Últimas indefectivações
quarta-feira, 23 de abril de 2025
Vitória em Torres...
Excelente vitória com o líder da Liga (incrível como o Torrense ainda pode perder o título...!), confirmando a excelente 2.ª volta, e garantido o 3.º lugar...
Estreia a titular do Avançado Nigeriano Peter Edokpolor, com dois golos... o puto tem potencial!
Fortes com os fortes
"Assim parece o Benfica 2024-2025 que, depois de golear no Dragão há apenas 15 dias, saiu da difícil viagem a Guimarães com uma vitória clara, porventura mais clara do que o jogo permitia, e com a certeza que também sabe ser cínico e eficaz, ao contrário de tantas vezes nesta época. No sábado passado, o Benfica nunca conseguiu dominar o jogo, em algumas partes foi até dominado, mas nunca pareceu ter perdido o norte e o autocontrolo que tem faltado algumas vezes. Sempre bem posicionado, com poucos erros não forçados e mostrando-se sempre capaz de sair rápido e causar perigo, contou ainda com um Trubin de excelência na baliza e com o goleador Pavlidis a manter o “ketchup” aberto. Devemos acreditar que nestas quatro finais teremos o Benfica da Champions, do Dragão e de Guimarães, concentrado, coeso, intenso e eficaz. Se assim acontecer, todas as esperanças num final feliz, com a consciência de que depois de um jogo com o Tirsense em que o que se pede é sobretudo seriedade para com a competição, teremos na Luz mais um “aflito”, que jogará consciente que nada dele se espera e, por isso mesmo, com a tranquilidade que ultimamente tem causado problemas. É precisamente recordando o Farense e, sobretudo, o Arouca, os mais difíceis adversários dos últimos tempos, que o Benfica terá de mostrar que para além de forte com os fortes sabe também ser consistente com os menos fortes. Só assim poderá chegar ao jogo com o forte Sporting e confirmar a regra 2024/2025 como todos nós, benfiquistas, esperamos e desejamos..."
Um Benfica inteligente, matreiro e autoritário
"O primeiro golo do Benfica em Guimarães deu-me esperança num final feliz, mesmo que a história não seja como a imaginei. Na minha cabeça, o Benfica é todo-poderoso: deve ser sempre possante, dominador, um compressor que verga os adversários e os esmaga com galhardia e lealdade. A realidade é que nem sempre colabora. Corria o vigésimo minuto da partida e o Vitória tentava impor o seu jogo, passando mais tempo no meio-campo adversário.
A estratégia parecia empurrar-nos para demasiado perto da área, o que sugere, desde logo, más memórias. Não gosto de ver uma equipa do Benfica encolhida no campo. Admito que a realidade nem sempre permita ao Benfica ocupar o relvado como se fosse seu e os adversários estivessem lá apenas porque as regras da modalidade a isso obrigam — mas parece-me sempre uma coisa meio imprópria, contrária à imagem que tenho do meu clube. Não perdi mais tempo. Abri o WhatsApp e preparava-me para partilhar com amigos um primeiro sentimento de apreensão, isto perante mais uma saída a jogar que nos fazia parecer acossados. Quis o destino que a app se desligasse sem motivo aparente. Enquanto o WhatsApp reiniciava, Florentino, Akturkoglu e Pavlidis desdobraram-se para ocupar o relvado como se este fosse exclusivamente seu e me explicarem que havia um plano.
A facilidade com que esta equipa passa de um momento de aperto para outro de felicidade descreve bem aquilo que tem sido a época do Benfica com Bruno Lage. Já muitos o deram como despedido ou condenado ao insucesso, mas o treinador do Benfica continua a fazer como naquela célebre imagem de Cristiano Ronaldo, em pleno El Clásico, quando pede calma e diz que está ali. Bruno Lage, ao que parece, também, e o seu trabalho continua a explicar-se melhor do que a oratória.
Não é exatamente o Benfica que idealizei — e creio que também não corresponde à ideia original de Lage —, mas o facto é que alguns dos jogos mais difíceis da época têm sido superados de forma inteligente. A equipa parece optar por dar alguma iniciativa ao adversário, como se conseguisse medir exatamente até onde este pode ir (um plano arriscado, claro), esperando pacientemente pela oportunidade de usar o talento disponível para revelar uma versão matreira que responde de forma bem oleada à pressão adversária, quase sempre com oxigénio e engenho suficientes para desferir ataques perigosos ou fatais — que é como quem diz, colocar o adversário no seu devido lugar e fazê-lo duvidar da sua superioridade territorial. O Vitória teve mais bola, mas quase nunca jogou mais à bola.
Talvez por isso o Benfica aparente mais desenvoltura a jogar fora de casa, onde a expectativa de passar 90 minutos instalado no meio-campo adversário é um pouco menor. Por comparação, os jogos em casa, no Estádio Allianz, têm sido mais complicados, como demonstrado recentemente pelo Arouca e até mesmo pelo Farense.
Os algarvios, ainda que tenham tido pouca bola (apenas 30%), conseguiram fazer o ataque posicional do Benfica parecer um pouco mais frágil do que seria desejável. Já o Arouca, que teve direito a um bónus arbitral, soube ocupar o meio-campo do Benfica e não só teve mais bola (45%) como mostrou o que se pode fazer com ela. Esta debilidade na transição defensiva não me parece ser um problema com solução conclusiva esta época, mas vem aí um teste em que não podemos falhar. Importa perceber como vai o Benfica chegar ao jogo contra o Sporting, em casa, onde, tudo indica, terá a responsabilidade de vencer por dois golos de diferença.
Sabendo da apetência do Sporting para um jogo vertical, competente a fazer a bola chegar rapidamente a Gyokeres, será fundamental que o Benfica mostre primeiro a sua versão mais autoritária e só depois a matreirice. Antes disso, e para que este parágrafo não envelheça mal, só uma coisa interessa: vitórias contra Aves SAD, Estoril e, já agora, Tirsense.
O dossiê vazio da centralização
Mudam-se os tempos, mas falta saber se a vontade acompanha. As recentes alterações na liderança da Liga e na estrutura da FPF, assim como a permanência do tema, criaram espaço para intervenções muito interessantes sobre o projeto de centralização dos direitos televisivos. Começando pela mais importante, de Reinaldo Teixeira, novo presidente da Liga, cujo discurso de tomada de posse fez soar alarmes e confirmou uma coisa que muitos iam ouvindo dizer por aí — mas não a um microfone.
Contrariamente à definição mais ampla encontrada no dicionário, as referências a um dossiê da centralização dos direitos televisivos diziam afinal respeito ao objeto literal: uma pasta onde se arquivam folhas e documentos. Lá dentro, de acordo com a nova liderança da Liga, pouco consta.
Segundo Reinaldo Teixeira, está tudo por fazer: qual a chave de repartição, que modelo competitivo, que tipologias de produto serão apresentadas ao mercado, ou que investimento será feito para recalibrar a Liga portuguesa numa nova era de conteúdo digital e acesso aos protagonistas. Junte-se a isto as reflexões pertinentes e preocupadas de Luís Sobral, ex-diretor-geral da FPF, Rui Pedro Soares, consultor com experiência neste tema, ou a recente entrevista de Francisco Lampreia a este jornal — um executivo com vasta experiência internacional em clubes de topo nas áreas de media, patrocínios e conteúdos.
Todos têm um mérito: o de tornar esta discussão mais clara e de tornar os alarmes ainda mais audíveis. E todos parecem indicar o mesmo: que as expectativas criadas são irrealistas e que, digo eu, dificilmente todos sairão satisfeitos.
Os alertas vêm de todos os lados, exceto de quem devia naturalmente liderar o futebol português e acelerar a mudança. Continua a ser estranho, no mínimo, que pouco ou nada se saiba sobre o pensamento do atual presidente do Benfica acerca deste tema.
Neste, como noutros assuntos, o plano de jogo parece dar a iniciativa aos adversários — mas, se a estratégia vai resultando dentro do relvado, pode ter resultados desastrosos cá fora. Não deixa de me pasmar e entristecer que alguém historicamente conhecido pela sua visão de jogo pareça tão distraído e inoperante nesta fase da sua vida profissional."
Os cartões amarelos, os anjinhos e os honestos
"Este texto foi escrito com recurso à inteligência artificial. Não para a escrita em si, mas para tentar perceber a dimensão de um fenómeno 'novo': o forçar de cartões amarelos. Não ajudou...
Soltou-se uma alegada polémica, desde sábado, a propósito de dois cartões amarelos vistos por jogadores do Benfica que, dessa forma, completam séries que lhes conferem castigo de um jogo, libertando-os por isso do risco de verem esse cartão amarelo fatídico antes daquele que parece vir a poder ser (sublinho o parece, porque o Totobola não anda fácil) o jogo do título, dentro de três jornadas, entre Benfica e Sporting.
Fazem-me sempre confusão as ocasiões em que coisas tomadas por adquiridas e banais se transformam, passe o exagero, em assunto de Estado. Pelo menos no futebol, que aliás já foi apelidado de estado dentro do Estado.
Gosto de factos e números, mas perante as tarefas do dia assumi como impossível verificar o historial desta prática, pelo que decidi, em conformidade com os tempos, perguntar (é isto, perguntar?) a uma ferramenta de inteligência artificial sobre «cartões amarelos forçados».
A resposta dada pela plataforma Perplexity falou-me imediatamente do Vitória-Benfica (claro, estava fresco nos motores de busca), mas quando pedi factos e números respondeu-me (acho que podemos falar de uma conversa a dois, não?) com uma lista relativamente grande de jogadores punidos por forçar cartões amarelos... no âmbito das apostas desportivas, a nível mundial.
Isto sim, é grave, e devia preocupar os agentes desportivos. Mas bem sabemos que são muitos os agentes e poucos os pontos de convergência.
Bruno Lage, homem honesto, disse o óbvio depois do jogo em causa, em que Di María (este já no banco) e Florentino viram o sagrado quinto amarelo: «A este nível tudo é estratégico.»
Todos os que nesta altura estratégica se arvorarem em arautos da virtude são exatamente o que os arautos da virtude são nos filmes da Páscoa: anjinhos. Ou querem passar por anjinhos, como se nunca lhes tivesse ocorrido forçar um cartão para garantir presença onde (em princípio) realmente importa.
Em tese, estaria tentado a dizer que jogador que nesta situação forçasse quinto amarelo deveria ser expulso, cumprindo o jogo seguinte e mantendo a série de amarelos em curso. Mas na verdade, à luz de um estado de Direito, isso é como deixar que se faça justiça popular sobre um assassino ou um violador, em vez de lhe dar um julgamento assente em provas. E quem prova que os amarelos são forçados? Só os honestos como Lage, que ainda vai acabar multado..."
O zigue-zague de Tomás Araújo
"Tomás Araújo, no Benfica, vive no impasse entre jogar e recuperar bem. É possível jogar com pubalgia? Sim — mas não convém arrastar o problema
Para além de uma grande carreira, o que têm em comum jogadores como Aimar, Wayne Rooney, Fernando Torres, Kaká, Richarlison ou David Beckham? Pubalgia. A lesão que afeta a região púbica e a parte inferior do abdómen.
É neste impasse entre jogar e recuperar bem que se encontra Tomás Araújo. No início do ano houve quem o comparasse a Franz Beckenbauer, mas após alguns jogos e uma mudança de posição em campo, percebeu-se que Tomás Araújo não era o mesmo jogador do início da época. É possível continuar a jogar com pubalgia? Sim, é. Temos o exemplo dos jogadores mencionados acima. Mas não convém arrastar um problema.
Num conjunto de estudos e ensaios controlados/aleatorizados, o Copenhagen Adduction associou-se a uma redução de 41% na prevalência e no risco de problemas no contexto da síndrome pubálgica em jogadores de futebol masculino.
O futebol é um desporto extremamente complexo a nível tático e técnico. No entanto, a componente física é um fator muito relevante. As necessidades do jogo, normalmente, exigem que na sua grande maioria seja realizado a baixa intensidade. No entanto, é influenciado por esforços explosivos e de alta intensidade.
O consenso de Doha veio ajudar a uniformizar esta síndrome patológica, definindo quatro possíveis estruturas que originam os sintomas, até então genericamente definidos por pubalgia: adutor, iliopsoas (músculo psoas-ilíaco), inguinal e púbica foram as estruturas definidas. O adutor representa cerca de dois terços de todos os casos de pubalgia, sendo o mais comum e com melhor prognóstico. Este quadro clínico faz com que a área da medicina desportiva não tenha a real ideia da extensão deste problema, uma vez que a grande maioria dos estudos epidemiológicos recorrem ao diagnóstico de lesão por «tempo perdido por lesão» (time-loss) e nesta condição é possível jogar uma carreira por completo, apenas gerindo cargas externas e realizando tratamento.
Os tempos mudaram. Hoje, os jogadores falam menos, ou praticamente nada. Interagem pouco. E quando tentam interagir, não podem. Para ser diferenciada, a pessoa não pode apenas fazer o seu trabalho bem feito, ser campeão ou ser o melhor. Precisa ser espetacular dentro do seu ofício e maior ainda fora dele. Mas ainda não ouvimos o Tomás. Nem sabemos se prefere jogar a central ou a lateral direito. Ou outra posição que hão de inventar."
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