Últimas indefectivações

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Vermelhão: Empate na Bélgica...

Standard Liège 2 - 2 Benfica


Mais um empate, mais dois golos sofridos fora de casa, num jogo onde a vitória também não seria suficiente para chegar ao 1.º lugar, já que o Rangers venceu na Polónia!

Resultado castigador, já que o Benfica acabou por ter mais e melhores oportunidades, e hoje além dos remates desperdiçados, obrigámos o keeper contrário a grandes defesas... e até tivemos menos tímidos nos remates! A má entrada na 2.º parte, acabou por ser fatal...  os últimos 30 minutos, foram quase todos 'nossos', tal como já tinha acontecido na 1.º parte... com o Darwin e o Pizzi a demonstrarem demasiada pontaria aos ferros!!!

Este jovem Standard (vamos ver alguns destes jogadores noutras equipas no futuro próximo...), acabou por ter 'azar' nesta prova, pois perde na 1.ª jornada, com um golo de meio-campo, e depois um surto de covid retirou muitos jogadores das jornadas seguintes! A forma como 'virou' o jogo em casa com o Lech, a jogar com menos um, a forma como em Glasgow deu luta, e a forma como hoje empatou com o Benfica, demonstrou que o Sandard tem mais qualidade, do que a pontuação final reflecte... apesar da falta de sorte nas jornadas anteriores ter sido 'compensada' esta noite!!!

Estreia Europeia do João Ferreira, num jogo onde não comprometeu ... ao contrário do Nuno Tavares que esteve muito mal! O Taarabt continua a fazer coisas muito boas, com perdas de bola fatais (como no 2.º golo...). Ás vezes é preferível um passe 'cauteloso' em vez de uma passe 'arriscado', esta gestão não é fácil de 'ensinar', para um jogador que 'cresceu' a jogar em zonas mais ofensivas!

Agora, no sorteio a escolha é 'curta', praticamente todas as equipas não muito complicadas! Mas a próxima eliminatória ainda vem longe, até lá vai correr muita água por baixo das pontes... inclusive a nível do plantel! Se quisermos ter aspirações legítimas, temos que melhorar bastante até Fevereiro...
Os possíveis adversários são estes:
- Manchester United
- Club Brugge
- Ajax
- Shakhtar Donetsk
- AS Roma
- Arsenal
- Bayer Leverkusen
- PSV
- Nápoles
- Leicester
- Villarreal
- Tottenham
- AC Milan
- Dinamo Zagreb
- Hoffenheim

Tentar ganhar


"Com o apuramento para os 16 avos de final da Liga Europa garantido e tendo em conta o sobrecarregado calendário competitivo, é expectável que a equipa que se apresentará hoje, de início, na partida frente ao Standard Liège (17h55, em Liège), inclua alguns jogadores menos utilizados por Jorge Jesus na presente temporada.
O nosso treinador deu conta disso mesmo, ontem, na conferência de imprensa de antevisão à partida: "Vou aproveitar para lançar alguns jogadores que nunca jogaram. (...) Estou a pensar fazê-lo com um ou dois jogadores…"
Independentemente deste contexto, Jorge Jesus reconheceu que a obrigação da equipa passa por tentar vencer a partida, não só por ser essa a filosofia que norteia qualquer equipa benfiquista, mas também por estar ainda em aberto a possibilidade da obtenção do primeiro lugar no grupo. Para que o Benfica alcance essa posição, necessita de fazer melhor resultado na Bélgica do que o Rangers na deslocação à Polónia.
Entretanto já são conhecidos os possíveis adversários que transitam da Liga dos Campeões, que se juntarão a outros da Liga Europa no sorteio da próxima segunda-feira. São eles Ajax, Brugge, Dínamo Kiev, Krasnodar, Manchester United, Olympiacos, Salzburgo e Shakhtar Donetsk. Entre os participantes na Liga Europa que já garantiram o apuramento para a fase seguinte contam-se, além de Benfica e Rangers, também Antuérpia, Arsenal, Braga, Dínamo Zagreb, Estrela Vermelha, Granada, Hoffenheim, Leicester, Leverkusen, Lille, Milan, PSV, Roma, Slávia Praga e Villarreal.
Nota ainda para o início da recuperação de André Almeida, com o regresso ao Benfica Campus, no qual foi recebido por todo o plantel e equipa técnica. Lesionado gravemente em 18 de outubro último, na partida com o Rio Ave, foi alvo de intervenção cirúrgica no dia 31 do mesmo mês. André Almeida chegou ao clube em 2011, participou em 325 jogos (282 em competições oficiais) e conquistou cinco Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e uma Supertaça. Certamente que contribuirá para muitos mais títulos de águia ao peito."

