de jogo a fugir e o 0-0 diante do México a perdurar, entrou então em capo o jovem médio benfiquista. E o que fez o 24 da seleção argentina? Muito do tanto que lhe vemos tecer de águia ao peito, atuando como se fosse um dos mais veteranos e experimentados jogadores da equipa, porque é um futebolista de eleição, daqueles que nos esgotam os elogios e nos juram que as contas de somar são mesmo as mais simples. Enzo envolveu-se no lance em que Messi rematou para o 1-0 e marcou ele próprio o sentenciador 2-0, numa formidável execução que cruzou técnica, força e precisão. Um momento que vale um milhão de adjectivos (e de notícias de 'clubes atentos' ao argentino), que nos faz gostar cada vez mais de futebol e de intérpretes de classe mundial como este diamante do Benfica."
João Sanches, in O Benfica
O mundo que vemos
"O Campeonato do Mundo do Catar vai prosseguindo dentro do campo, mas a polémica fora dele permanece.
É difícil ver os jogos, admirar aqueles estádios belos e sumptuosos, e não nos lembrarmos de que foram construídos a preço de sangue. È difícil ver os jogos, e esquecermos que o Campeonato decorre nesta altura e naquele local porque alguém enriqueceu com isso. É difícil ver os jogos e ignorar o que é, e como funciona a FIFA.
Dir-me-ão que já houve outras competições atribuídas a países de ética duvidosa sem o mesmo clamor. E que a FIFA, desde 1974, desde Havelange, se tornou uma multinacional obscura, que utiliza o futebol como fonte de receita para si própria, e muitas vezes para os seus dirigentes.
Acontecer que o mundo hoje está mais desporto do que há uns anos. As gerações mais novas já não se acomodam tão facilmente a injustiças, iniquidades e tiranias. Veja-se o que se passa no Irão. Veja-se o que se passa na China.
Estão soube a mesa temas que outrora eram mais ou menos ignorados, mais ou menos tolerados, como as questões ambientais ou os direitos das minorias. Hoje somos diferentes, vemos o mundo com outros olhos, e quem pensar o contrário não está alinhado com o futuro.
Já não é aceitável, pois, que se atribua um Mundial daquele modo, a um país cuja única coisa que tem para oferecer é dinheiro fácil. Também já não é aceitável que as mais altas figuras do Estado se desloquem em fila para presenciar os jogos, enquanto milhares de portugueses trabalham, e nem sequer os podem ver na TV.
Infelizmente há coisas que permanecem iguais. Felizmente temos consciência para as condenar."
Luís Fialho, in O Benfica
Pensar o futebol
"É preciso pensar todas as coisas, descobrir como podem minorar os problemas do planeta e das pessoas, mas também como podem potenciar a evolução e o progresso de todos nós. Por isso pensar o futebol em todas as suas dimensões e potencialidades é uma óptima ideia num tempo tão desafiante como o que vivemos. É certo que na história todos os tempos foram desafiantes à sua maneira para que os viveu, mas a verdade é que na escala planetária e a globalização colocam desta vez problemas e desafios de uma magnitude nunca antes vista. Felizmente não é menos verdade que a ciência e a tecnologia evoluíram a tal ponto, que se podem tornar uma vez mais os nossos melhores aliados desde que saibamos corrigir o seu mau uso. Há, no entanto, um velho desafio, também global, que resiste ao devir dos tempos e que parece eternizar-se: é o desafio da pobreza, da injustiça e da exclusão. É o desafio social, aquele em que teimam em persistir as desigualdades no acesso aos recursos e às oportunidades. Aquele que as sociedades quase ignoram, mas de onde eclodem continuadamente conflitos, guerras e perturbações da paz social. Em tudo isto o futebol pode e tem uma palavra a dizer como grande jogo das paixões que é. Mas também como indústria global, capaz de arrastar multidões, de gerar riqueza e de proporcionar aos povos ambientes competitivos saudáveis, reforçando a sua identidade e convivência pacífica, construindo paz. É que em tempo de guerra não se limpam armas, e o futebol social é, de facto, uma arma poderosíssima!"
Jorge Miranda, in O Benfica
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"3
A equipa feminina de judo do Benfica alcançou o bronze na Liga dos Campeões Europeus;
4
Nova presença benfiquista na final four da UEFA Futsal Champions League. Anderlecht, Palma e Sporting são os adversários;
11
O Benfica prossegue invicto no campeonato de basquetebol ao fim de 11 jornadas, já tendo vencido nas visitas ao FC Porto e ao Sporting;
24
Títulos nacionais de Corta-Mato do Benfica, o último conquistado no passado domingo;
27
“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 3ª vez, considerando todas as competições oficiais, que o Benfica não perde nos primeiros 27 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, o Benfica encontra-se na 2ª melhor série de sempre, estando apenas por alcançar a conseguida em 1959/60 (31);
57
Gilberto e Neres estrearam-se a marcar na Taça da Liga e subiu para 57 o número de goleadores do Benfica na competição (excluindo 2 autogolos). Jonas, com 10, é o recordista;
133
Rafa passou a ser, a par de Nuno Gomes, o 8º futebolista com mais jogos pelo Benfica no atual estádio da Luz. E passou a ser o 10º que mais vezes esteve em campo de águia ao peito na Taça da Liga (15 jogos, ex-aequo com Gaitán e Jonas);
43263
Extraordinária assistência no estádio da Luz para o jogo com o Penafiel da Taça da Liga. Foi a melhor assistência de sempre na fase de grupos desta competição, o segundo jogo com mais público de sempre, só superado pela meia-final com o Sporting, em 2010/11. Nesta temporada, só jogos do Benfica na Luz e dois do FC Porto (Benfica e Atlético Madrid) tiveram mais espectadores, refletindo o entusiasmo dos benfiquistas pelos resultados e exibições dos comandados por Roger Schmidt ao longo da época."
João Tomaz, in O Benfica
Editorial
"1. Parabéns ao jornal O Benfica, que comemora nesta semana 80 anos. São décadas de benfiquismo num título que nasceu em plena 2.ª Guerra Mundial e, desde então, cruzou diferentes tempos políticos e acompanhou a par e passo a gloriosa história do Sport Lisboa e Benfica. É com orgulho que aqui trabalhamos todos os dias para os servir a si enquanto leitor, honrando todos o que fizeram a história deste marco do jornalismo e do desporto em Portugal.
2. Destaque de capa nesta edição para o futebol feminino e umas inspiradoras que cimentam o estatuto de melhor equipa portuguesa. Lideram o campeonato, após mais uma exibição personalizada e de carácter frente ao SC Braga, e olham para a Europa com um sentimento de que há ainda contas por ajustar. Passar a fase de grupos afigura-se desafiante, mas todos acreditamos que, apesar do amargo cruel sofrido no jogo aqui com o Bayern, ainda há uma palavra a dizer. E temos qualidade para isso.
3. Os balanços fazem-se no fim, mas há um padrão que importa relevar nesta altura das competições, sem triunfalismos ou euforias: no futebol e nas 5 principais modalidades de pavilhão, masculino e feminino, o Benfica lidera em 8 das 12 competições. Ecletismo, ambição e competência. Vamos, Benfica!"
Pedro Pinto, in O Benfica
Amo o Benfica. E a seleção?
"A minha primeira memória da seleção é de estar embasbacado a ver pela televisão 120 mil portugueses no antigo Estádio da Luz a apoiar a equipa de todos nós rumo à conquista do Campeonato do Mundo. Foram agonizantes 120 minutos até aos penáltis e a euforia com o golo de Rui Costa. Para um miúdo de sete anos, como eu era, pouco me interessava se aquilo era juniores ou sub-20. Na minha cabeça, Portugal era campeão do mundo. E logo contra o Brasil! Aliás, bicampeão, pois dois anos antes já aquela seleção tinha feito semelhante feito, embora disso nada me lembrasse.
Depois há vagas memórias do apuramento falhado para o Mundial 94 e a primeira tristeza com o chapéu do Poborsky no Euro 96. Mas o auge foi aquele maravilhoso Euro 2000. Portugal a jogar um futebol delicioso e com tantos jogos épicos. O 3-2 à Inglaterra depois de estarmos a perder 0-2 logo no início. O golo no último minuto do Costinha à Roménia. O hat-trick do Sérgio Conceição à Alemanha, mesmo estando nós a rodar jogadores. O convincente 2-0 à Turquia nos 1/4 e aquela mão trágica do Abel Xavier nas 1/2 finais com a França.
O Euro 2004 ainda foi especial. Jogado no nosso país, como não vibrar com aquele jogo épico com a Inglaterra ou emocionar-me com o percurso do autocarro de Portugal de Alcochete até ao Estádio da Luz na final. E claro, aquela tragédia grega...
Depois... a ligação foi-se desvanecendo. Até ficamos em quarto lugar no Campeonato do Mundo de 2006, mas lembro-me de pensar que já não sentia o mesmo. E nos restantes 15 anos há um pico com o golo do Éder no Euro 2016. Se vibrei? Claro que vibrei! Fui mesmo à loucura, era ver Portugal Campeão da Europa e logo daquele modo dramático. Mas a importância que dei ao jogo foi tanta que estava a trabalhar nesse momento. Nem pedi para trocar o turno e oh se eu chateio os meus colegas para trocar turnos por causa dos jogos do meu clube!
Eu tenho orgulho em ser Português. Consciente que o local onde nasci é um acaso e desconfiado de nacionalismos exagerados, mas que razões existem para não gostar do meu país? Costumo dizer que temos tudo, só não temos é dinheiro. E a seleção representa o meu povo, as minhas cores e a minha língua. Mas amo a seleção? Não, não amo. Tenho que ser honesto. Tenho por ela um sentimento racional, doseado e momentâneo. Todo o oposto que sinto pelo meu clube, o Benfica.
Teria dificuldade em explicar a um alien o que sinto pelo meu clube de futebol. Amo-o perdidamente, sofro horrores quando perde e sinto-me um apaixonado quando ganha. Mexe com todos os poros do meu ser e não há nada em que pense mais do que no Benfica. Durante muito tempo até tinha vergonha de assumir tudo o que sinto, pois ainda me achavam doente ou fanático e me internavam num hospital psiquiátrico. Mas é o que sou e quase a fazer 40 anos já não o vou esconder.
Vivo a minha bela doença da forma mais feliz possível: aberta e apaixonadamente. E sinto-me um privilegiado, porque tantas alegrias me dá. Momentos, pessoas, vivências. Ser adepto de um clube dá todas as cores possíveis à vida de uma pessoa.
Com Portugal saí da caixa. Vejo-o do lado de fora. Há uma parte de mim que vê Ronaldo & cia e pensa «calma, são só 22 homens a correr atrás de uma bola». E quando se entra nesse mindset, o futebol perde muita magia. Mesmo a paixão que tinha pela seleção quando era jovem, às vezes penso se não teve a ver com o facto do Benfica não ser campeão nesses anos e eu ter ido em busca de alegrias futebolísticas a outro lado.
Lembram-se de ter dito que o Mundial 2006 já não me bateu igual? O Benfica foi campeão em 2005.
Se quero que Portugal seja campeão do mundo? Claro que quero! Se iria festejar imenso? Claro que sim! Mas vou fazer uma confissão: quando estou com os meus companheiros de roulotes nos prés e pós jogos do Benfica, muitas vezes já com umas cervejas bebidas, há um debate filosófico que temos e as respostas poderiam surpreender quem está fora deste nicho de fanáticos por um clube: «Preferias Portugal campeão do mundo ou o Benfica a vencer a Taça da Liga?»
Por decoro, não vou dizer qual é a minha resposta. Mas a verdade é que não ganhamos a Taça da Liga desde 2016..."
Decisões!
"«Mudam pequenos detalhes, todos nós somos muito bons à sua maneira. Acima de tudo, o entrosamento que temos entre todos… Foi a primeira vez do António aqui, mas também devido à sua qualidade, a integração tem sido rápida. Todos nós estamos preparados e disponíveis para corresponder, mas a decisão não cabe a mim. Cabe-me estar preparado para dar o melhor, esteja quem estiver ao meu lado»
- Rúben Dias."
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