Últimas indefectivações

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Mau serviço ao futebol

"Sp. Braga e Sporting prestaram esta semana um mau serviço ao futebol com nova guerra fora das quatro linhas, totalmente escusada, diga-se. Espero que os jogadores não se deixem contagiar pelo clima beligerante criado e que também os adeptos saibam separar um jogo do que é a vida. Temos de perder menos tempo com parvoíces e dar atenção aos craques. Resolvam lá dentro é o nosso pedido. 
Record marcou ontem a agenda com a revelação de que os jogadores estão fartos do ar irrespirável que se vive e se preparam para tomar medidas. Nem de propósito, no mesmo dia surge nova denúncia anónima, agora em relação ao Belenenses-FC Porto. A estratégia é cadavez mais fácil de perceber. Acredito que a PJ já entendeu o que se passa. Há quem esteja a orientar a opinião pública à custa do bom-nome dos homens que fazem o espectáculo. Política da mais suja. Só engana os mais incautos. 
Edinho e Saucedo dão hoje interessantes entrevistas. O primeiro é o herói de um póquer histórico. O desejo de ir ao Mundial é enternecedor. O segundo um argentino que passou pelo futebol português quando o ar era menos poluído. Vale a pena lê-los.
A Luz esgotou novamente para incentivar aqueles que podem ser os homens do penta. É fantástico ver todo este apoio. Era tão bom que o futebol fosse só isto. Mas não é."


PS: Lá está o avençado-mor Lagarto a fazer o seu trabalho: primeiro faz a 'falsa equivalência' entre o comportamento do Braga com a horda do Babalu...
E depois ainda tem o descaramento, insinuando que o Record está a fazer tudo para 'limpar' o futebol português!!!!
E ainda colabora com o choradinho das denúncias anónimas... quando era 'contra' o Benfica, nunca se mostrou indignado!!!

Tempos modernos

"A pressão exercida sobre os adversários dos candidatos ao título começa a atingir um nível obsceno 

Jesus diz que em Portugal há dois jogos: o que se disputa dentro de campo, pelos jogadores, e outro que se joga por fora, pela comunicação. Pelos vistos, é preciso acrescentar-lhe um terceiro: o que se discute na pocilga, por um grupo de canalhas que não hesitam no recurso à calúnia e à difamação 
Depois de algumas experiências, o processo tem sido apurado ao longo das últimas semanas e parece ter estabilizado num sistema que funciona em duas fases, igualmente ignóbeis. Primeiro, lança-se a suspeita de que o jogo de um candidato ao título vai ser facilitado pelo adversário com recurso a uma denúncia anónima que primeiro mancha e depois pressiona uma equipa inteira. A seguir, se a coisa não resulta em primeira instância e a equipa perde mesmo, escolhe-se um alvo específico - o guarda-redes que cometeu um erro, o defesa que falhou uma intercepção, o avançado que desperdiçou um golo cantado - e dispara-se contra a honra pessoal de cada um com outra denúncia anónima que funciona como punição e aviso aos outros plantéis: para a semana há mais e qualquer um pode ser o próximo.
Para já, livres desta imundice canalha, parecem estar apenas os jogadores dos três candidatos ao título, confirmando com uns meses de atraso que, mesmo por linhas tortas, Manuel Machado tinha razão: há os grandes e há carne para canhão. Um deplorável mundo novo."


PS: É preciso ter descaramento para escrever esta crónica, neste pasquim!!!
Até agora, oficialmente só um Clube em Portugal, através do seu director de comunicação, e do seu treinador, colocaram em causa a entrega dos jogadores de equipas terceiras!!! Insinuando a 'compra' de jogos ou jogadores!
E na altura, não me lembro de ler virgens ofendidas, como esta, a queixar-se...!!!

Os '50+1' da Bundesliga

"Os clubes alemães têm vindo repetidamente a público afirmar que se estão a tornar incapazes de competir com os clubes das outras grandes ligas europeias, dizendo que não têm capacidade para chegarem aos astronómicos valores que se registam em contratações de jogadores.
Em reunião do passado dia 22 de Março, a maioria dos clubes participantes da Bundesliga decidiram manter a regra dos 50+1, o que está a criar uma divisão ideológica dentro da própria liga.
Em traços muito gerias, esta regra, prevista nos regulamentos da liga alemã, exige que, para obter a respectiva licença para competir, as SAD's (por mera comodidade, utiliza-se a terminologia da lei portuguesa) têm de ser controladas, maioritariamente, pelo correspondente clube fundador, numa lógica de 50% das acções, mais uma. O objectivo é, portanto, garantir que o clube fundador mantenha o controlo da SAD de forma a proteger os clubes da influência de investidores externos. Esta regra foi ainda pensada para garantir a estabilidade financeira dos clubes alemães e a integridade da respectiva competição nacional.
No entanto, nem todos os clubes estão de acordo com esta obrigação. Os opositores do 50+1 entendem que esta regra levou a um desinvestimento comparada com outras ligas europeias e que, por isso, está a perder competitividade. Há mesmo quem diga que esta regra pode comprometer uma violação da lei da concorrência da União Europeia, na medida em que restringe estas organizações comerciais (as SAD's) de tomarem as decisões que, financeiramente, entendam melhor para os fins por elas prosseguidos."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Os craques e as equipas

"Uma Argentina sem Messi vale metade. Pode até valer menos de metade. Mas nunca deve perder por 6-1 seja contra quem for. Mesmo perante uma Espanha renovada, sob o comando de Lopetegui, mesmo sem contar com Leo.
Esta é a primeira análise que se retira da escandalosa derrota sofrida pela selecção de Sampaoli. Com Messi a ver na bancada, e sem conseguir ver mais, depois do 6-1 apontado por Isco. Claro que há o jogo. E o resultado nem sempre explica tudo. Higuaín até podia ter feito o primeiro e Otamendi ainda animou os argentinos quando fez o 1-2.
Mas o descalabro foi, sobretudo, defensivo. Muitos espaços, pouca pressão, desorientação táctica. Uma equipa puxada por rasgos individuais, sem ideias de colectivo, sem um conceito futebolístico. É preparação, claro, não havia Messi e ainda falta tempo até chegar o Mundial. Mas não falta assim tanto. Selecções como Espanha, Alemanha e Brasil já mostram uma rotação muito superior a argentinos ou portugueses.
Messi e Ronaldo vão chegar a este Mundial com o mesmo estatuto com que aterraram nos anteriores: são os melhores jogadores do Mundo. Há muito tempo. Como nunca se viu antes no futebol. Mas, por esta altura, as suas selecções dificilmente podem aparecer no top 5 das principais candidatas à vitória final (e nesse aspecto Portugal mostra, ainda assim, mais saúde do que a Argentina). Verdade: nem sempre ganham os favoritos. Foi assim no Euro 2016. A excepção, contudo, não faz a regra. E um craque, por melhor que seja, já não chega para fazer uma equipa inteira."

