Últimas indefectivações

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Vermelhão: Dos 11 metros também conta...!!!

Benfica 3 - 0 Standart Liège


Jogo Europeu, com um cheirinho de Tugão, com o Standart muito defensivo... As várias ausências devido ao Covid (6 jogadores...), explicam alguma coisa. Sendo assim, tivemos um jogo de um sentido só, mas com poucos remates!!! Já não é novidade: contra este tipo de adversários temos demonstrado dificuldades em encontrar espaços... Acabámos por afunilar muito o jogo... E por isso mesmo, apesar do domínio, só desbloqueámos o jogo no(s) penalty(s)!!!

Aqueles passes verticais do Gabriel para o Darwin e/ou o Luca foram demasiado forçados, até porque os dois jovens têm talento, mas nenhum deles tem a capacidade de um Jonas ou dum João Félix, para entre-linhas, de costas para os defesas, num só toque, desequilibrar a defesa contrária!

Nuno Tavares bem a defender e a atacar, muito agressivo sobre o adversário, nota-se que tem levado nos 'ouvidos' nos treinos! Tivemos ainda a 'estreia' no Benfica, do Digui (Diogo Gonçalves) a lateral direito: notou-se alguma 'timidez' ofensiva, mas acabou por fazer uma boa exibição. Bem no posicionamento, bem na coordenação com os Centrais... Perto do final, cometeu um penalty (que o árbitro marcou fora da área...), mas nessa altura, com o cansaço, já estava a 'pensar' pouco! Poderá ser opção ao Gilberto... Estreia Europeia para o Gonçalo Ramos...

Estava à espera que o Everton fosse poupado, tem sido dos jogadores mais utilizados, mas está desgastado e os desempenhos tem estado abaixo do esperado, no Bessa deveria ser poupado...!!!
Uma nota também para as melhorias evidentes do Ody no controlo da profundidade nas 'costas' da defesa!

Para a semana, com o Rangers, uma vitória, praticamente garante o apuramento. Algo importante, já que iria permitir uma gestão do plantel mais favorável na 2.ª volta, desta fase de grupos! Muito cuidado com o avançado Colombiano do Rangers, Morelos, , que hoje começou no banco, entrou e resolveu imediatamente a partida!!!

Foram poucos, mas ver público nas bancadas, dá imediatamente ao jogo, um ambiente diferente...

Lixívia 5


Tabela Anti-Lixívia
Benfica................ 15 (0) = 15
Sporting.............. 13 (-2) = 15
Corruptos........... 10 (+1) = 9

Jornada atipicamente tranquila, sem grandes Casos... o penalty dos Corruptos, foi mesmo penalty... e a única 'dúvida' aconteceu em São Miguel, com um braço nas costas de um jogador do Sporting, que depois fez um teatro descomunal, que 'anulou' a possibilidade de o árbitro marcar penalty...

No jogo em atraso da 1.ª jornada, Sporting-Gil Vicente, também não se passou nada de relevante... a não ser mais uma vez, a forma 'sortuda' como os Lagartos deram a volta ao resultado, sem nada o fazerem para merecer...!!!

Destaque para aquilo que se passou no Algarve, no Farense-Rio Ave: Manuel Oliveira é um daqueles apitadores que ninguém sabe como chegou à 1.ª categoria, nem como se mantém na 1.ª categoria!!! Aliás, nós sabemos (padrinhos...), e nada tem a ver com competência!!!

Anexos (I):
Benfica
1.ª-Famalicão(f), V(1-5), Godinho (Malheiro), Nada a assinalar
2.ª-Moreirense(c), V(2-0), Almeida (R. Oliveira), Nada a assinalar
3.ª-Farense(c), V(3-2), Martins (V. Santos), Prejudicados, (3-0), Sem influência
4.ª-Rio Ave(f), V(0-3), Pinheiro (Hugo), Prejudicados, (0-4), Sem influência
5.ª-B Sad(c), V(2-0), Rui Costa (Narciso), Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Gil Vicente(c), V(3-1), Narciso (R. Oliveira), Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Veríssimo (Esteves), Beneficiados, (0-1), Impossível contabilizar
3.ª-Portimonense(f), V(0-2), M. Oliveira (Narciso), Nada a assinalar
4.ª-Corruptos(c), E(2-2), Godinho (Martins), Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
5.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Mota (V. Santos), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Braga(c), V(3-1), Pinheiro (Martins), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
2.ª-Boavista(f), V(0-5), Godinho (Hugo), Nada a assinalar
3.ª-Marítimo(c), D(2-3), Rui Costa (L. Ferreira), Beneficiados, (1-4), Sem influência
4.ª-Sporting(f), E(2-2), Godinho (Martins), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
5.ª-Gil Vicente(c), V(1-0), Malheiro (Esteves), Nada a assinalar

Anexos (II):
Árbitros:
Benfica
Godinho - 1
Almeida - 1
Martins - 1
Pinheiro - 1
Rui Costa - 1

