Últimas indefectivações

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Ousar Vencer

"Foi grande o impacto da iniciativa empreendida por alguns sócios do Sport Lisboa e Benfica, os quais optaram por preservar o seu anonimato, ao tornarem ainda mais emblemática a rotunda Cosme Damião com uma homenagem a cerca de 70 ex-atletas do nosso querido Clube.
Este exemplo fantástico de adeptos anónimos, que lhe dedicaram certamente muitas horas do seu tempo, além de o terem custeado, deve servir de inspiração a todos os benfiquistas.
A mobilização massiva em torno do Benfica é, por tão repetida ao longo da nossa história por milhões de benfiquistas, o que fez do Sport Lisboa e Benfica o maior e o melhor clube português.
A capacidade de superação, sacrifício e união, o apoio constante e o contributo abnegado em prol deste ideal chamado Benfica foi o que sempre moveu e continuará a mover as gentes que constituem o Benfica. O Benfica somos nós, desde quem exerce o cargo de presidente num determinado momento ao benfiquista acabado de nascer e que desconhece ainda o seu benfiquismo.
Nesta rotunda centrada por um monumento a um dos nossos fundadores, Cosme Damião, considerado o "pai" do benfiquismo, e agora embelezada por figuras icónicas do Benfica, consta igualmente uma frase desafiadora a todos os que representam o Clube: "Ousem um lugar na nossa história."
É certamente inevitável que os atletas, ao atravessarem a rotunda, leiam esta frase e deem por si a imaginar-se um dia, naquele ou noutro local, a verem as suas carreiras no Benfica enaltecidas por estes ou outros dos nossos consócios.
E é justo observar atentamente o percurso dos elementos do nosso plantel e antever a possibilidade de, no futuro, terminada a espuma dos seus dias enquanto futebolistas, muitos deles virem a ser também homenageados desta ou doutra forma.
No actual plantel da nossa equipa de futebol temos 16 atletas que se sagraram campeões nacionais na temporada passada. Oito deles venceram também em 2016/17. Grimaldo contribuiu para mais um título nacional, Pizzi e Samaris para mais dois e André Almeida e Jardel para mais três. Em toda a nossa história houve apenas 61 atletas a sagrarem-se campeões nacionais pelo menos quatro vezes ao serviço do Benfica, quatro deles estão às ordens do nosso treinador, também ele brilhantemente campeão na temporada passada.
Se há quem sabe perfeitamente como ultrapassar dificuldades, esses estão no nosso plantel. Basta recordarmo-nos das recuperações extraordinárias encetadas em 2018/19 e 2015/16 e que resultaram em títulos para o nosso palmarés.
Faltam oito finais, temos apenas dois pontos de atraso e continuaremos a lutar pela revalidação do título. Não desistiremos. Queremos muito ser bicampeões e queremos muito apoiar a nossa equipa. Mesmo à distância, fá-lo-emos. Unidos, exigentes, benfiquistas!
#PeloBenfica"

O Passado Também Chuta: Mário João

"Mário João. Um dos muitos intérpretes nascidos e criados em pleno Barreiro, escola de vida como não houve outra na história do SL Benfica. Ingressou na CUF ainda miúdo e por ali continuou, como era apanágio à época – o futebolista concilia o desporto com a profissão, dado que os dinheiros da bola para pouco servem.
Em 1957, e metido na transferência de Arsénio, passa o Tejo e instala-se no lar do jogador, cedido por cinco anos com licença sem vencimento da entidade patronal. Era o sonho de uma vida: defender as cores da águia.
De avançado aguerrido, pronto para a guerra, vê-se pouco depois no meio-campo. Para aproveitar melhor as suas características e pela qualidade de outros que deambulavam na frente, diria Otto Glória.
Quando Béla Guttman chega, em 1959, transforma-o definitivamente no defesa multifunções que ganharia fama. Seria atrás que faria carreira e as maiores proezas da sua vida enquanto atleta. Em 1960-61, tapado por Saraiva e Serra, efectua cinco jogos oficiais até à final de Berna.
Mas acabado de chegar à Suíça, surpreende-se por ver o seu nome entre os titulares. Jogado aos lobos? Pelo contrário, diriam os jogadores do Barcelona. Puxou dos galões, foi pronto-socorro no amasso culé e seria uma das principais figuras daquela vitória. Pela alma e sentido prático demonstrados, o espírito combativo que ajudou à construção da Mística. Ganhou aí a titularidade, antes de entrar para a última época de contrato.
Em 1961-62, já figura de proa e medalha de Mérito, escudava agora as selvagens divagações na frente dos meninos prodígio António Simões e Eusébio da Silva Ferreira. Cá atrás, a cortar tudo e a dar segurança à miudagem, acompanhava-o Costa Pereira, Ângelo, Germano, Cruz e Neto. Foi então com toda a naturalidade que se atingiu a segunda final da Taça dos Campeões consecutiva. O destino era Amesterdão.
Nos preparativos para a batalha, informam-no de que vai ter a tarefa de marcar Paco Gento. O craque madridista tinha sido titular do penta europeu do Real e era tão temido quanto Di Stéfano. Quase como um acordo de cavalheiros, combinou com Cávem – incumbido do outro craque – que não dariam azo a brincadeiras. Assim aconteceu, mas esqueceram-se de combinar o mesmo com o responsável por Puskas: e o Major Galopante, percebendo a falha na marcação, aproveitou como pode. Fez um hat-trick em 38 minutos e levou o Real a ganhar 2-3 para o intervalo.
Mas, na cabina, acertou-se tudo como deve ser. Se Gento e Di Stéfano já estavam no bolso, Puskas para lá foi rapidamente. Este acerto na estrutura defensiva foi o catalisador de toda a potência encarnada lá na frente e, no final, o 5-3 que tornou aquela equipa lendária. Volta a Portugal e ainda é titular na final da Taça, frente ao Vitória sadino (3-0). Seria aí a sua despedida, obrigado a regressar à base – ou continuava empregado na CUF, ou ficaria 100% como profissional do Benfica. Incrivelmente, a fábrica dava mais dinheiro.
«Na época 1960/61, quando ganhámos a primeira Taça dos Campeões, recebíamos três contos por mês, que não dava para nada. Na segunda época, o ordenado subiu para quatro contos, mas continuava pouco. Em 1962, a CUF escreveu-me uma carta a dizer que ia acabar a licença sem vencimento. Aí, escolhi sair do Benfica e optei por regressar ao Barreiro para trabalhar na CUF e jogar por eles. Ou ficava no Benfica e perdia o emprego, ou voltava à base. O salário não era muito diferente, mas sempre recebia dos dois lados: como empregado e como jogador. Graças a isso, agora tenho estabilidade. Sou reformado da CUF. Se ficasse no Benfica, seria ultrapassado por alguém mais novo, porque estavam sempre a chegar jogadores novos ao Lar do Jogador e depois andava aí aos caídos.» disse em conversa com Rui Miguel Tovar, em 2016.
Em 1965, marcaria numa visita à Luz, numa derrota por 6-1. Continuaria jogador até 1968. 
Completou 89 jogos em cinco épocas de Benfica, conquistando três títulos de campeão nacional, três Taças e as duas Taças dos Campeões Europeus. Jogou três vezes com a camisola da Selecção.
Fez, no dia 6 de Junho, 85 anos. Um dos grandes."

