Últimas indefectivações

terça-feira, 16 de abril de 2019

Eu canto, tu cantas, ninguém canta

"Já não há mais maneira de fingir que não existe um problema grave no ambiente dos jogos no estádio da Luz. Tem sido um assunto tabu para não ferir susceptibilidades e egos, mas a partir do momento em que esta situação começa a influenciar a prestação da equipa passa a ser um assunto de resolução urgente e, para isso, temos de o discutir.
A equipa tem tido uma prestação mais segura fora de casa, onde o apoio tem sido fortíssimo, do que na Luz e acredito que isso se deva, em parte, ao clima estranho que se vive actualmente na nossa casa. O “inferno” de outrora, que impressionava equipas e adeptos adversários, deu lugar a um estádio nervoso, silencioso e monótono que somente reage a golos e apenas por breves segundos. 
Nota prévia: perdoem-me o texto longo, mas este é um assunto muito importante que não pode mais ser ignorado, a bem do Benfica e dos benfiquistas.

O contexto
Indiscutivelmente a questão da legalização das claques prejudicou, e muito, o ambiente do nosso estádio. Existe uma perseguição clara às claques benfiquistas porque foram as únicas a enfrentar o sistema e recusar uma lei injusta, absurda e feita para inglês ver, que na prática apenas serviu para encher os bolsos de alguns claqueiros sem escrúpulos. Quase todas as claques em Portugal estão ilegais, seja lá o que isso for, mas apenas as nossas estão impedidas de usar megafones, tambores e material com simbologia dos grupos. Por exemplo, a principal claque do Vitória de Guimarães tem apenas 12 membros inscritos no IPDJ mas é considerada legal… isto apesar de todas as semanas apresentar centenas de membros nas bancadas. Alguém do IPDJ e da Liga consegue justificar esta diferença de tratamento e explicar porque apenas o Benfica vê o seu estádio alvo de interdição quando Todas as claques são ilegais à luz desta lei?
Proposta: o Benfica deve denunciar esta perseguição expondo o número de registados nas claques e confrontar estes valores com o que está escrito na lei. Facilmente se chegará à conclusão que todas as claques estão ilegais, mas para isso é necessário colocar pressão sobre estas instituições de modo a que justifiquem esta diferença de tratamento flagrante. A lei é para todos ou não é para ninguém!

Eu canto, tu cantas, ninguém canta
Se analisarmos o que é dito sobre o tema nas redes sociais parece que não existe um problema. Ou melhor, toda a gente se queixa mas ao mesmo tempo afirma que apoia muito e que o problema é o vizinho do lado. Será? Será que fazemos mesmo a diferença naquelas 2 horas em que estamos na bancada? Não me parece. Eu não faço de certeza, dou por mim apenas a acompanhar palmas, soltar uns tímidos gritos de apoio quando o estádio se empolga ou a equipa tem uma fase fulgurante, mas na maioria do tempo sinto-me engolido pelo mar de silêncio e ansiedade de gente que, como eu, não reage, não se empolga… nada. Acreditem ou não, nem sempre tive esta atitude. Fui membro de uma das nossas claques por quase 2 décadas e sempre cantei, incentivei, fiz material de apoio e dava o meu melhor em todos os jogos, casa ou fora. Mas hoje olho à volta e sinto vergonha. Vergonha por mim e pelos outros que, tenho a certeza, também querem fazer mais e melhor mas não conseguem. Permitam-me ainda um desabafo que, adivinho, será polémico: os novos cânticos são uma seca! Arrastam-se eternamente e o estádio começa a adormecer aos poucos. Onde estão os clássicos que punham o estádio todos aos saltos? Onde anda o “Glorioso SLB”, o “Ninguém pára o Benfica”, o “Loucos da cabeça”, o “Tudo a saltar”?
Proposta: voltar aos clássicos que o benfiquista comum gosta e reconhece e não deixar arrastar os cânticos ao ponto de quase ninguém cantar durante 10 ou 15 minutos.

Deixa-me sair já para não apanhar trânsito
Vou colocar a questão de outra forma, imaginem este cenário: conhecem uma pessoal especial que faz o vosso mundo girar e o coração bater mais depressa. A conversa é boa e flui naturalmente, partilham uma refeição maravilhosa com direito à vossa sobremesa preferida, depois vão beber um copo e divertem-se mais um pouco. Tudo correu bem, tudo foi perfeito. Chegam ao final da noite e em vez de se despedirem com um beijo à campeão/campeã dão meia volta e desaparecem sem dizer mais nada. É um bocado o que se passa com os nossos rapazes quando nos oferecem um bom jogo mas olham à volta e só vêm um estádio às moscas ondem ninguém se dignou a ficar mais 5 minutos para se despedir. É também nestes momentos que se ganham campeonatos, lembra-se daquele minuto 70 contra o Sporting em que estávamos a perder 0-3 sem apelo nem agravo? Tenho plena convicção que foi nesse momento de fervor benfiquista inolvidável que começou a conquista do campeonato 2015/2016.
Proposta: Não saiam antes do jogo terminar, o que são 5 minutos da vossa vida comparados com a emoção de ter visto o 10º golo frente ao Nacional, o golo do Jonas no Bessa e uma despedida digna aos nossos rapazes com um estádio em apoteose? É pedir muito? Acho que não.

O DJ da Luz
Horrível, é a única forma que tenho para descrever o trabalho do funcionário encarregado de animar a Luz. Nem vou comentar a escolha musical, porque isso depende de pessoa para pessoa, mas a falta de jeito e sensibilidade para entender os momentos do jogo é gritante. Antes do jogo iniciar temos uma discoteca aos altos berros que abafa qualquer tentativa espontânea de criar bom ambiente e o set musical só termina no exacto momento em que o árbitro apita para o início do jogo. Após cada golo é imediatamente colocada uma música aos altos berros que, mais uma vez, impede qualquer reacção popular para além de trautear o Seven Nation Army e gritar o nome do jogador que marcou o golo. Ao intervalo mais do mesmo: música estridente que dificulta até qualquer tentativa de ter uma conversa com a pessoa do lado. É ridículo e não acredito que exista algum benfiquista que tenha passado pelos 2 estádios que seja capaz de dizer que este Sr. Farol faz um bom trabalho.
Proposta: após a entrada das equipas e do Ser Benfiquista não colocar nem mais uma música e permitir que sejam os adeptos a comandar o apoio. Após cada golo esperar, contar até 20 devagarinho e depois sim anunciar o nome do marcador Sem colocar música. Mais uma vez, são os adeptos que têm de fazer o ambiente, não o DJ!

Tenho bilhete, mas não me apetece ir
Antigamente achava que o ideal era ter o estádio todo vendido só com lugares anuais, tal como se faz lá fora em Manchester, Dortmund, etc. Hoje percebo que esta estratégia não funciona em Portugal porque a mentalidade do adepto nacional é completamente diferente. Nunca pensei chegar ao dia em que estamos a 6 (agora 5) jogos de sermos campeões, ter a Luz com lotação esgotada e só aparecerem 56.000 pessoas. Faltaram cerca de 6000/7000 adeptos que tinham bilhete, não o cederam a amigos nem revenderam no novo sistema implementado pelo Benfica. Não há volta a dar, é um problema de mentalidade e por isso tem de haver um limite na venda de red pass e possivelmente uma análise às presenças dos detentores destes lugares para garantir que esta vergonha não acontece. Não se entende nem se aceita!
Proposta: Limitar a venda de red pass a 35.000/40.000 e impedir que pessoas que tenham ido a menos de 75% dos jogos (13) possam renovar o seu lugar no ano seguinte. Se não querem ir à bola que cedam o lugar, não é aceitável existirem lugares vazios quando há benfiquistas dispostos a ir ao jogo! 

Os assobios
Para estes não há solução: o único lugar que estes “benfiquistas” (aspas propositadas) deviam ter era fora do estádio. Em condições normais este fenómeno já é revoltante por si só, mas assistir a este triste espectáculo quando a equipa está a jogar bem e a ganhar é absolutamente revoltante. “Estúpido” é o adjectivo mais simpático que encontro, mas não descreve totalmente uma pessoa que assobia a própria equipa numa fase em que esta necessita precisamente do contrário. Pior: normalmente estes artistas são muito rápidos a pressionar os nossos mas incapazes de assobiar a equipa adversária ou o árbitro. São uma espécie de anti-benfiquistas que deveriam ser impedidos de entrar em qualquer estádio onde jogue o glorioso.
Nota: Há obviamente excepções e uma assobiadela no final do jogo pode ser necessária para mudar o estado das coisas, mas deve ser encarada como uma excepção e não a regra.

Faz sentido exigirmos este mundo e o outro a clube e atletas quando nós próprios não apresentamos os mínimos olímpicos no apoio na Luz? Quando não aparecemos nos estádios/pavilhões, assobiamos a equipa, abandonamos o jogo antes de terminar ou simplesmente não gritamos BEN-FI-CA a plenos pulmões? Porque o fazemos nos jogos fora de maneira formidável mas em casa ficamos calados? Porque damos festival de apoio em Dortmund, Porto, Alvalade e basicamente todos os estádios onde o Benfica vai jogando mas na nossa casa nos sentimos envergonhados?
Este problema não é do clube, das claques, dos adeptos da central ou dos atletas: é de todos e é entre nós que temos de o resolver. Queremos o Benfica campeão, certo? Então vamos fazer por isso! 
Concordam que o ambiente na Luz já teve melhores dias? Que medidas poderiam ser tomadas para resolver a situação?
Deixem os vossos comentários e opiniões."

