Últimas indefectivações

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ver o desporto como uma lição de vida

"Bolt e Farah mostraram-nos como na natureza nada se cria e tudo se transforma. E haverá alguém que acuda ao desporto português?

O último sábado foi um dia fantástico para quem busca lições de vida no desporto. Dois atletas extraordinários, que dominaram o panorama internacional durante muitos anos e alcançaram números de perfomance e de títulos estratosféricos, acabaram as carreiras a ser confrontados com sua própria falibilidade, numa lição preciosa de que há que tirar conclusões.
Usain Bolt, o homem mais rápido da história, despediu-se das pistas ultrapassado na competição - foi terceiro nos 100 metros dos Mundiais -  e na condição física - lesionou-se na final dos 4x100 - revelando que, apesar de ter passado tantos e tantos anos com a capa do Super-Homem vestida, acabou vergado ao poder da kryptonite do tempo.
O mesmo, mutantis mutandis, aconteceu a Mo Farah, o inglês nascido na Somália que foi rei e senhor do fundo nos últimos sete anos e que não conseguiu o ouro desejado na derradeira corrida de pista da sua carreira.
Na derrota de Usain Bolt e Mo Farah, campeões para a eternidade, concluiu-se pela perenidade do sucesso no desporto e abrem-se portas à inexorável lei da vida em que nada se cria e tudo se transforma. Mas estes Mundiais de atletismo (soberba transmissão do Eurosport, a ombrear em qualidade com aquela que foi vista no Tour de France) também nos permitiram um contacto directo com a dura realidade do atletismo português, que vai vendendo os anéis para salvar os dedos, através do génio de Nélson Évora (33 anos) e da conjuntura que permitiu o ouro a Inês Henriques (37 anos). Enquanto não houver um trabalho de base consequente, sério e empenhado, com os apoios necessários dos Governos, não passaremos desta cepa torta em que a falta de competitividade (já não falo de medalhas...) é confrangedora.
Ontem, neste jornal, Vítor Serpa traçou um quadro negro do desporto português para além do futebol. Gostaria muito de poder contradizê-lo, mas apenas consigo louvar-lhe a lucidez com que fez o diagnóstico e a coragem para colocá-lo preto no branco.
A realidade mostra-nos um Governo que nada faz de relevante para inverter a situação (na linha dos que o precederam...) e e um conformismo das Federações, que convivem bem com a mediocridade em que nuns casos já estamos e noutros para onde caminhamos.

ÁS
Inês Henriques
Campeã do mundo com vista para Buckingham Palace, a atleta de Rio Maior, teve o mérito da persistência e a fortuna de estar no sítio certo à hora certa, mostrando ser a mais preparada do planeta para acolher os 50 Km marcha no circuito oficial da IAAF. Cereja no topo do bolo: fez o único recorde mundial de Londres-2017.
(...)

DUQUE
Abel Ferreira
Está no início de uma prometedora carreira de treinador de top e deve ser mais criterioso nas guerras que assume. Há polémicas que nada lhe adiantam e apenas podem ter o condão de lhe desfocarem os objectivos, criando-lhe uma imagem de alguém que fala mais do que diz. Este deve ser um tempo de reflexão.

Leonardo Jardim 'obrigado' a inventar soluções
«Se Mbappé não começou o jogo (em Dijón, para a Ligue 1) foi por decisão do clube. Correu-nos bem e aproveitei para ver outros jogadores»
Leonardo Jardim, treinador do Mónaco
Sim, é verdade que os cofres do Mónaco estão a abarrotar. Mas não é menos verdade que o campeão em título está a ser confrontado com a necessidade de reinventar-se, com a Champions à porta. Mbappé, tudo indica, vai mudar-se para Paris (180 milhões!!!) e é Leonardo Jardim quem tem de inventar soluções. Ontem, em Dijon, correu-lhe bem. Mas é vida ingrata...

Neymar não desiludiu
A estreia de Neymar Júnior com a camisola do PSG foi o principal destaque de um dia de futebol que também teve (além do que por cá se passou) um superclássico em Espanha, uma vitória da Lazio frente à Juventus na final da Supertaça italiana e um Manchester United de veia goleadora a brilhar na Premier League. Mas Neymar, um golo a uma assistência no triunfo fora de portas sobre o Guingampo, foi a estrela mais cintilante e justificou, senão o preço pago pelo seu passe, pelo menos a aposta do emblema parisiense e do dinheiro que o sustenta.

Marlins: Mil e duzentos milhões de dólares
Derek Jeter, 43 anos, ex-jogador dos New York Yankees, onde jogou durante duas décadas, sendo um dos ícones do basebol norte-americano, lidera um grupo de investidores que acabou de comprar os Miami Marlins por 1200 milhões de dólares. A indústria do desporto nos Stades continua de vento em pompa..."

José Manuel Delgado, in A Bola

VAR, Vigago e Chaves

"O Benfica ganhou as duas finais com o VAR. E são 12 troféus em 16 possíveis. É obra! Com e sem VAR!

