Últimas indefectivações

segunda-feira, 4 de maio de 2020

SL Benfica | E depois do adeus das modalidades, qual é o futuro?

"Na passada quarta-feira, dia 29 de Abril, foi anunciado o cancelamento do remanescente calendário desportivo referente às principais modalidades de pavilhão. As diferentes federações deram por terminados os campeonatos nacionais sem atribuição de títulos. Excepção feita à Federação de Andebol, que já indicou o FC Porto para a EHF Champions League, ainda não há novidades no respeitante aos participantes nas provas europeias.
Aliada à pandemia em curso, a ausência do SL Benfica das principais provas europeias de modalidades pode significar um menor investimento nos plantéis, e uma menor capacidade de planeamento da época que se avizinha – e, por consequência, das seguintes. Num momento em que se afigurava previsível um recrudescimento do investimento nas modalidades encarnadas masculinas e femininas, importa atentar no futuro próximo das mesmas.
Em primeiro lugar, não me parece que a estrutura encarnada deixe cair por completo qualquer projecto. Acredito que a ideia geral e principal seja a de tentar assegurar a continuidade de todos os planos previamente traçados. No entanto, não será estranho se as modalidades menos consagradas das águias sofrerem um pouco mais do que as restantes.
As equipas femininas de voleibol, que lutavam pela subida ao primeiro escalão, de basquetebol, em projecto de crescimento para começar a gladiar pelo título nas épocas vindouras, e de andebol, criada na época passada e que nesta época lutava pelo pódio, poderão ser mais afectadas pelo expectável plano de contenção encarnado. Isto numa perspectiva de investimento nas mesmas. Por outro lado, será mais fácil manter estes plantéis do que outros, uma vez que são das equipas menos dispendiosas do ecletismo benfiquista.
Por sua vez, acredito e desejo que não sofram um grande baque as modalidades que, nos últimos anos, têm feito do ecletismo das águias um triunfo. Não será fácil, de maneira alguma, investir em todas elas, mas o esforço deve ser feito. As equipas femininas de futsal e de hóquei em patins, ambas na cimeira europeia das respectivas modalidades, e as equipas masculinas de voleibol, basquetebol, futsal e hóquei devem ver o seu crescimento nas recentes épocas salvaguardado.
No plano nacional, é imperativo continuar a montar equipas competitivas e capazes de verdadeiramente batalhar pelos títulos. No plano europeu, importa não deixar fugir o comboio. Seguramente não será o SL Benfica a locomotora, mas é fulcral que os encarnados estejam nas carruagens da frente.
Não será fácil fazê-lo em certas modalidades. No futsal, por exemplo, SL Benfica e Sporting CP, que já se sagraram campeões europeus da modalidade, vão deparar-se com um campo mais competitivo do que em anos anteriores, que inclui Inter Movistar FS, FC Barcelona Lassa, El Pozo Múrcia, ACCS FCA 92, Kairat, entre outros, a partirem como favoritos, sobretudo pela superior capacidade financeira.
Todavia, as águias precisam de continuar a apostar na competitividade europeia das suas modalidades, acreditando que essa aposta será recompensada num futuro não muito longínquo. Naturalmente, não importa entrar em loucuras, mas não pode a famosíssima estrutura encarnada deixar cair, por exemplo, os projectos do voleibol e do basquetebol masculinos, que, na época agora terminada, participaram em competições europeias não desbravadas por clubes portugueses. Não podem cair as equipas femininas de futsal e de hóquei em patins, que hão provado época após época estarem no topo da Europa nas suas modalidades.
Isto não quer dizer que outras equipas possam ser ostracizadas. Apenas rogo por uma meritocracia: caso escolhas tenham que ser feitas, que se priorize consoante o mérito e não consoante quaisquer outros factores. O ideal, contudo, seria apostar “à grande”, mesmo nas modalidades que hão fraquejado nos anos recentes. Felizmente, acreditando nas notícias recentemente veiculadas, esse ideal poderá concretizar-se. Porquê?
O andebol masculino tem sido das forças menos pujantes dos encarnados. Para o colocar na contenda com FC Porto e Sporting CP pelo título nacional, teria que existir uma aposta quase monstruosa, quase descabida na referida modalidade. Como tal, seria expectável que a equipa masculina de andebol do SL Benfica sofresse um pouco no pós-pandemia. No entanto, as notícias recentes vão em sentido contrário.
Chema Rodríguez, espanhol de 40 anos prestes a terminar a carreira de jogador, que conjuga com a de técnico-adjunto da seleção húngara, será o novo homem do leme. O plantel será reforçado – não é reformulado, é Reforçado – como nunca foi, com a chegada de jogadores de calibre internacional verificado. O andebol masculino das águias prepara-se, dessa forma, para dar um salto qualitativo, mesmo após um cenário de pandemia.
Se assim é com o andebol, acredito (ou gosto de acreditar) que assim será com todas as modalidades que fazem do Sport Lisboa e Benfica um clube eclético."

Messi e Guardiola juntos: uma dádiva dos deuses!

"Sempre que vejo comentários do tipo: "ah e tal o Guardiola só ganhou o que ganhou no Barcelona porque tinha o Messi, porque no Bayern München e no Manchester City nunca mais ganhou a Champions", fico com urticária, confesso! Há pessoas que continuam ainda apenas a olhar para os resultados. Há pessoas que ainda não perceberam que o que Pep Guardiola fez nas quatro épocas que passou no Barça, foi muito além dos imensos títulos que conquistou. Há gente que ainda não entendeu que o legado eterno de Pep em Barcelona deve-se, não apenas ao que ganhou, mas também, e em grande medida, ao modo sublime como o conseguiu e ao futebol distinto que praticou.
Messi obviamente foi um elemento decisivo nas conquistas de Guardiola. Sem Messi (e sem Xavi, sem Iniesta...), não teria sido possível um lugar tão diferenciado na história, isso é uma evidência. Com certeza que se em vez de Messi estivesse lá outro qualquer, o mais certo era não ter havido metade das vitórias. É evidente que sim! São os jogadores que jogam, os treinadores não andam lá dentro, sem bons jogadores não há milagres, por muito bom que o treinador seja.
O que é preciso é ter a capacidade de perceber que, tendo a sorte de poder contar com um grupo fantástico de jogadores, Pep jogou um futebol que mais ninguém conseguiu. Colocou aqueles jogadores num nível colectivo sem paralelo na história do jogo. Basta ir rever alguns jogos para se perceber o patamar que aquele Barça atingiu, sobretudo em organização ofensiva e transição defensiva. Aquele futebol de quase perfeição é quase uma utopia, quase irrepetível. Isso deveu-se ao trabalho de Guardiola!
Outros treinadores também tiveram Messi e outros craques à disposição. Ganharam também eles inúmeros títulos. Luís Enrique, por exemplo, também arrebatou a Champions. Por outro lado, Messi repetiu épocas individualmente estratosféricas sob o comando desses outros treinadores. Continuou a ganhar títulos colectivos e prémios individuais à velocidade do som. Mas nunca mais beneficiou de um contexto colectivo tão perfeito como no período 2008-2012. Nunca mais desfrutou tanto do jogo, nunca mais marcou tanta diferença de modo aparentemente tão fácil. O individual continuou a ser fortíssimo, mas o colectivo nunca mais foi o mesmo.
Messi e Guardiola juntos foi o casamento perfeito, uma dádiva dos deuses. Ambos são os melhores na sua condição de jogador e treinador. Mas apenas juntos conseguiram atingir o Olimpo. Aquele nível de jogo inalcansável nos próximos 100 anos. O Barça 2008-2012 está nos anais das melhores - para mim a melhor - equipas de todos os tempos graças sobretudo a Leo Messi e Pep Guardiola, em simultâneo. Ninguém fala do Bayern ou do City de Pep quando se pensa nas melhores equipas. Os jogadores não eram os mesmos. Como também ninguém fala no Barça de Tata Martino, Tito Vilanova ou mesmo de Luís Enrique. O nível de jogo, ainda que com Messi e companhia, também nunca mais voltou ao que era.
Então, Guardiola foi o que foi no Barcelona em grande parte graças a Messi, sim! Mas isso deve ser dito como um elogio e não como um reparo ao treinador. Porque foi a genialidade desse treinador que elevou aquele colectivo, de que Messi era a pedra de toque, a um nível que nenhum outro foi capaz. É esse o legado de Pep. Ganhar muitos ganham. Mas daquela forma..."

Lazio 1-2 Roma. Os romanos são loucos

"A 18 de abril de 2010, na época em que Mourinho ganharia tudo com o Inter, houve um dérbi de Roma em que Totti foi substituído ao intervalo, só porque sim, e a glória para o lado grená da cidade foi resgatada por um montenegrino que marcou dois golos e pôs a Curva Sud a fervilhar.

O Guglielmo abre o armário e há uma gaveta, até acho que eram duas, cheias só de coisas grenás. Está na hora de nos mascararmos, ele tira uma camisola e esmiúça-lhe a história, chega a mão a outra e detalha quem jogava, treinava e o que fez chorar nessa época. Não é que haja urgência, é de manhã, sobra tempo, mas ele lembra-se da hora, das 17h30, e interrompe o inventário mental.
Acelera-se e apressa-nos, escolhe camisola e cachecol para cada um e tragam um casaco, diz. Mas o céu está azul e o sol radia, é Abril, está calor, a lógica encurta as mangas, mas ele insiste, tragam casaco.
Não se explica, a pressa murcha-lhe a paciência, que apenas lhe alimenta a insistência. Eu e o Jordi, catalão ferrenho do Barça, nascido no dia e no ano do Messi, obedecemos. Seguimo-lo no ritmo e no ciao repentino que deixamos na sala de casa, a roçar o desrespeito pelos pais dele. Está um amigo do Guglielmo já lá em baixo, espera-nos na rua com a mota e o capacete que faltam nas contas.
Mais uma vez, ele insiste, temos de ir de casaco vestido e não é com certeza a bem dos resfriados, porque o dia está acalorado, nem pela segurança, pois se nos instruí a cobrir o corpo com uma mão, usa a outra para nos dar o que nem Belzebu nos daria para protecção e seria eufemismo chamar de capacete. Mas continua a não se explicar.
Calhou-me ser o pendura na moto do Guglielmo. Tapa-te, esconde o cachecol, diz a cada oportunidade, repetindo o aviso, pelo menos, a cada fôlego que dou e laivos de atenção que consigo dedicar ao que fala, e não ao que conduz, serpenteando entre carros, pessoas e outras motos, que são mais do que as mães e a especialmente do que a minha, que nem mãos teria para agarrar no coração se visse o circo caótico onde parece haver um concurso para ver quem se esquiva mais tarde do azar. 
Estamos a ir para uma zona de Roma, perto do Estádio Olímpico, onde é típico os adeptos da Roma se juntarem, brindarem à fortuna e empanturrarem a alma, onde a fronteira está definida e gente da Lazio não se avista. Onde estamos quase a chegar e, pouco antes de um semáforo que nos pára num sítio com mais árvores e arbustos, o Guglielmo volta a insistir no fecho do casaco.
Parados no vermelho, explica a guerrilha cromática do lugar: ali é território azul celeste, onde já aconteceram espancamentos de adeptos grenás por pessoas da Lazio, que escondem soqueiras e tacos de beisebol onde há folhas verdes, aguardam pela contribuição do semáforo e espancam quem mostre ornamentos rivais e esteja sobre duas rodas.
Bendito casaco e abençoada condução desmiolada para serpentearmos dali para fora, rápido, para chegarmos ao sítio do beberete, conversarmos com amigos romanistas do meu amigo e caminharmos até ao Olímpico, com os casacos à cintura. Mesmo à porta, o Guglielmo insiste que bebamos um caffè borghetti, de um gole só. Obedecemos de bom grado, com as resistências em baixo pelo que bebericámos antes e que ele queria aniquilar pelo que nos conta à entrada do estádio.
Os nossos dois bilhetes não eram para a Curva Sud, a bancada de peregrinação dos adeptos da Roma, atrás de uma das balizas, mas para um sector ao lado, que nos punha uma grade amarela no meio da romaria, com uns três metros de altura, salvo seja a memória atordoada. Teríamos que a trepar, como tanta gente o faz, sem arrelias com a autoridade, dizia ele.
Confiámos, que remédio, trepámos e recordo-me de que só lá no alto acreditei no que o nosso amigo garantira, porque, realmente, ninguém à volta parecia importar-se, ou sequer reparar na escalada. Já no meio de uns bons milhares, com bandeiras mil, cachecóis sempre no ar e cânticos que o Guglielmo afincadamente tentava ensinar, começou o jogo sem um hino dos mais bonitos cantado antes, porque nesse dérbi a casa era da Lazio, mas o dérbi acabaria por ser da Roma.
No campo lá ao longe, à distância da gordura da pista de atletismo, a partida era aborrecida. Muita parra de faltas, pancadas, paragens e pouca uva de futebol atraente e gostoso, se esse fosse o único atrativo para ir a Roma ver um encontro entre os rivais da cidade.
Não, era o fascínio acumulado de anos a ler e a saber do Totti, ídolo de uma causa só, que me conquistou por completo fazia 10 anos, no Europeu, com a Itália e no chapéu que pôs à Holanda, nos penáltis, mas que foi substituído ao intervalo, estou ainda hoje para saber porquê.
Eram os cânticos, as bandeiras, o hino, o tal dérbi daquele golo, aquele dérbi do tal festejo, invariavelmente o Totti a esmerar-se, mais os Contis, os Gianninis, os Delvecchios e os Batistutas. 
Eram recontados pelo Guglielmo que nos contou quem era Carlo Zampa, o narrador de jogos que, no fundo, era como ele, cheio da mesma alma na boca, da mesma emoção a que nos rendíamos, pudera, durante um semestre do ano anterior, no quarto do dormitório que ficava a dois metros do campo de futebol da Universidade de Utrecht, onde a malta de vários mundos se reagrupava, no final de cada jogo, para bater bolas de conversa sem tirar as botas dos pés.
Não me recordo de um montenegrino itinerante, feitio difícil, alguma vez ser narrado, sê-lo-ia dificilmente, porque, como tantos jogos antes deste, o penáti e a recarga ao livre que acertou na barreira de homens, após a Lazio marcar primeiro, nunca seriam dele se o simpático Ranieri não tivesse substituído o homem sobre quem todas fábulas narravam, a quem cada bola pertencia caso uma falta a parasse para ser batida.
Improvável e sem capa surgiu Mirko Vucinic, o herói do dérbi a que não voltei a ir, sei lá se voltarei e que demorei demasiado a experimentar, graças a sabe-se lá o quê, mas grato estou, porque sem um amigo romano com quem, desgraçadamente, não falo há muito, nunca teria vivido o quão louca é a vida e são aqueles que vivem à volta de um jogo."

Viagens ao corpo (I)

"Os japoneses possuem um provérbio, ‘on kochi shin’, que se poderá traduzir por "desenvolver novas ideias baseadas no estudo do passado." Este passado tem de ser revisitado como uma ponte para o futuro, ponte essa que passa pelo presente. Não se trata de prevermos o futuro mas de precavermos esse futuro.
E no passado, quer se tenha descido das árvores para a planície, como defende a teoria da savana, quer se tenha vivido num ambiente mais ou menos pantanoso, como defende a teoria do símio aquático, certo é que a evolução nos fez chegar ao bipedismo e a uma postura erecta.
Ao longo da filogénese da espécie humana talvez tenham sido estas as mudanças, que duraram milhões de anos, mais significativas.
A perda da oponibilidade do polegar no pé implicou a ausência da capacidade de preensão nos membros inferiores, o tamanho dos dedos reduziu-se, sendo o dedo grande particularmente robusto e participando, tal como os restantes, na função de sustentação.
Podemos constatar hoje que o pé humano tem um arco longitudinal idêntico ao dos outros grandes símios vivos, mas é único quanto ao arco transversal (na zona distal do metatarso, a mais próxima da ligação com as falanges), devido aos ligamentos e aos ossos do tarso que suportam antigraviticamente o peso corpo. É este arco transversal que possibilita que o homem possa criar o grau de tensão muscular adequado e necessário ao desequilíbrio que lhe permite transferir o peso do corpo para a frente deslocando um dos pés, e a seguir o outro, mudando a sua base de sustentação e originando a marcha. Esta é a grande vantagem do homem em relação aos outros primatas. Não é por acaso que todos os movimentos de mudança de direcção usando o trem inferior no Karate-do (pelo menos no estilo Goju-Ryu de Okinawa) se fazem sobre este arco: possibilitam um maior equilíbrio, uma maior estabilidade, tal como uma maior pressão dos dedos do pé no chão durante a mudança de lugar do calcanhar.
Com o bipedismo verificou-se o encurtamento e o fortalecimento dos ossos do metatarso, sendo os exteriores mais robustos (justificando como o peso do corpo na marcha passa do calcanhar para o bordo externo do pé, seguidamente para o terço ântero-interior e, por fim, para o dedo grande do mesmo).
Torna-se fácil dar conta da diferença de tamanho no homem entre os membros superiores e os membros inferiores, sendo estes mais longos. Paleoantropólogos e biólogos dir-nos-ão se foram as pernas que aumentaram ou os braços que diminuíram. Sem dúvidas o facto de o bipedismo ter libertado os membros superiores para transportar os mais novos, para melhor conseguir alimentos, para reagir mais rapidamente a potenciais perigos, para fabrico e utilização de instrumentos e para mais eficazmente enfrentar mudanças ambientais... e ter possibilitado o cruzamento (pronação), e não só o paralelismo (supinação), do par formado pelo rádio e cúbito no antebraço.
A pélvis foi-se alargando e perdendo altura, proporcionando um melhor rendimento aos glúteos que activam as pernas, permitindo uma melhor transição do centro de gravidade do corpo de modo a que a vertical que passa pelo mesmo caísse sempre dentro da sua base de sustentação.
Enquanto no chimpanzé os fémures são paralelos, no caso do ‘Autralopithecus afarensis’ (extinto aproximadamente há cerca de 2.9 milhões de anos) estes já se tornam oblíquos e orientados para dentro, evoluindo para que o crânio e as articulações de ambas as tíbias se conjuguem verticalmente. O peso do corpo passou a poder ser assim transferido directamente para a frente, evitando o impulso que os chimpanzés dão de uma perna para a outra quando se deslocam.
A caixa torácica hominídea foi sofrendo um achatamento no plano frontal, tal como uma maior amplitude lateral. A omoplata deixou de se situar lateralmente e evoluiu para a zona posterior do tórax aproximando-se da coluna vertebral, a clavícula alongou-se e robusteceu-se e o esterno tornou-se maior e mais forte.
As colunas cervical e lombar foram-se reduzindo, passando a apresentar a coluna vertebral quatro curvaturas flexíveis que permitiram a estabilização vertical.
O crânio reposicionou-se, modificando-se a posição do ‘foramen magnum’, que se situa agora sob o crânio, deixando a coluna vertebral de se alinhar obliquamente com o mesmo e apoiando-se aquele nesta.
Quanto às modificações cranianas basta-nos referir o aumento da capacidade do crânio pois há uma diferença de tamanho do cérebro entre o ‘Autralopithecus afarensis’ (400-500 cm³) e o ‘Homo sapiens’ (1.200-1.400 cm³) assim como a diminuição do prognatismo e consequentes modificações odontológicas.
Um último apontamento em relação à estatura: se o ‘Homo habilis’ (2.4 a 1.6 milhões de anos) tinha uma pequena estatura, cerca de 1.52 m, a altura média de um ser humano europeu situa-se actualmente entre os 1.73 m e os 1.78m.
Para se perceber perfeitamente a nossa filogénese seria bom não se esquecer que a evolução humana, assim como a de qualquer outro ser vivo, foi um processo complexo e não um processo linear…
Mas enquanto ao longo da mesma o corpo hominídeo se foi modificando como resultado de uma evolução condicionada pela natureza, adaptando-se, actualmente as modificações do e no corpo humano resultam de uma resposta ao ambiente criado pela sua própria espécie.
(continua)"

Benfiquismo (MDXVI)

Gran Torino, no Jamor !!!

domingo, 3 de maio de 2020

Bicampeões Europeus 1962

Memórias da Inauguração...!!!

Made in Benfica #3 - Rafael Brito

Memórias... de 2005 !!!

O dia em que o Benfica se agigantou na Europa


"Uma autêntica lição de bem defender no Pormenor.


Colectivamente não havia em 2014 muitas equipas mais bem trabalhadas que o Benfica. Com individualidades bastante melhores do que as da actualidade, o resultado foi uma aula de brilhantismo em plena Itália perante uma Velha Senhora com Tevez, Llorente, Pogba, Vidal, Pirlo, Chiellini, Bonucci e Buffon."

37 - Tondela...!!!

Dia da Mãe - Pais!!!

Recordações: Zé Luís...

Recordações: Reinaldo...

Recordações: Hélder...

#1 - Anatomia de um Sticker: de Hampden Park para as paredes da Luz, com Amesterdão no pensamento.

"Citius - Altius - Fortius
"Mais Rápido, Mais Alto, Mais Forte"
O lema que Pierre de Coubertin, fundador do movimento olímpico moderno, proferiu em Junho de 1894, na antecâmara dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (Atenas 1896).
O lema que Coubertin tomou de "empréstimo" de um amigo à época, o pedagogo e frade dominicano Henri Didon. O lema que encontramos nas paredes de muitos estádios um pouco por todo o mundo. Como o existente no pitoresco bairro de Amsterdam Oud-Zuid. Ou no Sul Velho de Amesterdão (aqui em tradução livre).
Este estádio, uma obra interessante da Escola de Arquitectura de Amesterdão (há quem chame a este estilo Brick Expressionism ou Expressionismo de Tijolo, novamente numa tradução livre), foi projectado por Jan Wils e construído a 1927 para a Olimpíada de Amesterdão em 1928. Esta edição dos Jogos Olímpicos, ficaria conhecida, entre muitas coisas, por ter sido a primeira a ter uma chama olímpica a arder na imponente Torre da Maratona que ladeia o estádio (durante muitos anos chamada de "cinzeiro dos pilotos da KLM", pelos habitantes locais). Uma edição olímpica que consagrou, no futebol, o Uruguai como bicampeão olímpico.
Anos mais tarde, já com um segundo anel construído (demolido recentemente), uma chama imensa arderia novamente e uma outra equipa vinda do Sul seria consagrada bicampeã. Neste caso da (na altura recente) Taça dos Clubes Campeões Europeus.
2 de maio de 1962 Há precisamente 58 anos atrás, o Sport Lisboa e Benfica confirmaria que a vitória em Berna, frente ao FC Barcelona na edição anterior, não tinha sido fruto do acaso.
Pela frente um novo adversário espanhol, o grande Real Madrid, vencedor das cinco primeiras edições do torneio, uma equipa onde militava jogadores com a craveira de Di Stefano, Puskas, Gento, entre muitos outros. Pese vencedor na edição anterior, o Benfica partia para esta edição novamente com o estatuto de "underdog". Como que tendo que seguir à letra o lema olímpico para provar a sua grande valia. E o jogo não começou bem.
Aos 23 minutos, o temível Puskas já tinha marcado dois (aos 17' e 23'), vantagem que seria anulada com boa resposta Benfica através dos tentos de José Águas (25') e Cavém (33'). O Major Galopante faria novamente das suas e colocaria o Real em vantagem, completando um hat-trick aos 38'.
Ao intervalo, e segundo relatos recentes de António Simões (que se tornaria após essa partida no mais jovem campeão europeu sempre, algo que ainda acontece no momento que escrevo estas linhas), Béla Guttmann, fazendo uso das suas capacidades motivacionais, talvez inspirado no lema olímpico cravado nas paredes do estádio, assegurou que os seus jogadores eram mais rápidos, altos e fortes que uma equipa do Real que já mostrava sinais de cansaço.
E assim foi.
Mário Coluna (aos 53') repôs a igualdade a 3. E mais tarde, haveria uma verdadeira passagem de testemunho e um jovem Eusébio mostraria toda a sua mais valia, marcando um bis (aos 64' e aos 69') selando um 5-3 final que consagraria o Sport Lisboa e Benfica como bicampeão europeu e asseguraria o seu lugar no panteão dos maiores a nível europeu.
Em termos artísticos, seria de outro estádio com paredes de tijolo, e de outra final icónica, que apareceria a imagem usada para celebrar os bicampeões europeus em to.colante (ou um dos vários stickers que produzi sobre o tema, acima retratado).
18 de maio de 1960
Hampden Park, Glasgow.
Real Madrid, após derrotar nas meias finais o eterno rival FC Barcelona, chegava aqui à sua quinta final consecutiva em cinco edições deste recente torneio. Desta vez a oposição provinha da ex-RFA (Alemanha Ocidental), que pese ainda não tivesse um campeonato nacional (a Bundesliga só seria formada em 1963), colocava aqui pela primeira vez uma equipa na final da principal competição da UEFA. Fruto da vitória na edição de 1959 do então campeonato alemão (baseado num sistema de ligas regionais), o Eintracht Frankfurt (que derrotou na final os rivais Kickers Offenbach do nosso amigo Markus Horn), ganha o direito a disputar a Taça dos Clubes Campeões Europeus e chega à final após uma impressionante semi-final contra o Glasgow Rangers (12-4 no cômputo geral). 
Hampden Park, inaugurado em 1923 (na altura o maior estádio do mundo em termos de capacidade - Maracanã veio destronar isso), era a Meca do futebol escocês. A casa dos amadores do Queens Park (só agora em 2020 é que abandonarão o estádio), em 1937, registava a lotação máxima de 149.415 espectadores num encontro entre Escócia e Inglaterra. Relatos da época indicam que mais 20.000 pessoas entraram sem pagar, não estando contabilizados nestes números.
Nesta final de 1960, estima-se que uma lotação de 130.000 almas assistiram ao encontro. Nas bancadas nomes como um jovem Alex Ferguson, relataram anos mais tarde, que ficaram maravilhados com a fantástica prestação da equipa do Real Madrid, que venceu por 7-3 (poker de Puskas e hat-trick de Di Stefano) e conquista a quinta taça consecutiva. Para além do troféu, Real conquista algo mais. Sendo a primeira final europeia com transmissão televisiva continental, 70 milhões de pessoas assistem à consagração daquela super equipa (e pensar que a BBC comprou os direitos de transmissão a uma ainda amadora UEFA por umas míseras 8000£). Este jogo passaria ao estatuto de jogo icónico sendo retransmitido anos mais tarde vezes sem conta (em especial em Inglaterra), cimentando o Real como um dos maiores clubes europeus.
A imagem usada (no meu sticker) corresponde ao programa de jogo deste último encontro. De facto a SFA (federação escocesa) tinha na altura uma linha, que hoje designamos de retro, muito interessante com este tipo de ilustração para colorir os seus programas de jogo.
Em termos de feitura de composição de imagem( afinal de contas, estou a fazer a "dissecação" de um sticker), socorri-me de um "header" da revista Benfica Ilustrado (uma publicação da época) e de uma imagem antiga do emblema. Pesquisei a fonte usada no lettering e alterei a frase que ilustrava o programa, de forma a homenagear os nossos bicampeões (com duas e não uma taça).
A impressão foi feita em (etiqueta) vinil num tamanho 8 x 5 cm, tendo sido feitas 500 cópias, impressas em Agosto de 2018.
Regresso ao lema que Coubertin tomou de empréstimo de Didon.
Depois de outras oito finais finais europeias perdidas, talvez esteja na hora de começarmos a pensar em repetir o feito de 61 e 62.
Pelo menos tentar ir o mais longe de forma a honrar os ases que muito nos honraram no passado.
Não é necessário ter mais dinheiro ou mais condições (embora ajude).
Basta ser "mais rápido, mais alto, mais forte".
E se hoje em dia, esse sonho existe, deve-se muito ao que foi conseguido naquela tarde de 2 de maio de 1962."

A Bola de Sábado...

A Quinta da Bola...

Benfiquismo (MDXV)

Penalty desgraçado!!!

sábado, 2 de maio de 2020

Tempos conturbados por falta de assunto

"E lá temos visto desfilar o Jankauskas, o Quaresma, o Kelvin, o Álvaro Pereira e um que se chama Paulo Machado, todos a malhar no Glorioso. É cultural. A profilaxia neste caso é idêntica às profilaxias correntes, distância social, distância social, distância social.

O campeonato d.C. volta no fim do mês e vai entrar pelo Verão dentro, ocupando o espaço que era, normalmente, pertença do defeso a.C.. Como terão depreendido, logo à primeira, d.C. quer dizer depois do Coronavírus e a.C. significa antes do Coronavírus. E com esta nova datação d.C. que teremos todos de conviver no que ao futebol diz respeito e ao resto também. Por causa do vírus que não é o único vírus. Não terá sido absurdamente virulenta aquela excursão do presidente da FPF à residência oficial do primeiro-ministro com o seu pequeno séquito de presidentes? Tratar os demais clubes e os respectivos presidentes como meros figurantes da grande competição nacional não foi bonito, não. Ou iam todos ou não ia ninguém. E, assim, seria emprestada a categoria devida à presença do presidente da Liga que, ao que se diz, se fez convidado.
Os presidentes dos três maiores clubes portugueses entraram mudos e saíram calados de São Bento - não houve declarações à imprensa - e não há muito a acrescentar às suas presenças tutelares. O presidente do Sporting distinguiu-se pelo novo corte de cabelo, um corte militarizado, o presidente do Benfica fez inveja pelo bronzeado e o presidente do FC Porto foi o primeiro a transpor a soleira da porta, o que se aceita como norma de boa educação visto que é o mais velho. Para além se ter adivinhado que o campeonato ia regressar não se registaram declarações presidenciais de qualquer tipo, capazes de incendiar as plateias da rivalidade e de entreter multidões. Nestes tempos conturbados pela falta de assunto, muita falta faz à indústria do espectáculo futebolístico o ex-presidente do Sporting a quem agora ninguém passa cartão.
E é pena porque Bruno de Carvalho segue em alta nas redes sociais e agora com um pendor classicista e bíblico, comparando-se quer a Júlio César, o herói de Roma assassinado em 44 a.C., quer a Jesus Cristo, o filho de Deus, também ele assassinado em 33 a.C., e reconhecendo, um a um, nos traidores destas duas figuras de há 2 mil anos os mesmos que o traíram vai fazer agora 2 anos. E isto, sim, poderia ser um extraordinário entretenimento para as massas de Carvalho ainda tivesse relevância social, o que já não é o caso.
Sem futebol e sem dinheiro - há lá coisas mais tristes? - neste período de unidade nacional contra uma doença, o gabinete de comunicação do FC Porto tem apostado tudo em promover entrevistas a antigos atletas obedecendo a um primado civilizacional que lhe é muito caro que é o do ódio ao Benfica. e por lá temos visto desfilar o Jankauskas, o Quaresma, o Kelvin, o Álvaro Pereira e um que se chama Paulo Machado, todos a malhar no Glorioso por imperativo da relevância folclórica de grupo. É cultural. A profilaxia neste caso é idêntica às profilaxias correntes. Distância social, distância social, distância social."