Estádio para arrendar

"Numa das publicidades do Corporate Club - parte do clube que negoceia e estabelece relações comerciais com empresas - que passa nos intervalos da BTV aparece algo deste género: “organize desde reuniões de 2 pessoas até encontros com 65.000 pessoas”. Ou seja, no Benfica é possível arrendar desde salas para reuniões até ao estádio completo. E já o é possível há vários anos. Um dos eventos mais populares que lá ocorreram foi em 2007, quando o Estádio da Luz acolheu a Gala das Sete Maravilhas do Mundo. O Estádio da Luz é um dos maiores Estádios da Europa (24º) e Lisboa uma das cidades da moda. É natural que seja um local atractivo para grandes eventos.
Segundo consta, o Estádio da Luz vai acolher o Congresso Internacional dos Testemunhas de Jeová no fim de Junho, quando o Estádio não está a ser utilizado. Eu sou ateu, mas respeito todas as religiões desde que elas não me incomodem. Confesso que já fui abordado um par de vezes por algumas religiões e que já fingi não estar em casa enquanto duas senhoras, que eram Testemunhas de Jeová, tocavam à campainha. Mas não tenho problema nenhum com os Testemunhas de Jeová, ou com qualquer outra religião. Respeito-os a todos.
No entanto, no Benfica há estatutos e um dos primeiros artigos diz “ao SLB são interditas actividades de carácter político-partidário e de proselitismo religioso”. Este artigo é fundamental para garantir que o clube é aberto a todo o tipo de pessoas. É importante ser respeitado. É essa uma das maravilhas do Benfica, um clube que atravessa todos os estratos sociais. Na minha óptica, o Benfica ao arrendar o seu Estádio a uma igreja não está a organizar uma actividade de carácter religioso. Está simplesmente a arrendar um espaço seu. Como já o faz quando pessoas se casam no Estádio da Luz (já aconteceu) ou quando a Emirates usa a sala do seu camarote para uma reunião com clientes. O Estádio da Luz é mais do que um local onde se joga futebol. Há um canal de televisão a funcionar dentro do Estádio, há um ginásio e há um restaurante. Logo pode também haver áreas para a organização de eventos particulares. Não me incomoda.
A FPF quando alugou o Estádio da Luz em 2007 divulgou os valores pagos ao clube. Nesse ano, alugar o Estádio por um dia custou à FPF 185.000€. Os Testemunhas de Jeová vão alugar o Estádio por, pelo menos, 3 dias, que é a duração evento. Se tiverem que montar algo, terão que alugar o Estádio por mais do que isso. Os valores pagos pelos Testemunhas de Jeová não foram divulgados, mas pela ordem de ideias do que a FPF pagou, vão andar nos 200.000€, pelo menos, podendo ir até 1.000.000€, caso arrendem o espaço para a semana inteira.
O Estádio da Luz há cerca de um mês que é propriedade do clube Benfica e não da Benfica SAD. O clube tem a seu cargo, entre outras coisas, as equipas das modalidades, ou seja, o mais provável é que o dinheiro que os Testemunhas de Jeová vão pagar seja utilizado como reforço do orçamento das modalidades. 185.000€ dá para pagar mais do que um René Toft Hansen. 200.000 dá para contratar, no mínimo, um craque para duas equipas. É verdade que quem for ao evento vai reparar que aquele é o estádio do Benfica. Mas a imagem do clube não vai ficar associada aos Testemunhas de Jeová. Alguém associa o Belenenses à IURD? Pois bem, a IURD já organizou vários eventos semelhantes no Estádio do Restelo. É a mesma coisa.
Sobre o relvado, ele já iria ser substituído. O Ed Sheeran vai dar dois concertos lá no início de Junho. Logo, com este evento, deve ser substituído no início de Julho. A única razão para isto ter causado alguma celeuma é porque são os Testemunhas de Jeová, uma religião com um marketing bastante agressivo e invasivo e que, como tal, não é a mais popular de todas. Porque de resto, é bom para o clube ter estas fontes de rendimento. Bastante bom até. As modalidades não se pagam a si próprias. Um bilhete custa 2€ e o pavilhão enche 5x por ano. Nas aldeias fazem rifas para pagar festas ou pagar ao plantel do clube de futebol. No Benfica arrenda-se o Estádio para termos mais dinheiro para gastar nas modalidades e ganhar mais títulos."

Lage, um treinador que treina

"Se há algo que se tem notado no actual treinador do SL Benfica desde que assumiu a equipa principal é a importância que este dá aos treinos. Não faltam ocasiões para frisar, no seu discurso, que pensa sempre, não só “jogo a jogo”, mas também, e principalmente, “treino a treino”.
Esta obsessão e relevo que Bruno Lage dá ao treino faz um pouco um contraste com a impressão que se tinha de Rui Vitória, já que este último chegou mesmo a dizer que “gostamos de treinar menos e jogar mais”, quando perguntado se uma semana de descanso ia fazer bem à equipa depois de um sequência de jogos com poucos dias de intervalo entre si.
Mas a evidência quanto à importância das sessões de treino para Lage não é só uma expressão em conferências de imprensa e flash interviews. É notório que o treinador conta com todo o plantel para lutar nas diversas provas e que as escolhas de Lage até cheguem a divergir das escolhas de Rui Vitória, que usava um onze base nas várias competições e tendo os seus “preferidos” na equipa. 
Quanto a Lage, a impressão que dá, é diferente. Para além de um jogador que não foi convocado no jogo anterior poder passar a titular no jogo seguinte, a utilização dos atletas é feita de acordo com o jogo que se aproxima e das armas que cada um detém. Ora, por exemplo, se Gedson tinha feito o último jogo a titular há seis partidas, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, contra o Eintracht Frankfurt, este saltou para a titularidade para que a equipa pudesse usufruir das suas capacidades numa mecânica diferente. E tudo isto é trabalhado e observado nos treinos.
Lage observa as individualidades dos seus atletas e impulsiona a sua melhoria nas preparações para os jogos, dando-lhes importância prioritária. Além disso, somos bastante capazes de acreditar que a prestação de um jogador nos treinos dita a sua entrada ou saída do onze, ao invés do nome ou prestígio que traz nas costas. E isto leva-nos a falar de um exemplo bastante sonante: Adel Taarabt.
O marroquino era dado como um atleta perdido, excedentário, completamente fora das contas do Benfica, que só dava despesa ao clube enquanto não fosse transferido. A verdade é que Taarabt mostrou serviço e empenho nos treinos da equipa ‘B’, sendo, aos poucos, chamado a treinar com a equipa principal até chegar ao papel de titular, na partida contra o CD Feirense. Uma pequena prova de que Lage olha primeiro para o treino antes de afastar ou de glorificar um jogador. Se um jogador perde o gás no treino, perde o lugar no campo e vice-versa. A Taarabt, juntam-se uma lista de jogadores que com o antigo treinador pareciam estar completamente fora dos planos e que agora fazem parte do núcleo da equipa.
É bom saber que no comando da equipa está um treinador que investe no momento de forma e no esforço e potencial de um jogador, em vez de olhar para as costas da camisola que veste ou para aquilo que ele fez outrora, mas agora não está com vontade ou força para fazer.
Este é um dos aspectos que gosto em Lage, um treinador que treina.
Saudações Benfiquistas!"

Ó tu que assobias: há alternativas, pá!

"Desde que me lembro de ser benfiquista - ou seja desde que me lembro de qualquer coisa -, sempre me irritaram profundamente os adeptos que vão à bola sempre prontos a assobiar, do primeiro ao último minuto.
Antes de tudo o resto, é uma tremenda demonstração de problemas cognitivos, senão vejamos: se o jogo estiver a correr mal, ou a equipa estiver nervosa, o que fará o assobio? Pensa um bocadinho, assobiadeiro.
Ainda mais idiota é assobiar a equipa quando ela está a praticar bom futebol e a ganhar(!). Desculpa lá, assobiadeiro, se um passe transviado te estragou a experiência enquanto estás com a pança e nalgas bem repousadas na Catedral.
Mas, porque apesar de tudo acredito que sejas benfiquista, deixo aqui algumas alternativas ao assobio, pensa nelas com carinho:
1 - Refila, só. Vira-te para o gajo do lado e critica o charuto do Rúben Dias. Ficas mais aliviado e, no relvado, eles não te ouvem.
2 - Pensa um bocadinho: queres ajudar ou piorar a situação? Conta até 10 e está caladinho.
3 - Fica em casa. Aí podes assobiar à vontade enquanto tiras cotão do umbigo.
Faltam 5 finais, não sejas burro. Apoia!"

Bruno e João, o talento e o futuro

"O Campeonato demora a decidir-se. Na frente, Benfica e FC Porto ombro a ombro na curva para a recta final. Cada qual espera que o outro tropece numa qualquer pedra no caminho. Em regra, o FC Porto joga primeiro, ganha e cria pressão sobre o rival. Vem, depois, o Benfica repor a sua precária condição de líder e tudo volta a ficar adiado. O jogo, a emoção, a expectativa, a ansiedade.
Por fora desta guerra do trino, correm dois jovens jogadores que se tornaram nos principais focos de cobiça dos grandes da Europa: Bruno Fernandes e João Félix. Bruno é mais velho, tem 24 anos, está, talvez, no momento certo de zarpar e de voltar para o estrangeiro, onde já teve experiência que lhe valida a capacidade de resistir às ausências: mas desta vez, porém, para um grande clube. Talvez Manchester e o sempre entusiasmante futebol inglês lhe assente bem ao futuro imaginado. Quanto a João, é um miúdo de 19 anos com um talento do tamanho do mundo e que ainda precisa de consolidar esse talento por forma a ser mais consistente, mais regular.
Claro que os grandes da Europa estão atentos e sabem que podem fazer melhor negócio se convencerem o Benfica a libertar a sua última jóia da coroa ainda numa idade de crescimento. Seria, porém, um perigo para a enorme expectativa de carreira de João Félix. Cair, desde já, ainda imaturo e em processos de ascensão profissional, num clube como o Real ou, mesmo, o Atlético de Madrid poderia tornar-se tão desapropriado como foi o Bayern de Munique para Renato Sanches. Bruno e João têm, em comum, um talento fantástico, mas são ainda diferentes na maturidade futebolística."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Chegaram a 'comparar' o João com o Jovane (!!!), agora é com o Bruno Fernandes... Esta incapacidade de perceber as diferenças óbvias... esta tentação de 'colar' um Lagarto, quando se quer fazer um elogio a um Benfiquista, é desesperante!!!