1. Na sexta feira passada o Sporting ganhou, com um golo nem solitário, a um Vitória de Setúbal bem organizado por José Couceiro e pressiona, desde já, FC Porto e Benfica que jogam hoje e amanhã. Ambos jogam fora, em Tondela e em Chaves, e sabem que esta Liga vai ser bem renhida. Importa não desperdiçar pontos neste mês de Agosto. Importa que todos arranquem bem fortes, acreditando que, dentro dos relvados e fora deles, vai valer tudo nesta Liga em que só o campeão terá acesso directo à Liga dos Campeões. E já na próxima terça deita o Sporting começa a disputar um importante lugar na fase de grupos na Liga milionária frente ao Steua de Bucareste. Não vai ser uma eliminatória fácil e importa que todo o universo sportinguista assuma, na linha de Marco Cícero, que «quantos maiores são as dificuldades a vencer, maior será a satisfação». Como se constatou, aliás, na alegria sentida e vivida em Alvalade quando Bruno Paixão apitou pela última vez na quente noite da passada sexta feira.

2. O videoárbitro aí está. Desde a final da Taça de Portugal que temos, entre nós, com reconhecimento oficial, o denominado VAR. E nas duas finais em que foi utilizado - também na Supertaça - o Benfica conquistou mais dois troféus, que se traduzem em doze conquistas em dezasseis títulos possíveis. É obra! Com e sem VAR! Já vimos, na primeira jornada, o VAR em pleno funcionamento ao assumir no Dragão um golo favorável ao FC Porto. O VAR vai ajudar em certas situações complexas de jogo. Mas o VAR também vai suscitar polémicas, bem necessárias - digo-o - para a paixão do futebol. Importa não eliminar determinadas polémicas. Importa que os jogos continuem para lá dos já quase que habituais noventa e três minutos. Importa que as diferenças gerações e as necessárias classes e cores que alimentam esta crescente globalização do futebol não sintam diminuir as controvérsias, subordinadas à luz de uma excessiva computarização do futebol jogado. Até para que algum futebol falado continue, nas suas diferentes matizes, a suscitar outras polémicas, alguns azedumes pessoais e certas e legítimas intromissões judiciais e disciplinares. Sabendo nós que «tudo o que não é paixão tem um fundo de aborrecimento»! Mas, e para além da paixão, importa que todas as regras do VAR sejam conhecidas. Acredito que por ora ainda só estarão definidas em língua inglesa. A língua mãe afinal da FIFA e da UEFA. Mas importaria que o manual do VAR fosse divulgado. O VAR não pode ser como que a pioneira e dolorosa resolução do BES - com os milhares de lesados - nem pode ser o milagroso SIRESP que falha nas situações de urgência. O VAR tem de ser equilibrado e equitativo. Importa conhecer as suas regras condições, meios e formas de utilização. E, ainda, os procedimentos e mecanismos efectivos de articulação entre o árbitro principal e o videoárbitro. Sabendo, como se constata nesta jornada, que há árbitros que apitam um jogo e no dia seguinte são videoárbitros em outro encontro da mesma Liga. Trabalho duplo. Com lógico reforço de poder! Acredito que esta Liga, a Liga da implementação do VAR em Portugal, também vai ser a Liga do aperfeiçoamento deste inovador sistema. E o relevante esforço federativo - que se saúda e se aplaude vivamente - bem merece que o VAR corra bem. Com disfuncionalidades é certo. Com algumas redundâncias e inequívoco. Com determinados erros e indiscutível. Mas com a consciência que é um pequeno-grande passo para um tempo de maior credibilidade no futebol verdadeiramente jogado nos relvados de Portugal. E a divulgação pública pelo Conselho de Arbitragem da FPF da forma como decidiu o VAR em alguns lances controversos da primeira jornada é um sinal bem positivo. Como a identificação de alguns aspectos fudnamentais do funcionamento do VAR. O VAR aí está. Acredito que para ficar. Com as suas regras e métodos a serem conhecidos por todos. Por todos aqueles que gostam de saber com o que contam! Já que como escreveu Friedrich Nietzsche, «os métodos são as verdadeiras riquezas»!

3. (...)

4. O Benfica joga amanhã em Chaves. Com o estádio esgotado. Há um restaurante, o Carvalho, que comemora as bodas de prata e que é de louvar e de recomendar. Fazendo-nos sentir, sempre, em casa. «Esta casa é sua casa»! Mas também ali bem perto, em plena estrada nacional (EN2), em Vidago, um outro, o Resineiro, merece uma visita. Pela história de vida e pela história de uma Família que merece ser oralmente conhecida. Pela gastronomia tradicional que, com esmero, proporciona ao visitante. E por nos (vos) levar a conhecer, pela escrita doce de Floripo Virgílio Salvador, as Memórias de Vidago. E, depois, só depois, uma visita ao maravilhoso, bem reabilitado e requintado Palace Hotel. É um verdadeiro retorno a um tempo de infância, a umas Termas famosas, a Trás-os-Montes, aos seus lugares de referência, às suas gentes hospitaleiras, às suas emblemáticas famílias, aos emigrantes que, amanhã, vão encher, com uma nova bancada, um Estádio que bem merece sempre futebol de primeira. Pela paixão dos seus dedicados dirigentes e pela devoção dos seus empenhados adeptos. E ali, são verdadeiras as palavras de Miguel de Unamuno: «Quem não sente a ânsia de ser mais não chegará a ser nada»!"

