Últimas indefectivações

sábado, 24 de agosto de 2019

Antevisão SL Benfica x FC Porto

"⚽ Liga NOS - 3ª Jornada
📅 Sábado, 24 de Agosto de 2019
⏰ 19h:00m
🏟 Estádio do Sport Lisboa e Benfica
📺 BTV
Amanhã é dia de Clássico! Rufem os tambores!! Vem daí o Campeão para o jogo grande na Luz! O mundo vermelho e branco pára amanhã às 19H e antes, como não poderia faltar, trago-vos a melhor antevisão do mundo!
🔴⚪ Benfica
▶ Rendimento e interacção entre Pizzi e Rafa;
▶ Ligação setorial feita em passe através de Ferro;
▶ Rendimento de Vlachodimos na defesa da baliza;
▶ Deslocamento e velocidade de aceleração do Rafa furando linhas em condução sobretudo a linha média;
▶ Comportamentos defensivos do Florentino.
🔵⚪ FC Porto
▶ Profundidade e objectividade dada pelo o modelo de jogo;
▶ Sistema de 4-4-2 pode causar dificuldades devido à profundidade dada pelo seus avançados aliados às suas capacidades condicionais;
▶ Linhas altas e articuladas podem trazer dificuldades à organização ofensiva do Sport Lisboa e Benfica;
▶ Rendimento de Zé Luís -> Jogador do momento e numa forma interessante. Completo ao nível de acções ofensivas;
▶ Luís Diaz: tecnicamente evoluído ao nível do passe e ao nível da simulação que precedente a mudança de velocidade durante a finta.
Onze provável do Benfica:
Homero
Grimaldo, Ferro, Rúben Dias, Nuno Tavares
Florentino, Samaris, Rafa, Pizzi
Seferovic e Raúl de Tomás
Histórico de Confrontos:
07/10/2018: SL Benfica 1x0 FC Porto
15/04/2018: SL Benfica 0x1 FC Porto
01/04/2017: SL Benfica 1x1 FC Porto
12/02/2016: SL Benfica 1x2 FC Porto
26/04/2015: SL Benfica 0x0 FC Porto
🔮 Palpite da Magda
SL Benfica 2x0 FC Porto
Vamos com tudo e amanhã já sabem, Benficar até mais não e passar a mística! O Benfica somos nós!"

Antevisão SL Benfica – FC Porto: Liga 19/20 dá à Luz o clássico primogénito

"Campeão e vice-campeão defrontam-se pela primeira vez na época 2019/2020, em partida a contar para a terceira jornada da Liga Portuguesa. Velhos conhecidos com caras novas, que podem fazer cair o velho chavão, reiterado por Sérgio Conceição na sua antevisão, que reza que “não há segredos entre as duas equipas”. Há-os. Não muitos, mas talvez os suficientes para fazer pender a balança que se espera equilibrada. Ainda que os treinadores de ambos os clubes tenham transitado da época transacta, a grande remodelação por que passou o FC Porto e o ingresso no SL Benfica de novos activos podem trazer novidades ao clássico, a começar pelos 22 jogadores que vão iniciar a partida.
A equipa da casa não deve fugir do seu esquema habitual de 4-4-2, residindo a única dúvida na frente de ataque: manterá R.D.T a titularidade ou terá Seferovic novo parceiro? Pelo que tem mostrado e, sobretudo, trabalhado, Raul de Tomas deve continuar no 11 inicial, tentando desgastar os centrais Pepe e Marcano e tentando evitar que Danilo faça a ligação entre as duas primeiras linhas. Assim, o SL Benfica deve começar o jogo com o onze que derrotou o Paços de Ferreira FC e o Belenenses SAD: Vlachodimos; Nuno Tavares, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Florentino, Samaris, Pizzi e Rafa; Raul de Tomas e Seferovic.
Por sua vez, o FC Porto é mais imprevisível. Como abordado na conferência de antevisão de Bruno Lage, os visitantes podem apostar em um de dois esquemas (ou até alternar entre ambos, consoante as exigências da partida), um 4-4-2 em forma semelhante ao aplicado pelo SL Benfica, mas um pouco diferente em conteúdo, ou um 4-3-3, dando força e consistência ao seu meio-campo e procurando anular o poder de desarme de Florentino e o poder de choque de Samaris, além de tentar prevenir os movimentos interiores de Pizzi e Rafa. Essa indefinição aliada aos novos nomes que compõem o plantel azul e branco – e até pela polivalência de jogadores como Romário Baró ou mesmo Marega – tornam difícil antever o onze inicial portista do meio-campo em diante.
Na defesa, Conceição não deve substituir qualquer peça em relação à receção vitoriosa ao Vitória FC – Marchesín; Corona, Pepe, Marcano e Telles. As apostas sem retorno claro em Manafá e, em particular, em Saravia, levaram o treinador portista a optar pela adaptação de Corona à posição de lateral direito e essa escolha deve manter-se, ainda que a utilização de Manafá, conhecedor do futebol português, fazendo subir Corona, não seja descabida, dependendo do que Sérgio Conceição queira retirar do jogo.
Caso opte por um meio-campo a três, Danilo, Uribe e Baró são as opções mais viáveis, perante as ausências de Sérgio Oliveira, Loum e Nakajima. Num meio-campo a dois, os dois primeiros – mais experientes – deverão ser os escolhidos. Em boa forma, Luís Díaz deve manter-se na equipa, como ala ou extremo, mediante o sistema, à semelhança de Zé Luís, que jogará sozinho na frente em 4-3-3 ou na companhia de Marega em 4-4-2.
Também imprevisível é o resultado. Um clássico é um momento único na linha temporal da Liga Portuguesa, não estando sujeito a fatores como momento de forma, classificação, clássicos anteriores ou mesmo o factor casa (o FC Porto tem-se dado bem no novo Estádio da Luz). Apenas a qualidade do jogo não é imprevisível. Essa está sempre garantida. Todos os restantes prognósticos… só no fim."

João Félix foi bem vendido?

"Reparem que lanço o tema numa forma de questão e não numa forma de afirmação. O João Félix foi ou não bem vendido? A resposta imediata é que sim. Mas julgo que merece outro tipo de reflexão.
Há já alguns anos que a SAD do Benfica tem tido sempre lucro operacional. Ou seja, aquilo que faz a vender bilhetes, patrocínios e nas transmissões televisivas dá para pagar os salários e prémios dos jogadores, custos de manutenção do estádio e outras infraestruturas, custos com a estrutura, impostos, etc. No último ano o Benfica bateu mesmo o record em receitas operacionais. Tudo aponta para que este ano volte a acontecer. Fomos à ICC, entrámos na Champions no Pote 2, venderam-se mais redpasses, já temos mercado secundário dos bilhetes, o preço dos bilhetes e dos redpasses voltou a aumentar, etc. Longe vão os tempos em que o Benfica tinha que vender para contrabalançar o resultado operacional.
A nível de vendas de jogadores sem contar com João Félix, o Benfica fez 38M em Raúl Jiménez, 22M em Luka Jovic, 9.2M em André Carrillo e 7M em Eduardo Salvio, prefazendo um total de 76.2M. Aos quais ainda podemos acrescentar mais algumas receitas como 1M pelo empréstimo de Bruno Varela ou 1.5M pela venda do Reinildo Mandava para o Lille. A nível de contratações, o Benfica gastou 20M em Raul de Tomas, 17M em Carlos Vinícius, 4M em Chiquinho e 3M em Jhonder Cádiz, um total de 44M. Ou seja, mesmo sem vender João Félix, o Benfica teria um resultado positivo na venda-compra de jogadores.
Na sua última entrevista à Exame, Domingos Soares de Oliveira disse que "dívida a bancos à data de hoje são cerca de 10M, (...) as dívidas a fornecedores são muito inferiores aquilo que os clientes nos devem a nós, (...) os empréstimos obrigacionistas somam cerca de 120M. Eu posso acabar com os obrigacionistas, mas os detentores de obrigações pedem que não o faça.", concluindo com "o nosso espírito não é pôr a dívida a zero, acho até uma má gestão uma empresa não ter algum nível de dívida. (...) Para uma empresa que fatura hoje 300M, ter uma dívida financeira na casa dos 130M parece-me já bastante equilibrado". Ou seja, o Benfica não vai utilizar o dinheiro da venda de João Félix para abater Passivo. Na opinião de DSO, e de qualquer pessoa que tenha estudado minimamente Corporate Finance nos últimos 20 anos, não ter qualquer nível de dívida é até um acto de má gestão.
O Benfica tem feito imensas renovações. O que poderá indicar os mais distraídos que no próximo ano os custos salariais vão disparar. No entanto, nos últimos 12 meses saíram Jonas, Luisão, Salvio, Ferreyra e Castillo. Cinco jogadores que estavam no topo da lista dos mais bem pagos. Logo há margem para aumentar vários jogadores pois abriu-se uma grande folga com estas cinco saídas. A massa salarial até pode aumentar, mas nunca será muito significativamente e não vai colocar o lucro operacional em risco, que na verdade já tinha uma margem bem significativa.
Eu sou sócio do clube SL Benfica. Tenho acções da Benfica SAD. Não recebo dividendos nem do clube, nem da SAD, porque nenhum paga dividendos - nem devem pagar. O Benfica tem tido lucros operacionais de forma recorrente. Mesmo sem a venda de João Félix teria um resultado positivo na venda-compra de jogadores. O CEO da SAD diz-me na entrevista mais recente que não vai baixar muito o passivo e que não ter qualquer nível de dívida é até um acto de má gestão. A massa salarial até pode aumentar, mas não muito significativamente. E agora, depois de tudo isto volto a perguntar: João Félix foi bem vendido? Eu acho que não. A resposta do clube à venda de João Félix foi pagar 12M a Jorge Mendes e 17M à Nápoles pelo Carlos Vinícius. Vamos ficar com cerca de 91M em caixa parados. No relvado saiu um jogador com potencial para ser o melhor do mundo para entrar um bom jogador para o banco. Não se contratou um guarda-redes como se tentou durante todo o verão. Não se substituiu jogadores como Cervi por outros de melhor qualidade. Foi literalmente uma troca de João Félix por Carlos Vinícius e ter uma conta recheada de dinheiro.
Se 120M é um preço justo por João Félix aos 19 anos? Sem dúvida que é. Se o Benfica poderia ter recusado a proposta e vendê-lo para o ano visto que neste ano não ia dar grande uso ao dinheiro? Para mim parece-me claro que sim. Vão-me dizer que o jogador quis ir embora. Se o Benfica tivesse recusado a proposta do Atlético, o que é que o jogador ia fazer? Recusar-se a jogar até 2023 e acabar com a sua carreira antes de ela sequer começar? Tantos clubes conseguem segurar os seus jogadores. Já nós é sempre passado uns meses de se estrearem.
O Atlético não bateu a cláusula. O próprio DSO admitiu isto na entrevista à Exame. Ofereceu o valor da cláusula. Mas não a bateu. O Benfica vendeu o jogador porque quis. Poderia ter recusado a proposta."

Benfiquismo (MCCLXXI)

Contra tudo e...

Uma Semana do Melhor... com o Moleiro!

Jogo Limpo... Seara, Coelho & Guerra

Inútil inventar favoritismo

"Uma vitória do Benfica era muito boa, para o Sporting mudava a crise de latitude e daria paz para um emblema em depressão

O Benfica venceu no Jamor o Belenenses num jogo tradicionalmente difícil, com uma arbitragem tradicionalmente adversa e um relvado tradicionalmente impraticável. A escorregadela do Rúben não foi suficiente para o Benfica escorregar e a troca de pés do Nuno Tavares não trocou as voltas ao destino de vitória.
Foi uma vitória importante, muito justa dum Benfica que ainda vai melhorar para ficar mais perto das ambições de Bruno Lage. Gostei bastante do jogo contra o Belenenses porque senti o Benfica muito comprometido com a vitória, muito focado no objectivo onde nem os penáltis por marcar e os golos mal anulados desviaram a equipa da rota.
Mais uma bela resposta com a entrada de Chiquinho, hoje não restam dúvidas nos adeptos sobre o acerto e utilidade desta contratação. Ficam os avisos de um campeonato com um início atípico, onde qualquer conclusão arrisca-se a ser precipitada. No nosso futebol, longo prazo tem três dias.
O Benfica - Porto de amanhã não decide nada mas marcará o ambiente futebolístico do próximo mês. Uma vitória do Benfica era muito boa, para o Sporting mudava a crise de latitude e daria paz para um emblema em depressão.
Uma vitória do Porto enchia os Aliados e ninguém notava se houvesse desconto de receitas futuras. Para os adeptos o futebol é momento, para dirigentes competentes tem que ser mais qualquer coisa.
Os adeptos só olham para os números da tabela classificativa, aos dirigentes exige-se que vejam outros números, aqueles que asseguram a continuidade dos emblemas. Um clássico é sempre um jogo de tripla, qualquer resultado é possível e é tarefa inútil inventar favoritismo ou vantagens. Neste momento a única realidade palpável e de relevo são os três pontos a mais na tabela classificativa.
Impossível parece ser a tarefa de Frederico Varandas. Os adeptos pedem-lhe para segurar Bruno Fernandes, mesmo vendendo outros jogadores menos determinantes mas na primeira tentativa do presidente de cumprir este objectivo caem-lhe em cima sem misericórdia.
Nem era suposto ser eu a defender o presidente leonino, mas reconheço que assim é impossível governar uma casa que não aceita governo. Agora é que eu percebo aquela idade antiga que «o Sporting é um clube diferente»."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória... com obra de arte!!!

Benfica B 2 - 1 Oliveirense


Mais uma vitória, com mais um grande golo do Umaro... mais uma vez decisivo, a entrada do jovem, mudou completamente o jogo!!!

O jogo foi equilibrado, com poucas oportunidades, muito jogo a meio-campo, mas poucos desequilibros. Com o Umaro e o Vinícius no banco, perdemos capacidade de 'inventar'... o ano passado jogámos com o Willock e o Jota em muitas ocasiões!

Além do Umaro, destaco mais uma vez o Brito, vai dar o 'salto' rapidamente!!! O Tomás Tavares fez o primeiro jogo após as mini-férias, mas está impressionante nos duelos defensivos!!!
Ainda em relação ao Umaro: além das qualidades técnicas, existem jogadores que têm 'algo' extra, algo que não é possível de explicar, e o Umato tem isso... Tem golo, tem drible, é competitivo, tem velocidade e tem a tal característica extra, que vai fazer dele um grande jogador!!!

Duplas

"Não me preocupa o golo solitário da autoria da nossa dupla de avançados nas três partidas efectuadas. Os espaços aproveitados por Rafa - o saco de pancada predilecto no futebol português - e Pizzi para somarem já seis golos não surgem de geração espontânea, sendo determinantes as movimentações de Seferovic e Raul de Tomás para que os nossos extremos se evidenciem na finalização.
Porém, até poderiam ser dois, ambos de Seferovic, não fosse a excessivamente zelosa e minuciosa, mas nem por isso acertada, análise do lance que daria o segundo golo benfiquista no Jamor.
O que se seguiu pareceu uma cena de um episódio especial de CSI Miami, com participação do protagonista da sua filial em Nova Iorque. Mas não eram Caruso e Sinise a contracenar, eram antes Veríssimo e Xistra, duas faces da mesma moeda, aquela que só no mercado da incompetência tem valor, já que não acredito que ainda exista o mercado da fruta, cujo chão já deu os cafés com leite que tinha a dar. Estranha dupla esta que escrutina golos do Benfica até à exaustão em busca de um detalhe que lhe permita decidir convicta, mas erradamente.
Apelo, assim, às mais altas instâncias benfiquistas que ordenem cabelo rapado e unhas cortadas bem rentes aos nossos jogadores. O uso de botas do número abaixo é recomendável. E, se não foi inconveniente, que agendem operações plásticas de remoção do nariz de cada um dos nossos atletas. Todos os milímetros contam! E a Lage peço que jogue em 1-9-1, com todos os jogadores atrás da linha de meio-campo, deixando Rafa, partindo de trás, jogar um contra onze. Continuaríamos a ganhar e talvez não fosse possível que esta dupla inefável nos anulasse mais um golo por pretenso fora-de-jogo."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Perestroika

"Quando a coisa aperta, cada equipa encontra a sua forma de lidar com o insucesso. No SL Benfica aprende-se com os erros e trabalha-se mais. No SC Braga, contrata-se um treinador com provas dadas na luta livre. No Sporting CP despacha-se meia equipa ao preço da uva-mijona e sonha-se com milagres de vender jogadores ao Real Madrid. No FC Porto, inventa-se um inimigo externo (de preferência lisboeta para espalhar melhor a mensagem regionalista), dá-se uns murros na mesa e jura-se dedicação eterna a uma causa perdida.
Reestruturação? É um palavrão, mas não tão ofensivo como se escuta constantemente no seio das claques organizadas que atacam mais o adversário do que apoiam a sua equipa. Perceber que um estilo está fora de moda? Impensável para quem continua a vestir a mesma roupa das boutiques de Vigo dos tempos do Apito Dourado. Assumir falhas? Era só o que faltava, eles são tão perfeitos e diferentes, que vão para a segunda seca de 18 anos sem um campeonato. E ainda estamos a contar...
O futebol português e os seus agentes precisam de ser humildes. Precisam de entender que não sabem tudo e que os métodos dos anos 80 já só fazem sentido nas séries que retratam mafiosos e delinquentes de baixo nível. Precisam de entender a sua insignificância estatística. O número de espectadores nos estádios nacionais - com excepção da Catedral e nos jogos do Benfica nas Antas, Campo Grande e Pedreira - é ridículo. Na partida da equipa de Belém com o campeão nacional, no Jamor, estavam quase 18 mil pessoas. Mais do que no Vitória FC - Boavista FC, um potencial clássico com objectivos europeus. Equipas a mais, incompetentes em demasia e métodos ultrapassados. É assim a principal liga de futebol em Portugal."

Ricardo Santos, in O Benfica

À Benfica

"No final da vitória sobre o Belenenses, um jornalista interrogou Bruno Lage acerca do clássico de amanhã, perguntando se será decisivo. Eu acho que é. Assim que o jogo terminar, ficarão a restar singelos 93 pontos em disputa, o que limita por completo as ambições do clube que sair a perder. Em caso de derrota ou empate, sobram apenas 31 jogos ao FCP para tentar recuperar a desvantagem pontual, portanto será mesmo um duelo de vida ou morte.
Eu espero que nenhum benfiquista se deixe embalar por esta ilusão que paira no ar de que é importante manter os pés bem assentes no chão e evitar qualquer euforia antecipada, como se fosse sequer possível olhar para o campeonato de outra forma. Pelo modo como os jornalistas têm interpelado Bruno Lage e os adeptos, até parece que o Benfica leva 15 pontos de avanço do segundo classificado. Calma. Para haver uma daquelas festas de arromba em Maio e descobrimos se o Chiquinho é tão bom a beber cerveja como a encantar as bancadas quando toca na bola, então ainda será necessário melhorar os processos de jogo, manter a humildade e, sobretudo, contratar uma massagista particular para assistir o Rafa no final dos jogos.
Só um Benfica em plena forma poderá vencer o clássico. Sinto que já estamos soltos das amarras do FCP - não há que negar essa condição, mas sim trabalhar para que não volte a subsistir - e, desta vez, são os portistas que estão com algum receio do jogo na Luz. A vida dá muitas voltas, e a forma como os adeptos de cada emblema aguardam o clássico deu uma volta gigante. Chegou a hora de provar que o Inferno existe, e ninguém é aconselhado a lá entrar: jogar à Benfica e ganhar sem espinhas. Vamos!"

Pedro Soares, in O Benfica

Juntos e unidos

"Foi num ambiente extraordinário que vencemos o Belenenses. Confesso que este jogo me tirou o sono. Não foi por acaso que nos últimos três jogos frente à equipa orientada por Silas não vencemos. O futebol também é feito de fantasmas. Por vezes, as grandes equipas têm imensa dificuldade em superar alguns adversários. Parece ironia do destino, mas a verdade é que na época passada merecemos vencer os dois jogos frente ao Belenenses, e o melhor que conseguimos foi conquistar apenas um ponto. Já para não falar no trauma da época em que perdemos o penta, com um empate no Restelo mesmo no final da partida e graças à inspiração do genial Jonas. Já não temos nem Jonas, nem Salvio, nem João Félix, mas temos jogadores que se entregam ao jogo com um compromisso tal, que impressiona. As exibições de Rafa, Pizzi, Florentino e de todos os elementos do sector defensivo foram notáveis. O SL Benfica continua sem sofrer golos, e esse feito deve-se não apenas às prestações de Odysseas, Nuno Tavares, Rúben Dias Fero e Grimaldo, mas também a toda a equipa. RDT continua a espalhar a sua classe pelos relvados portugueses, e acredito que poderá já neste sábado dar-nos uma tremenda alegria. Todos reconhecem a insuspeita qualidade do ex-Real Madrid. Para o clássico, Bruno Lage e a sua competente e multidisciplinar equipa técnica poderão surpreender. Sim, porque os grandes jogos ganham-se, também assim. O FC Porto é uma equipa temível, e não acredito que a sua eliminação da Liga dos Campeões vá condicionar o clássico.
Só um Benfica unido, dentro e fora do campo, conseguirá vencer o próximo jogo."

Pedro Guerra, in O Benfica

Um estádio cheio de valores!

"Chegavam para encher o Estádio da Luz e ainda sobravam 10000. Seria assim se pudéssemos juntar duma só vez na nossa casa todas as crianças que passaram pelo projecto KidFun até hoje. Não corremos pelos números, mas pelas valores e por cada uma das crianças, mas gostamos de olhar para trás e apreciar a dimensão deste Benfica social que vai fazendo jus ao nome. Porque já sabemos que ser Benfica é ser grande, e a Fundação não poderia ser excepção a esta regra de ouro a que o ovo chama com carinho 'Universo Benfica'.
Não são todas benfiquistas estas crianças, nem as suas famílias.
A maioria é-o com certeza porque o Sport Lisboa e Benfica é, hoje como ontem, uma realidade esmagadora em Portugal e na lusofonia. Estende-se mesmo para além do verbo de Camões e começa a internacionalizar-se para lá das barreiras linguísticas.
Não são todas benfiquistas, dizia, mas todas ouviram falar pela primeira vez nos valores e na sua importância no desporto e na vida através do projecto KidFun, que não se importa de atravessar Portugal inteiro para ir a cada escola, tocar cada criança, de norte a sul, nas multidões da cidade como nas turmas pequenitas das escolas rurais.
É uma mensagem importante para comunidades e famílias, esta preocupação de ir a cada lugar e colocar a ética e os valores humanistas no topo da agenda, sem clubismos nem falsos interesses, com um só foco e uma só agenda: as crianças e os valores!
Isso valeu-nos já diversos reconhecimentos, fomos pioneiros na bandeira da ética, e continuamos a ser destacados como uma prática exemplar, mas o que nos enche de alegria são os sorrisos e os conteúdos de uma riqueza e diversidade extraordinárias que as crianças produzem sobre o que deveria ser o planeta fantástico. Seria bom um dia viver nesse mundo de valores acima de tudo que as crianças conseguem imaginar e para o qual a Fundação Benfica dá, orgulhosa e incansavelmente, a sua contribuição.
Obrigado, Kids!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Os amigos e os atletas do Benfica

"Foi sempre pela renovação de uma mesma ideia-forte, composta de dois temas aparentemente muito diferentes, que os benfiquistas sedimentaram a conjunção de diversidade de factores determinantes do que hoje constitui a nossa identidade colectiva. Essa ideia primacial atendeu à vontade de, primeiro, sabermos competir com nós mesmos; de nos sabermos superar a nós próprios, no esforço inferior de dominarmos os nossos meros impulsos individualistas; a, transformando depois a força assim gerada no plano estritamente pessoal, produzir em equipas, as energias conjuntas com que conseguimos vencer as competições que temos a disputar com os outros.
Na génese da história do desporto em Portugal, em que, de facto, não fomos dos primeiros a competir, soubemos apurar e aproveitar, melhor e mais depressa, o verdadeiro sentido do esforço pessoal dos atletas que representavam as cores vermelha e branca que nos distinguiam e, depois, carreá-las, cada vez mais de modo progressivamente mais organizado e sistemático, a favor dos dispositivos colectivos que desde cedo nos haviam de levar com determinação às vitórias.
Foi assim que o Benfica nasceu entre amigos, cresceu e se desenvolveu entre atletas e se entranhou, como campeão assumido, competente e regular, sendo sempre um amplo espelho do país e, no desporto, a portentosa instituição de absoluta referência profundamente enraizada no seio do povo português.
É como campeão sistemático que o Benfica é agora reconhecido em Portugal e no mundo. Mas isso não pode significar que, seja em que momento for do nosso caminho, de alguma forma possamos perder o é relativamente às exigências da competição: quanto maior e mais abrangente for o nosso sucesso competitivo, maior se torna o grau de esforço, dedicação e competência que nos é exigido. A todos nós; não apenas aos atletas que defendem as camisolas do Glorioso, mas também àqueles a quem, do lado de fora, cabe empurrá-los para as vitórias, para a superação pessoal e para os títulos colectivos, com idêntica proficiência, nos nossos caros e coreografias, à que lhes exigimos, a eles, em cada lance, em cada jogo e em cada jornada. É todos juntos e todos competentes - mas tendo presente que nunca jogamos sozinhos - que continuaremos a somar todas as vitórias."

José Nuno Martins, in O Benfica

Poderosos!

"Feitiço de Rafa, incompreensível mas feliz continuidade de Bruno e o talento de Félix

Haverá ou não um Rafa antes e um Rafa depois da chegada de Bruno Lage ao comando técnico do Benfica? Creio que há. O Rafa que vi chegar à Luz já tinha um potencial tremendo, que evidenciou e se destacou em Braga. Já era, porventura, o jogador mais rápido da Liga e, sobretudo, e muito especialmente, e jogador mais rápido com a bola. Correr sem bola, como facilmente se percebe, é muito mais fácil do que correr com bola. Correr sem bola, como facilmente se percebe, é muito mais fácil do que correr com bola. E uma das enormes vantagens do Rafa sempre foi a de conseguir ser tão rápido com bola. Mais do que qualquer outro.
Mas o Rafa que vi chegar à Luz também era um jogador ainda algo imaturo do ponto de vista do jogo colectivo. Parecia querer fazer tudo tão depressa que facilmente se atrapalhava a ele e à equipa. E falhava demasiadas vezes na hora de decidir ou finalizar. Dava a ideia de ser um jogador demasiado irracional na hora de definir os lances.
Talvez por isso, Rafa andou muito tempo (demasiado tempo!) à procura do seu lugar, porque ora o tinha, ora o perdia. E ora marcava um golo, ora falhava dez! Era um enigma - como podia um jogador de tão grande potencial, e com características tão especiais e raras, ser ao mesmo tempo tão explosivo e tão ineficaz?
O que passou a ver-se, desde que Lage chegou ao comando da equipa, foi um Rafa bem diferente. O jogador manteve intactas todas as suas mais fortes capacidades e acrescentou-lhes o que lhe faltava para deixar de ser tão improductivo e se tornar num dos mais decisivos jogadores da equipa.
Ainda por cima, Rafa consolidou dentro do campo o que parece ser, fora dele, uma relação muito próxima com Pizzi, o que prova que se dois jogadores talentosos se dão muito bem fora dor elevado maior e mais forte possibilidade têm de transformar essa relação em algo mágico dentro do campo.
Com as devidas diferenças e o maior respeito pelo impacto e importância de cada um, não posso deixar de recordar os tempos em que Rui Costa e João Vieira Pinto pareciam jogar de olhos fechados com a camisola do Benfica ou da Selecção Nacional, numa fase da vida em que era conhecida e grande amizade entre os dois.
Este Rafa continua a ser rapidíssimo com e sem bola, e faz a grande diferença, sublinho, por ser tão rápido com bola, mas já racionaliza muito mais o jogo, temporiza-o, parece saber muito melhor quando fazer a pausa, quando esperar pelo companheiro, e parece bem mais frio no momento de decidir se assiste ou se remata.
Um Rafa assim pode tornar-se realmente num caso muito sério!
(...)

Parece que está meio mundo surpreendido porque afinal o rapaz que custou ao Atlético de Madrid uma pipa de massa tem afinal um talento extraordinário. Pois tem. Mas já tinha. Não se trata de saber se deu ou não provas de valer no mercado do futebol os mais de 120 milhões de euros que o clube espanhol pagou por ele. Trata-se de saber se João Félix é ou não é um talento excepcional. E é!
Estava na cara por tudo o que fez no Benfica que Félix é, realmente, um jogador diferente dos outros, porque quem, aos 19 anos, faz o que ele fez com a camisola do Benfica e com a simplicidade com que o fez só pode ser na verdade um jogador invulgar, com inata aptidão para vir a ser um grandíssimo jogador de futebol.
Para alguns, pelos vistos, foi preciso verem o que ele jogou, e como marcou, ao Real Madrid, ou os dois golos extraordinários que apontou à Juventus, na fantástica competição que foi, sobretudo este ano, a International Champions Cup com que a organização do norte-americano Charlie Stillitano brinda no verão os amantes do futebol.
Mas não era preciso nada disso do que se viu frente ao Real e Juventus para se perceber que João Félix está muito longe de ser mais um dos bons garotos-promessa que têm saído nos últimos anos da academia do Benfica, no Seixal.
João Félix já tinha mostrado ser no Benfica muito mais do que isso.
Ah, mas só jogou seis meses a titular? E então?
Seis meses não chegam para ganhar praticamente nada - enfim, foram suficientes para o Benfica, com João Félix, fazer magnífica e invulgar segunda volta de campeonato e chegar ao título.
Mas seis meses são mais do que suficientes para se perceber o que vale o talento de um jogador.
Ninguém sabe, nem pode saber, que carreira vai João Félix fazer nos próximos 10 ou 15 anos. Mas o futebol não se julga ou analisa pelo que um jogador vai fazer no futuro. Vê-se pelo que tem vindo a fazer ou faz no presente e, quanto muito, pelo potencial que mostra para uma carreira de sucesso.
Pelo talento que já se viu que João Félix tem, como é possível que alguns possam ter posto em causa o talento dele só porque o Benfica exigia que pagassem 120 milhões para o levar?
Se foi caro ou barato só o Atlético de Madrid pode conclui-lo, a partir de agora. Mas que contratou um fantástico jovem jogador disso não me parece que possa haver a mais pequena dúvida.
O que terão visto em João Félix os responsáveis do Atlético de Madrid - e, já agora, os de muitos outros clubes que o queriam mas talvez não estivessem disponíveis para pagar 120 milhões por ele?
Viram certamente o que muitos de nós vimos em Portugal nos seis meses - ou quase - que João Félix esteve como titular do Benfica.
Que jogava perante 50 ou 60 mil espectadores com a mesma simplicidade e tranquilidade como se estivesse a jogar no Seixal, diante de meia dúzia de adeptos, a divertir-se com os companheiros mais ou menos da mesma idade.
Que mostrava ter uma inteligência fora do normal para a idade, visível no modo como se movimenta em campo, se posiciona, domina a bola e a joga. E visível ainda no modo como dá quase sempre a ideia de pensar mais rápido do que a maioria, e de saber o que vai fazer com a bola antes de a receber, e, sobretudo, como nunca está lá mas como aparece lá... ou seja, na forma como surge no espaço quando o adversário menos espera, especialmente no momento de chegar ao golo - vejam-se os casos do golo feito ao Real Madrid na pré-época (quando Marcelo, na pequena área, quis cortar a bola já a bola não estava lá...) e do primeiro dos dois golos feitos à Juventus, com o felino João Félix a surgir, no coração da área, a rematar de primeira sem deixar a bola tocar na relva, surpreendendo um defesa italiano pela impressionante rapidez do movimento.
E eis-nos num dos pontos mais impressionantes do perfil de Félix - o ter tanto golo, como se diz na gíria do futebol. Em meia dúzia de meses como titular fez 20 golos pelo Benfica! Com 19 anos! Tem tanto golo e pareceu ter tanta facilidade de os marcar, dos mais fáceis aos mais difíceis, de cabeça (que jogo aéreo tem!!!), ou de pé direito (o mais forte) ou pé esquerdo (nada cego!!!, como também se conclui, mais uma vez com recurso à gíria do futebol).
Realmente, como escreveram os espanhóis, quem faz aos 19 anos o que o jovem João Félix fez com a camisola do Atlético de Madrid, que é só o maior dos rivais do Atlético, mesmo tendo em conta que era um jogo de pré-temporada, tem forte probabilidade de vir a ser, quando tiver 24 ou 25 anos, realmente um dos melhores jogadores do mundo, porventura candidato a conquistar mais numa Bola de Oura para o futebol português. É o meu palpite!

PS - Primeiro clássico da Liga já amanhã, com o Benfica fortemente moralizado e o FC Porto ainda inevitavelmente marcado pelo tremendo insucesso na Champions - e inevitavelmente atingido pelos 4-0 do Olympiakos ao Krasnodar! Veremos se o Benfica confirma alguma vantagem sobre o dragão ferido. Porque ferido, o dragão costuma ser poderoso!"

João Bonzinho, in A Bola

Depois do clássico 93 pontos em jogo

"Joga-se amanhã o primeiro clássico da época para o Campeonato e a única certeza é que, mal termine o jogo, Benfica e FC Porto ainda terão de disputar mais 93 pontos até ao fim da prova. Não há campeões em Agosto e, até por isso, o duelo da Luz pode ser menos condicionado tacticamente do que em outros momentos mais sensíveis e tardios da temporada.
O contexto das equipas é conhecido, mais consistentes e rotinados os donos da casa, ainda à procura do melhor equilíbrio os forasteiros, sem que quaisquer destes argumentos determine, por si só, a sorte do jogo. Quando se defrontam equipas do calibre de Benfica e FC Porto, são muitas vezes os detalhes a fazer a diferença, o que significa que os treinadores não deixarão de fazer pungentes apelos à concentração de cada um e à solidariedade entre todos, deixando aos deuses a inspiração que pode descer do céu e bafejar algum dos eleitos.
Este duelo entre águias e dragões surge num momento em que não têm existido grandes polémicas com a arbitragem, que pareceu (salvo uma ou outra excepção...) mais segura na utilização do VAR e mais confortável com a introdução das linhas de fora de jogo. A partir de agora, graças à tecnologia, a verdade desportiva está mais defendida, não fazendo sentido os lamentos de quem, em nome de uma explosão emocional momentânea, ainda diz que preferia o futebol com erros. Estes, infelizmente, continuarão a existir, mas em muito menor número...
E agora, a pergunta recorrente em véspera de clássico: quem vai ser o árbitro? Os dois melhores são do Porto e ambos dão garantias plenas de um trabalho sério e competente..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Ferro: Um central de aço com um toque de porcelana

"Olhando de relance para o sucesso e para o bom futebol praticado pelo Benfica, desde a chegada de Bruno Lage, há certos executantes que se destacam e magnetizam assim para si toda a atenção do público geral. Rafa e toda a sua velocidade, Pizzi e o seu toque de bola e qualidade de passe, Gabriel e os seus passes típicos de quarterback, Florentino e a sua capacidade de posicionamento defensivo. Tudo isto capta a atenção dos adeptos encarnados e provoca aplausos em catadupa no Estádio da Luz. No entanto, para mim, há um jogador cuja importância para a equipa, tanto ofensivamente como defensivamente, é claramente menosprezada, este jogador é Ferro.
Até dentro do próprio sector defensivo, Ferro acaba por ser algo desvalorizado face às exibições do seu companheiro no sector central da defesa, Rúben Dias. Em termos defensivos, Ferro é uma grande mais valia para o Benfica. Fazendo uso da sua boa estatura física (1.89 metros de altura), na época transacta, Ferro ganhou 58,6%* dos duelos aéreos (*dados OptaSports trabalhados pelo Sofa Score), face aos 57% de Rúben Dias, jogador bem mais conhecido pela sua capacidade no jogo aéreo. Já na questão dos duelos no solo, Ferro é também bastante eficaz ganhando 60% dos mesmos, mais 9% do que Rúben Dias que ficou pelos 51%. Já em termos disciplinares, Ferro cometeu apenas 0,5 faltas por jogo, o seu compatriota Rúben Dias chegou às 1,6 faltas. Estes dados estatísticos, por muito relativos que possam ser, demonstram a capacidade que Ferro tem no posicionamento defensivo, na leitura do jogo e a sua eficácia no momento do desarme, eficácia essa que subiu para lá dos 75%.
Apesar de ser bastante competente defensivamente, é no momento ofensivo que o jovem central de 22 anos, se diferencia de grande parte dos centrais na Europa. A equipa de Bruno Lage aposta quase sempre na construção de jogo a partir de trás e com a recente mudança na regra do pontapé de baliza, que veio permitir a entrada dos defesas na área, a importância de ter centrais capazes de pensar e iniciar o jogo é cada vez mais fundamental. A percepção do jogo e a inteligência táctica da qual Ferro dispõe, são características algo atípicas para um jogador de tão tenra idade. Ferro é capaz de ser decisivo no momento ofensivo em duas situações de construção diferentes:
No caso da equipa encarnada enfrentar equipas com as linhas mais juntas e que não aposte na pressão alta, Ferro transporta o esférico, “invadindo” os espaços que se abrem pela inexistência de pressão, aproximando-se o mais possível do meio campo ofensivo e aí realiza passes verticais com a intenção de “quebrar linhas”, ou seja, que permitam que algum jogador do Benfica receba a bola mais perto da baliza adversária e que ao mesmo tempo esteja mais longe das primeiras linhas de pressão do adversário. Quando a equipa das águias enfrenta situações destas, quase sempre os laterais estão projetados dando “largura” à equipa e os extremos procuram espaço interior. Isto deixa a equipa algo vulnerável a um contra-ataque rápido do adversário, caso aconteça a perda da bola, tendo apenas os centrais recuados e possivelmente os médios na cobertura. Face a esta situação é absolutamente preponderante a acção e a qualidade de passe dos centrais. Ferro prospera nesta conjuntura tendo uns impressionantes 80% de passes completados para o meio campo ofensivo, números de elite a nível europeu. Os passes de Ferro não se limitam a ser direccionados para a zona correta ou para o jogador desmarcado, a bola sai quase sempre dos pés do internacional sub21 “com contrapeso e medida”, de forma a facilitar a recepção orientada dos seus colegas, de forma a permitir a continuidade da jogada. 
Numa situação em que o Benfica sofra uma maior pressão na primeira fase de construção do jogo, em que o transporte de bola é dificultado, o camisola 97 das águias, opta quase sempre por passar o esférico aos laterais que, perante a pressão adversária, ajudam na construção, ou para um médio que baixe no terreno com a intenção de ligar o jogo. Neste capítulo, Ferro é igualmente eficaz, tendo uma taxa de acerto de 92% de passes dentro do seu próprio meio campo. Sobretudo nos jogos europeus, onde o Benfica terá que jogar necessariamente muitos minutos à procura de transições rápidas, a capacidade do passe longo torna-se um recurso fundamental na procura da baliza adversária. Esta será provavelmente uma das “melhores armas do arsenal” de Ferro. O jogador formado no Seixal, completa 63% dos passes longos, números incríveis em comparação com 90% dos centrais no mundo do futebol. Para que se tenha melhor noção, a eficácia de Ferro nas bolas longas é superior à de defesas centrais como Koulibally, Hummels ou Bonnuci, todos centrais de classe mundial e bastante elogiados pela sua qualidade de passe.
Ferro ainda comete alguns erros defensivos e por vezes toma decisões erradas, mas estes erros apenas poderão ser reduzidos com a experiência dentro de campo. O que é certo é que o central do Benfica demonstra já muita qualidade, tanto defensivamente como ofensivamente, e tem ainda muita margem de progressão. Na minha opinião, o que mais diferencia Ferro dos restantes é a enorme maturidade táctica e emocional da qual o jovem já dispõe. A manter o trajecto de progressão que já tem sido seu apanágio, não ficará muito mais anos em terras lusas."

Jogadores que Admiro #104 – Florentino

"A admirável série televisiva Dark, de produção germânica, explora as implicações existenciais e os efeitos dos saltos temporais na mente humana. Dividindo a quarta dimensão em ciclos de 33 anos, são criados loops, onde as histórias se repetem eternamente num ciclo sem final aparente, criando paradoxos pelo caminho e pondo em causa a perspectiva linear do tempo.
Estamos em 1982. Um rapaz sueco chegava a Portugal com a UEFA debaixo do braço: Eriksson era um jovem talentoso, mas a sua idade criou desconfianças inicialmente. Assente no seu 4-4-2 vertiginoso e abrigando-se do sol nas abas largas do seu panamá da Macieira, o sucesso não demorou a aparecer e, assim, poucas foram as vozes que se atreveram a questionar as opções tomadas. Numa equipa recheada de qualidade individual, Sven entrega o comando do seu meio-campo a um rapaz calmo, tímido, que raramente se exaltava e jogava de pantufas. De aspecto franzino, Shéu Han, seu nome, fazia da inteligência e da gentileza as suas armas como grande recuperador de bolas, num trajecto profissional sempre de mãos dadas com o Benfica.
Ora, 33… não, 37 anos depois, Bruno Lage assume o Benfica, num clima de incertezas várias, derivado do seu parco currículo. Era uma opção a prazo. Igualmente fã de um 4-4-2 eléctrico, impõe as suas ideias naturalmente e os resultados tornam-se avassaladores. De fininho, foi introduzindo os meninos da B e entrega a batuta do meio-campo a um Florentino Luís que em tudo se assemelha à lenda benfiquista: pouco expressivo, nunca exaltado, sempre leal e com as mesmíssimas pantufas calçadas. Orgulhosamente e sem grandes dramas, Florentino Ibrain Morris Luís percorre todo o centro do terreno pedindo com licença, tirando a bola muito educadamente dos pés adversários e a entregá-la, limpa e bem cuidada, nos homens da frente encarnada.
Florentino só abre a boca para, aqui e acolá, ser educado. Mentalmente, tira um raio-x do campo e guarda as coordenadas de cada adversário. A seguir, calça as pantufas, corrige a postura e dirige-se a cada um deles: “peço desculpa, era uma bola, por favor” e tira-a, nunca de forma brusca. O 10 adversário vai a passar e quando dá por ele, tem um rapaz educado a tocar-lhe no ombro, “boa noite, queria uma bola, se faz favor”, e puff. É um requintado pedinte. A sua esmola, que é uma bola Select de motivos vermelhos em fundo branco, é a única coisa de que precisa para ser feliz e manter-se vivo.
Quero então acreditar que a série está correcta: Florentino é Shéu, Shéu foi Florentino e assim será sempre, num ciclo interminável de desarmes limpos e linhas de passe bloqueadas. Os dois, que são um, a mesma pessoa, combinaram separar-se para ensinar boas maneiras num campo de futebol e, consequentemente, na vida. Quiseram demonstrar que o futebol não é só para brutos e que, um trinco, para ser genial, pode pregar a palavra de Paula Bobone por esses estádio fora."

De Todos, Um!

"Estádio cheio e excelentes equipas em campo, incluindo a de arbitragem, em que todos certamente darão o seu melhor, é o que desejamos para o grande jogo de amanhã. E, da nossa parte, naturalmente que o Benfica vença.
Vimos de um ciclo extraordinário de resultados, mas isso, como se sabe, tradicionalmente pouco conta neste tipo de clássicos. Apelamos por isso a um forte apoio desde o primeiro minuto por parte de todos os benfiquistas que amanhã estarão na Luz em nome da ambição e confiança que esta equipa tanto merece.
A imagem de marca da nossa equipa, mais do que os destaques individuais, é a solidez que tanto nos orgulha de constituir-se como um grupo forte, unido e coeso sob a liderança tranquila de Bruno Lage. Uma equipa, um grupo, em que acima de tudo e de todos está o Benfica e em que todos rumam no mesmo sentido tal como Jonas fez questão de realçar no momento da sua despedida.
Este ciclo de jogos ficará completo na próxima semana, com a sempre difícil deslocação a Braga. Seguir-se-á a paragem das competições de clubes para dar lugar às das selecções e a habitual saída temporária da maioria dos nossos atletas para representarem os seus países. É a consequência normal em qualquer clube, como o Benfica, em que impere a abundância de talento.
E depois continuará o ritmo frenético das competições, iniciando-se mais um ciclo de jogos, que inclui, em cerca de 18 dias, recepções ao Gil Vicente e Vitória de Setúbal, intercaladas pela jornada inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, cujo sorteio será realizado a 29 de Agosto, e a deslocação a Moreira de Cónegos para visitar o Moreirense, e culminará com a segunda jornada da Liga dos Campeões a 1 ou 2 de Outubro.
Mas agora todo o foco está nestes dois jogos com FC Porto e Braga.
“De todos, um” é mais que uma mera divisa no nosso emblema. É a atitude certa e a única para tornar ainda mais gloriosos o nosso palmarés e a nosso percurso. A união entre todos os benfiquistas, que não haja dúvidas, tem sido um trunfo imprescindível no passado recente marcado por tantas e inolvidáveis conquistas. Assim persistamos e estamos convictos de que continuaremos a trilhar o caminho do sucesso.

Cadomblé do Vata (Ansiedades...!!!)

"1. Continua tumultuosa a reacção dos adeptos sportinguista à anunciada venda de Bas Dost, por considerarem o valor da transferência muito baixo... eu também ficava desagradado se um jogador que foi comprado com 27 anos, 1 ano depois de ser o melhor marcador do 2º classificado da Bundesliga por 10 milhões, fosse vendido com 30 anos, 1 ano depois de ser o melhor marcador do 3º classificado da Liga Portuguesa pelos mesmos 10 milhões.
2. O Sporting anunciou um novo acordo de cedência de bilhetes às claques, obrigando-as a pagar quotas e bilhetes, revogando assim o acordo que entre borlas e pré pagamentos, lhes reservava 3.375 ingressos... isto num universo de Grupos Organizados de Adeptos que tem cerca de 2.900 adeptos inscritos.
3. Nos últimos dias apareceu a rolar pela internet um video de Manuel Vilarinho a cantar o hino do Sporting e ficou tudo chocado porque se trata de um ex. Presidente do Benfica... não vi as imagens e por isso pergunto: o que consideram Hino do Sporting é o que a desguedelhada de cabelo verde canta ou aquela música do "eram só três, venham mais duas"?
4. O Clássico é já amanhã e hoje o Record traz à estampa os "Novos Truques de Pizzi e Rafa" para o confronto com o FC Porto... continuo a aguardar impacientemente que o Record apresente os "Novos Truques Para Voltarmos a Ser um Jornal a Sério".
5. Petit diz que o Benfica está numa boa fase, porque "hoje estão Rafa e Pizzi a fazer golos, amanhã estarão De Tomas e Seferovic"... é esta a grande diferença para o seu tempo, onde "hoje estariam Simão e Nuno Gomes a fazer golos e amanhã Manduca e Kikin a falhá-los"."