O Cantinho Benfiquista #14 - Chegou o 'Tipping Point'

Há, no atual quadro de árbitros, incompetência a mais


"A exposição mediática que o futebol tem é pornográfica (o produto vende que se farta), o que origina este escrutínio despudorado de tudo o que mexe. É o salve-se quem puder de audiências e vendas em papel. Sinal dos tempos, dizem.
Em campo, o equipamento de jogadores e árbitros não evita que sejam despidos aos olhos de quem tem vontade e meios para esmiuçar tudo o que fazem.
Esta dificuldade torna a vida e o trabalho de árbitros, assistentes e videoárbitros numa espécie de missão impossível. Um verdadeiro inferno.
Ainda assim, importa sublinhar que isso não justifica tudo nem invalida que se faça, com sentido crítico adequado, uma análise racional da realidade: a verdade é que, em matéria de arbitragem, as coisas podiam e deviam estar melhores do que estão. 
Há, no atual quadro de árbitros, incompetência a mais.
Neste momento, Portugal tem duas mãos cheias de árbitros com qualidade (ou talento potencial) e um conjunto de rapazes sérios (e é importante sublinhá-lo), esforçados e bem-intencionados, que não nasceram para aquilo.
Esta constatação não é medida pela quantidade de penáltis mal assinalados ou pelo número de cartões exibidos. Quem nunca? É aferida a outro nível. Ao nível da sensibilidade para o jogo, do conhecimento tático e prático, do bom senso, do relacionamento com os intervenientes, da gestão de emoções, da forma como lidam com a pressão e por tantos outros fatores em que a personalidade e sensatez devem sobrepor-se à tecnicidade dos lances.
É aí que muitos falham. Falta-lhes o saber prático e sem saber prático deixam de ser árbitros e passam a ser apitadores. Parece a mesma coisa mas não é. É o exato oposto.
Agora esqueçamos, por momentos, a árvore e olhemos também para a floresta.
Idêntico exercício deve ser feito quanto a quem desempenha outras funções. Serão todos tecnicamente qualificados e competentes, talentosos e honestos? Acho que não.
Nessa área, bem mais vasta e abrangente e onde mora muito mais gente, não estarei muito errado se disser que encontramos três tipos de personalidades distintas: os que são muito bons no que fazem (e são muitos); os que são voluntariosos mas não têm jeito para o ofício; e os que são mais perversos, movidos a expedientes pessoais. Os que têm uma agenda própria, bem definida e orientada.
Por cada pessoa que nasceu para isto - no talento, dimensão e entrega - há um sobrevivente que quer viver disto.
Reparem... no mundo da bola, encontramos de tudo um pouco: o árbitro mais ou menos capaz; o jogador que se esforça, mas que erra mais do que acerta; o treinador que tenta mas raramente singra; o dirigente que diz uma coisa hoje e amanhã diz outra; o jornalista que não consegue despir a camisola; e o comentador que mora uma nuvem acima de Deus e que se acha a última bolacha do pacote.
O futebol, demasiado desafiante e exigente, continua a ser um oásis para tantos. Como tudo o que é grande, tem gente maravilhosa e gente medíocre. Tem pessoas enormes e tem serpentes de sorriso fácil. Uns são generosos mas limitados, outros são insidiosos e escorregadios.
Como se percebe, é indústria com virtudes e vícios, porque composta por multidões de castas diferentes.
Na verdade, o futebol é um dos poucos universos onde o médico acha que sabe mais de mecânica do que o mecânico e o padeiro mais de engenharia do que o engenheiro. É assistir, sorrir e aplaudir. Com pena e solidariedade.
Tudo isto tem cura, naturalmente. Um dia a vacina virá e estes pequenos vírus morrerão. O espetáculo é demasiado grandioso para depender de figurantes que se acham protagonistas e o jogo voltará a ser entregue a quem importa de verdade.
É inevitável. Vai acontecer, porque as coisas certas acabam por acontecer sempre."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Vitória em jogo feio!