Fernando Seara, in A Bola

Alvorada... com Elio Azevedo

Benfiquismo (DLX)

Altaneira...

Roubo - parte II

Benfica B 2 - 2 Nacional


Isto está a ser um pouco repetitivo!!! Duas jornadas, dois Roubos!!! Inacreditável...
Toda a arbitragem foi má... a quantidade de faltas ofensivas marcadas ao Benfica, sempre que nos aproximávamos da área do Nacional, não foi inocente... e depois: Ferro sofre uma falta violenta, nada é marcado, fica na relva, a jogada persegue, e acaba por ser o Ferro (deitado com dores...) a colocar em jogo os avançados do Nacional... que fizeram o 1-2! O Ferro é substituído... e pouco depois, não satisfeito com o que tinha acontecido, o árbitro, inventa um penalty contra o Benfica!!! Com o Zoblin a defender à primeira e depois com alguma sorte nos ressaltos, o Nacional não marca... Pouco depois, conseguimos chegar ao empate...

Depois de todas estas incidências, não é fácil falar de futebol, e analisar a evolução dos miúdos... Neste momento a nossa equipa B, é inferior à do ano passado... Temos muitos lesionados (o Félix faz a diferença...), contratámos vários jogadores, e neste momento só o Alan e o Alex Pinto estão integrados na equipa... Existe muito potencial para evoluir... Mas a continuarem este tipo de arbitragens, não vai ser fácil garantir a manutenção!!!

Uma nota para o Nacional, com alguns jogadores com experiência de 1.ª Divisão, mas mesmo assim jogaram muito pouco, deram a bola ao Benfica, e tentaram a velocidade no 'contra'... com o Costinha ainda arriscam-se a 'descer', até porque não vão ter arbitragens destas todas as semanas...

PS: No último dia dos Mundiais de Atletismo, o destaque vai todo para a Inês Henriques que se sagrou Campeã do Mundo, com Recorde do Mundo, na estreia dos 50 Km Marcha, nos grandes Campeonatos... Não sendo atleta do Benfica, merece o reconhecimento, são muito poucos os portugueses que se sagraram Campeões do Mundo de Atletismo!
O nosso Pedro Isidro, não teve um dia fácil, terminou em 32.ª lugar, nos 50 Km Marcha, com uma marca bastante abaixo daquilo que eles já fez...

O zumbido vitorioso do moscardo...

"Em 1941, Francisco Inácio bateu Faísca e revoltou-se contra a aborrecida burocracia dos favoritos da Volta a Portugal.

