Últimas indefectivações

domingo, 5 de julho de 2020

Vermelhão; Regresso às vitórias na Luz !!!

Benfica 3 - 1 Boavista


Depois de uma série desgraçada, onde a equipa tinha-se esquecido de como marcar golos, aparentemente, voltámos a perceber como se marca os tão preciosos golos!!!
Ficando no ar a impressão que afinal o 'problema' era mesmo a continuidade do treinador... o que a ser verdade, é verdadeiramente deprimente, como se deita fora o título de campeão e uma ida directa à Champions, de forma tão 'birrenta'!!!


sábado, 4 de julho de 2020

Acordo de rescisão com o treinador Bruno Lage

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que formalizou neste sábado, 4 de Julho, a rescisão do contrato de trabalho desportivo com o treinador Bruno Lage.
Esta informação vem na sequência daquela que foi prestada à CMVM no dia 30 de Junho, data em que a Benfica, SAD deu conta de que negociava "um princípio de acordo com o treinador Bruno Lage para a rescisão do contrato de trabalho desportivo com efeitos imediatos"."

A Lage o que é de Lage

"Poucos treinadores nos últimos anos despertaram sensações tão díspares como Bruno Lage ao serviço do Benfica. No campeonato a história é conhecida: recuperou com 18 vitórias uma vantagem de 7 pontos em 19 jogos, jogando na casa dos 5 primeiros e foi campeão. Voltou a repetir a marca na época seguinte até à derrota no Dragão, onde curiosamente viu diminuir a mesma vantagem de 7 para 4 pontos. A partir daí soma um dos piores registos da história benfiquista.
Afinal, o que se passou? É a pergunta que todos tentam responder. Nestas coisas não acredito em respostas completas e definitivas. Mas, naquilo que ao jogo diz respeito, vale a pena tentar perceber o que mudou.
Nos últimos anos anos a frase é recorrente nas formações de treinadores “o modelo de jogo é algo inacabado”. Comecemos por aqui: Lage pegou na equipa em Janeiro de 2019 numa altura em que o Benfica jogava duas vezes por semana e, por força da campanha na Liga Europa, assim foi durante 3 meses. Não havia, portanto, grande tempo para treinar. Muito genericamente Lage apresentou as seguintes novidades: apostou bastante na transição ofensiva, em muitos jogos, abdicando frequentemente que 3/4 jogadores, alas e avançados, baixassem para o último terço a defender (ou ficando até em posições mais adiantadas) o que dava uma capacidade de progressão impressionante no momento em que ganhavam a bola. Por outro lado, os alas andaram em posições interiores tornando recorrente a formação de um linha de 4 jogadores entre linhas com os avançados, e não esquecendo os passes longos a variar corredor dos médios centro, nomeadamente Gabriel, que aconteceram mais vezes.
Não sendo obrigatório, estas mudanças deram naturalmente origem a um jogo acelerado e mais repartido no domínio, porque quem com poucos defende para rapidamente atacar com muitos faz a bola andar mais próxima das duas balizas. A muita presença de jogadores entre linhas, em ataque posicional, potenciou bastantes passes verticais para essa zona. Além do mérito próprio, foram visíveis as dificuldades dos adversários em contrariar esta matriz (no caso das transições nota para as excepções que foram Tondela e B-SAD num encontro analisado aqui). De uma forma ou outra, o Benfica acabava sempre por resolver os jogos até porque os resultados positivos fazem sempre acreditar no sucesso.
Então o que mudou? Voltemos à frase “o modelo de jogo é algo inacabado”, sustentada também na lógica de que os adversários com mais observações e análises minuciosas acabam por conhecer melhor a nossa equipa, o que requer uma evolução própria e mesmo quem ganha regularmente terá de apresentar novas soluções. No jogo jogado talvez tenha sido este o maior pecado de Bruno Lage . O caso paradigmático são os jogos no Dragão. Em 2019 O Benfica foi capaz de aguentar 90 minutos a defender com 6 e 7 jogadores à entrada da sua área e soltar os alas e avançados nas costas da 1ª pressão do Porto, criando assim muito perigo. A estratégia em 2020, no mesmo estádio, foi semelhante mas já o adversário estava bem melhor preparado para o momento da perda de bola e também sabia como atacar e aproveitar os espaços decorrentes desta ideia defensiva.
Todas as equipas do mundo têm características com pontos fortes e fracos. Será sempre a dose que faz o veneno. Uma equipa que goste de circular a bola com paciência se não reconhecer no momento certo as linhas de passe mais adiantadas, arrisca-se a não progredir. Bem como, no caso do Benfica, quem prefere forçar entre linhas mais cedo, se não cria engodo antes acaba por somar perdas de bola. E o que antes era um jogo um pouco partido mas controlado, passa a desligado sem tempo para associação com o portador da bola a ser demasiadas vezes precipitado. É nestas fronteiras que muitas vezes se joga o trabalho de um treinador. Realçar constantemente no jogo aquilo em que somos bons, não dar espaço a que fraquezas apareçam muitas vezes. Com algum azar à mistura, e a enorme desvantagem que foram as bolas paradas, Lage, que dominou este aspecto na perfeição em 18/19 não o conseguiu em 19/20.
“Nós os marxistas somos muito bons: das últimas 3 crises mundiais, previmos 5”
Na ânsia de explicar o ciclo negativo do Benfica há várias teses. Uma das mais populares é a ausência de João Félix. Foi muito influente, o seu substituto mais directo até estava bem mas nem jogou muito tempo devido a lesão/opção (Chiquinho) e aquela posição é chave para o modelo implementado. Tudo verdade mas não é suficiente para explicar tudo.
Há quem duvide da responsabilidade de Lage no sucesso do ano passado. Este raciocínio tem, desde logo, que responder a duas perguntas: o que mudou para a sequência de vitórias ter começado com este treinador, não sendo ele protagonista? E, nesta tese, se o treinador em 2020 é o mesmo e não teve influência antes, o Benfica começou a não ganhar porquê? O princípio da análise que nem sempre o resultado corresponde ao nível exibicional tem as suas vantagens. Há mesmo derrotas e vitórias mentirosas, não se prolongam é por um ciclo de 38 jogos divididos de igual forma em duas épocas ( interrompido somente por um empate e derrota para o campeonato). Quem faz ouvidos moucos a um registo destes entra num bom conforto intelectual que é directamente proporcional à sua preguiça: os treinadores que ganham a jogar como eu gosto têm sempre mérito, os que eu não gosto não têm grande responsabilidade no sucesso. O mesmo se aplica a quem enuncia sempre as limitações, esquecendo que as virtudes são suficientes não para vitórias pontuais, mas sim para ciclos positivos alargados.
Vários autores do Lateral Esquerdo escreveram um livro sobre o Benfica enquanto Lage foi treinador em 18/19. Naturalmente os elogios foram muitos mas também sempre houve consciência das questões passíveis de melhorar no modelo (algumas expressas no livro): a excessiva dependência de quantos jogadores ficavam na frente em transição ofensiva, a limitação (imposta ou natural) de Vlachodimos a jogar com os pés, e de à mínima pressão jogar longo, tornando a 1ª fase mais exposta ao condicionamento adversário ou o alinhamento da linha defensiva, que demasiadas vezes deixou a desejar, aspecto essencial para quem quer defender com poucos à entrada da sua área. O ponto é que a estas questões foram sobrepostas outras positivas de forma regular (à excepção da Liga dos Campeões onde as fraquezas foram mais evidentes)
Bruno Lage teve obviamente mérito na forma como levou o Benfica ao título. Em circunstâncias adversas trouxe as ideias certas ( as possíveis também?) para o contexto em que encontrou a equipa. Fez o plantel acreditar até pela humildade que demonstrou “são os jogadores que estão a fazer de mim treinador”. Na gestão do grupo talvez não tenha sabido lidar com o facto de os jogadores mais influentes deixarem de ser os melhores, mas isto já é entrar no campo da especulação. Leva uma das melhores e piores sequências que um treinador do Benfica já fez. Ignorar qualquer uma delas não fará justiça ao seu trabalho.

