Últimas indefectivações

terça-feira, 6 de julho de 2021

Cadomblé do Vata


"Escrever que admiro guarda redes desde pequenino, seria induzir o leitor no erro de pensar que sou alto. Na verdade, sou admirador de guarda redes desde... sempre. Será sem surpresa que vão ler que os nomes que mais me cativaram foram de antanho, porque é normal o ramo da Admiração resvalar imparavelmente para a Nostalgia. Bento (tão pequeno quanto grande), Preud'homme (Prédóme em algarvio correcto), Baía (oh triste heresia que me atacas), Bernard Lama (como Saint Michel, outro desgraçado nas garras de Artur Jorge), Silvino (do Sp. Espinho, que com 1,60 me fazia acreditar ser possível jogar na Primeira Divisão), Koepke, Immel, Ilgner, Schumacher, Reck (cujas fotos decoravam as embalagens de luvas Reusch, que os meus pobres pais me compravam para eu estraçalhar no pelado), Buffon (o melhor guardião da historia de todas as modalidades que usam guardiões), ou o meu primeiro Herói das Balizas, Walter Zenga (que conjugava a mesma quantidade de genialidade como de mau feitio), fazem parte do meu imaginário épico das balizas.
Já me tinha esquecido de como gosto de um bom guarda redes, até ver Donnaruma no Itália - Bélgica assinar com caneta de tinta permanente, o seu nome na lista de herdeiros dos atrás mencionados. Numa era de "porteros" eficazes, quase inultrapassáveis, que salvam as equipas defendendo com os pés, o peito, a cabeça e tudo o que vier à mão, menos as mãos, o italiano recuperou a elegância da defesa, a arte de quase pairar em vôo e a presença que ultrapassa os seus 2 metros de altura. Foi a ver Gigi II espalmar uma bola de De Bruyne que me pus a pensar sobre qual seria o guarda redes da minha vida e confesso, a conclusão foi quase chocante.
Adelino Augusto da Graça Barbosa Barros. Neno. O cabo verdiano que na fase madura da carreira se viu obrigado a jogar com uns pés pouco capacitados para tal e a dominar o espaço aéreo da pequena área com as vertigens à flor da pele, é o redes da minha vida. Muito provavelmente da vossa também e não sabiam. Senão, vejamos: FCPorto - Benfica do César Brito; Arsenal - Benfica do Rafa Silva... Benfica - Boavista do Futre... Benfica - Sporting do Cherbakov... Sporting - Benfica do JVP... Bayer - Benfica dos cardiologistas. Dos jogões de uma geração, falhou as finais da TCE e a meia final do Vata. E em todos deixou pegada indelével, carimbada em defesas plenas de elasticidade e reflexos incomuns, ou em golos sofridos após saídas falhadas a cruzamentos (que só não apareceram nas Antas) que não só eram a sua marca de água escrita a negrito no curriculo, como uma clara demonstração de coragem. Tantas vezes falhou, mas nunca desistiu de tentar."

Cervi...

"Amigos, no more goals!"


"Num jogo particular, o habitual vermelho do Estádio da Luz 'deu lugar ao negro, às tatuagens e aos cabelos compridos'

Na noite de 20 de Maio de 1998, quarta-feira, os Iron Maiden tinham concerto agendado para Cascais. A banda de heavy metal tinha por tradição jogar contra equipas locais nos países onde actuava, doando as receitas na sua totalidade a instituições de caridade.
Na tarde do concerto, reuniram-se no antigo Estádio da Luz para jogar contra as antigas glórias do Benfica. Com os bilhetes a 300 escudos, a instituição escolhida foi uma creche para crianças desfavorecidas do bairro da Madragoa.
Num jogo marcado para as 15 horas, compareceram mais de dois mil adeptos que torceram mais pelos Iron Maiden do que pelo Benfica. O ambiente era de bastante descontração, de tal forma que o árbitro Vítor Correia chegou atrasado 40 minutos, perguntando: 'É às quatro horas, não é?'.
Pelo Sport Lisboa e Saudade alinharam Bento, Bastos Lopes, Rui Pereira, Hernâni, Adolfo, Padinha, José Luís, Shéu, Mozer, Chalana, Nuno, Sanches, Miguel Bento, José Teixeira, João Gonçalves e Baião. A equipa visitante tinha o nome do novo álbum, Virtual XI. Nela alinharam antigos jogadores britânicos, como Ian Bishop (ex-West Ham) e elementos da equipa técnica da banda. Entre os músicos, apenas Steve Harris, o baixista, foi titular.
Nos 60 minutos de jogo, a equipa de negro actuou com bravura, o que não chegou para travar as antigas glórias 'encarnadas«. Chalana inaugurou o marcador. Marcaram Padinha, Rui Pereira, José Luís e Hernâni bisou na segunda parte. Ian Bishop fez o 6-1. Também José Teixeira deixou um tento nas balizas dos metaleiros e Mozer marcou um hat trick, que fechou o resultado em 10-1.
Segundo o vocalista, Blaze Bayley, foi a primeira derrota em sete jogos, mas também um momento de grande diversão. Como diria a música do novo álbum, 'Amigos, no more goals'!
Hernâni e Mozer, os melhores em campo, eram fãs dos Iron Maiden. No relvado, Hernâni dançou ao som da banda durante o intervalo e Mozer confessou ter assistido a alguns concertos quando a banda actuou no Rio de Janeiro, anos antes. O próprio Eusébio declarou gostar da música dos britânicos.
Foi m bonito jogo de fãs de futebol e de fãs do heavy metal. Steve Harris afirmou ter sido uma conquista, a 'sensação fantástica' de jogar no relvado benfiquista e 'porque estivemos junto de Eusébio'!
Conheça outras histórias do Sport Lisboa e Saudade na área 16 - Outros Voos, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Soma e segue


"O Sporting CP prepara-se para, uma vez mais, renegociar com a banca os valores em dívida, o que, traduzido por miúdos, significa que tentarão negociar mais um perdão da dívida ou, na "pior" das hipóteses, prolongar por mais uns anos os respetivos empréstimos com juros ao "preço da chuva".
Falamos de um clube que, na última década, não se coibiu de investir nas modalidades e no futebol de forma imprudente e que usufrui, reiteradamente, de regalias bancárias que os restantes clubes e contribuintes portugueses não beneficiam.
Assim vai Portugal."

Negócio da China


"Federação Portuguesa de Futebol arrecadou 13,5 milhões de euros com a participação no Euro 2020. A presença garantia 9,25 milhões e o pecúlio máximo poderia atingir 34 milhões. Este modelo de redistribuição de receitas (direitos televisivos e patrocinadores exclusivos do evento) não surpreende pois não é inédito em competições de seleções e há muito que está implementado pela UEFA nas provas europeias de clubes.
Com o montante recebido, as federações financiam os seus custos, além dos eventuais prémios de desempenho aos jogadores. Há ainda as receitas de publicidade e patrocínios, por certo muito significativas, conforme se poderá deduzir da associação de inúmeras marcas à seleção. Tudo isto seria normal se não fossem os clubes, na prática, eles próprios patrocinadores das seleções, porventura os principais.
Os atletas, além de remunerados pelas federações, continuam a auferir o salário das suas entidades patronais. Arriscam problemas físicos ao serviço de outrem, acumulam cansaço, encurtam férias, não participam nos treinos da equipa a que pertencem e são sujeitos a regimes diferentes, do alimentar ao preventivo de lesões, entre outros. A única vantagem para os clubes passa por uma eventual valorização dos passes dos atletas, além de uma compensação ínfima face aos custos salariais (no mundial de 2018, os clubes receberam 7100 euros por dia por atleta convocado).
Não quero ser mal-entendido: adoro competições de seleções e defendo a justa retribuição dos atletas. Porém, é por estas e por outras que, ciclicamente, surgem manifestações por parte de clubes em prol da criação de uma superliga europeia fora da égide da UEFA.
Bem poderão afirmar as federações que parte das receitas são canalizadas para a promoção do futebol a vários níveis e sob diversas formas, mas então que assumam, no mínimo, que são os grandes clubes quem, de facto, financia esses mecanismos. Até porque, num cenário justo, os clubes seriam recompensados pela totalidade dos custos salariais com os jogadores ao serviço das federações."