Dizem que trazia atrás de si um zumbido da fúria com que ia dando aos pedais.
Francisco Inácio.
Não parece nome de ciclista, mas é.
Nelson Rodrigues também dizia que Coutinho, esse mesmo, parceiro de Pelé no Santos, não tinha nome de jogador de futebol. Querem ver?
«Lembro-me que ao ouvir falar em Coutinho, pela primeira vez, tomei um susto. Comentei, então, de mim para mim: ‘Coutinho não é nome de jogador de futebol!’. De facto, o nome influi muito para o êxito ou para o infortúnio. Napoleão, se tivesse outro nome, já seria muito menos napoleónico. Outro exemplo: por que é que Domingos da Guia foi o que foi? Porque esse ‘da Guia’ dava-lhe um halo de fidalgo espanhol, italiano, sei lá. Ainda hoje, o sujeito treme quando ouve falar em ‘da Guia’. Mas o Coutinho tem contra si o nome. O sujeito que se chama apenas Coutinho dá logo a ideia de pai de família, de Aldeia Campista, Vila Isabel, Engenho Novo, com oito filhos nas costas e a simpatia pungente de um barnabé».
Francisco Inácio tinha contra si o nome. Era mais como se fosse funcionário público de sair às cinco e meia da tarde com o jornal debaixo do braço para ler no autocarro.
Mais ainda: no ano de 1941, que é o ano sobre o qual quero falar, Francisco Inácio tinha contra si o Faísca.
José Albuquerque. Ora diacho! Mais um sem nome de ciclista. Mas tinha a alcunha: Faísca! Com ponto de exclamação. Um Faísca pode muito bem somar duas vitórias na Volta a Portugal que ninguém se espanta. E pode até ter sido atropelado, como foi, isso já no Sporting, depois de ter corrido pelo Campo d’Ourique.
Faísca foi o vencedor em 1940.
Ganhara também em 1938.
Em 1941, era o grande favorito.
Íamos para a última etapa e Francisco Inácio zumbia na frente. Mais de dois mil quilómetros de esforço bruto, sanguíneo. Pouco importa o nome ao fim de mais de dois mil quilómetros e, de um momento para o outro, só faltavam setenta e cinco.
Ponte de Lima: o Faísca prepara a fuga. Assim, de mansinho, fósforo riscando a lixa, de repente chama brusca.
Joaquim Manique tem um furo.
Manique é nome de ciclista. Com intendência e o resto.
João Lourenço era rodeado em Santa Marta de Tortozendo pelo Rancho das Lavradeiras. Vencera a etapa, mas o metódico Inácio continuava na frente da classificação na véspera do fim.
Descia em vertigens de velocidade. Correndo os riscos das ladeiras, dos precipícios. Corajoso, também, sem o modo funcionário de viver de que falava O’Neill, ele que, para mim, tinha nome de funcionário público com ordem da mulher para só fumar à janela, longe da sogra.
Ninguém vira nele um vencedor.
Às vezes, os vencedores passam-nos injustamente despercebidos mesmo que ainda não tenham sido vencedores e só venham a sê-lo um pouco mais para diante. Vencedor é um nome, também. Francisco Inácio devia poder exibi-lo no Bilhete de Identidade.
Faltava apenas a etapa.
Decisiva. Plena.
Francisco Inácio, José Martins, Aniceto Bruno, José Albuquerque, João Lourenço, Aristides, Trindade, Rebelo, Baltazar e Francisco Duarte. era assim que se dispunham na classificação.
O Faísca falhara a fuga.
Perdia-se pelo meio dos outros.
Como Trindade, Alfredo Trindade, o grande Trindade, agora já no Belenenses.
Os anos tinham atropelado Trindade tal como o automóvel desgovernado atropelara Faísca no ano anterior.
Azarado Faísca: dois furos na 18ª etapa, junto a Mirandela, tinham-no feito tombar cinco minutos.
É como quem tomba de um terceiro andar.
Viana do Castelo-Porto: os setenta e cinco quilómetros da vida de Francisco Inácio.
Dezassete etapas de amarelo até aos braços erguidos do Estádio do Lima.
João Lourenço surge fantástico, brilhante. É o primeiro. Fora o primeiro no da Póvoa do Varzim e o primeiro em Viana do Castelo. Conquistou dez etapas dessa Volta de 1941.
Entra no Lima sob a ovação popular, espontânea.
Um grupo coeso na sua peugada. José Albuquerque, o Faísca, sabe que o seu sonho da terceira Volta se quedará pelo quarto lugar. A tarde é de Francisco Inácio.
É um homem de desassombros, diziam dele.
Podia não ter nome de ciclista nem de jogador de futebol, mas levava apelido vitorioso de estradista revoltado contra a burocracia dos favoritos.
Nas bancadas, os espectadores ouviam-no zumbir como um moscardo de Rimsky Korsakov."

domingo, 13 de agosto de 2017

Bruno Varela

"Foi com particular satisfação que vi chegar ao topo da pirâmide mais um jovem jogador português 'nascido e criado' na escola de formação do Sport Lisboa e Benfica. Desde 2006, quando chegou do Ponte de Frielas, alto e magrinho, sempre mostrou e assumiu o que queria ser 'quando fosse grande'. É certo que necessita de provas de fogo e de competir, competir e competir! No entanto, é já visível a olho nu que o Benfica tem um guarda-redes a sério. Um 'arquero', como aqui se diz, com quem pode contar no presente e no futuro. Um activo que irá dar uma 'mais-valia' significativa. Ao ver este 'puto' na baliza, confiante e autoritário, não posso deixar de relembrar, entre muitos outros que tivemos, um episódio que mostra o seu carácter e a sua vontade de ser 'figura'.
Corria o ano de 2012 e o Bruno estava na equipa B do Benfica. Chegou um dia ao treino com um corte de cabelo tipo 'pele vermelha'. Com 'cristas' e tudo! Perguntei-lhe o que era aquilo. Se achava que a imagem que apresentava se coadunava com a de um profissional do Benfica. Se pensava algum dia jogar na equipa principal do Glorioso. Porque, disse-lhe eu, com aquele corte, ninguém o iria levar a sério! Com um ar surpreso e pensativo, não me respondeu!
- "Amanhã quero-te cá com um corte de cabelo à homem e que não faça rir as pessoas e principalmente os teus colegas."
- "Sim, senhor Carraça", respondeu ele.
E assim foi! No dia seguinte, lá chegou com o cabelo rapado e com um sorriso nos lábios.
- "Assim está bem?"
Como resposta, fiz-lhe uma festa na face e dei-lhe uma forte e amiga palmada nas costas! E verifico, ainda hoje, que mantém o mesmo corte de cabelo. Agora como titular da baliza do tetracampeão nacional."

A sério é outra música

"Todos os anos, a mesma história. Alguns clubes vibram com a pré-época. Ganham tudo antes de a bola começar a rolar. Para outros, mesmo que venham de temporadas vencedoras, augura-se o pior após perderem alguns encontros particulares. As vozes do apocalipse apressam-se a dizer que, para essas equipas, nada vai restar além de uma época de insucesso e depressão.
Depois a bola começa a rolar. Em encontros a doer. E todos os prognósticos radicais acabam por estilhaçar com a fragilidade de um cálice de cristal. O Real Madrid não venceu um único jogo na pré-época. Pelo meio até foi goleado pelo Manchester City por 4-1. E o United esfregou as mãos. Até o jogo começar. Casemiro, Kroos, Modric e Isco fizeram dos médios do United o que quiseram no primeiro tempo. Craques como Pogba pareciam jogadores banais. Fellaini não parecia porque já o é. E se Bale faz o terceiro ainda na primeira parte, os merengues podiam ter ido logo para o intervalo com a Supertaça europeia no bolso. Tiveram de esperar pelo fim do jogo, sofreram ligeiramente após o golo de Lukaku, mas venceram porque foram melhores. Porque, ao dia de hoje, são melhores. A equipa que conquistou as últimas duas Champions e que marcou em todos os jogos da liga espanhola na última época. E vinha de uma má pré-temporada. Quase tão má como a do Bayern. Mas os bávaros, apesar de terem recorrido aos penáltis, também bateram o Dortmund na supertaça alemã.
Os jogos e os campeões de pré-época são como música de elevador. Dão para passar o tempo até chegarmos ao andar que queremos. Já entrámos nele. Começou agora. O futebol a sério. A hora dos campeões. O que fica para trás não fere os ouvidos mas também não enche a alma."

Benfiquismo (DLIX)

Artista...!!!

sábado, 12 de agosto de 2017

É tudo uma questão de tamanho

"Três metros! Medem tudo os fautores da inovação. Vão acabar a medir ecrãs de televisão de régua em punho porque o golpe de vista já não chega. Nesta senda, "O Jogo" chamou para título de uma sua recente edição on-line o caso do "tamanho das bandeiras do Benfica" nos estádios de futebol. Depreende-se, pela melancolia da reportagem, que têm tamanho a mais. No entanto, maior força moralizadora teria esta luta se o alerta bandeiral do diário portuense apresentasse as medidas concretas dos panos. Até porque naquele célebre rendez-vous elegante no Hotel Altis entre os chefes-comunicadores do FC Porto e do Sporting ficou logo assente que, no que a bandeiras do Benfica dissesse respeito, pertencia ao pessoal do Porto medir os estandartes propriamente ditos enquanto ao pessoal de Alvalade caberia medir os respectivos paus.
Saúde-se, assim, quem leva a peito as incumbências. Neste caso preciso, saúde-se o diligente Saraiva que, ao contrário dos amigos negligentes que medem tamanhos a olho nu, deu-se ao trabalho – e, aliás, viu-se bem atrapalhado… – de desenrolar 300 centímetros de fita métrica até se poder apresentar em público denunciando a verdade sobre o tamanho dos paus das bandeiras do Benfica. Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu e, também, elegantemente porque as hastes sempre lhe soam melhor do que os paus como, aliás, soam melhor a toda a gente de bom senso.
Os dois primeiros jogos oficiais confirmaram as suspeitas: para Seferovic não há ângulos difíceis. Todos os ângulos são bons para o suíço atirar à baliza. Eis um facto que não se enquadra em nenhum ilícito penal.
Já para Ricardo Espírito Santo, o realizador da transmissão televisiva do jogo da Supertaça, houve um ângulo difícil. O Ricardo, o extraordinário profissional, o cavalheiro que docemente nos poupou ao abuso necrófilo na hora da morte de Féher, viu-se em fogueiras porque, inadvertidamente, deixou ir para o ar 3 segundos mais cedo do que estava previsto o plano de uma rapariga extraordinariamente bem equipada. E o que estaria destinado a ser o milionésimo plano geral de uma adepta vistosa num estádio de futebol apareceu em casa de toda a gente como um zoom ao peito da rapariga. Pediu desculpa o Ricardo, claro. Mas não chegou para pôr cobro à indignação, o que é de estranhar porque, por exemplo, os três jornais desportivos nacionais, que tanto se orgulham de ter mulheres nos seus quadros como prova absoluta da "igualdade" entre sexos, publicam a toda a hora nas suas edições on-line fotografias de raparigas quase 100% desequipadas e a que correspondem legendas como "É de ver e de chorar por mais" ou "Chame-lhe o que quiser mas depois não se queixe" ou "Esta tailandesa leva qualquer um para a cadeia". E, segundo parece, ninguém se ofende apesar de já estarmos na 2.ª década do século XXI.
Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu."