Benfica 78 - 73 Esgueira
23-14, 18-20, 15-27, 22-12

Péssimo 3.º período, deu uma emoção ao jogo perfeitamente escusada... numa partida, com demasiados erros!

Vitória no Luso...

Benfica 3 - 2 Barcelos

Depois da derrota para o campeonato, saborosa vitória para a Taça 1947 (uma espécie de Taça da Liga), sobre o Barcelos!
Desta vez, sem o desequilíbrio arbitral o jogo foi mais 'justo' e assim deu para vencer, com um bom aproveitamento nas bolas paradas...
Mesmo assim, aquele final de partida podia ter sido mais 'descansado'!!!

Vamos defrontar o vencedor do jogo Oliveirense - Valongo nas Meias-finais... muito provavelmente a equipa de Oliveira de Azeméis!

Pesada...

Benfica 0 - 5 Chelsea


Resultado pesado, mas mais ou menos esperado! A diferença entre as equipas de Top Europeu, e as melhores nacionais ainda é grande! O Braga o ano passado com o PSG que o diga...!!! Dito isto, o Benfica do ano passado, provavelmente teria discutido este jogo de forma muito diferente, com a Geyse, a Darlene e a Sueca! Existem algumas lesões, mas também existem algumas lacunas óbvias no nosso plantel que podem ser corrigidas sem grande investimento... Se quisermos discutir qualificações europeias, temos que dar um passo em frente... Muito estas jogadas já fizeram para chegar aqui...

O Cantinho Benfiquista #13 - A Win Is A Win, Right

Vilafranquense


Só hoje, Quarta-feira, ficámos a conhecer o adversário do Benfica na próxima eliminatória da Taça de Portugal, que irá ser disputada já no próximo domingo, na Luz!!!

Os ribatejanos têm um plantel com vários veteranos com experiência de I Liga e são treinados pelo João Tralhão. Apesar do jogo ser na Luz, vamos precisar de jogar melhor do que em Paredes, pois o adversário tem um nível parecido, com as equipas do fundo da tabela da I liga!

Benfica-Vilafranquense
Estoril-Boavista
Fontinhas-Fafe
Sporting-Paços de Ferreira
Olímpico do Montijo-SC Braga
Nacional-Leixões
Belenenses SAD-Espinho
Anadia-Estrela da Amadora
Rio Ave-Famalicão
União de Leiria-Gil Vicente
FC Porto-Tondela
Marítimo-Salgueiros
V. Guimarães-Santa Clara
Ac. Viseu-Académica
Torreense-Amora
Cova da Piedade-Moreirense

Antevisão...

Treino...

Notícias falsas


"O Sport Lisboa e Benfica desmente que esteja a negociar ou que exista qualquer processo negocial em curso para a eventual contratação da dupla de médios do Flamengo, Gerson e Arão, conforme noticia hoje o diário "Correio da Manhã". Essa notícia é totalmente falsa e não tem qualquer fundamento.
Também informamos que, relativamente ao defesa Lucas Veríssimo, as condições da oferta feita ao Santos mantêm-se na íntegra conforme foi apresentada, não tendo sido feitas quaisquer alterações às mesmas, ao contrário do que noticia o "Jornal de Notícias" na edição desta quarta-feira, infelizmente em mais uma notícia falsa sobre este tema."

Benfica Podcast #388 - To The Wire

Todos banidos....


"Mentira, Vitor Pinto, seu Dragon da CMTV/Record! Como bem sabes, Rui Costa, irmão de Paulo Costa, é um benfiquista fanático e por isso festejou o golo! Não foi nada para ver melhor o lance! Tem que ser imediatamente banido da arbitragem portuguesa, a bem da verdade desportiva! São inúmeros os benefícios ao Benfica e prejuízos ao Calor da Noite deste árbitro, como aliás se viu já esta época no Calor da Noite-Marítimo! Tenham a coragem de NUNCA mais nomear Rui Costa para jogos do Benfica e Calor da Noite, não há mínima garantia de isenção e imparcialidade devido ao seu benfiquismo incorrígivel! Já agora, faça-se o mesmo ao seu irmão Paulo Costa, outro benfiquista fanático que tem um histórico de mais de 30 anos a beneficiar o Benfica!
É Hora De Se Limpar Estes Benfiquistas Do Futebol Português! Será Que Há Coragem Para Isso?"


PS: E não é só o Rui Costa! O Soares Dias, o Manuel Oliveira, o Vasco Santos o Luís Ferreira, o Veríssimo entre outros, são todos Benfiquistas fanáticos... tem que ser todos banidos!!!!
Talvez assim, alguém nos oiça...!!!

Modalidades: Semanada...

O jogo de Julian Weigl


"Entre a capacidade de recuperação, mas os disparates constantes em posse de Gabriel, e a a simplicidade e fluidez que Weigl dá ao jogo ofensivo, mas sem tal capacidade para roubando bolas permitir transições – momento onde o Benfica depois se torna mais forte – vai oscilando Jorge Jesus. A recepção ao Paços ficou marcada pelas quinhentas bolas perdidas pelo médio brasileiro que retiraram tempo de ataque ao Benfica, fluidez e possibilidades de chegar ao último terço para poder fazer golos. Para lá de castigarem fisicamente uma equipa que se vê obrigada demasiadas vezes a ter de voltar para trás.
Simplicidade de Weigl expressa na forma como recebe sempre para preparar acção seguinte retirando a bola da pressão – Escolhe invariavelmente as melhores rotas ofensivas, e por isso mais à frente mais vezes surgem possibilidades em zona ofensiva. Não faz acontecer, mas permite que possa acontecer.
Tem sucesso nas suas acções com bola."

Fever Pitch - João, Miguel & Pedro... Trio!

Fever Pitch - João & João... Espanha!

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Minutos finais e todos os minutos


"Respeito as críticas sobre o Benfica (...), o que contesto é o tratamento desigual e uma aparente 'agenda' compulsiva e sistemática

1. E tudo os minutos finais decidiram. O Sporting passa de vitória a empate. O Benfica vira de empate para vitória e o Porto ganha e agradece à barra. O Benfica encurtou de 4 para 2 pontos a diferença para os leões, mas se os encontros tivessem acabado uns minutos antes, estaria a 6 pontos. Uns brevíssimos minutos e o Benfica ganha 4 pontos na luta pelo 1.º lugar. É assim o futebol, em que todos os minutos são iguais, mas os derradeiros se apresentam, às vezes, como dramáticos. Umas vezes desesperamos, outras vezes ficamos esfuziantes. Desta vez, com a felicidade do lado do meu clube, num jogo, porém, pobre na exibição, diante de um Paços, que foi mais perigoso do que, em condições normais, são, na Luz, o Porto e o Sporting juntos.

2. Devo dizer que comecei a escrever esta crónica na terça-feira da semana passada. Ou seja, no dia seguinte à vitória do Benfica no Funchal. Não tanto para falar do jogo, mas para repudiar o modo como o jogo foi narrado e comentando na transmissão televisiva. Ainda o encontro não havia começado, e os comunicadores do canal já peroravam sobre a equipa encarnada, e incessantemente assim foi até ao fim do encontro, num autêntico massacre de má-língua. Ou porque joga mal, ou porque te jogadores que nada jogam, ou porque Jorge Jesus está silencioso, ou porque Jorge Jesus vocifera com os jogadores, ou porque não há soluções no banco, ou porque qualquer outra coisa que sirva para amesquinhar a equipa. Um festival de enviesamento, um despudorado critério jornalístico de uma parcialidade obsessiva, uma narração que, de tão centrada em dar ao Benfica, nem relatava fosse do que era o jogo jogado. Já não é nem a primeira, nem a segunda, nem a enésima vez que, nas transmissões que metam Benfica, se verifica uma parcialidade confrangedora. Mas, desta feita, ultrapassaram-se os limites da decência deontológica. Aliás, bem acompanhados no capítulo da realização. O penálti descarado cometido pelo guardião maritimista sobre Everton só foi repetido, envergonhadamente, uns bons minutos mais tarde, sendo que, no momento da falta, o narrador logo sentenciou que «Everton caiu sem qualquer irregularidade» (sic). Depois, na falta assinalada, na sequência da qual o Benfica marca o segundo golo, foi um fartote. Não custa aceitar que a infracção talvez devesse ser marcada ao contrário, mas a dezena de vezes que tal momento foi repetido, impedindo-nos até de ver o jogo que estava a decorrer, evidencia critérios desiguais para situações tendencialmente comparáveis. Houve momentos hilariantes. Um deles, prende-se com o golo do Marítimo. Mal a bola entrou, o narrador - excitadíssimo - anunciou que o SLB não sofria 10 golos nas primeiras 8 jornadas desde 1959. Foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça, não certamente por memória espontânea, mas tudo estava preparado com essa cábula para festejar tal feito. Outro, foi o muito tempo em que debitaram zombaria sobre Everton. Que não jogava nada, que foi muito caro, apondo-lhe o preço. Uma, duas, três, muitas vezes, até que o rapaz marcou um belo golo. Engoliram em seco e, calcule-se, a tal desilusão de jogador, no fim, virou o «homem do jogo».
Já dias antes, havíamos tido na SIC uma narração inenarrável do jogo em Glasgow. Sempre em tom depreciativo, disse-se sistematicamente mal do Benfica, do princípio até ao fim, e desvalorizou-se o valor do adversário, revelando, aliás, uma grande ignorância o má-fé. Recordo-me de que foi a narração do Rangers - FCP para a mesma competição no ano passado, com o resultado de 2-0 a favor dos escoceses. Disse-se então que a equipa portuguesa até jogara benzinho, que foi infeliz e ineficaz e que o mesmo adversário era uma equipa de respeito. Na altura, entendeu-se que a saída por lesão de Pepe no início da segunda parte foi determinante para a derrota. Deste vez, faltaram 8 jogadores por lesão ou impedimento no Benfica, e foi tudo normal.
Ao invés, o que podemos ouvir na narração de Hélder Conduto e no comentário de Rogério Matias no Benfica - P. Ferreira, na televisão do clube, foi exemplarmente sério e imparcial, quer na análise do Benfica, quer no adversário.
Observemos o contraponto com o FCP. Os portistas venceram em Marselha contra uma equipa vulgaríssima, sem chama e que perdia há 10 jogos seguidos para a Champions (deve ser recorde). Uma maravilha, estofo europeu, categoria e classe mesmo só rematando 3 vezes. Dias depois, o actual campeão nacional foi a São Miguel vencer por 1-0, tendo, além deste remate (excelente), só chutado mais uma vez à baliza do Santa Clara aos 89 minutos! E o que se disse, em comparação com os jogos do Benfica na Liga Europa e na Madeira? Tudo claro e categórico para um lado, tudo escuro fraquinho, para o outro lado.
Respeito as críticas sobre o Benfica, que, muitas vezes, as merece. O que contesto é o tratamento desigual e uma aparente agenda compulsiva e sistemática de profissionais que passam o tempo todo na festança de dizer mal, nem sequer dissimulando antipatias (e correspondentes simpatias) que lhes vão no coração e saem pela boca.
Também fora do campo, o Benfica é sempre notícia, mesmo de primeira página. Três-homens-três esperaram a saída do Benfica no aeroporto madeirense. Não ouvimos o que disseram, mas imagino o que bolsaram. E não é que foi manchete esta reacção de um «grupo» (sic) de benfiquistas! Valha-nos Nossa Senhora dos Remédios...

3. Na semana passada todo o meu texto foi dedicado à morte de Diego Maradona. No entanto, não esqueci um antigo jogador e um ainda treinador que, em Portugal, também desapareceram.
José Bastos, que nos deixou aos 93 anos. Não poderia ter memória viva do guarda-redes que esteve na conquista da Taça da Latina em 1950, tinha eu 2 anos. Mas, ainda me lembro dele quando era um miúdo e a televisão uma recém-nascida. Por acaso, numa partida triste, pois foi uma das poucas vezes em que vi o meu clube perder uma Taça de Portugal para o FC Porto por 1-0. Era Bastos o guardião encarnado. Já muito recentemente, pude ver na BolaTV uma notável entrevista que lhe foi feita por José Manuel Delgado. Uma entrevista que nos abriu a janela da sua vida pessoal e desportiva. Que descanse em paz.
Vítor Oliveira. Um verdadeiro senhor no mundo, por vezes tão sinuoso, do futebol. Não o conheci pessoalmente, mas sempre, o admirei, pela sua fibra, persistência, bom trato, razoabilidade e equilíbrio. Deixa-nos cedo, ele que - citando a feliz síntese d'A Bola - foi um treinador grande que nunca precisou de estar num grande. Talvez mesmo o único. Na minha crónica de 2 de Junho passado, pude escrever sobre Vítor Oliveira, no seguimento de uma entrevista de Jorge Pessoa e Silva ao então treinador do Gil Vicente. Uma entrevista que tratou, de um modo claro e assertivo, problemas crónicos que atingem o nosso futebol e com cujo texto me identifiquei substancialmente. Um sereno depoimento de quem viveu no âmago do futebol, sem hipocrisias, vaidades tontas ou umbiguismos. O futebol ficou mais pobre com a sua prematura morte.

ContraLuz
- Comunicação: Novos tempos na direcção da comunicação do SLB, com a magnífica aquisição do consagrado jornalista Pedro Pinto. Tenho agora fundadas esperanças de que se consolide no meu clube uma relação comunicacional competente, assertiva, não meramente reactiva, institucionalmente prestigiante. E há uma novidade: Pedro Pinto é um indefectível benfiquista.
- Novela: Depois de Cavani por via do irmão, temos a novela Lucas Veríssimo por via de um clube (Santos) sem rei nem roque, à deriva, onde a transferência de um jogador é aprovada ou reprovada por assembleias, direcções a prazo e conselhos fiscais numa mistura terceiro-mundista. Não há jogador que valha a pena negociar com o anarquismo decisório deste clube.
- Perguntas: Em Portugal, seja em que área for, está generalizado a má prática jornalista de emitir opiniões prévias à pergunta que se quer fazer. Sucedeu no Marítimo, com uma jornalista, que antes de fazer uma pergunta a Jorge Jesus, emitiu sentença prévia. Perante a reacção de Jesus, ouviram-se vozes indignadas, pois se tratava ed uma e não de um profissional, sempre recorrendo à correcção política da ideologia de género. Para uns, um desabafo unissexo é um pecado capital, para outros é má educação permanente perante qualquer pergunta incómoda é tão-só feitio, que se aceita ou até se enaltece.
- Comparação: O golo anulado a Coates em Famalicão é de difícil julgamento. Honestamente, acho que uma vez assinalado como válido pelo árbitro, a intervenção do VAR é duvidosa, porque seja qual for o ângulo de observação não há uma infracção categórica. Mas, aqui, só quero registar um ponto curioso: lembrei-me do golo decisivo de Luisão ao Sporting, em 2005. Na altura, sportinguistas disseram cobras e lagartos sobre o lance. Pois, mandaria a coerência que, em Famalicão, se aceitasse o veredicto arbitral de invalidar o golo, tal como, afinal, reclamaram sobre um (inexistente) contacto de Luisão com o guardião Ricardo. Mas, claro, no futebol emocional, todos interpretamos, os lances segundo as nossas cores..."

Bagão Félix, in A Bola

Um início bonito de Dezembro...


"Primeiro aniversário do Estádio da Luz. Festa que entusiasmou o público presente terminada com um jogo entre Benfica e Valência com vitória encarnada por 3-2. Apesar das baixas, os encarnados foram uma equipa de grande qualidade.

O Benfica estava em festa. Festa bonita, merecida: primeiro aniversário do Estádio da Luz. 'Magnífica demonstração de vitalidade evidenciada pelo clube das águias quando os espectadores puderem admirar, embevecidos, a esplêndida demonstração do seu trabalho em profundidade com a apresentação das várias classes de ginástica com bem mais de meio milhar de praticantes de ambos os sexos - crianças e adultos. Foi, sem dúvida, um aperitivo de excelente qualidade, e o número qualificativo de grandeza do clube que festejava o primeiro ano de uma obra gigantesca e admirável', embasbacava-se quem assistiu a tudo em directo, nesse dia 1 de Dezembro de 1955.
Claro que, em festas com esta, depois da demonstração das modalidades, há sempre uma piéce de résistance, isto é, um jogo de futebol que os adeptos pura e simplesmente não dispensam. Avançou o Valência, convidado especial. O futebol praticado foi do quilé! Jogo vivo, entusiasmante, com atributos técnicos de deixar muita gente de queixo caído, a embater no pescoço, e uma baba bovina a escorrer pelos cantos da boca, como gostava de dizer o grande cronista brasileiro Nelson Rodrigues.
Faltava gente aos benfiquistas. Coluna estava no Porto, integrado nos trabalhos da selecção militar que iria defrontar a Holanda; Jacinto, Caiado e Palmeiro, lesionados, não faziam parte das contas do treinador. Talvez por causa dessas ausências vários tenham sido também os ausentes, já que se encontravam, aqui e ali, umas clareiras por entre a massa de gente que acorrera à Luz. Não sabem o que perderam.

Um Benfica valente!
Logo aos 8 minutos de jogo, os adeptos benfiquistas saltaram dos seus lugares como se fossem impulsionados por molas. Salvador puxou a perna atrás e mandou, objectivamente, o pé às compras: um tiro de violência inaudita que fez a bola explodir na barra da baliza de Ramirez. O keeper do Valência ficou tão baralhado, que andou de cabeça virada, de um lado para o outro, na tentativa de adivinhar onde ela viria a cair, mas debalde. Caiu certinha no lugar onde Garrido se aprestou a fazer a recarga e o correspondente 1-0.
Felizes, nas bancadas, os sócios benfiquistas mostravam-se orgulhosos num conjunto que, apesar de desfalcado, se batia com um pundonor notável.
Mas o empate surgiu aos 21 minutos, por Buqué, num remate forte e rasteiro que apanhou Costa Pereira desprevenido.
O Benfica acusou o golpe. Durante alguns minutos, pairou a sensação de que a confiança inicial se tinha esfumado. Foi nesse período de descontrolo, com os jogadores desarrumados, que sofreu o segundo golo, por Badenes, que correspondeu a um centro preciso de Maño. O intervalo vinha mesmo a calhar. O público aproveitou para respirar fundo, e os jogadores, reunidos no balneário, retificaram as suas posições.
Foi, portanto, uma nova águia que apareceu na segunda parte. De tal forma o foi, que, logo aos 3 minutos, José Águas se elevou no meio da grande área valenciana vinda da direita. Empate restabelecido. Os encarnados iriam partir para um ataque feroz e irresistível!
As substituições de Pegado por Chipenda e, depois, deste por Rogério baralharam os espanhóis.
O Benfica pusera velocidade no seu jogo de tabelinhas progressivas e empurrava o adversário para o seu meio-campo. Parecia uma jibóia-constritora, tirando o ar à sua vítima, esvaziando-lhe os pulmões. O golo adivinhava-se, e chegou a 6 minutos do fim, por Cavém, pintando o resultado com justiça. A vitória encarnada fora indiscutível, sobretudo por via da excelência de exibição do segundo tempo. 'Não interessa o nome dos clubes', registava um cronista da época, 'interessa, isso, sim, o valor demonstrado pelos futebolistas do Benfica, que souberam, num alarde de força física e condição atlética, e mesmo de excelente execução técnica, superiorizar-se ao categorizado conjunto valenciano. Ficou, no meio que soube produzir a equipa lisboeta no segundo tempo, a valorização do futebol nacional no confronto com uma equipa do primeiro plano europeu'.
O dia fora longo. Mas os adeptos abandonavam a Luz felizes nesse dia inicial de Dezembro de 1955. Iam comentando as incidências dos acontecimentos, a alegria da festa misturada com a satisfação da vitória sobre um adversário espanhol. Vencer um clube vizinho nunca deixava de ser uma felicidade multiplicada por via da rivalidade eterna com muestros hermanos. Fazia frio em Lisboa, mas os grupos que se espalham pelas ruas em redor da Luz estavam-se nas tintas para o frio. Afinal, era precisamente para assistir ao que assistiram que se tinham dado ao trabalho de sair de casa."

Afonso de Melo, in O Benfica