Últimas indefectivações

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Liberdade não se discute!

"Não era fácil jogar a seu lado, mas era quase impossível jogar contra ele. Humberto Coelho foi um príncipe: o capitão dos campeões. Até à maldita traição do seu joelho, todos pensavam que seria eterno.

Não era fácil jogar lá no centro da defesa, a seu lado. Perguntem àqueles que o fizeram. Porque havia em Humberto Coelho um certo sentido de liberdade infinita, um instinto libertatório, se calhar. Ele estava atrás, de olhos postos na frente. Soltava-se, fugia, decidia. Era o golo e o seu contrário. O golo e o evitar do golo. E um respeito profundo tomava conta de toda a equipa e das bancadas: adeptos e adversários.
Eu sou testemunha: mesmo Eusébio, o Eusébio incontrolável, o Eusébio retardatário, o Eusébio imprevisível, se deixava domar, de vez em quando, pelo Humberto.
Se era preciso um Eusébio que não faltasse, um Estádio cumpridor de horários (que heresia!), chamávamos o Humberto. E eles falavam, e Eusébio dava-lhe razão e vinha, à hora mais ou menos certa.
Humberto Coelho veio do Ramaldense, nasceu no Porto, freguesia da Cedofeita. Aos 16 anos estava no Benfica.
Não era fácil jogar ao lado dele e, no entanto, tantos foram os que jogaram a seu lado. Bastos Lopes (António e Alberto), Frederico, Eurico, Laranjeira, Alhinho, Rui Rodrigues, Messias, Barros...
E o Humberto, imperial, percebeu-se desde logo que iria ser capitão do Benfica, tinha tudo para ser capitão do Benfica, era da estirpe dos Beckenbauer e dos Krol, gente do seu tempo, heróis contemporâneos que comandavam, da defesa, equipas inteiras, selecções inteiras, clubes inteiros. E o povo com eles.
Humberto Coelho é daqueles jogadores que não se discutem. Acho que nunca se discutiu, embora a memória me pregue partidas, de quando em vez.
No dia de 8 de Setembro de 1968, Neves de Sousa escreveu sobre ele: 'Esta, a grande verdade do jogo: festival de Humberto a tentar colmatar as mãos incertas de Nascimento. Porque, enquanto o guarda-redes não acertava com o tempo de saída e assistia, sereno e impávido, ao sobrevoar da sua área, Humberto era quase que um polvo, segurando (em seus tentáculos), avançada sobre avançada, desfazendo o perigo justamente de molde a criar, para os adversos, sobressalto sobre sobressalto. E foi então que se escreveu, em vinte minutos de antologia, o título do festival: récita para a candidatura de um jovem'.
Contra Pelé e contra o azar
Era Setembro e a Luz, e Tejo e tudo, como em Lisbon Revisited. Benfica-Belenenses, 1.ª jornada do campeonato. Humberto apresentava-se, e Otto Glória confiava nele, 4-1. Golos de Torres, Eusébio(2) e Jacinto.
Humberto Coelho já tinha vestido, antes, a camisola vermelha da águia ao peito, a camisola vermelha berrante da equipa principal, no Brasil, durante uma das habituais digressões do Benfica pelo mundo, e mesmo contra o Santos, o Santos que tinha uma linha avançada que parecia a letra de um samba: Dorival, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
Abrira o seu espaço, percorreria o seu caminho.
Pelo Benfica atingiu a excelência. Faltou-lhe uma final da Taça dos Campeões, sobrou-lhe uma final perdida da Taça UEFA, em Lisboa, na segunda mão frente ao Anderlecht.
Nesse tempo, já tinha ido e voltado. Fora a Paris, jogar no Paris Saint-Germain, passara pela América e pelo Quicksilver, era também capitão de uma selecção e de um jogo que nunca deveria ter feito parte da sua história: os 0-5 de Moscovo onde se lesionou de vez num maldito joelho que inchava a toda a hora.
Foi também um homem contra o seu azar. Esse azar de uma lesão que o feriu com ausências de fases de Europeus e Mundiais.
Os seus iguais estavam lá, capitaneando países, Humberto ficava em casa, que podia ser o lugar do seu conforto e do seu carinho, mas só quando voltasse, como o vencedor que sempre foi.
Houve aquele jogo incrível, único e absurdo, frente ao FC Porto, na Luz, com o Benfica a perder por 0-2 a 15 minutos do fim. Aquele jogo que se virou, e pernas para o ar, com os golos de Vítor Baptista e Jaime Graça e Humberto Coelho, no último dos minutos, entrando na área com a fúria de uma tempestade, destruindo mitos e medos, pontapeando a bola para a baliza com a raiva de um deus sem altares.
Não era fácil jogar ao lado de Humberto Coelho, dizem os defesas que repartiam o seu espaço no campo de todos os sonhos.
Ah! Mas escutem os adversários e imaginem o que eles dirão!!!
Nós, na bancada, ficávamos a vê-lo e a desejar que ele durasse para sempre como capitão dos campeões..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Verão 'à Benfica'

"Em 1957, na Feira Popular, o Benfica apresentou a sui generis modalidades em que o hóquei é praticado sobre rodas... mas não patins.

Durante o verão de 1957, houve programação especial na Feira Popular o recinto foi palco de diversos festivais com a cunho do Sport Lisboa e Benfica. Com organização a cargo da Comissão Central, tinham o intuito de brindar os benfiquistas com agradáveis momentos recreativos a angariar verbas para os 'cofres da (...) campanha do Novo Parque de Jogos'.
Ao contrário dos anos anteriores, em que ocupou um pavilhão, nesse ano o Benfica obteve a concessão do rinque de patinagem, 'um excelente recinto desportivo, com instalações muito boas e dispondo de uma bancada coberta e esplanada anexa, com serviço de restaurante e bar'. Decorado pelo arquitecto João Simões, o espaço disponibilizava ainda 'futebol de mês' e 'jogos eléctricos americanos (do mais moderno que ainda chegou ao nosso País)'.
Na Feira, o recinto do clube 'encarnado' foi 'dos mais concorridos'. A patinagem era o entretenimento permanente, mas não se destinava apenas a 'patinadores de verdade', também os 'simples curiosos com aspirações' aí podiam experimentar a modalidade. Mas havia mais. Muitas das noites a patinagem era 'interrompida para a exibição de espectáculos classificados'. Aí, o recinto era vedado e havia 'cobrança de magros escudos, em troca da comodidade e do regalo' que as exibições ofereciam. 'Raramente (...) os vislumbra um lugar vago'!
Futebol de cinco, hóquei em patins, pugilismo e andebol foram alguns dos números apresentados. Mas houve um... que alcançou particular êxito. Na noite de 4 de Setembro, a secção de cicloturismo do Clube, organizou 'dos momentos mais curiosos dos festivais' hóquei em bicicleta. Com a colaboração do SC Rio Seco, do Campo de Ourique e do Atlético CP, o Benfica brindou o público com dois jogos dessa modalidade sui generis que reunia já muitos adeptos.
Na fotografia, Roland Oliveira captou um momento do jogo em que a equipa das 'águias' venceu o Atlético Clube de Portugal por 7-3. A mesma equipa conquistaria, três semanas depois, a Taça Iniciação frente ao Clube Atlético de Campo de Ourique.
Pode ver estas e outras fotografias na Roland Oliveira, em exibição na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CDXLII)

Golos atrás de golos!!!

Algumas verdades...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Lixívia 29

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 71 (-10) = 81
Corruptos..... 68 (+15) = 53
Sporting........ 63 (+11) = 52

Bastou o Benfica ganhar um jogo sem 'discussão' por larga margem e sem qualquer indício de beneficio (bem pelo contrário...), para deixar-se falar de arbitragem... a imprensa generalista 'calou-se' e nem o facto de terem existido incidentes iguais às 'jogadas' do Moreirense-Benfica, mas desta vez com os 'réus' a vestirem de azul ou verde, fez com que existisse Capas a 'chorarem' as injustiças do Apito!!!!!

Em Setúbal, o Rúben Semedo 'pisa' perigosamente um adversário, logo nos primeiros minutos... parecida com a jogada do Luisão em Moreira de Cónegos... mas desta vez, não ouvi nem li, as carpideiras a exigirem a Expulsão!!!
Pessoalmente, tal como defendi a semana passada, estas jogadas é para Vermelho...
Pouco depois, Bruno César, dá um pontapé, sem bola, num adversário... outro Vermelho que ficou por mostrar...
O Marvin, ainda fez o suficiente para levar o 2.º amarelo...
O Alan Ruiz também 'pisou' um adversário, levou Amarelo e se calhar devia ter levado Vermelho... Curiosamente, ouvi este lance na rádio, com Manuel Queiroz (encartilhado Corrupto...), a defender que o Amarelo foi exagerado!!!!!

Na Pedreira, tivemos mais uma orgia de palhaçadas e protestos Corruptos!!! Mergulhos para a piscina em catadupa (Soares em destaque neste aspecto...), Mini a 'apertar' a goela a um adversário... Brahimi a 'encostar' a tola... Inacreditáveis protestos do Soares e Oliver... não é preciso ser especialistas em leitura labial para perceber aquilo que o árbitro ouviu...!!! Enfim, um festival...
Os únicos lances onde os Corruptos podem 'queixar-se' na minha opinião, é no agarrão do Gamboa ao Filipe (mas para este lance ser penalty... todos os Cantos têm que merecer o mesmo escrutínio...) e o Amarelo ao Cartabia foi algo alaranjado...
De resto, toda a histeria, resume-se ao não terem ganho!!!
Apesar de todos os erros a arbitragem de Hugo Miguel foi melhor do que o habitual... pelo menos errou para os dois lados!!! Ao fim de 18 jogos dos Corruptos, lá 'descobriu' um penalty contra os Corruptos... mas ainda não foi agora que os Corruptos perderam um jogo apitado pelo Huguinho!!!!


Na Luz Nuno Almeida recebeu um 'brinde' do Benfica!!! Pois, a vitória clara, acabou por 'anular' todos os erros!!! E foram alguns...!!!
O mais grave, foi o penalty sobre o Mitro no final da 1.ª parte... incrível como o Fiscal-de-linha não viu nada!!!
A 'mão' do Luís Martins é involuntária... mas perto do final do jogo, num Canto, pareceu-me que após um cabeceamento do Luisão houve outra 'mão' na área, mas não consegui ver este lance na televisão!
Mas a minha principal critica, foi a vontade férrea do árbitro em não mostrar nenhum cartão Amarelo!!! As regras são para ser cumpridas... por acaso, acabou por não ter influência no resultado, mas alguns dos cartões perdoados ao Marítimo foram ridículos!

Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
7.ª-Feirense(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), V(0-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Esteves, Nada a assinalar
10.ª-Corruptos(f), E(1-1), Soares Dias, Prejudicados, Impossível contabilizar
11.ª-Moreirense(c), V(3-0), Godinho, Prejudicados, Sem influência no resultado
12.ª-Marítimo(f), D(2-1), Vasco Santos, Prejudicados, (1-4), (-3 pontos)
13.ª-Sporting(c), V(2-1), Sousa, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Estoril(f), V(0-1), Paixão, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
15.ª-Rio Ave(c), V(2-0), Rui Costa, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
16.ª-Guimarães(f), V(0-2), Almeida, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(c), E(3-3), Luís Ferreira, Prejudicados, (3-0), (-2 pontos)
18.ª-Tondela(c), V(4-0), Esteves, Nada a assinalar
19.ª-Setúbal(f), D(1-0), Pinheiro, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
20.ª-Nacional(c), V(3-0), Godinho, Prejudicados, Sem influência no resultado
21.ª-Arouca(c), V(3-0), Mota, Prejudicados, Sem influência no resultado
22.ª-Braga(f), V(0-1), Tiago Martins, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
23.ª-Chaves(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), Sem influência no resultado
24.ª-Feirense(f), V(0-1), Soares Dias, Nada a assinalar
25.ª-Belenenses(c), (4-0), Esteves, Prejudicados, Beneficiados, (4-0), Sem influência no resultado
26.ª-Paços de Ferreira(f), E(0-0), Pinheiro, Prejudicados, (0-1), (-2 pontos)
27.ª-Corruptos(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), (-2 pontos)
28.ª-Moreirense(f), V(0-1), Tiago Martins, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
29.ª-Marítimo(c), V(3-0), Almeida, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
7.ª-Guimarães(f), E(3-3), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Tondela(c), E(1-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-1), (+1 ponto)
9.ª-Nacional(f), E(0-0), Vasco Santos, Prejudicados, (0-1), (-2 pontos)
10.ª-Arouca(c), V(3-0), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
12.ª-Setúbal(c), V(2-0), Rui Costa, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
13.ª-Benfica(f), D(2-1), Sousa, Beneficiados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), D(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Belenenses(f), D(0-1), Tiago Martins, Nada a assinalar
16.ª-Feirense(c), V(2-1), Esteves, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
17.ª-Chaves(f), E(2-2), Almeida, Nada a assinalar
18.ª-Marítimo(f), E(2-2), Pinheiro, Prejudicados, (2-3), (-2 pontos)
19.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-2), Veríssimo, Beneficiados, (3-2), Impossível contabilizar
20.ª-Corruptos(f), D(2-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
21.ª-Moreirense(f), V(2-3), Oliveira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
22.ª-Rio Ave(c), V(1-0), Esteves, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
23.ª-Estoril(f), V(0-2), Rui Costa, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
24.ª-Guimarães(c), E(1-1), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
25.ª-Tondela(f), V(1-4), Paixão, Nada a assinalar
26.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
27.ª-Arouca(f), V(1-2), Godinho, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
28.ª-Boavista(c), V(4-0), Mota, Nada a assinalar
29.ª-Setúbal(f), V(0-3), Pinheiro, Beneficiados, Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Nacional(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Sem influência no resultado
8.ª-Arouca(c), V(3-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
9.ª-Setúbal(f), E(0-0), Pinheiro, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(c), E(1-1), Soares Dias, Beneficiados, Impossível de contabilizar
11.ª-Belenenses(f), E(0-0), Oliveira, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
12.ª-Braga(c), V(1-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
13.ª-Feirense(f), V(0-4), Luís Ferreira, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Chaves(c), V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
15.ª-Marítimo(c), V(2-1), Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Paços de Ferreira(f), E(0-0), Soares Dias, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
17.ª-Moreirense(c), V(3-0), Veríssimo, Beneficiados, Sem influência no resultado
18.ª-Rio Ave(c), V(4-2), Sousa, Beneficiados, (0-2), (+3 pontos)
19.ª-Estoril(f), V(1-2), Oliveira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
20.ª-Sporting(c), V(2-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
21.ª-Guimarães(f), V(0-2), Xistra, Beneficiados, (1-2), Impossível contabilizar
22.ª-Tondela(c), V(4-0), Luís Ferreira, Beneficiados, (0-1), (+ 3 pontos)
23.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Beneficiados, Prejudicados, (1-1), (+2 pontos)
24.ª-Nacional(c), V(7-0), Paixão, Beneficiados, (6-0), Sem influência no resultado
25.ª-Arouca(f), V(0-4), Hugo Miguel, Nada a assinalar
26.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Beneficiados, Impossível contabilizar
27.ª-Benfica(f), E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), (+1 ponto)
28.ª-Belenenses(c), (3-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível de contabilizar
29.ª-Braga(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada
15.ª jornada
16.ª jornada
17.ª jornada
18.ª jornada
19.ª jornada
20.ª jornada
21.ª jornada
22.ª jornada
23.ª jornada
24.ª jornada
25.ª jornada
26.ª jornada
27.ª jornada
28.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Uma Semana do Melhor... Conversas!!!

O lado positivo do 'derby' de Lisboa

"110 anos de 'derby' são no mínimo merecedores de respeito. Que se cale quem não sabe estar à altura da história e que ganhe o melhor...

O Sporting - Benfica do próximo sábado, que pode ser a chave do título, insere-se num contexto bem mais vasto, uma história de 110 anos de rivalidade sem fim à vista. Os dois grandes clubes de Lisboa defrontaram-se pela primeira vez em Carcavelos, corria o ano de 1907 e a monarquia portuguesa vivia o reinado de El-Rei D. Carlos, que seria assassinado no Terreiro do Paço precisamente dois meses depois desse jogo.
De então até hoje, leões e águias fizeram a expansão nacional de bicicleta, levados pelas pedaladas de Trindade e Nicolau e mais tarde foram transportados pelos emigrantes até aos quatro cantos do mundo, ganharam adeptos nos países que um dos integraram o Império lusitano e vivem hoje como projectos profundamente enraizados numa sociedade que sem eles não se reconhece.
Ao longo da história de Sporting e Benfica, no futebol e não só, encontram-se exemplos de títulos ganhos e pedidos graças à acção do rival, do golo de Martins ao Belenenses que fez as águias campeãs, à derrota dos encarnados na Luz que deu o campeonato ao FC Porto, abrindo-lhe as portas da glória em Viena. As relações entre os históricos emblemas de Lisboa foram sempre marcadas pela tensão; e a maior parte das vezes pelo respeito. De alguns anos a esta parte, através de uma vulgarização do discurso, acompanhada por uma prática de judiciarização das querelas, a relação tem-se degradado sem que se vislumbre benefício para qualquer das partes. O tempo encarregar-se-á de devolver Sporting e Benfica à rivalidade normal, feita de dignidade e respeito. Entretanto, importará em vésperas de derby decisivo, tirar palco aos incendiários, abrindo portas a quem fará a diferença dentro das quatro linhas. É tempo de debater as estratégias de Jorge Jesus e Rui Vitória e os trunfos que podem ter escondidos nas mangas; de especular sobre as qualidades de Rui Patrício, campeão da Europa e de Ederson Moraes, o goleiro que o mundo inteiro quer; de ponderar qual é a liderança mais forte, de Adrien ou de Luisão; de antecipar a forma como Alvalade vai receber André Carrillo; de fazer votos para que Gelson e Rafa brilhem no derby; e ainda, claro está, de fazer contas à luta de goleadores entre Bas Dost e Jonas, numa passagem de testemunho da Bola de Prata. Tanta coisa boa para falar...

ÁS
Rui Vitória
Depois de uma má exibição em Moreira de Cónegos, que povoou de dúvidas o universo encarnado, o Benfica recebeu e bateu o Marítimo com clareza, mostrando argumentos de campeão. Equipa mais junta, circulação de bola segura e ausência de erros defensivos deixaram no ar uma ideia de melhoria na véspera de Alvalade.
(...)

Rei
Jorge Simão
A resposta que os arsenalistas deram às notícias que apontam para uma nova equipa técnica na próxima época foi bastante forte. Depois de um triunfo em Santa Maria da Feira, ficaram, no último sábado, provavelmente a onze metros de uma vitória sobre o FC Porto. Grande luta com os rivais de Guimarães pelo quarto lugar!

Tempo de andar com os nervos à flor da pele
«Se está aqui como adepto devia ir para outra bancada. Se está como membro do Governo é lamentável que se comporte assim..»
Pinto da Costa, Presidente do FC Porto
O que está em jogo é muitíssimo e verifica-se uma tendência em alguns protagonistas para sucumbirem à pressão. O líder do FC Porto não gostou que o secretário de Estado José Mendes tivesse celebrado o golo do SC Braga e mudou de lugar no camarote presidencial da pedreira. Até ao fim do campeonato, outras tempestades destas, num copo de água, vão assolar o território nacional.

A gesta do Mónaco em busca da glória
A recta final da temporada do Mónaco está a ser exigente a ponto de se pensar que quanto mais alta é a árvore, maior é o tombo. Para já, a equipa de Jardim está a lutar bravamente contra as dificuldades e, com a ajuda de Bernardo Silva e Moutinho, Radamel Falcao deu aos monesgascos um triunfo suado frente ao Dijon.

'Special One'
O Manchester United derrotou o Chelsea e isso não significa que vá ser campeão de Inglaterra, já que o título não deve fugir aos 'blues' de Stamford Bridge. No entanto, na saga privada de José Mourinho, ganhar ao Chelsea numa tarde de poupanças a pensar na Liga Europa não pode deixar de ser especial. Para nós, há uma realidade que não devemos subestimar: Mourinho assegurou um lugar na história do futebol inglês e tem direito a ver o seu nome ao lado dos maiores mitos da pátria do futebol. A vitoria de ontem foi apenas mais um passo nessa caminhada..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O futebol não é matemática

"Já o escrevera depois do clássico da Luz: Nuno Espírito Santo terá caído no pecado do excesso de confiança nesse jogo com o Benfica,acreditando que um empate, que o mantinha atrás dos encarnados seria suficiente para ser campeão. Baseou a aposta na crença de que o adversário perderá pontos até ao fim do campeonato - uma expectativa legítima -, mas terá sido demasiado optimista ao olhar para o seu próprio calendário, onde poucos vislumbrariam as facilidades previstas pelo treinador do FC Porto.
A começar, claro, pela deslocação a Braga, onde os dragões deixarem dois pontos. Talvez tenha sido até um mal menor, porque a derrota - essa sim, teria porventura decidido o nome do campeão - pairou na cabeça de todos os portistas nos segundos que antecederam o penalty ao poste de Pedro Santos. O empate mantém a equipa viva, mesmo que dependente do derby de sábado, o tal jogo em que, mesmo não o jogando, Nuno Espírito Santo apostou as fichas todas na sua fé.
A questão é que, depois do tropeção do FC Porto na pedreira, o Benfica perder pontos já não chega. É preciso que perca o jogo. Ou seja, no dia em que chumbou na matemática que ele próprio criou nas últimas semanas, Nuno Espírito Santo deu a Rui Vitória a possibilidade de fazer as suas próprias contas: em Alvalade há dois resultados que manterão os encarnados na liderança. Retira pressão ao Benfica no derby? Não toda. Mas alguma. Porque uma coisa é entrar a saber que empatar pode significar o adeus ao título, outra é entrar a saber que o empate pode chegar para o título. Faz muita diferença. Mesmo que, como já se percebeu, fazer contas antes da hora não seja lá grande estratégia. Porque, e nisso Vitória tem razão, nunca se sabe qual o jogo que decidirá as coisas. Pode estar por acontecer, mas também pode já ter acontecido."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Sem medo

"Não podemos, nem devemos ter qualquer contemplação com os actos de vandalismo ou terrorismo. Vem isto a propósito do cobarde ataque ao autocarro do Dortmund. Confesso a minha preocupação com o chegar do desporto ao radar do terrorismo. O futebol é um potencial alvo dos ignóbeis ataques terroristas. As respostas a estas ameaças não podem ser locais, terão que ser globais. As mais altas instâncias internacionais vão ter que ser capazes de combater eficazmente este novo e perigoso terrorismo. O Futebol tem que ser uma festa, dentro e fora das quatro linhas e a tolerância terá que ser zero a par do doping e da vergonha dos resultados combinados, a resposta do terrorismo terá de ser global.
Defendo há muitos anos o conceito família para assistir aos espectáculos desportivos, sempre em segurança, em ambiente festivo e a preços acessíveis, proporcionado momentos absolutamente inesquecíveis como aqueles que a nossa selecção tem mostrado. É bom ver pais e filhos, avós e netos, a deslocarem-se aos estádios, equipados a rigor sem temerem qualquer situação adversa provocada por bandidos, terroristas ou bombistas furtivos. O Futebol é o melhor espectáculo do mundo e devemos estar focados no jogo propriamente dito, sendo que os protagonistas só devem ser os jogadores e os treinadores. Não podemos mostrar receio, fraqueza ou medo, temos que responder com firmeza aos que tentam aproveitar-se das emoções do futebol para causar radicais ou extremistas. A verdade é que ninguém está verdadeiramente a salvo, o terrorismo está por todo o lado e compete a todos sem excepção combate-lo de forma eficaz. Ninguém está dispensado e não podemos dar tréguas aos terroristas."

Hermínio Loureiro, in A Bola

A alegria do futebol

"É um tipo baixo, redondinho. Está de costas para o campo adversário, quando recebe a bola. Veste camisola azul e calção preto e ainda está no seu meio campo, a dois metros da linha divisória e do grande círculo. Recebe a bola com o pé direito e roda para ficar com ela no pé esquerdo. Nesse subtil movimento de 180 graus já deixou dois adversários para trás, dois anjinhos de camisa e calção brancos, dois anjinhos ingleses. Galga vinte, mais de trinta metros e há outro homem que lhe vem fazer a cobertura, mas que um ligeiro desvio do pé esquerdo do homem de azul à bola tira logo do caminho. E já está à entrada da área inimiga. Os defesas ingleses estão em linha impecavelmente, como sempre os defesas ingleses estão, e um dos centrais vai ao homem. Mete o pé esquerdo, mas o seu pobre pé esquerdo – pé esquerdo de back – não se compara à subtileza e arte do pé esquerdo do homem de azul e negro que controla a bola. Com o mais macio dos toques, num milésimo de segundo, já o veloz fugitivo lhe dá um metro de avanço. O imparável homem baixo, redondo, de coxas cheias, está agora dentro da grande área. O defesa esquerdo, o outro central e o guarda-redes adversários fecham-se num garfo que o tenta crivar com três dentes. E ele, o homem tão gordinho como um jovem merceeiro, tão gordinho como um empregado de restaurante que se vê que gosta de comer sofregamente e bem, só com o pé esquerdo, sempre com o pé esquerdo, adorna a bola para a direita, evitando o guarda-redes, suporta a entrada do lateral esquerdo já atrasado e não deixa que o central sonhe sequer ser parte interessada. E a bola despede-se do pé esquerdo do homenzinho de azul e negro para ir beijar na boca as redes dessa baliza de um estádio mexicano. O homem gordinho tomba entre o eufórico e o esgotado nessa relva posta e regada para nela se sonharem os mais olímpicos dos sonhos.
Esta é a relva. E o slalom divino e o pé esquerdo de que tenho estado a falar são de Maradona. Juraria, aliás, que, depois dele ter recebido a bola, só o seu pé esquerdo conduziu, tocou, fintou, desviou e rematou o que eu julgo ser o mais belo golo de sempre da história do futebol. Descrevi-o e na minha descrição ele fintou, iludiu, ultrapassou, venceu gloriosamente seis adversários e é mentira, que eu bem sei que foram sete. Só que não há forma de as palavras puderem descrever a jogada e caber ainda o sétimo inglês tirado da fotografia – aquilo sim, foi um Brexit e god save the queen.
E agora vejam, Maradona já se levantou, corre e exulta ao longo da linha final. Vai direito à bandeirola vermelha espetada na marca de canto, à espera que cheguem os companheiros para festejarem e levarem a inocente e pura alegria ao povo que está nas banca das. Há-de haver ali advogados e engenheiros, talvez operários e empregados de escritório, um doce casal burguês de Buenos Aires e dois amigos das Pampas, malta que dança tango. Há ricos e pobres e Maradona, a alegria gordinha e aos saltos de Maradona, une-os a todos.
E eu, ecuménico que sou, diria mais, a alegria, o prazer descarado quase obsceno de Maradona, une o estádio inteiro, os argentinos vencedores e os ingleses vencidos. Une-os o prazer do futebol.
Foi assim que eu aprendi a ver futebol. E não consigo gostar, zanga-me muito a maldade que tenho visto, ao longo de mais de uma década, fazer ao futebol. O rancor, o ressentimento, a sórdida teoria da conspiração, os cânticos de ódio, peço imensíssima desculpa, mas não vejo nisso um átomo de amor ao futebol.
Não me venham falar do escrutínio milimétrico da arbitragem. Grande parte do maravilhoso encanto do futebol vem também dos erros. Nesse mesmo jogo, Maradona marcou um golo com a mão – com a mão de Deus, ironizou ele, nesse tempo em que o futebol era superior e por isso se autorizava e deliciava com a ironia. Sem esse golo a mitologia do futebol seria mais pobre – abençoado árbitro que se enganou e deu ao mundo, durante semanas e semanas, a possibilidade de sorrirmos. O que esse golo e essa mão serviram de cerveja e conversa em pubs ingleses
A dimensão humana do futebol é o erro. O de arbitragem incluído. Mas é uma ilusão e um revisionismo histórico pensar que foi a arbitragem que fez o domínio do Sporting e dos cinco violinos na década de 50, que foi a arbitragem que fez o domínio do meu SLB e de Eusébio, Coluna e Simões durante os anos 60 e 70, ou que foi a arbitragem que fez a glória do FCP de Gomes, Madjer e Futre nos nos anos 80 e 90. Não foi. Essa glória vem direita dos pés desses jogadores que muito amaram o futebol vestissem-se de verde, vermelho ou azul.
E eu quero que se lixem as bancadas de honra muito compostinhas, com presidentes enfatuados e de rabinhos apertados a ver se não lhes entra um feijão no olho do cu. Eu sou do tempo em que, para comemorar os maravilhosos golos de Tardelli e Altobelli com que a Itália esmagou a Alemanha, um Presidente da República de Itália, il signor Sandro Pertini, dançou e pulou na bancada de honra, ao pé do rei de Espanha, e sem que o primeiro-ministro alemão, Helmut Schmidt, se abespinhasse. Sandro Pertini também tinha olho do cu e ria-se disso. O que torna o futebol respeitável é a alegria, a pura alegria do jogo.
O que nos derrota não é perdermos um jogo, nem perder um campeonato. O que nos derrota e o que derrota o futebol é a respeitabilidade hipócrita de presidentezecos e comentadorzecos, é o cântico de ódio, o very-light que mata, as cadeiras arrancadas e incendiadas, as estratégias dos presidentes de clubes que escolhem a confrontação de secretaria ou de região ou seja lá o que for como seu único princípio.
Peço muita desculpa, mas o jogo é o pé esquerdo de Maradona, um voo de Damas, o golo de calcanhar de Madjer, o iluminado segundo golo de Eusébio nos 5-1 ao Real de Madrid, o golo fantasma de Geoff Hurst que fez da Inglaterra campeã do mundo em 1966. O erro é, se quiserem, a Vénus da mitologia do futebol. Eu quero."


PS: O 'erro' premeditado não faz parte da 'alegria do futebol'...
E por muito revisionismo histórico que se vá fazendo: Máfia é Máfia... os jogadores até podem não ter a culpa, mas a reeleição, eleição após eleição, de uma Direcção abertamente Corrupta, com uma cultura desportista criminosa, 'mancha' todas as vitórias conquistas nesse período... traindo o talento e o suor de alguns dos jogadores!

O pior antijogo acontece fora do campo

"O nosso futebol parece que vive sistematicamente de modas. Desde do que se diz na televisão durante a transmissão de um jogo até aos comentários mais a quente que são proferidos durante as intervenções pós-jogo. Infelizmente, nem todas as modas são boas e as consequências a curto-prazo são negativas. Não atingem um impacto tão negativo, e infelizmente, porque o futebol em Portugal não tem grande concorrência de outras modalidades e mercados, o que permite que muitos assumam determinadas atitudes sabendo que as consequências são poucas ou nulas. E reforço o infelizmente, porque somente a consequência de um ato faz parar algumas das estúpidas acções que se vê por aí. 
Voltando ao futebol, o final de época é sempre vaticinador de maus hábitos e de um conjunto de atitudes que são consequências de desempenhos e resultados aquém do esperado. E só a falta de consequências para um mercado muito mal tratado como é o futebol, permite que exista uma base de más práticas que vão ganhando o seu espaço de antena, de debate, de fundamentos e até de teorias. 
Apesar de ser a modalidade que mais gosto, tenho de ser sincero comigo próprio. O futebol é aquele que tem piores regras para fomentar uma prática sã e que deixe de lado qualquer possibilidade de antijogo. Tem de partir da cultura que se tenta incutir nos praticantes. E essa cultura tem de ser transmitida e transferida pelos agentes desportivos mais importantes na criação de uma boa cultura desportiva (e educacional e humana), que são os treinadores, equipas técnicas e árbitros.
E este movimento tem de ser tão forte, que consiga ser sempre muito superior ao outro lado da corrente que são alguns treinadores (quero pensar que serão sempre menos os maus treinadores em termos de pedagogia que os bons) e acima de tudo, aos muitos e maus utilizadores do tempo que lhes proporcionam, que são os dirigentes.
E esses dirigentes ganharam nos últimos tempos uma importância indevida, face à necessidade de ocupar as dezenas de horas que uma semana televisiva consegue despender aos mesmos. Esse é o pior antijogo que podemos ter. Para quem ainda não entendeu, o poder e a ferramenta da comunicação são tão poderosos que consegue tornar um não assunto no assunto mais falado semanalmente. A comunicação permitiu que determinadas pessoas parecidas com jogadores conseguissem ser recrutados sem serem sequer jogadores, por isso, não admira que o futebol tenha sido invadido por aquilo que ele permite tão facilmente: que qualquer um possa ter tempo de antena para comunicar o que lhe apetecer, bastando para isso que cumpra os requisitos mínimos para se ter tempo de antena.
Aprendemos que existem três formas de atingir o que pretendemos: uns pela inteligência, outros pelo dinheiro e outros pela força. Que o futebol não se deixe estragar pelo que uns têm a mais e outros têm a menos."

Bem-vindos à única lei que permite que o futebol se jogue com as mãos

"Bem-vindos à única lei que permite que o futebol, dos passes e golos de pés e cabeça, se jogue com as mãos.
Tinha que haver uma honrosa excepção, caso contrário este jogo não poderia ser tão completo e apaixonante, certo?

Lei 15 - O lançamento lateral
A quem pertence?
Ao adversário do último jogador que tocou a bola pela linha lateral (quer ela tenha saído rente ao solo ou pelo ar).
Pode ser marcado golo directamente de um lançamento lateral (LL)?
Não. Nunca!
Se a bola entrar directamente na baliza adversária, o jogo recomeça com pontapé de baliza. Se entrar na própria baliza, recomeçará com pontapé de canto.
Quais são os procedimentos para que o LL seja efectuado correctamente?
O executante deve:
Estar de frente para o terreno de jogo;
Deve ter, pelo menos parcialmente, ambos os pés sobre a linha lateral ou sobre o terreno exterior a ela;
Lançar a bola com as duas mãos, por cima e por detrás da cabeça, no sítio onde ela saiu.
E os adversários?
Nesse momento, devem estar colocados a, pelo menos, 2 metros do local onde é efectuado o LL. 
Caso se aproximem a menos de 2 metros, devem ser advertidos (cartão amarelo), por comportamento anti-desportivo.
O mesmo acontecerá ao jogador que distraia ou impeça o LL de forma ilegal (por exemplo, saltitando à sua frente ou ao passar pelo executante, tirar-lhe a bola das mãos).
Em ambas as situações (e se o LL tiver sido efectuado correctamente), o jogo recomeçará com um pontapé livre indirecto contra a equipa do infractor.
Por qualquer outra infracção a esta lei, o LL será sempre repetido mas pela equipa adversária (como, por exemplo, se for mal efectuado ou se o executante o fizer longe do local onde a bola saiu).
Quando é que se considera que a bola entra em jogo num LL?
A partir do momento em que ela penetre no terreno de jogo.
Se ela tocar no solo antes de entrar em jogo, o LL deve ser repetido pela mesma equipa.
Outra. Se um jogador executar um LL (correctamente), atirando a bola contra um adversário para poder joga-la logo de seguida, não será punido (ou seja, a jogada será legal) desde que essa acção não tenha sido cometida com imprudência, negligência ou força excessiva.
Ex - Imaginem um jogador que lance a bola, devagar, para as costas de um adversário, com o simples objectivo de ela tabelar e ressaltar para ele: nesses moldes, tudo é legal.
(O mesmo acontecerá se lançar a bola para as costas de um seu colega de equipa).
Dois toques consecutivos do executante... são permitidos?
Não. Após lançar a bola, ele não a pode jogar de novo sem que outro jogador a toque entretanto. Se o fizer, será punido com livre indirecto no local dessa acção.
Mas se esse segundo toque for com as mãos, aí o pontapé livre passará a directo ou até a pontapé de penálti (se for um defensor - e não o GR - e se der esse segundo toque na sua própria área).

Nota final - Não pode ser marcado fora de jogo por um "passe" executado directamente através de um LL. Os defesas que estejam atentos.
Nos dias de hoje, há quem tenha a capacidade de tornar estes lançamentos em verdadeiras jogadas de perigo...
E pronto. Ficou o essencial da Lei 15. Estamos já na recta final deste curso intensivo sobre os aspectos mais relevantes das regras do futebol.
Voltamos para a semana com a 16. Até lá..."

Benfiquismo (CDXLI)

Lago Como, 1956

Condenação de cânticos

"O Sport Lisboa e Benfica tal como de imediato reagiu na noite de sábado, repetimos como de imediato reagiu, repete o repúdio e a condenação de forma veemente sobre os lamentáveis e inqualificáveis cânticos de um grupo de adeptos do nosso Clube.
São comportamentos inaceitáveis, que merecem uma pública condenação, tais como os insultuosos cânticos à memória de Eusébio que foram feitos pela claque de outro clube e que estamos certos nada tem a ver com a instituição Sporting Clube de Portugal.
O Sport Lisboa e Benfica aproveita para testemunhar a sua confiança, de que a exemplo da história comum centenária, o dérbi do próximo fim de semana será mais um momento de festa, convívio e sã rivalidade e competição entre os atletas e adeptos dos dois clubes."


PS: Concordo em absoluto com este 2.º comunicado sobre este tema... mas tenho que realçar a minha inquietação pela forma totalmente parcial como foi noticiado este acontecimento... ignorando totalmente as provocações dos claques legalizadas do Sporting. Tal como no "famoso" jogo de futsal, onde as ofensas à memória do Gullit, da Rita e do Tino... foram "apagadas" da história!
Mesmo assim não posso deixar de atestar o nível de acefalia elevado de alguns benfiquistas, que reagem a estas provocações premeditadas da forma mais previsível possível... não me admirava nada que após a polémica com os Corruptos, os Lagartos não tenham "planeado" esta polémica, pois sabiam como seria a reacção!

domingo, 16 de abril de 2017

Quantos pontos vale um 'tweet'?

"Qual Jonas, qual carapuça! Soares, o tanas! Bas Dost, o caraças! O que interessa é a política de comunicação!

Um treinador não britânico vale, segundo estimativa do The Guardian, mais 14 pontos na Premier League do que um britânico. Isto porque, explicava o jornal, os primeiros apresentam média de 1,66 pontos/jogo, contra 1,29 dos segundos. As contas são simples: 1,66 - 1,29 x 38 jornadas = 14,02 pontos. A verdade é que os clubes mais fortes, logo os que têm mais pontos, apostam em treinadores estrangeiros: Chelsea com o italiano Antonio Conte, Tottenham com o argentino Mauricio Pochettino, Manchester City com o espanhol Pep Guardiola, Liverpool com o alemão Jurgen Klopp, Everton com o holandês Ronald Koeman, Manchester United como português José Mourinho e Arsenal com o francês Arsène Wenger. O Hull City, por exemplo, somou 13 pontos nos primeiros 20 jogos: média de 0,65. Depois entrou Marco Silva e somou 17 em 13 jogos: média 1,31. As contas do The Guardian estão, pois, profundamente erradas: 1,31 - 0,65 x 38 jornadas = 25 pontos. É esta, pois, a diferença entre o inglês Mike Phelan e o português Marco Silva.

Não conheço, porém, estudo algum que defina quantos pontos vale um director de comunicação. Ou um comentador de televisão. Ou uma cartilha. Ou um post no Facebook. Ou um tweet valha pouco. Que valerão 140 caracteres? Um lançamento de linha lateral mal assinalado, quanto muito. Já um post no Facebook, por poder ser maior, pode chegar a valer um fora-de-jogo de meio metro. E uma cartilha? Bom, meus caros, uma cartilha pode valer um duplo amarelo mal mostrado ao minuto 90+2. Continuemos a subir na escala: e um comentador televisão? Quanto vale um comentário num qualquer programa de segunda-feira? Contas feitas por baixo, críticas acintosas ao treinador adversário podem valer, na jornada seguinte, uma substituição mal feita. Ou a expressão do mister ao minuto 90+1. Não são de deitar fora, pois, os comentários das segundas-feiras. Mantendo a subida no ranking, quanto vale um director de comunicação no futebol moderno? Segundo alguns dos maiores agentes FIFA da actualidade, pode valer o mesmo que um bom guarda-redes de equipa grande: pode estar todo o dia parado, sem nada para fazer, mas de repente, quando entra em acção e escreve 140 caracteres, pode evitar um golo. Quando o resultado já está em 5-0, claro. Um muito bom director de comunicação associado a boas cartilhas, a uma série de posts contundentes, mais quatro a seis comentadores de segundas-feiras e ainda uns pozinhos de tweets podem, na verdade, decidir um campeonato. Qual Jonas, qual carapuça! Soares, o tanas! Bas Dost, o caraças! O que interessa é a política de comunicação. Sem ela, ninguém ganha campeonatos!

Código vermelho: não perder em Alvalade
Passa a três pontos a vantagem do Benfica sobre o FC Porto, a uma semana do derby de Lisboa. Caí, assim por terra a esperança de Nuno Espírito Santo em ganhar sempre até final da liga. Agora, a fé azul-e-branca vira-se para o Sporting. Se os leões ganharem às águias no sábado e os dragões vencerem o Feirense no domingo, os dois primeiros ficarão ambos com 71 pontos, mas com vantagem a ser portista, pois tem melhor diferença de golos. E tudo passaria a ser disputado golo a golo e não apenas jogo a jogo. Porém, se o Benfica ganhar em Alvalade, muito dificilmente deixará fugir o tetra.

Muitos cogumelos e depois há ainda Pedro Martins
Nascem bons treinadores em Portugal como nascem cogumelos em densas e húmidas florestas. Só esta época apareceram Daniel Ramos, Ricardo Soares, Nuno Manta e Vasco Seabra. Mas há outro, já nada cogumelo, pois leva sete épocas de I Divisão, que continua a ascensão: Pedro Martins. O V. Guimarães soma 53 pontos em 29 jogos. Sabe quantas vezes, na história, os vimaranenses tiveram mais pontos à mesma jornada? Em apenas quatro: 1974/75, 1985/86, 1986/87 e 1989/90. Tem Marega, teve Soares, tem Hernâni e tem, sobretudo, Pedro Martins. Quanto tempo resistirá ele em Guimarães?

Lapidar
«Tenho grand carinho pelo FC Porto e pela sua torcida, mas tenho vergonha e nojo dessa claque Super-Dragoes, devia acabar»
Souza, jogador do Fenerbahçe (ex-FC Porto)

«É uma grande honra chegar aos 100 golos nas provas europeias. Nunca pensei que podia acontecer, foi sem dúvida um dia especial»
Ronaldo, jogador do Real Madrid

«Estamos vivos e bem vivos. Percebe-se que isto está a aproximar-se do fim e temos de estar unidos. Há coisas que não gosto de ver e me aborrecem, mas são fruto da nossa sociedade»
Rui Vitória, treinador do Benfica

«É um pouco estranho chegar já aos 100 jogos. Normalmente em Portugal são precisos três épocas num clube. Sabe muito bem»
Carlos Carvalhal, treinador do Sheffield Wednesday

«Foram os 15 minutos mais longos da minha vida. A dor, o pânico, a incerteza em relação ao que estava a acontecer. Este mundo em que vivemos está cada vez mais louco»
Marc Bartra, jogador do Dortmund
(...)"

Rogério Azevedo, in A Bola

Tondela

"E acreditem, há gente, boa gente, que já está a pensar a um ano de distância. Acreditem mesmo.

1. Escrevo este artigo pensando nos meus netos. Na semana que antecede um Sporting-Benfica. Jogo importante, o da próxima jornada, sem dúvida. Mas não um jogo de vida ou morte. Jogo relevante, interessante e motivante como qualquer derby de Lisboa. Faltarão ainda, então, quatro jornadas para o final desta Liga bem renhida nos relvados e disputada, e muito, fora deles. Quase que se antecipando, estrategicamente, e desde já, a próxima e determinante época desportiva em razão da alteração fundamental de circunstâncias que ocorrerá no acesso às competições europeias de clubes, e em especial o atractivo acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões. É que se este ano ainda serão dois os clubes com acesso directo na próxima época só será um! O que é muito diferente! Basta olhar para os milhões logo garantidos e arrecadados! E acreditem, há gente, boa gente, que já está a pensar... a um ano de distância. Acreditem mesmo!

2.(...)

3.(...)

4.(...)"

Fernando Seara, in A Bola

Afinal, o estádio estava cheio, eu é que não tinha visto bem

"Nesta época, as coisas frente ao Nápoles, na Liga dos Campeões, não correram muito bem para o Benfica. Mas recordemos uma vitória bonita, por 2-0, com golos de Reyes e Nuno Gomes.

A atitude foi firme, aberta. A noite caiu fria sobre a cidade. E tinha sido um dia quente, no entanto. Caiu fria também sobre o estádio e sobre o público sempre mais pronto para os assobios do que para os aplausos, que se deixou levar pelo jogo embirrento dos napolitanos, pela táctica do confronto e da guerrilha. Sabia-se que assim seria. Os italianos não enganam. E os napolitanos, muito menos.
Poderia ter havido mais gente nas bancadas da Luz.
Era mesmo de esperar que houvesse mais gente ainda nas bancadas da Luz.
O estádio estava quase cheio. Mas não quase, quase. Apenas quase...
Talvez já não haja multidões como antigamente no futebol de Portugal. Houve tempos em que estariam 80, 90, 100 mil pessoas na Luz na esperança de ver o Benfica eliminar o Nápoles. Mas na Luz também já não cabem 100, nem 90, nem mesmo 80 mil...
Seja. Havia esse cheirinho nostálgico às noites europeias de antigamente, mesmo que as noites europeias do antigamente fossem à quarta e não à quinta. E muito menos à terça, como agora acontece com frequência.
E o Benfica teve um início de jogo claro, insinuante.
Percebia-se a necessidade do golo cedo. A equipa corria riscos e, quando assim é, há que obter rápido retorno desse risco. E o Benfica atacou. E foi atacando sempre.
Do meio-campo para a frente, toda a gente atacava.
Yebda ia mais; Katsoranis ficava mais.
Da defesa, também Jorge Ribeiro atacava. Maxi Pereira ficava lá, do seu lado direito, quase quieto.
Di Maria a fazer dupla com Nuno Gomes, mas sempre um a medir o seu espaço pelo outro, ora ficando, ora avançando, o segundo mais primeiro, se começarmos a medir o campo pela baliza napolitana, mas procurando deixar, volta e meia, um buraco por onde pudesse entrar o primeiro, Di Maria neste caso.
O Nápoles fechava-se. Da cidade de Nápoles não tinha baía, só o castelo.
Quando aos três centrais bem definidos se juntarem os laterais e os dois trincos, formava uma fortaleza rochosa como a ilha de Capri.
Rocha dura, que não hesita na falta.
Fortaleza alta que é preciso minar pelo chão.
Maldade napolitana...
Percebe-se que há maldade no ataque napolitano. Não força directamente, não dispara. É como o assassino que se disfarça na sombra, se camufla na esquina: traz consigo a navalha e a rapidez do golpe. Ele sabe que um golpe certeiro, à traição, pode degolar a águia, cortar-lhe a jugular do entusiasmo.
Mas os napolitanos trazem também consigo a manha da discussão, da confusão organizada ou desorganizada a seu bel-prazer, da distracção do adversário.
Parece correr tudo pelo melhor, mas falta qualquer coisa. O quê?
Não. Não é ainda o golo. Claro que falta o golo, não é isso que quero dizer. Falta o golo, mas sobra o tempo. Não é ainda preciso que chegue já, já, embora desse jeito.
Mas o que falta, então?
É aqui que respondo: falta fazê-lo sentir medo, muito medo. Até agora não passou de receio, de atenção, de cuidado. O Nápoles está lá atrás, submisso, humilde, mas apenas preocupação.
E nessa estratégia deve caber também a certeza de que as águias se cansarão de voar por ali, em círculos, círculos esses cada vez mais largos,  mais distantes da baliza de Gianello, e que esse cansaço trará consigo a quebra, a desistência, o momento.
Havia motivos para acreditar na estratégia do rochedo. E o brilho da navalha assustava a águia.
O voo tornou-se incerto. Mais distante da grande área italiano, menos agressivo, mais confuso.
O Nápoles ganhou confiança. Sentiu finalmente que havia, naquele grupo de homens vestidos de encarnado, fragilidades a explorar.
E, subitamente o golpe de asa: a força de Sidnei no meio-campo, ganhando uma bola insuspeita, o passe de Katsoranis para o espaço na frente de Reyes, o galope e o remate fortíssimo do espanhol.
O Estádio da Luz ficou vermelho em flor!
Um vulcão de gente que grita, cuspindo um fogo encarnado.
Mas os homens de Nápoles estão habituados a vulcões: vivem paredes meias com o Vesvúvio.
O jogo está vivo, alegre.
Di Maria tem um desplante: julgou-se Maradona e foi Maradona em tudo menos no golo que ficou preso nas mãos de Gianello.
Percebe-se que o momento é solene. O Benfica tem de matar o jogo e o adversário. É a hora! A hora de ser equipa forte e decisiva.
Soube sê-lo. Com classe. Com autoridade. E com a esperteza de um treinador atento.
Substituições bem feitas.
Com Carlos Martins ganhou clarividência. Foi dele o passe para a cabeçada tranquila de Nuno Gomes. Desenhada a preceito. Porque o Nuno é assim: nada nele é à bruta.
Há a festa e a alegria.
Afinal o estádio estava cheio. Completamente cheio. Eu é que não tinha visto bem..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Parabéns, Eusébio! Bye, Jimmy.

"Em dia de festa, um desaguisado entre Jimmy Hagan e os jogadores ditou o fim do percurso do inglês no Clube.

Em 1970 aterrava em Lisboa um antigo capitão do exército inglês na II Guerra Mundial, com ar sério e austero, que viria revolucionar o futebol português. Confuso? O seu nome era James Hagan, Jimmy para os amigos, e vinha treinar o Benfica.
Avançamos agora até 25 de Setembro de 1973. Temos um Benfica na crista da onda, tricampeão, e em dia de festa: o Estádio da Luz vestia-se de gala para homenagear Eusébio. Era dia de festa para o Clube, era também dia de festa para os jogadores que, dias antes, até foram para a Baixa vender bilhetes do evento, mas nunca para Jimmy Hagan, para quem todos os dias eram bons dias para treinar afincadamente. Mesmo em dias de jogo, como era o caso. O momento alto da noite seria um amigável entre a equipa do Benfica e a Selecção do Resto do Mundo, composta por nomes tão importantes como Bobby Charlton, Blankenburg ou Netzer.
Nessa manhã, o treino consistia numa série de voltas ao campo, contornando por fora as bandeirolas colocadas nos cantos. Dizem as más-línguas que alguns jogadores fizeram o percurso por dentro, o que, parecendo que não, facilita o trajecto, e a certa altura se deixaram ficar para trás e usaram o tempo restante para se alongarem, pois não há nada pior que uma contratura ou uma cãibra violenta por falta de alongamento. Para Hagan aquilo foi uma afronta. O resultado? Toni e Humberto Coelho, dois dos infractores, não foram convocados. 'Avisei-os que se não trabalham, não jogam' explicou em declarações à imprensa, dias depois. O sucedido chegou aos ouvidos de Borges Coutinho, que tentou pôr água na fervura. Afinal aquele era um dia importante e todos os jogadores deveriam fazer parte da festa. Hagan cedeu, contrariado, mas manteve-se fiel ao sui generis feitio britânico: não orientou a equipa frente à selecção mundial, não assistiu ao desafio e, no dia seguinte, demitiu-se! A isto se chama sair em grande.
Três dias depois, Fernando Cabrita, até ali adjunto, foi apresentado aos jogadores como o treinador principal. Um déjà-vu, já que em 1966  também passou para primeiro plano ao substituir Béla Gutmann e em 1968 tomou o lugar de Fernando Riera, tornando-se um dos adjuntos que mais vezes substituiu técnicos contratados.
Pode saber mais sobre o percurso dos treinadores do Benfica na área 25 - Mestres da Bola, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

Líder

"Ponto prévio: Não há vitórias morais no Benfica. Porém, faltando sete jornadas para o término do campeonato e preservada a liderança, apesar de ténue e mesmo sabendo que o calendário não nos é favorável (embora também não o seja para o nosso adversário), é com optimismo que encaro os desafios que temos pela frente. De uma coisa estou convicto: Se jogarmos com a mesma intensidade e qualidade com que defrontámos o Porto em todas as jornadas, seremos tetracampeões.
Considero boa a actuação de Carlos Xistra no clássico. O futebol envolve tanto dinheiro que é incompreensível que não se recorra aos árbitros de baliza na Liga NOS. Um bom árbitro bem-intencionado nessa função teria visto a falta de Maxi Pereira sobre Samaris no lance do golo. Mas fosse este o maior problema do futebol português...
Caro Padre Américo, lamento dizer, estava redondamente enganado: Há rapazes maus. Como aquele membro proeminente da principal claque portista que, ao serviço do Canelas 2010, agrediu um árbitro à joelhada. O mesmo que, dois meses antes, se vangloriou no Facebook de ter ido à Maia para que os árbitros passassem a ser 'correctos e dignos'. Ou o presidente portista, que logo foi escolher o 1 de Abril, Dia das Mentiras, para afirmar que 'não vive na chafurdice', referindo-se à arbitragem.
E também os há patéticos... Benfica - FC Porto sem qualquer polémica e lá apareceu o Sporting a pedir um castigo a Jonas por uma pretensa agressão. Pois bem, o Sporting parece estar seriamente empenhado em tentar desviar-nos do tetra. É bom que assim seja! Se esse for o seu desígnio nos próximos tempos, mais hipóteses teremos de ganhar."

João Tomaz, in O Benfica

PS: Devido à incompetência do Carteiro, recebi O Benfica com uma semana de atraso!!!!! Mas como não quero deixar de 'postar' as colunas de opinião, mesmo fora de 'contexto' aqui ficam...
Este O Benfica, saiu após o empate com os Corruptos na Luz e após a qualificação para o Jamor... Antes do jogo em Moreira de Cónegos.

Impunidade

"Quando eu era miúdo e só havia dos canais de televisão em Portugal, o Telejornal era quase um momento religioso lá em casa. À hora de jantar, o país parava para ver as notícias de Portugal e do mundo e continuava o momento de devoção com uma telenovela brasileira, mas das boas.
Nas notícias das 20h ficava a saber da situação política, social e cultural do mundo que me rodeava. Havia muita coisa que eu não percebia, mas perguntava e explicavam-me.
Esta semana coloquei-me no lugar de uma criança de dez anos à mesa com os pais à hora de jantar e com a televisão ligada nas notícias. Não sei se isto ainda acontece nos lares portugueses ou se os miúdos estão somente com o iPad em frente ao prato, mas tentei imaginar de que forma é possível explicar a uma criança que a notícia de abertura é a de um sujeito, jogador e adepto de futebol, que deu uma joelhada na cabeça de outro - com vídeo e tudo - e que depois vem dizer que não se lembra do que fez. Como se explica a impunidade a uma criança? Ou até mesmo a um adulto? É simples. Pega-se nos últimos trinta e tal anos do futebol português e mostra-se as provas: campeonatos inquinados, coacção a árbitros, corrupção provada em tribunal, violência contra adversários e antigos treinadores e jogadores, empresas de segurança privadas que tresandam a ilegalidade, claques que negoceiam bilhetes para jogos, suspeitos de tráfico de droga, um suícidio por explicar dentro do estádio, relações privilegiadas com algumas da piores casas de má-fama da cidade. São mentiras atrás de mentiras, esquemas em cima de esquemas. Condenações efectivas para dirigentes ou para o clube? Nada. Impunidade e FC Porto, de mãos dadas desde 1982."

Ricardo Santos, in O Benfica

PS: Devido à incompetência do Carteiro, recebi O Benfica com uma semana de atraso!!!!! Mas como não quero deixar de 'postar' as colunas de opinião, mesmo fora de 'contexto' aqui ficam...
Este O Benfica, saiu após o empate com os Corruptos na Luz e após a qualificação para o Jamor... Antes do jogo em Moreira de Cónegos.