Rafa e Félix, os diabos à solta

"Rafa e João Félix deixaram todas as suas qualidades bem visíveis

Estádio da Luz flamejante
1. Antes de mais, o ambiente no Estádio da Luz estava simplesmente fenomenal, como os números nos mostraram com quase 57 mil espectadores nas bancadas, não haja dúvida uma tremenda casa. E o Benfica teve uma entrada a condizer, em grande, com um golo no primeiro minuto do encontro, elevada posse de bola, grande circulação e muita mobilidade e deixar o Vitória de Setúbal muito exposta fisicamente. João Félix, a coordenar e explorar jogo entre linhas, como um cérebro, nesses 20 minutos iniciais, foi todo um trabalho de desmontagem da estrutura defensiva do adversário, contando com esse forte élan no estádio.

Makaridze inspirador
2. O penálti, aos 29 minutos do encontro, momento em que o Benfica poderia fazer o 2-0, mas acabou por falhar, por Pizzi, também muito por mérito da grande intervenção de Makaridze, acabou por empertigar e fazer acreditar o Vitória de Setúbal. O Benfica marca o 2-0 depois, mas creio que o penálti falhado deixou marcas no Benfica, o Vitória de Setúbal reduz para 2-1 e consegue chegar ao intervalo com um crescendo bastante assinalável no desafio e acaba os 45 minutos iniciais num plano de grande destaque. Sem dúvida que a formação comandada pelo técnico Sandro Mendes mostrava um balneário cheio de confiança e a pensar, com pleno direito, que era possível obter algo mais na segunda parte pela forma como tinha terminado a primeira parte no Estádio da Luz.

Segunda parte de excelência
3. A segunda parte começava com um resultado em aberto e trouxe os melhores 45 minutos de um jogo neste campeonato. Aqui, aproveito para destacar as grandes exibições individuais de Rafa e Félix, em que deixaram todas as suas qualidades bem visíveis. Do outro lado, um Vitória determinado honesto. As duas equipas foram obrigadas a elevar as suas capacidades à exaustão, o que, sem dúvida, fez deste jogo um grande espectáculo. E mais um grande golo de João Félix, depois de uma grande prestação, que marca a capacidade de um grande finalizador.

VAR deveria ter visto mais
4. Por último, uma nota em relação à equipa de arbitragem e ao VAR. Entendo que foi uma boa arbitragem neste jogo, apesar de ainda ter ficado por marcar um penálti sobre Rafa. O VAR deveria ter visto esse lance e deveria ter ajudado o árbitro, mas não o fez, o que, para mim, foi uma pena, pois perdeu-se a oportunidade de um trabalho de excelência, que seria o condizente com a qualidade do espectáculo futebolístico a que se assistiu ontem à noite no Estádio da Luz. Mas, afinal, é para isso que o VAR serve: para ajudar o árbitro..."

Ulisses Morais, in A Bola

Repórter, peso, navegação e informação

"Repórter é uma espécie aventureiro: alguém que vai para fora e traz o relato de algo que aconteceu longe

Repórter
1. A etimologia é uma forma lenta de olhar para cada palavra. É a história, a biografia, quase familiar, de um vocábulo. Quem foram os bisavôs, as bisavós, os avós, os pais de uma certa palavra? Quem são os seus irmãos, as suas irmãs?
A palavra repórter, por exemplo, para alguns estudiosos desta história particular, vem do francês medieval reporteur, mas «a origem remota é a raiz do verbo portare, trazer do porto, levar ao porto».
Repórter é, pois, aquele que transporta, não uma caixa pesada de mercadorias, mas informação. O repórter (politico, desportivo ou outro) traz ao porto marítimo (no caso da palavra repórter, no sentido actual, traz a redução do jornal, da televisão ou da rádio) essa carga leve de peso, mas com imensos quilos simbólicos: os quilos da informação.
A informação, diga-se, foi ficando cada vez mais leve, mais fácil por isso de transportar - mas isso é, para já, outro assunto.

Vasco da Gama, Bartolomeu Dias
2. Repórter é, portanto, na sua base, uma espécie de aventureiro: alguém que vai para fora e traz, ao cais do porto inicial, o relato de algo que aconteceu longe. É aquele que se afasta de casa e entre no barco, enfrenta o mar e, mais tarde, depois de muito balanços e contratempos, regressa dizendo: o que eu vi do outro lado do mundo foi isto e isto e aquilo.
Tem testemunhas, provas, tirou fotografias, fez entrevistas? Sim, responderá o repórter. O primeiro dos repórteres terá sido, assim, o primeiro dos navegadores.
Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães, Cristóvão Colombo e etc., exemplos primeiros, portanto, daquilo que hoje se designa como Grandes Repórteres: no limite correm perigo de vida para trazer algo.
Claro que é bem mais nobre, parece-me a ideia de, em vez de trazer ouro e pedras preciosas ou até essa terrível carga humana que, em muitas décadas os navegadores trouxeram de longe, talvez seja mais bonito, dizia, a ideia de trazer conhecimento ou informação (que também foi trazida, sejamos justos, e em grande quantidade, no tempo da descoberta do caminho marítimo para a Índia e etc.).
- O que trazer no teu barco (em linguagem contemporânea: o que trazes no teu computador) a este porto? Ouro, jóias?
- Não, trago uma notícia, uma reportagem.
- Ah, que alegria!
Reportagem - e, de novo, porto marítimo na essência da palavra - é aquilo, o material, que se traz.
Em síntese, caro Grande Repórter, não te esqueças: o teu tetravô foi navegador.

Navegar em terreno seco e imóvel
3. A origem da palavra repórter, atirando para o acto de reportar - trazer de volta ao porto depois da viagem de barco - remete, então, para o viajante e não para o homem sentado na sua cadeira do poltrona. Um repórter diante de um computador pode simbolicamente simular um percurso, uma ida, um avanço, uma saída do seu espaço mental e um avanço para outras ideias, informações, etc., mas sejamos claros e lembremos o óbvio: estar sentado numa sala não é o mesmo que correr perigo num barco em alto mar.
O termo navegar aplicado aos utilizadores da Internet é uma bela metáfora, mas um pouco enganosa (aliás, muito enganosa: quer dar a sensação de que estamos em altíssimas movimentações quando afinal não mexemos um pezinho). A pacata realidade é esta: não navegamos, não há mar nem porto, e estamos com o rabinho sentado em sítio tranquilo e que não balança (se a cadeira for razoável).
(Um amigo meu propôs a colocação de uma vela de barco na mesa ao lado do computador. É uma hipótese).
No século XXI, estamos quase todos no mesmo barco, literalmente. Mas num barco parado."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

As vitórias morais no futebol (porque uma equipa pode não ter mérito algum na criação das situações de golo, ainda que as finalize)

"O futebol é um jogo desportivo colectivo tão distinto de quase todos os que conhecemos que todos os dias somos impelidos a fazer no futebol o mesmo tipo de comparação de outras modalidades. Seja onde for, estamos sempre a ser empurrados para formas redutoras de analisar o jogo e para um empobrecimento da discussão de quem teve o maior mérito, depois do resultado final.
Das maiores e mais sofisticadas formas de analisar o jogo, aparece agora o número de ocasiões de golo criadas por cada equipa, e também eu caio na tentação de, na tentativa de simplificar a informação para quem a vai receber, tentar explicar um jogo dizendo que teve mais mérito a equipa que conseguiu criar mais situações de golo.
Outra vez os números, não é?! Haverá sempre por aí alguém a achar que eu não os suporto. Mas não é o caso.
É claro que o número de ocasiões criadas tem alguma relevância para traduzir aquilo que foi o jogo, para ajudar a perceber a tendência ofensiva e defensiva do mesmo (de cada equipa), para ajudar a entender como é que cada equipa se comportou face à postura do adversário. Mas discordo que essa quantificação possa traduzir por si só a justiça do resultado. O problema é óbvio: o critério que cada um utiliza para traduzir o que é uma ocasião de golo. Isto é, o pensamento por trás do número de situações criadas não contempla o tipo de situação de finalização em questão, e a forma como essa situação foi conseguida. Portanto, para uma melhor percepção da justiça do resultado, ao número de situações deveria seguir-se uma análise ao tipo de situação e da forma como a situação apareceu. Da quantidade para a qualidade, uma vez que é perfeitamente possível que uma equipa que crie cinco ocasiões de golo seja menos merecedora da vitória do que outra que crie uma. É aqui que entram as vitórias morais.
Normalmente, quando uma equipa perde um jogo e tem um grande volume ofensivo e/ou tem uma percentagem esmagadora de posse, diz-se que essa equipa foi ineficaz e que somou uma vitória moral, uma vez que não conseguiu transformar em resultado a superioridade no jogo. Para me demarcar da acusação de defensor de vitórias morais, coloco o problema do outro lado: é muito fácil explicar o jogo com números tendo em conta que o volume pode ser avassalador; mais difícil e mais completo será sempre explicá-lo olhando para a qualidade que existe dentro desse volume.
Ou seja, a equipa que foi mais atacante, que teve mais remates, mais cruzamentos, mais posse de bola,mais tempo no meio campo ofensivo do adversário, pode perfeitamente ser a equipa que menos merece sair vitoriosa porque pode não ter tido a arte e o engenho para conseguir criar situações de finalização “simples”. E sim!, as situações de finalização simples são melhores do que as outras por serem menos afectadas por factores externos e pela maior ou menor inspiração de quem finaliza. Portanto, não é de vitórias morais de que estou a falar, mas sim de quem fez mais por criar situações de finalização onde o número de constrangimentos na última acção é menor.
Logicamente que a equipa que tem a bola durante mais tempo, e que passa mais tempo no meio-campo adversário, tem mais possibilidades de conseguir criar situações que possam levar à vitória, mas não é em todas as situações que essas equipas conseguem, apesar de um maior número de tentativas, romper com a organização defensiva do adversário e criar situações que lhes permitam estar mais perto do sucesso do que aquelas criadas pelo adversário num menor número de tentativas. 
O jogo entre o Tottenham e o Manchester City para a Liga dos Campeões é um grande exemplo disso: a equipa de Guardiola foi dominadora, teve mais bola, controlou, mas nunca esteve mais perto da vitória do que a turma de Pochettino.
São tantas as vezes em que olhamos para o jogo e dizemos que a equipa teve azar, que não foi eficaz e que pelo número de situações que teve perto da baliza mereceria outro resultado, mas quase nunca olhamos para o tipo de situações criadas e pensamos que as situações são de difícil execução e finalização, e que, afinal, o problema poderá não ser da eficácia e do volume das situações mas sim da qualidade das mesmas. Por exemplo: num jogo em que a equipa faz muitos remates e permite que o guarda-rede faça defesas espantosas, em que faz muitos cruzamentos e faz a bola chegar muitas vezes perto da baliza, assumimos pelo frisson que este tipo de situação causa e pelo caudal ofensivo que a equipa demonstra que será uma questão de tempo até a equipa conseguir marcar. No final, a frustração e o sentimento de injustiça são grandes por não termos ido ao detalhe para discernir o tipo de situações que foram criadas.
Para que fique mais claro o tipo de avaliação que deve ser feita das situações de golo, vou apresentar alguns lances retirados do Twitter da Eleven Sports.


Reparem, por exemplo, nestas duas defesas de Oblak. A primeira, brilhante, porque o remate desvia no defesa e ressalta a poucos centímetros dele. Mas se o remate não tem sido desviado pelo defesa, muito provavelmente teria sido um lance sem história pelo pouco ângulo que havia para finalizar, e pela forma como os defesas e o Oblak fecharam a baliza. Se tem sido golo, o mérito teria sido muito pouco.
A segunda defesa, pela espectacularidade, dá a impressão de ser um lance de grande dificuldade para Oblak. Todavia, a difícil execução do avançado, pelas condições em que a bola chega a si, fazem com que não tenha tempo e espaço (caso queira rematar) para escolher onde colocar a bola, nem tão pouco para executar o remate nas melhores condições. A bola vai ao meio, e é uma defesa que apesar de causar calafrios tem um grau de dificuldade bem inferior à primeira.


Esta situação, na qual Burki aparece em grande plano, é bastante boa para ilustrar que, apesar dos arrepios e da proximidade da baliza, não houve grande mérito ofensivo na forma como a situação apareceu, e a própria situação tem um índice qualitativo baixo. Isto porque os constrangimentos para a finalização eram imensos:
- A quantidade e a ação dos defesas colocados para defender o lance que dificultam todos os gestos técnicos;
- A trajectória e a velocidade da bola após o primeiro cabeceamento;
- A forma como em desequilíbrio Antonhy Ujah tenta finalizar com o pé, seguido da forma como em queda ainda tenta rematar no final do lance.
Milagre seria desta situação, tendo em conta a dificuldade, ter saído um golo.

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As bolas paradas costumam ser decisivas em alguns jogos, e a brilhante execução de Griezmann dá a entender, pela aparente facilidade do gesto, que é um momento privilegiado para se conseguir chegar ao golo. Mas apesar de ser uma situação com algum potencial, não é de fácil execução e está longe de ser o melhor tipo de situação que se pode encontrar para finalizar.
Para lá da dificuldade do livre pela distância ou pelo ângulo, há ainda que perceber de onde é que o lance surgiu: foi uma falta conseguida de uma ação colectiva ou individual, ou foi um lance fortuito mal abordado pelo defensor?


Franco Vázquez faz um golo de encher o olho, mas esta é uma situação que apesar de finalizada com categoria não garante uma percentagem de acerto tão grande como outras. Porque a qualidade individual do executante é preponderante, há ainda alguma distância para a baliza, está em jogo um defesa que pode colocar-se no caminho da bola, e o guarda-redes está dentro do lance.


Normalmente, as situações de cruzamento são avaliadas tendo em conta o jogador que consegue cabecear a bola: se for o defesa é como se a situação não tivesse existido, se for o avançado e a bola passar perto da baliza é mais uma a somar para o conjunto de situações de golo. Não se tem em conta se a equipa que defende tem superioridade numérica e espacial no momento de cruzamento, não se tem em conta se o avançado que cabeceia o faz nas melhores condições (com ou sem oposição), ou se o cruzamento apanha a defesa de frente ou se a bola é colocada nas costas.
Neste caso, no golo de Munir El-Haddadi, a bola é colocada por forma a dificultar ao máximo a acção dos defesas, ficando quem ataca numa posição favorável para finalizar.


Sobre o golo de Cristiano, as declarações de Frenkie de Jong são bastante elucidativas: “Quando o vi no ar, em posição frontal, sabia que íamos sofrer”. A descrição é perfeita para se perceber a qualidade da situação criada; e ainda que seja de cabeça, a probabilidade de êxito é grande. Não superior a uma situação do mesmo tipo para finalizar com os pés, e não é a situação de finalização mais simples de executar, mas é sem margem para dúvida uma situação de finalização muito boa.


Não podemos colocar no mesmo saco esta situação que, apesar de ter muita qualidade, é uma situação na qual Ben Yedder ainda tem o guarda-redes como obstáculo, e a situação que se segue, em que o único obstáculo para a finalização é a qualidade do último passe (bola pelo ar), e a execução do Sarabia.


O que a maior parte das pessoas tem dificuldade em perceber (ainda que possam sempre existir discussões sobre os critérios que avaliam a qualidade dos lances) não é o tipo de situação ou a qualidade das mesmas, mas sim de onde é que as situações aparecem. Porque uma equipa pode não ter mérito algum na forma como as situações de jogo se transformam em ocasiões de golo, ainda que possa ter o mérito na finalização das mesmas.
Porém, o ter finalizado as situações que aparecem por imponderáveis como a sorte, as condições meteorológicas, os erros de arbitragem ou os erros do adversário, em nada legitima o mérito no resultado final. Apesar da finalização, e do volume, as situações podem não ter sido criadas e terem aparecido por factores externos à equipa, factores esses que, por não terem nada a ver com a equipa, não podem servir como avaliadores daquilo que foi a produção de jogo, uma vez que qualquer outra equipa teria beneficiado das mesmas situações pelo simples facto de estar em campo.


Por isso, não se tratam de vitórias morais, mas sim de uma avaliação qualitativa que tem em conta quem mais fez por procurar a vitória. E terá sempre mais mérito a equipa que tentar mais e conseguir melhor criar situações de finalização simples, como é o caso do golo de Firmino. Porque neste tipo de golo, que é criado pela acção ofensiva do Liverpool, a qualidade individual de quem finaliza é um factor que quase não tem importância."

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Futebol e zaragata

"Há dois fenómenos que estão a prejudicar gravemente o futebol: os programas ditos desportivos das televisões e o VAR.

Nos canais informativos das televisões – CMTV, TVI 24, SIC Notícias e RTP3 –, os serões são quase todos ocupados por debates sobre futebol. Debates é um eufemismo: aquilo são zaragatas. O alarido é pior do que na Praça da Ribeira.
É lamentável.
Até há uns anos, os lugares nos programas desportivos eram ocupados por jornalistas – que, bem ou mal, com mais ou menos talento, procuravam fazer o seu trabalho. Até por dignidade profissional, esforçavam--se por ser isentos. Embora nem sempre o conseguissem, tentavam (ou fingiam tentar). 
Tudo isso acabou. Os jornalistas foram substituídos por “painelistas” assumidamente clubistas. Ex-jogadores de futebol ou adeptos furiosos.
A independência acabou. Já nem é preciso fingir isenção – pelo contrário, é necessário afirmá-la, levá-la ao extremo, para satisfazer os fanáticos adeptos do clube que representam.
A isenção, que antes era uma mais--valia, tornou-se uma menos-valia – porque não agrada a ninguém. Agora, o que é preciso é um painelista doentiamente adepto do Benfica, outro doentiamente adepto do Porto e outro doentiamente adepto do Sporting – para os adeptos doentes dos três clubes terem com quem se identificar. Os outros clubes não existem.
Nesses programas vejo nos ecrãs uns autênticos loucos varridos. Vejo um inenarrável Pedro Proença (não o ex-árbitro, mas sim um advogado adepto do Sporting), vejo um invertebrado Pedro Guerra, vejo um troglodita Rodolfo Reis, vejo um histérico Roquete, vejo um pouco honesto André Ventura. Este até tinha obrigação de se situar noutro nível. Mas não. A vontade de agradar ao adepto fanático sobrepõe-se a tudo. Um destes dias sustentava que o braço de um jogador adversário era uma perna, e uma mão era um pé. Só que o “pé” era branco – o que o levava a dizer que o jogador tinha uma bota branca. Mas nas imagens seguintes não havia nenhum jogador envolvido naquele lance com botas brancas!
O VAR é outro problema Veio para acabar com os erros no futebol, mas só está a acicatar ainda mais os ânimos. Porquê? Porque não resolve muitos dos erros mais graves – os penáltis, que dependem do critério subjectivo do árbitro – e tem falhado escandalosamente em foras-de-jogo, que são perfeitamente objectivos. Ora, isto levanta naturais suspeitas. Hoje já não se discute apenas o árbitro – discute-se também o VAR. A discussão é a dobrar. O VAR e os programas desportivos de zaragata estão a descredibilizar o futebol. Antes, os comentadores isentos introduziam alguma racionalidade nas discussões e esfriavam a fúria dos adeptos. Hoje, os painelistas aquecem-nos ainda mais.
Já vejo muita gente a dizer que não acredita no futebol e se está a afastar dele."

O VAR é o meu pastor, nada me faltará

"Com o VAR foi-nos dito que poderíamos estar seguros, este corrigiria os erros, desatenções ou falta de visão do Sr. Árbitro

A pressão sobre os árbitros nunca foi tão grande, com câmaras focadas em cada jogada, gravando todos os ângulos e posições em alta definição; com tecnologias virtuais que recriam todas as jogadas; com milhões de publicações dos fãs do futebol nas redes sociais e com um exército de especialistas, ex-árbitros e todo o tipo de comentadores questionando as suas decisões.
O VAR foi criado para abençoar os fãs e guardar a verdade desportiva. O projecto VAR está detalhado no "Manual de implementação para competições", mais conhecido por "Protocolo do video-árbitro", que foi elaborado pelo International Football Association Board e que tem vindo a ser actualizado com contributos de federações, árbitros e técnicos de arbitragem envolvidos no projecto. Hoje é já certo que o mesmo tem muitas e inegáveis vantagens, mas não tem a virtualidade de acabar com os problemas e discussões no futebol.
Com o VAR foi-nos dito que poderíamos estar seguros, este corrigiria os erros, desatenções ou falta de visão do Sr. Árbitro. Em troca, perdeu-se a explosão de alegria verdadeira e espontânea da marcação de um golo, existe agora algum receio que o mesmo possa ser manchado de pecado e que o VAR possa atuar para nos prover a melhor decisão. A eventual segunda alegria da decisão do vídeo-árbitro não é a mesma coisa, é uma explosão controlada: mas lá está, o VAR seria nosso pastor, nada nos faltaria.
A verdade é que faltou! Não sou descrente, aceito fielmente o princípio estruturante de que o VAR só deve ser utilizado para corrigir erros claros e para incidentes graves não assinalados em decisões que alteram o jogo (golo, penálti/não penálti, cartões vermelhos directos e erros de identificação). Mas não imaginam como gostava de ter visto tal princípio em prática na última jornada dos quartos-final da Liga dos Campeões.
Como crente no VAR, examino primeiro o incidente no Tottenham Hotspur Stadium. Rose corta remate de Sterling no início do primeiro tempo, quando o árbitro Bjorn Kuipers foi alertado pelo olho no céu que houve um corte com o braço, que originou um penalti e cartão amarelo para Rose. No mesmo jogo, parece que ficou por assinalar um cartão vermelho para Fernandinho que deu uma cotovelada em Kane.
No segundo jogo com incidentes envolvendo uma equipa portuguesa, em Anfield Road, na sequência de um lance em que o F. C. Porto pediu grande penalidade cometida por Alexander-Arnold, do Liverpool, que joga a bola com o braço (ainda mais afastado do corpo do que no primeiro lance examinado), o VAR influenciou o árbitro António Mateu a não assinalar o devido penálti. Uma desilusão, VAR porque abandonaste tal equipa! Então a UEFA não deu instruções para assinalar todo este tipo de lances em que o braço esteja afastado do corpo? E o que me dizem da decisão de bradar aos céus da entrada perigosa de Salah sobre Danilo, um lance que parece sempre pior de cada vez que se assiste? Sem acção disciplinar, esse fantástico jogador tem bilhete para a segunda mão que se disputa quarta-feira desta semana, onde o Liverpool defenderá uma VARtagem de 2-0.
O VAR nunca será uma panaceia para todos os males do futebol, nem pode ser enunciado como um poderoso salmo, discutiremos sempre, entre outras situações, se um braço foi deliberado ou acidental, faremos sempre comentários se determinado lance ou incidente deveria ter sido ou não revisitado, pois o VAR (tendo intervenção humana) erra pouco, mas erra. Mas é assim o futebol e não há adepto que não goste de ter tema de conversa depois do apito final..."

Omissão premeditada...

"A comunicação social fez eco das declarações de Petit, atribuindo grande destaque ao mesmo tempo que omitia a totalidade das declarações, criando assim uma narrativa ao serviço da santa aliança, que rapidamente se apregoou a partilhar a onda de indignação nacional.
Nada disto nos surpreende. Mas como sempre o #portoaocolo desmonta com a verdade dos fatos.
O treinador do Marítimo explicou que iria adoptar procedimento semelhante ao realizado com o FC Porto, em que vários jogadores que estavam em risco, acabaram por ficar fora das escolhas do 11. É uma estratégia questionável. Agora, o que não podemos permitir é que se cria a ilusão/narrativa, omitindo toda a veracidade da informação. É contra tudo isto que continuaremos a lutar.
P.S: para os vassalos indignados da Torre das Antas, aconselhamos apenas a recuarem até ao ano 2016. Não foram 2, foram 7 jogadores - ver imagens - numa equipa em dificuldade e onde todos os pontos seriam preciosos."


Os cartões “provocados” do Marítimo

"Desta jornada que passou temos alguns casos interessantes, quer dentro, quer fora das quatro linhas. Ou seja, para além das situações de natureza técnica ou disciplinar resultante da avaliação dos árbitros e do videoárbitro (VAR), tivemos uma circunstância que, não sendo original, tem sido tema de conversa nos órgãos de comunicação social e não só. Falo do alegado forçar de cartões amarelos por parte de dois jogadores do Marítimo e que foram assumidos pelo próprio treinador como intencionais. Uma prática corrente, quando a ideia é limpar cartões em função dos jogos que se seguem, depois de uma avaliação feita quanto a saber se interessa ou não determinado jogador estar presente ou ausente.
Todos temos a ideia e sabemos que é algo que acontece ciclicamente em algumas fases das competições. Normalmente não é assumido publicamente por quem as pratica e daí que nunca são fáceis de provar em sede própria. E digo isto porque o regulamento de disciplina da Federação Portuguesa de Futebol acaba por ter alguns artigos que podem, na sua interpretação e posterior execução, conduzir a sanções mais pesadas para os jogadores, treinadores e clubes que as praticam. Destaco de forma muito resumida estes dois pontos deste referido regulamento para consubstanciar a minha ideia a propósito destas práticas: Artigo 12.º - Deveres gerais: “Todas as pessoas físicas e colectivas sujeitas ao presente Regulamento devem agir em conformidade com os princípios da ética, da defesa do espírito desportivo, da verdade desportiva, da lealdade e da probidade.”; Artigo 168.º - Prática de faltas intencionais e outros comportamentos irregulares: “O jogador que, por qualquer forma, provoque propositadamente a exibição de cartão amarelo ou vermelho por parte do árbitro, é sancionado com suspensão de 1 a 3 jogos.”
Ou seja, aquilo que aparentemente foi uma atitude para apenas completar o ciclo de cartões, para estar ausente no próximo jogo, pode-se transformar numa ausência forçada de mais jogos em virtude de uma eventual penalização da entidade competente.
Da jornada jogada dentro das quatro linhas gostaria de realçar dois momentos do jogo entre o Desportivo das Aves e o Sporting e que acabam por se cruzar naquilo que foi uma dúvida para muitos: a questão da tripla penalização. Primeiro - penálti; segundo - equipa fica com menos um jogador; terceiro - no jogo seguinte esse jogador não pode actuar. Ou seja, quando é que um jogador que sofre uma infracção que anula uma clara oportunidade de golo se traduz num cartão vermelho ou amarelo em relação ao infractor.
No minuto quatro do Desp. Aves-Sporting, Renan, fora da área, rasteira Luquinhas quando este se isolava. O árbitro expulsou o guarda-redes do Sporting, exactamente por considerar que anulou uma clara oportunidade de golo, e por se tratar duma infracção cometida fora da área a lei mantém-se inalterável, ou seja, livre directo e cartão vermelho. A tripla penalização só se aplica nos casos que ocorrem no interior da área com a consequente marcação de penálti, aqui sim, em certas circunstâncias: para além do penálti o jogador infractor deixa de ser expulso e passa a ser apenas advertido, que era a sanção que deveria ter sido aplicada a Salin ao minuto 31, quando este rasteirou com as mãos Luquinhas.
Aqui, o árbitro, por ter considerado que era apenas um ataque prometedor e porque os guarda-redes podem tentar jogar a bola com as mãos, assinalou correctamente o penálti e de acordo com a lei da tripla penalização passou daquilo que seria numa circunstância normal cartão amarelo para a não amostragem de qualquer cartão. Contudo, na minha opinião, o enquadramento da jogada (distância, direcção, bola controlada, e não possibilidade de outro defensor intervir) configurava uma clara oportunidade de golo e não um ataque prometedor, pelo que, de acordo com a circunstância da tripla penalização, o árbitro deveria ter transformado o tal cartão vermelho em um cartão amarelo.
O importante mesmo é, independentemente da apreciação que o árbitro fez do lance, o conhecimento geral da lei 12 que diz; “quando um jogador cometer uma infracção contra um adversário dentro da sua área de penálti que impede a equipa adversária de marcar um golo ou anula uma clara oportunidade de golo e o árbitro assinala um pontapé de penálti, o jogador infractor é advertido se a infracção tiver sido numa tentativa de jogar a bola. Em todas as outras circunstâncias o jogador tem de ser expulso."

Os amarelos do Petit

"Como é sabido e reconhecido o futebol português vive (há demasiado tempo) num clima de corrupção (?), suspeição, acusação e intimidação que não o prestigia de modo algum. E o (de)mérito é todo dos três ditos «grandes», quer dos seus dirigentes quer dos seus adeptos. 
No jogo Marítimo-Feirense, 2 jogadores dos madeirenses foram admoestados com a cartolina amarela ficando impedidos de dar o seu contributo na próxima jornada no Estádio da Luz, contra o Benfica. Este impedimento foi orquestrado pelo treinador verde-rubro de modo a poderem estar presentes nos confrontos com equipas do seu campeonato. Qual a admiração? A verdade é que, seja com ou sem Edgar Costa e Joel, a probabilidade de sair com pontos da Luz (ou Alvalade ou Dragão) é bastante reduzida! Havendo 4 outros jogos posteriores para decidir a manutenção, o mais sensato é «limpar» a ficha de disciplina destes jogadores de modo a poderem dar o seu contributo nos jogos que efectivamente podemos ganhar. Se preferia jogar com os melhores e lutar para ganhar nos estádios dos «grandes»? Claro! Mas há que ser realista! Já fizemos o mesmo contra o Porto, poupando alguns jogadores que estavam em risco de suspensão, para que pudessem jogar contra um adversário directo na jornada seguinte.
A única diferença deste caso para outros que ocorrem em Portugal é a sinceridade do Petit: respeito e admiro, mas acredito que não o deveria ter admitido em público, evitando o denegrir da imagem do clube na praça pública. Se o próximo adversário não fosse um «grande» a comunicação social teria dado tanto destaque? Incrível como adora criar polémicas e incentivar o ódio e a desconfiança (que saudades do verdadeiro jornalismo) – os jogos e os resultados do Marítimo nunca merecem comentários de destaque nas capas dos jornais (a não ser quando joga contra os «grandes»), mas agora, com este «caso», destacam-se os amarelos forçados e não o resultado propriamente dito… Já entre adeptos «caiu o Carmo e a Trindade», falando-se de verdade desportiva, malas, favorecimentos etc...
No entanto, destaco o facto de tanto Benfica, Porto e Sporting também utilizarem este tipo de estratagemas nas vésperas dos jogos entre si, ou seja, nos confrontos do seu campeonato, de modo a poderem estar na máxima força. Nestes casos, já não se considera que é para facilitarem nos jogos com os chamados «pequenos» mas sim por ser um questão inteligente e estratégica. Haja coerência, por favor.
Por incrível que pareça, a primeira liga não tem só 3 clubes.
Em relação ao que realmente interessa, o Marítimo está mais perto de garantir a manutenção. Acredito que mais 3 pontos serão suficientes!"

A demografia desportiva

"A demografia é a ciência que tem por objecto o estudo das populações humanas na sua dimensão (grandeza), na sua estrutura (composição de idades, sexos...) na sua evolução (crescimento, estabilidade, declínio...), do ponto de vista quantitativo. Ela procede a uma descrição numérica precisa das populações sob o seu duplo aspecto: estático (estado, estrutura, componentes) e dinâmico (evolução geral, movimentos internos). A demografia utiliza os recursos matemáticos, a estatística e as probabilidades (efectivos, percentagens, taxas...). Todos estes aspectos são devidamente contabilizados pelos recenseamentos, inquéritos e as sondagens que se realizam periodicamente.
Em Portugal, não se fala muito dela, mas a demografia desportiva é a mais recente das ciências sociais aplicadas. Ela assenta em dois ramos de análise: 1) uma análise dos efectivos globais dos praticantes (“stocks”) recenseados anualmente e a observação da sua evolução no tempo. Isto permite construir um histograma simples, em vários anos, e de desenhar a curva do ciclo de vida da modalidade desportiva em estudo; 2) uma análise do estudo dos movimentos internos de uma população de desportistas filiados num clube, numa federação, numa sala privada, etc. Ou seja, dos “fluxos de entradas” (adesões anuais) e de “saídas” (abandonos anuais). Estes fluxos, no interior do conjunto das populações desportivas, são designados de “turn-over”. É a partir dos dados fornecidos pelas federações desportivas que podemos observar o “stock” de praticantes e a sua evolução no tempo. As noções demográficas de “nascimento”, “morte”, “emigração”, “imigração”, por exemplo, são utilmente transpostas para as modalidades desportivas, como uma metáfora, designando processos mais complexos e reconhecidos: nascimento (primeira adesão) à modalidade; mortos (abandonos ou reconversões para outras desportos ou associações), chegada de trânsfugas vindos de outras modalidades ou de renovação da adesão, depois de uma interrupção (renascimento) (Pociello, 1999).
Se a demografia desportiva, como ciência, é recente, isto deve-se a vários factores: à incerteza das fontes; a ausência de interesse (ou à falta de percepção) destes fenómenos; a ausência de um pedido por parte das administrações de tutela do desporto (ou outras); às reticências (ou hostilidade) por parte das direcções dos clubes e federações face à evidência do declínio dos seus efectivos, não podendo esconder, assim, a extrema volatilidade do seu público de aderentes (De Bruyn, 2006). Diga-se também, de passagem, que aqueles que detêm muitas vezes a informação não estão disponíveis para a ceder.
As federações são obrigadas a produzir anualmente o recenseamento dos seus efectivos (“stocks”) ao seu ministério de tutela. Esses dados são, normalmente, classificados por categorias (até juniores, juniores, seniores, veteranos) e por sexos e depois totalizados.
Em Portugal, desconhecem-se trabalhos científicos sobre demografia desportiva. Fala-se de uma “demografia federada”, porque se estuda a dinâmica da população desportiva enquadrada no movimento associativo. Em França, Chevalier (1994) é considerada como a pioneira nesta área, tendo estudado, num quadro teórico interacionista, as trajectórias e os abandonos dos cavaleiros da Delegação Nacional dos Desportos Equestres, entre 1988 e 1992. Este estudo é o “ato fundador” da demografia desportiva. Os dados produzidos pelo ministério da Juventude e dos Desportos Francês permitiram fontes inéditas capazes de serem trabalhadas do ponto de vista demográfico. E em Portugal? É para quando?"

O homem-máquina

"Um antigo aluno meu, que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa, disse-me, há poucos dias, na Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas, antes de uma charla por mim proferida nesta Biblioteca: “Professor, as suas aulas eram mais filosofia do que desporto e nós, alunos, não o compreendíamos. Francamente, só hoje o compreendo”. Isolado, já velho, entre as flores secas das minhas recordações; rodeado do bafio glorioso de alguns livros que ainda me acompanham – relembro as minhas aulas, no ensino público e no ensino privado, em Portugal e no estrangeiro. De facto, o que poderiam interessar o Fédon, de Platão, ou a História da Sexualidade e o Nascimento da Clínica e o Vigiar e Punir, de Michel Foucault, ou as Cinco Lições sobre Psicanálise de S. Freud, para alunos que viviam a prática desportiva, como o propugna a “sociedade de consumo”, tão certeiramente descrita por Baudrillard? E o racionalismo de Descartes e Leibniz, o Leibniz que chegou a escrever: “tudo o que se faz com o corpo do homem é tão mecânico como o que se faz com um relógio”? E o monismo de Espinoza, tão diferente do dualismo de Descartes e, por isso, tão próximo da “matéria que destila espírito” de Teilhard de Chardin? E aquela frase de Claude Bruaire: “o corpo é compreendido, como Deus é concebido”? E uma outra frase (esta da minha autoria): “o desporto atual reproduz e multiplica as taras da sociedade capitalista”? Sim, acredito que para pouco ou nada lhes servissem umas páginas avulsas da História da Filosofia. Mas a verdade é que, sem Filosofia, não entenderemos nunca a História do Corpo, nem a História do Desporto e da Educação Física e da nascitura Ciência da Motricidade Humana. No caso do “homem-máquina”, a expressão foi criada pelo Dr. Julien Offray de la Mettrie (1709-1751). Era francês, nascido na Bretanha e, a partir de 1725, licenciou-se em Filosofia, depois em Ciências Naturais e, por fim, em Medicina que lhe proporcionou “o pão de cada dia”. A Medicina, durante o século XVIII e antes da Revolução Francesa, imobilizara-se numa lamentável mediocridade, que podemos visionar nas teses aprovadas pela Faculdade de Medicina de Paris. Vejamos os temas de algumas delas: “A mulher é mais lasciva do que o homem?” e “As moças bonitas são mais férteis do que as outras?” e “A mulher pode transformar-se em homem?” e “Pode diagnosticar-se o amor, tomando o pulso do doente?” e “Pode a devassidão engendrar a calvície?”… 
A medicina francesa do tempo de La Mettrie é bem ridicularizada, nas peças de Molière. De facto, nela, não penetrara ainda o espírito moderno de John Locke, de Condillac e de Helvetius , o que provocou em La Mettrie funda estranheza e hostilidade. Por isso, em 1733, após o seu doutoramento correu a encontrar-se com o que de melhor havia, na medicina europeia. Em 1746, publicou um panfleto incendiário, A política do médico, em que levantava dolorosas interrogações à competência profissional da grande maioria dos seus colegas. Antes da obra, que mais fama lhe grangeou, O homem-máquina, ainda publicou uma comédia, A faculdade vingada, onde zurziu sem piedade tanto médico charlatão e tanto cirurgião açougueiro, que proliferavam no seu País. Entretanto, em 1748, com O homem-máquina, adiantou sem receio que os homens, como os animais, eram máquinas, máquinas tão-só, se bem que mais engenhosas do que os animais. E portanto sem nenhuma substância espiritual a informá-las. Ainda em 1748, e sem muitos motivos para festejar a publicação de O homem-máquina, que provocou nos meios protestantes e católicos a mais frontal rejeição, deu à estampa O homem mais que máquina onde mais radicalizou as suas teses mecanicistas e materialistas e as normas da sua moral laicizada, o que lhe mereceu, naturalmente, o franco aplauso de alguns e a mais ousada repulsa de quase todos. Porém, embora as tempestades adversas, que lampejavam em sátiras e sarcasmos e ameaças, o rei da Prússia, Frederico, fez dele o seu médico privativo e nomeou-o, num ímpeto retórico em que o apresentou como “vítima dos padres”, membro efectivo da Academia de Ciências de Berlim. Todavia, o seu exílio dourado na Prússia não durou tempo demasiado, ao mandar imprimir, fremente de paixão, mais um panfleto, Discurso sobre a felicidade, com uma linguagem que ofendia os mais elementares preceitos da moral civilizada. E assim, tanto na Prússia, como em França, o consideraram um louco (os próprios iluministas assim o começaram a tratar). E, em Novembro de 1751, durante a digestão de um opíparo almoço, faleceu.
“A tese da continuidade entre o homem e o mundo animal está sendo cabalmente confirmada pela moderna biologia. As semelhanças genéticas são extraordinárias. O genoma da mosca drosófila tem cerca de 15000 genes, ao passo que o genoma humano só tem o dobro de genes. O genoma dos primatas superiores é semelhante ao humano em mais de 90%. Não se comprovou ainda a tese de La Mettrie de que os papagaios podem manter com seres humanos uma conversa racional, mas comprovou-se que a comunicação é possível com gorilas que aprenderam a linguagem dos surdos-mudos (…). La Mettrie teria visto, em todas essas conquistas da ciência moderna simples confirmações de suas teorias sobre o “continuum” existente entre animais e plantas e entre o animal-máquina de Descartes e o seu homem-máquina” (Sérgio Paulo Rouanet, in AA.VV. O Homem-Máquina, Companhia das Letras, S. Paulo, 2005, pp. 55/56). No meu pensar, confirma-se, de facto, no processo universal da evolução, a passagem do mundo animal ao mundo humano, mas nem tudo, no ser humano, parece regido por leis físicas e mecânicas. No que há motricidade humana diz respeito, não julgo que possa adiantar-se, sem mais, que a alma imaterial não representa um “salto qualitativo”, em relação ao puramente material, ou mesmo à biologia. Quando se define a motricidade humana como “o movimento intencional e solidário da transcendência”, quer dizer-se também que, no ser humano, nem tudo pode estudar-se, abeirando-nos unicamente da razão, pois que os sentimentos, as emoções, a fantasia não podem reduzir-se ao cartesiano esprit de géometrie. Quando o João Félix, um jovem futebolista do S.L.Benfica, no jogo com o Eintracht Frankfurt, para a Liga Europa, conseguiu um “hat trick” e desatou num copioso choro – ele emocionou-se e emocionou os muitos que o viram, tanto no Estádio da Luz como pela Televisão. E, nesse momento, não lhes minguaram os recursos da razão, nem a ele, nem aos espectadores. Mas a emoção diz mais, em menos tempo…
O Eintracht não conhecia o travo da derrota, há 15 jogos consecutivos e situa-se, em lugar de relevo, na Bundesliga: o quarto lugar! Mas o génio de um rapaz de 19 anos, fraternalmente acompanhado pelos seus colegas de equipa, embaraçou, dobrou o colosso alemão. Descrito o jogo, com acerto e pormenor, a Imprensa dos “quatro cantos do mundo” deixou seduzir-se pela “classe” do João Félix: porque fez o que o sentido previsor dos especialistas esperava? Não, fez o inesperado, o inopinado, o imprevisto. Como os génios fazem! O treino permitiu-lhe a força, a velocidade a certeza do remate. Mas o génio transforma o Homem-Máquina em Artista. Não há corpo, sem alma. Tendo a neurologia, como sólido alicerce, é possível descobrir no cérebro uma localização muito precisa, para grande parte dos nossos movimentos. Se se estimular um determinado grupo de células cerebrais, é certo que o paciente pronunciará algumas palavras, ou executará alguns movimentos. E assim poderá afirmar-se, sem quaisquer dúvidas, que a alma é o corpo, quando regido por leis determinadas? Eu posso responder com o que aprendi, em Henri Bergson, nos livros da autoria do insigne filósofo, mormente Matière et Mémoire (editado pela PUF, Paris) e A Evolução Criadora (editado pelas Edições 70, Lisboa): não há alma, sem corpo, no entanto a alma não é corpo tão-só; por isso, na genialidade, há mais do que movimento como realidade física e mecânica. Há um excesso de ser, na alma, em relação ao corpo. Não é tanto por ser matéria e máquina que o homem é génio, mas porque transcende a matéria e a máquina e se faz espírito também."

Euroleague Basketball: uma Liga milionária (332.5 milhões)

"A Euroliga é a segunda melhor Liga de Clubes de Basquetebol profissional a nível mundial (depois da NBA). Por motivos de marketing, é designada por “Turkish Airlines Euroleague”. Nela participam as melhores equipas europeias pertencentes aos seguintes países: Espanha (Real Madrid, Barcelona, Baskonia Vitoria e Gran Canaria), Turquia (Fenerbahce, Anadolu e Darussafaka de Istambul), Rússia (CSKA e Khimki de Moscovo), Grécia (Olympiacos Pireu e Panathinaikos Atenas), Itália (0limpia Milão), Israel (Maccabi Tel Aviv), Alemanha (Bayern Munique), Lituânia (Zalgiris Kaunas) e Montenegro (Buducnost Podorica).
Desde o momento em que começou a ter como principal patrocinador a companhia de aviação “Turkish Airlines” conseguiu, progressivamente, valorizar o nível desportivo da competição e a consequente melhoria do espectáculo desportivo. As receitas dos jogos cresceram, significativamente, o que permitiu melhorar a qualidade e capacidade das instalações desportivas. Embora o número de lugares sentados disponíveis para o público, em cada instalação desportiva seja, à partida, um importante factor no aumento das receitas em termos de bilheteira, foi de fundamental importância fazer uma boa promoção do espectáculo desportivo para que a rentabilização da capacidade dos lugares disponíveis se concretizasse. Cada equipa tem um patrocinador principal inserido na designação regulamentar do clube, nos equipamentos desportivos e na publicidade estática nos recintos onde actuam. E o círculo virtuoso do sucesso da Euroliga foi fechado com o surgimento de novos patrocinadores e mais transmissões televisivas tanto a nível local como internacional. 

Capacidade das instalações desportivas/assistência aos jogos.
Os clubes que tiveram maiores assistências no conjunto dos 15 encontros efectuados em casa (na fase regular) e, por consequência, as melhores médias de espectadores por jogo na condição de visitado, face a uma maior eficácia na rentabilização da capacidade da instalação desportiva que utilizaram:
- 1º Zalgiris Kaunas (Zalgirio Arena/Capacidade: 15.000 lugares) (Assistencia total: 221.048/média: 14.737 espetadores);
- 2º Panathinaikos Atenas (Olympic Sports Center/Capacidade: 18.989 lugares) (Assistência total: 182.291/média: 12.153 espectadores);
- 3º Baskonia Vitoria (Fernado Buesa Arena/Capacidade 15.504 lugares) (Assistência total: 163.933/média: 10.929 espectadores);
- 4º Maccabi Tel Aviv (Menora Mivtachim Arena/Capacidade: 11.060 lugares) Assistência total: 157.826/média: 10.522 espectadores);
- 5º Fenerbahce Istambul (Ulker Sports Arena/Capacidade: 13.059 lugares) (Assistência total: 157.391/média: 10.493 espectadores);
- 6º Real Madrid (WiZink Center/Capacidade: 15.000 lugares) (Assistência total: 145.547/média: 9.703 espectadores);
- 7º Olimpia Milão (Mediolanum Forum/Capacidade: 12.700 lugares) (Assistência total: 127.402/média: 8.493 espectadores);
- 8º Olympiacos Pireu (Peace and Friendship Stadium/Capacidade: 12.000 lugares) (Assistência total: 122.906/média: 8.194 espectadores);
- 9º CSKA Moscovo (Megasport Arena/Capacidade: 13.344 lugares) (Assistência total: 108.605/média: 7.240 espectadores);
- 10º Anadolu Istambul (Sinam Erdem Dome/Capacidade: 16.000 lugares) (Assistência total: 103.120/média: 6.875 espectadores);
- 11º FC Barcelona (Palau Blaugrana/Capacidade: 7.585 lugares) (Assistência total: 84.704/média: 5.647 espetadores);
- 12º Khimki Moscovo (Mytishchi Arena/Capacidade: 7.280 lugares) (Assistência total: 82.529/média: 5.502 espectadores);
- 13º Gran Canaria (Gran Canaria Arena/Capacidade: 11.500 lugares) (Assistência total: 72.348/média: 4.823 espectadores);
- 14º Buducnost Podorica (Moraca Sports Center/Capacidade: 6.000 lugares) (Assistência total: 71.877/média: 4.792 espectadores);
- 15º Bayern Munique (Audi Dome/Capacidade: 6.700 lugares) (Assistência total: 66.359/média: 4.424 espectadores);
- 16º Darussafaka Istambul (Wolkswagen Arena/Capacidade: 5.240 lugares) (Assistência total: 40.372/média: 2.691 espectadores).

Orçamento dos clubes
Os orçamentos dos clubes (época de 2018/19), em função das diversas receitas/despesas previstas foi o seguinte: 1º Real Madrid (orçamento: 42 milhões Eur.); 2º Barcelona (36 milhões); 3º CSKA Moscovo (36 milhões); 4º Fenerbahce Istambul (30 milhões); 5º Olimpia Milão (25 milhões); 6º Khimki Moscovo (24 milhões); 7º Maccabi Tel Aviv (23 milhões); 8º Bayern Munique (20 milhões); 9º Anadolu Efes (18 milhões); 10º Baskonia Vitoria (16 milhões); 11º Olympiacos Pireu (15 milhões); 12º Panathinaikos Atenas (15 milhões); 13º Zalgiris Kaunas (10,7 milhões); 14º Gran Canaria (10 milhões): 15º Darussafaka Istambul (6 milhões); 16º Buducnost Podorica (5,8 milhões). 
A verba global dos 16 clubes atinge um valor na ordem dos 332,5 milhões de euros, a melhor de sempre, pelo que faz concorrência a outras ligas profissionais de desportos colectivos espalhadas por esse mundo fora.

1.º Fase/Regular
Entretanto, a fase regular da prova (30 jornadas) teve o seu início em 11 de Outubro de 2018, na qual todas as equipas jogaram entre si a duas voltas (casa e fora) e terminou a 5 de Abril de 2019. Foi um esforço notável se atendermos a que todas as equipas também competiram aos fins de semana nas provas nacionais. Após esta maratona de jogos, ficaram apuradas para a fase seguinte (playoffs) as oito formações melhor classificadas nesta 1ª fase da prova. A classificação desta fase inicial (30 jornadas) parece estar, de algum modo, sintonizada com a verba salarial disponibilizada por cada clube para o recrutamento de jogadores, embora existam alguns excepções como se pode verificar. 

Classificação/Salários
1º - Fenerbahce (25 vitórias/5 derrotas) (salários: 18 milhões euros);
2ª – CSKA Moscovo (24 vitórias/6 derrotas) (18 milhões);
3º - Real Madrid (22 vitórias/8 derrotas) (31 milhões);
4º - Anadolu Istambul (20 vitórias/10 derrotas) (12 milhões);
5º - Barcelona (18 vitórias/12 derrotas) (27 milhões);
6º - Panathinaikos Atenas (16 vitórias/14 derrotas) (10 milhões);
7º - Baskonia Vitória (15 vitórias/15 derrotas) (9 milhões);
8º - Zalgiris Kaunas (15 vitórias/15 derrotas) (7,4 milhões);
9º - Olympiacos Pireu (15 vitórias/15 derrotas) (10 milhões);
10º - Maccabi Tel Aviv (14 vitórias/16 derrotas) (10 milhões);
11º - Bayern Munique (14 vitórias/16 derrotas) (10 milhões);
12º - Olimpia Milão (14 vitórias/16 derrotas) (12 milhões);
13º - Khimki Moscovo (9 vitórias/21 derrotas) (14 milhões);
14º - Gran Canaria (8 vitórias/22 derrotas) (5,6 milhões);
15º - Buducnost Podorica (6 vitórias/24 derrotas) (3,5 milhões);
16º - Darussafaka Istambul (5 vitórias/25 derrotas) (4 milhões).

Jogadores com melhores contratos
Para se ter a noção dos valores que envolvem a contratação de alguns jogadores profissionais, ao nível da Euroliga, apresentamos a listagem, que é do conhecimento público, dos 10 jogadores mais bem pagos:
- 1º – Alexey Shved (Khimki Moscovo) 4 milhões dólares;
2º - Nando de Colo (CSKA Moscovo) 2.780.000 $;
3º – Nick Calathes (Panathinaikos Atenas) 2.550.000 $;
4º – Sergio Rodriguez (CSKA Moscovo) 2.550.000 $;
5º – Jan Vesely (Fenerbahce Istambul) 2.430.000 $;
6º – Sergio Llull (Real Madrid) 2.200.000 $;
7º – Chris Singleton (FC Barcelona) 1.900.000 $;
8º – Mike James (Olimpia Milão) 1.800.000 $;
9º – Shane Larkin (Anadolu Efes) 1.700.000 $;
10º – Joffrey Lauvergne (Fenerbahce Istambul) 1.700.000 $.

Jogadores mais eficientes (MPV) por jornada e mensalmente
Através de um sistema de valorização pontual dos jogadores, específico da Euroliga, foram sendo eleitos os MVP em cada jornada, assim como, o melhor jogador da prova em cada mês decorrente da fase regular. MVP por Jornada:
1ª jornada - Jan Vesely (34 de valorização) Fenebarhce;
2ª - Nikola Milutinov (33) Olympiacos / Anthony Randolph (33) R. Madrid;
3ª - Scottie Wilbekin (30) Maccabi / Rodrigue Beaubois (30) Anadolu;
4ª - Nando de Colo (27) CSKA;
5ª - Gustavo Ayon (30) R. Madrid;
6ª - Cory Higgins (28) CSKA;
7ª – Eulis Baez (32) G.Canaria;
8ª - Alexey Shved (30) khimki ;
9ª - Alexey Shved (32) Khimki;
10ª - Jach LeDay (42) Olympiacos;
11ª - Gustavo Ayon (34) R.Madrid;
12ª - Derrick Williams (35) Bayern;
13ª - Nikola Milutinov (36) Olympiacos;
14ª - Vassilis Spanoulis (31) Olympiacos;
15ª - Johnny O´Bryant (44) Maccabi;
16ª – Nikola Milutinov (41) Olympiacos;
17ª – Kostas Papanikolaou (31) Olympiacos;
18ª – Marcelo Huertas (29) Baskonia;
19ª – Will Clyburn (27) CSKA;
20ª - Angelo Cloiaro (33) Maccabi;
21ª – Nando de Colo (38) CSKA;
22ª – krunoslav Simon (34) Anadolu;
23ª – Brandon Davies (34) Zalgiris;
24ª – Ante Tomic (28) Barcelona;
25ª – Shane Larkin (43) Anadolu;
26ª – Mike James (31) Milão;
27ª – Micheal Eric (33) Darussafaka;
28ª -Nick Calathes (39) Panathnaikos;
29ª –Toney Douglas (37) Darussafaka;
30ª – Brandon Davies (34) Zalgiris.

MVP Mensal:
Mês Outubro 2018 (1ª à 4ª semana): Edy Tavares (Real Madrid);
Novembro 2018 (5ª à 10ª semana): Vasilije Micic (Anadolu Istambul);
Dezembro 2018 (11ª à 15ª semana): Jan Vesely (Fenerbahce Istambul);
Janeiro 2019 (16ª à 20ª semana): Alex Tyus (Maccabi Tel Aviv);
Fevereiro 2019 (21ª à 24ª semana): Mike James (Olimpia Milão);
Março 2019 (25ª à 29ª semana): Nick Calathes (Panathinaikos).

Dança dos treinadores
Numa competição desportiva em que o suporte financeiro atinge valores muito elevados e os resultados desportivos levam o seu tempo a aparecer, as substituições dos treinadores (tradicionais chicotadas psicológicas) são a decisão mais fácil e barata para os dirigentes desportivos. Nos últimos tempos, como primeira forma de sacudir a água do capote perante os adeptos do clube e comunicação social, é arranjar um bode expiatório (treinador) para explicar o insucesso desportivo momentâneo. É a opção imediata na tentativa de mudança do rumo dos acontecimentos, sem se aprofundar as verdadeiras causas do que se está a passar na preparação da equipa. Infelizmente, esta irresponsabilidade dos dirigentes desportivos também está a chegar ao basquetebol europeu de alto nível. Vejamos, como exemplo as alterações surgidas durante esta época desportiva (2018-19) na Euroliga:
- Gran Canaria (pré-época) saída Luis Casimiro (Espanha) e entrada Salva Maldonado (Espanha)/(5.Dez.2018) saída Salva Maldonado e entrada de Victor Garcia (Espanha)/(11.Mar.2019) saída de Victor Garcia e entrada de Pedro Martinez (Espanha);
- Darussafaka Istambul (pré-época) saída David Blatt (USA) e entrada Ahmet Caki (Turquia)/(11.Dez.2018) saída Ahmet Caki e entrada Selçuk Emak (Turquia);
- Olympiacos Pireu (pré-época) saída Ioannis Sfairopoulos (Grécia) e entrada David Blatt (USA); - Baskonia Vitoria (16.Nov.2018) saída Pedro Martinez (Espanha) e entrada Velimir Perasovic (Croácia);
- Maccabi Tel Aviv (18.Nov.2018) saída Neven Spahija (Croácia) e entrada Ioannis Sfairopoulos (Grécia); - Panathinaikos Atenas (20.Dez.2019) saída Xavi Pascual (Espanha) e entrada Rick Pitino (USA);
- Buducnost Poderica (29.Dez.2018) saída Alexander Dzikic (Sérvia) e entrada Jasmin Repesa (Croácia); - Khimki Moscovo (21.Jan.2019) saída Georgios Bartzokas (Grécia) e entrada Rimas Kurtinaitis (Lituânia).
Os treinadores que mantiveram os seus postos de trabalho durante a época regular foram aqueles que classificaram as suas equipas para os playoffs ou que estiveram muito perto de o conseguir: Zelijko Obradovic (Fenerbahce), Dimitrios Itoudis (CSKA), Pablo Laso (Real Madrid), Ergin Ataman (Anadolu), Svetislav Pesic (Barcelona), Sarunas Jasikevicius (Zalgiris), Simone Pianigiani (Milão) e Dejan Radonjic (Bayern).

2º Fase/playoffs
As oito equipas melhor classificadas da fase regular, Fenerbahce, CSKA, Real Madrid, Anadolu, Barcelona, Panathinaikos, Baskonia e Zalgiris ficaram apuradas para os playoffs que serão disputados por eliminatórias à melhor de cinco jogos. O emparelhamento das equipas é feito de acordo com a classificação registada na 1ª fase da prova: (1º - 8º) (2º - 7º) (3º - 6º) (4º - 5º).
Os melhores classificados efectuam os dois primeiros encontros em casa, os dois seguintes fora e o quinto e último, para desempate, novamente em casa. As datas previstas para os playoffs são 16 e 17, 18 e 19, 23 e 24, 25 e 26 de Abril e, se necessário, em 1 de Maio.
- 1º Fenerbahce Istanbul --- 8º Zalgiris Kaunas
- 2º CSKA Moscovo --- 7º Baskonia Vitória
- 3º Real Madrid --- 6º Panathinaikos Atenas
- 4º Anadolu Istambul --- 5º FC Barcelona

Final Four – Cidade de Vitória (Espanha)
Este ano a derradeira fase (Final Four) vai ser realizada, de 17 a 19 de Maio, na cidade de Vitória (Espanha), no recinto da equipa do Baskonia (Fernando Buesa Arena), que tem uma capacidade para 15.504 espetadores. As quatro equipas vencedoras do playoff ficarão apuradas para participar na Final Four que vai decidir o vencedor da Euroliga.

Prémios Monetários
Durante a fase regular é atribuído aos clubes um prémio de 40.000 euros por cada vitória. Os quatro clubes que vencerem as eliminatórias do playoff receberão um prémio de 70.000 euros. Na Final Four é atribuído ao 1º classificado uma verba de 1 milhão de euros, o outro finalista receberá um prémio de 500.000 euros, o terceiro classificado é contemplado com 300.000 euros e o último terá direito a uma verba de 150.000 euros.

Arbitragem
A exemplo dos jogadores que criaram há algum tempo a sua associação (Euroleague Players Association) os árbitros também seguiram o mesmo caminho e, no início da actual época desportiva, constituiram a “Union of Euroleague Basketball Officials”. A “UEBO” foi registada oficialmente em Espanha, como uma associação independente, tendo como principal missão apoiar, representar e unir os árbitros na sua valorização pessoal e no crescimento da Euroleague Basketball. A direcção eleita é constituída por Sasa Pukl/Presidente (Eslovénia); Luigi Lamonica/1º Vice (Itália); Daniel Hierrezuelo/2º Vice (Espanha); Christos Chritodoulou/Tesoureiro (Grécia); Sreten Radovic/Secretário (Croácia); Ilija Belosevic (Sérvia); Olegs Latisevs (Letónia); Robert Lottermoser (Alemanha) e Boris Rhyzyk (Ucrânia).
Felizmente para o basquetebol nacional temos sido representados através da arbitragem, nas duas mais importantes competições de clubes da Europa (Euroliga e Eurocup), por dois consagrados juízes internacionais que muito têm prestigiado a modalidade e o desporto português. Esta afirmação baseia-se no facto de Fernando Rocha já ter dirigido, nestes últimos anos, um número significativo de jogos: 24 Euroliga/8 Eurocup (2015-16), 29 Euroliga/5 Eurocup (2016-17), 25 Euroliga/3 Eurocup (2017-18) e já ter actuado na Final Four da Euroliga. Esta época (2018/19) também arbitrou 24 jogos da Euroliga e 6 da Eurocup estando, ainda, nomeado para dirigir o 3º encontro (finalíssima) do playoff final da Eurocup entre as equipas do Valencia e do Alba de Berlim. Por sua vez, Sérgio Silva, dirigiu 11 jogos na Euroliga/12 Eurocup (2016-17), 12 encontros na Euroliga/8 na Eurocup (2017-18) e esta época (2018-19) arbitrou 9 jogos da Euroliga e 11 da Eurocup. Entendemos que o currículo dos dois juízes lusitanos, um mais experiente nestas andanças e outro mais jovem mas muito promissor, são uma prova efectiva do seu inegável valor e prestígio internacional, na medida em que actuam nas duas melhores competições profissionais de clubes do mundo, logo a seguir à NBA."