Reflexão sobre a formação dos treinadores portugueses: «Um micro-facto poderá provocar uma macro-consequência»


"Passado o clamor das opiniões de diretores, comentadores, políticos, jornalistas, treinadores, entre muitos outros, sobre um facto particular que direcionou a atenção dos portugueses, sobre a formação dos treinadores de futebol, este momento de acalmia parece ideal para realizar uma reflexão, descentrando o foco da discussão sobre um micro-facto, analisando o conteúdo das sombras produzidas.
Com toda a certeza que a generalidade dos portugueses não considera o desporto como o filho de um deus menor. Por conseguinte, não estará em causa a essencialidade de todos os treinadores deterem um determinado grau de formação específica, no sentido de conduzir e liderar uma equipa de futebol. Tal formação é função dos diferentes grupos etários dos jogadores que estão à sua responsabilidade, desde a formação ao alto rendimento.
As exigências da certificação das entidades formadoras da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) obrigam à necessidade dos treinadores que intervenham com crianças e jovens dos 4 aos 18 anos apresentarem um determinado grau de formação específica para exercerem tais funções. Caso não apresentem essa condição básica, entre muitas outras, dificilmente poderão ser consideradas entidades formadoras, não beneficiando assim das vantagens que derivam de tal estatuto (lembra-se que cerca de 900 entidades encontram-se neste perímetro).
1. Questões Iniciais
Terá sentido que os jovens em meio escolar usufruam da formação específica de todos os seus professores, em diferentes áreas do conhecimento, e no meio desportivo estejam sujeitos a um treinador sem formação adequada? A exigência de tal formação não está na linha dos supremos direitos das crianças e jovens, experienciando atividades induzidas por técnicos com competências para o exercício dessa atividade?
Será despropositado que tais competências não sejam exigíveis aos treinadores de alto rendimento? Será que treinar jovens deve obedecer a uma regulação formativa especializada dos seus treinadores e dispensável ao nível profissional? Será que treinar jovens é mais responsável que treinar profissionais? As limitações dos treinadores não serão impactantes no desenvolvimento cognitivo e fisiológico dos jogadores? Uma lesão que possa derivar, objetivamente, da utilização de métodos de treino desapropriados no alto rendimento é menos responsável que na formação?
2. Treinador de Futebol
O treinador é um gestor de um capital humano, estabelecendo e desenvolvendo um processo racional de treino e competição, baseado num esforço individual e cooperativo, de modo a atingir objetivos comuns que, de outra forma, não poderiam ser concretizados. Em virtude das funções absolutamente necessárias à eficaz condução de uma equipa de futebol, o treinador terá que estudar e desenvolver, antecipando ou resolvendo, em cada momento, problemas que cada contexto situacional exige e condiciona. Questiona-se: há possibilidade de controlar a qualidade deste processo, caso o treinador não adquira competências específicas no âmbito de um trajeto formativo prático/teórico a longo prazo?
No futebol não existem soluções perfeitas e definitivas, a resolução de problemas no treino e na competição é sempre suportada por adaptações em função da emergência situacional em constante alteração. Logo, os treinadores lideram um processo complexo, dinâmico e com uma enorme margem de imprevisibilidade, pois estes são os elementos essenciais da lógica interna do jogo, tanto na formação como no alto rendimento.
Neste quadro, todos os elementos que o circundam desde a formação, o desenvolvimento e a evolução de uma equipa de futebol, baseia-se em pressupostos metodológicos, fisiológicos, psicológicos e sociais, suportando-se em hipóteses e predições. Para tal, utilizam-se informações do passado e do presente, projetando-as no futuro. Quanto menos o treinador entender estas singularidades menos saberá como as controlar e manipular.
A definição de liderança é formulada de diferentes formas. Contudo, de forma simples e direta, liderar uma equipa é fazer-se os possíveis para ajudar todos os jogadores, de modo que estes possam realizar o seu melhor individualmente, potenciando-os na direção da equipa. Para tal, o treinador utiliza a sua ação persuadindo, criando climas de confiança e dinâmicas sociais adequadas às capacidades momentâneas dos seus jogadores. Ao focar-se somente em pequenos e grandes detalhes da organização dinâmica da equipa, eles retraem-se profissionalmente, reduzindo e simplificando a ampla riqueza de domínio estratégico e tático do jogo de futebol.
A essência de uma equipa de elevado valor é, precisamente, que cada jogador encontre na equipa técnica e nos diferentes colegas o que lhe falta, tornando-se mais capaz. Ganhando confiança nas capacidades adquiridas e, posteriormente, sentindo-se mais seguro, de modo a ajudar e a interagir com os outros.
3. Treinador e o Mundo
Numa sociedade importa que os seus cidadãos saibam realizar escolhas conscientes, no sentido de melhorar as suas condições de vida. Consequentemente, os treinadores necessitam de adquirir conhecimentos e competências sobre as formas e meios que possibilitem aos seres humanos sob a sua responsabilidade poderem tirar o melhor de si próprios, elevando a sua dimensão humana e desportiva, desde a formação ao alto rendimento. Não existirão jogadores de qualidade sem treinadores com uma formação de qualidade.
A UEFA e a FPF assinaram um convénio, normalizando as condições e as exigências formativas (nº de horas, áreas temáticas específicas, etc.), no sentido de um qualquer treinador português, quando credenciado, independentemente do grau adquirido, poder manter o seu estatuto e desenvolver as suas competências profissionais em qualquer país do mundo. Caso tal convénio não existisse, teríamos nós tantos treinadores a trabalhar nos cinco continentes? Demonstrando deste modo o valor dos treinadores e a sua formação, marcado a nossa presença em diferentes áreas inerentes ao desenvolvimento do futebol no mundo.
Dificilmente alguém negará a evidência e a importância dos factos enunciados. A escolha é simples, prefere-se ter treinadores conscientemente competentes ou (in)conscientemente incompetentes?
Neste quadro poder-se-á, igualmente, uma vez que também participam neste movimento formativo, equacionar qual a utilidade das universidades de desporto, em Lisboa, Porto, Coimbra, Algarve, Trás-os-Montes e Alto Douro? Os doutorados, mestrados, licenciados destas instituições o que fazem todos os dias? Formam, investigam e acumulam informação pertinente, mas para que serve social e profissionalmente? Existem questões, socialmente essenciais, que não podem ser analisadas de forma simplista e redutora.
Vejamos um facto simples da nossa existência. Diariamente olha-se o céu, com o intuito de se prever as condições climatéricas para o dia seguinte. A experiência que daí advém não traduz, automaticamente, que cada indivíduo seja especializado em meteorologia, mesmo que consiga acertar mais vezes do que errar. Prever o estado do tempo é uma tarefa que obedece a uma ‘lógica’, concretizada pelo cálculo da interação de múltiplos fatores, provenientes de diferentes fontes. Sendo através da interpretação, compreensão e significado da estrutura envolvente (meio) que é possível elaborar (prever), limitando o número de eventualidades, o futuro mais provável face à realidade estudada e refletida.
