Últimas indefectivações

domingo, 26 de julho de 2015

Campeões...

Decorreu este fim-de-semana em Leiria o Campeonato Nacional Individual de Atletismo de Pista ao Ar Livre. Como seria de esperar foram muitos os Benfiquistas que se sagraram Campeões Nacionais, apesar de algumas ausências. As marcas não foram nada de especial, mas neste momento os títulos são mais importantes:
Masculinos
- Yazaldes Nascimento - 100m - 10,32s
- Rasul Dabó - 110m barreiras - 14,26s
- Ricardo dos Santos - 200m - 21,04s
- Ricardo dos Santos - 400m - 47,05s
- Diogo Mestre - 400m barreiras - 52,11s
- Miguel Borges - 3000m obstáculos - 9.06,06min
- Rui Pinto - 5000m - 14.17,80min
- Marcos Chuva - Comprimento - 7,37m
- Nelson Évora - Triplo Salto - 16,39m
- Rúben Miranda  -Vara - 5,35m
- Paulo Conceição - Altura - 2,16m 
- Tiago Aperta - Dardo - 66,65m
- Jorge Grave - Disco - 58,2m
- Tsanko Arnaudov - Peso - 19,79m
- Samuel Remédios - Decatlo - 6924p (100m-11,02s / Comp.-7,30m / Peso-11,69m / Altura-1,92m / 400m-52,56s / 110m b-14,66s /Disco-38,72m / Vara-4,15m / Dardo-41,73m / 1500m-5.09,42min)
Femininos
- Eva Vital - 100m barreiras - 13,82s
- Rivinilda Mentai - 200m - 23,89s

Um novo rumo?

"1. Não é segredo que o futebol vive, e nalguns casos intensamente, num modelo capitalista. É aquilo que muitos referem como a indústria do futebol. Portugal não foge a esta realidade.
2. Depois de experiências passadas, não muito bem-sucedidas, avolumam-se notícias que dão conta de que investidores chineses, russos, brasileiros e ainda 'fundos de jogadores', apostam em clubes portugueses. As notícias referem, por exemplo, o Pinhalnovense, o Torreense, o Atlético, a União de Leiria e o Desportivo das Aves.
3. Este é um fenómeno novo quanto aos destinatários do investimento. Além dos fluxos financeiros tidos por normais ao nível das grandes e médias sociedades desportivas, o foco vira-se para participantes no CNS.
4. Que razões estão por detrás deste interesse? Do lado de quem recebe os financiamentos, com a correspectiva perda de poder nos destinos da entidade, representa uma forma de manter o clube viável, desde logo ao nível competitivo, ultrapassando dificuldades económicas urgentes.
5. Do lado dos investidores, que não são mecenas, alguns assumidos publicamente: tornar o clube montra de jogadores para aguçar 'apetites'. É indisfarçável que os 'fundos', agora proibidos pela FIFA, passaram a adoptar outras formas de funcionamento, entre as quais a 'aquisição de clubes'.
6. Este panorama parece ser desejado por ambas as partes, pelo menos no início da parceria. Mas existem perigos. Relações deterioram-se em alguns casos. As organizações não podem deixar de estar atentas a este rumo e a eventuais desvios dos princípios que devem orientar as competições desportivas.
7. Voltaremos em Setembro. Votos de um bom Agosto."

José Manuel Meirim, in A Bola

Rodam como Fred Astaire

"Anelka, Ibrahimovic, Crespo, Verón, Zidane e Di Maria movimentaram nada menos de 674 milhões de euros em 39 mudanças de clube.

Impressionante: Nicolas Anelka, Zlatan Ibrahimovic, Hernán Crespo, Juan Sebastían Verón, Zinedine Zidane e Angel Di María fizeram, em conjunto, nada menos de 39 mudanças de clube. Passaram por equipas tão diferentes como PSG, Arsenal, Real Madrid, Liverpool, Manchester City, Fenerbahçe, Bolton, Chelsea, Shanghai Shenhua, Juventus, West Bromwich, Mumbai City, Malmoe, Ajax, Inter, Barcelona, Milan, River Plate, Parma, Estudiantes, Boca Juniors, Sampdoria, Lazio, Manchester United, Rosário Central e Benfica. Movimentaram nada menos de 674 milhões de euros: 184 milhões para Di María (se se confirmar a ida para o PSG por 65 milhões), 169 para Ibrahimovic, de 119 milhões para Crespo, 116 milhões para Verón e 86 milhões para Zidane. O que interessa no fundo (nos fundos), é rodar. Rodar muito. Como Fred Astaire. Quanto mais se rodar, mais dinheiro gira, mais dinheiro se encaixa. Jogador de amor à camisola, de um só clube, é que é jogador caro. Se tivesse 20 anos, Eusébio haveria de saltar do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica, depois para o Real Madrid, de seguida para o Chelsea, mais tarde para Milan ou Juventus, uma perninha no PSG, outra no Mónaco, curta passagem pelo Valencia, depois seguiria para os LA Galaxy, para o Hangzhou Greentown, para o NorthEast United, regressaria ao Milan ou Juventus ainda antes dos 30 anos e só depois iria para Galatasaray, Fenerbahçe ou Besiktas (taxado apenas a 15%), terminando, então sim, no União Tomar (ao lado de António Simões). Eusébio, se tivesse 20 anos, rodaria, rodaria, rodaria, como Fred Astaire agarradinho a Ginger Rogers, deixando meio mundo de olhos em bico. Felizmente, Eusébio foi jogador (quase) de um clube só. Como Fernando Gomes. Ou Manuel Fernandes. Felizmente, nos anos 60, 70, 80 e até 90, o que interessava, no fundo (nos fundos), não era rodar como Astaire. Era jogar. E ganhar. E brilhar.
Impressionante: Ricardo Quaresma diz que não sabe por que jogou no Dubai. Deve ter sido por necessidade de rodar, rodar, rodar. Rodou tanto que, quando deu por ela, estava a rodar onde só os velhos rodam. Claro que sabe por que foi para o Al-Ahly: pensava que, aos 30 anos, restava-lhe ganhar dinheiro e suar pouco. Felizmente, percebeu no FC Porto que poderia ter mais do que uma velhice recheada de euros, dólares e petrodólares. Pertinho de completar 32 anos, já não vai a tempo de chegar perto, nem sequer de se aproximar, daquilo que lhe prognosticavam os olheiros do início do século XXI: ser o melhor jogador português pós-Figo. Ricardo Quaresma teve muito de Fred Astaire, mas precisava de ter um pouco mais de Cassius Clay: querer mesmo ser o melhor. E isso, infelizmente para quem gosta de futebol, RQ não quis.

Lançamento de urina, o novo desporto francês
Não sou fã de ciclismo, a não ser naquelas etapas em que as estradas empinam e parecem tocar o céu. Mas uma coisa é não ser fã e olhar, desconfiado, para o rendimento dos principais ciclistas, outra é ser adepto do novo desporto que acompanha a Volta à França: cuspir na cara de Chris Froome e lançar-lhe urina para cima. Insinuam que o britânico corre dopado e, pumba, aí vai xíxí. Convidam-no para disputar o Tour, Froome ganha e lançam suspeitas líquidas na sua direcção. Não sei se ele corre dopado (talvez sim), mas sei que um francês não vence a prova desde 1985. Douleur de coude?
(...)"

Rogério Azevedo, in A Bola

PS: Engraçado como a passagem do Fernando Gomes pelos Lagartos foi esquecida...!!!

sábado, 25 de julho de 2015

Em Burton Upon Trent !!!

Salford City 1 - 3 Benfica B

Começamos a perder, mas demos a volta no 2.º tempo...

O dilema de Rui Costa

"Um belo dia, na década de 80, um ciclista português pouco conhecido por cá devido ao seu estatuto de emigrante começava a dar nas vistas na cena internacional. Terminou o Giro em 7.° lugar e, reza a história, convenceu o patrão da sua equipa, a Malvor, a investir para cumprir o seu sonho de competir no Tour. Chamava-se Acácio da Silva e logo nas primeiras curvas da Grand Boucle percebeu que a classificação geral jamais iria ser a sua praia. Reciclou os objectivos, e nos anos seguintes venceu três etapas e chegou a andar de amarelo. Feito que repetiu envergando a camisola rosa no Giro. O corredor natural de Montalegre tornou-se, assim, a primeira referência internacional do ciclismo português pós-Joaquim Agostinho.
Já depois de José Azevedo e Orlando Rodrigues chegou a vez de Rui Costa pegar no testemunho. E fê-lo da maneira mais impressionante, enriquecendo o palmarés e apaixonando o país. Inteligente, talentoso e até explosivo, o agora chefe de fila da Lampre ocupava o 4.° lugar do ranking UCI na última lista publicada antes do Tour. Todavia, após o colapso que resultou do somatório de azares nas estradas gaulesas, pode estar para breve o momento de Rui Costa ignorar o clamor das redes sociais - o recato que dura desde a desistência tem sido retemperador - e encontrar o rumo certo para uma carreira que, aos 28 anos, ainda lhe vai reservar muitos momentos de glória. O anseio dos fãs de empurrar o ídolo a todo o custo, mesmo que a direção seja o abismo, não é o melhor conselheiro. Daí que uma incursão mal preparada na Vuelta, abdicando das provas mais curtas antes do Mundial, fizesse pouco sentido.
Mesmo que terminasse agora a sua carreira, sem qualquer top 10 nas grandes voltas, Rui Costa já seria o melhor ciclista português de sempre. Encarar, para vencer, um Tour que até os telespectadores cansa de tão longo e exigente, pode nunca ser a meta ideal. Brilhar ao longo de toda a época, conquistar clássicas, provas de uma semana e até etapas nos principais palcos, tem mais a ver consigo e tornará ainda maior a sua lenda. Em 2016, porém, e por tudo o que se passou este ano, será difícil ao Rui resistir à tentação de colocar ainda mais fichas a arder no inferno do Tour."

Uma semana do melhor 4

Uma semana do melhor 3

Uma semana do melhor 2

Uma semana do melhor 1

Nulo... e penalty's

Benfica 0 (4) - (5) 0 Fiorentina

Jogo com poucas oportunidades e muita pressão alta, das duas equipas. Fisicamente tivemos melhores que no jogo com o PSG... Ofensivamente tivemos mais disciplinados, mas continuámos a afunilar o jogo (sem extremos, e com os laterais pouco ofensivos), defensivamente demos alguns espaços - nas transições rápidas e na defesa baixa (boa pressão alta). Tivemos pela primeira vez com o Rui Vitória, a dupla Fejsa/Samaris (pessoalmente acho que o Samaris neste momento deve continuar a jogar a 6 !!!). O Jonathan fez os primeiros minutos, mostrou bons pormenores (objectividade na área), mas também mostrou lacunas (decisão, segurar a bola...).
O jogo foi equilibrado, as melhores oportunidades foram quase de seguida: bola na barra do Júlio César; Jonas finta um, mas remata mal com a canhota...
A Fiorentina fez o seu 4.º jogo, jogou com 3 centrais, deu muita porrada... mas acabou por ser um bom teste, agora com adversários deste nível é difícil avaliar as 'intenções' ofensivas da equipa...
A partida foi novamente dura, muita dura, principalmente na primeira parte, e o arbitro foi complacente com os Italianos: tanto o Gonzalo, como o Marcos Alonso deviam ter levado vermelho directo, e o Basanta por acumulação... E como é 'normal', acabou por ser o Luisao expulso!!!!
Defendemos melhor em inferioridade numérica...

Os próximos adversários são equipas com menor potencial, mas estão muito mais rodadas, o grau de dificuldade vai continuar elevado... Tendo em conta o calendário, e as declarações antes da partida, esperava um Benfica com mais alterações... Vamos ver como é que a equipa vai reagir...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Lima

Foi uma daquelas contratações de última hora (ou último segundo...), chegou com muita desconfiança, mas nas épocas que representou o Benfica teve números impressionantes: 144 jogos; 70 golos; 2 Ligas; 1 Taça de Portugal; 2 Taça da Liga; 1 Supertaça... e ainda as duas finais da Liga Europa (golaço à Juve...).
Como todos os pontas-de-lança no Benfica, houve sempre quem se queixasse dos golos desperdiçados...!!! Mas além dos seus golos, tanto o Cardozo, como o Rodrigo ou o Jonas têm muito que agradecer ao Lima... pois o brasileiro, foi sempre um trabalhador incansável, mesmo nas partidas que não lhe corriam mal, lutava sempre...

Não vai ser fácil substituir o Lima, a relação golos/trabalho é rara, mas 7 milhões de euros, por um jogador de 32 anos, é irrecusável...
Vamos ver como é que a direcção vai resolver o 'problema' agora criado, pessoalmente acho que devemos ir ao mercado, pois o Jonas e o Jonathan são curtos, para uma época tão longa... e jogadores como o Talisca e o Taarabt, podem jogar a 2.ª avançado, mas nós precisamos de um avançado puro...

Logo fico acordado até tarde


"Na próxima madrugada temos mais um teste de interesse contra a Fiorentina. Vai dando para matar saudades, estes treinos em competição. Mais difícil é explicar à família porque diabo um jogo treino àquelas horas é decisivo e condiciona a agenda. Mas de facto a vontade de os ver é grande.
No primeiro jogo contra o PSG, fica uma primeira parte aceitável para uma fase tão inicial de preparação. Embora André Almeida tenha sido cirúrgico e de apurado sentido de humor quando referiu «temos que perder uns quilinhos a mais». Mesmo sabendo o risco que há nas análises individuais, em fase tão prematura, arrisco a dizer que gostei muito de Samaris e parece-me vir a ser jogador importante nesta nova época. Gaitán espalha sempre magia e Ola John até mexeu com a partida, quando entrou numa equipa já retalhada e alterada com a rotação feita.
Esta é a fase em que só interessa aquilo que Rui Vitória pensa. No fundo é no treinador que se concentram as ideias do que tem, e do que precisa. Nós, os adeptos, provamos o bolo feito. Quem o cozinha é que escolhe os ingredientes. Rui Vitória tem que ver o que há na matéria prima ao seu dispor, para saber o que precisa.
Sentir um treinador em linha com a SAD do clube, unidos e cúmplices nos objectivos comuns, deve por agora ser um excelente indicador para os adeptos benfiquistas. As entradas e saídas na concorrência processam-se a um ritmo que é desadequado fazer análises intercalares que ficam desactualizadas a cada oito dias.
Esperar pelo FC Porto e Sporting na sua máxima força e fazer uma equipa para os tentar vencer, é o caminho mais seguro. Foi esse que nos deu êxitos nas últimas épocas,é esse que teremos que seguir. Os campeonatos não se ganham com o que se escreve agora, mas com o que se faz quando começam. E logo fico acordado até tarde..."


Sílvio Cervan, in A Bola

Pré-época a sério

"Mais uma vez - história que já conhecemos bem - começam os rumores sobre a pré-época do Benfica. Mais uma vez temos de recordar aos adeptos, do nosso e dos outros clubes, uma verdade conhecida por qualquer treinador em início de carreira: as pré-épocas servem não para apresentar resultados finais mas para experimentar soluções dinâmicas e alternativas, que permitam ao técnico conceber estratégias bem assentes para a época que se avizinha.
Ao contrário de outros clubes portugueses, mais preocupados em apresentar vitórias rápidas para frenar o descontentamento dos sócios ou para potenciar candidaturas à presidência dos respetivos órgãos dirigentes, o Benfica quer jogar com as melhores e mais ricas equipas do Mundo, arriscar soluções táticas pouco experimentadas e fazer rodar uma grande parte dos jogadores. Os talentos, como tantas vezes dizia Sir Alex Ferguson, estão por vezes nas pernas e no coração dos jogadores que menos imaginamos. Não optamos, por isso, por combinar jogos com equipas de 2.ª, 3.ª ou 5.ª divisão, apenas para mostrar aos sócios que já estamos em clima de vitória e euforia. Nem sequer precisamos de lutas de galos na imprensa. O Benfica, Bicampeão Nacional, está sereno e sólido na construção da equipa para a época 2015/16. Os resultados, esses, já os vimos o ano passado. Na nossa casa, a pré-época é a sério, não uma qualquer fantochada para serenar ânimos ou justificar contratações milionárias. E, ao mesmo tempo, procuramos arrecadar receita e dar espetáculo, como, por exemplo, está a fazer o Real Madrid, com 19 milhões de euros contratualizados por quatro amigáveis.
Este artigo é dedicado à memória do piloto de Fórmula 1 Jules Bianchi, falecido na passada sexta-feira, devido ao acidente ocorrido no Grande Prémio do Japão de 2014."

André Ventura, in O Benfica

Baralhar e voltar a dar

"Com o sucesso do 6.º Mundial da Sueca das Casas do Benfica disputado no início deste mês, dei por mim a usar o popular jogo de cartas como metáfora do próximo Campeonato. O Sporting acredita que, tendo o presumível ás de trunfo, transformará as suas damas e valetes em manilhas e ases, talvez ignorando que, por si só, e apesar de esta ser uma carta dominante sobre todas as outras, vale apenas 11 dos 120 pontos do baralho. E com duas agravantes: Por um lado, são mais os duques e os ternos na sua mão que os tais valetes e damas; Por outro, é desconhecido, à partida, qual será o naipe que prevalecerá sobre os outros. O FC Porto, com a postura típica de um jogador de poker, sentar-se-á à mesa aparentemente autoconfiante, gozando de algum público sempre prestável nas horas difíceis, que tratará de bajular as suas cartas e denegrir as dos seus adversários. Antes do início da partida, contará com as sentenças precoces de observadores que mal conseguem disfarçar a sua preferência ou, nalguns casos, o seu dono. Como sempre, tudo fará por escolher a mesa, o baralho, o trunfo e as cartas que serão distribuídas a cada jogador. Se ninguém estiver atento, fará algumas renúncias. Fá-las-á mesmo que não haja quem se distraia, é a sua natureza. Fará ainda todos os sinais que lhe for possível e ser-lhe-á impossível evitar espreitar o jogo dos adversários.
E nós lá estaremos sentados, indiferentes ao ruído à nossa volta e cientes que uma boa mão, com um ou dois ases, uma ou outra manilha e alguns trunfos, mesmo que não chegue para dar uma 'chita' ou 'dois', será, desde que a estratégia seja consistente, suficiente para vencer a terceira partida consecutiva."

João Tomaz, in O Benfica

A bom ritmo

"Não dou mais importância aos jogos de preparação do que a que eles realmente têm. Constituem uma ferramenta de trabalho útil para jogadores e técnicos, mas, competitivamente, o seu interesse é reduzido, ou mesmo nulo.
Antigamente havia curiosidade de conhecer os novos jogadores e a nova equipa. Mas desde que o mercado futebolístico se transformou numa interminável feira, ao longo da qual, até ao dia 31 de Agosto, ninguém sabe quem fica, quem sai, ou quem entra, esta fase perdeu o pouco encanto que lhe restava.
Por isso, uma derrota em torneios particulares, por mais prestigiantes que sejam, não incomoda nada. Dispenso títulos de pré-época, e ainda recordo anos em que tudo parecia maravilhoso em Julho, para se tornar angustiante em Maio. Ultimamente tem sucedido o contrário, e não me importaria de continuar neste registo.
Não deixei, porém, de ver o jogo do último fim-de-semana. E até gostei da primeira parte, onde a base da equipa bi-campeã apareceu solta e alegre, prometendo bom futebol e vitórias. No segundo período, as substituições quebraram o ritmo, e o jogo tornou-se tristonho. Nada que preocupe.
Se para o lado direito da defesa, Sílvio e André Almeida parecem opções válidas, ainda não vi quem possa fazer de Sálvio (até Janeiro), ou de Gaitán (se a venda deste se vier a confirmar). Mais um ponta-de-lança, capaz de discutir a titularidade, também não seria demasiado, pois a equipa afigura-se consistente, não necessitando de grandes revoluções.
Dia 9 de Agosto as coisas serão a sério. Até lá, há que trabalhar tranquilamente, com entusiasmo e confiança."

Luís Fialho, in O Benfica

Árbitros só nomeados e Liga sem disciplina

"AG da FPF - Pareceres inequívocos quanto a ilegalidades Os 84 delegados com assento na assembleia geral (AG) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) receberam ontem os pareceres jurídicos sobre os regulamentos de arbitragem e de disciplina da Liga, que vão a ratificação amanhã, e puderam verificar que ambos apontam para s ilegalidade das alterações propostas.
Tanto Alexandre Mestre como José Manuel Meirim, os dois juristas consultados pela AG da FPF, concluem que o sorteio dos árbitros conflitua, em simultâneo, com a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e o Regime Jurídico das Federações Desportivas (RJFD. A legislação em vigor preve unicamente a nomeação. "(...) Não restou outra alternativa à FPF, enquanto federação desportiva dotada do estatuto de utilidade pública desportiva (...) senão a de consagrar a nomeação, enquanto modo de designação dos árbitros", escreve Alexandre Mestre. No seu parecer, José Manuel Meirim conclui: "Se a AG da FPF viesse a ratificar o Regulamento de Arbitragem da LPFP (...) não só estaria a deliberar, ela própria, contra a lei e os seus estatutos, como colocaria a FPF em perigo quanto à titularidade do estatuto de utilidade pública desportiva."
Em relação à proposta de alteração do Regulamento de Disciplina, Mestre e Meirim são igualmente claros. É ilegal. A Liga pretende que a Comissão de Instrução e Inquéritos seja substituída pela Comissão Disciplinar mas, já desde 2014, quando o RJFD foi revisto, segundo Alexandre Mestre, "a legitimidade para promover o processo disciplinar foi, em termos expressos, claros e inequívocos conferida, em exclusivo, ao Conselho de Disciplina (Secção Profissional) da FPF; os poderes legais de impulso ou instauração processual deixaram de poder ser exercidos por qualquer outra entidade que não o CD (Secção Profissional)." Portanto: "Não pode, assim, haver uma entidade, qualquer que ela seja a Comissão de Instrução de Inquéritos da LPFP, Comissão Disciplinar da LPFP ou outra - que exerça a titularidade do poder disciplinar em paralelo, em simultâneo com o CD (Secção Profissional) da FPF."
José Manuel Meirim sublinha que as alterações pretendidas pela Liga acabam por violar "ostensivamente" os próprios estatutos da LPFP.
Advertência. Aos pareceres que fez seguir para os delegados, José Luís Arnaut, presidente da AG, juntou uma carta a esclarecer que a Liga foi recomendada a "expurgar" as ilegalidades que as propostas continham, mas serão os documentos originais que irão a votação da assembleia."

As eleições para a Liga

"É já na próxima terça-feira que os clubes vão a votos para eleger o próximo presidente da Liga. Aos dois candidatos, Luís Duque e Pedro Proença, não adiantará muito colher a aprovação da opinião pública porque o ato eleitoral tem um colégio de votantes restrito e é para esses que devem falar. Ou, sequer, nem isso. Em pleno defeso, e estando constituídos dois blocos precisos em torno de cada um dos candidatos, as contas eleitorais far-se-ão, sobretudo, pelo aliciamento dos desalinhados, algo fácil de fazer nesta altura em que o mercado de verão está no auge...
Luís Duque recandidata-se sem surpresa. O bom trabalho que realizou na Liga ao longo dos últimos nove meses valeu-lhe louvor generalizado dos clubes (Sporting à parte, por razões que não têm a ver com o que Duque fez durante esse espaço de tempo...) e a admiração só pode residir no facto de não concorrer sozinho. Mas a vontade dos clubes é soberana, FC Porto e Sporting entenderam-se (como era mesmo aquela metáfora de mau gosto de Bruno de Carvalho?) e são a locomotiva da candidatura de Pedro Proença. Proença foi o melhor árbitro português que vi actuar e o segundo mais talentoso (António Garrido, que nasceu para o apito, perdia-se por vezes em habilidades); mas não tem, nunca teve, qualquer ligação aos clubes, o que se entende e se louva. Daí que seja incompreensível que surja candidato à liderança de uma associação patronal com a qual não teve, jamais, a mais remota afinidade. Aguardemos, pois, pela magna decisão dos votos secretos, que decidirão entre Duque e Proença.

PS - Espero que a interferência da APAF nas eleições da Liga seja averiguada até ao fim. E que os árbitros se revoltem contra a tentativa de manipulação em curso..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os autos do Gil Vicente

"Finanças e Segurança Social já deviam ter dito qualquer coisa sobre a igualdade de tratamento a todos os contribuintes.
As reivindicações do Gil Vicente, que reclama um lugar no campeonato por ter as contas em ordem (ao contrário de outros), só têm um ponto fraco: é mais produtivo combater os procedimentos da Liga durante a época, nas assembleias gerais. Discuti-los só quando se desceu de divisão, ou seja, quando o acidente foi connosco e não com o vizinho, é demasiado tarde. A displicência da Liga na fiscalização das finanças dos clubes não começou esta época, nem na anterior, e esse também nunca foi daqueles temas acalorados, que ficam na ordem de trabalhos reuniões a fio até se conseguir consenso. Os clubes têm a vigilância que quiseram ter. Gostam da Liga assim, com as pálpebras semicerradas. Onde a razão do Gil Vicente nem se discute é nas interrogações dirigidas ao Estado. Se a Liga responde aos associados, as Finanças e a Segurança Social respondem aos cidadãos. Não é concebível que as repartições colaborem numa mascarada, ou que passem declarações cuja veracidade dura uma semana, entre outros estratagemas mais ou menos óbvios para toda a gente. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras teve, há pouco tempo, um acesso de hiperatividade por causa de uma série de histórias tolas e de gravidade relativa. Por que não hão de as Finanças e a Segurança Social agir da mesma maneira com um assunto que toca o absolutamente fundamental: a garantia de igualdade de tratamento a todos os contribuintes?"

quinta-feira, 23 de julho de 2015

'Los árbitros ahora ya no quieren escutar mis consejos matrimoniales'

"Por tudo o que Mourinho disse, o próximo campeonato português não vai ser só futebol. Vai meter também política social. Carrega Benfica dos pobrezinhos, a carregar desde 1904!

O novo presidente de Iker Casillas - a quem em Espanha já chamam «el Florentino portugués» - concedeu uma longa entrevista ao diário espanhol El País mas houve partes da conversa que ficaram de fora do registo transcrito como, aliás, acontece em quase todas as entrevistas.
Por ser do interesse público, partilhamos com os estimados leitores a versão integral da supracitada entrevista presidencial que nos chegou pelo correio enviada sabe-se lá por quem com as melhores intenções. 
Foi assim:
- Confias en Julen para devolver al Oporto la gloria perdida, don Jorge? - começou por perguntar o jornalista.
- No primer ano nó ganhou nada pero estoy satisfecho.
- Como puedes estar satisfecho si no ganaste nada, don Jorge? Ni parece cosa tuya...
- O que quieres que yo diga? Los árbitros se unieram contra nosotros. Ahora ya no quieren escutar mis consejos matrimoniales...
- Que lástima, don Jorge!
- Puedes creer! Imagina-te que en la Liga un estudo sobre el arbitrage demonstró que el Benfica fue favorecido en 7 puntos.
- Un estudo? Y quien hizo esse estudo en la Liga?
- El doctor Fernando Madureira que, Dias queíra, será el brazo derecho del doctor Pedro Proença en la futura dirección de la Liga.
- El doctor Proença és el antíguo árbitro, don Jorge?
- Esse mismo.
- Pues no sabía que era médico.
- Es el mayor cirúrgico del mundo y alrededores.
- Puedo por lo tanto concluir que vas com Lopeteguí y com ele doctor Proença hasta al fin del mundo, don Jorge?
- Hasta al fin del mundo y alrededores!
- Mucho cuidado com los alrededores, don Jorge, para no perder outra vez puntos en casa com el Boavista...
E a conversa abruptamente acabou aqui.

O Benfica começou a temporada a perder em Toronto com uma segunda equipa do Paris Saint-Germain e eu gostei.
Não que goste de ver o Benfica perder. Mas gostei de uns bons bocados de toda a primeira parte em que os campeões nacionais se aplicaram com mais do que a vivacidade possível depois de uma longa viagem terminada a menos de 24 horas do início do jogo.
Gostei também do regresso de Talisca ao seu futebol e aos golos e da conclusão da jogada do segundo golo do Benfica com Gaitán a servir Jonas na perfeição e Jonas a marcar.
Estes encontros da pré-temporada servem para o treinador tirar conclusões, para os novos jogadores mostrarem o que valem, para os comentadores se atirarem a veredictos e para os adeptos se enervarem. Ou antes pelo contrário, para não se enervarem.
É o meu caso.
Também conheço benfiquistas - tão benfiquistas como os demais - para quem os jogos da pré-temporada servem um propósito estratégico da maior importância. Que é o de perder, o de perder todos os jogos e de preferência por largas cabazadas enquanto a competição não começar a sério e a valer pontos.
E é por amor ao clube que fazem votos para que todas as desgraças se abatam sobre a equipa nestes joguinhos de verão.
E dão exemplos, até bem recentes:
- Mas alguma vez o Benfica tinha ido buscar o Júlio César e o Jonas já com a época a correr se a última pré-temporada tivesse sido uma sucessão de resultados fulgurantes?
São capazes de ter razão. Mesmo assim preferia ver o Benfica ganhar à Fiorentina na madrugada do próximo domingo. Sempre dá outro ânimo.

MUITO discreta foi a estreia do ex-Maxi Pereira de castanho. Beneficiou de quatro lançamentos de linha lateral (aos 11, 15, 21 e 40 minutos) e nenhum deles resultou em golo.

O mundial de futebol de praia foi ganho pela equipa portuguesa e no fim do jogo com o adorável Taiti os nossos campeões - parabéns a todos! - cantaram felicíssimos:
- O campeão voltou, o campeão voltou!
Já na semana passada, uma reportagem de uma qualquer estação televisiva mostrou-nos a final de um campeonato distrital de futsal entre equipas de padres e na subsequente festa, os padres vencedores cantaram felicíssimos:
- O campeão voltou, o campeão voltou!
Lá está, uma vez mais, o Benfica a dar música ao país.

O ex-árbitro Marco Ferreira lançou um apelo às autoridades para que venham pôr mão nas malandrices do futebol de que se considera vítima.
- Onde está a PJ? - perguntou num desabafo público prontamente difundido em múltiplos canais.
- Onde está a polícia? Por onde anda o Ministério Público? - perguntou também o ex-árbitro.
E ninguém lhe respondeu. Está mal. Até porque é fácil, pública e notória a resposta a estes legítimos clamores.
A polícia, a PJ e o Ministério Público estão ocupados nas investigações da chamada Operação Fénix que também tem ramificações no mundo da bola e já proporcionou umas manchetes curiosas na nossa imprensa.
A Fénix é uma ave mitológica dos gregos antigos que quando morre entra em auto-combustão e renasce das próprias cinzas. O que terá levado as autoridades a chamar Fénix a esta investigação é, só por si, alarmante.
Será que anda por aí alguma coisa maligna a renascer? Ou em auto-combustão?

FALANDO para uma vasta plateia internacional, José Mourinho prestou mais um bom serviço ao país revelando, de forma directa aos estrangeiros o retrato fiel de um Portugal sucumbido pela austeridade.
Provavelmente, os mais do que justos considerandos de Mourinho sobre a situação desesperada de muitos milhares de famílias portuguesas foram apenas a introdução que encontrou mais à mão para poder lançar umas farpas à insuspeita prodigalidade das tesourarias do Porto e do Sporting e, muito principalmente, às contratações de Casillas e de Jorge Jesus, figuras com quem o treinador português do Chelsea embirra profundamente.
É lá com eles. Mas quase apostaria que José Mourinho vai torcer pelo Benfica por toda esta temporada que já está aí à porta.
Eu também vou. Por ser do Benfica, obviamente, mas também porque ficam historicamente bem ao Benfica os condicionamentos que o impedem de gastar milhões mas que não o impedem de se reafirmar como aquele clube genuinamente popular fundado por um grupo de órfãos e, tantos anos passados, ainda e sempre tão gloriosamente perto do povo de onde nasceu e tão longe dos favores do grande capital que assegura as notas mas não garante os títulos.
De outra forma como seria o Benfica o campeão dos campeões de Portugal?
Por tudo isto que Mourinho disse, e seja qual for o contexto pessoal em que o disse, o próximo campeonato não vai ser só futebol, vai meter também política social à séria.
Carrega Benfica dos pobrezinhos, a carregar desde 1904!

SÃO bonitas as camisolas brancas do Benfica. Para além de serem bonitas são estatutariamente corretas. 

TERMINE-SE como se começou. Com mais num excerto da versão integral da entrevista do Florentino português ao El País.
E que bem arranha o castelhano o presidente do Porto.
- Donde aprendió a hablar tan bien nuestra lingua, 'don' Jorge? - perguntou o entrevistador do El País roído de curiosidade.
- Por Diós, em Santiago de Compostela!
- Muy bien! Fuíste en peregrinacion, 'don' Jorge?
- Por supuesto! - Fuíste a pie, 'don' Jorge?
- No, no, fui de coche.
- De coche?
- Si fuera a pie nunca más lá llegava...
Não se compreende, com toda a franqueza, como é que o El País deixou de fora estes bocadillos.

Leonor Pinhão, in A Bola

Somar e subtrair

"Luís Filipe Vieira joga na mesma equipa que o tempo. Com os dois últimos campeonatos no bolso, o presidente do Benfica sabe que tem margem para apostar num treinador sem 'calo' de grande como Rui Vitória. Se lhe correr bem, então os méritos são todos da "estrutura" (ou da organização, como prefere chamar-lhe), liderada por ele próprio; se correr mal, Vieira manterá intacto o estátuto que fez por merecer nos 12 anos à frente do clube.
Como deixa bem sublinhado na entrevista que Record hoje publica, está confiante: a equipa é praticamente a mesma da época passada. Dos titulares, saiu Maxi Pereira. Mas a essas contas há que fazer mais algumas de subtrair. Os jogadores estão todos um ano mais velhos, o que pode ter um certo peso quando se fala de trintões como Júlio César, Eliseu, Jonas e Lima, todos eles titularíssimos indiscutíveis com Jorge Jesus. Além disso, em 2014/15, o Benfica cedo ficou limitado à luta pelo campeonato - e um plantel que já era curto para pensar também na Champions sê-lo-á novamente. A favor de Rui Vitória estão, também, contas de somar. Há jogadores que, nesta temporada serão necessariamente melhores do que há um ano. Samaris, Pizzi e Talisca, para apontar três potenciais titulares, arrancam para a segunda época de águia ao peito mais conhecedores do que lhes é exigido dentro de campo. Da mesma forma que se viu uma enorme transformação de vários futebolistas na segunda temporada (lembram-se de Matic?), é de esperar que haja mais valias em jogadores que deixaram dúvidas no passado.
Contas feitas, o plantel do Benfica está sensivelmente na mesma casa de partida em que estava na época passada. Se fizer o mesmo ou melhor, será uma época de enorme sucesso... para Luís Filipe Vieira."