Sporting
Veríssimo - 1
M. Oliveira - 1
Godinho -1
Narciso - 1
Mota - 1

Corruptos
Godinho - 2
Pinheiro - 1
Rui Costa - 1
Malheiro - 1

VAR's:
Benfica
Malheiro - 1
R. Oliveira - 1
V. Santos - 1
Hugo - 1
Narciso - 1

Sporting
Esteves - 1
Narciso - 1
Martins - 1
R. Oliveira - 1
V. Santos - 1

Corruptos
Martins - 2
Hugo - 1
L. Ferreira - 1
Esteves - 1

Jogos Fora de Casa (árbitros + VAR's)
Benfica
Godinho - 1 + 0 = 1
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Malheiro - 0 + 1 = 1
Hugo - 0 + 1 = 1

Sporting
Veríssimo - 1 + 0 = 1
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Mota - 1 + 0 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1
Narciso - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1

Corruptos
Godinho - 2 + 0 = 2
Hugo - 0 + 1 = 1
Martins - 0 + 1 = 1

Totais (árbitros + VAR's):
Benfica
Godinho - 1 + 0 = 1
Almeida - 1 + 0 = 1
Martins - 1 + 0 = 1
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Rui Costa - 1 + 0 = 1
Malheiro - 0 + 1 = 1
R. Oliveira - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1
Hugo - 0 + 1 = 1
Narciso - 0 + 1 = 1

Sporting
Narciso - 1 + 1 = 2
Veríssimo - 1 + 0 = 1
M. Oliveira - 1 + 0 = 1
Godinho - 1 + 0 = 1
Mota - 1 + 0 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1
Martins - 0 + 1 = 1
R. Oliveira - 0 + 1 = 1
V. Santos - 0 + 1 = 1

Corruptos
Godinho - 2 + 0 = 2
Martins - 0 + 2 = 2
Pinheiro - 1 + 0 = 1
Rui Costa - 1 + 0 = 1
Malheiro - 1 + 0 = 1
Hugo - 0 + 1 = 1
L. Ferreira - 0 + 1 = 1
Esteves - 0 + 1 = 1

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

O Cantinho Benfiquista - E04 - Election / B Sad...

Eleições históricas


"O Sport Lisboa e Benfica está de parabéns!
Foram 38 102 os Sócios que participaram neste ato eleitoral, um número sem paralelo na história do associativismo desportivo português e que faz do Clube um exemplo de militância a nível mundial. 
Recordamos que o anterior recorde de participação ficara estabelecido em 2012, com 22 676 Sócios a depositarem o seu voto nas listas candidatas. Desta feita, não obstante as dificuldades inerentes à crise sanitária vivida no mundo, esse máximo histórico foi agora pulverizado, observando-se um crescimento de cerca de 68% em relação à marca anterior.
A Lista A, liderada por Luís Filipe Vieira, recolheu 62,59% dos votos, enquanto a Lista B, de João Noronha Lopes, atingiu 34,71%, e a Lista D, de Rui Gomes da Silva, 1,64%.
Nunca um Presidente do Benfica havia sido eleito com tantos votos em seu nome (471 660) ou obtivera a confiança de tantos Sócios num só ato eleitoral (22 787). Nestas eleições, votaram mais Sócios do Benfica em Luís Filipe Vieira do que a totalidade dos Sócios que foram às urnas nas anteriores eleições mais concorridas da história do Clube.
Luís Filipe Vieira, na intervenção por ocasião da tomada de posse, elogiou os Benfiquistas pelo exemplo dado nestas eleições, nomeadamente quanto à extraordinária participação e exemplar civismo; e o Clube, pela competência e capacidade de organização demonstradas num ato eleitoral ímpar, com 25 locais de voto em Portugal continental (além do site oficial) e cujo nível de mobilização sem precedentes impressiona.
Deixou também uma palavra de agradecimento a todos os que o acompanham e fez questão de referir que, passadas as eleições, "não há vencedores, nem vencidos, mas apenas Benfiquistas que vão unir esforços para continuar a construir o futuro do Clube".
Por certo que essa congregação de vontades será patenteada já hoje, com todos os Benfiquistas a torcerem pelo triunfo da nossa equipa no desafio frente ao Standard Liège, a contar para a fase de grupos da Liga Europa.
O Benfica é gigante e mais do que nunca o momento é de honrar a nossa divisa – E Pluribus Unum!"

Eleições...


João Noronha Lopes: 34,71%
Rui Gomes da Silva: 1,64%
Brancos: 1,06%

FC Porto: assustador


"Nos últimos dez anos a SAD somou mais de mil milhões de euros em receitas extraordinárias: é possível não falar em má gestão? 