A mística no Benfica: amar perdidamente

"É difícil exprimir por palavras o que significa a mística benfiquista. Porque, como dizia Antoine de Saint-Exupéry, o essencial só se vê bem (e diz) com o coração. Mística é uma ligação quase uterina de coração e espírito. Tão inspiradora como gratificante. Tão anímica quanto vitamínica. Tão esplendorosa na vida como misteriosa na origem.
O Sport Lisboa e Benfica é uma trindade laica e ecuménica: Sport Lisboa e Benfica! E pluribus unum. O todo maior do que as partes e cada parte não se dissolvendo no todo. O seu espírito fundacional, a sua história e os seus sucessos conduziram a um Sport mantido em formatado britânico, mas tão português e eclético quanto saboroso, a uma Lisboa que rapidamente criou raízes em todo o Portugal e se espraia pelo mundo fora e a um Benfica que representa um símbolo sem igual na pátria lusa!
A mística do Benfica é a união perfeita entre um futuro contido num majestoso passado e um passado robustecido por um sempre exigente futuro. Um casamento entre esperança infinita e utopia acontecida.
Às vezes me pergunto porque sou do Benfica. Sou e chega. Sou seu amante até ao tutano da minha alma. E, como bom amante clubista, em regime de monogamia absoluta. Cega, mesmo. Porque nenhum outro me interessa para além do Benfica. Por isso, não admito que se diga que os outros clubes jogam com o Benfica. Nada de conúbios. Eles jogam é contra o meu Benfica.
Um desaire do meu Benfica perfura-me o ânimo, sem cuidar da anestesia. Uma vitória do meu Benfica alimenta-se mais do que o mais calórico dos alimentos e anima-me mais do que uma mão-cheia de antidesportivos. Na vitória, o amor ao clube é partilhado, mas na derrota a solidão dá-lhe uma expressão infinita e incondicional. Como acontece com a pessoa amada, o verdadeiro teste do afecto concretiza-se nos momentos difíceis.
O Benfica é, ao mesmo tempo, afecto e privilégio, coração e razão, vitamina e analgésico, fermento e adocicante, saudade e desafio, cumplicidade e aconhego.
O Benfica acontece em mim. E nesse acontecer funde-se a minha personalidade com o sentimento de pertença. De paixão. Onde tudo o resto do clube se apaga, excepto isso mesmo: a ideia de ser Benfica. Sem personagens, sem fronteiras, sem referências. Apenas a imanência de o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica.
Tudo isto é para mim a mística do Benfica. Com a consciência de que não soube exprimir por palavras a sua totalidade. A outra face da Luz, quer dizer, do Benfica. Com papoilas saltitantes. Mas tudo isso me envaidece..."

Bagão Félix, in Mística

Juntos no sonho da realidade

"Não sei como é o paraíso, mas deve ser uma coisa parecida com isto: 36.º título de campeão nacional, tetracampeão, 26.ª Taça de Portugal, com triplete numa época.
Ganhámos 11 títulos desde que o segundo emblema mais titulado em Portugal ganhou o seu último troféu. Se não é esmagador, anda lá muito perto. Se não é o paraíso, anda lá muito perto. Podia ser melhor? Talvez, mas assim, de repente, não vejo como. Temo até que, na remota e improvável hipótese de um dia merecer chegar ao paraíso, o ache um lugar bem menos atractivo.
Este Benfica é um clube de sonho à dimensão dos nossos sonhos. Um clube onde o sonho e a realidade se confundem a uma velocidade impressionante. Um clube que, na força do seu ecletismo vencedor, na força de uma exigência permanente, na força de uma ambição ilimitada, já há muito deixou de ser apenas um clube. O Benfica vive-se e sente-se, já não se explica. Qualquer semântica perderia alcance e dimensão face à nossa imensa realidade.
Sim, estamos em festa, vamos festejar e merecemos festejar. Festejamos juntos, porque é juntos que tudo acontece no Benfica desde 1904. Obrigado a todos os heróis de um grupo comandado e coordenado por Rui Vitória, mas que tem milhões de heróis espalhados por todo o mundo. Adaptando a deliciosa expressão de um magnífico texto de António Bagão Félix - a não perder, nesta edição -, o futuro continuará a ser vivido nesta 'monogamia absoluta' com esta paixão chamada Benfica. E amanhã?
Amanhã só quero ser do Benfica."

Sílvio Cervan, in Mística

Centro de treino do vídeo-árbitro

"Os primeiros beneficiados do vídeo-árbitro são os árbitros de campo propriamente ditos

