Últimas indefectivações
quarta-feira, 18 de março de 2020
Mensagem do Capitão do Voleibol e médico, Hugo Gaspar
"Após dias de isolamento social/quarentena, e de um turbilhão de emoções, sensações e questões, não tenho dúvidas que a palavra do ano, que normalmente se decide lá para dezembro, será “Corona”.
É verdade, cá estamos nós na nossa angústia, fechados em casa, com pouco ou nenhum contacto social, a beber as informações das televisões, redes sociais e milhares de mensagens trocadas pelo WhatsApp.
Quais estão a ser os desafios desta aventura “negra”?
- A família e o isolamento social. A necessidade de protegermos os que nos são mais queridos e chegados. Como passar horas e horas em casa com as crianças, ter a capacidade de aproveitar todos os minutos e horas com eles. E se há uns meses nos queixávamos de ter pouco tempo com eles, chegou a hora de os compensar;
- A equipa e o Benfica. Deixámos de treinar em equipa e começámos a treinar cada um sozinho, em casa, no parque, através das indicações da nossa equipa técnica, com planos de exercício e nutrição actualizados e enviados diariamente. Cabe a cada um de nós, atletas, demonstrar que somos capazes de manter a nossa forma física, mesmo em condições excepcionais como esta;
- A responsabilidade civil. Sim, temos de ter consciência que vivemos em sociedade e que precisamos uns dos outros, e neste momento o que mais precisamos é consciência cívica, de como nos comportar, perante esta ameaça;
- E no meu caso, o trabalho como médico, sim, também eu estarei na linha da frente, a ajudar todos aqueles que precisem, muitas vezes com aquele receio de que em casa tenho a minha família à espera da minha chegada são e salvo.
No fundo gostaria de mandar uma mensagem positiva de força e união, e com a certeza que tudo passará e que brevemente estaremos todos juntos a festejar as nossas vitórias. E um dos festejos será contra esta epidemia que sem dúvida nenhuma vamos vencer.
Hugo Gaspar"
Profundo pesar
"Em meu nome pessoal e do Sport Lisboa e Benfica, apresento as mais sentidas condolências pelo falecimento do nosso Sócio n.º 1, Carlos Eduardo Matos Galiano, de 98 anos, associado desde 1932 e que foi atleta do Clube na modalidade de ténis de mesa.
A toda a sua família e amigos expressamos o nosso mais profundo pesar por quem ficará para sempre na nossa memória pelo intenso amor e afecto com que sempre viveu e pertenceu à Família Benfiquista."
Cadomblé do Vata (Mágico!)
"Supertaça António Livramento 02/03 - 22/09/2002
SLBenfica 12-4 FCPorto
1. El Rey
2. Francisco
3. Cecílio
4. Velázquez
5. "Panchito""
O dia em que (...) só apitou um jogo durante 20 minutos
"A história que hoje que vos trago, a terceira de dez, transporta-me para um dos momentos mais difíceis da carreira. Mas, como em tudo na vida, há sempre lições positivas a retirar de situações menos boas.
Rio Maior, Agosto de 2002.
Tinha acabado uma recuperação interminável a uma cirurgia ao tendão de Aquiles do pé esquerdo. Foram meses e meses de recuperação, com muita fisioterapia, paciência e revolta interior pelo meio.
Quem se lesiona a fazer aquilo que mais gosta, geralmente sente-se assim: impotente. A situação foge-nos das mãos, deixa de depender de nós, escapa à nossa esfera de acção, ao nosso controlo.
Isso é frustrante mas também desafiante, porque testa-nos, coloca-nos à prova, força-nos ao autoconhecimento: percebemos aí que somos bem mais fortes e resilientes do que imaginávamos.
Naquela tarde, porém, era "dia de festa" para mim. Aquele jogo amigável, de Sub-19, marcava o regresso ao activo depois de muito tempo de paragem forçada.
Como devem imaginar, estava muito feliz.
Andava há poucos anos na 1ª Categoria e tinha aquilo a que chamamos de "fome de bola". Sonhei com aquele momento vezes sem conta.
O jogo - entre a selecção portuguesa e uma outra (lamento, não me recordo qual) -, era o pretexto perfeito para voltar a calçar as botas e sentir, mais uma vez, o cheiro da relva, o som do apito.
Parecia um estagiário a fazer a primeira arbitragem da sua carreira. É incrível como, às vezes, precisamos perder algumas coisas para lhes darmos o devido valor.
Quis, no entanto, o destino que essa felicidade não durasse muito tempo.
Decorridos vinte minutos e ao efectuar o sinal indicativo de lançamento lateral (levantei o braço, na diagonal, para a esquerda), senti uma dor forte na zona do peito. Foi algo que nunca tinha sentido antes: apanhava-me o braço esquerdo, as costas, todo o lado esquerdo.
Por momentos, acho que deixei de ver e de raciocinar. Senti medo, temi o pior. Lembro-me de me ter agachado devagarinho e levado o apito à boca. Queria interromper o jogo o quanto antes.
As equipas médicas perceberam e entraram em campo rapidamente.
Houve ali alguma confusão momentânea, devido aos sintomas atípicos: seria coração? Ombro deslocado? Algo diferente?
Certo, certo é que o encontro acabou ali, na hora. Pouco depois de começar. O sonho de meses desvanecia-se em segundos.
Segui para o hospital mais próximo onde fiquei horas a fazer uma bateria de exames. Fiz ecos e Raio-X, análises de sangue, eletrocardiogramas, provas respiratórias, tudo.
Fazia, repetia e voltava para a maca, à espera de notícias, mas ninguém tinha notícias para dar.
Nessa altura, as dores estavam num ponto quase insuportável. O braço ficou dormente, parecia que dava descargas eléctricas. Confesso-vos, estava mesmo preocupado. Doía tudo e não havia medicação que travasse aqueles sintomas.
Sentia dificuldade crescente em respirar e, pior, percebia que os médicos estavam baralhados, sem forma de me ajudar.
Fui para Lisboa e, já noutro hospital (e a altas horas da madrugada), alguém finalmente decidiu reencaminhar-me para o Serviço de Neurologia.
Os exames à cervical, realizados apenas no dia seguinte, confirmaram o diagnóstico entretanto avançado: tinha um "disco completamente esfrangalhado" (citação do especialista). Hérnia discal com indicação de cirurgia imediata.
E assim foi.
Perante as evidências depois confirmadas em RM, o meu amigo (Dr) Manuel Passarinho meteu mãos à obra e tratou-me da coisa, com a qualidade, competência e profissionalismo que todos lhe reconhecem.
Foram muitos e muitos meses de paragem, a somar aos anteriores.
Pelo menos, tive o gostinho de arbitrar um jogo de futebol, ainda que durante... vinte minutos. Podia ser pior. Pode sempre ser pior, ainda que na altura nunca pareça.
Ao longo da carreira, acabei por ser operado quatro vezes. Pelo meio, tive lesões menores, que me obrigaram a paragens, umas mais longas, outras de apenas meia dúzia de dias.
Sabem o que vos digo? Valeu a pena!
Valeu a pena cada segundo, cada minuto, cada hora. O preço foi pequeno quando comparado com a possibilidade de fazer o que mais gostava, vezes sem conta.
A vida exige sacrifícios para depois oferecer grandes benefícios. Faz parte.
Da nossa parte, o importante é perceber que, depois do cabo das Tormentas, vem sempre, sempre o paraíso que desejávamos."
Os oito netos do escocês Brown
"Jorge Gibson Brown tinha a seu lado, no Alumni, Alfredo, Carlos, Eliseo, Tomás, Juan e Ernesto, todos seus irmãos.
Em Glasgow, a mais bruta das cidades de toda a Escócia, desde cá de baixo, de Berwick-upon-Tweed onde, numa revigorante tarde de chuva e vento, bebi umas pints de Brew Dog a contemplar o Mar do Norte fazendo estragos na praia até ficar encharcado por dentro e por fora, até lá acima à Ilha de Skye, fala-se um inglês que quase se podia dizer de carroceiros não se desse o caso de eles andarem meio desaparecidos após a Revolução Industrial. Em conversa com um amigo desalentado, ouvi-lhe este desabafo em verso: «This fuckin’ town’a fuckin’ cuss! No fuckin’ trams, no fuckin’ bus! Nobody cares for fuckin’ us!». Demorei a entender que para ele cuss era curse no meio da maldição de tantos fuckin’s. Mas, de resto, a conversa nem correu mal. Abanei sempre a cabeça em sinal de concordância de cada vez que ouvia uma expressão que me parecia fazer sentido e ele pareceu contente com o resultado.
Foi exactamente por sentir que em fuckin’ Leith, um porto nos arredores de Edimburgo, ninguém queria saber deles, que James Brown e Mary Hope decidiram emigrar para Monte Grande, Buenos Aires, Argentina, para trabalhar num aglomerado inglês que se dedicava à implantação dos caminhos de ferro. Isto foi por volta de 1850 e mal chegaram foram vítimas de uma fuckin’ cuss quando o bairro mal amanhado onde os operários se amontoavam colapsou e tiveram de se mudar para San Isidro, bem mais perto do centro da capital já com uma criança nos braços, o filho Diego Brown.
Diego tornou-se numa das grandes figuras do futebol argentino. Não porque jogasse muito bem, parece que até era um cepo tão abarroado que o dispensaram de praticar o nobre desporto bretão, mas porque teve a incrível capacidade, entranhadamente proletária, de gerar catorze filhos, onze dos quais rapazes o que, se raciocinarmos com base no jogo em si, era um número vantajoso. Não formaram uma equipa, posso já desvendar, mas quase. O terceiro da fornada foi o mais famoso e ganhou cartaz ainda muito fedelho na equipa do liceu onde estudava, a Buenos Aires English High School, sob o nome de Jorge Gibson Brown, mais conhecido por ‘El Patricarcho’ pela sua forma natural de liderar os companheiros. Decidiu seguir a profissão e foi contratado pelo Lanús Athletic Club, do Barrio de Las Barracas, onde se vivia tangamente e se guardavam, mansamente, las cosas de vivir.
Em 1899, Jorge resolveu voltar ao seu antigo clube que, entretanto, se tornara a modos de uma excrescência da Buenos Aires English High School, competindo no campeonato sob o nome de Alumni Athletic Club, adoptando o termo latino que significa, precisamente, ex-alunos. Ora, o Alumni foi a primeira grande potência entre os clubes argentinos. De tal forma que até à sua precoce extinção, em 1912, ganhou dez campeonatos, três Copas de Competência Jockey Club e três Copas de Honor de Buenos Aires. Um vendaval.
Vários anos após ter abandonado fuckin’ Leith, James Brown e Mary Hope tinham o seu sangue tão entranhado no Alumni que, se fossem vivos, mereciam condecorações. Porque Jorge Gibson Brown, excelente ponta-direita que fazia uma perninha, de quando em vez, como prolífico avançado-centro, estava muito longe de jogar sozinho. Na mesma equipa juntou Alfredo, Carlos, Eliseo, Tomás, Juan e Ernesto, seus irmãos.
Os manos Brown eram a alma e o corpo do invencível Alumni. Carlos era o mais elegante, o príncipe do gambetteo, do drible e da imaginação; a Ernesto puseram a alcunha de El Pacífico, logo ele que era mau como trinta víboras e batia em todas as partes do corpo dos adversários que lhes ficassem abaixo das amígdalas. Jorge, que não tardou a ser chamado à selecção da Argentina, foi recuando no campo e fixou-se como central. Fazia dupla com Juan Domingo Brown que não, não era seu irmão, e tão somente primo direito. Mas também neto de James e Mary...
Carlos Lett foi um dos poucos jogadores do Alumni que não era Brown. Contava: «En este juego una gota de mala sangre entre dos de los jugadores pronto afecta a todo el team. Mas nosotros teniamos la sangre y el carácter de los hermanos».
O fim do Alumni, que não tinha capacidade para se reforçar com antigos alunos com qualidade que quisessem dedicar-se por inteiro a uma profissão que ganhava exigência a cada dia que passava, levou consigo os sete filho de Diego Brown. Jorge recusou-se a ser vencido pela fuckin’ cuss. Passou a jogar no Quilmes Club, um clube de ingleses fundado por ferroviários na pequena cidade do mesmo nome à beira do Rio da Prata. Estava gordo e dedicava-se cada vez mais ao cricket em pelejas renhidas no The Old Ground. Era a figura mais estimada da cidade. Ao contrário do avô não podia dizer: «nobody cares for fuckin’ me!»."
terça-feira, 17 de março de 2020
A ameaça e o desafio
"Dostoiévski escreve em 'Os Irmãos Karamazov': «Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, eu mais do que os outros»
1. Vivemos numa época de êxtase científica, onde o infinito parecer ser o limite. Temos, ao nosso dispor, uma imparável parafernália tecnológica. Universalizam-se poderosos meios virtuais de comunicação, com o que de maravilhoso e danoso nos trazem. Glorificámos o homo economicus e transformámos a economia de mercado em sociedade de mercado. Endeusámos a globalização económica e informacional e ignoramos os seus perigos morais. Valoriza-se mais o crescimento económico do que o desenvolvimento humano. Estimula-se a apologia e o elogio do sucesso, enquanto se desdenha da compaixão por quem fracassa. Fomenta-se, sem rodeios, o monopólio do ter, que tantas vezes esmaga a dignidade do ser. Desprazamos a aldeia para aumentar o urbanismo descontrolado. Vivemos prenhes da nova ideologia do actualismo, que secundariza o tempo que está para além do dia seguinte. Erguemos o utilitarismo como a ética da conveniência e o egoísmo como a ética intergeracional. Convivemos com uma insidiosa métrica do valor da vida, através da qual ser velho da vida, através da qual ser velho é um problema e nascer é uma inconveniência. Continuamos, apesar das declarações proclamatórias, a ver a natureza como uma mera coisa instrumental a usar, abusar e saquear. Exaltamos que a noção de direitos humanos é ilusória quando se separa o direito do dever. Enganamo-nos quando entre o bem e o mal criamos uma falsa e perigosa categoria ética, a da indiferença. Desbaratamos energias no domínio dos cuidados de saúde para nos envolvermos em maniqueísmos que nada resolvem e tudo enquistam. Esbanjamos investigação e dinheiro em meios de guerra nucleares, urânio enriquecido, armamento sofisticado, armas químicas, mas não temos sido capazes de erradicar a malária que mata em África, e outras doenças, só porque escolhem os pobres para seu alvo. Desmerecemos o direito natural universal que decorre da natureza humana e dos seus fins para tudo concentrar no direito positivo contingente, que, não raro, contraria o direito natural. Adulteramos o bem comum, enquanto expressão ética e dimensão social e comunitária de fazer o bem e enquanto razão de ser da autoridade política. Desvalorizamos a família como epicentro da educação, da solidariedade e de transmissão da vida, em troca do individualismo, da efemeridade e do hedonismo. Trocamos valores sólidos pelo subjectivismo e relativismo de meras opiniões que nada valem por tudo quererem valer. Dividimos a força da verdade, mas multiplicamos a mentira, o rumor, a fantasia, a calúnia e o boato. Promovemos a primazia do número e o sufoco da estatística, como formas traiçoeiras de ditar politicas e de iludir as muitas formas de exclusão e de pobreza. Satisfazemos-nos com a supremacia das circunstâncias sobre nós próprias. Reduzimos os agrupamentos humanos a arquétipos formatados em visões abstractas e objecto de decisões frias, distantes e mecânicos. Assistimos a uma Europa sem alma, sem comando, cheia de tiques de correcção política, palavrosa e convertida em euros. Deixámos de ter estadistas que viam longe, para dar lugar a política que não enxerga para além do curtíssimo prazo e alimenta (e se alimenta) de epifenómenos populares, populistas ou seja lá o que for.
Somos de um tempo em que uns acusam outros de culpas, não raro por nada de importante e por tudo de insignificante. Tão concentrados estamos nas verdadeiras ou inventadas culpas, que, tantas vezes, esquecemos as soluções ou os caminhos a trilhar. Trocámos a segurança das soluções pela pressa das impressões. Para isso, menosprezamos a memória, alimentados por uma insidiosa cultura do presentísmo e do descarte. Hoje, em muitos domínios, o que importa não é tanto fazer ou não fazer, é mais o dizer, o anunciar, o prometer. A erosão memorial é mais gratificante para quem anuncia do que para quem age. Sacrificamos o essencial, seduzidos que estamos pela obsessão da quantidade, da futilidade, senão mesmo da inutilidade. Como ilustrativamente, nos diz um provérbio, creio que chileno, «à procura de água, encontrámos petróleo e morremos à sede».
Propositadamente estou a escrever na primeira pessoa do plural, e não num mais anónimo sujeito nulo. Mas - perguntará o leitor - porquê nós, se eu não tive nada a ver com isso? Fi-lo, desde logo pensando em mim, tendo presente um texto do filósofo e eticista Emmanuel Levinas, em Ética e infinito, por sua vez baseado no que Dostoiévski, escreve em Os Irmãos Karamazov: «Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, eu mais do que os outros. Não devido a esta ou àquela culpabilidade efectivamente minha por causa de faltas que tivesse cometido, mas porque sou responsável de uma responsabilidade total».
2. Enfim,vivemos (vivíamos) numa roda aparente, enganadora e solipsista, que muitos julgavam inexpugnável. E, de repente, um vírus do tamanho de nada consegue, planetariamente, pôr em causa este estado de coisas. Um quase invisível inimigo de cerca de 500 nanómetros, isto é de 0,00000005 milímetros, ataca-nos na nossa mais sagrada e vulnerável expressão, a da vida. Perante este combate, tudo o resto de esvanece. O que ontem era importante, hoje passou a ser dispensável. O que ontem era urgente, diluiu-se na sua quase sempre falsa pressa. Ninguém sabe como esta situação vai evoluir, mas o despertar das consciências deve ser encarado como uma boa lição a tirar para o futuro. Este é um ponto que deve tornar-nos mais avisados em relação ao servilismo do dinheiro, à tirania da ambição desmedida, à pobreza espiritual e ao pendor excessivamente materialista em que muitas vidas se deixaram aprisionar. Esta guerra silenciosa que o mundo enfrenta abre-nos e alerta-nos para as verdadeiras e profundas prioridades de governantes e governados.
3. A emergência face ao Covid-19 tinha, evidentemente, de chegar ao desporto. Numa escala inimaginável até há semanas. Não há futebol. Nem basquetebol. Nem hóquei. Nem Fórmula 1. Nem todos as outras actividades desportivas. Nestes momentos, podemos melhor percepcionar como discussões acaloradas em volta de um qualquer jogo ou acontecimento desportivo são apenas parte da circunstância da própria circunstância, que tantas vezes, na emoção, nos afasta da moderação e da essencialidade.
É correcta a suspensão das competições. No futebol ainda houve (ou se chegou a admitir) jogar sem pessoas a assistir. Seria um disparate e um modo de não respeitar o direito dos atletas a também se defenderem da ameaça viral. Uma partida de futebol só interessa porque interessa a quem a possa ver. Sem espectadores, transforma-se numa comida sem sal, sem à união jogo/pessoas o futebol é insípido, incolor e inodoro. Gélido e dormente. Absolutamente desinteressante e mesmo entediante. Uma negação dele próprio. Há dias, passei os olhos por dois jogos da Champions. Um em Liverpool com o estádio cheio (o que, aliás, me pareceu de grande imprudência) para ver o Liverpool - Atlético de Madrid e outro, em paris sem espectadores entre o PSG e o Borussia Dortmund. Qualquer semelhança entre os dois é pura... condescendência.
Todas as suspensões, quer a nível de cada país, quer a nível internacional, serão seguidas, por certo,por um vazio desportivo-noticioso. Aqui, em Portugal, como podem certos canais sobreviver a este vácuo, sem se ouvirem os amanuenses de serviço e os disparates sobre minudências e adjacências futebolísticas, que, agora, se revelam cruamente como estapafúrdias?
Vai ser um período de dificuldade e um grande e inédito desafio que se coloca aos jornais e antenas desportivas. Faltar-lhes-á a matéria-prima dos jogos, dos golos, dos antes e dos depois. Neste cantinho semanal, também não fujo à regra, a não ser que divague por outras áreas.
Hoje fico por aqui, nesta tentativa, reconheço que pessimista, de observar o mundo agora confrontado com o brutal ataque de um traiçoeiro microorganismo. Mas, também, no optimismo esperançoso da lição que saibamos tirar desta ameaça. E se só o nosso comportamento pode erradicar este pesadelo, que ele sirva também para prevenirmos o nosso futuro. Mais humanidade, precisa-se!
P.S. - A quem nos cuidados de saúde e em tantas outras actividades de que agora nos apercebemos serem indispensáveis para a normalidade das nossas vidas, a minha admiração e gratidão."
Bagão Félix, in A Bola
Investir na defesa
"Pausas longas e por tempo indeterminado são também oportunidades únicas para reflexão. O universo do Benfica não é excepção. Quando pensamos no que correu mal desportivamente no que se disputou da temporada em curso, há um amplo consenso de que o problema principal da equipa está na forma como defende colectivamente. É óbvio que há uma palavra-chave nesta afirmação: colectivamente. Ou seja, o declínio acentuado do comportamento defensivo do Benfica não está apenas na defesa. Em todo caso, vale a pena reflectir sobre o que tem sido a política de contratações do Benfica para o sector recuado.
Com base nos dados disponíveis no Transfermark, comparei o número e o valor das contratações para o plantel principal ao longo de um década com o investimento feito no sector mais recuado (incluindo guarda-redes). Os números são claros: todos os anos o Benfica tem investido. Este ano, aliás, ultrapassou mesmo os 60 milhões de euros em idas ao mercado. A excepção é mesmo a época em que o Benfica abdicou do penta, na qual não se chegou aos 100 milhões em contratações - apesar de se terem batido recordes de receita (38 milhões).
O Benfica investe, mas parece existir uma directriz não escrita que determina que não se comprem defesas. Este ano, aliás, não gastou um euro que fosse num defesa para o plantel principal. Há uma explicação para a opção. Antes de tomar qualquer decisão, deve-se olhar para o Seixal. Se pensarmos na performance desportiva e no retorno financeiro, tem compensado: Lindelof, Semedo, Oblak, Ederson e David Luiz concluíram a sua formação no Benfica e foram casos de sucesso. O mesmo é verdade, agora com Rúben, Ferro e Grimaldo. E é isso que explica que o defesa mais caro que o Benfica contratou desse Roberto seja Morato (ainda um projecto de jogador).
O problema é que quando não há alternativas no Seixal, o Benfica fica paralisado e não compensa com idas ao mercado eficazes. É esse o panorama de dez anos de contratações para a defesa. Em 47 compras, penas dez jogadores tiveram utilização regular na equipa A. Não surpreende. Afinal, ao contrário do que acontece do meio-campo para a frente, em que o Benfica contrata demasiado, mas também investe em valores seguros, no sector recuado o padrão é outro. Desde 2015/16 que, com a excepção de Vlachodimos, o Benfica não contratou um único defesa que tenha contribuído para a equipa principal. A lista dá conta de um cenário aterrador-nomes irrelevantes e valores muito baixos, que denunciam falta de qualidade. Da leitura fica uma certeza - um Benfica hegemónico e competitivo na Europa obriga a um investimento na defesa que por motivos insondáveis não tem ocorrido."
O feiticeiro-marinheiro da margem sul do Tejo
"Uma surpreendente derrota do Benfica no Barreiro - a única do Campeonato Nacional de 1971-72 - trouxe à superfície uma figura até então desconhecida, António Manuel Conde de Araújo e Brito. Chamaram-lhe o Pai da Vitória. Abria novas visões sobre o futebol...
A derrota do Benfica no Barreiro, face ao Barreirense (0-1), não podia deixar de ter foros de sensação. Estávamos no final de Março de 1972, e, até aí, domingo após domingo, os encarnados iam triturando adversários. Por isso, aquela tarde no Campo D. Manuel de Melo ficou marcada a fogo nas letras do campeonato.
O treinador do Barreirense era Carlos Silva, o meu querido amigo Carlos Silva, com o qual trabalhei durante anos, com o qual reparti tantos e tantos momentos, tantas e tantas horas de conversa. Mas, curiosamente, não era o Carlos Silva que andava nas bocas do mundo. Era um bruxo, um feiticeiro... Ou melhor: um comandante da marinha portuguesa. Eu explico já aí abaixo.
António Manuel Conde de Araújo e Brito. O nome diz-vos alguma coisa? Provavelmente, não.
Tarefa: preparar psicologicamente os jogadores do Barreirense.
Não havia grandes dúvidas fora ele o maior responsável pela vitória sobre o Benfica. Fizera os seus rapazes sentirem-se capazes do impossível.
Utilizava várias técnicas até então desconhecidas entre nós. Na sua maior parte derivadas do Hata-Yoga, uma forma de, através do relaxamento, estabelecer um equilíbrio mental com visa à superação. António Manuel era um rapaz ainda novo. Tinha a cabeça cheia de sonhos. E o futuro estendia-se na sua frente como uma planície que busca o abraço das montanhas.
Essa vitória única
A vitória do Barreirense sobre o Benfica, nessa tarde de 1972, trouxe o comandante Araújo para as páginas dos jornais. 'O homem que bateu o campeão com o poder da mente!', disse dele um vespertino. Mas o próprio desvaloriza tamanha importância: 'Cabe-me, principalmente, a evocação do estímulo. Quando apresentei o meu projecto ao treinador Carlos Silva e, em seguida, à direcção do clube, mostraram-se muito interessados na minha intervenção. E os jogadores também estiveram muito disponíveis. Não vejo que haja qualquer diferença entre a preparação de um jogador de futebol ou a de outro qualquer indivíduo, independentemente da sua área profissional. O meu principal trabalho é explicar o que se pretende do seu esforço para a obtenção de um determinado objectivo'.
Simplista, no mínimo
Oitavo lugar final, entre 16 participantes: nada mau, mas também nada de particularmente extraordinário para os barreirenses.
Ainda assim, 11 vitórias. O Benfica foi campeão tranquilo, com mais 10 pontos do que o segundo classificado, o Vitória de Setúbal. O treinador encarnado era Jimmy hagan, que, ao contrário do comandante Araújo, falava pouco, muito pouco. 'Mr. No Comments!'.
Na segunda volta o Benfica vingar-se-ia com juros: 5-1!
Afirmava Araújo: 'Acho que deve ser posta à disposição de qualquer profissional de futebol uma determinada orientação psicológica que lhe possibilite combater as deficiências inerentes à sua profissão.' Aí a curiosidade despertava. E quais são? Quais são? O homem, impávido:
'O futebol provoca todo o tipo de conflitos de carácter muito particular e que também afecta de forma muito intensa a massa de adeptos'. O comandante procurava ir ao mais longe possível no seu estudo: 'A acção de um psicológico junto de cada uma das equipas da I Divisão, por exemplo, parece-me inevitável e indispensável. Talvez assim muitas das situações desagradáveis que decorrem em campo ou nas bancadas pudessem ser evitadas'.
Passaram-se décadas. Hoje em dia, as equipas não dispensam os psicológicos. Mas terão sido debelados os problemas? Nos campos? Nas bancadas? Não me parece.
Além do mais, depois de o comandante Araújo ter surgido à boca de cena, rapidamente surgiu alguém a recordar Bélla Guttmann: havia lá treinador mais psicológico do que ele? O húngaro mágico cujas palavras podiam mudar o destino de um jogo?
'Procuro ajudar os jogadores a relaxarem', dizia o homem que todos apontavam como grande responsável pela vitória do Barreirense sobre o Benfica (a única derrota das águias nesse campeonato, ainda por cima!). 'Quero combater alguns dos males desta nossa época, como são os casos do stress e do surmenage, a angústia e a depressão, e admito recorrer à hipnose para isso - para garantir uma área no cérebro a que chamo de 'ponto vigilante'.'
Quanto à pergunta fundamental - qual fora a contribuição do comandante/psicólogo para o triunfo dos barreirenses? -, ele reduzia-a a um momento: 'Provoquei, nos balneários antes do jogo, uma experiência desconfortável. Resolvê-la, libertou-os. Tirou-lhe um peso de cima, tornou-os mais disponíveis. Mais próximos de conseguirem abater um adversário, decididamente mais forte'.
O marinheiro-feiticeiro estava na moda. Mas não tardou a desaparecer na espuma dos dias..."
Afonso de Melo, in O Benfica
Caldas da Rainha, capital do Benfica
"A Casa do Benfica nas Caldas vestiu as ruas da sua cidade de encarnado durante três dias.
'A alma do Benfica sempre foi e sempre deverá ser a sua massa associativa', lê-se na nota introdutória, assinada pelo presidente Borges Coutinho, no Relatório e Contas de 1972. A expressão máxima dessa simbiose entre Clube e sócios ocorreu em Julho de 1972, durante o I Encontro Nacional do Benfica, um evento inédito no desporto português, organizado pela Casa do Benfica nas Caldas da Rainha.
Sem olhar a esforços e com o apoio do Clube, da Direcção-Geral do Turismo e da Câmara Municipal caldense, a cidade da Estremadura viveu uma das mais grandiosas manifestações de 'ideal clubista'. Com o objectivo de se conhecerem e mostrarem a todos 'que somos realmente uma família', o evento reuniu representantes do Benfica além e aquém-fronteiras que fizeram das Caldas da Rainha a capital do Benfica durante três dias.
O vasto e aliciante programa incluía desfiles de núcleos benfiquistas pelos vários pontos da cidade, colóquios onde se discutiram as relações sociais e desportivas do Clube, concursos de cinema amador, sardinhadas na mata Rainha D. Leonor regadas a água-pé e até ofertas para os participantes que se deslocassem à cidade com o meio de transporte mais original!
O ponto alto do Encontro foi a Noite de Chama Benfiquista, um sarau artístico que decorreu no recinto desportivo do Caldas SC, o Campo da Mata. A noite começou com a actuação do coro da Universidade de Ohio (EUA), composto por 150 jovens, seguida de interpretações de folclore da Suíça, Itália, França e Portugal, pelo Orfeão do Benfica. Houve também um momento de leitura de poesia acerca da cidade das Caldas da Rainha e uma actuação memorável de Fernando Tordo. A noite fechou com uma fogueira 'vibrantemente «à Benfica»', ateada pelos campistas do Clube.
Este evento, 'que beneficiou o desporto e o turismo', foi a confirmação de que o Sport Lisboa e Benfica não se confina aos limites da capital e que mesmo os sócios que vivem distanciados do centro 'mantém bem alta e viva a imorredoura chama benfiquista'. Para casa, o Benfica trouxe um emblema com o brasão das Caldas da Rainha, a Medalha de Mérito Desportivo da cidade, com a qual foi agraciado, e 50 mil escudos que conseguiu angariar para a construção da Cidade Desportiva.
Para saber mais sobre o associativismo do Clube, visite a área 16 - Outros Voos, no Museu Benfica - Cosme Damião."
Marisa Furtado, in O Benfica
Fundação Benfica e GNR apoiam idosos isolados
"O Sport Lisboa e Benfica, através da Fundação Benfica, e a Guarda Nacional Republicana (GNR) estabeleceram e iniciaram uma parceria que permitirá atribuir um apoio social de emergência a cerca de 3000 idosos isolados e já sinalizados ao abrigo do "Programa Apoio 65 – Idosos em Segurança", iniciativa do Ministério da Administração Interna, e implementada pela GNR.
Trata-se de uma decisão e medida implementada de forma atempada e que procura actuar, desde já, junto de um dos grupos de maior fragilidade a nível nacional e que, face ao contexto de pandemia associada ao novo coronavírus, ficará, naturalmente, mais exposto pela quebra de parte da sua rede de suporte que se perspectiva.
A iniciativa passará, especificamente, numa primeira fase pela atribuição de 3000 packs alimentares individuais sob a sigla "Juntos cuidamos de si" e reforçará o objectivo do Programa já em curso de forte proximidade junto deste grupo de elevado risco, dado tratar-se dos 3000 casos de maior fragilidade social entre o total de 41 000 envolvidos no Programa.
Adicionalmente foram já adquiridos 3 ventiladores que serão colocados à disposição do Serviço Nacional de Saúde, designadamente com destino a Hospitais da Área Metropolitana de Lisboa, Porto e Coimbra.
Mais se informa que para além da manutenção permanente da ligação da Fundação Benfica com os seus beneficiários directos e respectivas famílias, daremos ainda continuidade ao trabalho de avaliação contínua do cenário de pandemia que vivemos e procuraremos encontrar, entretanto, novas formas inovadoras de contribuir positivamente enquanto parceira activa do Estado e da Sociedade Civil."
Mensagem do Capitão Jardel
"Estamos juntos!
Cada um em sua casa! Longe do Seixal, do Estádio da Luz e dos nossos adeptos. Mas, na verdade, sempre juntos! A terrível notícia de que nos iríamos separar temporariamente, na verdade, acabou por nos aproximar ainda mais. Ou, pelo menos, de outra forma.
O plantel do Benfica, mas também a equipa técnica e todos aqueles que habitualmente trabalham connosco no Seixal, tem estado em contacto diário. Seja para tirar alguma dúvida sobre tudo o que ficou programado para a preparação que estamos a cumprir, seja para resolver qualquer nova situação, seja, simplesmente, para termos notícias uns dos outros e, como é óbvio, das respectivas famílias.
Estão a ser dias diferentes, que nunca nenhum de nós alguma vez pensou viver. Aquilo a que estamos a assistir diariamente pela televisão e pelas notícias que chegam a cada segundo, das mais diferentes formas, alterou a nossa forma de olhar o mundo. Era inevitável. Nunca se está preparado para uma situação destas, mas agora não adianta mais: o problema existe. Dizem-nos que o pior ainda está para vir, mas temos de apelar ao mais alto sentido de responsabilidade de cada um de nós e fazer aquilo que nos compete. Proteger-nos, a nós e às nossas famílias, e ao mesmo tempo continuar a cumprir, da melhor forma possível, as nossas obrigações profissionais.
Mesmo em tempos de incerteza, temos a consciência do papel que nos cabe e aquilo que de nós esperam os adeptos do Benfica. O futebol está em suspenso, tal como o mundo, mas vamo-nos preparando, dia após dia, como se o próximo jogo chegasse já no sábado! Sabemos que não vai ser assim, infelizmente, mas é nesse reencontro com os adeptos e com aquilo que mais gostamos de fazer que vamos buscando motivação para seguir em frente.
No dia em que nos despedimos uns dos outros, no balneário, sabíamos que iria ter de passar um tempo (grande, provavelmente) até nos podermos voltar a reunir ali naquele mesmo sítio. Cada dia que passa... é menos um dia que falta. Tenhamos paciência, coragem e fé. O mais importante é ultrapassarmos este período negro, que a todos ameaça, e podermos voltar a fazer aquilo que gostamos. E para quem gostamos. Mesmo que cada um esteja, por agora, em sua casa, esta vitória será conseguida da mesma forma que foram todas as outras: Juntos!
Jardel, capitão do Sport Lisboa e Benfica"
Cadomblé do Vata (Campeões do Covid-19!!!)
"Apenas e só porque o FC Porto faz questão de manter o tema na ordem do dia, permitam-me opinar acerca da questão "Campeonato Nacional de Futebol": a menos que sejam garantidas condições sociais e sanitárias para disputar as últimas jornadas com adeptos, o campeonato deverá ser anulado. Qualquer outra forma de definição de campeão (play off, classificação actual ou classificação no final da primeira volta) será desvirtuar a essência fundamental da competição.
O SL Benfica tem que assumir isto publicamente com a máxima brevidade. E quem queira ficar com o caneco noutras condições que não contemplem o término normal das 34 jornadas, que fique com ele. A esse clube assentará que nem uma luva o título de Campeão do Coronavírus. Agradeço solenemente que não seja o SL Benfica a cometer tamanha estupidez. Não é esse 38 que os adeptos pediram ao longo do ano. Os Benfiquistas têm que dar uma demonstração cabal, de que não aceitarão ser campeões nestas condições."
Cadomblé do Vata (Dia de São Trap...)
"Superliga 04/05 - 33ª Jornada - 14/05/2005 - Estádio da Luz
SL Benfica 1-0 Sporting CP
1. Só falta 1 ponto, 1 reles pontinho, a merda de 1 ponteco... o equivalente classificativo do peso do Liedson.
2. É vergonhosa a forma como o cinema italiano é subvalorizado na cena cinéfila mundial... veja-se por exemplo como Alfred Hitchcock é considerado o "Mestre do Suspense", quando a Península Itálica deu ao mundo Giovanni Trapattoni.
3. Lance do golo que pode resumir o futuro próximo de 2 clubes: saída em falso do Ricardo e cabeceamento vitorioso do Luisão... Benfica perto de conquistar o caneco de "Campeão Nacional" e Sporting à beira de apenas festejar o título de "Roubamos-vos o Labreca".
4. Entre duas equipas com semelhantes limitações, venceu a que melhor as soube disfarçar... nós ganhamos com um ponta de lança sem rótulas, eles perderam com o Pinilla.
5. Nas últimas semanas, muito se tem falado nas limitações físicas do Simão, mas só hoje ficou à vista o estado em que ele se encontra... quando o capitão nem ao Sporting consegue marcar, é porque está mesmo de rastos.
Parabéns Grande Mestre "Trap"."
Hoje só escrevo sobre bola!
"Durante algum tempo, desaparecem de Portugal os três efes: Fátima, futebol e fado! O mais grave, o futebol! As mulheres têm finalmente os maridos vinte e quatro horas em casa, mas, sem futebol, eles não vão ficar a bater bem da bola!
Esta noite sonhei que tinha telefonado ao Frederico:
- Olá, como estás? Tudo bem contigo?
- Mais ou menos, como podes calcular. Nem queiras saber como vim encontrar o nosso clube!
- Imagino. Diz-me lá, como é que foi aquela história dos 10 milhões pelo Rúben Amorim? Disseste numa entrevista que o dinheiro não prejudicava o Sporting? Que do Sporting não saía nada. Então como é que vais pagar 10 milhões?
- O Sporting não vai pagar nada. Pagaram pelo Sporting!
- Quem é que pagou?
- Não te posso dizer. O dinheiro veio do Norte. Veio de uma zona entre Aveiro e Braga. Não posso acrescentar mais nada. E eu, que me queria ver livre do Silas, aproveitei. Fiquei com um grande treinador, de borla.
- Então, quer dizer, isto foi tudo para obrigar o LFV a ficar com o Lage?
(Desligou-me o telefone)
Acordei a suar! Que sonho mais idiota!
Li, algures, que o presidente do Sporting ia pedir um adiantamento de duzentos e tal milhões à Nos sobre as transmissões dos jogos até 2029! (Estou a citar de memória). Este também já não anda a bater bem da bola!
Aliás, com esta histeria causada pelo vírus, corre-se o perigo do país inteiro não ficar a bater bem da bola! Desde a frase do cantor Nel Monteiro ("Sempre fui fã do Salazar. Foi um grande governante!"), até aos artigos e discursos do André Ventura, que parecem cópias das oratórias de Goebbels e Speer, do III Reich, o país corre o perigo de ver muitos dos seus cidadãos recorrerem à psiquiatria, e ficarem internados! A bater mal da bola!
Em cima
Aos médicos, enfermeiros e todos os técnicos de saúde, muito obrigado.
Em baixo
Tudo. Ou quase tudo!"
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