O Relatório e Contas do FC Porto é assustador. Não há outra forma de o dizer.
É tudo mau: o resultado negativo em 116 milhões de euros, a incapacidade em controlar os gastos, a desculpa esfarrapada de que a culpa é da pandemia.
Convém, aliás, começar por aí, pela desculpa esfarrapada de que a culpa é da pandemia. Mesmo admitindo que as rubricas dos proveitos operacionais baixaram por causa da pandemia, o custo terá sido de apenas 18 milhões de euros: é esse o resultado do decréscimo de receitas entre a época passada e a anterior nas várias rubricas ordinárias detalhadas no Relatório e Contas.
Depois, claro, há que lhe somar as receitas extraordinárias da venda de jogadores, que valeram um ganho de 77 milhões de euros, o qual não é contabilizado neste exercício por causa da pandemia.
Tudo somado, portanto, a pandemia teve um custo negativo de 95 milhões de euros.
Se não tivesse existido a pandemia, o FC Porto teria tido um resultado negativo de 21 milhões de euros. O que significa que a SAD portista teria falhado completamente o Settlement Agreement feito com a UEFA a 9 de junho de 2017 e estaria nesta altura em muito maus lençóis.
A pandemia, por outro lado, permitiu ao FC Porto ficar com mais um ano para cumprir o acordo feito com a UEFA relativo ao fair-play financeiro. Pelo caminho conseguiu também ganhar mais um ano para fazer o reembolso do empréstimo obrigacionista 17-20, no valor de 35 milhões.
Bem vistas as coisas, a pandemia acabou por favorecer as contas do FC Porto.
Ora o facto de o problema ter sido adiado por um ano, não significa que está resolvido. Bem pelo contrário. Vamos aqui fazer algumas contas, se o leitor quiser seguir-me.
O FC Porto tem a decorrer um acordo feito com a UEFA, por ter incumprido com o fair-play financeiro, que prevê, devido à pandemia, que no final desta época a SAD tenha um prejuízo acumulado nas últimas quatro temporadas de cinco milhões de euros, o qual pode ser aumentado para um prejuízo de trinta milhões de euros se a SAD registar entrada de novo capital.
Antes de mais, parece certo que o FC Porto vai ter de fazer um aumento de capital durante esta época. O que lhe permitirá apresentar um prejuízo de 30 milhões.
No entanto, e nas últimas três épocas, a SAD regista um prejuízo acumulado de 135 milhões (!) de euros. Descontando a margem de 30 milhões permitida pela UEFA, sobra que a SAD portista tem de recuperar um prejuízo de 105 milhões acumulado nas últimas quatro temporadas.
Ora só em vendas ainda não contabilizadas, o FC Porto já fez 77 milhões, os quais deverão subir para 113 milhões com as opções de compra de Vitinha e Danilo. A isto há que somar os 40 milhões garantidos com a entrada na Liga dos Campeões: o que dá um total já garantido de 153 milhões.
Há, no entanto, uma má notícia: os gastos operacionais.
O FC Porto teve na última época, mesmo com o dinheiro poupado pela paragem do campeonato, custos operacionais de 138 milhões. Na época anterior, por exemplo, foram de 150 milhões.
Enquanto isso, os ganhos operacionais (excluindo provas da UEFA, que já foram contabilizadas mais acima neste artigo) na última época foram de 77 milhões, enquanto na época anterior foram de 95 milhões. Ou seja, há um défice de cerca de 60 milhões entre custos e ganhos operacionais.
Repete-se: 60 milhões de euros.
Somando, portanto, esteve valor de 60 milhões aos 105 milhões de prejuízo acumulado das últimas quatro temporadas, chega-se ao valor de 165 milhões, o que é superior aos 153 milhões de euros já garantidos esta época com vendas e prémios da UEFA.
O que significa que o FC Porto está obrigado, para além do aumento de capital, a fazer mais encaixes extraordinários até 30 de junho, o que provavelmente implicará vender jogadores. Isto para não falhar pela segunda vez seguida com o fair-play financeiro, e ficar sujeito a penalizações mais pesadas do que uma multa e a inibição de inscrever 25 jogadores nas provas europeias.
Mas não é só por isto que o relatório e contas é assustador. É assustador também, por exemplo, pela incapacidade de controlar os gastos.
Mesmo sem contabilizar os prémios (para o plantel e para a administração) pelas conquistas do título da Liga e da Taça de Portugal, o FC Porto manteve gastos com o pessoal acima dos 80 milhões de euros. E continuou a gastar quase 16 milhões com trabalhos especializados como prospeção de mercado e serviços de consultadoria.
É assustador também que em cinco anos, período durante o qual o FC Porto foi campeão apenas duas vezes, o passivo tenho aumentado de 276 milhões para… 452 milhões. Já o ativo é agora de 300 milhões, o que significa que é dois terços do passivo.
As finanças do FC Porto estão, portanto, ruinosas. Independentemente dos rivais, e olhando friamente para estas contas, as finanças estão dramáticas. O passivo aumenta, a dívida aumenta, as despesas continuam elevadíssimas e tudo isto apresentará, mais tarde ou mais cedo, a fatura.

PS. O que é para mim totalmente incompreensível é que nos últimos dez anos, e segundo dados do Transfermarkt, o FC Porto somou 865 milhões de euros com vendas de jogadores. A isto há que somar 275 milhões de euros com prémios da Liga dos Campeões (sem contar Liga Europa).
Ou seja, em receitas extraordinárias a SAD portista recebeu mais de 1,1 mil milhões de euros em dez anos. Nesses dez anos, foi cinco vezes campeão. Para além disso, hoje tem um estádio, um campo de treinos para as camadas jovens e um pavilhão. Ao contrário dos rivais, não tem um centro de treinos, não tem um hotel para os jogadores, não tem uma televisão. Ou seja, não criou infraestruturas nem apresentou resultados financeiros positivos. É possível não falar em má gestão?"

Waldschmidt, a falta que fizeste



"Luca Waldschmidt chegou esta época ao SL Benfica e tem-se destacado como um dos melhores e mais importantes jogadores da temporada. O “namoro” do clube encarnado com o internacional alemão já é antigo. Já na época passada, tanto no verão como em janeiro, Waldschmidt esteve perto de chegar a Portugal, mas a transferência acabou por não se concretizar (por diversas razões).
No início da época passada, com a saída de João Félix, o lugar de segundo avançado ficou vago. Raul de Tomás chegou para aquela posição, mas foi um dos maiores erros de casting cujo me lembro de ver no clube encarnado. Para jogar da mesma forma que na época do título de Bruno Lage, RDT nunca poderia desempenhar aquelas funções.
Chiquinho acabou por assumir o lugar, mas o Português era sempre mais um terceiro médio do que propriamente um segundo avançado. As dificuldades que sentia em frente à baliza não contribuíram para o seu sucesso no lugar.
É verdade que Bruno Lage não soube (nem sequer tentou) adaptar a sua forma de jogar aos jogadores que tinha à sua disposição, mas a direção falhou redondamente ao não conseguir trazer um jogador capaz de replicar as funções desempenhadas por João Félix.
Obviamente, seria sempre difícil substituir João Félix com um jogador qualitativamente à altura, mas nem sequer chegou um jogador com o mesmo perfil futebolístico. Todavia, este jogador estava três países aqui ao lado. Na Bundesliga, ao serviço do SC Freiburg, Gian-Luca Waldschmidt ia brilhando. 
Nome italiano, frieza alemã, número 10 nas costas, qualidade ao receber a bola entre linhas, muito bom a ligar setores, forte no momento da finalização e elevada qualidade técnica… Onde é que estava a dúvida?
A transferência de Waldschmidt não se concretizou devido aos valores pedidos pelo SC Freiburg e também devido a uma lesão que o jogador sofreu durante a temporada passada. Todavia, se pensarmos bem o argumento dos valores faz pouco sentido.
Weigl, apesar de ser um jogador com uma qualidade superlativa, acabou por chegar em janeiro, por 20 milhões de euros, para uma posição muito menos necessitada. Pedrinho foi fechado em janeiro por 20 milhões (mais tarde reduzidos para 18 milhões). Bruno Guimarães esteve muito perto de chegar ao SL Benfica por um valor superior a 20 milhões. Raul de Tomás custou 20 milhões de euros.
O avançado alemão tinha sido o jogador perfeito para a equipa de Bruno Lage e, com o rendimento desta época, teria sido decisivo nas potenciais conquistas do clube encarnado.
Este ano assistimos ao maior investimento de sempre numa janela de transferências, ainda antes de ter sido realizado o encaixe financeiro com Ruben Dias. Porquê? Há eleições daqui a uns meros dias. Pena que não tenha havido eleições perto da preparação da época passada… Ou eleições todos os anos…"

Benfica After 90 - Election...

O Brinco do Baptista #57 - Estado da União

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Invictos!

Benfica 32 - 21 Madeira SAD
(19-10)

Mais uma vitória... Estamos a cumprir os objectivos nos jogos 'fáceis' vamos ver como nos vamos comportar nos jogos a 'sério'!!!

Precisa-se de videoárbitros exclusivos


"Tem vindo a crescer por todo o mundo o rol de criticas às actuações do videoárbitro (VAR) e Portugal também não é excepção. Muito porque o protocolo limita, e de que maneira, a forma e o nível de intervenção, mas também porque quem faz de VAR se autolimita na sua própria actuação, escudando-se, sistematicamente, na questão do eventual erro cometido pelo árbitro em campo não ser “claro e óbvio”. Ora, isto continuará a ser assim enquanto forem árbitros no activo a fazerem de VAR, pois sabem que agora estão na sala, mas duas ou três semanas depois estão no terreno, cara a cara, com essas mesmas equipas, e também porque esta função exige uma especialização, uma formação e, sobretudo, uma exclusividade de função. Perante tudo isto, quanto mais se ficar em silêncio e menos se souber como é que o VAR comunica e intervém, maior será sempre o ruído e maior será a suspeição que recai em torno do sector de arbitragem, já por si tradicionalmente marcado pelo manto da dúvida, da suspeição e da obscuridade.
É por isso que uma das federações mais fortes, poderosas e inteligentes ao nível da organização e funcionamento, a federação alemã de futebol (DFB), criou uma conta no Twitter, que explica lance a lance as decisões do VAR na Bundesliga. Em situações cuja decisão demore mais tempo, a DFB publica em directo as imagens da sala do VAR com o som da comunicação entre árbitro e videoárbitro. Simples, fácil, eficaz, aberto, sem nada a esconder, elucidativo e, sobretudo, honesto, uma medida que defendo desde a criação do VAR. Assim haja coragem, bom senso e, sobretudo, visão e proactividade para que em Portugal se faça o mesmo, ou seja, agir e não reagir.
E, a propósito de VAR, nesta jornada o grande caso de jogo chega do Algarve. No primeiro minuto do Farense-Rio Ave, Ryan Gauld, chega claramente primeiro à bola, rematando e obtendo golo. O árbitro apitou antes do esférico entrar na baliza por considerar falta atacante sobre o guarda-redes vila-condense. Ora, as imagens são claras: não só não houve falta do jogador algarvio como foi o guardião dos forasteiros que, saindo em tesoura, fez, claramente, penálti.
Se no terreno de jogo e em movimento normal é fácil o árbitro errar na análise do lance – sei por experiência própria –, ter interrompido o jogo não esperando o finalizar do remate é um erro de palmatória, pois assim invalidou a possível intervenção do VAR a posteriori. Por coincidência, até houve um penálti claro e óbvio, o que dava uma “segunda vida” à intervenção do VAR, que, mesmo assim, não reverteu a falta atacante e o respectivo livre directo contra o Farense, naquilo que foi um muito claro e muito óbvio penálti a favor dos algarvios – o que seria um mal menor para evitar o que foi um golo limpo e legal.
No FC Porto-Gil Vicente, minuto 56, penálti bem assinalado a favor dos “dragões”, após intervenção do VAR. Aquando do remate de Baró, Nogueira, ao fazer uma rotação em torno de si próprio, abriu o braço direito de forma indevida, ganhando volumetria e interceptando a trajectória da bola. Minuto 26 e minuto 73, duas infracções cometidas por Zaidu que levaram à sua expulsão por acumulação de cartões amarelos: a primeira infracção sobre Lawrence e a segunda sobre Joel Pereira, tendo em comum o facto de ambas terem sido entradas negligentes e que cortaram ataques prometedores no corredor direito do ataque dos gilistas.
No Benfica-Belenenses SAD, foi legal o golo de Seferovic, pois o avançado “encarnado” saltou na vertical e o contacto da mão nas costas de Rúben Lima não foi faltoso, ou seja, não o empurrou nem tirou da possibilidade de disputar a bola. Ao minuto 35, golo bem anulado a Varela por estar adiantado em relação ao penúltimo adversário, assim como também ao minuto 65, por fora-de-jogo de 16cm, foi anulado o golo a Darwin.
No Santa Clara-Sporting foram pedidos três penáltis a favor dos “leões”, mas em todas as situações não houve motivo para tal, validando assim as boas decisões em campo do árbitro. Minuto 31, o contacto do braço de Mansur nas costas de Matheus Nunes, não foi suficiente nem teve a intensidade para impedir que o jogador “leonino” disputasse a bola. No mesmo minuto, é Nuno Santos que choca contra Cristian González, que, estando no coração da sua área, tinha a posição ganha por antecipação e não se movimentou para obstruir a passagem do seu adversário. Ao minuto 76, clara situação de bola que vai ao braço de Rafael Ramos, vinda de um ressalto do pé de Nuno Santos. Uma bola inesperada, de perto, que bateu no braço direito do jogador insular, que o tinha em posição normal e encostado ao corpo. Nos jogos que envolveram as ditas equipas grandes, os bons desempenhos das arbitragens foram mesmo a nota dominante."

Eu voto Luís Filipe Vieira!


"Um grande amigo, que pouco percebe de futebol, mas muito da vida, perguntou-me: “Zé, já te envolveste em tanta coisa (defesa de Direitos Fundamentais, seja na política, seja no associativismo), porquê agora, num tempo destes, no apoio ao Vieira?”
“Num tempo destes, o Benfica teve estofo para não recorrer ao lay-off, despedir ou denunciar contratos a prazo. Queres mais?”
O meu bom amigo, também envolvido na defesa de Direitos dos Trabalhadores, disse-me: “como te compreendo...”
Mas, na verdade, menti-lhe (menti-te, Luis!): esse, sendo importante, não é o principal motivo. O que me leva, então, a votar em Luís Filipe Vieira?
Sejamos claros: todos somos igualmente Benfiquistas, independentemente de quem apoiarmos. Isso não devia ter sido questionado, de parte a parte, numa das mais maniqueístas campanhas de que há memória. Isso criará um trauma que será, espero, tratado com mestria por quem vencer as eleições- no Benfica, a democracia impõe a diversidade.
Por isso mesmo, não vou contar aqui o meu passado de sofrimento e de vitórias, de choro e de glórias, de desilusão e emoção. Disso, de uma forma ou de outra, todos temos para contar. E ainda bem: o pensamento totalmente estruturado, sem emoções, não faz bem a ninguém e o Benfica, enquanto catarse colectiva, conjunto de todos, é a Luz em movimento.
Daí ao salto que aqui me traz: voto Luís Filipe Vieira porque o futuro, os anos que ai vêm, após a tragédia que se abateu sobre a humanidade, com a pandemia que vivemos e nos destrói as estruturas sociais e familiares, precisa de quem nos trouxe aqui com força financeira para resistir - tal e qual como aconteceu no primeiro impacto.
Se o passado de Vieira à frente do Clube fala por si, com a construção de estruturas materiais e imateriais que permitem sonhar com o topo, o futuro do Clube não pode ficar órfão de quem teve o saber e a coragem de aqui chegar. Estou profundamente convencido disso. Muito mais, assumo, porque também estou convencido que este tempo trará a oportunidade de, com boa e equilibrada gestão, aproximarmo-nos de quem luta pelo topo da Europa.
Reparem, o trajecto de Luís Filipe Vieira não é isento de erros e alguns disparates. Ele sabe, eu sei, nós sabemos: planear e executar não dependem do mesmo acto de vontade. Por isso mesmo, ter criado uma equipa absolutamente profissional em todas as áreas, foi um trunfo que não pode ser esquecido - e, assuma-se, sempre que se desviou desse profissionalismo, esteve mais perto de falhar.
Mas, no momento de uma eleição, em democracia, o tempo é de renovação da legitimidade. Daí, o passado pouco valer, ou, melhor, servir como medida de projecção do futuro. É nesse futuro que, acreditem, eu creio.
Com efeito,
Cresci num mundo que já não é aquele onde vivo. Vivo, digo, num tempo que não acompanhou o mundo que queria. Tenho no Benfica, no nosso Benfica, a referência de estabilidade em movimento, em revolução permanente, em progresso, que falta em quase tudo. Na nossa casa, a Catedral, construí amizades que se alinham sob o desígnio do amor.
É, meus caros, por isso que entendo que não é hora de trocar o certo, o certíssimo, pelo duvidoso. Por mais apelativo que seja o segundo, o primeiro já mostrou muito, diria tudo: no momento certo, não virou as costas, ofereceu o corpo às balas e demonstrou que era possível querer mais.
Viva o Sport Lisboa e Benfica

PS - agradecer ao Benfica Independente, em especial ao Sérgio Engrácia, a oportunidade de publicar este texto é relevante. Mas muito mais que isso é saudar o trabalho que têm feito na divulgação das candidaturas, do apoio de cada um de nós e, sobretudo, do reforço da “cidadania Benfiquista.” O nosso Clube é democrático até às entranhas e projectos destes só reforçam o nosso ADN. Parabéns, rapazes!""

Porque Voto em Branco?


"Acima de tudo, porque a alternativa que teima em surgir, não me conseguiu convencer. Vou tentar explicar de uma forma simples e clara.
Nunca votei em Luís Filipe Vieira, porque tenho uma coisa que se chama memória. Estive em 2000, na fila que começava onde é hoje o Colombo, para tirar Vale e Azevedo do caminho que se preparava para trilhar no nosso clube. E não tive problema nenhum em votar em Vilarinho, com esse objetivo.
3 anos depois, Luís Filipe Vieira é eleito para Presidente do Sport Lisboa e Benfica e nunca mais deixou o lugar. E nas sucessivas eleições, o voto foi sempre da mesma cor: o branco. No sentido em que não reconheço a Vieira a capacidade de liderar de forma clara e sustentada o clube, entrando sempre numa espiral de contraditório e de falta de coerência que me assusta, para quem gosta mesmo muito do clube (conforme ele diz).
Em 17 anos, o Benfica mudou e mudou muito. E mudou positivamente, no sentido em que se adaptou ao mundo do futebol moderno, tornando-se uma empresa no sentido de gerir um clube de futebol, mas muitas vezes, não conseguindo fazer a diferença entre vencer no campo ou vencer nas contas. Em 17 anos, é fácil encontrar coisas boas, mas também más, que são essenciais e fulcrais para fazer o clube crescer e aprender, mas houve alturas, muitas, onde nós próprios, os sócios, deixámos a onda passar e ir e não intervimos.
A questão da alteração de estatutos foi uma, os campeonatos pós-primeira passagem de Jesus ao FC Porto outra, as prestações na Champions League, mas acima de tudo, o discurso, fosse ele do Presidente, do CEO ou de outros elementos da direção do clube e da SAD saia sempre ao lado do que realmente acontecia.
E por isso, mas por muito mais, nomeadamente na questão do sócio Luis Filipe Vieira, ou na sua condição de Presidente do Alverca, ou em várias medidas e maneiras que tinha em Assembleias Gerais faziam e fazem com que nunca lhe tenha dado os meus votos. Não vou falar sequer de negócios que envolvem o Benfica e pessoas do Benfica e que implicaram e implicam com o atual funcionamento do clube.
20 anos depois, muitos vociferam pelas redes sociais que é necessário voltar a fazer o mesmo percurso de 2000 e tomar a mesma iniciativa de mudar de Presidente? Mas a custo do quê? Não vou sequer contar com Rui Gomes da Silva, quanto mais não seja pelo passado político, mas acima de tudo pelo tempo enquanto esteve na direção do clube e nas alturas em que deveria ter empregue o seu estatuto de benfiquista, nunca o fez, preferindo o desejo pessoal de continuar a aparecer e a ter tempo de antena, em vez de assegurar que o Benfica e o benfiquismo que tanto apregoa estavam bem entregues.
Não conto também com Bruno Costa Carvalho, que ao longo dos anos, consegue ser como aqueles galos que avistamos nos telhados de algumas casas, onde o vento o encaminha consoante a vontade.
E o movimento “Servir o Benfica” só veio demonstrar na minha opinião que a procura pelo destaque era a principal razão de ser de um ex-proclamado (ou ainda será) presidente de uma associação de adeptos benfiquistas, como se houvesse melhor associação de adeptos benfiquistas que o Sport Lisboa e Benfica.
Cingo-me portanto, à real alternativa que já existe desde Junho e que será a principal concorrente ao atual Presidente do Benfica: João Noronha Lopes.
Antes de mais, é bom ver que muitas figuras se associam ao senhor. É sinal de que o Benfica tem essa facilidade. A divergência de opiniões deveria ser a norma e não a exceção. E por isso, e isto é um desabafo meu, espanta-me que as AG do Benfica continuem sempre com o mesmo número de presenças, onde as grandes exceções são sempre derivadas dos resultados desportivos do clube, nomeadamente no futebol.
Noronha Lopes teve o condão de aparecer com gente que nada tem a ver com futebol, mas sim com o clube, mas pecou numa questão essencial: como convencer a massa crítica do Benfica e fazer ver que o clube é hoje outro, completamente diferente daquele de 2000 e que seria realmente a verdadeira alternativa.
Na minha opinião, João Noronha Lopes tem falhado na comunicação com os sócios do clube e nos discursos que tem para a opinião pública benfiquista. O discurso continua inócuo e cheio de “ses”, de olhar para o futuro e depois decidir, de frases feitas e de apoios mediáticos, mas longe de chegar à essência do que é ser benfiquista.
A 3 dias das eleições, Noronha Lopes e a sua equipa não me conseguem convencer a votar neles, apesar de estar farto de Vieira, de achar que realmente o fim de ciclo está aí e de que é necessária uma nova atitude, mas acima de tudo, estratégia para o clube.
Não é evocar que não há debates, não é evocar que o Presidente faz o que quer, não é evocar que não há democracia e que o clube volta a ser dos sócios. O clube foi sempre dos sócios. Mas se calhar, os sócios (e aí há também mea culpa) não souberam e / ou não sabem que têm realmente o poder na mão.
E isso implica estarem mais perto do clube, e não de 4 em 4 anos (ou quando levamos 5 do Basileia na Champions), implica estarem nas AG para votarem orçamentos, implica perguntarem ao Presidente e aos restantes sócios o que querem para o futuro do clube. Implica participarem na vida ativa do clube e não apenas de 15 em 15 dias (em tempos normais, sem COVID).
É com esta falta de convencimento que o meu voto irá ficar em branco, porque a real oposição do Benfica tinha tudo, mas tudo, para convencer uma franja de sócios do Benfica a votar neles, se apresentassem as ideias reais e não ideias no sentido lato.
E assim sendo, não é mudar por mudar. Não é tirar Vieira só porque sim. Podemos olhar para o Benfica do futuro com a expectativa do que aí vem (Superliga Europeia, afastamento da Liga Portuguesa das Big 5, diferença ainda maior ao nível financeiro para competir na Europa). Podemos, devemos e teremos de olhar para o Benfica como membro de um estado periférico da Europa, mas com o potencial de crescimento que tem na Europa toda, nos PALOP e nos Estados Unidos, e por isso, esperava mais do que palavras vãs de candidaturas, que mais parecem políticas, do que desportivas.
Reforço o que já escrevi no meu texto anterior: dia 31 de outubro, o Benfica continua. Nós continuamos. E teremos de olhar para esse dia, como o primeiro dia do futuro do clube. Só com esse sentido, o mesmo se fortalecerá e continuará enorme e glorioso, como tem sido. Viva o Sport Lisboa e Benfica! Viva o Glorioso!"

A tímida visita dos Ferroviários


"Em Setembro de 1974, o Lech Poznan, adversário do Benfica na Liga Europa, estava em Lisboa para jogar com os encarnados. O problema é que os principais titulares benfiquistas tinham viajado para Belo Horizonte, onde conquistaram o Troféu Independência num torneio que também contava com o Sporting.

Nas margens do Warta, ergue-se Poznan. Uma cidade com muita historia para contar. Faz parte da vida do Benfica palminhar a Europa e o mundo nesse seu sentido universal. Poznan ainda não tinha surgido no mapa onde se esperam os pioneses encarnados, mas chegou a hora, e já não era sem tempo.
Dizem as enciclopédias que Poznan ganhou o nome à custa de um nome. Isto é, vem do particípio da expressão polaca poznany, traduzida por alto como 'aquele que é assim conhecido'. Nos tempos perdidos do início dos anos 1000, já o lugar surgia nas Crónicas de Thietmar, o príncipe-bispo de Merseburg, e o seu nome oficial é Stoleczne Miasto Poznan, velho centro político desse pedaço de Polónia ao qual chamaram a Grande Polónia. Depois da invasão alemã e da barbárie da I Grande Guera, ganhou também o apodo de Posen, que nestas coisas de ocupação os alemães não dão nada por aquela palha a tratam de deixar uma marca indelével, geralmente sublinhada a sangue.
Por seu lado, o Lech, adversário do Benfica nesta fase de grupos da Liga Europa, data de 1920, ano em que um grupo de jovens activistas católicos decidiu organizar-se em clube dando-lhe o nome de Towarzystwo Sportowe Liga Debiec, mais tarde transformado em Kolijowy Klub Sportowy Lech Poznan. São nomes de criar cãibras na língua, bem sei, mas esse é o custo de quem parte em direcção a lugares que a Terra mantém mais esconsos. Deixemo-nos, portanto, de cerimónias. É do Lech que se trata, tratemo-lo por Lech. Até porque, ao longo da sua existência, mudou várias vezes de nomenclatura, sobretudo quando ficou umbilicalmente ligado à companhia de caminhos-de-ferro da Polónia e ganhou o apoio de Kolejorz - os Ferroviários.

Lá longe...
No dia 2 de Setembro de 1974, o Lech Poznan estava em Lisboa. A Revolução do 25 de Abril abriria, finalmente, os caminhos do Leste, até então vistos como mais ínvios do que os caminhos do Senhor. Os Ferroviários tinham sido convidados para participar num torneio, mas as coisas não correram lá muito bem. A Associação de Futebol de Lisboa patrocinou o evento e encaixou os polacos juntamente com três clubes da capital, o Benfica, claro está, o Atlético e o Oriental.
Foram precisamente estes dois a entrar em liça primeiro, sem grande vontade de enfrentarem a noite fresca e o público rarefeito, contentando-se em manter o 0-0 o tempo que foi possível, chegando com o nulo ao final dos 90 minutos e ficando o Atlético apurado por desempate de grandes penalidades - 5-4. Em seguida disputou-se o único Benfica - Lech Poznan da história do futebol até aqui. Outra estucha. Novo 0-0, mastigado como pastilha elástica com três ou quatro dias de gengivas. Benfica na final, também por grandes penalidades, no caso, 4-3.
Como vêem, estamos perante um frente-a-frente que só na última quinta-feira começou a fazer verdadeiramente parte do areópago do futebol europeu. A razão explica-se com facilidade: nesse mês de Setembro de 1974, o Benfica deslocara-se ao Brasil para uma daquelas digressões que costumavam contribuir, e muito, para encher os bolsos do clube. Deixara em Lisboa uma equipa de reservas na qual já despontavam algumas das grandes figuras para cumprir o calendário - como José Henriques, Eurico ou Shéu - e partira para o lado de lá do Atlântico sem ligar grande importância ao tal torneio organizado pela AFL e que, ainda por cima, decorreu no Estádio da Luz.
As forças estavam concentradas em Belo Horizonte.
Os encarnados haviam viajado para defrontar dois grandes clubes brasileiros da cidade, o Cruzeiro e o Atlético Mineiro. Dois jogos, duas vitórias: 2-1 e 1-0. Longe de Lisboa e do lech Poznan, estavam Bento, Artur, Humberto Coelho, Barros, Messias, Toni, Eusébio, Simões, Nené, Vítor Baptista, Jordão e Moinhos por exemplo. Uma amostra clara de que os jogos em território brasileiro valiam bem mais do que um joguinho meio sinistro contra os tais Ferroviários que tinham vindo de Poznan cheios de boa vontade, como se calculava.
Além disso, em Belo Horizonte, também se disputava uma espécie de quadrangular, embora sem direito a final, e andava por lá o grande rival Sporting, o que prometia, desde logo, esforços suplementares para fazer melhor figura do que os leões. Assim aconteceu, porque o Sporting não foi além de um empate frente ao Atlético Mineiro (2-2) e, em seguida, foi severamente sovado pelo Cruzeiro (0-6). Mais um troféu para a sala de taças de Dona Águia: o Troféu Independência, que servira para comemorar o 9.º aniversário do Estádio do Mineirão.
Quanto ao Lech Poznan, teria de esperar. Até agora..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Onze minutos determinantes para o título invicto


"A perder por 2-0, o Benfica, nos últimos da partida, mudou o rumo do encontro

O Benfica iniciou o Campeonato Nacional 1972/73 de forma imperial. Os 'encarnados' venceram os oito primeiros jogos, golearam em seis e tinham uma média superior a quatro por jogo. Mesmo perante adversários que rivalizavam pela conquista do título nacional, os benfiquistas impunham-se de forma perentória, como na 5.ª jornada, quando venceram o Sporting por 4-1. Os triunfos aliados à qualidade de futebol praticado transmitiam confiança a jogadores e adeptos.
Tudo seria posto em causa à 9.ª jornada, na recepção ao FC Porto. Os portistas entraram determinados em campo, superiorizaram-se e foram em vantagem para o intervalo. No início do segundo tempo, os benfiquistas estavam decididos a virar o marcador, porém 'a verdade é que esta «imagem» durou muito pouco tempo. Melhor dizendo, foi «sol de pouca dura»'. Os 'azuis e brancos' voltaram a controlar a partida e aumentaram a vantagem. O segundo golo dos portistas 'lançou consternação no Estádio da Luz por não ser hábito nem estar nas previsões gerais uma derrota numa altura destas. E ninguém pensou de que poderia haver outro desfecho que não fosse a derrota dos campeões nacionais'.
Era tempo de mudar o destino da partida, terá pensado Jummy Hagan, quando fez entrar Artur Jorge e Diamantino para os lugares de Jordão e Nené. A boa leitura do técnico inglês teve impacto de imediato, 'caíram na equipa como um pouco de sangue que vai salvar o doente do desenlace fatal. Passara a jogar-se, com efeito, mais incisivamente ao ataque, e a defesa do grupo visitante sentiu imediatamente estar em presença de um «ataque novo», mais imaginativo, mais combativo e mais capaz de tentar o chamado «ponto de honra»'. A onze minutos do fim, Vítor Baptista, a passe de Diamantino, reduziu o marcador. Dois minutos depois, Jaime Graça fez o 2-2. Nas bancadas o empate era encarado como um bom resultado, mas os jogadores não partilhavam da mesma opinião, pois, para eles, o 'bom' não era meta, era apenas parte do percurso! Com um golo de cabeça, Humberto Coelho garanti o triunfo, numa reviravolta sensacional.
A imprensa descreveu a exibição como se de uma epopeia se tratasse: 'Benfica capa e espada. Benfica «herói de história de quadradinhos». Nos derradeiros momentos. Estendido. Meio humilhado. Levanta-se, com o sorriso dos iluminados, dos que sabem aquilo é só com eles, e enterra a faca nas costas do FC Porto. E nas do campeonato.' Os benfiquistas permaneceriam sem derrotas até ao final da competição, tornando-se o primeiro clube a conquistar o título de forma invicta.
Saiba mais sobre esta conquista na área 6 - Campeões Sempre do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica