Últimas indefectivações

quinta-feira, 25 de abril de 2019

8.º Campeonato Nacional

Sporting 1 - 3 Benfica
25-19, 23-25, 16-25, 19-25

Théo(22), Rapha(14), Honoré(8), Zelão(6), Lopes(4), Wolfhi(3), Violas(3), Winters(2), Pinheiro, Gaspar, Flip, Martins, Jardim; Casas

Época 'perfeita': Supertaça, Taça de Portugal e Campeonato Nacional... para ser super-perfeita, só 'faltou' aquela surpresa que teria sido a eliminação dos Russos na Europa... e esteve quase!!!

O CashBall está mais 'fraco' este ano, por razões óbvias (!!!), mas tenho quase a certeza, que este Benfica teria sido Campeão o ano passado!!! Hoje voltámos a ser bastante superiores... em todas as acções do jogo!

Inacreditável a forma como os jogadores do Benfica foram condicionados durante toda a partida, até parecia que não podiam festejar os pontos ganhos... isto quando mais uma vez, passaram o jogo todo a ser insultados, para gáudio da Lagartada, nas bancadas e com os microfones à frente!!!

Para quem não sabe: praticamente toda a equipa do Benfica foi aliciada nas últimas semanas, para ir para a Lagartada na próxima época!!! O CashBall nestas últimas duas épocas, tem usado como base de operações: Fiães (!!!), aparentemente para o ano vão-se mudar para Lisboa... e como os valores daquele gente são inexistentes, parece que tentaram 'baralhar' a cabeça dos nossos jogadores!!! Foderam-se...!!!

Acertámos em cheio na mini-revolução na secção: o Marcel foi um achado (aconselhado pelo Vinhedo...), eu sei que não será fácil manter o Marcel por cá a médio prazo, mas se calhar com a jovem família a adaptar-se bem a Lisboa, quem sabe...; o Théo chegou algo 'pesado' mas melhorou imenso, e com a lesão do Gaspar foi obrigado a jogar 'sempre', o que lhe deu um ritmo impressionante! O Pinheiro na minha opinião devia ter vindo mais cedo para o Benfica (a opção tardia foi dele...), mas mesmo não sendo a primeira opção teve sempre uma excelente atitude, e até as melhorias no Violas creio estarem ligadas aos 'conselhos' do Nuno... O Peter também foi uma excelente contratação, com o Honoré a 'sentir' a idade, foi fundamental... E como não podia deixar de ser: o Rapha... o regresso do Rapha foi importantíssimo, pelo que joga, e pela energia que transmite!!!

PS: Estou curioso para ver a capa d'A Bola esta madrugada!!!

Lanças... a luta não dá tréguas!!!

Vitória no Estoril...

Estoril 0 - 8 Benfica


Apesar de várias alterações (a ausência da Darlene a mais significativa...), voltámos a golear! Sendo que o primeiro golo só apareceu aos 43 minutos...

Mais uma pasquinada !!!

"Porque é um pasquim de merda liderado agora por um lagarto ainda mais fanático que o que lá estava anteriormente, nem sequer vamos colocar aqui o link da "notícia" que o Record do lagarto fanático Bernardo Ribeiro colocou há minutos no site referindo-se a uma eventual polémica por João Pinheiro ter sido nomeado VAR para o jogo Braga-Benfica.
A "notícia", criteriosamente redigida, refugia-se numa polémica gerada nas redes sociais! Ou seja, vão buscar supostas polémicas nas redes sociais para eles próprios lançarem a confusão. Não passam de uns frustrados lagartos cobardes.
Relembramos que no jogo Feirense-Benfica João Pinheiro teve actuação exemplar como comprovado pelas imagens 3D posteriormente apresentadas pela SIC Notícias e pelos testemunhos de árbitros internacionais Brasileiros, Mexicanos e Espanhóis, como aqui demos a conhecer na altura.
Já relativamente à nomeação do homem das pastelarias para o Rio Ave-Calor da Noite, o seboso Bernardo Ribeiro não vê qualquer tipo de polémica.
Enojas enfarda rojões a pingar em gordura!"

25 de abril, sempre! Sport Lisboa e Benfica, sempre!

"Nos 45 anos do 25 de Abril de 1974, relembremos alguns dos motivos, exemplos e casos que mostram que o Sport Lisboa e Benfica é uma das referências e símbolos da Liberdade e da Democracia em Portugal:
1. O Sport Lisboa e Benfica não foi o clube do regime. É um facto.
2. Uma mentira muitas vezes repetida não pode tornar-se verdade. Passa por nós contar e relembrar estas histórias para que não reescrevam a História.
3. O Benfica é na sua génese um clube do povo. Tal como hoje, a nossa força fez-se de gente de diferentes meios, classes, origens ou vivências.
4. O Sport Lisboa e Benfica equipa de vermelho. O vermelho era uma cor «proibida» durante o Estado Novo e riscada pela censura.
5. O Benfica não foi a equipa lisboeta com mais títulos de campeão nacional durante os primeiros anos da ditadura de Salazar.
6. O Sport Lisboa e Benfica não era a equipa portuguesa com mais triunfos no principal campeonato até à brilhante geração de 1960.
7. Manuel da Conceição Afonso foi diversas vezes presidente do clube e era um operário nos mais variados sentidos (enquanto profissão e alicerce do Benfica).
8. Júlio Ribeiro da Costa, presidente e conhecido oposicionista do regime, teve de se demitir para evitar problemas maiores ao clube.
9. A figura de Félix Bermudes é paradigmática. Autor do hino do Benfica, Avante, Avante p'lo Benfica, proibido de usar pela ditadura foi um conhecido filantropo e uma das mais importantes figuras da história do clube.
10. O Benfica realizou sempre eleições livres e directas para os seus órgãos sociais. Foi caso único durante todo o Estado Novo.
11. O ano politicamente mais incómodo para o Estado Novo foi 1961 (desvio do paquete Santa Maria e de um avião da TAP; oposição nas Nações Unidas; apoio de John Kennedy aos movimentos independentistas do Ultramar; massacre em Angola; invasão de Goa pela União Indiana), esse ano fica também marcado pela nossa vitória na final de Berna.
12. Na temporada de 1955/56, o Benfica sagra-se campeão nacional. Na época seguinte realiza-se a primeira edição da Taça dos Campeões Europeus e o representante português foi o Sporting.
13. O Sport Lisboa e Benfica não inaugurou o seu estádio no dia 28 de maio como outros clubes.
14. Os vários recintos por onde o Benfica passou nunca tiveram apoio estatal para a recuperação ou manutenção, foram sempre preservados com o dinheiro, esforço e ajuda dos adeptos e sócios.
15. O Sport Lisboa e Benfica nunca aproveitou uma alteração de estatutos para se manter na primeira divisão.
16. Figuras como Coluna e Santana eram referências como jogadores mas também como homens informados e seriamente politizados.
17. O Benfica nunca teve um presidente ou outra figura da direcção que fizesse igualmente parte de um governo do Estado Novo.
18. Além do futebol, também nas modalidades é notório que a queda do regime fascista não significou o fim de uma hegemonia.
19. O Sport Lisboa e Benfica não foi campeão no ano do caso Calabote. E, igualmente, não teve responsabilidade alguma na irradiação deste árbitro.
20. O Benfica nunca teve uma figura do clube num órgão de poder ou decisão da arbitragem nacional.
21. Em 1961, a Federação não aceitou a mudança de data para o jogo com o Vitória e o Sport Lisboa e Benfica jogou os oitavos de final da Taça de Portugal apenas um dia depois do primeiro título de Campeão Europeu.
22. O Benfica só foi reconhecido como Instituição de Utilidade Pública em 1960, ao contrário de outro clube que o era desde 1928.
23. A selecção nacional esteve 54 anos sem jogar num campo do Sport Lisboa e Benfica.
24. Foram inúmeros os jogadores do Benfica originários de zonas industriais e tendencialmente mais próximas do comunismo, como o Barreiro.
25. Salgueiro Maia.
26. O Benfica nunca realizou uma final da Taça de Portugal no seu estádio.
27. José Magalhães Coutinho não só foi um dos principais directores do jornal O Benfica como foi um dos maiores lutadores pela liberdade de imprensa e democracia em Portugal.
28. Salazar não gostava de futebol, aliás são públicas as afirmações negativas sobre o mesmo.
29. As vitórias no futebol, como no desporto, foram sempre alvo de aproveitamento político pelos regimes ditatoriais, o caso do Benfica não foi excepção.
30. O pavilhão da Luz chegou a receber encontros da Intersindical.
31. Borges Coutinho. Não só foi um dos mais importantes e vitoriosos presidente do Sport Lisboa e Benfica, como teve uma vida de lutador pela liberdade e democracia enquanto piloto da RAF.
32. Guilherme Espírito Santo, Melão e o caso do racismo num hotel madeirense.
33. João Tamagnini Barbosa foi desterrado pelo regime de Salazar para os Açores.
34. Eusébio não saiu do Benfica por manifesta opção e pressão política do Estado Novo.
35. Até Os Belenenses ganhou um campeonato durante a ditadura.
36. Todos os clubes e jogadores foram obrigados a manifestar gestos públicos de apreço para com o regime como, por exemplo, a saudação fascista.
37. Está tudo a pensar no mesmo.
38. O Benfica é povo, é República, e o recinto do Campo Grande foi inaugurado no dia 5 de Outubro.
39. A maior parte dos jogadores bicampeões europeus nunca jogou na Luz pela selecção portuguesa. 
40. O Sport Lisboa e Benfica não deixou de ganhar títulos depois do 25 de Abril.
41. A demora no processo de desobrigação de Eusébio deixa bem patente o poder que o Sporting tinha sobre a Federação.
42. Os sócios e simpatizantes do Benfica têm construído a nossa história na luta pela liberdade e igualdade de direitos entre todos, dentro ou fora do clube.
43. O jornal do clube foi censurado por inúmeras vezes e os seus directores perseguidos.
44. O Sport Lisboa e Benfica não foi o clube do regime. É um facto. Repito: passa por cada um de nós contar e relembrar estas histórias para que não reescrevam a História.
45. «De muitos, um.»"

45 anos da Revolução dos Cravos: o Benfica resistiu contra a Ditadura Salazarista

"Neste dia 25 de abril de 2019, Portugal recorda e celebra o 45º aniversário da Revolução dos Cravos, movimento político e social que derrubou o regime ditatorial e fascista do Estado Novo, o qual durou de 1933 e 1974, e trouxe a Democracia de volta à Terrinha. Dos 41 anos de retrocesso e autoritarismo impostos pela Extrema Direita, 35 foram encabeçados pelo ultranacionalista Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970). Ele se afastou do poder após sofrer um derrame cerebral, dando lugar ao seu primeiro-ministro Marcello Caetano (1906-1980), que prosseguiu com a perseguição aos opositores e a censura à liberdade de expressão.
O nome "Revolução dos Cravos" remete ao cravo, flor-símbolo do país. Revoltados com a recessão econômica e com o desgaste provocado pela Guerra Colonial, onde Portugal se recusava a reconhecer a independência de suas colônias na África e acabou estimulando a formação de movimentos guerrilheiros na Angola, em Moçambique e na Guiné-Bissau, os soldados das Forças Armadas articularam a derrubada do então presidente - àquela altura, Salazar já havia falecido. Após a concretização do plano, os militares rebeldes foram presenteados por cravos pela população, que celebrava o retorno à liberdade e via o general Antônio de Spínola assumir o poder. Deposto, Caetano se mudou para o Brasil, que naquele período vivia a Ditadura Militar (1964-1985). Em território brasileiro, seguiu carreira acadêmica na área de Direito e foi professor universitário. Faleceu no Rio de Janeiro.
Como sabemos, o futebol é uma extensão da sociedade. E o Sport Lisboa e Benfica, clube mais popular entre os portugueses e agremiação democrática em sua essência, foi directamente afectado pela Ditadura. Mesmo sendo anti-futebol, Salazar interferiu no hino do Benfica por considerá-lo "subversivo". A famosa canção "Avante Benfica" foi censurada pelo regime porque o político de Extrema Direita a qualificara como "coisa de comunista", sobretudo pela presença da palavra imperativa "Avante". A equipe lusitana de maior prestígio ainda modificou o apelido, de "Vermelhos" para "Encarnados", como forma de resistir à perseguição.
Eis o hino censurado pelo Estado Novo:

Avante Benfica
“Todos por um!”, eis a divisa
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.

Refrão
Avante, avante p’lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Demos-lhe o nosso coração!
Demos-lhe a fé, a alma!
O "Avante Benfica" foi substituído pela canção "Ser Benfiquista".

Ser Benfiquista
Sou do Benfica,
Isso me envaidece.
Tenho a gênica
Que a qualquer engrandece.
Sou de um clube lutador,
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.

