Últimas indefectivações

sábado, 16 de julho de 2022

Vermelhão: Sinais positivos...

Benfica 3 (5) - (4) 0 Nice
(Yaremchuk, Dias, Vertonghen, Tó Silva, Pizzi)


Mais boas indicações, essencialmente na 1.ª parte, onde jogámos bem e acabámos por concretizar... O resultado ao intervalo foi ligeiramente pesado, premiando o acerto nas bolas paradas do Benfica!
Mas a pressão alta, resultou... e hoje, notou-se melhorias no momento em que a 1.ª linha de pressão foi ultrapassada, com toda a equipa a 'fechar' no meio!

Apresentado num dia, titular no dia seguinte!!! O facto do Enzo, estar a meio da época, ajudou... mas acabou por jogar com companheiros novos, num esquema que não está habituado, numa partida que apesar de pré-temporada, foi jogada numa velocidade muito superior ao que ele estava habituado na Argentina, especialmente a forma como os Franceses também pressionaram no meio-campo!

Regresso do Otamendi, que 'adora' jogar na antecipação... bem coadjuvado pelo Morato, que me parece, será titular 'descarado'!
O Tino sabia que esta era a última hipótese de se fixar no Benfica, nas férias preparou-se para isso, mas além da questão física (que às vezes nas pré-temporadas pode enganar!), parece-me estar bastante melhor, no passe: tanto na velocidade com que larga a bola, como na 'decisão'!
Rafa nas suas sete quintas! Com os Extremos a jogar 'por dentro' como 2.ºs avançados (as linhas ficam para os laterais), o Rafa só tem que estar 'feliz', pois ele nunca foi um extremo de Linha...
Neres a demonstrar que será um desequilibrador ofensivo essencial... tanto na bola corrida, como na bola parada!
A aposta do Ramos como ponta-de-lança, indica que o Algarvio vai lugar com o Henrique e com o Chuk pelo lugar, e não na posição que tem sido ocupada pelo João Mário...

No 2.º tempo, as coisas mudaram, o Bah voltou a demonstrar qualidade... mas a imagem que ficou, foi da lentidão de alguns jogadores. Algo que pode ser 'fatal' tendo em conta o esquema de jogo do nosso treinador...
Pizzi e Vertonghen (1.º jogo), com muitas dificuldades... e o Meite com as habituais paragens cerebrais (inconstância constante...!!!). O puto Silva, vai jogar na B (com a entrada do João Vítor e depois do Veríssimo), mas ultrapassou claramente o Tomás Araújo (empréstimo será a melhor opção...)-
Entre o Chiquinho e o Pizzi, prefiro claramente o Chiquinho neste momento...
Pena a lesão do Ristic, que vinha a dar boas indicações...

João Vitor, Weigl e Musa, ficaram de fora por questões físicas.
Importante tomar 'decisões' no final deste Torneio... Dispensas urgentes!

Já agora, este Nice, ficou em 5.º lugar na Liga Francesa, à frente do Lyon, e a 5 pontos do 2.º lugar! Uma equipa do 'segundo pelotão' atrás do PSG, e que vai lutar pela entrada direta para a Champions! Portanto um adversário de valor...

A novela Horta, promete durar até ao último dia do mercado! É de facto pena, porque o Horta encaixa neste esquema que nem uma luva, e neste momento no trio de médios ofensivos (Rafa, Mário e Neres) não temos opções de igual valia no banco (o Moreira ainda está 'verde'). Mas por mim, o Benfica devia procurar opções, porque ao jogar com um ponta-de-lança, é essencial os jogadores do meio-campo ofensivo marcarem golos... E ficar 'dependente' do Salvador, neste mercado de transferências, é uma politica extremamente perigosa!

3 anos sem Jonas, 3 momentos marcantes


"Jonas Despediu-se Da Luz Há Três Anos E Há Quem Ainda Suspire Pelo Antigo Avançado Brasileiro

Parece que foi ontem. Mas na verdade, fez no passado domingo três anos que Jonas Gonçalves Oliveira, também conhecido por “Pistolas”, ou simplesmente Jonas, deixou o SL Benfica e encerrou a sua carreira como futebolista.
Dirão os mais nostálgicos que as saudades pelo brasileiro continuam a fazer-se sentir e não é para menos. Foi um jogador decisivo nos vários troféus que venceu pelo clube da Luz e o tetra-campeonato foi o ponto mais alto dessas conquistas.
Jonas deixou o Valência CF e assinou pelo clube encarnado no dia 12 de Setembro de 2014. Foram muitos os que na altura duvidaram do sucesso que podia ter em Portugal, ou não fosse conhecido no Brasil como o “pior avançado do mundo”, além da sua idade já a caminhar para a reforma que no mundo do futebol começa a partir dos 30 anos.
Mas cedo se percebeu que estávamos na presença de um craque e logo no jogo de estreia marcou o seu primeiro golo com a camisola das águias. Era o início de uma bela história de amor entre o avançado brasileiro e o SL Benfica que começou a crescer ainda mais no encontro seguinte para a Taça de Portugal, ao apontar um hat-trick frente ao SC Covilhã.
O resto da história daí para a frente já toda a gente conhece com golos para todos os gostos e feitios. Ganhou rapidamente a admiração dos adeptos, que mais tarde começaram a tratá-lo como um Deus, fazendo-lhe vénias quando marcava ou era substituído.
A velocidade não era de todo o seu ponto forte mas a sua astúcia, a técnica apurada e o seu sentido de oportunidade, faziam dele um avançado temível para qualquer adversário. Jonas era aquele tipo de jogador que aparecia sempre no momento certo para finalizar e revelava sempre muita calma na hora de atirar à baliza.
Mas o brasileiro não era só bom de bola e fora dos relvados era um homem bastante alegre e com um grande coração. Carregou muitas vezes a equipa às costas e foi nas costas que usou dois números enquanto jogador do SL Benfica. Primeiro com o 17 nas duas primeiras épocas e depois com a mítica camisola 10 após a saída de Nico Gaitán.
Jonas despediu-se da Luz em lágrimas no dia 18 de maio de 2019, onde fez o seu último encontro oficial com o manto sagrado. Haveria depois uma nova despedida, esta sim de fim de carreira, num jogo amigável que lhe serviu de homenagem.
Em cinco anos fez 183 jogos e marcou 137 golos, tornando-se no segundo melhor marcador estrangeiro da história do clube. Foi por duas vezes o melhor artilheiro da Liga e ajudou a conquistar quatro Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Para trás, deixou um legado que ainda hoje está por preencher e parece não existir um sucessor à vista.
Passou por algumas fases menos boas mas foram mais os momentos positivos do que negativos e são esses que ficam na memória. Eis os três momentos que considero como os mais marcantes de Jonas com a camisola do SL Benfica.

1. Herói do Bessa deixou livre o caminho para o “Tri”
Há golos que valem campeonatos e na época 2015/2016 isso teve um significado ainda maior. Após o derby de Alvalade onde o SL Benfica passou para o primeiro lugar no campeonato com um golo também ele decisivo de Mitroglou, os encarnados estavam proibidos de perder qualquer ponto que fosse na reta final da Liga para não verem novamente o Sporting CP no topo da classificação.
No dia 20 de Março de 2016, a formação da Luz viajou até à cidade do Porto para defrontar o Boavista FC num jogo que se adivinhava e provou ser difícil. Quando toda a gente pensava que o encontro ia terminar num empate a zero, eis que aos 92 minutos, Jonas iniciou e concluiu a jogada para o único golo da partida.
De repente, o Estádio do Bessa transformou-se num vulcão encarnado em erupção e os minutos que se seguiram foram de autêntica loucura como há muito não se via. Sabia-se da importância que este jogo tinha para o desfecho do vencedor do título e só Jonas conseguiu encontrar esse caminho para a felicidade que culminou com a conquista do tricampeonato semanas mais tarde.
Este foi, muito provavelmente, o golo mais importante da carreira de Jonas ao serviço do SL Benfica.

2. O jogo do tetra e um chapéu para mais tarde recordar
O dia 13 Maio de 2017 vai ficar para sempre guardado na memória de todos os benfiquistas. Foi neste dia que o SL Benfica conseguiu, finalmente, alcançar o tão desejado tetracampeonato, uma proeza nunca antes conseguida na história dos encarnados.
As águias venceram o Vitória SC por 5-0 e Jonas foi uma vez mais um dos melhores em campo com um bis e uma assistência. Aliás, os dois últimos golos desse jogo foram da autoria do craque brasileiro que fechou com chave de ouro uma partida inesquecível.
Inesquecível foi também a forma como Jonas marcou o quarto golo da equipa, num chapéu perfeito ao guarda-redes vimaranense. Um momento de pura magia do antigo avançado que levou à loucura os 65 mil espectadores que encheram o Estádio Luz nessa tarde.

3. Golo 100
No dia 26 de Novembro de 2017, SL Benfica e Vitória FC defrontaram-se no Estádio da Luz em partida da 12ª. jornada do campeonato. Foi um jogo relativamente fácil para as águias que golearam os sadinos por 6-0, mas para a história fica o golo 100 de Jonas com a camisola encarnada.
Decorria o minuto 39 quando Pizzi bateu um pontapé de canto e meteu a bola direitinha na cabeça de Jonas para este atirar para o fundo da baliza e alcançar esse número redondo. O “Pistolas” foi mesmo considerado o melhor em campo nesse encontro, pois ainda marcou o golo 101 e fez uma assistência."

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica reitera o seu integral comprometimento e disponibilidade para uma total colaboração com a Justiça, à imagem do que sempre tem acontecido.
Em face da multa recentemente aplicada pelo Supremo Tribunal de Justiça, relativa a um atraso no envio de informação requerida pelas autoridades no âmbito do processo Lex, cumpre ao Sport Lisboa e Benfica clarificar:
1) O departamento jurídico do Sport Lisboa e Benfica foi notificado no dia 08/06/2022.
2) A resposta à referida notificação implicou uma compilação superior a 500 páginas (com consulta de muitas mais) e acesso a informação dispersa e sobre várias temáticas, com mais de 5 anos, a qual se encontrava já em arquivo.
3) A informação foi entregue, por via postal, no dia 07/07/2022.
4) No dia 08/07/2022 o Sport Lisboa e Benfica foi notificado para pagar uma coima de €306,00 e foi-lhe concedido um prazo de 5 dias para juntar a referida documentação. O que já tinha sido feito.
5) O Sport Lisboa e Benfica, no requerimento em que juntou os Documentos, colocou-se, como sempre faz, à disposição do Tribunal para esclarecer qualquer questão que fosse colocada no âmbito do processo, pelo que continuará a colaborar com a Justiça, como sempre fez.
6) O Sport Lisboa e Benfica não é arguido no processo em causa."

A paixão do desporto passa nos genes


"Um avô gigante, uma mãe exemplar e uma neta cheia de potencial são o rosto do râguebi do Benfica

É natural ver os filhos seguirem as pegadas dos pais, pois são o seu modelo enquanto indivíduo. No desporto, a probabilidade acresce, acabando por ser uma forma do filho se manter mais próximo do pai e um motivo de alegria para este.
Na família benfiquista, muitos foram os filhos que seguiram os pais. Mas há casos excepcionais em que a paixão passa pelo pai, pelo filho e chega à terceira geração, como se de um gene se tratasse, como é o caso de uma família benfiquista que tem o râguebi nas veias.
Tudo começou com Carlos Nobre, nome que se liga diretamente ao Benfica pelos anos que serviu enquanto jogador, treinador e presidente da secção. Em campo colocava a sua experiência, visão e capacidade de decisão. Em mais de 50 anos de dedicação, conquistou dezenas de títulos como jogador e treinador das equipas masculinas e femininas.
A sua filha, Sofia Nobre, seguiu as pegadas do pai e foi a principal impulsionadora da formação do râguebi feminino em Portugal, nos anos 80. Em 2001, esteve na frente do arranque oficial das competições femininas, na equipa que já representava, o CD Pescadores da Costa da Caparica. Em 2004/05, esta equipa passou a integrar o Benfica que, assim, deu início à secção feminina de râguebi. Com mais de 50 anos, Sofia Nobre é uma das atletas mais velhas no activo, em campo, em Portugal, e pelo Benfica conta com uma trintena de títulos em múltiplas variantes de râguebi.
A filha de Sofia, Matilde, neta de Carlos Nobre, nasceu já no século XXI e conta com o râguebi nos genes paternos também, pois Francisco Goes foi múltiplas vezes campeão na viragem do século pelo GD Direito. Ainda na barriga da mãe, terá 'treinado' até aos 6 meses de gestação. Aos 7 anos, tomou a decisão de praticar o desporto da família depois de ir com os pais a Inglaterra assistir ao Mundial de râguebi feminino.
Apesar da preocupação dos pais, Matilde Goes demonstrou ser uma criança com grandes aptidões e, depois de fazer a formação no antigo clube do pai, ingressou no Benfica nos sub-14. Ainda com 13 anos alinhou pela equipa sénior, com a qual conquistou o seu primeiro de cinco títulos: o Campeonato Nacional de Sevens.
Actualmente joga com a mãe na equipa feminina de râguebi encarnada, desejando 'manter a ligação umbilical que tem' com a modalidade que lhe está na família e no coração, muito antes de ter nascido.
Conheça estas e outras figuras que fazem parte da história do râguebi benfiquista na área 3 - Orgulho Eclético, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

sexta-feira, 15 de julho de 2022

2011 / 2022...

 

De Águia ao Peito, in Facebook

Enzo


Mais uma novela de Verão terminada, com a apresentação oficial de Enzo Fernández, como reforço do SL Benfica.
Mais um nome, que à partida, parecia impossível, mas que neste momento é jogador do Benfica. Nas últimas épocas, o Benfica aparentemente esteve interessado em jogadores do River Plate, mas houve sempre algum obstáculo que não permitia o negócio! Desta vez, apesar de todas as incertezas, tudo se resolveu...


Pessoalmente, acho que fizemos uma grande contratação. Um verdadeiro 'oito', um box-to-box, que defende, mas que também sabe atacar, e até marca golos com alguma regularidade, normalmente com remates de longa distância! Mas que também sabe, pautar jogo, com passes curtos e longos... e quando é preciso, também sabe driblar! Provavelmente, no futuro próximo titular da seleção argentina, no miolo!

Com o sistema de duplo-pivot que o novo treinador gosta, será essencial no sucesso da época. Vindo com ritmo de jogo, poderá ser fundamental nesta fase inicial, incluindo as qualificações da Champions!

St. George Park!!!

💬 Roger Schmidt [Münstersche Zeitung]:


"«Não sei se é o meu clube de sonho, é difícil dizer isso, mas é, sem dúvida, um clube especial. Senti-o desde o início, quando estabelecemos contacto. Estou em Lisboa há 2 semanas e consigo sentir a paixão e o amor que há pelo Benfica»."

Bom início do nosso treinador!

Treino!!!


"Disfarçar para quê? Já todos sabem que o Portimonense é o FC Porto B e que são 6 pontos garantidos antes do campeonato começar. Esta é só mais uma prova do que temos vindo a dizer ao longo dos anos e que se comprova todas as épocas. Por alguma coisa o Portimonense não vence ao FC Porto há 32 (!) anos.
A cereja no topo do bolo é o jogo-treino à porta fechada para treinar os lances estudados do FC Porto. Sim, lances estudados que ninguém pode saber, menos o Portimonense.
O futebol português é um lodo.

P.S.: Conceição utilizou dois onzes, ou seja, muitos jogadores devem ter ficado baralhados se jogavam pelo FC Porto ou pelo Portimonense, já que ambos os onzes pertencem na realidade à mesma equipa e só muda o nome."

A integridade do Desporto


"Sempre que usamos da palavra no espaço público gostaríamos de nos podermos circunscrever ao lado virtuoso do Desporto.
De falar apenas da excelência dos resultados, da qualidade dos atletas, da estética dos corpos em competição, das emoções vividas, da expressão cultural e formativa de uma atividade que Pierre de Coubertin queria que fosse de musculação moral ao serviço do desenvolvimento humano.
Só que para poder continuar a falar destes valores do desporto e da sua dimensão cultural e social, teremos de fazer como pedia Saramago: olhar; se possível ver e depois reparar.
E ao reparar reconhecemos um outro lado do Desporto: aquele que é invadido por episódios de manipulação de resultados, de apostas ilegais, de uso e tráfico de drogas, de infiltração criminosa, de corrupção, de tráfico de menores, de fraude fiscal, de branqueamento de capitais ou tráfico de influências que o usam para fazer florescer proveitos de origem criminosa.
A globalização do fenómeno desportivo, a sua mercantilização acelerada por um crescente volume financeiro e interesses de cariz económico e político, uma cultura de autorregulação que resiste ao controlo dos poderes públicos, tem exposto vulnerabilidades preocupantes da indústria do Desporto à permeabilidade das ameaças crescentes que corroem os seus pilares fundamentais.
A integridade, não tenhamos dúvidas, há muito está posta em causa e a sua violação é hoje uma das maiores, mais sérias e complexas ameaças que o Desporto enfrenta. Maiores pelos volumes financeiros que comporta. Mais sérias pela dimensão da rede de criminalidade organizada transnacional que opera com baixo risco e elevados lucros. Complexas pela sua dimensão global e sofisticação tecnológica.
A prevenção da criminalidade associada ao Desporto não pode ser algo que dependa do impulso de uma ou outra entidade, ou do proclamar de princípios éticos sem uma clara componente prática e, portanto, vazios de sentido.
Os agentes e organizações desportivas devem saber reconhecer, resistir e reportar estas ameaças às autoridades judiciais. Mas as organizações desportivas devem dar exemplo de boas práticas, adotando padrões de governação onde prevaleçam o bom uso dos recursos, a transparência e a integridade.
O Desporto nasceu fora da órbita do Estado. E essa circunstância tornou as organizações desportivas avessas ao controlo público. À tentação de criarem um "estado" dentro do Estado. De fazer coabitar dois direitos. Esse tempo passou. Não é mais possível voltar para trás.
As opiniões públicas não compreenderiam que, estando em causa relevantes interesses públicos, o Estado não regulasse, não supervisionasse e se necessário não punisse.
Esta é uma batalha sem tréguas para a qual todos estamos convocados e temos a perfeita noção que uma ameaça global desta índole requer o compromisso intransigente e empenhado de organizações que partilhem a mesma visão reformista e preocupação face à dimensão dos problemas que atravessamos.
Que cruzem as competências das organizações desportivas, com as dos governos, entidades intergovernamentais, órgãos de investigação e polícia criminal, reguladores e operadores de apostas, garantindo a reputação e credibilidade de patrocinadores, operadores televisivos e demais entidades cujos investimentos e marcas serão postos em causa se manchados por eventuais escândalos.
Se não soubermos preservar o Desporto, se formos incapazes de cuidar dos seus valores e princípios fundamentais, se não salvaguardarmos a sua integridade, se o não colocarmos ao serviço do desenvolvimento social e humano, todo o seu valor formativo se perde.
Porque se chegarmos aí o Desporto vira-se contra si próprio. Subverte a sua missão essencial, descredibiliza-se irremediavelmente perante a sociedade e compromete a reputação dos agentes e das organizações que desempenham aquilo que deverá ser um relevante serviço de interesse público."

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Bigodes: Enzo...

BI: João - Reading FC

'Maurice et Hippolyte'


"Maurice Garin, o primeiro vencedor do Tour, esperava ter como rival Hippolyte Aucouturier, mas este gostava demais de tinto

Aos 85 anos, Maurice estava muito confuso. Conta o seu médico particular que acordava sobressaltado e perguntava: «Onde é o controlo? Onde fica o controlo?». Era como se ainda continuasse sentado no selim da sua bicicleta a percorrer quilómetros e quilómetros pelas estradas de França. Muitas vezes saía de casa, sem ninguém dar por ele, e dirigia-se à esquadra da polícia de Lens, onde vivia. Chegando lá, perguntava ao agente de serviço: «O controlo é aqui?». Depois, com todo o carinho, havia alguém que o devolvia à procedência. Ficava sentado, a olhar pela janela, o olhar perdido no horizonte, ele que fora um vencedor de horizontes.
Maurice Garin foi vítima de uma daquelas ironias muito comuns na natureza: nasceu num lugar sem horizontes, o Vale de Aosta. Quando era menino, em seu redor só existiam os picos brancos dos Alpes. Arvier não é um lugar propriamente fácil para se nascer, ainda por cima no ano de 1871. A menos que se goste muito de vinho e se opte por ficar lá até à idade não para o beber, porque sopas de cavalo cansado a gente do campo enfiava pelas goelas dos seus petizes sem cerimónias, mas pelo menos até conseguir apreciá-lo condignamente. Afinal, pelas redondezas abundam as plantações de castas como Dolcetto, Gamay, Neyret ou Pinot Noir. Começou a trabalhar muito cedo. Era de uma família que não tinha para gastos. Foi limpa-chaminés em Reims, aí pelos seus 15 anos, para onde a mãe, Teresa Ozello, uma italiana, se escapara entretanto, para tentar uma vida um pouco mais longe das montanhas e sobretudo da morte já que deixara para trás o cadáver do marido, Maurice-Clément, e do filho mais velho, Joseph-Isidore. Maurice tinha muito para doer. E doeu-lhe até morrer.
Os dois irmãos mais velhos sobrevivos de Maurice, César e Ambroise, gostavam de bicicletas. Instalaram-se em Roubaix e abriram uma loja. Farto de passar os dias sujo de fuligem, Maurice seguiu-os até Roubaix. Não tardariam a ser, os três, ciclistas profissionais.
A primeira bicicleta de competição de Maurice pesava a ninharia de 16kg mais os seus pneus de borracha e respetivas câmaras de ar. Ainda como amador, pegou nela e pôs-se a caminho de Avesnes-sur-Helpes, a cerca de 25km de sua casa, para participar numa prova para o qual o tinham desafiado. Enfim, uma chatice. Chegou lá e os regulamentos só permitiam que corressem profissionais. Manhoso, ficou quedo. Deixou partir toda a gente e, pela calada, foi atrás, na perseguição das vedetas. Tal e qual acontece nos filmes, passou-os a todos e terminou em primeiro. A populaça que se juntou na linha de chegada ficou fascinada com o atrevimento do moço e levou-o em ombros. Já os organizadores não estiveram para palhaçadas e recusaram-se terminantemente a pagar-lhe o prémio de vitória de 150 francos. Maurice encolheu os ombros: tinha muito para ganhar daí para diante. O público, esse, não suportou a injustiça: fez uma vaquinha e angariou cerca de 300 francos. Campeão é campeão e merece ser tratado como tal.
No dia 1 de julho de 1903, à saída da primeira etapa da primeira edição da Volta à França, Maurice Garin estava no grupo dos favoritos. E ganhou! Não era mais nenhum saloio dos montes como lhe chamavam ao princípio. Ganhou logo no primeiro controlo, em Lyon, 467km depois da partida em Montgeron, nos arredores de Paris, mesmo em frente do albergue Reveil Matin, e ganhou no fim. Na altura, o intendente da capital francesa, o inefável Louis Lépine, um tipo francamente organizado e pouco dado a rodas pedaleiras, não permitia que os ciclistas rodassem nas ruas da sua cidade. O prémio de vitória por etapa variava entre 50 e 1500 francos. Os 14 primeiros a cortarem a reta da meta ganhavam desde 3000 para o primeiro até 25 para o último. Os restantes recebiam cinco francos por cada dia de corrida. 21 chegaram ao fim das seis etapas. 38 desistiram pelo caminho.
Toda a gente estava convencida de que o maior adversário de Maurice iria ser Hippolyte Aucouturier, um fulano que concitava a simpatia geral. Chamavam-lhe Le Terrible. Era um pândego. E um bocado fanfarrão. Queria era farra e viva lá o seu compadre. Não se coibiu de, nos dias que antecederam o início da prova, andar de festarola em festarola, escorropichando os seus copázios de tinto. Já Maurice, que era da terra do tinto mas preferia a cerveja, preparou-se com rigor. Por muito que tivesse lucrado 150 euros acima do prémio em Avesnes-sur-Helpes continuava com a lição entalada na garganta. Por falar em garganta, Hippolyte desistiu logo ao fim de 320km. Alguém lhe perguntou: «Que se passa?» E ele, a custo: «Estou bem. Da cabeça e das pernas. mas o estômago, meu Deus!». Pudera!"

terça-feira, 12 de julho de 2022

Análise ao novo plantel do Benfica


"Arrancou a época 2022/23. Depois de (mais) um ano de insucesso, o Benfica parte para uma nova temporada querendo acreditar que será o ano do regresso aos títulos, depois de três anos a seco. Uma barbaridade de tempo, quando falamos do clube mais popular e mais rico do país. Bom, mas entusiasmo não falta e apoio também não, como se viu nos 23.000 Benfiquistas que foram ao Estádio da Luz a semana passada para assistir a um simples treino. Consequência de um novo treinador e uma nova esperança na família benfiquista (e revelador da fome de títulos e das saudades de um Glorioso forte e pujante).
Já passaram entretanto as semanas de futebol parado, em que as capas de jornais se dividem entre entrevistas sobre o passado e furos sobre as futuras centenas de reforços de cada clube (do qual depois se confirmam 5 ou 6) e já temos de novo a bola a rolar. Com esforço, pois os índices físicos levam sempre um reset e há ainda muito por esclarecer no plantel Benfiquista. Ao ponto de terem ido 38 (!) jogadores para o estágio em Inglaterra. Com uma pitada de humor, se poderá dizer que é em homenagem à celebração que se pretende do 38º campeonato do clube em 22/23, mas com um análise mais séria torna-se uma decisão difícil de entender, quando o próprio Schmidt anunciou ao chegar que é impossível trabalhar com 40 jogadores e se pensarmos que o primeiro jogo oficial é já daqui a 3 semanas (e que jogo! Sabemos o quanto é primordial financeiramente para qualquer equipa jogar a Liga dos Campeões).
Mesmo sabendo que as peças poderão mudar nos próximos tempos, já existe, contudo, um esboço do novo plantel e será interessante fazer um exercício de análise por posição:
Guarda-redes: Aparentemente Vlachodimos continuará a ser o dono da baliza. É um guarda-redes com as qualidades e defeitos já conhecidos: fortíssimo entre os postes, mas com fragilidades nas saídas e bolas altas. Tendo em conta que se diz que Schmidt gosta de jogar com a defesa avançada no terreno, talvez exista aqui um problema. Hélton Leite é um competente nº 2 e a posição será fechada com os jovens redes da equipa B.
Laterais: Na esquerda sobra a dúvida se Grimaldo fica ou sai. Estando no último ano de contrato, não será de estranhar que o Benfica esteja disposto a ouvir propostas. Caso fique, lutará pela posição com o novo reforço Ristic. Se sair, será necessário ir ao mercado. Na direita a posição parece bem entregue a Bah (de quem se espera que assuma a titularidade) e ao esforçado Gilberto. André Almeida, um jogador já com óbvias limitações físicas (para além das técnicas que sempre teve) parece ser carta fora do baralho.
Centrais: Aqui há muito por onde escolher! Os centrais titulares no ano passado foram Vertonghen e Otamendi, jogadores com idade e estatuto. Aceitarão o banco de bom grado? É possível que não. Mas também não parecem ser os jogadores indicados para uma defesa subida (principalmente o belga). É a pensar nisso que Schmidt terá indicado a contratação do veloz João Victor e é bom recordar que Lucas Veríssimo também voltará da longa lesão (e a acreditar nas redes sociais da sua esposa isso está para breve). Há ainda Morato e o promissor Tomás Araújo. Muitas e boas opções, pelo que não espanta que haja aqui alguma saída.
Extremos: David Neres e Rafa parecem ser os titulares óbvios para as laterais do meio-campo. O problema está nas alternativas. Chiquinho, Gil Dias e Diogo Gonçalves serão sempre opções duvidosas de recurso e Pizzi, tal como André Almeida, parece ter esgotado o seu ciclo no clube. Ou o clube contrata mais alguém, ou se aposta nos jovens da equipa B ou parece-me haver aqui uma décalage muito grande entre os titulares e os suplentes. É uma pena Jota ter sido vendido (e por um valor tão baixo).
Médios centro: A sensação que dá é que desde Fejsa tem faltado ao Benfica um n° 6 varredor, o vulgo trinco. Poderá ser Florentino esse jogador? Tem essas características, mas falta perceber se explode ou será uma eterna promessa. Depois há Weigl (fica?), Taraabt (fica?), João Mário e Enzo Fernandez. Meité e Gabriel devem ser dispensados, Paulo Bernardo talvez emprestado. Não é seguro que o Benfica já esteja totalmente bem servido nestas posições...
Avançados: É possível que Schmidt jogue com um avançado mais recuado (ou até mesmo um 10 à antiga) e um mais fixo. Fala-se em João Mário a poder fazer de 10, mas é provável que o Benfica ainda vá ao mercado (falou-se em Reinier, mas pelos vistos caiu). Quanto a pontas-de-lança há várias opções (demasiadas talvez, é possível que alguém saia. E esse alguém seja suíço): Yaremchuck, Seferovic, Musa, Gonçalo Ramos e Henrique Araújo (Pinho não deverá ter grande espaço). Mas será que algum deles explodirá esta época e fará esquecer Darwin? O tempo o dirá. Acredito que o Benfica esteja a apostar no crescimento de Ramos (se não o vender entretanto) e Araújo, mas mais uma vez estamos a falar de esperanças e expetativas e não de certezas.
Em relação ao ano passado, este é um Benfica que perde o seu melhor jogador, o Darwin, mas que já ganhou aparentemente três titulares valiosos: Bah, Enzo e Neres. É possível que cheguem ainda mais dois ou três reforços, dos quais Ricardo Horta, mas talvez Rui Costa vá aguardar pelo desfecho do objectivo Champions antes de direcionar mais investimento para a equipa principal.
Estão reunidos os argumentos e condimentos para um Benfica campeão em 2022/23? Não sei. O clube passou por um planalto entre 2013 e 2019 em que só por azar (2013) e desinvestimento (2018) não foi naturalmente campeão, mas essa fase já passou. Já não existe a estabilidade nem a qualidade que existia no plantel e quase que se está a começar do zero. E nem sempre há equipas campeãs quando começam do zero. Os projetos vencedores na maioria das vezes são os projetos de continuidade. Mas uma coisa terá que acontecer (até porque é difícil fazer pior do que tem sido feito): o Benfica tem que voltar a lutar pelo título até às últimas jornadas. Tem que voltar a ganhar troféus, nem que seja nas taças. Tem todas as condições para isso e olhando para os plantéis de Porto e Sporting, não há desculpas para que assim não aconteça.
Por isso...é tempo de trabalho, é tempo de competência, é tempo de agressividade comunicacional, é tempo de união, é tempo de Benfica!"

Fura Redes: Concorrência desleal...