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sábado, 25 de outubro de 2025
Benfica: Lage, Mourinho, mas antes de tudo (a falta de) um rumo
"Se Lage e Mourinho se tornam os treinadores errados, é porque falta ao Benfica a identidade que o proteja das más decisões. Continua a trocar peças sem saber que jogo quer jogar
Antes dos jogadores. Antes do mercado. Antes do treinador, chame-se Mourinho, Lage, Schmidt ou Jesus. Antes de tudo isto estão ideia e rumo. Estabelecidos por quem lidera.
O Benfica tem investido muito. E vendido muito. Procura encontrar bom e barato — modelo cada vez menos sustentado, com os gigantes a eliminar intermediários, tornando-se eles próprios garimpeiros — e despachar caro, mantendo o nível com mais potencial adquirido. Falhou várias vezes, acertou menos e o atual plantel, não sendo fraco, continua desequilibrado.
Deixem que sublinhe: não se pode reclamar aos jogadores algo que estes não conseguem dar; ou que estes entreguem o que os treinadores deles não conseguem extrair. No entanto, repito, tudo começa no topo da pirâmide.
Na Luz, não há governo. Há quem se sente na cadeira do poder e assine papéis, mas tem a gaveta das decisões difíceis atulhada de ficheiros. Vive o dia a dia com o que lhe põem em cima da secretária e talvez passe o tempo abstraído a olhar pela janela, constatando quando se volta a sentar que precisa de mais uma gaveta ou de um móvel maior para tanto papel.
É na definição de um rumo claro que estará parte da solução dos problemas do Benfica. O presidente do clube tem de saber responder a esta pergunta: que identidade quero que a minha equipa tenha nos próximos cinco, dez anos? E a resposta não poderá ser uma frase-feita, não se pode esconder atrás de, por exemplo, «um Benfica ganhador».
Que tipo de equipa representa verdadeiramente os ideais do Benfica? Queres ajustar-te ao adversário ou preferes que o teu adversário se ajuste a ti? Será uma que jogue ao ataque, domine praticamente todos os jogos controlando a bola e defronte olhos nos olhos os tubarões continentais? Ou uma organizada ao pormenor, com sustentação defensiva e recuada no terreno, apostada em transições velozes para o ataque? Uma que entregue a jogadores da cantera papéis importantes ou os limite a cameos em jogos mais fáceis? É das respostas a perguntas como estas que se avança para a escolha do treinador e dos jogadores.
Rui Costa aceitou a sugestão Roger Schmidt e vinculou-se a essa ideia, mas nunca o suficiente para admitir queimar-se quando este começou a arder, fragilizado com o futebol que restava após as saídas de Enzo, Gonçalo Ramos, João Neves e outros. Despediu-o no início da época, com o mercado fechado. Entrou Lage, com ideias diferentes. É na transição que vive, no espaço, quando este já é negociado em alta por todo o lado. Tal como agora Mourinho. Aqui sim, o perfil manteve-se, Mas terá havido ganhos na troca? Já iremos olhar para os problemas.
A formação deve ser tema. Schmidt olhou com outros olhos para Florentino e Gonçalo Ramos, acreditou em António Silva e reconheceu de imediato o potencial de Neves. Já única medalha de Lage continua a ser Félix anos e anos depois, e Mourinho prefere jogadores feitos e a fisicalidade que tanto apregoa que o grupo não tem, abrindo já as portas para o mercado de janeiro. O rumo, se é que chegou a ser estabelecido, durou seis meses na vigência do germânico e o que se manteve para lá disso foi graças ao mesmo. Lage virou bombeiro pela segunda vez até também ele ser despedido fora de horas e o Special One o bombeiro do bombeiro, contratado para apagar dois fogos, os do relvado e os que ameaçavam as eleições.
Há muito que reconhecemos fragilidades ao plantel. O maior investimento de sempre, por culpa de alguns negócios acima do valor real, não chegou para resolver todos. Enumeremos. Sem bola, um eixo central defensivo lento, sobretudo quando Tomás Araújo não está aí, e erros individuais acumulados entre os habituais titulares António Silva e Otamendi. Com bola, dificuldades na primeira fase de construção quando pressionada de forma agressiva; resistência à pressão do meio-campo para a frente; ataque posicional previsível e pouco capaz de criar oportunidades de golo; falta de dribladores para o 1x1; escassez de largura no ataque; incapacidade de controlar o jogo através da posse.