Ser benfiquista
É ter na alma
A chama imensa,
Que nos conquista
E leva à palma À luz intensa
Do Sol que lá no céu
Risonho vem beijar.
Com orgulho muito seu,
As camisolas berrantes,
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

Ser benfiquista
É ter na alma
A chama imensa,
Que nos conquista
E leva à palma
À luz intensa
Do Sol que lá no céu Risonho vem beijar.
Com orgulho muito seu,
As camisolas berrantes,
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

Ao avaliar o comportamento doentio e obsessivo por trás do Salazarismo, a lembrança do avanço da Extrema Direita em pleno século XXI, onde figuras públicas como Viktor Orbán, Marine Le Pen, Jaroslaw Kaczynski, Steve Bannon, Donald Trump e Jair Bolsonaro, partidos como o espanhol Vox e o italiano Lega Nord e a articulação de movimentos supremacistas nos Estados Unidos e na Europa estão em evidência, é inevitável.
E não para por aí: em Setembro de 1965, o Estado Novo proibiu o SLB de viajar à União Soviética, celeiro do comunismo, onde jogaria um amistoso contra o Spartak Moscou, clube de raiz operária que carrega consigo uma história de luta pela popularização do futebol. O jogo amigável renderia às Águias um cachê de 4 mil contos, valor equivalente a 20 mil euros na cotação actual. Os moscovitas queriam ver de perto o Benfica de Eusébio, Mário Coluna, Antônio Simões e José Augusto. A notícia causou enorme rebuliço em terras portuguesas, de modo que a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), força policial responsável pela repressão aos opositores do Salazarismo, abriu um inquérito em carácter de urgência. Foram interrogados o chefe do departamento de futebol do clube, Gastão Silva, que admitiu o desejo de viajar à URSS, e o director da agência Turexpresso, Albino André, que estava articulando a mencionada viagem - a empresa em questão organizava as viagens do Glorioso ao exterior. Segundo o jornal português Diário de Notícias, as negociações entre Benfica e Spartak também envolviam a proposta de um intercâmbio cultural que levaria a Moscou os cantores Carlos Ramos, Amália Rodrigues e Fernanda Maria e o conjunto Pauliteiros de Miranda.
No dia 8 de Setembro daquele ano, o DN publicou uma nota da assessoria de comunicação do Maior de Portugal, na qual a instituição demonstrava o desejo de “manter o intercâmbio desportivo com todos os clubes do mundo” e se mantinha firme contra a postura anti-soviética do regime de Salazar. “O Benfica não tem quaisquer razões para pensar que seja considerada impossível pelas competentes autoridades portuguesas a realização de um encontro de futebol entre a sua equipe e a de um clube russo”, dizia a nota.
“Com esse comunicado, a direcção do Benfica demarcou-se da posição do governo e espicaçou o regime dizendo que era um clube universalista. Afinal, naquela altura, o time fazia muitas excursões, tendo, inclusive, estado em vários países da América do Sul e, ainda, na Ásia”, afirmou o escritor Alberto Miguéns, que pesquisa a história do Benfica, em entrevista ao Diário de Notícias em 2017. Paralelamente ao discurso cirúrgico e necessário de Miguéns, o ídolo benfiquista Antônio Simões, reconhecido líder na luta pela profissionalização dos jogadores de futebol juntamente com o Rei Eusébio, também dá sua contribuição em conversa com o jornal. “Este episódio prova que o Benfica nunca poderá ser catalogado como o clube do regime”, enfatizou.
O ódio de Antônio Salazar contra manifestações populares como o futebol e o fado, gênero musical de raiz portuguesa conhecido em todo o planeta, não surpreende. Ele os apontava como “aglomeradores de massas, espectáculos de duvidoso gosto popular, potencialmente subversivos e portanto perigosos para a paz social, feita de repressão e apelos ao conformismo”, escreve o cineasta Antônio-Pedro Vasconcelos no veículo de comunicação lusitano Expresso.
O fascismo português também se incomodava com a ligação do Sport Lisboa e Benfica às camadas mais populares da sociedade. O SLB, que sempre elegeu suas directorias através dos sócios, já teve um presidente operário, Manuel da Conceição Afonso, que alternou três mandatos: 1931-1933; 1936-1938; 1946-1947. A PIDE acompanhava de perto as eleições e as assembleias gerais do clube. Além de Manuel da Conceição Afonso, Félix Bermudes (autor do hino "Avante Benfica"), Júlio Ribeiro da Costa (um dos torcedores mais fanáticos) e José Magalhães Godinho (primeiro director do jornal "O Benfica") foram outros renomados benfiquistas e opositores do Estado Novo. No elenco de futebol, o meio-campista Mário Coluna, nascido na Ilha da Inhaca, Moçambique, e o ponta-direita Joaquim Santana, natural de Lobito, Angola, eram declaradamente favoráveis à libertação das colônias portuguesas na África.
Vale lembrar, também, a maiúscula vitória de 8 a 2 contra o arquirrival FC Porto na inauguração da antiga casa azul e branca, o Estádio das Antas, cuja construção teve forte ajuda do Salazarismo e cuja inauguração aconteceu em 28 de maio de 1952, data do 26º aniversário do golpe militar liderado pelo general Gomes da Costa.
Portanto, benfiquistas de Portugal e de todo o mundo, temos muitos motivos para nos orgulharmos do nosso clube. Tal qual 28 de Fevereiro de 1904, 25 de Abril de 1974 também é uma data significativa para a nossa História. Resistimos contra o Fascismo, somos uma nação que nasceu para vencer e formamos o Clube do Povo!"

O tempo e a sorte

"Não vou entrar aqui em grandes reflexões filosóficas sobre comportamentos geracionais, pois falta-me o engenho e a arte para tal. Até podia tentar sacar uma reflexão importante de Bauman, fazendo uma ligação à sua modernidade líquida, mas, lá está, sobra-me a preguiça e o talento escasseia.
O que falta também nos dias que correm é paciência e capacidade para resistir ao imediato, pois rapidamente conseguimos aceder a imensa informação já trabalhada, organizada e agregada para consultar o que queremos. No futebol é fácil saber como joga o defesa direito titular do quarto classificado da liga checa – olá, Tomas Holes – e com meia dúzia de cliques e alguma manha para evitar fake news conseguimos fazer brilharetes entre amigos, quando as discussões futebolísticas aquecem – “o teu clube precisa é de um médio posição 8, com perfil x, conheço um muito bom na liga dinamarquesa”. Se temos acesso a esta informação toda em pouco tempo e não somos profissionais de futebol, estes têm mais que obrigação, do ponto de vista do adepto comum, de garantir num curto espaço de tempo os melhores resultados possíveis e tomar as melhores decisões, independentemente do clube onde estão, dos meios financeiros que têm, ou de outras condicionantes importantes. A falta de resultados – ou quererei dizer sucesso? – de um clube é encarada, por estes dias, como uma grande frustração e a vontade de alterar tudo em pouco tempo passa sempre pela cabeça de muitos.
Os treinadores há muito que são vítimas preferenciais da falta de paciência e de tempo por parte de adeptos e dirigentes. As chicotadas psicológicas em massa são um fenómeno já não muito recente, embora se tenham intensificado nos últimos 25 anos. Já muito se escreveu sobre os efeitos positivos e negativos da mudança de treinador a meio da época. Não quero entrar por aí. Atentem, apenas, no exemplo de Vítor Oliveira. Como era visto este treinador há vinte anos, ele que agora é, e justamente, encarado como um treinador de culto? A quem é que andamos a cortar as pernas nos dias que correm e que se tornará, daqui a duas décadas, no treinador da moda por essa altura?
E não são só os treinadores que sofrem na pele este tratamento. Os jogadores de futebol de elite também já não escapam a esta lógica. Penso, sobretudo, em Marega – mas podia, por exemplo, pegar em Rafa. Pode-se discutir o perfil do maliano, defendendo que não tem qualidades para uma equipa de topo em Portugal ou achar que é um jogador fortíssimo em transições e que assenta como uma luva no estilo de Sérgio Conceição? Claro que sim. Mas Marega já provou que as primeiras impressões sobre a sua qualidade quando chegou ao Dragão foram, como as notícias da morte de Mark Twain, manifestamente exageradas. Por isso, talvez seja importante fazer uma avaliação final quando acabar o consolado do maliano no Futebol Clube do Porto. Até porque durante os reinados de Jardel e Hulk, que a esta distância são encarados como jogadores inquestionáveis em relação à importância que tiveram quando passaram pelo clube portuense, houve quem abrisse os seguintes debates: “a equipa está dependente de Jardel e o brasileiro não joga bem com os pés” e “Hulk é individualista e não estimula o jogo colectivo”. E não, não estou a comparar Marega com nenhum deles. Creio é que se Marega tem marcado pelo menos um golo em Anfield o debate teria contornos diferentes. Faltou também, dirão uns, uma pontinha de sorte.
E por falar em sorte, agora que entramos no tramo final dos vários campeonatos europeus e alguns deles serão decididos por detalhes quer na luta pelo título, quer na luta pela sobrevivência, nós estaremos cá para falar da bola que bate no poste, do corte em cima da linha, do pé preso na relva, da bola que escorregou das mãos do guarda-redes. Os sportinguistas ainda hoje têm pesadelos com o remate de Bryan Ruiz. Os bracarenses sentem que se Mossoró tem marcado a Hélton na final de Dublin talvez hoje tivessem uma competição europeia na vitrine. E os benfiquistas recordam o final da época 12/13 como uma maldição. Sinto-vos a sussurrar “a sorte procura-se” ou “há mérito em provocar o erro do adversário”. Pois tomai lá, não do O’Neill, mas do Nélson Rodrigues: “o que marca o campeão é a sorte, ou seja – uma virtude sobrenatural”."

O elo mais fraco

"4 jornadas, é o que falta para o final da Liga Portuguesa 2018/19. 
E na frente... tudo na mesma.
Benfica e FC Porto não desarmam, não escorregam e mantêm uma teimosa igualdade pontual, na qual os encarnados levam a melhor graças à vantagem no confronto directo que obtiveram em campo frente aos dragões, tanto em casa como fora.
Agora, a quatro jornadas do final da Liga, a maratona aproxima-se da meta e ambos os candidatos estão «livres» de compromissos externos. A equipa orientada por Sérgio Conceição deixou de se preocupar com a Liga dos Campeões e a de Bruno Lage com a Liga Europa. Agora a concentração pode ser assim total no que resta da Liga Portuguesa.
O Benfica tem passado com distinção pelos desafios que tem encontrado: não perde desde o início de 2019 e já soma 12 goleadas que proporcionam o melhor ataque da prova, com 87 golos nos 30 jogos até agora realizados.
O FC Porto, por outro lado, revela-se claramente menos exuberante. No entanto, e apesar de apenas ter conseguido três goleadas nos mesmos 30 jogos, conta com a defesa menos batida da Liga, com apenas 17 golos sofridos. No fundo, e como é habitual os protagonistas dizerem no mundo do futebol, os três pontos são os mesmos quer se ganhe por um, por quatro ou por 10 golos.
Por isso mesmo, agora é o tudo ou nada para ver quem cede nos metros finais da maratona, com o Benfica a ter já no próximo domingo a grande prova de fogo dos quatro jogos que lhe restam, na visita à «Pedreira» para defrontar o Sp. Braga, que continua a lutar pelo terceiro lugar com o Sporting.
Os encarnados entram em campo já com o conhecimento do resultado dos dragões, na curta deslocação, já nesta sexta-feira, a Vila do Conde, para jogar com um Rio Ave, esta época, de meio da tabela.
O jovem João Félix e o suíço Seferovic são os principais homens-golo do Benfica nesta fase final, enquanto no emblema da Invicta o maliano Moussa Marega e o brasileiro Tiquinho Soares revelam-se protagonistas de vitórias por números menos expressivos que os rival lisboeta, é verdade, mas ainda assim que mantêm vivo, jogo após jogo, o sonho da revalidação do título.
A quatro jornadas do final da Liga sobem assim de tom as responsabilidades de encarnados e azuis e brancos com timoneiros e marinheiros sem margem para falhar... e, agora, sem outro tipo de compromissos que coloquem em causa a preparação das quatro finais de que tanto se fala: Braga, Portimonense, Rio Ave e Santa Clara são os obstáculos que o Benfica tem pela frente até 19 de Maio, quando o pano cai na Liga.
Já o FC Porto encontra até final Rio Ave, Desp. Aves, Nacional e Sporting.
Quatro finais, quatro jogos para confirmar quem leva a melhor nesta luta, há já algum tempo a dois, pela conquista da Liga.
Quatro finais, quatro jogos para confirmar quem será, afinal, o elo mais fraco?

P.S.: Este artigo de opinião surge no Maisfutebol no dia 25 de Abril, dia da Liberdade. Parece que hoje em dia cada vez menos se olha para a real importância, mas também para a responsabilidade, de vivermos em democracia. A mesma democracia, que desde o dia 25 de Abril de 1974 nos permite expressar opiniões sem censura (nem quero pensar o que passaram os meus avós ou os meus pais, a viver sem ser desta forma) mas uma democracia que devia merecer de muitos uma auto-censura positiva. Poder expressar opiniões não pode ser permissão para ofender ou manter activa uma qualquer necessidade que não olha a classes, raças ou credos. Viva a Liberdade!"

Benfiquismo (MCLXI)

Farmácia Franco, marca registada!!!

Vitória moralizadora...

Oliveirense 79 - 84 Benfica
15-25, 27-25, 19-13, 18-21

Vitória importante... o 1.º lugar na fase regular está longe, mas é muito importante manter o 2.º lugar. E como se viu hoje, mesmo com todos os problemas, ainda vamos a 'tempo'!!!
A Oliveirense jogou sem o Coleman, mas a 'grande' diferença na minha opinião, esteve no 'nosso' Suarez que fez quase 20 pontos, voltando a acertar nos Triplos, algo que já não acontecia, quase desde Dezembro!!!

Esclarecimentos sobre empréstimo obrigacionista

"Na sequência da divulgação, no dia de ontem, do prospecto relativo ao empréstimo obrigacionista Benfica SAD 2019-22, foram hoje publicadas diversas notícias em alguns meios de comunicação que, sendo imprecisas, incorrectas ou falsas, importa esclarecer para benefício de todos os Benfiquistas e Obrigacionistas da Benfica SAD.
1. O empréstimo obrigacionista Benfica SAD 2019-22, cujo período de subscrição decorrerá de 3 a 16 de maio de 2019, é uma única operação e consiste na emissão de obrigações no valor global inicial até 25 milhões de euros, o qual poderá ser aumentado por decisão da Benfica SAD;
2. A adesão a este empréstimo obrigacionista Benfica SAD 2019-22 poderá ser efectuada por 2 formas:
a) Ordens de subscrição das obrigações;
b) Ordens de troca das obrigações Benfica SAD 2017-20 pelas obrigações Benfica SAD 2019-22. 
3. O empréstimo obrigacionista Benfica SAD 2016-19, no valor de 50 milhões de euros, irá ser reembolsado no próximo dia 3 de maio de 2019;
4. Foi hoje referido que os direitos económicos e desportivos (“passes”) de 8 Jogadores estavam penhorados, o que é falso e não é descrito no referido prospecto:
a) O que é verdade é que foi dado em penhor, para garantia de um empréstimo bancário, os direitos económicos e desportivos desses 8 Jogadores;
b) A prestação de garantias é uma prática normal e corrente neste tipo de operações, em qualquer Empresa.
5. Foi hoje referido que a alienação do jogador Talisca gerou um “encaixe” de 11 milhões de euros, dando a entender que esse será o valor que efectivamente será recebido pela Benfica SAD, o que é falso e não é descrito no referido prospecto:
a) O que é verdade é que a alienação do jogador Talisca por 19,2 milhões de euros gerou um ganho (ou seja, mais-valia contabilística) de 11 milhões euros;
b) A diferença deve-se à dedução do valor contabilístico do Atleta, dos compromissos com terceiros e dos gastos com serviços de intermediação;
6. Foi hoje referido que a dívida da Benfica SAD, em 31/Dez/2018, ascende a 367,6 milhões de euros, o que é falso e não é descrito no referido prospecto:
a) A dívida da Benfica SAD, reflectida na rubrica de empréstimos obtidos, ascendia a 168,5 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 104,5 milhões de euros face a 31/Dez/2017;
b) O valor total do Passivo é que ascende a 367,6 milhões de euros;"

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Amantes

"1. Nenhum benfiquista terá gostado de ver o Benfica eliminado como foi, mas vou ser claro: a Liga Europa é desinteressante, desprezada pela UEFA (nem VAR...) e não dá prestígio nem dinheiro a sério. É carne picada.
2. Os pormenores da auditoria forense às contas do Sporting na gestão de BdC foram revelados a 10 de Abril, mesmo dia em que foi divulgada a primeira fotografia de sempre de um buraco negro. Coincidências.
3. A expansão do Caixa Futebol Campus é tal que qualquer dia é preciso passar pelas cancelas do centro de estágio das águias para ir ao Seixal.
4. Sporting em 2019/2020: construir uma equipa à volta de Bruno Fernandes ou à custa de Bruno Fernandes?
5. Um amigo perguntou-me porque é que sendo eu jornalista desportivo não vejo blogues, fóruns, redes sociais e programas de TV de stand up rage. Simples. Se quisesse lidar com doentes tinha ido ao médico.
6. Mais: prefiro mil vezes ouvir Samaris a falar português com ponderação do que portugueses a falar grego em tom exaltado.
7. «Nadal não é um tenista, é uma pessoa lesionada que joga ténis», disse o ex-treinador do espanhol. Acho o mesmo que Jackson Martinez mas prefiro chamar-lhe poema futebolístico.
8. Guardiola gastou (até agora) 812 milhões de euros entre Bayern e Man. City e não conseguiu ganhar a Champions Uma excelente notícia para os românticos do futebol. Isto e o Ajax.
9. Além de ter poupado jogadores, o Marítimo poupou na estadia no relvado da Luz. Percebo Petir e elogio a sua sinceridade, mas a mensagem é perversa e o resultado catastrófico.
10. Nomeações dos árbitros devem ser logo tornadas públicas. Vamos parar de escondê-los como se fossem as amantes do futebol português.
11. Se algum dia tiver problemas de tensão baixa não vou ao médico, falo logo com Vítor Oliveira. Deviam dar o nome do homem a uma grua."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

O caminho da transparência

"Como ficou patente pelas cenas dos últimos dias, a propósito da divulgação das nomeações dos árbitros, a única via séria para ajudar a arbitragem é a da transparência.
Deve ser dito, porém, por amor à verdade, que este complexo de sociedade secreta que mora dentro de quem anda na arbitragem, não é um mal exclusivamente nacional, é uma cultura generalizada, sem fronteiras, que só tem servido para atrasar o progresso.
No entanto, a pouco e pouco, a manutenção deste statu quo obscurantista vai-se tornando insustentável, e um dia, mais cedo do que mais tarde, o sector entrará numa normalidade que ultrapasse a lógica de seita, vigente.
Em relação às nomeações, o segredo mais mal guardado do mundo, será preferível que toda a gente saiba quem serão os árbitros, do que apenas alguns, por portas travessas...
Outras medidas deverão seguir-se, porque quem não deve não teme: por exemplo, em Espanha os relatórios dos árbitros estão on-line pouco tempo depois de acabar o jogo, o que ajuda a perceber o quê e o porquê das cosias, com vantagens para a credibilidade dos árbitros. E as sanções que são aplicadas aos árbitros quando cometem erros grosseiros, porque não são divulgadas?
Na corrente época, depois de uma dessas falhas graves, um árbitro esteve 53 dias na jarra. Não seria preferível que toda a gente tivesse conhecimento destes factos, afastando o insustentável manto de impunidade que parece cobrir os árbitros?
Ninguém duvide de que, nestes tempos de escrutínio cada vez mais apertado, a transparência é o caminho de salvação para a arbitragem."

José Manuel Delgado, in A Bola

Rumo Definido

"Luís Filipe Vieira reforçou ontem a confiança que existe em torno da equipa que lidera o campeonato nacional quando faltam 4 jornadas para a meta. O Benfica está determinado em chegar à Reconquista e, como o seu Presidente afirmou, irá “lutar até ao limite das suas forças” para dar essa alegria a todos os Benfiquistas.
A intervenção de Luís Filipe Vieira – à margem da cerimónia que oficializou a criação da Associação Internacional de Museus de Desporto, que decorreu na Luz – foi essencialmente virada para os próximos anos e serviu para reafirmar a certeza no projecto que todos os dias é desenvolvido no Caixa Futebol Campus.
“Nenhum clube terá futuro se não souber preservar o seu passado.” A ideia é defendida, há muito tempo, pelo Presidente do Benfica. Não deixa de ser significativo, por isso, que Luís Filipe Vieira tenha aproveitado a presença num museu (Cosme Damião) para projectar aquilo que se pretende para os próximos anos: “Um Benfica europeu com base no Seixal”.
Ficou também a certeza de que Bruno Lage é o homem certo no lugar certo e na hora certa! É com o actual treinador que o projecto irá continuar a avançar e a aproximar-se, a cada dia, do sonho de todos os sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica.
O renascimento internacional, ao mais alto nível, dependerá também da capacidade para conseguir reter os maiores talentos que o Seixal tem sabido identificar, evoluir e ‘entregar’ à equipa principal. Os principais reforços vão continuar a sair da ‘Fábrica’ de todos os sonhos. É este o nosso rumo. E é inegociável.

PS: O Benfica disputa amanhã, em casa do seu rival Sporting, o 4.º jogo da final do play-off de voleibol. Entramos em vantagem (2-1) e, por isso, o título de campeão nacional está à distância de uma vitória. Que seja mais um excelente espectáculo entre duas grandes equipas."

Atenção, caro adepto: as leis do futebol vão mudar já em 2019/20 (para ler, aprender e guardar)

"O IFAB publicou, recentemente, uma súmula das principais alterações às leis. As mudanças às regras de jogo passarão a vigorar a partir de 1 de Junho (início da época desportiva). Porque queremos que esteja actualizado - nem que seja para legitimar o seu direito à crítica -, deixamos de seguida as alterações que entendemos ser as mais substanciais.
1 - Processo De Substituição
O jogador substituído deve sair do terreno de jogo pelo ponto mais próximo da linha lateral onde se encontra e não pela zona de meio-campo, como fazia até aqui. A excepção é se o árbitro pedir que ele abandone o campo por outro local. Isso só acontecerá em caso de transporte por lesão, por ser mais célere ou por questões de segurança. Objectivo? Evitar perdas de tempo e contestações em torno deste processo.
2 - Cartões Após Recomeço De Jogo
O árbitro não pode mudar uma decisão depois da partida recomeçar, mas pode exibir um cartão amarelo ou vermelho a um jogador. Isso acontecerá se for entretanto informado, por um colega, que houve uma infração disciplinar antes do jogo reiniciar. Exemplo - Agressão nas suas costas imediatamente antes de um lançamento lateral. O jogo recomeçou rapidamente e o árbitro não teve tempo para ouvir indicação do assistente.
3 - VAR Ao Intervalo E Final Do Jogo
Se ocorrer um lance passível de revisão segundos antes do apito para o fim de um período de jogo, o árbitro pode deslocar-se aos écrans para rever a jogada e deve pedir aos jogadores que tenham saído para regressarem às quatro linhas. Se confirmar-se ter havido erro, esse deve ser corrigido como se o jogo não tivesse terminado. Exemplo - Pontapé de penálti não punido seguido de apito para o intervalo. VAR alerta para a infração quando equipas estão a regressar ao balneários. Devem voltar ao terreno para o respectivo castigo máximo.
4 - Cartões Para Elementos Técnicos
Os elementos dos bancos técnicos passarão a ser punidos com aviso (verbal), cartão amarelo ou cartão vermelho (depende do tipo condutas ilícita, que a lei também tipifica).
Nota - Se não for possível identificar quem teve o comportamento indevido, será o elemento sénior a receber a sanção (regra geral, o treinador principal). Deixará de haver dúvidas públicas sobre quem foi sancionado e como.
5 - Lesionado Pode Marcar Pontapé De Penálti
Quando for concedido um pontapé de penálti, o executante (caso se tenha lesionado e necessite de assistência médica) pode ser assistido no terreno e não tem que o abandonar de seguida. Seria injusto privá-lo de marcar o penálti por ter sofrido falta que o pôs fora do jogo.
6 - Pausas Durante O Jogo
Passam a existir duas pausas permitidas: para hidratação (até 1m) e para os jogadores refrescarem (até 3m). Tudo dependerá da temperatura e do regulamento da respectiva competição. 
7 - Sorteio
A equipa que vencer o sorteio passa a escolher se dá o pontapé de saída ou se escolhe campo. Até hoje, só podia escolher a baliza para a qual iria atacar. É justo premiar a escolha.
8 - Bola Ao Solo
Alteração radical neste procedimento:
A - Se a bola estiver numa das áreas de baliza quando o jogo for interrompido, a bola ao solo será efectuada apenas e só para o guarda-redes.
B - Em todos os outros casos, será efectuada, apenas e só, para um jogador da equipa que a tocou em último lugar, no local onde isso aconteceu.
C -Todos os outros jogadores têm que estar a uma distância mínima de 4m. Acabaram os potenciais conflitos nesse momentos de "falso" fairplay.
9 - Bola Que Toca No Árbitro
Se a bola tocar num elemento da equipa de arbitragem (que esteja dentro do terreno) e daí resultar: A - Perda de posse de bola para a equipa adversária; B - Início de um ataque prometedor; C - Jogada de golo... ... a partida será interrompida de imediato e recomeçada com lançamento de bola ao solo, no local do contacto. Em todos os outros casos, a partida continua. Era injusto que fosse o toque fortuito de bola no árbitro a potencialmente determinar o vencedor de um jogo.
10 - Golos Marcados Com Mãos/Braços
A - Um guarda-redes não pode marcar golo na baliza adversária usando as mãos (arremessando a bola);
B - Qualquer golo marcado com as mãos/braços (ainda que involuntariamente) na baliza do adversário, será anulado como se a acção fosse deliberada. Acabaram os golos em que o último toque na bola foi na mão ou braço do atacante.
11 - Guarda Redes Pode Agarrar A Bola Após Atraso Deliberado
Imaginem a seguinte situação: um guarda redes recebe a bola vinda de um passe de um companheiro (ou lançamento lateral). Sabe que não pode agarrar. Por isso, pontapeia ou tenta pontapear a bola mas falha. Com a nova alteração, nestas circunstâncias, poderá agarrar a bola. Demonstrou publicamente que não queria infringir.
12 - Mostrar Cartões Mais Tarde
O árbitro pode adiar a exibição de um cartão se a equipa que sofreu a falta executar o pontapé livre rapidamente e criar uma oportunidade de golo. A respectiva punição disciplinar será efectuada na paragem seguinte. Era injusto beneficiar o infractor, interrompendo o jogo para sancionar o atleta.
13 - Cartões Que Se Mantém Após Anulação Do Golo
Um amarelo exibido por festejos excessivos (como despir a camisola ou arrancar a bandeirola de canto para celebrar) mantém-se, mesmo que o golo venha depois a ser anulado pelo VAR.
14 - Braço Baixo Após Pontapé Livre Indirecto
Assim que um pontapé livre indirecto for executado, o árbitro pode baixar de imediato o braço, se for óbvio para todos que daí não resultará golo. Isso acontecerá, sobretudo, nos reinícios por fora de jogo. É pouco confortável (e útil) correr muitos metros de braço no ar.
15 - Pontapés Livres E Pontapés De Baliza
Nos pontapés livres dentro da área de penálti (a favor da equipa defensora) e nos pontapés de baliza, a bola passa a entrar em jogo assim que for pontapeada e se mover claramente, com os jogadores da equipa que tem a posse da bola a poderem recebê-la dentro da área. Deixa de ser necessário que saia dessa área para que o jogo recomece. Já os adversários devem estar fora da área até ao recomeço.
16 - Barreiras Com Três Ou Mais Defesas
Sempre que existir uma barreira defensiva de três jogadores (mínimo), os adversários terão que estar, pelo menos, a um metro de distância do local. Se infringirem, a sua equipa será punida com pontapé livre indirecto. Excesso de avançados nas barreiras cria conflitos e prejudica a imagem do jogo.
17 - Pontapé De Penálti
A - Os postes, a barra e as redes não podem estar em movimento aquando da execução de um castigo máximo.
B - O guarda redes já não tem que ter os dois pés sobre a linha de baliza no momento do pontapé. Basta que tenha apenas um (ou parte dele) a tocar nessa linha. 
18 - Lançamentos Laterais
Todos os adversários do executante devem estar a, pelo menos, dois metros do local da linha lateral onde é executado este recomeço, mesmo que o lançador esteja recuado no terreno (por exemplo, lance da pista).
E pronto. Resumidamente, é isto. As mudanças introduzidas perspectivam um jogo com menos paragens e maior dinâmica.
Devem também fomentar alterações tácticas (sobretudo por parte dos guarda redes, nos penáltis e dos defesas/avançados nos pontapés livres na área e pontapés de baliza)."

Que sejas campeão, Benfica

"Desde os meus 16 anos que sou cliente assíduo na Luz. Digo cliente porque nos últimos anos temos visto algo que nunca pensei que fosse possível no Benfica, pelo menos naquele que idealizei. Sócios viraram clientes, paixão virou negócio e o inferno da Luz virou cinema.
Finalmente, nos últimos tempos, tem-se andado a perder o medo de falar nestes assuntos. O ambiente que se vive nos jogos na Luz é o assunto que mais preocupa. Não nos afecta só a nós, sócios e adeptos. Afecta a equipa e o rendimento nos jogos. Estamos a quatro jogos de celebrar o quinto campeonato em seis anos e o que se vive na Luz é surreal. Em vez de empurrar a equipa nos momentos difíceis, colocamos mais peso nos ombros dos jogadores. A tão aclamada onda vermelha não é só esgotar todos os estádios onde jogamos fora. Por falar em esgotar, alguém sabe do paradeiro dos mais de cinco mil lugares cativo que não aparecem na Luz? Nem nos momentos decisivos? Agora, esgotar a Luz significa que estão 57 mil presentes. Ontem assistimos a mais um ponto marcante na curva descendente que é o ambiente na Luz, a recepção à equipa na rotunda Cosme Damião. Aquela rotunda em bons tempos viu milhares de adeptos fazerem recepções eufóricas e despedidas arrepiantes à equipa e agora, estes mesmo adeptos, são corridos pela polícia aquando da chegada do autocarro. A estrutura do Benfica achou que meter cheerleaders, umas quantas bandeiras e a palavra reconquista ia ser igual ao apoio apaixonado dos benfiquistas. Deixem apoiar os poucos que ainda o fazem.
Outra coisa que me mete confusão é o momento em que o Benfica marca golos. Ainda a bola não beijou o fundo das redes adversários e já se ouve o speaker do estádio. Os golos do Benfica é dos poucos momentos onde as bancadas em que não estão os grupos organizados se fazem ouvir e se levantam das cadeiras. Deixem esse momento perdurar e não metam o speaker a abafar este momento natural com pedidos de aclamação ao jogador que marcou vezes e vezes sem conta. Mais importante do que gritar por quem marcou o golo, é gritar pelo Benfica. Espero que o apoio nos dois jogos que faltam em casa seja empolgante, que empurre a equipa para a vitória e para a tão desejada reconquista.
Que sejas campeão, Benfica."

O fabuloso destino de Bernardo Silva

"Os calções cor-de-rosa com que aterrou em Manchester para encarar o frio britânico, em 2017, e o guarda-roupa de que se serve habitualmente (Ilkay Gundogan chegou a dizer que o colega de equipa se veste como um avô) são os únicos “defeitos” que, em tom de provocação, são apontados a Bernardo Silva. Este fait-divers serve somente para se perceber quão consensual é hoje o jogador português, dentro e fora do balneário do City. É um esbanjador de classe e, de longe, o activo do plantel que mais elogios tem merecido do treinador - e Pep Guardiola está muito longe de ser um treinador qualquer.
A admiração do catalão pelo criativo português remonta aos embates entre Mónaco e Manchester City na Liga dos Campeões. Foi nessa altura que se decidiu a pedir a sua contratação e, desde então, Bernardo Silva tem superado as expectativas. Guardiola já se pronunciou inúmeras vezes sobre os méritos do atacante lisboeta, tendo também já desvendado qual o primeiro atributo que procura num jogador quando aborda o mercado - a capacidade de se relacionar com os colegas e com a equipa técnica.
É evidente que, a este nível, todos os restantes pré-requisitos estão também preenchidos, a começar pelo talento ímpar e pelo valor acrescentado que o reforço pode gerar para a ideia de jogo preconizada. Mas a importância que é dada pelo catalão à capacidade de os seus atletas se submeterem ao interesse colectivo é um sinal de inteligência, um alerta de quem sabe com que linhas se cosem os egos num clube movido a milhões de libras.
“Portugal pode estar orgulhoso. Bernardo é uma jóia, como jogador e como homem”. “É impossível deixar Bernardo Silva de fora. É Bernardo e mais dez jogadores. Aquilo que ele tem feito ao jogar pelo meio (...) tem sido perfeito”. Ou, mais recentemente, após o triunfo sobre o Tottenham: “Quando vemos quão altos e fortes eles são nos duelos... nós sofremos, com excepção do Bernardo Silva. Não sei o que é que ele comeu”.
É difícil encontrar um atestado mais credível do peso que o internacional português tem no fabuloso City 2018-19. Os recursos técnicos já não eram novidade para ninguém, mas em Inglaterra Bernardo ascendeu a outra dimensão: ganhou uma incrível capacidade de defender sem bola, de activar a pressão, de disputar bolas no choque. Não deixou de ser um jogador de estatura modesta (1,73m) para os padrões da Premier League, mas no ideário de Guardiola a questão da métrica é uma questão menor. E a cirúrgica leitura de jogo em movimento que o criativo oferece aos “citizens” é uma arma poderosíssima.
Não é por acaso que está entre os nomeados para o prémio de melhor jogador da época em Inglaterra, pela Associação de Futebolistas Profissionais, fazendo parte ainda da lista de candidatos ao galardão de melhor jovem da temporada. Ele, que aos 24 anos tem uma maturidade que ultrapassa largamente o cartão de cidadão (e o altruísmo que mostrou ao entregar a Phil Foden a distinção de melhor em campo, no fim-de-semana, está aí para o provar), é já uma das figuras incontornáveis do campeonato mais apetecível e entusiasmante do planeta.
O prazer que retira de cada recepção, de cada assistência, de cada linha de passe que descobre certamente que ajudará a esta imparável afirmação de qualidade, mas é com a bola colada aos pés que Bernardo expressa a sua arte na plenitude. As movimentações de fora para dentro, normalmente numa equação de “extremo” de pé trocado (ainda que considerar Bernardo um extremo neste modelo seja altamente redutor), não têm paralelo no City actual. Especialmente porque é difícil encontrar alguém que coordene de forma tão perfeita a condução a alta velocidade com um diagnóstico tão preciso do jogo e do que ele pede a cada momento.
“São muito poucos os extremos que dominam o espaço-tempo de maneira correcta. Quando um extremo se coloca por dentro, é atacado por todos os lados e existem poucos que sabem jogar por ali, que sabem receber e atacar bem”, apontava Guardiola ainda nos tempos do Bayern. Pois bem, o técnico catalão encontrou uma dessas raridades."

Só ele era mais negro do que o touro...

"Há uns anos largos, uns bem contados cinquenta, o barco que me trazia do Funchal tinha acabado de chegar ao cais da Rocha de Conde d’Óbidos. Era o Funchalense. Havia dois iguais: o outro era o Madeirense e chamavam-lhes os bananeiros porque era sobretudo de carga e não de passageiros. Desembarcar levava o seu tempo. O meu pai trazia o carro preso no convés, era preciso desamarrá-lo. Fiquei entretido num pequeno camarote onde, durante a viagem os senhores fumavam e conversavam e as senhoras jogavam à canasta ou ao crapaud. Havia uma televisão. Um aparelhinho miserável de pequeno e desacertado, ainda assim um luxo que, lá na ilha, era preciso subir ao Pico do Areeiro para, num café, se espreitar volta e meia a TV Canárias.
Isto brotou-me tudo da memória, assim de supetão, por causa de Chibanga. Do grande Ricardo Chibanga, o Divino Negro. Na televisãozinha manhosa do Funchalense estava a dar, em directo, uma tourada, e eu preso às imagens relutantes, traços cinzentos subindo e descendo, lentos, as imagens desfasadas. E, negríssimos, Chibanga e o touro.
Ricardo colocava o joelho no chão e hipnotizava o touro. O touro olhava para ele e deixava de ser touro e era apenas boi, manso, submisso. Não havia traços cinzentos a subir e a descer no ecrã arredondado que os distraíssem um do outro. Ambos geminados naquela negritude de que falavam Césaire e Senghor.
Há muitos, muitos anos, eu perdia-me nas páginas dos jornais que traziam as partidas e as chegadas dos barcos ao porto de Lisboa. E ficava ali sonhando com carreiras das Índias que me levassem pelas costas de África para o oriente que fica para lá do oriente. Não sei que horas eram quando o Funchalense entrou, nesse dia, na barra do Tejo. Provavelmente cinco em ponto da tarde. Eu gostava que tivessem sido cinco em ponto da tarde. «Ay qué terribles cinco de la tarde! Eran las cinco en sombra de la tarde!».
Lorca de olhos postos em Chibanga e no touro embevecido: «Las heridas quemaban como soles». Depois, Ricardo Chibanga fazia uma festa no focinho do touro e esse movimento equivalia à estocada perfeita do matador. Beijava a palma da mão direita e soprava para o alto e para o público. A ovação batia-lhe no peito como uma vaga de calor vinda lá da sua Lourenço Marques natal.
De súbito, estava eu preso às imagens de Chibanga na televisão minguada do Funchalense e, às cinco em sombra da tarde, um burburinho entrou-me pelos ouvidos. Gritos e risos à mistura. Movimento de passos apressados. E eu, na minha curiosidade infantil, à procura da amurada onde pudesse espreitar as inopinadas acontecências. Não era um touro, mas a memória embaciou-se-me entretanto. Uma vaca mais impaciente ou um novilho excitado pela irritação dos homens. Nenhum deles tinha a sedução fascinante de Ricardo Chibanga. Corriam atoleimados por entre contentores e caixotes de madeira atrás do bicho escouceante numa facécia de precários cowboys sem Texas Jack.
Há muitos, muitos anos, fiquei à espera que Chibanga chegasse ao cais da Rocha de Conde de Óbidos envolvido no seu sortilégio de príncipe de lantejoulas e, com o movimento prestidigitador de um segundo de deslumbre, fizesse ajoelhar o tourinho de brincadeira, o olhasse sorrindo até ao fundo das pupilas inchadas de receio, e lhe falasse com a voz calma dos que conhecem os segredos mais profundos dos que habitam o País dos Inquietos. E ele, sossegado, compreendido, pacificado com a realidade indelicada dos humanos, lamber-lhe-ia as mãos no ponto mais alto da humildade.
Alguém me disse, ou se calhar li em algum lado, que Ricardo Chibanga morreu. Ri-me. Que tonteria! Que disparate! Quem é que mata um matador? Nem mesmo Deus, se tivesse a decência de existir.
«Y el toro, sólo corazón arriba!». O touro exausto. 450 quilos de carne diluída à força de chicuelinas. Espumando pela boca num cansaço sem remissão. O orgulho não o deixa ajoelhar-se. O sol bate de chapa nas lantejoulas do fato do toureiro e um caleidoscópio toma conta da arena e cega toda a gente. Escuridão completa, por segundos, por milésimos de segundo.
«Num mundo de coisas raras
Faz uma pega de caras
Não te deixes vencer», dizia o fado do filme A Última Pega.
Era raro um toureiro negro.
Sereno, luzidio, de uma escuridão intensa.
Chibanga não foi o único negro na arena. Veio com ele, lá da mesma Mafalala de Eusébio, Carlos Mabunga, que o destino tratou de esquecer.
O touro, olhos nos olhos.
Os dois negros, divinos negros. Cavalheiros ambos. Medem-se pelos palmos da coragem, da teimosia. E Chibanga sorria, finalmente, vencedor da morte. Ele, só ele, conseguia ser mais negro do que o touro. E o touro sabia-o melhor do que ninguém."

Versão Internacional...!!!

Tribuna de Honra... da última Segunda...