Moneyball, Futebol Medieval e uma sugestão para o Verão

"O Moneyball é um filme que hoje em dia todos conhecem ou ouviram falar, onde um Director de um clube, os Oakland A’s, montou uma equipa para rivalizar com o New York Yankees, quando os Yankees gastavam três vezes mais do que os A’s. Mas o Moneyball antes de ser um filme, já era um livro, onde estão muitos mais dados do que no filme. Se lerem o Moneyball, percebem como o Basebol era um desporto medieval antes do aparecerem as estratégias que Billy Beane, antigo Director dos A’s, pôs em prática. Uma das áreas onde se via que o Basebol era um desporto medieval era no Draft.
Nos Desportos Norte-Americanos há um mecanismo para equilibrar as equipas e torná-las mais competitivas. Chama-se Draft, onde a pior equipa da época anterior escolhe o melhor jovem de todas as Universidades ou Escolas Secundárias, a segunda pior escolhe o segundo melhor e assim sucessivamente até ao Campeão escolher. No Futebol Americano para um jogador ser elegível tem estar na Universidade pelo menos três anos. No Basquetebol para um jogador ser elegível para o Draft tem que estar na Universidade pelo menos um ano. No Basebol um jogador pode ser elegível imediatamente ao sair da Escola Secundária mas também pode ser elegível depois de estar na Universidade pelo menos dois anos. Há muito tempo que se debate se o melhor é draftar alguém saído da Universidade ou alguém saído da Escola Secundária. É aqui que entra no Moneyball.
Antes de Billy Beane aparecer, a sabedoria convencional dizia que os jogadores saídos das Escolas Secundárias iam ser melhores jogadores do que os que estavam a sair das Universidades. Por isso, no Draft toda a gente escolhia jogadores das Escolas Secundárias. Até que Billy Beane e a sua equipa decidiram fazer análises estatísticas ao Draft e perceberam que um jogador saído da Universidade tinha quatro vezes maior probabilidade de jogar na equipa principal do que um jogador saído de uma escola Escola Secundária.
E é aqui que entra o Futebol Medieval. A sabedoria convencional diz-nos que se uma equipa não ganha é culpa do treinador. No entanto há várias (cada vez mais) análises estatísticas a desmentir a ideia de que basta mudar de treinador para resolver todos os problemas. É muito mais provável que uma equipa esteja a jogar mal por culpa dos jogadores ou da Direcção do que por culpa do treinador. Como tal, mudar de treinador, em média não tem qualquer resultado positivo. Perguntem a amigos do Sporting. Eles têm anos de prática a mudar de treinadores sem bons resultados. O que aconteceu o ano passado foi uma excepção. Foi a primeira vez que uma equipa mudou de treinador e foi Campeã no mesmo ano em Portugal em muito tempo.
Um treinador é tão culpado dos maus momentos, como dos bons momentos. O Benfica caminha para a terceira época consecutiva com um mau futebol, com excepção à segunda metade da época passada. O Bruno Lage é também responsável pela época 17-18 ou pela primeira metade da época 18-19? Óbvio que não. E a culpa desses 18 meses foi toda de Rui Vitória? Também me parece óbvio que não. Não acredito que Rui Vitória tenha gostado de lhe substituírem Ederson, Nélson Semedo e Mitroglou por Bruno Varela, Douglas e Gabigol.
Um bom treinador é alguém que é difícil de arranjar. Um bom treinador que se encaixa na perfeição na estratégia global do clube (aposta na formação) é ainda mais difícil. Mais do que mau futebol, sem boas ideias, o que temos visto nestes últimos três anos tem sido uma sucessão de más decisões a gestão. Desde jogadores que não foram substituídos devidamente, a jogadores que não foram substituídos sequer, com renovações com jogadores medianos que tinham feito uma boa época pelo meio. Temos visto de tudo. Mais de dois terços dos nossos reforços dos últimos três anos, já não estão no plantel. É mais provável qualquer reforço que o Benfica faça neste verão esteja a jogar noutro clube a partir de Fevereiro do que a titular na Luz. Porque é que isto tem acontecido de forma recorrente?
Porque não há ninguém a dar a cara na escolha dos reforços. Em todos os clubes de futebol minimamente modernos há a figura de Presidente e a figura de Director Desportivo. Quem é o Director Desportivo do Benfica? O Rui Costa? O Rui Costa há 10 anos atrás aparecia em aviões a trazer Pablo Aimar. Agora aparece envolvido em alguma negociação do Benfica? Como é que alguém que queria trazer o Pablo Aimar aceita um Caio Lucas ou um Douglas? Não faz sentido. Nada na política de contratações do Benfica faz sentido. E o nosso futebol é um reflexo de vários anos sem uma política de contratações decente. É o reflexo de não termos um Director Desportivo que seja responsável pela criação e gestão de um plantel.
Para aqueles que dizem que o plantel não foi formado à revelia de Bruno Lage, é só irem ver a primeira entrevista dele desta época, no primeiro dia de treinos. Bruno Lage pediu um plantel curto e competitivo em todas as posições. O que lhe deram foi um plantel com mais de 30 jogadores, sem um lateral direito (começámos a época com um lateral esquerdo a jogar à direita), sem um segundo avançado (uma das posições fundamentais no nosso esquema táctico do ano passado), sem uma alternativa na baliza (passámos o verão todo atrás de um guarda-redes e depois afinal já não era preciso) e sem uma alternativa a Ferro/Rúben Dias, Rafa e Pizzi.
Este verão, se puderem, leiam o Moneyball. Talvez vos ajude a perceber que apesar de serem desportos muito diferentes, o futebol está numa fase medieval, com ideias preconcebidas que todos os dados estatísticos desmentem. E a maior delas, é que um treinador é o culpado das derrotas de um clube que há três anos tem perdido mais vezes do que tem ganho."

Alea jacta est

""A sorte foi lançada"
Frase proferida de forma não muito confiante por Júlio César, general e futuro ditador romano, a 10 de Janeiro de 49 A.C.
Desafiando uma lei da então República Romana, que para preservar a unidade e estabilidade da República impedia os generais romanos de marcharem com as suas tropas sobre Roma, Júlio César decide furar a inviolabilidade da província de Itália (onde se situava Roma) e atravessa a fronteira imaginária do rio Rubicão com as tropas da sua muito temida 13ª Legião. Iniciava-se ali uma guerra civil que ditaria o fim da República e criaria as bases do futuro Império Romano, liderado pelo seu filho adoptivo Augusto.
Daqui em diante, "atravessar o Rubicão" passou a ser uma expressão que equivale a tomar uma decisão arriscada, sem um efectivo ponto de retorno.
Avancemos no tempo, igualmente para o mês de Janeiro, neste caso de 2019 D.C., mais concretamente à noite de 3 de Janeiro.
Num outro sítio, numa zona de fronteira*, cujo nome também acaba com o sufixo "-ão", neste caso Portimão
 (* não era à toa que durante a Monarquia o anterior nome do país fosse Reino de Portugal e dos Algarves).
Luís Filipe Vieira, líder máximo do Sport Lisboa e Benfica há então 15 anos, na sequência de mais uma derrota que colocava a equipa a sete pontos do então líder do campeonato e na ressaca de mais um falhanço europeu na Champions (um ano depois de uma campanha europeia vergonhosa, onde pela primeira vez um cabeça de série no sorteio da fase de grupos da Champions conseguiu o pecúlio de zero pontos), decide terminar laços com o na altura impopular Rui Vitória (pese a estima que tinha por ele), e lança os dados à sorte e coloca ao leme da equipa (numa primeira fase de forma provisória) o reservado treinador da equipa B do clube, Bruno Lage.
Tal como Júlio César, séculos antes, a decisão de "atravessar o Rubicão" não foi tomada de forma confiante. Vieira já a tinha ensaiado um mês antes, algo que não foi em frente devido a umas "luzes" nas palavras do próprio, em entrevista na altura. Ajudou não haver ninguém disponível para assumir a equipa no momento e o "leak" ter vindo a público sem que Vieira tivesse falado com o próprio Vitória.
Em abono da verdade, Vieira sempre teve uns "timmings" e uma noção de tempo muito própria. Da mesma maneira que Júlio César criou o calendário juliano, Vieira criou o conceito de Benfica A.V. (antes de Vieira) e Benfica D.V. (depois de Vieira), facto assinalado entrevista após entrevista, onde umas pedras na calçada balizam o ano 0.
O que é certo é que naquela fria noite de 3 de Janeiro, Vieira decidiu "atravessar Portimão".
11 Anos depois da saída de José António Camacho (a 9 de Março de 2008, após um empate a 2 com a União de Leiria), um treinador deixava a equipa sem completar a época. A equipa parecia já fora do título. Estava fora da Taça e não se vislumbrava muito sucesso nas competições europeias, agora na Liga Europa. Havia toda uma segunda volta para jogar e o calendário era altamente desfavorável (com visitas à casa das equipas do restante Top 6 do campeonato). Ao mesmo tempo, um dos seus parceiros de sueca predilectos, Jorge Jesus, então "exilado" na Arábia Saudita, tinha as negociações de renovação de contrato com o seu actual clube paradas, aparecendo todos os dias na comunicação social portuguesa.
Com todo este ambiente adverso, especulo que a ideia de Vieira (e digo o nome dele, porque transparece que o mesmo concentra em si, qual Júlio César, todas as decisões em relação ao futebol da equipa principal), seria ter um treinador que mantivesse o rumo, apostando em "prata da casa", fazendo os mínimos, enquanto esperava a vinda de um treinador de créditos mais firmados, com o seu "desejado" Jesus à cabeça.
A opção por Lage não foi ao acaso. O Seixal é a "menina dos olhos do presidente" e Lage era um treinador com longo historial na estrutura, profundo conhecedor da matéria prima existente e treinador de uma equipa B que dava boa conta de si e aonde maturavam as maiores "jóias" dessa estrutura. Seria sempre uma boa ponte para quem viesse, pois a sua posterior dispensa não seria entendida como falhanço (teria sempre o seu lugar na formação à sua espera) e enquanto isso não ocorria, Lage poderia dar espaço a jovens da formação na equipa principal de forma a potenciá-los, num resto de campeonato sem pressão de luta por objectivos.
Nem o benfiquista mais optimista preveu o que aconteceu nos meses seguintes.
Uma segunda volta perfeita e um título de campeão improvável em Janeiro, com vitórias directas e convincentes sobre os rivais, uma campanha europeia interessante onde procurou lançar jovens e rodar a equipa principal, uma equipa transfigurada com um futebol atacante mais associativo e alegre (em especial nos meses iniciais), com a influência directa de jogadores jovens que conhecia bem, quer de jogadores anteriormente ostracizados (Samaris à cabeça). Associado a um discurso pausado, coerente e acima de tudo genuíno, falando de futebol acima de qualquer questiúncula, Lage soube agitar as águas, conquistando igualmente os adeptos nesta vertente comunicativa. Em termos de "negócio" transformou um futuro emprestado ao Marítimo numa venda de 120 M€ ao Atlético de Madrid e promoveu muitos jogadores da B que estão hoje na calha para futuras transferências milionárias.
Durante uns bons meses, Lage conseguiu o impensável: unanimidade no por norma cacofónico universo benfiquista. Odes e poemas foram proclamados. Até uma igreja foi erigida em seu nome. A equipa ia respondendo com resultados fora do normal (por exemplo um inacreditável 10-0) e tudo parecia finalmente fluir bem.
Em mais uma fuga para a frente, Vieira parecia ter conseguido novamente o Bingo perfeito: num aparente plano de recurso, tinha agora um treinador de projecto barato, rendimento desportivo e futuro prospecto de grande rendimento financeiro (como se veio a provar).
O que muitos pareciam se esquecer no meio desta euforia toda, era a relativa falta de experiência do treinador num contexto exigente como é o Benfica.
O Terceiro Anel não é conhecido pela sua paciência e este era um treinador que há uns meses era relativamente desconhecido de muitos e subitamente via-se no olho do furacão da atenção mediática benfiquista. Depois, muitos não levaram em conta que, por muitas competências técnico-tácticas que uma pessoa demonstre ter, ser treinador é igualmente ter que ser um gestor de um grupo de homens, sendo necessário fazer um grande trabalho a nível de gestão de egos e hierarquias no balneário, sob pena de perder o grupo se descurada esta parte. E a normal relação paternal existente na formação, onde um treinador tem mais facilmente um ascendente sobre um jovem, pode não surtir o mesmo efeito em grupos mais maduros.
Na altura, a demonstração pública de liderança, não era a característica mais relevante apontada a Lage, contudo a ideia geral é que isso adviria com o tempo, no exercício do cargo.
Daí que em Abril de 2019, em especial com a saída das competições europeias depois de uma vitória caseira por 4-2 na primeira mão, começam a aparecer as primeiras críticas. Desde o fantástico jogo no Dragão em Março desse ano, que o rendimento da equipa não era constante. A nível europeu, a rotação promovida ia causando dissabores na ronda frente a uma acessível Dínamo de Zagreb.
Mas levantavam-se principalmente preocupações sobre o facto da equipa não ter um sistema de jogo alternativo e estar muito dependente da mestria de dois jogadores (João Félix e Jonas, este último já a jogar em dores, depois de anos e anos a carregar a equipa). Claro que havia atenuantes e o facto do plantel não ter sido escolhido por Lage e não ter tido tempo para ensaiar alternativas contavam a seu favor. Mas as primeiras vozes críticas levantavam-se.
Veio a vitória no campeonato, saiu Félix por uma verba recorde, Jonas igualmente partiu (neste caso retirando-se em grande), fez-se um investimento forte (em especial na frente atacante com quase 37M€ gastos em dois jogadores) e a pré-época com vitória na International Champions Cup e a estrondosa vitória na Supertaça frente ao Sporting, parecia indiciar que os receios eram infundados. A sombra de Jesus também estava afastada, estando este agora empenhado numa campanha à frente do Flamengo no Brasil.
Até que veio a derrota caseira na terceira jornada frente ao Porto. 
Mais do que uma derrota com um directo rival (que já tinha perdido 3 pontos de forma surpreendente na primeira jornada), foi a maneira como essa derrota foi consentida. Como se a equipa não tivesse antídoto para uma abordagem mais directa praticada por este Porto de Conceição. A lesão de Gabriel nas semanas antes e a dependência da equipa dele, assim como aparente falta de encaixe táctico para a contratação mais cara da época (Raúl de Tomás), e uma cega crença (em linha com desejos da direcção) de que do Seixal sairiam jogadores já prontos para o nível competitivo de uma equipa principal do Benfica (por exemplo, Tomás Tavares faz 4 jogos a titular na Champions tendo acumulado apenas 30 minutos de jogo na Liga Portuguesa) aliada à dispensa de jogadores com calejo competitivo (como Salvio ou afastamento de Samaris), começaram a semear uma série de dúvidas à capacidade de Lage em aguentar este barco.
O que é certo é que, mesmo com Vieira sempre a cortejar Jesus (isto já em Janeiro e com Jesus disposto a voltar), mesmo com mais uma decepcionante campanha na Champions (e a Liga Europa conseguida num último fôlego), mesmo com as lesões que assolaram o plantel, ou mesmo com os rumores que saltaram cá para fora de desordem no balneário, depois da equipa ter vendido um jogador caro e claramente inadaptado (o já referido Raúl de Tomás) e ter conseguido reforçar uma zona do terreno carenciada com um jogador com algum renome internacional (Julian Weigl), Lage conseguiu chegar a 8 de Fevereiro deste ano ao Dragão com sete pontos de vantagem e possibilidade, em caso de vitória, de alargar o fosso para 10.
Uma primeira volta demolidora (a nível de resultados e não tanto a nível exibicional), aliada a maus resultados dos adversários, descansavam a equipa para esta segunda volta. A final da Taça também foi garantida e a nível europeu a equipa preparava-se para uma difícil deslocação à Ucrânia, sendo que o sonho de ir longe era real. Noutro patamar, fruto da mega venda no Verão, o clube preparava-se para apresentar um dos melhores resultados financeiros de sempre na história do clube. Vieira tinha caminho aberto para uma reeleição tranquila.
A história recente do Benfica mostra que quando estamos em situações muito favoráveis, o clube (e aqui incluo massa adepta, estrutura, jogadores, etc.) tende a relaxar. Rui Vitória na sua segunda época foi a Guimarães ganhar um jogo para a Taça da Liga com uma equipa de rotação, sobre o qual se escreveu que as duas melhores equipas em Portugal de então eram o Benfica e uma segunda linha desse Benfica. Fomos campeões, mas com uma segunda volta penosa.
(Aproveitando o facto de ter referido Guimarães) Pimenta Machado uma vez disse que "no futebol, o que é verdade hoje poderá ser mentira amanhã". Nada mais certo.
Regressando a Fevereiro deste ano, bastou uma derrota para todo este cenário favorável ser revertido.
A equipa perde esse jogo no Dragão e desde aí conta meramente com uma vitória sobre o Gil Vicente nas últimas 10 partidas disputadas (e uma eliminação europeia às mãos do Shakhtar). Pior, esta situação não foi travada pela paragem de calendário devido à pandemia, e somamos dois empates comprometedores desde a retoma. É preciso recuar 12 anos, ao tal período da saída de Camacho, para ver semelhante registo.
Ainda que o objectivo campeonato seja possível, não se vê a equipa com fulgor ou destreza para lutar por tal objectivo. As acções irresponsáveis de alguns (após o empate com o Tondela) não ajudaram, mas em campo as coisas não estão a fluir. E Lage, pese todo o crédito que tem e fez por merecer (e eu gosto dele), não parece ser o líder que a equipa precisa neste momento crítico - uma das dificuldades apontadas é essa incapacidade pública de demonstrar liderança, sendo que o problema pode igualmente ser nosso, pois nós enquanto adeptos, tendemos a valorizar mais figuras polarizadoras, coisa que o Lage não é.
Mas um dos factores (direi o principal) que poderá estar a pesar mais, é a autêntica "espada de Dâmocles" que sempre esteve sob a cabeça de Lage, mas que nesta altura crítica e com eleições no horizonte em Outubro, estará com mais pressão sob a sua cabeça. Vieira sabe e percebe a volatilidade dos adeptos face a resultados desportivos menos conseguidos, sendo que face à "eucaliptização" que fez na oposição credível que tinha à sua volta (por norma incluindo-os nas suas direcções), sabe que este seria dos poucos factores que fariam com que fosse derrotado.
E claro, nunca quererá colocar em risco a sua reeleição, ainda para mais com um treinador que nunca foi a sua primeira escolha e que os adeptos já começam a pedir a cabeça.
Até Júlio César, pese todo o poder que concentrou em si, acabou assassinado.
10 de Junho do presente ano.
Benfica volta a perder pontos contra o Portimonense, consentindo um empate depois de uma primeira parte em bom plano.
Irá Vieira novamente "atravessar Portimão" voltando a lançar a sua sorte?"

Benfica After 90 - Portimão...

João & João em castelhano!!!

Guedes (2) ...

Porque é que os governos investem no desporto de alto rendimento?


"Porque é que os governos de muitos países apostam uma boa parte das receitas dos impostos dos cidadãos e das empresas ao desporto de alto rendimento? Tendo por missão gerir o bem comum, o que ganham os governos, e o que beneficia a comunidade com as prestações desportivas dos melhores atletas de um país?
Várias reflexões têm ocupado vários pensadores sociais e investigadores da área da gestão do desporto. Efectivamente, o que se sabe é que os benefícios colectivos para o bem comum são superiores aos custos que os países se sujeitam com esses investimentos aplicados no sector do alto rendimento desportivo.
Porém, o que se requisita é uma clareza do racional das decisões que afectam milhões de euros anuais à preparação e à participação de atletas de alto rendimento nas maiores competições desportivas: campeonatos da Europa, do mundo e Jogos Olímpicos. Jonathan Grix professor na Universidade de Birmingham deu um contributo para compreender o racional. A filosofia que está por trás deste modelo de investimento sério - de muitos países desenvolvidos - no desporto de alto rendimento é o designado “ciclo virtuoso” do desporto. A lógica do "ciclo virtuoso" do desporto é suportada pelo seguinte racional: o sucesso do desporto de alto rendimento, 1) traz prestígio internacional ao país, 2) reforça a identidade nacional, 3) constitui um factor de sentimento positivo e bem-estar na população, 4) promove o aumento da participação desportiva da população em geral, a qual, por sua vez; 5) conduz a ganhos no sector da saúde e ao fornecimento de talentos para o desporto de alto rendimento; e isso conduz novamente ao sucesso de desporto de alto rendimento, conforme figura seguinte. 
Várias políticas públicas e numerosas investigações publicadas têm demonstrado a robustez do "ciclo virtuoso" do desporto: as políticas públicas relacionadas com a promoção da participação desportiva da população em geral:
a) A Organização Mundial da Saúde dedicou o relatório Europeu à definição do caminho para o bem-estar;
b) A União Europeia lançou o EU Physical Activity Guidelines;
c) Em Portugal, o Governo, através do Instituto Português do Desporto e Juventude e da Direcção-Geral de Saúde, lançou a Estratégia Nacional para a Promoção da Actividade Física, da Saúde e do Bem-Estar.
A investigação em gestão do desporto tem mostrado que o desempenho do desporto de elite de um país é considerado i) um dos principais veículos para melhorar o prestígio internacional e a reputação de uma nação; ii) ajuda a população desse país a construir e manter uma ideia de unidade e aumenta o orgulho nacional, e; iii) nos desportos com maior tradição de um país eleva a sensação de bem-estar subjectivo da população, através do factor “sentir-se bem” (feelgood factor), argumento que foi utilizado após a gorada prestação nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996: 36.º país medalhado, entre 71, para sugerir ao governo de Inglaterra um maior investimento no desporto de elite, particularmente nos desportos que mais interessam à população.
Em síntese, o investimento no desporto de alto rendimento, como é bom de ver, é pois um investimento muito produtivo, gera largos benefícios para a comunidade, e o que é bom para a comunidade é porque tem valor para o bem comum e para os membros da comunidade."

O martelo de Nietzsche VI

"1- Segundo o biólogo Jean Rostand podemo-nos entender com pessoas que não falam a mesma língua, mas não nos podemos entender com pessoas para quem as palavras não têm o mesmo significado. Os maiores desentendimentos no âmbito do desporto surgem porque, muitas vezes, as palavras para os mais diversos protagonistas não têm o mesmo significado.
2- No inglês antigo a palavra “disport” proveniente do francês “desport” significava diversão fora de portas. No século XVII em Inglaterra podia até querer dizer “fazer a guerra” que era o divertimento dos reis. A partir do século XIX o “sport” era consubstanciado no prazer lúdico da prática de várias actividades recreativas em plena natureza, bem como no exercício de habilidades físicas, na utilização da força muscular, na destreza e no adestramento de várias acrobacias, entre elas as do circo, que deviam estar envolvidas na coragem, ser realizadas com astúcia, mas no respeito pelas regras pré-determinadas. Entre os “sports” menos formais, contavam-se, entre outros, a caça, a pesca, a natação, a equitação, a patinagem, a canoagem, os percursos pedestres, a navegação a remos ou à vela e, entre os mais formais o tiro de pistola e de carabina, o boxe, a luta, o tiro com arco, a ginástica, a esgrima ou o criket, entre outros, que davam origem a competições formais com regras estabelecidas localmente e antecipadamente por mútuo acordo. Segundo o “Grand Dictionanire Universel du XIX Siècle” o “sport” implicava três condições: (1º) o ar livre; (2º) as apostas; (3º) uma ou mais destrezas do corpo.
3- Friedrich Schiller, na obra “Letters on the Aesthetical Education of Man” foi um dos primeiros filósofos a tratar das questões do jogo através do conceito de impulso lúdico, quer dizer, do instinto lúdico. Para ele, “o homem joga somente quando é homem no pleno sentido da palavra e somente é homem pleno quando joga”.
4- O homem é conduzido pelo instinto do jogo que, enquanto competição que é, é o fio condutor da explicação ontológica. Neste sentido, na sequência das posições de Friedrich Nietzsche e, entre outros, de Ortega y Gasset, mas ultrapassando as posições de Johan Huzinga e, entre outros, de Roger Caillois, diremos que o jogo, enquanto competição que é, está inscrito no código genético da humanidade. Em consequência, é a actividade primeira, a mais espontânea, a mais livre, a mais criativa, a mais estética e a mais nobre da condição humana.
5- Pierre de Coubertin, para além das escolas de ginástica organizadas na educação física que, do ponto de vista corporativo, imperavam na Europa, numa perspectiva histórico-epistemológica, foi o primeiro a perceber a mudança de paradigma que, no quadro do industrialismo, já estava a acontecer nas actividades físicas de carácter lúdico-recreativo que vinham do passado da humanidade.
6- O desporto moderno arrancou quando Pierre de Coubertin, a partir do espírito do agôn do atleticismo dos gregos antigos, da pedagogia activa das escolas públicas inglesas e do padrão burocrático-institucional do industrialismo. E, em 1892, anunciou a intenção de organizar os Jogos Olímpicos da era moderna; em 1894 fundou o Comité Internacional do Jogos Olímpicos que, posteriormente, se viria a designar Comité Olímpico Internacional e; em 1896, foi o principal responsável por se ter realizado em Atenas a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna.
7- A sociedade de finais do século XIX até ao final do terceiro quartel do século XX, de acordo com a lógica dos princípios do industrialismo, viu nascer os jogos desportivos. O desporto moderno é um produto da sociedade industrial. A sociedade de finais do século XX princípios do século XXI, de acordo com a lógica dos princípios do pós-industrialismo, está a ver nascer os jogos eletrónicos. Os Jogos eletrónicos são um produto da sociedade pós-industrial.
8- As diferenças epistemológicas entre a desportologia e a jogologia são abissais. A dinâmica livre e comercial dos jogos eletrónicos nunca se sujeitará à dinâmica politico-burocrática dos jogos desportivos. Quer dizer: (1º) O exercício do livre arbítrio dos protagonistas da jogologia jamais se sujeitará ao modelo estandardizado de procedimentos da desportologia; (2º) A dinâmica da especialização quantitativa da jogologia (variedade) jamais aceitará respeitar qualquer dinâmica qualitativa (mais do mesmo) da desportologia; (3º) A dessincronização espácio-temporal da jogologia jamais respeitará qualquer sincronização própria da desportologia; (4º) A jogologia nunca sobreviverá no quadro da hierarquia de concentração de poder e de comando da desportologia; (5º) A lógica da responsabilidade económica da jogologia jamais se adaptará à lógica maximalista e irresponsável (gigantismo) da desportologia: (6) A lógica descentralizada da jogologia nunca se ajustará à lógica da estrutura piramidal centralizadora da desportologia.
9- Não tem qualquer sentido pretender-se denominar os jogos electrónicos como desportos electrónicos ou E-Sports. Trata-se de um paradoxo que não interessa nem ao desporto que tem um quadro epistemológico fechado fundado no espírito do agôn do atleticismo dos gregos antigos, da pedagogia activa das escolas públicas inglesas e do padrão burocrático-institucional do industrialismo, nem aos jogos electrónicos que devem encontrar o seu próprio paradigma num modelo aberto de desenvolvimento à escala mundial sem quaisquer constrangimentos de ordem epistemológica. Nada obsta que os jogos electrónicos possam ter como objecto de jogo uma modalidade desportiva. Todavia não é por isso que o jogador se torna num ciberatleta. Desde logo porque, na acepção grega da palavra, um atleta (athletés) é um lutador real no sentido corpóreo da palavra.
10- O valor social e político do desporto com a lógica do passado sustentada na actividade física estandardizada, na ludicidade competitiva e na estrutura institucional à escala do Planeta, continua a ter todas as condições para se projectar no século XXI, assim os dirigentes políticos e desportivos o saibam compreender e amar. Todavia, em grande medida, o desporto não deixa de ser um produto acabado pelo que mudar regras ou introduzir novos desportos nos Jogos Olímpicos obriga a processos, pelo menos, demorados e pesados. Pelo contrário, os jogos electrónicos serão sempre um processo inacabado, sem fim, desde logo porque têm na sua dinâmica de desenvolvimento um novo elemento a que os gregos antigos designavam por “tekhnè”. Na Grécia antiga a palavra “tekhnè” ligava ao trabalho dos artesãos a ideia de arte. Ora bem, no desporto, para além da estética do espectáculo, já pouco há inventar e aquilo que se inventa de novo, geralmente, tem um campo muito restrito de aplicação. Pelo contrário, os jogos electrónicos têm a montante um espaço incomensurável de trabalho técnico-criativo de artesãos informáticos que se dedicam à concepção e produção dos jogos electrónicos. São eles que vão condicionar a organização do futuro pelo que o futuro dos jogos electrónicos, em grande medida, está nas suas mãos. Por tudo isto, é pena que o desenvolvimento dos jogos eletrónicos, que, potencialmente, do ponto de vista económico e social, têm possibilidades como certamente nenhuma outra actividade à escala do Planeta, estejam a ser condicionados por lógicas de pensamento do século passado XX que nada têm a ver com a realidade que já é o desenvolvimento artístico-criativo, lúdico e competitivo da jogologia do século XXI. À jogologia o que da jogologia, à desportologia o que é da desportologia."

Benfiquismo (MDLII)

A brilhar...

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Foco nas oito finais

"O momento é de olhar o futuro, cerrar fileiras e voltar a acreditar.
Quanto mais depressa reagirmos, mais próximos estaremos de regressar ao trilho do título, o qual nos habituámos a percorrer nos últimos anos, com destaque para o Tetra e a Reconquista alcançados. 
Objectivamente, está tudo em aberto. Temos oito finais pela frente e estamos a apenas dois pontos da liderança. No ano passado, esta equipa já demonstrou que tem capacidade e ambição para se manter na luta pelos objectivos do Clube.
E, na presente temporada, a equipa que leva quatro empates consecutivos é a mesma que venceu 16 jogos seguidos neste Campeonato, que chegou à 19.ª jornada com 18 vitórias e estabeleceu um novo recorde de vitórias consecutivas em deslocações no Campeonato.
O jogo, ontem, em Portimão, ficou marcado pelo contraste entre uma primeira parte muito satisfatória e uma segunda parte inesperadamente antagónica às nossas pretensões. Bruno Lage fez eco disso mesmo, realçando a importância de "prolongarmos no tempo o que fizemos na primeira parte".
Pelo que a nossa equipa já demonstrou no passado e em grande parte da presente temporada, cabe-nos apoiar e acreditar que saberemos, mais uma vez, dar a volta à situação em que nos encontramos para que continuemos a lutar pela revalidação do título nacional.
Entretanto, disputadas duas jornadas após a retoma das competições, começamo-nos a aperceber das dificuldades que a paragem prolongada e a ausência de público nas bancadas significam para todas as equipas. As suspeitas de como as equipas reapareceriam após quase três meses sem competição confirmaram-se, notando-se alguma falta de ritmo generalizada, bem como um impacto negativo causado pela ausência do calor humano nas bancadas.
Porém, este é o contexto que se nos apresenta, que é igual para todos e não depende dos clubes a sua alteração. É com ele que temos de lidar e, faltando oito jornadas, é com as circunstâncias e vicissitudes correntes que temos de nos focar na conquista do nosso 38.º título nacional.
Como nos tem ensinado esta edição do Campeonato, aliás à semelhança de outras num passado recente, engana-se quem pensar que o título está entregue quando faltam ainda oito jornadas e distamos apenas dois pontos do líder. O Benfica nunca desistirá, os benfiquistas nunca desistirão, a nossa equipa nunca desistirá.
Somos o clube mais ganhador porque sempre tivemos capacidade de superação e soubemos sempre unir-nos nos momentos mais difíceis. Nós acreditamos!"

Senta Chiquinho, vai Dyego

"O tema não é novo, e foi muito bem explanado pelo Ricardo Galeiras no rescaldo da jornada passada:
"Nenhuma equipa será verdadeiramente grande enquanto reunir um conjunto de jogadores que sistematicamente perdem a posse. Que a perdem porque não são suficientemente inteligentes ou porque não têm nível técnico ou motor o suficientemente eficiente para promover eficácia."
"Ter Pizzi, Gabriel, por vezes até Rafa (embora com grande capacidade para criar, e de quem se pode sempre esperar mais – e não há outro assim) e Vinícius (não há melhor, é um facto) significa que se espera por momentos, mas que não se consegue na regularidade aproximar a equipa desses momentos – Afinal, são jogadores com erros sistemáticos. O oposto serão jogadores como Chiquinho, Weigl ou o próprio Tiago Dantas – Podem nem se fazer notar, mas porque não erram ajudam ao carrossel ofensivo, aproximam a equipa do último terço, são eficientes e ajudam a estrangular opositores que não conseguem roubar bolas e aproveitar para respirar."
Em vantagem no marcador (2 a 1), a quinze minutos do fim, Chiquinho preparava-se para ir a jogo.
Série de Jogos com Chiquinho a titular na Liga – 9 jogos, 9 vitórias, saiu do onze depois do regresso de Rafa em Alvalade
Chiquinho, já aqui o referimos é diferente. Não surge nos momentos de notoriedade – Não soma praticamente golos, e também não tem surgido no último passe, mas é o tipo de jogador que permite que a bola chegue em melhores condições à zona de finalização. Perde poucas posses, e por isso a sua equipa chega mais longe no campo e prepara-se para melhor defender e mais rapidamente recuperar a bola quando a perder.
Traz a regularidade na qualidade que uma equipa grande precisa para impor o seu jogo.
Outros, jogadores de momentos, tenderão sempre a enganar a estatística (dos golos e último passe), mas que por tantos e tantos erros, deixarão sempre a dúvida se serem eficazes na hora de atirar à baliza compensará o quanto afastam a sua equipa da baliza adversária pelas suas constantes perdas – reveladoras de falta de critério ou / e habilidade motora e técnica.
A quinze minutos do fim, o Portimonense empatou e Chiquinho que esperava para entrar na beira do campo foi sentar-se para que entrasse Dyego Sousa. Naquele momento talvez fizesse sentido esperar-se por um momento e não por um jogo de critério e que aproximasse de forma sustentada o Benfica do golo. Havia pouco tempo para jogar.
Não deixa contudo de ser revelador a forma como o Benfica está hoje pensado para vencer. Aproveitar momentos e não chegar com regularidade. Uma equipa com 11 “Jardeis” não teria cada um deles a marcar 45 golos por ano. Na verdade, provavelmente nem um deles passaria a marca da dezena de golos.
E é pensando assim que as grandes equipas devem ser construídas. Os melhores acrescentam em todas as zonas do campo – Ter gente competente a finalizar é sim muito importante, mas tudo terá de ser pensado. Quantas bolas disparatadas perdidas compensam um golo? Quantos duelos perdidoso, quantos metros do campo não ocupados em momento defensivo, quantos passos errados são compensados por um golo? É que se todos errarem sistematicamente, esse golo (que teoricamente compensará os disparates) nem chegará.
Pizzi, foi o jogador com mais perdas de bola do jogo, e um dos com pior percentagem de passe (pior estiveram Grimaldo, Cervi e Vinícius)
Será Chiquinho o salvador do Benfica? Não se deixe enganar. É claro que não! Nunca será um único jogador a fazer uma equipa. Mas será sempre desse perfil de jogador – o que erra poucos passes, perde poucas bolas que se farão as grandes equipas. E mesmo que com menos notoriedade é com jogadores com pouco erro que as equipas se aproximam da baliza adversária e criam mais lances para finalizar.
Ainda sobre a partida, um destaque para as declarações sobre a lesão de Jardel. É notório que a sua substituição por Ferro traria sempre dificuldades acrescidas ao Benfica no plano defensivo – o jovem português não tem capacidade para dominar defensivamente o seu espaço e qualquer bola por mais inofensiva que pareça que tome a direcção da sua zona poderá fazer mossa, mas mencioná-lo quando o português foi titular durante a larga maioria do tempo, mesmo quando Jardel esteve disponível, não deixa de ser um contra-senso."

O maior culpado?

"O Campeonato está longe de estar acabado, mas o desfecho já está mais do que anunciado. No Benfica aponta-se o dedo ao mesmo do costume: o treinador. Seja no Futebol, seja no Hóquei, seja na modalidade que for, se a equipa não ganha, a culpa é do treinador. É uma teoria simples de mais mas que é fácil de compreender, como tal é universalmente aceite. Pois bem, o Bruno Lage é o menor dos culpados. E antes de irem já para os comentários, leiam até ao fim. Talvez ajude a mudar alguma coisa.
O Benfica hoje entrou bem. Com maior largura, muito mais velocidade, a activar o lado direito como não fazia há vários meses, e rapidamente chegou ao 0-2. Depois na segunda parte foi o descalabro do costume. Bruno Lage podia ter mudado qualquer coisa para ver se a equipa tinha mais bola, mas como sempre olhou para o banco e viu Dyego Sousa, Haris Seferovic, Chiquinho e pensou: “se calhar é melhor não”.
Eu olho para este Benfica e continuo sem perceber como é que desde que João Félix, um segundo avançado fundamental no título e no nosso jogo, foi transferido fomos buscar três pontas de lança e nenhum segundo avançado. E olho para quase todas as outras decisões feitas no plantel desde que Jorge Jesus saiu do clube e estas decisões de deixar a boca no chão têm sido constantes. Vendemos Renato Sanches e a estrutura só contratou um médio centro um ano depois, gastando 3.5 milhões no Krovinovic. Um ano depois lá tivemos que ir contratar alguém a sério. Vendemos Ederson e a estrutura achou que Bruno Varela ou um miúdo belga com 18 anos acabados de fazer eram davam conta do recado. Vendemos Nélson Semedo e três anos depois ainda não contratámos o seu substituto. Vendemos Mitroglou e a estrutura achou que a solução era o Gabriel Barbosa.
Mas as prendas da estrutura não ficam por aqui. Cristian Lema foi contratado e seis meses depois saiu. Alfa Semedo foi contratado e seis meses depois saiu. Facundo Ferreyra foi contratado e seis meses depois saiu. Nicolas Castilo foi contratado e seis meses depois saiu. Caio Lucas foi contratado e seis meses depois saiu. RDT foi contratado e seis meses depois saiu. Yuri Ribeiro foi resgatado e dozes meses depois saiu. German Conti foi contratado e seis meses depois saiu. E só aqui estão dois terços dos reforços do Benfica nos últimos dois anos. Como é que é possível falhar tanto?
Querem mais casos? Passámos o último verão todo atrás de um guarda-redes. Quando o Mattia Perin chumbou nos exames médicos, afinal já não era preciso ninguém. Ficaram-se por aí? Claro que não. Passámos o inverno todo atrás do Bruno Guimarães. Quando perceberam que não vinha, afinal já não era preciso mais ninguém. Quatro semanas depois do mercado fechar, temos uma vitória, três empates e três derrotas, e de repente, lá aparece o Pedrinho. Alguém tem dúvidas que se temos tido estes resultados antes do mercado de inverno fechar, que tínhamos ido buscar o Pedrinho ou o Bruno Guimarães?
Atenção que a história não acaba aqui. A nossa estrutura foi responsável por um dos casos mais bizarros que já vi no Desporto Profissional. A nossa estrutura disse à Federação para não convocar Nuno Tavares e Tiago Dantas para o Europeu S19 porque iam fazer parte da equipa principal. Ao mesmo tempo deixou o Tomás Tavares ir ao Europeu S19. A estrutura basicamente achava que Tyronne Ebuehi ia ser o nosso titular - outro daqueles que foi contratado e vai sair no final deste verão sem qualquer jogo pela equipa principal. Quando já nos EUA perceberam que o Ebuehi não era solução, chamaram o suplente do Tomás Tavares e começámos a temporada com um lateral esquerdo a jogar a lateral direito porque o Tomás Tavares foi ao Europeu S19 e André Almeida estava lesionado.
São anos e anos disto. LFV disse uma vez que JJ não ia ganhar nada no Sporting porque não tinha a estrutura que tinha no Benfica. Esta estrutura está plenamente convicta que ganha títulos por si só. E não ganham. Cada vez mais parecem um conjunto de amadores que não percebem puto de futebol. Bruno Lage é só mais uma vítima de um monte de incompetentes protegidos pelo maior dos incompetente. Posto isto, culpem o treinador à vontade. Peçam a sua demissão. Venha lá o Renato Paiva. E para o ano, quando tudo voltar a acontecer, culpem o Renato Paiva e tragam outro treinador qualquer. Os culpados do costume vão continuar por cá."

(...) lembra que o Benfica ainda não venceu um jogo em que Rúben Dias tivesse usado uma bandolete

"Vlachodimos
Estive a contar e faço isto há mais de 4 anos. Deixei de fumar há quase 3. Hoje é a primeira vez em que sinto que preciso de bagaço e de um cigarro para chegar ao fim do texto. Ainda por cima uma luminária qualquer lembrou-se de acrescentar aos regulamentos a possibilidade de mais duas substituições. Não sei se consigo chegar ao fim.

André Almeida
Assim que ele marcou o segundo golo dei por mim com uma sensação estranha no corpo. Os meus membros queriam celebrar o passaporte para a vitória, mas o meu cérebro intercedeu a tempo de evitar uma reacção demasiado efusiva. Nunca imaginei que um dia viesse a elogiar o meu cérebro num texto lido por milhares de pessoas, mas aqui estamos nós.

Rúben Dias
Poucos terão reparado nisto, mas o Benfica ainda não venceu um jogo em que o Rúben Dias tivesse usado uma bandolete. Por outro lado, também ninguém se lembra de uma vitória nossa em que o Rúben Dias não tenha usado bandolete.

Jardel
A morte, os impostos e uma lesão do Jardel quando ele parece estar a agarrar o lugar. Certinho como o destino.

Grimaldo
Chorámos todos, amigo. Tu da lesão na perna, eu da perturbação ocular e emocional provocada por aquela segunda parte. Vamos ver qual de nós recupera primeiro.

Weigl
Voltou a ser um dos mais abnegados e competentes, mas só se livrará do estatuto de talismã ao contrário quando a equipa conseguir uma série de 10 vitórias consecutivas. Sentem-se. Pode demorar.  
Taarabt
Por este andar vai regressar ao álcool. Quem somos nós para o censurar?

Pizzi, Cervi, Rafa e Vinícius
Pela primeira vez desde que escrevo estas análises individuais vi-me obrigado a juntar quatro atletas, porque juntos não fizeram um. O Pizzi disfarçou com um golo de pé esquerdo, mas acabaria por se juntar ao resto da pandilha numa 2ª parte para mais tarde recordar. Bateu um novo recorde de perdas de bola - 22 - estatística que será agora submetida ao Livro do Guinness. Nota-se que isto hoje não teve piada nenhuma, não é?

Ferro
Muito gente procurou romanticizar o período de confinamento, elaborando teses várias sobre este fabuloso momento de descoberta, reflexão e reinvenção que o destino nos providenciara. No entanto, nem toda a gente foi na conversa. Houve quem, apesar do tempo para reflectir e do salário pago na íntegra, regressasse pior. Embrulhem, optimistas.

Nuno Tavares
Uma exibição menos feliz frente ao FCP levou Bruno Lage a transformá-lo em pisa-papéis, mas regressou hoje em força para relançar o eterno debate sobre qual é o melhor dos Tavares. Eu continuo a defender que é o do século passado.

Gabriel
Alguém lhe devia dizer que os barbeiros já reabriram.

Seferovic
Será que este também fez tudo o que lhe pediram, como diz o André Almeida? Não acredito. Não acredito que alguém lhe dissesse para, deliberadamente, fazer tão pouco. Enfim. Achou que vou ali ver o mar.

Dyego Sousa
Que privilégio poder contribuir para este momento único na vida do clube, nomeadamente a primeira série de 5 empates consecutivos na nossa história. Parabéns a todos os envolvidos."

Quando marcar (também) não chega

"Seria impensável prever que Bruno Lage tivesse a ascensão meteórica que fez o Benfica terminar a época passada a festejar no Marquês. Dentro da mesma linha seria impossível adivinhar que depois de terminar a 1ª volta com somente três pontos perdidos, Bruno Lage tivesse que lidar com um descalabro pontual que, com 8 jogos por disputar, o fazem tremer num lugar que de interino passou a seu por direito próprio. Mas da chama vitoriosa que catapultou a equipa depois do fim de ciclo de Rui Vitória restam agora as cinzas. Cinzas essas bem semelhantes às que o seu antecessor espalhou no mesmo estádio em que, nesta noite, o campeão nacional se viu, como já vem sendo norma, empatado. 
E se, na passada semana, a finalização subiu ao trono da culpa, desta feita, e sem muito fazer por isso, as águias ‘apanharam-se’ a vencer sem, em abono da verdade, fazer muito por isso. Não houve o forcing que se esperava, como não houve o domínio e o controle que há muito se perderam sempre que os encarnados sobem ao relvado. Assim, são já imagem de marca os longos momentos em que a equipa de Lage vê o adversário jogar. O real problema é que contrastando com a sólida organização defensiva da passada época (e que garantiu que as más exibições não beliscassem o fabuloso registo pontual de Lage) nesta época, a estratégia de baixar (porque poucos duelos a águia ganha e porque a sua pressão é praticamente ineficaz) o risco de o ver jogar é bastante mais elevado que noutras luas mais favoráveis a jogar de águia ao peito. Um risco que, apostamos, só não foi maior na 1ª metade porque o Portimonense usou dos largos minutos que teve a bola para a pontapear, sem critério, para o meio-campo contrário. Ideia essa que impossibilitou que os algarvios pudessem sequer esboçar reação a dois golos sofridos por displicência na meia-esquerda defensiva.
Algo que mudou na etapa complementar quando Paulo Sérgio ordenou uma construção mais ligada e que permitiu finalizar jogadas. Ainda que não redundando em golo, a mudança de ideário permitiu aos alvinegros passar mais tempo na metade ofensiva, algo que não só criou os pontapés-de-canto que originaram os dois golos, como deixaram o Benfica a quilómetros de encontrar o terceiro golo. Algo que, obviamente, mudou depois do empate, com os encarnados, finalmente, a fazerem algo parecido com o que se esperava no final da partida. E aqui Lage terá de fazer ver aos seus que os resultados não mais virão de encontro ao Benfica, sendo que a atitude passiva e tranquila de esperar que a superioridade colectiva e individual se faça sentir, terá de dar lugar à procura constante de ter o jogo preso por total controlo, por total protagonismo, por total desejo de ser campeão. Porque uma coisa é querer, ou pensar que se tem de ser por direito próprio, outra coisa será sê-lo passando uma época inteira com uma qualidade de jogo (ofensiva e defensiva) a roçar o sofrível. 
Portimonense-Benfica, 2-2 (Pizzi 18′ e André Almeida 31′; Dener 66′ e J. Tavares 76′)"

Portimonense SC 2-2 SL Benfica: Displicência encarnada no segundo tempo leva a perda de (mais) dois pontos

"A Crónica: Benfica Soma Quarto Empate Consecutivo
O SL Benfica entrou esta tarde frente ao Portimonense SC sabendo que uma vitória poderia significar a liderança isolada da Primeira Liga. O FC Porto entrou em campo às 21h15, pelo que os homens de Bruno Lage poderiam pressionar os azuis e brancos.
Os encarnados entraram a querer assumir o controlo do jogo. No entanto, esta era lenta e previsível, assemelhando-se ao que foi apresentado diante do CD Tondela. Após dez minutos de jogo, as “águias” começaram a meter o pé no acelerador e, aos 14 minutos da partida, acabam por fazer a primeira jogada de perigo do encontro. Uma combinação de qualidade entre Pizzi, encostado à linha, e André Almeida, por dentro, a resultar num cruzamento perigoso do “34” dos encarnados, Gonda sai a soco a meia altura, a bola sobra para Rafa e o avançado das águias atira muito por cima.
O aviso estava dado e apenas três minutos depois, aos 17’, inaugura o marcador. Rúben Dias descobre com uma paralela pela relva o movimento diagonal e em profundidade de Rafa, que, já com bola penetra na área algarvia. Após o compasso de espera (por Pizzi), o “27” benfiquista endossa o esférico ao transmontano e este atira com violência na direção das redes à guarda de Gonda.
Estava feito o primeiro, e os encarnados estavam a dar uma boa resposta em campo face aos incidentes após a partida da jornada passada. Os encarnados apresentavam uma maior procura pelo jogo interior, sendo que a dupla Weigl – Taarabt perimitiu uma boa dinâmica de passe no interior do terreno. Aos 31 minutos, e após um erro crasso de Lucas Possignolo, André Almeida faz o segundo da partida para as “águias”. Chegava o intervalo e os encarnados seguiam para o intervalo com uma vantagem relativamente confortável no marcador.
Porém, tudo iria mudar no segundo tempo. Ao intervalo, Paulo Sérgio promoveu a entrada de Aylton Boa Morte e de Fali Candé (para os lugares de Henrique e Pedro Sá, respectivamente), o que levou a uma maior capacidade de pressão da equipa da casa sobre os encarnados. Essa aposta iria compensar e, aos 66 minutos, os aurinegros acabariam por reduzir, através de bola parada. Dener saltou mais alto do que os defesas encarnados e relançava o jogo em Portimão.
Paulo Sérgio ainda não estava satisfeito e lançou o possante avançado Beto, aos 70 minutos, empurrando cada vez mais os encarnados para o seu meio campo. Seis minutos depois, através de um potentíssimo remate fora de área, Júnior Tavares restabelece a igualdade no marcador.
Até ao final da partida, as “águias” tentaram fazer, através de jogo directo, o terceiro golo que garantia os três pontos e, ainda que temporariamente, a liderança isolada da Primeira Liga. O Benfica deixa assim fugir a oportunidade de assumir a liderança, após ter uma vantagem de dois golos, com a agravante de poder ter perdido Jardel e Grimaldo devido a lesão.

A Figura
Paulo Sérgio – O técnico português, perante uma desvantagem de dois golos ao intervalo, conseguiu reformular a estratégia e não teve receio de mexer ao intervalo. O empate acaba por ser um resultado justo devido às mudanças implementadas pelo técnico (e por algum demérito dos encarnados) O 

Fora de Jogo
Equipa do SL Benfica – Não é compreensível uma equipa com aspirações a chegar ao título perder uma vantagem de dois golos, em particular numa altura delicada como é aquela em que se encontra. As “águias” só ganharam um jogo nos últimos dez que disputou, pelo que se pede uma introspecção aos jogadores e restante equipa técnica.

Análise Táctica – Portimonense SC
Os comandados de Paulo Sérgio apresentaram-se num 4-2-3-1 que, com o bloco médio-baixo, com os alas fechados, se tornava num 4-5-1 autêntico, sempre à espreita do contra ataque para atacar a baliza encarnada. A abordagem mais passiva ao jogo, ao deixar o Benfica trocar a bola, não resultou e ao intervalo estava em desvantagem.
No entanto, com as alterações promovidas na segunda parte, o Portimonense reinventou-se numa espécie de 4-3-3, com a entrada de Aylton para a direita, e tornou-se numa equipa mais agressiva e pressionante na primeira fase de construção das “águias”. A estratégia resultou, dado que o jogo ofensivo dos encarnados no segundo tempo foi praticamente nulo e que a equipa da casa conseguiu pontuar frente a um candidato ao título.

11 Inicial e Pontuações
Gonda (3)
Hackman (3)
Lucas Possignolo (3)
Willyan (3)
Henrique Custódio (3)
Lucas Fernandes (2)
Dener (3)
Pedro Sá (2)
Júnior Tavares (3)
Bruno Tabata (2)
Vaz Tê (2)
Subs Utilizados
Aylton (3)
Jadson (2)
Fali Candé (3)
Rômulo Machado (2)
Beto (3)

Análise Táctica – SL Benfica
Após um começo com o pé esquerdo no regresso à competição frente ao CD Tondela, os encarnados queriam dar a volta por cima esta tarde. A equipa de Bruno Lage apresentou-se no seu típico 4-4-2, com uma alteração face à última partida: Cervi entrou no onze e Gabriel foi para o banco.
Os encarnados apresentaram ideias interessantes na primira parte, com a dupla Weigl-Taarabt a carburar bem no centro do terreno. Os homens de Bruno Lage procuraram sair com a bola no pé, construindo o jogo com Weigl a descair para o meio dos centrais, privilegiando o jogo interior, com os extremos a ir para dentro, deixando as alas para os laterais. A estratégia correu de forma perfeita na primeira parte: os jogadores iam fazendo a bola circular bem, os golos surgiram e tudo parecia estar sob controlo.
No entanto, e sem se perceber muito bem porquê, os comandados de Bruno Lage entraram no segundo tempo com uma postura mais permissiva, recuando o bloco e deixando os aurinegros trocarem a bola no seu meio campo. O resultado ajusta-se pela segunda parte fraca dos encarnados, pelo que é preciso começar a arrepiar caminho pois, caso contrário, a luta pelo título torna-se uma miragem.

11 Inicial e Pontuações
Vlachodimos (3)
André Almeida (3)
Rúben Dias (3)
Jardel (2)
Grimaldo (3)
Weigl (4)
Taarabt (3)
Pizzi (4)
Cervi (3)
Rafa (3)
Vinícius (2)
Subs Utilizados
Ferro (3)
Dyego Sousa (2)
Seferovic (2)
Nuno Tavares(2)
Gabriel (2)"

Rescaldo...

[DE] Portimonense - SL Benfica 2:2

"Hinter Benfica liegt eine unruhige Woche. Nach dem missratenen „Re-Start“ am vergangenen Donnerstag gegen Tondela wurde der Mannschaftsbus der Adler mit Steinen beworfen, die Hauswände mehrerer Spieler mit Beleidigungen und Drohungen beschmiert. So beherrschte in den Tagen darauf nicht nur das torlose Unentschieden gegen einen Abstiegskandidaten die Schlagzeilen, sondern wieder einmal das „Drumherum“.
Trotz der inakzeptablen Begleitumstände erwarteten die Fans beim Auswärtsspiel in Portimão eine Reaktion ihrer Mannschaft, geht es doch noch immer um den Meistertitel. Der immer heftiger in der Kritik stehende Coach Bruno Lage vertraute an der Algarveküste größtenteils der Startelf des letzten Spieltags, lediglich Cervi ersetzte Gabriel. Und seine Spieler schien gewillt, beim Tabellenvorletzten der Liga NOS ein anderes Gesicht zu zeigen.
Benfica profitierte dabei von der anfangs etwas naiven Taktik von Portimonense, das bemüht war, gegen den individuell auf praktisch jeder Position besser besetzten Rekordmeister mitzuspielen, statt wie Tondela vor Wochenfrist den ganz großen Bus vor dem eigenen Tor zu parken. So boten sich in der Vorwärtsbewegung immer wieder Lücken, die bereits nach 18 Minuten zum ersten Treffer führten, als Pizzi ein feines Zuspiel von Rafa zum 1:0 abschloss. Nachdem André Almeida nach einer halben Stunde den Ausrutscher eines gegnerischen Abwehrspielers kaltschnäuzig ausnutzte um auf 2:0 zu erhöhen, schien die Partie bereits frühzeitig entschieden. Schließlich spielte man gegen einen Gegner, dem im bisherigen Saisonverlauf im Schnitt nur 0,67 Treffer gelungen sind.
Doch das Benfica der Saison 2019/20 ist meilenweit davon entfernt, einen Zwei-Tore-Vorsprung bei einem in höchster Abstiegsgefahr schwebenden Gegner zumindest souverän über die Zeit zu bringen. Im zweiten Durchgang war nichts mehr vom frischen Angriffsschwung zu sehen, der vor der Pause noch Hoffnung auf eine Wende zum besseren gemacht hatte. Die Spieler in den roten Jerseys verfielen wieder in den gewohnten Trott, ließen Portimonense zunehmend ins Spiel kommen und kassierten folgerichtig zwei Treffer, bei denen sie den Gegner auch noch tatkräftig unterstützten. Bezeichnend war das Anschlusstor zum 1:2, bei dem Dener mitten im Strafraum die beiden Innenverteidiger Rúben Dias und Ferro mühelos überspringen und per Kopf treffen konnte.
Keine einzige Torchance erspielte sich Benfica mehr in der zweiten Hälfte und konnte sich so am Ende nicht über ein weiteres Unentschieden beklagen, das dem FC Porto, der kurz darauf 1:0 gegen Marítimo Madeira gewinnen konnte, an der Tabellenspitze einen Vorsprung von zwei Punkten beschert.
Ein Sieg aus den letzten zehn Pflichtspielen lautet nunmehr die erschütternde Bilanz, die wohl bei jedem Spitzenklub zu einem Trainerwechsel führen würde. Nicht so bei Benfica. Er habe mit dem Präsidenten gesprochen und das Meer betrachtet. Alles sei ruhig, es gebe keinerlei Problem, lautete die bemerkenswerte Aussage von Bruno Lage nach der Begegnung. Sie ist bezeichnend für die derzeitige Mentalität beim Rekordmeister.
Auch in der kommenden Woche tritt Benfica auswärts an. Die Partie bei Rio Ave am Mittwoch, den 17. Juni beginnt um 22.15 Uhr deutscher Zeit, DAZN und sportdigital übertragen wieder live.
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Portimonense - SL Benfica 2:2
Liga NOS, 26. Spieltag
Mittwoch, 10. Juni 2020, 19.15 Uhr
Portimão Estádio, 0 Zuschauer
Mannschaftsaufstellung: Odysseas, André Almeida, Jardel (24. Ferro), Rúben Dias, Grimaldo (63. Nuno Tavares), Pizzi, Taarabt (80. Dyego Sousa), Weigl, Cervi (80. Cervi), Rafa, Vinícius (80. Seferovic)
Torschützen: 0:1 Pizzi (18.), 0:2 André Almeida (31.), 1:2 Dener (66.), 2:2 Júnior Tavares (77.)"

[FR] Bistrot - After Match Journée 26 - Portimonense - no reprend les mêmes et on recommence

O lodo desconfinou

"O futebol português voltou mas nada mudou. Após cerca de dois meses de alguma acalmia, também o lodo sentiu necessidade de desconfinar. E por lodo podemos entender Sérgio Conceição e José Manuel Meirim.
O primeiro, ao seu habitual jeito desonesto, apressou-se a protestar a arbitragem do jogo ante o Famalicão, “brincando” que deveria ter tido 3 expulsões a favor do FC Porto. Não uma, não duas, mas três expulsões. Só faltou criticar o facto de nenhum jogador do Famalicão ter feito um auto-golo.
Quando as equipas adversárias são amigas, o discurso do auto-apelidado “frontal” é bem diferente. A título de exemplo, não nos esquecemos quando o mesmo se apressou em defender um determinado jogador adversário por ter falhado um pénalti tão escandalosamente mal marcado que a bola entrou em órbita espacial, acertando na Estação Espacial Internacional e desviando a sua trajectória - sim, estamos a falar de Jackson Martínez.
O segundo, com base numa “notícia” do Público em que especialistas anónimos são invocados - especialistas, não fontes, atente-se - decide abrir um processo de averiguação aos negócios entre o SL Benfica e o Desp. Aves, mesmo após o SL Benfica ter sido célere em esclarecer que não há qualquer ilegalidade nos mesmos, que nenhuma lei está a ser desrespeitada e que estão a ser cumpridos todos os pressupostos legais.
Uma vez que Meirim demonstra ser tão lesto a abrir processos ao SL Benfica e a multar os seus treinadores, dirigentes e clube, presumimos que irá aplicar o mesmo tratamento a Sérgio Conceição pelas reiteradas criticas à arbitragem. O regulamento disciplinar da liga é claro e inequívoco e Sérgio Conceição já o infringiu diversas vezes.
Esperamos que seja castigado severamente, todavia no que concerne à equidade de decisões e julgamentos deste órgão, resta-nos aguardar bem acomodados e de preferência com a despensa reabastecida.
Ainda a respeito da “investigação” aos negócios entre o SL Benfica e o Desp. Aves e à abertura do processo de averiguação por Meirim, não deixa de ser estranho que haja um eixo muito mais evidente e inusitado em Portugal e que continue a passar despercebido. Poderia ser o eixo Norte-Sul, mas neste caso é o FC Porto - Portimonense.
Relembramos a todos a promiscuidade de negociatas entre os dois clubes. Em menos de 2 anos, mais de 20 jogadores foram e vieram de um lado para o outro:
- Danilo Pereira (CS Marítimo - Portimonense SC - FC Porto);
- Galeno (Portimonense SC – FC Porto);
- Paulinho (Portimonense SC – FC Porto- Portimonense SC);
- Ewerton (Portimonense SC – FC Porto);
- Manafá (Portimonense SC – FC Porto);
- Rafa Soares (Portimonense SC – FC Porto);
- Inácio (Porto B – Portimonense SC);
- Fede Varela (Porto B – Portimonense SC);
- Chidera Ezeh (FC Porto – Portimonense SC – FC Porto – Portimonense SC);
- Danilo (Marítimo – Portimonense SC – FC Porto);
- Yahaya (FC Porto – Portimonense SC);
- Ryuki (Porto B – Portimonense SC);
- Irhene (Portimonense SC - Porto B);
- Mata (Porto B – Portimonense SC);
- Maurício (Portimonense SC - Porto B);
- Gleison (Portimonense SC - Porto B);
- Nakajima (Portimonense SC - Al Duhail - FC Porto).
Ewerton e Paulinho foram do Portimonense para o FC Porto e do FC Porto para o Portimonense. Fede, Varela e Galeno foram cedidos por empréstimo, recebendo a devolução de Inácio e Chidera Ezeh, que tinham sido cedidos no início da temporada. Rafa Soares foi vendido pelo FC Porto ao Portimonense e recomprado por 1,5 milhões. Passados apenas 4 dias da recompra, foi vendido ao V. Guimarães, sem que se conheçam os valores envolvidos na transferência.
Danilo, na altura no Marítimo, recebeu uma proposta de 4,5 milhões de euros pelo Sporting CP e pouco mais de 3 milhões pelo FC Porto. Surpreendentemente, o Marítimo recusa a proposta do Sporting CP e decide aceitar a proposta do... Portimonense, que fez de intermediário ao assumir a dívida do Marítimo no caso Kléber (1,7 milhões) e coloca o jogador no FC Porto por 2,8 milhões de euros.
Nakajima foi vendido ao Al Duhail por 35 milhões, a 3 de Fevereiro de 2019. Somente 5 meses haviam passado, quando a 5 de Julho é novamente vendido... ao FC Porto e por 12 milhões de euros. Em apenas 5 meses, arderam 23 milhões de euros. Talvez Theodoro Fonseca possa explicar qual o verdadeiro interesse do Al Duhail em fazer de barriga de aluguer e perder 23 milhões de euros em escassos meses.
Como cereja no topo do bolo temos os contornos do negócio “boomerang”, que envolveu Paulinho. 
Em 21 de Janeiro de 2018 e através de um empréstimo, o Portimonense cede Paulinho ao FC Porto. Passados apenas 5 meses, a 30 de Junho de 2018, o empréstimo termina. No dia seguinte, a 1 de Julho de 2018, o Portimonense anuncia a venda de Paulinho ao FC Porto. Findo apenas um mês, a 22 de Agosto de 2018, o FC Porto anuncia novamente a venda de Paulinho... ao Portimonense.
Se querem a verdadeira definição de lavagem de dinheiro, basta lerem incessantemente os contornos destes negócios. Exemplos mais flagrantes são impossíveis.
Para finalizar, faremos questão de enviar a informação por nós trabalhada para diversos jornalistas que são especialistas (não anónimos, convém realçar) neste tipo de assuntos. Desejamos que as investigações sejam feitas em consonância com as nossas e que a breve prazo haja notícias sobre as mesmas. O Polvo das Antas não é um orgão de Comunicação Social, mas após as investigações serem divulgadas não haverá pretexto para não ser aberto um processo à ligação FC Porto - Portimonense. Ainda mais depois de Meirim ter aberto o precedente e dado o mote."