Ainda a Selecção

"Ainda a Selecção
1 - Não é caso para colocar em causa as aspirações da Selecção Nacional no Mundial, embora existam razões substantivas para uma reflexão. Portugal perdeu, por 3-0, com a Holanda, que nem sequer se qualificou para a competição que terá lugar na Rússia no próximo verão. Foi mau, foi mesmo muito mau, mas também não deixa de ser verdade que, do onze apresentado na Suíça, apenas Cristiano Ronaldo terá a titular garantida nos jogos ‘a sério’ que se avizinham.

Um onze que já está praticamente definido
2 - Em termos de onze inicial a apresentar na Rússia, parece existir, aliás, uma única dúvida, que se prende com o companheiro de Pepe no centro da defesa. Salvo qualquer lesão ou flagrante decréscimo de forma, Portugal alinhará da seguinte forma na estreia na competição, diante da Espanha: Rui Patrício; Cédric, Pepe, Rolando (ou Fonte, ou Bruno Alves, ou Neto, ou mesmo Rúben Dias...) e Raphäel Guerreiro; William Carvalho; Bernardo Silva, João Moutinho e João Mário; Cristiano Ronaldo e André Silva. Danilo e Gelson terão, obviamente, utilização garantida.

Favoritos no Mundial não vão mudar
3 - A derrota de Portugal não deve causar especiais tormentos... e a da Argentina (6-1, frente a Espanha) também não, apesar de esta ter sido particularmente humilhante. Na Rússia, a equipa de Sampaoli, com Messi disponível , continuará a figurar entre as favoritas. Nesta altura, Brasil e Espanha aparentam ser as selecções mais fortes , mas dentro de pouco menos de três meses, além da Argentina e de Portugal, também Alemanha e França terão certamente uma palavra a dizer."

Deixem-me sonhar!

"Na passada segunda-feira estava em Madrid e, no intervalo do jogo entre Portugal e Holanda, o meu Whatsapp começou a ser inundado com mensagens dos meus amigos, todas elas dentro desta linha: "Estás a ver esta vergonha? Estás a ver esta humilhação? Como podes dizer que podemos ser campeões do Mundo a jogar desta maneira? Estamos a levar três secos e tudo aponta a que vamos sofrer mais três ou quatro golos na segunda parte e será maior derrota da história de Portugal. Que vergonha!"
Reinava o pessimismo e a todos respondi: "Isto é um jogo A-MI-GÁ-VEL." Nos segundos 45 minutos não houve golos, os holandeses acabaram por ganhar 3-0, mas as mensagens depois do jogo continuavam dentro da mesma linha do pessimismo. A minha resposta sempre era a mesma: "Isto foi um jogo A-MI-GÁ-VEL." No dia seguinte, Espanha jogou em Madrid contra a Argentina, uma das selecções favoritas para ganhar o Mundial, fez um jogo excelente, ganhou 6-1 e humilhou os argentinos. E apesar de não ter jogado Messi por lesão, os espanhóis estavam eufóricos pelo resultado e também pela fantástica exibição futebolística da sua selecção. Como não podia ser de outra maneira, na terça-feira à noite, depois do jogo, comecei a ser bombardeado no Whatsapp, desta vez pelos meus amigos espanhóis. "Português, pelo o que vi ontem de Portugal com a Holanda, e com este futebol espectacular, maravilhoso e galáctico que acabo de ver da 'Roja' tens de estar a tremer. Hoje vais ter o teu primeiro pesadelo com a selecção espanhola, porque já sabes o que poderá acontecer no primeiro jogo do Mundial entre Espanha e Portugal: seres humilhado e goleado como foi esta noite a Argentina." A brincadeira de todos eles ia dentro desta linha e eu respondia: "Ontem e hoje foram jogos A-MIS-TO-SOS."
"Sabem quantos jogos oficiais perdeu Portugal desde que o nosso seleccionador Fernando Santos esta à frente da Selecção? Simplesmente dois: um foi na Suíça e o outro foi na Taça das Confederações com o Chile e nos penáltis - e como vocês sabem por experiência própria, porque foram muitas vezes eliminados desta maneira nas grandes competições, um jogo decidido nos penáltis é uma lotaria e tudo pode acontecer. Por esta razão a minha Selecção na hora da verdade e nos últimos três anos e meio só perdeu um jogo oficial nos 90 minutos regulamentares. Somos campeões da Europa", acrescentei. Dois destes meus amigos são do Real Madrid e fui para 'cima' deles. "Nos últimos quatro anos ganharam três vezes a Champions League e o grande culpado e protagonista destes êxitos incríveis que conseguiram foi o vosso número 7, porque é o melhor jogador do Mundo. Quando está bem fisicamente nunca falha. Como se costuma dizer ele ganha jogos e títulos sozinho. O vosso mito, lenda e deus joga no Real Madrid mas não é espanhol, que eu saiba é português. Como vão conseguir dormir na véspera do jogo entre Espanha e Portugal sabendo que o vosso deus naquele dia passa a ser vosso inimigo? Sabem melhor que ninguém se o 'Bicho' está nos seus dias ninguém pode pará-lo. Podem ter os melhores defesas do Mundo, como por exemplo Sergio Ramos, Piqué, Carvajal ou Jordi Alba, entre outros, que dará igual, porque o nosso deus português destruirá todos", atirei.
Como nos dois minutos seguintes nenhum deles me respondeu, continuei: "Ficaram todos sem bateria? Nenhum de vocês responde? Ou esta noite já vão ter pesadelos com o Cristiano?"Já passava da meia-noite e as respostas foram: "Hasta mañana, português, duerme bien." Estavam eufóricos depois do 6-1, bem-dispostos, quiseram brincar, mas esqueceram-se que o Cristiano Ronaldo é português, e nenhuma equipa ou selecção do Mundo quer ter o 'Bicho' como adversário. O nome do Cristiano mete respeito, medo e pânico a qualquer rival e ele é nosso. Um jogo amigável perto de uma grande competição é importante para o seleccionador tirar dúvidas mas não passa de um A-MI-GÁ-VEL. Os jogadores querem sempre ganhar, mas para mim o resultado nestes jogos é totalmente secundário, pelo que não dei qualquer importância à derrota com a Holanda. O importante é que o Cristiano Ronaldo, e a maioria dos outros heróis que foram campeões da Europa em França, os jovens craques, que estão preparados para a guerra e que já são uma grande mais-valia para a nossa Selecção - como por exemplo Bernardo Silva, Gelson, André Silva ou Gonçalo Guedes - cheguem todos no seu melhor nível físico e sem lesões à Rússia para os jogos da verdade, a sério e a doer. Com o meu optimismo e com o seleccionador que temos, o mestre Fernando Santos, já comecei a sonhar com o título. Se no primeiro jogo com Espanha vir que todos os nossos craques estão bem de saúde e no seu melhor nível de forma muito mais sonharei e acreditarei que Portugal pode ser campeão do Mundo.
Por isso, a todos os meus amigos espanhóis, italianos, franceses, ingleses e japoneses, apenas digo o mesmo que ouvi de José Torres antes do épico jogo com a Alemanha de 1985: deixem-me sonhar! 

Caldeirada da Semana
Injustos e mal-agradecidos
À entrada para o último jogo da qualificação a Argentina estava em risco de não ir ao Mundial. O grande culpado para muitos jornalistas do país era a estrela Messi. No último jogo, a Argentina foi ao Equador obrigada ganhar e o Leo abriu o livro: fez três golos e meteu o seu país no Mundial, fechando a boca a todos os críticos cruéis. Esta terça-feira a Argentina sofreu uma das maiores humilhações da sua história ao perder com a Espanha por 6-1. Messi assistiu ao desastre na bancada porque estava lesionado. Mas quando um jornalista embirra com um jogador não há marcha-atrás, nem para Messi. Vi vários programas da televisão argentina depois do jogo e faltou muito pouco para dizerem que o culpado da derrota era ele. Não se livrou de insinuarem que a lesão não o impedia de jogar e que está mais preocupado e comprometido com o Barça do que com o seu próprio país. Que injustos e mal-agradecidos.

Nós Lá Fora
O génio das conferências
Esta semana li que "as conferências de imprensa de Carlos Carvalhal no Swansea fazem as delícias dos jornalistas e as melhores frases do treinador português vão ser agora eternizadas em t-shirts e a receita das vendas será entregue a doentes com cancro da próstata". Senti um grande orgulho pelo meu companheiro de quarto nas Selecções inferiores de Portugal. 'O meu Carlinhos está mesmo feito um génio nas conferências de imprensa', pensei. Quando chegaste ao Swansea em dezembro o clube estava condenado à 2.ª liga e necessitava praticamente de um milagre para sair do buraco. Hoje é possível que isto aconteça devido ao trabalho de nota 10 que estás a fazer no País de Gales. Força, amigo!

Álbum de Recordações
Três gerações
No verão de 2016, nesta mesma caixa, escrevi isto: "O meu primeiro professor de espanhol, e a pessoa que me explicou como funcionava o futebol em Espanha, foi o meu companheiro de quarto, Marcos Alonso. (...) Não podia ter tido um professor melhor. Na quarta-feira, quando soube que o seu filho Marcos Alonso tinha sido contratado pelo Chelsea, fiquei muito feliz pelo meu querido amigo." E hoje tenho de voltar a falar da família Marcos Alonso, porque fez história. Com a estreia de Marcos Alonso pela selecção espanhola aconteceu algo único: a família Alonso - avô, filho e neto - foi internacional por Espanha. Impressionante! Parabéns, Marquitos!"

A caminho de Sines

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
25-22, 25-19, 25-15

O 1.º Set não foi fácil, mas depois... Bom jogo do Benfica.
Qualificação para a Final-Four da Taça de Portugal, que se vai realizar em Sines. Vamos defrontar a Ac. Espinho nas Meias, e muito provavelmente o Castêlo da Maia na Final.

domingo, 1 de abril de 2018

Benfiquismo (DCCXCIV)

34

Cadomblé do Vata

"1. De tarde vi jogar o João Félix nos juniores e pensei que era batota utiliza-lo naquele escalão... à noite vejo jogar Jonas na equipa principal e entendo porque nos invejam tanto os rivais.
2. Inicialmente não percebi porque jogou o Vitória com o equipamento alternativo na Luz, se eles vestem branco e nós vermelho... no fim do jogo disseram-me que era a nona derrota vimaranense nos últimos 9 jogos contra o SLB, e entendi que afinal aquele equipamento preto não é alternativo... é o fato de velório.
3. José Peseiro já enterrou o Sporting, o FC Porto, o SC Braga e prepara-se para cavar a sepultura dos de Guimarães... a hegemonia do SLB no futebol nacional só atingirá o seu pináculo quando formos campeões com o ribatejano no banco.
4. Bruno Varela está há 4 jogos sem sofrer golos, sendo esta a sua melhor marca no SLB... parece um daqueles muito elogiados recordes nacionais em provas de atletismo, batidos nos Jogos Olímpicos, que nem dão apuramento para as finais.
5. Grande assistência de "letra" do Raúl Jimenez... se é este o tipo de escrita que LFV quer ensinar na Universidade do SLB, não me importo de começar já a pagar as propinas do meu filho que nasceu há 2 semanas."

As placas da Securitas, as insta stories do Seixal e o rácio dos tempos do Peyroteo (...)

"Bruno Varela
A sua presença aparentemente confiante na baliza continua a ter o mesmo efeito dissuasor de umas placas da Securitas que eu pus nas entradas de minha casa. Espero que ninguém descubra que a porta se abre com um cartão Lisboa Viva.

André Almeida
Os dois maiores símbolos vivos do Benfica tiveram um dia não. A águia Vitória julgou ter ouvido uma sirene e fugiu. Já André Almeida teve uma das exibições mais apagadas desde que se tornou o melhor lateral direito português da actualidade.
P.S. - a piada sobre os símbolos vivos só funciona se ignorarmos que o Senhor José Augusto viu o jogo na tribuna.

Rúben Dias
Das duas uma: ou Rúben Dias tem uma cara de poker extraordinária ou é de facto a muralha de aço que se tem visto, um jogador que não se deixa afectar por rigorosamente nada. Quando já nada sobrar e todos os computadores, taças e funcionários tiverem sido levados pela PJ, quando todos os emails tiverem sido lidos e cartilheiros despedidos, Rúben Dias continuará a fazer a única coisa que lhe interessa: chegar primeiro ao lance.

Jardel
E por falar em autoridade suprema no jogo aéreo, há muitos anos participei num processo de recrutamento para controlador de tráfego aéreo. Se bem me recordo, o último teste em que participei durou uma hora e meia. O objectivo era coordenar as operações no aeroporto de Lisboa e fazer aterrar algumas dezenas de aviões. Vários candidatos entraram numa sala, colocaram uns auriculares e deram tudo o que tinham. Eu percebi que tinha corrido mal quando, à saída, vi que era o único com a camisa colada ao corpo por causa do suor. Felizmente chumbei e foi assim que se evitou a maior catástrofe da aviação moderna.

Grimaldo
Um absurdo excesso de misericórdia na cara de Miguel Silva impediu-o de marcar o segundo golo do jogo aos 49’. Como qualquer formando do Barcelona, Grimaldo é um estudante do jogo e sabe que precisa de melhorar neste capítulo. Deve por isso parar e analisar exaustivamente este lance, até porque não cometeu mais nenhum erro enquanto esteve em campo.

Fejsa
Histórico. Desde 2012 não falhava um passe para um colega no centro da defesa, mas aconteceu hoje aos 59 minutos. É estranho olhar para Ljubomir Fejsa e ver nele, afinal, um ser humano.

Zivkovic
Foi dos que mais procurou contrariar uma posse de bola dependente da pontaria de Jonas

Pizzi
Segundo um site na internet, a associação da letra z ao sono remonta a 1918, quando alguém resolveu descrever uma pessoa a ressonar com a expressão zzz. Pizzi juntou-se às celebrações do centenário desta onomatopeia com uma exibição que foi somando caracteres ao seu nome até perto do final, quando Pizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzi finalmente se lembrou que a equipa conta com ele para liderar o meio-campo rumo ao penta e, num laivo de pressão alta, libertou Jimenez para o momento mais bonito da noite.

