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sexta-feira, 11 de abril de 2025
O FC Porto e o logro do ADN
"A crise em que o FC Porto está mergulhado é de muito difícil resolução. E um dos obstáculos mais complicados resulta da crença ilusória numa ideia feita: a de que no Dragão, como antes nas Antas, se ganhava porque se lutava mais que os outros, com mais raça, mais alma, o tal ADN de que muito se fala. Só que não. Não negando, porque ninguém pode negar, que há essa identidade guerreira entre os portistas, o FC Porto ganhou mais que os outros porque ao longo dos anos, por razões diversas - e umas quantas controversas -, foi conseguindo construir equipas melhores que as dos rivais de Lisboa. Como tal, produziu vitórias que garantiam a (re)construção de novas melhores equipas. Ora, o ciclo virtuoso que permitiu dominar em Portugal e brilhar na Europa com assinalável mérito surge agora como irrepetível, por fragilidades próprias mas também porque o Benfica voltou a ser competitivo há década e meia e o Sporting saiu da letargia no último lustro.
Coloquemos a história recente em fatias de décadas e olhemos os títulos de campeão, que ilustram o que digo: se entre 1994/95 e 2003/04 os dragões somaram sete títulos (sem que o Benfica conseguisse nenhum) e entre 2004/05 e 2013/14 acumularam mais sete (desta vez foi o Sporting a viver uma década de seca), de 2014/15 a 2023/24 só três campeonatos ficaram na Invicta, contra cinco do Benfica e dois do Sporting. Moral da história: a perda da hegemonia portista não começou com Villas-Boas nem manifestou os primeiros sintomas na época atual. Ocorreu, aliás, em plena presidência de Pinto da Costa e numa década em que teve durante sete anos o mesmo técnico, Sérgio Conceição, a quem quase unanimemente se reconhece o contributo para que não tenha sido uma sequência mais frustrante.
Não invalida isto que a época em curso esteja muito abaixo do mínimo exigível, desde logo porque, como é hoje evidente, o plantel é manifestamente insuficiente para a ambição do clube e claramente inferior ao dos rivais. E vale a pena recordar que na época anterior, que já esteve longe de ser um sucesso - o último FC Porto de Conceição só garantiu o terceiro lugar no derradeiro jogo em Braga e acabou a 18 pontos do Sporting - ainda havia no plantel gente como Taremi, Evanilson, Francisco Conceição, Galeno e Pepe, mais um Nico González a todo o tempo. Agora é o que se vê. O lote permite, apenas, um onze razoável, as alternativas não passam de sofríveis, e até os melhores jogadores parecem piores do que são. Para complicar, a atuação no mercado de janeiro é incompreensível, porque às saídas de Nico e Galeno corresponderam as entradas de dois jovens sem utilidade imediata, agravando decisivamente a fragilidade do grupo.
Acresce a isto a troca aparentemente falhada de um treinador que a casa conhecia bem, por outro que toda a gente conhecia mal. Vítor Bruno podia não entusiasmar, mas deixou o clube com uma Supertaça ganha e ambições possíveis em todas as frentes. Martín Anselmi, a despeito de uma comunicação interessante, não consegue dar solidez à equipa (defensivamente está mesmo muito frágil e o problema não é só individual) e insiste numa roupagem tática que deixa desconfortáveis os jogadores. Em resumo, as individualidades estão longe de outros tempos e a qualidade tática não ilude o problema, antes pelo contrário.
André Villas-Boas e Jorge Costa são inexperientes nas funções, mas têm uma história no jogo que os devia remeter para esta evidência: só a qualidade pode inverter o plano inclinado em que o clube desportivamente se encontra. Se o FC Porto não mostrar mais competência do que agora exibe, desde logo no desempenho de treinador e jogadores, não é na luta nem no esforço que vai encontrar a fórmula do sucesso. Aliás, no recente clássico com o Benfica, os jogadores portistas entraram determinados e, apesar do golo madrugador, repartiram o jogo na primeira parte graças à capacidade para pressionar e recuperar a bola. O problema é que a qualidade do Benfica – individual e coletiva – é hoje bem maior e fatalmente veio ao de cima. Castigar os jogadores com um estágio forçado após um jogo daqueles não é apenas um erro de momento, é a manifestação de uma perceção errada e que pode condicionar o futuro, além do presente.
O futebol português mudou muito nas últimas décadas, com acréscimo de importância para o estudo do jogo, a tática e o treino, além de que o ADN da raça não é, obviamente, exclusivo de nenhum emblema. A atitude, a alma ou a entrega são ótimas para acrescentar à qualidade, à competência, ao talento. Sem estes últimos são uma ilusão, um logro.
P.S.: Morreu o Senhor Aurélio Pereira, pioneiro do scouting, mestre da avaliação de talento, descobridor de Futre, Figo, Nani e Cristiano. As tantas homenagens, de tão diversas origens, são reflexos do muito que nos deixa um homem raro, com níveis de competência e humildade singulares. Era do melhor que o nosso futebol tinha. E tem. E terá, que exemplos destes não morrem nunca."
O que os olhos não veem o treinador não sente
"Eu tenho os meus favoritos. Roger Schmidt tinha os seus favoritos. Bruno Lage tem os seus favoritos. Muito honestamente, todos temos os nossos favoritos.
No futebol, assim como na vida, nem sempre jogam os melhores ou aqueles que mais merecem. São escolhas. Ora corra bem, ora corre mal. Faz parte. É preciso lidar com os altos e baixos e, consequentemente, as críticas.
Schjelderup e Prestianni claramente têm qualidade e talento de sobra. São diferenciados. Lage logicamente sabe disso. Entretanto, tem preferido Di María, Akturkoglu, Bruma e Amdouni. Arrisca ser campeão assim, aliás.
As poucas oportunidades entregues aos dois jovens promissores acabam por passar, no fim, a imagem de que o treinador do Benfica quer esconder o máximo possível o óbvio e, com isso, não ser 'obrigado' a verdadeiramente apostar neles.
Como confia (ou acredita) mais nos outros, e seguramente tem seus (!) bons motivos para defender isso, prefere tentar «tapar o sol com a peneira'. Não é algo isolado, sem dúvida. Exemplos por aí não faltam, dentro e fora do futebol.
No mundo perfeito, talvez no mundo encantado das mil maravilhas, os melhores e os merecedores seriam os primeiros. Seria lindo, não? Porém, como estamos no mundo real, há quem tenha que trabalhar o dobro ou o triplo, e com o sério risco de nunca ter o devido reconhecimento.
Não é uma simples questão de concordar ou discordar. É a dura realidade, especialmente quando o que importa, neste caso, é o 'atingir o objetivo', não o 'como atingir o objetivo'."
O vazio que o FC Porto deixa
"Sem VAR o golo de Pavlidis no Dragão aos 42 segundos teria sido anulado. As conversas seriam hoje, seguramente, outras. Como aconteceu, vá lá, durante 42 anos
A vitória do Benfica sobre o FC Porto no Dragão por 4-1 foi mais que a afirmação da candidatura dos encarnados ao título, reforçada, no dia seguinte, com o empate entre Sporting e SC Braga. Se a analisarmos numa perspectiva mais abrangente é ainda mais representativa do momento do FC Porto e do que significa (e pode significar) para o futebol português.
Com seis jogos até ao fim, a corrida pela conquista do campeonato é, agora ainda mais evidente, a dois, entre Benfica e Sporting, com seis jogos até ao fim. Ficou também mais claro, que o FC Porto, a 12 pontos de distância do primeiro lugar, poderá ter de contentar-se com o terceiro, no qual acabou a época anterior, com menos 18 pontos que o Sporting.
Os últimos meses e anos do FC Porto, que durante muito tempo foi a força dominadora do futebol português, por diversas razões, deixaram a nu fragilidades que mais depressa se identificavam em Benfica ou Sporting. A política desportiva discutível, mesmo sob o condicionalismo de um colete de forças financeiro que clube e SAD foram obrigados a vestir por políticas desastrosas, algumas destapadas por auditoria, ajuda a explicar o atual momento. Mas é apenas um dos motivos.
O FC Porto tentou recriar as condições de antigos clássicos, recorrendo a expedientes conhecidos, mas, sabemos bem, a cópia nunca é tão boa como o original. De comunicados que se dispõem à classificação de incendiários ao anúncio do presidente de que o clássico era o jogo da época, como se uma vitória a pudesse salvar, da tentativa cómica de Martín Anselmi atirar toda a pressão para o Benfica, como se fosse melhor nada ter a perder que ter a perder a liderança, à música em elevados decibéis que foi oferecida aos adeptos dos encarnados que ficaram no Dragão, no fim do jogo este novo FC Porto ainda está preso a um passado que em muitas circunstâncias despreza e do qual ainda não se consegue libertar.
Já aqui escrevi que Villas-Boas fez caminho e cortou, com coragem, com práticas que chegaram a tribunal. Nunca seria fácil para o presidente do FC Porto. Desde logo porque as viúvas do antigo regime, populistas de trazer por casa, algumas agora sem muito que fazer, só estavam à espera que o fracasso batesse à porta, para se sentirem reforçadas nas convicções e terem o prazer de likes e retweets que as redes sociais oferecem.
O FC Porto, para todos os efeitos, já deixou um vazio na liderança do futebol português. Desconhece-se, por enquanto, se será grande ou pequeno, curto ou prolongado, e quem o ocupará, afinal no futebol tudo muda depressa, mesmo que, nos nossos dias, a incerteza possa consumir os adeptos e sócios do FC Porto na medida exata em que o entusiasmo alimenta os adeptos e sócios de Benfica e Sporting.
O que é certo e disso temos variados exemplos é que o medo que muito tempo demora a construir-se depressa desaparece. Sobretudo — apesar de nem sempre ser tão óbvio — numa sociedade cada vez mais exigente, informada e que tudo e nada escrutina.
Também é certo que sem VAR o golo de Pavlidis no Dragão teria sido anulado. E as conversas seriam hoje, seguramente, outras. Como aconteceu, vá lá, durante 42 anos."
O maior defeito de Villas-Boas (que muito prejudica o FC Porto)
"Bem no alerta no diferendo Proença-Gomes, o presidente portista deixou-se ultrapassar por hábitos antigos que já não fazem sentido no presente nem ajudam a resolvê-lo
André Villas-Boas é apenas mais um dos muitos portugueses ligados ao futebol que ficam algures presos entre o passado e o futuro, num presente que muitas vezes não é terra de ninguém.
O presidente do FC Porto, rosto de uma revolução sem precedentes no clube, desde a forma de estar à gestão do dia do dia, pareceu o mais lúcido na análise ao espalhafato criado pelas comadres Pedro Proença e Fernando Gomes, por culpa de um lugar na UEFA, num sempre valioso apelo à união por um bem maior, porém depois foi incapaz de perceber que não pode liderar como antigamente, com castigos a jogadores por derrotas em clássicos ou até lançamento de suspeições sem maior conhecimento de causa. Os castigos até podem fazer correr mais, todavia, não farão correr melhor e, mais importante, jogar melhor. Ter essa consciência é fundamental. E o que dizer do resto?
As dificuldades do FC Porto, com a crise a acentuar-se logo depois das duas goleadas sofridas com o Benfica, não podem ser surpresa para ninguém. Se o são para o líder portista, que até tem um conhecimento mais profundo do que é ser treinador e do real valor dos jogadores, algo está a correr mal. Se não o são, há um problema de comunicação, de controlo das expetativas. Aconteceu com Vítor Bruno, houve maior contenção com Anselmi, porém Villas-Boas não pode assumir antes do clássico que se trata do jogo da época. Saiu-lhe o tiro pela culatra. E ainda pode vir a ser perseguido pela do eventual merecimento de uma Liga Conferência. Bastava aplicar a lógica: num plantel em sangria contínua há anos a distância cresceu. Não há alma e mística que lhes valha.
O Benfica goleou e passou a líder, porque o Sporting se deixou empatar pelo SC Braga já perto do fim – e o discurso de Rui Borges passou a ser ansioso e desfasado, revelando impreparação, o que não será apenas culpa própria. As águias saem do Dragão reforçadas, atravessam o seu melhor momento, no entanto, se a exibição azul e branco foi confrangedora, também houve alturas em que os velhos problemas do passado encarnado estavam lá. Um pouco mais diluídos, talvez. Lage também já terá atravessado a sua própria curva descendente.
P.S. Já se fala que a Liga das Nações pode ser o ponto final para Roberto Martínez à frente de Portugal e que Pedro Proença quer iniciar novo ciclo, a pensar no Mundial, com José Mourinho no banco. Já ouvi ideias mais inteligentes e modernas, garanto."
Rui Borges está a acusar a pressão
"As declarações do treinador do Sporting sobre Harder após o 1-1 com o SC Braga foram completamente despropositadas.
Grande vitória do Benfica sobre o FC Porto em pleno Estádio do Dragão. Dificilmente a jornada 28 poderia ter sido mais positiva para as águias, que subiram à liderança da Liga, ultrapassando o Sporting.
Na cimeira dos quatro primeiros classificados, supremacia inequívoca dos encarnados, que são agora, também suportado nos números, os principais candidatos à conquista do título.
O Benfica não ocupava o primeiro lugar de forma isolada desde a 15.ª jornada e agora à entrada da reta final e depois da vitória esmagadora sobre um anárquico FC Porto ganha, obviamente, mais confiança.
Já há algum tempo que era a melhor equipa. Reforçou-se muito bem na reabertura do mercado e ganhou claro ascendente desde janeiro. Diria mesmo que com a exceção de Rui Silva, os encarnados foram mesmo os únicos que se reforçaram! O que, naturalmente, pode fazer toda a diferença nas contas finais.
Já o Sporting escorregou na receção ao SC Braga. Mais do que a perda de dois pontos, o que lhe custou o primeiro lugar, o que mais retive do embate de Alvalade foi o pós-jogo, pois fiquei com a convicção que Rui Borges está a acusar a pressão.
As declarações na sala de imprensa sobre Harder foram completamente despropositadas, de tal forma que o próprio treinador foi o primeiro a retratar-se perante o dinamarquês, que, como ficámos a saber na noite de segunda-feira, só pode ser… ponta de lança.
Tal como Rui Borges, também olho para Harder unicamente como ponta de lança, mas nada impede o treinador de utilizá-lo como tal, mesmo que ao lado de Gyokeres, que todos sabemos que é o melhor do campeonato.
«Se fosse mauzinho, podia voltar atrás… Nos últimos jogos que Harder entrou deu pouco ou nada à equipa. Não segurou bolas, foi muito trapalhão, quis entrar muitas vezes no um contra um…», disse Rui Borges quando confrontado com o facto de ter lançado o dinamarquês que nesse mesmo dia comemorou 20 anos apenas nos minutos finais.
O treinador nunca poderia ter dito o que disse, até porque acabara de lançar Harder no jogo com a esperança de que ajudasse a devolver a vantagem à equipa. Acredito que não quis ser mauzinho e atribuo-lhe as palavras ao descontrolo emocional.
Rui Borges pareceu-me muito desconfortável, algo até percetível na linguagem corporal, e até se esqueceu que esta não é a primeira vez que o Sporting dele não está no primeiro lugar! O treinador assumiu o comando dos leões a 26 de dezembro, com a equipa na segunda posição, com 37 pontos, os mesmos do FC Porto, e a um do líder Benfica. Três dias depois venceu o dérbi, em Alvalade, e, então, sim, subiu ao topo.
Rui Borges ainda dá os primeiros passos num clube grande, pelo que até considero naturais algumas gafes. Só que à primeira oportunidade, que é já esta sexta-feira, tem de pedir desculpas públicas, na defesa de um grupo, que, convenhamos, lhe tem dado inúmeras provas de confiança. Apesar de todas as limitações do grupo, potenciadas pelas inúmeras lesões, a era Rui Borges no campeonato salda-se por oito vitórias e cinco empates em 13 jornadas. 29 pontos que só não são positivos porque o Benfica somou… 30."
O segundo erro de Rui Borges
"Primeiro St. Juste, agora Harder... O treinador do Sporting, quando pressionado, por vezes diz o que não deve. Fez bem em pedir desculpa ao dinamarquês. Neste fase vai precisar que todos posssam dar a vida por ele e ele pelos jogadores. Porque onde vai um....
A principal missão de um formador não é ensinar. Ensinar é apenas transmitir uma série de informações. Fica por fazer tudo o resto: garantir que a informação é corretamente processada e utilizada. Ensinar é colocar gasolina no veículo, não significa que o condutor saiba conduzir ou tome a direção certa no seu percurso. Conhecimento não é sabedoria. Brincando um pouco, conhecimento é saber que um tomate é fruta. Sabedoria é não o usar numa salada de frutas.
A principal missão do formador não é disciplinar. Disciplinar é apenas impor uma série de hábitos e traçar limites, que podem ser os mais corretos mas que de nada valem sem a compreensão e a adesão voluntária e comprometida do formando.
A principal função do formador é inspirar. É despertar a paixão nos formandos para que eles, e apenas por eles, queiram aprender, melhorar, descobrir, fazer caminhos que nem o formador pensou para eles. No respeito pela individualidade, pela velocidade de crescimento, pelas capacidades, pelos interesses e paixões dos formandos, sabendo que num grupo nem todas as estratégias resultam de igual modo com todos, nem todos os caminhos são os mesmos, que a distância não se mede em quilómetros ou objetivos que alguém traçou. Inspirar.
Aurélio Pereira era um desses formadores. Que inspirou muitos jovens jogadores. O maior caça talentos da história do futebol português, o melhor ourives que o futebol conheceu. E nem sequer é uma conclusão minha e subjetiva. Basta ler e ouvir tudo o que muitos dos maiores talentos da história do futebol português dizem sobre Aurélio Pereira. E no topo dos elogios, nunca está a forma como ensinou, a forma como disciplinou. O que está no topo dos elogios é a forma como inspirou. Como fez acreditar. Como despertou a vontade de serem melhores.
Felizmente, Aurélio Pereira recebeu em vida muitas das devidas homenagens. A maior das quais, a gratidão dos hoje homens cuja vida, em jovens, ele impactou. E são as vidas que se inspiram o melhor tributo a quem assume a missão de formar.
Rui Borges tem de aprender muito com Aurélio Pereira. É a segunda vez em poucos meses que melindra um jogador em público. Primeiro St. Juste, agora Harder. As críticas, em público, podem ser devastadoras para um elo de confiança que se exige entre um jogador e treinador. Mais do que nunca, Rui Borges vai precisar que os jogadores possam dar a vida por ele. E os jogadores têm de acreditar que têm um treinador que dará vida por eles. Foi aqui que esteve o pilar do sucesso de Rúben Amorim.
Rui Borges esteve bem em explicar-se e pedir desculpa a Harder, mesmo que tenha havido exagero na interpretação do que disse. Mas é ao grupo todo que deve explicar-se. Mal do Sporting, como de qualquer grupo, se as críticas a um jogador afetarem apenas o visado. O Sporting só pode ser campeão se todos os jogadores tiverem sentido precipitadas as declarações de Rui Borges sobre Harder.
Não hesito um segundo em dizer que acredito ser Rui Borges uma pessoa justa, bem formada, leal e humana. Mas nem sempre falar o que se pensa ou sente, mesmo que justo, é sensato. Muito menos eficaz. Onde vai um vão todos, lembram? Todos, todos, todos."
O grande problema de Portugal é a falta de capacidade altruísta
"Ricardo Araújo Pereira afirmou em tempo que se sentia um sortudo, dado que os políticos e líderes portugueses lhe proporcionavam diariamente situações caricatas para o seu papel de criar momentos de boa disposição e comédia para os portugueses, evitando assim o desgaste da procura. Senti o mesmo entre as duas semanas que separam estes artigos, ao tentar estruturar um texto com exemplos do que não podemos continuar a fazer ou para onde nos devemos dirigir.
Escrevi há 15 dias que não precisávamos apenas de uma excelente estratégia (sempre muito importante), mas também do compromisso real de todos em cumpri-la depois de aceite. Existe outra hipótese: diminuir o número de pessoas que participam na definição da estratégia (desde que sejam competentes e incluam as várias áreas necessárias) e garantir que existam consequências reais para quem não a cumpre. Sei que estou a falar do meu país, mas já andamos a gastar mal há tanto tempo que, de outra forma, tudo continuará a ser a mesma rábula. E, a partir do momento em que o dinheiro — na minha opinião — é mal investido, a razão de ser pouco ou insuficiente deixa de ser o tema. Seria e será um problema quando a quantia existente for bem aplicada e controlada, sem desvios, defendendo os interesses do país e não os de quem a distribui.
Numa versão muito resumida e fruto da experiência e da sorte de ter estado ligado ao desporto sob vários ângulos, acredito que colocar todos a respeitar e a remar na mesma direção é bem mais difícil do que encontrar uma boa estratégia. Por várias razões. Como em todas as áreas, há boas práticas, haverá a necessidade de adaptação, haverá a necessidade de ter coragem para cortar os maus hábitos, mas repito aqui: o grande problema do nosso Portugal, em quase todas as áreas, não é o conhecimento ou o talento, é mesmo a falta de capacidade altruísta para gerir em prol de um bem maior do que a agenda individual, e depois garantir que existam consequências práticas (o reconhecimento e a responsabilização).
Como muitos treinadores dizem, e bem: todos têm de saber qual o seu papel neste processo, perceber a importância do mesmo, aceitar que há papéis que supostamente brilham mais do que outros, mas que, sem os que brilham menos, pouco ou nada é robusto. No final, a maior força disto tudo é o todo. E agradar a todos não deve ser um objetivo, mesmo que fosse possível."
Saiam da frente!!!
Quetão sem respeito pela vida humana!!!! pic.twitter.com/u4Z45Tj3AU
— O Fura-Redes (@OFuraRedes) April 10, 2025
Dona Maria
❤️ Conseguem nos ajudar a encontrar o contacto da Dona Maria, ou de um familiar? Gostávamos de lhe concretizar o sonho de ver um jogo ao vivo no Estádio da Luz! #OSonhoBenfiquista | #Benfica | @SLBenfica | @slbenfica_en pic.twitter.com/3ZDMlWWYs7
— O Cantinho Benfiquista (@OCantinho1904) April 9, 2025
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