Últimas indefectivações

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Objectivamente (heróis)

"Decidamente, na semana em que o Ministro e Secretário de Estado do Desporto reúnem com as estruturas dirigentes do Futebol para, além de outras coisas, profissionalizarem a arbitragem, fez-me espécie não ter sido ouvido o 'assumido' presidente do 'Sindicato dos árbitros', Pinto da Costa, depois de ter vindo em defesa da Corporação no caso que envolveu o Sporting e o Conselho de Vítor Pereira.

'Os árbitros são uns heróis', gritou a plenos pulmões, o homem que mais sabe da matéria em todo o Mundo! Ele lá saberá porquê!... Heróis? Claro, que são heróis! Não é fácil ouvir críticas cobre tantos e tantos erros cometidos sempre a favor do mesmo! Também acho. É preciso ter estômago para ouvir durante trinta anos as mesmas críticas - ainda para mais bem justificadas - encaixa-las e... não mudar rigorosamente nada! Eu volto a insistir que sou daqueles que não acredito em mudanças para melhor! Há quem diga que depois do 'Apito Dourado' alguma coisa mudou! Para mim mudou sim, mas para pior! É que agora fazem-nas mais sofisticadas e com a justificação de que têm medo de voltar a ser apanhados! Vê-se... continuam sem vergonha nenhuma!

O Campeonato (ou Liga se quiserem) vai com três jornadas e o mesmo de sempre beneficia descaradamente de erros de arbitragem que já lhe deram, pelo menos, quatro pontos em relação aos seus adversários directos.

É bom que se tomem medidas sérias e castigos duríssimos para os árbitros que errem. De nada adianta profissionalizá-los! Se eles agora ainda têm outra actividade de onde extraem dividendos para não dependerem única e exclusivamente da arbitragem, o que será quando dependerem apenas de quem lhes dá as classificações, as insígnias da FIFA e da UEFA e as observações positivas das 'borradas' que tantas vezes fazem?

Está-se mesmo a ver a quem é que eles querem agradar todos os fins-de-semana! Não sei mesmo se isto tem remédio!!!"


João Diogo, in O Benfica

Artur

Motivos de interesse, de satisfação e de alívio

"Platini também pensa que os árbitros são heróis e só assim se justifica que a UEFA tenha mandado para o jogo do Mónaco o holandês da Marisqueira de Matosinhos



O Benfica está a fazer este ano um arranque de época bem melhor do que o do ano passado, mas também não era preciso muito para fazer melhor de que dez em 2010/2011, quando ia a época mais ou menos por esta altura.
Os benfiquistas andam mais satisfeitos, nota-se. Basta ouvi-los falar...
-Gostaste do Nolito?
-Não vi. É muito pequenino e estava muito nevoeiro.
-O Gaitán anda desconcentrado.
-É desde que está a ser observado pelo Manchester United.
-Ah, pois. Pode ser que se concentre em grande no jogo com o Manchester, na Luz.
-Vais?
-Vou.
-O Bruno César tem pinta, não tem?
-Tem, pois. Até faz lembrar o nosso grande Isaías...
-Parecia um jogador de râguebi a correr setenta metros com a bola.
-Com o melão, queres tu dizer.
-Com o melão sei quem ficou...
-Incrível como o Bruno César não foi parar ao Porto.
-Agora andam atrás do Funes Mori.
-O Freud explica.
-Viste a agressão ao Witsel?
-O árbitro foi um herói.
-O nosso Jesus está muito sereno.
-Está, está, está.
-O Domingos é que parece tristonho.
-Não está a conseguir pôr o Sporting a jogar à bola como fez com o Braga.
-Porque no Sporting, ao contrário do que aconteceu em Braga, não esteve lá o Jorge Jesus durante dois anos a fazer-lhe a papinha toda.
-Está bem visto!
-Isto do futebol não é nenhuma ciência oculta!



O fim-de-semana tinha reservada uma alegria para quem gosta de futebol. O regresso da Liga espanhola, a melhor do mundo e arredores, sendo que os arredores somos nós, os portugueses, que vivemos mesmo ao lado, entre a Espanha e o mar, por isso mesmo nos chama, com toda a razão, um país periférico.
Para os benfiquistas, muito especialmente, este regresso da Liga espanhola no seu esplendor trouxe-nos os mais diversos motivos de interesse, de satisfação e até de alívio. O interesse pelo desempenho do Granada de Júlio César, Carlos Martins, Yebda e, mais recentemente, Jara, que começou mal, a perder em casa; a satisfação por revermos Fábio Coentrão na qualidade de homem dos sete instrumentos do Real Madrid; e, finalmente, o alívio por podermos ver Roberto, um tipo bem simpático, a jogar durante 90 minutos sem ser com a camisola do Benfica.
Aconteceu no Saragoça - Real Madrid que terminou em goleada expressiva. Quer os comentadores da transmissão televisiva, quer os analistas da praxe, quer o cidadão comum, o homem da rua, todos concordaram que Roberto não teve culpas em nenhum dos seis golos que sofreu. E são capazes de ter razão.
Roberto é, na verdade, o guarda-redes ideal para uma equipa como o Saragoça, onde, aliás, já fora feliz antes da sua patética passagem pelo Benfica. No domingo, por exemplo, Roberto esteve sempre em acção porque o Real estava inspirado e nunca deixou de andar muito perto da baliza dos donos da casa.
E Roberto estando sempre em acção, porque a equipa que agora defende é do meio da tabela e vai obrigá-lo a intervir mais vezes durante um jogo, é natural que tenha até os seus momentos de grande brilho entre os postes, tantas são as que lá vão...
No Benfica, que é superior ao Saragoça, tem outras ambições e um futebol bem mais ofensivo, Roberto não tinha nem tempo nem ocasiões para 'aquecer' as luvas. Remetido ao papel de espectador a maior parte do jogo, vendo da sua baliza os colegas a jogar perto da baliza adversária, era um Roberto a frio que, me muitos jogos, era chamado a duas ou três escassas intervenções que, decididamente, não podia falhar.
E falhou algumas, é certo, se quisermos evocar o assunto com benevolência, falhou um fartote.
Que seja muito feliz em Saragoça, é, de certeza, o desejo de todos os benfiquistas que vão continuar a seguir a sua carreira mas de longe.
Benza-o Deus, esse é mesmo um grande alívio...



APESAR de jogar sem o Nolito, o Barcelona venceu o FC Porto no Mónaco e conquistou a Supertaça da UEFA no culminar de uma semana tempestuosa no futebol português, por obra e graça do Sporting que está revoltado com a qualidade da arbitragem nacional.
A Pinto da Costa não lhe ocorreu dizer nada depois do jogo com o Barcelona mas antes do jogo, ainda em Portugal, comentou com a ironia do costume este levantamento de rancho sportinguista contra os homens do apito. «Os árbitros têm sido uns heróis», disse o presidente do FC Porto em acto de solidariedade com a classe que tão mal tratada tem vindo a ser pelo Sporting que, entretanto, já perdeu 7 pontos que só lhe podem fazer falta.
Não é só para Pinto da Costa que os árbitros têm sido uns heróis.
Também a UEFA pensa exactamente da mesma maneira e só assim justifica que Michel Platini tenha mandado para dirigir o jogo do Mónaco entre Barcelona e o FC Porto o árbitro holandês Bjorn Kuipers que apitou no Porto, na Primavera passada, o jogo com o Villareal e que acabou envolto em suspeitas gastronómicas nas primeiras páginas dos jornais espanhóis por ter ido cear com António Garrido à Marisqueira de Matosinhos depois do jogo no Dragão.
-Agora vais ao Mónaco e vais provar que és mesmo um herói! - foi o que Michel Platino disse a Bjorn Kuipers na sala dos fundos da sede da UEFA na Suíça, que é um país neutral.
E lá foi até ao Mónaco o holandês Kuipers para provar ao mundo a sua fibra de héroi.
Talvez tenha até exagerado porque expulsou dois jogadores do FC Porto e, como não bastasse, os portistas (que viram a sua equipa valorizar a vitória do Barcelona oferecendo uma réplica do Barcelona oferecendo uma réplica condigna aos campeões português.
Vítor Pereira, com humildade reconheceu o heroísmo do árbitro:
-É muito complicado marcar um penálti contra o Barcelona - disse quando já Messi e companhia encaixotavam a taça no balneário para levar para casa.
Mas, muita atenção, leitores: este Vítor Pereira que disse que é muito complicado marcar penálti contra o Barcelona é o Vítor Pereira-treinador do FC Porto, não é o Vítor Pereira presidente dos árbitros portugueses.
O Vítor Pereira-presidente dos árbitros portugueses jamais diria semelhante barbaridade. Porque uma coisa é o que se passa lá fora, outra coisa é o que se passa lá fora, outra coisa é o que se passa cá dentro. E cá dentro não há Barcelonas nem complicações nenhumas?
Não há nem vai haver!



AINDA Vítor Pereira-treinador do FC Porto e ainda o jogo da Supertaça do Mónaco. Disse Pereira na conferência de imprensa antes da partida:
-Nós não viemos ver o Barcelona jogar à bola.
Bom, isso acabou por não ser totalmente verdade... e as muito honrosas estatísticas do jogo garantem que houve 68% de posse de bola para o Barcelona e 32% para o FC Porto, o que prova que o FC Porto viu mais o Barcelona a jogar do que o Barcelona viu o FC Porto a jogar. Mas isso pouco interessa.
Mais coisa, menos coisa, o que interessa sempre é o resultado."


Leonor Pinhão, in A Bola

Marcos Chuva na final

8,10 m deu a qualificação para a final do salto em comprimento nos Mundiais de Daegu, para o nosso Marcos Chuva, confirmando a extraordinária evolução do último ano... Em 32 atletas fez a 6ª marca, e não foi fácil, já que o primeiro e o terceiro saltos, foram nulos!!! Ainda por cima numa qualificação difícil, onde 4 atletas fizeram 8 metros ou mais, e não conseguiram ficar nos 12 finalistas!!! Tal como o Fortes, o próximo objectivo é ficar nos 8 primeiros... e já agora, o recorde nacional parece estar ao alcance...

Marco Fortes na final

20,32m foi o suficiente para o Marco se qualificar para a final do Mundial no lançamento do Peso, conseguiu a 9º marca entre os 27 atletas... este resultado até pode ser considerado 'normal', mas o Marco nas grandes competições não tem sido feliz, desta vez não falhou... próximo objectivo ficar nos 8 primeiros na final.

E lá passou mais um ano...



...2 anos d'Indefectível, 2005 post's, sempre pelo Benfica.


PS: Provavelmente ninguém reparou mas houve um 'ligeiro' erro aritmético na primeira versão deste post!!! Mas já está rectificado...!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Benfica está mais sólido

"Mesmo quando não deslumbra, ganha. Não será com brilhantismo, mas com pragmatismo. E essa parece ser a grande e decisiva diferença para a última época, quando uma equipa demasiado ingénua para a alta competição foi desperdiçando os pontos suficientes para ficar, logo nas primeiras jornadas, afastada do título. Esta equipa dá sinais de que pode discutir o campeonato até ao fim.

Ganhá-lo ou não, dependerá, obviamente, de si própria, mas também – e muito! - do FCPorto, cuja identidade ainda não parece suficientemente clara e definida. Indiscutivelmente, o FC Porto, mais ou menos forte do que na época passada, até porque não terá Falcao e, talvez, Álvaro Pereira, nunca deixará de ser o principal candidato. Porque defende um título que ganhou na última época, aliás, com um domínio absoluto; porque não deixará de fixar um plantel valioso, mas, acima de tudo, porque o FC Porto se habituou a uma cultura de sucesso que se transmite, hoje em dia, com a mesma naturalidade com que os seus jogadores respiram.

Pode vir aí, pois, um grande campeonato. Talvez um dos melhores campeonatos dos últimos anos e pena é que, ao Sporting, esteja a suceder o mesmo que ao Benfica da última época, esbanjando demasiados pontos, o que deixa os seus jogadores num clima de insegurança e de tão profunda tristeza, que parece chamar todos os azares e todos os fantasmas do mundo.

Entretanto, o SC Braga também lá vai ganhando. Sem dar muito nas vistas, sem rasgados elogios. Pode ainda pegar de estaca. É preciso esperar para ver..."


Vítor Serpa, in A Bola

Lixívia Extra-Forte III

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......7 ( 0)...7
Corruptos...6 (+2)...4 (-1 jogo)
Braga........7 ( +3)...4
Sporting....2 ( 0)...2



--O Arturzinho tudo fez para entregar a encomenda, mas não conseguiu... Não teve penalty's, golos anulados, ou mal validados, mas nos pormenores esteve imparável. Só nos primeiros 8 minutos cometeu 4 erros 'graves' sempre para o mesmo lado: Não marcou duas faltas ao Nacional (sobre o Cardozo e o Nolito), que proporcionaram dois contra-ataques perigosos ao Nacional, o segundo 'salvo' por uma boa defesa do Artur!! O Filipe Lopes agarra o Aimar, seria um livre perigoso a favor do Benfica, e ele marca falta contra o Benfica!!! O Rondom deixa-se cair, e ele marca falta ao Luisão...!!! Isto é só uma amostra daquilo que aconteceu durante os 90 minutos, 'pequenas' faltas a meio-campo, que retiram a posse de bola a uma equipa e oferecem-na à outra, 'fabricando' uma quantidade enorme de livres laterais (sempre perigosos) para uma equipa, não marcando os livres a favor da outra. Outro exemplo bem demonstrativo foi o último pontapé de canto contra o Benfica: Emerson demonstra alguma ingenuidade (desconcentração), mas é claramente empurrado pelo Candeias, nas barbas do bandeirinha, mas o canto no último minuto de jogo é marcado contra o Benfica. Uma jogada de potencial perigo, que podia ter dado o empate. Mal eles sabiam que do contra-ataque o chuta-chuta marcaria o segundo golo do Benfica!!! E ainda bem que ele não passou a bola a ninguém, porque senão seria marcado fora-de-jogo!!! Aliás, ainda com 0-0, foi marcado um fora-de-jogo erradamente ao Witsel, quando este ficava isolado, com a bola controlada...


O João Aurélio não merecia o segundo amarelo, o contacto com o Bruno César é mínimo. Mas na mesma jogada o Filipe Lopes agride pela primeira vez o Witsel!!! E não lhe acontece nada!!! Pouco minutos depois, Filipe Lopes volta a agredir Witsel com uma cotovelada descarada, que seria vermelho directo que qualquer parte do mundo!!! E mesmo se fosse uma falta 'normal' seria vermelho, porque o Belga ficaria isolado, o Arturzinho deu amarelo...!!! Filipe Lopes ainda teve uma entrada muitíssimo perigosa sobre o Bruno César, tocou na bola primeiro (por isso não foi penalty), mas na sequência do corte (sem sequer ter tentado retirar o pé), meteu os pitõns no tornozelo do Bruno, que só por acaso não ficou gravemente lesionado...




--A choradeira Lagarta continua. Mas aquilo que mais me impressiona, são os cumentadeiros (habitualmente tão reticentes em aceitar as queixas do Benfica sempre que é Roubado)!!! Desta vez com as Osgas ninguém dúvida do mérito das reclamações!!! Mesmo que para isso, tenham que fechar os olhos aos benefícios Lagartos:


Sim, o Evaldo não estava em fora-de-jogo. É à 'queima', mas não estava. Mas curiosamente a falta que esteve na origem deste lance não existiu!!! O Postiga agarra a camisola do defesa, e o Proença marca falta a favor do Sporting!!! Mas muito mais grave, na minha opinião, é a falta que está na origem do segundo golo Lagarto. O Evaldo faz uma falta evidente e perigosa, mesmo no focinho do 'desdentado' e este marca falta contra o Marítimo (isto quando o defesa Madeirense, que afastou de cabeça a bola, para entrada da área, já tinha sido carregado pelas costas por um avançado Lagarto...). Portanto duas faltas cometidas por jogadores do Sporting, na mesma jogada, dá uma falta contra o Marítimo!!! Sim, o Roberto Sousa a poucos minutos do fim, também merecia um segundo amarelo...!!!


Continuar a analisar as arbitragens nos jogos do Sporting, ignorando os benefícios esverdeados, pode ser explicado como uma forma caridosa de ajudar os mais desfavorecidos, mas já cheira mal tanta espinha vergada, a favor de alguém que não merece nem um tostão furado...!!!
adenda: Esqueci-me do suposto penalty sobre o Schaars. Este é daqueles lances da 'intensidade', que a favor dos Corruptos são sempre 'claros'!!! O ex-árbitro Pedro Henriques que na semana anterior, num lance idêntico com o Nolito e um jogador do Feirense, afirmou tratar-se somente de uma luta normal de braços, e portanto não era penalty!!! Obviamente a mesma personagem esta semana considerou penalty no lance com o Schaars, já estamos habituados a estas analises diferentes por este individuo, aliás quando arbitrava fazia o mesmo!!! Neste caso eu concordo com a analise feita ao lance com o Nolito: não é penalty. Assim com o Schaars também não...!!!




--Não vi o jogo do Braga, mas mais uma vez, acreditando nos escribas, e nas reclamações do Setubalenses, o golo nasce de um pontapé de canto, que devia ter sido um pontapé de baliza...


Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) (2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) (3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) (0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Corruptos
1º-Guimarães(f) (0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) (3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar

Sporting
1ª-Olhanense(c) (1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) (0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) (2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar

Braga
1ª-Rio Ave(f) (0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) (2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) (0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Apito desafinado

"1. Há cerca de um ano escrevi aqui, a propósito de estatuto legal dos árbitros: “O repto é alterar todo o processo de recrutamento e evolução dos árbitros nas sucessivas categorias, desde as camadas jovens até à 1.ª categoria. Submetidos desde a base a critérios esconsos e a fiscalização discutível, os árbitros que chegam hoje ao topo não são muitas vezes – ou não podem ser – os melhores. Ressente-se a independência e magoa-se a qualidade das suas atuações. Por isso se deve redigir quem e como se chega a árbitro – em carreiras distintas para “grupos de modalidades” – e instituir um corpo de arbitragem autónomo de quem organiza as competições (ainda que financiado e balizado pelas competições). Um corpo escolhido, formado e avaliado por “comités de técnicos de arbitragem” designados pelo Estado e atuantes, em secções diferenciadas, nas federações e nas associações. E com a possibilidade de tais organismos federativos e associativos recorrerem, no caso da gestão e organização dos árbitros profissionais, a entidades externas e, no caso da aprendizagem e reciclagem das competências de todos os árbitros, a formadores fora do ambiente fechado das federações e das associações (p. ex., universidades). Sem pôr em causa a autorregulação, mas assegurando o seu futuro.
2. Passou mais um ano. O futebol português é dramaticamente previsível, em personagens e em argumentos. Os árbitros estão novamente em cima do lume dos esquemas do maniqueísmo. Continuamos a ouvir o mesmo, com o inevitável “o Apito Dourado não deu em nada”! Claro que quem tal afirma não sabe o que diz ou apenas o diz a pensar em 3 ou 4 processos criminais que dominaram os media. Não é verdade!
3. O Apito Dourado (AD) lidou com corrupção, coação, falsificação de relatórios e tráfico de influências. O fundamental do AD foi julgado desportivamente pelo Conselho de Disciplina da Federação, uma vez que o AD averiguou esmagadoramente jogos e factos da (então) 2.ª Divisão B – pelo menos em junho e julho de 2008, foram suspensos 35 árbitros e observadores, com castigos entre 8 meses e 9 anos e 4 meses (e com árbitros a ultrapassarem, nas penas somadas, o castigo máximo de 10 anos!). O residual do AD foi julgado desportivamente pela Comissão Disciplinar da Liga em maio de 2008: suspensões de 6 árbitros com castigos entre 2 anos e meio a 6 anos.
4. O Apito Dourado foi a maior “limpeza” que se fez na arbitragem com base em adulteração grosseira das regras. Para além dos crimes (pois nem tudo era ou foi considerado crime), os órgãos jurisdicionais desportivos atuaram (ainda que com “défice” do Conselho de Justiça…) e os prevaricadores foram afastados. “Deu”. Acima de tudo, vemos que a arbitragem de 1.ª categoria se qualificou e os internacionais são considerados lá fora. Porém, cá dentro, o AD não deu o suficiente para se saltar em definitivo para um outro formato de árbitro – que exige mais que a profissionalização e solicita uma independência dos organizadores das provas. É por isso que passam os anos e, para alguns e com o mesmo formato, ainda parece que o AD “não deu” nada…"
Ricardo Costa, in Record

Bem-vinda!

"From: Domingos Amaral
To: Luz Jardim Amaral

Minha querida filha
Nasceste numa quarta-feira à noite, precisamente às 22h52, como o teu irmão Duarte sempre lembra. Enquanto a tua querida mãe Sofia esperava pela sua cesariana, na companhia das tuas avós e tias e da tua irmã mais velha, Carolina (a Leonor ainda é pequenina e ficou em casa), eu e o Duarte demos um saltinho ao estádio do Benfica. Foi rápido e fácil, apenas uma pequena caminhada, pois tu estavas pronta a nascer precisamente no Hospital da Luz, que é mesmo ao lado da nossa catedral, o Estádio da Luz. Mas foste muito querida em ter esperado por nós, em ter-nos deixado assistir a um belo jogo do Benfica. É, aliás, magnífico sinal teres nascido numa grande noite europeia, em que tudo correu bem à nossa família e ao Benfica. Que fantástica jogatana, que excelente equipa que se está ali a formar! Foi essa a conclusão que eu e o teu irmão retirámos de um jogo onde Jesus espantou definitivamente os fantasmas que nos assombravam este início de época. Enquanto crescias na barriga da tua mãe, muitos apostavam numa saída desgraçada de Jorge Jesus ainda em setembro. Não aconteceu e ainda bem. Sabes, querida filha, ele é um bocado teimoso mas quando acerta não há melhor, e o Benfica dele enche-nos o coração de alegria, tal como o teu nascimento. E foi por tudo isto, a que alguns chamam coincidências mas ambos sabemos que é destino, que a tua mãe e eu decidimos chamar-te Luz. Nome lindo, pequeno e simples, ao mesmo tempo forte e essencial à vida e (aqui só entre nós que ninguém nos ouve), glorioso! Um nome que a ti muito bem fica. Mil beijos do pai."

Domingos Amaral, in Record

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mau vício... Saboroso!!!



Nacional 0 - 2 Benfica



É essencial ganhar os jogos com a 'nota artística' mais baixa, esta noite foi esse o caso (mas é preferível vencer com a 'nota artística' mais alta). Também é essencial ganhar os jogos antes das 'paragens das selecções'. É essencial ganhar os jogos após as 'euforias' das competições europeias. É essencial ganhar os jogos onde podemos passar para a liderança, mesmo que seja uma questão temporária. E também não sou hipócrita: prefiro ganhar honestamente jogando pouco, do que perder jogando bem...!!! Resumindo: é essencial ganhar sempre...

Já houve jogos diurnos na Choupana que foram adiados devido ao nevoeiro, mas é óbvio que é muito mais provável isto acontecer à noite, mas mesmo assim, devido somente aos interesses televisivos, insistem, teimosamente, em marcar jogos para horas impróprias. Isto quando o Benfica já se viu impedido de contar com o Eduardo devido à 'casmurrice' da FPF (além do Mika), e caso o jogo fosse adiado para Terça-feira, 'perderia' ainda mais Internacionais, como o Maxi, o Cardozo e o Witsel...

A primeira parte foi incaracterística devido às duas paragens por falta de visibilidade, além disso o Nacional creio ter surpreendido o Benfica, fazendo uma pressão muito alta, que com o critério intencionalmente 'torto' do Soares Dias a meio-campo, provocou alguns 'contras' perigosos ao Nacional, e impediu que o Benfica estabilizasse o seu jogo... mesmo assim e com uma eficácia nada habitual o Benfica marcou um belo golo pelo Cardozo...

Na segunda parte o Benfica entrou melhor, o Nacional reagiu, mas a expulsão do João Aurélio deu ao Benfica algum controle da partida... a ineficácia habitual voltou, voltámos a falhar vários golos nesta altura e já nos descontos o 'chuta-chuta' Bruno César, finalmente, deu descanso aos corações vermelhos... o vício mantém-se, para quando uma jornada 'descansada'?!!!

Além da inacreditável expulsão perdoada ao Filipe Lopes, não houve mais lances de grande revelância, mas nos pormenores o Arturinho esteve imparável, só nos primeiros 8 minutos errou descaradamente por 4 vezes:

-Não marcou 2 faltas (uma sobre o Cardozo, e outro sobre o Nolito), que permitiram dois contra-ataques perigosos ao Nacional. A primeira terminou com um remate do Candeias, e a segunda com um remate do Mateus, para boa defesa do Artur.

-Transformou um agarrão do Filipe Lopes ao Aimar (em zona perigosa para a baliza Madeirense), numa falta contra o Benfica!!!

-Marcou ainda uma falta inexistente do Luisão sobre o Rondon, que deu um livre perigoso para o Nacional

Depois, com o nevoeiro, desisti de 'apontar'... mas é assim que se consegue 'inclinar' o campo discretamente e só uma equipa solidária, lutadora e inteligente, como aconteceu hoje, tem hipóteses de vencer...

Ricardo

Por mais amor àquilo que se faz, existem momentos onde é preciso dizer chega. Ricardo, o nosso ex-capitão, o nosso primeiro capitão não português, pela segunda vez num curto espaço tempo teve um AVC, enquanto dirigia a partir do banco um jogo da sua equipa. Tenho quase a certeza que não é por necessidade extrema que Ricardo continua a trabalhar, espero obviamente uma recuperação rápida, mas após as esperadas melhoras é necessário repensar a vida... a família e os benfiquistas agradecem...!!!

8 centésimos !!!




O Jorge Paula fez uma boa prova em Daegu, 49, 82 sec. Ficou a 8 centésimos da sua melhor marca, e foi o primeiro NÃO classificado para as Meias-finais... (dos respescados, porque nos qualificados automaticamente, por terem ficado nos quatro primeiros lugares, mais especificamente na 4ª eliminatória, três aletas fizeram pior tempo!!!) Faltaram somente 8 centésimos!!! O dia começou logo mal com a atribuição da pista 8, sem referências é mais difícil, ainda por cima ficou na eliminatória mais forte, com o actual Campeão do Mundo, um ex-Campeão do Mundo, e o detentor da melhor marca do ano, além de um Jamaicano provavelmente primo do Bolt!!! Para tornar tudo ainda mais frustrante, ficou somente a 2 centésimos dos Mínimos para os Jogos Olímpicos do próximo ano, já que as marcas só começaram a contar desde do último, primeiro de Agosto...

A teoria do caos na óptica do apito

"O início desta época fica, desde já, marcada pelo tiro no pé dado pelos árbitros (como classe que quer ser profissional) a propósito da recusa de João Ferreira em arbitrar o Beira-Mar - Sporting. João Ferreira estava fora, soube em diagonal de algumas coisas que tinham sido publicadas, tomou a nuvem por Juno e precipitou-se. Imediatamente, em vez de chamar o seu associado à razão, a APAF cavalgou uma onda que parecia fragilizar Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga. A história de Aveiro é conhecida, um árbitro dos Regionais dirigiu, sem problemas de maior, aliás, a partida entre Beira-Mar e Sporting e a Liga, através de diligências do seu presidente, tentou, na semana seguinte, resolver um problema que só de forma adjacente a tocava. Fernando Gomes, sentou a APAF e Sporting à mesma mesa e perante a exigência dos árbitros do reconhecimento, por parte dos leões, de uma culpa que não tinham tido, viu frustrados os seus intentos.

Em face deste cenário, Vítor Pereira fez o que tinha de fazer, nomeando árbitros para a terceira jornada da Liga Zon-Sagres. A bola ficou do lado da APAF. Ou recusava e ensaiava uma saída de fininho pela porta dos fundos, ou mantinham-se firme e hirta como uma barra de ferro e apostava todas as fichas na coesão dos árbitros perante a situação criada. Obviamente, teve de recuar, porque no painel de árbitros de primeira categoria há quem não se deixe manipular e, na reunião de Leiria tenha assumido uma posição intelectualmente honesta, mandando o corporativismo com que a classe estava a ser manipulado às malvas. Sem que a Liga ou o Sporting vacilassem, e certa, já, que não faltaria árbitro em Alvalade, a APAF fez um comunicado cheio de nada e saiu de cena.

Será possível enquadrar a canhestra tentativa de fragilização de Vítor Pereira a que se assistiu, sem trazer à colação as eleições para a Federação Portuguesa de Futebol (que, no contexto dos novos estatutos, vai passar a acolher Arbitragem e Disciplina das competições profissionais)? Não creio.

E quem quiser fazer contas mais certeiras basta ver quem fez o quê a quem, de onde vieram os ataques e quem os protagonizou nos vários momentos.

As próximas eleições federativas - porque continua a haver quem tenha saudades do tempo dos xitos e esteja a apostar muito em retomar o controlo de posições-chaves - têm uma importância que importa desde já relevar. É por isso que este episódio triste dos árbitros, inspirado na teoria do caos, em que o bater de asas de uma borboleta desencadeou um tremor de terra, merece reflexão aprofundada.

..."


José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 28 de agosto de 2011

Arbitragens... já!

"1. Ainda agora começou o Campeonato e já (só) se fala em arbitragens. Nada de novo, infelizmente... De penálti em penálti, o FCP já comanda. E, de lamento em lamento, o Sporting já arranjpu outro problema com os árbitros, continuando sem distinguir uma árvore de uma floresta.

Na 1ª jornada, o Sporting teve evidentes razões queixa de Carlos Xistra, árbitro de muito más recordações para o Benfica em vários jogos. Das queixas do jogo passaram depois para as lamúrias de sempre (e que se resumem a um célebre penálti num Benfica-Sporting da Taça da Liga - até apetece entregar-lhes a taça para os calar!... - e um golo com a mão num jogo em Alvalade, a meio de um capeonato). E das lamúrias passaram para a pressão sobre a equipa de arbitragem do jogo seguinte, em Aveiro. O problema é que o árbitro João Ferreira se recusou a ir, os outros árbitros solidarizaram-se e no domingo quem arbitrou (e por sinal bem) foi um árbitro dos Distritais. Não foi pela arbitragem que o Sporting cedeu novo empate e voltou a ficar em branco...

Infelizmente, o Sporting continua a querer estar com um pé dentro e outro fora do 'sistema'. Queixa-se da arbitragem, diz-se vítima e, não querendo hostilizar Pinto da Costa e seus acólitos, coloca do outro lado os 'beneficiados' FC Porto e Benfica. Conviria que os seus responsáveis ouvissem o antigo presidente Dias da Cunha e lessem os esclarecidos artigos do seu associado Daniel Oliveira no 'Record'. Mas, infelizmente, o 'ódio de estimação' dos sportinguistas é o Benfica e, a partir daí, não conseguem distinguir nada. Depois, não se queixem dos Xitras que lhes vão aparecendo de vez em quando, nomeadamente quando prometem incomodar quem domina o 'sistema'...

2. Nelson Évora sagou-se novamente campeão mundial universitário e, mais que isso, voltou às marcas de grande nível internacional. Excelente indício a poucos dias de iniciar o Mundial de Atletismo, na Coreia, onde promete voltar a lutar por um lugar no pódio. Entre os 12 atletas masculinos que representam Portugal, seis (metade!) são do Benfica. Marco Fortes, que se aproximou há dias dos 21 metros no peso, Marcos Chuva, com uma sensacional marca no comprimento (a 2cm do recorde nacional), Jorge Paula, com grandes progressos nos 400m barreiras, e Ricardo Monteiro e Yazaldes Nascimento, componentes da equipa de 4x100m, são os restantes benfiquistas. Boa sorte!"


Arons de Carvalho, in O Benfica

Dez anos sem prejuízo

"Do conflito entre o Sporting e os árbitros derivou uma discussão nas redes sociais da internet sobre a indiferença do FC Porto, um clube que considera «heróis» o que outros destacam como "inimigos". Quando perdeu o FC Porto pela última vez na Liga por causa de erros de um árbitro?

Felizmente para o clube de Pinto da Costa isso já não ocorre há muito tempo, mais precisamente desde a temporada de 2001-02 quando, entre um número anormal de oito derrotas, duas delas tiveram, de facto, a marca dos erros de arbitragem.
O curioso da situação é que os juízes envolvidos, Luís Miranda e Emanuel Câmara, pagaram os penaltis perdoados a Beira-mar e Santa Clara com o afastamento do grupo da elite da arbitragem. Falharam e foram afastados, embora Miranda estivesse já próximo do limite de idade.
Nas dez épocas seguintes, o FC Porto sofreu apenas 26 derrotas na Liga portuguesa e embora algumas com arbitragens negativas para os azuis, como a de Carlos Xistra com o Sporting em 2007-08, validando um golo irregular de Izmailov, não voltou a haver uma relação directa entre a arbitragem e o resultado. E a polémica mor com João Ferreira e Lucílio Baptista no jogo «do túnel» não correspondeu a prejuízos dentro das quatro linhas.
Seria, contudo, estulto pensar que o FC Porto não tivesse também sofrido erros de arbitragem num conjunto de mais de 300 jogos. Quando tal se verificou, porém, a equipa conseguiu superar as dificuldades e pelo menos não perder, mas foram muito mais as partidas em que os resultados positivos tiveram contributo de maus julgamentos.
DE VILÃO A HERÓI
Bruno Paixão sofreu impiedosa perseguição psicológica de entidades portistas, sendo tratado como «vilão» nos programas de televisão por causa dos erros no Campomaiorense-FC Porto (1-0) de 2000, em particular a permissividade a uma marcação sistematicamente faltosa sobre Jardel, inclusive com lances de penalti não assinalado. Foi uma noite terrível, que lhe custou uma quarentena, mas após ano e meio, voltou ao bom caminho, com 10 triunfos portistas em 13 encontros, figurando hoje entre os «heróis» de Pinto da Costa.
1 PENALTI A CADA 16 JOGOS
Quando Rui Silva, no domingo passado, assinalou um penalti no Dragão contra os donos da casa soaram campainhas de alerta pelo inusitado da situação. Em média, o FC Porto só sofre um penalti a cada 16 partidas e raramente nas primeiras jornadas. Desde 2004, aliás, no ano do título perdido para o Benfica, que o FC Porto não era punido com uma grande penalidade das primeiras quatro jornadas da Liga.
LUÍS MIRANDA
O que fez

Num Beira-Mar-FC Porto (2-0) perdoou uma grande penalidade aos aveirenses e ainda expulsou Alenitchev no começo da 2.ª parte.
O que lhe aconteceu
Nos oito meses seguintes, até final da época, o juiz de Torres Vedras só mereceu mais três nomeações e encerrou a carreira, na maior discrição.
EMANUEL CÂMARA
O que fez
Num Santa Clara-FC Porto (2-1), deixou passar em claro um penalti (passível de cartão vermelho) de Rui Gregório sobre Hélder Postiga.
O que lhe aconteceu
A carreira na 1.ª Liga do actual comentador da RTP Madeira ficou arrumada: dois meses depois dirigia o Marítimo-Leiria, em jeito de jogo de homenagem.
O ÚLTIMO TERROR
Quando Lucílio Baptista se retirou, os portistas suspiraram de alívio. Cada nomeação dele punha em causa o comodismo da equipa por ser menos permissivo do que a generalidade dos seus pares, sem receio das consequências dos eventuais desaires azuis e brancos.
A AMEAÇA SADINA
O também setubalense João Ferreira, árbitro da última derrota, em Alvalade, talvez quebre o recorde de sete derrotas, pois com metade dos jogos tem média idêntica a Lucílio Baptista, em flagrante contraste com as dos outros juízes da actualidade."

João Querido Manha, in Correio da Manhã

Silêncio 'versus' clamor

"A final da Supertaça europeia confirmou duas coisas: a genialidade de Messi e que os erros de arbitragem são vistos e avaliados por todos.


1. O conjunto de participantes na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões ajuda-nos a perceber, mais uma vez, a hierarquia do futebol europeu. Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália são as cinco grandes potências europeias. Nas últimas épocas, deparamos com clubes permanentes (todos eles originários destas cinco Ligas) e outros que têm presenças quase permanentes ou relevantes e que são originários das ligas portuguesa, russa, holandesa, turca, ucraniana ou grega. Da época passada para esta, o sorteio da Mónaco propocionou-nos, tão só, a alteração de representantes de cinco ligas nacionais. Não marcam presença clubes originários da Dinamarca, Escócia, Eslováquia, Israel e Sérvia e, em sua substituição surgem o belga Genk, o Bate Borisov da Bielorrússia, o Dínamo de Zagreb da Croácia, o Apoel do Chipre, o Plzen da República Checa e o romeno Otelul Galati, por sinal um dos adversários do Benfica. Os mapas em anexo ajudam-nos a perceber, para além da hierarquia, a estabilidade das potências do futebol europeu. E os milhões da Liga dos Campeões - em contraponto à escassez da Liga Europa - também nos ajudam a perceber que a luta pelo acesso a esta competição é uma luta bem dura, principalmente para as médias ligas europeias, onde necessariamente se inclui, em razão do ranking da UEFA, a liga portuguesa. E todos temos que perceber que esta luta é uma luta bem complexa na presente época desportiva. É que no final dela, os dois primeiros classificados têm acesso garantido à fase de grupos da Liga dos Campeões. O que é uma novidade nas últimas épocas do futebol português. Mas convém, também, não esquecer que não são só os clubes a lutar pelo acesso à Liga dos Campeões. Também os árbitros lutam por permanecer ou por ascender à elite da arbitragem europeia. E, nesta sede, também há classificações!


Fase de Grupos da Liga dos Campeões 2010/2011

Alemanha.....3

Dinamarca...1

Escócia.........1

Eslováquia....1

Espanha.......3

França.........3

Grécia..........1

Holanda......2

Inglaterra....4

Israel...........1

Itália...........3

Portugal......2

Rússia.........2

Sérvia..........1

Suíça...........1

Turquia.......1

Ucrânia.......1


Fase de Grupos da Liga dos Campeões 2011/2012

Alemanha...........3

Bélgica................1

Bielorússia.........1

Chipre.................1

Croácia................1

Espanha..............4

França.................3

Grécia..................1

Holanda...............1

Inglaterra............4

Itália...................3

Portugal..............2

República Checa..1

Roménia..............1

Rússia.................2

Suíça...................1

Turquia...............1

Ucrânia...............1


2. Estamos a viver os últimos dias do primeiro período europeu da intermediação de jogadores. E esta intermediação já envolve grandes, médios e pequenos empresários. E neles, nos grandes, necessariamente incluímos o português Jorge Mendes. Apesar da crise económica e financeira que percorre o capitalismo, há centenas de milhões de euros (e de libras) a circular no futebol europeu. A liga inglesa e a liga espanhola são, neste momento, os principais centros dos negócios, sem esquecermos a crescente importância da liga russa e de outras ligas do oriente da Europa, de que é exemplo o louco negócio de milhões que envolveu a contratação de Eto'o, transferido para os russos do Anzhi. É indiscutível que a globalização se centra nas multinacionais contemporâneas do futebol: Manchester United, Arsenal, Chelsea, Manchester City (menos Liverpool e Tottenham) e, necessariamente, Barcelona e Real Madrid.

Estas são as marcas globais. As que conservam e multiplicam adeptos. As que diversificam, com êxito, o conjunto dos negócios conexos com a indústria do futebol. As que obrigam a horários diversificados para as suas transmissões televisivas. As que potenciam os patrocínios, inclusive os equipamentos de treino. As que proporcionam aos principais jogadores impressionantes contrapartidas ao nível publicitário. As que já utilizam, com êxito, as novas plataformas de comunicação e de difusão. Daí a necessidade da liga espanhola te ultrapassado o diferendo que opunha clubes e jogadores e hoje arrancar o Real Madrid. E daí, também, a percepção clara da perda de influência do futebol italiano e o escasso relevo global das ligas alemã e francesa.


3. A Liga dos Campeões arranca a 13 de Setembro. No Dragão, o Futebol Clube do Porto recebe o Shakhtar Donetsk, porventura o seu adversário mais difícil no Grupo G. Mas, no dia imediato, as atenções do mundo centram-se no Estádio da Luz que, decerto esgotado, vai acolher mais um Benfica - Manchester United. E com todas as razões para os benfiquistas, depois da exibição frente ao Twente, sonharem com uma época de ouro.


4. A final da Supertaça europeia confirmou-nos duas realidades. A primeira é que Lionel Messi é um dos mais extraordinários jogadores na história do futebol. A segunda é que os erros da arbitragem são, hoje em dia, vistos e avaliados por todos. Ficamos a perceber que quando há prejuízo, e ele é efectivo, há vozes que não se calam. E daí sentirmos a diferença. Cá dentro, defendem o silêncio. Lá fora, o clamor. E não é uma questão de Pirenéus. É uma questão de percepção do erro.


5. Na próxima sexta-feira, a nossa selecção nacional ultrapassará, estou convicto, um Chipre de má memória e dará mais um passo pela presença directa no Europeu de futebol do próximo ano."


Fernando Seara, in A Bola

Toca a votar no Hino do Benfica!!


Pessoal, toca a votar no Hino do Glorioso!! Estamos em segundo lugar, vamos lá!!!

http://listas.20minutos.es/lista/grandes-himnos-equipos-de-futbol-88742/

sábado, 27 de agosto de 2011

Rosas e armas

"Sempre pensei que os assobios dos adeptos benfiquistas a Cardozo eram piropos. Mas não. Desde que percebi o meu erro tenho esperado um bom momento para escrever algo sobre o assunto. Teria sido logo depois do jogo de quarta-feira, contudo acontece que esta coluna é aos sábado.

Ora bem, o próprio Jorge Jesus, numa das suas costumeiras achegas à arte, disse que Cardozo não tinha a magia dos outros, que a arte do paraguaio era o golo. Concordo. É, aliás, arte de mais 100 golos. São mais de 100 artes. Estranho é que, dizia eu, foi precisamente nesta quarta-feira que se deu uma inversão artística do fenómeno: Cardozo não marcou, fez uma assistência para Witsel e foi aplaudido. Não tocou a música dele, tocou a dos outros. E passou a ouvir, como recompensa, uma música diferente na Luz.

Para mal do Benfica, isto pode confundir o rapaz. Ele pode começar a pensar que deve assistir os artistas em vez de marcar golos, incentivando assim passos errados naquele que agora julga ser o caminho para a perfeição que, há tanto, injustamente lhe exigem. Cardozo não tem o talento musical dos colegas, é verdade. É o jogador do acaso, do improviso. Se lhe derem uma guitarra jamais tocará com a perfeição técnica de Carlos Paredes. Porém, do dedilhar constante e sem sentido aparente do paraguaio resulta muita coisa. O lendário guitarrista Slash, por exemplo, compôs o imediatamente reconhecível riff da canção Sweet Child of Mine, dos Guns n'Roses, enquanto treinava a agilidade dos dedos, depois de uma noite desgraçada - uma de muitas - que relata na biografia. E só se tornou música porque alguém se lembrou de gravar o exercício desconexo de Slash. Nasceu sem querer um dos melhores golos da bancada. A perfeição, se existisse, seria esse paradoxal domínio do acaso, faculdade que a ninguém se exige. Uns são rosas, outros são a arma."


Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Quem protege o jogo?

"O que há de mais fascinante no jogo é a imprevisibilidade do desfecho. Não sendo aleatório, é sempre impossível de determinar. Na esperança que antecede todos os jogos reside o fascínio do jogo. Antes do início de um jogo acreditamos que um desfecho é uma possibilidade e nunca uma certeza. Essa incerteza é o que nos faz ter a paixão pelo futebol.
Agora, imaginemos que deixamos de acreditar na imprevisibilidade, deixamos de acreditar que o desfecho do jogo se encontra no final do mesmo e passamos a saber que o desfecho do jogo foi determinado antes do seu início. Deixará de ser um jogo, passará a ser um embuste. Quando isso acontecer, matar-se-á o jogo, acabar-se-á o futebol, porque se acaba a inocência de acreditar.
Actualmente, o jogo está seriamente ameaçado. Declan Hill, em 2008, publicou “The Fix”, uma excelente obra sobre a falta de verdade no futebol. Essa obra foi recentemente publicada em Portugal e titulada “Máfia no Futebol”. Aconselho a sua leitura, sabendo que, após essa leitura, perdemos o que nos restava de inocência, mas percebemos melhor o comportamento de árbitros, dirigentes e futebolistas. Compreendemos melhor o que leva um determinado treinador, num qualquer minuto 58, a substituir os dois futebolistas que melhor estavam a jogar; compreendemos por que motivo um treinador se vê obrigado a substituir um excelente guarda-redes, ao intervalo, com o medo que esse futebolista facilite na segunda parte; compreendemos como a prostituição é tão importante para poder chantagear quem tem o poder de decidir um jogo…Percebemos que nem os jogos das fases finais dos Campeonatos do Mundo estão a salvo de serem decididos antes de terem começado.
Mais do que tudo, percebemos que a protecção do jogo não está na competência das regras, das leis ou dos regulamentos, está na seriedade das pessoas."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica