Últimas indefectivações

domingo, 5 de setembro de 2021

Poupanças!!!

Benfica 3 - 2 Ouriense


Tentativa de poupar jogadoras para a 2.ª mão da Champions com o Twente, que esteve quase a 'correr' mal...

BI on Tour - Eleições, Estádios...

A jornada Europeia de Yaremchuk

"Depois de somar um golo verdadeiramente fabuloso contra o Kazaquistão, Yaremchuk e a sua Ucrânia recebeu a poderosa França, e o avançado do Benfica demonstrou um conforto a servir de apoio, ora tocando, ora recebendo para o espaço e pela forma certa, que ainda não havia demonstrado nos poucos minutos ao serviço do Benfica.


Esteve no golo da sua selecção – Os seus movimentos a ganhar as costas das defesas adversárias são letais, e daí serviu a grande área – e mais ainda nas saídas que procuravam mais velocidade, servindo de apoio. Também em momentos de Ataque Posicional soube orientar o corpo para dar rotas ofensivas e potencialmente perigosas. Prometedor!"

SL Benfica | Pausa, Jorge, ainda há por onde melhorar


"O SL Benfica chegou a esta fase de interrupção do calendário para compromissos de seleções com a presença na Liga dos Campeões assegurada e na liderança da Primeira Liga.
No entanto, e pese embora a consistência vitoriosa e a maior solidez defensiva (em contraste com o que sucedia na temporada anterior), há sempre aspetos a trabalhar e melhorar.
A pausa no calendário competitivo abre espaço a eventuais mudanças, ainda que 13 elementos do plantel principal estejam ausentes em representação das suas seleções.
Assim, há um aspeto sobre o qual poderá incidir maior atenção da equipa técnica nesta quinzena de paragem: a integração de jovens da equipa B nos trabalhos do plantel, procurando suprir as lacunas remanescentes do fim de mercado de menor fulgor das águias.
Apesar de algumas boas movimentações nesta janela de transferências, os encarnados permanecem com um plantel algo desequilibrado. Este é o momento ideal para procurar soluções internas para contrariar isso.
Talvez o exemplo mais gritante seja o da lateral/ala esquerda. Gil Dias não foi sequer inscrito na Liga dos Campeões e o português parecia ser “a” alternativa de Jorge Jesus para o lugar de Grimaldo.
Parece não ter agradado. E agora? De uma forma pessoal (e ainda que rogue por uma maior, mas não cega e descabida, aposta nos jovens), não me parece que Sandro Cruz ou Rafael Rodrigues estejam preparados para serem a sombra do espanhol ex-FC Barcelona B. Todavia, mereceriam pelo menos mostrar-se e compor o grupo de trabalho durante a ausência de outros elementos.
Contudo, não são apenas os novatos a precisarem de espaço de montra. Também elementos que partem em claro segundo ou terceiro plano devem ter nestes 15 dias uma oportunidade maior para se mostrarem ao treinador.
Ferro, por exemplo, poderá beneficiar das ausências dos habituais centrais para demonstrar a JJ que este não precisava, como apregoado em conferência de imprensa, de mais um central.
Todavia, as mudanças vão além do plano individual. Coletivamente, a equipa poderá igualmente crescer nesta quinzena sem partidas oficiais. Naturalmente, não é fácil trabalhar os automatismos e os processos da equipa com gente em falta, mas Jorge Jesus vai com certeza querer consolidar a solidez defensiva das águias.
Ainda que o SL Benfica tenha melhorado em relação a 20/21, nas partidas frente ao PSV e frente ao CD Tondela avistaram-se vislumbres de dificuldades nas transições defensivas, sobretudo quando as águias perdiam a posse de bola ainda no seu meio-campo. Os golos de Gakpo e de Salvador Agra na Luz evidenciaram tal.
Com a integração de Lázaro no plantel, o SL Benfica poderá agora aprimorar também o seu jogo exterior, tentando criar desde já rotinas que envolvam o jogador austríaco, que se espera que assuma o papel de titular. Todavia, as ausências de Rafa e Nemanja irão dificultar ao máximo a tarefa.
Por fim, a pausa que decorre servirá também para que a equipa técnica liderada por JJ perceba com que médios poderá verdadeiramente contar quando não for possível alinhar com a dupla Weigl-João Mário. Gabriel não conta, Paulo Bernardo (infelizmente) idem. Com Meité e Taarabt mais acima na hierarquia, Gedson será o elemento que mais necessitará de mostrar valor por estes dias.
O restante trabalho será de consolidação do que de bom tem sido feito, preferencialmente com maior afinco na finalização. O regresso à competição de clubes encerra partidas complicadas, com a deslocação aos Açores para defrontar o CD Santa Clara e a estreia na Liga dos Campeões, em Kiev. Que SL Benfica vamos ter? É esperar para ver…"

