Últimas indefectivações

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

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A justiça desportiva e os seus critérios


"Quando as claques extravasam para além daquilo que seria normal, as tesourarias dos clubes que apoiam é que sofrem as consequências.

Para além de poderem e deverem ser debatidos os critérios utilizados pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, muitas vezes dissonantes e, por isso, objecto de discussão e de controvérsia há, dentro da mesma questão, aspectos que merecem uma mais profunda reflexão.
Por estes dias o Conselho de Disciplina derramou sobre alguns clubes e jogadores um rol de castigos a punir gestos e palavras que foram registados nos relatórios de árbitros e observadores após alguns jogos que ficaram esmaltados por incidentes vários, na linha daquilo que se pode considerar (infelizmente) normal no futebol português.
Quando acima escrevíamos sobre critérios não estávamos a olhar para a actuação de alguns dos nossos árbitros, mas sim, naturalmente, a pensar em decisões diferentes para casos muito semelhantes. E esse será, sem dúvida, o primeiro pecadilho do Conselho de Disciplina. Dá que pensar, e dá também lugar a reclamações de quantos se sentem mais lesados.
Outro aspecto da questão tem a ver com os regulamentos pelos quais as autoridades federativas se regem, e que são, nalguns casos, verdadeiras bizarrias.
Só que a responsabilidade pela criação desses regulamentos deve-se exclusivamente aos clubes que, quando atingidos pelos mesmos, protestam em tons completamente desabridos.
Daí ser exigível um maior grau de responsabilidade àqueles que enviam às assembleias gerais onde os esses documentos são aprovados figuras de segunda e terceira escolhas, quando esse protagonismo deveria ser assumido pela principais figuras dos clubes.
Também o comportamento dos adeptos de muitos clubes têm enormes culpas no cartório, sendo de repudiar as atitudes assumidas em determinados desafios e tidas como falsamente destinadas a apoiar as equipas da sua simpatia.
Porque quando as claques extravasam para além daquilo que seria normal, as tesourarias dos clubes que apoiam é que sofrem as consequências.
É tempo de o futebol português sair do buraco em que se meteu há muitos anos."

A Questão dos Árbitros do Futebol Profissional



"Têm que ser feitas várias considerações acerca do perfil requerido a um árbitro do futebol profissional, ou seja, do espetáculo desportivo profissional, que nada tem que ver com desporto amador.

O que é um árbitro do futebol profissional e o que se pretende que ele faça? O corpo humano pensa em movimentos e não em músculos, assim para realizar a deslocação de um segmento corporal, temos que exercer uma força motriz, que para ter êxito total necessidade de 4 acções: agónica, antagónica, fixação e direcção. Sem uma intenção deliberada, não é possível realizar um movimento concreto, com êxito, por que ele exige vontade, determinação, concentração, e treino de forma a ficar automatizado. É pois possível distinguir um gesto voluntário de outro ocasional, sem qualquer prévia intenção, até pela sua imperfeita execução. Um movimento de segmentos corporais torna-se mais difícil quanto maior é a sua velocidade de execução, excepto quando utiliza músculos abdominais com movimentos lentos. Também se torna mais difícil apreciar um movimento rápido do que um lento, já que a velocidade requerida para a sua observação varia conforme os órgãos dos sentidos utilizados. Assim a vista é muito mais rápida do que a audição e esta do que a corrida pedestre. Mas se a partida para uma corrida pedestre for dada ao nível da pele, “táctil gnósica”, por uma descarga elétrica, por exemplo, realiza-se em um centésimo de segundo. Um árbitro de futebol é um juiz, que tem que decidir com rectidão e imparcialidade e com conhecimentos académicos de algum relevo, numa fracção de segundo, se o que foi executado, foi de acordo com as regras em vigor.
Aqui, nesta questão, têm que ser feitas várias considerações acerca do perfil requerido a um árbitro do futebol profissional, ou seja, do espetáculo desportivo profissional, que nada tem que ver com desporto amador. O futebol espectáculo profissional é caracterizado por um clima de baixo nível social e educativo, de uma maneira geral, já que os seus agentes provêm de um meio muito pobre, de baixa literacia, e, por vezes, em ambientes em que a formação moral não é consistente ou nem sequer é valorizada como factor decisivo do carácter. Por outro lado, o ambiente de alguns clubes de futebol profissional, segundo o Ministério Público, é por vezes conotado com actividades ilegais, até com actos criminosos, onde já foi encontrado tráfego de droga. Pensamos que é possível dignificar a arbitragem do futebol profissional com licenciados em Motricidade Humana, pela dita Faculdade Estatal, já que os seus licenciados têm uma preparação muito alargada, em várias áreas do saber, e especificamente até em Futebol, o que lhes permite ser treinadores de futebol, entre outras coisas e com uma vantagem material em relação ao que podem auferir a leccionar numa escola do Ministério da Educação, integrados num quadro próprio do Ministério da Educação, já que este tutela o futebol profissional, e com sanções disciplinares, como a sua exclusão do tal quadro efectivo de árbitros. Tudo isto seria fácil, até por que estes elementos já têm um vínculo ao Ministério da Educação. Mas será que alguém está interessado, no Ministério da Educação, em melhorar o ambiente da arbitragem do futebol profissional, apesar das inúmeras queixas semanais??? Sinceramente pensamos que não, visto que com o actual ambiente há muitas pessoas a lucrar, que de outra forma teriam muito a perder."

No plaino abandonado...


"A fotografia correu a Itália - enquanto todos os jogadores erguiam a mão na saudação fascista, Bruno Neri manteve os braços em baixo

Gostava de poesia. Como vice-comandante do Battaglione Ravenna, com o nome de guerra Berni, em julho de 1944 estava de arma na mão junto à famosa Linea Gótica, a Gotenstellung, uma operação defensiva montada pelos exércitos de Hitler que ligava o Tirreno ao Adriático, desde a província de Massa-Carrara até às províncias de Pesaro e Urbino, erguida para deter o avanço inexorável dos Aliados, linha que tirava proveito do terreno inóspito dos Apeninos ao longo de mais de 300 quilómetros.
Tinha 33 anos. Que jovem era... «(Agora que idade tem?)/Filho único, a mãe lhe dera/Um mome e o mantivera/‘O menino da sua mãe’». Tinha nascido em Faenza, zona de Ravenna na Emiglia-Romana no dia 12 de outubro de 1910. Desde miúdo que gostava de poesia, que procurava nos cafés os escritores da terra e devorava as palavras que lhe ensinavam, deixando-se fascinar pelo ritmo das odes e das baladas.
Podia ter escrito livros, levava jeito para isso. Mas houve aquele apelo da bola, a mágica senhora das paixões. Apelo que encanta como sopros de sereia aos quem nem Ulisses conseguiu resistir se não amarrado ao mastro principal do seu navio. Terzino: é assim que chamam em Itália ao jogador mais defensivo do meio campo. Inteligente, arguto, dizia para si próprio e para os que com ele dividiam o campo: «Antes de receber o passe já é preciso saber o que fazer com a bola». Aos 18 anos, a Fiorentina ofereceu dez mil liras por ele. Foi.
Na Itália fascista de então, desconfiavam de Neri. Os que o espiavam e faziam relatórios sobre os seus comportamentos demasiado estranhos para um jogador de futebol, sabiam que era possível encontrá-lo diariamente no Caffè Giube Rosse, um centro da intelectualidade fiorentina da época. A polícia secreta de Mussolini tinha dificuldade em perceber porque é que Neri era tão bem aceite por aquela gente das letras e das filosofias infinitas. Era um contestatário. Espalhava fogueiras pelas mesas, alimentadas pela gasolina das emoções. Levantava a voz e criticava Il Duce. Era pouco mais do que um adolescente mas sabia o valor da liberdade.
No dia 10 de setembro de 1931, Luigi Ridolfi Vay de Verrazzano, um fidalgo fiorentino que fundara o clube e o levara até à IDivisão, estava feliz. Cumprira o sonho de construir, a custas próprias, um estádio digno de uma grande equipa. Tinha lugar para mais de 45 mil espetadores e uma arquibancada coberta por um dossel. Convidou os austríacos do Admira Viena para a festa de inauguração.
E deu-lhe um nome: Giovanni Berta. Nome maldito. Giovanni Francesco Berta, a quem chamavam de Gianni, era filho de um pequeno metalúrgico que combatera na I Grande Guerra e se tornara uma figura do Fasci Italiani di Combattimento. A 21 de fevereiro de 1921, no dia que se seguiu ao ataque anarquista ao Palazzo Antinori, Berta pedalava tranquilamente sobre uma das pontes que liga as duas margens do Arno quando foi atacado por um grupo de jovens comunistas que o mataram a facadas e lançaram o corpo ao rio. Talvez se ouvisse ao longe a área de Gianni Schicchi, de Puccini, Mio Babino Caro:
«Sì, sì, ci voglio andare
E se l’amassi indarno
Andrei sul Ponte Vecchio
Ma per buttarmi in Arno
Mi struggo e mi tormento
O Dio, vorrei morir...».
A Fiorentina teria, assim, um estádio com o nome do Mártir da Revolução Fascista, como Berta passou a ser conhecido. Mas se era de uma manifestação de paixão fascista que todos estavam à espera nessa tarde de 10 de setembro, Bruno Neri não estava definitivamente para aí virado. Alinhados no meio do terreno, ladeando a equipa de arbitragem, todos os jogadores ergueram o braço direito com a mão estendida naquilo que simpaticamente se apelida de saudação romana mas que era, na verdade desse tempo, a saudação fascista também adotada pelos nazis na Alemanha. Todos, todos, não!
Bruno Neri manteve, corajosamente, os braços ao longo do corpo. A sua pequena figura ganhou, nesse momento preciso, uma dimensão tremenda. Era ele contra milhares, era ele contra Mussolini, era ele e a sua consciência. A seu lado estavam, pelo menos em pensamento, os camaradas do Caffè Giube Rosse, o poeta Eugenio Montale e o escritor Carlo Bo. A fotografia correu a Itália.
Quando se tornou membro da ORI, Organização Italiana da Resistência, por influência do primo Virgilio Neri, Bruno ainda calçava as chuteiras no Torino e, depois, de regresso ao Faenza, aos domingos, mas partia para as montanhas de espingarda aperreada pela escuridão da noite em movimentos subversivos, coligindo informações sobre as posições dos exércitos de Mussolini e realizando ações relâmpago de sabotagem. O dia 10 de julho de 1944 calhou a uma segunda-feira.
Na véspera, o seu Faenza perdera com o Bolonha. Neri furava por entre os pinheiros no Monte Lavane em busca de um trilho de aproximação às forças nazi-fascistas aí colocadas. Junto ao Eremitério de Gamogna foram abatidos de surpresa por um batalhão alemão. Na manhã seguinte era apenas um cadáver trespassado no plaino abandonado que a morna brisa aquecia."

Líderes...

Benfica 1 - 0 Braga
Vitória


Vitória complicada, em jogo competitivo, com mais uma arbitragem surreal:expulsão perdoada ao Braga, aos 40 segundos da 1.ª parte; penalty absurdo marcado contra o Benfica, valeu a defesa da Leté...!!!

O Benfica neste tipo de jogos 'internos', normalmente, deixa-se entusiasmar, e acabámos por ser surpreendidos em transições rápidas! Hoje, terá sido, uma das partidas, mais 'equilibradas' na forma como jogámos: fomos superiores, atacámos mais, tivemos mais bola; mas nunca deixámos a equipa adversária atacar as nossas 'costas'!!!

O golo só apareceu de penalty, 'castigando' o nosso desperdício! A ausência da Nycole faz-se sentir, não temos nenhuma jogadora para a posição (que a treinadora tenha confiança...!!!), o que faz, com que o causal ofensivo do Benfica, não seja traduzido em golos... O que torna tudo mais complicado!!!

Mais uma derrota...

Benfica 64 - 72 Sporting
22-11, 8-24, 18-13, 16-24

Mesmo com todos os erros e 'brancas' durante o jogo, chegámos aos 2 últimos minutos do jogo, a discutir o resultado, mas depois uma sucessão absurda de erros, inadmissíveis, resultou em mais uma derrota!!!
E se alguns números estatísticos são ridículos, o que dizer quando uma equipa ganha a luta de ressaltos, com um 47/35 e mesmo assim perde o jogo?!

O início de época, até prometeu... o recente surto de Covid, e algumas lesões não ajudaram, mas estamos a jogar muito mal os jogos mais competitivos!

A qualificação Europeia será um milagre!

BI: Será que vale a pena?

Dia de desafios


"A semana vai a meio, mas hoje é dia de desafios importantes para o nosso Benfica.
Daqui a pouco, às 14h00 no Benfica Campus, com entrada gratuita para sócios, tem início o Benfica–SC Braga em futebol feminino, uma partida entre dois candidatos ao título, os finalistas da Taça de Portugal na temporada passada.
A treinadora Filipa Patão reconhece a importância do desafio, mas relembra que o objetivo e o que está em causa não difere dos restantes jogos: "É um jogo como todos os outros desta fase final, é para ganhar, atendendo às nossas aspirações de renovar o título de campeãs nacionais. Tem uma carga emocional diferente porque é frente a uma equipa que tem as mesmas aspirações que nós. Vale o mesmo que os outros jogos, três pontos."
A importância de se ter os benfiquistas junto da equipa para ajudá-la a vencer foi realçada por Filipa Patão: "A equipa merece o apoio dos adeptos e dos Sócios. Peço aos Sócios para dizerem presente", um pedido corroborado por Andreia Faria: "Apelamos a todos os adeptos que nos venham apoiar ao Benfica Campus. É muito importante para nós. Vamos encarar o jogo para conquistar os três pontos."
Também agendado para o Benfica Campus, mas às 19h00, está o confronto com o Vitória de Setúbal nos Sub-19.
E duas horas depois, no Pavilhão Fidelidade, na Luz, há compromisso europeu da nossa equipa de basquetebol. O adversário é o Sporting, na 3.ª jornada da 2.ª fase de grupos da FIBA Europe Cup.
Além do valor do adversário, acresce, devido à COVID-19, a paragem forçada do grupo de trabalho durante oito dias. Factos que dificultam, mas que não desmoralizam, mantendo intacto o objetivo de vencer.
Para o treinador Norberto Alves, "se há jogo em que precisamos de força e energia vinda das bancadas é este jogo", referindo-se à circunstância da equipa ter sido obrigada a interromper os treinos durante uma semana. Ainda assim, "a mentalidade é preparar estes jogos para vencer, independentemente das circunstâncias, que são as que a nossa sociedade vive. Apesar da incapacidade de prever as coisas, temos de ter capacidade de nos adaptar", acrescentou.
Relembramos que também este jogo é de entrada livre para os associados benfiquistas.
O apoio às nossas equipas aproxima-nos das vitórias. Vamos, Benfica!"

Benfica Podcast #433 - Flip the record, play the same song

O Cantinho Benfiquista #86 - A Never Ending Hole of Frustration

Falar Benfica #46

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Modalidades #69 - Semanada...

3 pérolas baratas para o ataque encarnado | SL Benfica


"Qual destas três pérolas gostarias de ver na Luz? Depois dos últimos resultados do SL Benfica e da falta gritante de golos, comparada com o número de oportunidades criadas, só um pensamento vem à mente dos adeptos do clube encarnado: precisa-se de um ponta de lança “a sério”.
É certo que o SL Benfica é a equipa com mais golos marcados no campeonato, mas também é certo que o atual terceiro classificado precisou de 81 chances claras de golo para marcar 50, enquanto os azuis e brancos tiveram 70 chances claras e efetivaram 48 delas.
Nelson Veríssimo admitiu a falta de eficácia depois do empate a uma bola frente ao Moreirense, e que deixou as águias a nove pontos do FC Porto e a seis do Sporting CP. 16 remates foram disparados pelo SL Benfica, e apenas um entrou.
Já contra o FC Paços de Ferreira, o clube encarnado tinha feito 22 remates, e acabou por ganhar apenas por 2-0. Ou seja, em apenas dois jogos as águias fizeram 38 remates, marcando três golos. É muito mau.
O facto do SL Benfica ter algumas goleadas esta época mostra que quando a eficácia está no ponto, as coisas acontecem. Contudo, a atual posição do clube na liga e o afastamento da Taça de Portugal mostra que, na maioria dos casos, não é isso que se vê.
Assim, numa tentativa de solucionar este problema, destaco três avançados da Primeira Liga que encaixariam que nem uma luva na equipa de Nelson Veríssimo.

1. Mario González
O avançado do SC Braga, que na época passada apontou 15 golos pelo CD Tondela, seria uma boa opção para jogar na frente de ataque em parceria com Darwin Núñez ou Yaremchuk.
Dono de uma facilidade incrível em marcar golos, foi umas das revelações da época passada e encaixaria que nem uma luva na tática de Veríssimo, pelo que seria uma opção menos dispendiosa para ajudar o SL Benfica a resolver um dos seus maiores problemas, a eficácia.

2. Fran Navarro
Outro avançado do Gil Vicente em destaque. O atual número nove da equipa de Barcelos, proveniente do Valência, já conta com 11 golos na liga, apenas atrás dos monstros Luis Díaz e Darwin.
Apelidado de “Toro” pelos colegas, pela forma destemida com que enfrenta todas as jogadas, Navarro é dono de uma técnica de remate acima da média e promete ser revelação nesta liga controlada pelos três grandes. Seria uma excelente contratação por parte do clube da Luz.

3. Samuel Lino
O jovem avançado do Gil Vicente fez uma época de estreia muito boa, em que marcou 11 golos, e esta época já vai com mais seis no campeonato. Bom tecnicamente, tem a mais valia de poder fazer todas as posições no ataque e, aliado à sua velocidade, tem um bom remate. Seria uma boa adição ao futebol do SL Benfica."

Os 4 nomes a sair para limpar o balneário | SL Benfica


"Concordas com a saída destes 4 nomes da Luz?

O mercado de transferências está quase a fechar e o SL Benfica tem estado relativamente parado no que toca a saídas e entradas do plantel.
Após a saída de Jorge Jesus era expectável que existissem mudanças não só no onze, mas também nos jogadores que compõem atualmente o plantel encarnado.
Muito se tem falado de jogadores que têm voz demasiado ativa dentro do balneário e que acabam por ter impacto direto no trabalho de quem que seja o treinador. No artigo de hoje, apontarei 4 nomes de jogadores que deveriam ter ordem de marcha de modo a “limpar” o balneário.

1. Gil Dias
A contratação de Gil Dias sempre foi um bocado dúbia para mim, apenas porque não lhe reconheço qualidade suficiente para envergar a camisola do SL Benfica.
Se a ideia era fazer com que o Grimaldo se preocupasse minimamente com a competição pela titularidade, a vinda de Gil Dias teve um efeito oposto.
Não percebo o porquê de se ter contratado este jogador e ter “despachado” o Nuno Tavares.
Um vai sendo titular no Arsenal, na liga inglesa, outro vai tendo uns minutos para a Taça da Liga porque o Grimaldo também merece umas folgas.

2. Adel Taarabt
Confesso que quando assinou pelo SL Benfica fiquei muito surpreendido. Era um jogador que havia brilhado na Premier League, no Queens Park Rangers FC e estava cá, em Portugal.
Contudo, e como era esperado, o Adel Taarabt que jogou no SL Benfica era uma sombra daquilo que havia sido em tempos. De ano para ano, de jogo para jogo, Taarabt prejudica mais que o que ajuda.
É, atualmente, um jogador completamente banal! Não tem espaço neste SL Benfica e está apenas a “roubar” a oportunidade a outros que por terem menos estatuto, têm, consequentemente, menos oportunidades.

3. André Almeida
Sei que parece que estamos a despachar os capitães, mas não é, de todo, essa a ideia. André Almeida simplesmente não tem futuro no SL Benfica. Ponto.
É um jogador que já deu muito às águias e os adeptos serão sempre gratos por tudo o que fez, no entanto é tempo de se inteirar e perceber que a sua presença prejudica mais do que ajuda.
É uma pena, pois, a continuar assim, vai sair pela “porta pequena”. Nunca foi um craque, mas é um jogador que tem muito SL Benfica dentro dele e por isso mesmo deveria ter noção da realidade.

4. Pizzi
O prazo de validade de Pizzi de águia ao peito já expirou há alguns anos. Pizzi não tem qualidade suficiente para se manter útil a jogar ao mais alto nível numa equipa como o SL Benfica.
Ainda que seja um dos capitães da equipa, Pizzi não tem sido opção e a sua saída seria o ideal de modo que pudesse ainda ter possibilidade de jogar noutro clube, bem como libertaria espaço para outros jogadores que estão “tapados” pelo transmontano.
Foi uma excelente ajuda para a equipa nos seus primeiros anos no SL Benfica, mas, neste momento, manter Pizzi no plantel é apenas desnecessário."

Premier Lage e um duende português


"Bruno Lage está a fazer um trabalho impressionante em Inglaterra. Depois dos anos competentes de Nuno Espírito Santo, foi decerto com expectativa que os Wolves receberam mais um português guiado pela mão amiga de Jorge Mendes. Neste momento, na tabela, segue logo após os multimilionários, que são vários, mas o jogo impressiona ainda mais que os números. A equipa não só manteve a segurança defensiva das épocas anteriores como reforçou competências ofensivas. E sem deixar de explorar o espaço, está agora mais paciente com bola. Com isso, controla melhor os jogos, por estar mais vezes a circular no meio-campo contrário e menos dependente dos bons posicionamentos defensivos, que mantém. E um jogar assim é ainda melhor para Ruben Neves e João Moutinho, dois intuitivos de qualidade superior que dominam o centro do terreno e do jogo, porque percecionam antes dos demais a decisão certa a tomar e a prolongam com eficácia em passes de qualidade. Rúben é uma bússola, o elemento que indica o caminho certo a dar à bola, distinguindo com facilidade se curto ou longo, e por via dela à equipa, que nunca se desorienta. João Moutinho é o metrónomo, o marcador de ritmos ofensivos e defensivos, que pode estar menos rápido de pernas mas que nunca vi mais fulgurante de pensamento. Se o futebol é um jogo de conquista e ocupação de espaços, e é muito, ver Moutinho jogar continua a ser como ler a sebenta de um catedrático. Está lá tudo sobre o tema.
Na ausência do explosivo Pedro Neto, na parte final da recuperação de uma lesão das piores, aplaudo que seja Trincão a opção primeira em cada jogo. Nada contra Adama Traoré, o raro velocista espanhol, tão exuberante nos músculos como nas arrancadas e que se torna depressa no herói de resumos televisivos ou lances recortados para redes sociais. Mas na opção por um ou outro - e o elogio é só técnico-tático, nada nacionalista - Bruno Lage mostra a coerência da sua proposta de jogo. Numa equipa que pretendeu subir a percentagem e qualidade da posse, é fundamental juntar jogadores que se associem, que falem a mesma linguagem, pois é só no campo, e através dos homens, que a melhor ideia adquire identidade. Ou então não consegue, simplesmente. Que, como alguém dizia com graça, “a teoria na prática é outra coisa”. Adama tem sido, mesmo assim, muito útil a Lage, que o lança regularmente nos momentos em que o cansaço acumulado faz o relvado parecer maior e os metros disponíveis são pasto ideal para velocistas puros. E a correr em campo aberto não há outro como ele, no mundo. De início, quando o espaço ainda rareia, avança Trincão, que tem, além dessa capacidade natural para se relacionar com a equipa, qualidade técnica diferenciada, talento natural para superar rivais em curvas apertadas e ainda uma tendência inata de passar bem no último momento.
Quando uma equipa está bem, todos os jogadores parecem melhores, há muito o sabemos. Por isso, na equipa mais portuguesa de além-Mancha, José Sá está seguro e confiante na baliza como não me lembro de o ver, Nelson Semedo surge de volta ao melhor nível e Fábio Silva vai aproveitando melhor cada oportunidade (porque Jimenez não dá muitas) de demonstrar que está bem a tempo de ser (só tem 19 anos!) o que lhe estava destinado: o melhor ponta de lança português da próxima década. Mas na imensa legião lusa dos lobos, onde agora foi acrescentado Toti Gomes, jovem defesa anteriormente saído anónimo do Estoril para a Suiça, falta referir o mais subvalorizado mas que é bem capaz de ser atualmente o mais decisivo e impressionante no rendimento: Daniel Podence. O que ele tem conseguido mostrar só não entusiasma quem analisa um futebolista pela “envergadura” ou “arcaboiço”, essas palavras antigas do léxico da bola. Podence é tanto soluções com bola como compromisso sem ela. Ataca ligando por dentro, defende fechando por fora. E depois é a coragem com que assume o um para um (e sabe quando o deve fazer) seja qual for a quantidade de centímetros do opositor, o que permite que drible limpo com ambos os pés e até nas proximidades da baliza, assiste com qualidade e variedade, finaliza competentemente. Quando se discute, pensando na seleção desde logo, sobre a necessidade de ligar jogo, de aproveitar as entrelinhas, de encontrar soluções por via da criatividade, é definitivamente injusto não colocar Podence entre as melhores opções. O pequeno duende é, aos 26 anos, um jogador de topo como sempre prometeu e a quem assenta como nunca a camisola 10 de uma das melhores equipas da Premier League nos dias que correm."

"Veia" exportadora


"Com a escalada impressionante do dinheiro envolvido no futebol, temos assistido, ao longo da última década e meia, à proliferação dos mais variados relatórios sobre este setor de atividade económica.
Confesso-me um ávido consumidor destes trabalhos, até porque senti a necessidade, e rapidamente ganhei o hábito, de os ler com atenção ao invés de me fiar, quando sequer existem, nas reproduções descontextualizadas das conclusões destes relatórios pela comunicação social dedicada ao desporto. O mesmo se passa com os relatórios e contas das SAD, cujo tratamento dado pela imprensa desportiva se limita, invariável e acriticamente, à divulgação das conclusões constantes nos próprios relatórios.
Serve esta introdução para referir a minha estupefação ao ter conhecimento de um relatório da Soccerex sobre os clubes com maior poderio financeiro em que FC Porto surge na 61.ª posição e o Benfica na 64.ª, os únicos portugueses neste ranking.
Como é possível que SADs com situações patrimoniais tão díspares não só estejam situadas proximamente no ranking como até em posições inversas face à comparação dos capitais próprios?
Clubismos à parte, isto, em 2021, não faz qualquer sentido, por superficial que seja a análise a ambas as sociedades. O que nem sequer é o caso deste índice da Soccerex, cuja metodologia, discutível em certos pontos, é inequivocamente complexa. Faltou verificar o que já se tornara óbvio: os dados estão ultrapassados, são de 2017/18.
A Soccerex considera cinco variáveis, a saber: valor dos passes de jogadores; ativos tangíveis (estádios, centro de estágio e outros); dinheiro em caixa (ou similares); potencial de investimento dos proprietários; dívida líquida. Mas mais do que os dados concretos, é sobretudo relevante observar as tendências. E essas demonstram claramente que o grande desafio com que os clubes portugueses se deparam é o de se manterem competitivos apesar de serem obrigados, por necessidade ou por menor capacidade de investimento, a serem exportadores."

A bruxa e o mago


"Sempre se soube do hábito de certa gente do futebol - muitos mais do que se possa pensar - entregarem, de olhos em alvo, generosas quantias nas mãos de bruxos e bruxas, crentes que estão que há certos meios, obscuros e eficazes, de manipular e condicionar os resultados dos jogos.
Porquê? - perguntar-se-á. Aqui vai uma resposta - múltipla, como múltiplos são os motivos que levam tanta gente a recorrer a estes serviços:
Desde logo e acima de tudo, a este tipo de práticas subjaz a universal crença no radical desvalimento do ser humano: impotente e incapaz de assumir o poder ontológico que, pela sua divina condição, lhe é inerente, lança mão de qualquer expediente que acredite possa minorar-lhe as dores e alisar-lhe o pedregoso caminho que o destino parece ter-lhe reservado. O recurso ao arsenal do mundo esotérico é correlativo da concepção da vida como “vale de lágrimas “ - tudo o que possa ajudar a enxugá-las, ou dar disso uma convincente esperança, e afanosamente procurado e, sem regatear, generosamente pago.
Depois, no que concerne ao futebol, dois factos decisivos contribuem para a generalização de práticas esotéricas: o seu constitutivo carácter aleatório e a gigantesca e compensadora indústria em que se tornou. São tão volumosos e irresistíveis os interesses que tão teratológica indústria comporta que, em seu redor, toda uma multidão de seguidores de Maquiavel se acotovela em rija disputa do osso.
Vem isto a propósito de notícias, nunca desmentidas, de que responsáveis do FCP teriam integrado no seu quadro de funcionários a denominada “bruxa de Matosinhos “, contemplada com principesco salário mensal, muito acima do tecto correntemente praticado.
Primeira e única dedução: se tanto se dispõem a pagar, com recurso ao mágico “saco azul”, é porque são considerados amplamente vantajosos os serviços por tão misteriosa personagem prestados. Melhor: porque como tal são projectados e percepcionados.
Com efeito, nada acontece neste nosso mundo tridimensional sem que seja antes imaginado e crido - absolutamente nada! E, sobre estes modernos alquimistas de vão de escada, nada mais adequado e lapidar do que o sapientíssimo dito de nossos vizinhos: “brujas? no me lo creo, pero que las hay, las hay”.
Sim: ninguém admite ir ou ter ido à bruxa, mas barcos, a abarrotar de gente de todos os estratos sociais, atravessavam o Tejo diariamente fazendo filas que evocavam os tempos pós-guerra da senha do racionamento, fazendo filas à porta do “Joãozinho de Alcochete”. E o”bruxo de Fafe”nem no pico da pandemia registou qualquer quebra na procura.
Como afirmou Paracelso: “ não importa se é verdadeiro ou falso aquilo em que se crê, mas sim o facto de se acreditar”: a fé é a catapulta da criação! Com o bruxedo é a mesma coisa: o efeito não está na materialidade do feitiço, mas na crença que se deposita na sua desejada eficácia. Mora no interior o comando que determina o mundo exterior.
Mas há mais: a ciência confirma que somos energia e estamos todos conectados a um campo energético descoberto por Max Planck, pelo que somos afectados por energias manipuladas e vibracionalmente degradadas. Mas, atenção, o alegado poder manipulatório atribuído aos bruxos só produz efeito se este for previamente objecto da crença quer do emissor quer do receptor.
Eis-nos perante uma inquietante verificação:
Se no Dragão parece prevalecer a crença nos poderes da bruxa, já em Alvalade, parece impor-se a incondicional crença nos inebriantes dotes do mago - um treinador melífluo, mas arrasadoramente eficaz. Enquanto isso, na Luz mora uma águia depenada, a tiritar de frio e de medo.
E, claro, sabemo-lo todos: a fé cria, o medo mata!"

Reformar o pensamento


"Reformar o Pensamento é o título de um livro de Edgar Morin. Foi editado, em Portugal, pelo Instituto Piaget. Nele recortei o seguinte: “Existe a inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os nossos saberes separados, partidos, compartimentados entre disciplinas e por outro lado as realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais, globais, planetários (…). De facto, a hiperespecialização impede ver o global (que fragmenta em parcelas) assim como o essencial (…). Ora, os problemas essenciais nunca são os parcelares e os problemas globais são cada vez mais essenciais”(p. 13).
Por palavras minhas direi que não pode conhecer-se, separando o cognoscente do cognoscível. Por outro lado, ninguém conhece sozinho. Mas, na esfera do conhecimento, há um crime que demasiadas vezes se esconde e, no meu entender, é de todos o primeiro: precisamente a ignorância produzida pelos regimes opressores. No Portugal, sob o domínio de Salazar, Marx não se estudava, nas licenciaturas de Filosofia, “por imposição superior”. O mesmo acontecia, na Europa pró-soviética. Numa universidade polaca, em 1976, perguntei a um professor desta mesma instituição, se conhecia o “Ópio dos Intelectuais” de Raymond Aron (1905-1983). Confidenciou-me, imediatamente: “É um autor marginalizado pelo regime”. Quem promove a ignorância e a cegueira políticas impõe, quase sempre, arrebatamentos populares que manipulam e alienam. Como é possível um corte epistemológico e político, a partir das bases, sem bases conscientemente formadas, para a ciência, para a filosofia, para a política? Sem um escol esclarecido, não há pensamento, no campo teórico, que acompanhe e desenvolva a revolução, no campo político. Um conhecidíssimo revolucionário deixou-nos o aviso; “sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionario”. Por isso, no estrito campo universitário, sejamos elitistas, contra uma sociedade elitista. O ser humano não é um ser puramente económico, mas um ser que, pelo movimento intencional e solidário da transcendência, produz e reproduz o caminho do Absoluto. Este movimento da transcendência, portanto, não é como categoria epistemológica que deverá estudar-se tão-só, pois que a transcendência é matéria e vida e espírito, simultaneamente. Para mim, toda a dialética é materialista, quando no seu radical posicionamento não se vislumbra a mediação humana, como espírito.
“O maior contributo do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento” (Reformar o Pensamento, op. cit., p. 61). Portanto, estudar uma área do conhecimento é dialogar com a incerteza. E, diante da incerteza, “todos somos irmãos”. Muitas vezes cito o Hegel da Ciência da Lógica: “A Verdade é o Todo”. E leio agora o José Barata Moura: “A totalidade encontra-se intimamente ligada ao concreto. Enquanto forma categorial subjectiva de reflexo da realidade objectiva, ela visa precisamente, avançar já no sentido de melhor determinar, de um ponto de vista estrutural o concreto de que o saber parte e aonde regressa finalmente, num estádio sintético superior (…). O característico de uma visão imediata do real é precisamente esta permanência do disperso, no separado, no isolamento dos diferentes elementos que a experiência nos fornece ou impõe” (Totalidade e Contradição – acerca da dialéctica, Livros Horizonte, Lisboa, 1976, pp- 120/121). Portanto, há sempre uma visão abstracta da realidade numa hiperespecialização que esquece o todo de um fenómeno, ou seja, que faz do parcelar, do imediato, do unilateral o absoluto. Descambam na absolutização do parcelar aqueles antigos praticantes de uma modalidade desportiva que desconhecem a “plurideterminação do concreto” da prática de um desporto. A verdade do que o desporto é supõe o todo. E, porque “não há jogos, há pessoas que jogam”, a pessoa que o jogador é desempenha o papel nuclear na análise (por exemplo) de um jogo de futebol. Que o mesmo é dizer: sabendo muito do futebol que faz, um ex-jogador profissional de futebol pode saber muito pouco do futebol que faz um seu camarada de profissão. De facto, na análise de um jogo de futebol, no todo que é o futebol, há muito mais do que futebol. Na nossa sociedade do conhecimento, o conhecimento supõe a informação e a informatização, que rivalizam com o próprio capital. Ou seja, na análise de um jogo de futebol, ou de qualquer outra modalidade, deverá apelar-se para todas as estruturas envolvidas, em qualquer instância prática de intervenção da motricidade... humana!
“Se tivéssemos de escolher um qualificativo, para a sociedade ocidental moderna, não hesitaríamos em considerá-la uma sociedade tecnocientífica e tecnocrata. É óbvio que poderíamos enumerar muitas outras características desta nossa sociedade mas, sendo parcelares, não deixariam de ter, porventura de dependência ou de consequência com o complexo científico-tecnológico que nos envolve como o ar que respiramos” (Mário Pissarra, in AA.VV., A Filosofia Face À Cultura Tecnológica, Associação de Professores de Filosofia, Coimbra, 1988, p. 58). No entanto, a tecnociência e a tecnologia não valem por si, são indissociáveis do mundo humano, onde são meios e não fins. Ambas fazem parte do real, mas utilizam-se num fundo de relação e num horizonte de pertença à totalidade humana que as transcende na sua imediatez. Todo o conhecimento científico, técnico e tecnológico é, como sistema, um conhecimento social e humano. Por isso, não me canso de afirmar que é, como ciência humana que o desporto deverá estudar-se. A psicologia, a sociologia, a economia, a antropologia, a história, a linguística, etc., etc., definidas pela especificidade crescente dos seus objetivos e métodos, são, todas elas, ciências autónomas e diferentes mas procuram, afinal, oferecer-nos a complexidade humana como objeto final da investigação. A constituição das ciências humanas consolidou-se a partir de três correntes do pensamento que, entre os anos 20 e 60 do século passado, provocaram um corte epistemológico, uma revolução científica, na esfera das humanidades: a fenomenologia, o estruturalismo e o marxismo – mas todas referentes a um único princípio sistémico ou organizacional, o ser humano! Reformar o pensamento, no desporto, com consequências iniludíveis científicas, filosóficas, culturais, significa fazer da pessoa humana o radical fundante de tudo o que se diz e faz. Em qualquer equipa de futebol, ou de andebol, ou de basquetebol, desportiva em suma, não pode reformar-se a equipa, se antes não se reformaram as mentalidades, nem previamente reformar as mentalidades, se previamente não se reformaram as equipas. Nos sistemas humanos, a tendência habitual é evitar o “caos”. Mas importante se torna também evitar uma ordem inflexível, que se transforme em dogma. O “limiar do caos” encontra-se presente em qualquer sistema. É numa tensão incessante entre a ordem e o caos que se alimenta a dialética.
“Existem resistências formidáveis a esta reforma simultaneamente una e dupla. A enorme máquina da educação é rígida, endurecida, coriácia, burocratizada. Muitos professores estão instalados nos seus hábitos e nas suas soberanias disciplinares (…). A cada tentativa de reforma, mesmo menor, a resistência cresce” (Edgar Morin, op. cit., pp. 105/106). Por tudo isto, que o Edgar Morin sublinha, com vigor, foi com um discurso sucinto e resguardado que tentei um “corte epistemológico” físico-motricidade humana. Tenho a certeza, porém, que a motricidade humana, como paradigma, está a colar-se a tempos novos e… tem futuro! Este paradigma surge como uma escola de humanidade, repleta de referentes históricos e leituras multifacetadas, capazes de transformar o desporto (um exemplo, entre outros) em teoria e prática inovadoras e urgentes. Aprender, através do movimento intencional e solidário da transcendência e aprender para o movimento intencional e solidário da transcendência parecem-me ser os dois movimentos essenciais da motricidade humana. De ambos emerge a máxima: aprender, jogando, pois que toda a transcendência é um jogo onde me realizo como ser em procura incessante do Absoluto. De ambos emerge Natureza e Cultura. Foi Hegel e, depois dele, Marx que enfatizaram a Cultura como História. Em Hegel, o tempo é o modo como a Razão se manifesta (a religião, as artes, as ciências, as instituições políticas, a cultura). Para Marx, descobre-se em Hegel um erro básico, ao desconhecer que o movimento histórico da Razão se realiza na “luta de classes”. Dando um salto apressado sobre a obra monumental de Hegel e Marx, realço agora que o jogo não é fundamental unicamente na didática da chamada “educação física”, mas até na prática desportiva, altamente competitiva. O desporto profissional é jogo e trabalho: o jogo (como atividade festiva e livre) e o trabalho (como atividade imposta e utilitária). Mas na alta competição, há menos jogo do que trabalho, há mais religião do que indiferente agnosticismo. A história do desporto, como a História em geral, depende, sobre o mais, da liberdade. O determinismo histórico é, para mim, uma falácia, pois que, em qualquer situação, podemos ver sempre um “ponto de partida” e não tanto um “ponto de chegada”. Reformar o pensamento, no desporto, significa, acima de tudo, que o futuro está por escrever. No desporto e na vida…"