Não sou médico, mas a minha experiência adquirida como treinador de futebol garantiu-me, em certos momentos, fazer diagnósticos mais rápidos que o próprio médico do clube. E mesmo discutir com ele formas de tratamento do jogador. Este facto não faz de mim um médico especializado em contusões, roturas musculares, entorses, etc., mesmo que acerte mais vezes do que erre, pois, continuarei a ser conscientemente incompetente.
Alex Ferguson, refere que «o estudo prático/teórico do futebol, bem como a sua difusão na formação dos treinadores ampliou o seu desenvolvimento e evolução». Assim aos mais céticos do valor formativo dos cursos de futebol, refiro: se a formação não é importante, então agarre-se à sua ignorância para resolver problemas.
Existe um exagero, em certos níveis competitivos, enfatizando-se o resultado e a classificação final das equipas. Para alguns, será a parte que afere as competências do binómio treinador/equipa. Contudo, o processo de preparação da equipa, embora seja menos visível, é determinante para o resultado final. Os troféus alcançados por Rinus Michels ficam aquém de treinadores do seu tempo. Porém, em 1999 foi eleito pela FIFA o ‘Treinador do Século XX’. A sua eleição baseou-se no facto de ter desenvolvido ideias, conceitos e princípios operacionais de jogo, inspirando grande parte dos seus predecessores.
4. Tempo, Admissão e (Des)Igualdades
No calor discursivo do micro-facto da formação dos treinadores, outras questões foram equacionadas. Relacionam-se com a sua duração temporal, a admissibilidade dos candidatos aos diferentes graus, bem como os momentos em que estes poderão ser realizados.
Relativamente à primeira questão, alguns, terão uma variação temporal entre 6 a 8 anos para completar o grau IV (UEFA-Pro), mas os treinadores que foram contratados por algum clube das ligas profissionais (antes de terem a formação adequada à função) há muito que beneficiam de um atalho que encurta tal processo para 2/4 anos. Tal acontece em virtude da FPF possibilitar a realização, em simultâneo, do grau II com o III ou do grau III com o IV.
E mais, caso o treinador tenha sido jogador profissional, com um determinado nível, porventura, já terá beneficiado da isenção da frequência do grau I, começando a sua formação no grau II. E, posteriormente, em virtude de ter um contrato profissional com um clube da Liga ou Liga 2, realizará o grau III e IV em simultâneo.
No final, completará o nível UEFA-pro entre 2, 3 ou 4 anos. A visão apocalíptica evidenciada por algumas pessoas sobre esta questão não tem qualquer sentido. Mas sim, reforça-se, para aqueles que não tendo algum mediatismo social percorreram o ciclo formativo sem atalhos. Logo, apesar de num estado de direito todos os cidadãos serem iguais perante a lei, existem sim desigualdades e assimetrias no tratamento dos treinadores.
Contudo, este facto levanta várias questões que importa relevar. Compreende-se que um treinador que tenha sido jogador profissional tenha algumas vantagens relativamente a outros que não o foram. Se, porventura, Cristiano Ronaldo pretender ser treinador de futebol, qual o grau inicial em que deverá enquadrar-se na sua formação? Poderá ser comparado a um qualquer outro jogador? Será que CR7 precisará de algum tipo de formação específica para ser treinador de futebol? Deixo um simples testemunho. No âmbito das minhas atividades na Federação Croata de Futebol do III e IV grau, fui confrontado com a inscrição de Luka Modric no curso de formação de treinadores. Perguntei se tinha algum tipo de privilégio. A resposta foi não. Exceto realizar práticas, de modo a evitar a possibilidade de se lesionar e prejudicar o clube a que pertence.
Sobre a admissibilidade ao grau III e IV, existe um regulamento sobre a necessidade de o treinador ter um contrato profissional de treinador (na formação ou no alto rendimento). Tais cursos estão condicionados pela convenção da UEFA (grau III, realizando-se anualmente com 30 formandos, e o grau IV, bianual, com 25 formandos). Deverá este facto ser considerado uma forma de corporativismo? Se tal não existisse, os treinadores portugueses teriam acesso a outros países? Poder-se-á evocar que a UE interviria nestes casos, contudo somente serviria nos países que lhe estão associados. E quanto ao resto do mundo, como se resolveria a questão?
É admissível questionar-se sobre a possibilidade de haver uma maior flexibilidade relativamente ao número de treinadores a serem admitidos, bem como os cursos serem realizados com maior frequência. Ao ampliar-se as condições de admissibilidade e frequência dos cursos irá infligir-se as regras inscritas no convénio com a UEFA. Tendo repercussões no reconhecimento dos treinadores quando pretenderem passar a fronteira do país. A Espanha, em virtude de ter regiões autónomas, já o tentou, contudo nenhum desses treinadores teve reconhecimento pela UEFA. Ora, dentro do país podem ser reconhecidos, mas quando saem das suas fronteiras, esfuma-se o seu reconhecimento.
Como princípio geral, todo o cidadão deve ter acesso a qualquer profissão. Para tal, terá de frequentar um processo formativo especializado e reconhecido nacional e, caso seja útil, internacionalmente. Para tal existem instituições que regulamentam e certificam a formação realizada. Poderá parecer um processo burocrático, mas não é assim para a maioria das profissões? Como se regulava tal mercado? Há muitos anos que as universidades de medicina mantêm um número de alunos/ano, restringindo a possibilidade de muitos deles poderem frequentar tal curso. Alguns saíram do país, em virtude de não cumprirem os pressupostos de entrada na universidade. Provavelmente, a questão que se coloca são as relações inerentes à quantidade versus qualidade.
Não existem soluções perfeitas, o que existe são soluções mais racionais, congruentes e abrangentes que outras. Analisar um problema em função de um ou dois casos ajuda a analisar as qualidades de um sistema, mas, provavelmente, não será a melhor forma de o melhorar. «Olhar para a árvore não será o melhor método para analisar uma floresta».
5. Estratégia Formativa
Participei durante 15 anos na formação dos treinadores portugueses, relativamente, ao grau III (UEFA – advanced) e IV (UEFA - Pro) da FPF. Por vontade própria, em 2018 deixei de fazer parte do grupo de preletores dos referidos cursos de formação. Sendo que as áreas em que cooperei, como treinador, foram a técnico/tática e a metodologia do treino, ou seja, áreas com maior ponderação na avaliação final dos treinadores.
Entre 2005 e 2006, com a concordância da FPF, liderei um grupo de peritos em diferentes áreas do conhecimento, renovando e inovando os conteúdos programáticos de todos os cursos de treinadores, desde o grau I ao grau IV. Considerava-se, nessa altura, que os conteúdos programáticos existentes estavam desatualizados perante a realidade e as exigências do jogo, bem como a dispersão sobre os conteúdos a desenvolver pelos diferentes formadores das associações de futebol.
A afetação da complexidade de conteúdos em função dos graus de formação promoveu a estabilidade, bem como a normalização de pontos de convergência entre os vários formadores, de modo que as competências exigíveis aos formandos fossem uniformizadas.
A estratégia era formar profissionais qualificados em treino de alto rendimento. Oferecendo competências ao treinador português, de modo que este pudesse entrar no mercado nacional e internacional, com elevadas capacidades e reduzidas possibilidades de erro. Contudo, sabia-se que somente uma pequena parte dos treinadores com o grau III e IV teriam a possibilidade de atingir o alto rendimento. Foi um risco calculado, com ganhos a curto e médio prazo.
Nuno Espírito Santo, Marco Silva, José Gomes, Paulo Sousa, Paulo Bento, Paulo Fonseca, Vítor Pereira, Pedro Caixinha, Pedro Martins, Pedro Emanuel, Miguel Cardoso, Jorge Costa, Sá Pinto, Van der Gaag, Sérgio Conceição, Bruno Lage, Daniel Ramos, Petit, Luís Castro, Pepa, Ivo Vieira, António Folha, Nuno Manta, Lito Vidigal, Nandinho, Pedro Espinha, Pedro Roma, Rui Jorge, Rui Bento, Rui Vitória, Romeu Correia, Emílio Peixe, José Guilherme, Felipe Ramos, Hélio Sousa, Brassard e Emanuel Ferro, entre muitos e muitos outros, passaram por este percurso formativo. Não havendo nenhum ruído mediático ou social.
Em múltiplas ocasiões a UEFA, como é normal, enviou técnicos para verificarem ‘in loco’ como os cursos da FPF decorriam. Os seus relatórios foram unânimes sobre a qualidade e as condições oferecidas aos treinadores na sua formação.
Esta estratégia incluía, também, a criação de uma escola nacional de treinadores e o desenvolvimento de manuais técnicos. Objetivos que, por diferentes razões, não foram possíveis de materializar.
Há muito que a linha estratégica diretora inicial deveria ser reajustada às diferentes realidades profissionais dos treinadores, bem como os conteúdos programáticos que resistem ao tempo, mas não há erosão provocada pela evolução do jogo. O jogo transforma-se desde uma visão micro a macro, relativamente às várias áreas específicas, tais como a estratégia, a tática, a fisiologia, a psicologia, a sociologia, a gestão e a liderança, entre muitas outras.
Refere-se com toda a justiça que os treinadores portugueses são de elevada competência. A questão que se coloca é: estando o futebol em constante evolução, passados 10 anos, não será altura de se implementar uma renovação em tais conteúdos programáticos, em virtude das exigências do futebol atual, bem como de uma formação que se pretende multifacetada e de excelência, adaptada a diferentes contextos competitivos? Antecipar uma realidade que irá acontecer no futuro é encontrar no presente as soluções mais apropriadas. De que vale esperar que outros países nos ultrapassem e, posteriormente, encararmos uma realidade que desde já conhecemos?
6. Entorses da Formação
Poder-se-á questionar: qual o benefício para o formando e o futebol nacional que todos eles tenham um itinerário formativo apontado para um objetivo, sabendo-se, plausivelmente, que jamais lá chegarão? Não seria mais apropriado que a formação fosse constituída por blocos formativos que correspondessem às necessidades de grupos de treinadores, em contextos profissionais semelhantes em que se circunscrevam?
Vejamos dois exemplos práticos. Quais as razões para um treinador de guarda-redes que pretende, somente, treinar guarda-redes, ter que passar por uma formação que em absoluto pouco ou nada lhe trará para a sua atividade específica? Quais as razões de um treinador da formação ter de passar por conteúdos programáticos e critérios de avaliação absolutamente idênticos a um treinador de alta competição? O que ganha o futebol nacional com este gasto de tempo e energia quando o que se transmite pouco se relaciona com o contexto em que está inserido? Haverá algum constrangimento em se especializar a formação dos treinadores, de acordo com as suas necessidades e os seus próprios interesses? Porque não desenvolver diferentes caminhos formativos, oferecendo competências especificadoras nas suas diferentes áreas de atividade?
Se pretendemos manter-nos neste jogo infinito, influenciando-o perpetuamente, há que entender que as regras deste jogo estão constantemente a mudar e os participantes são múltiplos, entrando e saindo do sistema a qualquer momento. Se a mentalidade for que nada existe para mudar, haverá o declínio das competências dos nossos treinadores, quando comparados com outros dos demais países. Importa traçar-se uma rota. E, nessa rota, só existe uma posição: ou estamos à frente ou atrás.
Enquanto houver muitos e competentes treinadores portugueses em equipas de elevada exigência, e espera-se que continue a haver, poder-se-á pensar que a formação está sempre no bom caminho? Há que existir vontade política e técnica de responder à diversidade das exigências dos treinadores e do futebol.
Criará a UEFA problemas? De todas as reuniões em que participei, jamais verifiquei que uma boa ideia não fosse atendida. E quando estas são consideradas benéficas, de imediato são divulgadas às outras federações. Será que não importa sermos inovadores? Para atingir um objetivo é essencial perspetivar uma causa. E não somente observar os obstáculos para atingi-la. Os obstáculos fazem parte do processo e do trajeto para atingir o objetivo, não constrangendo a vontade de o alcançar.
7. Cultura Formativa
É essencial criar uma cultura formativa dos treinadores, baseada numa causa justa. Um propósito com significado, empenhando-se e contribuindo para a valorização de algo que é maior do que cada um individualmente.
Para tal, a FPF necessita de equacionar e criar novas condições ao departamento de formação, de modo que estes se sintam valorizados com o que fazem e absolutamente confiantes entre eles próprios. Potencia-se, determinantemente, a flexibilidade existencial de transformação da formação dos treinadores.
Caso contrário, irá definhar de modo contínuo, passando a ser um simples formalismo burocrático. Perde o respeito dos clubes e dos treinadores. Pois, independentemente da legislação, os clubes têm a liberdade de contratarem quem consideram merecer a sua confiança (com ou sem formação adequada).
Os treinadores também parecem não ver nestes cursos a oportunidade para aprenderem e evoluírem, mas somente para obter o diploma UEFA. Todos os cursos têm como missão acrescentar valor às competências de cada treinador, através das quais compreendem a diferença entre o que conhecem e desconhecem relativamente ao contexto em que se encontram.
As declarações públicas de um treinador da Liga - cito: “agora vou despachar o 4º nível” - são a manifestação objetiva que certos treinadores consideram que as suas competências não terão qualquer acréscimo de valor frequentando tal curso. É inútil, é uma perda de dinheiro e tempo. Seja pensado ou mencionado é uma situação preocupante e um sinal que importa esclarecer. Será que tem razão? O verbo despachar significará que nada acrescenta ao seu amplo e infindável conhecimento. Se, porventura, o curso de formação da FPF apresentasse preletores como José Mourinho, Pep Guardiola ou Jurgen Klopp, atrevia-se tal treinador a expressar tal verbo?
8. Objetivo da Formação
A formação da FPF tem como função ajudar os treinadores a saber fazer o que já executam melhor, mas também induzi-los a outras formas de resolver problemas de diferente ordem. Envolvendo-os num processo inclusivo e integrador de desenvolvimento individual e coletivo. Cada treinador, quando num ambiente particular, compromete-se sem questionar se o tempo e energia gasta é ou não proporcional às possíveis recompensas. Os nomes dos vários treinadores que foram referidos são a prova disso mesmo.
Importa que todos os treinadores sejam capazes de potenciar o presente projetando-o no futuro, isto é, realizar-se sempre mais com as competências existentes. Explorando ao máximo as suas margens potenciais de desenvolvimento. E, principalmente, sentindo-se inspirados para voltar ao processo de treino com instrumentos e competências valorizadas, numa dimensão maturacional humana e desportiva.
Finalizando, os treinadores têm de acreditar e ter confiança na qualidade dos formadores que estão à sua volta, sentirem que estes se preocupam realmente com eles. Logo, a melhor forma para que os treinadores sintam que a FPF se preocupa com eles é, simplesmente, importar-se com eles."