A hora de Morato | SL Benfica


"Um dos jogadores do SL Benfica em destaque nesta fase inicial da temporada tem sido o defesa-central, de 20 anos, Morato.
O brasileiro, que foi contratado no Verão de 2019 ao São Paulo FC a troco de seis milhões de euros, teve uma ou outra oportunidade na equipa principal nos primeiros dois anos de águia ao peito.
No entanto, jogaria essencialmente pela equipa B, tendo também jogado pelos juniores na Youth League. No entanto, o internacional sub-20 pela canarinha parece ter conquistado a confiança de Jorge Jesus na resta final da temporada passada, tendo inclusive sido titular na final da Taça de Portugal, contra o Sporting Clube de Braga, tendo agora aproveitado a lesão de Vertonghen para agarrar um lugar em definitivo na equipa principal.
A verdade é que, desde que o vi jogar pela primeira vez, percebi que estava ali um jogador com bastantes potencialidades, que estava um nível acima dos outros centrais da sua idade, tanto do ponto de vista físico, como do ponto de vista técnico.
No entanto, como é típico de um defesa vindo do futebol sul-americano, apresentava claras lacunas a nível do controlo de profundidade e do posicionamento em organização defensiva. Aspetos em que ainda não está no ponto, mas onde só poderá evoluir jogando regularmente a um nível competitivo.
Neste momento, parece que o central brasileiro já convenceu Jorge Jesus e tem tudo para vir a ser uma opção regular na equipa principal nesta temporada, devido ao sistema de três centrais, bem como às idades avançadas de Vertonghen e Otamendi, não descartando que haverá possibilidade de jogar pela equipa B quando não for opção para a equipa principal, visto que, na sua idade, o mais importante é jogar.
Muita gente questionou os seis milhões de euros que o SL Benfica pagou há duas épocas por um jogador de 18 anos que ainda não tinha competido a nível sénior. Agora, o jogador começou a justificar o investimento feito e tem tudo para poder tornar-se num dos maiores ativos do SL Benfica a curto/médio prazo.
Dando continuidade à sua utilização e ao seu desenvolvimento enquanto jogador, Morato terá tudo para se tornar num defesa-central de topo, chegar à seleção brasileira e render muito dinheiro aos cofres do clube encarnado."

Teaser #5: 300 dias...

Na 2.ª ronda...

Benfica 29 - 18 Kriens
(14-8)

Depois da vitória na Suíça, nova vitória, com muita rotação, num excelente jogo de 'preparação' para o primeiro confronto a 'sério', já na próxima semana, na Supertaça, contra os Corruptos!

É fácil de verificar que temos um excelente plantel, com muitas opções de qualidade, e se defensivamente já foi visível, em alguns momentos, a intensidade necessária, vamos ver como será numa partida, onde não haverá tempo para descontrações... Ofensivamente, falta algum entrosamento, que vai demorar algum tempo a adquirir, mas o potencial está lá...


PS1: No Basket 'estreia' este fim-de-semana, com dois jogos muito competitivos com adversários espanhóis, da Liga ACB, a 2.ª mais competitiva do Mundo!!! Perdemos por 3 pontos com o Bétis, e vencemos hoje o Obradoiro por 9 pontos.
As primeiras indicações foram muito boas: jogo colectivo ofensivo, e muito agressivos na defesa. O Clifford foi o grande destaque, promete fazer desgraça nas tabelas no Tugão. O Hallman está lesionado e o reforço Tunisino, está ao serviço da Selecção. Quem aproveitou foi o Francisco Mingas, que deu 'espectáculo' nestes primeiros jogos...
Amanhã temos derby no outro lado da 2.ª circular

PS2: O Futsal fez o primeiro jogo de preparação, sem 7(+2) jogadores! São 7 os jogadores no Mundial, e mais 2 dos que ficaram: estavam condicionados (Jacaré e Cintra). Sendo assim basicamente jogámos, com os sub-20, reforçados com os guarda-redes (Ronca e André), mais o Nilson, o Silvestre e o Fits!
Empatámos 2-2 com a Quinta dos Lombos (0-2 no desempate por penalty's), depois de estarmos em vantagem por 2-0, o adversário apostou no 5x4, e duas desconcentrações em poucos segundos acabaram por dar em empate... Boas indicações do Carlitos, jovem com muito futuro, recente contratação...

sábado, 4 de setembro de 2021

Uma Semana do Melhor...