Realizou-se a 1ª jornada do campeonato de 2017/2018. Começou, assim, a era moderna do futebol português com a introdução de tecnologia no intuito, louvável, de reduzir ao mínimo os erros de avaliação dos juízes de campo. O vídeo-árbitro será a solução para o futuro mas, face aos eventos registados na primeira jornada da nossa Liga, pode considerar-se, com muita pena, que o vídeo-árbitro não é de todo a solução para o presente da indústria.
Apesar de haver "vídeo", uma maquinaria impessoal que debita imagens reais, continua a haver "árbitro" e esse factor humano – demasiadamente humano – parece que só lá está para atrapalhar. Sucedem-se, por exemplo, situações, inauditas, em que os jogadores têm de esperar até poderem festejar os golos que apontaram depois do visionamento e revisionamento do lance e da concomitante aprovação das autoridades sentadas.
Casos destes são péssimos para o natural fluir do espectáculo e só são óptimos para os espectadores e para os adeptos quando se dá o caso de a decisão final ser do seu agrado. E como o agrado de uns é o desagrado de outros, prevê-se igual número de dissabores da multidão entre esperas pouco naturais em função do historial do jogo.
O cidadão comum, que acha perfeitamente natural esperar dois ou três minutos pela chegada do metropolitano, já não achará aceitável esperar essa eternidade para poder festejar um golo dos seus ou para lançar as mãos à cabeça perante o desespero de um golo que teve de ser sancionado com "delay" pela equipa de vídeo-árbitros.
No entanto, mesmo com estes soluços práticos dos primeiros tempos, a chegada do vídeo-árbitro ao campeonato português encerra grandes, enormes vantagens para uns quantos agentes da indústria. Os primeiros beneficiados são os árbitros de campo propriamente ditos.
Se o vídeo-árbitro não é ainda a melhor coisa que aconteceu ao futebol, já é, certamente, a melhor coisa que aconteceu aos árbitros, que, de apito na boca, dirigem jogos na vida real. Pelos montantes de ódio que recaíram sobre os vídeo-árbitros na sequência de decisões tomadas nos jogos FC Porto-Estoril e Benfica-Sp. Braga não é difícil concluir que a tarefa e a vida dos árbitros-a-sério fica bem mais facilitada com a introdução desta era de modernidade.
Que ninguém se admire se lá mais para o Natal, quando a tabela ferver, uma qualquer claque – legalizada, obviamente – invadir furiosamente o centro de treinos dos vídeo-árbitros pedindo satisfações aos árbitros-sentados e deixando em paz o centro de treinos dos árbitros-em-pé. Mas que futuro extraordinário se adivinha para os nossos futebóis.

A receita: custo zero + custo zero + 22 milhões de euros
Faz hoje uma semana que o Benfica arrecadou o primeiro título oficial da temporada vencendo o Vitória de Guimarães por 3-1 na discussão da Supertaça com golos de Jonas, Seferovic e Jiménez.
A única novidade deste episódio, por comparação com os protagonistas dos êxitos nas últimas épocas, é o tal tento de Seferovic, um suíço recém-chegado a "custo zero" depois de esgotado o contrato que o prendia ao Eintracht de Frankfurt. Também Jonas chegou ao Benfica a "custo zero" em 2014 com amplos proveitos para todas as partes.
Com Seferovic à disposição parece ter-se reduzido o campo de Mitroglou, que, nas artes de se chegar às balizas, é dono de um reportório mais curto do que o do suíço. São estas as primeiras impressões deixadas em campo por Seferovic, que voltou a marcar ao Braga.
Mas quem resolveu mesmo a questão da Supertaça foi o mexicano Jiménez, o tradicional solucionador, que custou 22 milhões de euros e que, normalmente, se senta no banco. E qual é o problema?"

Benfiquismo (DLVIII)

Técnico - Benfica, 1960
Andebol

Uma Semana do Melhor... Militância!

Jogo Limpo... Aturar os atrasados mentais!!!

Menos prestigiado, mas mais um título

"Não pode, no entanto, a vitória clara e justa do Benfica esconder a necessidade de retocar lacunas ainda não preenchidas.

O Benfica venceu em Aveiro o primeiro título da temporada. Pode até ser o menos prestigiado de todos, mas é sempre mais um titulo, numa contabilidade que há poucos anos fazia capa de alguns jornais e agora quase desapareceu da calculadora desses mesmos quase jornalistas. Óptimo, o Benfica venceu, num estádio que foi palco repetido de conquistas, contra um Vitória que valorizou esta Supertaça.
Há a consciência nos responsáveis do Vitória de que quem disputa mais vezes os títulos também pode vencer mais vezes, e por isso em Guimarães estão a ser criadas boas raízes de êxito próximo. Não pode, no entanto, a vitória clara e justa do Benfica esconder a necessidade de retocar lacunas ainda não preenchidas. São poucas, mas visíveis aos olhos de todos quantos querem ver o Benfica a seguir este trilho de triunfos. De Fejsa para a frente temos um dos plantéis com mais talento e soluções de que me lembro. Seferovic foi excelente compra e há ainda lesões que não deixam ver toda a matéria prima. Rui Vitória e benfiquistas merecem.
No arranque da Liga, contra o SC Braga, vimos um Benfica ainda mais determinado, com inegável vontade e qualidade. Os quatro primeiros jogos são tremendos, o sorteio obriga-nos a não poder ter outra atitude que não a da última quarta-feira. Não podemos esperar que nada aconteça, teremos de fazer acontecer, para não se ficar à mercê dos alçapões que sabemos existirem.
Gostei do jogo frente ao Braga. Cervi e Salvio a defender com gigante generosidade, Jonas longe do fulgor físico espalhava magia sempre que tocava na bola, e Fejsa equivale a dois jogadores, com disponibilidade física é um dos melhores do mundo naquela posição. A necessidade de um lateral-direito não pode apagar o elogio ao jogador do Benfica que não deve merecer uma crítica. A André Almeida pode-se tudo, pede-se de tudo, e ele faz sempre tudo o que se lhe pede. Na direita ou na esquerda, a trinco ou extremo, a defender ou atacar, nunca se lhe pede a mesma coisa, mas ele faz-nos sempre a vontade. Um exemplo de um dos mais fantásticos profissionais do Benfica, um tetra campeão e um tetra profissional.
Ganhámos 1/34 avos do problema, temos segunda-feira nova porção de dificuldade. Chaves será mais difícil do que Vitória e Braga porque joga em casa e tem equipa mais entrosada e muito bem orientada."

Sílvio Cervan, in A Bola

Almeidinhos

Renovação merecida e extremamente útil para o Benfica, do André Almeida.
Grande atitude em campo, um dos 'dinamizadores' do balneário... Actualmente, já não é opção para o meio-campo, mas faz as duas Laterais com eficácia... E este ano, 'arrisca-se' a ser o nosso titular na Direita!!!
Falou-se em interesse de Clubes Alemães e Ingleses, não acredito que os valores que apareceram nos jornais fossem verdadeiros, mas provavelmente o André tinha propostas de ordenado superiores... mas optou por jogar num Clube que luta por títulos... em vez de lutar pela 'permanência'!!!

Benfica

"São comuns, entre nós, os panegíricos à língua portuguesa por ser a única que contém uma palavra que descreve um sentimento de perda ou ausência de algo ou alguém. Refiro-me à saudade, como qualquer lusófono saberá.
Até há uns anos, achei sempre que 'saudade' tornava o nosso idioma singular, porém a minha namorada, que é holandesa, apesar de apreciar a 'saudade', contrariava-me porque a sua língua materna contém também uma palavra materna sem tradução literal em qualquer outra ('gezellig', um determinado estado de conforto físico e psicológico). Por um acaso feliz, num qualquer aeroporto, encontrámos um livro dedicado a palavras que existem somente numa língua.
Pois bem, o cenário é aterrador para os laudatórios do português. Percorrer aquele livro dá a sensação de que todas as línguas têm palavras que só nelas existem - há uma que descreve o tempo que se demora a comer uma banana - e, por isso, dou por mim, de vez em quando, à procura de outras para além da saudade.
'Benfica' é uma boa candidata. É o nome do nosso clube e de uma freguesia, mas, se aplicada na adjectivação, consoante o sujeito, poderá adquirir significados múltiplos. Por exemplo, um benfiquista, ao afirmar que tem passado uma manhã Benfica, só poderá estar a referir-se a feitos a sensações extraordinárias. Pelo contrário, a mesma frase dita por um anti-benfiquista significará que está a ser acometido por desgraças que lhe provocam simultaneamente tristeza, frustração, autocomiseração e inveja.
E proponho também outra que defina antigos árbitros de futebol que, impedidos pela idade de destilarem ódio ao Benfica num relvado, o façam agora em páginas de jornais e na televisão: os videoparvos."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A cópula deles, contra natura.

"Na perspectiva de qualquer Benfiquista consciente, nada ficou decidido com o resultado de anteontem. Apenas se tratou da primeira disputa do campeonato desta época.
Mesmo que tivéssemos perdido, era igual: a viagem é longa e continuam a faltar os mesmos trinta e três desafios programados. Previsível e inevitável, é que, de cada vez que os rapazes voltarem a subir ao terreno de jogo, terão pela frente, pelo menos, as mesmas dificuldades que tiveram de superar na quarta-feira, ou mesmo, inesperados obstáculos ainda bem mais expressivos.
Precisamos ter presente que, se em circunstâncias normais de competição, o que os nossos atletas têm de fazer sobre a relva, em nossa Casa e nos campos dos outros, depende sempre dos índices de concentração, de esforço e intensidade e de comunicação entre si com que se apresentarem em cada jogo, já é absolutamente claro que, está época, tudo vai ser ainda mais difícil e mais complicado dos que nos quatro últimos anos.
Diante da determinação, da competência e da eficácia com que o Benfica impôs a inequívoca liderança desportiva em Portugal, os nossos rivais montarem um esquema de guerrilha anti-Benfiquista nunca antes alcançado. Presumirão até, que, apenas se servindo dessa teia venenosa que teceram com a espessa baba da inveja e do ódio, muito dificilmente poderão vencer a sólida eficiência que a estrutura desportiva do Benfica tem mantido. Por isso não deixarão de recorrer, em todas as sedes, por todos os meios e nas mais constantes ocasiões, aos mais baixos níveis de ataques de toda a espécie, para tentar desgastar a principal razão da nossa força e do nosso sucesso. Mas, digo eu que, à força das circunstâncias do insucesso das suas derrotas e desespero, em podem eles continuar a acasalar-se furiosamente, nesta cópula contra natura...
Nós, pela nossa parte, permanecemos coesos e focados nos estritos termos em que gostarmos de competir e de ganhar: seja onde e quando for, bastarmo-nos a nós próprios, 'a honra aqueles que nos honrarem'. Jogaremos do nosso lugar na bancada, sempre juntos e à Benfica, com as nossas equipas."

José Nuno Martins, in O Benfica