Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de agosto de 2024

E o problema é Di María?!


"Mesmo acabado de chegar, argentino mostrou que é imprescindível para uma equipa cada vez menos criativa. E David Neres a fazer as malas…

Desfeita a espuma das ondas, que em período de pré-época ajuda a ultrapassar desilusões e a renovar aspirações, o Benfica entrou na nova Liga com aquele desconforto de quem volta à rotina com um escaldão no corpo. Depois de ter confirmado o adeus ao título 2023/24 em Famalicão, a equipa de Roger Schmidt iniciou a campanha 24/25 a perder novamente com a equipa de Armando Evangelista, que promete uma época de consolidação.
Do lado encarnado parece que nada mudou desde o dia 5 de maio - como tão bem resumiu o camarada Nuno Paralvas na crónica do encontro de domingo -, deixando aos adeptos aquela sensação de quem fez o esforço para limpar a cabeça nas férias e depois, ao regressar ao trabalho, percebe logo que os problemas não desapareceram por mero efeito do calor.
Como já indiciava a contratação de Leandro Barreiro e o regresso de Aursnes ao papel de médio-ala, Schmidt não tem a intenção de escrever uma nova folha no bloco de notas. Prefere insistir na vontade de fazer com que os apontamentos de 22/23 voltem a ser úteis. Não é surpreendente, tendo em conta o trajeto do técnico alemão, mas alimenta dúvidas quanto à evolução da ideia de jogo, uma vez que as cedências não acompanham o ritmo a que muda o perfil do plantel.
Talvez esta análise seja influenciada negativamente pelas condicionantes do onze apresentado pelo Benfica em Famalicão, mas foi a estrutura encarnada que se deu ao luxo de prescindir de David Neres e de Arthur Cabral, que libertou João Neves para o PSG sabendo que Renato Sanches tem de ser gerido com muito cuidado, que cedeu o capitão Nicolás Otamendi para duas competições seguidas da seleção argentina e que arriscou entrar na Liga ainda com Kokçu e Di María a tirar areia dos pés.
Se o turco jogou o suficiente para justificar a titularidade no próximo compromisso, o argentino mostrou que é imprescindível neste Benfica. É sempre legítimo discutir o peso na folha salarial, mas Di María é o artista em vias de extinção de uma equipa onde falta espaço para a criatividade. Ainda agora, em Famalicão, sobraram equilibradores (Florentino e Barreiro) onde faltaram pensadores, acumularam-se pensadores (João Mário e Aursnes) onde deviam estar desequilibradores.
O problema não está em Di María, por mais esforço defensivo que seja preciso pedir ao resto da equipa. Ao Benfica não falta equilíbrio, falta capacidade para desequilibrar o adversário, e a saída de David Neres só agrava o problema, mas ninguém pode censurar o brasileiro por sentir que está a mais."

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Fantasmas voltam ao Benfica: ponto de situação na Luz

O Alemão que não é Alemão


"Schmidt pode não saber dizer bom-dia em português mas tem a mentalidade infeliz de um portuguesinho pouco valente. Não lhe chamem Roger – chamem-lhe Rogério

Diz-nos a História Universal que um alemão derrotado é um alemão morto. Está-lhes no sangue. Sobrevivem até à última bala, até à derradeira granada, foi desta forma que se ergueram das cinzas de duas Grandes Guerras que os deixaram de rastos, voltando a ser grandes depois de cada uma delas. Calhou ao Benfica ter um treinador alemão que só foi alemão durante seis meses, seis meses que nos surpreendeu com a arrogância de um futebol perseverante e conquistador, diferente do que tínhamos visto até então. Em seguida, aburguesou-se. Ou pior, aportuguesou-se. No pior sentido do termo. É um indivíduo sem chama, sem alma, contentinho com a sua vida-vidinha de ir perdendo arranjando desculpas para as derrotas. Confesso que nada nele me espanta. No último número do Sol escrevi numa expectativa ao jogo de Famalicão e da época que agora começou: Comprou o Benfica, ao que parece, um ponta-de-lança que faz golos e só isso muda ligeiramente o paradigma da época passada quando tinha pontas-de-lança que não os faziam. Mas, de resto, nada parece alterar-se na filosofia de uma equipa que andou a arrastar-se deprimentemente no campeonato passado, sujeitando-se a humilhações contínuas. Duas insistências, incompreensivelmente teimosas, parecem, a meu ver, fazer com que tudo vá ficar mais ou menos na mesma: uma em manter o treinador Roger Schmidt, que deixou de ter a confiança dos adeptos, e que ao primeiro resultado negativo, será de novo alvo de protestos com os quais não sabe lidar, entrando em descontrolo; outra em apostar no regresso de Di María, um daqueles jogadores que amua se não jogar os 90 minutos de todos os jogos numa fase da vida em que não pode nem jogar 45 minutos de metade dos jogos. O ano passado entrou pelos olhos dentro que Schmidt não tem autoridade sobre o argentino e que, pelo contrário, faz tudo aquilo que ele quer (e se isso provocar a saída de Neres o tiro no pé será ainda mais doloroso). Di Maria foi um dos grandes desequilibradores da equipa, no sentido negativo, com um número inusitado de perdas de bola e com uma incapacidade total de defender (nem que seja ocupando espaços) que não compensaram nem de perto nem de longe algumas habilidades e os seus 17 golos. Também não houve por parte dos responsáveis vontade de reforçar o centro da defesa onde Otamendi exibe 36 anos (tal como Di María) e António Silva caiu numa estagnação manifesta em erros primários, alguns deles oferecendo de mão beijada golos a adversários. Com Morato a não mostrar evolução apesar de uma utilização continuada, só Tomás Araújo surge como possível titular. Pouco a meu ver porque, neste momento, precisaria de dois e consistentes pois os outros não o são. A saída de João Neves tem sido preparada por Schmidt com a opção por dois trincos (Barreiro e Florentino), mas talvez seja de menos para jogos com tantos pés-de-chinelo que habitam na nossa prova maior. Pode ser que Rollheiser e Prestiani tragam, graças à sua juventude e à sua qualidade, algo de verdadeiramente novo – são jogadores diferentes e cheios de vontade de jogar com aquela camisola (algo que nunca é de somenos). Se não forem eles, a apagada e vil tristeza manter-se-á por mais uma época perdida logo à partida. E os encarnados cairão mais um degrau num declive que têm andado a cavar.
Como não nasci para bruxo nem tenho pretensões a Nostradamus, limitei-me a transferir para os dias que correm – e com as indicações da pré-época – aquilo que aconteceu na anterior. O facto pode ser doloroso para este Roger/Rogério, mas a verdade é que quanto mais tempo se mantiver no cargo mais fundo irá cair um conjunto que, desculpem lá o mau-jeito, está formatado para actuar com individualidades que já não podem (umas nunca puderam) vestir a camisola de um clube com o estatuto do Benfica.

A bigorna de Rui Costa
Conheço o Rui Costa desde menino, tenho uma estima especial pelo seu pai, o Senhor (com maiúscula) Vítor, e uma ternura infinita por ele e pela sua família, mas isso não pode impedir-me de considerar que a manutenção deste treinador foi, até agora, o maior erro da sua vida desportiva. Roger Schmidt tem uma visão primária de futebol que o leva a ser, neste momento, uma especie de bigorna amarrada aos pés de um presidente que tenta nadar num mar de vagas alterosas. Confesso que nunca, nestes quarenta anos de profissão, imaginei asistir aos insultos e impropérios que os adeptos dirigem a um homem que tanto adora o clube. Mas a realidade é que a teimosia em abraçar-se a Roger Schmidt, depois de uma época indigna, colocou o Rui nesta situação insustentável. Lamentável, para não dizer pior, a forma o alemão como reage a cada derrota. Há uma expressão em alemão que define bem o seu discurso bacoco: «Latrinenparolen». Conversa de treta, para ser bem educado. Não assume culpas, insiste que há uma estratégia preparada para todos os jogos (pelos vistos errada), lança sobre os seus jogadores o opróbrio de uma visão redutora do jogo que é a sua.
Sejamos claros: que esperam os benfiquistas que aconteça nas próximas semanas? Que esta equipazinha que não serve nem para trazer por casa desate, de repente, a jogar enormidades? Que Di Maria e Otamendi passem, num golpe de mágica, a terem 25 anos? Que Renato Sanches se transforme numa especie de Super-Homem e carregue com a equipa às costas? Não. O problema está longe de ser individual. Prende-se com uma falta total de noção do jogo a praticar e da forma como abordar os adversarios que vão surgindo. Não tenho nenhum problema em apostar aqui, singelo contra dobrado como nos livros do Texas Jack, que com este alemão que nada tem de alemão se não a língua, o Benfica voltará a ganhar nada de nada, como aconteceu no ano passado. Vai Rui Costa soltar as amarras que tem com ele e devolver alguna crença aos que ainda o seguem, ou vai preferir ir para o fundo numa confiança que Roger Schmidt há muito tempo não merece? Gostaria de dar respostas a estas perguntas. Mas só o presidente do Benfica conhece o segredo delas. E foi eleito para isso."

Mais do mesmo Benfica?


"Ontem foi um dia de grandes expetativas para os amantes do “desporto rei”, no geral, e, em particular, para os benfiquistas, uma vez que o seu glorioso abriu a época.
Sem rodeios ou falsas modéstias, não são apenas os benfiquistas que assistem aos jogos do Benfica. Essa realidade dá-se por diversas razões, por exemplo para conhecer o adversário numa perspetiva mais desportiva ou, esta mais popular, como sempre se ouviu dizer, há os benfiquistas e os outros.
Assim, nos campos e estádios pelo país fora, semana após semana, testemunham-se enchentes de benfiquistas e outros tantos adeptos com um primeiro, segundo ou mesmo terceiro clube que durante o ano defrontará o Benfica.
A tarde de ontem foi para esquecer, mais não seja pelo resultado que foi revelador do que se passou em campo: uma banalização da equipa encarnada, que nem o treinador conseguiu explicar. Aliás, as explicações de Schmidt tiveram a sua dose de surrealismo. Ora referia a necessidade de ter os jogadores focados, ora justificava que não conseguiu por em prática o que foi feito na pré-epoca.
O que se passou é incompreensível, mas começaria por dizer o que sempre ouvi o meu pai e avô dizerem: não basta vestir a camisola do Benfica, há que jogar à bola! E, de facto, ontem não se jogou à bola em Famalicão. Sobre o adversário, obviamente há espaço para elogios porque vencer o Benfica é um feito. Todavia, não desfazendo, cada vez mais os benfiquistas vão estando habituados a estes “feitos”.
O único benfiquista com verdadeiras responsabilidades ficou tão chateado como todos os outros, reação que foi possível testemunhar pela televisão. Contudo, a principal diferença é que ele é o Presidente e deve-nos uma explicação.
É que a tal pré-epoca de que falou o alemão não foi assim tão brilhante. Aparte da vitória sobre o Feyenoord no troféu Eusébio, o Benfica fez exibições razoáveis, com pormenores interessantes, mas nunca demonstrou o que já se viu no passado.
Portanto, sobre pré-epocas brilhantes, nas quais os jogadores espalharam magia e encheram o campo com futebol de qualidade, onde a bola correu entre os seus pés de forma excecional, não foi o que se viu este ano.
Aliás, quando os testes apertaram, os resultados também. Desse modo, na reta final da pré-epoca, assim se justificam o empate e a derrota nos dois jogos mais complicados, quase que pré-anunciando o resultado de ontem.
A realidade é que o Benfica não conseguiu revalidar o título na época passada. Pior que isso, conseguiu incompatibilizar-se de tal forma com a massa associativa que fez com que chegasse ao primeiro jogo da época com margem de erro zero.
Perante esse facto, no momento de pressão, Schmidt cedeu. Perdeu, concedeu e não conseguiu explicar nem assumir a derrota sob qualquer prisma. Resumindo, o resultado é um jogo, zero pontos, uma derrota, dois golos sofridos e zero golos marcados.
Sim, falta muito campeonato. Sim, há tempo para recuperar, mas ainda agora o campeonato começou e já se a fala em recuperação? Não é de esquecer que os campeonatos se ganham nos jogos pequenos e ontem foi um desses. A conversa do “é para a semana” já é conhecida. Não obstante, os benfiquistas lá estarão para encher a Catedral e apoiar como se nada fosse, noutro jogo contra um dos muitos pequenos, mas que vale os mesmos três pontos.
Uma coisa é certa: como benfiquista e amante de futebol, a Liga nacional precisa de clubes competitivos, fortes, capazes de internamente lutar entre si, mas acima de tudo preparados para lutar ao nível das competições europeias. De outro modo, tudo se resume apenas ao lado económico-financeiro e esse diz muito pouco aos sócios de coração, como eu.
Afinal de contas, para nós, ser do Benfica, “(…) é ter na Alma a Chama imensa (…)”, ver o Benfica é um momento de alegria e de festa. Não de trata de ativos, trata-se de pura paixão. Por isso se ambiciona mais, se pretende alcançar o 40º e não mais do mesmo."

Querem honrar Constantino? Cumpram os seus desígnios…


"A vontade do presidente do COP era que Portugal fosse um País de Desporto, coisa que a classe política nunca valorizou. Palavras bonitas não chegam, venham ações concretas.

Ao mesmo tempo que, em Paris, Léon Marchand extinguia a chama olímpica, em Lisboa apagava-se a vida física de José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). É difícil encontrar maior simbolismo do que este, para alguém que dedicou a vida à causa do Desporto e levou a sua missão até ao fim, tendo ainda presenciado in loco, num momento sublime, a medalha de bronze de Patrícia Sampaio, na capital gaulesa.
A lutar contra a doença há muito tempo, José Manuel Constantino foi sempre um exemplo de coragem na forma como foi superando as dificuldades, com uma vontade indómita de continuar a olhar para o futuro, com uma miríade de projetos a fervilharem-lhe naquele cérebro prodigioso. Num passado muito recente, o Vítor Serpa e eu entrevistámo-lo, nas instalações do COP, para a BOLA TV e para A BOLA, numa conversa notável em que o entusiasmo que colocou nas ideias lhe permitiu superar o incómodo físico que uma longa entrevista televisiva, sem pausas, inevitavelmente lhe provocou.
Em junho passado, quando lancei o livro Pulsação, convidei-o para a apresentação. Porém, sabendo as limitações de mobilidade que tinha, fui na véspera ao Comité Olímpico oferecer-lhe um exemplar com dedicatória, dizendo-lhe que estava perfeitamente à vontade para não comparecer no dia seguinte, tanto mais que o lançamento seria no piso ‘menos um’ da livraria Barata, o que requeria descer três lanços de escadas. Resposta de José Manuel Constantino, que tinha acabado de chegar do Hospital, onde tinha realizado tratamento, e onde devia regressar na manhã seguinte: «Podes ter a certeza de que só não irei se ficar internado. Caso contrário, lá estarei.» E assim foi, auxiliado na fase das escadas, e depois na cadeira de rodas, onde assistiu à apresentação do livro na primeira fila, entre Fernando Gomes, presidente da FPF e Daniel Monteiro, presidente da CDP.
Em José Manuel Constantino sentiu-se, até ao fim, uma vontade de viver e continuar a dar o seu contributo para um Desporto melhor em Portugal. O que nos leva a uma outra abordagem da ação pública de José Manuel Constantino. Pensador profundo do Desporto, muito crítico relativamente às práticas públicas que nunca levaram a atividade realmente a sério, a Constantino a voz nunca doeu para não só criticar as más práticas recorrentes da classe política, como ainda para apontar caminhos que levariam, por certo, Portugal a outros patamares competitivos e os portugueses a uma vida muito mais saudável. Estou certo de que, perante a sua morte, todos os políticos, da esquerda à direita, vão enaltecer a figura desaparecida e tecer leoas à sua personalidade, exarando-lhe, por certo, pelo menos, um voto de louvor parlamentar. Porém, querem, realmente, honrar José Manuel Constantino? Então levem à prática aquilo por que ele pugnou toda a vida e a que, quase sempre, nas questões de fundo, fizeram orelhas moucas. Essa é a única homenagem à altura do presidente do COP, e é o desafio que aqui deixo.
Em 2016 fiz a cobertura, para A BOLA, dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Chegado a Lisboa, recebi um telefonema de José Manuel Constantino a desafiar-me para escrever um artigo pós-Rio para a revista Olimpo, do COP. Avisei-o: «Escrevo com todo o gosto, mas vai ser a doer…», ao que me respondeu, «nem eu esperava outra coisa.»
E, oito anos volvidos, infelizmente aquilo que plasmei preto no branco na Olimpo, repeti quase na totalidade na edição de ontem de A BOLA, a propósito dos Jogos de Paris, porque, infelizmente, apesar da luta sem quartel mantida por José Manuel Constantino e mais um punhado de homens e mulheres que veem o Desporto não como uma despesa mas como um investimento nos portugueses, Portugal continua a não ser um País de Desporto.
Regressando a José Manuel Constantino, amigo há décadas, torna-se evidente que deixa a fasquia da presidência do COP muito alta e quem pegar no facho olímpico para o próximo percurso deverá estar à altura de um legado intelectualmente superior, politicamente independente, e de uma coragem de colocar o dedo na ferida, sem se importar com consequências pessoais, sem limites."

A dupla que pôs os portugueses a vibrar com o “outro ciclismo”


"É impossível alguém ficar indiferente às expressões de alegria de Rui Oliveira e de Iúri Leitão no pódio da prova de madison dos Jogos Olímpicos.
A dupla portuguesa tinha ganho há poucos minutos uma surpreendente - para quem não segue o ciclismo de pista e o percurso dos atletas nacionais nesta especialidade - medalha de ouro e garantido um lugar na história do desporto nacional ao tornarem-se os primeiros atletas portugueses fora do atletismo a conquistar um ouro olímpico. A este feito Iúri Leitão juntou outro: é o primeiro desportista nacional a obter dois pódios na mesma edição dos Jogos.
A equipa juntou-se ontem a Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, Nelson Évora e Pedro Pichardo como ocupantes do lugar mais alto do pódio e agora não vão faltar elogios, cumprimentos e, provavelmente, até grandes especialistas em ciclismo de pista que já anteviam esta glória.
Passadas as frases elogiosas que muitos se apressaram a dizer, é bom colocarmos os pés no chão e lembrar que o que se passou ontem na pista do Velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines não aconteceu por acaso. A vitória de Rui Oliveira e Iúri Leitão e o segundo lugar deste na quinta-feira (dia 8) no omnium são o resultado de muito trabalho dos ciclistas e de quem ao longo dos anos tem defendido o ciclismo, uma modalidade sempre muito atacada.
Este dia 10 de agosto ficará na memória de todos os que assistiram às táticas na pista, mas o que mais emocionou foi a alegria dos atletas, o sorriso de “orelha a orelha”, o choro durante o hino, a emoção de Iúri, que teve de ser tranquilizado pelo companheiro de equipa. E até festejaram os dois com um “Siiiuuu”, mundialmente divulgado por Cristiano Ronaldo.
“Muita luta, muito sacrifício. Procurámos durante tantos anos por uma coisa assim. E agora estamos na história do desporto”, disseram quando se acalmaram. Enfim, um pouco, que as emoções estiveram mesmo muito ao rubro.
A 32.ª medalha de Portugal nos Jogos Olímpicos surgiu, assim, de surpresa para muitos - como curiosidade, recordemos que a sexta medalha de ouro foi conquistada 40 anos depois de Carlos Lopes ter vencido a maratona em Los Angeles -, mas é justo lembrar que muita gente tem trabalhado ao longo dos anos para que tal acontecesse um dia.
Se quiserem um momento importante desse trabalho, se calhar podemos recuar a 2009, quando foi inaugurado o Anadia Cycling Centre, o centro de alto rendimento onde o ciclismo de pista tem todas as condições para evoluir. E depois a qualidade dos ciclistas nacionais, muitos deles, como Iúri e Oliveira, que fazem parte de equipas estrangeiras, como a Caja Rural Seguros RGA e a UAE (provavelmente a mais forte equipa do mundo na modalidade e que conta com mais três portugueses: Ivo Oliveira, João Morgado e João Almeida).
O triunfo de Iúri Leitão e Rui Oliveira tem outro marco: o ciclismo passa a ser, a par do atletismo, a única modalidade com ouro olímpico.
Por tudo o que está escrito atrás, a glória desta dupla é mais do que merecida, mas permitam-me deixar um pedido/recado: não se esqueçam de atletas como Fernando Pimenta, que ontem foi menos feliz, mas que tantas medalhas e títulos já conquistou para Portugal. E, a par dele, de todos os outros que defendem mundialmente o nome do país e da modalidade que praticam.
Nestes Jogos, o atletismo, o judo e o ciclismo conquistaram medalhas, mas muitos atletas obtiveram diplomas olímpicos (ficaram até ao oitavo lugar).
E todos cumpriram uma intensa preparação durante quatro anos para estarem em Paris. E, a partir de agora, com o objetivo de marcarem presença em Los Angeles em 2028."

Os Olímpicos e o retrato de quem os organiza


"A utilização dos Jogos Olímpicos, na “era moderna”, como forma de propaganda dos Estados que os organizam é um clássico que vem desde a Alemanha de Hitler. Os JO de 1936 foram mesmo os primeiros a ter os resultados a serem transmitidos por telex em tempo real para os media e com cobertura televisiva, com transmissão para salas de cinema especialmente equipadas na cidade de Berlim (e com potência suficiente para poder ser, eventualmente, o primeiro sinal rádio de TV interestelar da Humanidade - algo que Carl Sagan virá a utilizar com especial efeito dramático no seu livro de ficção, adaptado a filme com o mesmo nome, Contacto).
O Reich usou com êxito os Olímpicos de 36 para promover a superioridade tecnológica alemã (ainda que lhes tenha saído o tiro pela culatra quanto à “supremacia ariana”, em especial por terem de mostrar ao mundo as imagens do negro norte-americano Jesse Owens a vencer quatro Medalhas de Ouro, nos 100 e 200 metros, nas estafetas e no salto em comprimento. E, pelo caminho, inventaram a “cerimónia de abertura” dos JO.
Desde então, cada país organizador faz por mostrar ao mundo - num evento que se pretende desportivo, mas que é obviamente político - quão superior é relativamente aos restantes. Os JO de Tóquio1964, por exemplo, foram os primeiros a serem transmitidos em direto através de satélite para a Europa e América do Norte, inaugurando a cobertura televisiva moderna Olímpicos.
A União Soviética, em 1980 ampliou de forma sistemática esta utilização do satélite. E transmitiu em direto para o mundo a imagem de paz e união, encabeçada pela hoje mítica mascote Misha, um ursinho desenhado pelo ilustrador infantil russo Victor Chizhikov, que marcou por completo todo o evento.
Durante este período, os comunistas soviéticos pareceram capitalistas, tanto foi o merchandising olímpico com o Misha que foi produzido: aparecia em chávenas, T-shirts, cinzeiros...
A mensagem: o “grande urso” russo era afinal um querido ursinho inofensivo, de braços abertos ao mundo, incapaz de maldade. A invasão do Afeganistão, iniciada meses antes, em dezembro de 1979, que levou os EUA de Jimmy Carter a boicotarem estes JO, era obviamente uma missão de pacificação a pedido do Governo legítimo do país. Algo, aliás, ainda hoje defendido por grande parte da extrema-esquerda, portuguesa e não só. Mas estou a sair do tema. Ou talvez não...
Misha era ainda a resposta de propaganda perfeita - através de um boneco infantil - de que é o imperialismo americano que tudo faz para destruir um belo momento de encontro pacífico da Humanidade na capital do paraíso da “ditadura do proletariado”. E, ainda que tal possa hoje custar a acreditar às gerações mais novas, para muito boa gente, funcionou. O boneco marcou pelo menos duas gerações e o momento do encerramento dos JO, em que o Misha parte para sempre preso a balões sobre o Estádio Olímpico levou muitos às lágrimas.
Nesses instantes, os comunistas deixaram de ser os velhos no camarote a ver passar procissões de soldados com marchas ridículas e carros com mísseis intercontinentais. Passaram, por alguns segundos, a seres humanos. E houve quem lhes tivesse dado o benefício da dúvida das suas intenções - e nunca tivessem daí saído, infelizmente. É esse o poder da boa propaganda.
Na missão de tentar controlar as mentes dos outros, dos líderes religiosos aos políticos, passando pelos marketeers, há efeitos fáceis de prever - que a rainha Isabel II a receber James Bond (interpretado por Daniel Craig) em Buckingham para a escoltar até à cerimónia inaugural dos JO de Londres 2012 será de imediato um clip viral na internet é claro-; outros mais difíceis de medir a priori as consequências exatas. É por demais evidente que a cena da “última ceia” da abertura de Paris2024 foi desenhada para criar polémica, mas toda a onda de controvérsia que se gerou, entre os ofendidos e os que vieram a correr intelectualizar a coisa foi de tal forma ridícula que demonstra bem como o ser humano, tendo as suas necessidades básicas asseguradas, é incapaz de priorizar as suas energias relativamente aos assuntos que importam para a sua real sobrevivência.
Mas é também nesses efeitos imprevisíveis, por vezes indesejados, que muitas vezes se encontram as pérolas. E estes JO de Paris não foram exceção. Na Cerimónia de Encerramento, demonstraram, ainda que sem querer, como é diferente a forma de ver a liberdade no Velho e no Novo Continente. Enquanto Paris encerrava da forma como abriu, com grandes (e um pouco chatas) figuras cénicas, houve um momento de passagem de testemunho para Los Angeles, com a intervenção de Tom Cruise, em que caiu ali a energia e a capacidade cénica americana que é um contraste tão evidente como, literalmente, do dia para a noite (eram 23.00 em Paris, 14.00 na Califórnia).
No vídeo que nos foi mostrado, quando a bandeira olímpica “chega” a Los Angeles e passa de mão em mão por várias personalidades, que vão correndo em direção à praia onde se realizará um pequeno concerto, as pessoas pelo caminho, aparentemente cidadãos comuns, curiosas, juntam-se de livre vontade. Não porque são obrigadas a isso, não porque estejam a seguir “a estrela”, não porque vão em “espírito de missão”... Vão porque querem ir ver o que é que se passa. Porque é bom, porque é giro, porque têm energia. São felizes. E isso transmite-se pela TV.
Independentemente do que possam ter ouvido dizer por aí, o sonho americano continua bem vivo. Os cuidados de saúde de que está a precisar são alguns, de facto, mas na realidade - e quando olhamos para o que andamos a fazer com a nossa liberdade - não são mais do que os nossos. Aliás, quem nos dera!"

BI: Famalicão...

O Benfica Somos Nós - S04R04 - Famalicão...

RND - Carrega...

Visão: S06E01 - Começou como Acabou

5 minutos: Aniversário - Diário...

El Mítico #98 - Nueva temporada, viejos problemas

O Futebol é Momento - S03E01 - Abre’olhos

Mata-Mata - Mercado, Super-taça e primeira jornada da LP1 e LP2!

A Verdade do Tadeia #2025/1 - Benfica cai em Famalicãoa

Zero: Mercado - Neres, Danilo, João Félix

Zero: Ataque Rápido - S06E02 - Sousa out, Schmidt off e o «pai ta on» com Arthur Quezada

Chuveirinho #88