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Análise: A Filosofia de jogo do Benfica

A equipa do povo


"Não se queixe o povo de Fernando Santos, se o selecionador colocou em campo a equipa que o povo reclamava. Foi com Renato Sanches e Palhinha em campo que Portugal perdeu. Como poderia ter ganho aquele jogo, é certo, até porque rondou mais vezes a baliza contrária. Sejamos justos: não foi pelo novo meio-campo, totalmente novo em relação ao primeiro jogo, que Portugal perdeu. Acontece é que também não foi com ele que conseguiu ganhar, ao contrário do que tantos sugeriam. Um sintoma não é uma doença, como um remendo não produz um pneu novo. O problema da seleção não foi a colagem das novas soluções, foi não haver descolagem das anteriores. Fernando Santos tem qualidade e experiência para inverter o rumo e forçar o futebol que o talento português reclama. Sou o primeiro a dizer que só merece sair da Seleção pela porta grande, mas terá de ser ele o primeiro a convencer-se de que essa saída feliz não acontece apenas com a repetição de um troféu, sempre improvável (tanto que só uma vez o lográmos). Ganhar no futebol também pode ser, como em 84, 2000 ou 2004, a imagem de uma emoção que fica e de uma geração que não se sacrifica.
Insistirei sempre que o futebol é um jogo coletivo e que o físico é só uma dimensão do jogo, mesmo se cada vez mais sobrevalorizada. O jogo da França com a Suíça foi modelar a esse nível: poucas seleções haverá atleticamente mais fortes que a França (toda a defesa, Kanté, Pogba, Benzema, Mbappé, até Sissoko entrou) e provavelmente nenhum jogador suíço seria titular na equipa gaulesa. Nem sequer Xhaka, esse médio imenso que é melhor que muito médio intenso, homem com start and stop incorporado - e que falta faz o stop a tantos médios, o momento de pausar para melhor pensar -, mas que aguentou 120 minutos de correrias frente a Kanté e Pogba. Xhaka, que parece jogar sem nunca curvar as costas, foi o metrónomo que nunca falhou o ritmo e aquele passe para o golo decisivo de Gavranovic foi música, literalmente. Podia valer toda uma aula num curso de futebol, se os cursos de futebol valorizarem isso.
A Espanha reparte com a Itália o título de seleção que melhor joga neste Europeu. Foram melhores que as outras duas grandes favoritas graças a um par de qualidades fundamentais: coerência e criatividade. A Alemanha foi coerente, mas pouco criativa nas alternativas à estrutura base, enquanto a França criava pelo talento individual mas teve pouca coerência enquanto conjunto, como se percebeu nas alterações improvisadas diante a Suíça. Desde o início que a Itália me parece a equipa mais completa, a que melhor liga os momentos ofensivo e defensivo, segura e sedutora ao mesmo tempo, mas por esta ordem. A Espanha inverte essa ordem, porventura ainda mais ousada, de risco, mas de coerência verdadeira, porque coloca em campo talentos com linguagem idêntica, que é diferente e vai muito além de uma compatibilidade entre jogadores de perfis diversos. Instrumentos de percussão podem juntar-se sopros e cordas numa orquestra, não se podem é confundir com bombos de romaria. E agradeço a Luis Enrique que me deixe ver juntos, no mesmo meio-campo, Busquets e Pedri, o mestre da gestão do espaço e o novo génio que o inventa. Quantos considerariam ser impossível o equilíbrio numa equipa com dois jogadores assim? E, no entanto, sucede.
Aliás, quando se fala de equipas equilibradas, imagino logo um relvado inclinado para trás. Equilíbrio no futebol tornou-se uma palavra desequilibrada, sinónima de conservadorismo ou pragmatismo, formas mais simpáticas de definir um jogar defensivo. Uma equipa equilibrada não pode ser esmerada quando não tem a bola mas parca na intenção coletiva com ela. Antes terá de procurar a mesma eficácia para a frente e para trás, que não há baloiço que funcione só num sentido. Se isso acontecer, há duas hipóteses apenas: ou está avariado ou não é um baloiço."

Uma parceria vencedora


"Os nossos objetivos coadunam-se: queremos promover o desporto, e tudo o que de bom dele advém, e afirmar as cores nacionais além-fronteiras.

Dentro de dias, os nossos embaixadores marcarão presença num palco mundial que presenteará anos e anos de treino, dedicação e perseverança. Os Jogos Olímpicos 2020 são peculiares e inolvidáveis. São mais uma prova árdua que se junta aos vários desafios que os atletas olímpicos enfrentam numa base diária. Uma demonstração estrénua de vontade. Com esse sentimento, com essa perseverança, todos os dias, faça chuva ou faça sol, os nossos embaixadores dão o melhor de si para serem melhores amanhã. Aí reside o progresso, que, por si só, é incólume ao falhanço e define a vitória e o sucesso.
A genuinidade do desporto é apaixonante, contagiante, capaz de espoletar vários sentimentos e unir milhões de pessoas. Esta dopamina tem de ser alimentada e, por isso, fizemos questão de, em abril, em conjunto com o Comité Olímpico de Portugal, desenvolver a App Equipa Portugal, para que os Portugueses possam, com a mesma devoção que os nossos heróis, transmitir uma energia revigorada, que certamente contagiará e marcará a diferença, e apoiar ao mesmo tempo os mais de meio milhão de atletas federados.
Em 2016, quando nasceu a relação com o Comité Olímpico de Portugal, não alvoreceu apenas um acordo comercial. Principiou-se um vínculo, duradouro, que espelha o nosso compromisso com as diferentes modalidades desportivas e a comunhão de valores.
Dedicação, superação e resiliência. Dois substantivos e um nome que dizem muito da relação com o Comité Olímpico de Portugal. Estas capacidades, partilhadas pelo desporto, estão na génese da nossa parceria, do nosso apoio aos atletas olímpicos, e, consequentemente, a Portugal.
As idiossincrasias e a reminiscência portuguesa obrigam-me a falar da época dos Descobrimentos, a fazer uma analogia em que possa falar da audácia e da capacidade de liderança. Todas as grandes travessias têm um capitão, alguém capaz de colocar todas as pessoas a bordo e trilhar uma rota vencedor. José Manuel Constantino, Presidente do Comité Olímpico de Portugal, tem sido essa figura no desporto nacional.
Agradecimento e apreço. São estes os sentimentos – que sei que são recíprocos – que melhor definem esta relação. Os nossos objetivos coadunam-se: queremos promover o desporto, e tudo o que de bom dele advém, e afirmar as cores nacionais além-fronteiras. Continuaremos, certamente, em conjunto, a indagar novas formas de apoio, no presente e no futuro.
O Comité Olímpico de Portugal, todos os atletas portugueses, têm deste lado a energia de um verdadeiro parceiro, com um combustível infindo, que levará toda a Equipa Portugal para Tóquio."

O Brinco do Baptista #78 - Em memória de Alcindo Bernardo Monteiro

Toquio #20 | Antoine Launay


"No vigésimo episódio do programa #Atétokyo​​ conversamos com Antoine Launay, atleta português que irá representar Portugal nos próximos jogos olímpicos na modalidade de Canoagem Slalom.
Esperemos que gostem, a porta de embarque está aberta!

Quem é o Antoine Manuel Sylvain Quintal Launay?
Sou um homem de 28 anos (feitos a 28 de junho). Filho de mãe madeirense e pai normando, sou um dos melhores atletas de Canoagem Slalom.

Como surgiu a Canoagem na tua vida?
A canoagem entrou na minha vida em 1999, quando estava de férias nas montanhas com a minha família. Tínhamos uns caiaques disponíveis no parque de campismo Lac de Serre-Ponçon, nos Alpes franceses, experimentei e adorei. Depois, quando voltei para casa, inscrevi-me num clube.

O que passa pela tua cabeça quando estás a pagaiar? O que é que te faz gostar tanto da Canoagem mais propriamente do Slalom?
Depende muito de onde eu remo. Por vezes é quase uma meditação, é tão calmo quando remo em lagos ou rios muito serenos, por exemplo. Outras vezes é a competição, é a adrenalina das ondas grandes. Nestes casos, a atenção tem de ser enorme para ficar acima da água e ter cuidado com o trajeto para ser rápido. O que eu prefiro são as águas bravas, mesmo gostando muito das duas práticas.

Quando é que começaste a levar mais a sério a Canoagem? Os teus pais nunca tiveram a vontade de te colocar noutra modalidade ou atividade?
Comecei a treinar muito em 2007, com 3 a 4 treinos por semana. Já pratiquei muitos outros desportos e ainda hoje o faço. Comecei por andar de bicicleta, depois rugby, muito esqui e snowboard. Ainda hoje pratico corrida, musculação, natação e surf.

Tendo tu nascido em França, como se dá a tua ligação a Portugal? Explica-nos todo o processo de naturalização.
Nasci em França, em 1993, perto de Angoulême, com pais de duas nacionalidades diferentes. A minha mãe nasceu na ilha da Madeira e o meu pai na Normadie (Norte de França). Portanto, desde que nasci, sou 50% francês e 50% português.A única coisa que não sou metade-metade é na língua... porque sempre vivi em França. E com uma família numerosa (5 filhos) é muito difícil viajar, ainda mais para a Madeira, onde estão as minhas origens. Ou seja, na minha infância vim pouco a Portugal, apenas duas vezes.

Antoine, explica a quem está mais longe das lides da Canoagem como irá ser a tua prova nos Jogos Olímpicos? Como se processa? Eliminatórias/Final? Quantas embarcações estão apuradas?
É um percurso de águas brancas de cerca de 250 metros em linha reta, e irá realizar-se em Tóquio. Serão cerca de 25 portões para atravessar. Seis para subir em relação à corrente (assinalados a vermelho e branco) e os demais para descer (assinalados a verde e branco). Somos, por volta, de 25 no início, todos de nacionalidades diferentes porque há apenas um selecionado por país. Após duas rondas de qualificação obrigatórias (28 de julho), apenas 20 passam às semifinais. A semifinal acontecerá no dia 30 de julho, num novo percurso projetado, mas ainda com cerca de 25 portões, com seis pela frente. Após a meia final, apenas dez passam à última ronda. Na final, o pódio espera o grande vencedor. Um toque no portão representa 2 segundos de penalidade e uma porta perdida ou não cruzada inteiramente com a cabeça são 50 segundos de penalidade.

Como é o teu dia a dia? Sentes falta de alguma coisa que não podes fazer por ser atleta de alta competição? Quantos treinos/horas de treino fazem por semana? Qual é o teu local de treino?
Realmente, não tenho um dia normal, diria mais, não tenho semanas iguais, ora de maiores cargas, ora de maior clamor. Eu treino quase diariamente, duas a quatro vezes ao dia. Habitualmente são duas vezes de caiaque mais duas de outra atividade (ginásio, natação, corrida) além de outra preparação variada (física, mental, concentração, relaxamento). O que mais sinto falta é de ficar com minha namorada, pois estou sempre longe de casa. Na verdade, não tenho locais fixos de treino porque a Canoagem Slalom é muito particular e cada percurso tem a sua singularidade. Então tenho de treinar onde irão decorrer as competições seguintes, ou seja, estou sempre em movimento. Além disso, em Portugal não temos facilidade de treino em águas brancas, por isso estou muito raramente cá. Mais uma razão pela qual não estou a progredir com a aprendizagem do Português.

Qual é o maior defeito e virtude do Antoine Launay? Que característica tua gostavas que um jovem que fosse agora para a Canoagem tivesse?
O meu grande defeito é a irregularidade. Algumas coisas eu faço bem e, às vezes, muito bem mesmo, mas noutras vezes fico aquém. A minha maior qualidade? Eu diria que é a minha perseverança. Uma qualidade importante para um jovem caiaque é a adaptabilidade. Ainda mais no mundo atual, com este vírus e esta pandemia. Mas já antes, um caiaque é alguém que se adapta ao movimento da água, que brinca com ela, que nunca a contraria porque a água e a natureza são sempre mais fortes do que nós.

Qual foi o teu primeiro troféu na modalidade? Elege um top 5 das melhores provas na tua carreira até ao momento? Como decorreu o teu apuramento para estes Jogos Olímpicos?
O primeiro troféu? Eu ainda era muito jovem, devia ter cinco anos, era o mais novo a pedalar 25 quilómetros num percurso, e foi com meu pai. Os meus cinco melhores resultados são 7.º no Campeonato do Mundo, em 2019; 10.º no circuito da Copa do Mundo, também em 2019; 13.º no Campeonato Europeu, em 2021; tricampeão de Portugal; e bicampeão de França.

És atleta do Darque Kayak Clube de Viana do Castelo. Em que medida é que o teu clube te apoia? Tens algum tipo de patrocinador que te ajude? Trabalhas a questão mental/psicológica com algum psicólogo?
O meu clube acompanha-me diariamente com mensagens, com muitos apoios em logística e organização. É o clube mais formidável possível quando volto ao país. Sou muito bem recebido e as instalações são as melhores que já vi. A única desvantagem é a falta de curso com corredeiras. Espero que se venha a tornar o melhor clube da Europa, a par com o de Praga, sendo que faz muito frio e chuva em Praga. Tenho apenas um patrocinador, é própria cidade de Viana do Castelo. Tenho muito orgulho em representar esta cidade e Portugal além-fronteiras. É fácil divulgar uma cidade tão bonita. Todos aqueles a quem recomendei a cidade assumem que lhes dei bons conselhos. Há mesmo uma família francesa, minha conhecida, que se mudou para Viana durante o confinamento. Agora, vou tentar fazer brilhar Viana do Castelo em Tóquio. Sempre tive apoio de um psicólogo e, ainda hoje, é essencial e muito importante no meu equilíbrio, para que possa viver ao máximo com o desgaste que tenho.

Tens algum ídolo ou referência no Desporto ou na tua modalidade/especialidade?
Gosto muito do Usain Bolt, do seu lado showman. No meu desporto, sempre tive muita admiração pelo Tony Estanguet pelo seu planeamento, o que é impressionante.

Em março de 2020, fomos atingidos pela pandemia da COVID19. Mais tarde, percebeu-se que os Jogos Olímpicos não iriam acontecer em 2020. O que sentiste? O teu planeamento foi por água abaixo? Apesar disso, tens alguma história engraçada no confinamento?
Momento terrível e, ao mesmo tempo, oportunidade para um novo começo e para ter vontade de aprender coisas novas. Eu amo aprender e essa pandemia ensinou-me a adaptar-me ainda mais. Sim, todos os meus planos, todo o meu orçamento e um monte de coisas não deram certo, foi horrível. Mas foi igual em todo o mundo, então tínhamos que transformar isto em algo positivo. Havia que seguir em frente, procurar novos desafios, novas competições que certamente aconteceriam. Também foram dois anos de confidência ou intimidade. Nunca vivi tanto tempo junto, nos mesmos lugares, com minha querida. Foi maravilhoso. Comecei o crossfit durante o confinamento, e foi muito difícil porque ganhei muito peso e musculatura mudando as atividades, tive de fazer um pouco de perda de massa muscular para depois voltar a fazer canoagem.

Quais são os objetivos reais para Tóquio?
O meu objetivo é chegar à final, e farei para chegar ao pódio que tanto sonho desde pequeno.

Qual a importância do teu treinador na tua carreira?
A importância do treinador na minha carreira foi sempre a de aconselhar, a de aproveitar a sua sabedoria na tomada de decisões. Eles são pessoas reconfortantes e de enorme confiança. Vivi muitos anos sem treinador, dá para treinar e até competir sem treinador, mas, para mim, é fundamental ter esse recurso externo.

Quais são os teus hobbies fora da competição? O que gostas de fazer?
Adoro teatro, piano, ler e adoro ecologia, agricultura. Amo e adoro fazer de tudo com minha parceira, sinto muitas saudades dela. Tudo que faço com ela é simplesmente lindo.

Foste o primeiro atleta português a chegar a Tóquio. Qual é o sentimento? Porque foste tão cedo?
O meu sentimento é de satisfação. Era difícil chegar tão cedo. Era difícil prever tudo, e difícil voltar ao Japão num período em que não estava previsto pelo TOKIO 2020. Tenho de agradecer à cidade de Oshu pela sua ajuda em todas estas etapas. Fui tão cedo porque minha equipa médica aconselhou-me, e acho que foi uma ótima ideia. Para ultrapassar o jet lag o mais rápido possível, para me acostumar ao clima e comida. Enfim, se tenho de sair de casa para treinar e depois vou estar em Itália, Alemanha ou Japão, é melhor eu estar já aqui, onde as condições são ótimas.

O Benfica Independente agradece a disponibilidade de Antoine Launay para esta entrevista e tem a certeza que será uma competição onde muito honrará as nossas cores. Boa sorte, Antoine. Estamos no apoio!"

Qualificação terminada... que comecem os Jogos!


"No passado dia 29 de junho terminou o mais longo período de qualificação da história dos Jogos Olímpicos. Desde 11 de maio de 2018, foram necessários 1.145 dias, mais de 3 anos, para se alocarem as mais de 11.000 quotas disponíveis para Tóquio 2020. Decididamente, este não foi um ciclo olímpico normal.
Com esta pandemia, que ditou o primeiro adiamento de sempre de uns Jogos Olímpicos, foi subitamente necessário reformular todo o processo de preparação e qualificação dos atletas. Gerir períodos de isolamento forçado, readaptando todo o processo de preparação em função de grandes restrições e de um calendário competitivo recheado de limitações e surpresas, com intermináveis adiamentos e cancelamentos das mais importantes competições. Um conjunto de desafios sem precedentes para o treino desportivo nas suas mais diversas vertentes, desde a área técnica e metodológica até às áreas científicas a ele associadas.
Contra todas as expectativas, uma das mais interessantes evidências deste período foi a forma como um número significativo de atletas conseguiu aproveitá-lo a seu favor, desenvolvendo áreas do treino e da sua vida pessoal porventura menos exploradas no passado, conseguindo prestações de maior qualidade do que no passado. Face à impossibilidade da manutenção das habituais rotinas diárias, este foi um tempo propício à reflexão e redefinição de objetivos, mas também à experimentação de novos métodos. Paradoxalmente, este quadro aparentemente tão negativo acabou por permitir a muitos deles reforçar a intrínseca vontade de treinar e competir, sem a qual pouco ou nada faz sentido para quem tanto se dedica à excelência no desporto.
Este foi também um período de intensa atividade formativa para os treinadores, com uma partilha de informação sem precedentes que permitiu, em muitos casos, elevar a qualidade da sua intervenção. Este período tem proporcionado uma reflexão metodológica, com o foco na gestão inteligente dos períodos preparatórios e competitivos, mas igualmente na importância dos períodos transitórios e de regeneração para a elevação da performance a médio e longo prazo, tantas vezes subestimada. Porventura, nunca tantos mitos sobre a preparação desportiva ao mais alto nível foram postos em causa em tão pouco tempo.
No final desta “maratona”, a nossa representação em Tóquio aponta para um total de 92 atletas, de 17 modalidades, salvo alguma realocação de última hora, o mesmo número de atletas e mais uma modalidade relativamente aos Jogos do Rio 2016. Atletismo (com 20 atletas), Natação (9), Canoagem, Judo (8), Ténis de Mesa, Vela (5), Ciclismo, Equestre (4), Triatlo (3), Ginástica, Remo, Ténis (2), Taekwondo e Tiro com Armas de Caça (1) são modalidades com histórico de participação olímpica e algumas delas já com medalhas conquistadas. Mas a inédita qualificação da equipa de Andebol (14), assim como as estreias absolutas do Surf (3) e do Skateboarding (1) deixam uma marca distintiva que, certamente, aumentará a amplitude do interesse do público nacional no maior evento desportivo do Mundo e nos nossos atletas.
Outra marca desta Missão corresponde à maior participação feminina nacional de sempre com 36 atletas, representando aproximadamente 40% do total de qualificados, mesmo considerando a presença da equipa de andebol masculino. Por outro lado, alguns jovens atletas que muito dificilmente se qualificariam em 2020, aproveitaram da melhor forma a oportunidade para anteciparam em 3 anos a sua estreia no maior palco desportivo do Mundo, prevista para Paris 2024, “refrescando” a missão com a sua juventude.
Aconteça o que acontecer, estes Jogos serão históricos e marcantes. É verdade que será uma edição com um número inédito e impensável de restrições para quem neles participa, o que, porventura, lhe retirará muito do glamour habitual. Certamente não serão os Jogos mais divertidos e serão tremendamente marcados pela Covid-19. Qualquer teste positivo poderá significar a não participação, o que obrigará à máxima vigilância de todos. Não obstante, mesmo considerando a dificuldade na sua organização e todos os riscos que estes Jogos encerram, minimizados em larga escala pela elevada percentagem de atletas vacinados, esta será, seguramente, uma das edições com maior significado da sua história, face ao quadro internacional que vivemos.
No plano desportivo, trata-se de uma grande oportunidade para os nossos atletas demonstrarem todo o seu valor. As suas prestações nos últimos anos dão-nos fundamentadas esperanças de uma participação portuguesa em Tóquio digna, à altura das expectativas e objetivos definidos. E apesar de ser compreensível que todas as atenções mediáticas possam estar centradas na conquista de medalhas, muitos outros objetivos são igualmente importantes, seja na conquista de diplomas (classificações até ao 8º lugar), posições de semifinalista (até ao 16º lugar) ou, na sua impossibilidade, a realização das melhores classificações ou marcas de sempre, quer pessoais, quer nacionais, em contexto de Jogos Olímpicos.
Estaremos de regresso às míticas madrugadas de apoio aos nossos atletas nos Jogos Olímpicos, à semelhança do que aconteceu no passado com os grandes feitos de muitos dos nossos maiores heróis desportivos. Essa vibração e esse apoio serão certamente sentidos a mais de 11.000 Km, na Terra do Sol Nascente.
Que comecem os Jogos!"

domingo, 4 de julho de 2021

Octocampeãs...



Deveria ter sido mais fácil, mas apesar de tudo conquistámos hoje o 8.º título nacional de Hóquei em Patins feminino... São oito títulos em oito anos! Domínio total...
A derrota nos penalty's no Jogo 2, acabou por ser um aviso, numa secção muito superior a todas as adversárias, mas que continua a 'equilibrar' as coisas, pela falta de jogo colectivo, deixando as individualidades decidir os jogos...
Hoje é dia de festa, mas se quisermos conquistar títulos europeus, temos que mudar...

33.º Campeões Nacionais de Atletismo


Foi o 11.º título consecutivo, o 33.º no total: Campeões Nacionais de Atletismo no sector Masculino. Sem surpresas e mesmo com algumas ausências dominámos nos homens e voltámos a ficar em segundo no sector feminino.

Masculino:
100m: 2.º Frederico Curvelo, 10,54s 
110m barreiras: 1.º João Oliveira, 13,84s
200m: 1.º Frederico Curvelo, 21,57s
400m: 1.º Ricardo dos Santos, 47,78s
400m barreiras: 1.º Mikael Jesus, 51,44s
800m: 1.º José Carlos Pinto, 1:49,96 min
1500m: 1.º Isaac Nader, 4:01,83 min
3000m: 1.º Etson Barros, 8:20,12 min
3000m obstáculos: 1.º André Pereira, 8:46,91 min
5000m: 1.ª Samuel Barata, 14:25,59 min
5000m Marcha: 3.º Pedro Isidro, 22:34,92 min
4x100m: 1.ºAndré Prazeres, David Lima, Delvis Santos, Edgar Campré, 40,34s
4x400m: 1.º Lucirio Garrido, Mikael Jesus, Rafael Jorge, Ricardo dos Santos, 3:12,21 min
Comprimento: 1.º Marcos Chuva, 7,47m
Triplo: 2.º Pedro Pinheiro, 15,42m
Altura: 1.º Gerson Baldé, 2,15m
Vara: 1.º Diogo Ferreira, 5,00m
Peso: 1.º Francisco Belo, 20,76m
Disco: 2.º Emanuel Sousa, 57,46m
Martelo: 1.º Décio Andrade, 67,70m
Dardo: 1.º Leandro Ramos, 76,53m

Feminino:
100m: 1.ª Arialis Martinez, 11,51s
100m barreiras: 3.ª Fatumata Baldé, 13,90s
200m: 3.ª Leonor Ferreira, 24,39s
400m: 5.ª Leonor Ferreira, 55,48s
400m barreiras: 7.ª Catarina Gomes, 69,28s
800m: 1.ª Camila Gomes, 2:13,80 min
1500m: 5.ª Solange Fernandes, 4:49,16 min
3000m: 6.ª Solange Fernandes, 10:26,47 min
3000m obstáculos: 5.ª Carla Rodrigues, 10:55,98 min
3000 Marcha: 6.ª Mara Ribeiro, 14:48,26 min
5000m: 1.ª Marta Pen, 15:58,87 min
4x100m: 2.ª Ana Oliveira, Arialis Martinez, Fatumata Baldé, Joana Dias, 47,37s
4x400m: 6.ª Ana Oliveira, Beatriz Farinha, Camila Gomes, Carla Rodrigues, 4:01,17 min
Comprimento: 3.ª Fatumata Baldé, 5,77m
Triplo: 8.ª Inês Vicente, 11,47m
Altura: 5.ª Gabriela Gorenco, 1,61m
Vara: 6.ª Sofia Marques, 3,03m
Peso: 2.ª Eliana Bandeira, 1738m
Disco: 2.ª Ivanilda Lopes, 49,31m
Martelo: 7.ª Ivanilda Lopes, 33,84m
Dardo: 6.ª Aleida Mendes, 40,05m

Rodrigo Pinho | O artilheiro que faz falta ao SL Benfica?


"O primeiro reforço do SL Benfica vinha a ser falado na imprensa desde janeiro, mas só no dia 23 de junho foi oficializado. Rodrigo Pinho, avançado de 30 anos, chega a custo zero proveniente do CS Marítimo e vem com “fome de golo”.
O avançado brasileiro fez toda a sua formação no seu país e só em 2015 voou para Portugal para representar o SC Braga, num negócio a rondar os 400 mil euros. Nessa época (2015/2016), o clube minhoto cedeu o jogador ao CD Nacional, onde realizou 12 jogos e fez apenas um golo.
No entanto, o empréstimo terminou em janeiro e o jogador regressou a Braga, mas não teve muita utilização – apenas três jogos na equipa ‘A’ e um na ‘B’. Até ao final do contrato, Rodrigo Pinho foi opção para a primeira e segunda equipa do SC Braga, mas sempre sem grande sucesso em nenhuma delas.
No verão de 2017 – fim de ligação aos “minhotos” – o brasileiro viajou até às ilhas para representar o CS Marítimo, clube onde jogou quatro épocas, tendo jogado 118 partidas e marcado 39 golos, 15 dos quais na última temporada. Este registo levou Jorge Jesus a ter interesse nas suas características e a convencer a direção que seria uma mais valia para a frente de ataque dos encarnados.
Ainda que fosse notícia na imprensa portuguesa desde janeiro, o avançado brasileiro só fechou contrato no passado dia 23 e diz-se “motivado” e “muito feliz” por representar o SL Benfica. Falou em “sonho realizado” e num “grande salto” para a carreira, acrescentando ainda que podia ter acontecido “mais cedo”.
O novo jogador das águias tem contrato até 2026 e promete dar luta aos atuais avançados do plantel – Darwin Núñez, Haris Seferovic, Luka Waldschmidt e Gonçalo Ramos. Numa altura em que se fala da possível venda de Seferovic, Rodrigo Pinho vem acrescentar mais mobilidade ao ataque encarnado.
Apesar de não ser um jogador tão fixo como o suíço, o brasileiro tem bastante qualidade com os pés e com a cabeça, sendo isso visível na excelente época que protagonizou ao serviço do CS Marítimo.
A pré-época do SL Benfica já começou há alguns dias, mas o avançado ainda não pôde trabalhar junto dos colegas devido à lesão muscular que enfrenta e que o vai deixar de fora dos relvados, pelo menos, mais três semanas."

SL Benfica 2021 – 2022


"Depois de uma temporada decepcionante, o SL Benfica volta sob o comando de Jorge Jesus sem ainda se ter reforçado – Rodrigo Pinho, à parte, e a promoção dos jovens: Tiago Gouveia, Paulo Bernardo, Tomás Araújo e João Ferreira.
Mas está o Benfica tão necessitado de reforços? E entre as caras mais antigas, será este o momento de encaixar verbas com jogadores eventualmente mais valorizados, que permitam chegar a outras individualidades mais necessárias?

Sem qualquer indicação real sobre possibilidades financeiras para reforçar, ou propostas para sair, o presente exercício é portanto meramente uma espécie de “adivinhação” entre o que os encarnados precisam e poderiam ter no mercado actual, para atacar a nova temporada mais preparado para ter sucesso."

Benfica After 90: Kit...

Pais...

Euro2020: Ucrânia 0 - 4 Inglaterra

Euro2020: República Checa 1 - 2 Dinamarca