Últimas indefectivações

terça-feira, 29 de junho de 2021

Unidos pelo casamento e pelo Benfica


"Ilda e José Dias Afonso foram um casal de cicloturistas e, juntos, envergaram a camisola encarnada ao longo do país.

Na secretaria da Rua Jardim do Regedor, por volta das 8 horas da manhã de 3 de Junho de 1936, o casal de cicloturistas Ilda e José Dias Afonso, 'irrepreensivelmente equipados, envergando as garridas camisolas do Benfica', subiram para as suas bicicletas e fizeram as suas despedidas, com bastante público a desejar-lhes uma boa viagem.
O projecto era ambicioso, um rali ao Norte de Portugal, numa jornada de propaganda do cicloturismo e do Benfica. Numa época em que havia poucas mulheres a praticar desporto em Portugal, Ilda Dias Afonso causou admiração, 'pois não é muito vulgar entre nós uma senhora abalançar-se a fazer 1250 quilómetros de bicicleta'. Esta interessante iniciativa do casal foi também 'digna de elogios pelo espírito de sacrifício dos dois velocipedistas, que efectuam o «rallye» sem encargos para a colectividade que representam».
Ao longo de 11 etapas, entre Lisboa e Porto visitaram várias filiais do Benfica, tendo sido recebidos com afectuosas recepções, nas quais entregaram placas de prata com o emblema do Clube. A iniciativa foi um 'êxito e decorreu com a máxima regularidade' e, ao fim de 12 dias de viagem, os cicloturistas percorreram os últimos quilómetros acompanhados por sócios do Benfica e ciclistas até ao Campo das Amoreiras, 'onde lhe foi feita uma carinhosa recepção', recebendo um lido ramo de flores da Direcção do Clube.
Durante vários anos, Ilda e José Dias Afonso participaram, individualmente ou juntos em raides, passeios e provas de regularidade, nas quais obtiveram vários títulos individuais, de pares e de equipa. Todavia, mais do que as suas conquistas desportivas, estes atletas destacaram-se como impulsionadores do cicloturismo, granjeado de grande popularidade. Até o cão do casal, o 'Pirilau', alcançou a fama: tornou-se a mascote da secção e acompanhava-os em passeios da modalidade, através da qual contribuíram para a propaganda do Benfica, de norte e sul de Portugal.
Saiba mais sobre o cicloturismo na área 4 - Momentos Únicos do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

1.º treino...

Euro2020: França 3 (4) - (5) 3 Suíça

Euro2020: Croácia 3 - 5 Espanha

A laicidade e o facto religioso no campo desportivo


"O desporto agrada pelo fervor das competições e pelas garantias morais. Impôs-se para além dos muros da Escola. Nasce na segunda metade do século XIX, conquistou o planeta num tempo relativamente curto e impôs-se como uma prática de massas. Ele é associado às ideias de progresso e de equidade. Pierre de Coubertin, na sua Pédagogie sportive (1972), entende-o como “o culto voluntário e habitual do exercício muscular intensivo, incitado pelo desejo de progresso e sem medo de ir até ao risco” (p. 7).
O desporto representa o melhor meio de nos conhecermos e de medir os limites. É um “combate”, permitindo desenvolver uma rivalidade entre os Homens e as nações. Com o reconhecimento dos méritos de cada um, procura-se explicar as diferenças sociais entre os indivíduos. As regras fundam o desporto, assegurando o seu funcionamento e a diferenciação das práticas. A prática desportiva é multiforme e ela continua a ser um campo (espaço simbólico, no qual os atores sociais legitimam as suas representações) propício para a expressão e interação entre os indivíduos. É a sua grande força que permite a realidade do “vivermos em conjunto” (comunidade, sociedade). Não sendo uma religião, funciona como tal. Incorpora “na sua estrutura e funcionamento valores e práticas passíveis de uma leitura religiosa, naquilo que consideramos ser uma religião camuflada”, diz-nos Garcia e Cunha (2016, p. 81). A expressão do facto religioso e da laicidade não são incompatíveis no campo desportivo. O que se entende por laicidade? Para melhor compreender o que é a laicidade, três aproximações são complementares. Ela assenta em quatro princípios e valores:
1) A liberdade de consciência;
2) A liberdade de manifestar as suas convicções no limite do respeito da ordem pública;
3) A separação das instituições públicas e as organizações religiosas;
4) Igualdade de todos perante a lei, independentemente das suas crenças e convicções.
Neste sentido, a laicidade garante aos crentes e aos não crentes o mesmo direito à liberdade de expressão das suas convicções. Ela assegura o direito de ter ou de não ter uma religião ou de mudar. Ela garante o livre exercício dos cultos e da liberdade de religião, mas também a liberdade da religião: ninguém pode ser constrangido relativamente ao respeito dos dogmas ou das prescrições religiosas. A laicidade supõe a separação do Estado e das organizações religiosas. Portugal é um país laico e a separação entre a Igreja e o Estado foi decretada em 1911, na sequência da instauração da República, em 05 de outubro de 1910.
Se a laicidade parece relativamente simples de definir, a sua aplicação no terreno pode ser mais complexa. A boa aplicação do princípio da laicidade e da boa gestão dos factos religiosos supõe um importante trabalho de pedagogia, em todos os domínios, nomeadamente o do desporto. O desporto não está desconetado da sociedade e pode ser uma caixa de ressonância das crispações e desafios atuais da nossa sociedade. As regras aplicadas em matérias de laicidade e de gestão do facto religioso são transponíveis para o campo desportivo. O respeito do princípio da laicidade no quadro da atividade ou da prática desportiva deve conciliar em permanência três exigências:
1) A manifestação da liberdade de consciência do praticante sob reserva do respeito da ordem pública;
2) A exigência da neutralidade das coletividades territoriais (câmaras municipais, juntas de freguesia, etc.) na organização e no acesso às atividades desportivas;
3) A exigência da neutralidade dos dirigentes, dos árbitros e das pessoas que enquadram as federações desportivas e dos órgãos desconcentrados (comités, ligas), etc.
A neutralidade da prática desportiva não deriva exclusivamente do princípio da laicidade. Ela resulta do respeito pelos valores do desporto, das regras do jogo e dos regulamentos técnicos desportivos. Por outro lado, o respeito pelo princípio de neutralidade não proíbe o financiamento de atividades desportivas e de interesse geral das associações desportivas com um carácter confessional, nas condições em que elas não imponham as suas práticas culturais e não exerçam uma discriminação de entrada pelo facto de não pertença comunitária. A laicidade deve ser uma ferramenta de emancipação e de união na República."

segunda-feira, 28 de junho de 2021

SL Benfica | Um novo rumo no futsal encarnado?


"A época da equipa de futsal masculina do SL Benfica foi mais uma desilusão somada às várias desta época, com a equipa a não conquistar qualquer troféu e a demonstrar uma clara inferioridade em relação ao rival lisboeta, naquela que foi uma das finais mais desequilibradas entre as duas equipas.
Poucos dias após o término da temporada, o clube anunciou a saída do treinador Joel Rocha. Após sete anos no comando técnico dos encarnados, nos quais conquistou um total de nove troféus, o técnico natural da Covilhã terminou a sua ligação com as águias.
Joel Rocha não era um técnico consensual entre os adeptos. Havia quem achasse que já estava há tempo a mais no SL Benfica para aquilo que mostrou, como também havia quem achasse que a sua escassez de troféus se devesse em grande parte ao facto de defrontar os melhores plantéis do Sporting CP da história da modalidade, sendo que maioria dos anos, os homens da Luz não tinha um plantel a altura.
No entanto, independentemente da opinião e do gosto de cada um, creio que a reta final desta temporada fez transparecer a ideia de que o ciclo de Joel estava esgotado e de que era necessário dar um novo rumo ao futsal encarnado.
Após o anúncio da sua saída, foram vários os nomes apontados para a sucessão. E apesar de ainda não haver uma anúncio oficial, tudo indica que o substituto de Joel Rocha seja o espanhol José Maria Mendez, mais conhecido no mundo do futsal por Pulpis.
Pulpis é um treinador que passou por vários clubes do seu país, tendo pelo meio uma passagem pelo futsal croata. Começou a revelar-se ao serviço do Lobelle Santiago Futsal, clube pelo qual conquistaria a Taça das Taças em 2006/2007, derrotando o SL Benfica na final. Desde 2008, a carreira de Pulpis estaria dividida em três países: Vietname, Uzbequistão e Tailândia, sendo atualmente o selecionador tailandês, cargo que desempenha desde 2017.
Pulpis é um treinador com uma ideia de jogo inspirada na escola espanhola, que gosta de futsal ofensivo, podendo, assim, apresentar um estilo de jogo mais positivo e atrativo. O grande senão que há sobre ele, e sobre aquilo que poderá dar ao SL Benfica, prende-se com o facto de estar há mais de dez anos sem treinar ao mais alto nível, o que levanta dúvidas sobre o facto das suas ideias serem ajustadas à realidade do futsal atual.
Outra grande dúvida que se coloca é qual será a influência que ele tem na construção do plantel. O SL Benfica já anunciou a saída dos internacionais portugueses Tiago Brito e Fábio Cecílio, assim como a contratação dos jovens Carlos Monteiro e Lúcio Rocha. A imprensa também já apontou os nomes de Bruno Cintra, Rômulo e Dieguinho, havendo ainda indefinições no plantel quanto às posições de guarda-redes e de pivot.
Um novo ciclo irá ter início no futsal encarnado, mas ainda existem pontos de interrogação quanto ao que será esta equipa e, sobretudo, se esta será capaz de se superiorizar ao atual campeão nacional e europeu, encaminhando o SL Benfica para um período mais vitorioso."

Análise: Dias & Pinho...

O que joga Renato


"O bulo é o homem em foco na selecção portuguesa na primeira fase. Não ignorando os cinco golos de Ronaldo – Gesto técnico simples, mas são 5!!! em 3 jogos. Quem mais?! – mas foi em todos os jogos, Renato Sanches que trouxe futebol para o lado luso.
O nível absurdo a que se encontra permite-lhe ter impacto em todos os momentos do jogo! É cada vez muito mais que um jogador de Transições. Em Organização Ofensiva, não erra, é o homem que não pode ser pressionado porque desmonta sempre em drible pressão – Mesmo que venha de Pogba ou Kanté! – que liga o jogo com qualidade até às zonas de criação – Com a França é dele o passe para a zona de criação que encontrou Moutinho no lance do empate, e é sobre ele a falta que valeu o primeiro golos. Já contra a Hungria havia estado nos golos, ora isolando Rafa, ora solicitando a presença interior entre linhas para a combinação Rafa – Ronaldo – e em Organização Defensiva, é o tanque que fecha os espaços, recupera a bola e encontra saída partindo o jogo nas suas acelerações.
Olhar para Renato como apenas aquele jovem cheio de potencial que surgiu em 2016 é um erro. Está um jogador completo e prova no Europeu que as épocas em França não foram um acaso. A “Máquina de Guerra” que joga bom futebol caminha para cumprir o seu destino, depois de um salto em falso para Munique aos dezoito anos."

Euro2020: Bélgica 1 - 0 Portugal

Euro2020: República Checa 2 - 0 Holanda

domingo, 27 de junho de 2021

Euro2020: Itália 2 - 1 Áustria

Euro2020: País de Gales 0 - 4 Dinamarca

Euro (2)


"Na semana passada versei sobre a indiferença que sinto pela selecção e obtive várias reacções, umas de estupefacção, outras de aprovação por razões erradas.
Sobre as primeiras, faço notar a irracionalidade do vínculo emocional no desporto. E se este é válido para a pertença, por que razão não o há-de ser também para o alheamento por muito que nos impinjam patriotismo artificial a roçar, na mensagem, o nacionalismo? E quanto às segundas, reafirmo que nada me move contra. Embirrar com esta ou aquela figura ou desaprovar isto ou aquilo na Federação não me condiciona. Se Portugal vencer, tanto melhor. Só que não tenho nada que ver com isso, tanto me faz.
Retrospectivamente, a minha indiferença terá começado na percepção de que Portugal não contava para o Totobola. Acresceu, em determinada altura, o escasso contributo benfiquista e o entendimento da selecção de tratar do pináculo dum futebol português podre. Depois uma certa arrogância, reconheço, por achar caricato haver tanta gente que, a cada dois anos, se tornava adepta de futebol 'a equipa de todos nós'. Mas também um princípio: para mim não há 'equipa de todos nós' se no todo se inclui quem manifestamente desprezo, não quero misturas.
Depois, em 1996, irritou-me a turba lusa, repleta de neoconvertidos ao futebol, reduzir à sorte a magnífico gesto técnico de Poborsky frente a Portugal. E, em 2004, apesar de ainda freneticamente entusiasmado com alguns golos portugueses, não senti qualquer tristeza pela derrota na final e guardei sobretudo indignação pela chantagem emocional de Scolari ao versar sobre patriotismo e a apelar por bandeirinhas (com pagodes) em cada janela. Foi o ponto final. E sinto pena: A alegria que teria tido em 2016..."