Declaração de interesse: sou (orgulhosamente) co-autor do livro “O Efeito Lage” que aborda a época de Bruno Lage como treinador do Benfica na época 18/19"

O urubu do Frangueiro de Pádua

"Zvonko Monsider fugiu da Jugoslávia de Tito e aprendeu com Guttmann a ser um trota-mundos. Mas era perseguido por uma sombra.

Os brasileiros gostam de dizer que sobre a trave de cada baliza pousa um urubu. Negro, tétrico, espera que os guarda-redes se tornem cadáveres, mesmo que cadáveres adiados. Todos os guarda-redes morrem de vez em quando atacados por outra ave, o frango. Sim, o frango não voa, mas pode ser assassino. Quando é assassino em série, como nos filmes, chamam-lhe peru. E o urubu lá no alto, pousado na trave, atraindo a infelicidade na sua pose soturna de velho juiz conselheiro.
Zvonimir Monsider era um daqueles guarda-redes capazes de fazer a felicidade de qualquer urubu. Chamavam-lhe Zvonko, como diminutivo, mas não havia nada de diminuto nele. De tempos a tempos, a imprensa apelidava-o de Tigre, e aí o urubu ficava longe e era apenas ele, Zvonko, e a sua pequena glória. Em 1950, Zvonko Monsider estava em Pádua. O seu treinador era um húngaro trota-mundos:_Béla Guttmann. Diziam que era um mago. Com Guttmann até o o pobre Pádua podia sonhar em ser campeão de Itália. Lutou por isso, ombro a ombro com a Juventus e o Torino, durante a maior parte do campeonato de 1949-50. Mas até os magos têm as suas fraquezas. Uma série de oito derrotas consecutivas fizeram Guttmann cair do plinto da estátua que estavam dispostos a erguer-lhe nessa cidade do Veneto que disputa com Lisboa o orgulho de ser dona de um frade franciscano que andou com o menino-Deus ao colo. Pior: acusaram-no de ter recebido luvas no negócio de empréstimo feito pela Lazio e que trouxera Zvonko de Roma. O mago foi proibido de treinar durante seis meses pela federação italiana e rumou ao ainda mais modesto Triestina. Monsider só jogou sete vezes pelo Pádua. Saiu com Guttmann e foi para a Hungria, para o Hungaria, levando atrás de si a fama de frangueiro. O Frangueiro de Pádua.
Armando Nogueira é um dos grandes cronistas da língua portuguesa. Um daqueles cronistas solitários como um guarda-redes que tem um urubu pousado na trave sobre a sua cabeça. Nessa solidão de cronista, escreveu: «Diante do olhar pretensamente isento do cronista, desfilam o lírico, o patético, o cômico, o grotesco, o trágico, o sublime. Na batalha do esporte, o homem ama, glorifica, odeia, castiga e perdoa. O que me fascina no futebol é a incerteza do jogo. E tudo que é jogo é lúdico. Tudo que é lúdico é poético»."

O martelo de Nietzsche IX

"1. Vítor Serpa foi condecorado no passado dia 29 de Junho pelo Sr. Presidente da República com a comenda da Ordem de Mérito. Jornalista há quase cinquenta anos e líder do jornal A Bola há vinte e oito anos, Vítor Serpa na linha daquilo que já havia sido o seu pai o jornalista Homero Serpa, é uma figura ímpar no desporto nacional. Ao longo dos cinquenta anos do exercício da sua profissão de jornalista falei circunstancialmente com ele três ou quatro vezes. Assim sendo, a consideração e admiração que por ele tenho e que, agora, me apraz registar, nada tem de pessoal ou emocional, pelo contrário, tem tudo de impessoal e racional. Em primeiro lugar, considero e admiro Vítor Serpa, pelo facto de ele ser, há 28 anos, director de uma entidade privada da economia do lucro que pelo que tem de responder não só a todos aqueles que lidera bem como a uma administração que superintende o jornal. Em consequência, ele é avaliado, todos os dias, todos os meses e todos os anos, o que lhe confere um estatuto de elevada competência porque, se assim não fosse, o mercado já o tinha afastado do lugar que ocupa. Num Sistema Desportivo que ignora o que é uma avaliação independente e nunca nenhum dirigente é responsável por coisa nenhuma Vítor Serpa é um exemplo. Em segundo lugar, considero e admiro Vítor Serpa pelo seu amor à democracia que é a liberdade de opinião. Colaboro n’ A Bola (on line) há vários anos, já publiquei na mais plena liberdade dezenas de artigos de opinião praticamente todos politicamente contundentes. Quer dizer, na linha da democracia liberal republicana, o jornal A Bola tem uma chancela de liberdade de opinião que lhe é garantida pelo seu diretor. O que, nos tempos que correm, não é fácil. Em terceiro lugar, considero e admiro Vítor Serpa porque, sendo ele um amante do futebol, não é por isso que deixa de ter uma visão politicamente descomprometida no que diz respeito ao desporto nacional onde o futebol se integra. As suas crónicas do “Porque Hoje é Sábado” são, de há muitos anos a esta parte, a prova semanal da sua visão, ideologicamente descomprometida, do desporto nacional numa perspectiva global. Delas respigo títulos como, por exemplo: “O desporto pelas ruas da amargura” (2017-08-13); “Política desportiva do Governo…. é bola!” (2017-09-16) ou; A Questão dos dirigentes em Portugal (2019-04-13)”. Todavia, nos últimos anos, a crónica que mais me tocou, na medida em que, de uma forma aberta, pôs em equação um dos principais legados de Pierre de Coubertin, foi a que, referindo-se aos Jogos Olímpicos, encimou com o título “O importante não é participar… é ganhar! (2016-08-17). É sobre este título que considero ser uma das principais premissas do legado de Coubertin que, com a devida vénia, me permito explanar um conjunto de argumentos que, a partir do pensamento de Coubertin, reforçam a tese de Vítor Serpa.
2. Para Pierre de Coubertin, os Jogos Olímpicos deviam ser um evento espiritual com o objectivo primordial de transformar os princípios, os valores, as normas, os procedimentos e os rituais olímpicos do agôn da Grécia antiga, numa certa religiosidade laica a fim de colocar o praticante desportivo moderno numa situação competitiva de superação pessoal e social em busca da excelência a que os gregos chamavam de areté. Não se tratava de participar, tratava-se de superar, de ultrapassar limitações, de competir até ao limite em busca da vitória com um sentimento que na sua dimensão transcendental, em termos competitivos, ultrapassava em muito o narcisismo terreno que anima o espírito competitivo dos atletas dos nossos dias. E, por isso, Coubertin foi um contemporâneo do futuro.
3. A frase “…o importante nos Jogos Olímpicos não é ganhar, mas sim participar…” não é da autoria de Coubertin. É da autoria de Ethelbert Talbot, bispo da Pensilvânia (EUA). Foi proferida num sermão dirigido aos atletas numa cerimónia religiosa realizada na Catedral de Saint Paul a fim de atenuar os conflitos competitivos que estavam a acontecer entre atletas ingleses e americanos nos Jogos Olímpicos de Londres (1908). Coubertin limitou-se a aproveitar a ideia do bispo e reconstruiu a frase de acordo com o seu pensamento: (1º) Substituiu os Jogos Olímpicos pela luta que é a vida; (2º) Substituiu a palavra participação pela palavra combate. E disse: “L' important dans la vie, ce n'est point le triomphe mais le combat; l'essentiel, ce n'est pas d'avoir vaincu mais de s'être bien battu” / “O importante na vida não é triunfo, mas o combate; o essencial não é ter conquistado, mas ter lutado bem”. Assim, Vítor Serpa levou à estampa do desportivo de maior prestígio nacional o verdadeiro pensamento de Coubertin que, por motivos, hoje, bem conhecidos, foi completamente deturpado. Na realidade, se bem quisermos interpretar o pensamento de Coubertin, na linha da posição de Vítor Serpa, nos Jogos Olímpicos “o importante não é participar… é ganhar”.
4. Para Coubertin, se o espírito democrático da promoção do desporto devia ser universal (“todos os desportos para todos”, dizia ele), o espírito dos Jogos Olímpicos devia ser conduzido pela excelência competitiva dos eleitos e não pela fragilidade dos praticantes de base ou intermédios. Todavia, ao longo de mais de cem anos, a generalidade dos dirigentes políticos e desportivos tem-se utilizado da frase do Bispo Talbot sem qualquer rigor deturpando o pensamento de Pierre de Coubertin. E os resultados têm sido desastrosos. Felizmente, de vez em quando, há quem como Vítor Serpa tem o conhecimento e a coragem de dizer que “o importante não é participar… é ganhar!”. O problema é que os doutos dirigentes olímpicos não se dignam ouvi-lo. Em consequência, as Taxas de Descarte de jovens desportistas em países como Portugal atingem valores escandalosamente superiores a 90% na medida em que, “como o mais importante é participar” a esquizofrenia do aumento do número de atletas das Missões Olímpicas, para além de não premiar a qualidade, promove a mediocridade e destrói a prática desportiva de base de Sistemas Desportivos geridos por gente ignorante e, do ponto de vista ético-moral, insensível.
5. A este respeito também Thomas Bach presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), com a sua famigerada Agenda 2020, na linha dos seus antecessores, demonstrou não ter tido a capacidade para apontar os caminhos de futuro para o Movimento Olímpico internacional. E, agora, constrangido por uma crise à escala global que provocou a implosão dos Jogos Olímpicos, anda a correr atrás dos acontecimentos sem ter a certeza de nada e de coisa nenhuma. Quer dizer, foi capturado pelo gigantismo de um evento que deixou de poder ser objecto de qualquer espécie de previsão, planeamento ou controlo minimamente credíveis. E porquê? Porque os dirigentes políticos e desportivos nunca perceberam que na linha do pensamento de Pierre de Coubertin, para além de todos os desportos deverem ser para todos, conforme recordou Vítor Serpa, nos Jogos Olímpicos “o importante não é participar… é ganhar!”. Quer dizer, o Espírito Olímpico deve privilegiar a qualidade e não a quantidade estabelecendo uma relação virtuosa entre os praticantes de base e os de elite que se designa por Nível Desportivo.
6. Relativamente aos Jogos da XXXII Olimpíada, para além de todos os problemas desportivos, económicos, financeiros, jurídicos e sanitários, segundo uma informação veiculada pela “Inside the Games”, surgiu mais um problema que, certamente, será o maior de todos. Mais de metade (51,7%) dos moradores de Tóquio deseja o cancelamento ou adiamento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Ora, como se sabe, um novo adiamento para 2022 é uma hipótese que já foi rejeitada por Thomas Bach. À parte de qualquer teoria da conspiração, esta informação surge assim como que a preparar a opinião pública para o cancelamento dos Jogos da Olimpíada de Tóquio. Porque, quanto mais se protela a decisão definitiva mais problemas vão surgir. Só 15,2% da população apoio a realização dos Jogos à escala tradicional. Mas também há aqueles (31,1%) que defendem a realização em 2021 de uma versão dos Jogos Olímpicos simplificada. O problema é, em cima da hora, saber quem (desportos, eventos e atletas) vai ser simplificado, quer dizer, excluído. A minha recomendação é simples: Tenham em consideração a premissa de Vítor Serpa: Nos Jogos Olímpicos “o importante não é participar… é ganhar!”. Aos Jogos não se vai para participar, quer dizer, para fazer número. Aos Jogos deve-se ir para competir de igual para igual e, se os deuses assim o quiserem, vencer. Para que tal possa acontecer os países devem ter uma política pública verdadeiramente séria em matéria de desporto.
7. Entretanto, para uma versão simplificada dos Jogos, já surgiram mais de duzentas ideias o que só por si expressa a dimensão e complexidade das decisões a serem tomadas. Está-se perante problemas de ordem operacional no quadro do Programa dos Jogos bem como no domínio logístico que Thomas Bach, finalmente, já percebeu que se trata de um "enorme quebra-cabeças em que todas as peças têm de encaixar" sem que elas estejam todas identificadas. A filosofia d’ ”o importante é participar” conduziu os Jogos Olímpicos a uma dimensão gigantesca que, por paradoxal que possa parecer, acaba por ser uma afronta às condições de vida e de prática desportiva em quase todos os países do mundo. A memória da imagem da população de uma favela do Rio de Janeiro a ver ao longe a luzes do fogo de artifício da Cerimónia de Abertura dos Jogos do Rio (2016) representa bem quanto o Movimento Olímpico moderno, construído por Coubertin para a generalidade das pessoas, se afastou delas.
8. A actual crise veio alertar para quanto o COI e a generalidade das Federações Internacionais (FIs) e dos Comités Olímpicos Nacionais (CONs), hiper estandardizados nas suas regras, concentrados e maximizados nos seus processos, centralizados nas suas decisões e progressivamente cada vez mais especializados nos seus eventos, estão impreparados para desencadear um processo de mudança à escala mundial porque aquelas organizações vivem na incoerência olímpica do paradoxo entre a qualidade e a quantidade. Sabem que a qualidade que desejam promover não se coaduna com a quantidade que, por razões de marketing são obrigados a assumir. Hoje, como refere Vítor Serpa, “o importante é vencer” e esse sempre foi o espírito de Coubertin. Para quem o “mens sana” de Juvenal era “uma máxima excelentemente higiénica, mas nulamente atlética”.
9. Considerando as dúvidas e hesitações de Thomas Bach quando teve de tomar a decisão de adiar os Jogos da XXXII Olimpíada e os posteriores desentendimentos com o Governo japonês, percebe-se que o COI está a viver uma das maiores crises de sempre. E tudo isto resulta da incapacidade demonstrada de compreender o Movimento Olímpico moderno a partir da lógica desencadeada por Coubertin na metáfora que ficou conhecida como a Pirâmide de Coubertin: “Para que cem se dediquem à cultura física, cinquenta têm de praticar desporto; Para que cinquenta pratiquem desporto, vinte têm de se especializar; Para que vinte se especializem, é necessário que cinco se mostrem capazes de realizar proezas extraordinárias”. Quer dizer, como refere Vítor Serpa, não se trata de participar trata-se de competir para vencer.
10. Do ponto de vista da organização do futuro, é necessário fazer ver a muitos membros do COI, bem como a muitos líderes das FIs e CONs que têm de deixar as mordomias do convívio com os deuses do Olimpo e regressarem ao planeta Terra. Assim que chegarem recomendo-lhes que, para começar, assumam a premissa de Vítor Serpa “ o importante não é participar… é ganhar!” e dela saibam tirar as devidas conclusões na certeza de que o Olimpismo é uma filosofia que, de acordo com a Pirâmide de Coubertin, deve colocar o desporto ao serviço do desenvolvimento humano."

Combinação cósmica

"Presidente do Benfica tem de contratar treinador, excelente de preferência, e dar um sinal de ânimo à nação encarnada

A demissão de Bruno Lage não resolve, por agora, qualquer problema no Benfica, mas abre a porta, se houver capacidade como todos acreditamos, de inverter o ciclo com escolhas de qualidade.
Na Madeira viu-se um Benfica, profissional, esforçado, a entrar bem no jogo, a desperdiçar golos em quantidade e a perder o jogo em erros repetidos contra a lógica e sentido da partida.
Bruno Lage sai campeão e fica nos adeptos a sensação que desde Fevereiro há uma combinação cósmica não explicada sobre a equipa.
O presidente do Benfica tem de contratar treinador, excelente de preferência, e dar um sinal de ânimo à nação encarnada.
Neste momento, o projecto é relativamente simples: vencer. Chegar às vitórias de forma rápida e consistente como nos habituou a liderança encarnada.
O Benfica tem de lutar pelos jogos que faltam e segurar o segundo lugar (mau seria) e disputar a final da Taça de Portugal para a vencer. Taça de Portugal que sai do Jamor. Uma vergonha para o futebol português. Falta de segurança do Jamor num jogo sem público? Não, há é falta de respeito pelo que significa o Estádio Nacional e a tradição da Taça no Jamor. Muitos que sempre criticaram o Jamor têm uma grande vitória e conseguiram o que queriam. O futebol tem uma estrondosa derrota. Numa FPF que tem realizado um trabalho positivo, com áreas onde obtém excelentes resultados, fica aqui um sinal menos de desempenho por esta decisão. Há dinheiro para tudo menos para o mais básico, ter o Jamor como a sala de visitas do nosso futebol, até porque o estádio é bonito. A Taça de Portugal deveria ser no Estádio do Jamor e encerrar a época desportiva.
Na Europa do futebol o (meu) Liverpool de Klopp venceu o título e procura cilindrar o objectivo/recorde dos 100 pontos, o que era justo para uma equipa que ficará na história pela qualidade do futebol. O Barcelona fez questão de entrar o titulo em Espanha e parece que o Real Madrid aceita e agradece. Pedro Martins merece o aplauso por recuperar o título de campeão na Grécia e Luís Castro também por conseguir o título na Ucrânia. Os treinadores portugueses são bons, um pouco por todo o mundo."

Sílvio Cervan, in A Bola

Antevisão...

Bruno Lage

"No auge da veneração a Lage e ao seu trabalho, pensei que faltava ver ainda duas facetas do nosso treinador para se aquilatar definitivamente a sua competência, conforme possível distanciada e amadoristicamente. Como lidaria com o eventual insucesso, que quase não conhecera até então (a eliminação da Liga Europa criou alguma renitência, mas secundarizada face à extraordinária campanha no campeonato), e como planearia a época e construiria o plantel.
Não o escrevo para exibir supostos dotes de adivinhação ou uma pretensa capacidade invulgar de antecipação. Primeiro, porque as dúvidas por mim colocadas eram meramente hipotéticas, eu admirava Lage. Segundo, porque a nossa equipa iniciou a época brilhantemente e reagiu muito bem ao desaire caseiro com o FC Porto.
Na Liga dos Campeões, encarei o início titubeante como uma consequência, sobretudo, de lacunas competitivas do futebol português. Afinal de contas, passeávamos a nível nacional, apesar da tal derrota, e o desempenho na Europa até melhorou significativamente ao longo da fase de grupos.
O quase ano e meio de Lage deveria ser caso de estudo. Pela positiva e negativa, houve macas significativas. O percurso é inusitado, com a extraordinária ascensão seguida de uma derrocada sem precedentes. Por exemplo, 18 triunfos nos primeiros 19 jogos do campeonato nesta época, superado só pelo pleno de vitórias em 1972/73. Mas só dois triunfos nos últimos 13 jogos em competições oficiais, igualando os piores registos. E mesmo apenas com duas vitórias nas últimas dez jornadas, Lage ainda é o 3.º melhor treinador de sempre do Benfica, em percentagem de vitórias, com mais de 30 jogos nesta prova. Há uns meses, ninguém adivinhava este desfecho."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Sempre Benfica!

"Sete a zero em Vigo. Sete a um em Alvalade. Zero a cinco na Luz. O penálti defendido por Van Breukelen. Artur Jorge. O golo do último minuto da final da Liga Europa. Jesus de joelhos. As falcatruas de Vale e Azevedo. Os onze anos de jejum. A falência desportiva e financeira. A tudo sobrevivemos. A tudo sobreviveu o meu benfiquismo.
Não ir à Europa. Ver Nelo e Tavares com a camisola do Glorioso. Perder todos os jogos da pré-época. Ser eliminado pelo Gondomar. Estar na antiga Luz com menos de 10 mil pessoas. Ser roubado anos a fio nos campos do Norte de Portugal. Ver corruptos a serem campeões quando deveriam estar a disputar a Liga interprisões. A tudo sobrevivemos. A tudo sobreviveu o meu benfiquismo.
Não somos todos os iguais, reagimos de forma diferente aos descalabros. E é disso que se trata, um descalabro quanto tínhamos tudo para vencer. Quem for campeão sê-lo-á porque o SL Benfica perdeu este campeonato, não foi outra equipa que o ganhou.
Custa, claro, mas será isso razão para colocar tudo em causa? Recordo as palavras de Bruno Lage há pouco mais de um ano na festa do Marquês: 'Se tiverem a força, se tiverem a exigência que têm no futebol noutros aspectos de Portugal, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação nós vamos ser um país melhor'. Respeito."

Ricardo Santos, in O Benfica

É urgente reforçar o Benfica

"Sinto que estava mais bem preparado para o exame nacional de Física ou Química no 11.º ano do que para escrever a crónica desta semana. Não tenho saudade da tabela periódica e dispenso bem analisar esquemas com átomos e moléculas. Porém, estas matérias estão disponíveis para consulta em vários livros, ao contrário de um desperdício de sete pontos do Benfica que não vem leccionado em livro algum. Não vale a pena o leitor procurar, eu próprio já consultei a Biblioteca Nacional. O ensino português preocupa-se demasiado com teoria que nos prepare para o futuro profissional, mas em primeiro lugar deveria assegurar que temos as bases necessárias para sermos capazes de enfrentar obstáculos mais importantes. Qual é o manual escolar que explica detalhadamente como devemos reagir perante um empate com o Tondela ou uma derrota com o Santa Clara na Luz? Como aprendemos a diferir apenas duas vitórias em 13 jogos? Não preciso de aulas para aprender a lidar com recuperações extraordinárias como a da época passada, contudo desconheço a fórmula para me resignar perante uma quebra tão inesperada como a deste ano. Estou cada vez mais apreensivo. Receio que o Benfica não consiga assegurar o único reforço capaz de recolocar o clube num caminho de sucesso. Não estou a falar do Ronaldo nem do Messi, do JJ, do Marco Silva ou do Pochetino. Estou a falar dos benfiquistas. Nós, sim, somos verdadeiramente indispensáveis. A força que faz do Benfica um emblema tão forte. A diferença entre um nulo ou uma vitória com um golo no último segundo no Bessa. Enquanto os estádios estiverem vazios, o Benfica entra em campo em desvantagem."

Pedro Soares, in O Benfica

Inexplicável

"Há precisamente um ano e meio, Bruno Lage assumia a equipa principal do Benfica, e partia para uma segunda volta de campeonato inesquecível, com triunfos categóricos em Alvalade, no Dragão e em Braga, futebol bonito, goleadas históricas, recordes de golos, tudo traduzido num brilhante e merecidíssimo título nacional.
Já no início da nova época, o jovem técnico selou a Supertaça com estrepitosos 5-0 ao Sporting, e nas primeiras 19 jornadas do campeonato alcançou 18 triunfos (prosseguindo assim uma incrível série de 36 vitórias em 38 partidas da liga), que elevaram os encarnados a uma vantagem pontual que então chegou a parecer definitiva. A partir de meados de Fevereiro, foi o que, incrédulos, temos visto: 13 jogos deprimentes, com resultados de mal a pior.

É lugar-comum dizer-se que o futebol tem destas coisas. A verdade é que, em mais de quarenta anos de benfiquismo, não me recordo de tamanho contraste de exibições e resultados dentro de uma mesma temporada, ou até de uma temporada para outra. E, tal como a generalidade dos benfiquistas, não consigo perceber o que aconteceu, nem como foi possível desperdiçar um campeonato que tinha tudo para ser nosso, mais a mais num momento de notória fragilidade do principal rival. Independentemente do resto, importa salientar que Lage sempre se mostrou um profissional digno, conquistou títulos, e é merecedor de todo o nosso respeito. Mas é também preciso encontrarmos explicações cabais para o que sucedeu nestes meses, de forma a que tal não volte a repetir-se no futebol, qualquer que seja o treinador que venha a sentar-se no banco."


Luís Fialho, in O Benfica

Bruno Lage

"Em plena crise de resultados desportivos, aconteceu aquilo que é normal acontecer - a mudança do comando técnico. Devemos a Bruno Lage meses a fio de vitórias, a reconquista de um título que estava perdido e uma Supertaça brilhantemente conquistada frente ao Sporting. Devemos, sobretudo, a Bruno Lage uma nova aragem no futebol português. O seu discurso desempoeirado, o fair play com que sempre pautou as suas intervenções e a sua obsessão em falar sobre futebol e sobre o jogo fizeram dele uma figura maior do desporto nacional. Jamais nos esqueceremos do seu discurso, no Marquês de Pombal, naquela noite mágica. Jamais nos esqueceremos dos jovens que Bruno Lage lançou na equipa principal, com particular destaque para esse verdadeiro fenómeno chamado João Félix. Jamais nos esqueceremos do seu equilíbrio e da sua ponderação na hora das vitórias e dos recordes que foi alcançando. De repente, tudo virou. Haverá, seguramente, várias explicações para a quebra de rendimento da nossa equipa e para esta fase de resultados negativos. A hora é de reflexão. Bruno Lage resolveu pôr o seu lugar à disposição e foi igual a si próprio - pensou nos interesses do Sport Lisboa e Benfica e não nos seus interesses pessoais. É este exemplo que deve ser seguido por todos os que sentem o Clube. Apenas da distância pontual para o líder da Liga, ainda acredito que iremos lutar até ao fim, por um benfiquista nunca desiste. Tal como iremos lutar pela conquista da 27.ª Taça de Portugal. Aguaremos pela lucidez do presidente e pela clarividência do conselho de administração da SAD. Foram eles que nos conduziram à hegemonia do futebol português. Só eles saberão a fórmula certa para voltarmos aos êxitos."

Pedro Guerra, in O Benfica

A janela


"Hoje é um dia diferente. A noite, passou-a mal dormida, e os ponteiros do relógio pareciam movidos a vapor. Não tinha como esperar pelo toque irritante do despertador, que tardava em chegar apesar do volteio nos lençóis. Margarida, chamemos este pseudónimo a esta jovem real do projecto 'Para ti Se Não faltares!', levantou-se num salto quando, finalmente, o sol raiou pela janela iluminando o quarto que divide com duas irmãs. A mais velha, que passou há anos pelo projecto, candidata-se neste ano à universidade e acredita que vai entrar. A mais nova sonha-se maior e quer entrar no projecto quando passar para o 5.º ano, habituada a invejar as irmãs por tudo o que o projecto lhe dá e a celebrar as suas conquistas pessoais e o prestígio no bairro. Margarida é, no entanto, a estrela que mais brilha hoje ali no quarto e antecipa o momento da recolha do seu merecido prémio. Média de 4, a caminho de 5, quando há apenas dois anos acumulava negativas e acenava que não à matemática convencendo-se de que não nascera para estudar, ou, pior, ainda, de que não era lá muito inteligente. Hoje, Margarida fez um caminho, que segue por diante, acredita em si mesma e sonha como nunca antes. Como nunca antes, também, corre atrás do sonho com a voracidade dos campeões, paga o sucesso em esforço e colhe-o saborosamente a cada momento de celebração. Irmãs, família, colegas e professores orgulham-se da pessoa que ela mostra ser à medida que cresce e celebram com ela os sucessos alcançados, da mesma forma que lhe deitam palavras de incentivo quando, como todos nós, tropeça ou fraqueja na dureza do caminho. Longe vão os tempos de má memória em que pouco parecia valer para os outros e, portanto, de forma magoada e triste, também, cada vez mais, para si mesma. Hoje, todos acreditam na Margarida, pedem-lhe ajuda e conselho, os mais novos perguntam-lhe como fez e procuram seguir o seu exemplo. Margarida também acredita em si verdadeiramente nunca tinha deixado de o fazer, mas ia-se deixando ir numa dormência que lhe tirava a reacção e lhe tolhia a atitude. Que, pouco a pouco, lhe diminuía o sonho. Esse sobrevinha-lhe à noite, assomada à janela, de olhar posto da imensidão das estrelas, numa nostálgica própria de quem se sente perdido, que ia tomando conta de si sem que entendesse porquê. Hoje aquela janela abre-se de igual forma, mas as estrelas brilham mais, e Margarida vibra como nunca antes; aprendeu a abrir tantas e tantas janelas, a sonhar tantos e tantos sonhos, que quer conquistar um por um e sente-se capaz disso!
Por isso, quando no regresso fugaz à escola, dali a pouco, receber pela janela, das mãos da professora, o seu prémio de desempenho, nada terá um valor mais simbólico que essa janela."


Jorge Miranda, in O Benfica

Espanto

"1. No fim do último jogo no Funchal intrigou-me o que ouvimos de um dos capitães da Equipa, ao considerar que 'Não conseguimos explicar isto. Tivemos duas ou três oportunidades muito, muito claras e, depois, não há explicações para o que se passa. Parece que tudo nos acontece. Mas a culpa é inteiramente da nossa parte, dos jogadores'.
2. 'Isto', assim dito depois daquele jogo com tão prometedor início e tão inusitado fim, logo me pareceu muito mais do que como um mero desabafo circunstancial de incredulidade e perplexidade, da parte de um jogador do Benfica.
3. 'Isto', e o resto, afinal, era a justificação para duas derrotas consecutivas no Campeonato.
4. Mas, infelizmente, era bastante mais do que isso: 'isto' havia sido, desde o mês de Fevereiro, a quinta desfeita em todos os torneios que disputamos.
5. E, pelo que me apercebi, houve muitos Benfiquistas a quem 'isto' surgiu como uma declaração de passividade e conformação perante 'tudo' aquilo que nem o Povo do Benfica, nem a Cultura, nem a História do Benfica e nem muito menos a Direcção, poderiam aceitar de ânimo leve.
6. Por fim, não menos grave, no contexto de uma feroz competição sem limites quanto ao descaramento e às poucas-vergonhas com que os nossos inimigos tinham voltado a interpretar o jogo do futebol fora (a dentro) das quatro linhas, 'isto', depois de noves-fora-nada dos últimos seis anos deles (com as contas e os resultados que se lhes conhecem e os envergonham nacional e internacionalmente), este nosso inaudito conjunto de desempenhos e desfechos, acabava a representar a mais iníqua e regeneradora dispensa de 'oxigénio' que tais velhacos - estendidos num anunciado leito de morte estrutural - podiam beneficiar agora, da nossa parte...
7. Mas, de facto, no mundo do Futebol, as coisas são assim. O futebol chega a ser cruel: e quase sempre que um treinador parte sem o que esperássemos (nem sequer o desejássemos), a culpa não morre sozinha.
8. E, ao confessar que 'não conseguia explicar', o jogador pelo menos teve o mérito de ser sincero e mais revelador do que talvez quisesse ser.
Mas, para espanto dos Benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Regressar às vitórias

"A nossa equipa voltará a entrar em campo amanhã, na Luz, às 21h15, já sem Bruno Lage a dirigi-la. No seu posto estará Nélson Veríssimo, agora o treinador interino, a orientar os nossos jogadores. O objectivo passa, como não poderia deixar de ser, pela conquista dos três pontos.
De todos os benfiquistas, só existe o desejo de que consigamos iniciar este novo ciclo com um triunfo amanhã frente ao Boavista. Faltam cinco jornadas e a final da Taça de Portugal e todos estamos cientes da importância de nos recolocarmos no trilho das vitórias, como estamos habituados.
O nosso próximo adversário tem feito um campeonato interessante, encontrando-se actualmente a dividir o oitavo posto da classificação com Moreirense e Santa Clara. Na primeira volta, ante o Boavista no Bessa, obtivemos um excelente triunfo, por 1-4.
Essa vitória fez parte do caminho para o estabelecimento de duas marcas históricas, o que, tendo em conta o nosso percurso recente, reforça a ideia de que estamos a viver uma época extremamente atípica.
As 18 vitórias nas primeiras 19 jornadas só foram superadas, na história do Benfica, pelo pleno de triunfos em 1972/73, além do novo recorde absoluto de vitórias consecutivas em deslocações no Campeonato Nacional, 18, uma marca que começou a ser construída na temporada passada e terminou com os três pontos obtidos em Paços de Ferreira na primeira jornada da segunda volta da presente edição da prova. Contrastando com estes feitos temos somente duas vitórias nas últimas dez jornadas e o desperdício de vinte pontos em trinta possíveis.
Independentemente desta série negativa, a nossa equipa tem de estar focada em tentar vencer os cinco jogos restantes no Campeonato e também a final da Taça de Portugal.
Veríssimo liderará a equipa amanhã, uma escolha assente no facto de o nosso antigo jogador, formado no Clube, ter sido, até à última jornada, um dos adjuntos de Bruno Lage e, por isso, conhecê-la bem e poder rapidamente assumir o comando dela, além de estar integrado, desde 2012/13, com reconhecida competência e empenho, em equipas técnicas benfiquistas, nomeadamente na B. É a sua 16.ª época no Clube.
Queremos regressar tão célere quanto possível à nossa matriz vencedora. "Ganhar, ganhar, ganhar" é o que nos norteia. Temos de ultrapassar esta crise de resultados e recuperar o ânimo, sabendo que a gloriosa história do Benfica também se fez muito da capacidade de superação em momentos difíceis. 
#PeloBenfica"

O negócio roubou a alma ao Benfica (II)

"Perderam-se no meio de tanto negócio e perderam a vontade de vencer, esquecendo-se de que a sociedade anónima desportiva é detida na sua maioria por um clube feito de gente de todas as classes que vive intensamente esta paixão, gente séria e trabalhadora que abdica de muito para seguir a sua paixão para qualquer parte e que não gosta de ver o nome do Benfica na lama.

O Benfica precisa de um projecto desportivo. Os últimos quatro anos revelaram-se um tremendo disparate, com uma perda clara de qualidade no plantel relativamente a anos em que o dinheiro não era tão abundante – desequilíbrios evidentes que todos os sócios reconhecem e que foram sendo camuflados com algumas vitórias, fruto do enfraquecimento dos rivais. Ainda assim, perdeu-se a oportunidade de conquistar um penta e, nos últimos três anos, estamos prestes a perder dois campeonatos para um clube intervencionado pela UEFA. Supostamente, um melhor processo financeiro desagua em melhores plantéis, que resultam em mais vitórias e campanhas europeias com outro brilho que até permitem, no devido tempo, transacções mais elevadas. Os últimos anos mostram-nos, no entanto, uma realidade diferente: resultados financeiros cada vez mais robustos, jogadores mais medíocres. O objectivo passou a ser construir para vender ao invés de construir para ganhar. E o princípio está errado logo à partida.
Mas o problema é bem mais profundo e estrutural. Foram saindo figuras que eram reconhecidamente importantes, como Lourenço Coelho, Shéu Han ou José Boto. Não sei se, em alguns casos, estas ausências foram bem colmatadas, mas noutros é bem evidente que não. O que transparece é uma estrutura amorfa e obediente, sem sangue benfiquista nem chama e que ostraciza quem ousa ter uma voz incómoda e diferente, como António Simões. Perderam-se no meio de tanto negócio e perderam a vontade de vencer, esquecendo-se de que a sociedade anónima desportiva é detida na sua maioria por um clube feito de gente de todas as classes que vive intensamente esta paixão, gente séria e trabalhadora que abdica de muito para seguir a sua paixão para qualquer parte e que não gosta de ver o nome do Benfica na lama. Um amor que vai passando de geração em geração, como foi o meu caso, cheio de recordações e conquistas que nos envolvem e nos unem de uma forma inexplicável. Só assim, aliás, se explica pedirem-nos o cachecol (sem retorno) que nos acompanha para todo o lado. Eles sabem lá o que aquilo significa para nós. O que já viveu connosco e nos traz à memória.
Não é exequível ter um departamento de comunicação que se esgota em apagar os fogos de casos e mais casos que todas as semanas são revelados, em vez de ter uma mensagem estratégica. Uma área jurídica onde se gastam milhões para tentar evitar escândalos quando a marca Benfica tem uma capacidade tremenda para se superiorizar a todas as outras e quando devíamos estar preocupados no desenvolvimento, e não nos processos em tribunal. Um departamento de prospecção em que não se percebe se tem uma palavra a dizer nas ( erradas ) contratações ou se quem define tudo é o presidente. O Benfica, há 20 anos, estava uma miséria. Nós reconhecemos isso e estamos imensamente agradecidos pela recuperação, sobretudo financeira. Mas isso não pode fazer-nos reféns desta direcção. Temos todo o direito de querer mais mas, acima de tudo, de querer de forma diferente.
Aproximam-se tempos importantes. Façamos, por isso, este debate com elevação. Sei que não é fácil. Eu próprio praguejo sempre que vejo um Pedro Guerra a comentar na BTV, mas não podemos cair no erro de atingir o clube quando o objectivo será denunciar os procedimentos de alguns. Há muita gente a gravitar à volta do nosso clube que não presta. O Benfica tem 116 anos , feitos de muita gente boa. Muito sacrifício. O Benfica é dos sócios. Não é o quintal de ninguém. Mais do que nunca precisamos de uma vaga de fundo, gente nova e competente, cheia de alma benfiquista, plasmada no suor da camisola, que honre a nossa história mas que se projecte no futuro, que contemple ao mesmo tempo um projecto sólido, uma visão profissional e uma ambição desportiva. Que não vá contra ninguém, mas pelos nossos ideais. Que nos encha de orgulho e nos devolva a credibilidade, o sonho, a magia e a convicção. E pluribus unum! Sócio 10 638."

Semanada...

"1. Nélson Veríssimo. O treinador adjunto de Bruno Lage ganhou alguma popularidade por assumir a equipa durante as bolas paradas. Sempre que havia uma bola parada, Bruno Lage sentava-se no banco e Nélson Veríssimo tornava-se, por momentos, o treinador principal. Eu não sei onde é que a “Estrutura” esteve nas últimas semanas, mas se há coisa que o Benfica tem sido péssimo, são as bolas paradas. Principalmente as defensivas onde temos sofrido golos atrás de golo. Mas aparentemente, nada disso conta. O importante era tirar Bruno Lage, sem ter qualquer plano B por de trás e calar meia dúzia de adeptos. Resultado: estamos a cinco jornadas do fim do Campeonato sem o 2º lugar garantido, pouco mais de um mês da Final da Taça de Portugal e andamos a brincar aos treinadores. Não faz sentido.
2. O Próximo Treinador. Até agora os nomes que têm surgido são nomes sonantes. O problema é que nem sempre um nome sonante é sinónimo de um bom treinador. E um desses casos é Unai Emery. O espanhol enterrou à grande no PSG e no Arsenal. No PSG conseguiu ser o único treinador a perder uma Ligue 1 nos últimos 8 anos. No Arsenal é responsável pela pior Premier League do clube desde 1995 (e com muito mais investimento do que Arsene Wenger). Ganhou três Ligas Europa com base num futebol modestamente fraco. Não é conhecido lançar jovens jogadores. Não se encaixa minimamente no perfil que precisamos. Mas como é um nome sonante, como há eleições em Outubro, e nomes sonantes caem sempre bem em eleições, tudo parece apontar que vamos por aqui. Espero é que LFV se lembre que o argumento “Um treinador que ganhou 3 Ligas Europas é mau?!” não vai ser suficiente se depois falhamos o apuramento para a Champions League.
3. Renovações no Futsal. O Benfica oficializou as renovações de Roncaglio, Fits e Robinho. Sendo que a imprensa Espanhola, Portuguesa e até, em alguns casos, o antigo clube já confirmaram as contratações de Nilson (Fixo), Hossein Tayebi (Ala-Pivot), Ivan Chishkala (Ala-Pivot) e Arthur (Ala), parece que o plantel de Futsal está fechado. Ao todo saem 6 jogadores (Fernandinho, Drasler, Chaguinha, Miguel Ângelo, Bruno Coelho e André Coelho). O plantel vai ser mais curto, mas vai ter maior versatilidade. Vamos ter 4 jogadores muito fortes no 1 para 1, o que promete alguma espectacularidade.Vamos estar menos dependentes de Robinho. Por outro lado, a equipa parece não ter nenhum Fixo de grande nível. O que é estranho visto que os Fixos servem para (não só mas também) cobrir os Pivots e o Sporting joga muito pelos seus Pivots. Neste caso, parece-me que estamos a fazer uma grande aposta em Afonso Jesus, que vem há alguns anos a ser apontado como uma das grandes promessas do Futsal Português. A partir deste ano, não há ninguém a tirar-lhe tempo de jogo. Se fizer uma época ao nível do que se diz dele, pode acabar a temporada como titular. Fizemos uma aposta muito semelhante no Rafael Lisboa no ano passado (onde deixámos o Miguel Maria sair) e revelou-se muito acertada. Esperemos que aqui seja igual.
4. Mehdi Taremi. Tudo indica que o iraniano vai mesmo reforçar o Benfica e eu não podia ficar mais satisfeito com esta contratação. Não sabemos ao certo que tipo de jogo o próximo treinador vai querer, mas o Taremi é tão versátil que facilmente se encaixa seja no que for que lhe seja pedido. É um jogador que sabe baixar no terreno, sabe jogar dentro da área, é forte com a bola no pé, é agressivo, é perfeito para ser uma segundo linha. Seria uma óptima contratação. Tem ainda outra vantagem, que é o facto de ter 27 anos, não tem um grande historial de lesões, o que significa que provavelmente teríamos ponta de lança para no mínimo 4-5 anos e a apanhar aqueles que são tipicamente os melhores anos da carreira de um jogador de futebol. Gostava que se confirmasse."

Cadomblé do Vata (treinadores)

"O meu filhão mais novo está a "desfraldar" a protecção anti sujidade nas cuecas. Ontem na escolinha levaram-no à sanita para que fizesse as necessidades, mas ele só expulsou as líquidas esgoto abaixo. Por lapso, as educadoras esqueceram-se de lhe recolocar a fralda e passado algum tempo o meu bonitão sentiu vontade de tratar das necessidades sólidas e não se acanhou: foi à casinha de brincar da sala, fechou a porta, baixou os calções e... limpem se quiserem. 
Luís Filipe Vieira também está a "desfraldar". Neste caso é a bandeira do "Eu ou o Caos". Passou uma semana a tentar sem sucesso, contratar um treinador de renome que lhe salvasse o coiro. Por lapso esqueceu-se que ainda tinha um no activo. Na Madeira o filme em campo decorreu como infelizmente estava previsto e LFV não se acanhou: foi à conferência de imprensa, desmentiu categoricamente a flash interview de Bruno Lage, afirmou que este tinha colocado o lugar à disposição e disse alto e bom som que os Benfiquistas são o Covid - 04 do Benfica.
O que o meu principe e Vieira fizeram foi igual. Apenas mudou o cheiro e os progressos. Hoje foi buscar o Doidão à creche e fui informado que tinha feito tudo na sanita. Por sua vez, o presidente do Glorioso não só atirou a tropa de choque pessoal para os microfones da imprensa e dos canais de comunicação oficiais do Meu Clube (li que alguém terá dito na BTV que o Centenário Glorioso teria sido refundado em 2003... não vi, li, portanto espero que seja mentira), como também ainda não conseguiu rescindir com um treinador que, supostamente, se demitiu, nem colocar um definitivo na sua cadeira.
Lamentavelmente, nas últimas semanas o presidente do Sport Lisboa e Benfica tem-se preocupado mais em assegurar a sua continuidade no Trono do que em resolver o problema premente da equipa de futebol. A 5 jornadas do fim e com uma Taça de Portugal por ganhar, temos um treinador interino que era adjunto do que está de saída, havendo no clube um técnico principal da equipa B à espera de assumir o cargo definitivamente até ao final da presente temporada. Alguém no departamento de futebol encarnado está convencido que há um totó de créditos firmados pronto a ser queimado em 4 jornadas e uma final que têm tudo para correr mal. Eu na dúvida, ainda não deixo o meu puto de rabo ao léu pela casa fora."

Recordações: Artur Leiria...

Recordações: Luís Ferreira...