Últimas indefectivações

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Esta Depressão Que Me Anima

Champions em suspenso


"O Benfica partia para novo teste europeu com o incómodo pecúlio de zero pontos somados na corrente UEFA Champions League.
A estreia, já lá atrás, correra inesperadamente mal. Aquilo que então era uma excelente oportunidade para contabilizar pontos frente ao Qarabag, acabou por ser uma desilusão, em contexto envolvente já complicado, aumentando a urgência pontual dos jogos seguintes. Esta nova visita a Inglaterra, depois da derrota em Stamford Bridge, visava alterar essa tendência inicial. O histórico do Benfica nas visitas a Inglaterra estava longe de ser animador, mas há sempre uma nova história que se quer escrever e esta carregava essa renovada esperança. Fazer pontos para animar a campanha e entrar na luta era o objetivo.
Do outro lado, o Newcastle, embora no momento modestamente classificado na Premier League, é atualmente dos mais poderosos clubes ingleses, beneficiando de mais um investimento saudita. Neste último defeso, para nos situarmos economicamente, o clube chegou perto dos 300 milhões (!) para a vinda de novos atletas.
Quanto ao jogo, depois da exibição contra o Chelsea, embora perdendo, era provável que a equipa escolhida por Mourinho não fosse muito diferente. Mourinho, que tinha referido na antevisão a velocidade dos alas contrários, respondeu com a inclusão de Tomás Araújo, talvez o jogador mais rápido do plantel e também mais experiente que Dahl, para assumir um papel presumivelmente mais posicional na esquerda da defesa.
O jogo foi dividido inicialmente, com o Benfica mais pressionante e agressivo posicionalmente do que em Londres. O golo do Newcastle, resultado do espaço que Bruno Guimarães conseguiu e da sua qualidade de passe, fez oscilar momentaneamente o Benfica. A equipa reagiu e viria a criar perigo, muito pela velocidade e capacidade de Lukebakio, que se superiorizava ao seu adversário direto.
O intervalo trouxe um Benfica, sem nada a perder e a querer, mas sem conseguir o pretendido domínio. O Newcastle foi na maioria do tempo superior. O segundo golo, muito consentido pela lenta e displicente transição defensiva, veio reforçar o cenário de impotência a que se assistia. Os reforços ingleses que chegaram do banco, pela sua qualidade, ainda mais complicariam, confirmando um resultado mais marcado.
Para além dos pretendidos pontos novamente adiados, a má notícia é também a lesão muscular de Dedic, por ausência de opção natural. Quanto à equipa agora o caminho é recuperar fisicamente, mas com a certeza que a componente mental será a mais fragilizada. Quanto ao principal objetivo da época, prossegue daqui a poucos dias e é nesse que se deve pensar.

A real atualidade
É sabido que realismo não combina com clubismo, mas nos dias de hoje, é entendido como mais realista que o objetivo principal do Benfica seja a conquista do título de campeão nacional ou, como é o caso, a sua recuperação. Ano após ano, joga-se muito o orgulho europeu do Benfica, mas num cenário atual que é bem diferente e complicado. A realidade do futebol de hoje distancia, como sabemos, o futebol português das Ligas mais poderosas e, por isso, também das saudosas conquistas europeias. No entanto, realismo à parte, a esperança e o sonho de regressar a uma final devem subsistir, a história do clube a isso obriga.

Taça mágica
Se o Chaves e o Paços de Ferreira, embora defrontando candidatos a vencer o troféu, mostraram poder voltar ao nosso melhor campeonato, outros houve que se consagraram batendo adversários da nossa principal Liga. Alpendorada, Sintrense, Fafe e Ac. Viseu, principalmente estes, subiram ao sempre desejado quadro de honra desta eliminatória da Taça de Portugal, afastando clubes da primeira Liga. Ano após ano, confirmamos como especiais e surpreendentes podem ser os confrontos entre diferentes escalões. A história de cada edição da prova rainha, reforça a motivação dos mais fracos e fá-los sonhar alto, ano após ano.

Clayton
O Rio Ave tem aquele exemplo de ponta de lança que as equipas normalmente procuram ter. Um avançado ainda jovem, incómodo e difícil de marcar, robusto, com capacidade técnica e aptidão goleadora. Clayton é um valor de indiscutível qualidade e eficácia, mas vítima de si mesmo, pelo seu descontrolo disciplinar frequente.
Hoje, as aquisições são cuidadosamente medidas, considerando a capacidade futebolística, claro, mas cada vez mais a regularidade e a disciplina dos jogadores. O futebol é um desporto fisicamente exigente e o cansaço associado reduz o necessário discernimento. O comportamento do atleta tem de dar garantias, resistindo ao stress que a competição sempre provoca. Ser expulso no final de um jogo já resolvido com o Tondela, é criticável e determina uma suspensão. Teria o Rio Ave sido eliminado em Sintra, nesta última eliminatória da Taça, com Clayton em campo? Nunca o saberemos, mas provavelmente não.

Honra e glória
Temos à porta as eleições do maior clube português. Ideias, opiniões e críticas cruzadas foram emitidas. Tem sido uma disputa acesa, mas que já cansa e da qual se deseja o fim. Mourinho lembrou que representar o Benfica, quer jogando ou treinando, já é um grande peso e responsabilidade, mas a verdade é que o mar se agita e as eleições percebem-se. A equipa está acima de tudo e deve ser protegida, porque os duelos importantes sucedem-se.
Glória aos vencedores e honra aos vencidos, é o que a história diz dos bons adversários no final dos desafios. É tempo de encostar as diferenças e reunir esforços porque há mais um campeonato para ganhar."

Benfica-Newcastle: tempo de antena desperdiçado


"Não há melhor propaganda do que as vitórias, mas o Benfica voltou a desiludir em Newcastle e Mourinho até já tem mais derrotas do que Lage, para apreensão de Rui Costa em semana eleitoral

A visita a Newcastle representava uma oportunidade de afirmação para este Benfica. O cruzamento desejado entre a importância do desafio e o valor do adversário. Nunca seria sinal definitivo do que quer que fosse, mas poderia funcionar como rampa de lançamento para um novo ciclo, de resultados mais convincentes e exibições muito melhores.
Mas esta visita a Newcastle revelou-se uma oportunidade de afirmação completamente falhada. E não apenas pelo resultado — uma terceira derrota a complicar a ambição europeia —, mas sobretudo por mais uma exibição paupérrima, a justificar dúvidas quanto à capacidade que a equipa terá até a nível interno.
A aposta em Tomás Araújo para pseudo-lateral-esquerdo, ainda que estrategicamente aceitável, remete para um Benfica que continua a priorizar o encaixe no adversário, sem apresentar qualquer evolução no sentido de cimentar uma identidade própria.
Bruno Lage saiu há mais de um mês, mas a equipa continua incapaz de assumir os jogos, de mostrar uma faceta autoritária. É uma equipa amarrada a um instinto de sobrevivência que aplica jogo a jogo, num registo excessivamente resultadista.
Em Inglaterra só Lukebakio foi capaz de combater a sensação de inferioridade, perante um adversário que não deveria ser assim tão melhor. Ríos continua muito distante das expectativas, mas quem quiser individualizar problemas que são coletivos estará sempre a fugir à questão, até porque a ideia de um plantel espremido deve ser encarada como consequência e não como causa. Mesmo com carências evidentes, o lote de jogadores do Benfica tem qualidade para mais do que mostrou com Lage e para mais do que tem apresentado com Mourinho.
Se o ritmo melhorou, foi só isso. As águias não estão a voar mais alto do que estavam há um mês, e a prova disso é que o atual técnico já tem mais derrotas (duas em sete jogos) do que o antecessor (uma em dez encontros).
Mas se a agenda de José Mourinho está preenchida até junho de 2026, pelo menos, para Rui Costa o tempo corre inevitavelmente bem mais depressa.
Da próxima vez que o Benfica entrar em campo — sábado, às 20h30, frente ao Arouca —, muitos sócios já terão escolhido o seu presidente, pelo menos no que a uma primeira volta diz respeito, e Rui Costa sabe que não há melhor tempo de antena do que a bola a entrar, nem melhor propaganda do que as vitórias."

Falar Benfica: Conversas Gloriosas #28

Simples: Newcastle...

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Terceiro Anel: Bola ao Centro #157 - Então e agora Zé?

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BF: Lukebakio e Dedic: Desafio para Mourinho...

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Zero: Tema do Dia - Os estilhaços de nova derrota do Benfica

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Prata da Casa #21 - Idas ao cinema, Convocatórias de Seleção, Estádios Clássicos

Desaire em Newcastle


"O tema em destaque nesta edição da BNews é a derrota do Benfica em Newcastle por 3-0.

1. União
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, apela à união em torno da equipa: "Que todos estejam unidos à volta da equipa no próximo jogo. Peço esse apoio à equipa, independentemente das eleições, porque esta equipa tem valor para poder chegar aos objetivos que pretende."

2. Reagir
José Mourinho considera: "Temos de limpar a cara nos próximos jogos porque, no fundo, não interessa que fizemos uma boa 1.ª parte, não interessa que o Newcastle tenha um poderio, um ritmo, uma velocidade maior do que a nossa, nada disso interessa, aquilo que interessa fundamentalmente é que perdemos 3-0, e, ao perder 3-0, temos de limpar a cara."

3. Pensar nos próximos desafios
Otamendi sublinha: "É difícil digerir o resultado, mas, com a experiência que tem o nosso técnico [José] Mourinho, o mais importante é levantar a cabeça e acreditar já no próximo jogo."
António Silva considera: "O resultado é um pouco injusto em face daquilo que fizemos, principalmente na 1.ª parte."
Pavlidis refere: "Na 1.ª parte tivemos boas oportunidades para marcar, mas não conseguimos. Na 2.ª metade, quebrámos após o segundo golo deles e foi uma noite difícil para nós."

4. Triunfo robusto na Youth League
O Benfica ganhou por 1-5 na visita ao Newcastle.

5. Embates europeus
Em andebol, o Benfica venceu, por 38-25, ante o FTC-Green Collect a contar para a fase de grupos da EHF European League. Em basquetebol, derrota sofrida em França no reduto do Le Mans Sarthe Basket (89-69).

6. Agenda desportiva
Hoje, a equipa feminina de hóquei em patins do Benfica defronta a APAC Tojal (21h30). Amanhã é a vez de as equipas femininas de basquetebol e de voleibol terem compromissos europeus, respetivamente, em Odivelas com o SBS Ostrava (18h00) e na Luz, às 19h30, com o CD Heidelberg Las Palmas.
Além da partida da equipa feminina de basquetebol referida, também o desafio com o CAB Madeira (domingo, 11h30) será em casa emprestada devido à realização das eleições do Clube.

7. Seleções jovens
Nove dos 24 pré-convocados por Portugal para o Mundial Sub-17 são atletas do Benfica. A seleção da Irlanda também conta com um elemento do Benfica para a mesma prova. E na mais recente chamada da Seleção Nacional Sub-16 constam 5 águias.

8. Chamada internacional
Thaís Lima, guarda-redes de futebol do Benfica, está convocada pela seleção brasileira."

O Special Challenge


"Faltam 3 dias para a grande festa da democracia benfiquista. Se o meu desejo se concretizar, o 26 de outubro (ou o 9 de novembro) será um dia de mudança nos destinos do clube do qual preciso para viver, de uma das paixões da minha vida: o Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Por esta altura já a grande maioria dos sócios votantes terá tomado a decisão sobre o seu voto e aqueles que não o tenham feito têm ao seu dispor os programas e os panfletos dos diversos candidatos para consultar, bem como um debate que promete mais incendiar do que esclarecer o ambiente pré-eleitoral.
Contudo, enquanto lambo as feridas da derrota na Champions, assaltam-me pensamentos sobre os vários desafios que quem liderar a mudança necessária no nosso Benfica vai enfrentar assim que seja empossado enquanto 35.º Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Creio que um dos desafios mais complexos vai ser o relativo à liderança técnica da equipa de futebol. Até agora todos os candidatos têm assumido que José Mourinho é o seu treinador. Considero que alguns o têm feito porque a imagem mediática do Special One é suficientemente forte para que qualquer afirmação em sentido contrário colocasse esse candidato com um problema quase intransponível na transmissão da sua mensagem e do seu programa para o clube, além de que nenhum candidato tem querido ser acusado de perturbar o rendimento da equipa.
Neste momento, já é claro para todos que assistimos a mais uma época preparada com muito glamour dos jatos privados, das contratações caras e sonantes mas em que faltou, claramente, foco, planeamento e a consciência de que, com o Mundial de clubes, as alterações (na estrutura, no banco e na equipa) tinham de ser antecipadas para antes do Mundial ou imediatamente após o mesmo. A estrutura elogiada desmoronou-se antes da época começar, o treinador que a elogiou e pediu apoio para a mesma foi despedido sem qualquer veleidade a seguir ao primeiro deslize (e que deslize…) e a equipa, passado com distinção o terrível mês de agosto, desfez-se rapidamente (ainda que seja melhor do que tem parecido mas longe das loas que porventura tecemos em agosto).
Entretanto, numa manobra com sensação a dejá vu de 2024/2025, Rui Costa, um fantasista com boa tomada de decisão com os pés e terrível timing de fato e gravata, decidiu levar a cabo o que queria ter feito na altura do despedimento de Schmidt e trouxe Mourinho como a superestrutura que iria disfarçar as imperfeições de 4 anos de um mandato repleto de decisões erradas e erráticas.
Esta terá sido a última decisão errada e errática tomada por Rui Costa ao leme da maior instituição desportiva nacional e de um gigante mundial adormecido, mas é o retrato fiel da desorientação que é a marca d’água do seu mandato. Contratar um treinador que, no final de outubro de 2025, depois de quase dois meses convívio com o plantel, assume que não confia em mais de 13/14 jogadores (2 deles a recuperar de longas lesões) é o pináculo das decisões pouco criteriosas, levianas e lesivas do interesse superior do Benfica que esta Direção tomou. Ouvir Mourinho dizer, na conferência de imprensa pós-jogo com o Newcastle, que as declarações enquanto treinador do Fenerbahce foram um dos seus típicos (e cada vez menos influentes) mind games não traz grande novidade, mas ouvi-lo dizer e cito “Depois, não fiz mais nenhuma modificação porque, pensando, pensando e pensando, não consegui convencer-me a mim próprio que alguma modificação pudesse melhorar a equipa” é ultrajante e permite perspetivar o que podemos esperar até à reabertura do mercado em janeiro. Em estilo soft, Mourinho rasgou o plantel, disse que os jogadores que estão no banco são figurantes e coloca um ónus muito grande sobre o 35.º Presidente do Benfica – depois de mais de 100 M€ despendidos em transferências está época, serão precisos mais 70 M€ em janeiro para ir buscar os cavalos de corrida que o Special One quer.
Dado que não acredito que qualquer que seja a lista vencedora das eleições, existam condições para, sem fazer perigar seriamente o futuro clube, investir (desenfreadamente) na equipa de futebol, algo que creio que só deve ser feito, com critério, em junho de 2026, tendo em conta os projetos desportivos apresentados pelos atuais candidatos, o 35.º Presidente terá de resolver rapidamente o special challenge – ou vive com a pressão constante do treinador, de forma direta ou velada, para trazer novos jogadores (enquanto não se preocupa, minimamente, em adaptar o estilo de jogo às características dos jogadores disponíveis e apostar em quem tem) ou toma a decisão de engordar a choruda conta de indemnizações de Mourinho e encontrar um treinador que melhor se adapte ao tipo de jogadores que formam, neste momento, o plantel. Eu apostaria claramente na 2ª opção, até porque não creio que José Mourinho esteja minimamente interessado em investir tempo em ajustar as suas ideias, o seu modelo, ao estilo de jogadores que o Benfica tem e que deveriam levar a que fosse privilegiado um modelo de posse de bola e maior capacidade associativa dos jogadores em lugar de um modelo baseado na pressão com expectativa de lançar transições em espaço aberto (onde apenas temos Lukebakio…).
Termino com um convite a todos os benfiquistas – sócios, adeptos, simpatizantes – todos aqueles que, como eu, precisam do Benfica para viver, que precisam desta paixão que nos emociona, que nos faz vibrar e desesperar, que precisam de ver nas 11 papoilas saltitantes os representantes de um amor maior entre os maiores – meus camaradas, após as eleições e concretizando-se “o dia inicial, inteiro e limpo” que muitos de nós anseiam, temos de pensar que estaremos perante um ano zero, em que mais importante do que ganhar pontualmente, é assegurar a reconstrução das bases necessárias para que o clube possa ganhar de forma mais consistente e sustentada. Também nos cabe dar condições para que esse ano zero possa ser um período curto de renovação profunda do nosso clube e em que todos, todos, todos temos um importante papel a desempenhar. Porque e pluribus unum! Viva o maior, viva o melhor, viva o Sport Lisboa e Benfica!"

Queremos evoluir ou regredir?


"Quem tem tentado de tudo para encontrar defeitos ou razões — muitas vezes estúpidas — para não votar nas alternativas à mudança demonstra não ter noção do que realmente quer para o Benfica, nem um pingo de consciência sobre a história do clube.
Acham que o Benfica se tornou grande por ter presidentes perfeitos? Acham que Joaquim Ferreira Bogalho, Maurício Vieira de Brito e Duarte Borges Coutinho eram perfeitos? Que tudo o que tocavam se transformava em ouro e que, nos dias de hoje, seriam unânimes? Claro que não. Mas foram grandes presidentes. E explico porquê.
Na vida, ninguém fica parado: ou evoluímos, ou regredimos. É tão simples quanto isso. Uma pessoa que evolui constantemente, mesmo que a um ritmo lento, será sempre uma pessoa bem-sucedida — tal como uma empresa, ou um clube.
Eu olho para o Benfica e não vejo evolução há vários anos. Apenas vejo regressão. E quando olho para alternativas como João Noronha Lopes e João Diogo Manteigas, vejo nelas a capacidade de fazer o clube voltar a crescer. Não considero nenhum candidato perfeito — longe disso. Ambos têm defeitos e aspetos de que não gosto. Mas, no panorama geral, vejo que ambos têm condições para travar a regressão do Benfica e iniciar um novo ciclo de evolução.
Não consigo ver isso em Rui Costa — os últimos quatro anos são uma amostra clara disso — e muito menos em Luís Filipe Vieira, neste momento.
Eu quero sempre que o meu clube evolua, independentemente de achar que quem o lidera tem defeitos. Se vejo que o clube não evolui, então é sinal de que deve haver mudança — e de que se deve dar oportunidade a quem possa devolver-lhe o caminho da evolução.
Se estivermos sempre à espera que apareça alguém absolutamente perfeito, que promova exatamente tudo o que defendemos e diga tudo o que pensamos, então estaremos condenados a votar eternamente em quem já lá está. Porque não há candidatos perfeitos, nem completamente à nossa medida.
Por isso, antes de mais, perguntem-se:
- O meu clube está a regredir ou a evoluir?
- Esta pessoa, apesar de todas as coisas com as quais não concordo, vai colocar o clube a evoluir ou a regredir?
Se for feita uma mudança no dia 25 de outubro e, daqui a quatro anos, o clube estiver a regredir, muda-se novamente. Não há qualquer problema nisso. O verdadeiro problema surge quando achamos que estamos a regredir, mas ficamos à espera que o mundo nos traga a oportunidade 'perfeita' para mudarmos."

Eleições no Benfica, D. Sebastiões e os Opostos


"Nas eleições de próximo Sábado, 25 de Outubro — e é aqui que quero chegar —, quaisquer mãos que peguem no Benfica serão sempre as mãos erradas. Claro que há mãos mais erradas que outras. O ponto é perceber qual dos candidatos está mais bem posicionado para substituir as que nos andam a estrangular há tanto tempo. Até para resolver já a questão e não termos mais quinze dias de sofrimento

Ainda ontem, no quiosque aqui da Avenida, o Sr. Henrique e um freguês trocavam impressões. O tema era o único tema possível: o Benfica. Sempre o Benfica.
— “Sábado votamos em quem?”
— “Essa agora! Vou votar no meu amigo.”
— “Amigo?, qual amigo?”
— “O Rui Costa.”
Foi aí que comecei o sermão. Expliquei-lhe que a direcção do Rui Costa era a mesma do Vieira, com os mesmos métodos, as mesmas penumbras. “O Sílvio Cervan? O Fernando Tavares? Esses já lá não estão!”, protestou o velho, cioso dos seus 50 votos. “Ah, estão pois”, respondi-lhe, tentando convertê-los nalguma sorte de moeda corrente de sensatez.
— “Pois, mas aquele Noronha... aquilo é tudo um culto.”
Abri então o frasco e despejei-lhe uma das minhas âmpolas doutrinais, daquelas que guardo para as grandes ocasiões. Ele resistiu, como todos os que amam o seu sossego resistem à verdade. Mas lá murmurou:
— “Ou Rui Costa... ou Noronha.”, “pronto, está a fazer efeito”, pensei.
A conversa continuou animada; despedi-me com um “Vota F”, e “Viva o Benfica”. Lá foi o velho, arrastando os seus 50 votos. E eu fiquei a ver o Benfica a ir-se embora, digno e enganado. No fundo, tinha alguma razão: quem vota no mal que conhece, protege-se do que não conhece, que pode sempre ser pior. É uma espécie de fé obtusa. Não é irrazoável. Mas é um erro.
Explico. Entre as críticas que se ouvem e lêem a João Noronha Lopes, esta de o acusarem de ser um D. Sebastião de pacotilha, um visionário fora-do-prazo ou um tartufo que promete o regresso de um Benfica puro e impossível, é a que melhor revela o demónio alojado na alma benfiquista dos nossos dias. Um demónio gordo, satisfeito, que já não acredita em nada, mas também não permite que ninguém acredite.
Num clube destes chamar a alguém D. Sebastião é blasfemo. Porque sabemos os resultados dos que, entre nós, se apresentaram com maneirismos providencialistas. Foi preciso um Vilarinho para acabar com Vale e Azevedo. E Vieira, sem estar, ainda lá está, espalhado pelos corredores, como um charuto por apagar.
No Benfica o Presidente nunca foi salvador de nada. É, apenas e tão-só, o primeiro dos funcionários. Aquele a quem compete manter a chama acesa. Mais nada. Sebastiões são os Eusébios, os Chalanas. Cada um deles ardeu por nós. O resto, se é digno, serve; se não é, manda-se embora.
Por isso, quando a propósito de Noronha Lopes se fala em “Noronhismo”, num culto, o que querem dizer é que têm medo. Medo de um homem que não precisa do poder. Que é o antídoto do homem providencial. O anti-Vieira, o anti-Príncipe, o anti-Maestro.
Há um episódio do Seinfeld em que George Costanza, um fracassado profissional, decide fazer o oposto do que faria normalmente e, de repente, tudo começa a correr-lhe bem. É isso. Noronha é o contrário dos que lá estão. Contra a opacidade, a franqueza, contra o espalhafato, a contenção, contra as biografias mirabolantes, o percurso previsível de um homem de fato cinzento (e que só à custa de muita martelada insidiosa é possível invocar algum vestígio de candonga). Talvez, se também aqui se escolhesse o oposto, as coisas melhorassem.
É preciso que se entenda isto. E que fique claro: não se trata das virtudes de Noronha Lopes (que as tem e até já falei delas), mas dos vícios de quem, há mais de vinte anos, se ocupa dos destinos do Benfica (também já falei disso, prometo que não vos canso mais).
Ninguém como Mourinho, que se explica melhor quando o faz por omissão, para elucidar o adepto. A derrota de ontem em St. James’ Park é o corolário de uma direcção que não sabe o que anda a fazer. Ouviram o que Mourinho não disse depois do tormento? Não dizendo, disse tudo. O plantel está longe de convencer. Nem substituições se dá ao trabalho de fazer. Não vale a pena. Nem em campo, nem no banco, nem em lado nenhum. Gastaram-se 130 milhões para isto. Chega a ser cómico de tão néscio.
Nas eleições de próximo Sábado, 25 de Outubro — e é aqui que quero chegar —, quaisquer mãos que peguem no Benfica serão sempre as mãos erradas. Claro que há mãos mais erradas que outras. O ponto é perceber qual dos candidatos está mais bem posicionado para substituir as que nos andam a estrangular há tanto tempo. Até para resolver já a questão e não termos mais quinze dias de sofrimento.
Se vai votar no Sábado, considere esta singela reflexão: o homem-providencial morreu com o século XX. Noronha não concorre para esse tipo de presidência. Noronha sabe que, tal como se herda o casaco de um irmão mais velho para depois passar ao seguinte, todos os lugares são provisórios. E todos são errados. Sabe também que o poder, quando tomado como serviço, é sempre mais simbólico do que substancial. Que o verdadeiro poder é o de poder sair. Que só quem tem uma vida antes e depois do cargo o pode exercer sem se perder.
Ora, é precisamente disso que o Benfica precisa: de quem o ame sem precisar dele.

P.S.: Morreu o Dr. Francisco Pinto Balsemão, fundador do PSD, da SIC, deste jornal, e de muito do que damos por adquirido no Portugal contemporâneo que nos calhou na rifa dos séculos. Homem ocupado com assuntos sérios que era, nunca deve ter lido esta crónica. Mas esta crónica, neste estilo mais ou menos assimétrico, disparando para onde calha disparar, existe porque, apesar de tudo, Portugal é o país que é. Ele foi um dos que contribuíram para que assim fosse. Nosso Senhor lhe dê o eterno descanso."

SportTV: Vieira...