Isto apenas começou


"Aos primeiros sinais a Liga portuguesa promete, pelo menos há de ser melhor que a anterior, o que não é difícil, reconheça-se, tão mal se jogou globalmente. O campeão Sporting não muda de perfil, apesar de ter perdido dois jogadores fundamentais, Nuno Mendes e João Mário. Como esses não tem, ou seja, nessas funções está mais frágil. À esquerda, Vinagre vai fazer o lugar com competência, sobretudo na estrutura habitual (de 1x5x2x3) que o liberta, mas não tem a qualidade exuberante do agora parisiense. A alternativa óbvia é Nuno Santos, também há Matheus Reis, mas não falta já quem fale do miúdo Flávio Nazinho como o Nuno Mendes de 2003. É só ficarmos atentos, que Amorim não treme na hora de lançar miúdos. Para a vaga de João Mário, sendo óbvia a prioridade dada a Matheus Nunes, a equipa perde em critério o que ganha em aceleração. Em jogos mais difíceis de desmontar, perante adversários que escondem melhor os espaços (como aconteceu em Famalicão), nota-se que falta criatividade na dupla Palhinha-Matheus, nascida mais para pressionar que para jogar. Daniel Bragança é a solução mais próxima do agora benfiquista, porque vê mais campo e passa muito melhor, mas nessa zona do campo Amorim já é bem mais conservador que temerário. E há ainda Ugarte, cuja evolução é obviamente prometedora. Onde o leão fica claramente mais forte é nas duas posições em redor do ponta de lança, que Pablo Sarabia está muito acima do que poderiam garantir Jovane, Nuno Santos ou Tiago Tomás. Com Paulinho como referência, o Sporting passa a ter dois jogadores, e não só um (Pedro Gonçalves), que resolvem jogos sozinhos, mesmo que o espaço rareie. Para uma equipa que é curta em criatividade coletiva, pode ser muito mais importante do que parece.
Seguindo a classificação da época anterior, olhemos o Porto, que perdeu – embora poucos o lembrem já – Marega, jogador referência dos últimos anos, fosse no ataque direto à profundidade ou da capacidade para duelos que permitiam à equipa subir metros e cair pressionante sobre o adversário. Por outro lado, voltou a ter um lateral esquerdo de nível internacional, Wendell, passada que foi a onda de ilusão com Zaidu (como foi possível que tantos tenham afirmado que fizera esquecer Alex Telles?), descobriu em casa um lateral direito, João Mário, melhor que os vários que ensaiou em anos sucessivos e ainda recuperou Marcano, o melhor central que tem para construir. Está, por isso, bem melhor na defesa. E também no meio campo, onde se há crise é de fartura. Sem ter perdido ninguém – Sérgio Oliveira, Uribe, Otávio, Luis Díaz, Corona, todos os titulares dos últimos anos – resgatou Vitinha (com tudo para ser jogador de topo, assim jogue) e Bruno Costa, e ainda vê crescer mais dois talentos raros como Fábio Vieira e Francisco Conceição, que reclamam novas oportunidades. Difícil mesmo vai ser gerir os contentamentos e os descontentes. Só no ataque, e apesar da qualidade indiscutível de Taremi, não há fartura idêntica, porque nem Toni Martínez (apesar do excelente arranque) nem Evanilson são herdeiros na linha de um Jackson ou Falcao. Mesmo assim, o plantel é muito forte, Sérgio Conceição vai na quinta época, pelo que toda a ambição é permitida, pelo menos no plano interno.
O Benfica também fortaleceu um plantel que já era forte. Os melhores jogadores que perdeu – talentos como Waldschmidt e Pedrinho – foi porque quis, mas acrescentou qualidade global ao grupo. O lateral/ala direito de qualidade, e que era necessário há anos, chegou finalmente, o austríaco Lázaro, porque André Almeida não tem condições para ser ala e só Diogo Gonçalves seria curto. Gilberto é uma contratação falhada e não há golo feliz que o desminta, apenas ilude. Do lado contrário, Gil Dias ainda não se assumiu como alternativa a Grimaldo mas Nuno Tavares também não era. Meité parece-me a contratação desnecessária, perante a qualidade superior de Weigl e a alternativa (que havia) de Florentino. Gastaram-se uns milhões no jogador que muitos reclamavam para o meio campo encarnado (na eterna ilusão de que a solidez vem do físico) mas que nem constrói jogo com qualidade na posição 6 nem terá capacidade de o transportar como Jesus gosta se jogar a 8. Mas a ver vamos, que a procissão vai no adro e o francês será sempre melhor alternativa que Samaris ou Gabriel, sobrevalorizados durante anos, também pela crítica, ou sobretudo por esta. Qualidade indiscutível acrescentam João Mário, pela lucidez com que torna tudo simples e fluido - custa perceber como foi tão pouco valorizado na época passada -, e Yaremchuk, ponta de lança de qualidade, explosivo quando necessário, mas com uma qualidade técnica que lhe permite maior ligação com os colegas do que conseguiriam, por exemplo, Darwin ou Vinícius. E há ainda Rodrigo Pinho, o menos falado dos reforços, mas que acredito ser o que melhor finaliza entre todos os atacantes das águias, além de uma capacidade de se associar e ligar jogo que nenhum dos outros tem. O problema será o de ter oportunidades continuadas e sem ser forçado a movimentos para os corredores laterais, num elenco onde permanecem Seferovic e Darwin e emerge ainda Gonçalo Ramos. Com Radonjic somado à lista dos extremos, não faltam a Jorge Jesus soluções, de qualidade e quantidade, para jogar na estrutura que lhe apetecer e apresentar qualidade regular, independentemente dos apertos de calendário.
Pela primeira vez em mais de 30 anos, nenhum dos três grandes mudou de treinador, o que anula também as desculpas de desconhecimento do grupo, de início de ciclo e coisas do género. E acrescento o Sporting de Braga, onde também Carlos Carvalhal prossegue e com condições para fazer melhor ainda, assim tenha tempo e paz para isso. Ao Braga voltarei em breve e ao talento acrescentado que pode ter na equipa, como quero ver mais do Vitória de Pepa, que noto ainda indefinido quanto a prioridades de jogo, e das melhores notícias deste início de campeonato: Estoril, Vizela e Boavista, mais um Famalicão que já pareceu coisa diferente diante do Sporting. É sempre assim a cada recomeço. Acredito mesmo que não há momento igual no futebol, quando a esperança renasce, o entusiasmo cresce e todos os sonhos são possíveis. Isto apenas começou."

Rescaldo: Twente 1 - 1 Benfica (fem)

O fim do Cartão de Adepto ou o sonho de uma noite de Verão


"Os estádios estão vazios, as pessoas não têm dinheiro, mas o Governo ainda arranjou maneira de tirar mais pessoas dos estádios, mais dinheiro às pessoas e inventou mais um imposto sobre o futebol.

Foi, provavelmente, a visão da enésima bancada vazia atrás de uma baliza que ficou ali a maquinar no inconsciente. A noite passada sonhei que encontrava no café o Primeiro-Ministro António Costa. E, entre uma cerveja e duas ou três palavras de circunstância, perguntei-lhe o que pensa fazer em relação à mais recente trapalhada do futebol português: o inefável “Cartão do Adepto”.
Eis um resumo da conversa, mais ou menos como ela (não) aconteceu:
– O senhor Primeiro-Ministro tem de recuar naquela ideia peregrina do Cartão do Adepto. Já teve de safar tanta trapalhada dos seus ministros, vai ter de resolver mais esta.
– Qual é o problema do Cartão do Adepto?
– Bom, por qual começar? Para já, em pleno século XXI, exigir que um cidadão forneça um conjunto de dados pessoais só para ir assistir a um jogo de futebol é um ataque aos direitos, liberdades e garantias constitucionais. Depois, logo agora que os clubes andam a tentar recuperar de um ano e meio de jogos à porta fechada e que os adeptos têm de se sujeitar aos 30 ou 50% de lugares permitidos pela Direção-Geral de Saúde, ainda criámos mais um obstáculo no acesso do público aos estádios.
– Não podíamos continuar de braços cruzados perante a indisciplina dos grupos organizados de adeptos – disse o António Costa imaginário. O cartão é uma forma de combater o racismo, a xenofobia e a intolerância.
– Eu diria mais, que é paternalismo, totalitarismo e ganância. Não foi o senhor que inventou o Simplex? – Então, não fui? Concentrámos cinco ou seis documentos num só cartão, entre muitas outras medidas de simplificação da administração pública e da economia!
– Então, porque é que agora está a complicar? Acha normal que um cidadão português precise de menos burocracia para entrar na Lituânia do que num estádio da I Liga? Para nos identificarmos em qualquer situação, para irmos às Finanças, para irmos ao médico, para votar – até para viajar pela União Europeia – basta o cartão do cidadão, mas para ir ao futebol precisamos de fazer um cartão específico?
– O Cartão do Adepto não é uma extravagância nossa – disse o Primeiro-Ministro no meu sonho, já em tom de orgulho ligeiramente ferido. Outros países já tomaram iniciativas semelhantes…
– E já todos desistiram delas! Só a Itália é que mantém uma regra parecida e, mesmo assim, sabe como funciona? Quando compram o bilhete, as pessoas têm de dar o seu número de contribuinte, até para evitar a revenda. É o que já se faz em certos espetáculos culturais…
– Só isso? Não criaram nenhum cartão?
– Senhor Primeiro-Ministro, se a questão é identificar as pessoas, basta o cartão do cidadão. Mas, se não quer voltar atrás para não perder a face, ao menos faça o cartão em formato digital – e gratuito! O certificado da vacinação contra a Covid-19 é digital, mas o Cartão do Adepto tem de ser físico porquê? A máquina do Estado nem os cartões do cidadão consegue fazer a tempo! Como é que vai criar toda uma nova estrutura só para fazer cartões para o futebol?
– Sim, senhor. Tomo boa nota.
– E, no fim, ainda cobram 20 euros?! Por um cartão com validade de três anos?! Os estádios estão vazios, as pessoas não têm dinheiro, mas o Governo ainda arranjou maneira de tirar mais pessoas dos estádios, mais dinheiro às pessoas e inventou mais um imposto sobre o futebol!
– Tomo boa nota, repetiu o Primeiro-Ministro, claramente já com pouca vontade de me ouvir.
– Só mais uma coisa, senhor Primeiro-Ministro: o cartão é para maiores de 16 anos. Como é que eu vou com os meus filhos ao futebol? Compro bilhete para a central, para gritar golo no meio dos adeptos da casa? Se quer mesmo criar uma zona para as claques, ao menos crie outra para as famílias, para os grupos de adeptos “não organizados”.
– Vou falar com o senhor secretário de Estado do Desporto e ver o que se pode fazer. – O seu secretário de Estado, senhor Primeiro-Ministro, duvido que alguma vez tivesse entrado num estádio de futebol antes de ser secretário de Estado. E já que o Presidente da Liga também não lhe diz nada e se limita a acatar uma norma que vai contra todo e qualquer interesse dos clubes, digo-lhe eu: esta portaria não funciona e nunca vai funcionar. Está errada e é preciso acabar com ela ou alterá-la radicalmente.
– Sim, senhor. Tomo boa nota – disse ele pela última vez e saiu.
E eu, que sou quase tão irritantemente otimista como ele, acredito que tenha mesmo tomado. Se não então, agora. Os adeptos merecem. Os jogadores merecem. O futebol merece."

A sereia e os lombos de porco



"Toda a gente afirmava: nenhuma mulher conseguirá atravessar a Mancha.

Gertrude Ederle tratou de provar o contrário Gertrude Caroline Ederle passou a infância perdida entre carcaças de vaca e lombos de porco dependurados no talho do pai, Henry Ederle, um dos muitos alemães que emigraram para os Estados Unidos em busca de uma vida mais razoável. Instalado na Amsterdam Avenue, em Manhattan, Henry não podia queixar-se da frequência de clientes e, a meias com Gertrude Anna Haberstroh, que atravessara o Atlântico na sua companhia, criaram uma bonita prole de seis crianças tão rosadas e tão saudáveis como os vitelinhos que Herr Ederle abatia de um golpe só de facalhão certeiro no pescoço nas traseiras do seu estabelecimento.
A família Ederle ganhava dinheiro suficiente a vender quilos de bifes para o que o pai resolvesse comprar uma casa de praia na zona de Highlands, Nova Jérsia, onde ensinou todos os filhos a nadar. Mas com Gertrude foi diferente: a garota apaixonou-se perdidamente pelo mar! Nascera em Nova Iorque, no dia 23 de outubro de 1905, era a filha do meio da fileirinha de Ederles, e aos dez anos já competia em provas oficiais representando a Women’s Swimming Association, a organização que tornara famosas grandes campeãs americanas como Ethelda Bleibtrey, Charlotte Boyle, Helen Wainwright, Aileen Riggin, Eleanor Holm e, sobretudo, Esther Williams, a atriz que protagonizou tantos dos ‘acquamusicals’, com elaborados gestos de natação sincronizada, alguns deles a meias com o campeão olímpico.
Johnny Weissmuller que o mundo aprendeu a conhecer como Tarzan.
Pouco tempo depois de se ter inscrito na Manhattan Indoor Pool, com uma quota de três dólares mensais, uma revolução autêntica conduziu à explosão da natação feminina nos Estados Unidos; os fatos de banho, inteiros, justos ao corpo, foram legalizados. Gertrude mergulhava nas águas tépidas da minúscula piscina que frequentava sentindo-se livre como uma sereia. E, como uma sereia, sentia bater cada vez com mais força no coração o chamado do mar.
Foi também por essa altura que os americanos pegaram no estilo chamado ‘australian crawl’ e o transformaram e definitivo naquilo que hoje chamamos de simplesmente crawl ou, em português, estilo livre. Rapidamente, Gertrude passou a ser uma especialista. E, ainda por cima, no mar que era a sua paixão. Aos 13 anos já tinha batido o recorde americano das 880 jardas nas águas de Brifgton Beach. Tomou-lhe o gosto. Participava em todas as provas que surgiam pela sua frente. Orgulhoso da filha, o açougueiro acompanhava-a para toda a parte, deixando as costeletas de novilho ao cuidado da mulher.
Em 1924, os Ederle, pai e filha, estavam em Paris. Gertrude, com apenas 19 anos, ia fazer parte da equipa americana que participa nos Jogos Olímpicos. Juntamente com as parceiras Euphrasia Donnelly, Ethel Lackie e Mariechen Wehselau, ganhou a medalha de ouro na estafeta de 4x400 metros livres, colocando o recorde do mundo em 4.58.8. Depois ganhou duas medalhas de bronze, individualmente, nas provas de 100 e 400 metros livres. No final, baixou a cabeça e confessou: «Este é o maior desapontamento da minha vida». O bronze não lhe chegava. E o cloro das águas das piscinas pelos vistos também não. Tornou-se profissional e virou-se para o mar. Não era apenas um chamado íntimo e profundo; era um desafio. Gertrude nascera para enfrentar o mar e ele estava à sua espera desde a mais antiga das suas infâncias. Poucas semanas mais tarde, nadou entre Batttery Park, Manhattan, e Sandy Hook, Nova Jérsia, cobrindo a distância de cerca de 35 quilómetros em 7 horas e 11 minutos, recorde que se manteve imbatível durante 81 anos. O seu sobrinho Bob inventou-lhe uma alcunha: ‘Midnight Frolic’ – ‘A Brincalhona da Meia-Noite’. Nessa altura, Gertrude virara-se definitivamente para outra parte do Atlântico: o Canal da Mancha.
A Women’s Swimming Association patrocinou, em 1925, a travessia do canal para duas nadadoras americanas, Helen Wanwright e, claro está, Gertrude Ederle. Helen, lesionada, nem chegou à Europa. Gertrude, já em Paris, entrou em contacto com a escocesa Jabez Wolffe, que já tinha realizado 22 tentativas frustradas para atravessar a Mancha. O conselho mais sábio que recebeu foi simples: «Não te apresses. Tem paciência. Não é uma corrida, é um desafio».
No dia 18 de agosto atirou-se à água. Poucos quilómetros depois, foi desqualificada quando Jabez, que a acompanhava no barco de apoio, mandou um nadador ajudá-la, pensando que Gertrude estava a afogar-se. Foi um casino: Ederle afirmou que estava a boiar num período de repouso, amaldiçoou a escocesa e teve de ouvir desta: «Nenhuma mulher atravessará a Mancha!». Um ano depois, saiu do Cap Griz-Nez às 7h08 do dia 6 de agosto e só parou em Kingsdon, no Condado de Kent, 14 horas e 34 minutos depois. Provara que as mulheres podiam atravessar a Mancha. A sereia vencera o mar."