Os encarnados não tocaram no eixo defensivo e renovaram com o capitão. Acrescentaram Dedic e forçaram Dahl a ser de vez lateral. A perda de Carreras, fundamental na saída, com passe ou transporte (e até mais à frente, na largura), ainda está longe de ser compensada pelo bósnio, que arrancou a todo o gás, mas, antes de ter de parar, já encontrou condicionantes físicas e até estratégicas, como a entrada de Lukebakio para o 11. Em tese, Enzo e Ríos faziam sentido para ajudar na resistência à pressão, mas acentuavam a ideia de um Benfica de aceleração e transição, porque o colombiano é um elemento de transporte e menos associativo. Entretanto, também se perdia Florentino e os seus desarmes. Ivanovic chegava para ser opção (e não só) a Pavlidis, Lukebakio então o principal desequilibrador e Sudakov o elemento mais criativo, o 10 definitivo.
Faltou quem fizesse as perguntas certas. Se Pavlidis continua a ser o 9, será Ivanovic, homem de área, o nome certo para fazer os apoios ou até partir da esquerda em ataque posicional? Se Dedic e Bah são profundos pelo flanco, é Lukebakio, o homem que assume sempre a definição (remate ou cruzamento) e depois também não ajuda a defender, o extremo ideal? E, já que veio, não faria mais sentido passá-lo para a esquerda — mesmo perdendo a diagonal para o remate — e ter aí a largura que Dahl e Aursnes não conseguem oferecer? A sério que se achou que um único jogador, mesmo sendo Sudakov, iria resolver o problema coletivo do ataque posicional? Repito: como é que o Benfica quer jogar? Repito: qual é o rumo?
Um rumo claro não teria trazido Lage ou este Mourinho ao Benfica. E, já que falamos dele, talvez seja hora de começar a tornar o processo mais rico do que apenas colocar a bola com espaço em Lukebakio, algo que Lage já fazia com Akturkoglu, por quem Mourinho agora admite suspirar, denunciando para que tanto o queria. Seja como for, o que é certo é que enquanto o Benfica continuar a escolher treinadores antes de saber o que quer ser, continuará a trocar bombeiros sem nunca apagar o incêndio que mais o ameaça."
Um clássico sem bola
"Eleições são um jogo com vários estilos em campo. Vieira é o veterano que regressa. Noronha é o médio de posse. Manteigas o defesa estudioso. Mayer a promessa da formação. Carvalho o jogador insatisfeito com o treinador. Rui Costa é o capitão que já está em campo de bancada
O Benfica vai a votos este sábado. E no Benfica uma eleição nunca é apenas uma eleição. É um clássico. Não há bola, não há árbitro, não há linhas de fora de jogo. Mas há nervos. Há ruído. Há aquele frio no estômago de quem sabe que está em causa mais do que um boletim. Cada sócio que entrar na assembleia de voto para votar vai sentir-se como quem caminha para a marca de penálti num momento decisivo. O jogo ainda não começou e já há suor nas mãos.
Se este sábado fica tudo decidido ou se será preciso segunda volta, ninguém sabe. O que já sabemos é que seis homens se chegaram à frente. E só isso merece respeito. Podemos gostar mais de uns do que de outros. Podemos achar melhores ou piores as ideias que trazem. É isso que decide o voto de cada um de nós. Mas quem se dispõe a servir o Benfica, mesmo sem ter garantias de vitória, merece o nosso reconhecimento. Pode não merecer o nosso voto. Mas merece a nossa admiração.
A campanha que agora termina não foi a melhor. Não trouxe luz ao futuro. Não foi uma corrida de ideias. Foi demasiado marcada por ataques pessoais, pelo passado que teima em não deixar que se discuta o futuro, pela espuma dos dias. E sim, a comunicação social ajudou a transformar o debate em espetáculo barato. Procurou mais o diz-que-disse do que a clareza. Preferiu as guerrilhas às propostas. Serviu-se mais do Benfica do que serviu os benfiquistas.
Mas a campanha já acabou. Agora é a sério. E ao jeito das 'Crónicas de bancada', aqui ficam algumas notas sobre quem vai este sábado a jogo.
Luís Filipe Vieira regressa como quem não aceita ser substituído. Para uns é o homem que ergueu a Luz moderna, para outros é o peso de páginas que ainda doem. É o avançado que marcou golos decisivos, mas também aquele que deixou a equipa em inferioridade no momento errado. Divide porque nunca poderia ser de outra forma. É impossível falar do Benfica recente sem falar dele. Vieira habituou-se a ser o centro da fotografia. Agora quer voltar à mesma fotografia, mesmo com muitos a preferirem virar a página.
João Noronha Lopes tenta de novo. Apresenta-se em jeito de médio cerebral, alguém que se propõe a pensar o jogo, uma espécie de organizador. No seu discurso tenta colocar a racionalidade de um gestor. Mas no Benfica, por vezes, não basta segurar a bola. É preciso arriscar no passe que decide. Noronha joga seguro, mas falta-lhe aquele golo que põe a bancada de pé. Continua a ser o candidato que convence alguns pela lógica, mas que não arrasta multidões pela paixão. E no Benfica a paixão vale tanto como a razão.
João Diogo Manteigas entra como defesa que conhece todas as regras do jogo. Conhece bem o Benfica, leva os dossiers bem estudados. Mas não é por se conhecerem bem os dossiers e regulamentos que se ganham clássicos. É com raça, com pressão, com resistência ao ambiente. O risco é ser visto como jogador que cumpre sempre a tática, mas que nunca arranca aplausos. É sólido, mas pouco excitante. No entanto a sua solidez pode ser um fator surpresa.
Martim Mayer aparece como uma promessa da formação. Já não tão jovem, é certo, mas cheio de energia, quer mostrar que há vida para além dos habituais titulares. Mas lançar um jogador pouco conhecido num clássico tem riscos. Pode surpreender e mudar o jogo. Pode tremer e perder-se. A camisola do Benfica pesa, e nem sempre a vontade chega. Mayer tem pela frente a dureza de um clube que, normalmente, prefere os mais conhecidos e mediáticos.
Cristóvão Carvalho foi o que teve menos tempo de jogo. Continua a não gostar do treinador. Acha que com Mourinho nunca terá o tempo de jogo que julga merecer e arrisca tudo em Klopp. É uma jogada arriscada, num Benfica que quer vitórias, mas que não se anuncia que as mesmas venham de mudanças tão profundas.
Rui Costa. Não precisa de apresentações. Todos sabem quem é, todos sabem o que já deu ao Benfica. Foi maestro dentro de campo, é agora maestro fora dele. Não é de fintas exuberantes, mas é o médio que segura a equipa quando ela treme. Não é de discursos inflamados, mas sabe manter a calma em momentos difíceis. Rui conhece o jogo como poucos. Viveu o aplauso e o assobio. Sabe o que é a exigência de milhões. A sua força está na serenidade. Não promete fogos de artifício. Promete continuidade. E para muitos, isso é já meio caminho andado. No futebol, como na política, às vezes o mais importante não é quem fala mais alto. É quem sabe manter o grupo unido quando o resultado aperta.
Estas eleições são um jogo com vários estilos em campo. Vieira é o veterano que regressa. Noronha é o médio de posse. Manteigas o defesa estudioso. Mayer a promessa da formação. Carvalho o jogador insatisfeito com o treinador. Rui Costa é o capitão que já está em campo.
No fim, o que se decide não é só quem levanta a braçadeira. É o rumo do Benfica. É se os sócios querem voltar ao passado, apostar no novo, escolher a racionalidade fria ou manter quem segurou o clube nos dias mais duros.
No dia da eleição, cada voto será como um golo. Uns valerão pela memória, outros pela esperança, outros pela promessa de futuro. Mas como sempre na Luz, o que conta é o resultado final. O presidente que sair eleito vai ser aplaudido no apito inicial e questionado ao primeiro empate. É essa a lei da Luz.
E é talvez isso que torna estas eleições tão apaixonantes e tão difíceis. O Benfica não é apenas um clube. É uma forma de viver. É emoção pura. É exigência sem descanso. Cada candidato tem o seu estilo, cada um traz a sua promessa. Mas no fim, os sócios vão olhar para dentro de si e escolher não apenas com a cabeça, mas também com o coração.
O que todos querem é simples. Um Benfica que ganhe. Um Benfica que volte a dominar. Um Benfica que transforme promessas em vitórias. E talvez, para muitos, o segredo não esteja em quem prometeu mais nesta campanha eleitoral, mas em quem conseguiu demonstrar que consegue manter a equipa unida mesmo quando o jogo parecia perdido."
Fogo com fogo
"Não me surpreendeu a primeira derrota do FC Porto, a despeito do prometedor início de época, por duas razões essenciais: porque o jogar portista assenta em demasia na dimensão física e seria pelo menos igualado nesse plano - foi superado! - e porque o Nottingham tem mais argumentos de qualidade individual.
Só os mais desatentos ao futebol internacional podem desmerecer um meio-campo com Elliot Anderson, Douglas Luiz e Gibbs-White de início (e mais Sangaré, Dominguez e McAtee) no banco. Pressionar alto e roubar bolas depressa seria sempre muito mais difícil desta vez. Claro que os ingleses estreavam o terceiro treinador, mas se o momento não favorece a assimilação das novas ideias (o que tratando-se de Sean Dyche nem propriamente uma desvantagem), representa sempre um suplemento de motivação em jogos deste nível.
Ou seja, para contrariar estes sinais, era preciso um FC Porto tão forte como tem sido na disponibilidade para pressionar alto e ganhar duelos, mas ainda mais forte do que tem sido quando, em posse, não se sujeitando a perdas de bola rápidas face a um rival com mais andamento e talento. Combater fogo com fogo tinha tudo para correr mal.
E a aposta em Pablo Rosario no lugar de Gabri Veiga, uma vez mais desprezando Mora, só agravou o que já era árduo. Farioli saiu satisfeito com a parte defensiva do jogo, que foi aquela em que apostou. A desilusão está mesmo aí, e vem na linha da falta de audácia na segunda parte frente ao Benfica. Forte com os fracos há muitos. A ele próprio e ao FC Porto que está a construir já se exige bem mais. E melhor.
Ainda assim, não nos iludamos: não creio que mesmo o melhor FC Porto fosse, hoje por hoje, favorito a ganhar em Nottingham. Como ainda menos seria o frágil Benfica que foi, atemorizado, perder a Newcastle. Sei que já usei a palavra andamento neste texto, mas antes dele, do celebrado ritmo a que as equipas inglesas estão acostumadas e que não encontra paralelo por cá, conta a qualidade, de jogadores e de jogo.
Não falo sequer dos emblemas de topo ou do patamar seguinte, onde estão Tottenham, Aston Villa e Newcastle. Mesmo aquelas que vagueiam entre a fuga a despromoção e o sonho europeu - o Bournemouth, o Palace ou o Fulham, por exemplo - lutariam pelo título em Portugal. O equilíbrio só se consegue, e pontualmente, com um misto de grande competência em dois planos: na escolha de jogadores e no desenvolvimento de uma ideia.
E, por fim, coragem. E não tem sido fácil fazer com que coincidam em qualquer dos grandes portugueses."
Eleições 2025
"Esta edição da BNews é dedicada na íntegra às eleições do Sport Lisboa e Benfica agendadas para amanhã, 25 de outubro.
1. Debate
Veja ou reveja o debate entre os seis candidatos a Presidente da Direção do Sport Lisboa e Benfica, realizado na BTV e transmitido em sinal aberto.
2. Candidatos
Conheça todos os candidatos e os programas das várias candidaturas no Site Oficial.
3. Programas
Consulte os programas das listas candidatas.
4. Entrevistas
No Site Oficial pode ver as entrevistas aos candidatos a Presidente da Direção do Sport Lisboa e Benfica.
5. Informações úteis
Consulte a informação disponível no Site Oficial acerca do ato eleitoral do Clube.
6. A atividade eleitoral na história do Benfica
Um documento elaborado pelo Centro de Documentação e Informação do Sport Lisboa e Benfica."
MAG: informações aos sócios
"Caros sócios,
Amanhã, entre as 8h30 e as 22h00, em 108 locais, realizam-se as primeiras eleições para os Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica após a revisão global dos Estatutos, que, recordamos, alterou o processo global de votação.
Dos sócios que constam do caderno eleitoral, 160 182 têm a situação regularizada, distribuídos da seguinte forma:
3 votos – 46 421
10 votos – 30 013
20 votos – 56 703
50 votos – 27 045
Desta forma e que para todos votem de forma esclarecida, cabe comunicar o seguinte:
1. Os votos são diferenciados em função do órgão (Direção, Mesa da AG, Conselho Fiscal e Comissão de Remunerações) e do número de votos do associado (3, 10, 20 ou 50), pelo que cada sócio receberá 4 boletins;
2. O voto é expresso com uma cruz (e só com essa cruz) no quadrado à frente da lista que escolher, não devendo o sócio rasurar ou assinar o boletim de voto, sob pena de o seu voto ser anulado;
3. Deve cumprir as instruções de circulação nas secções de voto, respeitando a regra pública de prioridade nas filas de acesso aos recintos;
4. Pode escolher uma qualquer das 108 secções ao seu dispor, recordando que o sistema só permite votar uma vez;
5. Por último, mas não menos importante, deve munir-se, para exercer o direito de voto, do cartão de sócio e de documento de identificação válido no país da sua nacionalidade.
A Mesa da Assembleia Geral recorda que o dia de votação representa a expressão máxima da Democracia Benfiquista, saudando, assim, todos os que nele participam, dando-lhe a importância máxima que tem na vida do Sport Lisboa e Benfica.
A MAG"
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