Últimas indefectivações

terça-feira, 22 de março de 2016

A modéstia do senhor Otaviano

"Passou por Lisboa em 1953, comandando o America do Rio de Janeiro. No ano seguinte chegava ao Futebol português e ao Benfica para revolucionar para sempre o jogo entre nós...

Pois é, o homem chamava-se Otaviano e poucos se recordarão disso. Otaviano Martins Glória, nascido no Rio de Janeiro no dia 9 de Janeiro de 1917 (não falta muito para os cem anos da sua chegada ao mundo, o Benfica bem lhe deve uma homenagem!), neto de um português dos Açores e de outro de Vila Nova de Gaia.
Chamavam-lhe Otto e Otto ficou. Não sei o porquê do Otto com dois tês, só por simpatias germânicas, sendo Otaviano deveria ser Oto, apenas Oto, sem mais floreados mais próprios do grande e farfalhudo bigodinho do kaiser Guilherme II do que o bigodinho à Errol Flyn do bom e modesto Otaviano.
Otto Glória tinha estado em glória em Lisboa na visita do America do Rio de Janeiro. No Brasil há muitos Américas, coisa de pouca monta já que o país se situa na América, apesar de sulista e muito pouco elitista.
Antes de chegar ao Clube 'encarnado' e mudar para sempre a face do futebol em Portugal, trazendo consigo uma visão profissional de um desporto até aí considerado entre nós, orgulhosamente, como profundamente amador, Otto Glória esteve em Lisboa. A data do acontecimento é clara: 30 de Junho de 1953.
Ninguém pode dizer que essa sua passagem por Lisboa não alterou a sua vida e a vida do Benfica.
O Futebol é muitas vezes feito de encontros e reencontros.
Nesse 30 de Junho, as Salésias encheram-se de gente para ver o virtuosismo anunciado dos brasileiros do America Football Club, assim muito à inglesa como era moda à época, e segundo as crónicas ninguém saiu de lá defraudado.
Cabe dizer que este America, sem acento no E, foi o primeiro dos muitos Americas que entretanto surgiram como cogumelos por todo o Brasil, copiando-lhe o nome e o equipamento, muito curiosamente composto por camisolas vermelhas, calções brancos e meias vermelhas.
Fundado a 18 de Setembro de 1904, por pouco não é gémeo do seu adversário dessa tarde salesiana.
Golos de pura mestria!
Mas, se quase gémeos em idade, bem separados no futebol esparramado sobre o terreno. «Alguns lances do conjunto aprimorado resultaram de malabarismos férteis em argúcia e em imaginação, e de proezas de carácter individual, tão do agrado de grande nação sul-americana. Assim se observava um conjunto de onde resultavam o imprevisto, a graça e a subtileza. A preparação atlética, a descontracção muscular e a arte nas fintas e no domínio da bola favoreciam iniludivelmente os brasileiros».
Por isso venceram. Sem espinhas: 3-1.
Sempre se disse, ao longo da história, que «seu» Otaviano, antigo praticante de basquetebol, trouxeram para as equipas que treinava muitos dos movimentos defensivos utilizados nesse desporto. A verdade é que os seus conjunto apresentavam uma moderníssima exploração dos métodos de pressão sem bola que sufocavam adversários incautos.
Ora, veja-se: «Outro remédio, não tinham os benfiquistas do que fazer figura de discípulos animosos e até por vezes atrevidos nos esquemas ofensivos. Quando isso sucedia, os defesas e médios visitantes escalonavam-se numa barreira cerrada e eficaz, em auxílio estreito ao guarda-redes, um homem robusto, mas prodigiosamente hábil e seguro chamado Julião».
As equipas apresentaram:
BENFICA - Bastos; Artur e Fernandes; Moreira (depois Caiado), Félix e Ângelo; Rosário (depois Zezinho), Arsénio, Águas, Vieira e Rogério.
AMERICA - Julião; Joe e Osmar; Agnelo (depois Ivan), Osvaldo e Élio; Carmelino, Wassil (depois Maneco), Leônidas, João Carlos e Ferreira.
Dizia-se que Otto Glória era capaz de explosões de mau feitio. Mas a exibição do America nessa tarde nas Salésias convenceu os dirigentes do Benfica de que seria o homem ideal para operar a revolução necessária para encarar o futuro com optimismo.
Nos últimos cinco minutos da primeira parte, dois primeiros de execução de Leônidas (não confundir com  o outro Leônidas da Silva, a «Pérola Negra», inventor do pontapé de bicicleta, garantem os brasileiros) e de Wassil, davam vantagem segura aos brasileiros de Otto. Dois toques simples, depois de habilíssimo domínio de bola e de série de fintas desconcertantes.
Era mesmo daquilo que o povo estava à espera. Era mesmo daquilo que povo queria. Estralejaram aplausos!
O terceiro golo do America foi apontado pelo pequeno Ferreira num pontapé quase sem ângulo que fez a bola descrever uma parabólica impressionante.
Depois, como lhes está no sangue, resolveram dar baile. Não estiveram os lisboetas pelos ajustes e lançaram um grito de revolta. Falharam um «penalty» por intermédio de Artur e reduzem o resultado com um golo de supetão de Rogério.
As coisas equilibram-se. Mas não há tempo para muito mais. Otaviano Martins Glória deixa uma imagem de competência em Lisboa com a força de um estandarte na batalha de Aljubarrota.
Não tardará a voltar. Para ficar, «besta ou bestial», conforme ganhava ou perdia, mas português como poucos brasileiros alguma vez o foram."

Afonso de Melo, in O Benfica

Venceu o Manel

"Todos se recordam quando Jorge Jesus, face à situação de necessidade após a saída de Matic, disse que jogaria o Manel. A afirmação fazia todo o sentido. Uma grande vencedora depende do talento individual e da existência de um onze base, mas também da capacidade de, na adversidade, a organização colectiva ser capaz de superar as ausências.
Jorge Jesus tinha razão: numa equipa com dinâmica vencedora e com processos enraizados, pode jogar o Manel.
No Bessa, o Benfica enfrentava um teste muito exigente. Com um onze titular com demasiadas baixas, a equipa jogou com vários 'Manéis'. Jogadores que hoje são titulares e dão boa conta do recado eram, no início da temporada, terceiras e quartas escolhas. Aliás, se, em Agosto, alguém dissesse que o Benfica estaria a liderar o campeonato por esta altura, com Edeson, Renato Sanches, Lindelof, André Almeida e Semedo como titulares e Samaris adaptado a central, ninguém acreditaria.
A vitória sofrida contra o Boavista tem, por isso, vários significados. Por um lado, serve para demonstrar a estrelinha de campeão - sempre necessária nas fases avançadas das temporadas, mas que reflecte também determinação e vontade de vencer, por outro, prova que o Benfica, hoje, não depende apenas da qualidade individual de um par de jogadores. Sem Gaitán, é verdade que, uma vez mais, foi Jonas a decidir, mas o que o jogo do Bessa revela é que estamos perante um colectivo personalizado, que vale como um todo. Ora é desta massa que se fazem os campeões."

As boas recordações

"António Leitão morreu há quatro anos e quando recordamos o seu perfil só nos vêm à memória as boas recordações de um atleta ímpar, cheio de capacidades e que ficou longe de revelar todo o seu potencial devido a uma grave doença (hemocromatose) que lhe ceifou a vida aos 51 anos.
Numa altura em que os sucessos do atletismo português eram quase 'confidenciais' aos olhos de hoje, a medalha de bronze de Leitão nos 5000 metros nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) foi uma lufada de ar fresco face à veterania de corredores como Carlos Lopes e Fernando Mamede.
Leitão tinha 24 anos quando subiu ao pódio no Coliseu de Los Angeles. Foi o seu grande momento. E foi, por incrível que possa parecer, o primeiro atleta do Benfica a conquistar uma medalha olímpica, 72 anos depois da estreia de Portugal nos Jogos de Estocolmo, em 1912.
A maioria das pessoas nunca se deu verdadeiramente conta do contexto das marcas de António Leitão, principalmente do fabuloso recorde nacional de 5000 e 1982, então com a segunda marca europeia e a quarta de sempre a nível mundial. Foram precisos 16 anos para encontrar um sucessor, António Pinto, do Maratona.
No próximo dia 10, o Benfica organiza a 11.ª Corrida António Leitão. Mas em ano de Jogos Olímpicos, será interessante observar a dimensão que o clube da Luz, através do seu Projecto Olímpico, vai dar a esta efeméride. Promover uma corrida talvez seja escasso para valorizar o que de bom António Leitão nos deixou: simpatia, carinho e amizade, além de ter sido o primeiro benfiquista a bater Lopes e Mamede na pista."

O homem que nunca se queixa

"Desde que a temporada começou, e já lá vão oito meses, Rui Vitória nunca se queixou publicamente sobre o que quer que fosse. Teve várias razões para isso, a começar desde logo pela promessa que Luís Filipe Vieira fez e acabou por não cumprir, quando em Junho garantiu que o treinador dos encarnados iria ter as mesmas armas de que beneficiou o seu antecessor. Essas armas - leia-se reforços - nunca chegaram. Vieira será hoje o primeiro a reconhecer que Rui Vitória não teve, nem de longe nem de perto, um plantel ao nível das últimas temporadas. A verdade é que há momentos e circunstâncias difíceis de repetir. Não deve ser possível voltar a reunir futebolistas do 'primeiro mundo' como David Luiz, Di Maria, Ramirez, Javi Garcia e Aimar ou mesmo Witsel, Matic, Garay e Enzo Pérez. É verdade que ainda há jogadores de alto nível na Luz, mas já não é a mesma coisa.
O treinador das águias dizia há dias que para 'analisar a questão das lesões teria de entrar na área da psiquiatria'. Passe o exagero, a realidade é que também aí tem tido pouca sorte. No jogo do Bessa, por exemplo, o Benfica não teve disponíveis Júlio César, Luisão, Jardel, Fejsa, Gaitán e Mitroglou. Nuns casos por problemas físicos, noutros por suspensão, o treinador não pôde contar com 5 ou 6 titulares indiscutíveis. No caso do capitão a ausência já dura há vários meses. E de Gaitán é fácil reconhecer que está a fazer a temporada mais irregular - e 'ausente' - desde que chegou à Luz, em 2010.
Ter visto partir para o baptismo das selecções os 'meninos' Renato Sanches e Lindelof, como antes já tinha acontecido com Nélson Semedo e Guedes, é mais uma vitória para o técnico das águias. E até no regresso de Jonas à canarinha é preciso reconhecer o dedo do homem que nunca se queixa."

A sinuosa viagem de barco à Madeira

"Nestas 45 horas, houve espaço para enjoos, cumprimentos sentidos e embarcações vizinhas e piadas de gosto duvidoso.

A 10 de Julho de 1949, 27 anos depois da primeira ida à Madeira, o Benfica regressou à 'Pérola do Atlântico' para ali disputar dois jogos particulares com o Nacional e o Marítimo. A viagem a bordo do Lima, o navio que os levou ao Funchal, adivinhava-se longa e sinuosa. Naquela altura, o percurso Lisboa-Funchal demorava cerca de 45 horas! Por isso, muitas pessoas que se foram despedir dos jogadores à gare de Alcântara não se pouparam nas advertências acerca dos enjoos. A intenção era boa mas a maioria dos atletas, convencidíssimos que tinham nascido para serem 'lobos do mar', fizeram orelhas moucas e ignoraram os conselhos. Fizeram mal. Assim que o Lima passou Cascais, levantou-se uma ventania tal que deu ao navio um 'cadenciado balanço'. Os rostos, tão confiantes em terra, vestiram-se de aflição. Foi uma luta para que o almoço, ingerido momentos antes, ficasse no estômago e uma verdadeira prova de resistência à inexperiente tripulação. Muitos deles, à socapa, foram descendo aos camarotes, ansiosos para descansarem a cabeça de tanto balanço. Dos 22 membros da caravana benfiquista, apenas três se aguentaram firmes na popa do navio. Desses três, apenas um era jogador.
Ainda nessa tarde, o Lima cruzou-se com Carvalho Araújo, o paquete que transportava a equipa do Belenenses, regressada de uma viagem à Madeira e aos Açores. Os comandantes das respectivas embarcações cumpriram o cumprimento da praxe e os jogadores, que estavam a levar com toda aquela experiência muito a sério, não quiseram ficar atrás. Debruçaram-se das janelas e, de lencinho branco em punho, acenaram em jeito de cumprimento aos colegas azuis do Restelo.
Trinta seis horas depois de abandonarem o Tejo, um exasperado Américo Silva, director da secção de futebol, queixou-se do tempo que a viagem estava a demorar. 'Ainda se ao menos se visse terra. Mas não.' Um marujo que se encontrava ali perto ouviu o lamento e prontamente informou o seccionista de que estava errado. 'Não vê terra porque não quer. Eu ainda há bocado a vi'. Américo deu um salto da espreguiçadeira, onde estava confortavelmente deitado há horas, e começou a olhar em redor. 'Terra? Mas onde?'; 'Na ponta do navio. Num vaso com flores'. Quem diria que, a bordo do Lima, havia um pequeno Badaró!
Pode saber mais sobre as digressões do Benfica na área 26. Benfica Universal do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

O futebol está bem!

"Só é pena que haja ainda presidentes em contramão, uns por ignorância, que nem sabem no que votam, e outros por conveniência, que falam muito e dizem pouco...

Este é o Campeonato que se desejava e que quantos apreciam bom futebol, apaixonados pelos clubes mas sem fanatismos nem outros comportamentos reprovável, estão a viver com especial intensidade. Mesmo reconhecendo a nossa pequenez territorial, com dez milhões de habitantes apurados com alguma dificuldade, e a condição de país periférico, a verdade é que o futebol português tem conseguido dar passos de gigante no sentido de uma mudança cultural na observação do jogo e na perspectiva que dele se deve ter numa sociedade moderna e civilizada.
Já não é apenas em Inglaterra, onde os títulos são discutidos ao 'sprint', ou em Espanha, onde a superioridade Barça-Real começa a ser disputada pelo Atlético Madrid e o Valência que já neste século os suplantou.
 Portugal começa a transmitir importantes sinais de querer libertar-se dos grilhões que a facção mais conservadora, ou mais habilidosa, da classe dirigente teima em manter activos na defesa de interesses próprios, os quais, na maioria dos casos, colidem com a saúde do negócio e a valorização do espectáculo.
As pessoas, mais jovens ou mais velhas, mais avisadas ou mais distraídas, mais inflexíveis ou mais condescendentes, de uma maneira geral, já perceberam que o caminho a percorrer tem de ser diferente daquele que arrozoados feitos de insinuações pouco claras sugerem, erguendo-se aqui uma linha de fronteira entre o passado/presente e o futuro: espécie de biombo entre os que dão atenção ao jogo jogado sobre o relvado, com os defeitos e as virtudes dos intérpretes (jogadores, treinadores e árbitros), e os que se agarram aos jogos 'fora das quatro linhas', para desculparem derrotas ou, mesmo quando ganham, manterem este estado de graça por 'tempo indefinido'...
Ouvi, este domingo, a um comentador que aprecio, que andar sempre a falar do passado para justificar insucessos do presente não tem cabimento. É o reflexo de quem teme o futuro, acrescento eu.

O Campeonato português está bem, pratica-se futebol de melhor qualidade e os três candidatos, porque continuam a ser três, cada qual com os seus argumentos, mantêm-se na luta, sabendo-se que só um poder ganhar. O Braga consolida o estatuto de 'quarto grande' no presente. Arouca, Rio Ave, Paços de Ferreira e Estoril passaram de surpresas a confirmações. Além de tudo isto, emerge com entusiasmo e confiança outra geração de treinadores, mais sabedora e ambiciosa, e a questão que nos tem preocupado sobre o rejuvenescimento da Selecção parece resolver-se com a afirmação de mais talentos, casos de João Mário, Renato Sanches, Danilo Pereira, William Carvalho, Nélson Semedo, Rúben Semedo ou André Silva.
O público gosta e compreende. Mais gente nos estádios, com incidência no elemento feminino. Os grupos organizados de apoiantes (claques) também eles estão a tentar controlar excessos e reacções truculentas, devendo destacar-se o facto de nenhuma situação preocupante ter sido registada nos jogos já realizados entre os grandes.
Alterações tradutoras de uma evolução ao nível das mentalidades, difícil, sem dúvida, mas que avança, impulsionada pela imagem de um 'nova' Federação liderada por Fernando Gomes, respeitada na UEFA e na FIFA, que se modernizou através de uma organização competente, empreendedora e desafiante. Só é pena que entre os clubes haja ainda presidentes em contramão, uns por ignorância, que nem sabem no que votam, e outros por conveniência, que falam muito e dizem pouco...

Nota - Há uma semana, a propósito de uma coisa a que chamei «A lista de Bruno», escrevi que se a verdade incomoda, a independência incomoda muito mais, frase que deve ter entupido a 'linha verde' das redes sociais, tal a excitação que provocou. Independência, sim: liberdade para escrever e dizer pela minha cabeça, sem estar sujeito a pressões ou recados. Há quem não goste? Paciência. Nos muitos metros de prosa que somo nesta coluna de opinião, não me recordo de ter referido o nome de Eduardo Barroso, a quem vejo, e sempre vi, como médico conceituado e de enorme prestígio e não como adepto de bancada. No entanto, entendeu ele, devido ao mesmo assunto, envolver-me em deselegante teia de considerações. Para mim, o futebol deve ser visto como caleidoscópio de rivalidades apaixonadas, jamais como vazadouro de rancores tribalistas. Admito, porém, que haja quem defenda ideia contrária."

Fernando Guerra, in A Bola

Prémio prestigioso, adeus ao paraíso

"1. Na última semana, Paulo Sousa viveu emoções antagónicas. Por um lado, a desilusão de dois comprometedores empates da sua Fiorentina (ambos a zero), um contra o lanterna vermelha Verona e outro contra o Frosione, que luta pela sobrevivência. Um addio precoce à antecâmara do paraíso que seria o terceiro lugar, que garante o acesso ao play-off de qualificação para a Liga dos Campeões. Por outro lado, o orgulho de ver reconhecido o mérito do seu trabalho na condução do conjunto viola com o Prémio Gaetano Scirea. Um galardão cuja divisa é justamente «lealdade e correcção desportiva», duas das qualidades que melhor caracterizaram o respectivo patrono. Como muitos se recordarão, Scirea (que representou e capitaneou a Juventus e a squadra azzurra durante 14 épocas) faleceu tragicamente em Setembro de 1989 num acidente rodoviário em Gornik, na Polónia, onde se deslocara, como vice de Dino Zoff, para visionar a equipa local, adversária da vecchia signora na Taça UEFA. Não é uma distinção qualquer, até pela motivação que a justifica: «Sinceridade e seriedade». Basta referir que em 25 edições, o troféu só uma única vez foi atribuído a outro estrangeiro, neste caso a Javier Zenetti, um argentino transplantado em Itália há 20 anos, sempre ao serviço do Inter de Milão.

2. O quadro económico-financeiro da Série A é grave e tende a piorar. As preocupações maiores residem na falta de liquidez e na escassa diversificação das fontes de receita, em 60 por cento dependente dos direitos televisivos. Tendo em conta que cada um dos 20 clubes encaixa, no mínimo, 40 milhões de euros, só a má gestão dos recursos pode explicar a crise. A continuar assim, o exemplo da falência do Parma vai seguramente repetir-se."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Benfiquismo (LI)

Após o sorteio dos Quartos-de-final da Champions,
apeteceu-me recordar, outros Sorteios madrastos!!!
Stefan Schwarz e Veloso, na impossível vitória em Londres...
... a história do Benfica está repleta de vitórias impossíveis!!!
6 de Novembro de 1991
Arsenal 1 - 3 Benfica

Qual será a próxima?!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Lixívia 27

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 67 (-5) = 72
Sporting........ 65 (+15) = 50
Corruptos.......61 (+13) = 48

Uma semana sem Casos graves. Algo raro, principalmente nesta fase decisiva do Campeonato.
Mesmo assim, quem estiver atento pode observar 'algumas' tendências!!!

O único erro 'maior' foi o golo em fora-de-jogo do Arouca, na vitória do Sporting por 5-1... portanto, nada de grave, até porque o resultado já estava em 5-0 quando o golo apareceu...
Em Setúbal nada de especial... mesmo com aquela última oportunidade do Setúbal - que daria o empate -, que ao 'vivo', até parecia que o Mini tinha cortado a bola com o braço!!!
No Bessa, nenhum caso mediático... mesmo assim o Coroado 'descobriu' duas expulsões perdoadas ao Benfica!!!

Agora vamos analisar as tais 'tendências'!!!
- No Sábado no Alvalixo, o Arouca até começou a criar perigo, mas acabou facilmente goleado... mesmo assim a arbitragem do sócio Corrupto Manuel Oliveira foi engraçada: muita agressividade no Meio-campo dos Lagartos, e faltas ou cartões nada...!!! A melhor 'imagem' foi uma bola cabeceada pelo avançado do Arouca, que sem saltar, sem usar braços, sem empurrar, ganhou a bola... ao Central Lagarto, que chegou 'atrasado' e caiu em cima do Arouquense, conclusão: falta contra o Arouca!!! Esta foi uma falta inconsequente, mas o critério foi sempre este...
A coação publica resulta, e os Lagartos são os Mestres da Coação...

- No Bessa, a tendência foi inversa!!! A equipa 'pequena', o Boavista, que baseia todo o seu Modelo de jogo, na agressividade, teve carta branca, para fazer tudo... No final da partida, 1 Amarelo para o Boavista, deve ter sido o jogo com menos Cartões desde que o Boavista regressou à I Liga!!!
As duas primeiras faltas contra o Benfica não existem, são claras simulações: a primeira supostamente do Semedo; e a 2.ª supostamente do Samaris, que ainda por cima deu Amarelo (jogada que começa com um empurrão sobre o Jiménez junto da área do Boavista...)...
O Boavista é daqueles equipas que dá porrada, e ao mesmo tempo simula e protesta constantemente em todas as disputas de bola! Rúben Ribeiro já tinha avisado através do seu progenitor durante a semana, que ia rebentar com o Benfica... e o rapaz bem tentou!!! Primeiro deu uns murros nas costas do Nelsinho, depois atirou-se ao Renato - murros e chapadas -, sempre com cara de sonso, e sempre que possível a rebolar no chão, simulando dores que não tinha... O Paulo Vinicius andou o jogo todo a fazer pontaria aos calcanhares do Jonas, sempre que o Pistoleiro recebia a bola, lá vinha o Central do Boavista, à procura do tendão de Aquiles do nosso Goleador!!! Sempre com total impunidade... e quando o Jonas se fartou de tanta porrada manhosa (e altamente perigosa...), Fábio Veríssimo, foi pedir calma ao Jonas!!!
Fábio Veríssmo é um Lagarto fanático, que andou a espalhar incompetência pelos Distritais de Leiria, mas rapidamente subiu à 1.ª categoria, e foi imediatamente promovido a Internacional!!!
Fábio Veríssimo, no início desta temporada, foi o árbitro que expulsou um jogador do Nacional em Alvalade, por volta dos 30 minutos da 1.ª parte, com dois amarelos em 5 minutos, sem que tivesse existido uma única falta!!! Mas no Bessa, resolveu ter outro critério...
O Benfica jogou pouco, o nosso Santo protector Jonas, apareceu no momento certo, não tivemos nenhum Caso grave, onde tivéssemos sido prejudicados, mas o caldinho estava preparado...

Aliás, durante a semana fui informado de várias movimentações para 'perturbar' os Benfiquistas que foram ao Bessa, além de influenciar o desenrolar da partida: por exemplo a suposta proibição dos Benfiquistas levarem adereços não foi ideia do Boavista ou da PSP...!!!
Na véspera, tivemos outra conferência de imprensa a tentar Coagir a nossa arbitragem, com a novela dos penalties, que os Anti's acham que podem decretar contra o Benfica...; além das expulsões a pedido do Renato...

Neste momento ainda estamos a digerir os 3 pontos do Bessa, mas não podemos baixar a guarda, para as próximas jornadas...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar
16.ª-Marítimo(c), V(6-0), Veríssimo, Nada a assinalar
17.ª-Nacional(f), V(1-4), Tiago Martins, Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-2), Vasco Santos, Prejudicados, (1-3), Sem influência no resultado
19.ª-Arouca(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
20.ª-Moreirense(f), V(1-4), Manuel Oliveira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
22.ª-Corruptos(c), D(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
24.ª-União(c), V(2-0), Cosme, Nada a assinalar
25.ª-Sporting(f), V(0-1), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-Tondela(c), V(4-1), Luís Ferreira, Nada a assinalar
27.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(f), V(0-5), Veríssimo, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), D(1-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado
19.ª-Marítimo(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
20.ª-Estoril(f), V(1-3), Tiago Martins, Nada a assinalar
21.ª-Arouca(c), D(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
22.ª-Benfica(f), V(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Moreirense(c), V(3-2), Luís Ferreira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
24.ª-Belenenses(f), V(1-2), Capela, Nada a assinalar
25.ª-Braga(f), D(3-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-União da Madeira(c), V(3-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
27.ª-Setúbal(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Setúbal(f), V(0-6), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
17.ª-Braga(c), V(3-2), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
18.ª-Tondela(c), E(2-2), Luís Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Académica(c), V(3-2), Cosme, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
21.ª-Rio Ave(c), E(0-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
22.ª-Nacional(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Boavista(c), V(2-0), Rui Costa, Nada a assinalar
24.ª-Guimarães(f), E(0-0), Tiago Martins, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
25.ª-Benfica(c), D(0-1), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
26.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
27.ª-Arouca(c), V(5-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado

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E no fim, Jonas

"As caminhadas de sucesso dependem de vitórias conseguidas jogando mal ou mesmo imerecidas

O triunfo no Bessa, materializado pelo golo do inimitável Jonas, permitiu ao Benfica um alento especial, porque aconteceu no último suspiro, segurou a liderança no campeonato e só foi justificado pela mestria do brasileiro, não pelo rendimento da equipa. É comum dizer-se que o segredo de uma caminhada de sucesso é ser-se capaz de ganhar os jogos em que se joga mal. Então ganhar sem jogar bem e com merecimento discutível é mais importante ainda.
O Benfica ganhou ao Boavista porque tem Jonas, um craque discreto, mas um real fazedor de golos, um jogador de campeonato. Pode não o ser dos grandes jogos, onde o policiamento é exercido por agentes mais qualificados, mas é na soma de todos os resultados que se apuram os vencedores. E não outra razão: nesses confrontos entre grandes são os treinadores que o utilizam de forma diferente, que precisam dele noutro espaço e o roubam da zona da glória. Já era assim no passado."

Juízo de miúdos

"É outro Sporting-Benfica: de um lado tapa-se miúdos, do outro destapa-se - das circunstâncias às decisões, no balanço do campeonato tudo contará

É pancada cá, pancada lá, na certeza absoluta de que o dérbi que tem Sporting e Benfica como protagonistas atravessará a temporada de uma ponta à outra, fora e dentro de campo, gravitando ainda a promessa de muita intriga se desnudar até ao verão. Com tropeções sucessivos, um deles em confronto directo com o rival, o leão largou a liderança do campeonato e, reduzido a esta prova, vê-se na contingência de terminar de mãos vazias uma campanha que deveria ser de consolidação e afirmação da política governativa de Bruno de Carvalho, num ano em que a vertente financeira acusa o peso da jogada.
E, é inevitável, quanto maior for o risco de ficar para trás na luta pelo título, mais ampla será também a reflexão sobre a utilidade e o acerto de certas escolhas do treinador Jorge Jesus. Uma delas chama-se Bruno César, o ala esquerdino recrutado ao Estoril no mercado de inverno, anos antes "despachado" para a Arábia pelo Benfica, facto que - como se percebeu na semana do último mano a mano dos vizinhos desavindos - constitui ponto de tensão. Os dados de utilização na frente que justificou sacrifícios mostram-nos que a contratação do brasileiro teve como consequência o "apagamento" de Gelson e Matheus, dois meninos da Academia.
É aqui que reentra o Benfica de Rui Vitória: o assalto ao primeiro lugar da Liga foi feito, e está a ser defendido, com Ederson, Lindelof, Renato Sanches e Nélson Semedo no onze, todos eles miúdos com carimbo da casa. Das circunstâncias às decisões, na hora do juízo final, tudo importará."

Em torno da teoria da rotatividade

"A rotatividade como um bem absoluto é um disparate. Os treinadores devem, a cada momento, aferir o que é o melhor para a sua equipa...

Na vida, as generalizações são geralmente injustas e redutoras. E o futebol é vida, nem mais, nem menos, padece dos mesmos males e revela as mesmas virtudes. Vem esta introdução a propósito dos temas, sempre em voga quando se chega a esta altura do ano, dos eventuais malefícios da participação em mais do que uma competição e da forma de gerir a rotatividade dos plantéis.
Sejamos claros: há jogos a meio da semana que provocam mossa e convidam a mudanças na equipa. Por exemplo, não haverá nenhum adepto do PSV que não relacione a derrota caseira de ontem com o Ajax, no jogo do título, com o esforço físico e emocional da partida da Champions, no Calderón, que teve prolongamento e penalties. E mesmo o Bayern de Munique, que tinha tarefa mais acessível, em Colónia, percebeu que depois da Juventus era melhor rodar a equipa e Guardiola deixou de fora Muller, Ribéry e Vidal.
Qual é a melhor forma, então, de gerir as múltiplas competições? Com bom senso, na certeza de que há momentos que requerem uma fórmula e outros que se resolvem melhor com outra diferente. O que é errado é, logo à partida, desistir desta ou daquela prova, para guardar os ovos todos no mesmo cesto. É com o andamento das competições que o treinador deve decidir os efectivos a alocar a cada batalha.
Veja-se o caso de ontem, do Benfica. Com um onze profundamente marcado por castigos e lesões, foi fundamental para que os encarnados chegassem ao triunfo já fora de horas a confiança que a equipa respira e que deriva, em boa parte, dos sucessos europeus.
Se o Benfica não acreditasse que era possível, se não porfiasse até ao derradeiro instante, não sairia do Bessa com os três pontos que lhe garantiram a liderança.
Aquilo a que se convencionou chamar forma de um atleta não é feito apenas de um somatório de atributos físicos. Não basta estar bem fisicamente, ser capaz de correr mais depressa ou saltar mais alto; é fundamental estar bem de cabeça e esse estado consegue-se alavancado nas vitórias.
Ganhar é o mais poderoso dos dopings, e a confiança no triunfo que cada jogador em forma sente quando entra em campo, embora não seja quantificável, nem por isso deixa de ser absolutamente relevante e de fazer a diferença.

Jesus, Slimani e os efeitos colaterais
«Ninguém gosta de sair, todos querem jogar, e o que o Slimani diz ou pensa, para mim, vale zero. Quem está com azia que tome Kompensan»
Jorge Jesus, Treinador do Sporting
É dos livros a azia do jogador substituído. Porém, como era dito no tempo da outra senhora, «manda quem pode, obedece quem deve.» Daí que Jesus tenha estado bem ao lembrar a Slimani quem é o boss. Menos bem terá estado nos termos que escolheu. Se bem que o jogador tenha de ser chamado, à pedra, não há necessidade de humilhá-lo publicamente, como aconteceu...

ÁS
Jonas
Muita frieza e tremenda técnica do avançado brasileiro foram o abono de família do Benfica na difícil deslocação ao Bessa. Jonas, que como corolário do que tem feito de águia ao peito está de regresso à Selecção do Brasil, revela-se como o mais decisivo jogador dos encarnados: 29 golos na I Liga!!!

REI
Nélson Évora
Ficou à porta das medalhas nos Mundiais de pista coberta, revelando uma capacidade competitiva que nos deixa sonhar, de olhos postos no Brasil. Évora, sublinhe-se, não precisa de fazer mais nada para ter um lugar de honra na história do desporto português. Mas, como se percebe facilmente podemos continuar a contar com ele.

REI
Fernando Alonso
O piloto asturiano deve passar a celebrar, a 20 de Março, o dia em que renasceu. O acidente que sofreu na Austrália foi de uma gravidade só superada pela espectacularidade de que se revestiu e, depois do susto, ficou à vista de todos como tem sido melhorada, ano após ano, a segurança dos habitáculos. Fazem milagres...

Como viram na Turquia a arbitragem de Braga
A arbitragem do croata Ivan Belek no SC Braga, 4 - Fenerbahçe, 1 levantou ondas de indignação na Turquia e o 'FotoMac' fez capa com uma montagem onde Bebek aparece de exterminador implacável com as insígnias da FIFA. Por cá, mesmo quando nos toca a nós o protesto, somos um pouco mais suaves.

Um dia triste
A derrota caseira com a Rússia consumou a descida de divisão de Portugal no râguebi europeu. Depois de anos a fio em que os outros evoluíram e nós não saímos do mesmo sítio em termos de estruturas e perdemos inúmeros apoios, não será possível falar, sequer, em surpresa. E a queda não vai ficar por aqui porque nos sevens só por milagre manteremos o lugar nas World Series. Tempo para pensar e elaborar um plano que possa devolver aos Lobos pelo menos a esperança de voltar a um Mundial. Coração ao alto e olhos postos no futuro, precisa-se..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Só a cortiça

"Com a qualificação do Sp. Braga para os 'quartos' da Liga Europa, Portugal recuperou a França o 5.° lugar no ranking da UEFA. Os franceses têm ainda o PSG na Liga dos Campeões e nós temos o Benfica, pelo que o desempenho europeu dos arsenalistas será importante para mantermos a posição até ao fim, o que permitirá ao 3.° da Liga de 2017/18, disputar o playoff da Champions em vez da 3.ª pré-eliminatória. 
Os quatro primeiros do ranking são, naturalmente. quatro potentados do futebol e do Velho Continente: Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália. Os outros dois, França e Rússia, seguem em 6.º e em 7.º, com Portugal a intrometer-se assim numa disputa a seis que passou a ser a sete graças à valia dos clubes de um pequeno país de 10 milhões de habitantes - os outros vão dos 47 milhões da Espanha aos 145 milhões de russos, todo um mar de recursos humanos e financeiros.
Também noutro ranking da UEFA o de clubes avaliados um a um pela participação nas competições europeias, nas últimas cinco épocas. o Benfica surge em 6.° lugar e é o único emblema do 'top ten' que não pertence a um dos grandes países europeus, sendo preciso ir até à 14.ª posição para encontrar o primeiro russo, o Zenit, logo seguido do segundo português, o FC Porto.
E se olharmos para o ranking da FIFA encontraremos a Selecção Nacional em 7.°, a quarta europeia, pelo que lanço a pergunta recorrente: haverá outra área de actividade em Portugal tão reconhecida internacionalmente como o futebol? Não, não há.
Quer dizer, por uma questão de patriotismo devemos sempre contar com a cortiça."

Benfiquismo (L)

Toni... fugindo à onda vermelha !!!
24 de Maio de 1981, Benfica 5 - 1 Setúbal
O último jogo oficial de Toni no Estádio da Luz, como jogador !!!

Festa marcada, pela violência policial,
com varridela à bastonada na bancada de sócios,
ameaças de tiros, gás lacrimogéneo...
... 2.º Circular estilo Gaza!!!
Garrafas de vidro a voarem do 3.º anel...
... e a acertarem em cima de mim...
Enfim, o Benfica foi Campeão!!!!

domingo, 20 de março de 2016

21.ª Taça de Portugal

Benfica 103 - 51 Ovarense
23-15, 25-21, 21-2, 34-13

Provavelmente o melhor jogo da época...
O 3.º período demolidor, também se deveu ao cansaço da Ovarense (3 jogos em 3 dias, com menos opções), mas o Benfica hoje estava com tudo...
18 triplos, com 56% é talvez a melhor estatística para explicar o nosso jogo! Mas não foi só isso: o regresso do Radic a 100% também foi muito importante... e com o Cook com vontade, tudo é possível...

Era muito importante, voltar a ganhar títulos, depois das últimas desilusões... Com todos os jogadores a 100% (hoje faltou o Gentry) é muito difícil, o Benfica não ser Campeão!!!

Vermelhão: Fé

Boavista 0 - 1 Benfica


Tenho que ser honesto: já não acreditava!!! Os meus problemas com a fé, começaram quando soube o 11 inicial (com o Samaris a Central...); poucos minutos depois do jogo começar, fiquei logo 'desconfiado' da forma como estávamos a jogar...; um pouco depois, quando vi o Renato a levar chapadas e murros, e a ser 'acalmado' fiquei ainda com mais dúvidas...; com a entrada do Carcela, ganhei alguma esperança... mas a dinâmica manteve-se...
Até que apareceu o São Jonas, e como é óbvio, voltei a acreditar!!!
Peço desculpa, por estes momentos de dúvida existencial, mas não sou de ferro!!!
Jogámos com 4 titulares nos seus sítios (Eliseu, Semedo, Sanches e Jonas), tanto o Samaris como o Pizzi, jogaram 'fora' das suas posições! Mesmo os tais 4 'titulares', no início da época, só 2 eram titulares: Eliseu (e como nós sabemos, na pré-época, 'todos' queriam 'comprar' um titular para o lugar do Eliseu!!!) e Jonas. Além disso, o Salvio e mesmo o Semedo, ainda estão longe da forma pré-lesão, principalmente o Toto...!!!
É impossível, com tantas alterações, a equipa manter um nível elevado. Este '11' nunca tinha jogado junto. Foi notório os problemas de rotinas entre os jogadores, notou-se a falta de mecanização na troca de bola... É urgente, o Benfica deixar de ter jogadores titulares lesionados ou castigados... O Santo Jonas não vai aparecer em todos os momentos!!!
A somar a tudo isto, defrontámos um Boavista competente, naquilo que sabe fazer. Ainda por cima, com a colaboração de um Lagarto apitadeiro (é Lagarto fanático...), que premiou sistematicamente, a base de todo o jogo do Boavista: a agressividade! A equipa mais castigada da Liga, hoje, soube desde do primeiro minuto, que estava impune.. podiam fazer tudo, que nunca seriam expulsos!
Individualmente, tenho que destacar o Ederson. Não foi chamado a muito trabalho, mas quando foi obrigado a intervir, fez com muita competência. Estes são jogos muito ingratos para os Guarda-redes, nem todos os Guarda-redes têm estofo psicológico para manter a concentração nestes jogos...
O Pizzi melhorou muito quando apareceu na Direita... Boa entrada do Carcela...
E muito sinceramente os elogios, ficam por aqui: mesmo o Lindelof teve algumas hesitações que me deixou preocupado... o Eliseu foi se calhar o melhor defesa, mas teve duas paragens cerebrais!!! O Samaris acabou por levar um Amarelo, numa simulação de um adversário, e ficou logo condicionado... mesmo assim, num jogo muito diferente em relação a São Petersburgo, foi resolvendo as coisas... Hoje, em condições normais, era um jogo para o André ser titular na Direita...
Salvio muito longe da melhor forma, e Jiménez muito lutador, mas pouco produtivo!
Fundamental, chegar as estas mini-férias da Páscoa na liderança. Como ficou provado hoje, nada está decidido. Todos os jogos vão ser complicados, incluindo os jogos em Coimbra, em Vila do Conde, e no Funchal... todos os jogos vão ser complicadíssimos. Durante a semana fui avisado, que houve muitas movimentações em redor do plantel do Boavista esta semana... e a forma como o jogo decorreu só confirmou as minhas informações. Até ao final da época... tudo vai ser tentado!!! Tudo !!! O episódio com o Renato desta semana é só um pequeno exemplo... eles estão desesperados, vai valer tudo... E se estão à espera dos pontos perdidos pelos Lagartos, é melhor esperarem sentados!!!

Como a minha 'selecção' é o Benfica, não estou nada entusiasmado com as chamadas às diversas Selecções dos nossos jogadores. Principalmente os Sul-Americanos. Compreendo a felicidade do Jonas, mas muito sinceramente preferia que ele ficasse em Lisboa... e provavelmente até vai ter poucos minutos na Selecção, mas com as viagens, vai chegar a Lisboa poucas horas antes do jogo do Braga... Mais uma das partidas fundamentais, na caminhada para o 35...


GOLOOOOOOOO
Publicado por Sport Lisboa e Benfica em Domingo, 20 de Março de 2016


Jonas Gonçalves Oficial dá a voz pela equipa e agradece aos adeptos. #Juntos #SejaOndeFor
Publicado por Sport Lisboa e Benfica em Domingo, 20 de Março de 2016

Uma nota final para a invasão Bessa! Mais uma demonstração impressionante de Benfiquismo... Com um merecido e saboroso prémio, no final!!!
Eu desta vez, não fui ao Bessa... mesmo assim acabei por ser brindado, com mais uma pérola: estava o jogo a entrar nos Descontos, passei pela CMTV, estava o Severino a fazer uma delicioso comentário, basicamente a dizer que apesar do Sporting estar de regresso à liderança, os Sportinguistas não podem entrar em euforia...!!!
Lindo...!!!!!!!!



Avante SLB !!!
Publicado por Tó Monteiro em Domingo, 20 de Março de 2016


Já está !!!
Publicado por Tó Monteiro em Domingo, 20 de Março de 2016



Assim se vê a força do SLBRumo ao 35 !!!#carrega_benfica
Publicado por Tó Monteiro em Domingo, 20 de Março de 2016

Sonho perdido...

Benfica 1 - 3 Verona
15-25, 25-19, 17-25, 14-25


Foi bonito, mas acabou!!! A normalidade acabou por chegar a esta eliminatória. A equipa que tinha a 'obrigação' de passar à Final, passou... O Benfica lutou, mas voltámos a falhar em alguns momentos, e hoje os Italianos não estavam em modo 'soft'!!! O Verona é claramente a equipa mais forte que o Benfica defrontou nos últimos dois anos na Europa...!


Obrigado aos 1500 espetadores que apoiaram até final a equipa de Voleibol! A época não acabou aqui: há ainda uma final de play-off pela frente.#Juntos #SejaOndeFor
Publicado por Sport Lisboa e Benfica - Modalidades em Domingo, 20 de Março de 2016

Só tenho uma mágoa: no 4.º Set o jogo estava equilibrado, e é uma má decisão da equipa de arbitragem que deu 2 pontos ao Verona!!! É o Bloco do Verona que invadiu o nosso campo, e como é óbvio tocaram na rede... não foi o Gaspar! Esta decisão acabou por dar 3 pontos ao Verona: o ponto 'retirado' ao Benfica, o ponto dado ao Verona, e o ponto correspondente ao Vermelho ao Roberto por protestos!!! A equipa praticamente desistiu depois deste ponto...
Depois de tanto esforço, não merecíamos perder desta forma...

PS: Na última madrugada em Portland, nos Mundiais de Pista Coberta, o nosso campeão Nélson Évora, ficou no 'pior' lugar nas grandes competições: 4.º, com 16m89 !!! O Nélson fez a melhor marca do ano... mas não chegou!
No Rio, o grande objectivo da época, o Nélson terá que voltar aos 17 metros altos, para lutar pelas medalhas...
O Samuel Remédios, participou pela primeira vez numa grande prova internacional no Heptatlo e quedou-se pelo 9.º lugar. Boa prova do Samuel, parece que vamos ter finalmente um 'substituto' do Mário Aníbal nas provas combinadas...

Não está nada fácil...

Portimonense 1 - 0 Benfica B


Fomos aguentando, criámos alguns oportunidades claras... falhámos, e quando eu já começava a acreditar no empate: perdemos!
Temos que conquistar os 3 pontos no Seixal, basta fazer isso, para subir na Tabela... nada está definido!

Filhos dos dias

"1. Não vou escrever, desde já, acerca do desporto ou do futebol. Desculpem-me. A começar pelo nosso querido Director. Depois os nossos simpáticos e dedicados leitores. Mas compreenderão que não esqueça o precoce afastamento do nosso convívio do Nicolau Breyner. Do querido Nico. Fazia parte da miríade de pessoas brilhantes do nosso tempo. Homem ilustre e simples, talentoso actor e realizador visionário encheu diferentes palcos, mobilizou-nos para a televisão, chamou-nos para o cinema português. Era portador de um espírito desmedido e de uma capacidade multidisciplinar e ecléctica. Engrandeceu Portugal e amou os mais próximos. Suas queridas Filhas eram o seu tesouro. Não esqueço a sua generosidade admirável. E a sua dedicação ao seu Alentejo e ao nosso Benfica. E é esta dedicação que, aqui, registo, sublinho e enalteço. Sempre que nos encontrávamos o Benfica era um tema incontornável. Com a certeza que nunca deixava de acreditar. Nunca mesmo. E o forte aplauso que o Estádio da Luz lhe dedicou na passada segunda-feira foi um reconhecimento pleno. Uma homenagem justa. A que se seguirão, estou certo, algumas outras. De Serpa a Lisboa!
2. Diz o povo na sua imensa e inata sabedoria: «Filho és, Pai serás. Como fizeres, assim acharás». Ontem celebrou-se o Dia do Pai. Recordei com uma imensa saudade o Senhor Meu Pai. Com ele aprendi que, tal como nos Génesis, somos «filhos dos dias». E na celebração de São José, do carpinteiro que a história regista, da joselogia que se expressa e divulga, do José do Egipto que era uma «figura conhecida como modelo de virtude», não esquecemos, neste arranque da semana quaresmal, o Evangelho e aquele trecho de Mateus: «Levanta-te, torna o menino mais a sua mãe e foge com eles para o Egipto. Deixa-te lá estar até que eu te diga, porque Herodes vai procurar a criança para a matar». E recordei também a saudosa Senhora minha Mãe já que nunca esqueço que nasci num Domingo de Páscoa. E que só daqui a dois anos é que o dia dos meus anos coincidirá, de novo, com um Domingo de Páscoa. Para imensa alegria, estou convicto, dos meus queridos e saudosos Pais. E para alegria de toda a Família, do meu querido Filho e dos meus amados netos. Já que sou, como Avô, e neste tempo e nesta circunstância, um verdadeiro, e porventura perturbante, pai com mel. Com a consciência que somos sempre «filhos dos dias»!
3. E recordei o meu querido e saudoso Pai no momento em que o sorteio da Liga dos Campeões nos ditou em sorte o Bayern de Munique. Foi graças a ele que acompanhei o Benfica a Munique em Março de 1976 para uns quartos de final da Taça dos clubes Campeões Europeus. Agora Liga dos Campeões. Na primeira mão o Benfica empatara no Estádio da Luz. Com o Capitão Mário Wilson a liderar no banco. E com Toni, Shéu, Nené, José Henrique, Artur Correia e Jordão, entre outros na equipa. E em Munique também jogou, recordo com saudade o Vítor Baptista, e também o Vítor Martins e o Nelinho. Mais o António Bastos Lopes, o Barros e o Messias, entre outros. Não esqueço, desse jogo, o faro de golo do Muller e do Durnberger. Não esqueço mesmo! E não esqueço, ainda, que conquistámos o título nacional nessa época em disputa directa com o Boavista, o nosso adversário de hoje e então liderado por José Maria Pedroto. E o terceiro classificado nessa época foi o Belenenses de Artur Jorge e Pietra! E que foi nessa época, e na última jornada desse campeonato que realizámos o jogo mil na primeira divisão o qual perdemos, aliás, para o Futebol Clube do Porto. Acredito que na passada sexta-feira assistimos a um sorteio puro. Mas, na verdade, pareceu um sorteio cantado. Bem cantado! Como escreveu Jesús Mota em relação a este sorteio - e logo à UEFA - a «grandeza das instituições está em cuidar os pequenos detalhes». Acredito que o Benfica de Rui Vitória entrará no bonito estádio do Bayern com vontade de surpreender a Europa. E o Mundo. Com a certeza e a consciência, em cada jogador, que são «filhos desse dia»!
4. Renato Sanches e Eliseu. Victor Lindelof e Jonas. Juventude e experiência. Os quatro chamados à respectivas selecções nacionais. Da portuguesa à sueca. E se com Renato Sanches é uma escolha que se saúda de Fernando Santos com Jonas é o regresso bem merecido à selecção brasileira podendo celebrar a sua nona internacionalização. E Lindelof chega com todo o mérito à principal selecção da Suécia e partilhará decerto instantes relevantes com Ibrahimovic. Todos reconhecerão que o Benfica é um palco privilegiado para estes momentos únicos. E Renato Sanches e Lindelof saberão reconhecer, tal como nos ensina Francisco Quevedo, que «o que se aprende na juventude dura a vida inteira»! Ou seja, que eles, tal como os seus colegas mais velhos Eliseu e Jonas, são mesmo filhos dos dias». Desses dias em que, com todo o cuidado e muito orgulho, envergarão as Camisolas das principais selecções nacionais dos seus Estados de origem!
5. Barack Obama inicia hoje uma histórica viagem a Cuba. Em Agosto passado, pouco tempo após o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois Estados, visitava Havana e os meus interlocutores cubanos, nas vésperas da visita do Papa Francisco, antecipavam este momento. Que termina na próxima terça feira com Obama a assistir a um jogo de basebol, o desporto nacional dos cubanos. Em Cuba diz-se que conforme «está a bola assim está o País»! E Obama não deixará de lançar a primeira bola no confronto que oporá a selecção nacional cubana com os Rays de Tampa. Mas Obama não assumirá aquilo que Sandy Kaufax disse: «Arremessar a bola é a arte de incutir medo, fazendo um homem desistir»! Antes pelo contrário! Se o ténis de mesa ajudou a aproximar os EUA da República Popular da China não deixa de ser entusiasmante para um amante do desporto que este jogo de basebol seja entendido como um sinal de uma mudança transcendente nas relações entre dois Estados que estão na sua proximidade geográfica cada vez menos distantes!
6. O Sporting de Braga chegou com mérito aos quartos de final da Liga Europa. Paulo Fonseca evidencia a sagacidade que alguns não reconheceram e António Salvador tem, de novo, justificadas razões para acrescidos sorrisos. É caso para acreditarmos que este ano vai ser tudo vermelho! Os «filhos dos dias» são, também, os descobridores da vida! Desta nossa vida!"

Fernando Seara, in A Bola