Rafa
A paragem no campeonato fez-lhe mal. Acontece, em especial a esta nova geração. É gente com muito tempo livre e uma vida santa. A ausência de problemas reais faz com que caiam num estado de anomia combatido com um número excessivo de selfies, fotos banais de comida de outro país, opiniões pouco amadurecidas sobre todo e qualquer tema, e perdas de bola desnecessárias. Em vésperas de clássico, os benfiquistas precisam que Rafa volte ao essencial: fotos da nova tatuagem do Fejsa, instastories com peixe grelhado na cantina do Seixal, nada a dizer sobre aquela história da Compal e a acutilância que lhe vimos em jogos anteriores. Em suma: vê lá se atinas. Precisamos de ti.  
Cervi
Só aceitou ser substituído aos 69 minutos depois de perceber que iria ceder o lugar a Jimenez. Uma pessoa anda tão mal habituada que até é capaz de dizer barbaridades como “fez uma exibição menos inspirada do que é tem sido habitual”. Enfim. Não sei onde é que o Expresso vai buscar estas pessoas.  
Jonas
Enquanto alguns aproveitavam a pausa no campeonato para estar com a família, pôr as leituras em dia ou apagar a sua conta de Facebook, Jonas treinava a marcação de penalties. Ainda bem, porque alguns de nós não teriam sobrevivido a mais um falhanço. Não satisfeito, voltaria a marcar, desta vez meio golo (o cruzamento do Raul vale no mínimo outra metade). Se arredondarmos, soma agora 33 golos em 28 jogos, que parece um daqueles rácios estapafúrdios do tempo do Peyroteo, mas em relação ao Jonas ninguém duvida que ele marcou mesmo os trinta e três.

Jiménez
É agora o único jogador da Liga NOS a ter tido o privilégio de ver as suas chuteiras engraxadas pelo melhor jogador a actuar em Portugal, depois de André Almeida ter recusado a honra. Jimenez voltou a ser decisivo, combinando a já conhecida vontade de decidir jogos com a alegre resignação de quem sabe que jamais será titular e não quer saber. Tal como nós, Jimenez prefere pensar nisso depois de uma boa noite de copos no Marquês de Pombal.

Salvio
Uma opção acertada de Rui Vitória, que apenas peca por ter acontecido com 50 minutos de atraso e não ter sido o Rafa a sair para lhe dar o lugar. De resto, perfeito.

Seferovic
Entrou para o lugar de Zivkovic, protagonizando a primeira substituição da Liga NOS em rima esta época, um dado estatístico que nem a Goalpoint se atreverá a desmentir."

Vermelhão: Mais uma Final...

Benfica 2 - 0 Guimarães


As mini-férias não fizeram bem à equipa! Não foi um bom jogo do Benfica, a equipa pareceu presa de movimentos. Não sei se foi por excesso de descanso, ou por terem levado uma carga física grande, com o objectivo de chegar ao jogo com os Corruptos, no máximo... Seja qual for o caso, o facto é que a dinâmica que demonstrámos na Vila da Feira, não existiu hoje...

Também é verdade que o Guimarães preparou 'bem' o jogo, e bloqueou-nos os flancos. Nunca conseguimos estar em igualdade numérica nas laterais, quando havia 2 ou 3 jogadores do Benfica na ala, apareciam 4 ou 5 do adversário! A solução para este problema, em anos anteriores era fácil: jogar pelo meio, com o Jonas entre-linhas... O problema é que no 433, se o Jonas recua, ficamos sem ninguém na área...!!!
Dito isto, também é verdade que o Guimarães, criou pouco perigo, recordo-me de dois cruzamentos do Heldon e pouca mais... mas 'nós' os pessimistas, estamos sempre à espera de uma 'bola parada' ou de um ressalto!!!
A primeira 'mudança' foi a troca do Pizzi para a meia-esquerda e o Zivkovic para a meia-direita, e a equipa melhorou logo, pois o Pizzi na esquerda, consegue mudar de flanco mais rápido... Mas após o intervalo, foi claro que houve instruções especificas, para fazer mudanças de flanco rápidas, para as 'costas' da linha defensiva do Guimarães... Com o Grimaldo a destacar-se neste tipo de jogadas!!
Mas mesmo assim, não chegámos ao golo da tranquilidade... E talvez por isso, Rui Vitória, resolveu novamente mudar para o 442 !!! Foi com alguma surpresa que as bancadas receberam a entrada do Jiménez, e a saída do Cervi... Mas mais uma vez resultou!!! Nos últimos jogos, a mudança para o 442 tem dado quase sempre resultado...
E desta vez, a tranquilidade chegou, com um momento mágico do Jiménez, com o Jonas a finalizar...
A questão do 442 apareceu na conferência de imprensa no final. Sinceramente não acredito que a equipa volte a jogar em 442 de início, até porque nos jogos com os Corruptos e os Lagartos, o 433 parece ser mais recomendável... mas, neste tipo de jogos (Setúbal, Estoril, Tondela e Moreirense) o 442 parece ser a melhor opção!!!

Se recordarmos as últimas pontas final do Campeonato, neste sprint final, são vários os jogos que se tornam complicados, com os adeptos e a equipa a sentirem a pressão... Talvez por isso, com 1-0 no marcador, e o Benfica a sentir dificuldades, as bancadas 'perceberam', e apoiaram...
Mas tenho que avisar: se em Setúbal jogarmos a este nível físico, muito dificilmente vamos conquistar os 3 pontos!!!
Não é fácil destacar individualmente os jogadores do Benfica, André Almeida e Fejsa, dois dos mais seguros jogadores do Benfica, hoje não estiveram bem...
O Pizzi continua a não ser 'apreciado' pelo 3.º anel, hoje o 'problema' foram as saídas lentas para o contra-ataque... Mas os Benfiquistas têm que compreender que além do Rafa, o Benfica não tem jogadores rápidos na frente, a 'vantagem' do Benfica, com este plantel, é quase sempre em ataque posicional... Uma coisa são recuperações altas, outra coisa é sair 'disparado' da área do Benfica para outro lado... Simplesmente, não temos equipa para isso...
O Grimaldo foi muito importante, principalmente na 2.ª parte... excelentes desmarcações, apesar de alguns erros lá 'atrás'! O Rafa sem espaço para correr, teve muitos problemas... O Ziv acabou por ser o sacrificado pela estratégia, mas esteve geralmente bem...
O Jonas marcou os dois golos, mas fiquei preocupado... não me pareceu a 100%, pareceu-me em dificuldades em algumas jogadas, para pouco depois correr como estivesse tudo bem... estranho!!!
O Xistra acabou por ser uma das figuras da partida: nas duas situações principais, esteve bem, com a colaboração do VAR (Veríssimo), golo anulado ao Guimarães; e penalty a favor do Benfica! Mas no resto esteve mal: vários contra-ataques do Guimarães começaram em faltas não assinaladas, um deles numa falta sobre o Fejsa... Disciplinarmente, foi o circo do costume: o Fejsa leva Amarelo sem fazer qualquer falta, e depois é ameaçado com a expulsão, numa jogada onde não faz falta...!!! Enquanto, isso foram vários os Amarelos perdoados aos visitantes...
Com o Fejsa e o Jardel 'à bica', vamos ter um jogo em Setúbal muito complicado. O Fejsa curiosamente, normalmente nunca está disponível nos jogos contra os Corruptos...!!! Mas nesta altura, não dá para pensar muito, os 3 pontos em Setúbal são neste mais importantes, do que os 3 pontos no jogo com os Corruptos!!!
Vai ser um Domingo de Páscoa na liderança... Não estou com muitas esperanças para o jogo em Belém dos Corruptos, mas é sempre importante pressionar os adversários. E neste momento só temos que vencer os nossos jogos...

... de Gala...!!!

Benfica 7 - 0 Braga

Grande exibição, totalmente dominadores, com dinâmica ofensiva, a dar pouco espaço ao adversário, e com grandes golos...!!!
É verdade que o Braga não estava na máxima força, mas este jogo é um excelente sinal, para a mais que esperada Meia-final... 
O ano passado, não conseguimos ultrapassar este Braga, apesar de nos confrontos directos com os Lagartos terem sido positivos: este ano temos estado ainda melhor nos confrontos com os Lagartos, mas a grande evolução, tem sido neste tipo de jogos, onde somos obrigados a tomar 'conta' do jogo!!!



PS: Parabéns às meninas do Basquetebol, pela qualificação para as Meias-finais do Play-off... não somos favoritos, mas vamos ver...!!!

Inglório !!!

Santa Clara 3 - 2 Benfica B


A perder por 2-0 ao intervalo, recuperar para 2-2 e depois sofrer o golo da derrota aos 94 é frustrante!
Entre lesões, e o facto do Félix, do Jota e do Nuno Santos estarem a jogar nos Juniores, as opções não são muitas... hoje, com duas substituições ao intervalo, parece que o Lystcov se lesionou logo a seguir!!!

Para os amigos do Santa Clara: aproveitem estes 3 pontos, e vamos ver se na próxima época, eu não serei obrigado a ir ver o Benfica a São Miguel!!!

Juniores - 5.ª jornada - Fase Final

Leixões 0 - 2 Benfica


Mais uma vitória, com o Félix sempre decisivo, mesmo com o Nuno Santos a desperdiçar um penalty... num campo sintético, com medidas mínimas...
Somos líderes, e o 2.º são os Corruptos, que ainda têm que vir jogar ao Seixal...

Iniciados - 1.ª jornada - Fase Final

Benfica 5 - 1 Santarém


Bom início, na fase decisiva do Campeonato...

Sabe quem é? - João Paulo II, o pai...

"Ídolo de Messi por causa do telefonema de Passarella --- Jogador do Benfica por Rui Costa lhe aparecer à porta de casa

1. Nasceu a 3 de Novembro de 1979, Maradona encantava-o - e sonhava ser médico. Com ele a caminho dos quatro anos, lesão grave impediu o pai de continuar a jogar futebol - e foi o pai que, certa vez, o desafiou à aventura de um teste num clube a mais de 600 quilómetros de casa.
2. Não foi apenas o espírito de aventura que o arrastou para o teste no River, foi sobretudo a curiosidade de saber se podia ser mesmo o que se dizia que podia: «o novo Maradona». De Rio Quatro para Buenos Aires fez a viagem num ronceiro autocarro, não precisou de muito jogo para mostrar o génio - de ponto ouviu que sim, que o queriam, que podia ficar. Mas ele não quis ficar no Monumental Nunez.
3. Tinha 14 anos e fosse qual fosse a resposta que lhe dessem no River, já o decidira: voltaria para a sua cidade no interior de Córdoba - e ao Estudiantes de Rio Quarto. Talvez não contasse que sucedesse o que sucedeu: Pekerman chamou-o à selecção de sub-17 - e para lá foi, outra vez, em autocarro de carreira.
4. Daniel Passarella não mais se esqueceu da conversa que tivera com o treinador dos iniciados, três antes: «Aquele chico de toque de bola formidável, era o único que podia ser génio, mas é incrível não quis ficar» - correu a pedir-lhe número do telefone e ligou para Rio Quarto...
5. Antes de se soltar palavra do outro lado da linha, Daniel Passarella atalhou: «Olá! É o pai dum muchacho chamado Pablo?» - e ouvindo que sim, apresentou-se: «Pois, eu sou Passarella, o treinador do River». Apercebeu-se da gargalhada a que se colou a frase despachada: «Ai sim?! Pois eu sou o Papa João Paulo II e não tenho tempo para brincadeiras» - e Passarella revelou-o: «Felizmente, o senhor não desligou o telefone»...
6. Além de o pai não desligar, percebeu que era mesmo verdade, era mesmo o Passarella - a pedir-lhe que convencesse o filho a ir para o River, prometendo-lhe todas as condições para estudar medicina, pagar-lhe o curso até. Puseram-no a viver numa pensão, adormecia todas as noites enxugando as lágrimas na almofada - por achar que «Buenos Aires era um tortura». Não, não foi para os juniores que foi, Daniel Passarella puxou-o, sem pestanejo, para o plantel principal.
7. O primeiro treino do Monumental marcou-lhe o destino: recebeu a bola, correu com ela dentro do pé para o Altaminaro (de quem se dizia que era o monstro na defesa do River) - através dum «drible impossível» deixou-o de gatas, no chão. Com o resto da equipa à gargalhada, adeptos nas bancadas abriram bocas de espanto.
8. Achando que o seu futebol «era puro divertimento», um jornal fez sessão fotográfica com ele disfarçado de palhaço (palhaço porque divertia) - e passaram a tratá-lo por El Payaso. No River estava outro dos seus ídolos: o Francescoli - mas por timidez nunca foi capaz de fazer o que todos os dias lhe apetecia: pedir-lhe um autófrago.
9. Ainda sub-17, Pekermann pô-lo a jogar nos sub-20. Da Malásia, a Argentina saiu campeã do mundo - e ele o Melhor jogador do torneio. Em Janeiro de 2000, o Valência contratou-o por 25 milhões de euros, deixara pouco antes, o curso de medicina  - e ao partir para Espanha levava vitória na Supercopa Libertadores de 1997 e três títulos de campeão argentino.
10. Maradona dissera dele: «É o único jogador por quem ainda vale a pena pagar bilhete para o ver jogar». Além de dois campeonatos de Espanha, o seu Valência venceu a Taça UEFA - e a Supertaça europeia ganhou-a ao FC Porto. Por esta altura, lesões em rodopio estavam a cortar o brilho à sua chama, razão porque, contra os portistas, só jogou cinco minutos.
11. Messi já o afinançara: «Meu ídolo? É El Payaso!» (e não deixou de o ser). O destino continuou a atacá-lo cruel: por entre lesões sofreu duma meningite - em meados de 2006, do Valência foi para o Saragoça. Estava para mudar-se para o Newcastle, quando sucedeu o que ele contou: «Já tinha pé e meio em Inglaterra, mas quando homem como Rui Costa apanha um avião, bate, de surpresa à porta da tua casa e diz: 'Vou retirar-me, quero que uses, no Benfica, a minha camisola 10' - é impossível deixar passar um gesto assim». O resto? É o que se sabe, num encanto muito para lá do ganho de um campeonato ou quatro Taças da Liga..."

António Simões, in A Bola

sábado, 31 de março de 2018

'Ícaro'

"Vi há dias o documentário Ìcaro, que há um mês venceu um óscar. É um trabalho histórico e foi previsto como experiência de dopagem na qual o realizador Bryan Fogel se assume como objecto da própria falsificação que o tornaria um ciclista mais forte - Fogel é um corredor amador (de nível alto) e comparou participações numa corrida francesa antes, ao natural, e depois, dopado. Em todo o caso, isso foi o menos, pois quis o acaso da investigação que Fogel conhecesse o químico russo Grigory Rodchenkov, criador/regulador de um esmerado sistema de dopagem alegadamente inserido em planos nacionais para tornar atletas  russos mais competitivos. Recomendo-se Ícaro, porque raramente um filme falhado, por se ter afastado da boa ideia inicial, terá sido tão comprovado, tão relevante e tão oportuno.
O resto sabe-se: Rodchenkov explanou a Fogel, entre a verdade e a ingenuidade, como tudo se accionava - desde as doses e substâncias ao contrabando de urina por aeroportos - e acabou a fugir para os EUA, onde agora benefício de programa de protecção de testemunhas.
A Rússia, pois, por estas e outras relações e relatórios (sobretudo o McLaren), foi corrida de provas olímpicas e queixa-se de ataques mentirosos, mas prepara-se para receber o Mundial. E quando se pensava que a ambiência não podia ser mais constrangedora, eis que o Reino Unido culpa os russos de assassínio de um ex-espião, promete ausência diplomática no Mundial e acusa Putin de ser um Hitler nos Jogos de 1936; consequentemente, a comunidade internacional desata e expulsar diplomatas russos. E vice-versa. Entretanto, Fogel e Rodchenkov já deram a entender, nos EUA, que têm informação que interessará à FIFA relacionada com este Mundial...
«Estamos a chegar a situação muito similar à da Guerra Fria», lamentou o secretário-geral da ONU, António Guterres. Caminhamos, no mínimo, para o Mundial frio. Dois mais frios de sempre."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

O preço a que estão as bolas

"Não consta um único árbitro português de carne e osso na lista de nomeados da FIFA para o Mundial. Trata-se de uma discriminação cometida contra o país campeão da Europa? Os nossos melhores árbitros não são, certamente, piores do que os piores entre os seus colegas estrangeiros que vão estar na Rússia. Não terão os árbitros portugueses quem os defenda nos imponentes centros das decisões desta indústria global? Não, provavelmente, não têm. O facto de não haver árbitros compatriotas no próximo campeonato do mundo não deve, no entanto, ser considerado como um sintoma de desconsideração. No campo do optimismo, é um sinal do nosso progresso. Árbitros-tradicionais-jeitosos é o que mais há por toda a parte. Vídeo-árbitros-jeitosos é que são mais difíceis de encontrar. Daí haver ainda a justificadíssima esperança de a FIFA convocar dois VARs portugueses para o Mundial da Rússia. Que vão e sejam felizes são os desejos de todos os que, por cá, se entretém semanalmente a usufruir das excelências desta modernidade testada em Portugal.
O país do campeão da Europa é de extremos. Tanto se deleita com a tal modernidade que vamos agora exportar para a Rússia como se deprime com misérias impossíveis de ultrapassar. Esta jornada do campeonato arrancou na noite de 5.ª feira na Vila das Aves sob uma intempérie que alagou o campo e atrasou o início do jogo. Fenómenos meteorológicos e os decorrentes relvados impraticáveis são vulgares por esse mundo fora. Quando a bola não rola não pode haver espectáculo. O que é só nossa, mesmo só nossa, é aquela miseriazinha a que se assistiu no fim de tudo quando foi recusada a oferta da bola do jogo a Edinho, autor de 4 golos em 27 minutos. O poker do veterano avançado do Vitória de Setúbal não teve direito à tradicional recompensa esférica porque as bolas de futebol custam dinheirinho. Só pagando, Edinho. Oh, pobreza.
Com maior ou menor aparato, vai dando conta a imprensa da cobiça de emblemas estrangeiros pelos serviços de João Félix, o mais promissor jovem jogador português dos tempos que correm. É provável, vão-nos dizendo de mansinho, que João Félix não chegue a fazer sequer um jogo pela equipa principal do Benfica porque a voragem internacional em torno do seu nome poderá levá-lo da Luz já no próximo mercado de Verão. Só não lhe poderemos chamar o novo Bernardo Silva porque o actual jogador do Manchester City ainda jogou meia-dúzia de minutos na equipa de honra – era assim que se dizia antigamente – antes de embarcar para o Mónaco. Os adeptos do Benfica que se têm revelado pacientes, e até solidários com a administração, face a todos os ataques públicos e privados, oficiais e oficiosos, de que a SAD tem sido alvo, poderão muito basicamente perder a paciência se lhes for sonegado o direito de ver, pelo menos uma vez, este Félix jogar na equipa adulta do Benfica. Oh, pobreza."

Contos de fadas

"O secretário de Estado da Juventude e do Desporto quer que os dirigentes só falem das coisas boas do futebol, mas os problemas não desaparecem por magia

No clássico Peter Pan, de J. M. Barrie, a fada Sininho consegue fazer qualquer pessoa voar com os seus pós de perlimpimpim: basta que tenham pensamentos felizes. João Paulo Rebelo, secretário de Estado do Desporto, tem uma abordagem parecida em relação aos problemas do futebol português: basta que os dirigentes falem dele apenas pelas boas razões. Claro que Peter Pan é uma obra infantil enquanto o futebol português é pelo menos o que se joga fora das quatro linhas, um espectáculo apenas para adultos. A ideia de que não se deve falar dos problemas, com a esperança de que voem para longe por artes mágicas, é enternecedora, mas infantil e, por isso mesmo, irresponsável. Ora, as crianças podem ser irresponsáveis, os governantes não. Quando o primeiro-ministro fica descansado porque, por cá, ao contrário do que aconteceu na Grécia, ainda não chegámos ao ponto de ver um dirigente entrar com uma pistola no meio do campo, fica a ideia de que também ele prefere os pensamentos felizes. De resto, não é a primeira vez que um governante português não dá muito crédito aos avisos que chegam da Grécia. Claro que, para tal, é preciso ignorar que, não há assim tanto tempo como isso, um adepto morreu atropelado numa rixa, com o Ministério Público a descrever o clima entre as duas claques rivais - ou grupos de adeptos organizados - em causa como sendo de "guerra permanente". Mas é melhor não falar sobre isso. Lembrem-se: só pensamentos felizes e pós de perlimpimpim. A questão é que, com a cabeça assim enfiada na areia, não vai ser fácil voar, mas não se pode ter tudo até porque isto, definitivamente, não é um conto de fadas."


PS: O engraçado é que o cronista tem razão, mas está enganado em relação ao alvo: os criminosos que andam a minar isto tudo, são os 'patrões' do escriba!!!

Carlos Lopes primeiro português com medalha de Ouro Olímpica

"Nos Jogos da Olimpíada de 1912 que se realizaram em Estocolmo, Francisco Lázaro desistiu na prova da Maratona (publicação nestas páginas, no passado dia 8 de Janeiro). Durante quatro Jogos da Olimpíada, 1920 (Antuérpia), 1924 (Paris), 1928 (Amesterdão) e 1932 (Los Angeles) a Missão Olímpica portuguesa não teve participantes portugueses naquela prova.
Nos Jogos de Berlim (1936), Manuel Dias ficou classificado no 17º lugar (2:49:00 horas), entre 56 concorrentes e Jaime Mendes desistiu. Manuel Dias utilizou uns sapatos de ginástica, muito leves, que lhe haviam oferecido dias antes sem os experimentar e que foram fatais por se terem desfeito. Ficou com os pés em sangue e teve que trocar os sapatos por umas botas que um escuteiro da juventude hitleriana lhe cedeu a dada altura do percurso para poder terminar a prova. Em Tóquio (1964), Armando Aldegalega, alcançou o 44º lugar (2:38:02 horas) entre 68 concorrentes, para nos Jogos de Munique (1972) ter melhorado a sua posição com um 41º lugar (2:28:24 horas) entre 69 concorrentes. Nos Jogos seguintes realizados em Montreal (1976) e Moscovo (1980) o atleta Anacleto Pinto ficou respectivamente em 22º (2:18:53 horas) entre 67 concorrentes e 16º (2:17:04 horas) entre 74 concorrentes.
Carlos Lopes é um longo projeto de uma paciente e sofredora caminhada para o êxito, sendo para os jovens que sonham com a fama e a glória um grande exemplo de como se “constrói” um campeão, acabando por ser um excelente atleta no corta-mato, na pista e na estrada.
Oriundo de um grupo de amigos que gostavam de brincar e de correr, quando inicialmente fez um treino de 20 quilómetros andou três dias agarrado às paredes, para em Novembro de 1966 não ter participado numa prova em Lamego, devido a uma queimadura num pé.
A sua primeira medalha ganhou na S. Silvestre de Viseu em 1966, quando ficou em 2º lugar, para duas semanas depois ser campeão regional de corta-mato em Juniores também naquela cidade em representação do Lusitano de Vildemoinhos (criado em 14 de Agosto de 1916), para acabar em 3º lugar no campeonato nacional de corta-mato em Juniores na cidade de Évora. Com apenas três meses de treino, foi seleccionado para representar Portugal no escalão de Juniores em Marrocos na cidade de Rabat, quando da realização do Crosse das Nações nesse mesmo ano, ficando em 25º lugar. Em 1967 participa no corta-mato com um 3º lugar no Torneio de Abertura ainda como Júnior. Estreou-se em grandes competições internacionais no dia 20 de Maio de 1967, no I Marrocos – Portugal com um 3º lugar nos 10.000 metros (33:34:8 minutos) com muito calor e entre outras competições teve a primeira participação nos Campeonatos da Europa em 1971, com um modesto 33º lugar e último classificado na prova dos 10.000 metros (30:05:6 minutos), alcançando igualmente um 9º lugar na segunda eliminatória dos 3.000 metros obstáculos, com o tempo de 8:54:8 minutos.
Na sua primeira presença nos Jogos Olímpicos, em 1972 na cidade de Munique, saldou-se por uma muito discreta classificação, não passando de dois nonos lugares nas eliminatórias de 5.000 metros (14:29:6 minutos) e 10.000 metros, com o tempo de 28:53:6 minutos.
Em 1976 nos Jogos de Montreal ficou em 2º lugar na prova de 10.000 metros (27:45:17 minutos), depois de ter ganho a sua eliminatória com 28:04:53, tendo ido ao controlo antidopagem, quando o atleta classificado em primeiro lugar não foi submetido a tal, não se tendo livrado da fama de utilizar dopagem sanguínea. Teve a honra de ser o porta-bandeira da Missão Portuguesa quando a realização da cerimónia inaugural.
Nos Jogos de Los Angeles (1984), no último dia dos Jogos da 23ª Olimpíada, Cidálio Caetano e Delfim Moreira desistiram da prova da Maratona onde Carlos Lopes foi o grande vencedor no dia 12 de Agosto, entre 107 concorrentes (desistiram 30) de 59 Missões Olímpicas, numa demonstração inolvidável de quanto pode o querer e perseverança de um atleta, que, ganhando a Maratona da forma mais convincente, não se limitou a fazer uma corrida sensacional para ganhar uma medalha. Anteriormente, no dia 24 de Outubro de 1982, teve a sua primeira experiência na Maratona de Nova Iorque desistindo a 8 quilómetros do fim, porque a preparação então efectuada não dava para mais. 
Terminara uma Maratona reconhecida como melhor marca europeia de 2:08:39 horas, precisamente a 9 de Abril de 1983 em Roterdão, sendo o segundo classificado a dois segundos do australiano Rob de Castella. O andamento foi muito forte com 14:47 minutos para a légua entre os 35 e 40 quilómetros, com 6:17 minutos nos últimos 2.195 quilómetros, o que deu uma média de 2:51:7 ao quilómetro. Os recordes mundiais da Maratona foram reconhecidos pela Federação Internacional de Atletismo a partir de Janeiro de 2004. Até esta data eram reconhecidos como melhor marca mundial.
Deu então uma expressão ao melhor tempo Olímpico da Maratona, contra o tempo de 2:58:50 horas da primeira Maratona Olímpica, que tinha a distância de 40 quilómetros. A 14 de Abril de 1984 voltar a Roterdão, mas como o andamento ia muito rápido, não completou a prova a partir dos 30 quilómetros, argumentando uma lesão, mas já com o pensamento na prova de Los Angeles, pois aquela quilometragem fazia parte da sua preparação. Quinze dias antes da prova, foi atropelado quando efectuava um treino na Segunda Circular em Lisboa por um comandante da uma companhia de aviação, que por sinal era um candidato à presidência do Sporting. Ao levantar-se sentiu que conseguia correr e logo pensou que tinha a medalha ganha. Se não tinha morrido e nada tinha partido, era porque os deuses estavam com ele.
Antes da partida, dada às 17 horas (dorsal 723), estava com 46 pulsações por minuto, mas encetou uma corrida inteligente, sabendo resguardar-se o necessário sem nunca perder o contacto com o grupo da frente, Lopes resistiu bem, nos momentos críticos da corrida, aos ataques desferidos por alguns companheiros de prova que estavam dispostos a imprimir um andamento bem duro à prova na primeira légua, por intermédio dos holandeses Gerard Nijboer e Cor Lambregts que desistiram, para que depois os africanos Juna Ikangaa (Tanzânia, seria 6º com 2:11:10 horas), Kimurgor Ngeny (seria 68º com 2:37:19 horas), Joseph Nzau (Quénia, seria 7º com 2:11:28 horas) e, com menos intensidade, Gidamis Shahanga (Tanzânia, seria 22º com 2:16:27 horas), na terceira légua o atleta da Somália, Ahmed Mohamed Ismail (seria 47º com 2:23:27 horas), imprimisse um andamento louco. Os outros não se importavam, mas seguiram-no.
Entretanto, durante boa parte da corrida o campeão português, com 53 quilos, deu a sensação de pautar a sua corrida pela de Rob de Castella (seria 5º com 2:11:09 horas), atleta que a imprensa americana, conjuntamente com Alberto Salazar, um cubano naturalizado norte-americano (seria 15º com 2:14:19 horas), apontavam como os grandes favoritos à medalha de ouro, não contando por isso com a contrariedade que Carlos Lopes conseguiu impor e da maneira como o fez.
O atleta português aproveitava todas as oportunidades para se refrescar, poupando-se o mais possível, atendendo que a temperatura estava nos 29 graus e 84 por cento de humidade. Ao décimo nono quilómetro, Carlos Lopes, muito bem colocado no pelotão, numa segunda fila, atrás dos africanos, repara que Alberto Salazar começa a descolar, aparecendo Rod Dixon (Nova Zelândia, seria 10º com 2:12:57 horas) no comando por volta dos 23 quilómetros, para aos 25 quilómetros Charles Spedding (Reino Unido), assumir o comando, continuando os favoritos (já só iam 12), à parte de Alberto Salazar, no pelotão da frente, ainda compacto, mas perdendo unidade aos poucos. Aos 32 quilómetros, quando a prova verdadeiramente “começa”, eram onze os atletas que iam na frente, começando desta forma a seleção dos melhores, para aos 34 quilómetros Rob de Castella descolar desse pelotão, ficando o mesmo reduzido a sete unidades, ou seja, Charles Spedding, Carlos Lopes, Juma Ikangaa, Joseph Nzau, John Treacy (Irlanda), Takeshi So (Japão, seria 4º com 2:10:55 horas) e Toshihiko Seko (Japão), que seria 14º classificado com 2:14:13 horas. Charles Spedding, na frente, faz uns diabólicos cinco quilómetros, que deixaria marcas, mas antes já o grupo da frente estava reduzido a três atletas.
Por volta dos 35 quilómetros, outro dos favoritos, Toshihiko Seko descola, para aos 36 quilómetros ser a vez de Juma Ikangaa e Takeshi So. Aos 37 quilómetros, Joseph Nzau, luta desesperadamente para se manter no grupo, mas, a dada altura, cede mesmo e em manifesta dificuldade vai perdendo lugares, até chegar à sétima posição, com a consequente perda de mais de dois minutos nos últimos cinco quilómetros.
Ao 38º quilómetro, Carlos Lopes já ia no comando há cerca de dois minutos, impondo o seu andamento enquanto pensava: “Quem vier veio”. Observando os adversários, isolava-se com 1:54:40 hora de prova, ganhando rapidamente vantagem e não foi alcançado, tendo percorrido a légua entre os 35 e os 40 quilómetros em 14:33 minutos.
Para Carlos Lopes, os 39, 40, 41 e 42 quilómetros foram uma caminhada imparável a caminho da meta, aumentando sucessivamente o seu avanço que, quando entrou no Estádio se cifrava em cerca de 200 metros sobre os dois mais directos perseguidores, John Treacy, da Irlanda (2º com 2:09:56 horas, e Charles Spedding, do Reino Unido (3º com 2:09:58 horas), que pela insistência com que olhavam para trás, mais pareciam interessados em segurar o lugar que desse uma medalha de prata ou de bronze do que tentarem aproximar-se de Carlos Lopes, que lá na frente continuava em ritmo verdadeiramente impressionante tendo feito 14:30 minutos nos últimos cinco quilómetros.
E tão à-vontade cortou o fio da chegada às 19:09:20:42 horas, com o tempo de 2:09:21 horas e 35 segundos de vantagem de John Treacy, continuando a correr dando mais uma volta à pista, mas desta feita de consagração, aplaudido pelos mais de 90 mil espectadores do Coliseum e observado ainda por mais de dois biliões e meio de telespectadores.
Não precisou de “sprintar” para vencer a mais espectacular prova dos XX Jogos da 23ª Olimpíada da Era Moderna, a vigésima Maratona Olímpica, trazendo para Portugal, aos 37 anos de idade, a primeira medalha de Ouro e conseguindo assim, o mais alto momento do Desporto Português, quando em Portugal eram 3:10 horas da manhã. Como curiosidade, fica o registo do atleta Dieudonné Lamothe (Haiti), último classificado (78º) na prova, com o tempo de 2:52:18 horas. Carlos Lopes na sua preparação para os Jogos Olímpicos tinha feito cerca de 12 mil quilómetros, treinando muito a um ritmo de competição com temperaturas de 36 graus e 70 por cento de humidade, fazendo aquilo que mais gostava, procurando fazer sempre o melhor possível com uma preparação para chegar à meta com 200 metros de avanço. As suas características físicas e psicológicas levavam a nunca ter medo dos adversários, mas sim dos 42,195 quilómetros, como diria no fim da prova a dureza da mesma eram os 42 quilómetros do costume.
O tempo obtido pelo Campeão Olímpico Carlos Lopes durou seis Olimpíadas, tendo sido batido pelo queniano, Samuel Kamau Wanjiru com o tempo de 2:06:32 horas em 2008, nos Jogos da Olimpíada de Seoul, tempo que ainda durará pelo menos até aos próximos Jogos Olímpicos em Tóquio no ano de 2020.
No ano de 1985, no dia 20 de Abril, em Roterdão fez o melhor tempo mundial na prova da Maratona, que era desde 1984 de Steve Jones (2:08:05 horas) do Reino Unido, tendo alcançado 2:07:11 horas, quase a 20 quilómetros por hora (19,906 Km) aos 38 anos sendo o primeiro atleta do Mundo a baixar o tempo das 2 horas e 8 minutos. Com andamento regularíssimo fez cada légua entre 14:41 e 15:25 minutos, a uma média inferior a 3:01 minutos por quilómetro, tempo este que durou até ao ano de 1988, quando Belayneh Dinsamo (Etiópia) fez 2:06:50 horas.
Participou em cinco Maratonas, com duas desistências e nas três que chegou ao fim, fez em cada uma o melhor tempo Europeu, Olímpico e Mundial.
Acabamos este pequeno artigo sobre o primeiro Campeão Olímpico Português mencionando as suas Condecorações: 23 de Dezembro de 1977, Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique; 4 de Julho de 1984, Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; 26 de Outubro de 1984, Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; 24 de Agosto de 1985, Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique."