Últimas indefectivações

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vitória no Pico...


Candelária 2 - 6 Benfica

O Candelária esta época não está tão forte, os resultados provam-no, mas contra o Benfica normalmente todos jogam bem!!! Felizmente esta noite o Benfica não deu hipóteses, entrou bem com 2 golos de rajada, e depois soubemos controlar, aumentando a vantagem... O Ricardo Silva foi importante ao defender um penalty, e um livre directo, e perto do final do jogo até conseguimos marcar um livre directo, pelo Tuco, algo em que nos últimos jogos, temos estado desastrosos!!! Vitória importante, já que o próximo jogo do Campeonato, é a recepção aos Corruptos...

Quebrando tradições !!!


Águas Santas 24 - 28 Benfica

Já se sabia que não seria fácil, a equipa acabou por não fazer um grande jogo, mas valeu pela entrega.
Vencer num local onde tradicionalmente fazemos resultados negativos, mesmo com a dupla Nicolau/Caçador a apitar, é digno de registo!!!

Susto !!!


Galitos 79 - 83 Benfica
21-17, 11-30, 18-19, 29-17

Depois de um começo 'perro' o jogo esteve completamente controlado... mas estivemos quase a perder tudo, num 4.º período onde sofremos 29 pontos!!! Quando se vence o duelo nos ressaltos por 45-24, é difícil de compreender, como é que o jogo termina com somente 4 pontos de vantagem!!!

Salvação na 2.ª parte !!!


Benfica 4 - 1 Fundão

Mais uma horrível 1.ª parte... lentos a atacar, pouco movimento sem bola, perdas de bola em situações proibidas, erros de posicionamento que provocam contra-ataques extremamente perigosos... portanto, nada de novo!!! A novidade acabou por ser a reacção na 2ª parte!!!  A atitude foi claramente diferente, o jogo foi durinho, havia jogadores picados, a arbitragem estava a ser miserável... tudo razões para a equipa acordar!!! Pressionámos mais alto, jogámos um pouco mais rápido e os golos apareceram com naturalidade... mesmo assim, continuámos a cometer alguns erros, pouco comuns na equipa o ano passado.
O campeonato só se vai decidir no Play-off, o Benfica muito sinceramente já não tem hipóteses de ultrapassar os Lagartos na época regular, mas os jogadores têm que encontrar motivação para os próximos meses, porque a jogar assim, vamos ter vários dissabores, e nem o 2.º lugar está garantido!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E Pluribus Unum

A todos um bom Natal...

"É uma boa e doce rabanada de Natal passar a consoada em primeiro, mas, sejamos realistas, só haverá verdadeiro significado se formos primeiros no fim da 30.ª jornada. É esse o único momento em que um benfiquista festeja a sério o primeiro lugar.
Bela exibição, aquela que permitiu vencer de forma dilatada o Marítimo com novo hat trick de Cardozo que teima em fazer difícil a vida dos seus detractores. Diria que não está um bom momento a vida daqueles que não gostam dele.
Na Taça da Liga houve várias abordagens muito empenhadas. O FC Porto interessadíssimo em vencer a prova não poupou um titular, e ganhou com normalidade e justiça. O Benfica, igualmente interessado em vencer a prova, só iniciou o jogo de Olhão com um titular, e, quando se viu a perder, teve, e bem, que ir ao banco encontrar soluções que permitiram com mais qualidade e ritmo dar a volta a um resultado que estava difícil. Vencer o Olhanense e ganhar em Moreira de Cónegos permitirá descansar a quase totalidade dos jogadores no jogo com a Académica que antecede a recepção ao FC Porto. Gerir jogadores não pode ser abdicar da vontade de ganhar.
O Sporting também interessado em ganhar qualquer coisa conseguiu um empate empenhado na Madeira. Não posso deixar de comentar o quase único assunto de relevância desportiva dos media portugueses: a crise do Sporting. Depois de contratar um treinador para treinar os jogadores, Vercauteren, o Sporting contratou um treinador para treinar os treinadores, Jesualdo Ferreira. Aguardamos a todo o momento a contratação de um treinador para treinar o presidente, que é, como se tem visto, aquele que tem tido piores exibições.
Saiu em sorte o Bayer Leverkusen, desportivamente será dos adversários mais difíceis, mas só pela saudade de lembrar os míticos 4-4 e a exibição de Kulkov valeu a pena. Foi um dos jogos mais marcantes da história europeia do Benfica dos últimos 40 anos."

Sílvio Cervan, in A Bola

A máscara

"Assustado, o homem escondeu-se. Havia razão para tanto medo? Algo parecido com uma manta negra tapou-lhe a cabeça por inteiro. Uma máscara: sinistra, por sinal. Quem se cobre assim tem motivos muitos fortes para o fazer.
Geralmente, quem se cobre assim são os cobardes ou os bandidos. Não era o caso, certamente, ninguém acreditaria em tal. No dia seguinte, sem máscara, rodeado pela falange, tinha a cara a descoberto. Não era agradável, mas estava à vista, que é como deve ser quando se trata de pessoas de bem. Esquecido dos medos, lançou-se em ironias bacocas de mau aprendiz de fraco mestre. Traçou cenários distantes e inverdadeiros, misturou-se palavras ocas e foi deixando pairar ameaças. É próprio de quem se sente protegido, resguardado.
De cara lavada, como costuma dizer-se, às vezes sem muito nexo. Podemos todos imaginar as expressões que se esconderam por baixo daquele pano negro, ou manta, ou cobertor ou lá o que era. Chamemos-lhe máscara. Imaginem para lá da máscara: era pavor aquilo que se escondia? Uma lágrima de cagaço? Não podemos saber, não é? É precisamente para isso que servem as máscaras, para nos deixar na dúvida. E na dúvida ficámos. Mas temos uma certeza: quando Vítor Pereira tirar a máscara surgirá por debaixo dela a sua verdadeira cara - a cara de Vítor pereira. Esse mesmo, o dos árbitros.

P.S. - Se há coisa deprimente num circo é ver o palhaço a tentar ter graça e não arrancar gargalhadas. Mas ainda mais deprimente é ver, atrás do palhaço, um servil jornaleiro a rir-se sozinho da piada inexistente só para agradar ao palhaço. Ficam bem um para o outro. São tristes."

Afonso de Melo, O Benfica

Adiou-se a verdade

"O futebol, tal como o teatro, é uma arte. Setúbal é uma honrada cidade marcada pelo teatro (veja-se a grande herança de Luísa Tody) e pelo futebol. Assim, poderemos dizer que, na passada sexta-feira, todos pudemos assistir, com a decisão de adiar o jogo entre o Setúbal e o FCP, a um golpe de teatro.
Jogar num relvado encharcado retira uma grande percentagem da vantagem técnica e da velocidade aos intervenientes no jogo. Logo, a equipa mais dotada acaba por ter mais dificuldades em fazer valer as suas valências. Todos vimos (até Pedro Henriques, o comentador da Sporttv, normalmente dócil para com o FCP) que o relvado do Bonfim estava em condições. Estava bem melhor do que o relvado de Coimbra, onde o Benfica viu, recentemente, a arbitragem tirar-lhe dois pontos. Todos vimos a representação de Proença (quem mais poderia ser?!), desesperadamente em busca de dois charquitos no imenso relvado, onde pudesse deixar cair a bola e demonstrar ao mundo que a bola não salta quando cai na lama. Estava feita a prova da legalidade da decisão e estava demonstrado como a verosimilhança é importante na representação teatral. No entanto, isso não basta para que se chame verdadeiro ao que é apenas verosímil. 
A pantomina continuou com as declarações servis do presidente do Vitória e a enternecedora imagem de Joaquim Oliveira, qual mordomo papal, a segurar o guarda-chuva do Sr. Costa. Seja como for, não era necessário tanto esforço para nos convencerem de que tudo aquilo foi legítimo e necessário. Pois, normalmente, naquele palco e com aqueles actores, costuma haver um par de servis e salvadoras substituições lá pelo minuto 58. Ou seja, por vários motivos, sabemos que não havia necessidade de Proença ter decidido, mais uma vez, adiar… a verdade desportiva."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

PS: 


Recordo aqui o Naval-Benfica, na Taça do ano passado:

André Gomes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sol na eira e chuva no nabal (a semana em revista)

"O presidente do FC Porto diz que é «estúpido» falar de árbitros. Terá exagerado. Ou então anda um artista à solta que lhe imita a voz na perfeição e que se anda a promover no YouTube

SEXTA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO
ESTAVA marcado para hoje o jogo de abertura da jornada número 12. Acabou por não se realizar porque o árbitro entendeu não haver condições para 90 minutos de futebol no relvado do Bonfim. Choveu. E quando chove já se sabe que o piso se ressente, seja o piso que for. Aparentemente, a decisão do árbitro satisfez os dois emblemas em causa porque ninguém protestou antes pelo contrário. O boletim meteorológico prevê fortes chuvadas para o fim de semana e a Protecção Cívil lançou o alerta amarelo para dez Distritos do país. Ou os tipos da metrologia são uns grandes nabos ou é de temer uma quantidade imensa de jogos adiados por todo o país e em todos os escalões das diversas provas oficiais por causa da maldita chuva que persiste em intrometer-se (abusivamente!) neste nosso Inverno.
É certo e sabido que nunca estão todos satisfeitos com o tempo que faz. São aquelas ganâncias humanas tão bem expressas no velho provérbio popular «sol na eira e chuva no nabal», ou seja, tudo a jogar a nosso favor e assim é que é bonito. Isso é impossível, meus bons amigos. Em relação ao adiamento do jogo de hoje não faltarão benfiquistas a elaborar intrincadíssimas teorias da conspiração com o intuito de explicarem a si próprias que a decisão do árbitro foi conivente com os obscuros interesses do FC Porto, a equipa visitante na presente ocasião. Imaginação não faltará com certeza.
Devo dizer, já que o assunto nos trouxe até aqui, que desalinho totalmente dessas teorias absurdas e considero-as mesmo infantis. A não ser que um bruxo qualquer tenha desaconselhado o FC Porto a jogar à chuva (reza o nosso anedotário que há 25 anos, em Tóquio, houve um bruxo que aconselhou a jogar na neve...), não vejo qualquer singular vantagem para o FC Porto pelo facto de Pedro Proença ter decidido adiar o jogo de Setúbal. Não vejo mesmo, sem qualquer espécie de ironia. Nem vantagem pontual, nem física, nem psicológica, nem mesmo vantagem meteorológica.
É que já disseram na rádio que o jogo pode vir a ser disputado a 23 de Janeiro mas, com todaa honestdade, e a mais de um mês de distancia quem é que pode garantir que a 23 de Janeiro não vai estar a chover na eira e no nabal, outra vez, para chatear? Só na NASA, francamente, trabalha com toda esta antecipação e mesmo assim tenho dúvidas que a agência espacial norte-americana possa garantir piso seco em profusão para o jogo em atraso. Veremos quando chegar o dia.
O campeonato só volta para o ano e hoje não houve jogo, nem golos, não houve nervos e não houve árbitro. E esta é a única parte que lamento e apenas por superstição, fraqueza minha. Lamento a parte de não ter havido árbitro. É que, em princípio e até em nome do bom senso, seria altamente improvável que Pedro Proença, nomeado para o jogo de hoje, viesse a apitar duas vezes a mesma equipa em três jogos, não lhe cabendo assim dirigir o Benfica-FC Porto do próximo dia 13 na Luz. Isto não passa de suposição, claro está.
Mas como hoje não houve jogo também não houve árbitro e agora Proença até pode vir a ser o escolhido de Vítor Pereira para o clássico que se avizinha. Não gosto da ideia, confesso, reconhecendo tranquilamente que Pedro Proença é o melhor árbitro português a actuar no estrangeiro ainda que, frequentemente, seja o pior árbitro do estrangeiro a actuar em Portugal. E é do Benfica. E a mim dá-me galo ver árbitros do Benfica em acção. É só por isto que lamento não ter havido jogo hoje em Setúbal.
Só mais uma coisinha de que me ia esquecendo:
E se o árbitro for Proença e estiver a chover a potes? Não há jogo a 13 de Janeiro? Ao menos que haja sol na eira e se houver chuva no nabal.

DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO
O costume. O Benfica entrou lento, sofreu um golo e depois arrancou para uma bonita exibição. Por vezes até empolgante. Óscar Cardozo marcou 3 golos e atingiu (ou ultrapassou à vontade do freguês) a marca dos 100 golos na Liga portuguesa. Vá, assobiem-no lá mais um bocadinho a ver se ainda chega aos 125 golos até ao fim da saison. Esta noite, frente ao Marítimo, o segundo golo de Cardozo foi de penalty, concretizado com uma paradinha que nos ia parando o coração a todos. O castigo surgiu porque, bem dentro da área dos madeirenses, a bola sofreu um desvio depois de bater na mão de um jogador do Marítimo. Considerou o árbitro que foi um gesto intencional. No entanto, é um daqueles lances que se tivesse ocorrido no meio do campo nem se discutia: era falta. Mas dentro da área as mesmas faltas dão penalties e daí nascem as polémicas. O segundo cartão foi completamente escusado. O golo do Marítimo nasceu de uma situação irregular mas paciência. Estamos fartos de queixinhas.
O presidente do FC Porto também está farto de queixinhas, depreende-se da leitura dos jornais. E ainda foi mais longe. Diz que é «estúpido e ridículo» falar de árbitros. Neste ponto parece-me que terá exagerado. Ou então anda por aí à solta um artista que lhe imita a voz na perfeição e que se anda a promover à sua custa no YouTube. Nunca fiando.
Já à noitinha, o presidente do Sporting deu uma extensa entrevista num programa desportivo da RTP e, entre muitas coisas, disse que ao contrário de «outros que entraram e saíram», o Sporting «sempre esteve na Europa». Sobre a verosimilhança das coisas que disse sobre o Sporting opinarão os sportinguistas e entre médicos e engenheiros alguém terá razão. Sobre as coisas que disse sobre o Benfica, sentem-se os benfiquistas no direito de opinar.
E assim ao contrário do que disse Godinho Lopes esta noite, na RTP; o Sporting não «esteve sempre» ou «sempre esteve» na Europa. Na época de 1975/1976, o Sporting classificou-se em 5.º lugar e o vencedor da Taça de Portugal foi o Boavista. Na época seguinte, 1976/1977, o Sporting ficou fora das competições europeias. São coisas que acontecem e já aconteceram a todos, exactamente a todos. É estranho que o presidente do Sporting conheça melhor a história do Benfica do que a história do seu clube, pelo menos para o que lhe dê jeito. E mentir nunca dá jeito a ninguém.
Apesar deste deslize no compromisso com a verdade de Godinho Lopes continuo a considerar que, no final do jogo de Alvalade, na semana passada, o presidente do Benfica não deveria ter chamado o que chamou ao presidente do Sporting.
Felizmente, o tempo parece que amainou e não houve mais nenhum jogo adiado em Portugal e até em toda a Península Ibérica.

SEGUNDA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO
TODOS os jornais desportivos fazem manchetes com a contratação de Jesualdo Ferreira para o cargo de «treinador de todas as equipas do clube até à formação» ou «treinador dos treinadores». Será que alguém já avisou Franky Vercauteren de que foi despedido?

TERÇA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO
DE manhã ouço notícias de Paulo Pereira Cristóvão desancando em Eduardo Barroso e à tarde ouço notícias de Paulo Pereira Cristóvão acusado pelo Ministério Público de sete crimes em consequência da investigação do caso Cardinal que, recorde-se, já foi arquivado pela justiça desportiva. À noite o Sporting empata com o Marítimo no Funchal para a Taça da Liga. Se o Sporting tivesse ganho seria caso para se dizer: «J+a se vê o dedo de Jesualdo Ferreira». Assim fica para a próxima.

QUARTA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO
A coisa esteve mal parada em Olhão mas, depois, aconteceu o costume. O Benfica deu a volta ao jogo na segunda parte e acabou por vencer pela diferença mínima mas com toda a justiça. É bom começar com uma vitória a Taça da Liga. Houve cinco cartões amarelos para jogadores do Benfica e todos bem mostrados por Paulo Baptista, um árbitro competente cujo low-profile não o terá ajudado para se transformar numa vedeta. Melhor para ele."

Leonor Pinhão, in A Bola

Bayer - Benfica




É o regresso a Leverkusen, depois da histórica eliminatória, da antiga Taça das Taças... Neste Sorteio ser cabeça-de-serie trazia poucos, ou nenhuns, benefícios , já que a qualidade das equipas era muito igual... O Benfica costuma ter problemas nos jogos na Alemanha, mas com o Jesus já eliminamos algumas... Tenho que admitir que admiro no Bayer à bastante tempo um jogador: Kiessling, um daqueles avançados que passa um pouco despercebido na Alemanha, mas que no Benfica seria uma estrela... Dito isto, está tudo em aberto, vai depender muito do momento de forma, a Bundesliga vai parar, e o Benfica vai ter muitos jogos em Janeiro, além disso a nossa prioridade é o Campeonato... Resumindo temos equipa para eles, mas muita água vai passar por baixo da ponte!!!
Em caso de vitória vamos defrontar o vencedor da eliminatória entre o Dínamo Kiev e o Bordéus, equipas de valor similar, mas seria melhor evitar os Ucranianos, a viagem é muito longa, o frio ainda será muito em Março, e apesar de tudo, têm mais experiência Europeia...
Deixo aqui a memoria daquela Gloriosa noite, onde o Eusébio foi parar ao Hospital (o coração não aguentou!!!), mas a festa foi nossa:

As meninas da ribeira do Sado

"Afinal o futebol não é um desporto de inverno. Pedro Proença assim o sentenciou. No Bonfim, entre velhos amigos do Norte e do Sado.
Imagino até os jogos que o internacional juiz adiaria na inglesa serenata à chuva, perdão campeonato.
Ao contrário do lago em Alvalade para a L. Europa, no Bonfim até se viam relva e marcações. A bola rolava, mas - para o juiz - penosamente soluçava.
Não me ponho a conjecturar sobre quem é mais beneficiado ou deixa de o ser. Mas que deu jeito lá isso deu. Não só ao árbitro que se encharcou menos e manteve impecável o seu penteado, como aos clubes amorosamente entrelaçados.
Parece que o jogo é adiado por mais de um mês, contrariando o regulamento. Diz o seu art.º19 nº2: Os jogos das competições oficiais adiados no decurso da primeira volta têm de ser realizados obrigatoriamente no decurso das 4 semanas que se seguirem à data inicialmente fixada para o jogo, salvo casos de força maior devidamente comprovados e reconhecidos por deliberação da Comissão Executiva. A força maior deve ser o jogo da Luz em 13/1. E para que tudo seja claro como a água (outra vez a água) até já ouvi comentadores 'isentos' dizerem cristãmente que as 4 semanas se suspendem com o... Natal!
Volto a Proença. Tem razão, o futebol não é para meninas. Excepto para as meninas da ribeira do Sado. Como dia a canção:
As meninas da ribeira do Sado é que é
Lavram na terra com as unhas dos pés
As meninas da ribeira do Sado
São como as ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas
É tudo uma questão de carrapato... Ou melhor, de cair com o carrapato na lama! Na lama do... bom fim."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

'Remontada' até nos 'treinos' !!!


Olhanense 1 - 2 Benfica

Bom treino para dar ritmo aos jogadores menos utilizados, dos titulares - indiscutíveis - só jogou o Enzo, dos Bês acabou por jogar somente o Sidnei... Eu sei que a Taça da Liga é uma competição oficial, eu sei que o Benfica deve jogar sempre para ganhar, mas todos aceitam que a vitória da Taça da Liga não é a prioridade, nem a salvação da época, portanto os jogos desta Fase da Taça da Liga será sempre um 'treino', depois se chegarmos à Final, logo veremos...
É óbvio que a qualidade foi baixa, o adversário jogou com muita agressividade, o relvado é mau - é impossível fazer um passe rasteiro sem a bola andar aos saltinhos -, não é fácil dar velocidade às trocas de bola, o entrosamento não é o melhor, o apitador também não ajudou...
O jogo começou com uma oportunidade para o Olhanense, mas logo a seguir o Benfica criou várias jogadas onde podia ter marcado, com os minutos a passar o Benfica foi perdendo gás, mas sem o Olhanense se mostrar perigoso. No início da 2ª parte, com algum azar do Paulo Lopes, o Olhanense marcou - na minha opinião sem o merecer -, o Jesus mexeu na equipa, tirou o jogador mais apagado - Bruno César -, colocou o Gaitán e o Enzo no meio, e o Lima ao lado, do até aí muito isolado Rodrigo. A partir daqui, foi quase um massacre, e os golos eram inevitáveis - mesmo com o muito baixo aproveitamento do Benfica, algo que infelizmente já estamos habituados!!!
As 'remontadas' são bonitas, mas nem sempre vamos ter essa 'sorte', isto de dar 'avanço' ao adversário, não vai resultar sempre, é bom que o nosso aproveitamento aumente à frente da baliza, e não seja necessário passar por estes calafrios!!!
A arbitragem também foi má, mas também já estamos habituados... A complacência para a agressividade do Olhanense foi total, e até foram premiados com o apito em todas as simulações que os Algarvios fizeram... Exemplo: o Enzo sofre um penalty, o árbitro não marca, e no contra-ataque, o Sidnei leva amarelo, após mais uma simulação!! O 3-5 em amarelos que o Benfica 'venceu' é o melhor indicador para a roubalheira: como é que é possível, depois de toda a porrada que os jogadores do Benfica levaram?!!! No final do jogo, com o Benfica a aguentar os 3 pontos, com uma equipa obviamente desequilibrada defensivamente, foi 'bonito' ver o critério largo dado aos avançados do Olhanense na pressão alta, invertendo totalmente o critério que tinha sido usado quando o Benfica estava a correr atrás do prejuízo!!!

Agradável


Benfica 9 - 3 Oliveirense

Bom jogo, aberto, com velocidade, podíamos ter marcado mais golos, mas também podíamos ter sofrido mais... Continuamos a falhar nas 'bolas paradas'... O Miguel Rocha já é jogador, não pode fugir, está 'semi-emprestado', é bom que regresse brevemente...

Fácil...


Benfica 29 - 17 Belenenses

Jogo que a equipa tornou fácil...

Benfica de proximidade !!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Muller Cardozo

"Para quem acha que Cardozo tem dois ferros de engomar nos pés e um problema: marcar golos

Já era como nunca mais deixaria de ser: atarracado, desengonçado, com uma perna dois centimetros mais curta que outra - e uma tarde apareceu num treino do TSV Munique. O treinador deixou que se mostrasse mas, no final, murmurou-lhe, em tom decrépito:
- Não vais longe nisto. É melhor mesmo dedicares-te a outra coisa...
Trabalhava como tecelão, tratavam-no pela alcunha que trouxera da escola: der Dick, o Gordo. Aos 18 anos conseguiu, enfim, entrar no modesto Nordlingen 1861. Em 32 jogos marcou 51 golos, ganhou o campeonato da sétima divisão. Era Gerd Muller - e o presidente de um clube que acabara de se sagrar campeão da segunda divisão foi a Nordlingen, contratá-lo. Era o Bayern Munique - e Zlatko Cajkovski, o seu treinador, desprezou-o:
- Comigo não joga porque não tem corpo de futebolista, basta olhar...
À décima jornada andava o Bayern por ruas de amargura, o presidente entrou em ira no balneário a dentro, decretou:
- Acabou-se! Muller tem de jogar. Sou eu que quero, sou eu que mando...
Cajkovski fez-lhe, resignado, a vontade - e der Dick, o Gordo logo se transformou em der Bomber, o Bombardeiro. Que, já melhor marcador da liga, passou por nova provação: Helmut Schon não o levou ao Mundial de 1966 pelo mesmo:
- Parece um barril, não é grande jogador, os golos que marca é por sorte...
(O resto é o que se sabe e um dos sinais desse resto é o facto de Muller apenas ter perdido o recorde mundial de golos para aquele que provavelmente é o melhor jogador mundial de todos os tempos e também parece não ter o corpo bem desenhado para o futebol: Messi.)
Domingo, voltei a ver o que há muito vejo: o incompreendido Muller no Cardozo, no Cardozo a contar mentiras sobre o corpo (e o estilo e o mais...) que se dever ter para se jogar à bola, dizendo com os pés que só vêem baliza e lhe acertam:
- Não sei se o meu futebol é estranho ou não, nem me interessa. Só sei que sinto o golo com o mesmo instinto com que o predador sente o cheiro do sangue da vitíma, é o que me basta. (É.)"

António Simões, in A Bola

Chuva isola Benfica no comando

"Com chuva não há serenata, decidiu o árbitro Pedro Proença e o Vitória de Setúbal-FC Porto, o jogo mais importante da 12ª jornada, foi adiado para Janeiro.
O adiamento agradou aos visitados e aos visitantes, e resta desejar que a nova data seja um dia de sol radioso, vento fraco e zero de humidade, porque se cai uma chuvada no relvado do Bonfim fica difícil haver jogo sem que não dê vontade de sorrir. Estamos no Inverno e o campeonato chegou ao Natal com o Benfica isolado no comando por causa do boletim meteorológico. A situação em nada incomoda o FC Porto, que nem forçou a realização do jogo, confiante de que, a 13 de Janeiro, faça chuva ou faça sol, não sairá da Luz a 6 pontos de distância do Benfica e com um jogo fora em atraso.
O Benfica está bem como se tem visto. Persiste em sofrer primeiro para brilhar depois, como já acontecera em Alvalade, enquanto Óscar Cardozo persiste em provar que é o melhor jogador mal-amado de todos os tempos no Estádio da Luz. No grupo da frente, à 12ª jornada, assistiu-se ao regresso de um Sporting de Braga autoritário, e já terceiro, e à persistência do Paços de Ferreira em espantar tudo e todos, apenas um degrau abaixo dos minhotos.
Aproxima-se o Natal e nunca um fundo da tabela terá sido tão comprido: distam apenas cinco pontos entre o último classificado, o Moreirense, e o 8º, que é o Beira-Mar. Ver o Sporting neste grupo dos fundos é bastante estranho, ainda que a jornada tenha sorrido aos leões: um ponto ganho no campo do Nacional e abaixo do Sporting nesta jornada ninguém ganhou."

O goleador que irrita o treinador

"Pela segunda semana consecutiva, Cardozo marcou 3 golos num jogo, para totais de 13 em 12 jornadas da Liga e 17 em 17 chamadas à equipa, cinco como suplente utilizado.
Apesar do impacto do colombiano Jackson Martínez na Liga, o paraguaio que se tornou no melhor marcador estrangeiro da história do Benfica termina 2012 como o jogador mais valioso da Liga.
Um paradoxo, para quem tem sentido ao longo de seis anos tantas dificuldades em chegar ao coração dos adeptos e que terá sido o primeiro goleador internacional a ouvir do próprio treinador a confissão de que por vezes o irrita solenemente. Olhando para o que tem sido a época do Benfica, talvez tenha sido bem mais irritante para os benfiquistas a opção, mal fundamentada, de Jorge Jesus em preterir Cardozo das opções prioritárias na Liga dos Campeões, em que só foi titular uma vez.
O paraguaio traz à memória os tempos de Nené, o avan-çado que não sujava os calções e também era muito irritante. Sobretudo para os adversários."

8+10=18 em 180

"Entre Setembro e Outubro de 1965 o Benfica defrontou o desaparecido Stade Dudelange para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Mesmo com a equipa em poupanças, e com adaptados como hoje está na moda, as vitórias foram copiosas. Contas mais certas seriam difíceis de fazer...

O Stade Dudelange não existe mais. Agora existe um tal de F91 Dudelange, que tem nome de prova de automóveis mas é, de facto, o fruto da união entre o Stade Dudelange, o Aliance Dudelnage e o US Dudelange. A fusão deu-se em 1991, claro está!
No seu tempo de glória, o Stade Dudelange foi a melhor equipa do Luxemburgo. Nesse tempo bateu o Jeunesse Esch e o Spora Luxemburgo, seus grandes rivais. Nos anos 40 chegou a ser campeão quatro vezes consecutivas. Em 1964/65 foi campeão do Luxemburgo pela última vez. E, na época seguinte, coube-lhe defrontar o Benfica para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Logo na primeira eliminatória.
Na véspera de actuar no Estádio Émile Meyrisch, o Benfica deslocou-se a Glasgow para defrontar o Rangers, numa das suas muitas viagens que o prestígio internacional e os altos 'cachets' exigiam. E assim, em Ibrox Park jogaram os titulares, porque 'noblesse oblige', os mesmos que no fim-de-semana seguinte se deslocaram ao Porto para mais uma jornada do Campeonato Nacional.
Era  a contar para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas não houve mais remédio senão recorrer a poupanças no Luxemburgo. Entraram os mais novos, com um ou outro mais velho à mistura. Assim: Melo; Augusto Silva, Germano, Calado e Jacinto; Neto e Santana; Iaúca, Pedras, Serafim e Guerreiro. 3-0 para o Benfica ao intervalo; 5-0 na segunda parte. Não houve motivos para 'reproches'. Pedras(3), Serafim(2), Iáuca(2) e Santana resolveram um problema que se relevou muito pequenino. Costa Pereira, Simões e Cruz lesionados, não foram sequer hipóteses; José Augusto, Eusébio, Coluna e Torres foram deixados em 'banho maria'. O Benfica tinha qualidade para se dar ao luxo de fazer avançar as segundas linhas. E mesmo assim vencer, por 8-0. 'Em Lisboa jogaremos muito melhor', garantia Nicolas Mahr vice-presidente do Stade Dudelange. 'A eliminatória já estava perdida desde o dia do sorteio. Em Lisboa procuremos dar o melhor possível e depois descansar uns dias gozando o sol do vosso belo país!'

Mudar aos 5, acabar aos 10
Entretanto, Eusébio e Flora casaram-se pelo civil. O casamento religioso prometia ser de arromba. O Stade Dudelange vinha à Luz para a segunda 'mão' da primeira eliminatória da Taça dos Clubes Campeões mas dava-se maior importância à visita do Eintracht Frankfurt que estava em Lisboa para um encontro particular contra o Benfica cuja receita reverteria para a Cruz Vermelha Internacional.
Os luxemburgueses vinham à procura do sol, mas choveu a potes em Lisboa. Choveu água e choveram golos. O Benfica não foi o Benfica do costume, jogara dias antes frente ao Varzim para o Campeonato, tinha o Eintracht à porta, houve mais poupanças, como agora está na moda, e escrever-se na Imprensa: '...o Benfica não esteve no ataque com a acutilância necessária para realizar exibição a nível europeu, mas também o antagonista não merecia melhor actuação...'. Ora vejamos: Melo; Augusto Silva (um adaptado, e esta?), Raul e Jacinto; Neto e Ferreira Pinto; Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Guerreiro. Muito certo, certamente, mas a verdade é que, mesmo assim, marcaram-se 10 golos no Estádio da Luz e todos para o mesmo lado, o lado do Benfica, claro! Ao intervalo: 5-0. Três de Eusébio e dois de José Augusto, alguns deles verdadeiramente vistosos, como os dois de José Augusto. Na segunda parte: 5-0. Mais um de Eusébio, outro de José Augusto e os outros três de Torres, Ferreira Pinto e Guerreiro.
Amadores, os luxemburgueses não poupavam nos elogios. Tinham sido vergados a um recorde histórico nas  duas 'mãos' de uma eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Em 180 minutos, 18 golos para o Benfica. Contas mais certas não se podem fazer..."

Afonso de Melo, in O Benfica