João Tomaz, in O Benfica

Futebol tem que sair do armário


"Na passada segunda-feira, Carl Nassib tornou-se o primeiro jogador no activo da NFL (campeonato profissional de futebol americano) a assumir ser gay. Nassib é jogador dos Las Vegas Raiders e publicou um vídeo nas redes sociais a partilhar a informação. Disse ele: 'Finalmente sinto-me confortável para tirar isto do meu peito, porque penso que a representatividade e visibilidade são muito importantes'. E acrescentou esperar que 'um dia, este tipo de vídeo deixe de fazer sentido'. Um dia, Carl? Amanhã já é tarde demais para isso.
Estamos em 2021 e ainda há quem olhe para o homossexualidade como um pecado, uma doença ou uma aberração. E quem vá para os estádios e redes sociais insultar outros seres humanos só porque amam de forma diferente da sua. No futebol profissional, no nosso futebol com bola redonda, mais do que assustadora, a realidade é hipócrita. Estima-se que 10% da população mundial seja homossexual, mas não no futebol praticado por homens ao mais alto nível. Aí continua a viver-se na Idade Média - nem lhes passa pela cabeça aceitar que, num plantel de 30 pessoas, pelo menos três atletas sejam gays. Tirando honrosas excepções, não há jogadores que assumam a sua orientação, seja por medo de represálias dos adeptos, dos patrocinadores, dos companheiros de balneário ou dos dirigentes.
Até quando? Provavelmente até ao dia em que um clube de dimensão internacional assuma a causa LGBTQ+ como sua e a defenda como deve ser defendida, colocando-se ao lado dos seus e suas atletas. Outras modalidades já evoluíram nesse sentido, como o rugby, o ténis ou a patinagem. O futebol no masculino continua a fingir que não se passa nada, como se esconder a cabeça na areia fosse a melhor política. Se as instituições não actuam, terão que ser os adeptos a fazerem ouvir-se."

Ricardo Santos, in O Benfica

O Engenheiro tem tudo controlado... acho eu


"Portugal ainda não enfrentou a França no preciso momento em que estou a redigir este texto, mas uma coisa é certa: só um autêntico descalabro pode retirar Portugal do Euro 2020 na fase de grupos. A história do futebol já provou diversas vezes que a teoria é apenas isso mesmo... teoria. Porém, em teoria... mesmo perdendo com a França por dois golos de diferença poderemos seguir em frente. Para esse resultado servir os interesses portugueses é necessário a Alemanha não perder com a Hungria, pelo que a derrota incontestável por 4-2 com os alemães foi extremamente importante para motivar os germânicos. O comum adepto tem a mania que sabe muito, mas o Engenheiro Fernando Santos está sempre um passo à frente.
A cada 10.000.000 de portugueses, 9.999.999 suspira pela titularidade do Renato Sanches desde o primeiro jogo. Acredito que, no jogo com a França, o Bulo será finalmente lançado de início. Aliás, já todos identificamos alterações capazes de melhorar o rendimento da selecção portuguesa, porque a excelente forma do Palhinha ou a potência do Nuno Mendes não podem continuar a ficar de fora. Para além disso, as fragilidades defensivas demonstradas com a Alemanha têm de ser corrigidas, porque se o Diego Armando Gosens fez o que fez... imagino o Mbappé. Assim, não tenho a mais pequena dúvida relativamente à equipa inicial de Fernando Santos para garantir um resultado que assegure a qualificação: Rui Patrício (GE), Nélson Semedo (DD), Diogo Dalot (DD), Pepe (DC), Rúben Dias (DC), José Fonte (DC), Nuno Mendes (DE), William (MDC), Danilo (MDC), João Palhinha (MDC) e Renato Sanches (PL). Bem sei o que estará o leitor a pensar neste momento: caraças, Pedro como é que tu sabias?"

Pedro Soares, in O Benfica

A alma do futebol


"Independentemente dos aspectos estritamente desportivos, o Campeonato da Europa já deu aos amantes do futebol algo assinalável: voltámos a ver estádios cheios. Há mais de um ano que tal não acontecia. E embora ainda não de forma generalizada, já foi possível, pelo menos em algumas partidas, saborear o futebol tal como o conhecíamos antes.
Ao longo deste período - demasiado longo e demasiado penoso - sofremos por ver bancadas despidas, sem cor, sem som e sem alma. Ficou dramaticamente demonstrada a falta que fazem os adeptos, e como o futebol é um quadro ao qual a moldura é absolutamente indispensável. No plano desportivo o Benfica foi o clube português mais penalizado, não só (como se sabe) com o próprio vírus, mas também com a ausência de público. Único no país capaz de encher todos os estádios onde joga, o nosso 'Glorioso' viu-se privado daquela que é, indiscutivelmente, uma das suas principais armas. E foram muitas as situações em que o grito oriundo das bancadas talvez pudesse ter galvanizado a equipa para melhorar resultados.
A pandemia não está ainda ultrapassada. Mas seria muito mau vivemos mais uma temporada desportiva de portas fechadas, mais um ano de futebol triste e meramente burocrático como aquele que, infelizmente, tivemos de suportar durante todo este tempo.
Quero acreditar que está próximo o momento de voltarmos a sentar-nos nas cadeiras do Estádio da Luz, e a festejar os golos do Benfica sem quaisquer restrições Já está longe o dia 2 de Março de 2020, data em que enchemos a Luz pela última vez. A saudade aperta. Acreditemos que o regresso está para breve."

Luís Fialho, in O Benfica

Futuro risonho


"Os campeonatos nacionais de sub-20, em atletismo, foram a prova provada da forma como o SL Benfica está a trabalhar no presente e a preparar o futuro. Em Viana do Castelo, as nossas equipas femininas e masculina alcançaram resultados que nos permitem sonhar com grandes conquistas na próxima década.
É verdade que estamos a destacar as nossas estrelas da modalidade - o triplista Pedro Pablo Pichardo, que voltou a brilhar em Madrid, com a melhor marca do ano, Samuel Barata, que domina o meio-fundo, Francisco Belo e Tsanko Arnaudov, os reis do lançamento do peso, o fantástico Paulo Conceição do salto em altura, o imparável Diogo Ferreira, na vara, o eterno Marcos Chuva no comprimento, a eterna Dulce Félix e a sensacional Marta Pen. Mas temos que olhar com muita atenção para as nossas estrelas - Isaac Nader (800 e 1500m), Leandro Ramos (dardo), Frederico Curvelo, Delvis Santos e André Prazeres, nos 100 e 200m, Gerson Baldé e Victor Korst, no salto em altura, Emanuel Sousa (disco), Etson Barros (3000m obstáculos), Edgar Campré (decatlo), Arialis Gandulla Martinez (100 e 200m), Ivanilda Lopes (disco) e Aleida Mendes (dardo).
Foram 38 os atletas que a professora Ana Oliveira convocou para honrarem a nossa camisola e devemos passar a fixar vários nomes, os juvenis Sisínio Ambriz e Leonor Ferreira (100 e 200m), e os juniores Diogo Barrigana (400m) e Camila Gomes (800 e 1500m). Elenquei apenas 17 futuras. A verdade é que o trabalho realizado, nos últimos 17 anos, tem sido notável - 166 títulos conquistados.
Seguem-se os campeonatos de Portugal, e os campeonatos nacionais de clubes, em Guimarães, nos próximos dias 3 e 4 de Julho, competição em que ambicionamos o 11.º título consecutivo."

Pedro Guerra, in O Benfica

sábado, 26 de junho de 2021

Grimaldo, o lateral desequilibrador


"O debate em torno de Grimaldo nunca foi sobre a sua indiscutível qualidade. Todos os anos, o seu escalpe é um dos mais procurados pelos jogadores adversários. O que sempre suscitou discussão entre analistas e adeptos do Benfica foi o seu alegado incumprimento nas tarefas defensivas. Um debate desnecessários, já que Grimaldo oferece tanto à equipa que, no final do dia, o espanhol sai largamente favorecido no seu deve e haver.
Nesta entrevista ao programa da Sporttv, Grimaldo foi honesto e transparente na forma como admitiu que o sistema de três centrais e, consequentemente de cinco jogadores no momento defensivo, lhe permite ser ainda mais diferenciador a atacar sem prejuízo do espaço que deixa nas costas. A verdade é que Grimaldo, além de defesa, foi sempre um dos jogadores mais desequilibradores da liga portuguesa.
Cada acção de Grimaldo com bola é uma anestesia de técnica num couro rebelde que perde a vida própria que lhe é garantida pelas viagens assistidas de jogador para jogador.
Todas as épocas, o lateral-médio está entre os jogadores com mais passes para golo e acções potenciais de golo. È um desbloqueador de jogo e é dos mais decisivos do campeonato. Um transformador de jogadas, catalisador de perigo para os adversários.
Oferece uma diversidade de caraterísticas muito rara na liga portuguesa, devido à sua impar capacidade de jogar por fora ou por dentro do bloco adversário, com criatividade, com intuição a definir e, na sua fase terminal das jogadas, com a imensa qualidade a servir os companheiros.
A iniciar a sua sétima temporada no Benfica, o internacional sub-21 espanhol é uma das incontornáveis, figuras da equipa e da competição, em Portugal, com assistências e golos. Aliás, apenas na sua primeira temporada no clube, quando chegou a meio da época é que não houve golos com a patente de Grimaldo. Em cinco épocas completas no Benfica, apontou 13 golos. Não há muitos laterais assim."

José Marinho, in O Benfica

Porto de abrigo


"A realidade pacífica e a segurança que vivemos em Portugal é tão natural e intrínseca à nossa vida quotidiana que muitas vezes, quando espreitamos o mundo que nos rodeia através do ecrã da televisão, computador ou telemóvel, a pobreza, a violência e o sofrimento humanos parece-nos distante e torna difícil desenvolver empatia e compreender o que sentem aquelas pessoas. De vez em quando, uma imagem mais forte consegue atravessar todas essas barreiras e toca-nos de forma mais concreta, comunicando com os nossos sentimentos.
Por isso é difícil sequer imaginar o misto de aventura e terror por que os refugiados, verdadeiros sobreviventes, tiveram que passar no caminho que os trouxe até nós. Homens ou mulheres, adultos ou crianças, fugiram da morte certa para um caminho incerto, sem retorno e sem outro consolo que não o de partilhares perigos e destino com outros caminhantes, companheiros de infortúnio. Fugir para sobreviver, farejar perigos e escapatórias durante meses. Ouvir estórias remotas de sucessos e tragédias, acicatando os medos e procurando forças para os superar a cada dia até ao dia derradeiro em que de um lado do passo está um passado sombrio e doloroso e do outro um futuro ensolarado, feliz e seguro tantas e tantas vezes sonhado.
Porque é que falo disto a propósito do Dia Mundial do Refugiado e do trabalho da Fundação Benfica no projeto 'Welcome through Football' de acolhimento e integração de refugiados por Fundações de grandes clubes europeus com o apoio da Comissão Europeia? Para contextualizar bem a importância e o carácter humanitário desse trabalho e a relevância social do Sport Lisboa e Benfica ao criar e manter uma Fundação a quem os benfiquistas mandatam a solidariedade sem fim que brota dos nossos valores e da nossa Mística, fazendo deste imenso Benfica um verdadeiro porto de abrigo!"

Jorge Miranda, in O Benfica

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"2
Esta coluna foi dedicada por inteiro a Jardel na semana passada, pelo que é com atraso que se enaltece a dobradinha da nossa equipa feminina de polo aquático. E também o 3.º lugar no campeonato de andebol (feminino), que poderia ter sido melhor, porém há que referir que esta se tratou apenas da segunda época após o regresso benfiquista ao escalão maior (e 2019/20 não chegou a ser concluída);

8
Neste fim-de-semana terá início a final do Campeonato Nacional de hóquei em patins (feminino). 8 é o número de títulos consecutivos que a nossa equipa procurará alcançar;

17,69
Pichardo fez a marca do ano no triplo salto contribuindo, assim, para o crescente entusiasmo em torno da sua participação olímpica. E não deixa de ser curioso como, para alguma comunicação social, de 'atleta cubano do Benfica' tem vindo a evoluir para 'o português'. Consiga ele o tão almejado ouro em Tóquio e não me admirarei que essa mesma comunicação social tergiverse acerca do feito do atletismo português e pelo caminho tente sonegar o contributo benfiquista;

30
'Falta 30 metros ao futebol português', dizia-se no final dos anos 80. Ter visto a exibição confrangedora de Portugal frente à Alemanha relembrou-me este axioma ultrapassado. Só que hoje, ao contrário desses tempos, são ratos os treinadores portugueses de topo que enveredam por este tipo de futebol e todos os jogadores da selecção portuguesa jogam ao mais alto nível, a maior parte no estrangeiro. Só faltam 30 metros por opção. E o responsável chama-se Fernando Santos. Dir-me-ão que venceu em 2016, mas não me peçam explicações e muito menos questionem o obreiro desse feito, que não vale a pena. Por óbvias que sejam as respostas, não se espera que o acaso as dê."

João Tomaz, in O Benfica