Os testemunhos de dopagem


"O que dizem os atletas que se doparam? As confissões são raras. Jérôme Chiotti (2001), um ciclista de montanha arrependido, relata no seu livro o seu primeiro teste de dopagem: «Senti um pouco de pânico, apesar de dois ou três companheiros me terem explicado que os corticosteroides eram indetetáveis e que eu não estava em perigo. Em breve fiquei aliviado. Não sendo ‘controlável’, não me considerei um fora-da-lei» (Chiotti, p. 37). Chiotti transgrediu, mas «não tinha consciência».
Acrescenta que foi responsável pelos seus atos, mas não se considerava culpado. Neste caso, como podemos imaginar um consumidor de corticoides que se apresenta num controlo antidopagem persuadido que ele não transgride as regras?
Da mesma forma, o ciclista Philippe Boyer, uma das testemunhas que se entregou a Bordenave e Simon (2000, p. 94)), relata: «Assim que a bicicleta foi pendurada no prego, as anfetaminas não me abandonaram. Pelo contrário. Entre 1992 e 1994, não passou uma semana sem que eu lhe tocasse. Por vezes, é ainda mais apertado. Dou a mim próprio uma consciência limpa. Acendo [uma expressão usada para tomar anfetaminas] e depois vou imediatamente dar uma volta de carro. Digo a mim próprio que estou no controlo, que não sou viciado. (...) Não tenho consciência de ser um toxicodependente».
Este segundo testemunho permite uma leitura mais abrangente em termos de interesse e de estratégia. Admitindo que a adição está ligada à capacidade de controlar o consumo, podemos considerar que Boyer participa de uma estratégia de reconquista do público. Confessava uma falta, sem querer aceitar as sanções correspondentes.
Vencedor de sete edições consecutivas do Tour de França, um recorde absoluto que lhe garantiu o estatuto de ícone desportivo, o ciclista Lance Armstrong perdeu em 2012 todos os títulos conquistados a partir de 1998. Foi uma decisão sem precedentes da Agência Anti-Doping dos Estados Unidos, que o considerou o líder do “plano de doping mais sofisticado, profissionalizado e bem-sucedido da história do desporto”. Armstrong não recorreu da decisão e manteve um discurso de inocência, mas acabou por confessar toda a verdade numa entrevista a Oprah Winfrey, em janeiro de 2013. Neste processo é de referir o especialista italiano, Michelle Ferrari, que respondeu em tribunal. Foi acusado de ter aconselhado e administrado substâncias dopantes a diversos atletas e de ter exercido, de forma ilegal, a profissão de farmacêutico. Considerava que o “EPO é tão inofensivo como o sumo de laranja” e, costumava dizer que «se eu fosse corredor e se soubesse que havia produto indetetável, utilizá-lo-ia» (Melo & Azevedo, 2004, p. 132).
David Chaussinand, lançador de martelos, admitiu também se ter dopado, depois de ter sido reconhecido positivo num controlo antidopagem. Refere: «O atletismo é um desporto extraordinário. Não é preciso generalizar com base no meu caso». Sancionado por três anos, continuou a defender a ideia de que o atletismo continua a ser um desporto à parte, isto é, um espaço social ideal, onde a justiça e a igualdade de oportunidades de cada um são respeitadas (Attali, 2004).
Trabal (2002) argumenta que as confissões de atletas arrependidos promovem a ideia que se pode consumir os produtos interditos, sem aceitar ser um desportista dopado. Richard Virenque, acusado de se ter dopado, ilustra perfeitamente esta tendência de desresponsabilização. O ex-ciclista da equipa Festina tentou fazer crer que ele foi dopado sem saber. Defendendo-se, coloca o atleta numa postura quase platoniana (Platão opunha frequentemente a alma e o corpo, dizendo que é preciso um esforço para se concretizar esse desprendimento). Não nos podemos esquecer, como refere Bourdieu (2001, p. 26)), que «Os ‘sujeitos’ são na realidade agentes actuantes e cognoscentes dotados de um sentido prático (…), sistema adquirido de preferências, de princípios de visão e de divisão (…), de estruturas cognitivas duradouras (…) e de esquemas de acção que orientam a percepção da situação e a resposta adaptada».
Estes testemunhos permitem também verificar que vão ao encontro do conceito de “desviantes” de Becker (1995). Na sua perspetiva, todos os grupos sociais instituem normas e esforçam-se para as aplicar, pelo menos em certos momentos e em determinadas circunstâncias. As normas sociais definem as situações e os modos de comportamento apropriadas a estas: algumas ações são prescritas (o que é “bem”) e outras são proibidas (o que é “mau”). Quando um indivíduo é suposto ter transgredido uma norma em vigor, ele pode ser percebido como um tipo particular de indivíduo, ao qual não se pode confiar para viver segundo as normas acordadas pelo grupo. Este indivíduo é considerado como “estrangeiro” ao grupo (outsider). Mas um indivíduo que é etiquetado como estrangeiro pode ver as coisas de forma diferente. Ele pode não aceitar as normas, segundo o qual é julgado ou que ele nega àqueles que o julgam sem competência ou legitimidade para o fazer. O transgressor pode estimar que os juízos são estrangeiros ao seu universo. É o que refere Trabal (2002) quando os atletas se dopam não reconhecem serem transgressores, pois faz parte do seu universo ou, como diria Bourdieu (2001), das disposições sociais (ou dos habitus[1]). De facto, “se existe uma verdade, a verdade é um objecto de lutas”, lutas essas “que têm por objecto a imposição dos princípios legítimos de visão e de divisão do mundo natural e do mundo social” (Bourdieu, 2001, p. 61).
A Comissão Independente da Reforma do Ciclismo (CIRC), criada em janeiro de 2014, pela União Ciclista Internacional (UCI), lançou um apelo a possíveis testemunhas sobre a dopagem na modalidade entre 1998 e 2013. Garantindo a confidencialidade, o objetivo não era punir as pessoas culpadas de infrações, mas procurar tirar ensinamentos sobre o passado, por forma a assegurar um futuro promissor para o ciclismo.
E em Portugal? O que fazemos neste sentido?"

Teaser #4: 300 dias...

300 Dias


"Escrevo antes da estreia da série 300 Dias, da BTV, e são enormes as expectativas que deposito neste conteúdo.
Não é para menos: 11 episódios(!) idealizados pelo jornalista da BTV Ricardo Soares, o que, por si só, é garantia de qualidade, com imagens recolhidas por André Araújo, o mesmo dos múltiplos magníficos vídeos dos bastidores da nossa equipa de futebol, uma novidade ainda recente e que em muito nos enriquece enquanto adeptos.
Sou um razoável conhecedor da oferta de documentários sobre futebol e nunca vi um centrado exclusivamente na questão das lesões graves, desde que um futebolista a sofre até que a debela e regressar à competição. E é estranho, devo dizer.
Tive a oportunidade de acompanhar de perto alguns processos desta índole, nomeadamente de basquetebolistas do Benfica, e percebo cristalinamente, por exemplo, as amizades profundas geradas entre atletas e fisioterapeutas, bem mais sólidas, em muitos casos, que entre colegas de equipa. O Benfica através de André Almeida, dá-nos a conhecer esta faceta, entre outras, que quase todos desconhecem, presando assim um autêntico serviço público. E esta é uma componente da comunicação do Clube que merece ser destacada e muito elogiada.
Tem sido notório o esforço de aproximação dos adeptos, abrindo as portas ao 'balneário' e, com isso, humanizando aqueles que, pelo honroso e exclusivo papel que desempenham - representar o Benfica no relvado -, inevitavelmente são colocados num pedestal, tornando-se inacessíveis. Quebrar as barreiras é reforçar a ligação entre jogadores e adeptos, valorizando-se, pelo caminho, o produto futebol em função de uma opção clara pelos protagonistas em detrimento das recorrentes e estafadas questiúnculas do futebol português. Obrigação!

João Tomaz, in O Benfica

Paragem de seleções? Olha que maravilha


"Em condições normais - e o leitor já me conhece - a paragem no campeonato nacional para os jogos internacionais seria um tremendo aborrecimento. Normalmente, este é um período em que tento hibernar, no entanto desta vez estou muito bem acordado. O estado emocional transforma-se por completo num contexto em que o Benfica acaba de saltar para a liderança isolada após ganhar um jogo em cima do minuto 90, depois de estar a perder durante 70 minutos e na sequência de oito meses afastado do topo da tabela. Com este cenário, não só não há problema algum em interromper o campeonato para as seleções nacionais entrarem em acção como até nem me importo se este intervalo durar mais um ou dois anos. Sugiro a criação de um campeonato mundial com os países a jogarem todos uns contra os outros num formato a duas voltas.
Olhar para a classificação e ver o Benfica em 1.º, seja na 4.ª jornada, seja na última - sendo obviamente diferente - , alegra o coração. Com quatro vitórias em quatro jogos, o entusiasmo é ainda maior. Depois de garantir uma qualificação tão histórica quanto obrigatória para a fase de grupos da Liga dos Campeões, melhor sabe esta pausa. Por falar nisso, gostaria de me adiantar e dar já os parabéns ao Barcelona. Não tem nenhuma Liga Europa/Taça UEFA no currículo, mas algo me diz que neste ano vão acrescentar esse troféu ao museu lá na Catalunha. O hino da Liga dos Campeões lá estará de regresso ao Estádio da Luz, onde é tão agradável de ouvir. A medir forças com gigantes europeus, território onde o Benfica se fez e deu a conhecer ao mundo. Queremos todos ouvir o hino da Champions, mas queremos que o hino do Benfica se faça tocar ainda mais alto."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Bancadolândia


"'É aqui!' A mais recente vitória no futebol profissional ainda está quente na memória. Escrevo estas linhas volvidas poucas horas sobre o duelo com o Tondela no Estádio da Luz, onde uma segunda parte com pés no acelerador (também viabilizada pelo infinito combustível proveniente do apoio dos benfiquistas que esgotaram os lugares possíveis de ocupar na Catedral) guiou a equipa a novo triunfo e ao aproveitamento máximo nas primeiras quatro jornadas da Liga Bwin.
Facto natural para quem tem nas vitórias o seu oxigénio, o que o Benfica fez em Portugal, em volume e em sucesso, neste novo começo de caminhada só encontra paralelo no registo do PSG em França, quando se afunila a análise às seis melhores ligas europeias.
Olhando para trás, sem euforias nem deslumbrantes, concordaremos que, findo um mês de agosto forrado por sufocante calendário de jogos (metade dos quais decisivos para palmilhar até aos grupos da Liga dos Campeões), a liderança isolada no campeonato é uma consequência que se situa num patamar acima do saboroso. Mais ainda se as emoções comandam o olhar e se o coração domina o pensamento quando nos abeiramos da janela da estatística para espreitar os números - o Benfica é o único competidor 100 por cento vitorioso na Liga Bwin, tem o melhor ataque, ex aqueo, uma das melhores defesas, etc.
O cenário que se contempla é auspicioso, mas também um óptimo conselheiro num aspecto fulcral que encontra exímio professor num passado nada longínquo: o trabalho e a mentalidade vencedora não se podem distrair, nem intermitir.
Nesta circunstância de balanço para o que virá, reentro na noite de 24 de Agosto, em Eindhoven, para ampliar um 'grito de garra', uma das manifestações de contentamento pela passagem à fase de grupos da Champions League, porque naquela expressão há nervo que pode atalhar o futuro, no campo, nos momentos de definição. 'É aqui!', proclamou Otamendi, segundo o meu descodificador sensorial, nos bastidores da qualificação. Um instante, inspirador de leituras mil, que merece ser escutado (e sentido) em loop depois um mês perfeito e antes de novas batalhas que incluem desafiar estrelas."

João Sanches, in O Benfica

No nosso lugar


"O primeiro ciclo jogos da nova temporada está concluído. E os resultados não podiam ser melhores. No campeonato, quatro jogos, quatro vitórias, liderança isolada. Na Liga dos Campeões, após duas difíceis eliminatórias, entrada assegurada na fase de grupos e arrecadadas as correspondentes receitas.
Diria que é neste o lugar do Benfica: em 1.º no campeonato nacional, e entre os melhores na Europa.
Embora os dois últimos triunfos domésticos tenham sido obtidos nos derradeiros instantes das partidas (e assim, ainda mais saborosos), as exibições, de nota artística bastante razoável, têm revelado um Benfica muito diferente, para melhor, daquele que nos angustiou ao longo de quase toda a época passada. E o resultado de Eindhoven mostrou igualmente uma equipa coesa, comprometida e determinada, capaz de fazer frente a todos as adversidades que lhe forem surgindo ao caminho.
O plantel está mais forte e equilibrado do que no passado recente, os adeptos estão de volta à Luz, e tudo se vai compondo para uma temporada bem-sucedida, que possa traduzir-se no ansiado regresso aos títulos.
É, todavia, importante realçar que ainda não ganhámos nada, e lembrar que à quarta jornada da última temporada também seguíamos na frente. Os sinais são muito positivos, mas são somente sinais. Esta liderança, bem como o apuramento para a fase de grupos da Champions, é excelente ponto de partida, mas não de chegada. Tudo está por conquistar.
Os próximos meses vão ser de luta, e devemos estar cientes de que, à medida que mais força demonstrarmos, mais atacados seremos dentro e fora dos campos."

Luís Fialho, in O Benfica

Arranque à Benfica


"Terminado o primeiro ciclo de jogos, que permitiu o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e a liderança isolada, no campeonato, à 4.ª jornada, é hora de fazer um balanço. Impressiona a forma como os 25 jogadores utilizados, nestes oito jogos, demonstraram o compromisso total com o Clube. O espírito de equipa é evidente, e em todos os jogos sentimos a união do grupo. Quer em Moscovo, frente ao Spartak, uma equipa liderada por um antigo treinador do Benfica que conhece bem os cantos à casa, quer em Moreira de Cónegos, sobretudo após ficarmos reduzidos a 10, quer em Barcelos, quer em Eindhoven, onde jogámos uma hora com menos um, foi impressionante a entrega de todos. Jorge Jesus tem sido mestre não apenas na tática, mas sobretudo na estratégia. O nosso treinador fez de cada um dos oito jogos verdadeiras finais. Os quatro jogos realizados no Estádio da Luz provaram a dedicação e a capacidade de sofrimento dos nossos jogadores. Os jogos com Spartak, Arouca, PSV e Tondela exigiram muito da equipa e dos atletas. Em nenhuma destas partidas o Benfica podia falhar. Os jogos de acesso à Liga dos Campeões, por motivos óbvios, e os jogos do campeonato, por ser o principal objectivo da temporada, levaram o grupo de trabalho a unir-se e a funcionar como um bloco coeso. Jorge Jesus tem alternado os onzes iniciais, e a equipa manteve sempre um elevado desempenho competitivo. Algo que é muito difícil de pôr em prática sobretudo se tivermos em conta que os dois principais avançados do Benfica - Seferovic e Darwin, que na época passada marcaram juntos 40 golos - estiveram lesionados. Em Setembro vamos iniciar um novo ciclo com uma certeza - o mais importante reforço da época veio das bancadas."

Pedro Guerra, in O Benfica

Acolher!


"O êxodo continua. Mulheres, homens, crianças, novos e velhos, despojados de tudo, arrancados às suas raízes, clandestinos na própria família, escondidos de tudo e todos.
Perdidos no mundo, minados por nada saberem dos seus e tolhidos de os contactar pelo medo das duras retaliações.
Não consigo descrever melhor a situação humana em que os refugiados, todos os refugiados, se encontraram na fase de acolhimento. A única coisa que lhes aquece a alma é a segurança de um porto de abrigo, a comida quente, a certeza de viver mais um dia e a esperança, talvez, de um futuro. As noites, essas, revivem em pesadelos a angústia e a violência que, afinal, não ficaram para trás, antes parecem repetir-se uma e outra vez num ciclo eterno que de si afasta qualquer tipo de paz, mesmo momentânea.
Não é esta a condição humana. Não deveria ser a condição de ninguém! Mas é a condição de cada vez mais milhões de pessoas em todo o mundo, onde o radicalismo político-religioso, a economia do ilícito ou, simplesmente, a mudança climática põem a nu a fragilidade da condição humana.
Se tomarmos, cada um de nós, o tempo necessário para refletir sobre isto e nos imaginarmos na situação destas pessoas, rapidamente passamos do nó que se nos aperta na garganta para a necessidade de agir. Mas o que poderemos fazer? Acolher e saber acolher!
E isso, este Benfica universal sabe fazer e faz como ninguém!"

Jorge Miranda, in O Benfica