Últimas indefectivações

sábado, 20 de junho de 2020

Benfiquismo (MDLXI)

Capitão...

O aleatório está a ganhar à lógica

"Mais vale às casas de apostas desistirem de fazerem odes para os jogos do Benfica e FC Porto. A lógica tem novos manuais

O campeonato disputa-se com critérios de pano verde de casino. O aleatório tomou conta da lógica. O Benfica venceu num dos jogos mais difíceis que tinha neste campeonato, depois de uma série negra de resultados, e o FC Porto, galvanizado pela liderança, aplicou-se a fundo para empatar com o despromovido e limitado Desportivo das Aves. O treinador do Aves, desiludido com o resultado, aceitou pela primeira vez no discurso a despromoção.
As casas de apostas devem desistir de fazer odes para jogos destas duas equipas que insistem em desafiar a lógica, por esta altura ser adepto de Benfica e FC Porto é como estar em viagens de finalistas nos casinos de Las Vegas com a mesada do avô.
Diga-se, por justiça, que o FC Porto nas Aves correu e tentou tudo para vencer. Não conseguiu por falta de capacidade, não por falta de vontade. Diga-se, também, que o Benfica venceu em Vila do Conde no jogo põs-Covid onde os méritos do adversário mais justificavam não ter vencido. A lógica tem novos manuais e este campeonato não tem manual de instruções.
O golo de Weigl é, sem dúvida, uma dádiva de ânimo do actualmente melhor jogador do Benfica. Qualquer coisa de bom que pudesse acontecer esta época ao Benfica deve-se-á, em larga medida, a esta compra da SAD encarnada, que, por motivos conjunturais, os adeptos não têm dado o devido valor. Weigl é excelente.
A entrada do melhor marcador do último título nacional também alargou as opções no imaginário dos adeptos, embora saibamos que decisivo é o imaginário do técnico. Seferovic marcou um golo, enviou uma bola à trave e deixou duas perto de tirar tinta aos postes. O suíço tem instinto e, se a confiança subir, será determinante.
Na última época, Bruno Lage pegou no Benfica depois no desaire de Portimão e venceu o Rio Ave num jogo difícil em que esteve a perder. Este ano a história repetiu-se ao desaire e na vitória com reviravolta. O ano passado, depois dessa vitória, seguiram-se uma vitória sobre o Santa Clara e a conquista do 37.ª título nacional.
Este ano, jogaremos terça-feira com o Santa Clara e depois vamos todos ao Casino. Por agora, estamos na liderança, com o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato."

Sílvio Cervan, in A Bola

Subjectividade...

"A lei do fora-de-jogo tem muita subjectividade, como todos sabemos. Daí aceitarmos, com naturalidade, a decisão da anulação do golo de Rafa por fora-de-jogo posicional de Dyego Souza. 
Este foi o 3º golo anulado por fora-de-jogo posicional ao Sport Lisboa e Benfica nesta época. Os "outros" até 2 foras-de-jogo posicionais na mesma jogada tiveram e foi, imagine-se, golo. Os exemplos são mais que muitos e deixamos aí alguns, todos na “era VAR”.
Perante a dificuldade do critério, é fácil perceber a decisão dos árbitros em Portugal. Decidem conforme a cor dos equipamentos. Faz sentido.
Mais uma vez, reforçamos que não somos "contra" a decisão da anulação do golo de ontem, é uma decisão difícil, mas que nos parece correta. Somos contra o critério. Tem de ser igual para todos."

O Brinco Baptista #44 - Em nome da transparência

Rio Ave 1-2 Benfica: 3 pontos, nada mais

"Enfim 3 pontos…. Confesso que o sentimento é de alívio e não de satisfação. Precisávamos desta vitória para alimentar a esperança de qualquer coisa, mas aquilo que realmente queremos é que este irreconhecível Benfica volte a encantar os seus adeptos.
Bruno Lage trouxe algumas mudanças na manga. As últimas exibições assim o exigiam. A principal alteração foi no esquema táctico, onde passou do habitual 442 para um 433, com Weigl a posicionar-se à frente dos centrais e a dupla Adel/Gabriel alguns metros à sua frente. A outra mudança foi a troca de ponta de lança, relegando Vinícius para o banco de suplentes chamando Dyego Sousa à titularidade. Alguns adeptos, como eu, esperariam ver Samaris ao lado de Ruben Dias, mas tal não se sucedeu. Será que as mudanças táticas sortiram efeito? Na minha opinião não tiveram importância. O problema desta equipa é sobretudo mental. Sem atitude, confiança e vontade não há nenhuma formação no mundo que valha. Outro dos problemas tem sido a falta de liderança em campo, alguém que comande o leme do barco quando o "mar" está bravo. Daí a ideia Samaris no eixo da defesa, uma vez que não podemos contar com Jardel para os próximos tempos e Ferro tem sido a antítese daquele que vimos na época passada.
A primeira parte teve duas caras. Os primeiros 20 minutos do Benfica foram interessantes. A pressão estava a dar frutos e o Rio Ave, equipa que sabe tratar bem a bola, estava com imensas dificuldades em passar do meio campo. Até que, voltou o calvário das bolas paradas defensivas. A defesa treme a cada momento destes. Foi ingrato ver o Rio Ave na primeira vez que coloca a bola perto da baliza do Benfica fazer golo. Foi ainda mais frustrante ver que quem assiste Taremi é Dyego Sousa. Supostamente, um bom cabeceador e um jogador possante. A partir deste momento até ao intervalo voltamos a ver os fantasmas, as decisões erradas, o chuto para a frente, a falta de concentração e a inércia. Lembro-me de desejar o intervalo por volta dos 35 minutos, o que revelava bem o estado das coisas. Tivemos ainda a oportunidade de ver uma construção de jogo completamente desadequada ao contexto em que estávamos. Falo da construção a 3, com Weigl entre os centrais, em que a bola mal entrava num dos inexperientes laterais, era facilmente recuperada pela equipa vilacondense. O nosso jogo era previsível e completamente dominado. A excepção neste período foi um rasgo individual de Taarabt, contudo não sortiu efeito por míseros 17 cm. de Dyego Sousa.
Na segunda parte a equipa apareceu com menos fantasmas na cabeça e melhorou ligeiramente. A entrada de Seferovic para o lugar do desinspirado e azarado Dyego foi determinante para isso acontecer. O suíço trouxe frescura ao ataque e maior capacidade de pressão, tal como havíamos tido no início do jogo. Começamos por criar perigo num lance de bola parada e notou-se um jogo mais veloz do Benfica. A construção também sofreu alterações. Gabriel apareceu mais recuado no lado esquerdo, Weigl e Taarabt ligavam entre zonas interiores e os laterais que antes estavam sobretudo na linha de meio campo projetaram-se para o último terço. Esta fui uma mudança fundamental, que trouxe fluidez ao jogo, principalmente do lado esquerdo através de Nuno Tavares. Prova disso é o golo de Seferovic apesar deste ter sido obtido imediatamente após a primeira expulsão do Rio Ave. Seguiu-se um jogo em que o Benfica dominava, mas sem criar grande perigo a um Rio Ave bem organizado, mesmo estando com apenas dez jogadores. Mas esta mesma organização, caiu por terra quando ocorre a segunda expulsão. A partir daí o Benfica encostou completamente o Rio Ave, como seria de esperar. O que não se esperava era uma incapacidade tal para criar perigo à baliza adversária. Os cruzamentos eram demasiado denunciados, apenas Nuno Tavares e Chiquinho conseguiram uma e outra vez estar à altura dos acontecimentos. O tão desejado golo acabou por surgir num canto bem batido por Pizzi. A bola encontrou a cabeça de um jogador que já merecia este momento de glória. Sobretudo, depois do triste episódio do autocarro e por algumas criticas, a meu ver injustas, por parte de alguns adeptos.
Em suma, foi mais um jogo de fraca qualidade por parte do Benfica. A equipa continua a criar pouco perigo e a intranquilidade é gritante. A incapacidade de reagir às adversidades é bastante preocupante. Ficará a dúvida se contra 11, ou mesmo contra 10 , seríamos capazes de conseguir levar os 3 pontos. Esperemos que tenha sido o ponto de viragem e que a equipa consiga jogar mais tranquila e confiante daqui para a frente. Há uma dobradinha para ganhar!

Destaques individuais:
Ody – 6
Apesar de tudo, noite tranquila do nosso guardião grego. Sempre que foi chamado a intervir mostrou-se seguro.
Tomás Tavares – 5
Continua muito verdinho. Dá largura ao jogo, mas define quase sempre mal. Ainda assim, defensivamente fez o que lhe competia. Faz-lhe muita falta a tarimba da segunda liga. 
Ruben Dias – 6
Dificilmente vemos um jogo mau do Ruben. É a verdadeira voz de comando em campo. É estranho ver um jogador de 23 anos liderar a defesa do Benfica, por vezes a equipa toda. Oxalá fique connosco muitos anos.
Ferro - 4
Continua muito intranquilo. O Ferro do ano passado é uma autêntica miragem. Falta de confiança a defender e passes sem nexo. A verdadeira antítese do Ferro que queremos e já vimos.
Nuno Tavares - 7
Foi uma agradável surpresa. O facto de ter perdido a bola em alguns lances, deve-se à falta de rodagem. A defender não comprometeu e até teve um corte importantíssimo que poderia ter dado o segundo golo ao Rio Ave. Teve alguns cruzamentos interessantes, um deu golo. Que continue a crescer.
Weigl – 7
Foi uma peça importante. Dá maturidade e tranquilidade à equipa, quando tudo à sua volta está a abanar. Coroou a sua exibição com um golo que já merecia. Para mim foi o MVP deste jogo.
Gabriel – 4
Muito mal na tomada de decisão. Até começou bem o jogo, principalmente no capítulo do pressing, mas depressa se esvaziou. Está claramente abaixo de forma.
Taarabt - 6
Está sempre disposto a desenlatar o jogo. Jogada brilhante no golo anulado. Na minha opinião saiu cedo demais do jogo.
Pizzi - 4
Na primeira parte apenas se viu a acertar em cheio no seu colega Dyego num livro que podia levar perigo à baliza do Rio Ave. Andou sempre muito escondido do jogo e foi pouco influente. Valeu apenas pelo canto que deu o golo da vitória.
Rafa - 6
Tentou remar contra a maré durante a primeira parte. Teve um momento ingrato no golo anulado. Arrancou cartões amarelos com as suas arrancadas. Perdeu-se na segunda parte após as expulsões e consequente estreitar do jogo.
Dyego - 3
Jogo para esquecer do nosso reforço de Inverno. Desde o tiro ao boneco do Pizzi, passando pela péssima abordagem no golo do Rio Ave e acabando nos tais 17 centímetros. Teve azar e foi incapaz de mudar o rumo dos acontecimentos.
Seferovic - 7
Entrou e ajudou na reviravolta. Trouxe energia e poder de fogo na frente. Marcou um golo ao seu estilo, atacando as costas da defesa. Ainda falhou o golo da praxe, mas já estamos habituados.
Chiquinho - 6
Trouxe dinâmica ao ataque. Movimenta-se bem. Dá ideia que pode e deve ter mais minutos, mas lá está, falta definir melhor os lances.
Vinícius – 5
Veio dar peso ao ataque numa altura em que estávamos a jogar contra 9. Mas não trouxe grande coisa ao jogo. Temos saudades do Vinícius que marcava e assistia. Um verdadeiro pesadelo para os defesas. Está claramente abaixo de forma e foi presa fácil.
Jota-N/A
Samaris – N/A
Bruno Lage – 3
Aspectos positivos do jogo: Mudança no modo de contrução ao intervalo e entrada de Seferovic. Negativos: A equipa continua com um futebol paupérrimo, não se vê dinâmica nem entrosamento. Seja em 433 ou 442… Retirada de Taarabt também me pareceu errada, bem como a permanência de Pizzi. A equipa está intranquila e vai-se a abaixo cada golo que sofre. Muita coisa a melhorar, muito trabalho pela frente."

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Das expulsões em Vila do Conde aos penáltis em Alvalade

"Dos três jogos de mais impacto dos últimos dias na Liga portuguesa, o Rio Ave-Benfica foi aquele que registou mais casos e situações técnicas e disciplinares que, de uma forma geral, foram bem resolvidas. Vou destacar alguns desses lances, agrupando-os pela similaridade das acções e não pela sequência cronológica.
Assim, debruço-me sobre as duas expulsões que ocorreram e que foram bem decididas pelo binómio árbitro/VAR. Al Musrati é advertido aos minutos 13 e 62, por em ambas as situações cortar um ataque prometedor. A primeira infracção foi sobre Pizzi, que entrava na área com perigo, e a segunda foi sobre Rafa, que escapava com velocidade e com a bola controlada na direcção da baliza adversária. Ao minuto 72, Nuno Santos foi expulso, com cartão vermelho directo, após intervenção do VAR, já que o árbitro tinha inicialmente mostrado o cartão amarelo. A entrada do jogador do Rio Ave é enquadrada na falta grosseira, pois ao entrar de sola e com os pitons sobre o seu adversário, usou de força excessiva, que pôs em risco a segurança e a integridade física do jogador “encarnado”. No minuto 27, o do golo do Rio Ave, e no minuto 87, o do golo do Benfica, temos a questão do uso das mãos, de eventuais agarrões e empurrões e a sua intensidade. Em ambos os casos, o árbitro deixou seguir e jogar, sendo que o VAR, baseado no protocolo, cumpriu a indicação de só intervir em caso claros e óbvios, validando a decisão do juiz de campo.
No golo do Rio Ave, Borevkovic e Dyego Sousa usam os braços de forma mútua. Contudo, no final do lace é mais evidente o puxar da camisola ao jogador do Benfica, mas aceita-se a leitura, porque inicialmente esse contacto e agarrão é recíproco.
No golo de Weigl, vê-se que Vinícius tem o seu braço esticado e coloca a mão nas costas de um adversário, mas fica a ideia de não haver uma consequência faltosa, até porque Vinícius também está a ser carregado por um jogador vila-condense nas suas costas. Ou seja, tudo acções de contacto normais e sem motivo para falta.
Ao minuto 79, não há motivo para penálti, o cabeceamento de Taremi leva a bola a embater na zona inferior do ombro de Ferro, que tinha o braço encostado ao corpo, não o abrindo nem ganhando volumetria.
O principal caso de jogo ocorre ao minuto 42, com o golo correctamente anulado ao Benfica. A lei 11, na sua página 99 e 100, esclarece de forma clara e inequívoca a interpretação deste lance, ou seja, o fora-de-jogo (17 cm) de Dyego Sousa enquadra-se na expressão “tomar parte activa no jogo” por interferir com o adversário. Não obstante não ter tocado na bola, o jogador do Benfica tentou claramente jogar a bola que se encontrava perto, tendo esta acção tido impacto no adversário (Borevkovic).
Um dia antes, no Desp. Aves-FC Porto, houve três lances a destacar.
Minuto 19: penálti incorrectamente assinalado a favor dos “dragões”. Szymonek, com os punhos, soca apenas a bola, sendo o contacto posterior com o corpo com Otávio normal e sem infracção, fruto do movimento contrário de ambos os jogadores.
Minuto 45: falta atacante incorrectamente assinalada a Tomás Esteves sobre Afonso Figueiredo. Este lance tornou-se relevante pois o assistente levantou de imediato a bandeirola e o árbitro interrompeu o jogo, mas por se tratar de uma acção próxima da baliza e de finalização, deviam ambos ter esperado pelo fim da jogada e só depois intervir. Desta forma, anularam a hipótese de uma revisão por parte do VAR de um lance com potencial perigo de golo.
E por último um fora-de-jogo (56cm) assinalado a Corona, que acaba por anular o penálti cometido sobre Luis Díaz. Boa decisão da equipa de arbitragem.
Em Alvalade, os diversos casos que existiram foram ao nível das áreas. Ao minuto 3, Jovane é tocado na sua perna pelo joelho de Jaquité, já no interior da área. O médio do Tondela acaba por desequilibrar o avançado leonino, que cai e perder o controlo da bola. Uma infracção passível de pontapé de penalti.
Minuto 29: penálti bem assinalado. Pepelu faz o tackle deslizante para tentar interceptar a bola, mas não apoia o braço esquerdo no chão junto ao corpo aquando da queda. Pelo contrário, abre-o de forma deliberada para ganhar volumetria e, desta forma, antecipar a trajectória da bola, acabando mesmo por lhe tocar.
Minuto 41: mais um penálti que ficou por assinalar. A repetição é clara e inequívoca da intencionalidade e do acto deliberado de Yohan Tavares, que vira o corpo à bola mas que depois roda completamente o braço esquerdo e a intercepta com o cotovelo. Ganhou volumetria, afastou o braço do corpo, levando-o ao encontro da bola rematada por Camacho.
Minuto 50: lance de televisão, em que todas as repetições, sem excepção, mostram que foi clara e óbvia a acção de Jaquité, ao agarrar de forma ostensiva e deliberada Coates, impedindo a sua movimentação e acabando por derrubá-lo. Mais uma infracção no interior da área passível de pontapé de penalti."

(Des)Liga dos Campeões

"António Costa referiu que a decisão de acolher a Liga dos Campeões se tratava de um prémio para os profissionais de saúde. Na realidade, estes profissionais não beneficiam da escolha da UEFA em nenhum dos cenários. O mesmo pode ser dito dos adeptos de futebol nacionais.

A fase final da Liga dos Campeões irá ser jogada em Lisboa e, após o anúncio da UEFA, António Costa não demorou a enaltecer o papel de todos os cidadãos, que, pelo seu comportamento exemplar durante a pandemia, viabilizaram esta escolha. É sinal de que o nosso país é visto como seguro e preparado para acolher os maiores jogos do calendário de clubes, acompanhados por milhões de pessoas em todo o mundo. Marcelo Rebelo de Sousa também admitiu ser uma boa notícia para Portugal. Mas que impacto terá realmente esta decisão? Ainda é difícil determinar porque muito depende da abertura (ou não) dos recintos desportivos.
É a abertura parcial dos estádios ao público que vai determinar a afluência da maioria dos adeptos estrangeiros, com todos os impactos positivos que gera, particularmente para o sector do turismo (um dos mais afectados pela pandemia). Apesar disso, parece-me pouco sensato que, menos de duas semanas após o término da época nacional (que será concluída à porta fechada), as autoridades aprovem a abertura dos estádios a adeptos internacionais. E, caso se mantenham as portas fechadas, a “boa notícia” de que falam primeiro-ministro e Presidente da República cai por terra. Os adeptos perdem o motivo para viajar e os restantes turistas estarão mais receosos, logo menos receptivos a visitar o país.
António Costa referia ainda que a decisão se tratava de um prémio para os profissionais de saúde. Na realidade, estes profissionais não beneficiam da escolha da UEFA em nenhum dos cenários. O mesmo pode ser dito dos adeptos de futebol nacionais.
A ausência de adeptos nas bancadas no regresso aos relvados contribuiu para enfatizar a pobreza do jogo na liga portuguesa. Os dois candidatos ao título sucedem-se em deslizes e praticam um futebol rudimentar e inconsequente. Assim sendo, a realização da fase final da Liga dos Campeões em Lisboa surgiria, aparentemente, como uma boa notícia: os portugueses poderiam assistir ao futebol de mais alto nível dentro das suas cidades. A verdade é que o comum adepto assistirá igualmente aos jogos pela televisão, quer estes se realizem em Portugal ou no estrangeiro. No caso de a DGS decidir abrir os recintos, a oferta de bilhetes será, muito provavelmente, dirigida aos adeptos estrangeiros.
De qualquer forma, os fãs portugueses estarão sempre desligados da competição. Podíamos argumentar que a própria imagem da Liga dos Campeões em Portugal funcionasse como incentivo para alguns aficionados de equipas portuguesas assistirem ao futebol apenas pela beleza do jogo. A nossa sociedade revela um défice de cultura desportiva, o que torna importante aprender a ver além da cor da camisola. Porém, estaríamos a sonhar demasiado alto, num país em que polémicas entre dirigentes e representantes dos clubes (“grandes”) abrem noticiários. Como referia António Tadeia, a realização destes jogos trata-se, acima de tudo, de “um favor do futebol ao país”. Podemos apenas esperar que as condições sejam favoráveis à abertura dos estádios e que isso impulsione o regresso do turismo, tão necessário ao nosso país."

João & Rui... em Itália!!!

Saúde Mental e Literacia Emocional (ou a falta dela)

"Portugal mantém-se muito perto do “Top Mundial” em questões que se relacionam com a ausência de Saúde Mental, sendo neste momento um dos países da OCDE que mais consome ansiolíticos e antidepressivos, atingindo já uma taxa que duplica o consumo ocorrido em alguns congéneres europeus – e, esta, talvez não seja um pódio onde almejaríamos estar.
Apesar deste fenómeno não ser uma consequência directa da pandemia que vivenciamos, uma vez que este tipo de estatísticas começa a ficar fortemente enraizado no nosso DNA (como tem sido evidenciado nas estatísticas referentes a esta área nos últimos anos), naturalmente que assumiu proporções mais expressivas no decorrer da mesma, com o testemunho dos mais jovens a referenciar um aumento de cerca de 17% no consumo de psicofármacos neste mesmo período.
Este não é, por isso, um tema “novo” – é sim, um tema que nos acompanha por estar a ser, desde sempre, descurado e “não visto”... entenda-se, considerado um tema quiçá “menor”.
Já se sabe que - e perdoem-me a expressão, mas tendo já decorrido mais de 20 anos do início do novo milénio, é incompreensível - “parolamente” a nossa cultura continua a associar as questões de vulnerabilidade psicoemocional a um qualquer “defeito de fabrico” que precisamos esconder a todo o custo, ao invés de os encarar como “margem de progressão” para aquisição de novas e melhores competências, novas e melhores formas de bem-estar.
Também sabemos que, curiosamente, outros sinais de igual (ou maior) fragilidade psicoemocional (e, por vezes, psicopatia), expressos através de comportamentos agressivos (de grande “virilidade” para os latinos? Será que ainda é isto?), parecem merecer os créditos de uma qualquer “competência acrescida” quando, por exemplo, passando por cima de tudo e todos se chega a um dado patamar de um qualquer tipo de “êxito” que a nossa sociedade teima em, uma vez mais “parolamente”, validar... 
Contudo, a única razão que nos “prende” e faz estagnar, como se não fossemos capazes de olhar para uma Saúde Global e não estigmatizada (onde se inclui tanto as áreas psico-emocionais, como as que se referem à nossa saúde músculo-esquelética, cardiovascular, venosa, entre tantas outras) relaciona-se inevitavelmente com uma espécie de “analfabetismo emocional”, onde a incapacidade em ler emoções (as nossas e as dos outros), contribui de forma dramática para todo e qualquer tipo de problemática que assole a nossa sociedade.
Dúvida? Vamos fazer um pequeno teste:
Baixo rendimento escolar (curiosamente, por vezes o alto também), bullying (em contexto académico ou empresarial), violência e agressividade (em casa, no desporto, nas escolas, nas empresas, em todo o lado), taxas elevadas de consumo de psicofármacos, consumo elevado de fármacos para regulação do sono (ou do apetite, ou da energia em geral), índices elevados de insatisfação com a escola (apurados muito recentemente numa amostra de alunos portugueses que, na realidade, se encontram “amotivados” – sem motivação alguma), elevadas estatísticas de divórcio (que, em Portugal, e à semelhança de muitos outros países, dispararam a seguir ao confinamento), doenças psicossomáticas e autoimunes (e os seus elevadíssimos custos para o bolso dos contribuintes), insatisfação com a performance desportiva, profissional e até sexual.
Enfim, uma extensíssima e infindável lista de situações do “quotidiano” que seriam, senão erradicadas, pelo menos claramente diminuídas se escolhêssemos apostar claramente na Literacia Emocional dos nossos cidadãos.
E, nem vamos falar, da despesa pública (que todos pagamos) associada a uma política “paliativa” e não preventiva, unicamente justificada por não sabermos fazer contas e sermos altamente “competentes” (muitas dúvidas nisto) a curto prazo, ao invés de um planeamento a médio longo prazo como, de resto, tudo deveria exigir (saúde, economia, educação, enfim).
Inevitável, por isso, e enquanto continuar a ser promovida uma cultura de consumo de psicofármacos através da expectativa de resolução rápida da sintomatologia que traz desconforto, em vez de nutrirmos uma cultura de Saúde Mental e Literacia Emocional, através de uma maior diferenciação cognitiva e emocional, onde se pode socorrer, por exemplo, do conhecimento científico da Psicologia para promover uma maior consciência e regulação dos afectos, a tendência de “galgar” cada vez mais este ranking.

Soluções?
Termos consciência que a solução não poderá ser nunca nem imediata nem compartimentada, uma vez que deve atravessar não só os diferentes sectores como as diferentes gerações da nossa sociedade.
Apostar na literacia emocional de quem, de alguma forma, tem responsabilidade na formação e/o gestão de outras pessoas para que a mesma se possa difundir muito mais rapidamente - professores, treinadores, gestores, directores, médicos, entre outros profissionais que acabam por ter acesso a um maior número de pessoas.
Definir critérios de validação de competência que possam impactar directamente e de forma inequívoca na avaliação actuada em contexto académico, desportivo e empresarial.
Termos a noção, o sentido de missão (e a coragem) de assumir que esta é uma acção que a actual geração poderá apenas lançar, uma vez que estará nas mãos das gerações que se seguem a continuidade de implementação e, muito provavelmente, a recolha do mérito da mesma.
Termos a noção que, definitivamente, temos que deixar de nos sentir reféns da lógica “tonta” (e imatura) do retorno imediato, e assumir que a nossa responsabilidade (individual, de grupo e Comunidade) será garantir que os “tijolos que assentarmos” deverão ser firmes e sólidos – tanto quanto a emergência que se impõe no que respeita a levarmos este assunto com a seriedade que merece – para que, quem vier a seguir, possa ter uma base sustentada para continuar a construir os pilares da mudança que se pretende.
Assumirmos, definitivamente, que a solução não partirá nunca de uma só cabeça, de uma só disciplina ou de uma só organização e que, sinal de inteligência e maturidade será a constituição de equipas multidisciplinares que possam discutir, implementar, errar, reformular e implementar de novo e mais uma e outra vez até que se possa encontrar uma solução que se ajuste da melhor maneira possível à necessidade que temos de “reflorestar” o deserto emocional em que nos encontramos."

Golpada da vergonha

"Na última quarta-feira tivemos a decisão da UEFA de organizar a fase final da Liga dos Campeões em Lisboa, numa manifestação clara e inequívoca de confiança e segurança à forma como Portugal e os portugueses têm sabido lidar com a pandemia e as consequências desta.
Nesse mesmo dia, em flagrante contraste, foi revelado mais um episódio demonstrativo da aviltante promiscuidade entre política e futebol com o objectivo de preparar uma golpada que levasse ao adiamento do FCP-Boavista, invocando falta de condições de segurança, para um jogo calendarizado no dia 22 de Junho, em que todas as entidades presentes nessas reuniões aprovaram a realização desse jogo e quando se sabe que os festejos de Santo António e São João não se poderiam realizar como tradicionalmente.
Importa realçar e recordar que as próprias forças de segurança presentes nessas reuniões aprovaram a realização desse jogo.
Os protagonistas deste lamentável episódio, que não se coíbem de querer assumir que só no Porto não existem condições de segurança, foram precisamente o presidente da Câmara Municipal do Porto, também vice-presidente do Conselho Superior do FC Porto, e o presidente da Câmara Municipal de Gaia, igualmente membro desse órgão do FC Porto e que, recorde-se, em 2016, pretendeu integrar a administração da SAD portista, passando pelo vexame de lhe ter sido negada essa pretensão devido a um parecer negativo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
Estes dois autarcas, e o mesmo será dizer, membros dos órgãos sociais do FC Porto, pretenderam interferir na calendarização e na verdade desportiva, criando um facto que no limite poderá colocar em causa a continuidade das competições, ao querer determinar que afinal as autoridades policiais, pelo menos no Porto, não conseguem garantir as condições de segurança invocando eventualmente falta de efectivos.
Tudo isto é de enorme gravidade, contraria a própria realidade que o país viu reconhecida pelas exigentes instâncias internacionais e interfere no esforço que todos sem excepção vínhamos a fazer. 
Enquanto a UEFA reconhece o bom senso, responsabilidade e forma consciente como os portugueses têm sabido lidar com a pandemia, os munícipes de Porto e Gaia, que naturalmente mereceriam igual consideração e respeito, tiveram aqui ao invés um sinal de desconfiança dos seus autarcas acerca do sentido de responsabilidade das suas populações.
Reconheçamos, no entanto, que ninguém se poderá afirmar surpreendido com esta situação, pois ninguém percebe onde começam e acabam as responsabilidades públicas e os papéis de adeptos dirigentes dos seus clubes.
Por outro lado, enquanto em todo o país se proclama a capacidade de organização e segurança para todos os jogos que se estão a realizar e inclusive para a fase final da Champions, apenas no Porto não existe essa segurança?
Não será incompreensível que os seus responsáveis políticos sejam os primeiros a admitir que o Estado de direito não tem capacidade para manter a ordem pública?
E isso é que é o mais preocupante, neste episódio.
Afinal, quem não quer jogar?
E, afinal, quem quer à última hora mexer no calendário das competições, numa espécie de vale tudo?"

Imparcial !!!

"Jorge Coroado. Tribunal “O Jogo”. Dois nomes incontornáveis no que toca ao fanatismo puro, manipulação e mentira."

Sem cura...

"A definição de esterco humano. Só mesmo um jornal propriedade intelectual do Calor da Noite pode albergar um imbecil anti-benfiquista primário da estirpe de Jorge Coroado. Um sujeito profundamente doente como demonstra em todas as "análises" que faz nesse jornal de merda. Até quando será permitido isto?"

Benfica After 90 - Vila do Conde...

A paixão e o fascínio da pesca

"Descobri a alegria e o fascínio da pesca lúdica muito cedo. Era um jovem de 13 ou 14 anos. Nunca me interessei pela pesca de mar. Foi sempre de barragem ou de lagoa. O olhar para a água e a bóia a mexer (quando mexia) é algo que faz parte da minha juventude e memória. Poucos peixes, sobretudo o chichito, arrepiavam a superfície. O ano passado fui a uma lagoa. Voltei a deitar a linha à água. Não foi necessário fazer o warm-up, garantindo que todos os músculos estão quentes e que as articulações poderão ser solicitadas. Deveria tê-lo feito, pois uma pequena e teimosa carpa escapou-me. Não fiquei frustrado, mas sim feliz por estar a agir, mantendo os olhos fixos na água.
O prazer da pesca para mim não é apanhar peixes, mas de ver os círculos de ondas suaves e o lançar da linha. O fascínio continua, mas a falta de tempo (uma sociológica desculpa esfarrapada) roubou-me essa alegria. Setembro é um mês bom e generoso no calendário de um pescador. Mas eu prefiro os meses de Julho e Agosto, secos e tórridos, sobretudo na região do Alentejo. Os fins de tarde mais frescos são uma boa hipótese para a pescaria. Pela manhã, cedo, também. Escolher o melhor local não é uma decisão fácil. Mas quando escolhido, é tudo uma questão de vida ou de morte para lançar o anzol à água. A minha dificuldade é sempre o de colocar o peso adequado na linha, por forma a que a bóia não vá ao fundo.
O isco é, quase sempre, feito de pedaços de minhoca. É um isco atraente e apetitoso para o chichito. Considero-me um pescador paciente. Sou capaz de ficar horas sentado, agarrado à cana, na esperança de um qualquer peixe abocanhar o isco. Irrita-me quando os vejo a saltar, em acrobacias aquáticas, perto de mim. Algumas espécies têm esse hábito e prazer. É o caso da carpa, por exemplo. As trutas, os barbos e os salmões também são saltadores. Para além de ser um bom anti-stresse, a vantagem da pesca é nunca se saber como ela se irá desenrolar. É tudo uma questão de sorte. É preciso lidar com o vento, o estado da água, a proximidade de outros pescadores, a mania dos peixes, o barulho, entre outros aspectos. Já apanhei muitos peixes. O cheiro deles nas minhas mãos não me incomoda. Há dias expliquei a uma pessoa amiga a paixão e o fascínio da pesca. Não sei se ficou convencida, até porque a pesca desportiva tem imensas regras. No site do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas é possível encontrar muita informação para o seu exercício. Votos de boa pescaria."

Benfiquismo (MDLX)

Força...

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Vitória importante

"A nossa equipa obteve ontem uma vitória importante no reduto de uma das melhores equipas portuguesas da actualidade, reconhecida pela qualidade do seu jogo e bem classificada.
Tratou-se de um jogo difícil e de um triunfo suado, nomeadamente pelas incidências da partida. Até ao golo vila-condense, precedido de falta não assinalada sobre Dyego Sousa e conseguido por volta dos 25 minutos na primeira oportunidade do nosso adversário, o Benfica dominou sempre o jogo. 
Antes e depois desse golo do Rio Ave, a nossa equipa esteve quase sempre melhor do que o adversário, fez 16 remates, dispôs de quatro ou cinco ocasiões flagrantes e ainda viu ser-lhe anulado um tento de Rafa, que deixou dúvidas, demonstrando a muita raça e ambição com que defrontou um valoroso adversário no seu reduto.
O Benfica jogou em Vila do Conde sem três defesas que tinham sido titulares nos últimos jogos: André Almeida, Jardel e Grimaldo. Nos seus lugares jogaram dois jovens de 19 e 20 anos (Tomás Tavares e Nuno Tavares) e ainda Ferro. Demonstraram, todos eles, que a qualidade está lá e Nuno Tavares até acabou por ser decisivo ao fazer a assistência para o golo de empate.
Seferovic e Weigl viriam a ser os autores dos nossos golos, contribuindo decisivamente para uma vitória incontestável. Ganhar era o objectivo da nossa equipa. Conseguiu-o e agora já só está focada no importante embate da próxima terça-feira frente ao Santa Clara. Lance a lance, jogo a jogo, para somar mais três pontos.
Somos ainda obrigados a manifestar a nossa estupefacção pela ladainha acerca das duas expulsões de jogadores do Rio Ave. Ninguém, se intelectualmente honesto, poderá colocar em causa a justiça dessas decisões. E, pelo caminho, escamoteia-se o que se passou ao longo dos 90 minutos: o Benfica foi melhor contra 11, contra 10 e contra 9. Em suma, foi sempre melhor.
Esta pressão permanente sobre a arbitragem é inaceitável e ainda mais incompreensível numa jornada em que o erro mais flagrante, de acordo com a generalidade dos analistas, remete-nos para uma grande penalidade fantasma no Aves–FC Porto. Estas tácticas são já sobejamente conhecidas, não passam de artimanhas de outros tempos cujos ideólogos ainda andam por aí. Normais e esperadas, portanto.
Mas agora só nos interessa a partida frente ao Santa Clara, conquistar mais três pontos é o objectivo. A preparação para esse jogo será o foco da nossa equipa técnica e jogadores. Acreditamos muito neles e cá estaremos para apoiá-los!"

Weigl, o farmacêutico

"Sejam bem vindos a mais um episódio de Bruno Lage: For Better or Worse. Série inspirada no excelente documentário da colecção 30 for 30 dedicado a Dennis Rodman, no qual, já perto do final, somos convidados a fechar os olhos e a imaginarmo-nos no céu, acima de todas as nuvens, do daily-grind e de todos os temores humanos. E se Rodman, a dada altura aí esteve, também Bruno Lage subiu ao céu de forma fantástica e (teremos que o dizer) inesperada. Ainda que não entrando no stunt de se vestir de noiva, Lage experimentou que, ganhando, bem pode dizer o que lhe apetece, como lhe apetece e, mais importante, fazer no onze, ou na estratégia as alterações que lhe apetecerem. Mas, tal qual a inesperada cavalgada até ao céu, também a descida foi retumbante. Longe de esperar tal cambalhota emocional, Lage entrou na época com a onda vermelha em grande efusividade. Mas mal ele sabia que tudo o que disse e, mais importante, tudo o que fez se haveria de virar contra ele. Na hora dos dez jogos sem conquistar o esperado, a outra face da moeda do sucesso (que outrora enalteceria até Lage vestido de noiva numa conferência de imprensa) desta feita criticaria tudo o que mexe. A postura, o fato-de-treino, o discurso, os jogadores, a estratégia. No meio do turbilhão, Bruno Lage soube esperar por Weigl no Estádio dos Arcos e por uma vitória que lhe tira o bafo do tsunami encarnado de cima. Até ao próximo jogo.
Mas para lá chegar, Bruno Lage experienciou novamente que esticar este Benfica para meter fortemente a mão no jogo e segurá-lo é bastante difícil. Olhe-se para o Rio Ave-Benfica como exercício disso mesmo e repare-se que o técnico é contra o que se passou na segunda metade do jogo de Portimão. E qualquer pessoa que se dedique ao futebol (até só como adepto) também o seria. Mas o Benfica recuar linhas para se defender de não conseguir retirar dividendos de pressionar as saídas-de-bolas adversárias já é um filme bem antigo. Lage garantiu-o na antevisão e levou a ideia para os Arcos. O Benfica aparecia esticado e a não querer recuar, e o resultado foi o Rio Ave a conseguir encontrar soluções para mandar no jogo. Saíndo curto e passando (umas vezes facilmente, outras com tumulto) pelas linhas (imaginárias) que o Benfica desenhava, Carvalhal viu o seu plano levar vantagem ao do seu outrora sidekick de Sheffield e Swansea. Para lá chegar, Carlos arrisca e viu, por isso mesmo, o Benfica chegar às (únicas) oportunidades por aí (alguns roubos de bola no meio-campo ofensivo) mas o lado positivo da moeda ofereceu minutos de grande controle rioavista, numa demonstração de personalidade que o 523 defensivo aguentava, e o seu 343 ofensivo criava.
Taarabt cria a partir da linha o ‘golo’ que Rafa veria anulado aos 42′
Um berbicacho que, com o golo de Taremi a carimbar o positivo momento dos da casa, previa mais uma descida de Lage ao inferno das expectativas encarnadas. E dizemos expectativas porque o que cria a frustração é exactamente a realidade não as acompanhar. E por alguma razão, na cabeça da maioria dos benfiquistas, anda a perigosa ideia de que o Benfica é rei e senhor do futebol em Portugal e que por causa dessa hierarquia artificial não pode ter momentos menos positivos. Pois bem, à custa disso qualquer crise de resultados na Luz se tem prolongado até levar o treinador. Se com Rui Vitória o desconforto passou da mente às bancadas depois de uma derrota em Amsterdão, com Bruno Lage a onda deixou de lhe dar a mão depois da derrota com o FC Porto em casa. Estava criada a dúvida, estava feita a ponte para a contestação e a fenda por onde os jogadores haveriam de passar a duvidar de si próprios, trocando o caminho positivo feito na época anterior, para uma inacreditável espiral negativa que (pelo menos em termos de resultados negativos) encontrou pausa, esta quarta-feira em Vila do Conde.
Rio Ave não abdicou dos 5 defesas após a expulsão. Algo que não impediu o golo de Seferovic

E se a confiança exacerbada que fez os jogadores parecerem super-heróis, e Lage um génio que podia fazer o que lhe apetecesse, fosse de repende trocada por uma dúvida existencial que hiperboliza falhas que afinal já existiam? Assim, está hoje evidente que nem no céu, nem no inferno. O Benfica, desculpem, não só não era a oitava maravilha, como hoje não será uma equipa que não consegue mandar na maioria dos jogos que joga, seja por incapacidade física, seja por incapacidade nos duelos, seja pelas escolhas dos jogadores que tanto irritam os adeptos (quando se perde, os que não jogaram são sempre os melhores). O Benfica de Lage continua com muito para se ver do ponto de vista estratégico e com mudanças de jogo para jogo (mais gente à frente na zona defensiva nos cantos; Taarabt a descair para a ala servir entradas na área) mas o estado mental, emocional e físico dos jogadores tanto hiperbolizará um bom momento, como um mau. E este mau momento do Benfica teve, pelo menos, uma pausa quando Musrati foi expulso por acumulação de amarelos (63′). Num esforço de domínio (sim, é sempre assim com este Benfica) que já havia começado no reatar, o golo de Seferovic (depois de boa combinação de Gabriel com Nuno Tavares) fez acender uma chama que o 531 (com dez) e o 431 (já com nove e com a linha média a dançar) do Rio Ave não haveriam de poder resistir. Foi Weigl, o farmacêutico, que transformou o ‘H1N1 Gripe do Ave’ numa estirpe bem mais controlável – o H1N2 – que permite aos encarnados apanharem um adversário que se esqueceu do Tamiflu noutro aviário.
Rio Ave-Benfica, 1-2 (Tahremi 27′; Seferovic 64′ e Weigl 87′)"

Rio Ave FC 1-2 SL Benfica: Encarnados vencem contra nove jogadores

"A Crónica: SL Benfica vence quatro jogos depois
O Benfica entrou em campo a saber que uma vitória daria não só um ‘balão de oxigénio’ a Bruno Lage e ao plantel, mas também o primeiro lugar do campeonato. Depois de o FC Porto ter empatado ontem frente ao Desportivo das Aves, os encarnados deslocaram-se hoje ao terreno do Rio Ave.
O jogo começou com o Benfica a ter mais bola e a criar mais lances ofensivos. Ainda que sem grandes oportunidades de golo, a equipa da Luz conseguiu ter quatro cantos e cinco remates nos primeiros quinze minutos. O Rio Ave começou a ‘espalhar-se’ mais pelo campo e a conseguir parar grande parte das jogadas dos encarnados. Na zona lateral direita do campo, Taremi sofreu falta e permitiu à sua equipa ter um livre perigoso. Na sequência do lance, Nuno Santos cruza para a área e o iraniano marca num bom cabeceamento, após uma assistência infeliz de Dyego Sousa.
Até ao fim da primeira parte, o Benfica ia tentando furar a (bem organizada) defesa do Rio Ave e, aos 42 minutos, Rafa vê um golo ser-lhe anulado por fora-de-jogo de Dyego Sousa, depois de uma grande jogada de Taarabt no lado direito do ataque benfiquista.
A vantagem do Rio Ave manteve-se até ao recomeço da segunda parte, mas a equipa de Bruno Lage sofreu alterações. O técnico encarnado decidiu tirar Dyego Sousa e meter Seferovic. O impacto foi instantâneo: na sequência de um livre, o suíço faz um bom cabeceamento, mas bate com estrondo no poste da baliza defendida por Kieszek.
A primeira contrariedade para Carlos Carvalhal viria a acontecer aos 62 minutos, quando Al Musrati vê o segundo amarelo e consequente vermelho. Dois minutos depois, após um bom cruzamento de Nuno Tavares, Seferovic encosta para o fundo da baliza e reestabelece o empate. Como era expectável, contra 10 jogadores, o Benfica foi crescendo e, oito minutos depois do empate, Nuno Santos faz uma entrada violenta sobre Pizzi e vê o vermelho directo.
Com nove jogadores, o Rio Ave baixou as suas linhas e focou-se apenas em defender o empate. O Benfica continuava a pressionar e a três minutos dos noventa, na sequência de um canto marcado por Pizzi, Weigl estreia-se a marcar com a camisola encarnada e coloca o marcador em 1-2, resultado que se manteve até ao apito final.

A Figura
Haris Seferovic – Teve um enorme impacto na equipa e a forma como entrou no jogo é prova disso: em 15 minutos cabeceia ao poste e marca o golo do empate. Ainda que Bruno Lage tenha optado por Dyego Sousa no onze titular, Seferovic mostrou que também conta para o treinador e promete dar luta aos dois avançados concorrentes (Dyego e Vinícius).

O Fora de Jogo
Dyego Sousa – Al Musrati seria um forte candidato a fora de jogo, mas o prémio vai mesmo para Dyego Sousa. Bruno Lage deu-lhe a confiança necessária e colocou-o no onze inicial, mas o avançado brasileiro não aproveitou a ocasião e durante a primeira parte (substituído ao intervalo) pouco ou nada fez no ataque benfiquista.

Análise Táctica - Rio Ave FC
Carlos Carvalhal montou (como é habitual) uma equipa organizada e consciente da ideia de jogo. Apesar de jogar contra o Benfica, o Rio Ave foi, durante a maioria da primeira parte, a melhor equipa em campo e isso traduziu-se na vantagem ao intervalo.
A primeira expulsão e o golo do empate pareciam que não tinha afectado a equipa, que continuava bastante determinada em campo. No entanto, a expulsão de Nuno Santos destabilizou por completo a equipa e permitiu que o Benfica jogasse nos últimos 30 metros do campo e chegasse ao golo da vitória.
O técnico do Rio Ave montou a sua equipa num 4-3-3 bem organizado e com os seus ataques baseados em Taremi e nos dois extremos, Nuno Santos e Diego Lopes. Pelas dificuldades que a equipa de Carlos Carvalhal colocou ao Benfica nos primeiros 45 minutos, era expectável que estas continuassem até ao final do jogo não fossem as duas expulsões.

11 Inicial e Pontuações
Kieszek – 2
Diogo Figueiras – 2
Borevkovic – 2
Aderlan Santos – 2
Matheus Reis – 3
Lucas Piazon – 3
Al Musrati – 1
Filipe Augusto – 2
Nuno Santos – 2
Diego Lopes – 2
Taremi – 4
Subs Utilizados
Tarantini – 2
Nelson Monte – 1
Bruno Moreira – 1
Carlos Mané – 1

Análise Táctica - SL Benfica
Bruno Lage voltou ao seu esquema tático mais frequente, com Pizzi e Rafa nas alas e Taarabt no apoio ao ponta-de-lança. A equipa teve uns primeiros dez minutos com um caudal ofensivo, mas o resto da primeira parte mostrou em campo o Benfica dos outros jogos, com fraca construção de jogos, sem passes ‘a rasgar’ e a permitir ocasiões de perigo ao adversário, inclusive com um golo.
O técnico não gostou da exibição de Dyego Sousa e colocou Seferovic no seu lugar que, de facto, teve muito mais impcto no jogo do que o brasileiro. As duas expulsões ajudaram a equipa encarnada, que, a partir da expulsão de Nuno Santos, dominou por completo e deu a volta ao marcador.

11 Inicial e Pontuações
Vlachodimos – 2
Tomás Tavares – 2
Ruben Dias – 2
Ferro – 2
Nuno Tavares – 3
Pizzi – 3
Weigl – 3
Gabriel – 2
Rafa – 3
Taarabt – 2
Dyego Sousa – 1
Subs Utilizados
Seferovic – 4
Carlos Vinicius – 2
Chiquinho – 2 
Jota – 1
Samaris – 1"

Mudou e venceu. Mas, foi porque mudou?


"Futebol. Não haverá melhor explicação para a vitória do Benfica em Vila do Conde. Se a entrada pressionante (pressão bem definida – ver video) permitiu recuperar bolas potencialmente perigosas mas que acabaram quase sempre desaproveitadas por erros individuais, fazia antever um Benfica mais capaz, o golo de bola parada do Rio Ave fez ruir tudo o que prometia.
Benfica em Ataque Posicional – Posicionamentos iguais a Sporting e FC Porto na Vila das Aves 3x2x5

Desde o momento em que marcou até à expulsão de Al Musrati só deu Rio Ave. O Benfica deixou de acertar a pressão – Momento que até então lhe permitiu encostar adversário atrás e ter mais bola. Sim! Ter mais bola é algo que se consegue também muito no trabalho sem ela!
Troca de Posicionamento de Ferro com Dyego. Benfica trocou jogadores, mantendo estrutura. Ficou mais capaz para defender o centro da área.

Uma vez mais foi absolutamente pornográfica as más decisões e execuções de uma série de jogadores. Aos 83 minutos Pizzi tinha perdido 21 vezes a posse da bola. Mais do que os passes que acertou até então (17)! Nenhuma equipa, por melhores jogadores que tenha consegue resistir quando um dos colegas perde mais vezes a bola do que os passes que acerta, obrigando toda a gente a voltar a correr para trás! Se voltarmos a juntar Gabriel que nem se digna a olhar para onde atira a bola ao calhas, percebe-se as dificuldades que teve e terá o Benfica. Ainda que na pressão e na capacidade para recuperar a bola para lançar contra ataque, há poucos em Portugal com nível do brasileiro.
Weigl – É certo que joga em zonas confortáveis (espaço / tempo), mas também Gabriel.

O desacerto é tanto que recorrer a Seferovic acabou por ser uma óptima decisão. É claro que é sempre impossível adivinhar se o Suiço acertará na baliza, tão grande é a sua ineficácia, mas traz sempre pressão sobre a construção adversária e isso ajuda na toada do jogo. Tira bola a uns para dar a outros. É pouco para um avançado do Benfica? sim, pouquíssimo. Mas, em terra de cegos…
Salvou o resultado, o Benfica, num jogo em que a aleatoriedade fez cair para o lado dos encarnados superioridade numérica na partida e tal revelou-se determinante para as contas finais."

Não se assustem. Há 15 anos o Benfica foi campeão com 6 golos de Karadas, que faz Dyego Sousa parecer Ronaldo Nazário de Lima

"Vlachodimos
Que saudades dos tempos em que o nosso único problema aparente na defesa ser Vlachodimos. Já imaginaram ter só um problema na defesa? Até parece mentira. Hoje em dia são dos poucos momentos em que posso aproveitar para ir à casa de banho sem ter o receio de que alguma coisa grave aconteça. Lage devia criar um sistema de jogo em que Vlachodimos possa ter mais bola. A minha bexiga agradeceria.

Tomás Tavares
Há uns dias passei no Seixal à noite, vi os holofotes acesos e a primeira coisa que imaginei foi um daqueles anúncios épicos com o protagonista sozinho no relvado, só ele e vários sacos de bolas, a treinar cruzamentos. Ficaria genuinamente feliz se o boletim clínico dissesse um dia destes que o Tomás Tavares estava fora devido a lesão de esforço em virtude de ter passado a madrugada a treinar cruzamentos para o meio dos centrais. Acho que todos compreenderíamos.

Rúben Dias
O único homem capaz de me fazer ir ao Google para confirmar como se escreve a palavra bandolete, bem como considerar usar uma daqui a sete jornadas em jeito de celebração e simultaneamente humilhação por ter feito pouco da referida bandolete, esse mesmo, Rúben Dias, mostrou algumas dificuldades perante Taremi em nova sequela do clássico revisteiro “Vais tu ou vou eu”, um espectáculo em exibição sempre que há um lance de bola parada contra o Benfica. Não obstante, foi também ele quem ajudou a empurrar a equipa para a frente naquele seu jeito “fax, se não for eu esta merda não vai lá” que tanto me agrada. Força, Ruben. A bandolete fica, por agora.

Ferro
Já devem ter visto esta cena do Rocky II. O protagonista sai de casa eufórico e salta sobre um lancil de escadas directamente para o pavimento. A partir daí seguem-se 2 minutos e meio de treino que culminam na subida dos 72 degraus que são entrada do Museu de Arte de Filadélfia. A cena conta a história de um homem que, não sendo o favorito a vencer o combate, se prepara arduamente para estar à altura dos desafios. Agora imaginem que esse protagonista tropeçava a saltar do lancil de escadas, era insultado meia dúzia de vezes pelo caminho e, em vez de dois minutos de planos filmados em Filadélfia, essa sequência durava 3 meses, era filmada no Seixal e terminava com o Ferro a trepar a estátua do Marquês de Pombal. O quê, vão dizer que não pagavam bilhete para ver este filme?

Nuno Tavares
Fico sempre comovido quando vejo que o Seixal é capaz de formar laterais que sabem fazer cruzamentos. O Nuno Tavares foi um dos melhores em campo, não apenas pelos vários, mas porque conseguiu a proeza de jogar em duas posições - lateral e extremo - e ainda fazer uma assistência para golo. Provou que o melhor antídoto para as críticas é mesmo jogar à bola. Quando é assim ninguém se chateia muito por ter que enfiar a viola no saco.

Weigl
O primeiro golo de cabeça da carreira do Weigl, assim como a flash interview emocionada, foram a mais bonita resposta que o alemão poderia dar aos selvagens que puseram em risco a sua carreira e a dos colegas. Só não digo ao alemão que pode finalmente fechar os olhos e dormir um pouco no regresso de autocarro porque os ditos selvagens ainda não foram identificados. De qualquer das formas, tiveram o primeiro castigo. Vão ser obrigados a aplaudir o Weigl, uma humilhação que os próprios não esperavam.

Gabriel
Quando Beckett falou em falhar melhor, talvez não estivesse a pensar num centrocampista fã de forró, mas a expressão adequa-se na mesma. Toda a gente sabe que um jogador como o Gabriel recupera muitas bolas e, com a autoridade que se lhe reconhece, irá arriscar mais no passe e até mesmo a segurar a bola, mas o homem tem que perceber a importância de falhar com mais convicção, isto é, os seus falhanços não podem ser confundidos com falta de vontade, sob pena de o Beckett que reside em nós se transformar num taberneiro capaz de insultar um futebolista que já nos deu várias alegrias.

Pizzi
Já que estamos numa de alterar os regulamentos, acham que podemos instituir a figura do jogador que só entra para marcar lances de bola parada? Ontem teria dado um jeitaço.

Rafa
De cada vez que o Rafa é obrigado a jogar de costas para a baliza como se fosse um apoio e não o homem que vai carregar sobre os adversários, morre um golfinho. Vejam lá isso.

Taarabt
O lance individual que resultou em golo anulado conseguiu mostrar várias coisas: 1- Adel é amor; 2 - Ainda não é totalmente claro que Dyego Sousa deva representar o Benfica; 3 - Ele é provavelmente o único jogador em campo capaz de tirar estes coelhos da cartola e isso alegra-me quase tanto quanto me preocupa; 4 - Não sei se é boa ideia tirar de campo um futebolista que, como referido no ponto 1, é amor, por muito bem que isso possa parecer na cabeça do Lage.

Dyego Sousa
Primeira vez no onze titular e cedo mostrou capacidade de pressão a par de alguns movimentos para criar apoios que permitissem a subida de mais colegas, coroados com uma assistência para golo resultante de uma jogada estudada (neste caso pelo Rio Ave). Não se assustem com a sua saída ao intervalo. Já aqui estivemos. Há 15 anos fomos campeões com 6 golos de Azar Karadas. Não foi por isso que deixámos de celebrar. Relembro este craque norueguês porque faz Dyego Sousa parecer Ronaldo Nazário Lima. Acreditemos por isso na sua redenção.

Chiquinho
A entrada do Chiquinho em campo fez o meu optimismo recuar ligeiramente e até desejar mais duas ou três expulsões para estabilizar a nossa equipa, mas ele acabou por entrar bem e ajudou a encostar o Rio Ave às cordas. Bora Chiquinho.

Seferovic
Apareceu quando mais precisávamos e nem o facto de ter mantido a sua taxa de sucesso - 1 golo a cada 4 remates - nos fez celebrar menos o seu regresso. Para além disso, não é todos os dias que assistimos ao início de uma bonita história de amor como aquela que irá protagonizar com o Nuno Tavares nas sete jornadas que faltam.

Vinícius
Esteve muito certinho no papel de avançado secundário que pouco acrescenta à equipa. O seu melhor momento foi o grito de celebração quando a bola do Seferovic entrou na baliza. Foi importante sentir que os tipos queriam aquilo tanto como nós. Nem sempre acontece. 

Jota
Nem deu para despentear.

Samaris
Ainda não foi desta que começou a central.

Zivkovic
Nhecos.

Taremi
O quê? Ele ainda não é nosso?"