Últimas indefectivações

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Neno, sempre!


"Esta semana queria destacar o grande feito da nossa fantástica equipa de polo aquático feminino, que voltou a fazer a dobradinha, conquistando a Taça de Portugal. Também queria destacar a medalha de bronze de Anri Egutidze, nos mundiais de judo. E ainda o 16.º título consecutivo de esperanças da nossa equipa masculina de atletismo. Mas a notícia da morte de Neno, confesso, deixou-me prostado. Sobretudo porque o conhecia bem e tinha por ele uma admiração enorme. Não só pelos seus atributos enquanto grande futebolista, mas também pela sua forma de estar.
Neno amava a vida e era um exemplo para todos nós. Num mundo onde impera, cada vez mais, a intriga, a mentira, o ódio, a violência e o vale tudo, Neno destacava-se pela sua postura. Se já admirava os seus feitos enquanto grande guarda-redes, sobretudo pelas conquistas de três campeonatos e outras tantas taças de Portugal para o Benfica, mais seus admirador fiquei quando tive o privilégio de o conhecer, pessoalmente, já como director do V. Guimarães.
Recordo os nossos encontros, no Estádio da Luz, sempre que a equipa vitoriana nos visitava. Neno irradiava simpatia e, sobretudo, alegria de viver. Sempre com uma piada e um sorriso no rosto, Neno era o verdadeiro embaixador da harmonia e do fair play, destacando-se como o campeão de amizade.
Serviu o V. Guimarães com total dedicação e profissionalismo, mas todos sabiam que o seu clube do coração era o Benfica. Nunca o escondeu e várias vezes me confidenciou: 'O Benfica é o Benfica!'
A todos os seus familiares e amigos e ao V. Guimarães, apresento as minhas sentidas condolências."

Pedro Guerra, in O Benfica

A bola já rola


"Já rola a bola de novo no Community Champions com os jovens dos bairros de Lisboa e driblar e chutar para golo. Não é ainda o que todos queremos, mas é um princípio de retoma que cheira a normalidade, ainda que os condicionalismos e as restrições sejam tantas que nos têm obrigado a trocar por segurança muita da espontaneidade que o futebol oferece.
De qualquer modo, as equipas que têm mantido identidade e contacto online e treinado competências individuais, investindo no apuramento da condição física e da técnica individual dos jogadores, retomam alguma interação em contexto competitivo, amigável, o que lhe permite reiniciar de alguma forma o trabalho colectivo e reacender o sonho de viajar para Roterdão para disputar o torneio final em 2022. Um sonho adiado pelo Covid, mas que colectivamente conquistaremos com o nosso comportamento responsável em comunidade!"

Jorge Miranda, in O Benfica

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"5
Só há 5 tetracampeões na história do Benfica, Jardel é um deles, com André Almeida, Fejsa, Luisão e Salvio;

7
Jardel é também um exemplo para os mais jovens. Na 3.ª e 4.ª temporadas no Benfica um total de 7 vezes pela equipa B, sem qualquer inflexão no elevado compromisso com o clube;

11
Épocas ao serviço do Benfica. Houve apenas 50 futebolistas, em cerca de 1200, que jogaram pela equipa de honra em 11 ou mais temporadas (critério: participação em pelo menos um jogo em cada época, incluindo particulares);

14
Títulos e troféus conquistados por Jardel de águia ao peito. Campeão nacional 5 vezes, venceu 2 Taças de Portugal, 5 Taças da Liga e 2 Supertaças (fez parte de plantéis que venceram mais duas);

19
Golos marcados pelo Benfica (16 em competições oficiais, 12 no Campeonato), dois deles decisivos na caminhada para o tri em 2016 (golos das vitórias na 30.ª e 32.ª jornadas);

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Jardel demorou a conquistar os benfiquistas. Há duas formas de consegui-lo, assim seja inequívoco o compromisso com o clube e pelo menos aceitável, segundo padrões benfiquistas, o talento para o futebol: personificar um adepto aguerrido em campo e/ou qualidades futebolísticas excepcionais. Jardel tornou-se consensual pela primeira via num jogo com o V. Guimarães, em que fez quase toda a partida com uma protecção na cabeça. Soube-se depois que necessitou de 21 pontos para fechar um golpe profundo. Fez o sacrifício que qualquer adepto juga que faria naquelas circunstâncias;

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Jogos de Jardel, incluindo particulares, pela equipa de honra do Benfica. É o 44.º mais utilizado de sempre. Em competições oficiais participou em 288 desafios (34.º). No Campeonato representou o clube em 165 ocasiões."

João Tomaz, in O Benfica

Editorial


"Assumo com indisfarçável honra a responsabilidade de dirigir a partir desta edição o Jornal O Benfica, a publicação periódica desportiva em actividade mais antiga de Portugal. A dimensão que assume na vivência do Sport Lisboa e Benfica, a sua importância histórica enquanto espaço de liberdade, de discussão e debate, mesmo nos tempos mais sombrios da ditadura, comprometem-me muito mais do que qualquer laivo de orgulho. Procurarei seguir humildemente os ensinamentos deixados por José Magalhães Godinho, conhecido opositor ao Estado Novo e primeiro director deste jornal - onde também José Saramago escreveu - ou Paulino Júnior, autor da letra do 'Ser Benfiquista', outra das grandes referências entre as muitas que marcaram o trajecto de excelência deste jornal. Não escondo a angústia de, em algum momento, não estar à altura de tão distintos pergaminhos.
O nosso compromisso é o de sempre informar e dignificar o universo do Sport Lisboa e Benfica numa relação de confiança com todos os seus adeptos através de uma comunicação cada vez mais próxima e que envolva ainda mais quem ama o Benfica. As novas realidades de comunicação impõem-nos desafios que implicam explorar novos conteúdos e diferentes linguagens na comunicação. A chegada da nova época vai corporizar uma outra dimensão de análise e de opinião, com novos e diversificados cronistas, a par de exclusivos que, em paralelo com uma ambição digital, procurarão das reposta ao anseio de públicos mais jovens e todos os outros que nos acompanham desde sempre. Mas com uma premissa sagrada: em nenhum momento ousaremos beliscar a essência do Jornal O Benfica.
Uma última palavra de especial apreço e enorme gratidão para o José Nuno Martins. Ao longo dos últimos treze anos liderou o Jornal O Benfica com imensa sabedoria e um benfiquistmo inigualável. A sua prosa será sempre uma referência para nós. Obrigado."

Pedro Pinto, in O Benfica

Steven Nzonzi | O trinco para fechar o miolo encarnado?


"Mais uma semana e mais um nome apontado ao meio-campo do SL Benfica. Desta vez, a imprensa portuguesa e francesa avançam que é Steven Nzonzi quem poderá ser reforço de Jorge Jesus para a próxima temporada.
Nomes como Al Musrati, Basic, Gérson, Ugarte e agora Nzonzi já foram ou são ainda possibilidades em cima da mesa para reforçar o setor mais débil dos encarnados, as posições ‘6’ e ‘8’.
O médio da AS Roma esteve emprestado ao Stade Rennais FC desde janeiro de 2020 e disputou 46 jogos pelo emblema francês. Prestes a regressar à capital italiana e ainda com um ano de contrato por cumprir, José Mourinho já fez saber que não conta com o médio para os seus planos.
Nzonzi tem 32 anos, 1,96m e um valor de mercado a rondar os oito milhões de euros, segundo o transfermarkt.pt. A sua posição mais capaz é a de médio-defensivo, mas atua também mais à frente na posição de ‘8’.
Com uma estatura física invejável, uma experiência como poucos – passou por clubes como Sevilla FC, AS Roma e Galatasaray SK – e uma capacidade de “choque” em falta no plantel da Luz, é inegável que o francês seria uma mais valia no plantel encarnado. A questão dos adeptos do SL Benfica prende-se nos valores que o seu clube está disposto a dar por um jogador que festeja o 33º aniversário em dezembro e que aufere um salário na ordem dos três milhões de euros líquidos por ano.
Com Julian Weigl no plantel, Nzonzi não teria muito espaço de manobra no onze de Jorge Jesus, mas caso o alemão se transfira para outro clube, o francês assumiria de imediato a posição deixada em aberto. Reforçar ainda que Florentino regressa do seu empréstimo ao AS Monaco e vai entrar nos planos do técnico português, pelo menos na pré-temporada.
Mas quais são as principais diferenças entre Nzonzi e Weigl? Para começar, o alemão é um jogador relativamente novo, mais “apetecível” no mercado e com evolução desportiva e financeira. Além disso, o ex-Borussia Dortmund traz mais presença e ajuda ao setor defensivo, algo que Nzonzi não apresenta.
Ainda, Weigl tem um timing de antecipação e desarme muito mais apurado do que o francês. Em sentido contrário, o jogador da AS Roma é dono e senhor do jogo aéreo e faz valer o seu 1,96m para “limpar” tudo o que for lances pelo ar na zona do meio-campo ou em bolas paradas. Acrescentar que Nzonzi é mais ofensivo do que Weigl e por isso maior parte dos seus passes são destinados para o meio-campo ofensivo.
Nos últimos dias tinha sido noticiado o possível interesse do Stade Rennais FC em assegurar o médio francês a título definitivo, mas a qualificação para a Conference League e o elevado encargo salarial “deitaram por terra” esse interesse.
O SL Benfica tem agora uma boa oportunidade para avançar para a sua contratação até pelo bom relacionamento que os dirigentes encarnados têm com José Mourinho e com Tiago Pinto, atual diretor desportivo do emblema giallorossi."

Bastidores!!!


"Nem no Euro nos livramos do jogo de bastidores lagarto: a Suíça jogou hoje e Seferovic marcou 1 golo: Portugal só vai jogar quarta feira e o Pote já sabe quantos golos tem de marcar para ultrapassar o Benfiquista na corrida a melhor marcador da competição.
(Entretanto, o Palhinha ainda não viu nenhum amarelo no Euro2020)"

Euro2020: Suíça 3 - 1 Turquia

Euro2020: Itália 1 - 0 País de Gales

A metamorfose


"A poesia pretende, à força de palavras conhecidas, dar ao leitor esse ser humano desconhecido que as ciências tidas por exatas não conseguem vislumbrar. Por isso, porque considero genial este poema de Herberto Helder, começo precisamente com um poema: “Era uma vez um pintor que tinha um aquário e, dentro do aquário, um peixe encarnado. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor encarnada, quando a certa altura começou a tornar-se negro. A partir – digamos – de dentro. Era um nó negro, por detrás da cor vermelha e que, insidioso, se desenvolvia para fora. Alastrando-se e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário, o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.
O problema do artista era este: obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinava. Assim, os elementos do problema constituíam-se na própria observação dos factos e punham-se por uma ordem, a saber: 1º - peixe, cor vermelha, pintor, em que a cor vermelha era o nexo estabelecido entre o peixe e o quadro, através do pintor; 2º - peixe, cor preta, pintor, em que a cor preta formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar acerca das razões porque o peixe mudara de cor precisamente na hora em que o pintor assentava na sua fidelidade, ele pensou que, lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei que abrange tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Essa lei seria a metamorfose. Compreendida a nova espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela um peixe amarelo” (Do Mundo, Livraria Aleph, De Google).
A crise que atravessa a racionalidade galilaico-cartesiana e os novos paradigmas emergentes são prova evidente de que o real está em permanente metamorfose. Demais, com a hermenêutica, “o ser que pode ser compreendido é linguagem” (H.G. Gadamer, Verdad y Metodo, Ediciones Sígueme, Salamanca, 1988). De facto, se “a linguagem é a casa do ser”, como Heidegger o repetia, é a linguagem a dizer-nos o que pensava o saber aristotélico-tomista da Idade Média e o que a modernidade, com Galileu, Descartes, Newton e Kant, julgava eterno e o que a pós-modernidade entende como Verdade. Ora, a pós-modernidade desvela-se, revela-se, como “idade hermenêutica da razão” e portanto onde se “labora na pressuposição de que, rigorosamente, não há conhecimento (perfeitamente) objetivo. Apenas há interpretação de linguagens e compreensão do mundo” (Jorge Coutinho, Filosofia do Conhecimento, Universidade Católica Editora, 2003, pp. 169-170). Uma mulher, até à década de 50 do século XX, quase nada podia esperar da vida, depois de ter cumprido o seu destino “inalienável”(?) de parir e educar os filhos e ser um modelo obediente aos apetites do seu marido (nada mais!) que, entretanto, cevava os dentes todos na maçã pecadora. A própria religião cristã, com uma hierarquia masculina e uma fé institucionalizada em sociedades patriarcais, chegava às mulheres idealizada na Virgem Maria que, por ser Virgem, impossibilitava um modelo feminino de acesso generalizado às restantes mulheres. Acompanho pela televisão o mundial de voleibol das equipas brasileiras (feminina e masculina) e delicio-me com as suas exibições, designadamente as da equipa feminina. As qualidades físicas e intelectuais daquelas moças é sinal certo e seguro de uma igualdade radical de género, que já se pratica no Brasil e afinal em toda a América Latina. E, no Brasil que eu conheço, o facto de a própria teologia não deixar de pôr a nu o que de reacionário e fascizante se infiltrou na mensagem dalgumas igrejas. A Literatura Ocidental cunhou, muito justamente, o provérbio: “Vérité au deçà, mensonge ai dela des Pyrénnées”. Quando comecei a trabalhar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-Brasil), pude dialogar, inúmeras vezes, com o Rubem Alves, uma das figuras maiores da “teologia da libertação” e um escritor e pedagogo brasileiro de indiscutível mérito. Relembro o que, um dia, me disse; “Junto à cruz de Jesus Cristo, nos momentos derradeiros da sua crucifixão e morte, só mulheres se encontravam junto d’Ele. Terá sido por acaso?”.
Maria Luísa Ribeiro Ferreira, professora catedrática aposentada da Faculdade de Letras de Lisboa, apresenta, por contraste, a morte de Sócrates, onde as mulheres foram compulsivamente expulsas de assistir à agonia do mestre (cfr. Maria Luísa Ribeiro Ferreira. “A subversão de uma mundividência”, in Manuela Silva e Fernanda Henriques, Teologia e Género, ariadne editora, Coimbra, 2006, pp. 193 ss.). Enfim, Jesus Cristo, a grande “Boa Nova”, na história da humanidade! Mas, na sociedade e portanto no desporto, que todos porfiamos em construir, o economicismo da alta competição deve ser diagnosticado e o hegemonismo e o dirigismo e as tentações elitistas devem ser desmascarados. Vivemos um momento propício de relembrar o pensamento de Maurice Druon, no livro, de que é autor, La parole et le pouvoir: “A grandeza reconhecida da Democracia está em deixar em liberdade os seus eventuais assassinos. A estupidez começa quando ela, ainda por cima, lhes paga o punhal” (p. 369). O futuro do desporto nacional menos se decreta do que se merece e se constrói solidariamente. Prepara-se, com muita pedagogia e persuasão na Família, na Escola, na Comunicação Social, nos Clubes, no Comité Olímpico, na Universidade, nas Associações e Federações. As grandes prioridades são conhecidas. Mas uma guerrilha verbal alienante, onde as palavras são verdadeiras armas de arremesso e ao serviço do radicalismo saloio de certas pessoas, pode escondê-las ou mudar-lhes a cor, como acontece com o peixe do poema de Herberto Helder. Efetivamente, a opinião pública portuguesa, tendo sido contemplada com uma “explosão de informação”, depois da Revolução dos Cravos, no que ao desporto diz respeito são poucos os que o pensam e dele sabem fazer um problema nacional que se põe hoje ao nosso país”. O Desporto é um caso de Cultura e de Educação e de Saúde (e mais itens poderia acrescentar). Mas por problemas técnico e táticos? Acima do mais, porque não é possível falar-se em Desporto, sem recorrer a uma axiologia dos valores. Não há ciência humana que não comporte uma relação iniludível com a ética e a moral. Mesmo ao nível do conhecimento…"

domingo, 20 de junho de 2021

SL Benfica | A revitalização do voleibol


"A equipa de voleibol masculino do SL Benfica sagrou-se bicampeã nacional nesta temporada de 2020/2021 e, sendo a modalidade melhor gerida dos encarnados, já começou a preparar a próxima época, tendo já várias mexidas anunciadas, para além do facto de já terem anunciado a participação na Champions na próxima época.
Nos últimos anos, uma das questões que os benfiquistas que acompanham a modalidade mais têm colocado é quando é que a equipa ia ser renovada, visto que o plantel era maioritariamente constituído por jogadores com mais de 35 anos. No entanto, apesar da idade avançada, estes continuavam a estar entre os melhores a nível nacional nas respetivas posições.
O voleibol é um dos desportos coletivos onde há uma maior longevidade, visto que se trata de uma modalidade que não envolve confronto físico. Para além disso, é um desporto onde a criação de dinâmicas e rotinas é um fator fundamental para definir o sucesso de uma equipa, o que significa que uma súbita revolução no plantel iria quebrar fortemente essas dinâmicas.
Agindo de forma atempada e assertiva, o voleibol do SL Benfica tem conseguido fazer uma renovação gradual do plantel, segurando ao máximo a estrutura-base da equipa. E nesse sentido, creio que as mexidas já anunciadas no plantel foram muito bem feitas.
Na posição de distribuidor, a saída de Nuno Pinheiro foi a primeira a ser anunciada. O jogador de 36 anos fez carreira ao mais alto nível em países como a Itália, Bélgica e França. No entanto, nunca teve a influência que se esperava na Luz, muito por “culpa” de se cruzar com um Tiago Violas no auge da sua carreira.
Para o seu lugar seria contratado Bernardo Westermann ao Uberlândia, um distribuidor brasileiro de 23 anos, internacional sub-21 pela Canarinha. Será claramente uma aposta para a rotação da equipa, podendo mostrar mais capacidades no serviço e no bloco, aspetos onde Tiago Violas não é tão forte.
Na posição de zona 4 seria anunciada a saída de Afonso Guerreiro. O internacional português nunca passou do estatuto de jogador de rotação nas águias e será substituído pelo brasileiro Paolo Natan. Este ponta de 23 anos chega da equipa francesa do Tours, tendo já competido na Champions. Dos reforços anunciados, é, a meu entender, aquele que aparenta ter maior margem de progressão.
Na posição de central, o jovem Miguel Sonfrónio foi emprestado ao Leixões, de modo a evoluir como jogador e ganhar experiência na Primeira Divisão. Para o seu lugar veio o também brasileiro Lucas França. Trata-se de um regresso a Portugal, visto que este central de 24 anos e 2,09m de altura representou o Castelo da Maia em 18/19, tendo também já trabalhado com Marcel Matz no Volei Canoas. 
Na posição de oposto, a saída de Théo Lopes acaba por ser a que terá mais peso na equipa. Apesar de ter realizado uma época irregular, o internacional brasileiro foi decisivo na conquista dos últimos dois campeonatos, sendo daqueles jogadores que se galvanizava nos grandes jogos.
Para o seu lugar seria contratado o internacional finlandês Aaro Nikula. Vindo do VaLePa Sastamala, este oposto de 22 anos sobressai pela sua altura (2,12m), sendo que também já competiu na Champions.
Portanto, sem perder as pedras basilares da equipa, o voleibol do SL Benfica contratou quatro jogadores entre os 22-24 anos, de modo a começar a preparar a sucessão de alguns dos jogadores de idade mais avançada. Com estas mexidas, a espinha dorsal da equipa não será muito afetada e os encarnados têm tudo para partir como favorito para a nova época."

Euro2020: Espanha 1 - 1 Polónia

Euro2020: Portugal 2 - 4 Alemanha

Euro2020: Hungria 1 - 1 França

A percepção da dopagem


"A dopagem é um fenómeno social de grande escala. Prejudicial para a saúde e infração à regra, é o “mal” do século XXI. Acentuou-se, sobretudo, durante os anos 1990, num contexto de conversão do desporto à economia de mercado, de entrada crescente de financiamento de origem privada, da exaltação do sucesso individual, da forte evolução da farmacologia e da revolução no domínio da comunicação, que constitui a Internet. O Homem tem dificuldades em aceitar os limites físicos ou mentais. Mas não é de agora. Ela inscreve-se na relação natureza-cultura própria da evolução humana.
No caso do atleta, ele corresponde às exigências de uma sociedade concorrencial, que determina uma lógica obsessiva da superação de si mesmo. A proeza desportiva (considerada como um fim em si, representa uma extraordinária perversão do instinto lúdico; encoraja o atleta a explorar o dom corporal precocemente revelado, excluindo todos os outros; é a aventura em nome do proveito imediato) nasce de uma subtil mistura de motivação e de condição física, onde a dopagem encontra uma porta de entrada.
Os estudos apontam que, em 95% dos casos, as substâncias utilizadas são medicamentos, desviados da sua vocação terapêutica. Vejamos alguns exemplos: a efedrina (asma) facilita a ação do sprinter, reduzindo o seu tempo de reação; a hormona de crescimento (pediatria) permite o aumento da massa muscular no halterofilista; o prozac (depressão) reforça a resistência ao sofrimento no maratonista; a eritropoetina ou EPO (anemia) aumenta a resistência do ciclista, estimulando o transporte de oxigénio no sangue; a tacrina (doença de Alzheimer) é consumida pelo piloto de fórmula 1 ou pelo jogador de golfe, por forma a memorizar o futuro percurso; os beta-bloqueantes (hipertensão arterial) reduzem os tremores nos atiradores; a modafinil, molécula anti-sono tomada pelos militares durante a guerra do Golfo, é recuperada pelos navegadores de corridas solitárias.
As múltiplas derivas levantam muitas questões. O que distingue a dopagem do acompanhamento médico? Qual é a dimensão do fenómeno? Quais são os produtos utilizados? Quem são os atores das condutas dopantes? Como é que a indústria da dopagem funciona? O ato de dopagem pode ser assimilado ao comportamento do homo economicus? Podemos imaginar um desporto de alto rendimento que evitaria a dopagem? Será que a conduta dopante no desporto se resume apenas na procura da performance? O atleta faz sacrifícios necessários para ser reconhecido, para ultrapassar as dificuldades e para prosseguir o seu sonho. Será, por isso, que se dopa: para ser melhor, para ser ele próprio, para ser melhor do que si próprio?
A dopagem está omnipresente na sociedade, mas ela é sancionada no desporto, no qual se baseia em vários mitos: pureza do esforço, igualdade de oportunidades, incerteza dos resultados, atividade sã e natural. Segundo Bourg (2004), a dopagem inscreve-se no quadro de uma transformação social (espírito de concorrência e de competição, obrigação do resultado), que exige do indivíduo que seja melhor do que ele mesmo, e num movimento geral de medicalização da sociedade que acompanha uma instrumentalização do corpo. Na realidade, a “geometria” da dopagem constitui a primeira incerteza. E não existe um consenso sobre a sua definição. Existe uma dopagem conhecida e detetável e uma outra indetetável e não procurada.
Se admitirmos que a dopagem consiste no recurso a ajudas artificiais para ajudar na performance, uma dopagem ilícita, mal controlada, surge. A fronteira entre a dopagem autorizada e não autorizada é arbitrária. A primeira abrange o conjunto de medicamentos lícitos, prescritos e ingeridos fora de toda a indicação terapêutica, por forma a otimizar o nível do atleta. A segunda é definida pela lista de produtos proibidos elaborada pela Agência Mundial Antidopagem (AMA), fundada em 1999, segundo três princípios: o produto possui o potencial de melhorar a performance; ele representa um risco para a saúde; ele é contrário à ética do desporto. Para que uma substância faça parte da lista, é preciso que dois destes princípios se verifiquem.
Algumas tentativas para liberalizar ou passar em silêncio a dopagem levanta outras observações. Elas refletem uma conceção produtivista do desporto: o ser humano vê-se reduzido à racionalização de uma máquina para bater recordes. Banalizam o uso destas substâncias, ocultando os efeitos do consumo e as consequências para a saúde.
Para a organização dos controles antidopagem, só uma autoridade externa dos poderes desportivos pode apresentar as garantias suficientes de rigor e de transparência. A eficácia da luta contra a dopagem releva de uma submissão da divisa olímpica: “citius, altius, fortius” (mais depressa, mais alto, mais forte) com a compatibilidade com a saúde dos atletas.
Como toda a prática “desviante”, como diria Becker (1995), a questão da dopagem coloca às ciências sociais dificuldades acrescidas, cujos fundamentos teóricos, epistemológicos e práticos constituem um verdadeiro desafio (Trabal, 2002). Basta, para isso, recensear a fraqueza dos métodos habituais mobilizados pelo sociólogo para apreender as práticas sociais (entrevistas, inquérito por questionário, observação) (Ghiglione & Matalon, 1991). No caso do atleta, a apreensão da dopagem passa, essencialmente, pelo corpo (produto injetado, absorvido, consumido, etc.). O corpo passa a ser o “testemunho”. As estatísticas sobre a dopagem apresentam forças e fraquezas, simultaneamente, pois funcionam pela totalização ou pela redução da realidade. Se aceitarmos que possa haver “interesse no desinteresse”, como sublinhava Bourdieu (1997, p. 148), para se analisar a dopagem convém partir dos interesses e das posições dos diferentes atores sociais.
O contexto da dopagem nos atletas desenvolve-se no contexto de uma sociedade dopada, acostumada ao consumo generalizado de medicamentos, suplementos alimentares, vitaminas e outras substâncias, estimulando a performance quotidiana (Queval, 2004). E é preciso não esquecer que a competição desportiva, exprime a possibilidade de uma harmonia entre o corpo e o espírito, entre o jogo e o rigor moral, entre a competição e a solidariedade, entre a cultura e o povo. O desporto de alto rendimento é apenas uma faceta; a mais mediática, sem dúvida. A dopagem solicita uma reflexão ética."

sábado, 19 de junho de 2021

Uma Semana do Melhor...

Agenda...

Esclarecimento


"O Sport Lisboa e Benfica esclarece que o seu atleta Jan Vertonghen é jogador do Clube e faz parte dos planos para a nova temporada.
Ao contrário do que está expresso hoje nalguma comunicação social o atleta não está de saída nem há qualquer intenção em facilitar ou permitir a sua transferência."

O bom, o mau e o vilão


"Não existem três personagens nesta história de ficção. Na verdade, só existe uma: Francisco J. Marques.
Uma vez mais, esta figura é protagonista de um dobrar de espinha a fazer recordar Julia Günthel, detentora do recorde mundial de contorcionismo em circo.
Há menos de dois anos, o diretor de comunicação do FC Porto atacava, sem qualquer pudor, Fábio Cardoso, manifestando a sua repulsa contra o jogador e denegrindo a postura do mesmo, conotando-o de falta de profissionalismo. Volvidos 21 meses, tudo mudou. Sabemos, através de informações que nos chegaram, que o FC Porto lançou para a comunicação social a falsa informação de que Fábio Cardoso seria alvo de interesse do SL Benfica para que, de novo, o clube azul e branco saísse por cima após anunciarem a contratação que já estava fechada, como se de um roubo ao rival se tratasse – algo que, refira-se, já estão habituados a fazer: roubar é palavra de ordem naquele clube.

Não, Fábio Cardoso nunca foi do interesse do SL Benfica e, uma vez mais, o FC Porto reitera na mesma estratégia de deturpação de factos para tentar manipular a opinião pública. O SL Benfica tem Ferro, Tomás Araújo e Morato para essa posição, e nunca demonstrou qualquer interesse em contratar o jogador. Esta estratégia apenas teve como intenção desestabilizar ainda mais as hostes benfiquistas e dar a entender que era mais uma derrota do clube encarnado. Desengane-se quem pense que foi, e jamais voltarão a vencer fora das quatro linhas com este tipo de estratagemas."

Agora, já nem se interessa...!!!


""O Ministério Público queria, mediante um pedido de desculpa e o pagamento de uma indemnização por parte do jogador Lionn, suspender provisoriamente o processo em que César Boaventura acusa o atleta de ter mentido"
1. A mesma comunicação social que deu ênfase à acusação do jogador, opta agora por ignorar os factos da mentira;
2. Sempre foi este o objetivo. Manchar e denegrir o bom nome do Sport Lisboa e Benfica, recorrendo a todo o tipo de manobras falsas e sujas."

Euro2020: Inglaterra 0 - 0 Escócia